Introdução
A atuação na área da saúde tende a ser caracterizada geralmente pela alta exposição a situações e fatores percebidos como estressores pelos trabalhadores, podendo corroborar para o adoecimento psíquico (Chen et al., 2020). Ao se deparar com os estressores ocupacionais, como respostas às demandas, os profissionais podem apresentar comportamentos e pensamentos não assertivos e pouco eficientes. Em médio prazo também podem passar a perceber a ocorrência de sintomatologia relacionada à ansiedade e depressão, tornando-se ainda mais vulneráveis ao desenvolvimento dessas psicopatologias (Porter et al., 2018).
A ansiedade e a depressão se enquadram como os transtornos mentais e comportamentais que mais frequentemente justificam os afastamentos laborais no mundo moderno (Booker et al., 2019; Ribeiro et al., 2019). No que tange a amostras com trabalhadores da área da enfermagem, Tsaras et al. (2018) ao avaliarem 110 profissionais da enfermagem gregos, 52,7% apresentaram elevados sintomas de depressão e 48,2% de ansiedade. A análise de regressão logística identificou a idade avançada e a ausência de relacionamento estável como preditores significativos do aumento dos sintomas depressivos. Quanto aos sintomas de ansiedade, além dessas variáveis, o nível mais elevado de escolaridade também apresentou associação significativa, configurando-se como um fator adicional de predição.
Ao investigarem uma amostra de 120 profissionais da enfermagem indianos, Shajan e Nisha (2019) identificaram que a maior parte não apresentou sintomatologias elevadas de ansiedade e depressão. Quanto às variáveis sociodemográficas e laborais, constatou-se maiores índices de ansiedade e depressão em profissionais mais jovens, entretanto, nas demais variáveis analisadas (religião, estado civil, nível educacional e cargo ocupado) não foram encontradas diferenças significativas de sintomatologias entre os grupos.
Maharaj et al. (2019) verificaram que em uma amostra de 102 enfermeiros australianos, 32,4% apresentaram pontuações condizentes à quadros leves, moderados ou graves em termos de depressão, ao passo que para ansiedade essa porcentagem foi de 41,2% da amostra. Por meio de análises de regressão, tendo como variáveis independentes as informações sociodemográficas e laborais, os autores identificaram que a variável insatisfação no trabalho foi a que melhor obteve predição de sintomatologia de depressão. Quanto a ansiedade, não houve significância no modelo de predição testado.
Outro estudo (Saquib et al., 2019) teve por objetivo a análise das relações entre insatisfação com carga horária, com a equipe de trabalho e com remuneração, associados aos sintomas de depressão e ansiedade, em uma amostra de 977 enfermeiros expatriados da Arábia Saudita. Dos resultados, a prevalência de participantes que apresentaram sintomas (tanto para depressão como para ansiedade) foi superior a 50% da amostra. Por meio de análises de regressão, os desfechos de depressão foram mais bem explicados em virtude da maior quantidade de horas trabalhadas por dia e a insatisfação com a equipe de trabalho, ao passo que a variável associada à carga de trabalho diária foi que melhor explicou aumento de sintomas de ansiedade nessa amostra.
No contexto brasileiro, alguns estudos também investigaram os construtos depressão e ansiedade em profissionais da enfermagem. Silva (2017) avaliou 416 profissionais da área da enfermagem de um hospital localizado em um estado do Sudeste brasileiro e encontrou uma prevalência de 9,6% de sintomas de depressão e 14,7% para ansiedade. A correlação encontrada entre os sintomas de depressão e ansiedade foi de sentido positivo e magnitude forte (r=0,83). O grupo feminino apresentou maior média de respostas e, em termos de variáveis laborais, houve diferenças de médias de respostas na sintomatologia de ansiedade com relação ao número de vínculos de trabalho na enfermagem (quanto maior, mais sintomas) e com relação ao tempo de serviço na área de atuação (quanto menos tempo de experiência, maior a sintomatologia de ansiedade).
Diante das informações supracitadas, é notória a importância de compreender o fenômeno do adoecimento psíquico em profissionais da enfermagem, principalmente pela alta incidência de transtornos depressivos e ansiosos, considerando também fatores sociodemográficos que podem oferecer maior risco ao desenvolvimento desses quadros. Sobretudo, pelo fato de a enfermagem atuar diretamente com usuários em sofrimento, exercendo atividades de alta complexidade, pesquisas com tais propósitos podem auxiliar no levantamento das variáveis de risco e de proteção, bem como a identificação de sintomatologias nesse público (Carvalho et al., 2019; Shajan & Nisha, 2019).
A investigação das associações entre os construtos depressão e ansiedade é relevante em razão da elevada taxa de comorbidade entre esses transtornos, especialmente em contextos ocupacionais intensamente estressantes, como o da enfermagem. Estudos indicam que indivíduos com sintomas de depressão frequentemente apresentam ansiedade simultânea, elevando o risco de prejuízos funcionais e agravamento do sofrimento psicológico (DeMarco et al., 2025; Pachi et al., 2025).
