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Investigación y Educación en Enfermería

Print version ISSN 0120-5307

Invest. educ. enferm vol.34 no.1 Medellín Jan./Apr. 2016

http://dx.doi.org/10.17533/udea.iee.v34n1a23 

ARTÍCULO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE / ARTIGO ORIGINAL

 

doi:10.17533/udea.iee.v34n1a23

 

Situações e fatores de estresse em estudantes de enfermagem na prática clínica

 

Stressful situations and factors in students of nursing in clinical practice

 

Situaciones y factores de estrés en los estudiantes de enfermería en la práctica clínica

 

Eliana Ofélia Llapa Rodrigues1; Daniel Almeida Marques2; David Lopes Neto3; María José López Montesinos4; Adriana Sousa Amado de Oliveira5

 

1Enfermeira, Doutora Professor, Universidade Federal de Sergipe -UFS, Aracaju-SE, Brasil. email: elianaofelia@gmail.com

2Acadêmico de Enfermagem, UFS, Aracaju-SE, Brasil. email: danielmarques.enfermagem@gmail.com

3Enfermeiro, Doutor Professor, Universidade Federal do Amazonas -UFAM, Aracaju-SE, Brasil. email: davidnetto@uol.com.br

4Enfermeira, Doutora Professor, Universidade de Murcia -UM, Murcia-ES, Espanha. email: mjlopez@um.es

5Enfermeira, Mestranda. UFS, Aracaju-SE, Brasil. email: dri.amado@hotmail.com

 

Fecha de Recibido: Enero 21, 2015. Fecha de Aprobado: Diciembre 4, 2015.

 

Artículo vinculado a investigación: Este trabalho é oriundo de pesquisas desenvolvidas dentro do grupo de Estudos e Pesquisa sobre utilização de recursos humanos em enfermagem.

Conflicto de intereses: Ninguno.

Cómo citar este artículo: Llapa-Rodriguez EO, Marques DA, Neto DL, López-Montesinos MJ, Oliveira ASA. Stressful situations and factors in students of nursing in clinical practice. Invest Educ Enferm. 2016; 34(1): 211-220

 


RESUMO

Objetivo.Avaliar os fatores de risco para o estresse em estudantes de graduação de enfermagem em prática clínica em uma universidade pública da região nordeste do Brasil. Metodologia. Estudo descritivo de corte transversal, com 116 acadêmicos, del 5º ao 9º período. Empregou-se o questionário bilíngue KEZKAK validado para o portugués. Considerou-se estresse quando a pontuação fosse igual ou superior a 2. Resultados. Os estudantes com estresse na prática clínica encontraram-se no grupo de18 a 22 anos (2.82 ± 0.98), mulheres (2.81 ± 0.96), casados (2.80 ± 0.97), e que possuíam vínculo empregatício (2.74 ± 0.94). Os fatores mais condicionantes para estresse foram: Falta de competência (M=2.99, DP=0.88); Impotência e incerteza (M=2.98, DP=0.85); O paciente busca uma relação íntima (M=2.93, DP=1.01). Os académicos do sexto período foram os mais vulneráveis para o estresse (2.85±0.96).. Conclusão. O estudo mostrou os principais fatores de risco para o estresse entre alunos de enfermagem na sua prática clínica. Estes resultados podem ser utiizados no desenvolvimento de estrategias que busquem a redução do estresse nesse contexto, bem como contribuir para a promoção da saúde mental.

Palavras chave: estudos transversais; enfermagem prática; fatores de risco; estresse psicológico; estudantes de enfermagem; questionários.


ABSTRACT

Objectives.To assess the risk factors for stress in undergraduate students of nursing in clinical practice in a public university in the Northeast region of Brazil. Methods. Cross-sectional descriptive study with 116 students from the fifth to the ninth period. The bilingual KEZKAK questionnaire, validated for Portuguese, was used. Stress was considered to be present when the score was equal or superior to 2. Results. The students with stress in clinical practice were 18 to 22 years old (2.82 ± 0.98), women (2.81 ± 0.96), married (2.80 ± 0.97), and who were permanent contracted employees (2.74 ± 0.94). The factors which were most associated with stress were: Lack of competence (2.99 ± 0.88); Impotence and uncertainty (2.98 ± 0.85); and Patients seeking a closer relationship (2.93 ± 1.01). The students  of the sixth period were the most vulnerable to stress (2.85±0.96). Conclusion. The studies showed the main risk factors for stress among students of nursing in their clinical practice. These results could be used in the development of strategies  seeking to reduce stress in this context as well as to contribute to promoting mental health.

