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Revista Colombiana de Ciencias Químico - Farmacéuticas

Print version ISSN 0034-7418On-line version ISSN 1909-6356

Rev. colomb. cienc. quim. farm. vol.52 no.2 Bogotá May/Aug. 2023  Epub May 01, 2023

https://doi.org/10.15446/rcciquifa.v52n2.107461 

Review Articles

Perfil químico e atividades farmacológicas da Punica granatum (Punicaceae): uma revisão

Chemical profile and pharmacological activities of Punica granatum (Punicaceae): a review

Perfil químico y actividades farmacológicas de Punica granatum (Punicaceae): una revisión

Antônio Rony da Silva Pereira Rodrigues1  ronny346silva@gmail.com

Cicero Damon Carvalho de Alencar2  damon.alencar12@gmail.com
http://orcid.org/0000-0003-0353-1811

1Universidade Estadual do Ceará, Av. Dr. Silas Munguba, 1700 - Itaperi, Fortaleza - CE, 60714-903, Brasil

2Universidade Regional do Cariri, Rua Cel. Antônio Luíz, 1161 - Pimenta, Crato - CE, 63105-010, Brasil


Resumo

Introdução

a Punica granatum é objeto de estudo de múltiplos pesquisadores, pois a espécie possui compostos químicos nas folhas, raízes, cascas, suco e caule, sendo uma fonte de taninos, saponinas, polifenóis, flavonoides entre muitas outras substâncias.

Objetivo

descrever o perfil fitoquímico e as atividades farmacológicas da Punica granatum.

Metodologia

o estudo trata-se de uma revisão bibliográfica com foco em artigos publicados na última década (2013-2012), utilizando as bases de dados Scopus, Embase, Web of Science e PubMed-Medline como fontes primárias de pesquisa e utilizando o software gratuito Ryyan para análise dos estudos relevantes que integram a revisão final.

Resultados

os estudos incluídos descrevem a romã como uma espécie rica em compostos químicos, como flavonoides, ácidos orgânicos e polifenóis. Enquanto as atividades farmacológicas, incluem atividade anti-helmíntica, antidiabética, anti-inflamatória, antimicrobiana, anticarcinogênica e ações frente a prevenção e tratamento da doença de Alzheimer.

Conclusão

a diversidade de compostos pode representar uma fonte viável para produção de fármacos e cosméticos com atividades de funções biológicas relevantes a saúde humana.

Palavras-chave Romã; farmacologia; fitoquímica

Abstract

Introduction

Punica granatum is the object of study by multiple researchers because the species has chemical compounds in leaves, roots, barks, juice, and stem, being a source of tannins, saponins, polyphenols, flavonoids among many other substances.

Aim

To describe the phytochemical profile and pharmacological activities of Punica granatum.

Methodology

The study is a bibliographic review focusing on articles published in the last decade (2013-2012), using the Scopus, Embase, Web of Science and PubMed-Medline databases as primary sources of research and using the free Ryyan software for analysis of the relevant studies that integrate the final review.

Results

The included studies describe pomegranate as a species rich in chemical compounds such as flavonoids, organic acids, and polyphenols. While pharmacological activities include anthelmintic, antidiabetic, anti-inflammatory, antimicrobial, anticarcinogenic activity and actions against the prevention and treatment of Alzheimer's disease.

Conclusion

The diversity of compounds may represent a viable source to produce drugs and cosmetics with activities of biological functions relevant to human health.

Keywords Pomegranate; pharmacology; phytochemistry

Resumen

Introducción

Punica granatum es objeto de estudio por múltiples investigadores, pues la especie posee compuestos químicos en hojas, raíces, cortezas, jugo y tallo, siendo fuente de taninos, saponinas, polifenoles, flavonoides entre muchas otras sustancias.

Objetivo

describir el perfil fitoquímico y las actividades farmacológicas de Punica granatum.

