SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 issue17Historical paintings from the 19th century and identity discourse: notes on iconography and the teaching of History in ParanáThe avatars of military education in New Granada (1820-1855) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • On index processCited by Google
  • Have no similar articlesSimilars in SciELO
  • On index processSimilars in Google

Share


Historia y MEMORIA

Print version ISSN 2027-5137

Hist.mem.  no.17 Tunja July/Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.19053/20275137.n17.2018.7425 

Artículo de investigación e innovación

A pesquisa sobre o ensino de Historia nos Encontros Estaduais de Historia da ANPUH-BA: impressões iniciais*

Research on the teaching of history in the state meetings on history of the ANPUH-BA: initial impressions

Une enquête à propos de l'enseignement de l'Histoire dans les Rencontres des Étudiants d'histoire de la ANPUH-BA: premiers constats

Carlos Augusto Lima1  , Adriana Silva Teles2  , Dulcinea Cerqueira3  , Edicarla dos Santos Marques4 

1Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS - Brasil. Professor Titular da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), atuando no Programa de Pós-Graduação em História (mestrado) e nos cursos de Graduação em História e Pedagogia. Desenvolve pesquisas na área de Ensino de História, com ênfase na formação de professores. Atualmente é Coordenador do Laboratório de Formação de Educadores (LIFE-UEFS) da Pró Reitoria de Graduação (PROGRAD). calfferreira@gmail.com.

2 Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS - Brasil. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Especialista em Teoria e Metodologia da História e Licenciada em História é professora da Universidade do Estado da Bahia. Integra o "Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de História" (UEFS-CNPq).

3 Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS - Brasil. Licenciatura em História (UEFS, 2000). Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação (UNEB, 2001) e em Política do Planejamento Pedagógico: Currículo, Didática e Avaliação (UNEB, 2007). Mestra em História (UEFS, 2015). Professora da Rede Básica Estadual de Ensino da Bahia (SEC-Ba, desde 2001). Integra o "Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de História" (UEFS-CNPq).

4 Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS - Brasil. É professora assistente da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Mestre em História pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Graduada em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Integra o Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de História - GEPENH.

Resumo

Esta investigação situa-se no espaço do Ensino de História. Nossa fonte primária de pesquisa foram os Anais das sete edições do Encontro Estadual de História na Bahia, consultando-se os trabalhos publicados integralmente e os resumos aprovados. Este artigo visa analisar as comunicações apresentadas na Anpuh-Bahia, entre os anos de 2002 e 2014. A pesquisa contemplou de forma ampla as temáticas relacionadas ao objeto, incluindo também as produções de pesquisa no âmbito acadêmico e escolar sobre o Ensino de História na Bahia. Os resultados mostram uma baixa expressividade de temas ligados ao Ensino de História. Os textos não expressam o debate acerca do ensino de história e representam o espelho da velha dicotomia Ensino de História versus Pesquisa e Historiografia, ou Licenciatura versus Bacharelado.

Palavras-Chave: Ensino de História; Anais; Pesquisa; Anpuh

Summary

This research project is carried out in the area of the teaching of history. The primary source of this research was the annals of the seven editions of the State Meeting on History in Bahia; the works consulted being the published articles and the approved summaries. This article seeks to analyze the communications presented in the Anpuh-Bahia between 2002 and 2014. This research contemplated themes related to the object of study, including the products of research in the academic and school environment, regarding the teaching of history in Bahia. The results show that there is little information on topics related to the teaching of history. The texts do not reflect the debate about the teaching of history and show the dichotomy between the Teaching of History vs Research and Historiography, or Undergraduate degree vs Secondary school.

Key words: History teaching; Annals; research; Anpuh

Résumé

Cette recherche se situe dans le domaine de l'enseignement de l'histoire. Nos sources sont constituées par les annales des sept Rencontres d'histoire de l'Etat de Bahia, dont les travaux publiés et les sommaires approuvés ont été intégralement consultés. Cet article cherche à analyser les communications présentées à la Anpuh-Bahia entre 2002 et 2014. L'enquête a visé de manière large les thématiques ayant rapport avec l'objet d'étude, y compris les recherches dans les domaines académique et scolaire à propos de l'enseignement de l'histoire à Bahia. Les résultats montrent un pauvre intérêt par les sujets liés à l'enseignement de l'histoire. Les textes en question ne se penchent pas sur les débats concernant l'enseignement de l'histoire, recyclant plutôt les vieilles dichotomies enseignement de l'histoire/recherche et historiographie, ou études universitaires/études secondaires.

Key words: Enseignement de l'histoire; Annales; recherche; Anpuh

1. Introdução

Os estudos desenvolvidos pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de História (GEPENH)1 nos levaram a questionamentos referentes às pesquisas sobre Ensino de História que estavam em curso na Bahia, aventando a possibilidade de mapeamento, análise, sistematização e socialização dessa produção. O exercício da pesquisa e levantamento de dados nos trouxeram outras problemáticas, todas de ordem teórica e metodológica. Primeiro o que estaríamos categorizando como "Pesquisas em Ensino de História"? Refletir sobre a natureza da pesquisa no campo do ensino não foi tarefa fácil, dada a vasta possibilidade de pesquisas nesse campo, seja como interlocução com outras áreas do conhecimento, seja pela numerosa temática que tem lhe possibilitado maior problematização.

Outro aspecto surpreendeu-nos no sentido de considerar, ou não, os trabalhos avulsos, aqueles elaborados circunstancialmente, resultados de reflexões por vezes desenvolvidas no exercício docente, como os relatos de experiência, ou ainda os trabalhos não vinculados aos Programas de Pós-graduação ou Grupos de Pesquisa. E por último, mas não menos importante, por onde começaríamos a sistematizar as produções sobre Ensino de História na Bahia?

No trânsito da década de 1990 para os anos 2000, em meio aos desdobramentos do movimento de renovação dos problemas, abordagens e objetos da História e em extensão das Ciências Sociais, o ensino de História passou a ser um tema mais visitado por historiadores e educadores brasileiros, contexto em que os pesquisadores buscaram conhecer mais detidamente a história da sua própria disciplina e, para tal, «passa[ra]m a desenvolver estudos mais localizados e contextualizados, lidando com períodos de tempo mais curtos»2.

Nessa referida década, a pesquisa sobre o ensino de História buscou consolidar-se, avançando no que diz respeito ao seu quantitativo geral e distribuição no território nacional, na diversificação das problemáticas e temporalidades investigadas, bem como, na sua qualidade teórico-metodológica. Mas, essa produção pulsante do campo, que ainda é incipiente, notadamente no estado da Bahia, muitas vezes apresenta-se ofuscada, seja pela pouca divulgação e socialização nos meios acadêmicos e escolares, seja pela ausência de estudos que sistematizem e avaliem essa produção, fazendo-a chegar de forma mais fluida e pouco célere tanto a pesquisadores e professores formadores da educação superior, quanto a professores da educação básica, oportunizando a melhoria da qualidade do Ensino de História e, não menos importante, o estreitamento da relação Academia-Escola.

Este cenário motivou a realização da presente pesquisa, cujos resultados iniciais serão aqui apresentados, com vistas a fazer uma avaliação dos trabalhos existentes sobre o Ensino de História na Bahia, buscando dimensionar os limites, mas também os avanços subjacentes às produções que compõem este campo do conhecimento em nosso estado.

