INTRODUÇÃO
A relevância do estudo relacionado ao desenvolvimento regional está na importância da identificação de alternativas para as disparidades estruturais das economias regionais que existem entre as diversas regiões de um país, pois elas impulsionam ou não avanços do ponto de vista econômico e social a fim de estimular um crescimento econômico que gere emprego e renda. O crescimento econômico é uma condição fundamental para promover o desenvolvimento e melhorar a atratividade das regiões para novos investimentos.
Logo, o desenvolvimento econômico no âmbito regional constitui um processo de transformação social, econômica, cultural e política, mas ocorre de forma desigual com intensidades variáveis e pontos diferentes e com efeitos sobre as regiões (Oliveira, 2021).
Ao longo da década de 1990 ocorreu um processo de intensificação da internacionalização produtiva e financeira que contribuiu fortemente para redefinir novas dinâmicas regionais. Assim, diante do cenário da globalização, a maior conectividade reforça a importância de estratégias que fortaleçam determinados setores regionais, em particular aqueles que contemplam as chamadas atividades de base econômica. Estas, ao se conectar a outros ramos de atividade por meio da geração de emprego e renda, ampliam o alcance dos mercados e têm efeitos multiplicadores na forma de mais emprego e consumo.
Embora haja estudos voltados à identificação de setores básicos e à mensuração da especialização produtiva no Sul do Brasil, observa-se uma lacuna na literatura quanto à análise comparativa das dinâmicas de diversificação e geração de empregos em cidades regiões geográficas intermediárias ao longo da última década. Poucos trabalhos integram indicadores locacionais de especialização e multiplicadores de emprego em uma perspectiva temporal recente (2013 - 2023), e que contemple os três estados da Região Sul simultaneamente. Este estudo busca preencher essa lacuna ao oferecer uma análise articulada da estrutura produtiva regional e de sua resiliência frente as mudanças econômicas recentes, contribuindo empiricamente para a literatura sobre desenvolvimento regional e planejamento territorial.
Diante do exposto, o objetivo deste estudo é identificar e analisar as atividades de base econômica das regiões geográficas intermediárias do sul do Brasil entre os anos de 2013 e 2023, verificando quais as regiões mais diversificadas e quais setores considerados de exportação. Nesse contexto, o artigo está dividido em mais quatro seções, além desta introdução. A segunda corresponde a uma revisão de literatura sobre as teorias de desenvolvimento regional, em particular a teoria da base econômica. A seção seguinte apresenta uma explicação dos procedimentos metodológicos realizados na pesquisa exploratória. A quarta seção, resultados e discussão, centra-se na análise da base econômica e do multiplicador de emprego, e por fim as principais conclusões obtidas por meio deste estudo.
1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A essência do capitalismo está pautada nas turbulências e nas constantes transformações do mercado, que constituem seu próprio mecanismo de funcionamento e de renovação (Schumpeter, 1942). Assim, as regiões não estão isentas de desequilíbrios e mutações ao longo dos anos. Esse processo de reprodução do capital em escala regional pode ser irregular, dinâmico e concentrado. E este movimento contribui para que o desenvolvimento de determinadas regiões apresente um comportamento avançado ou retraído à medida que atraem ou repelem os investimentos produtivos (Lima & Simões, 2009).
Na literatura, destacam-se os autores Douglass C. North (1977) e François Perroux (1967), cujos trabalhos foram fortalecidos pelos estudos de Gunnar Myrdal e Albert O. Hirschman. Juntos, fundamentaram as análises e percepções sobre a evolução das regiões e os seus agentes do entorno. Estes autores, de forma geral, buscaram demonstrar em seus estudos que o crescimento das regiões está associado à capacidade de atrair e aproveitar fatores de produção de forma mais vantajosa (Lima & Simões, 2009). François Perroux, em suas contribuições pioneiras, examinou o processo de formação dos polos de crescimento, propondo que o desenvolvimento regional ocorre de maneira desigual e concentrada. Em sua teoria, o autor argumenta que tal concentração resulta da distribuição espacial das atividades industriais, que tendem a se aglomerar em pontos específicos do território, originando os chamados polos de crescimento. O autor também aborda que os fatores sociais e institucionais desempenham papel essencial na geração do crescimento econômico (Welter et al, 2020).
O estudo sobre a formação de um polo de crescimento é relevante até os dias de hoje para a discussão acerca do desenvolvimento regional, pois aponta que cada região possui capacidades locais intrínsecas que geram uma aderência maior para determinadas atividades, servindo como estimuladoras locais no processo de circulação monetária (Perroux, 1967).
Por sua vez, Gunnar Myrdal destacou a importância da dicotomia que existe entre as regiões ricas e as regiões pobres e identificou que os efeitos positivos do crescimento polarizado são anulados por efeitos negativos, uma vez que as regiões mais ricas tendem a atrair cada vez mais fatores de produção, o que contribui para o aumento do desequilíbrio em relação às regiões mais pobres. O autor destaca ainda a importância do princípio da cumulatividade, dos efeitos ou causas na concentração geográfica, pois à medida que novas atividades se desenvolvem na região gera-se uma tendência de aumento de emprego, população e mercado consumidor (Myrdal, 1957; Oliveira, 2021).
Já Albert Hirschman destacou a importância das decisões de investimento. O autor aborda que o crescimento é iniciado por intermédio dos setores líderes e ao longo do tempo é transferido para os demais setores denominados de "satélites" (Lima & Simões, 2009). Há ainda dois mecanismos que induzem o investimento e operam ao longo do setor produtivo: o primeiro foi denominado pelo Hirschman de "backward-linkage effects", ou seja, quando as atividades da região adquirem inputs de outras atividades; e o segundo denominado de "forward-linkage effects", que está associado ao fornecimento de inputs para outras atividades da região (Hirschman, 1958).
Um ponto a destacar é que a implantação de uma indústria tem a capacidade de atrair várias outras indústrias satélites. A industrialização direcionada para a especialização em bens intermediários e/ou de consumo final tem a capacidade de potencializar os "linkage effects" - efeitos de ligação - que são relevantes para o processo de desenvolvimento regional.
As atividades motoras têm a capacidade de produzir linkage effects estimulando outras atividades, e ao longo do tempo criam especializações em determinadas atividades produtivas. As especializações e a expansão da atividade motora acabam servindo de base para atração de novas atividades e acima de tudo novos fatores de produção e renda. Nessa conjuntura se baseia o estudo clássico de North sobre as atividades de base econômica ou exportadora (em Oliveira, 2021).