Adicionalmente, em profissionais de enfermagem, fatores laborais como longas jornadas, turnos noturnos e sobrecarga emocional foram associados tanto à depressão quanto à ansiedade, muitas vezes de forma concomitante (Pachi et al., 2025; Hu et al., 2024). A sobreposição destes quadros exige análises que capturem a interação entre os construtos para promover intervenções mais eficazes e integradas no ambiente de trabalho. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo avaliar a presença de sintomas de depressão e ansiedade em profissionais da enfermagem, verificar as possíveis diferenças de médias de respostas de tais construtos em grupos formados com base em variáveis sociodemográficas e ocupacionais (idade, sexo, tempo de trabalho na função e dupla jornada), verificar as associações entre os construtos depressão e ansiedade, bem como identificar os conjuntos de variáveis que melhor explicam os sintomas de depressão e ansiedade neste grupo amostral.
Método
Participantes
Estudo de abordagem quantitativa e transversal composto por amostra de 584 profissionais da enfermagem que atuavam em instituições hospitalares do interior do estado de São Paulo. O tamanho amostral foi definido com base na classificação de Prieto e Muñiz (2000), que considera amostras entre 300 e 600 participantes como de porte moderado, visando garantir adequação metodológica e validade dos resultados.
A maior frequência foi do sexo feminino (82,7%) com idades variando entre 20 e 65 anos (M=35,41; DP=9,54). Ao categorizar a amostra em faixas etárias, observou-se que 32,6% possuíam até 30 anos, 41,2% com idade entre 31 e 40 anos e 26,2% acima de 41 anos. No que se refere ao estado civil dos participantes, a maior frequência foi de casados (46,9%) e solteiros (41,1%). No que diz respeito à escolaridade, a maior frequência foi ensino médio (auxiliares e técnicos de enfermagem) com 79%, seguido por pós-graduação (13%) e graduação em enfermagem (8%).
Quanto ao turno de trabalho, as maiores frequências foram no período noturno com carga horária de 12 horas (36%), seguido pelo período da manhã com seis horas (33,6%) e tarde também com seis horas (24,8%), sendo que mais da metade da amostra não realizava outra atividade remunerada (64%). Sobre o tempo de trabalho na instituição, a maioria trabalhara por até cinco anos (60,3%), seguido por um período de 5 a 10 anos (21,1%) e acima de 10 anos (18,7%). No que tange ao tempo de trabalho na função, a maior parcela da amostra atuara até cinco anos (62,5%), seguido por 5 a 10 anos (21,2%) e a menor frequência atuara na função acima de 10 anos (16,1%).
Instrumentos
Questionário de Dados Sociodemográficos e Laborais. Instrumento elaborado pelos autores para coleta de dados nesta pesquisa que foi composto por perguntas abertas e fechadas a respeito de dados sociodemográficos dos participantes (idade, sexo, estado civil, escolaridade e tempo de formação), bem como sobre a situação de trabalho (turno, tempo de trabalho na função e na instituição, carga horária e se possui outra atividade remunerada).
Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto) - EBADEP-A. Instrumento de autoaplicação que tem como objetivo avaliar os sintomas depressivos presentes no indivíduo. O instrumento pode ser aplicado na faixa etária de 17 a 81 anos de idade, sendo constituído por 45 itens, os quais são respondidos por um sistema Likert de quatro pontos (Baptista, 2012). Esse instrumento apresenta evidências consistentes de validade psicométrica. Estudos demonstram validade convergente com o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II), com correlação de r = .69 e estabilidade temporal de r = .80 em teste-reteste (Baptista et al., 2012). Em relação à validade criterial, a EBADEP-A apresentou sensibilidade de 0,92 e especificidade de 0,88 para detecção de episódios depressivos, utilizando ponto de corte de 54 (Carvalho & Baptista, 2022). Também mostrou validade discriminante por meio de correlação significativa com a Escala de Hamilton para Depressão (ρ = .69), em amostras clínicas (Silva, 2023).
Escala de Ansiedade Cognitiva (Versão Adulto) - ECOGA. Tem por objetivo avaliar o grau de concordância do sujeito quanto às crenças distorcidas associadas à ansiedade. Trata-se de um instrumento de autorrelato para adultos, que possui evidência de validade com base no conteúdo. A versão utilizada é composta por 31 itens, organizados em um sistema Likert de resposta de quatro pontos (Falcone et al., 2016).
A estrutura fatorial do instrumento é composta por quatro dimensões, ou seja, Cognições Catastróficas/Incompetência, Hipervigilância/Controle, Vulnerabilidade Pessoal/Evitação e Preocupação/Autocriticismo. Estudos recentes evidenciam a validade psicométrica da escala. Análises fatoriais confirmatórias indicaram cargas fatoriais superiores a 0,50, excelentes índices de ajuste (CFI > 0,95; TLI > 0,95; RMSEA < 0,05) e alta consistência interna (α = 0,89-0,92) (Baptista et al., 2020). Além disso, revisão sistemática recente destacou a ECOGA como uma das principais escalas cognitivas validadas para uso no Brasil (Trindade et al., 2025).