Metodología

el estudio es una revisión bibliográfica centrada en artículos publicados en la última década (2013-2012), utilizando las bases de datos Scopus, Embase, Web of Science y PubMed-Medline como fuentes primarias de investigación y utilizando el software gratuito Ryyan para el análisis de los estudios relevantes que integran la revisión final.

Resultados

los estudios incluidos describen la granada como una especie rica en compuestos químicos como flavonoides, ácidos orgánicos y polifenoles. Mientras que las actividades farmacológicas incluyen actividades antihelmínticas, antidiabética, antiinflamatoria, antimicrobiana, anticancerígena y acciones contra la prevención y el tratamiento de la enfermedad de Alzheimer.

Conclusión

la diversidad de compuestos puede representar una fuente viable para la producción de medicamentos y cosméticos con actividades de funciones biológicas relevantes para la salud humana.

Palabras clave Granada; farmacología; fitoquímica

Introdução

A romã (Punica granatum Linn.) é uma planta frutífera pertencente à família Punicaceae, sendo originária do Oriente Médio (na região onde se localiza o Irã, Afeganistão e o norte da Índia) [1], embora seja cultivada em todas as regiões do mundo atualmente, onde condições climáticas o permitem [2].

A romã desempenha papel importante como produto de exportação comercial, mas muito além de sua importância comercial, o fruto se tornou atraente para pesquisadores, para estudar várias características biológicas, como alta atividade antioxidante na fruta e a poli cariopse como uma característica valiosa para a produção agrícola [3].

A P. granatum L. são uma espécie bastante utilizada como fitoterápico na medicina popular. Na medicina popular as cascas do fruto são utilizadas no tratamento de dores de garganta e inflamações bucais, como também outras partes como as folhas, raízes, sementes e o fruto estão associados ao tratamento de úlceras, diarreia, febre, gengivite, abscessos, inflamações, aftas e outras infecções [4] [5].

Importantes componentes químicos foram descobertos e isolados dessa espécie, como taninos, flavonas nas folhas, esteróis e ácidos graxos do óleo da semente, flavonóis e alcaloides das cascas do fruto, piperidina nas raízes, ácido gálico e triterpenóides nas flores, além de apresentar altas concentrações de vitamina C e B nos frutos. Os componentes de P. granatum L. estão distribuídos por toda a planta [6].

A P. granatum L., se trata de uma planta rica em compostos fenólicos que lhe atribuem algumas das atividades farmacológicas. Em 2017, Hmid et al.[7] demostrou em seu estudo a presença de 10 compostos fenólicos no suco de romã, sendo eles: ácido gálico, catequina, epicatequina, ácido elágico, ácido clorogênico, ácido cafeico, ácido ferúlico, quercetina, cloridzina e rutina.

Estudo experimentais em laboratório e em modelos animais demostram que os componentes fitoquímicos da P. granatum L., podem atuar como ativos antioxidantes [8] [9], anti-artríticos [10], anticoccidial [11], antimicrobiano [12], antiplaquetários [13], antiangiogênicos [14], antidepressivos [15] e anti-quorum [16]. Devido as características químicas e relevância etnomédica, o extrato de cascas de P. granatum L., são prpostos como substituintes aos aditivos alimentares sintéticos, como nutracêuticos e quimiopreventivos, mas devido a sua adstringência e propriedades antinutricionais, não aplicados ainda como ingredientes alimentícios [17].

A ampliação dos conhecimentos dos usos tradicionais e a caracterizações biológicas dos componentes químicos presentes nas diversas partes da P. granatum L, são essenciais. Este trabalho busca fornecer dados sobre a composição fitoquímica e atividade farmacológica da Punica granatum L., para promover uma base para o desenvolvimento de novos estudos acerca da espécie.

