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<article-id pub-id-type="doi">10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Deficiência Intelectual, Gênero e Sexualidade: algumas notas etnográficas em uma APAE do interior do Estado de São Paulo-Brasil]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Instituto de Filosofia e Ciências Humanas ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to analyze the concept of disability and the implication on how to apprehend the sexuality of students in an Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) of a city in the state of SP-BR. For APAE's teachers, intellectual disability is a synonym of lack and handicap. Therefore, the student's sexuality is conceived as uncontrolled and dangerous. For Association's students, disability is one of multiple configurations of human existence. Thus, sexuality is understood as a way to ease their disabled condition. Therefore, I privileged the analysis of how both notions are regulated and how they lead to limit sexual regulations stressing on their reshaping (of the regulations).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sexualidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p>DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122" target="_blank">http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122</a></p>      <p>OPINIONES, DEBATES Y CONTROVERSIAS</p>      <p align="center"><font size="4"><b>Defici&ecirc;ncia Intelectual, G&ecirc;nero e Sexualidade: algumas notas etnogr&aacute;ficas em uma APAE do interior do Estado de S&atilde;o Paulo-Brasil</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b><I>Intellectual Disability, Gender and Sexuality: some ethnographic notes on a APAE in the state of S&atilde;o Paulo-Brazil</I></b></font></p>     <p align="center">Julian Sim&otilde;es<Sup>1</Sup></p>      <p><Sup>1</Sup> Universidade Estadual de Campinas - Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas - S&atilde;o Paulo - Brasil.</p>     <p>Correspondencia: Julian Sim&otilde;es, Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, UNICAMP, CEP 13083-896, Campinas. Telefone: +55 15 997143763. S&atilde;o Paulo. Brasil. Correio eletr&ocirc;nico: <a href="mailto:julian_sociais@yahoo.com.br">julian_sociais@yahoo.com.br</a>.</p>     <p align="center">Recibido: 13/04/2015 Aceptado: 08/05/2015 </p> <hr>      <p><b>Resumo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo tem como objetivo analisar a concep&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia e a implica&ccedil;&atilde;o dessa concep&ccedil;&atilde;o em como se percebe a sexualidade dos alunos matriculados em uma Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de uma cidade do interior do Estado de SP-BR. Para os professores da APAE, defici&ecirc;ncia intelectual &eacute; sin&ocirc;nimo de falta e desvantagem. Assim sendo, a sexualidade dos alunos &eacute; concebida como descontrolada e por isso perigosa. Para os alunos da Associa&ccedil;&atilde;o, defici&ecirc;ncia &eacute; uma das m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es do existir humano. Dessa forma, a sexualidade &eacute; compreendida como uma maneira de amenizar sua condi&ccedil;&atilde;o de pessoa com defici&ecirc;ncia. Portanto, privilegio analisar como ambas as no&ccedil;&otilde;es se regulam e como essas levam ao limite as normatividades sexuais que tensionadas se reconfiguram.</p>      <p><B>Palavras-Chave:</B> Defici&ecirc;ncia Intelectual; G&ecirc;nero; Sexualidade (DeCS).</p> <hr>      <p><B>Sim&otilde;es J. </B>Defici&ecirc;ncia Intelectual, G&ecirc;nero e Sexualidade: algumas notas etnogr&aacute;ficas em uma APAE do interior do Estado de S&atilde;o Paulo-Brasil. Rev. Fac. Med. 2015;63:S143-8. Portuguese. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122" target="_blank">http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122</a>.</p> <hr>      <p><b>Summary</b></p>      <p>This article aims to analyze the concept of disability and the implication on how to apprehend the sexuality of students in an Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) of a city in the state of SP&ndash;BR. For APAE's teachers, intellectual disability is a synonym of lack and handicap. Therefore, the student's sexuality is conceived as uncontrolled and dangerous. For Association's students, disability is one of multiple configurations of human existence. Thus, sexuality is understood as a way to ease their disabled condition. Therefore, I privileged the analysis of how both notions are regulated and how they lead to limit sexual regulations stressing on their reshaping (of the regulations).</p>      <p><B>Keywords: </B>Intellectual Disability; Gender; Sexuality (MeSH).