Introdução
A romã (Punica granatum Linn.) é uma planta frutífera pertencente à família Punicaceae, sendo originária do Oriente Médio (na região onde se localiza o Irã, Afeganistão e o norte da Índia) [1], embora seja cultivada em todas as regiões do mundo atualmente, onde condições climáticas o permitem [2].
A romã desempenha papel importante como produto de exportação comercial, mas muito além de sua importância comercial, o fruto se tornou atraente para pesquisadores, para estudar várias características biológicas, como alta atividade antioxidante na fruta e a poli cariopse como uma característica valiosa para a produção agrícola [3].
A P. granatum L. são uma espécie bastante utilizada como fitoterápico na medicina popular. Na medicina popular as cascas do fruto são utilizadas no tratamento de dores de garganta e inflamações bucais, como também outras partes como as folhas, raízes, sementes e o fruto estão associados ao tratamento de úlceras, diarreia, febre, gengivite, abscessos, inflamações, aftas e outras infecções [4] [5].
Importantes componentes químicos foram descobertos e isolados dessa espécie, como taninos, flavonas nas folhas, esteróis e ácidos graxos do óleo da semente, flavonóis e alcaloides das cascas do fruto, piperidina nas raízes, ácido gálico e triterpenóides nas flores, além de apresentar altas concentrações de vitamina C e B nos frutos. Os componentes de P. granatum L. estão distribuídos por toda a planta [6].
A P. granatum L., se trata de uma planta rica em compostos fenólicos que lhe atribuem algumas das atividades farmacológicas. Em 2017, Hmid et al.[7] demostrou em seu estudo a presença de 10 compostos fenólicos no suco de romã, sendo eles: ácido gálico, catequina, epicatequina, ácido elágico, ácido clorogênico, ácido cafeico, ácido ferúlico, quercetina, cloridzina e rutina.
Estudo experimentais em laboratório e em modelos animais demostram que os componentes fitoquímicos da P. granatum L., podem atuar como ativos antioxidantes [8] [9], anti-artríticos [10], anticoccidial [11], antimicrobiano [12], antiplaquetários [13], antiangiogênicos [14], antidepressivos [15] e anti-quorum [16]. Devido as características químicas e relevância etnomédica, o extrato de cascas de P. granatum L., são prpostos como substituintes aos aditivos alimentares sintéticos, como nutracêuticos e quimiopreventivos, mas devido a sua adstringência e propriedades antinutricionais, não aplicados ainda como ingredientes alimentícios [17].
A ampliação dos conhecimentos dos usos tradicionais e a caracterizações biológicas dos componentes químicos presentes nas diversas partes da P. granatum L, são essenciais. Este trabalho busca fornecer dados sobre a composição fitoquímica e atividade farmacológica da Punica granatum L., para promover uma base para o desenvolvimento de novos estudos acerca da espécie.
Metodologia
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica relacionada a espécie Punica granatum L., a fim de reunir informações relevantes sobre o perfil fitoquímico e atividades farmacológicas. Fontes primárias de pesquisa foram utilizadas, incluindo Scopus, Embase, Web of Science e PubMed - Medline. Os artigos de literatura publicados entre 2013 e 2023 foram incluídos para serem analisados, com objetivo de integrar a revisão. Para a busca nas fontes de pesquisa, foram utilizados os termos: Punica granatum L., Atividade farmacológico e Perfil químico. Os artigos obtidos foram dispostos no software Ryyan (https://www.rayyan.ai/), para remover artigos fora da temática do estudo ou artigos duplicados.
Entre os dados extraídos incluem atividades farmacológica, compostos fitoquímicos presentes na P. granatum e compostos que desempenham ações farmacológica. Todas as estruturas químicas foram desenhadas utilizando o software ChemDraw 17.0.
Resultados e discussão
Fitoquímica
A literatura moderna descreve que os extratos de diferentes partes da Punica granatum Linn. apresentam compostos fitoquímicos com destaque a presença de carboidratos e triterpenos, tendo como componentes majoritários esteróis, compostos fenólicos, alcaloides, ácidos graxos e flavonoides [18]. Outros estudos relatam a presença de saponinas, que estão relacionadas a ação de proteção gástrica [19] [20]. Nos últimos cinco anos, muitos estudos foram realizados com objetivo de identificar e estudar os compostos químicos presentes na Punica granatum Linn. Nos resultados da pesquisa foram identificados a presença de compostos químicos, no óleo da semente foi observado a presença de 11 esteróis (Fig. 1), na casca a presença de ácido gálico, ácido elágico, catequina e quercetina (Fig. 2).
