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Investigación y Educación en Enfermería

Print version ISSN 0120-5307
On-line version ISSN 2216-0280

Invest. educ. enferm vol.35 no.1 Medellín Jan. 2017

http://dx.doi.org/10.17533/udea.iee.v35n1a06 

Articles

Incapacidade funcional e morbidades entre idosos, segundo condições sociodemográficas e indicativo de depressão

Bárbara Ferreira-Agreli1  , Flavia Aparecida Dias2  , Pollyana Cristina dos Santos-Ferreira3  , Nayara Cândida Gomes4  , Darlene Mara dos Santos-Tavares5 

1 Phisyotherapy student. Federal University of Triângulo Mineiro -UFTM, Brazil. E-mail: bazinhaf@hotmail.com

2 Nurse, Master. PhD student, UFTM, Brazil. E-mail: flaviadias_ura@yahoo.com.br

3 Nurse, Master. PhD student, UFTM, Brazil. E-mail: pollycris21@bol.com.br

4 Nurse, Master. PhD student. UFTM, Brazil. E-mail: nayarinha_gomes@hotmail.com

5 Nurse, Ph.D. UFTM, Brazil. E-mail: darlenetavares@enfermagem.uftm.edu.br

Resumo

Objetivo

. Verificar a associação da incapacidade funcional e do número de morbidades com variáveis sócio-demográficas, econômicas e de saúde.

Métodos

. Trata-se de inquérito domiciliar, de abordagem quantitativa e transversal, realizado com 1 693 idosos em Uberaba-MG no ano de 2012. Utilizou-se o Mini Exame de Estado Mental, Escala de Katz, Escala de Lawton e Brody, Escala de Depressão Geriátrica Abreviada e instrumento semiestruturado para avaliação dos dados sócio-demográficos, econômicos e morbidades.

Resultados

. A incapacidade funcional para atividades básicas da vida diária esteve associada à maior faixa etária, maior número de morbidades e presença de indicativo de depressão. Em relação às atividades instrumentais de vida diária, a incapacidade funcional relacionou-se à maior idade, menor escolaridade e renda, maior número de morbidades e ter indicativo de depressão. O maior número de morbidades esteve associado ao sexo feminino, maior idade, menor renda e indicativo de depressão.

Conclusão

. Este estudo evidencia a necessidade de ações em saúde direcionadas aos idosos mais velhos, com menor escolaridade e renda e indicativo de depressão, visando minimizar a dependência para o desempenho da capacidade funcional e impacto sobre as morbidades.

Palavras-Chave: idoso; atividades cotidianas; doença crônica; atenção à saúde

Introdução

A avaliação da capacidade funcional dos idosos permite que a equipe multiprofissional tenha uma visão mais exata sobre o impacto e severidade das doenças nos aspectos físicos, emocionais e sociais.1 Assim, estudos nesta temática podem subsidiar o planejamento de políticas públicas de saúde para o idoso conforme suas prioridades em saúde2 A prevalência de incapacidade funcional para as atividades básicas (ABVDs) e instrumentais (AIVDs) da vida diária apresenta variações em estudos nacionais3-5 e internacionais.6,7) Quanto aos seus fatores determinantes pesquisas apresentam controvérsias.8-10 Em estudo na Bahia, a incapacidade funcional nas AIVDs relacionou-se a renda, ao estado civil, a ocupação do tempo livre, a faixa etária, os problemas de saúde e as sequelas; nas ABVDs apenas a presença de problemas de saúde.8 Em outro estudo nacional, de Minas Gerais, a dependência nas AIVD e ABVD esteve associada à faixa etária ≥ 75 anos, ausência de companheiro, acidente vascular encefálico, doença cardíaca e diabetes mellitus.5 O indicativo de depressão tem sido considerado um fator de risco para incapacidade funcional na literatura nacional.9 Já em pesquisa internacional com idosos de 65 anos e mais, o sexo feminino e a idade mais avançada estiveram associados à incapacidade funcional para as ABVDs, acarretando em dependência; no entanto, não se observou tal associação para as AIVDs.10 No Japão os idosos que viviam apenas com os filhos apresentaram um risco significativamente maior de incapacidade funcional do que o grupo familiar com três gerações.7