</p> <hr>      <p><B>Sim&otilde;es J. </B>&#91;Intellectual Disability, Gender and Sexuality: some ethnographic notes on a APAE in the state of S&atilde;o Paulo-Brazil&#93;. Rev. Fac. Med. 2015;63:S143-8. Portuguese. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122" target="_blank">http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v63n3sup.50122</a>.</p> <hr>      <p><B><font size="3">Considera&ccedil;&otilde;es Iniciais</font></b></p>     <p><b>Nota Informativa</b></p>      <p>O equivalente em portugu&ecirc;s ao conceito <I>disability</I> em ingl&ecirc;s e ao conceito <I>discapacidad</I> em espanhol &eacute; defici&ecirc;ncia (1-2). Dessa maneira, &eacute; importante destacar que a perspectiva adotada toma defici&ecirc;ncia como um constructo sociocultural, pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico, &eacute;tico e moral. Ponto de vista esse sustentado pela perspectiva do que ficou conhecido como o modelo social da defici&ecirc;ncia (3-4).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Sobre os m&eacute;todos de pesquisa </b></p>      <p>Um dos objetivos da pesquisa antropol&oacute;gica &eacute; apreender e refletir como culturas, sociedades e grupos sociais representam, organizam e classificam suas experi&ecirc;ncias. Nesse sentido, segundo Gilberto Velho (5), a tarefa &eacute; captar esses constructos socioculturais a fim de explicitar os elementos constituintes das pr&aacute;ticas sociais analisadas. Para elaborar uma an&aacute;lise adensada sobre o fen&ocirc;meno social observado, Cardoso de Oliveira (6) afirma ser fundante a composi&ccedil;&atilde;o de um trabalho etnogr&aacute;fico edificado na constru&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica do olhar, ouvir, e escrever. Dessa maneira, seguindo as indica&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas de autores cl&aacute;ssicos da Antropologia Social (7-8), realizei uma pesquisa etnogr&aacute;fica durante o primeiro semestre de 2012 em uma Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de uma cidade do interior do Estado de S&atilde;o Paulo&ndash;BR. A investiga&ccedil;&atilde;o adotou a observa&ccedil;&atilde;o participante como metodologia (8).</p>      <p>A APAE &eacute; a maior institui&ccedil;&atilde;o do Brasil especializada no atendimento de pessoas com Defici&ecirc;ncia Intelectual e/ou M&uacute;ltipla. Segundo a FENAPAE (9), a hist&oacute;ria da associa&ccedil;&atilde;o de pais e amigos come&ccedil;a no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1954 quando &eacute; fundada a primeira das in&uacute;meras filiais. Atualmente est&aacute; presente em mais de dois mil munic&iacute;pios do territ&oacute;rio brasileiro e atende a mais de 250.000 pessoas com defici&ecirc;ncia. A Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vila de Santa Rita (todos os nomes foram alterados para preservar a identidade dos interlocutores da pesquisa) foi fundada em 1999 e atende 42 pessoas.</p>      <p>Durante os meses em que realizei a pesquisa, acompanhei as atividades desenvolvidas na sala de aula composta por nove alunos (quatro homens e cinco mulheres) com idade entre 17 e 54 anos de idade. Acompanhei tamb&eacute;m os atendimentos oferecidos pela psic&oacute;loga, pela fonoaudi&oacute;loga e pela terapeuta ocupacional. Vale indicar que era responsabilidade da psic&oacute;loga realizar os encontros coletivos de Educa&ccedil;&atilde;o Sexual. Foram realizados quatro encontros e participavam apenas as alunas e alunos autorizados pelos pais e/ou respons&aacute;veis. Ainda realizei um levantamento documental e uma an&aacute;lise cr&iacute;tica dos prontu&aacute;rios de atendimento dos alunos matriculados na Associa&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Problem&aacute;tica de Pesquisa </b></p>      <p>Pe&ccedil;o licen&ccedil;a ao leitor para transcrever duas cita&ccedil;&otilde;es. O procedimento pode parecer um tanto exagerado, todavia me parece bastante fecundo para iniciar esta breve apresenta&ccedil;&atilde;o da pesquisa que desenvolvi no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (10). A primeira cita&ccedil;&atilde;o &eacute;: "Um estatuto voltado a mais um grupo social, desta vez para as pessoas com defici&ecirc;ncia, est&aacute; em fase final de elabora&ccedil;&atilde;o no Congresso e deve provocar pol&ecirc;mica em v&aacute;rios setores caso todos os pontos previstos sejam mantidos. O documento prev&ecirc; altera&ccedil;&otilde;es tanto no C&oacute;digo Civil, dando direito a deficientes intelectuais a se casarem sem ter autoriza&ccedil;&atilde;o dos pais ou da Justi&ccedil;a, quanto na Lei de Cotas, com a inclus&atilde;o de pequenas e m&eacute;dias empresas na obriga&ccedil;&atilde;o de empregar pelo menos um deficiente" (11).