Key words: cross-sectional studies; nursing, practical; risk factors; stress, psychological; students, nursing; questionnaires.


RESUMEN

Objetivo.Evaluar factores de riesgo para el estrés en estudiantes de pregrado de enfermería en la práctica clínica de una universidad pública de la región nordeste de Brasil. Métodos.  Estudio descriptivo transversal con 116 estudiantes del 5º al 9º período. Se utilizó el cuestionario KEZKAK validado al portugués. Se consideró que se había estrés cuando la puntación era igual o superior a 2. Resultados. Los estudiantes con estrés relacionado con la práctica clínica estaban en el grupo de 18 a 22 años (2.82 ± 0.98), eran mujeres (2.81 ± 0.96), estaban casados (2.80 ± 0.97) y trabajaban (2.74 ± 0.94). Los factores más predisponentes fueron: la falta de competencia (2.99 ± 0.88), la impotencia y la incertidumbre (2.98 ± 0.85) y que el paciente busque una relación íntima (2.93 ± 1.01). Los estudiantes del sexto período fueron los más vulnerables al estrés (2.85 ± 0.96). Conclusión. El estudio mostró cuáles eran los principales factores de riesgo para el estrés en estudiantes de enfermería en la práctica clínica. Esta información puede ser empleada para el desarrollo de estrategias que busquen la reducción de estrés en los estudiantes de enfermería en la práctica clínica y así contribuir la promoción de la salud mental.

Palabras clave: estudios transversales; enfermería práctica; factores de riesgo; estrés psicológico; estudiantes de enfermería; cuestionarios.


 

INTRODUÇÃO

O estresse é decorre de condições que variam da mais suave estimulação desafiadora à condições severamente aversivas,¹ vivenciadas por pessoas em situação de desequilíbrio real ou percebido frente às exigências ambientais necessárias para a sobrevivência e capacidade de sua adaptação a essas exigências decorrentes de diferentes fatores.2 Muitos estudos têm revelado uma associação negativa de estresse com morbidade mental, emocional e físico. O estresse crônico e excessivo leva a problemas físicos, emocionais e mentais de saúde, diminuição da autoestima e redução do desempenho acadêmico, pessoal e do desenvolvimento profissional,3 haja vista que o estresse acomete indivíduos em diferentes ambientes, independentemente de idade, sexo, nível social ou atividade.4

Numa perspectiva global, o ensino de graduação de enfermagem mudou significativamente na última década, com mais ênfase para a aprendizagem do aluno no ambiente clínico. O objetivo do ensino de enfermagem nessa modalidade é fornecer conhecimento teórico necessário e experiência clínica para preparar os alunos de graduação em enfermagem a desenvolverem seu futuro papel profissional. Entretanto, durante este processo de formação acadêmica, estudantes de enfermagem, em todos os níveis educacionais, relatam altos níveis de estresse no ambiente clínico.5 Estudo de mapeamento do estresse em estudantes de enfermagem durante a prática clínica na Universidade de Murcia entre 2010/2011 revelaram que o desconhecimento do ambiente de prática clínica e o medo de causar algum dano ao paciente são os principais fatores de estresse aos estudantes de enfermagem.6 Outros estudos7,8 apontaram a sobrecarga nas atividades teórico/práticas no ensino de enfermagem, a expectativa e preocupação com o mercado de trabalho, a relação estudo/vida familiar,o acúmulo de atividades acadêmicas com realização de provas, a relação com o docente, bem como a exigência do próprio acadêmico frente à responsabilidade de atender as necessidades indivíduo/família/comunidade como principais estímulos estressores presentes entre estudantes dos cursos de enfermagem.

