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Revista de Estudios Sociales
Print version ISSN 0123-885X
Abstract
ULLOA RUIZ, Mónica A. and GRAELLS, Guillem Bas. A securitização da inteligência artificial: uma análise de seus vetores e consequências. rev.estud.soc. [online]. 2025, n.93, pp.67-84. Epub Aug 26, 2025. ISSN 0123-885X. https://doi.org/10.7440/res93.2025.04.
Neste artigo, analisa-se o processo de securitização da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos, entendida como a construção discursiva dessa tecnologia enquanto questão de segurança que justifica um tratamento político e regulatório excepcional. Em um contexto de crescente preocupação com os riscos associados ao desenvolvimento da IA, o artigo tem como objetivo identificar os fatores que motivam sua securitização e avaliar as consequências de tal abordagem na formulação de políticas públicas. Para tanto, adota-se a metodologia de análise crítica do discurso a um corpus composto por 25 atos de fala de órgãos governamentais, organizações técnico-científicas e meios de comunicação. A análise revela a coexistência de duas principais gramáticas discursivas: uma baseada em ameaças, que enfatiza a presença de adversários concretos e legitima medidas extraordinárias; e outra baseada em riscos, que favorece respostas preventivas integradas aos quadros regulatórios tradicionais. Além disso, observa-se uma tensão entre as abordagens nacionais de securitização e os processos de macrossecuritização, nos quais a IA é tratada como um risco global que ameaça a humanidade. Essas dinâmicas, influenciadas por fatores institucionais, ideológicos e geopolíticos, geram respostas políticas díspares e, em alguns momentos, contraditórias. A principal contribuição do estudo está em oferecer uma estrutura analítica para distinguir entre diferentes lógicas de securitização e compreender seus efeitos na governança da IA. Conclui-se que uma abordagem baseada na gestão de riscos, e não na identificação de ameaças, favorece respostas sustentáveis e cooperativas no longo prazo. Argumenta-se também que a integração da IA na política convencional, sem recorrer sistematicamente à sua securitização, é essencial para construir quadros regulatórios eficazes e compatíveis com os desafios globais atuais.
Keywords : inteligência artificial; risco catastrófico global; risco existencial; securitização; segurança nacional.