Metodologia

Foi realizada uma pesquisa bibliográfica relacionada a espécie Punica granatum L., a fim de reunir informações relevantes sobre o perfil fitoquímico e atividades farmacológicas. Fontes primárias de pesquisa foram utilizadas, incluindo Scopus, Embase, Web of Science e PubMed - Medline. Os artigos de literatura publicados entre 2013 e 2023 foram incluídos para serem analisados, com objetivo de integrar a revisão. Para a busca nas fontes de pesquisa, foram utilizados os termos: Punica granatum L., Atividade farmacológico e Perfil químico. Os artigos obtidos foram dispostos no software Ryyan (https://www.rayyan.ai/), para remover artigos fora da temática do estudo ou artigos duplicados.

Entre os dados extraídos incluem atividades farmacológica, compostos fitoquímicos presentes na P. granatum e compostos que desempenham ações farmacológica. Todas as estruturas químicas foram desenhadas utilizando o software ChemDraw 17.0.

Resultados e discussão

Fitoquímica

A literatura moderna descreve que os extratos de diferentes partes da Punica granatum Linn. apresentam compostos fitoquímicos com destaque a presença de carboidratos e triterpenos, tendo como componentes majoritários esteróis, compostos fenólicos, alcaloides, ácidos graxos e flavonoides [18]. Outros estudos relatam a presença de saponinas, que estão relacionadas a ação de proteção gástrica [19] [20]. Nos últimos cinco anos, muitos estudos foram realizados com objetivo de identificar e estudar os compostos químicos presentes na Punica granatum Linn. Nos resultados da pesquisa foram identificados a presença de compostos químicos, no óleo da semente foi observado a presença de 11 esteróis (Fig. 1), na casca a presença de ácido gálico, ácido elágico, catequina e quercetina (Fig. 2).

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 1 Estrutura química dos esteróis presente no óleo da semente de P. granatum. 

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 2 Compostos identificados nas cascas de P. granatum. 

Foram identificados 50 compostos químicos majoritários, estando distribuídos nas flores, cascas, sementes, suco e folhas. As estruturas químicas dos principais componentes estão dispostas na Figura 3.

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 3 Compostos identificados com frequência na P. granatum. 

Um resumo sobre os principais compostos fitoquímicos, a peça vegetal e a referência de origem são dadas na Tabela 1.

Tabela 1 Principais componentes químicos da Punica granatum descritos na literatura. 

Fonte: Os autores, 2023.

Farmacologia

Atividade anti-helmíntica

Ahmed et al.[38] identificou a atividade anti-helmíntica da Punica granatum em seus estudos, utilizando extratos metanoicos das cascas e raízes da planta frente ao parasita Haemonchus contortus. Os extratos de P. granatum produziu atividade anti-helmíntica significativa e semelhante ao agente anti-helmíntico, albendazol. A atividade antihlemintica aumentou durante o passar das horas, após 7 horas de exposição à concentração de 10 mg·mL-1 de extratos produziu mortalidade significativa (p<0,05).

Castagna et al.[39] avaliou o potencial anti-helmíntico dos frutos da Punica granatum, frente a nematóides gastrointestinais em ovinos, inserindo o fruto na alimentação dos animais e avaliando os resultados através da do teste de contagem de ovos fecais (FECRt). O uso do macerado de romã demostrou redução dos ovos fecais em 50% nos primeiros 7 dias, Kaiaty et al.[40] também avaliou o potencial anti-helmíntico da inserção de romã na alimentação e através da contagem de ovos fecais, utilizando 200 mg/kg por peso corporal, e os resultados demostraram redução de 85% na quantidade de ovos fecais em bovinos, ovinos, caprinos e bufalinos.