O primeiro levantamento da produção acadêmica baiana sobre o Ensino de História foi realizado no ano 2011. A investigação intitulada Ensino de História nas Instituições de Ensino Superior Baianas: um relato situou-se no espaço da relação educação e história, território de fronteira, no qual se constituem, se produzem e se reproduzem o ensino e a aprendizagem em História como campo de pesquisa científica e disciplina escolar. O texto nos apresentou as análises de dados referentes aos TCC, Dissertações e Teses de diversas Instituições de Ensino Superior da Bahia, escritas no período de 1993 - 2007. Uma proposta de estudo onde os autores buscaram não só compreender essa produção, como também avaliar seus avanços e impactos, contribuindo para a formação teórica e epistemológica de professores e pesquisadores de história e áreas afins3.

Ao considerar a experiência anterior, definimos realizar um estudo com foco mais direcionado à análise regional, com escopo menos abrangente. Ao invés de pesquisarmos na Plataforma CAPES, buscando por dissertações, teses e/ ou Grupos de Pesquisa, que constituem o Campo, optamos por tomar como objeto de pesquisa a própria Associação Nacional de História, seção Bahia (ANPUH - Ba). Assim, foi possível inferir sobre as pesquisas realizadas na Bahia, no campo do Ensino de História, a partir da visibilidade que estas apresentam dentro da própria Associação Docente, tomando como indicador o Encontro Estadual de História, evento bianual realizado pela referida entidade profissional. Somado a isso, o fato de ser o maior Evento de História na Bahia e agregar estudiosos dos vários campos investigativos da História, sendo possível fazer uma avaliação quantitativa e comparativa, foram fatores que também contribuíram para a nossa escolha.

Os Anais das sete edições do Encontro na Bahia constituíram-se as nossas fontes primárias. Contudo, percebemos que os cadernos de resumo também teriam que ser consultados, haja vista que algumas comunicações não foram acompanhadas da publicação do respectivo artigo. Assim, passamos a considerar tanto os trabalhos submetidos integralmente aos Anais dos Encontros4, quanto àqueles que tiveram apenas os resumos submetidos.

Alguns critérios, de ordem metodológica, tiveram que ser observados e cabe-nos mencionar. A opção, inicialmente, foi selecionar textos e resumos submetidos apenas aos Simpósios Temáticos (ST) que apresentassem o Ensino de História como preocupação explícita. Textos submetidos a outros ST, ainda que tivessem uma discussão implícita sobre Ensino de História, não foram categorizados enquanto pesquisas em Ensino de História, sendo excluídos do material selecionado para análise. Alguns dos Simpósios Temáticos, embora não pautassem o Ensino de História em suas propostas iniciais, contaram com poucos artigos submetidos que abordaram a temática de modo específico. Assim, consideramos para efeito estatístico os trabalhos submetidos sobre a temática, mas não consideramos estes ST como Simpósios sobre Ensino de História. Outros trabalhos, em menor número, embora submetidos à ST sobre Ensino de História, mas que não tiveram relação alguma com a temática do ST, foram desconsiderados, por avaliarmos que do ponto de vista metodológico poderíamos chegar a conclusões imprecisas sobre a produção historiográfica no Campo do Ensino de História na Bahia.

Estes aspectos apenas expõem fronteiras criadas historicamente, pelas Instituições de Ensino Superior, que legitimaram lugares e campos para que determinadas discussões ocorressem: os lugares da pesquisa, e os lugares do Ensino, como dimensões ora antagônicas, ora complementares, de um mesmo conhecimento.

Desde sua implantação até a última edição realizada, a Anpuh - Ba tem buscado consolidar os encontros, ampliando, as temáticas dos diversos simpósios, além de enfatizar questões regionais com a incorporação de discussões sobre a Bahia, fruto do incremento dos programas de Pós-graduação em História no Estado. Os resultados destes encontros realizados foram dispostos em tabelas5 apresentadas ao longo desse texto. Os temas dos Encontros, elencados na Tabela 01, demonstram como é preocupação central da Associação abranger essas demandas a partir das temáticas definidas. Por outro lado, essa abrangência do campo levou à secundarização das dimensões vinculadas ao Ensino de História.

Tabela 1 Descrição dos Encontros, ano de realização, local e tema abordado 

Fonte: Elaboração própria.

Embora não seja legítimo falar em completa ausência das discussões atreladas ao ensino de História das demandas dos Encontros da Anpuh - Ba, podemos constatar uma única menção ao termo «ensino», dentre os temas das sete edições. Essa menor expressividade relativa ao campo do Ensino de História também é perceptível nos textos de apresentação dos Encontros, que enfatizam a participação de estudantes e professores universitários, sem referência direta aos professores da Educação Básica.

Portanto, é possível perceber o embrionário debate sobre o referido campo, a partir de três constatações: a) uma única menção ao termo ensino, nos sete temas do Encontro; b) reduzido número de simpósios dedicados ao Ensino de História, que nas sete edições do Encontro balizou entre 2% e 12%, dos Simpósios totais (Ver Tabela 02); c) incipiente produção referente ao campo, configurada no total de trabalhos sobre o Ensino de História submetidos, que em todas as edições do Encontro nunca alcançou os 10% (Ver Tabela 03). Esses indicadores expõem a necessidade de consolidação dos ST, fortalecendo as discussões sobre o Ensino de História que, mesmo de modo tímido, apresenta crescimento no cenário historiográfico baiano.

Cabe mencionar que estamos tratando de um contexto de afirmação da própria Anpuh seção Bahia, e a menor expressividade das discussões sobre Ensino de História pode ter ocorrido como forma de legitimidade do próprio campo da pesquisa Histórica, muitas vezes erroneamente compreendida como apartada do debate sobre Ensino. Tal ausência, mais latente nas primeiras edições do Encontro, talvez fosse uma estratégia de fortalecimento da própria seção Bahia, bem como de uma concepção de pesquisa histórica, em vias de construção. Trata-se da legitimidade a partir da deslegitimação de outros campos e saberes de um mesmo conhecimento, o histórico. Não convém trazer considerações genéricas sobre todas as edições, mas faz-se necessário apontar para algumas especificidades.

Apenas no VI Encontro Estadual de História, realizado em Ilhéus, no ano de 2012, a questão da diversidade atrelada ao ensino estava no título e na proposta do Evento. O título enunciava Povos Indígenas, Africanidades e Diversidade Cultural: produção do conhecimento e ensino, que pode ter, em alguma medida, buscado atender à demanda de professores da Educação Básica, de acordo com a Lei 11.645/08, da obrigatoriedade desses temas nos espaços escolares. O fato a ser observado é que estes debates não surgiram organicamente, foram antes pautados por demandas externas à própria associação, dada a inexpressividade numérica de professores da educação básica associados à Anpuh.

Além do tema do VI Encontro nos chamou à atenção o título do VII Encontro cujo tema evidenciou os diálogos da História, porém sem especificá-los, que ocorreu no ano de 2014 na cidade de Cachoeira, localizada Recôncavo baiano, e representou um marco para o debate sobre Ensino de História na Bahia. Essa foi a única edição do evento que registrou mais do que um Simpósio Temático sobre a temática, ao todo foram três relativos ao campo. Tendência que se confirmou no número de trabalhos sobre Ensino de História submetidos, 9% do número total de trabalhos inscritos (Ver Tabela 03).

