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Acta Agronómica

Print version ISSN 0120-2812

Acta Agron. vol.58 no.4 Palmira Oct./Dec. 2009

 

Geoprocessamento aplicado na identificação e localização potencial de conflitos de uso em áreas de preservação permanente na microbacia do córrego Monte Belo, Botucatu (SP, Brasil)

Geo-processing in identifying and locating potential conflicts of land use in areas of permanent preservation of the Monte Belo watershed, Botucatu (SP, Brazil)

Sérgio Campos1, Mariana Lisboa Pessoa2, Ana Paula Barbosa2, Flávia Mazzer Rodrigues3, Teresa Cristina Tarlé Pissarra4, Victor Benedictes Mora3

Professor, Departamento de Engenharia Rural, Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, UNESP, Botucatu, Estado de São Paulo, Brasil. CEP: 18611-330. 2Discentes do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Energia na Agricultura da Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, UNESP, Botucatu, Estado de São Paulo, Brasil. 3Discentes do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, UNESP, Jaboticabal, Estado de São Paulo, Brasil. 4Professora Doutora do Departamento de Engenharia Rural, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, UNESP, Jaboticabal, Estado de São Paulo, Brasil.Autor para correspondencia: seca@fca.unesp.br

Rec.: Rec.: 21-05-09 Acept.: 14-11-09


Resumo

Este trabalho teve como objetivo avaliar o geoprocessamento aplicado na identificação e localização potencial de conflitos de uso de 1592 ha em áreas de preservação permanentes (APPs) da microbacia do Córrego Monte Belo - Botucatu (SP, Brasil) (22° 45’ a 22° 48’ de latitude S e de 48° 15’ a 48° 21’ de longitude WGr.) através do uso de Sistema de Informações Geográficas e de imagem de satélite digital, bandas 3, 4 e 5 do Sensor TM, do Landsat 5, da órbita 220, ponto 76, quadrante A, passagem de 23.10.2006. Os resultados permitiram constatar que 62.78% da área é ocupada com reflorestamento e 37.22% é mata, e que somente 2.65% da área vem sendo usado inadequadamente com reflorestamento.

Palabras clave: Paisaje, aspectos fisiográficos, evolução paisagística; microbacia; sensoriamento remoto.


Abstract

This work aimed to evaluate the potential of geo-processing in the identification and localization of potential conflicts of use over 1592ha in permanent preservation areas (APPs) of the Monte Belo watershed - Botucatu (SP, Brazil) (22° 45’ to 22° 48’ S and 48o 15’ to 48° 21’ W), through the use of Geographical Information Systems (GIS) and digital satellite images, bands 3, 4 and 5 of Sensor TM of LANDSAT 5, of the orbit 220, point 76, quadrant A, passage of 23/10/2006. The results allowed verification that 62.78% of the area is occupied with reforestation and 37.22% is forest, and that only 2.65% of the area has been used inadequately with reforestation.

Key words: landscape evolution; watershed; remote sensing


Introdução

As áreas de preservação permanentes têm papel vital dentro de uma microbacia, por serem responsáveis pela manutenção, preservação e conservação dos ecossistemas existentes (Magalhães e Ferreira, 2000). Estas devem estar sempre cobertas com a vegetação original, pois a cobertura vegetal atenua os efeitos erosivos e a lixiviação dos solos, contribuindo também para regularização do fluxo hídrico, redução do assoreamento dos cursos d’água e reservatórios, trazendo benefícios diretos para a fauna (Costa et al., 1996).

O monitoramento das áreas de preservação permanente tem sido um grande desafio sob o aspecto técnico e econômico, pois os critérios de delimitação com base na topografia exigem o envolvimento de pessoas especializadas e de informações detalhadas da unidade espacial em análise.

A caracterização do uso e cobertura da terra trás uma infinidade de informações sobre o espaço, as quais devem ser avaliadas, integradas e armazenadas. O geoprocessamento é uma tecnologia utilizada para integrar várias ferramentas, dados e programas (Rocha, 2000).