Considerando o impacto de especial interesse que pode ter sobre a qualidade dos cuidados de enfermagem e a segurança do paciente, as consequências psicossociais do trabalho de profissionais de enfermagem, entendemos que identificar o estresse em futuros profissionais de enfermagem decorrentes de práticas clínicas nos permitirá avaliar as fragilidades dos conteúdos curriculares relacionados com a formação de alunos frente a realidade assistencial que vivenciam nas práticas curriculares. Isso pode ajudar, consideravelmente, enfermeiros no exercício da docência, a reorientarem o itinerário formativo do futuro profissional de enfermagem. Este estudo teve como objetivo avaliar os fatores de risco para o estresse em estudantes de enfermagem na prática clínica.

 

 

METODOLOGIA

Pesquisa descritiva de corte transversal, com abordagem quantitativa, realizada com estudantes de enfermagem a partir do quinto período, por serem aqueles que já realizavam aulas práticas hospitalares em uma instituição de ensino superior, da região nordeste do Brasil. A escolha da instituição foi devida a ser a única instituição federal da região. A amostra por conveniência, não probabilística, foi composta por 116 acadêmicos do 5º (21), do 6º (33), do 7º (20), do 8º (19) e do 9º(23) períodos, cursando aulas práticas hospitalares, representando 60% da população de estudo. Ressalta-se que os alunos do 1º ao 4º período não participaram da pesquisa, considerando que ainda, nesses períodos, não realizavam aulas práticas hospitalares, cumprindo assim nosso critério de inclusão.

A coleta de dados foi realizada no período de janeiro a abril de 2013 por meio do questionário bilíngue KEZKAK, instrumento de uso público, validado para a língua portuguesa e, portanto disponível para utilização em pesquisas, composto de 41 items.9 A consistência interna do instrumento foi analisada pelo alfa de Cronbach. Foram utilizados 40 itens para uso do questionário final, haja vista que a questão do item 25 foi excluída por não se adaptar à realidade da população em estudo. Por ser o instrumento uma escala psicométrica tipo Likert as respostas para cada item variaram segundo intensidade, de 1 a 4, onde o número 1 representava a menor intensidade e o número 4 a maior intensidade. Para este estudo, foi considerada como item estressante aquele que apresentasse pontuação média igual ou superior a 2,0, como utilizado em outro estudo.10 Ressalta-se que as perguntas foram reagrupas, apenas para analise, seguindo o questionário original: F1 - Falta de competência, (S1, S2, S3, S4, S5, S6, S13, S15, S16, S197 e S26),  F2 - Contato com o sofrimento (S9, S10, S14, S18, S27, S29, S31, S32, S34 e S39), F3 - Relação com supervisores e colegas (S1, S12, S19, S20 e S28), F4 - Impotência e incerteza (S2, S3, S6, S14, S17, S23, S32, S36, S38, e S41) F5 - Não controlar a relação com o paciente (S5, S7, S17, S20, S29, S30, S33 e S39) F6 - Implicação emocional (S8, S21, S22 e S31), F7 - Prejudicar-se na relação com o paciente (S11, S14, S15, S24 e S26), F8 - O paciente busca uma relação íntima (S37 e S40), F9 - Sobrecarga (S30, S31, S34, S35 e S36).

Para análise inicialmente foi realizada a somatória da pontuação obtida por participante, para cada fator, e dividida por 40 originando-se assim a média. A partir dos resultados gerados foram calculadas as médias e o desvio padrão por sexo, grupo etário, estado civil, situação familiar e períodos, sendo comparados por meio do teste ANOVA de uma via quando houve mais de 2 grupos e o teste t de Student na presença de apenas 2.O tratamento estatístico para a comparação das situações estressantes entre os períodos foi realizado por meio de testes não paramétricos, pois ao ser realizado o teste de normalidade D'Agostino-Pearson verificou-se que o conjunto de dados não obedecia a uma distribuição normal (p<0.05). O teste Kruskal-Wallis foi utilizado para identificar as diferenças estatísticas significativas (p<0.05) entre os grupos e o teste de Mann-Whitney para comparações 2x2. Para determinar a diferença estatística entre os nove fatores, foram calculadas as médias para cada fator, seguida do teste ANOVA de uma via para comparação dos fatores entre si. Nos casos em que houve diferença significativa, aplicou-se o pós-teste de Bonferroni com o objetivo de identificar entre quais fatores ocorreu essa diferença. Todos os dados foram analisados com o software Graphpad Prism 3.0.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa, da Universidade Federal de Sergipe (Protocolo 143.908/2012). Todos os participantes do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, de acordo com a Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde/Conselho Nacional de ética na Pesquisa. No quadro metodológico, as limitações do estudo ocorrerão desde a revisão documental inicial pela impossibilidade de acesso a determinadas bases de dados e fontes documentais por estarem restritas ou não apresentarem o texto na íntegra. Em relação ao trabalho de campo, podemos referir as dificuldades de coleta de dados completos e confiáveis, fato que nos fez reduzir o número da populacao (Figura 1). Investigação derivada do projeto de iniciação científica denominado Situações e fatores de estresse em estudantes de enfermagem na prática clínica, do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe. Ressalta-se que a presente pesquisa não recebeu apoio financeiro para coleta de dados, no entanto o aluno envolvido foi bolsista de iniciação científica.