Salienta-se ainda que os idosos possam apresentar um envelhecimento mal sucedido, com presença de comorbidades associadas e dependência para as atividades de vida diária (AVDs).9 Ademais, a literatura tem descrito que algumas condições socioeconômicas como o sexo feminino, maior idade e menor renda se relacionam ao maior número de morbidades.11,12) Pesquisa brasileira evidenciou que o baixo nível socioeconômico e cultural relacionam-se ao desenvolvimento de doenças crônicas.13) Em estudo internacional o sexo feminino, idade avançada, pior autopercepção de saúde e incapacidade de acesso a cuidados médicos.14 No entanto, os estudos no Brasil têm sido realizados em Estratégias Saúde da Família9,13) ou com idosos de 65 anos e mais,11 emergindo a necessidade de outras pesquisas entre aqueles com 60 anos e mais residentes na comunidade.

A avaliação da incapacidade funcional pelo enfermeiro somada a identificação dos fatores associados a não realização das AVDs, é importante no sentido de promover intervenções precoces, favorecendo a manutenção da autonomia e independência do idoso. Trata-se de uma ferramenta de planejamento e implementação dos cuidados de enfermagem. Entende-se que as avaliações e consultas de enfermagem bem como as visitas domiciliárias devem incluir questões relacionadas às alterações na funcionalidade.1) Sendo assim, no intuito de ampliar as discussões sobre essa temática e identificar os fatores relacionados à presença de incapacidade funcional e maior número de morbidades, esse estudo teve como objetivos verificar a associação entre incapacidade funcional com o sexo, a faixa etária, a escolaridade, a renda, o número de morbidades e o indicativo de depressão de idosos residentes na zona urbana; e verificar a associação entre o número de morbidades com o sexo, a escolaridade, a faixa etária, a renda e o indicativo de depressão.

Métodos

Estudo que integra um estudo longitudinal, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) do tipo inquérito domiciliar, de abordagem quantitativa, analítica, transversal e observacional. A amostra foi realizada em estudo anterior, conforme a totalidade de idosos do município, pelo Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva, considerando 95% de confiança, 80% de poder do teste, margem de erro de 4% para as estimativas intervalares e uma proporção estimada de 0.5 para as proporções de interesse, resultando em 2 892 idosos. Para composição da amostra obteve-se uma lista, junto ao Centro de Controle de Zoonoses do município, contendo o nome e endereço completo dos idosos. A escolha deste local deve-se ao fato do mesmo manter o cadastro atualizado de todos os domicílios em Uberaba-MG. Para a seleção dos idosos utilizou-se a técnica de amostragem estratificada proporcional; os bairros do munícipio foram considerados como estratos. Assim, em 2012, a amostra foi constituída por 2 118 idosos elegíveis considerando-se as perdas nos anos anteriores. Os critérios de inclusão foram: pessoas com 60 anos ou mais de idade, residentes na zona urbana do município de Uberaba e sem declínio cognitivo. Partindo da amostra e observando os critérios estabelecidos, foram entrevistados 1 693 idosos, sendo que 265 foram a óbito e 160 apresentaram declínio cognitivo. A coleta dos dados foi realizada no domicílio do idoso no período de julho de 2012 a março de 2013 e revisada por supervisores de campo.