</p>      <p>A segunda cita&ccedil;&atilde;o &eacute;: "Do namoro ao casamento de Arthur Dini Grassi Netto, 27, com Ilka Farrath Fornaziero, 35, passaram-se tr&ecirc;s anos. Um ano todo foi para que vencessem impedimentos legais. Como ambos t&ecirc;m s&iacute;ndrome de Down, o C&oacute;digo Civil os restringe, por conta pr&oacute;pria, de assinar o documento de casamento. Logo, tiveram de fazer, com apoio das fam&iacute;lias, uma maratona de consultas jur&iacute;dicas e enfrentar negativas de cart&oacute;rios. Agora, o Estatuto da Pessoa com Defici&ecirc;ncia explicita que deficientes intelectuais ou mentais v&atilde;o passar a ter o direito ao casamento, sem restri&ccedil;&otilde;es, inclusive aqueles interditados, sob curatela. Uma vez que houver manifesta&ccedil;&atilde;o do casal, em idade legal, pelo desejo de viverem juntos, n&atilde;o ser&aacute; mais preciso ordem da Justi&ccedil;a ou autoriza&ccedil;&atilde;o dos respons&aacute;veis para o ato. O documento prev&ecirc; ainda o direito a votar e ser votado, &agrave; sa&uacute;de sexual e &agrave; reprodutiva. Apenas restri&ccedil;&otilde;es sobre patrim&ocirc;nio foram mantidas" (12).</p>      <p>Pouco mais de um ano de finalizada a etnografia que realizei Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vila de Santa Rita, s&atilde;o publicadas em um jornal de grande circula&ccedil;&atilde;o nacional duas not&iacute;cias que envolviam pessoas com defici&ecirc;ncia. Temas como casamento, defici&ecirc;ncia, defici&ecirc;ncia intelectual e sexualidade s&atilde;o abordados pelos textos. Dessa maneira, o que antes esbo&ccedil;ava os interesses de pesquisas acad&ecirc;micas (2-3) passa, agora, a evidenciar a urg&ecirc;ncia em se debater quest&otilde;es sobre pol&iacute;ticas de gest&atilde;o de vidas.</p>      <p>Em outra oportunidade discuti sobre a constitui&ccedil;&atilde;o e disputa conceitual da no&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia (13). Para o momento, &eacute; suficiente perceber que o tenso debate (4-14) entre o que ficou conhecido por modelo m&eacute;dico da defici&ecirc;ncia e o que ficou conhecido por modelo social da defici&ecirc;ncia, explicita um emaranhado e complexo jogo de poder. Jogo esse que envolve, entre outros fatores, a disputa de saberes cient&iacute;ficos, sua efici&ecirc;ncia e sua aplicabilidade na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de garantia de direitos. De um lado tem-se a proposi&ccedil;&atilde;o do paradigma m&eacute;dico que percebe a defici&ecirc;ncia como a express&atilde;o de uma les&atilde;o, ou v&aacute;rias, que imp&otilde;e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; participa&ccedil;&atilde;o social de uma pessoa que a possua.</p>      <p>O suposto por de tr&aacute;s dessa formula&ccedil;&atilde;o assume a defici&ecirc;ncia exclusivamente como falta, seja ela falta de membros, de intelig&ecirc;ncia, de vis&atilde;o, de audi&ccedil;&atilde;o, ou uma associa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias faltas. A defici&ecirc;ncia, ent&atilde;o, &eacute; compreendida como um atributo biol&oacute;gico que vem a tona atrav&eacute;s de uma les&atilde;o corporal (motora, sensorial ou intelectual), ou qualquer anormalidade do corpo biol&oacute;gico impossibilitadora da participa&ccedil;&atilde;o deste indiv&iacute;duo na vida social. Em suma, a defici&ecirc;ncia &eacute; uma consequ&ecirc;ncia natural da les&atilde;o em um corpo. Nesse sentido, esse corpo &eacute; tratado como um todo lesionado em que a les&atilde;o corporal se tornava uma marca constitutiva primordial. Como resultado emergem procedimentos terap&ecirc;uticos e pr&aacute;ticas m&eacute;dicas que tem como centro de sua abordagem um corpo exclusivamente biol&oacute;gico sujeito a conserto.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do outro lado do debate tem-se a perspectiva do modelo social que se preocupava em distinguir e apontar quais aspectos sociais oprimem as pessoas com defici&ecirc;ncia. O prop&oacute;sito visa denunciar a estrutura social que transforma um corpo lesionado em um corpo desabilitado, desvantajoso, incapacitado, enfim, em um corpo deficiente. Longe de ignorarem a exist&ecirc;ncia da les&atilde;o materializada nos corpos, os te&oacute;ricos do modelo social operam uma invers&atilde;o na l&oacute;gica de causalidade desse processo materializador. Se para o modelo m&eacute;dico a defici&ecirc;ncia resulta da les&atilde;o, para o modelo social a defici&ecirc;ncia adv&eacute;m de arranjos sociais opressivos a todas as pessoas com algum tipo de les&atilde;o. "Para o modelo m&eacute;dico, les&atilde;o levava a defici&ecirc;ncia; para o modelo social, sistemas sociais opressivos levavam pessoas com les&otilde;es a experimentarem a defici&ecirc;ncia" (15).