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Avances en Psicología Latinoamericana

Print version ISSN 1794-4724

Av. Psicol. Latinoam. vol.35 no.3 Bogotá Sep./Dec. 2017

 

Artículos

A função preditora da síndrome de burnout para o turnover nos profissionais de enfermagem

The Predictive Function of Burnout Syndrome for Turnover in Staff nursing

La función predictora del síndrome de burnout sobre el turnover en profesionales de enfermería

Adão Ademir da Silva*  , Marcelo Nora*  , Manoela Ziebell de Oliveira*  ** 

1* Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil

** Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e coordena dora do Grupo de Estudos em Desenvolvimento de Carreira. Correspondência correio electrónico: manoela.ziebell@gmail.com

Resumo

O objetivo do presente estudo foi investigar as rela ções entre a síndrome de burnout, comportamento e intenção de turnover em equipes de enfermagem por meio de uma revisão sistemática da literatura nacional e internacional. Seguiram-se os passos de pesquisa su geridos pelo método Cochrane. A pesquisa foi realizada nos meses de fevereiro a abril de 2015 nas bases de dados BDENF, MEDLINE, LILACS, PEPSIC, SCOPUS e Periódicos capes. Foram incluídos apenas artigos completos, que guardavam relação direta com a pergunta de pesquisa, publicados entre o período de janeiro de 2010 a março de 2015, resultando em 14 artigos. Observou-se rela ção positiva e preditora do burnout sobre o turnover nos profissionais de enfermagem. Evidencia-se que as consequências do burnout e do turnover recaem sobre o sujeito adoecido, a equipe que permanece no emprego e também sobre a organização hospitalar. A relação burnout-turnover entre profissionais de enfer magem é uma questão séria e que precisa ser tratada preventivamente com ações de formação e atenção aos profissionais de enfermagem.

Palavras-Chave: burnout; turnover; profissionais de enfermagem; revisão sistemática

Abstract

The aim of the present study was to investigate the relationship between burnout syndrome and turnover in nursing staff through a systematic review of the domestic and international literature. The method was to follow the steps suggested in the Cochrane research method. The search was conducted from February to April 2015 using BDENF, MEDLINE, LILACS, PEPSIC and SCOPUS databases and CAPES journals. Searches included only full articles directly related to the research ques tion and that were published between January 2010 and March 2015, resulting in 14 articles, and a positive and predictive relationship was observed between burnout and turnover among nursing professionals. The conse quences of burnout and turnover are experienced by the professional suffering from burnout, by the staff who remain on the job, and by the hospital organization. The relationship between burnout and turnover among nursing staff is a serious issue and needs to be treated preventively with training sessions and care directed to the entire team.

Key words: Burnout; turnover; nursing staff; systematic review

Resumen

El objetivo del presente estudio fue investigar la relación entre el síndrome de burnout y turnover en los equipos de enfermería por medio de una revisión sistemática de la literatura nacional e internacional. Se siguieron los pasos sugeridos por el método de investigación Cochrane. La búsqueda fue realizada en los meses de febrero a abril del 2015 en las bases de datos, BDENF, LILACS, MEDLINE, PEPSIC, SCOPUS y revistas CAPES. Solo se incluyeron los artículos completos que tenían relación directa con el tema de la investigación, publicados en el periodo comprendido entre enero de 2010 y marzo de 2015, lo que dio como resultado 14 artículos. En ellos se observó una relación positiva y predictiva entre burnout y turnover en profesionales de enfermería. Se puso en evidencia que las consecuencias del burnout y turnover recaen sobre el profesional doliente, el equipo que permanece en el trabajo y también sobre la organi zación del hospital. La relación burnout-turnover entre el personal de enfermería es un asunto serio y necesita ser tratado preventivamente con acciones de formación y atención con todo el equipo.

Palabras-clave: burnout; turnover; profesionales de enfermeira; revisión sistemática

Introdução

As organizações hospitalares têm sido carac terizadas pela assistência a clientes em situações de saúde que necessitam de respostas individuais e complexas às suas necessidades. Além disso, o trabalho hospitalar exige novas competências dos profissionais, que se deparam com mudanças tec nológicas e nas exigências de sua clientela, pro vocando, muitas vezes, transformações no seu processo de trabalho (Camelo, 2012; Camelo, Silva, Laus & Chaves, 2013).