O declínio cognitivo foi avaliado pelo Mini Exame de Estado Mental (MEEM) traduzido e validado no Brasil.15,16 Os dados sociodemográficos e morbidades autorreferidas pelo idoso foram coletados em instrumento construído Grupo de Pesquisa em Saúde. A capacidade funcional foi realizada pelos: Índex de Katz, adaptado para a realidade brasileira17) e pela Escala de Lawton e Brody, adaptada no Brasil.18 Já o indicativo de depressão foi mensurado pela Escala de Depressão Geriátrica Abreviada, validada no Brasil, tendo como ponto de corte seis ou mais.19 Foram selecionadas as seguintes variáveis para compor o estudo: sociodemográficas: sexo (masculino e feminino), faixa etária, em anos (60-69; 70-79; 80 anos e mais), estado conjugal (casado ou mora com companheiro; separado/desquitado/divorciado; viúvo e solteiro), escolaridade, em anos de estudo (sem escolaridade; 1-3; 4-7; 8; 9-10 e 11 ou mais), renda per capita, em salários mínimos (sem renda; <1; 1; >1-3; >3-5; >5); morbidades autorreferidas: reumatismo, artrite/artrose, osteoporose, asma/bronquite, tuberculose, embolia, pressão alta, má circulação, problemas cardíacos, diabetes, obesidade, acidente vascular encefálico, Parkinson, incontinência urinária, incontinência fecal, prisão de ventre, problemas para dormir, catarata, glaucoma, problemas de coluna, problema renal, sequela acidente/trauma, tumores malignos, tumores benignos, problemas de visão; número de morbidades: 0, 1-6, 7 ou mais; capacidade funcional nas ABVDs: tomar banho, vestir, banheiro, transferência, controle de esfíncteres, alimentação; número de incapacidade funcional para ABVDs: (0, 1-3, 4 ou mais); capacidade funcional nas AIVDs: usar o telefone, fazer compras, ir para locais distantes, fazer suas refeições, arrumar a casa, realizar trabalhos manuais domésticos, lavar e passar, tomar remédios adequadamente e cuidar das finanças; classificação da incapacidade funcional nas AIVDs: dependência total (0 a 7 pontos), dependência parcial (8 a 20 pontos) e independente (21 pontos); indicativo de depressão: sim ou não.

Os dados coletados foram processados em microcomputador, por duas pessoas, em dupla entrada, no programa Excel®. Posteriormente, foi transportado para o softwareStatiscal Package for Social Sciences” (SPSS) versão 17.0, para a análise dos dados. Foi realizada análise estatística descritiva e para comparação das variáveis foi aplicado o teste qui-quadrado (p<0.05). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFTM, parecer no 2.265. Somente após a anuência do entrevistado e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi conduzida a entrevista.

Resultados

Prevaleceram idosos do sexo feminino, com 70-79 anos de idade, casados, morando com filhos, com 4-7 anos de estudo e renda de um salário mínimo, Tabela 1. A Tabela 1 apresenta as variáveis socioeconômicas e demográficas dos idosos.

Tabela 1 Distribuição de frequência das variáveis socioeconômicas e demográficas dos 1 693 idosos. Uberaba-MG, 2014 

A maioria dos idosos era independente para as ABVDs (96.2%). Dentre os que apresentavam incapacidade funcional, 3.2% possuíam de 1-3 incapacidades e 0.6% tinham quatro e mais, prevalecendo aquelas relacionadas ao controle urinário e fecal (2.7%) seguido por banho (1.4%) e vestir-se (1.4%). A independência para as AIVDs foi referida por 33.8% dos idosos, sendo que 65.6% necessitavam de ajuda parcial e 0.6% era dependente; as principais incapacidades estavam relacionadas a viagens (25.5%) e trabalhos domésticos (19%).

Nos três grupos prevaleceram aqueles com 70-79 anos; no entanto, a proporção de idosos com 80 anos e mais foi superior dentre aqueles com 1-3 e quatro e mais incapacidades, maior número de morbidades e presença de indicativo de depressão estiveram associados ao maior número de incapacidades funcional para ABVDs entre os idosos.

Tabela 2 Número de incapacidade funcional nas ABVD, segundo variáveis sociodemográficas e econômicas, número de morbidades e indicativo de depressão. Uberaba-MG, 2014 

A Tabela 3 apresenta o nível de dependência nas AIVD segundo variáveis socioeconômicas, número de morbidades e indicativo de depressão. Nas AIVDs o maior nível de dependência foi superior dentre os idosos com 80 anos e mais, menor escolaridade, que recebiam um salário mínimo, possuíam sete ou mais morbidades e com indicativo de depressão.

Tabela 3 Nível de dependência funcional nas AIVD segundo variáveis sociodemográficas e econômicas, número de morbidades e indicativo de depressão. Uberaba-MG, 2014 

A Tabela 4 apresenta o número de morbidades segundo variáveis socioeconômicas e indicativo de depressão. A maioria dos idosos apresentava 1-6 morbidades (65.5%) seguido por sete ou mais (31.1%). Os idosos do sexo feminino, com 70-79 anos, que recebiam um salário mínimo e tinham indicativo de depressão apresentaram maior número de morbidades comparado aos demais.

Tabela 4 Número de morbidades segundo variáveis sociodemográficas e econômicas, número de morbidades e indicativo de depressão. Uberaba-MG, 2014 

Discussão

Os dados sociodemográficos e econômicos são condizentes aos da literatura científica nacional e internacional.1,10,20 Quanto à dependência nas ABVD, resultados semelhantes foram obtidos em pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul1 e em João Pessoa20 já os achados relacionados às AIVD são divergentes aos do inquérito conduzido em Goiânia, sendo que 14.9% dos idosos eram totalmente dependentes e 45.7% necessitavam de ajuda parcial.9 A dependência pode exigir a necessidade de apoio por parte de cuidadores que necessitam de preparo e suporte adequados. Os serviços de saúde devem atender aos usuários em suas necessidades, sendo relevante conhecer quais são as atividades de maior dependência, para a elaboração de um plano de ação direcionado a promoção da saúde, de prevenção e tratamento desses comprometimentos.9 Salienta-se que tem sido cada vez mais comum os arranjos familiares nos quais o idoso reside com gerações mais jovens.21) Nesse contexto, considerando que o maior percentual de idosos deste estudo residia com filhos, com ou sem cônjuge, torna-se necessário o desenvolvimento intervenções multiprofissionais com foco no fortalecimento desta relação de suporte.

A associação da idade, morbidades e indicativo de depressão com a incapacidade funcional para as ABVD são semelhantes a achado nacional9); outro inquérito em Belo Horizonte observou maiores percentuais de incapacidade com o aumento da idade.4 Considerando que a incapacidade funcional entre os idosos contribui para o aumento do uso de serviços de cuidados agudos, como ambulatório, emergência e internação22) e que a presença de sintomas depressivos somada às incapacidades impacta negativamente a qualidade de vida, além de implicações sociais9, torna-se relevante a identificação precoce dos casos para elaboração de ações que favoreçam a manutenção da autonomia e independência dos idosos, mesmo com limitações. A associação da idade com a incapacidade funcional nas AIVD também é condizente com estudo nacional9); em Belo Horizonte também se observou maiores percentuais de incapacidade conforme aumento da idade.4 Referente à escolaridade, ressalta-se que quanto maior o tempo de estudo, maiores são as chances do indivíduo manter-se autônomo, apesar da idade.2

Destaca-se que a baixa renda relaciona-se a uma série de condições desfavoráveis, que podem contribuir para a perda da autonomia funcional. Os idosos com baixa renda possuem mais chances de apresentar alguma dependência na realização das AIVD em relação aos de classes economicamente mais favorecidas.2 A presença de polimorbidades também esteve relacionada à incapacidade funcional para AIVD entre idosos de João Pessoa-PB.20) O envelhecimento sem planejamento pode aumentar o risco da incidência de doenças. Deste modo, torna-se primordial a prevenção de comorbidades. Nessa perspectiva, políticas públicas de saúde devem ser direcionadas à terceira idade. Acredita-se que deste modo, poderão ser constituídas estratégias que ampliariam a possibilidade do envelhecimento com qualidade de vida, melhora da autonomia e da funcionalidade.20 A avaliação da capacidade funcional pode contribuir neste aspecto possibilitando ao enfermeiro e demais membros da equipe de saúde uma visão mais ampliada quanto à severidade e impacto das comorbidades.1) Assim como nesta pesquisa, o indicativo de depressão foi associado à incapacidade funcional em estudos nacional9) e internacional.12 Assim, os resultados obtidos nessa pesquisa reforçam a necessidade do profissional de saúde rastrear o indicativo de depressão e tomar as condutas necessárias, como confirmação diagnóstica e estabelecimento terapêutico.

A associação do sexo feminino com o maior número de morbidades também se reproduziu em pesquisa realizada com idosos no Brasil11) e na África do Sul.12 Nesse contexto, é relevante que a enfermagem desenvolva estratégias educativas e preventivas especialmente com foco nas mulheres. Considerando a sua maior longevidade e comorbidades, acredita-se que o acompanhamento das suas condições de saúde possa minimizar o impacto sobre a sua funcionalidade. Diferente do verificado neste estudo, inquérito realizado pela Rede FIBRA, não observou diferenças entre os grupos etários com respeito ao número de doenças11 e, pesquisa realizada na África do Sul evidenciou que o maior número de morbidades prevaleceu na faixa etária de 60-70 anos.12

A associação da baixa renda com maior número de morbidades também foi verificada em pesquisa realizada pela Rede FIBRA.11 É possível que os idosos com baixa renda possuam menos acesso aos serviços de saúde e medicamentos e tenham dificuldades em manter o tratamento até o final, o que interferirá na sua qualidade de vida.11,20

A depressão contribui para a restrição do idoso ao ambiente doméstico, o que diminui suas chances de usufruir das vantagens da interação social e associa-se ao aumento do risco para mortalidade, morbidade, incapacidade física e cognitiva, inatividade e depressão.23 Ressalta-se que a incapacidade funcional, dentre outros fatores, que comprometem o envolvimento social dos idosos contribuem para a insatisfação do idoso com a vida24 podendo justificar este resultado. Nesse sentido, a enfermagem pode contribuir identificando junto ao idoso atividades sociais que sejam do seu interesse considerando as suas condições socioeconômicas.

Conclusão.

A incapacidade funcional para as ABVDs esteve associada maior idade, ao maior número de comorbidades e ao indicativo de depressão; enquanto para as AIVDs foram: a maior faixa etária; menor escolaridade; menor renda; presença de maior número de doenças e indicativo de depressão. Os idosos que apresentaram maior número de doenças eram do sexo feminino, tinham de 70-80 anos de idade, recebiam um salario mínimo e possuíam indicativo de depressão. Estes resultados reforçam que as desigualdades sociais e a situação de saúde do idoso podem estar relacionados a capacidade funcional e a presença de comorbidades. Desta forma, destaca-se a importância da avaliação periódica da funcionalidade e dos aspectos relacionados à saúde, considerando os fatores que podem impactá-los, a fim de manter pelo maior tempo possível a independência e controle das comorbidades do idoso. Nesse contexto, destaca-se que o enfermeiro pode realizar tais avaliações nas consultas de enfermagem. Ainda que não seja possível identificar a relação de causa e efeitos entre as variáveis, visto que se trata de um estudo transversal, os resultados encontrados apontam para a necessidade de maior atenção para manutenção da funcionalidade e morbidades desta população. A identificação de fatores associados com a incapacidade funcional dos idosos fornece elementos relevantes para as medidas de prevenção e intervenção. Nesse sentido, sugere-se que sejam realizados novos estudos com delineamento longitudinal a fim de verificar a possível relação de causalidade entre as variáveis.

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2Article from the research: Morbidity, quality of life and functional capacity of the elderly people.

3Financing: Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

4Conflict of interests: none.

5How to cite this article: Agreli BF, Dias FA, Ferreira PCS, Gomes NC, Tavares DMS. Disability and morbidity among the elderly, according to sociodemographic conditions and indicative of depression. Invest. Educ. Enferm. 2017; 35(1):

*Article from the research: Morbidity, quality of life and functional capacity of the elderly people. Financing: Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Conflict of interests: none.

Recebido: 13 de Agosto de 2016; Aceito: 31 de Janeiro de 2017

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