</p>      <p>Dessa disputa conceitual, aqui muito brevemente tratada, vale salientar o ineg&aacute;vel papel do modelo social da defici&ecirc;ncia na luta pelos avan&ccedil;os e conquistas de direitos civis, pol&iacute;ticos e mais recentemente sexuais e reprodutivos (16-17) para as pessoas com defici&ecirc;ncia. Haja vista todo o esfor&ccedil;o do campo da sa&uacute;de em construir um novo documento classificat&oacute;rio&ndash;Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de (18) &mdash;capaz de abarcar o corpo biol&oacute;gico, mas tamb&eacute;m os contextos sociais em que estes est&atilde;o inseridos&mdash;.</p>      <p>De qualquer maneira, essas conquistas n&atilde;o minimizam o fato de que refor&ccedil;ando o car&aacute;ter socialmente constru&iacute;do da defici&ecirc;ncia em contraposi&ccedil;&atilde;o ao corpo biol&oacute;gico lesionado, o modelo social acaba por refor&ccedil;ar a dicotomia entre natureza (les&atilde;o) e cultura (defici&ecirc;ncia). Influenciado pelo argumento de Butler (19) ao discutir g&ecirc;nero, minha investiga&ccedil;&atilde;o durante toda a pesquisa realizada no mestrado, deslocou-se do "como a defici&ecirc;ncia &eacute; constitu&iacute;da como uma interpreta&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o", para "atrav&eacute;s de quais normas regulat&oacute;rias &eacute; a pr&oacute;pria les&atilde;o materializada?" (19). Buscando explodir esse dualismo les&atilde;o/defici&ecirc;ncia sustentados nas disputas entre os modelos, minha abordagem seguiu algumas das normas regulat&oacute;rias do corpo atrav&eacute;s do entrela&ccedil;amento entre sexualidade, g&ecirc;nero e defici&ecirc;ncia intelectual.</p>      <p><B>Defici&ecirc;ncia intelectual, g&ecirc;nero e sexualidade na APAE de Vila de Santa Rita </b></p>      <p>Esclarecidos alguns pontos sobre o escopo anal&iacute;tico, posso apresentar, ainda que brevemente, alguns dos resultados da investiga&ccedil;&atilde;o. De in&iacute;cio, saltou aos olhos o fato de que a no&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia intelectual formulada pelos interlocutores da pesquisa implicava diretamente na concep&ccedil;&atilde;o de sexualidade que se acreditava ser a experimentada pelos alunos que frequentavam a APAE de Vila de Santa Rita. Ou seja, reconhecer ou n&atilde;o a sexualidade do aluno estava intimamente ligada ao modo como a defici&ecirc;ncia intelectual era apreendida. Por isso, meu esfor&ccedil;o investigativo foi perceber quais os discursos estavam sendo movimentados pelos diferentes agentes dessa rela&ccedil;&atilde;o que se formava na institui&ccedil;&atilde;o. Preocupei-me tamb&eacute;m em compreender como esses discursos materializavam pr&aacute;ticas regulat&oacute;rias na vida desses alunos. Por uma escolha did&aacute;tica, separei em dois eixos anal&iacute;ticos a investiga&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>O primeiro eixo analisou como os professores e profissionais compreendem a defici&ecirc;ncia e a sexualidade dos alunos. Pensada, sobretudo como falta, incapacidade e anormalidade, o aluno com defici&ecirc;ncia intelectual passa a ser visto como corpo an&ocirc;malo. Isso quer dizer que todas as esferas da vida dessas pessoas tamb&eacute;m s&atilde;o vistas como algo "anormal". Dessa maneira, qualquer tentativa de estabelecimento de di&aacute;logo, troca de experi&ecirc;ncias e principalmente a sexualidade desses alunos &eacute; vista como altamente desregulada. Por tal fato, os professores organizam e classificam a sexualidade dos alunos da Associa&ccedil;&atilde;o por um referencial constitutivamente anormal e por isso transbordante de um "poder perigoso" (20).</p>      <p>"Mais desenvolvidos intelectualmente" ou "menos desenvolvidos intelectualmente" s&atilde;o a base pelas quais as apreens&otilde;es diferenciadas da sexualidade dos alunos s&atilde;o constru&iacute;das. Se quanto "menos desenvolvidos intelectualmente", mais descontrolados ou desabilitados sexualmente s&atilde;o os alunos &mdash;as categorias de hipersexualizados e assexuados respectivamente&mdash;, quanto "mais desenvolvidos intelectualmente" mais a necessidade de reiterar a normatividade do socialmente hegem&ocirc;nico (21). H&aacute; ainda um grupo de alunos &mdash;os potencialmente mais sexualizados&mdash; que se localiza entre as extremidades das "puls&otilde;es sexuais" (22).</p>      <p>Isso n&atilde;o quer dizer que os "mais desenvolvidos intelectualmente" n&atilde;o sejam considerados como descontrolados sexualmente. Muito pelo contr&aacute;rio, por sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual n&atilde;o h&aacute; possibilidade de exist&ecirc;ncia fora do descontrole. O fato &eacute; que no &uacute;ltimo caso a capacidade intelectual, por assim dizer mais apurada, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o essencial de diferencia&ccedil;&atilde;o: ela indica, aos professores e profissionais da Associa&ccedil;&atilde;o, uma possibilidade de melhor compreens&atilde;o das normatividades sexuais que precisam ser reiteradas constantemente.</p>      <p>Nos encontros de educa&ccedil;&atilde;o sexual ficou bastante claro como operavam as normas regulat&oacute;rias sobre o sexo. Tentando elucidar o quadro de condutas poss&iacute;veis e permiss&iacute;veis, a psic&oacute;loga operava uma distin&ccedil;&atilde;o que colocava como fora da norma a "sexualidade deficiente" dos alunos. Contudo, durante esse processo de institui&ccedil;&atilde;o de normalidades e anormalidades sobre o sexo, os encontros de educa&ccedil;&atilde;o sexual tamb&eacute;m gestavam a "sexualidade n&atilde;o deficiente" dos professores e profissionais. Assim, fica bastante marcado que o "fora" e o "dentro" da norma sexual enunciado nos encontros e no dia a dia da associa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o discursiva. Como bem afirma Butler (19) esse "fora" &eacute; elemento fundante para construir um "dentro" da norma. Assim sendo, "dentro" e "fora", "normal" e "anormal", "deficiente" e "n&atilde;o deficiente" s&atilde;o elementos que s&oacute; se criam, se recriam e se transformam em rela&ccedil;&atilde;o aos seus opostos.</p>      <p>Isso me levou a pensar que nos encontros de educa&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o se dizia apenas sobre como regular as tais "sexualidades deficientes" dos alunos, mas tamb&eacute;m como se devia regular a "sexualidade n&atilde;o deficiente" da psic&oacute;loga, dos professores e dos demais profissionais da institui&ccedil;&atilde;o. Como bem afirma Foucault (23), as sexualidades perif&eacute;ricas, ou seja, a sexualidade das crian&ccedil;as, dos loucos, dos criminosos, acrescentaria aqui a das pessoas com defici&ecirc;ncia, s&atilde;o elementos constitutivos para se pensar a sexualidade das pessoas ditas normais. Diz ele "Todas estas figuras, outrora apenas entrevistas, t&ecirc;m agora de avan&ccedil;ar para tomar a palavra e fazer a dif&iacute;cil confiss&atilde;o daquilo que s&atilde;o. Sem d&uacute;vida n&atilde;o s&atilde;o menos condenadas. Mas s&atilde;o escutadas; e se novamente for interrogada, a sexualidade regular o ser&aacute; a partir dessas sexualidades perif&eacute;ricas, atrav&eacute;s de um movimento de refluxo" (23).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo eixo anal&iacute;tico investigou como os alunos matriculados na Associa&ccedil;&atilde;o compreendiam a sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual e o que isso implicava em suas a sexualidades. Os alunos n&atilde;o se baseavam necessariamente em uma distin&ccedil;&atilde;o ligada ao desenvolvimento intelectual. "Pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual" tamb&eacute;m n&atilde;o era um termo utilizado pelos alunos para se auto referirem. Essa condi&ccedil;&atilde;o de pessoa com defici&ecirc;ncia era assumida pela chave da <I>diferen&ccedil;a</I> e, em termos pr&aacute;ticos organizava quase todas as esferas da vida desses. Dessa maneira, a condi&ccedil;&atilde;o singular enunciada pelos alunos indica uma poss&iacute;vel <I>diferen&ccedil;a</I> de habilidades, uma poss&iacute;vel <I>diferen&ccedil;a</I> de capacidade, uma poss&iacute;vel <I>diferen&ccedil;a</I> de aprendizagem ou mesmo uma poss&iacute;vel <I>diferen&ccedil;a</I> ocasionada por algum problema de sa&uacute;de.</p>      <p>&Eacute; bem verdade que nem sempre essa singularidade &eacute; pensada como um valor positivado. Em certas ocasi&otilde;es "ser diferente" &eacute; assumido como desvantagem, tornando-se um valor marcadamente negativo. Por tanto, seja incorporando a diferen&ccedil;a como valor positivado que indica a pluralidade do existir humano, seja incorporando a diferen&ccedil;a como valor negativado explicitado no afastamento da normatividade operante, a condi&ccedil;&atilde;o de singularidade elaborada pelos alunos sinaliza uma especificidade hist&oacute;rica, pol&iacute;tica e cultural experienciada. Deste modo, como bem afirma Brah (24), essa diferen&ccedil;a enunciada explicita as normas regulat&oacute;rias atrav&eacute;s das quais pessoas e/ou grupos s&atilde;o marcados e posicionados socialmente.