Em 2013 aconteceu na cidade de Cachoeira6 o II Encontro Estadual de Ensino de História, após longos dez anos lacunares desde o I Encontro, em 2002. Isto é, sem dúvida, um dos elementos que demarcaram a presença de um maior número de temas dedicados ao Ensino de História. Essa assertiva é reforçada pelo texto de abertura do VII Encontro Estadual de História, que o apresenta como extensão das edições anteriores da Anpuh e do próprio Encontro sobre Ensino, como explicitado no texto de abertura do seminário:

Além disso, dando continuidade aos encontros anteriores e ao II Encontro Estadual de Ensino de História, realizado em maio de 2013 na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, o VII Encontro Estadual de História visa congregar professores, pesquisadores, estudantes e demais interessados no tema, buscando consolidar a Seção Estadual da Associação Nacional de História como entidade que congrega e aproxima os profissionais da área de História na Bahia7.

Nos dois últimos Encontros Estaduais de História da Anpuh - BA, 2012 e 2014, respectivamente, o VI e VII, a pauta do Ensino de História, como um campo de produção de conhecimento, começou a ganhar um pouco mais de espaço, principalmente no âmbito Regional. Trata-se de um interesse crescente pelo campo, mas que ainda demonstra a predominância da discussão historiográfica sobre temas considerados mais tradicionais, em detrimento das pesquisas acerca do Ensino de História nas edições aqui analisadas. Caso contrário, os pesquisadores do campo do ensino não teriam buscado refúgio e legitimidade nos Encontros de Ensino de História, organizados pela mesma associação, especificamente pelo Grupo de Trabalho Ensino de História e Educação. Estes, por sua vez, ganharam maior visibilidade, principalmente entre os professores da Educação Básica.

Em relação à oitava edição do Encontro Estadual de História da Anpuh - BA8, a primeira percepção foi a de que algumas discussões ganharam visibilidade, a saber: «Programa Escola Sem Partido»9; Base Nacional Comum Curricular - BNCC; e as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior e para a Formação Continuada, são alguns dos debates postos como pauta do evento. Porém, o adensamento do debate se deu em um contexto onde a preocupação por esses temas foi muito mais pelo viés político que estes apresentam, do que por proporcionarem um debate sobre Ensino, ainda que não excludentes.

Todavia, em que pese os aspectos políticos é necessário reconhecer os avanços observados, ao longo dos Encontros Estaduais, não apenas de natureza teórica metodológicas, mas como espaços convergentes de debates contemporâneos acerca da formação de professores e do Ensino de História.

A atualidade do debate deveria ser reverberada em discussões e ações que dessem visibilidade e assegurassem a legitimidade da disciplina história nos espaços escolares. Porém, o tom das discussões tem sido de dar ênfase à dimensão política que estas alterações representam dentro de um contexto antidemocrático, em detrimento dos debates possíveis acerca do ensino de história.

2. A quem pertence a História?

Pensar o lugar ocupado pela disciplina História, na educação brasileira, deveria constituir-se uma temática fundamental para todos os sujeitos, especialmente os que estão envolvidos com a formação dos profissionais de História. Questionar sobre o lugar da disciplina História na educação básica, bem como sobre a concepção de História de quem forma professor no Brasil, leva-nos a perguntar a quem pertence a História no atual contexto de constantes ataques políticos à disciplina. Esta entendida enquanto campo de conhecimento relevante para a formação social, a construção da cidadania e emancipação política dos sujeitos históricos.

A História pertence a quem a faz, incluindo prioritariamente nessa discussão professores e alunos, já que tomamos o espaço escolar como legítimo, embora não exclusivo, de transmissão e produção do conhecimento histórico. Se é fato que a História, seja ela disciplina escolar, campo formativo, ou ainda área de conhecimento, pertence a quem a faz, que dizer das produções historiográficas sobre o campo que se dedica ao seu ensino? Caberia a todos os pesquisadores e professores a responsabilidade pelas produções dos seus respectivos campos formativos, tanto no âmbito acadêmico, quanto no escolar.

A questão do ensino e das formações vem, ao longo das últimas décadas, assumindo cada vez mais importância e protagonismo especialmente no campo das políticas públicas educacionais, notadamente no campo do currículo, vide as ações desenvolvidas para o novo desenho que a Base Nacional Comum Curricular - BNCC implantará no âmbito da Educação Básica.

Ao propor a formação por áreas, os documentos oficiais, estariam indicando a extinção das disciplinas existentes. Isso, evidentemente, tornaria frágil o acesso ao conhecimento elaborado e cada vez mais especializado. É bem verdade, que na esteira das reformulações, as disciplinas «intocáveis» Língua Portuguesa e Matemática permanecem intactas, o que se constitui um grande equívoco, visto que, a educação se constrói com o todo e não com as partes. Logo, prescindir do conhecimento em todas as áreas é fragilizar a formação de professores.

Estas iniciativas desarticulam a natureza e a importância da História como disciplina escolar específica. Além destes aspectos, vem ocorrendo ultimamente a redução da carga horária da disciplina História no sistema escolar, a exemplo de São Paulo, que a partir da Resolução SE N° 81, de 16 de dezembro de 2011, estabeleceu a diminuição de carga horária de história na Educação Básica. O atual «governo» aprovou, via Medida Provisória n° 746, de 22 de setembro de 2016 que institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, a alteração da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e a Lei n° 11.494 de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. O mesmo projeto foi sancionado como Lei n° 13.415 de 16/02/2017, pelo presidente da República. Ações que convergem com as propostas de reformulação das estruturas curriculares do ensino básico implementadas local e nacionalmente.

Diante do exposto, é fundamental sabermos qual o lugar e o papel que exerce o Ensino de História, nos dias de hoje. Estas são questões basilares para que tenhamos o entendimento de quais sentidos para o Ensino de História pretendemos construir, até porque nos parece que essa é uma temática secundária nos encontros. Ora, se queremos considerar que História é a ciência humana básica na formação do aluno, pela possibilidade de fazê-lo compreender a realidade que o cerca e, consequentemente, dotá-lo de espírito crítico que os capacitará a interpretar essa mesma realidade, não podemos desconsiderar a importância do ensino como elemento primordial na formação daqueles que se debruçarão sobre o universo da escola e/ou da pesquisa. Esse contexto nos remete às dificuldades ou a pouco importância que as discussões acerca do Ensino de História recebem no contexto dos Simpósios Nacionais da Anpuh e, também, nos Encontros Estaduais.

No fim dos anos 1970 e início dos 1980, quando a temática Ensino de História começa a ser objeto de reflexão dos historiadores, no estado da Bahia, o número de trabalhos sobre o tema era demasiado restrito. Dados levantados na Universidade Federal da Bahia10, indicavam apenas três dissertações de mestrado e duas teses de doutorado11 já defendidas na sua Faculdade de Educação; nenhuma no programa de Mestrado e doutorado em História.

É evidente que a discussão sobre o Ensino de História, em que pese ter avançado exponencialmente nas últimas décadas em contexto nacional, ainda é diminuta, notadamente no estado da Bahia. Todavia, a realização de trabalhos que possam analisar e compreender a formação dos professores de história e suas práticas docentes são imprescindíveis para a melhoria da qualidade do Ensino de História que se ministra nos níveis fundamental e médio da educação básica, estreitando, dessa forma, a relação Academia-Escola.