Figura 1.

 

 

RESULTADOS

A caracterização dos participantes mostrou serem estudantes do sexo feminino (83.6%), solteiros (78.4%), entre as idades de 23 a 27 anos (54.3%), sem vínculo empregatício (76.7%) e a maioria viviam com a família (73.3%). Os estudantes que apresentaram maior estresse foram aqueles na faixa etária de 18 a 22 anos (2.82 ± 0.56), do gênero feminino (2.81 ± 0.47), casados (2.80 ± 0.40), que viviam com a família (2.79 ± 0.95) e que possuíam vínculo empregatício (2.74 ± 0.94). Vale ressaltar que houve significância estatística apenas no que se refere ao gênero (Tabela 1).

Tabela 1.

observou-se que 97.5% das situações obtiveram média maior que 2, considerada para este estudo como fonte de estresse. Destacaram-se, na ordem, os itens S13 - Adquirir infecção através do paciente (3.5), S35 - A sobrecarga de trabalho acadêmico - (3.5); e S15 - Furar-me com uma agulha infectada - (3.4). Por outro lado, quando observadas as médias entre os períodos, o sexto apresentou maior índice de estresse (2.85), em contrapartida o menor índice foi apresentado pelo nono período (2.61). Por outro lado, identificou-se diferença estatística significativa nos itens: S18 Ver um paciente morrer: mostrou ser geradora de maior estresse no 5º período quando comparado ao 9º e ao 7º. Do mesmo modo, para o 6º período essa situação foi considerada de maior estresse quando comparada ao 9º e ao 7º; S30 Estar com um paciente o qual é difícil a comunicação: demonstrou ser uma situação muito estressante no 5º período quando relacionado ao 9º. Em contrapartida e com menor nível de significância, esse item foi menos estressante no 9º quando comparado com o 6º e 7º períodos; S10 Falar com o paciente de seu sofrimento: resultou ser uma situação estressante para os acadêmicos do 6º período em comparação aos acadêmicos do 7º e do 9º períodos; e S19 Relação com o professor: destacou-se por ser maior estressor para o 7º período quando comparado com o 5º, o 8º e o 9º. De igual modo foi considerada muito estressante para o 6º quando comparada com os períodos 8º e 9º.

Tabela 2.

A (Tabela 3) mostra que os fatores mais condicionantes para o estresse foram: F1 - Falta de competência (M=2.99); F4 - Impotência e incerteza (M=2.98); F8 - O paciente busca uma relação íntima (M=2.93) quando comparados com os fatores F3 - relação com supervisores e colegas e F6 - Implicação emocional.

Tabela 3.

 

DISCUSSÃO

Os resultados mostram que a maioria dos fatores apresentados são geradores de estresse, resultados consoantes com pesquisas.11,15 Em relação aos aspectos socioeconômicos, a maior prevalência de estresse foi prevalente nas idades entre 18 e 22 anos. A esse respeito, pode-se inferir que o nível hormonal e de maturidade na fase da adolescência influencia no estado psicológico do estudante. Resultados de pesquisa sobre o enfrentamento do estresse na adolescência corroboram ao revelar que estudantes adolescentes vivenciam uma variedade de demandas cognitivas e emocionais que podem desencadear estresse.10,16 Observou-se também o maior nível de estresse nos acadêmicos casados, devido principalmente às exigências familiares próprias dessa condição. A respeito uma das fontes de estresse são os acontecimentos cotidianos e às pessoas com as quais o indivíduo tem que lidar no dia a dia.15 Em consonância, pesquisa identificou à variável estado civil como associada a situações de estresse, como consequência da sobrecarga de trabalho, da responsabilidade e do próprio processo de construção das relações familiares.10 Consequentemente, acadêmicos casados, com vínculo empregatício e que vivem com a família encontram-se mais propensos a situações geradoras de estresse.