Fonte: Os autores, 2023.
Figura 1 Estrutura química dos esteróis presente no óleo da semente de P. granatum.
Foram identificados 50 compostos químicos majoritários, estando distribuídos nas flores, cascas, sementes, suco e folhas. As estruturas químicas dos principais componentes estão dispostas na Figura 3.
Um resumo sobre os principais compostos fitoquímicos, a peça vegetal e a referência de origem são dadas na Tabela 1.
Farmacologia
Atividade anti-helmíntica
Ahmed et al.[38] identificou a atividade anti-helmíntica da Punica granatum em seus estudos, utilizando extratos metanoicos das cascas e raízes da planta frente ao parasita Haemonchus contortus. Os extratos de P. granatum produziu atividade anti-helmíntica significativa e semelhante ao agente anti-helmíntico, albendazol. A atividade antihlemintica aumentou durante o passar das horas, após 7 horas de exposição à concentração de 10 mg·mL-1 de extratos produziu mortalidade significativa (p<0,05).
Castagna et al.[39] avaliou o potencial anti-helmíntico dos frutos da Punica granatum, frente a nematóides gastrointestinais em ovinos, inserindo o fruto na alimentação dos animais e avaliando os resultados através da do teste de contagem de ovos fecais (FECRt). O uso do macerado de romã demostrou redução dos ovos fecais em 50% nos primeiros 7 dias, Kaiaty et al.[40] também avaliou o potencial anti-helmíntico da inserção de romã na alimentação e através da contagem de ovos fecais, utilizando 200 mg/kg por peso corporal, e os resultados demostraram redução de 85% na quantidade de ovos fecais em bovinos, ovinos, caprinos e bufalinos.
Atividade antioxidante
Arkoub et al.[8] avaliou a capacidade antioxidante in vivo do suco e extrato aquoso das cascas da Punica granatum em ratos Wistar. Os grupos de estudo foram divididos em grupo controle (C), grupo utilizando Tolueno 99,5% (T), grupo utilizando extrato da casca (PB), grupo utilizando suco da romã (PJ), grupo utilizando suco e Tol (PJ-Tol) e grupo utilizando extrato de cascas e Tol (PB-Tol). A exposição dos ratos a Tolueno foi identificada a atividade hepática do grupo GSH e GPx (Glutationa Peroxidase), enquanto o grupo PB, restaurou a atividade antioxidante quando comparado ao grupo exposto ao Tolueno. A suplementação dos extratos de cascas e suco da Punica granatum, possibilitou a restauração da deterioração dos tecidos danificados pelo Tol. Uma melhora significativa foi identificada nos animais expostos ao grupo PB-Tol, quando comparado ao grupo PJ-Tol, que está relacionado a maior presença de compostos fenólicos, flavonoides e taninos, que foram identificados nas cascas pelo autor através do teste de eliminação de DPPH.
Estudos de Khemakhem et al.[9] concluíram que a Punica granatum apresenta atividade antioxidante devido à alta concentração de polifenóis e flavonoides. A avaliando os extratos da semente da romã, foi identificado 58,59±0,92 mg/g de extrato de polifenóis totais, 2,31±0,25 mg/g de extrato de flavonoides, também demostrando curva de dose-resposta graduada (EC50) no teste de DPPH de 0,30±0,01 mg·mL-1 e atividade antioxidante de 19,47±0,99 mg/g de extrato de semente de romã.
Estudo experimental analisou a capacidade antioxidante da Punica granatum, através do método ABTS (2,2'-azino-bis (3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico), sendo constituído pela solução ABTS e persulfato de potássio, para avaliação da atividade antioxidante a solução ABTS foi diluída em solução tampão de pH 7,4. No estudo foi usado os extratos da casca, flores, suco, folhas e óleo das sementes e como controle positivo o ácido ascórbico. Os testes demostraram CE50 (mg·mL-1) de 1,5±0,08, 0,7±0,01, 2,2±0,2, 2,2±0,15 e 3,0±0,3, para cascas, folhas, flores, suco e óleo da semente, respectivamente, enquanto o controle positivo de ácido ascórbico apresentou CE50 de 1,4±0,2 mg·mL-1, o que demostra a atividade antioxidante da Punica granatum maior que a do ácido ascórbico, que é utilizado atualmente como agente antioxidante [13].