Sobre o Ensino de História como objeto de pesquisa no Brasil, as autoras Aryana L. Costa e Margarida M. D. de Oliveira (2007) apontaram para o cenário de modo a historiar e analisar a produção. Sinalizaram, dentre outros aspectos, a constituição do campo, na década de 1960, fundamentada, sobretudo, a partir de uma «visão dicotômica da total separação entre ensino e pesquisa»12. Concepção transferida para a pós-graduação no Brasil na década seguinte. Com as mudanças ocorridas no Brasil, notadamente no campo educacional, posterior à ditadura militar, surgiram novas demandas que fizeram com que os pesquisadores do Ensino organizassem novos espaços para diálogo.

Com a redemocratização do País a partir de 1985, uma luta por mudanças, novas abordagens e novos currículos de História, começou a ser travada pela comunidade de professores, tendo a Associação Nacional de História - Anpuh - à frente, buscando soluções para a questão do Ensino de História.

Os debates levaram ao enfrentamento das questões principalmente em duas vertentes: modernização dos currículos de 1°, 2° e 3° graus e a qualificação e atualização de professores de História. Muitos esforços, recursos humanos e financeiros foram e estão sendo dispendidos nesse sentido em vários estados do Brasil, por parte de Secretarias de Educação, Instituições de Ensino Superior e de 1° e 2° graus13.

Na Bahia, como de resto no Brasil, depois de uma longa e intensa discussão, as diretrizes curriculares estaduais de 1986 traziam essa proposta de mudança, defendida pelos especialistas da área, buscando a revalorização das duas disciplinas (história e geografia) e a extinção de Estudos Sociais.

Novos desafios foram postos para as pesquisas no campo do Ensino. Possibilidades estas provenientes de correntes historiográficas emergentes e dos diálogos instaurados com outras ciências humanas e sociais. Todavia, a mesma variedade de temas, sujeitos, objetos e abordagens, que passou a ser campo de estudo da História, não foi reverberada no seu ensino. As então «novas» concepções de produção do conhecimento histórico, embora traduzissem explicitamente maior democratização entre os sujeitos da/na História, não foi capaz de produzir a desierarquização dos conhecimentos elaborados na academia e nas salas de aula da educação básica. Reconhecer a natureza distinta destes conhecimentos, não deveria pressupor valoração dos mesmos.

3. O fazer e o ensinar: a quem compete a pesquisa em História?

Nos dias de hoje tem sido ainda mais importante falarmos do fazer histórico, do fazer-se profissional do ensino e, neste sentido, pensarmos sobre história não é apenas entendê-la como algo ligado ao passado. Nessa perspectiva, o pensamento da Historiadora britânica, Mary Beard, reflete muito do que compreendemos acerca do papel dos professores e historiadores nos dias de hoje. Acreditamos, assim como ela, que a História seja um diálogo entre o presente e o passado e isto tem muito a ver conosco. A história não é simplesmente um tema reservado a uns poucos especialistas professores encarcerados em seus gabinetes, tão pouco a sua pesquisa. Pensamos na ciência histórica como uma atividade cidadã, coletiva e compartilhada, em que se espera a participação de todos, desde a educação infantil até a geração dos idosos, desde ávidos leitores de livros aos que assistem a televisão cotidianamente. Não ser capaz de pensar de forma histórica faz com que sejamos todos cidadãos empobrecidos14.

Portanto, entendemos que, enquanto profissionais do Ensino de História, estamos diante de desafios, os quais, não podemos nos furtar. Ou como nos alerta Ciampi citando Nóvoa15 (2006) em palestra no Sindicato do Professores de São Paulo (SINPRO-SP) que:

[...] estamos diante de dois grandes desafios: a crise da identidade da escola e os seus efeitos na concepção e na prática da nossa atividade profissional. Refletir sobre o ensino de História, hoje, implica em pensar o papel do professor e da escola no século XXI, ou seja, em questionar-se sobre os dilemas que enfrenta hoje a escola e, por decorrência, o professor. [...]

O excesso de papeis que a sociedade tem conferido à escola a tem sufocado, tornando-a uma espécie de Super escola, impedindo-a de «respirar». Daí o paradoxo: de um lado, profusão de funções e, de outro, a fragilidade do estatuto docente. Desde a década de noventa do século XX, reforçou-se uma série de processos de exclusão dos professores, ocasionando, em paralelo, uma redefinição das funções sociais e profissionais a eles tradicionalmente atribuídas. De um lado, ocorre a glorificação da sociedade do conhecimento e, de outro, o desprestígio da profissão docente e de suas condições de trabalho. São paradoxos que precisamos enfrentar para tentar superá-los.

Dentre os numerosos paradoxos que poderíamos enumerar, cabe destacar aquele que nos interessa neste momento, o que diz respeito à dimensão da pesquisa, quase sempre compreendida como atividade primária dos docentes das Instituições de Ensino Superior e, restrita, quando se pensa na docência exercida no âmbito da Educação Básica. Equívoco este que Marcos A. da Silva16 problematizou e denominou de «desqualificação prévia» ao se referir ao mercado de trabalho que, via de regra, utiliza critérios de classificação que, antecipadamente, desqualificam os aptos à docência na escola básica. Assim, o mercado de trabalho reforça o entendimento que aqueles que «não servem» para a pesquisa, ensinam.

O direito à História pressupõe, obviamente, o direito à pesquisa. Ora, estas discussões não podem, ao nosso ver, estarem sendo subalternizadas em encontros de História, principalmente quando estes são organizados por associações de professores, como se a dimensão do ensino fosse um mero apêndice do contexto formativo, ou que estas questões fiquem estabelecidas para serem travadas apenas no âmbito de algum GT dedicado ao ensino.

Nessa perspectiva, pensar a dimensão Ensino de História no contexto da Anpuh-Ba requer, de nossa parte, um esforço, para que a sua transmissão, a dimensão prática do professor em sala de aula, o cotidiano do processo de ensino-aprendizagem sejam aspectos que ganhem o universo de debates para além dos GT e ST. E, assim como a pesquisa, que diz respeito a todos nós, professores e profissionais da área de História, seja democratizado também o entendimento de que a dimensão do ensino é de responsabilidade coletiva.

Evidentemente, estas questões já estão na ordem do dia, dos fazeres de muitos dos profissionais de história e devem ser vivamente estimulados pelas pesquisas advindas das universidades e das produções acerca do Ensino de História que, por certo, podem contribuir com a renovação das práticas pedagógicas, o que pressupõe um estreito diálogo entre a academia e o mundo da educação básica. Um número cada vez maior de publicações universitárias tem possibilitado um suporte teórico metodológico contribuindo para que os professores possam aprofundar as suas leituras, além de oportunizar outros olhares que se diferenciam dos tradicionais livros didáticos.

Apesar desta realidade, o tema Ensino de História é ainda pouco pesquisado no meio acadêmico. No período de 1984 a 1989, foram produzidos, entre dissertações de mestrado e teses de doutorado e de livre docência na área de História, 1.729 trabalhos, dos quais apenas 13 abordam o Ensino de História. O quadro agrava-se quando estes mesmos assuntos são apresentados em periódicos nacionais especializados em História, ou seja, de um total de 1.048 artigos produzidos entre 1961-1992, apenas 44 (4,19%) discutem, especificamente, o Ensino de História, enquanto que 1.004 artigos (95,81%) discutem outros temas ligados à história e/ou à historiografia. Quando a produção é específica da área de educação, o quadro é o seguinte: dos 3.248 artigos produzidos entre 1944-1992, apenas 11 (0,33%) são relativos ao Ensino de História e 3.237 (99,67%) abordam outros temas17.