A literatura, com frequência, descreve o con texto de trabalho nestes locais, fazendo menção à realização de atividades sob pressão e ao estresse extremado decorrente da realização das atividades cotidianas (McHugh, Kutney-Lee, Cimiotti, Sloa-ne & Aiken, 2011; Hamaideh, 2012). Atribuem-se às características estressantes de tais atividades, entre outros aspectos, a redução do número de profissionais atuantes em enfermagem e o aumen to das taxas de abandono voluntário do emprego (turnover) (Ohue, Moriyama & Nakaya, 2011).

A rotatividade (turnover) de enfermagem é uma preocupação global, porém, sua definição e mensuração variam de acordo com os autores. É definida e apresentada na literatura de diferentes formas, como sendo a flutuação entre as entradas e saídas de colaboradores, ou, ainda, apenas pelo número de desligados em relação aos colaborado res que trabalham na instituição (Ruiz, Perroca & Jericó, 2016).

Porém o termo turnover tem uma dimensão mais ampla que a simples saída voluntária do emprego. Antes da saída do empregado é possível investigar as intenções de sair do emprego, que é quando o trabalhador está subjetivamente avalian do permanentemente a possibilidade de deixar a organização em algum ponto do futuro (Mowday, Porter & Steers, 1982). Uma vez que a intenção de turnover é uma variável cognitiva, que tende a afe tar imediatamente o comportamento de turnover, conforme Chang (1999), são de suma importância as ações de intervenção enquanto existe apenas a intenção de turnover e desta forma preservar a empresa de perder mão de obra muitas vezes al tamente qualificada (Cunha & Martins, 2015).

Para Mobley (1977) a intenção torna-se um comportamento quando o indivíduo, além de pen sar em sair, passa a agir efetivamente, buscando, investigando novas oportunidades de emprego. Dentro da intenção de turnover estão variáveis como: comportamento ativo de busca de novo emprego, comportamento preparatório de busca de emprego, intensidade de busca de emprego, auto eficácia de busca de emprego. Estas variáveis são usadas em vários instrumentos que buscam in vestigar a intenção de turnover (Saks & Ashforth, 1999). Trata-se assim de um fenômeno relevante e amplamente investigado nas áreas de administra ção e gestão de pessoas, porque implica em pelo menos três consequências para as organizações: potenciais custos, paralisação das atividades em execução, e perda de recursos humanos (Costa, Moraes & Cançado, 2008).

Acerca desse problema, a literatura interna cional destaca que a escassez de profissionais de enfermagem e os altos índices de rotatividade nos serviços de enfermagem são atualmente uma questão global (Lee, Lim, Jung & Shin, 2012; Ruiz et al., 2016). A satisfação ou insatisfação no trabalho tem sido relacionada à rotatividade ou permanência dos profissionais de enfermagem no trabalho. De forma semelhante, o estresse contribui para o burnout, para o absenteísmo, diminuição da produtividade e a intenção de turnover (Bogaert, Clarke, Willems & Mondelaers, 2013).

O termo inglês burnout significa "queimar-se" ou "consumir-se", sendo empregado para caracte rizar um conjunto de sintomas predominantemen te evidenciados em profissionais que lidam com pessoas como professores, enfermeiros e médicos, por exemplo, que se queixam de esgotamento físico e mental, irritabilidade, perda do interesse pelo trabalho e sentimento de autodesvalorização (França, Ferrari, Ferrari & Alves, 2012).

Constata-se que, para os trabalhadores com burnout, o sentido de sua relação com o trabalho se perde; as atividades laborais deixam de ser im portantes; e qualquer esforço no trabalho parece inútil, indicando um colapso, que sobrevém após a utilização de toda a energia disponível. Nessa perspectiva, verifica-se que a síndrome de burnout decorre de uma cronificação do estresse ocupacio nal, o qual tem consequências negativas relacio nadas às esferas individual, profissional, familiar, social e institucional, perdendo o trabalhador, a capacidade de se (re)adaptar às demandas exis tentes no contexto laboral (Tavares, Souza, Silva & Kestenberg, 2014). Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo, investigar a relação entre a síndrome de burnout, o comportamento e a intenção de turnover em profissionais da área de enfermagem através de uma revisão sistemática da literatura.