</p>      <p>Como n&atilde;o podia deixar de ser, essa singularidade vivenciada pelos alunos n&atilde;o escapa a constru&ccedil;&atilde;o de outras distin&ccedil;&otilde;es. Observei duas maneiras pelas quais eles diferenciam-se uns dos outros. A primeira se d&aacute; pela capacidade de decidir por si. Essa capacidade diz respeito &agrave;s atividades mais b&aacute;sicas da vida di&aacute;ria at&eacute; as mais complexas como trabalhar e prosseguir os estudos. A segunda se d&aacute; atrav&eacute;s de um relacionamento ou poss&iacute;vel relacionamento afetivo e sexual via namoro e casamento. A meu ver &eacute; exatamente a partir dessa segunda maneira de distin&ccedil;&atilde;o que se pode perceber com mais clareza a regula&ccedil;&atilde;o operada pelas normatividades. Afirmo isso por duas raz&otilde;es: 1) atrav&eacute;s do namoro e casamento explicitam-se quais fronteiras sociais atuam distinguindo pessoas com defici&ecirc;ncia intelectual de pessoas sem defici&ecirc;ncia intelectual; 2) traz &agrave; tona as normatividades sexuais compartilhadas pelos professores, profissionais, alunos, pais e/ou respons&aacute;veis. Por isso, desestabiliza as no&ccedil;&otilde;es for&ccedil;osamente materializadas e cristalizadas nas figuras dos assexuados, hipersexualizados e potencialmente mais sexualizados enunciada pelos professores.</p>      <p>Atrav&eacute;s do entrela&ccedil;amento entre "ser diferente" e a performatividade de g&ecirc;nero, constitui-se um complexo quadro que permite a cria&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de elegibilidade para o estabelecimento de v&iacute;nculos afetivos e/ou sexuais atrav&eacute;s de poss&iacute;veis namoros e casamentos. Isso n&atilde;o necessariamente precisa ser um ato concreto em si, afinal apenas a enuncia&ccedil;&atilde;o discursiva implica em uma sinaliza&ccedil;&atilde;o positivada de mudan&ccedil;a de status dos alunos. Contudo, era esperado que a normatividade de g&ecirc;nero fosse interiorizada a fim de delinear homens e mulheres de prest&iacute;gio. Tal internaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para a transforma&ccedil;&atilde;o do status de crian&ccedil;a para o de adulto atrav&eacute;s de uma idade social completamente desvinculada da idade cronol&oacute;gica.</p>      <p>&Eacute; a aquisi&ccedil;&atilde;o de responsabilidades advindas do namoro, mas preferencialmente do casamento o ponto de inflex&atilde;o perseguido pelos alunos. A possibilidade criada por esses v&iacute;nculos afetivos e sexuais expande socialmente o campo de a&ccedil;&atilde;o rompendo assim as limita&ccedil;&otilde;es at&eacute; ent&atilde;o por eles vivenciadas. Ajuda tamb&eacute;m na desconstru&ccedil;&atilde;o de uma no&ccedil;&atilde;o de corpo anormal, uma vez que, como no caso de alguns deles, a efetiva&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual indica uma consci&ecirc;ncia sobre pr&oacute;prio corpo. Consci&ecirc;ncia essa que ultrapassa a dimens&atilde;o anormal entendida como a condi&ccedil;&atilde;o inerente de um corpo constru&iacute;do como deficiente intelectual. Dessa maneira, na perspectiva dos alunos a busca pela satisfa&ccedil;&atilde;o de seus desejos e a experimenta&ccedil;&atilde;o dos prazeres afetivos e sexuais advindos da rela&ccedil;&atilde;o ou poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o com um parceiro, longe de serem poderes perigosos, s&atilde;o atenuantes de sua condi&ccedil;&atilde;o de pessoas com defici&ecirc;ncia intelectual.</p>      <p><B><font size="3">Considera&ccedil;&otilde;es Finais</font></b></p>      <p>Ao cruzarmos as duas percep&ccedil;&otilde;es descritas sobre defici&ecirc;ncia intelectual e sexualidade, fica evidente a tensa rela&ccedil;&atilde;o entre uma "sexualidade deficiente" apreendida pelos professores e uma sexualidade como forma de satisfa&ccedil;&atilde;o de desejos afetivos e/ou sexuais como movimenta pelos alunos. Em ambos os casos os corpos deficientes sexualizados s&atilde;o tomados como poderes capazes de tencionar um conjunto de normas sexuais. Gregori (25) prop&otilde;e chamar essa rela&ccedil;&atilde;o entre prazer e perigo de limites da sexualidade. "Tais limites indicam, de fato, um processo social bastante complexo relativo &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o ou restri&ccedil;&atilde;o de normatividades sexuais, em particular, sobre a cria&ccedil;&atilde;o de &acirc;mbitos de maior toler&acirc;ncia e os novos limites que v&atilde;o sendo impostos, bem como situa&ccedil;&otilde;es em que aquilo que &eacute; considerado abusivo passa a ser qualificado como normal. A maior contribui&ccedil;&atilde;o da antropologia tem sido a de apontar que essa fronteira &eacute; montada, considerando a multiplicidade de sociedades e de culturas, por hierarquias, mas tamb&eacute;m pela negocia&ccedil;&atilde;o de sentidos e significados que resultam na expans&atilde;o, restri&ccedil;&atilde;o ou deslocamento das pr&aacute;ticas sexuais concebidas como aceit&aacute;veis ou 'normais' e aquelas que s&atilde;o tomadas como objeto de persegui&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o, cuidados m&eacute;dicos ou puni&ccedil;&atilde;o criminal" (25).</p>      <p>Se para os professores e profissionais da APAE defici&ecirc;ncia intelectual &eacute; sin&ocirc;nimo de falta, desvantagem e incapacidade, para os alunos da Associa&ccedil;&atilde;o de Vila de Santa Rita defici&ecirc;ncia intelectual &eacute; uma das m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es do existir humano. Se apoiados por sua no&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia os professores assumem a sexualidade dos alunos como descontrolada e por isso perigosa, os pr&oacute;prios alunos assumem a sexualidade como uma maneira de amenizar sua diferen&ccedil;a e, sobretudo, como um prazer que nada tem de anormal.</p>      <p> Em minha an&aacute;lise privilegiei reconstruir os caminhos pelos quais defici&ecirc;ncia intelectual e sexualidade s&atilde;o circunstancialmente estabilizada pela reitera&ccedil;&atilde;o e repeti&ccedil;&atilde;o de conven&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o visibilizadas e ocultadas na medida em que esse processo repetitivo se desenvolve19. Minha preocupa&ccedil;&atilde;o foi perceber como, no contexto da APAE de Vila de Santa Rita, defici&ecirc;ncia intelectual regula a sexualidade, como a sexualidade regula a defici&ecirc;ncia intelectual e como essas levam ao limite as normatividades que tensionadas se reconfiguram. Assim &eacute; poss&iacute;vel pensar em formas de despatologiza&ccedil;&atilde;o tanto da defici&ecirc;ncia intelectual como da sexualidade das pessoas com e sem defici&ecirc;ncia.</p>      <p><B>Conflitos de interesses</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nenhum declarado pelo autor.</p>      <p><B>Financiamento</b></p>      <p>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico &ndash; CNPq Brasil.</p>      <p><B>Agradecimentos</b></p>      <p>A minha orientadora Professora Doutora Maria Filomena Gregori e as Professoras Doutoras Guita Grin Debert (UNICAMP) e Heloisa Buarque de Almeida (USP) membros da banca de defesa.</p> <hr>      <p><B><font size="3">Refer&ecirc;ncias</font></b></p>     <!-- ref --><p>1. Diniz D, Medeiros M, Squinca F. Reflex&otilde;es sobre a vers&atilde;o em Portugu&ecirc;s da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de. <I>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica.</I> 2007;23(10):2507-10. <a href="http://doi.org/dpxmpz" target="_blank">http://doi.org/dpxmpz</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S0120-0011201500050001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Hunt P. Stigma: the experience of disability. London: Geofferey Chapman; 1966.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0120-0011201500050001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3. Oliver M, Barnes C. Disables People and Social Policy: from exclusion to inclusion. London: Longman; 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S0120-0011201500050001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Pfeiffer D. The Philosophical Foundations of Disability Studies. <I>Disability Studies Quarterly.</I> 2002;22(2):3-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0120-0011201500050001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>5. Velho G. O desafio da cidade. Novas perspectivas da antropologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora Campos; 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0120-0011201500050001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Cardoso de Oliveira R. O trabalho do antrop&oacute;logo. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0120-0011201500050001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Foote-Whyte W. Sociedade de Esquina. Rio de Janeiro: Zahar; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0120-0011201500050001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>8. Malinowski B. Os Argonautas do Pac&iacute;fico Ocidental. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural; 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0120-0011201500050001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Hist&oacute;rico da APAE de 23/01/2012. Bras&iacute;lia: FENAPAES. &#91;cited 2012 Jun&#93;. Available from: <a href="http://goo.gl/drIviT" target="_blank">http://goo.gl/drIviT</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0120-0011201500050001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>10. Sim&otilde;es J. Assexuados, Libidinosos ou um Paradoxo Sexual? G&ecirc;nero e sexualidade em pessoas com defici&ecirc;ncia intelectual &#91;disertation&#93;. Campinas: Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas/Universidade Estadual de Campinas; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0120-0011201500050001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>11. Marques J. Estatuto amplia cotas e casamentos de deficientes. Folha de S&atilde;o Paulo. 2013 Set 09 &#91;Cited 2013 Sep 9&#93;. Available from: <a href="http://goo.gl/NpRd2k" target="_blank">http://goo.gl/NpRd2k</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0120-0011201500050001700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>12. Casal demora 1 ano para vencer restri&ccedil;&otilde;es legais. Folha de S&atilde;o Paulo. 