Dados mais atuais sinalizam que a temática ainda é pouco discutida no ambiente acadêmico, reforçando pesquisas anteriores. Ao considerarmos período análogo ao da nossa amostragem referente aos Encontros Estaduais (2002 - 2014), realizamos levantamento considerando o número de Simpósios Temáticos (ST) atinentes ao Ensino de História nos Encontros Nacionais, frente ao total ofertado no recorte de 2003 - 2015. Verificamos os seguintes dados, no ano de 2003 dos 80 ST 03 (3,8%) tratavam da temática; quadro que não se modifica substancialmente quando comparado ao ano de 2005 para um total de 83 ST 06 (7,2%) se dedicaram à discussão; em 2007 dos 76 ST 06 (7,9%) tratavam do tema; assim, tivemos em 2009 dos 85 ST realizados, dos quais somente 05 (5,9%) se propuseram a discutir as temáticas relativas ao Ensino de História; similar a esses dados tivemos em 2011 um total de 130 ST, dos quais 07 (5,4%) sobre o Ensino de História; em 2013 foram 141 ST e 09 (6,4%) que abordaram a discussão; no ano de 2015 dos 119 ST o número de 06 (5,04%) apresentaram o tema central Ensino de História.

Estes dados revelam que a escassez de trabalhos sobre o Ensino de História é um dado relevante e que, mesmo na área específica de História, a produção acerca do tema ainda é restrita; na área de Educação, os limites são da mesma ordem. A responsabilidade pelas pesquisas, no campo do Ensino de História, deve ser duplamente assumida por professores da educação básica e das instituições superiores de ensino. Os relatos de experiência, mais comumente elaborados por professores da educação básica, representam rica fonte de produção intelectual dentro do campo. Esses relatos, ora aprofundados a partir da discussão bibliográfica específica, outrora como registro etnográfico da própria prática, se constituem exercícios relevantes de autorreflexão formativa.

Vale mencionar as considerações da Margarida Maria Dias de Oliveira (2009) em seu texto A construção de referenciais para o ensino de história: limites e avanços, quando afirma o seguinte:

Nosso objetivo é redimensionar o debate ausente/proposto, isto é: o ensino de história debatido pelos historiadores, considerando que, assim como disse a Professora Emilia Viotti da Costa, ligado à relação sociedade/escola, que deve dirigir o trabalho do professor, deve estar o caráter intrinsecamente educativo da História18.

Ainda que tenhamos aqui destacado aspectos do Ensino de história no contexto nacional, este não se constituiu a base da nossa análise. O que pode demonstrar uma limitação. Porém se faz necessário explicar que teria sido pertinente abordar a analise levando em consideração também o contexto nacional, o que, todavia, não foi possivel devido a termos escolhido o universo regional, que é evidentemente uma amostra demasiado reduzida em relação a dimensão dos simpósios de História no Brasil. Se tal fosse o objetivo, o trabalho teria de ser desenhado com outros contornos.

Retomando essas questões, consideramo-las, ainda hoje, provocativas e estimulantes para a produção de alternativas para a instituição de outras práticas no contexto das organizações dos eventos da Anpuh, quer sejam no âmbito regional, ou nacional. A ampliação dos indicadores acerca do Ensino de História coloca-se como desafio para as gestões dos encontros vindouros, mesmo que estes tenham uma marca dos Historiadores. Sua consecução implicará o enfrentamento dessa discussão, não apenas como oferta em ST ou GT, mas, sobretudo, em relação a importância que poderá congregar no seio dos encontros. Não há possibilidade de adiamento do debate, a pauta é urgente e exige de todos nós o enfrentamento, sobretudo político. É irreversível a dissociabilidade dos campos ensino e pesquisa, no caso da produção do conhecimento histórico.

Ainda com referência a estes aspectos, nos parece bastante esclarecedor e significativo o posicionamento do Grupo de Trabalho Ensino de História e Educação.

Pretendemos, no entanto, discutir, a partir dos processos formativos de professores e pesquisadores na área de ensino de História, quais são, efetivamente, os campos possíveis de atuação desses profissionais. Acreditamos que essa discussão é fundamental, porque estamos tratando de interesses e investimentos públicos em áreas estratégicas: o ensino superior, a educação básica e a formação de novos quadros para atuação em todos os níveis do magistério. Ao focalizarmos os debates realizados em torno dos projetos político pedagógicos dos cursos de graduação e as propostas curriculares para a educação básica desde a década de 1980, verificamos significativos avanços com a ampliação dos diálogos entre as áreas do conhecimento e tendências consolidadas de estudos com abordagens interdisciplinares. Temos visto, também, a consolidação da área de ensino de História como campo de pesquisa, rompendo as dicotomias tradicionais da área de ensino e da produção do conhecimento histórico, do bacharelado e da licenciatura, da pesquisa e da formação de professores. Diante desse quadro, que se configura como uma convergência salutar entre a História e o ensino da História, é que manifestamos nosso estranhamento diante das recorrentes resistências de determinados espaços, que parecem insistir numa ação de divisionismo, que revela um não reconhecimento do campo da pesquisa e da produção de trabalhos acadêmicos na área do ensino de História19.

Ao discutirmos sobre a pouca inserção do ensino de História nos encontros regionais, queremos tornar visível um panorama deste cenário, pois o que até então se prioriza é apenas o conhecimento histórico. Quiçá seja o momento de pensarmos que, para além do conhecimento da ciência de referência, é mais que necessário saber como se conhece e como se ensina. Em sendo assim, o Ensino de História é um campo de conhecimento que extrapola o saber histórico. A esse respeito, Sônia Regina Miranda (2007), em sua importante consideração, destaca:

[...] o saber histórico escolar envereda por um campo epistemológico bem mais complexo, no qual entrecruzam culturas, sujeitos, instituições, tradições, relações, poderes, saberes, aprendizagens, fracassos e sucessos. Toda essa trama envolve, na dimensão empírica, indivíduos concretos, reais e contemporâneos e o campo de investigação extrapola o stricto sensu20.

Isso posto, é importante trazer algumas análises referentes à tabulação geral dos dados. Foi possível notar que muitas das submissões apresentaram mais de uma temática como preocupações centrais das pesquisas. Deste modo, verificamos o crescimento do campo a partir de três dimensões a) aumento do número de Simpósios sobre a temática do Ensino de História (Ver Tabela 02); b) crescente número de trabalhos submetidos (Ver Tabela 03); c) variedade de propostas e interlocução com outros temas.

Tabela 2 Distribuição dos simpósios temáticos por temas abordados 

Percebe-se que a quantidade dos simpósios ao longo dos sete encontros não tem grande variação, representando percentagens entre 2% e 12% do total analisado para o conjunto de simpósios regionais, o que atesta a baixa inserção dos ST do Ensino de História; outrossim, é significativo que apenas no VII encontro é que tenhamos uma pequena parcela de 12% de discussões acerca do Ensino de História. No total, o universo é ainda mais contundente, isto é, em 14 anos de encontro, o Ensino de História representou apenas 5% dos trabalhos apresentados (Conforme tabela 02). Vale ressaltar, todavia, com respeito ao aumento do número de Simpósios sobre a temática do Ensino de História, só foi perceptível a ampliação da oferta de ST a partir do VII Encontro, os anos anteriores, como já posto, tiveram uma única proposta de simpósio submetida/aceita (vide tabela 02).