A teoria da base econômica, proposta por North (1977), postula uma distinção entre dois tipos de atividades econômicas em qualquer região: as atividades básicas (ou exportadoras) e as não-básicas (ou locais). As primeiras são aquelas voltadas para mercados externos à região, enquanto as segundas atendem principalmente à demanda interna. Para que uma região possa potencializar o seu desenvolvimento é necessário ativar a sua base econômica em conjunto com os arranjos institucionais que são relevantes para fortalecer a estrutura da matriz produtiva. Considera-se que de um lado existem as atividades básicas e de outro as não-básicas, também chamadas de atividades locais ou direcionadas ao mercado interno (Piffer, 2009).
Nesse escopo, o desenvolvimento de uma região deve passar inicialmente pela dinamização da base econômica. Assim, o crescimento de uma região deve ser impulsionado pelo aumento das atividades de base econômica e, consequentemente, da demanda por produtos que ela oferece para fora da região. Ou seja, crescendo e expandindo as atividades de base, o que potencializa o crescimento de toda a economia regional (Piffer, 2009).
Desta forma, as atividades básicas da economia são consideradas motoras localmente, uma vez que elas dependem de uma demanda de fora da região e contribuem com as rendas geradas nesta interconexão externa para estimular toda a economia local. Ou seja, à medida que estas rendas entram na região, elas estimulam o efeito multiplicador de emprego em escala regional. As rendas podem ser distribuídas na região potencializando o consumo das atividades locais, que são consideradas não-básicas e dependem de uma demanda interna, endógena (Piffer, 2009).
Alguns estudos têm contribuído para identificar quais as atividades básicas que são consideradas motoras em determinadas regiões. No tocante ao estado do Paraná, Alves (2022a) realizou uma análise das regiões geográficas intermediárias (RGIS) entre 2010 e 2020 a partir das medidas de localização e especialização, com o intuito de identificar quais são as regiões mais diversificadas e quais setores considerados de exportação. Os resultados apontaram que as RGIS mais diversificadas foram: Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Pato Branco e Ponta Grossa. Ademais, os subsetores motores mais dispersos espacialmente foram a agropecuária, indústria de alimentos e o comércio varejista, enquanto a indústria de calçados e os serviços mais específicos foram identificados como mais concentrados.
Em outro estudo no Paraná, Piffer (2024) utilizou a teoria da base econômica para discutir a formação do espaço econômico paranaense e sua relação com as atividades de base econômica. O autor identificou que a partir dos anos 1970, o Paraná dinamizou a sua estrutura produtiva abandonando o café e introduzindo novas culturas, intensificando a base econômica na agricultura especializada com ênfase no trigo, milho e soja associada ao crédito agrícola, modernização do campo e infraestrutura.
Alves (2022b) estudou o perfil de especialização das atividades produtivas nas RGIS do Paraná. A pesquisa foi realizada para o período de 1985 a 2019. Identificou-se que Curitiba foi a região mais diversificada, enquanto os municípios Maringá e Londrina destacaram-se nas atividades "indústria de alimentos" e "indústria têxtil". Guarapuava e Ponta Grossa apontaram relevância em "indústria de madeira" e "indústria do papel". Com isso, mostrou-se a significância destes municípios para o estado do Paraná, por sua maior especialização nos setores secundário e terciário.
Roca (2003) utilizou a teoria da base econômica para analisar a economia da região de "Cartagena de Índias" que hoje é conhecida como Colômbia. O objetivo do estudo compreendia analisar a economia entre os anos de 1751 e 1810, averiguando o crescimento e prosperidade da região. O autor destacou quatro aspectos centrais em sua análise. O primeiro foi que o contrabando não integrava a base econômica local. Em segundo lugar, observou que o crescimento econômico da região não se sustentou em atividades exportadoras. O terceiro ponto apontou que as áreas rurais careciam de um setor voltado à exportação. Por fim, identificou que as receitas provenientes do "el situado" e dos impostos aduaneiros formaram a base econômica, sendo responsáveis pelo crescimento e pela prosperidade regional.
Avila-Quiñones et al. (2022) fizeram uma análise comparativa entre os anos de 2012 e 2018 utilizando os indicadores de base econômica com o objetivo de caracterizar e analisar a base econômica das cinco regiões colombianas. Os resultados apontaram que na Colômbia, no que tange às regiões analisadas, a economia depende de três atividades básicas: agricultura, construção e comércio. Ademais, observaram que mesmo a região amazônica apresentando uma quantidade maior de atividades básicas, ainda apresenta desafios na geração de empregos totais, e consequentemente de empregos não básicos.
Em síntese, a literatura apresentada contribuiu para compreender como a estrutura produtiva e os padrões de especialização regional influenciam a diversificação econômica e a geração de emprego. Porém, são escassos estudos que abordam essa temática considerando um período de análise extenso, especialmente sob uma perspectiva comparativa e longitudinal. Diante disso, o presente estudo propõe-se a examinar as atividades da base econômica das regiões geográficas intermediárias da Região Sul do Brasil. A seguir, apresenta-se o procedimento metodológico adotado, com a descrição das variáveis, indicadores e técnicas utilizadas na análise dos dados.
2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
O estudo busca realizar uma análise do comportamento dos indicadores de base econômica das regiões geográficas intermediárias que estão localizadas no sul do Brasil. "As RGIS correspondem a uma escala intermediária entre as unidades da federação e as regiões geográficas imediatas incluindo as metrópoles, capitais regionais ou centros urbanos de menor dimensão que são representativos" (IBGE, 2017, p. 2). A Região Sul possui 21 RGIS, conforme a Figura 1.
A proposta do trabalho compreende a identificação das principais atividades, a partir da sua base econômica, conhecendo a capacidade destas na criação de empregos e suas possíveis conexões.
Para a seguinte análise recorreu-se aos elementos da teoria da base econômica, uma vez que ela elucida como as relações inter-regionais, ou seja, o fluxo de emprego nos diversos ramos de atividade se distribui na economia.
Inicialmente, se identificou as chamadas atividades básicas e não-básicas nas regiões estudadas, em que as básicas estariam voltadas para mercados inter-regionais e as não-básicas para o mercado interno ou local (Martins et al., 2015; Oliveira, 2021; Piacenti et al., 2002).
Do ponto de vista do procedimento metodológico foi realizada uma análise de dados entre os anos de 2013 a 2023 utilizando os seguintes indicadores: quociente locacional e o multiplicador de empregos.

Fonte: Adaptado deFerrari e Ferrera de Lima (2024).