Cervantes-Anaya et al.[15] observou em testes o potencial antioxidante da Punica granatum na peroxidação lipídica cerebral em ratas Wistar. As ratas passaram por processo de ovariectomia e incubação pelos agentes pró-oxidantes FeSO4 (5 µM) e ONOO- (25 µM). Foi observado que homogenatos cerebrais expostos ex vivo a pro-oxidantes aumentaram a formação de espécies reativas a oxigênio (ROS), enquanto os homogenatos cerebrais expostos ao extrato aquoso (1,0 mg/kg, 14 dias) de Punica granatum não foi observado produção de ROS, indicando que o extrato impediu a ação dos agentes pró-oxidantes.
Atividade anti-inflamatória
Rakhshandeh et al.[14] identificou a ação anti-inflamatória do óleo da semente de Punica granatum, em ratos Wistar machos após procedimento cirúrgico na cavidade abdominal com indução de adesão peritoneal e com tratamento de 0,5, 1,5 ou 4,5% v/v de PSO (Óleo de semente de romã). Para medir os marcadores inflamatórios (IL-6, TNF-α e IL-1β) foi utilizado os kits ELISA comerciais, determinados no fluido de lavagem peritoneal. A concentração de 0,5% v/v de PSO, diminuiu os níveis de IL-6 e IL-1β em comparação ao grupo controle. Os níveis de TNF - α também caíram para as concentrações de 0,5, 1,5 e 4,5% v/v de PSO com valores de p<0,001, p<0,01 e p<0,05, respectivamente.
Estudos avaliando a atividade anti-inflamatória da punicalagina (Fig. 4), um polifenol presente no fruto da Punica granatum, em modelos vivos identificou que o tratamento com dosagem de 5 – 40 µM, resulta em uma redução significativa nos níveis do marcador inflamatório TNF-α em células de micróglia. Os resultando também mostraram supressão dos níveis de IL-6 em todas as concentrações de punicalagina testadas [41].
Tang et al.[42] avaliou a ação anti-inflamatória da punicalagina com objetivo de buscar um ativo para o tratamento da psoríase, uma doença cutânea inflamatória crônica. Os resultados revelaram que punicalagina provoca efeito modulatório na fosforilação de p65 (Ser536) in vitro. As citocinas IL-17A e TNF-α acarreta aumento a fosforilação de p65, enquanto a punicalagina reduz a fosforilação. O tratamento com punicalagina (2,5/5/10/20 µM) pode atuar como bloqueador dá a translocação nuclear induzida por TNF-α e IL-17A, principais citocinas da patogênese da psoríase.
Atividade antimicrobiana
A ação antimicrobiana conjunta de extratos de Punica granatum e nanopartículas de prata (Ag) foram estudadas frente as espécies fúngicas e bacterianas: Staphylococcus aureus (ATCC 6538), Bacillus cereus, Pseudomonas aeruginosa (ATCC 9027), Escherichia coli (ATCC 10536), Enterococcus hirae (ATCC 10541), Candida albicans, e Legionella pneumophila sub sp. pneumophila (OATCC 33152). A atividade antimicrobiana foi determinada através do método de microdiluição do caldo. Os extratos de Punica granatum/Ag sintetizados demostraram concentração inibitória mínima (MIC) de 128 µg·mL-1, 16 µg·mL-1, 64 µg·mL-1, 16 µg·mL-1, 32 µg·mL-1, 128 µg·mL-1, e 512 µg·mL-1 para E. hirae, E. coli, S. aureus, L. pneumophila, P. aeruginosa, B. cereus, e C. albicans, respectivamente. Apresentando efeito inibitório mais baixos para microrganismo gram-negativos e maiores valores para gram-positivos [43].