Com relação aos trabalhos apresentados, em comparação aos trabalhos sobre Ensino de História (Vide tabela 03), os números são ainda mais expressivos para o mesmo período considerado: dos 1643 (94%) trabalhos apresentados apenas 106 (6%) foram sobre a temática (com percentuais variando de 2% a 6% e 98% e 94%). Apesar desta discrepância, nos sete encontros vamos encontrar uma situação surpreendentemente ascendente; ou seja, se no primeiro encontro, no ano de 2002, tivemos apenas um (01) trabalho apresentado para um total de 47 comunicações; no ano de 2014, tivemos 41 trabalhos de um total de 440 comunicações apresentadas. Embora ascendente, isto demonstra que a situação das apresentações sobre Ensino de História ainda é diminuta com um número reduzido no contexto dos encontros da Anpuh regional Bahia.

Sobre a Tabela 03, cabe observar que o número de trabalhos submetidos com a temática do Ensino de História foi crescente temporalmente, e também proporcionalmente em comparativo ao número total de trabalhos inscritos. No ano de 2010, foram submetidos mais trabalhos do que no ano de 2014. Isto se explica pelo fato de o V Encontro ter sido realizado na Universidade Católica de Salvador, na capital baiana, atraindo um número maior de pessoas, enquanto o VII Encontro foi realizado na cidade de Cachoeira, interior baiano, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Tabela 3 Trabalhos apresentados X trabalhos de Ensino de História 

Chama a atenção, o fato de, neste último, o número de trabalhos sobre Ensino de História ter sido maior, mesmo tendo um número menor de inscritos em relação ao V Encontro, o que revela um aumento do interesse pelo tema nos últimos anos, visto que houve um salto de 17 trabalhos em 2010 para 41 em 2014. Porém, as comunicações sobre Ensino de História no ano de 2014 corresponderam a menos de 10% do total. Ainda assim o VII Encontro registrou o maior número de trabalhos inscritos sobre o campo do Ensino de História, embora ainda seja um número pouco expressivo.

Em igual medida, foi visível o crescimento das temáticas abordadas por esses trabalhos. Ao longo das sete edições da Anpuh-BA, ampliamos a abordagem de 01 tema de pesquisa no primeiro Encontro em 2012, para 13 temas na última edição. Incluímos nessa análise os trabalhos que apresentaram mais de um tema, a exemplo de textos que abordaram ao mesmo tempo sobre o Ensino de História Indígena e Livros Didáticos.

Outras variantes foram notadas. As edições do Encontro nos apresentaram trabalhos com os seguintes temas: Formação docente/ Egressos (17); Currículo (4); Saberes, práticas e metodologias (13); Consciência histórica / Didática da História (2); Livro didático (12); Linguagens diversas (11); Novas tecnologias (3); História local (8); História e cultura afro-brasileira (13); Gênero (1); História indígena (9); Aprendizagem em História (4); Séries iniciais (5); PIBID (2); Ensino de História no campo (1); Meio Ambiente (1); História e Educação (1); Representações docentes (2); Produção científica na Bahia (1); Inclusão (1); Outros (1).

Observamos que a diversificação de temas cresce consideravelmente ao longo do tempo. Entretanto, alguns apresentam número maior de trabalhos, a exemplo dos temas «formação docente», «História e cultura afro-brasileira», «livro didático», «saberes, práticas e metodologias» e «linguagens diversas». Tais temas somam mais de dez trabalhos cada, no total das sete edições do evento. Acreditamos que tais números expressam as demandas educacionais, identitárias e políticas que permeiam o Ensino de História no mundo contemporâneo.

Ainda neste contexto, novos temas despontam como «História indígena», «História local», «Ensino de História nas Séries Iniciais», «Currículo», bem como relatos de experiência no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Temas como «gênero», «inclusão», «meio ambiente» e «Ensino de História no campo», tiveram apenas um trabalho cada, refletindo as lacunas da formação, dada a menor expressividade dessas temáticas no currículo dos cursos de licenciatura em História.

Além dos temas elencados acima, outro aspecto cabe ser mencionado: alguns trabalhos sobre Ensino de História foram encontrados em ST que não propunham diretamente essa temática. Por exemplo, um trabalho sobre Ensino de História na Ditadura Militar poderia ser apresentado em Simpósio sobre Ditadura Militar. Entretanto, o que fica visível é que a maioria dos ST não pautam o Ensino de História.

Em alguns, a temática aparece de forma secundária, reproduzindo o que ocorre nos cursos de Graduação e Pós-Graduação nos quais desconsidera-se o Ensino de História como espaço/tempo de produção do conhecimento e este como campo da formação docente. Ainda permanece a tradicional dicotomia ensino-pesquisa. Assim, quem reivindica a abertura de espaços para a construção do diálogo entre universidades e escolas, ensino e pesquisa, no interior das instituições baianas e dos encontros estaduais são os professores das disciplinas de prática de ensino.

4. Considerações finais

No enfoque conceitual que adotamos, os dados nos apresentam um cenário em que os números de trabalhos não conseguem dar conta do debate acerca do Ensino de História. Em realidade, o diagnóstico termina por ser o espelho da velha dicotomia Ensino de História versus Pesquisa e Historiografia, ou Licenciatura versus Bacharelado; portanto, reflexo de um cenário, não apenas regional, que se afirma e reafirma a cada encontro.

Devemos, ao invés de polêmicas ou da histórica divisão entre as duas áreas de formação, lutar pela avanço e qualidade do Ensino de História em todos os níveis de ensino, defendendo a especificidade epistemológica e política da área de História, notadamente quando deixa de ser obrigatória e passa a ser optativa22.

Nas diferentes instâncias em que pesquisadores e professores, que se dedicam ao Ensino de História, tem mantido intenso diálogo entre História e Ensino, de forma inseparável, reafirmando constantemente a convergência entre ambas, entendemos que as duas áreas possuem objetos de conhecimento distintos, mas indissociáveis em sua efetivação como ensino escolar. Pesquisadores como Luis Fernando Cerri, Ana Maria Monteiro, Marieta de Moraes Ferreira, Marcos A. Silva, Caroline Pacievitch, Flávia Heloisa Caimi, Helenice Rocha, Maria Lima de diferentes regiões do Brasil têm evidenciado que a ciência de referência não pode ser ensinada nas escolas, na forma como é produzida, pois não conseguiria ser compreendida na sua complexidade. Para que a História possa ser ensinada, necessita, portanto, da mediação pedagógica.

Nesse sentido, nossos questionamentos sobre o campo, antes de induzir o leitor a naturalizar essas fronteiras entre os saberes acadêmicos e escolares, ocorrem no sentido de colocar em suspeição os conhecimentos historiograicamente produzidos alheios a sua dimensão ensinável. A propósito, ainda que reconheçamos as diferenças substanciais entre estes saberes, estamos falando de saberes historicamente acumulados e ensináveis por natureza. Então, talvez, para as novas pesquisas, devêssemos elaborar outras problemáticas e, antes de nos questionarmos a respeito do que se pesquisa e o quanto que se pesquisa sobre Ensino de História na Bahia, fosse o caso de investigarmos quais pesquisas em História apresentam preocupação mínima com o ensinar.