Método

Este estudo consistiu em uma revisão siste mática dos artigos nacionais e internacionais a respeito da relação entre a síndrome de burnout, o comportamento e a intenção de turnover em profissionais da área de enfermagem, através de uma revisão sistemática da literatura. O procedi mento de busca, seleção e análise dos artigos foram realizadas pelo método proposto por Cochrane, Higgins & Green (2011), constituído das seguintes etapas: 1) formulação da pergunta; 2) localiza ção dos estudos; 3) avaliação crítica dos estudos; 4) coleta dos dados; 5) análise e apresentação dos dados; 6) interpretação dos dados; e 7) apri moramento e atualização da revisão. Utilizou-se a seguinte pergunta de pesquisa: Qual a relação entre síndrome de burnout, intenção de turnover e comportamento turnover entre os profissionais de enfermagem? Para a pesquisa nas bases de dados, foram utilizadas as palavras-chave: enfermagem and turnover, nursing staff (team) and turnover; burnout and enfermagem; burnout and nursing staff (team); burnout and turnover and staff (team) nursing. Seguindo as orientações de Higgins & Green (2011), e a fim de conferir credibilidade aos achados, a seleção dos artigos e avaliação dos resultados foram feitas por dois pesquisado res que trabalham com a temática da psicologia organizacional e do trabalho, sendo uma doutora em psicologia e um aluno de doutorado em psico logia social, em março e abril de 2015.

Foram usados os seguintes critérios de inclusão: artigos na íntegra, relação direta com a pergunta de pesquisa, artigos recentes (com no máximo cinco anos de publicação). Critérios de exclusão: teses e dissertações, artigos repetidos nas bases de dados. A definição da amostra de pesquisa encontra-se descrita na (figura) 1.

Figura 1 Fluxograma de identificação, seleção e inclusão dos estudos 

Evidência dos artigos selecionados

Uma das funções da revisão sistemática é for necer informações a respeito do nível de evidência dos artigos e periódicos pesquisados. A busca da evidência tem início com a definição dos descri tores ou palavras-chave, seguida das estratégias de busca, definição das bases de dados na qual os artigos foram publicados (Higgins & Green, 2011).

Nesta pesquisa se utilizou dois critérios para avaliar o nível de evidência das produções: o extrato

Qualis da revista em que foi publicado o artigo e o valor do Fator de Impacto de cada revista. O valor do extrato Qualis em que a revista está avaliada pode ser encontrado no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (capes), no seguinte endereço eletrônico: http://qualis.capes.gov.br/webqualis/principal

No que se refere ao fator de impacto (FI) das revistas, este é calculado anualmente pelo Institute for Scientific Information (ISI), que é parte da Thom son Reuters Corporation e que posteriormente são publicados no Journal of Citation Reports (JCR). O valor do FI é obtido dividindo-se o número total de citações dos artigos, acumulados nos últimos dois anos, pelo total acumulado de artigos publi cados pela revista no referido período (Marziale & Mendes, 2002). As revistas com Qualis A1 são aquelas que alcançaram um valor de FI > 0,800 e as revistas A2 são aquelas que alcançaram o valor de FI entre 0,300 e 0,799, e que estão indexados na Web of Science/WoS/JCR. O resultado para a amostra da pesquisa está descrito na tabela 1.

Fonte: próprios autores. 