Figura 1: Localização das regiões geográficas intermediárias do sul do Brasil (2024).
No que se refere ao banco de dados, foram extraídas informações utilizando a variável mão de obra ocupada de acordo com cada setor. A partir do banco de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego), as atividades produtivas foram classificadas entre vinte e cinco ramos de atividades econômicas, sendo eles: agricultura, extração mineral, produtos minerais não metálicos, indústria metalúrgica, indústria mecânica, indústria de material elétrico e comunicação, indústria de material de transporte, indústria de madeira e mobiliário, indústria do papel e gráfica, indústria da borracha, fumo e couros, indústria química, indústria têxtil, indústria de calçados, indústria de produtos alimentícios e bebidas, indústria de serviços de utilidade pública, construção civil, comércio varejista, comércio atacadista, instituição financeira, administração técnica profissional, transporte e comunicações, serviços de alojamento e comunicação, serviços médicos, odontológicos e veterinários, ensino, administração pública.
Para identificar as atividades mais especializadas que contribuem para o crescimento das regiões geográficas intermediárias (RGIS), realizou-se o cálculo do quociente locacional (QL), que é representado na equação:
, onde
E
ki
é o emprego no setor
k
na localidade de análise I;
E_i
é o emprego total na localidade de análise i;
E
k
é o emprego no setor k da localidade de referência; e
E
é o emprego total da localidade de referência. Quando
QL
ki
>1, a RGI analisada é mais especializada nesse setor em relação à macrorregião de referência, e, portanto, aquela atividade pode ser considerada como básica, ou de exportação (Piffer, 2012; Martins, Ferrera de Lima, & Piffer, 2015). Quando
QL
ki
<1, a RGI analisada é menos especializada nesse setor em relação à macrorregião de referência. Vale salientar que para uma atividade ser considerada especializada e de base econômica, o QL deve apresentar valores maiores do que a unidade (um). Uma vez que o setor apresente esse resultado indica que ele emprega mão de obra de tal forma que é motor de outras atividades. Além disso, dependendo das características da economia regional, o setor motor extrapola às necessidades de produção para o consumo local, podendo ser considerado um setor exportador que compreende as atividades de base (Alves, 2012; Martins et al., 2015).
Uma vez identificadas as atividades de base econômica motoras, é necessário estimar o emprego não-básico das regiões estudadas. Assim, conforme a equação apresentada por Alves (2012) e Martins et al. (2015), podemos estimar o emprego não-básico das regiões estudadas pela equação:
, onde
B
i
é o emprego básico da atividade produtiva na RGI;
S
i
é o emprego na atividade produtiva
i
na RGI;
S_t
é o emprego total da RGI;
N
i
é o total de empregos na atividade produtiva da Região Sul do Brasil;
N
t
é o total de empregos na Região Sul do Brasil.
Logo, para encontrar o emprego não-básico é necessário realizar o cálculo da diferença entre o emprego total da região (ST) e o emprego básico (BI). É importante salientar que, para seguir o processo de análise das regiões geográficas intermediárias localizadas no sul do Brasil, se faz necessário mensurar a sensibilidade da demanda dos produtos locais frente aos impactos que medidas exógenas podem provocar na economia. Para isso, foi necessário calcular o multiplicador de emprego dos setores (Martins et al, 2015; Piacenti et al., 2002; Piffer, 2012).
Desta forma, o emprego total é calculado pela equação: S t = B i + ENB, onde B i é o emprego básico e ENB é o emprego não-básico. Para encontrar a variação de emprego total da RGI é necessário realizar a soma de cada um dos componentes, conforme equação: S t = AB i + AENB.
Logo, o multiplicador de emprego básico (K) é definido por:
, onde, substituindo-se
B
i
pelo valor obtido pela equação anterior, tem-se a equação:
. Com base em Martins et al. (2015), basta dividir as variáveis por
ΔS
t
par obter a fórmula do multiplicador de emprego:
Quanto à sua interpretação, o multiplicador de emprego indica que para cada emprego básico criado na região correspondente, são criados mais empregos não básicos. Portanto, a análise deste indicador mostra que os setores ou atividades que tiverem índices mais elevados terão maiores efeitos multiplicadores, ou seja, apresentam maior geração de emprego nos ramos de atividade produtiva na região analisada (Martins et al., 2015; Piacenti et al., 2002; Piffer, 2012).
No que se refere ao tratamento estatístico, nas tabelas de resultado apresentadas a seguir, foi utilizado o cálculo da média aritmética simples entre os anos de 2013 a 2023 para generalizar os cálculos do QL e do multiplicador de emprego. A escolha deste método poderia ser inviabilizada caso o choque da pandemia de coviD-19 entre 2019 e 2022 tivesse gerado variações extremas no emprego dos setores analisados. Porém, a análise preliminar dos dados indicou que a queda média no multiplicador de emprego foi de 2% entre 2019 e 2020. De 2020 a 2021 a variação média foi positiva, de 1%, e de 2021 a 2022 também foi positiva, de 2,3%. A queda mais expressiva no período foi no último ano da série, de 2022 a 2023, de aproximadamente 4%. Ou seja, não observou-se uma ruptura suficientemente expressiva causada pela pandemia que pudesse subestimar ou enviesar o cálculo dos indicadores de base econômica.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção apresenta os resultados da estimativa dos indicadores de base econômica: quocientes locacionais e multiplicadores de emprego das regiões geográficas intermediárias (RGIS) da Região Sul do Brasil. Os resultados estão tabulados classificando as atividades econômicas segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024).
3.1. O QUOCIENTE DE LOCALIZAÇÃO NAS RGIS DO SUL DO BRASIL
A Tabela 1 mostra os resultados do índice quociente de localização (QL) para as RGIS do Paraná. A análise contempla a média dos resultados dos QLS entre os anos de 2013 a 2023. No que se refere ao estado do Paraná, as RGIS de Londrina, Cascavel, Maringá e Curitiba apresentaram os maiores rankings do estado em relação ao índice do multiplicador de empregos. Porém, este tópico apresenta de forma sucinta uma análise dos quocientes locacionais das RGIS.