Atividade antioxidante

Arkoub et al.[8] avaliou a capacidade antioxidante in vivo do suco e extrato aquoso das cascas da Punica granatum em ratos Wistar. Os grupos de estudo foram divididos em grupo controle (C), grupo utilizando Tolueno 99,5% (T), grupo utilizando extrato da casca (PB), grupo utilizando suco da romã (PJ), grupo utilizando suco e Tol (PJ-Tol) e grupo utilizando extrato de cascas e Tol (PB-Tol). A exposição dos ratos a Tolueno foi identificada a atividade hepática do grupo GSH e GPx (Glutationa Peroxidase), enquanto o grupo PB, restaurou a atividade antioxidante quando comparado ao grupo exposto ao Tolueno. A suplementação dos extratos de cascas e suco da Punica granatum, possibilitou a restauração da deterioração dos tecidos danificados pelo Tol. Uma melhora significativa foi identificada nos animais expostos ao grupo PB-Tol, quando comparado ao grupo PJ-Tol, que está relacionado a maior presença de compostos fenólicos, flavonoides e taninos, que foram identificados nas cascas pelo autor através do teste de eliminação de DPPH.

Estudos de Khemakhem et al.[9] concluíram que a Punica granatum apresenta atividade antioxidante devido à alta concentração de polifenóis e flavonoides. A avaliando os extratos da semente da romã, foi identificado 58,59±0,92 mg/g de extrato de polifenóis totais, 2,31±0,25 mg/g de extrato de flavonoides, também demostrando curva de dose-resposta graduada (EC50) no teste de DPPH de 0,30±0,01 mg·mL-1 e atividade antioxidante de 19,47±0,99 mg/g de extrato de semente de romã.

Estudo experimental analisou a capacidade antioxidante da Punica granatum, através do método ABTS (2,2'-azino-bis (3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico), sendo constituído pela solução ABTS e persulfato de potássio, para avaliação da atividade antioxidante a solução ABTS foi diluída em solução tampão de pH 7,4. No estudo foi usado os extratos da casca, flores, suco, folhas e óleo das sementes e como controle positivo o ácido ascórbico. Os testes demostraram CE50 (mg·mL-1) de 1,5±0,08, 0,7±0,01, 2,2±0,2, 2,2±0,15 e 3,0±0,3, para cascas, folhas, flores, suco e óleo da semente, respectivamente, enquanto o controle positivo de ácido ascórbico apresentou CE50 de 1,4±0,2 mg·mL-1, o que demostra a atividade antioxidante da Punica granatum maior que a do ácido ascórbico, que é utilizado atualmente como agente antioxidante [13].

Cervantes-Anaya et al.[15] observou em testes o potencial antioxidante da Punica granatum na peroxidação lipídica cerebral em ratas Wistar. As ratas passaram por processo de ovariectomia e incubação pelos agentes pró-oxidantes FeSO4 (5 µM) e ONOO- (25 µM). Foi observado que homogenatos cerebrais expostos ex vivo a pro-oxidantes aumentaram a formação de espécies reativas a oxigênio (ROS), enquanto os homogenatos cerebrais expostos ao extrato aquoso (1,0 mg/kg, 14 dias) de Punica granatum não foi observado produção de ROS, indicando que o extrato impediu a ação dos agentes pró-oxidantes.

Atividade anti-inflamatória

Rakhshandeh et al.[14] identificou a ação anti-inflamatória do óleo da semente de Punica granatum, em ratos Wistar machos após procedimento cirúrgico na cavidade abdominal com indução de adesão peritoneal e com tratamento de 0,5, 1,5 ou 4,5% v/v de PSO (Óleo de semente de romã). Para medir os marcadores inflamatórios (IL-6, TNF-α e IL-1β) foi utilizado os kits ELISA comerciais, determinados no fluido de lavagem peritoneal. A concentração de 0,5% v/v de PSO, diminuiu os níveis de IL-6 e IL-1β em comparação ao grupo controle. Os níveis de TNF - α também caíram para as concentrações de 0,5, 1,5 e 4,5% v/v de PSO com valores de p<0,001, p<0,01 e p<0,05, respectivamente.