Importante notar que mesmo com a pouca expressividade de temas ligados ao Ensino de História, percebemos que novos e importantes temas despontam, a saber: história indígena, PIBID, séries iniciais, entre outros, conforme levantamento realizado. Em Educação, no caso específico do Ensino de História, torna-se imprescindível que os professores estejam atentos ao que ocorre no mundo. E tais temas fazem parte do cotidiano escolar, e, como tal, necessitam ser incorporados ao fazer docente. Nesse contexto, vivemos tempos em que variadas ocorrências influenciam as ações nos espaços pedagógicos. O mundo exige cada vez mais a formação de sujeitos com domínio de percepções múltiplas. E esta formação deve ser a mais abrangente possível, para além, do que alcançam os currículos postos nos espaços de formação inicial.

Entendemos que para se trabalhar com esses novos temas em História -e outros temas que, por ventura, surjam-não precisamos provocar necessariamente uma revolução nos currículos. O que propomos, mais que uma reforma curricular radical é que, ao menos, destinemos um espaço de tempo para as reflexões sobre o assunto. O espaço e formato para esse exercício pode ser o tempo das atividades complementares, o relato de experiência, ou um memorial dos fazeres pedagógicos.

A pesquisa e o ensino não são atividades excludentes, tampouco exclusivas a um ou outro espaço formativo. Seja na Educação Básica, ou na Superior, a função docente deve sustentar-se com base no princípio da autorreflexão do fazer-se professor. E, embora possa soar cansativa essa nossa assertiva, nunca é demais lembrar a nós mesmos que nem toda obviedade é posta em prática. Os caminhos da docência perpassam pela pesquisa e, no entanto, essa não alcança, na maioria das vezes, a visibilidade que deveria.

Cabe a nós expor aqui, mais uma vez, outra lembrança, que a Anpuh é uma associação docente e, como tal, deve posicionar-se e assegurar lugar para os profissionais que assim se reconhecem. Outrossim, é importante ressaltar o papel que esta vem desempenhando na seção regional da Bahia, sobretudo a tentativa de fortalecer as pesquisas na área de ensino por meio da retomada dos Encontros de Ensino de História nos últimos anos.

No que diz respeito aos Encontros Estaduais, foi possível perceber que, apesar do número de trabalhos sobre a temática ser reduzido, ao longo dos anos houve um crescimento significativo de estudos e pesquisas no campo do Ensino, o que demonstra um movimento na Bahia que se coloca em sintonia com as demandas e debates no âmbito nacional. A discussão sobre Ensino de História no XXIX Simpósio Nacional de História da ANPUH teve um significativo número de ST que abordou a temática, alcançando 8,3% dos ST totais, representando maior porcentagem entre os anos de 2001 e 2017.

Há ainda muito por se fazer, o que requer de nós, proissionais da História, assumirmos a docência como lugar de pesquisa e formação, sobretudo nesses tempos de ameaças à História e aos seus profissionais. Fortalecer a pesquisa na área é, portanto, uma ferramenta política de enfrentamento, de luta pela permanência da História como disciplina escolar e acadêmica.

Referências

Aragão, Teresa Cristina Álvares de. «O Ensino de História numa Sociedade de classes: análise comparativa entre as escolas públicas e particulares» Tese de Mestrado, Universidade Federal da Bahia 1979. [ Links ]

Ciampi, Helenice. «Ensinar História no Século XXI: dilemas curriculares», Mesa redonda, XX Encontro Regional da Anpuh SP, Franca, Unesp - Universidade Estadual Paulista, 2010. [ Links ]

Costa, Aryana Lima e Margarida Maria Dias de Oliveira. «O Ensino de História como objeto de pesquisa no Brasil: no aniversário de 50 anos de uma área de pesquisa, notícias do que virá». SAECULUM - Revista de História. n° 16 (2007). [ Links ]

Ferreira, Carlos Augusto Lima, Ednalva Padre Aguiar e Aguiar, Isa Beatriz da Cruz Neves, Maris Antonieta de Campos Tourinho e Tatiana Polliana Pinto de Lima «Ensino de história nas instituições de ensino superior baianas: um relato». Revista História Hoje. 5 n°14. 2011. [ Links ]

Lopes, Eliane Marta Teixeira e Ana Maria a de OliveirGalvão. História da educação: o que você precisa saber sobre. Rio de Janeiro: DPA, (2001). [ Links ]

Marques, Maria Inês Corrêa. «A Formação do Professor de História: implicações e compromissos». Tese de Mestrado, Universidade Federal da Bahia, 1992. [ Links ]

Matta, Alfredo Eurico Rodrigues. «Procedimento de Autoria Hipermídia em Rede de Computadores, um Ambiente Mediador para Ensino/ Aprendizagem da História». Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia, 2001. [ Links ]

Miranda, Sônia Regina. Sob o signo da memória: cultura escolar, saberes docentes e História ensinada. São Paulo: Editora Unesp, 2007. [ Links ]

Nunes, Silma do Carmo. Concepções de Mundo no Ensino de História. São Paulo: Papirus, 1996. [ Links ]

Oliveira, Margarida Maria Dias de. A Construção de Referenciais para o Ensino de História: limites e avanços. História Revista, Goiânia, 14, n° 1 (2009). DOI: https://doi.org/10.5216/hr.v14i1.8175.Links ]

Schimidt, Maria Auxiliadora. «A formação do professor de História e o cotidiano da sala de aula» In: O Saber Histórico na Sala de Aula. Coordenado por Circe Bittencourt, (org.) São Paulo: Contexto, 1997. [ Links ]

Silva, Marcos A. da. História: o prazer em ensino e pesquisa. São Paulo: Brasiliense, 2003. [ Links ]

Souza, Maria Elizabete Couto. «Kit's na Escola - a televisão e o vídeo na sala de aula». Dissertação de Mestrado, Universidade Federal da Bahia,1999. [ Links ]

Tourinho, Antonieta. «O Ensino de História: inventos e contratempos». Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia, 2004. [ Links ]

Anpuh Bahia «Associação Nacional de História». Acesso em 20 de outubro 2017. http://www.encontro2014.bahia.anpuh.org/conteudo/view?ID_CONTEUDO=1271 . [ Links ]

Anpuh Brasil «Associação Nacional de História». Acesso em 14 de junho 2018. https://anpuh.org.br/index.php/grupos-de-trabalho/atividades/item/297-gt-de-ensino-de-historia-e-educacao . [ Links ]

Ausência de história e geografia no novo ensino médio gera apreensão, «Jornal O Globo». Acesso em 08 de março de 2018, Acesso em 08 de março de 2018, https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/ausencia-de-historia-geografia-no-novo-ensino-medio-gera-apreensao-21027999 . [ Links ]

Beard, Mary. «Conferencia, Premio Príncipe de Asturias de las Ciencias Sociales». Conferência apresentada em Oviedo, Março de 2016. Acesso em 20 de novembro 2017, Acesso em 20 de novembro 2017, http://www.rtve.es/contenidos/princesadeasturias/beard.pdf . [ Links ]

* O Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de História (GEPENH) credenciado no diretório de pesquisa do CNPq, tem por finalidade discutir temas pertinentes ao Ensino de História e Formação de Professores, suas duas linhas de Pesquisas. Procuramos discutir e refletir sobre a dinâmica social e a sua relação direta com o processo de formação e atuação profissional do professor, buscando compreender o ensino de História no contexto dos acontecimentos vendo no seu ensino um papel relevante na superação da exclusão social, na construção da cidadania e na emancipação política dos sujeitos históricos.