2013 Set 09 &#91;cited 2013 Sep 9&#93;. Available from: <a href="http://goo.gl/2m9srG" target="_blank">http://goo.gl/2m9srG</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0120-0011201500050001700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>13. Sim&otilde;es J. Nem assexuados, nem libidinosos: G&ecirc;nero, sexualidade em deficientes Intelectuais. In: Anais da 28&ordf; RBA. S&atilde;o Paulo: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0120-0011201500050001700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>14. Brogna P. El derecho a la igualdad... &iquest;o el derecho a la diferencia?. <I>El Cotidiano.</I> 2005;(134):43-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0120-0011201500050001700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>15. Diniz D. O que &eacute; defici&ecirc;ncia. S&atilde;o Paulo: Editora Brasiliense; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0120-0011201500050001700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>16. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Direitos Sexuais e Reprodutivos na Integralidade da Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de de Pessoas com Defici&ecirc;ncia. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0120-0011201500050001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>17. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. I Semin&aacute;rio Nacional de Sa&uacute;de: Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Defici&ecirc;ncia. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0120-0011201500050001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>18. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de. Geneva: OMS; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0120-0011201500050001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>19. Butler J. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do sexo. In.: Louro G L. O corpo Educado. Pedagogias da Sexualidade. 2&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. Belo Horizonte: Editora Aut&ecirc;ntica; 2000. p. 153-172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0120-0011201500050001700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>20. Douglas M. Pureza e Perigo. S&atilde;o Paulo: Editora Perspectiva; 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0120-0011201500050001700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>21. Butler J. Problemas de G&ecirc;nero: Feminismo e subvers&atilde;o da identidade. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0120-0011201500050001700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>22. Giami A. O anjo e a fera: Sexualidade, Defici&ecirc;ncia Mental, Institui&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Casa dos Psic&oacute;logos; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0120-0011201500050001700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>23. Foucault M. Hist&oacute;ria da Sexualidade I: a vontade de saber. 13&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Graal; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0120-0011201500050001700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>24. Brah A. Diferen&ccedil;a, diversidade, diferencia&ccedil;&atilde;o. Campinas: <I>Cad Pagu.</I> 2006;(26):329-76. <a href="http://doi.org/bbkskm" target="_blank">http://doi.org/bbkskm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0120-0011201500050001700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>25. Gregori M. Limites da sexualidade: viol&ecirc;ncia, g&ecirc;nero e erotismo. <I>Revista de Antropologia.</I> 2008; 51(2):575-606.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0120-0011201500050001700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>   </font>        ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
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<surname><![CDATA[Diniz]]></surname>
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<surname><![CDATA[Squinca]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reflexões sobre a versão em Português da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad. Saúde Pública]]></source>
<year>2007</year>
<volume>23</volume>
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<page-range>2507-10</page-range></nlm-citation>
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<surname><![CDATA[Hunt]]></surname>
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<source><![CDATA[Stigma: the experience of disability]]></source>
<year>1966</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
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