Procedimentos de coleta de dados
O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa e após aprovação (CAAE 87123018.7.0000.5398), foi realizado o convite a três hospitais filantrópicos de referência em saúde, localizados em um município do interior do estado de São Paulo. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos no Brasil conforme Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Os profissionais que atendiam aos critérios de inclusão foram convidados a responder os instrumentos da pesquisa.
Os critérios de inclusão consistiram em: a) concordância formal com a participação na pesquisa, por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); b) exercer a função de técnico(a) de enfermagem, auxiliar de enfermagem ou enfermeiro(a) nas instituições em que ocorreram as coletas e c) estar atuando no mínimo há seis meses na instituição e na função. A coleta ocorreu entre os meses de outubro de 2018 e maio de 2019, de forma presencial, impressa, em salas reservadas disponibilizadas pelos hospitais. O protocolo de coleta composto pelo Questionário de dados sociodemográficos e laborais, EBADEP-A e ECOGA foi aplicado em uma única ocasião, acompanhado pelos pesquisadores do presente estudo. Foi disponibilizado aos gestores dos hospitais participantes um relatório contendo a síntese dos resultados obtidos, com o objetivo de subsidiar estratégias de monitoramento e de promoção da saúde ocupacional. Ademais, os participantes que apresentaram indicadores de sintomas graves durante o procedimento de coleta foram imediatamente acolhidos pela equipe de pesquisa e, posteriormente, encaminhados à profissional de saúde mental responsável pelo atendimento aos trabalhadores da instituição.
Procedimentos de análise dos dados
Após a coleta dos dados, eles foram tabulados no programa Statistical Package for Social Science for Windows (SPSS), versão 22. Para a análise foram utilizados procedimentos da estatística descritiva e inferencial. Inicialmente, por meio de medidas de tendência central e dispersão, foram realizadas análises descritivas com base nas informações da Ficha de Dados Sociodemográficos e Laborais, bem como os dados dos escores dos instrumentos aplicados.
Quanto às análises inferenciais, foram verificadas possíveis diferenças de médias de respostas de grupos com base nos escores obtidos pelos participantes nos instrumentos que avaliaram sintomas de depressão e ansiedade. Para tanto, foi utilizado o teste t de Student para analisar as variáveis com dois grupos (sexo e dupla jornada) e o teste estatístico ANOVA, quando a variável apresentou três ou mais grupos (idade e tempo de trabalho na função). A normalidade dos dados foi verificada com os testes Shapiro-Wilk e Kolmogorov-Smirnov. O pressuposto de homogeneidade de variância foi avaliado pelo teste de Levene. Foi utilizado a técnica de Tukey para avaliação de post-hoc.
Utilizou-se a correlação de Pearson para verificar as associações entre os construtos ansiedade e depressão. Para pormenorizar os resultados das correlações, foram conduzidas análises de regressão linear, por meio do método Enter, tendo como variável dependente as pontuações da EBADEP-A e variáveis independentes as informações sociodemográficas e laborais dos participantes (sexo, idade, tempo de formação, carga horária diária de trabalho, turno, tempo de trabalho na instituição, tempo de trabalho na função e se possui dupla jornada de trabalho - se possuía outro serviço). De forma similar foi realizada a análise de regressão linear inserindo-se as pontuações totais ECOGA como variável dependente e as demais informações sociodemográficas e laborais supracitadas, como independentes.
Resultados
Inicialmente serão apresentados os dados relacionados às análises descritivas obtidas por meio da aplicação dos instrumentos. Com o intuito de identificar a intensidade dos níveis de depressão e ansiedade, foram analisados a média, desvio padrão, mediana e classificação dos participantes nas dimensões de cada instrumento, conforme visualizado na Tabela 1.
Tabela 1. Médias, desvios-padrão e medianas dos participantes nos instrumentos aplicados.