O presente trabalho teve por objetivo utilizar geotecnologias para fazer o mapeamento de uso e cobertura da terra e o conflito deste nas Áreas de Preservação Permanente - APPs na microbacia Monte Belo - Botucatu (SP, Brasil).

Materiais e método

A microbacia do Córrego Monte Belo (1592 há), situada no Município de Botucatu São Paulo (48° 21’ W, 48° 15’ W, 22° 48’ S e 22° 45’ S, 18°C a 22°C, 440 - 620 m.s.n.m a, clima subtropical úmido).

A interpretação das classes de uso e cobertura do solo foi feita com base na imagem de satélite digital, bandas 3, 4 e 5 do Sensor TM, do Landsat 5, da órbita 220, ponto 76, quadrante A, passagem de 23.10.2006, através do método de classificação em tela.

As imagens foram georreferenciadas no ENVI 4.2, e os pontos de controle utilizados foram obtidos da carta planialtimétrica. Posteriormente, foram exportadas para o IDRISI onde foram feitas as composições RGB para cada uma das datas. Tais composições foram convertidas para o formato BMP através do CartaLinx, para então serem interpretadas.

Depois de identificadas as diferentes classes de uso e cobertura do solo, os polígonos vetorizados foram exportados para o ArcView 3.2 para a elaboração do mapa final e quantificação das áreas. Inicialmente, através do software Arc View 3.2, foi realizado o georreferenciamento, utilizando-se para isso da carta topográfica de Botucatu, escala de 1:50000 e um GPS (Global Positioning System) para coleta de dados em campo.

O recorte da área na imagem digital foi realizado segundo os limites geográfico da área através do software Arcview. Posteriormente, o mapeamento da área feito através da tela do monitor obedecendo aos padrões de análise, o qual se baseia em princípios como cor, tonalidade, textura, forma, grupamento, tamanho (elementos utilizados em foto-interpretação) e sombra.

As áreas de preservação permanente foram definidas ao longo dos cursos d’água do córrego Monte Belo, sendo utilizado a operação Buffer Selected Features do software ArcView 3.2, a qual proporcionou com que se fosse criado um buffer de 50 m de raio das áreas das nascentes e um buffer de 30 m de cada lado da drenagem ao longo do leito do córrego, (Art.3° resolução Conama no. 303/2002, Código Florestal, Lei 4771-1965).

O mapeamento e a quantificação dos conflitos de uso da terra em áreas de preservação permanente foram realizados usandose álgebra de mapas. Os procedimentos foram executados no ambiente Raster Calculator do módulo Spatial Analyst do ArcGIS.

Resultados e discussão

O uso da terra na microbacia do córrego Monte Belo - Botucatu (SP) mostra que os reflorestamentos (Figura 1 e Tabela 1) vêm predominando em mais de 60% da área em 2006. bEssa classe de uso vem ocorrendo em virtude da predominância de solos férteis e da fácil mecanização nessas áreas (Barros et al., 1987).

As matas, elementos importantes na preservação ambiental, representam mais 35% da área. Estas classes são formadas praticamente por matas ciliares e florestas propriamente ditas. As matas ciliares ou de galeria é uma formação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e são corredores fechados (galeria) sobre a rede de drenagem. Segundo o Código Florestal, a reserva mínima de florestas deve ser de 20%. Esses dados permitem inferir que a microbacia vem sendo preservado ambientalmente (37.22%), devido à alta porcentagem de mata ripária presente. A mata de galeria protege o solo contra o impacto direto das gotas das chuvas, diminuindo a velocidade de escoamento superficial e favorecendo a infiltração de água no solo (Silveira et al., 2005).

No mapa de conflito de usos em áreas de preservação permanentes (APPs) o buffer somam 7065 m2, representando cerca de 0.05% da superfície da microbacia, enquanto que ao longo da rede de drenagem ocuparam 6.74% (100.48 ha) da área total da microbacia.