Estudos avaliando a atividade anti-inflamatória da punicalagina (Fig. 4), um polifenol presente no fruto da Punica granatum, em modelos vivos identificou que o tratamento com dosagem de 5 – 40 µM, resulta em uma redução significativa nos níveis do marcador inflamatório TNF-α em células de micróglia. Os resultando também mostraram supressão dos níveis de IL-6 em todas as concentrações de punicalagina testadas [41].

Tang et al.[42] avaliou a ação anti-inflamatória da punicalagina com objetivo de buscar um ativo para o tratamento da psoríase, uma doença cutânea inflamatória crônica. Os resultados revelaram que punicalagina provoca efeito modulatório na fosforilação de p65 (Ser536) in vitro. As citocinas IL-17A e TNF-α acarreta aumento a fosforilação de p65, enquanto a punicalagina reduz a fosforilação. O tratamento com punicalagina (2,5/5/10/20 µM) pode atuar como bloqueador dá a translocação nuclear induzida por TNF-α e IL-17A, principais citocinas da patogênese da psoríase.

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 4 Estrutura química da punicalagina. 

Atividade antimicrobiana

A ação antimicrobiana conjunta de extratos de Punica granatum e nanopartículas de prata (Ag) foram estudadas frente as espécies fúngicas e bacterianas: Staphylococcus aureus (ATCC 6538), Bacillus cereus, Pseudomonas aeruginosa (ATCC 9027), Escherichia coli (ATCC 10536), Enterococcus hirae (ATCC 10541), Candida albicans, e Legionella pneumophila sub sp. pneumophila (OATCC 33152). A atividade antimicrobiana foi determinada através do método de microdiluição do caldo. Os extratos de Punica granatum/Ag sintetizados demostraram concentração inibitória mínima (MIC) de 128 µg·mL-1, 16 µg·mL-1, 64 µg·mL-1, 16 µg·mL-1, 32 µg·mL-1, 128 µg·mL-1, e 512 µg·mL-1 para E. hirae, E. coli, S. aureus, L. pneumophila, P. aeruginosa, B. cereus, e C. albicans, respectivamente. Apresentando efeito inibitório mais baixos para microrganismo gram-negativos e maiores valores para gram-positivos [43].

Outros autores avaliaram o potencial antimicrobiano dos extratos da romã frente a espécies bacterianas resistentes a medicamentos. Foram abordadas no estudo as espécies bacterianas Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. Os extratos foram avaliados em quatro concentrações, 25, 50, 100 e 200%. Entre os microrganismos estudados, o que mais apresentou inibição quando exposto aos extratos de P. granatum foi a Staphylococcus aureus (p≥0,912), seguido por Klebsiella pneumoniae (p≥0,686), Pseudomonas aeruginosa (p≥0,561) e Enterococcus faecalis (p≥0,220). Entre os extratos, a concentração de 100% apresentou as maiores taxas de inibição para todas as espécies [44].

Hamrita et al.[16] identificou que o extrato metanoico de romã atua como agente antifúngico, no estudo foi utilizado cepa de Candida albicans (ATCC 2019) e Candida parapsilosis (ATCC 22019), sobre dosagem de extrato de 50 mg·mL–1, 150 mg·mL–1, 300 mg·mL–1 e grupo teste exposto a ampicilina (10 mg·mL–1). Para C. albicans todas as dosagens e ampicilina apresentaram zona de inibição de 6±0, enquanto para C. parapsilosis apresentaram zona de inibição de 28,66±1.15, 29,33±0.57, 29,66±0,57 e 11,33±1,15, para dosagem de 50, 150, 300 mg·mL–1 e ampicilina (10 mg·mL–1). A ação fúngica pode estar relacionada a presença elevada de ácido clorogênico (34,028 mg/g), rutina (26,05 mg/g), epicatequina (12,207 mg/g) nos extratos metanoicos de romã.

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 5 Estrutura dos compostos descritos com atividade antifúngica. 