| Instrumento | Média | DP | Mediana | Classificação | % |
|---|---|---|---|---|---|
| EBADEP-A | 29,48 | 24,14 | 24,00 | Sem sintomatologia | 90,4 |
| Sintomatologia depressiva leve | 4,2 | ||||
| Sintomatologia depressiva moderada | 4,4 | ||||
| Sintomatologia depressiva severa | 1,0 | ||||
| ECOGA-F1 | 13,65 | 8,28 | 13,00 | <M | 93,9 |
| >M | 6,1 | ||||
| ECOGA-F2 | 17,75 | 5,83 | 18,00 | <M | 39,6 |
| >M | 60,4 | ||||
| ECOGA-F3 | 13,01 | 5,01 | 13,00 | <M | 59,0 |
| >M | 41,0 | ||||
| ECOGA-F4 | 21,91 | 9,60 | 22,00 | <M | 81,4 |
| >M | 18,6 |
DP: Desvio-padrão; <M: classificação inferior à pontuação mediana; >M: classificação superior à pontuação mediana; EBADEP-A: Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto); ECOGA-F1: Cognições Catastróficas/Incompetência; ECOGA-F2: Hipervigilância/Controle, ECOGA-F3: Vulnerabilidade pessoal/Evitação; ECOGA-F4: Preocupação/Autocriticismo.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Com base na classificação do manual da EBADEP-A (Baptista, 2012), a maioria dos profissionais não apresentava sintomatologia depressiva (90,4%). Com relação ao instrumento ECOGA, o mesmo ainda não possui normas padronizadas, uma vez que se encontra em fase de validação externa, não havendo, portanto, manual normativo disponível até o momento. Sendo assim, optou-se por trabalhar com a classificação tendo como ponto de corte a pontuação mediana entre os próprios participantes do estudo. No instrumento ECOGA, as maiores concentrações de trabalhadores apresentaram pontuações inferiores à mediana (igual ou inferior ao percentil 50), indicando que há pouca sintomatologia de ansiedade, em termos de cognições catastróficas e de incompetência (ECOGA-F1), vulnerabilidade pessoal e evitação (ECOGA-F3) e preocupação e autocriticismo (ECOGA-F4). Apenas na ECOGA-F2 (que mensura os sintomas de ansiedade relacionados à hipervigilância e controle) que a maior parte dos profissionais analisados foi classificada com pontuações acima do percentil 50, o que tende a indicar a presença de sintomas associados à dificuldade do indivíduo em tolerar situações ambíguas, às quais o levam à hipervigilância, tendo o foco excessivo de atenção em situações que podem ser consideradas perigosas.
A seguir, serão apresentadas as análises inferenciais em relação às diferenças de médias de respostas entre grupos e correlações entre os dados dos instrumentos coletados. Apenas os dados que apresentarem significância estatística serão apresentados nas tabelas e descritos. Para investigar as diferenças de médias de respostas em relação ao sexo e dupla jornada, utilizou-se o teste t de Student. As análises quanto à variável sexo podem ser observadas na Tabela 2.
É possível verificar que houve diferenças de médias de respostas significativas nos dois instrumentos. Apenas na ECOGA - F2 (Hipervigilância/Controle) o grupo masculino apresentou média de resposta superior ao feminino. Em outras palavras, pode-se dizer que, de forma geral as mulheres, nesta amostra, apresentaram maior sintomatologia depressiva e ansiosa (ECOGA F1 - Cognições Catastróficas/Incompetência; F3 - Vulnerabilidade pessoal/Evitação; F4 - Preocupação/Autocriticismo).
Ademais, foram observadas diferenças de médias em sintomatologia depressiva (EBADEP-A) entre os grupos formados pela variável exercer dupla jornada. De forma específica, o grupo que exercia dupla jornada apresentou média superior de sintomas de depressão (M= 32,72; F=2,029; p<0,043).
Tabela 2. Diferenças de médias de respostas nos instrumentos com base na variável sexo.
| Instrumento | Grupo | Média | t | p |
|---|---|---|---|---|
| EBADEP-A | Feminino | 30,44 | 2,214 | 0,029* |
| Masculino | 24,61 | |||
| ECOGA-F1 | Feminino | 14,15 | 3,073 | 0,003** |
| Masculino | 11,31 | |||
| ECOGA-F2 | Feminino | 17,54 | - 2,100 | 0,038* |
| Masculino | 18,90 | |||
| ECOGA-F3 | Feminino | 13,40 | 3,383 | 0,001** |
| Masculino | 11,32 | |||
| ECOGA-F4 | Feminino | 22,44 | 2,503 | 0,014** |
| Masculino | 19,49 |
EBADEP-A: Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto); ECOGA-F1: Cognições Catastróficas/Incompetência; ECOGA-F2: Hipervigilância/Controle, ECOGA-F3: Vulnerabilidade pessoal/Evitação; ECOGA-F4: Preocupação/Autocriticismo. * p<0,050; ** p<0,010.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Para investigar as diferenças de médias de respostas nos instrumentos a partir das variáveis idade e tempo de trabalho na função, foi utilizado o teste estatístico ANOVA e a técnica de Tukey para as avaliações de post-hoc. Na análise da variável idade, a amostra foi classificada em três categorias de faixa etária (até 30 anos, de 31 a 40 anos e mais de 40 anos). Dos resultados que apresentaram significância estatística, percebeu-se que houve diferenças de médias de respostas em três fatores da ECOGA, nos quais o grupo com até 30 anos se diferenciou significativamente dos demais, apresentando médias de respostas superiores em três fatores. O teste de post-hoc evidenciou que no primeiro fator da ECOGA, Cognições Catastróficas/Incompetência, o grupo de até 30 anos teve média de pontuação de 15,67, a qual foi superior (F=8,872; p<0,001) às médias do grupo de 31 a 40 anos (M=13,01) e acima de 40 anos (M=11,80).