Ao longo do tempo, a transformação na cobertura vegetal vem acontecendo de forma dinâmica na microbacia, com a região sofrendo sensíveis mudanças nas paisagens nos últimos anos, caracterizadas principalmente expansão da silvicultura.

As APPs representam 6.78% da área da microbacia. A área de APP discriminada ao longo da rede de drenagem foi de 101.18 ha, sendo que apenas 2.65% da áreas de APP está ocupada com reflorestamento de forma inadequada (conflito). Portanto, 97.35% de área de APP vêm sendo utilizados adequadamente, demonstrando que a microbacia está conservada ambientalmente segundo o Código Florestal Brasileiro vigente (1965).

Neste estudo foram analisados os conflitos de uso nas áreas de preservação permanente, somente ao longo da rede de drenagem da microbacia, desconsiderando-se as demais áreas de APPs, uma vez que a microbacia vem sendo conservada ambientalmente, conforme podemos notar pela espacialização do uso do solo na Figura 1.

Conclusões

O estudo realizado na microbacia do córrego do Monte Belo - Botucatu (SP) mostrou que o uso inadequado da terra em áreas de preservação permanente é consideravelmente baixo, pois o uso antrópico (inadequado) chega a 2.65% das APPs, Os mapas de uso da terra podem servir como poder de fiscalização futuramente pelos órgãos Públicos, bem como par identificação e localização das áreas de conflitos de uso da terra. O uso de técnicas de sensoriamento remoto através do emprego de produtos orbitais do Landsat mostrou-se eficientes; a definição do uso do solo, na integração dos dados georreferenciados dentro de um banco de dados mostrou ser uma ferramenta fundamental para o planejamento de uso do solo numa microbacia, bem como a sua utilização no atendimento à legislação ambiental, principalmente nas áreas de APPs. O Sistema de Informações Geográficas Arc View 3.2 foi eficiente na discriminação das classes de uso do solo, mostrando que 62.78% da área é ocupada com reflorestamento e que 37.22% é coberto de mata e que a área de APP da microbacia é de 101.18ha, onde apenas 2.65% está sendo usado inadequadamente (conflito) por reflorestamento.

Agradecimientos

Os autores agradecem à Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –CNPQ pelo apoio financeiro, sem o qual não seria possível a realização deste trabalho.

Referencias

Barros, Z. X. de; Cardoso, L. G.; e Targa, L. A. 1987. Utilização de fotografias aéreas em ocupação do solo por cobertura vegetal.. En: Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola. 16, Jundiaí, Brasil, SBEA, 1987. p. 598 – 603.        [ Links ]

Conama (Brasília, DF). 2002. Resolução No. 303, de 20 de março. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, 13 de maio.        [ Links ]

Costa, T. C. C.; Souza, M.G.; e Brites, R.S. 1996. Delimitação e caracterização de áreas de preservação permanente, por meio de um sistema de informações geográficas. En: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, 7, Salvador, Brasil, INPE, 1996. Anais... p. 121 – 127.        [ Links ]

Lei 4771 de 15 de setembro, que institui o novo Código Florestal. Brasil.        [ Links ]

Magalhães, C.S.e Ferreira, R.M. 2000. áreas de preservação permanente em uma microbacia. Informe Agropecuário, Belo Horizonte. 21(207):33-39.        [ Links ]

Rocha, C. H. B. 2000. Geoprocessamento: tecnologia transdisciplinar. Juiz de Fora, MG: Ed. do Autor. 220 p.        [ Links ]

Silveira, E. M. O.; Carvalho, L. M. T.; e Silva, A. M. 2005. Uso conflitivo do solo nas áreas de preservação permanente no município de Bocaina de Minas/MG. En: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Goiânia - GO. Anais... São José dos Campos: INPE.         [ Links ]
1 Professor, UNEPS
2, 3 ,4, 6 Ing. Agrónomo
5 Professora Assistente, Ph.D. Engenharia Rural

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