Revista Fator de Im pacto (FI) Qualis
Journal of Nursing Management 1,142 A1
Journal of Clinical Nursing 1,233 A1
Journal of Advanced Nursing 1,685 A1
Western Journal of Nursing Research 1,375 A1
International Journal of Nursing Studies 2,248 A1
Health Care Manage Review 1,642 A1
The Journal of Nursing Administration 1,373 A1
Nursing Outlook 1,522 A1
Journal of Korean Academy Nursing 0,352 A2
Japan Journal of Nursing Science 0,488 A2

Nota: Nas revistas Journal of Nursing Management e The Journal of Nursing Administration foram encontrados 2 artigos em cada uma. Na revista Journal of Advanced Nursing foram encontrados 3 artigos e nas demais foram encontrados 1 artigo em cada revista.

Para este artigo foram usados apenas artigos com Qualis A1 e A2, que apresentassem conteúdos importantes para a discussão deste estudo e que fossem recentes, com recorte temporal de 2010 a março de 2015.

Em 12 artigos ou 85,7 % da amostra deste estudo o Qualis das revistas era A1 e dois artigos, 14 % publicados em revista A2. Das 14 revistas da amostra todas apresentavam o FI diretamente na sua página online. Assim, dos 14 artigos seleciona dos 12 são classificados como A1 e dois como A2, o que garante, em alguma medida, a credibilidade e força de evidência para os estudos pesquisados nesta revisão.

Resultados

Esta pesquisa teve como objetivo a busca por artigos que investigassem a relação entre as variáveis síndrome de burnout e turnover em enfermagem. Os resultados são apresentados a seguir e os artigos incluídos na análise foram indicados usando "*" na lista de referências. A produção dos artigos por países é apresentada na figura 2, o ano de publicação dos artigos é apresen tado na figura 3 e o número de artigos por revistas é apresentado na figura 4.

Figura 2 Produção dos artigos por países 

Figura 3 Ano de publicação dos artigos  

Figura 4 Número de artigos por revista 

Um resultado inicial importante foi identificado já ao final da busca dos artigos nas bases de da dos e refere-se à ausência de trabalhos nacionais e latino-americanos a respeito da relação entre as variáveis deste estudo. Esta ausência de produção científica sobre o assunto mostra uma lacuna da produção nacional e cria questionamentos a res peito deste assunto: a relação entre burnout e turnover no Brasil é significativa e não se produzem pesquisas sobre o assunto? Ou esta relação não é significativa no Brasil a ponto de se fazer pesquisas sobre ela? Os dados internacionais mostram uma relação positiva entre as variáveis de pesquisa, tanto em países ocidentais quanto em países orien tais (Oyeleye, Hanson, O'Connor & Dunn, 2013; Liu, While, Li & Ye, 2013; Tourangeau, Cranley, Laschinger & Pachis, 2010), o que indica que a ocorrência destas variáveis no Brasil deva ser, pelo menos, questionadas. A figura 2 apresenta a produção dos artigos por países e evidencia que a problemática do burnout relacionado ao turnover em enfermagem é uma preocupação mun dial, tanto em países ocidentais como orientais, com destaque para as produções dos EUA e China.

A produção anual na amostra pesquisada mostra frequência constante de 2010 a 2013 com decrésci mo em 2014. Estes números na amostra pesquisada não são suficientes para fazer alguma inferência sobre tendência no número de publicações anual, uma vez que se optou nesta pesquisa por um recorte temporal das produções buscando a atualidade e não a quantidade de produções.

A análise das revistas mostra uma preocupação com a temática em várias áreas da enfermagem como a clínica médica, terapia intensiva, gestão e administração dos serviços de enfermagem. Esse resultado indica que a problemática do burnout e turnover em enfermagem atinge as diversas dimen sões do cuidado, além dos níveis organizacionais e de gestão. Cabe notar que, embora a pesquisa tenha sido ampla, englobando as áreas da medicina, psicologia e enfermagem, as produções encontra das foram exclusivas das áreas de enfermagem, conforme figura 4.

Quanto às abordagens e instrumentos utiliza dos, 100 % dos artigos utilizaram uma abordagem quantitativa. Os artigos utilizaram múltiplos instru mentos de coleta e análise dos dados, por exemplo: Maslach burnout Inventory, Escala de Estresse de Trabalho de Enfermagem, Escala de Pensamentos Automáticos (Questionário revisado) e Teste de Crenças Irracionais japonês (Ohue et al., 2011); Escala do Índice de Trabalho em Enfermagem e Maslach burnout Inventory (Liu et al., 2013); Escala de intenção de turnover foi medida com um questionário de uma única pergunta a res peito da intenção de deixar o emprego (0 = não;1 = sim) nos próximos dois anos, Escala de Clima de Trabalho, Maslach burnoutInventorye Escala de Satisfação no Emprego (Meeusen, Van Dam, Brown-Mahoney, Van Zunder & Knape, 2011).

A partir da análise dos dados pelo método Co-chrane foi possível organizar os resultados in cluídos neste estudo a partir de três categorias que se relacionaram diretamente com o burnout e turnover, e que mostram uma forte relação entre os fatores preditores do burnout e o turnover na equipe de enfermagem. As categorias são: aspec tos individuais; aspectos contextuais e aspectos relacionados à organização.

Aspectos individuais

Os resultados para esta categoria mostram que os fatores intrínsecos ao sujeito influenciam no surgimento do burnout de forma a trazer prejuízos pessoais, relacionais e no ambiente de trabalho, além de aumentarem a intenção e o comportamento turnover. Fatores como a fadiga provocada pela compaixão pelos pacientes e seu sofrimento gera um trabalho emocional da equipe de enfermagem para dar conta do seu próprio sofrimento e das exi gências da organização hospitalar. Tal mobilização resulta em uma forte correlação positiva entre burnout e turnover. Isto significa que quanto maior o sofrimento causado pela compaixão, maiores são as chances do profissional adoecer por burnout e deixar o seu emprego (Sung, Seo & Kim, 2012).

O trabalho emocional apareceu como um fator importante para a causa de burnout e turnover, sendo um conceito relativamente novo. Tieppo (2012) nos mostra que o trabalho emocional é o esforço consciente e inconsciente do trabalha dor de se adaptar às exigências da organização e do ambiente de trabalho. O trabalho emocional gera estresse, perda da capacidade de sentir e, por fim, o burnout. Neste sentido, Bartram, Casimir, Djurkovic, Leggat & Stanton (2012) mostram que o burnout tem uma função de mediador na relação entre o trabalho emocional e intenção de turnover. Assim, quanto maior for a carga de trabalho emo cional, maior o índice de burnout e, por consequ ência, maior o aumento da intenção de turnover.

Um exemplo na enfermagem é que os sistemas de trabalho de alto desempenho, como os encon trados em unidade de terapia intensiva exigem uma alta carga de trabalho emocional por lidar com situações críticas de cuidado aos pacientes e exigências técnicas e apresentam uma relação sig nificativa com o burnout e turnover. Assim, pode-se perceber que o esgotamento físico e mental dos profissionais de enfermagem, aliados às questões de insatisfação no trabalho, podem causar o burnout e predizer a intenção de turnover (Meeusen et al., 2011).

Neste sentido, os fatores pessoais, como idade, sexo e estado civil, estão intimamente ligados ao burnoute turnover. O trabalho de Ohue et al. (2011) mostra que os enfermeiros com até três anos de trabalho estão mais propensos a desenvolverem burnout e trocarem emprego, do que profissionais com mais tempo de trabalho. Isto mostra que o tra balho de prevenção do burnout ou a minimização de sua ocorrência deva ser direcionado de forma ampla para as equipes de enfermagem, indepen dentemente de idade ou tempo de serviço, uma vez que mesmo no início da carreira os profissio nais de enfermagem podem desenvolver graus elevados de estresse e burnout. O mesmo estudo indica que o estado civil e o sexo se mostram co mo um fator protetivo do burnout, uma que vez que os profissionais da enfermagem casados têm menos propensão ao burnout que os solteiros, sen do o burnout mais comum em enfermeiras. Isto significa que tanto os fatores intrínsecos quanto os fatores extrínsecos ao profissional de enfermagem, influenciam a relação entre burnout e turnover.

Aspectos relacionados à organização

Os aspectos relacionados à organização foram os principais desencadeantes das variáveis burnout e turnover. Os resultados dos estudos analisados discutem diversos fatores que afetam o surgimento ou agravamento do burnout e, por consequência, aumentam as taxas de turnover, com destaque para a insatisfação no emprego (Liu et al., 2013).

O binômio satisfação/insatisfação aparece como um forte indicador, preditor de burnout e da permanência ou saída voluntária do empre go, presente em 53,3 % das produções. Já dentre os fatores relacionados à insatisfação no emprego, as pesquisas indicam: a alta carga de trabalho, os conflitos de papeis e as crenças irracionais so bre si (Ohue et al., 2011). Aparecem ainda como causas de insatisfação no emprego a incivilidade, os aspectos relacionados ao local de trabalho, o stress e o esgotamento físico e mental (Oyeleye et al., 2013).

O estudo de Liu et al. (2013) traz um resultado importante sobre a complexidade da questão de satisfação no trabalho. Esta pesquisa indicou que tanto enfermeiros com 10 a 20 anos de experiên cia profissional quanto profissionais que tinham usufruído todos os feriados a que tinham direito, relataram níveis mais elevados de satisfação no trabalho. As variáveis independentes: ambiente prático, intenção de ficar no emprego, exaustão emocional, realização e estilo de enfrentamento positivo explicaram aproximadamente 55 % da variação na satisfação no trabalho.

Na pesquisa de Tourangeau et al. (2010), os resultados mostram que maiores índices de satis fação no trabalho estiveram associados à exaustão emocional, menores níveis de burnout, maior ca pacitação global, apoio organizacional mais alto, maior capacidade psicológica, mais forte coesão do grupo de trabalho e realização pessoal supe rior. Maiores níveis de intenção de turnover, por sua vez, foram associados a menores índices de satisfação no trabalho, maior desgaste e exaustão emocional, coesão mais fraca do grupo de trabalho, baixa realização pessoal e maior despersonalização.

Os resultados trazem também fatores que afetam ou agravam o burnout e o turnover, além de algu mas consequências para o paciente e o trabalho, e se relacionam com a satisfação e a insatisfação no emprego ligadas a fatores econômicos (salário) e éticos (Bao, Vedina, Moodie & Dolan, 2013), bem como às exigências do trabalho, falta de autonomia, de colaboração entre enfermeiros e médicos, de empoderamento estrutural, de capacitação psico lógica, de resiliência do estresse e de coesão do grupo (Larrabee et al., 2010). Os fatores éticos e econômicos, por exemplo, estão fortemente rela cionados ao burnout e ao turnover, à medida que aumentam à propensão a acidentes no atendimento aos pacientes (Bao et al., 2013). A qualidade de atendimento aos pacientes e a satisfação no tra balho aparecem como fortemente influenciadas e apresentam relação positiva com o burnout, pois na medida em que aumenta o número de pacientes atendidos, aumentam as taxas de burnout (Faller, Gates, Georges & Connelly, 2011). Também há uma forte relação entre exaustão emocional e queixas psicossomáticas e comprometimento no trabalho, e que estão associadas à intenção de turnover (Jour-dain & Chênevert, 2010). Ainda, a satisfação no emprego e seus fatores derivados como carga de trabalho, trabalho emocional e clima de trabalho, afetam os profissionais de todas as idades, dos recém-formados a aqueles com mais de dez anos de profissão (Liu et al., 2013).

Aspectos contextuais

A escassez de profissionais atuando na área de enfermagem é destacada nas pesquisas como um fenômeno global e está relacionada ao turnover e seus determinantes, sendo citada por 10 artigos (66,7 % da amostra) e discutida direta ou indire tamente por todos os artigos analisados. Pode se falar de um fenômeno global por ter sido relatado pelos autores dos artigos provenientes de diversos países, tanto ocidentais quanto orientais. Dentre os fatores para a diminuição pela procura pela carreira de enfermagem ou abandono do trabalho, estão o alto grau de estresse, decorrente do cotidiano de cuidado, questões salariais, a baixa realização pes soal, falta de autonomia, dificuldades interpessoais com equipe de enfermagem e médica e a alta carga de trabalho, que culmina com a insatisfação com a carreira, seja durante a graduação ou depois de formado (Liu et al., 2013; Meeusen et al., 2011; Larrabee et al., 2010).

Discussão

Com base nos resultados da pesquisa, pode-se constatar que a preocupação com o turnover e a retenção da equipe de enfermagem é relativamente nova, mas é um fenômeno mundial. Mais especi ficamente, as produções internacionais mostram uma tendência à diminuição dos profissionais em vários locais de atuação da enfermagem, como casas de cuidado de idosos, clínica médica, clínica psiquiátrica, terapia intensiva em diversas partes do mundo como EUA, China, Canadá e Coréia do Sul (Tourangeau et al., 2010; Sung et al., 2012; Oyeleye et al., 2013; Liu et al., 2013).

Destaca-se ainda que a enfermagem é uma pro fissão altamente estressante e desafiadora, devido à necessidade de especialização, complexidade e exigência para lidar com situações de emergên cias, que pode gerar conflito pessoal e turnover (Oyeleye et al., 2013). Assim, considerando a com binação entre demanda de enfermagem e os com portamentos de turnover recorrentes, é natural o aumento da preocupação dos gestores de equipes de enfermagem com a saúde de seus membros e com a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. A mesma preocupação é a razão pela qual pesquisadores estão concentrando sua atenção na identificação dos fatores que comprometem o bem-estar e a retenção dos enfermeiros (Brunetto & Teo, 2013).

Destaca-se, assim, a satisfação no trabalho co mo o fator importante a ser avaliado, por estar in trinsecamente ligado ao burnout e ao turnover. Dos artigos selecionados 53,33 % citam diretamente o binômio satisfação/insatisfação no trabalho com fator relacionado ao burnout e ao turnover. Entre tanto, cabe ressaltar que a satisfação no trabalho é resultante de um conjunto de fatores, dentre eles: a carga de trabalho, clima no trabalho (Ohue et al., 2011), experiência profissional, estrutura e capa citação psicológica, coesão do grupo (Larrabee et al., 2011). A insatisfação se revela na pesquisa como um problema multifatorial e, portanto, o seu enfrentamento deve levar em consideração diversos fatores que estão presentes em cada re alidade de trabalho. Salienta-se a importância de se melhorar as condições de satisfação no trabalho por esta aparecer nos resultados como uma variá vel mediadora, uma vez que, quando se aumenta a satisfação no trabalho, se diminui o burnout e o turnover.

Neste sentido destaca-se, que a melhoria no ambiente de trabalho está associada à satisfação com o trabalho e à diminuição do burnout. Para manter a satisfação da equipe de enfermagem, de modo a diminuir os fatores que causam o burnout, faz-se necessário a criação de um clima de trabalho positivo (Meeusen et al., 2011; Zhang et al., 2014), o que pode ajudar a administração das demandas emocionais e assim promover o bem-estar da equipe (Cheng, Bartram, Karimi & Leggat, 2013).

A respeito do estresse, burnout e turnover, es tes poderiam ser prevenidos, segundo Ohue et al. (2011), com a mudança de crenças irracionais para crenças racionais, diminuindo os pensamentos au tomáticos negativos, e facilitando os pensamentos automáticos positivos. Há também uma necessi dade importante de se melhorar as recompensas intrínsecas e extrínsecas, juntamente com a flexi bilidade de atividades e de horários para promover a satisfação no trabalho e retenção de pessoal (Liu et al., 2013). Com relação à retenção da equipe de enfermagem, deve ser dada atenção à promoção da coesão do grupo de trabalho, além de apoiar e reconhecer as realizações da equipe, o que pode minimizar o burnout (Tourangeau et al., 2010).

Ohue et al. (2011) destacam que os fatores individuais influenciam o burnout, sendo o seu aparecimento dependente de fatores como idade, estado civil, sexo, posição ocupada e estilo de trabalho. O autor sugere que os enfermeiros mais jovens têm maiores índices de burnout do que os mais velhos, e que os enfermeiros não casados tendem a ter mais burnout quando comparados aos casados. Já no que diz respeito à posição ocupada e área de trabalho, os profissionais de enfermagem de áreas clínicas experienciam mais burnout que seus supervisores. Entretanto os gestores, chefes de enfermagem e a equipe que trabalha em dois ou três turnos consecutivos, experienciam mais burnout do que os profissionais de enfermagem com outros estilos de trabalho, de carga de traba lho mais reduzida. Ainda este estudo sugere que o burnout é mais comum em enfermeiras com até três anos de atividade profissional.

Sendo assim, uma estratégia dupla é necessária, a fim de reter os enfermeiros dentro da profissão: a diminuição na demanda de trabalho, juntamente com um aumento no emprego de recursos dispo níveis. Em particular, as tarefas e o papel do en fermeiro devem ser reestruturados para reduzir a sobrecarga de trabalho e promover a atribuição de sentido ao trabalho (Jourdain & Chênevert, 2010). Também é preciso garantir uma prática de gestão de recursos humanos eficaz, de modo a reduzir o desgaste associado com o trabalho emocional. Isso pode ajudar as instituições de saúde a reduzir turnover e burnout de profissionais da enfermagem (Bartram et al., 2012).

A respeito do burnout, discutindo para além do conceito apresentado neste trabalho, é preci so reforçar que se trata de uma doença de sérias consequências psicológicas e físicas que afeta globalmente o indivíduo (Vieira, 2010). Nos casos mais graves o indivíduo acometido pelo burnout adquire uma aversão ao seu trabalho e passa ter atitudes de fuga e evitação, inclusive não conse guindo entrar ou passar pelo seu setor de trabalho (Vieira, 2010).

Frente aos resultados encontrados neste estudo, evidencia-se a necessidade de ampliar os estudos em profundidade sobre os fatores relacionados ao burnout e ao turnover em enfermagem e suas possí veis intervenções, tanto individuais como coletivas e organizacionais. Assim, sugere-se que futuras pesquisas se ocupem do estudo destas variáveis na realidade brasileira, de modo a contribuir para o maior conhecimento, prevenção e tratamento das relações entre burnout e turnover em profissionais da área da enfermagem no Brasil.

Conclusões

Evidenciou-se neste estudo, a importância da relação entre burnout e turnover nas pesquisas a nível mundial, com produções de países ociden tais e orientais. Percebe-se que, independente da cultura e das características pessoais e do trabalho de enfermagem, as causas e consequências do burnout e turnover na enfermagem trazem pre juízos tanto pessoais quanto organizacionais. Os resultados mostram uma relação positiva e função preditora do burnout para o turnover entre esses profissionais. Na prática, isto significa que quanto mais pessoas desenvolvem burnout, maior o risco de aumento nas taxas de turnover. Tais relações resultam em um ciclo que vai minando a saúde dos profissionais, a qualidade do atendimento e o equilíbrio financeiro da organização hospitalar.

Desvela-se desta forma, a pluralidade de fato res envolvidos no surgimento e agravamento do burnout, que vão desde fatores pessoais a aspectos organizacionais e contextuais. Fica evidenciada nos dados da pesquisa a íntima relação do burnout com a intenção e o comportamento turnover. As conse quências desta díade burnout-turnover afetam tanto os profissionais quanto as organizações, levando a gastos como contração de pessoal, treinamento, gastos médicos e perda de mão de obra qualifica da. As consequências do burnout e do turnover para a sociedade podem ser percebidas também na qualidade do atendimento aos pacientes, uma vez que as diferentes características de trabalho influenciam as percepções de qualidade dos cui dados prestados em uma instalação hospitalar.

Por fim, destaca-se a necessidade de pesquisas brasileiras a respeito da temática do burnout e do turnover em profissionais da enfermagem. A amos tra de pesquisa mostrou uma tendência mundial de turnover em enfermagem, tendo como uma das principais causas o burnout. Se esta ocorrência for uma tendência mundial como as pesquisas mostram, o Brasil precisa estar preparado para enfrentá-la, de forma a preservar o bem-estar das pessoas que compõe as equipes de enfermagem, o conforto dos pacientes e o adequado funciona mento das instituições de saúde.

Referências

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Received: May 05, 2015; Accepted: August 01, 2016

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