No terceiro fator da ECOGA, Vulnerabilidade Pessoal/Evitação, identificou-se pelo teste de post-hoc que o grupo de até 30 anos de idade apresentou média de pontuação de 14,03, se diferenciando (F=6,104; p<0,002) dos grupos de 31 a 40 anos (M=12,70) e do grupo de mais de 40 anos (M=12,71). No quarto fator da ECOGA, Preocupação/Autocriticismo, o grupo com idade até 30 anos apresentou média de resposta de 24,25, pontuação superior e se diferenciando estatisticamente (F=8,797; p<0,001) dos grupos de profissionais com idades entre 31 e 40 anos (M=21,16) e com mais de 40 anos (M=19,77). A partir dessas informações é possível inferir que nestes profissionais da área da saúde, de forma geral, o grupo formado por trabalhadores mais jovens possuía maiores sintomas de ansiedade, quando comparados a grupos formados por trabalhadores com maiores idades acima de 31 anos.
Para comparar as diferenças de médias de respostas com base na variável tempo de trabalho na função, dividiu-se a amostra em três categorias (até 5 anos, de 5 a 10 anos e mais de 10 anos). Identificou-se diferenças significativas de médias de respostas em dois fatores da ECOGA. Por meio do teste de post-hoc de Tukey, verificou-se que no primeiro fator da ECOGA, Cognições Catastróficas/Incompetência, o grupo de 5 a 10 anos se diferenciou (F=4,944; p<0,007) dos demais e apresentou a maior média de resposta 15,15, ao passo que o grupo de mais de 10 a pontuação média foi de 11,30 e o grupo de até 5 anos foi de 13,73. Em termos de Hipervigilância/Controle (segundo fator da ECOGA), os grupos de 5 a 10 anos (M=18,73) e com mais de 10 anos (M=18,40) se diferenciaram (F=3,023; p<0,050) do grupo de até 5 anos (M=17,26).
Também se verificou as associações entre ansiedade e depressão por meio da correlação de Pearson. Utilizou-se como referência a classificação com base nas magnitudes de correlação proposta por Dancey e Reidy (2006), assim sendo, até 0,39 (correlação fraca), entre 0,40 e 0,69 (moderada) e acima de 0,70 (forte). Todas as associações entre EBADEP-A e ECOGA foram estatisticamente significativas, positivas, sendo uma de magnitude fraca (EBADEP-A e ECOGA-F2 - Hipervigilância/Controle, r=0,24) e três moderadas (EBADEP-A e ECOGA-F1 - Cognições Catastróficas/Incompetência, r=0,62; EBADEP-A e ECOGA-F3 - Vulnerabilidade pessoal/Evitação, r=0,43; EBADEP-A e ECOGA-F4 - Preocupação/Autocriticismo, r=0,60). Por meio desta análise, sugere-se que quanto maior a presença de sintomas de depressão, maior tende a ser a pontuação em termos de ansiedade.
Para se verificar quais variáveis formariam os modelos que melhor explicam tanto sintomas de depressão como o de ansiedade, optou-se por realizar análises de regressões lineares, por meio do método Enter. Foram inseridas em cada modelo, as variáveis que se correlacionaram mais fortemente de forma significativa com as variáveis independentes, no caso, a ECOGA e a EBADEP-A.
A Tabela 3 apresenta as informações da análise de regressão na qual se utilizou como variável dependente as pontuações da EBADEP-A. Já as variáveis independentes foram as informações sociodemográficas e laborais dos profissionais da área da enfermagem (sexo, idade, estado civil, formação, tempo de formação, carga horária diária de trabalho, turno, tempo de trabalho na instituição, tempo de trabalho na função e se possui dupla jornada de trabalho).
Tabela 3. Regressão linear entre as variáveis (variável dependente: EBADEP-A).
| Coeficientes não padronizados | Coeficiente padronizado | t | Significância | ||
|---|---|---|---|---|---|
| B | Erro padrão | Beta | |||
| (Constante) | 54,620 | 9,482 | 5,760 | 0,000 | |
| Idade | - 0,436 | 0,175 | - 0,160 | - 2,487 | 0,013 |
| Sexo | - 8,628 | 2,993 | - 0,134 | - 2,882 | 0,004 |
| Carga horária | 2,115 | 0,654 | 0,247 | 3,236 | 0,001 |
| Outra atividade | - 7,357 | 2,379 | - 0,146 | - 3,093 | 0,002 |
Fonte: Elaborada pelos autores.
O modelo mais parcimonioso para predizer os sintomas de depressão nesta amostra foi composto pelas variáveis idade, sexo, carga horária e se o profissional possuía ou não outra atividade remunerada. Assim, a aumento de sintomas depressão foi mais bem explicado por ter menor idade, ser do sexo feminino, ter maior carga diária de trabalho e possuir mais de um vínculo empregatício. Essas quatro variáveis formaram o modelo com poder preditivo que supera 25% (R2 = 0,28) no que tange aos sintomas de depressão avaliados pela EBADEP-A.