Inicialmente, com base nos resultados apresentados na Tabela 1, percebeu-se que tanto a RGI de Londrina quanto a de Curitiba possuem uma economia bastante distribuída entre os setores primário, secundário e terciário da economia. De caráter geral, os resultados dos QLS giram em torno de 1,00 a 1,70
Tabela 1: Quociente locacional para as atividades produtivas nas regiões geográficas intermediárias do estado do Paraná (2013-2023)
| Setores | Londrina | Cascavel | Maringá | Curitiba | Ponta Grossa | Guarapuava |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Agricultura | 1,78 | 1,70 | 1,71 | 0,25 | 2,64 | 3,15 |
| 1.2 Extrativa mineral | 0,71 | 0,52 | 0,49 | 0,99 | 1,66 | 0,68 |
| 2.1 Prod. mineral não metálico | 0,77 | 0,93 | 0,84 | 1,04 | 0,81 | 1,71 |
| 2.2 Indústria metalúrgica | 0,79 | 0,69 | 0,65 | 0,74 | 0,87 | 0,47 |
| 2.3 Indústria mecânica | 0,47 | 0,67 | 0,57 | 0,95 | 0,70 | 0,21 |
| 2.4 Indústria elétrica e comunicação | 1,28 | 0,53 | 0,79 | 0,85 | 0,80 | 0,05 |
| 2.5 Indústria material de transporte | 0,64 | 0,41 | 0,50 | 1,65 | 0,30 | 0,10 |
| 2.6 Indústria madeira e mobiliário | 1,49 | 0,89 | 0,81 | 0,59 | 2,75 | 2,19 |
| 2.7 Indústria papel e gráfica | 0,67 | 0,55 | 0,55 | 1,03 | 4,40 | 2,78 |
| 2.8 Indústria borracha, fumo, couros | 0,89 | 0,48 | 0,75 | 0,81 | 0,71 | 0,25 |
| 2.9 Indústria química | 1,20 | 0,80 | 1,04 | 1,07 | 0,79 | 0,58 |
| 2.10 Indústria têxtil | 1,39 | 0,95 | 1,60 | 0,17 | 0,19 | 0,44 |
| 2.11 Indústria calçados | 0,11 | 0,11 | 0,11 | 0,02 | 0,61 | 0,08 |
| 2.12 Indústria alimentos e bebidas | 1,35 | 2,16 | 2,15 | 0,43 | 0,92 | 0,52 |
| 2.13 Indústria serviço utilidade pública | 0,28 | 0,69 | 0,16 | 1,67 | 0,31 | 0,49 |
| 3.1 Construção civil | 0,75 | 1,02 | 0,88 | 1,15 | 1,35 | 1,23 |
| 3.2 Comércio varejista | 1,07 | 1,14 | 1,07 | 0,89 | 1,09 | 1,30 |
| 3.3 Comércio atacadista | 1,21 | 1,36 | 1,22 | 0,91 | 0,94 | 1,37 |
| 3.4 Instituição financeira | 0,86 | 0,99 | 0,94 | 1,22 | 0,64 | 0,90 |
| 3.4 Administração técnica profissional | 0,89 | 0,68 | 0,67 | 1,49 | 0,59 | 0,51 |
| 3.5 Transporte e comunicações | 0,82 | 0,96 | 0,91 | 1,19 | 1,22 | 0,85 |
| 3.6 Serviços | ||||||
| alojamento | 1,01 | 0,92 | 0,78 | 1,10 | 0,84 | 0,80 |
| comunicação | ||||||
| 3.7 Serviços médicos | ||||||
| odontológicos | 0,97 | 0,77 | 0,85 | 1,00 | 0,69 | 0,71 |
| veterinários | ||||||
| 3.8 Ensino | 1,27 | 0,93 | 1,04 | 1,08 | 0,86 | 1,03 |
| 3.9 Administração pública | 0,81 | 0,82 | 0,86 | 1,57 | 0,82 | 1,09 |
Fonte: Resultados da pesquisa a partir de dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024).
Já no que tange às RGIS de Cascavel e Maringá, ambas possuem uma forte especialização na indústria de produção alimentícia com QLS 2,16 e 2,15, respectivamente. Com base nos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024), verificou-se que em Cascavel, no ano de 2023, o total de empregos básicos neste subsetor era de 49.718 empregos. Isto representa aproximadamente 62% do total dos empregos básicos da região e em Maringá eram 33.849 empregos, o que correspondia a aproximadamente 44% do total dos empregos básicos da região.
Já as RGIS de Ponta Grossa e Guarapuava possuem uma similaridade quanto a especialização na indústria de papel e gráfica, pois apresentaram QLS na ordem de 4,40 e 2,78, respectivamente. Na indústria de madeira e mobiliário apurou-se QLS de 2,75 e 2,19, respectivamente. No caso de Ponta Grossa, destaca-se o peso da agricultura que apresenta um QL de 2,64. Com base nos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024), levando em consideração o somatório do emprego básico da RGI de Ponta Grossa destes três subsetores juntos para o ano de 2023, obteve-se o valor absoluto de 29.823 empregos, o que representa aproximadamente 86% dos empregos básicos desta RGI.
A TABELA 2 apresenta os resultados do QL para as regiões geográficas intermediárias de Santa Catarina. A análise contempla uma média dos QLS entre os anos de 2013 a 2023. No que tange ao estado de Santa Catarina, a RGI de Blumenau apresentou uma forte especialização na indústria têxtil, com uma média de QL de 4,86. Essa RGI é um importante polo de produção de vestuário, que apresentou em 2023, de acordo com os dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024), um total de 75.901 empregos básicos neste subsetor. No tocante as RGIS de Criciúma e Chapecó, Criciúma se destacou na extração de minerais, que apresentaram um QL de 5,67 e a produção de materiais não metálicos, que teve um QL de 4,79. Já em Chapecó além de outras atividades da indústria e do serviço destacou-se a indústria de produtos alimentícios, com o QL de 3,19.