A presença de compostos fenólicos e flavonoides em extratos de casca da Punica granatum podem justificar a atividade antimicrobiana da espécie. Leesombun et al.[45] identificou 574,64 mg/g de ácido gálico e 52,98 mg/g de quercetina em extratos etanoicos de cascas de romã. O autor também identificou que a presença desses compostos provoca a ação bacteriana frente as espécies Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Salmonella enteritidis. Os extratos de romã demostraram concentração inibitória mínima de 6,25, 1,56 e 1,56 mg·mL-1, para E. coli (ATCC 25922), S. aureus (ATCC 29213) e S. enteritidis (ATCC 13076), respectivamente.

Atividade antidiabética

Avaliando o extrato de acetato de etila das cascas de Punica granatum frente as enzimas α-amilase, lipase e α-glucosidase in vitro por ensaios espectrofotométricos com leitor de microplacas e acarbose e orlistato como inibidor padrão, Di Sotto et al.[46] identificou que os extratos de romã podem combater o estresse oxidativo e glicativo associado à hiperglicemia por mecanismos pleiotrópicos, podendo atuar como inibidor de enzimas glicolíticas e afetar a formação de produtos finais de glicação, devido a presença de compostos fenólicos presentes na espécie.

Estudos recentes demostram que a punicalagina presente na romã pode atuar como agente antidiabético em diabetes do tipo II. A indução de diabetes do tipo II em ratos através de dieta rica em gordura e injeções de estreptozotocina, utilizando punicalagina por gavagem oral por 4 semanas demostrou que a substância pode regular 24 biomarcadores, além de demostrar alterações patológicas no fígado e nos rins, reduzindo a gliconeogênese e aumento da glicogênese, como também efeito positivo células HepG2 induzidas por glucosamina [47].

Atividade anticarcinogênica

Muitos pesquisadores têm voltado suas pesquisas para desenvolver fármacos para o tratamento de câncer, por ser uma das patologias que mais causam óbitos em todo o mundo. O estudo de bioativos oriundos de plantas e microrganismos estão em destaque nos estudos para o tratamento de câncer, entre os destaques está a Punica granatum, por ser uma espécie rica em compostos fitoquímicos de interesse global.

Avaliando a propriedade anticancerígena do extrato etanólico da casca de P. granatum L. através do ensaio MTT utilizando a linha celular de câncer KB 3-1, linha celular comumente associada ao câncer bucal. 0,1 mL de linha celular KB 3-1 (1,5 × 106 células/poço), foram semeadas em placa ELISA e incubadas por 24 horas. Após 24 horas foram tratadas com extrato e P. granatum em concentrações de 50 µg·mL-1, 100 µg·mL-1, 150 µg·mL-1, 200 µg·mL-1, 250 µg·mL-1, 300 µg·mL-1 e 350 µg·mL-1. As taxas marcaram níveis de 23,36, 27,25, 32,09, 49,55, 61,94, 71,85 e 80,88%, para as concentrações de 50 µg·mL-1, 100 µg·mL-1, 150 µg·mL-1, 200 µg·mL-1, 250 µg·mL-1, 300 µg·mL-1 e 350 µg·mL-1, respectivamente, demostrando que a inibição da linha celular aumenta com o aumento da concentração do extrato [48]. Os autores relatam que a presença de importantes compostos químicos como o 2-furancarboxaldeído (Fig. 6), justifica a ação anticarcinogênica.

Fonte: Os autores, 2023.

Figura 6 Estrutura química do 2-Furancarboxaldeído. 

Outros estudos relatam a atividade antitumoral do extrato etanólico de cascas de Punica granatum. O extrato de casca frente a linhas celular de câncer hepático (HepG2) demostraram que a atividade da glutationa peroxidase (GPx) foram reduzidas (p<0,05) em 77,16%, 87,35% e 71,05% na linhagem celular a 100, 200 e 500 µg·mL-1 de extrato, respectivamente [49]. Em carcinogênese hepatocelular induzido por injeções intraperitoneais de dietilnitrosamina em ratos Wistar machos adultos foi observado que a aplicação de punicalaginas obtidas da romã por via oral aumentou a atividade de superóxido dismutase e regulação positiva significativa na expressão de caspase-3 e Bax mRNA [50].

Testes in vitro utilizando Punica granatum de coloração vermelha, rosa e branca buscou avaliar a citotoxicidade frente a linhagens celulares carcionogênicas de mama MDA-MB-231; HTB-26TM), adenocarcinoma alveolares (A549; CCL-185TM), colorretais tipo II de Duke (LS180; CL-187TM) e carcinoma ductal da mama (T-47D; HTB-133TM). Todos os extratos hidroalcólicos demostraram atividade (IC50>200 µg·mL-1) nas linhagens testadas. Além de promover crescimento em linhagem celular de retinal humano normal (ARPE-19; CRL-2302TM) [51].

Estudos preliminares demostraram que o extrato da casca da romã é rico de polifenóis, tendo como principais polifenóis a punicalagina α, β e ácido elágico e esses compostos foram avaliados como agentes anticancerígenos frente as linhagens celulares AGS (adenocarcinoma gástrico humano) e A549 (carcinoma pulmonar humano). Extratos enriquecidos com resina aniônica, na concentração mais alta de 500 µg·mL-1 demostrou resultados significativos na perda de viabilidade em células de carcinoma gástrico, atingindo cerca de 75%. Na linha A549 essa perdeu chegou aos 50%, isso se dá a alta presença de polifenóis nos extratos enriquecidos [52].

Outras atividades farmacológicas

Estudos relatam que a romã pode atuar como um possível tratamento a doença de Alzheimer. A presença de ácido galágico, castalagina, delfinidina, cianidina, punicalina e vescalagina exibiram potente atividade inibidora da Beta-secretase 1 (BACE1), com IC50 valores de 1,29±0,15, 5,12±0,18, 3,99±0,17, 5,29±0,21, 5,98±0,21 e 6,18 positivo, om um IC50 valor de 9,38±1,44 µM. A hidroxilação nas posições C3, C5 e C3′, bem como na posição C5′, aumentam a atividade inibidora de Butirilcolinesterase (BChE), esses compostos demostraram bioatividade promissora para produção de biofármacos para o tratamento da doença de Alzheimer [53].

Conclusões

A abundância de compostos fitoquímicos presentes nas folhas, sementes, raízes, frutos e casca da Punica granatum, torna essa espécie uma importante espécie vegetal para estudos, nas mais diversas áreas das ciências químicas, biológicas e farmacêuticas. A diversidade de substâncias químicas permite que a romã possua potencial medicinal no tratamento de doenças fúngicas, inflamatórias, bacterianas, no tratamento de doenças provocadas por parasitas helmínticos, possível atividade no tratamento de câncer e doença de Alzheimer, além de alta capacidade antioxidante, podendo ser aplicada na indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia.

A Punica granatum representa é uma espécie de interesse científico e econômico de sumo valor, por representar uma alternativa para produção de produtos bioativos de valor comercial e químico imensurável. A ampliação de estudos sobre o uso da Punica granatum e seus ativos químicos deve é essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias que podem beneficiar a saúde humana e animal.

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Conflitos de interesseOs autores declaram que não há conflito de interesses.

Como citar este artigoA.R.d.S. Pereira-Rodrigues, C.D. Carvalho de Alencar, Perfil químico e atividades far-macológicas da Punica granatum (Punicaceae): uma revisão, Rev. Colomb. Cienc. Quim. Farm., 52(2), 1074-1096 (2023). https://doi.org/10.15446/rcciquifa.v52n2.107461

Recebido: 26 de Fevereiro de 2023; Revisado: 20 de Julho de 2023; Aceito: 31 de Julho de 2023

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