Por outro lado, pesquisa identificou ao gênero feminino como aquele que apresenta maior índice de estresse quando comparado com o gênero masculino.10 No presente estudo, devido à amostra ser composta majoritariamente por mulheres, a relação entre o gênero e os resultados não foi representativa. Destacam-se, nesta pesquisa, como itens com maior predisposição para o estresse: Adquirir infecção através do paciente (S13), A sobrecarga de trabalho acadêmico (s35) e Furar-me com uma agulha infectada (S15). Estudo realizado na Universidade de Murcia, na Espanha,12 apresentou resultados similares, no qual a maioria dos acadêmicos de enfermagem vivenciaram situações idênticas geradoras de estresse. A esse respeito espera-se que com a aquisição de experiência profissional os níveis de estresse sejam diminuídos.10,11

Elementos desencadeadores de estresse como o trabalho excessivo podem influenciar no comportamento pessoal e profissional, desfavorecendo a qualidade de vida do indivíduo. Neste contexto, compreende-se que o desgaste sofrido pelo trabalhador pode elevar seu nível de estresse e causar sérios riscos à saúde.13 Do mesmo modo, as diversas atividades no campo acadêmico podem gerar sobrecarga de trabalho (S35), situação que predispõe ao estresse, destacando-se entre elementos causais o excesso e o acúmulo de atividades teóricas, práticas e de pesquisa, entre as principais.12 Deduz-se que, além da carga horária curricular obrigatória, o aluno, nesses períodos, estaria envolvido em atividades complementares e extracurriculares como: iniciação cientifica, monitoria, extensão, cursos, eventos, o que predispõe à sobrecarga e prejudica a qualidade de vida. Os alunos do sexto período demonstraram vivenciar situações mais estressantes. A respeito deve ser observado que os acadêmicos, nesse período, iniciam com disciplinas caracterizadas por terem alta carga horária e aulas prática nos diversos cenários. Acrescenta-se ainda que para os acadêmicos, esse contexto configura-se como novas experiências e ao mesmo tempo surgem as inseguranças próprias do processo de ensino aprendizagem no qual estão envolvidos.

Pesquisa sobre situações de estresse vivenciadas por estudantes de enfermagem do quinto e sexto períodos, mostra que os estressores comuns estão associados ao desconhecimento, impotência e incerteza vivenciados quando comparados com aqueles que se encontram em períodos iniciais e finais10. Em sintonia, identificou-se que o nono período apresentou o menor índice de estresse, apesar da maior responsabilidade durante a prática clínica, o que pode está relacionado com a maturidade acadêmica decorrente do desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes para lidar com situações estressantes.14

A conclusão deste estudo possiblitou conhecer os principais fatores de risco para desenvolvimento de estresse no cotidiano acadêmico, situação que pode estar repercutindo negativamente na qualidade de vida e no desempenho das atividades acadêmicas desenvolvidas por este atores. Os fatores estressantes apontados pelos acadêmicos caracterizaram-se pelos sentimentos de insegurança, impotencia, medo ao desconhecido e pela sobrecarga em atividades acadêmicas. Acredita-se que esta problemátia deve ser foco de preocupação das instituições de ensino, portanto sugere-se que os cursos de graduação desenvolvam propostas que tenham por finalidade o desenvolvimento de estratégicas que preparem o acadêmico a lidar com situações de pressão com a finalidade de minimizar o estresse da vida acadêmica, e com vistas a tornar o ambiente pedagógico mais produtivo.

Por fim, as situações estressantes que permeiam a vida acadêmica do estudante de enfermagem devem perpassar pelo projeto pedagógico de curso para um adequado planejamento estratégico que reoriente e redefina as práticas clínicas. Deve-se lembrar que a prevenção do estresse deve ser uma meta institucional, considerando que no futuro esse acadêmico deve prestar cuidados, consequentemente precisa manter em equilibrio sua saúde física e mental.

 

 

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