Outros autores avaliaram o potencial antimicrobiano dos extratos da romã frente a espécies bacterianas resistentes a medicamentos. Foram abordadas no estudo as espécies bacterianas Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. Os extratos foram avaliados em quatro concentrações, 25, 50, 100 e 200%. Entre os microrganismos estudados, o que mais apresentou inibição quando exposto aos extratos de P. granatum foi a Staphylococcus aureus (p≥0,912), seguido por Klebsiella pneumoniae (p≥0,686), Pseudomonas aeruginosa (p≥0,561) e Enterococcus faecalis (p≥0,220). Entre os extratos, a concentração de 100% apresentou as maiores taxas de inibição para todas as espécies [44].
Hamrita et al.[16] identificou que o extrato metanoico de romã atua como agente antifúngico, no estudo foi utilizado cepa de Candida albicans (ATCC 2019) e Candida parapsilosis (ATCC 22019), sobre dosagem de extrato de 50 mg·mL–1, 150 mg·mL–1, 300 mg·mL–1 e grupo teste exposto a ampicilina (10 mg·mL–1). Para C. albicans todas as dosagens e ampicilina apresentaram zona de inibição de 6±0, enquanto para C. parapsilosis apresentaram zona de inibição de 28,66±1.15, 29,33±0.57, 29,66±0,57 e 11,33±1,15, para dosagem de 50, 150, 300 mg·mL–1 e ampicilina (10 mg·mL–1). A ação fúngica pode estar relacionada a presença elevada de ácido clorogênico (34,028 mg/g), rutina (26,05 mg/g), epicatequina (12,207 mg/g) nos extratos metanoicos de romã.
A presença de compostos fenólicos e flavonoides em extratos de casca da Punica granatum podem justificar a atividade antimicrobiana da espécie. Leesombun et al.[45] identificou 574,64 mg/g de ácido gálico e 52,98 mg/g de quercetina em extratos etanoicos de cascas de romã. O autor também identificou que a presença desses compostos provoca a ação bacteriana frente as espécies Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Salmonella enteritidis. Os extratos de romã demostraram concentração inibitória mínima de 6,25, 1,56 e 1,56 mg·mL-1, para E. coli (ATCC 25922), S. aureus (ATCC 29213) e S. enteritidis (ATCC 13076), respectivamente.
Atividade antidiabética
Avaliando o extrato de acetato de etila das cascas de Punica granatum frente as enzimas α-amilase, lipase e α-glucosidase in vitro por ensaios espectrofotométricos com leitor de microplacas e acarbose e orlistato como inibidor padrão, Di Sotto et al.[46] identificou que os extratos de romã podem combater o estresse oxidativo e glicativo associado à hiperglicemia por mecanismos pleiotrópicos, podendo atuar como inibidor de enzimas glicolíticas e afetar a formação de produtos finais de glicação, devido a presença de compostos fenólicos presentes na espécie.
Estudos recentes demostram que a punicalagina presente na romã pode atuar como agente antidiabético em diabetes do tipo II. A indução de diabetes do tipo II em ratos através de dieta rica em gordura e injeções de estreptozotocina, utilizando punicalagina por gavagem oral por 4 semanas demostrou que a substância pode regular 24 biomarcadores, além de demostrar alterações patológicas no fígado e nos rins, reduzindo a gliconeogênese e aumento da glicogênese, como também efeito positivo células HepG2 induzidas por glucosamina [47].
Atividade anticarcinogênica
Muitos pesquisadores têm voltado suas pesquisas para desenvolver fármacos para o tratamento de câncer, por ser uma das patologias que mais causam óbitos em todo o mundo. O estudo de bioativos oriundos de plantas e microrganismos estão em destaque nos estudos para o tratamento de câncer, entre os destaques está a Punica granatum, por ser uma espécie rica em compostos fitoquímicos de interesse global.
Avaliando a propriedade anticancerígena do extrato etanólico da casca de P. granatum L. através do ensaio MTT utilizando a linha celular de câncer KB 3-1, linha celular comumente associada ao câncer bucal. 0,1 mL de linha celular KB 3-1 (1,5 × 106 células/poço), foram semeadas em placa ELISA e incubadas por 24 horas. Após 24 horas foram tratadas com extrato e P. granatum em concentrações de 50 µg·mL-1, 100 µg·mL-1, 150 µg·mL-1, 200 µg·mL-1, 250 µg·mL-1, 300 µg·mL-1 e 350 µg·mL-1. As taxas marcaram níveis de 23,36, 27,25, 32,09, 49,55, 61,94, 71,85 e 80,88%, para as concentrações de 50 µg·mL-1, 100 µg·mL-1, 150 µg·mL-1, 200 µg·mL-1, 250 µg·mL-1, 300 µg·mL-1 e 350 µg·mL-1, respectivamente, demostrando que a inibição da linha celular aumenta com o aumento da concentração do extrato [48]. Os autores relatam que a presença de importantes compostos químicos como o 2-furancarboxaldeído (Fig. 6), justifica a ação anticarcinogênica.