Tabela 2: Quociente locacional para as atividades produtivas nas regiões geográficas intermediárias do estado de Santa Catarina (2013-2023)
| Setores | Blumenau | Criciúma | Chapecó | Lages | Joinville | Florianópolis | Caçador |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Agricultura | 0,30 | 0,33 | 1,36 | 3,77 | 0,52 | 0,13 | 3,91 |
| 1.2 Extrativa mineral | 0,91 | 5,67 | 0,49 | 0,78 | 1,01 | 0,69 | 0,67 |
| 2.1 Prod.mineral não metálico | 1,75 | 4,79 | 0,87 | 0,28 | 1,24 | 0,47 | 0,40 |
| 2.2 Indústria metalúrgica | 1,07 | 1,34 | 0,77 | 0,35 | 3,01 | 0,30 | 0,35 |
| 2.3 Indústria mecânica | 1,00 | 1,01 | 1,21 | 0,82 | 2,76 | 0,15 | 0,63 |
| 2.4 Indústria elétrica e comunicação | 1,71 | 0,40 | 0,58 | 0,08 | 4,19 | 0,88 | 1,38 |
| 2.5 Indústria material de transporte | 1,05 | 1,05 | 0,32 | 0,17 | 0,88 | 0,21 | 0,24 |
| 2.6 Indústria madeira e mobiliário | 0,90 | 1,02 | 1,62 | 3,78 | 1,85 | 0,24 | 4,83 |
| 2.7 Indústria papel e gráfica | 1,17 | 0,72 | 1,23 | 3,92 | 1,28 | 0,28 | 4,89 |
| 2.8 Indústria fumo, couros | 0,64 | 0,59 | 0,54 | 0,42 | 1,11 | 0,46 | 2,53 |
| 2.9 Indústria química | 0,84 | 2,54 | 0,43 | 0,53 | 2,17 | 0,42 | 2,17 |
| 2.10 Indústria têxtil | 4,86 | 2,45 | 0,72 | 0,62 | 2,38 | 0,17 | 0,66 |
| 2.11 Indústria calçados | 0,69 | 0,11 | 0,20 | 0,00 | 0,00 | 0,01 | 0,26 |
| 2.12 Indústria alimentos e bebidas | 0,67 | 0,96 | 3,19 | 0,62 | 0,48 | 0,30 | 1,31 |
| 2.13 Indústria serviço utilidade pública | 0,70 | 1,34 | 1,11 | 0,83 | 0,87 | 1,48 | 0,64 |
| 3.1 Construção civil | 1,18 | 0,99 | 1,06 | 0,68 | 0,77 | 1,05 | 0,61 |
| 3.2 Comércio varejista | 0,97 | 1,12 | 0,94 | 1,11 | 0,88 | 0,91 | 0,79 |
| 3.3 Comércio atacadista | 1,21 | 0,97 | 1,06 | 0,83 | 0,89 | 0,79 | 0,65 |
| 3.4 Instituição financeira | 0,87 | 0,66 | 1,11 | 0,75 | 0,73 | 0,98 | 0,67 |
| 3.4 Administração técnica profissional | 0,85 | 0,67 | 0,59 | 0,70 | 0,95 | 1,90 | 0,64 |
| 3.5 Transporte e comunicações | 0,97 | 0,98 | 1,33 | 0,89 | 0,91 | 0,68 | 1,06 |
| 3.6 Serviços alojamento comunicação | 0,95 | 0,79 | 0,69 | 0,89 | 0,95 | 1,92 | 0,58 |
| 3.7 Serviços médicos odontológicos veterinários | 0,66 | 0,91 | 0,71 | 0,80 | 0,74 | 0,74 | 0,53 |
| 3.8 Ensino | 0,88 | 0,92 | 0,71 | 0,88 | 0,70 | 1,19 | 0,77 |
| 3.9 Administração pública | 0,55 | 0,58 | 0,64 | 0,90 | 0,49 | 1,44 | 0,60 |
Fonte: Resultados da pesquisa a partir dos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024).
No que se refere a RGI de Lages, destaca-se uma grande especialização na indústria de papel e gráfica, borracha e na agricultura com os QLS 3,92, 3,78, 3,77, respectivamente. Enquanto a RGI Joinville, a sua economia tem forte peso no setor secundário com destaque para as atividades indústria metalúrgica, com QL 3,01, indústria de material elétrico e de comunicação com QL 4,19.
Por fim, as RGIS de Florianópolis e Caçador apresentaram os índices menores de multiplicadores, o que refletiu algumas singularidades. No caso de Florianópolis percebeu-se uma especialização nos setores secundário e terciário. Já no que se refere à RGI de Caçador, apesar de apresentar um multiplicador de emprego baixo em relação às demais RGIS, ela apresentou três atividades que obtiveram QLS representativos quais sejam: indústria de papel e gráfica, indústria de borracha e na agricultura com os QLS 4,89, 4,83, 3,91, respectivamente.
A Tabela 3 apresenta os resultados do QL para as RGIS do Rio Grande do Sul. A análise contempla uma média dos QLS entre os anos de 2013 a 2023. No que tange o desempenho do quociente locacional, a RGI de Porto Alegre apresentou uma economia com maior peso nos setores secundário e terciário. Verificou-se que grande parte das atividades do setor de serviços apresentaram níveis de especiação (QLS entre 1 e 1,4), porém o maior nível de especialização foi identificado na Indústria de calçados, com um valor de 3,8.
Tabela 3: Quociente locacional para as atividades produtivas nas regiões geográficas intermediárias do estado do Rio Grande do Sul (2013-2023)
| Setores | P. Alegre | P. Fundo | Sta. Cruz Sul | Cxs. do Sul | Sta. Maria | Pelotas | Ijuí | Uruguaiana |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Agricultura | 0,29 | 1,45 | 0,81 | 1,25 | 2,17 | 2,47 | 1,68 | 5,51 |
| 1.2 Extrativa mineral | 0,53 | 0,78 | 1,86 | 1,00 | 2,90 | 1,73 | 0,51 | 0,71 |
| 2.1 Prod. mineral não metálico | 0,49 | 0,93 | 0,92 | 0,97 | 1,07 | 0,47 | 0,58 | 0,28 |
| 2.2 Indústria metalúrgica | 0,87 | 0,91 | 1,29 | 3,16 | 0,43 | 0,24 | 0,80 | 0,16 |
| 2.3 Indústria mecânica | 0,85 | 1,99 | 0,96 | 1,74 | 0,59 | 0,22 | 3,43 | 0,11 |
| 2.4 Indústria elétrica e comunicação | 0,79 | 0,21 | 0,49 | 1,38 | 0,17 | 0,08 | 0,79 | 0,04 |
| 2.5 Indústria material de transporte | 0,80 | 0,69 | 0,37 | 4,77 | 0,11 | 1,65 | 0,13 | 0,02 |
| 2.6 Indústria madeira e mobiliário | 0,49 | 0,74 | 1,00 | 2,33 | 0,33 | 0,27 | 0,59 | 0,07 |
| 2.7 Indústria papel e gráfica | 0,83 | 0,67 | 0,64 | 1,19 | 0,40 | 0,21 | 0,47 | 0,19 |