Em relação ao diagnóstico de colinearidade, o Variance Inflation Fator (VIF) ficou entre 1,0 e 7,9, índices satisfatórios, já que eles não devem ser iguais ou superiores a 10 (Hair et al., 2019). Já a tolerância (Tolerance) ficou entre 0,1 e 0,9, indicando que não há colinearidade entre as variáveis que traga prejuízo para a análise, já que indicam colinearidade devem ser iguais ou inferiores a 0,10 (Field, 2013). Por último, em relação ao pressuposto de resíduos independentes, a análise de Durbin-Watson demonstrou valor de 1,84, sugerindo baixa correlação entre os resíduos das variáveis no modelo, levando-se em consideração que valores próximos a 2, em uma variação de 0 a 4, demonstram a inexistência de correlações indevidas positivas ou negativas (Gujarati & Porter, 2011).
A segunda análise de regressão realizada buscou verificar quais variáveis formariam o modelo que melhor explicaria a ansiedade cognitiva nesta amostra. Assim, foi inserida como variável dependente as pontuações totais da ECOGA e, como independentes, as mesmas variáveis sociodemográficas e laborais relatadas anteriormente. A Tabela 4 apresenta esses dados.
Tabela 4. Regressão linear entre as variáveis (variável dependente: ECOGA-Total).
| Coeficientes não padronizados | Coeficiente padronizado | t | Significância | ||
|---|---|---|---|---|---|
| B | Erro padrão | Beta | |||
| (Constante) | 87,016 | 10,197 | 8,534 | 0,000 | |
| Idade | - 0,534 | 0,203 | - 0,201 | - 2,626 | 0,009 |
| Sexo | - 6,882 | 3,078 | - 0,119 | - 2,235 | 0,026 |
Fonte: Elaborada pelos autores.
As variáveis que formaram o modelo explicativo para a ansiedade cognitiva nesta amostra foram idade e sexo. Nesse caso, ser mais jovem e do sexo feminino foram variáveis que melhor explicaram o aumento de sintoma de ansiedade. Tal modelo apresentou poder preditivo que superou 25% (R2 = 0,27) em relação aos sintomas de ansiedade cognitiva avaliada pela ECOGA. No que tange às informações de colinearidade, o VIF ficou entre 1,0 e 7,0, índices satisfatórios e a tolerância entre 0,1 e 0,9. Das informações quanto ao pressuposto de resíduos independentes, a análise de Durbin-Watson demonstrou valor de 1,83, sugerindo baixa correlação entre os resíduos das variáveis no modelo.
Discussão e conclusões
A presente pesquisa buscou investigar a presença de sintomas de depressão e ansiedade em profissionais da enfermagem, assim como verificar possíveis diferenças de médias de respostas entre grupos formados com base em diversas variáveis sociodemográficas e ocupacionais, avaliar as correlações e realizar análises preditivas em relação aos sintomas. No que se refere às pontuações e classificações mediante os instrumentos, os dados apontaram que 90,4% da amostra não apresentou sintomas de depressão. Quanto à ansiedade, em quase todos os fatores as classificações foram inferiores à pontuação mediana, indicando também baixa sintomatologia. Mesmo a enfermagem sendo caracterizada como uma profissão que apresenta diversos estressores ocupacionais, os quais podem influenciar, a médio e longo prazo, para o aumento dos sintomas de depressão e ansiedade (Chen et al., 2020), ao menos nesta amostra essas informações não foram confirmadas.
As instituições de saúde possuem características que distinguem umas das outras, porém, em geral, são contextos em que há diversos estressores ocupacionais que podem levar os profissionais ao adoecimento mental (Pereira et al., 2017; Silva et al., 2019). A presença de sintomatologia depressiva e ansiosa envolve, além das condições do ambiente de trabalho, os aspectos subjetivos de cada profissional, o que significa dizer que é possível encontrar profissionais com baixos sintomas de ansiedade e depressão em ambientes de trabalho com diversos estressores ocupacionais e, ao mesmo tempo, encontrar profissionais com elevados sintomas de depressão e ansiedade em instituições de saúde que apresentam condições de trabalho e de relacionamento interpessoal consideradas adequadas. Essas inconsistências quanto às prevalências de sintomas também podem ser vistas em outras pesquisas, nas quais os profissionais apresentaram moderadas e altas prevalências de sintomas de depressão e ansiedade (Maharaj et al., 2019; Saquib et al., 2019; Tsaras et al., 2018), porém em outras (Shajan & Nisha, 2019; Silva, 2019), assim como na presente pesquisa, os sintomas foram considerados baixos.
Dos dados descritivos, apenas no segundo fator da ECOGA (Hipervigilância/Controle) foi possível identificar frequências maiores de classificações em percentis superiores à pontuação mediana do instrumento, sugerindo que uma quantidade significativa dos trabalhadores apresenta sintomatologia ansiosa nessa dimensão. Tal categoria do instrumento contempla itens que mensuram a tendência do indivíduo em sentir-se em perigo eminente, em que ele possui dificuldade de diferenciar as situações tidas como neutras ou de fato que apresentem algum risco. Para Silva (2017), ao vivenciar o estado de hipervigilância, o indivíduo assume uma postura apreensiva, mantendo-se em alerta para ter o controle das situações temidas. Nesse sentido, cabe destacar que as instituições hospitalares geralmente se configuram como locais insalubres e os atendimentos prestados podem variar entre baixa e alta complexidade. Descuidos ou falhas técnicas por parte do profissional da enfermagem podem acarretar grandes prejuízos a sua vida e a dos pacientes atendidos (Silva et al., 2019). Sendo assim, entende-se que esse contexto laboral pode explicar os altos escores na dimensão Hipervigilância/Controle.
As análises inferenciais indicaram diferenças de médias de respostas entre os grupos com base na variável sexo, em que mulheres apresentaram média superior, e com diferenças significativas, nos instrumentos que avaliaram sintomatologia depressiva e ansiosa. Esse dado era esperado e há argumentos científicos para essa diferença, já que estatísticas globais (American Psychiatric Association, 2014; Organização Mundial da Saúde, 2018) geralmente apontam para o fato de que mulheres tendem a apresentar maiores sintomas de depressão e ansiedade. Além disso, especificamente com grupos amostrais compostos por profissionais da enfermagem, os estudos científicos também trazem constatações semelhantes (Bertussi et al., 2018; Silva, 2017).
Na comparação com base na variável idade foi possível constatar que trabalhadores com até 30 anos apresentaram mais sintomas de ansiedade. Há alguns estudos que investigaram a relação entre faixa etária dos profissionais de enfermagem e sintomas de ansiedade, tendo esses encontrado que quanto menor a idade do profissional, maior a sintomatologia ansiosa, quando comparados a profissionais mais velhos (Martinez et al., 2017; Saquib et al., 2019). É possível hipotetizar, que ter menos idade também está associado a possuir menos experiências profissionais, fato que pode influenciar no aumento dos sintomas ansiosos. Cabe destacar que essa tendência não é exclusiva do contexto da enfermagem. Estudos populacionais amplos apontam que indivíduos mais jovens, especialmente adultos entre 18 e 29 anos, tendem a apresentar maiores níveis de sintomas depressivos e ansiosos quando comparados a faixas etárias mais avançadas (World Health Organization, 2023). Essa maior vulnerabilidade entre os jovens tem sido atribuída a fatores como instabilidade nas relações pessoais e profissionais, insegurança econômica, pressão social e maior exposição a ambientes digitais estressores, o que pode intensificar reações emocionais negativas e dificuldades de enfrentamento (Twenge et al., 2019). Assim, os achados do presente estudo corroboram a literatura mais ampla, indicando que a menor idade constitui um fator de risco tanto no âmbito ocupacional quanto na população geral.
Considerando a variável tempo de trabalho na função, identificou-se maior sintomatologia ansiosa em profissionais com até 10 anos de trabalho na função, em dois fatores da ECOGA (Cognições Catastróficas/Incompetência e Hipervigilância/Controle). De forma semelhante ao que foi hipotetizado na variável idade, é possível inferir que exista maior presença de sintomas de ansiedade em trabalhadores mais jovens (com menos experiência profissional) e isso tende a diminuir com o passar do tempo, devido, principalmente, à maior experiência e estratégias de enfrentamento desenvolvidas pelos profissionais da enfermagem frente aos estressores ocupacionais, o que corrobora com achados de outras investigações (Booker et al., 2019; Martinez et al., 2017; Silva, 2017; Tran et al., 2019).
Além disso, os resultados encontrados apontaram que pessoas que possuíam dupla jornada de trabalho apresentaram maior presença de sintomas de depressão. Pelo fato de os trabalhadores estarem exercendo atividades laborais em maior carga horária, a probabilidade de estarem expostos a mais estressores ocupacionais tende a ser maior que os demais, tornando-os mais vulneráveis ao desenvolvimento de psicopatologias. Alguns estudos (Carvalho et al., 2019; Silva, 2017) que realizaram a análise com base na carga horária diária de trabalho encontraram resultados semelhantes, o que reforça a ideia de que ter mais de um vínculo empregatício, ou mesmo ter elevada carga horária diária de trabalho, podem ser vistos como variáveis de risco para o desenvolvimento de sintomas depressivos.
Foram encontradas correlações positivas entre os construtos, sintomas de depressão e ansiedade, indicando que quanto maior a sintomatologia ansiosa, maior tende a ser presença de sintomas de depressão, e vice-versa. Outros estudos empíricos encontraram dados semelhantes, porém há algumas diferenças em termos de classificações das correlações. Na presente pesquisa as magnitudes entre os fatores da ECOGA e a escala EBADEP-A variaram entre fracas e moderadas. No estudo de Saquib et al. (2019), com amostras de profissionais da enfermagem também encontrou associações fracas e moderadas. Por sua vez, Silva (2017) encontrou associações mais fortes entre os construtos, superando a magnitude de 0,70. Em outras palavras, parece haver consenso na literatura das associações positivas entre sintomas de depressão e ansiedade, porém a forças quanto aos relacionamentos entre os mesmos são encontradas com diferentes magnitudes.
Do ponto de vista prático e científico, essas correlações, mesmo quando moderadas, têm implicações significativas. A presença simultânea de sintomas ansiosos e depressivos configura um quadro comorbido, frequentemente mais grave, com maior impacto sobre funcionalidades cognitivas, emocionais e ocupacionais (World Health Organization, 2023). Além disso, modelos transdiagnósticos contemporâneos - como a Teoria Tripartite - descrevem que tanto a ansiedade quanto a depressão compartilham um fator de afetividade negativa, implicando que um aumento em um sintoma pode exacerbar o outro (Frontiers Neuroscience, 2022). Dessa forma, mesmo correlações de intensidade moderada são indicativas de interdependência clínica relevante e identificar esses dados, reforça a necessidade de intervenções multidimensionais, direcionadas tanto aos traços cognitivos quanto emocionais dessas condições.
Visando aprimorar as análises de correlação, optou-se por executar análises de regressão linear, verificando quais variáveis formariam os desfechos com as melhores capacidades de predição em termos de sintomas de depressão e ansiedade. No que tange à variável depressão, o modelo com melhor predição para os sintomas foi formado pelas variáveis idade (ter menos idade), sexo (feminino), carga de trabalho diário (mais horas de trabalho por dia) e vínculo empregatício (ter mais de um vínculo). Silva (2017), ao utilizar modelos de regressão para verificar a predição de sintomas depressivos, também apontou para a variável carga horária como uma das que melhor explicou o aumento dos sintomas de depressão. Já no estudo de Maharaj et al. (2019), diferentemente do presente achado, ser mais velho se mostrou como uma variável preditiva para o aumento dos sintomas depressivos.
Em termos de sintomas ansiosos, o modelo com maior predição foi formado pelas variáveis idade (ser mais jovem) e sexo (feminino). Entretanto, um estudo que realizou análises de regressão dos sintomas de ansiedade com amostras de enfermeiros não apresentou resultados próximos (Tsaras et al., 2018), ou seja, observou-se que ser mais velho (além de não ter um relacionamento estável e maior nível de escolaridade) foi o conjunto de variáveis que melhor explicou o aumento de sintomas ansiosos. Na pesquisa Saquib et al. (2019), a maior carga de trabalho diário foi o que explicou o aumento dos sintomas. Já na pesquisa de Maharaj et al. (2019) não foi possível encontrar um modelo com significância estatística para os desfechos de sintomas de ansiedade. Percebe-se que os resultados são contrastantes no que tange aos estudos preditivos, ao mesmo tempo, diversas são as variáveis que podem ser presentes nesses contextos de atuação, o que requer maior amplitude e controle de variáveis em investigações futuras.
Embora seja bastante documentada na literatura a relação entre sintomas de depressão e ansiedade em diferentes grupos amostrais, este estudo traz como importante informação o fato de que parece haver relação entre aumento de sintomas de ansiedade e depressão nas equipes de enfermagem investigadas quanto às variáveis idade e tempo de atuação na função. Nesse sentido, deve-se frisar a importância de realizar adequados treinamentos nos profissionais das equipes de enfermagem, para que eles possam aumentar o repertório de estratégias de enfrentamento, prestando um serviço de mais qualidade e diminuindo, possivelmente, os sintomas de ansiedade e depressão.
Embora o presente estudo tenha alcançado seus objetivos e contribuído para a ampliação da literatura científica, é importante reconhecer algumas limitações. A primeira refere-se ao tamanho amostral. Apesar de a amostra ser considerada moderada (Prieto & Muñiz, 2000) e significativa, especialmente considerando as dimensões do município onde a coleta foi realizada, os resultados não podem ser generalizados para níveis estadual ou nacional. Além disso, a maioria das participantes eram mulheres, o que não permite compreender se os construtos estudados se manifestariam da mesma forma com um público maior de profissionais da enfermagem do sexo masculino. Diante disso, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o tamanho da amostra e incluam profissionais de diferentes sexos, regiões do país, a fim de fortalecer a validade dos achados.
Dos instrumentos utilizados, considera-se que o questionário sociodemográfico e laboral poderia abarcar algumas variáveis que não foram exploradas nesta investigação, tais como, setor e função. Em acréscimo, para estudos futuros considera-se importante levar em consideração análises comparativas entre as funções na enfermagem (como auxiliar e técnico em enfermagem, bem como o enfermeiro), turno de trabalho, setor e especialidade do hospital, uma vez que cada cargo e ambiente possuem distintas realidades e responsabilidades, o que pode acarretar em diferenças significativas em relação às formas de enfrentamento dos eventos no trabalho, bem como quanto aos sintomas depressivos e ansiosos. Por fim, estudos como este, bem como outros na área, já produzidos ou que serão publicados, são importantes já que podem levar à reflexão e possivelmente ao estabelecimento de estratégias de prevenção e promoção em saúde mental dos trabalhadores da enfermagem, tanto em uma perspectiva organizacional, como em políticas públicas.