Outros estudos relatam a atividade antitumoral do extrato etanólico de cascas de Punica granatum. O extrato de casca frente a linhas celular de câncer hepático (HepG2) demostraram que a atividade da glutationa peroxidase (GPx) foram reduzidas (p<0,05) em 77,16%, 87,35% e 71,05% na linhagem celular a 100, 200 e 500 µg·mL-1 de extrato, respectivamente [49]. Em carcinogênese hepatocelular induzido por injeções intraperitoneais de dietilnitrosamina em ratos Wistar machos adultos foi observado que a aplicação de punicalaginas obtidas da romã por via oral aumentou a atividade de superóxido dismutase e regulação positiva significativa na expressão de caspase-3 e Bax mRNA [50].
Testes in vitro utilizando Punica granatum de coloração vermelha, rosa e branca buscou avaliar a citotoxicidade frente a linhagens celulares carcionogênicas de mama MDA-MB-231; HTB-26TM), adenocarcinoma alveolares (A549; CCL-185TM), colorretais tipo II de Duke (LS180; CL-187TM) e carcinoma ductal da mama (T-47D; HTB-133TM). Todos os extratos hidroalcólicos demostraram atividade (IC50>200 µg·mL-1) nas linhagens testadas. Além de promover crescimento em linhagem celular de retinal humano normal (ARPE-19; CRL-2302TM) [51].
Estudos preliminares demostraram que o extrato da casca da romã é rico de polifenóis, tendo como principais polifenóis a punicalagina α, β e ácido elágico e esses compostos foram avaliados como agentes anticancerígenos frente as linhagens celulares AGS (adenocarcinoma gástrico humano) e A549 (carcinoma pulmonar humano). Extratos enriquecidos com resina aniônica, na concentração mais alta de 500 µg·mL-1 demostrou resultados significativos na perda de viabilidade em células de carcinoma gástrico, atingindo cerca de 75%. Na linha A549 essa perdeu chegou aos 50%, isso se dá a alta presença de polifenóis nos extratos enriquecidos [52].
Outras atividades farmacológicas
Estudos relatam que a romã pode atuar como um possível tratamento a doença de Alzheimer. A presença de ácido galágico, castalagina, delfinidina, cianidina, punicalina e vescalagina exibiram potente atividade inibidora da Beta-secretase 1 (BACE1), com IC50 valores de 1,29±0,15, 5,12±0,18, 3,99±0,17, 5,29±0,21, 5,98±0,21 e 6,18 positivo, om um IC50 valor de 9,38±1,44 µM. A hidroxilação nas posições C3, C5 e C3′, bem como na posição C5′, aumentam a atividade inibidora de Butirilcolinesterase (BChE), esses compostos demostraram bioatividade promissora para produção de biofármacos para o tratamento da doença de Alzheimer [53].
Conclusões
A abundância de compostos fitoquímicos presentes nas folhas, sementes, raízes, frutos e casca da Punica granatum, torna essa espécie uma importante espécie vegetal para estudos, nas mais diversas áreas das ciências químicas, biológicas e farmacêuticas. A diversidade de substâncias químicas permite que a romã possua potencial medicinal no tratamento de doenças fúngicas, inflamatórias, bacterianas, no tratamento de doenças provocadas por parasitas helmínticos, possível atividade no tratamento de câncer e doença de Alzheimer, além de alta capacidade antioxidante, podendo ser aplicada na indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia.
A Punica granatum representa é uma espécie de interesse científico e econômico de sumo valor, por representar uma alternativa para produção de produtos bioativos de valor comercial e químico imensurável. A ampliação de estudos sobre o uso da Punica granatum e seus ativos químicos deve é essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias que podem beneficiar a saúde humana e animal.