| 2.8 Indústria borracha, fumo, couros | 1,59 | 0,90 | 4,02 | 1,83 | 0,87 | 0,51 | 0,48 | 0,12 |
| 2.9 Indústria química | 0,88 | 0,60 | 0,87 | 1,69 | 0,13 | 0,74 | 0,26 | 0,03 |
| 2.10 Indústria têxtil | 0,28 | 0,30 | 0,51 | 0,78 | 0,09 | 0,07 | 0,23 | 0,07 |
| 2.11 Indústria calçados | 3,81 | 0,35 | 5,61 | 1,43 | 0,76 | 0,01 | 0,28 | 0,02 |
| 2.12 Indústria alimentos e bebidas | 0,43 | 1,40 | 2,03 | 1,07 | 0,84 | 1,08 | 1,27 | 0,89 |
| 2.13 Indústria serviço utilidade pública | 0,98 | 1,16 | 0,67 | 0,95 | 1,27 | 1,36 | 1,30 | 1,50 |
| 3.1 Construção civil | 1,05 | 0,94 | 0,91 | 0,84 | 0,80 | 0,85 | 0,84 | 0,73 |
| 3.2 Comércio varejista | 0,92 | 1,18 | 1,02 | 0,82 | 1,35 | 1,31 | 1,30 | 1,68 |
| 3.3 Comércio atacadista | 0,83 | 1,61 | 0,86 | 0,76 | 0,90 | 0,60 | 1,50 | 0,70 |
| 3.4 Instituição financeira | 1,09 | 1,28 | 0,94 | 0,89 | 1,11 | 0,89 | 1,39 | 0,79 |
| 3.4 Administração técnica profissional | 1,30 | 0,56 | 0,57 | 0,60 | 0,57 | 0,66 | 0,48 | 0,43 |
| 3.5 Transporte e comunicações | 1,01 | 0,88 | 1,00 | 0,94 | 0,81 | 1,24 | 0,86 | 1,12 |
| 3.6 Serviços alojamento comunicação | 1,07 | 0,74 | 0,71 | 0,91 | 1,26 | 0,88 | 0,70 | 0,75 |
| 3.7 Serviços médicos odontológicos veterinários | 1,44 | 1,32 | 0,95 | 0,97 | 1,51 | 1,42 | 1,36 | 1,20 |
| 3.8 Ensino | 1,01 | 0,89 | 0,88 | 0,81 | 1,88 | 1,60 | 0,83 | 0,61 |
| 3.9 Administração pública | 1,25 | 0,96 | 0,70 | 0,46 | 0,98 | 1,06 | 0,95 | 1,12 |
Fonte: Resultados da pesquisa dos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024).
Já as RGIS de Passo Fundo e Santa Cruz do Sul apresentaram atividades econômicas expressivas nos setores primário, secundário e terciário. No tocante a Santa Cruz do Sul destacou-se as atividades da indústria de calçados com QL 5,61 e a indústria de borracha, fumo e couros com um QL 4,02.
Na RGI de Caxias do Sul, o maior peso da sua economia está dividido entre o setor primário e secundário; destacam-se as atividades de indústria da metalurgia, materiais de transporte e madeira e mobiliário com os QLS 3,16,4,77 e 2,33, respectivamente.
Em contrapartida, às RGIS de Santa Maria e Pelotas apresentaram o quociente locacional mais representativo no setor primário nas atividades de extração mineral, com QLS 2,90 e 1,73, e na atividade da agricultura, com QLS 2,17 e 2,47, respectivamente.
Por fim, nas RGIS de Ijuí e Uruguaiana, Ijuí tem maior representatividade na atividade da indústria mecânica com QL 3,43. Já em Uruguaiana, na economia teve maior peso a atividade da agricultura, com QL 5,51, e outras atividades do setor de serviços.
3.2. MULTIPLICADOR DE EMPREGO DA REGIÃO SUL DO BRASIL
Nesta seção será realizada uma análise dos multiplicadores de emprego das regiões geográficas intermediárias (RGIS) da Região Sul do Brasil. As informações estão disponibilizadas na Tabela 4, que mostra a média do multiplicador de empregos para as RGIS e contempla uma média entre os anos de 2013 a 2023.
Tabela 4: Multiplicador de empregos das regiões geográficas intermediárias do sul do Brasil (2013-2023)
| 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | Média | |
| Londrina | 8,2 | 8,3 | 9,0 | 9,2 | 9,6 | 9,3 | 9,6 | 9,5 | 10,3 | 10,5 | 10,9 | 9,5 |
| Cascavel | 8,0 | 8,1 | 7,9 | 8,1 | 7,8 | 8,2 | 7,6 | 7,0 | 7,1 | 7,5 | 7,0 | 7,7 |
| Porto Alegre | 9,2 | 9,2 | 7,1 | 7,1 | 7,1 | 7,2 | 7,3 | 7,1 | 7,1 | 7,3 | 7,2 | 7,6 |
| Maringá | 6,5 | 6,6 | 6,9 | 7,3 | 7,5 | 7,6 | 8,1 | 8,2 | 8,3 | 8,3 | 7,6 | 7,6 |
| Passo Fundo | 8,1 | 7,1 | 7,2 | 7,9 | 7,1 | 7,0 | 7,1 | 7,0 | 6,9 | 6,6 | 5,7 | 7,1 |
| Curitiba | 7,1 | 7,2 | 7,1 | 7,0 | 6,8 | 6,7 | 6,8 | 6,8 | 7,1 | 6,4 | 6,5 | 6,9 |
| Blumenau | 5,6 | 6,2 | 5,8 | 5,8 | 5,8 | 6,1 | 6,1 | 6,2 | 6,2 | 6,6 | 6,5 | 6,1 |
| Ponta Grossa | 5,7 | 5,3 | 5,5 | 5,8 | 6,0 | 6,0 | 6,0 | 5,7 | 6,4 | 6,5 | 6,6 | 6,0 |
| Criciúma | 5,7 | 5,5 | 5,6 | 5,6 | 5,8 | 5,8 | 5,9 | 5,8 | 6,0 | 6,4 | 6,8 | 5,9 |
| Caxias do Sul | 4,9 | 5,0 | 5,5 | 5,7 | 5,8 | 5,6 | 5,7 | 5,5 | 5,5 | 5,3 | 5,5 | 5,5 |
| Sta. Cruz do Sul | 5,3 | 5,3 | 5,3 | 5,2 | 5,3 | 5,3 | 5,6 | 5,9 | 5,9 | 5,5 | 5,2 | 5,5 |
| Santa Maria | 5,2 | 5,4 | 5,5 | 5,8 | 5,8 | 5,7 | 5,2 | 5,0 | 4,9 | 5,1 | 4,6 | 5,3 |
| Pelotas | 5,3 | 5,2 | 5,3 | 5,1 | 5,5 | 5,3 | 5,1 | 5,1 | 4,8 | 5,2 | 5,0 | 5,2 |
| Chapecó | 5,3 | 5,4 | 5,3 | 5,2 | 5,4 | 5,3 | 5,1 | 4,7 | 4,7 | 5,5 | 4,8 | 5,2 |
| Lages | 5,2 | 5,3 | 5,5 | 5,2 | 5,4 | 5,4 | 5,2 | 5,0 | 5,2 | 4,8 | 4,3 | 5,2 |
| Ijuí | 3,4 | 5,1 | 5,4 | 5,4 | 5,3 | 5,5 | 5,1 | 5,2 | 5,2 | 5,0 | 4,6 | 5,0 |
| Joinville | 4,2 | 4,3 | 4,5 | 4,6 | 4,6 | 4,6 | 4,8 | 4,7 | 4,7 | 5,6 | 5,1 | 4,8 |
| Guarapuava | 4,2 | 4,5 | 4,4 | 4,4 | 4,5 | 4,6 | 4,6 | 4,9 | 4,7 | 4,8 | 4,4 | 4,6 |
| Florianópolis | 3,9 | 3,8 | 3,9 | 3,9 | 4,0 | 4,1 | 4,0 | 3,6 | 3,8 | 3,5 | 4,1 | 3,9 |
| Caçador | 3,8 | 3,8 | 3,9 | 3,7 | 3,4 | 3,4 | 3,6 | 3,5 | 3,3 | 3,8 | 3,3 | 3,6 |
| Uruguaiana | 3,4 | 3,4 | 3,4 | 3,4 | 3,5 | 3,4 | 3,5 | 3,5 | 3,4 | 3,4 | 3,2 | 3,5 |
Fonte: Resultados da pesquisa a partir dos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024).
Liderando o ranking entre as RGIS do Sul está Londrina, que atingiu uma média 9,5 no multiplicador de emprego. Pode-se observar ainda que a referida RGI apresentou um crescimento quase constante do seu multiplicador de emprego ao longo dos anos, com picos em 2021, 2022 e 2023, quando o multiplicador de empregos alcançou 10,3, 10,5 e 10,9, respectivamente.
Estes números indicam que Londrina apresenta um ambiente econômico dinâmico e diversificado, incluindo atividades básicas importantes distribuídas nos setores primário, secundário e terciário, assim a região é capaz de expandir o emprego mesmo em períodos de desafios econômicos. Com base nos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024), por exemplo, no ano de 2020 em que houve a pandemia mundial a quantidade de empregos básicos na região era de 48.479. Ademais, após a pandemia percebeu-se que em 2021 houve uma pequena redução para a ordem de 46.580 empregos básicos e em 2022 a economia rapidamente recuperou-se e acabou o ano atingindo o quantitativo de 48.540 empregos básicos.
A RGI de Cascavel apresentou um multiplicador de emprego elevado de 7,7, o que a posicionou em segundo lugar. Verificou-se que no início do período, a região apresentou multiplicadores da ordem de 8,0 em 2013 e 8,1 em 2014 e 2016, mas ao final da década se manteve em 7,0. Pode-se observar a partir dos dados da RAIS (Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, 2024), que o subsetor da indústria de produção de alimentos, que é o mais representativo dos setores especializados da região, foi responsável em 2013 por um total de 30.020 empregos básicos e em 2020 este quantitativo avançou para a ordem de 44.057 e no final da década analisada finalizou em 49.718 empregos básicos.
Na faixa de multiplicadores entre 7,6 a 7,1, inicialmente verificou-se que as RGIS de Porto Alegre, Maringá, e Passo Fundo, apresentam uma média em seus multiplicadores da ordem de 7,6, 7,6 e 7,1, respectivamente e demonstram que ao longo do período mantiveram uma trajetória relativamente estável na criação de empregos formais. Porto Alegre se destaca entre elas por apresentar a maior quantidade de empregos básicos, que em 2023 atingiu 176.928 empregos.
Já Curitiba concentrou suas especializações no setor secundário e terciário e apresentou diversificação das atividades. Verificou-se que no ano de 2023 a quantidade de empregos básicos gerados foi de 193.080, e o subsetor mais representativo foi o subsetor da administração técnica profissional que gerou 109.010 empregos básicos, o que representa 56% do total de empregos básicos dessa RGI.
No que se refere às regiões de Blumenau e Ponta Grossa, estas apresentaram médias de 6,1 e 6,0, respectivamente. Blumenau, em particular, iniciou a década com o multiplicador de emprego da ordem de 5,6 e finalizou a série histórica com o índice em 6,5. Já Ponta Grossa apresentou o índice em 2013 de 5,7 e ao final da década 6,6. Essas cidades apresentaram um crescimento ao longo do período, sólido, porém menos acelerado. A RGI de Blumenau em particular se destacou por meio da indústria têxtil que representou 71% do total de empregos básicos, se considerado o ano de 2023.
Já as RGIS de Criciúma, Caxias do Sul e Santa Cruz do Sul apresentaram médias de 5,9, 5,5 e 5,5, respectivamente. No caso específico da primeira região, esta apresentou atividades com forte especialização no setor secundário. Verificou-se que em 2023 este setor representou 83% do total de empregos básicos dessa RGI. Já Caxias do Sul apresentou atividades especializadas com maior relevância no setor secundário, com exceção das atividades de indústria de produção de mineral não metálico e têxtil. Enquanto, na RGI de Santa Cruz do Sul os subsetores que mais se destacaram foram a indústria de calçados e a indústria de borracha e fumo.
No que se refere às RGIS de Santa Maria, ela apresentou a média do índice na ordem de 5,3 e mostra uma especialização produtiva no setor primário da extração de minerais e na agricultura e no setor secundário.
No tocante às RGIS de Pelotas, Chapecó e Lajes, elas apresentaram a mesma média em seus multiplicadores de emprego: 5,2. Porém, Pelotas e Chapecó apresentaram uma certa diversificação nas atividades especializadas e Lajes manteve uma concentração da sua especialização na agricultura e nas atividades da indústria de madeira e mobiliário e indústria de papel e gráfico.
Já a RGI de Santa Maria manteve a média do índice em 5,3 e apresentou a predominância da especialização produtiva na agricultura e no setor terciário. E no tocante à RGI de Ijuí, destaca-se a média do multiplicador em 5,0 a sua especialização ampla na indústria mecânica com certa diversificação no setor terciário.
No que se refere às RGIS de Joinville, Guarapuava e Caçador verificaram-se uma média dos índices do multiplicador de 4,8, 4,6 e 3,6. A RGI de Joinville possui forte especialização no setor secundário. Enquanto Guarapuava apresentou uma economia relativamente diversificada com peso na agricultura, e no tocante à RGI de Caçador destaca-se o peso da especialização na agricultura e no setor secundário.
Com relação às RGIS de Florianópolis e Uruguaiana, verificou-se a média dos multiplicadores de emprego na ordem de 3,9 e 3,5 respectivamente, ambas as economias com alguma especialização no setor secundário e forte peso no setor terciário.
Sob a perspectiva geográfica, um dos aspectos marcantes do desenvolvimento regional nos estados do Sul é a desigualdade entre os municípios próximos aos polos conectados pelas principais vias logísticas e aqueles mais afastados (Alves, 2022a). O escoamento da produção na região ocorre predominantemente ao longo da BR-116, que liga as capitais Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre; da BR-101, na Serra do Rio do Rastro (Santa Catarina); e da BR-277, que corta o Paraná de leste a oeste, conectando o Porto de Paranaguá à fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu. Em decorrência disso, as características econômico-demográficas da Região Sul se definem por dois traços principais: a concentração em poucos centros urbanos com forte pauta exportadora, sobretudo voltada à agroindústria, e a dispersão em cidades interioranas responsáveis por fornecer mão de obra e insumos primários aos polos regionais.
Os resultados obtidos neste estudo corroboram parcialmente os achados de autores como Roca (2003), Alves (2022b) e Avila-Quiñones et al. (2022), que apontam a diversificação produtiva como elemento essencial da resiliência econômica regional. Tais estudos também evidenciam que regiões com base produtiva mais diversificada apresentam maior capacidade de adaptação frente a choques econômicos. No contexto da Região Sul, as evidências deste trabalho reforçam essas conclusões, indicando que cidades com estrutura produtiva diversificada, como Curitiba, Criciúma e Caxias do Sul, mostraram melhor desempenho na geração de empregos entre 2013 e 2023.
Em contrapartida, as regiões com forte especialização em atividades primárias ou industriais específicas mostraram maior vulnerabilidade, o que converge com as observações de Piffer (2009) sobre os riscos da dependência setorial excessiva.
4. CONCLUSÃO
O estudo teve como objetivo identificar e analisar as atividades da base econômica das regiões geográficas intermediárias (RGIS) do Sul do Brasil, entre os anos de 2013 e 2023. Buscou-se identificar as regiões mais diversificadas e quais setores considerados motores na economia regional. E para chegar aos resultados, utilizaram-se os cálculos dos indicadores de base econômica: quociente locacional e multiplicador de empregos. Os resultados obtidos dialogam com a literatura da base econômica, que enfatiza a relevância da diversificação na estrutura produtiva para fortalecer os efeitos multiplicadores do emprego (Martins et al., 2015; Piffer, 2009).
A análise identificou que as RGIS do Sul do Brasil que mais se destacaram quanto a média dos multiplicadores de empregos estão situadas nos estados do Paraná e no Rio Grande do Sul. As RGIS foram: Londrina, Cascavel, Porto Alegre, Maringá e Passo Fundo. Elas obtiveram uma média acima de 7,0 no índice do multiplicador de empregos.
No que se refere às RGIS específicas do estado do Paraná, os resultados demonstraram que: Curitiba é a cidade mais diversificada, Londrina contempla certa diversificação das suas atividades econômicas, e se pode observar atividades especializadas em alguns subsetores distribuídos entre os setores primário, secundário e terciário.
Além da agricultura, Londrina se destacou na indústria de material elétrico e comunicações, madeira e mobiliário, química, têxtil e produtos alimentícios. Já no setor de serviços destacou-se no comércio varejista e atacadista, alojamento/ alimentação e ensino.
Já as RGIS de Cascavel e Maringá se destacaram na indústria de produtos alimentícios, com uma média de QLS 2,16 e 2,15, respectivamente. Ambas apresentaram especialização no setor terciário e representatividade no comércio varejista e atacadista. Já Maringá em particular no setor primário, agricultura.
De um outro lado, no estado do Rio Grande do Sul, a RGI de Porto Alegre se destacou por ter uma grande representatividade das indústrias de calçados com um QL de 3,81 e por ter um maior número de atividades econômicas distribuídas no setor terciário. Já em Santa Catarina, as RGIS de maior diversificação foram Criciúma, Chapecó e Joinville, com o maior QL observado na extração mineral da RGI de Criciúma. Quanto à capacidade de geração de empregos neste estado, as RGIS de maior multiplicador médio foram as de Blumenau e Criciúma.
As RGIS que obtiveram as menores médias no multiplicador de emprego foram: Uruguaiana (RS), Caçador (SC), Florianópolis (SC) e Guarapuava (PR), que transitaram entre multiplicadores de 3,5 a 4,6. No caso específico de Uruguaiana (RS) percebeu-se uma forte especialização do setor primário com uma média de QL 5,51 e poucas atividades distribuídas em outros setores econômicos. E, no caso Caçador (SC) percebeu-se uma baixa diversificação e forte especialização na indústria de madeira e mobiliário, indústria de papel e gráfica com QLS 4,83 e 4,89 respectivamente, além da agricultura.
Apesar da robustez dos indicadores utilizados, este estudo apresenta algumas limitações metodológicas que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiramente, a utilização da média simples dos multiplicadores de emprego ao longo da série histórica pode suavizar variações relevantes, especialmente em períodos de crise ou expansão econômica. Em segundo lugar, a análise não incorpora a informalidade da mão de obra, um fator relevante em determinadas regiões da economia brasileira, o que pode subestimar a real capacidade de geração de emprego local. Por fim, pressupõe-se homogeneidade na produtividade média dos trabalhadores e na propensão marginal a consumir entre as diferentes RGIS, hipótese que pode não refletir integralmente as disparidades estruturais e socioeconômicas existentes entre elas.
Os achados reforçam que o dinamismo regional está condicionado não apenas a atividades básicas, mas à capacidade de diversificação e integração setorial (Martins et al., 2015; Piffer, 2009). Recomenda-se, a partir do modelo adotado pelas RGIS de maior destaque, que as RGIS menos diversificadas e com menor geração de emprego criem políticas de atratividade para atividades com conectividade externa. Isso considerando que a análise do desenvolvimento regional e da estrutura econômica das RGIS, especialmente no contexto de desigualdades regionais e formulação de políticas de desenvolvimento territorial, é uma abordagem que pode contribuir para o debate sobre atração de investimentos e diversificação produtiva regional.