1 O Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino de História (GEPENH) credenciado no diretório de pesquisa do CNPq, tem por finalidade discutir temas pertinentes ao Ensino de História e Formação de Professores, suas duas linhas de Pesquisas. Procuramos discutir e refletir sobre a dinâmica social e a sua relação direta com o processo de formação e atuação profissional do professor, buscando compreender o ensino de História no contexto dos acontecimentos vendo no seu ensino um papel relevante na superação da exclusão social, na construção da cidadania e na emancipação política dos sujeitos históricos.

2Eliane Martha Teixeira Lopes e Ana Maria de Oliveira Galvão. História da educação: o que você precisa saber sobre (Rio de Janeiro: DPA, 2001), 40.

3Ferreira, Carlos Augusto Lima. et alii, «Ensino de história nas instituições de ensino superior baianas: um relato», Revista História Hoje, 5 n°14. (2011): 5-17.

4O grupo vai transformar essa experiência inicial num projeto de pesquisa mais vultoso, com colaboração de colegas das diversas instituições universitárias da Bahia, e a participação de estudantes bolsistas, para darmos conta da constituição de um banco de dados sobre esses textos, bem como assegurarmos uma análise qualitativa a partir de amostragem das produções.

5Os dados apresentados referem-se à avaliação do primeiro ao sétimo Encontro Estadual de História. O VIII Encontro que ocorreu em novembro de 2016 ainda não teve os anais publicados, por isso não foi objeto de nossa análise.

6Sede do curso de História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

7Associação Nacional de História, Anpuh Bahia, Acesso em 20 de outubro 2017, http://www.encontro2014.bahia.anpuh.org/coteudo/view?ID CONTEUDO=1271.

8O VIII Encontro realizou-se em novembro de 2016, até o momento da escrita deste artigo os anais não estavam disponíveis. Nesse sentido, não se constitui objeto da nossa reflexão.

9Conjunto de projetos de Lei, em tramitação no Congresso Nacional, elaborados por partidos aliados à «bancada evangélica» e grupos conservadoras, que se caracterizam, dentre outras coisas, pela defesa de uma lei «Contra o abuso da liberdade de ensinar» e outra que «Tipifica o crime de Assédio Ideológico e dá outras providências». São contrários à autonomia docente, mas desconsideram princípios básicos postos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei n° 9.394, como o direito de aprender. Apregoam ser contrários a todo e qualquer tipo de ensino que dialogue com categorias de gênero, que versem sobre sexualidade, ou que abordem a diversidade sociocultural em sala de aula, principalmente quando estas discussões se relacionam com as matrizes africanas.

10Única Universidade baiana, naquele momento, com programas de Pós-graduação em História.

11Maria Elizabete Souza Couto, «Kit's na Escola - a televisão e o vídeo na sala de aula» (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal da Bahia,1999), 168; Teresa Cristina Alvares de Aragão, «O Ensino de História numa Sociedade de classes: análise comparativa entre as escolas públicas e particulares» (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal da Bahia, 1979), 130; Maria Inês Corrêa Marques, «A Formação do Professor de História: implicações e compromissos» (Tese de Mestrado, Universidade Federal da Bahia, 1992), 150; Antonieta Tourinho, «O Ensino de História: inventos e contratempos» (Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia, 2004), 319; Alfredo Eurico Rodrigues Matta, «Procedimento de Autoria Hipermídia em Rede de Computadores, um Ambiente Mediador para Ensino/ Aprendizagem da História» (Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia, 2001), 233.

12Aryana Lima Costa e; Margarida Dias de Oliveira, «O Ensino de História como objeto de pesquisa no Brasil: no aniversário de 50 anos de uma área de pesquisa, notícias do que virá», SAECULUM- Revista de História, n° 16 (2007): 147.

13Maria Auxiliadora Schimidt, «A formação do professor de História e o cotidiano da sala de aula», O Saber Histórico na Sala de Aula, Coord. Circe Bittencourt (São Paulo: Contexto, 1997), 115.

14Mary Beard, «Discurso de aceptación» (Conferencia, Premio Príncesa de Asturias de las Ciencias Sociales. Fundación Princesa de Asturias, Oviedo, octubre 2016).

15Helenice Ciampi, «Ensinar História no Século XXI: dilemas curriculares» (Mesa redonda, XX Encontro Regional da Anpuh SP, Franca, Unesp - Universidade Estadual Paulista, 2010). 01.

16 Marcos A. da Silva, História: o prazer em ensino e pesquisa (São Paulo: Brasiliense, 2003), 83.

17Silma do Carmo Nunes, Concepções de Mundo no Ensino de História (São Paulo: Papirus, 1996), 17-20.

18Margarida Maria Dias de Oliveira, «A Construção de Referenciais para o Ensino de História: limites e avanços», História Revista, Goiânia, 14, n° 1, (2009): 193-202. DOI: https://doi.org/10.5216/hr.v14i1.8175.

19«Associação Nacional de História», Anpuh Brasil, acesso em 14 de junho 2018. https://anpuh.org.br/index.php/grupos-de-trabalho/atividades/item/297-gt-de-ensino-de-historia-e-educacao.

20Sônia Regina Miranda, Sob o signo da memória: cultura escolar, saberes docentes e História ensinada (São Paulo: Editora Unesp, 2007), 38.

21É necessário explicar que os encontros se deram apenas e tão somente no Estado da Bahia que tem uma área geográica correspondente a 564 733,177 km². Além disso, buscou-se, desde o início, contemplar as cidades que têm unidades universitárias e cursos de História, pois assim se assegura que os encontros aconteçam em todo o território baiano e, não apenas, na cidade de Salvador, capital do estado. O que possibilita a democratização de acesso a todos estudantes e professores das diversas regiões.

22A lei da reforma do ensino médio, sancionada no dia 16/02/2017, pelo governo Michel Temer, traz entre outros a não obrigatoriedade das disciplinas história e geografia o que tem gerado fortes críticas entre profissionais da área. A ausência chegou a ser classificada pelo historiador Ronaldo Vainfas, em artigo publicado no jornal O GLOBO, como uma «aberração». Ao protesto de Vainfas, soma-se uma carta aberta publicada pela Associação Nacional de História (Anpuh), em que a entidade cobra a «clara definição da história como componente curricular obrigatório no ensino médio». Edição digital, Março 2018. Em «Jornal O Globo» Ausência de história e geografia no novo ensino médio gera apreensão, acesso em 08 de março de 2018, https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/ausencia-de-historia-geografia-no-novo-ensino-medio-gera-apreensao-21027999.

Citar este artículo: Lima Ferreira, Carlos., Adriana Silva Teles., Dulcinea Cerqueira., y Edicarla Dos Santos Marques. A pesquisa sobre o ensino de história nos encontros estaduais de história da ANPUH-BA: Impressões Iniciais. Historia Y MEMORIA, n° 17 (2018): 285-314n17.2018.7425. DOI: https://doi.org/10.19053/20275137.n17.2018.7425.

Received: October 27, 2017; Revised: March 10, 2018; Accepted: May 22, 2018

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons