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Avances en Psicología Latinoamericana

Print version ISSN 1794-4724On-line version ISSN 2145-4515

Av. Psicol. Latinoam. vol.43 no.1 Bogotá Jan./Apr. 2025  Epub May 19, 2025

https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.12767 

Artigos

Ser mãe de uma adolescente na era digital: desafios e prazeres da maternidade contemporânea

Ser madre de una adolescente en la era digital: retos y placeres de la maternidad contemporánea

Being a Mother to a Teenage Daughter in the Digital Age: The Challenges and Joys of Contemporary Motherhood

Jéssika Rodrigues Alves1  * 
http://orcid.org/0000-0002-0363-9454

Fernanda Kimie Tavares1 
http://orcid.org/0000-0003-1731-149X

Mishima Valeria Barbieri1 
http://orcid.org/0000-0003-4849-3046

1 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo


Resumo

Com a consolidação da mulher no mercado de trabalho, observou-se uma relativa divisão de tarefas no âmbito doméstico; contudo, ainda persiste o predomínio da figura feminina como principal responsável pelos filhos. O objetivo deste estudo foi compreender a experiência materna de mulheres com filhas adolescentes, analisando os desafios que enfrentam para auxiliar as jovens a adquirirem a autonomia em um contexto diferente daquele vivido por si mesmas. Trata-se de uma investigação clínico-qualitativa, de base psicanalítica, com uso das narrativas transferenciais como estratégia metodológica. Participaram 10 mães, que foram entrevistadas individualmente com o apoio de uma obra de arte como mediadora da comunicação.

Parte da coleta ocorreu de forma presencial e parte, on-line. O estudo revelou o desnorteamento das mães ao tentarem impor limites como forma de proteger as filhas das ameaças presentes nas redes sociais digitais. As genitoras sentiam-se angustiadas, buscando equilibrar liberdade e limite, pois suas experiências passadas como adolescentes, bem como a identificação com suas mães, mostraram-se insuficientes para lidar com as novas demandas. O apoio familiar no compartilhamento das angústias vividas pelas mães revelou-se essencial para que elas se sentissem mais à vontade e seguras em sua experiência da maternidade com filhas adolescentes.

Palavras-chave: mães; adolescentes; Winnicott; psicanálise; redes sociais digitais

Resumen

Con la consolidación de la mujer en el mercado laboral, se ha observado una relativa división de las tareas domésticas, pero aún persiste el predominio de la figura femenina como principal responsable de los hijos. El objetivo de este estudio fue comprender la experiencia materna de mujeres con hijas adolescentes, analizando los desafíos que enfrentan para ayudar a las jóvenes a adquirir autonomía en un contexto diferente al que ellas mismas vivieron. Se trata de una investigación clínico-cualitativa psicoanalítica, utilizando las narrativas transferenciales como estrategia metodológica. Participaron 10 madres, quienes pasaron por entrevistas individuales con la ayuda de una obra de arte como mediadora de comunicación. Parte de la recolección de datos se realizó presencialmente y parte, de manera virtual. El estudio reveló el desconcierto de las madres al intentar imponer límites para proteger a sus hijas de las amenazas de las redes sociales digitales. Las madres se sentían angustiadas, buscando encontrar el equilibrio entre otorgar libertad y establecer límites, ya que sus experiencias pasadas como adolescentes, así como la identificación con sus propias madres, no eran suficientes para afrontar las nuevas demandas. El apoyo de la familia en el compartir las angustias vividas por las madres fue esencial para que ellas se sintieran más cómodas y seguras en su experiencia de la maternidad con hijas adolescentes.

Palabras clave: madres; adolescentes; Winnicott; psicoanálisis; redes sociales digitales

Abstract

With the consolidation of women in the labor market, a relative division of domestic tasks has been observed, but the figure of the woman still predominates as the main caregiver for the children. The aim of this study was to understand the maternal experience of women with adolescent daughters, analyzing the challenges they face in helping young girls gain autonomy in a context different from the one they themselves experienced. This is a clinical-qualitative psychoanalytic investigation, using transferential narratives as a methodological strategy. Ten mothers participated in individual interviews, with the assistance of a work of art as a communication mediator. Part of the data collection was carried out in person and part was carried out virtually. The study revealed the mothers' disorientation when trying to impose limits to protect their daughters from the threats posed by digital social media. The mothers felt anxious, tried to balance between granting freedom and setting boundaries, as their past experiences as adolescents, as well as their identification with their own mothers, were not sufficient to deal with the new demands. Family support in sharing the mothers' anxieties was essential for them to feel more at ease and secure in their experience of motherhood with adolescent daughters.

Keywords: mothers; adolescents; winnicott; psychoanalysis; digital social media

Em todos os mamíferos, o processo de gestação e de amamentação, bem como a necessidade de proteger os bebês diante de sua vulnerabilidade, são fatores que contribuem para que o relacionamento entre mães e filhos seja muitas vezes concebido como natural e biologicamente determinado. Nesse contexto, a mãe seria a responsável pelos cuidados das crias (Durham, 1983). Se isso é verdadeiro para diversos animais, no caso dos humanos, uma série de outros determinantes -de ordem histórica, filosófica, social, psicológica e cultural- entra em jogo nessa interação, indo muito além do aspecto biológico. Com isso, os vínculos que essa díade estabelece variam no tempo e no espaço, bem como de acordo com as crenças e com os modos de vida da sociedade à qual pertence.

Nas famílias medievais, o pai era o centro da estrutura do grupo e a figura de autoridade (Vitorello, 2011). Até meados dos anos 1950, ele ainda era considerado o responsável pelo sustento da família, e a mãe, pelos afazeres domésticos e pelo cuidado dos filhos. Com a consolidação da posição da mulher no mercado de trabalho e com a maior participação dela nas contribuições financeiras dentro do lar, uma relativa divisão de tarefas domésticas passou a ser observada, o que acarretou mudanças nas configurações e relacionamentos familiares (Alves & Hueb, 2020; Borsa & Nunes, 2011). Atualmente, há na família ocidental maior descentralização do poder (Vitorello, 2011): as mulheres não estão excluídas da esfera pública, assim como os homens não estão excluídos da esfera doméstica, porém ainda existe predomínio da imagem da mulher como principal responsável pelos filhos (Glória, 2005).

Mais recentemente, o desenvolvimento da informática e o advento da internet provocaram grandes alterações na vida das pessoas e nas formas de organização social. A internet tornou-se parte integrante da sociedade, sobretudo após o surgimento das redes sociais digitais, que modificaram o cotidiano de indivíduos de todas as idades, especialmente dos jovens (Beserra et al., 2016).

Piscitelli (2002) destacou que a geração digital ou geração Z nasceu imersa em tecnologias como computadores, celulares, videogames e internet. Essa geração compartilha o mundo com as anteriores, que foram socializadas em um contexto analógico e, por isso, nem sempre dominam a linguagem digital. Embora conflitos entre gerações sejam esperados ao longo da história, as tecnologias digitais acentuam esses impasses ao alterar profundamente as formas de comunicação, de vínculo e de construção identitária. As redes sociais, por exemplo, promovem uma exposição constante da vida privada e instauram novas dinâmicas de pertencimento e validação social, que escapam aos referenciais conhecidos pelos adultos.

Nesse sentido, Corso e Corso (2020) observam que os adolescentes utilizam os dispositivos digitais como extensões de si mesmos, em uma tentativa de lidar com os impasses do crescimento psíquico e da construção da identidade. As plataformas digitais funcionam, assim, como espaços intermediários onde o adolescente pode experimentar diferentes formas de ser, flutuando entre identificações e idealizações. Essa realidade virtual, ao mesmo tempo que oferece possibilidades criativas, também pode aprofundar sensações de inadequação e fragilidade narcísica, especialmente quando os vínculos familiares se mostram pouco disponíveis para sustentar os movimentos de separação e individuação característicos dessa etapa.

Essas situações têm repercussões importantes na vida familiar e, portanto, na maternidade, que é constituída e transformada por esses contextos, perpassada pelas influências sociais e relacionais a que os sujeitos são expostos ao longo de sua existência (Rossato & Ferreira, 2017). Uma vez que as experiências familiares são o principal determinante da vida mental do indivíduo (Freud, 1916-1917/2014; Soifer, 1992), são elas que mediam o impacto dessas transformações socioculturais no amadurecimento emocional da criança, no contexto dos relacionamentos que se estabelecem no seio desse grupo. Em outras palavras, o desenvolvimento psicológico infantil sofre, direta e indiretamente, por meio das experiências familiares da criança, as ressonâncias das modificações que ocorrem no ambiente físico, social e cultural em que ela está inserida.

Diante disso, as teorias sobre a parentalidade e sobre o desenvolvimento emocional infantil precisam ser revisitadas periodicamente, de acordo com o contexto sociocultural em que a pessoa se desenvolve, de modo a assimilarem as transformações próprias de cada época e realidade.

Nessa direção, a teoria winnicottiana mostra-se particularmente pertinente para abarcar as peculiaridades do amadurecimento emocional infantil em diferentes épocas e lugares, visto que ela reitera o papel do meio nesse processo evolutivo (Winnicott, 1953/1997). Winnicott (1988/1990) ressaltou que, desde o início da vida, é fundamental a existência de um ambiente que ofereça as condições mínimas para o amadurecimento da criança, particularmente a presença de alguém que se identifique com ela e lhe ofereça os cuidados necessários -geralmente essa pessoa é a mãe.

Para que o amadurecimento emocional infantil aconteça de forma harmônica, é necessário um ambiente facilitador, o que, no início da vida, corresponde ao que Winnicott (1956 [1993]) denominou "mãe suficientemente boa": aquela que consegue oferecer os cuidados necessários, adaptando-se às necessidades do filho em cada etapa evolutiva. A principal função da mãe nesse processo inicial é identificar-se com o bebê, de modo a compreendê-lo e a responder adequadamente às suas demandas. Assim, mais do que os estilos e práticas educativas em si, é a experiência da maternidade, em sua qualidade de envolvimento afetivo e responsividade, que se configura como elemento central na construção do vínculo com o filho (Barbieri, 2022). Esse papel materno, no entanto, não se esgota na infância: ele se estende ao longo do desenvolvimento, inclusive na adolescência, ainda que demande reposicionamentos subjetivos importantes por parte da mãe diante das novas necessidades do filho.

A etapa da adolescência, por sua vez, é considerada especialmente complexa e turbulenta devido às intensas transformações físicas, cognitivas e afetivas que acometem o jovem, podendo gerar diferentes formas de angústia (Chagas et al., 2019). Trata-se de uma fase marcada pela busca do adolescente por se diferenciar das figuras parentais e por construir uma identidade própria, bem como uma vida mais autônoma (Freud, 1905 /1972). Nessa travessia, o suporte familiar segue sendo fundamental, tanto na oferta de referências quanto no acolhimento e na orientação diante das experiências emocionais intensas características desse período (Winnicott, 1986 [1996]).

Considerando essas ponderações, o objetivo deste estudo é o de conhecer a experiência materna de mulheres com filhas adolescentes, a fim de compreender os desafios que enfrentam atualmente para auxiliá-las na conquista da autonomia, em um mundo diferente daquele em que viveram a sua juventude. Sendo a adolescência um período em que a principal tarefa evolutiva é exatamente a busca por autonomia, tais desafios maternos podem tornar-se mais evidentes do que em outras etapas da vida dos filhos. Além disso, a adolescência é um período bastante sensível do ponto de vista emocional, o último em que mudanças na estrutura da personalidade são possíveis (Bergeret, 1998). Por isso, o conhecimento dos relacionamentos familiares é particularmente importante nesse momento, na medida em que eles constituem um determinante fundamental para a constituição (ou modificação) da personalidade do indivíduo.

Método

Delineamento de pesquisa

Trata-se de um estudo de caso coletivo clínico-qualitativo, de caráter descritivo e exploratório, cujo background teórico é a psicanálise winni-cottiana. Embora os encontros tenham ocorrido individualmente, a pesquisa é caracterizada como coletiva por reunir e interpretar, em conjunto, as experiências de 10 mães. Essa perspectiva epistemometodológica foi adotada por corresponder aos objetivos desta invetigação, visto que o enfoque qualitativo busca compreender a experiência humana, a fim de apreender, em profundidade, os significados e os sentidos que ela apresenta para os seus protagonistas (Turato, 2003).

A psicanálise winnicottiana foi escolhida como base teórica também por razões de coerência epistemológica, pois tanto ela quanto a perspectiva qualitativa de investigação partem do princípio de que o desenvolvimento do ser humano -em seus diversos aspectos (emocional, cognitivo, científico, entre outros)- ocorre por meio do encontro com o outro.

Como estratégia metodológica, optou-se pelo uso das narrativas transferenciais (Aiello-Vaisberg et al., 2009), que privilegiam o processo de associação livre tanto no momento da expressão da experiência pelo participante quanto em sua interpretação pelo investigador. Assim, essas narrativas favorecem uma atitude de abertura ao novo e ao inusitado, que emergem no encontro (Tachibana, 2011), sendo, por isso, particularmente propícias à produção de conhecimentos originais.

As narrativas transferenciais são constituídas de três etapas, sendo a primeira delas o encontro com o participante. Na segunda etapa, o investigador elabora um texto sobre o acontecer clínico do encontro (Aiello-Vaisberg et al., 2009). No terceiro momento, o pesquisador efetua a leitura do texto da narrativa, utilizando a atenção flutuante como ferramenta para compreendê-lo e, posteriormente, realiza sua interpretação mediante o diálogo com uma abordagem teórica, no presente caso, a abordagem winnicottiana do amadurecimento emocional.

Participantes

Este estudo contou com a participação de 10 mães de nível socioeconómico médio, com filhas adolescentes entre 12 e 17 anos de idade, em diferentes ordens de nascimento. A coleta de dados ocorreu em dois momentos: inicialmente de forma presencial, com três mães selecionadas por indicação de coordenadores de uma escola federal de ensino médio em uma cidade do interior de Minas Gerais, Brasil, onde suas filhas estudavam; posteriormente, devido à pandemia da covid-19, foi adotada a técnica de snowball, em que as participantes foram convidadas por meio de indicações umas das outras. A escolha por entrevistar mães de meninas foi deliberada, considerando o foco específico da pesquisa em entender a perspectiva materna sobre a adolescência das filhas. A uniformização do nível socioeconômico como médio ocorreu em razão de conclusões de Romanelli (1986) de que a emergência de novos modelos familiares, afetivos e sexuais conduziu a mudanças na sociabilidade, que eclodiram mais intensamente nas famílias de camadas médias.

Foram excluídas mães que não residissem junto com as filhas ou que não tivessem tido convivência com elas nas fases anteriores de seu desenvolvimento. Também não puderam integrar a amostra mães ou filhas que apresentassem sintomas ou diagnósticos psiquiátricos.

Com o intuito de preservar a identidade das participantes, os nomes utilizados são fictícios e foram suprimidas outras informações que pudessem identificá-las. A Tabela 1 apresenta nome, idade e nível de escolaridade das mães participantes deste estudo, além de profissão, estado civil e número de filhos.

Tabela 1 Caracterização das mães segundo idade, escolaridade, profissão, número de filhos e estado civil 

Nomes fictícios Idade Escolaridade Profissão Estado civil Filha adolescente Outros filhos, sexo e idade
Renata 39 anos Superior completo Professora Casada Cecilia (14 anos) 1 masculino (8 anos)
Catarina 43 anos Superior completo Funcionária pública Casada Sofia (13 anos) 1 feminino (20 anos)
Rute 38 anos Ensino médio Do lar Casada Elsa (17 anos) 1 feminino (11 anos)
Laura 35 anos Superior completo Enfermeira Casada Eva (14 anos) 2 masculinos (11 e 7 anos) 1 feminino (4 anos)
Luciana 37 anos Superior completo Agente de saúde União estável Iara (17 anos) -
Jade 53 anos Superior incompleto Do lar Casada Lola (14 anos) 1 masculino (31 anos) 1 feminino (29 anos)
Kira 40 anos Superior incompleto Do lar Casada Mérida (13 anos) 1 feminino (8 anos)
Aurora 44 anos Ensino técnico Comerciante Casada Ivy (17 anos) 1 masculino (9 anos)
Ariel 47 anos Doutorado Bióloga Casada Bella (15 anos) 1 feminino (26 anos) 1 masculino (12 anos)
Esmeralda 50 anos Superior completo Pedagoga aposentada Casada Meg (11 anos) 1 feminino (26 anos)

Instrumentos

Na primeira etapa da pesquisa, as mães preenchiam uma ficha de identificação da família, informando seus dados demográficos como idade, profissão, escolaridade, condições de sua saúde física e mental e as de sua filha. Também foi utilizado o Critério de Classificação Econômica Brasil (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, 2019), a fim de determinar o nível socioeconómico das genitoras.

Na segunda etapa do estudo, concernente à realização das narrativas transferenciais, foi empregado um instrumento mediador da comunicação, a saber, a obra de arte Mother's Touch, de autoria de Sylvia Chan, como um disparador dos relatos das mães. Optou-se pela utilização dessa obra por conta de ela representar o tema do estudo em questão (a imagem apresenta uma pintura com fundo abstrato e colorido, composto por manchas verticais em tons de amarelo, verde, rosa, lilás e azul. Em primeiro plano, observa-se a imagem de uma mulher mais velha posicionada atrás, com cabelos loiros soltos. Sua expressão é serena e ela mantém o olhar direcionado para frente, com uma das mãos estendida em direção ao cabelo da mulher mais jovem. Esta se encontra à frente, levemente inclinada para baixo, com cabelos loiros longos que se projetam para trás, acompanhando as pinceladas do fundo. Mantém os olhos fechado e apresenta expressão igualmente serena), ter um caráter contemporâneo e colorido. Ademais, não é clara a atitude das mulheres na imagem, o que permite espaço para que projeções da experiência individual possam ocorrer. O quadro foi empregado para propiciar a comunicação da experiência da maternidade pela mulher, como recurso dialógico facilitador.

Procedimento de coleta de dados

A coleta de dados ocorreu de duas maneiras: presencial e virtual o cursiva, devido às medidas de distanciamento social necessárias para o combate à pandemia do Sars-CoV-2, que aconteceu no desenrolar do estudo.

Coleta de dados presencial

A coleta de dados presencial foi realizada com três mães. Elas foram selecionadas a partir de indicações de coordenadores de uma escola federal de ensino médio de uma cidade do interior de Minas Gerais, onde as filhas dessas mulheres estudavam.

Após tais indicações, as mães foram contatadas pela pesquisadora por intermédio das filhas. Elas receberam a ficha de identificação da família e o Critério de Classificação Econômica Brasil, assim como os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para que levassem para as mães.

As genitoras que concordaram em participar da investigação assinaram o TCLE e preencheram a ficha e o critério de classificação econômica, documentos esses que as adolescentes encaminharam de volta à pesquisadora. A análise desses instrumentos preenchidos permitiu verificar a aderência das participantes de acordo com os critérios de inclusão e exclusão e, em consequência, suas condições de participação na segunda etapa do estudo. As mães que se encaixaram nos critérios de inclusão elencados foram convidadas para a fase seguinte; apenas uma mãe não preencheu o critério de participação por apresentar diagnóstico de depressão. Por meio de contato telefônico, foi agendado um encontro com a pesquisadora na residência da mãe, ocasião em que foram esclarecidas as dúvidas restantes e realizada a primeira etapa das narrativas transferenciais, ou seja, a entrevista individual mediada pela obra Mother's Touch. As entrevistas ocorreram sempre em um local reservado da casa, a fim de garantir as condições necessárias de silêncio e privacidade.

No encontro com a mãe, ela deveria relatar a sua experiência com a filha a partir da seguinte solicitação: "Vou lhe mostrar um quadro e gostaria que você, olhando-o, me contasse como foi e como é ser mãe da (nome da filha)". Todos os encontros foram realizados individualmente e foram audio-gravados, com a autorização das participantes, a fim de possibilitar a posterior escuta do material e a melhor identificação de comunicações, pausas e hesitações -elementos importantes para a construção e interpretação da narrativa.

Coleta de dados on-line

Devido à pandemia da covid-19 e às medidas de distanciamento social, o processo de recrutamento e coleta de dados sofreu alterações. A busca por díades passou a ser realizada a partir da técnica snowball, em que os participantes iniciais de um estudo indicam novos, e estes vão indicando outros, até que o número proposto de sujeitos seja alcançado (Campos Matos et al., 2015). Desse modo, as mães das adolescentes passaram a ser convidadas por meio de indicações umas das outras.

A partir dessa estratégia, as mães foram contatadas pela pesquisadora por telefone ou por e-mail e informadas sobre a pesquisa. Para aquelas que se interessaram em participar da investigação, era enviado o TCLE por e-mail, o qual era impresso, assinado, escaneado ou fotografado e enviado de volta por e-mail para a pesquisadora. Era, então, agendado um encontro individual on-line com a mãe por meio da plataforma GoogleMeet. Nesse momento, era preenchida a ficha de identificação da família e o Critério de Classificação Econômica Brasil, verificandose de imediato o atendimento dos critérios de inclusão e exclusão. Na sequência, era realizada a entrevista individual, sendo a obra Mother's Touch mostrada a partir do compartilhamento de tela.

Os procedimentos foram realizados em datas e horários acordados previamente com as mães, por meio de videochamadas, com a orientação de que se situassem em um local reservado e livre de interferências externas. Além disso, foi solicitada permissão para audiogravar as entrevistas.

Análise de dados

As comunicações das mães nas entrevistas mediadas pela obra Mother's Touch foram transcritas pela pesquisadora no formato de narrativas transferenciais. Todas as narrativas foram supervisionadas pela terceira autora deste estudo e, a partir daí, era confeccionado um texto interpretativo sobre a narrativa de cada uma das mães.

Após a conclusão da coleta e análise de dados individuais das 10 integrantes, foi feita uma síntese interpretativa das narrativas de todas elas, objetivando construir um retrato global de suas experiências como mães.

Considerações éticas

Este estudo foi amparado pela Resolução 466/2012 (Brasil, 2012), complementada pela Resolução 510/2016 (Brasil, 2016). O projeto foi submetido ao comitê de ética em pesquisa da instituição de origem das pesquisadoras, e a coleta de dados presencial foi iniciada após sua aprovação. Com a necessidade de mudança do procedimento de coleta dos dados devido à pandemia da covid-19, uma emenda foi submetida ao referido comitê de ética, referente às modificações necessárias, sendo também aprovada. Foi garantido às participantes o direito de recusa a participar ou desistir da pesquisa a qualquer instante, sem que isso lhes acarretasse qualquer prejuízo.

Resultados e discussão

A maternidade foi descrita pelas mães como uma vivência prazerosa e feliz. Mesmo nos casos em que a gravidez não havia sido planejada, essa experiência foi retratada como desejada. Dessa maneira, o período da espera pela filha mostrou-se significativo, sendo repleto de memórias retomadas nas reflexões sobre as filhas:

Uai, ser mãe, para mim, acho que mudou tudo. Porque acaba mudando tudo, porque é uma experiência que... é só você viver ela mesmo para tentar expressar. E assim, sempre foi tranquila, sempre foi uma menina boa, nunca tive nenhum problema com ela. E passo, assim, o que minha mãe, né, o que vivi na minha infância, tento passar para ela. Tudo da melhor forma possível. E ter uma convivência melhor, né? Porque hoje em dia a gente vê que conversar, parceria com eles, faz toda a diferença. (Rute, 38 anos)

Ser mãe da Mérida é realizar um sonho, né, ser mãe de menina. Foi a primeira, a Mérida, muito sonhada, muito esperada e é muito gratificante. É uma menina muito meiga, muito educada, graças a Deus. Foi um sonho mesmo. (Kira, 40 anos)

Ah ser mãe da Meg é a coisa mais maravilhosa do mundo! É... eu procuro cuidar dela... Foi uma gravidez muito desejada, porque eu queria muito, muito, muito a Meg, e assim... essa imagem fala de cuidado, de proteção... é isso. Eu quis sempre proteger. E, assim, ela é muito amada, a Meg. É isso. (Esmeralda, 50 anos)

Nos casos em que a gestação foi marcada por turbulências, como o de Luciana (37 anos), o período da espera pela filha não pôde ser plenamente aproveitado. As dificuldades vividas durante a gravidez parecem ainda repercutir emocionalmente nessa mãe, levando-a a preocupações sobre as possíveis consequências dessa experiência no desenvolvimento da menina.

[...] Mas, assim... para mim, depois que passou, acabou... O que foi duro foi passar aquela fase de mulher casada traindo o marido, e não sabia de quem era o filho. Aquela coisa... mas de resto a gravidez, em si, foi muito bem. Eu fiz o pré-natal, tudo certinho, apesar de tudo, né? Então o mais difícil foi isso, que o marido... e o marido descobriu que eu tava grávida, então ficou meio ruim. Eu fiquei pensando: "Vai afetar o bebê e tal". E ela sempre foi uma criança feliz, sempre sorridente, uma criança muito nada a ver com o que aconteceu, né? Que aconteceu tantas coisas aqui fora e ela lá dentro, bem guardadinha. Ela teve uns problemas de estômago quando tinha seis anos, né? Ela teve várias vezes, de estômago... Mas assim, eu acho que não tem nada a ver, né? Nunca cheguei a perguntar para o médico, mas de resto não tem nada. (Luciana, 37 anos)

De acordo com Winnicott (1987 [1999]), a mãe é preparada ao longo da gestação para voltar-se completamente ao bebê e identificar-se com ele, suprindo as necessidades básicas de seu filho. Luciana pareceu não ter conseguido aproveitar os anos iniciais da filha como desejava, porque não pôde se proteger do impacto da exposição do seu relacionamento extraconjugal na pequena cidade em que vivia. Seus esforços para convencer a si mesma de que essas situações não afetaram a garota não são totalmente eficazes. Com isso, a ansiedade persiste na forma de preocupação e de questionamento se os problemas de saúde da menina seriam consequências psicossomáticas do caos que ela mesma viveu na gestação. A partir de sua separação matrimonial e da sua união ao novo companheiro, o pai biológico de sua filha, ela considera que a dupla parental esteve presente na vida da filha, oferecendo-lhe apoio, de modo que os anos seguintes da garota foram mais brandos.

Nos casos em que as mães relataram ter tido o apoio da família de origem no início da vida da criança, a infância das filhas foi descrita como serena e feliz. Já naqueles em que as famílias não estavam tão presentes -seja pela distância (Laura e Aurora), seja pelas circunstâncias de ocorrência da gravidez (Luciana)-, as progenitoras destacaram algumas dificuldades:

Então, lá na creche em que ela estudava, lá na Universidade, era um lugar muito bom, e aí ela ficava lá o dia todo, e o meu curso também era integral, que eu fazia lá, na época. [...] Então, por eu deixar ela na creche, eu ficava [...] me sentindo a pior mãe do mundo. Mesmo sendo uma creche boa, lá pertinho, ficava: "Ai, todo tempo que eu tiver com ela, eu tenho que fazer valer a pena" [...] E aí, com uns 4 ou 5 anos, quando ela veio para X, e que aí tava perto dos primos, aí foi... Assim, basicamente o dia dela era escolinha, e depois só lazer mesmo, brincando com o primos, brincando com os irmãos. (Laura, 35 anos) Esse relato de Laura consiste na expressão espelhada da maior leveza da sua experiência da maternidade nessa nova condição de proximidade da família de origem, que lhe aliviou a culpa por deixar a filha muito tempo na creche. Nesse contexto, Laura revela que, para a mãe conseguir adaptar-se às necessidades de seu filho, é necessário que ela esteja também amparada por um ambiente de apoio -seja pelo pai da criança, seja por outros membros da família. Esse suporte permite que a mãe aja com tranquilidade e espontaneidade em relação ao bebê, contribuindo para a continuidade dos processos de maturação infantil (Winnicott, 1987/1999).

Embora o abandono da infância e o ingresso iminente na vida adulta impliquem uma crescente aquisição de autonomia e certo afastamento do casulo familiar protetor, é fundamental que o adolescente possa contar com alguém que se identifique com ele e seja capaz de se adaptar às suas necessidades (Winnicott, 1988/1990). Entre as transformações características dessa etapa - físicas, cognitivas, sociais e emocionais-, destacam-se as alterações hormonais, que intensificam as pulsões sexuais. Diante do risco ampliado de atuação dos desejos edípicos, torna-se necessário que o adolescente se volte para o mundo externo, buscando nele um novo objeto de amor (Freud, 1905/1972; Oliveira & Viana, 2017). Nesse sentido, Winnicott (1971 [1975]) também assinalou que o convívio com pares e pessoas externas ao núcleo familiar faz-se essencial, não apenas como finalidade protetora da realização da trama edípi-ca, mas também para que o adolescente encontre novos referenciais e escolha outros adultos como ideais, buscando, assim, a diferenciação dos pais.

Em relação ao ingresso das filhas na adolescência, as preocupações das mães participantes foram variadas: em algumas delas, houve o receio de que as jovens repetissem os erros que as genitoras cometeram em sua juventude. Esse temor convivia com o seu contrário, o de que as filhas se diferenciassem muito delas. Portanto, para as mães, era importante que as meninas fossem como elas, mas não em todos os aspectos.

Ah, ela gosta de namorar [risos]. E o que mais que a gente é parecida de personalidade?... É, é isso mesmo. Eu acho que esses são os mais fortes. Que ela puxou de mim... que eu lembre, a teimosia. E principalmente, a braveza... [...] Eu tento dar meu conselho, né? O que eu acho que é correto, né? O que é para mim... é correto, né? De namorar, de... sempre falo para tomar cuidado em tudo, né? (Luciana, 37 anos)

Agora... Eu não sei se isso é porque eu não sou assim [vaidosa], entendeu? Não sei se ela... eu tenho medo dela se transformar numa menina vulgar, entendeu? (Renata, 39 anos) Esse dilema materno -entre desejar que a filha siga seus passos e almejar que vá além- ressoa com a ideia de Winnicott (1963/1983) sobre a imaturidade do adolescente como uma fase em que há oscilação entre a dependência e a autonomia, exigindo dos adultos a sustentação de um ambiente suficientemente seguro, mesmo diante da inevitável separação emocional. Na adolescência, os jovens começam a construir uma identidade própria, procurando diferenciar-se de seus pais (Freud, 1905 /1972). Nessa empreitada, eles oscilam diante dos lutos relativos à identidade infantil e aos pais dessa época (Aberastury & Knobel, 1981). Para ultrapassar a dor dessas perdas, é importante que os pais apoiem os filhos na conquista da autonomia. No entanto, essa tarefa implica que eles próprios se desprendam dos filhos, estimulando o convívio deles com o mundo extrafamiliar e concedendo-lhes a possibilidade de manutenção da dependência madura (Serralha, 2017), o que exige renunciar a sua condição de pais infalíveis da infância.

Nas mães integrantes deste estudo, esse desafio emocional de apoiar a independência das filhas mostrou-se agravado por conta das novas formas de socialização, vinculadas às redes sociais digitais. As genitoras relataram que esta era uma fonte de preocupação e angústia para elas, sentindo-se eventualmente desorientadas sobre como agir com as filhas diante do uso dessas tecnologias:

Então é assim, qualquer um faz a mente deles. Então a gente tem que cortar, e a internet é uma porta aberta para isso, porque quando eu vi no Facebook, ela tinha cinco mil amigos no Facebook! Eu falei assim: "Não, esse trem não tá certo!". Porque, assim, a Sofia, ela é muito assim.... ela... ela é muito influenciável. [...] E agora no Facebook tem cinco mil amigos. "Como assim você tem cinco mil amigos? E gente que você não conhece".

Eu, no meu Facebook, eu não aceito. É, no meu Facebook, somente quem eu conheço, nem amigo de amigo eu aceito. [...] Porque, assim, hoje em dia, o mundo tá muito perigoso, hoje em dia tá loucura! Aqui mesmo a gente escuta cada coisa, né? (Catarina, 43 anos)

Mas, assim, na nossa época, a gente era mais assim... ao mesmo tempo que a gente era mais esperto, a gente não tinha tanta maldade igual tem hoje, né? Na nossa época era beijinho e pronto. Hoje não, hoje tem beijo, aí tem fulano que está tirando foto, o ciclano vai filmar para mandar para a turma inteira e posta, entendeu? Hoje tá esquisito. Na minha época era mais... tinha mais respeito. (Renata, 39 anos)

De acordo com Aberastury e Knobel (1981), a imagem internalizada dos pais exerce um papel importante na busca, por parte do adolescente, de novos ideais fora do núcleo familiar. Nesse contexto, os relatos das mães revelaram certa insegurança: elas se perguntavam se a imagem que poderiam oferecer às filhas seria suficiente para orientá-la nesse processo de introjeção e na posterior busca por novos objetos e ideais, especialmente diante das diferenças geracionais. O mundo em que essas mulheres cresceram era muito distinto do atual, marcado pelo advento da tecnologia e das redes sociais digitais -aspectos que suscitavam angústias particulares nas genitoras. Os desafios comunicacionais entre mães e filhas, como apontado por Piscitelli (2002), também emergiram nos discursos das participantes, que, ao contrário das filhas, não dominavam o idioma digital como "língua materna".

Corso e Corso (2020) apontam que as redes sociais funcionam como um palco onde o adolescente encena experiências de si mesmo, longe do olhar parental, o que pode acionar nos pais sentimentos de exclusão, insegurança e perda de controle. Essa distância geracional é intensificada pelas tecnologias, que introduzem novos modos de estar no mundo -mais velozes, mais públicos e, muitas vezes, opacos aos adultos-, o que contribui para o sentimento de desorientação relatado pelas genitoras.

Mais do que isso, as narrativas mostraram que as dificuldades iam muito além da interlocução em si, pois incluíam o desnorteamento das mães sobre como proceder na tarefa de impor limites para proteger as filhas diante dos riscos dessa nova realidade das relações sociais digitais. Era principalmente nesse aspecto que elas sentiam que, tanto suas experiências como adolescentes quanto a identificação com suas mães, não lhes bastavam.

Elas desejavam manter uma relação com as filhas em que a liberdade fosse um valor incontestável, mas temiam as consequências dessa decisão, ou seja, que a filha se tornasse vulnerável a enganos, seduções e decepções advindas do contato com estranhos por meio dessas redes sociais. Renata (39 anos), por exemplo, ressaltou que as pessoas são menos inocentes atualmente; Catarina (43 anos) expôs que sua filha já havia conversado com um possível pedófilo; e Ariel (47 anos) relatou que o professor de judô da filha enviou mensagens para a garota com uma suposta intenção sedutora.

Não, hoje em dia... ela tinha, né, celular. Ela não tem mais, eu tirei desde maio. Hoje em dia, quando ela tem alguma coisa de escola para fazer, eu tenho notebook que eu pus senha, eu ponho a senha e ela acessa aquilo ali. Aí eu sei que, às vezes, ela acessa alguma coisa ou outra, mas eu sempre tô atenta. Celular, o meu, quando ela quer mexer, ela acessa o meu, né? Que tem senha que ela não sabe, por isso, por causa que internet, para quem não sabe usar, tá assim... E ela tava com muito negócio de amiguinho virtual e essas pessoas, assim, de amiguinho virtual. Gente, loucura! Porque eu posso passar por alguém que eu não sou, às vezes é algum bandido que, né, se passa por alguém que tem 12 anos. Ela tem um amiguinha, da escola dela, pôs ela num grupo que tinha gente lá de São Paulo. Assim, né, quando eu vi aquilo, falei assim... um tal de Smile, era uma foto de uma menina, tinha uns 14, 15 anos. E eu vi a conversa: "Não, Sofia, você é assim, tem um corpo bonito". Aí eu falei assim: "Gente, como que uma menina sabe... fala...". Falei assim: "é alguém, algum homem, algum pedófilo". [...] Então, quando eu vi isso, falei: "Isso não tá certo, não", aí cortei... cortei dela essa amizade com essa menina. (Catarina, 43 anos)

Em suma, as mães indagavam a si mesmas sobre como poderiam alcançar um equilíbrio entre a liberdade e os limites nesse processo de busca da filha por novos objetos e relações no mundo extrafamiliar. Elas desejavam encontrar um meio-termo entre a supervisão das atividades da filha e o respeito à privacidade dela.

"Nossa, quando ela virar adolescente, ela vai parar de falar" [risos]. E ela parou. [...] Se ela tá triste, que nem há três dias atrás, ela estava triste e ela não falou até hoje o porquê. Ela falou que só não queria falar sobre isso, então não sei o porquê, entendeu? (Ariel, 47 anos)

Corso e Corso (2020) apontam que os pais frequentemente experimentam um sentimento de exclusão e perda de protagonismo quando os filhos passam a circular por esferas sociais que lhes são invisíveis, como nas redes sociais. Tal afastamento pode levar a um movimento regressivo por parte dos adultos, que intensificam a vigilância em uma tentativa de restabelecer o elo e garantir segurança. Na busca por equilíbrio, as mães oscilavam entre exercer um controle rigoroso sobre as atividades da filha, como foi o caso de Catarina (43 anos), ou confiar e oferecer liberdade à jovem, estimulando sua independência:

"Ah, mãe, pessoa tal escreveu isso aqui para mim no WhatsApp, o que você acha que eu respondo?", ou, sei lá, "Você acha que isso aqui que eu respondi ficou legal?". Então, assim, sabe? Ela me pede muito... tem hora que eu até preocupo, eu falo assim: "Eva do céu, eu não vou estar a vida inteira para te opinar das coisas, você já está com 14 anos!". Eu estou falando isso para ela agora: "Você já está com 14 anos, você já tem que tomar suas decisões sozinha, porque vai chegar num ponto que eu não vou estar aqui mais para poder te falar de tudo". (Laura, 35 anos)

Acho que são experiências de vida, tem pessoas que passam, tem pessoas que não, e não sou eu que vou decidir, e eles [Ivy e o namorado] se conhecem desde pequeno e ela sempre conversou comigo. [...] Eu acho que não tenho o direito de não deixar ela não viver isso e nem de pensar se ela vai sofrer; ela pode sofrer sozinha, pode ter outras decepções, isso faz parte da vida. (Aurora, 44 anos) Outras progenitoras oscilavam entre estes dois polos: controle e liberdade. Como Renata (39 anos), que desejava confiar na filha e estabelecer um bom diálogo com ela, mas que, por vezes, assumia uma postura rígida e impositiva, movida pela preocupação com o futuro da jovem.

Em resumo, as narrativas das mães revelaram a angústia vivida no processo de apoiar a crescente autonomia das filhas, marcada pelo medo da violência e pela possibilidade de que o mundo as seduza ou magoe. Diante disso, elas exibiam dúvidas sobre quais atitudes tomar ante rebeldias, transgressões, castigos e restrições, que faziam parte do relacionamento da díade.

Igual nas férias, que ela mentiu para mim feio, que eu te falei que eu até bati nela. Eu chorei e aquilo, assim, eu fiquei magoada com aquilo, sabe? E hoje em dia tem um porém: na minha época, minha mãe brigava comigo, normal; hoje em dia, a gente tem medo da criança suicidar. Te juro que eu fiquei com medo de deixar ela sozinha no quarto. [...] Mas a gente já passou por isso, né? A gente sabe que não tem como a gente querer que ela me conte tudo, porque eu sei que ela não vai contar. [...] E a gente acha que às vezes está fazendo certo, mas vai saber, né? A gente faz achando que tá fazendo correto. (Renata, 39 anos)

Essa narrativa de Renata evidencia também o temor das mães quanto à reação da jovem diante da imposição de limites, vista como frágil, vulnerável e incapaz de lidar com a frustração. Renata demostra, de maneira explícita, a insuficiência de se apoiar em sua experiência como filha e na identificação com a própria mãe para educar a adolescente. Mesmo que, ao contrário de Renata, Rute (38 anos) tenha relatado a tranquilidade da adolescência da filha e considerado que a transmissão de sua experiência com a mãe parecia suficiente para favorecer o amadurecimento da menina, seu discurso revelou certo distanciamento emocional entre ambas. Nesse sentido, Rute não conseguiu abordar, em sua narrativa, a rotina, as angústias ou os anseios da filha nesse momento da vida. Desse modo, Rute pareceu se refugiar nos desafios impostos pela maternidade de uma adolescente no contexto atual.

Mesmo com o esforço de apoiar a autonomia das adolescentes, as mães, de maneira geral, viram as filhas como vulneráveis, temendo que elas se perdessem da família nesse percurso. Era essa apreensão que levava algumas delas, como Catarina (43 anos), a exercer um controle estrito sobre as atividades da filha. Em outros casos, como o de Jade, observava-se uma tentativa de manter uma relação pueril com a adolescente, negando essa nova fase do desenvolvimento e incorrendo no risco de invalidar sua diferenciação identitária:

Ela tem uma tirada que eu passo a usar; quando vejo, tô falando igual à Lola. [...] Sempre busco ela na escola, mato de vergonha, fico buzinando, mandando beijo, levo ela em todos os lugares, ela nunca vai sozinha ou fica sozinha em casa, passamos muito tempo juntas no carro, fazemos tudo juntas. (Jade, 53 anos)

Segundo Winnicott (1963 [1983]), essa tendência de alguns pais a não reconhecer a maturação psíquica do adolescente pode estar relacionada à dificuldade dos próprios adultos em tolerar a perda do papel idealizado que ocupavam na infância do filho, resistindo assim à separação necessária ao crescimento. Essa ansiedade relativa ao processo de separação identitária entre mãe e filha também apareceu em outras mães (Renata, Luciana, Rute, Jade, Catarina), principalmente em uma atitude de dificultar a busca de relações extrafamiliares da filha. Em outros casos, como o de Laura (35 anos), era o contrário o que acontecia: ela incentivava a independência da filha e o processo de separação, estimulando a individualidade da jovem, ainda que esta se encontrasse apenas no início da adolescência e necessitasse da aprovação da mãe para um desligamento gradativo.

As narrativas das mães, assim, vão ao encontro dos pressupostos de Winnicott (1986 [1996]) sobre a importância da oferta de afeto e sobre os limites desde os primórdios da vida de uma criança. Contudo, as dimensões e a rapidez das mudanças no mundo nos últimos 30 anos e o seu impacto nos relacionamentos entre pais e filhos tiveram como consequência um enfraquecimento dos referenciais passados, nos quais as mães poderiam se sustentar e se orientar nos relacionamentos com suas filhas. Esses parâmetros, embora ainda importantes, parecem ter se tornado escassos e insuficientes, obrigando as mães a uma eterna tarefa de reinvenção da maternidade, na qual elas avançam, regridem, oscilam e buscam um ponto de equilíbrio em que possam se sentir à vontade consigo mesmas e com suas filhas.

Mesmo as mães das adolescentes mais velhas -Aurora (44 anos), Luciana (37 anos) e Rute (38 anos)- demonstraram ainda estar nesse percurso. Nesses casos, o processo de desprendimento da mãe para favorecer a separação da filha mostrou-se mais avançado. Aurora, por exemplo, incentivava a filha a ter amigos e relacionamentos amorosos, bem como a estimulava a realizar um curso universitário em outra cidade. Além disso, Luciana e Rute apresentavam maiores dificuldades para auxiliar as filhas nesse processo de individuação, evitando abordar assuntos que demarcassem a entrada das jovens na vida adulta, como o vestibular, a escolha da carreira, a entrada na universidade e a possível mudança de cidade; havia, assim, a presença de assuntos intocáveis, impondo limites ao diálogo, mesmo que isso causasse angústia na mãe.

É... Então, eu acho que eu ia estar mais apavorada, mais preocupada, assim: "Será que ano que vem, como é que vai ser?". E acho que é uma coisa que a gente não tem que se preocupar. Tem que deixar a coisa rolar, acontecer, né? Aí eu lembro disso, aí eu volto, respiro e... E toco a minha vida, né? Porque a gente... Eles falam que sofrer antecipado não faz bem. Então vamos deixar isso de lado e torcer para ela estudar agora, se ela quer passar de ano, tem que passar mesmo, né? Estuda e vamos que ano que vem nós vê o que acontece. (Luciana, 37 anos)

Luciana se preocupava particularmente com as consequências da conquista da maturidade sexual da filha:

Uma coisa que marcou foi a menstruação, né? Foi muito nova, 10 anos! Eu achei... Fiquei numa tristeza! Depois passou, né? Porque 10 anos! Não era adolescente; eu não sei por quê veio tão cedo, né? A gente tem que carregar isso a vida inteira, tão ruim [risos], tão novinha, tão novinha!.. É uma coisa que é natural, mas eu achei que podia ter esperado... Podia ter acontecido depois de 13 anos, né? (Luciana, 37 anos)

O medo de que a jovem se perdesse no exercício de uma sexualidade desenfreada, indecorosa, ou, ao contrário, sofresse alguma sedução ou violação por ser demasiado ingênua, esteve presente nos relatos de algumas mães. Dessa forma, no campo da sexualidade, a questão da oferta de liberdade e da imposição de limites era objeto de uma consideração especial pelas mães, que buscavam acompanhar de perto os progressos da filha nesse âmbito. Algumas genitoras buscavam restringir os contatos da filha com pessoas mais distantes da família (Catarina, Jade), outras supervisionavam as atividades das garotas nas redes sociais digitais ou submetiam a um exame escrupuloso as pessoas de fora que buscam adentrar no grupo familiar:

[...] Então... A gente foi conhecendo ele (namorado de Iara), e ela trouxe ele para dentro, para casa, e tudo, e... Eu gosto dele, vejo que o relacionamento parece que é uma coisa boa dos dois. (Luciana, 37 anos)

Apesar dos seus receios sobre as filhas serem vulneráveis a seduções e perigos do mundo externo, as mães mostraram, em suas narrativas, compreender que esse ingresso nesse universo é fundamental para o crescimento, conforme já haviam assinalado também Aberastury e Knobel (1981) e Winnicott (1971/1975).

Entre as mães participantes deste estudo, aquelas que se mostraram mais confiantes na educação e nos valores que haviam transmitido às filhas na infância (Laura, Aurora, Ariel e Esmeralda) tenderam a se sentir menos ameaçadas pelas experiências de autonomia da adolescência e pelos relacionamentos estabelecidos pelas jovens a partir das redes de amizades físicas ou digitais. Isso, contudo, não significa que houve renúncia à supervisão das filhas: Mas, assim, na verdade são amigas que ela tem, fora da escola, mas eu conheço a família, então a Meg pode estar indo. [...] São amigas de bastante tempo, amigas de infância. (Esmeralda, 50 anos) Em síntese, o presente estudo evidenciou que as mães perceberam a adolescência das filhas como uma fase desafiadora, marcada por intensas transformações que também as impactam de maneira significativa, despertando angústias, receios e incertezas. Elas pareceram sentir-se, em certa medida, desorientadas, sem muitos referenciais para lidar com essa nova etapa do desenvolvimento das jovens, especialmente por viverem hoje em um mundo bastante diferente daquele em que atravessaram suas próprias adolescências. As narrativas das genitoras corroboram as reflexões de Winnicott (1986 [1996]) sobre a adolescência como um período em que os jovens e suas famílias enfrentam desafios inerentes à transição para a vida adulta, sendo fundamental que o ambiente suporte tais turbulências.

A contribuição deste estudo para o pensamento winnicottiano consiste em lançar luz sobre esse processo a partir do ponto de vista materno, em um momento histórico específico, marcado por avanços tecnológicos e científicos de ritmo e magnitude inéditos. Nessas condições, as mães se veem diante da complexa tarefa de preservar sua experiência e os valores herdados do passado, ao mesmo tempo que precisam adaptá-los continuamente às transformações incessantes da contemporaneidade, o que torna a maternidade uma reinvenção permanente.

Nesse cenário, as mães consideraram como especialmente importante o problema de como acompanhar, supervisionar e orientar as filhas nos seus relacionamentos fora do lar, quando elas são mediadas pelas redes sociais digitais. Os vínculos estabelecidos pelas jovens suscitam angústias nas genitoras, tanto pelos riscos envolvidos quanto pelas dificuldades de controle sobre esses espaços. O grande desafio das genitoras consistia, portanto, em estabelecer limites capazes de proteger as adolescentes, sem, contudo, cercear excessivamente sua inserção no mundo extrafamiliar. Tratava-se de incentivar a autonomia e o processo de construção da identidade das filhas, o que inclui a busca de novos vínculos, mas cuidando para que elas não se afastassem de si mesmas nem de sua família.

Considerações finais

Os cuidados e o afeto materno são fundamentais para o desenvolvimento de um indivíduo, sendo que, na adolescência, é importante que as mães sobrevivam às turbulências dessa etapa e ofereçam apoio e acolhimento aos filhos no processo de conquista de uma identidade e uma vida autônomas (Winnicott, 1986/1996). Nesse processo, a mãe se apoia nas próprias experiências passadas e em uma dupla identificação: com a própria genitora e com o filho (Lopes et al., 2010). Contudo, as mudanças socioculturais ocorridas ao longo dos últimos anos, devido à sua proporção, intensidade e rapidez, têm enfraquecido o recurso aos alicerces da experiência passada das mães para orientar a sua maternidade. Essa situação é particularmente delicada na adolescência, etapa de desenvolvimento em que o filho deve se desprender da família para ingressar na vida adulta. Em vista disso, este estudo mostrou que as genitoras experimentam angústias e temores sobre como acompanhar a adolescência das filhas e constituir um ambiente facilitador, diante de um mundo que elas mesmas não conhecem bem. Nessa empreitada, as novas tecnologias, principalmente aquelas que produzem novas formas de socialização, como as redes sociais digitais, constituem objeto de preocupação das genitoras. Esse é um dos aspectos em que elas sublinham a insuficiência das suas experiências passadas, incluindo a identificação com as próprias genitoras, para guiá-las no processo de auxílio à abertura das filhas para universos outros além do familiar.

Diante dos possíveis riscos associados às redes sociais digitais, as mães podem adotar um controle mais rigoroso das atividades das filhas. No entanto, reconhecem que tal estratégia pode interferir no processo de diferenciação e desprendimento característico dessa etapa do desenvolvimento. Por isso, buscam equilibrar a proteção à jovem com a oferta da liberdade que favoreça sua entrada na vida adulta. A confiança no amor e na solidez da relação estabelecida na infância -marcada pela transmissão dos valores familiares- é o que permite às mães vivenciar a conquista da autonomia das filhas de uma maneira menos ameaçadora. Quando essa confiança está presente, elas se sentem mais seguras para estimular a ampliação das relações da adolescente para além do núcleo familiar.

Nesse contexto, se a mãe puder contar com apoio emocional que lhe permita consolidar a confiança em suas capacidades maternas, estará em melhores condições de auxiliar a filha no seu processo de desprendimento dos pais e acesso ao mundo adulto, considerando que esse percurso se dá de forma gradual, conforme as condições da jovem. Desse modo, a genitora também necessita de um ambiente suficientemente bom, que favoreça o desabrochar de sua capacidade criativa no relacionamento com a filha, integrando a esse vínculo as novidades do mundo em que ambas vivem. Assim, ela estará resguardada de se perder tanto em um retraimento decorrente do sentimento de impotência diante dos limites da sua experiência anterior quanto em uma negação do passado e das diferenças geracionais.

A psicologia pode contribuir nesse cenário ao oferecer espaços de reflexão e suporte às angústias das mães. Grupos de discussão (ou psicoterápicos, quando necessários) com mães de adolescentes podem ser importantes para que diferentes experiências de maternidade sejam compartilhadas, permitindo que as genitoras usufruam de apoio mútuo que reforce sua confiança em si mesmas como mães.

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Para citar este artigo: Alves, J. R., Mishima, F. K. T., & Barbieri, V. (2025). Ser mãe de uma adolescente na era digital: desafios e prazeres da maternidade contemporânea. Avances en Psicología Latinoamericana, 43(1), 1-17. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.12767

Recebido: 14 de Dezembro de 2022; Aceito: 23 de Maio de 2025

*Endereço postal para correspondência: Jéssika Rodrigues Alves, Rua Valdecir Cian, 229, CEP: 15110-000, Guapiaçu, SP, Brasil.E-mail: jessikaralves@yahoo.com.br. Telefone: +55 (34) 991928857.

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