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<journal-title><![CDATA[Revista Latinoamericana de Psicología]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vivências de crianças no ambiente rural: aproximações e distanciamentos na educação infantil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Experiences of children in the rural environment: similarities and differences in children's education]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Abstract Only recently, Brazil has consolidated the legal bases to bring in the environmental issues on the curriculum of the early childhood education. From this newness, accrues an absence of knowledge to base the educational practices. This paper intends to evidence the experiences of preschool children living in rural areas, specially focusing the way that they are signified and circumstanced by socioenvironmental characteristics of the investigated contexts. The methodological approach was inspired by ethnography in school contexts. In addition to the observation of collective activities in school and conversations and drawings with children, interviews were conducted with family members and school staff. Distances and approaches between the meanings of these participants were explored as a way to bring the necessaries tensions to understand the environmental issues in early childhood education.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <FONT size="2" face="verdana">      <p align="right">doi: 10.14349/rlp.v45i3.1478</p>      <p align="center"><font size="4"><b>Viv&ecirc;ncias de crian&ccedil;as no ambiente rural: aproxima&ccedil;&otilde;es e distanciamentos na educa&ccedil;&atilde;o infantil</b></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b>Experiences of children in the rural environment: similarities and differences in children's education</b></font></p>      <p align="center">Juliana Bezzon da Silva    <br> y Ana Paula Soares da Silva    <br> Universidad de S&atilde;o Paulo, Brasil</p>     <p>Agradecimentos: &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo â€“ FAPESP pelo financiamento da pesquisa. Datos de cont&atilde;cto: Juliana Bezzon da Silva. Centro de Investiga&ccedil;&otilde;es sobre Desenvolvimento Humano e Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (SEITERRA/CINDEDI-USP-RP). E-mail: <a href="mailto:julianabezzon@gmail.com">julianabezzon@gmail.com</a> Ana Paula Soares da Silva. Laborat&otilde;rio de Psicologia Socioambiental e IntervenÃ§&atilde;o (LAPSI-IPUSP). E-mail: <a href="mailto:apsoares.silva@usp.br">apsoares.silva@usp.br</a>.</p>      <p>Recibido: 12/07/2013 Revisado: 13/09/2013 Aceptado: 06/11/2013.</p>   <hr>       <p><font size="3"><b>Resumo</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apenas recentemente o Brasil consolidou as bases legais para a introdu&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica ambiental nos curr&iacute;culos de creches e pr&eacute;-escolas. Decorre desta novidade a aus&ecirc;ncia de suficientes conhecimentos que fundamentem as pr&aacute;ticas educativas nesse n&iacute;vel educacional. O artigo objetiva evidenciar viv&ecirc;ncias de crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares moradoras em &aacute;rea rural, com destaque para as formas como s&atilde;o significadas e circunscritas pelas caracter&iacute;sticas socioambientais dos contextos investigados. A abordagem metodol&oacute;gica foi inspirada na etnografia em contextos escolares. Al&eacute;m da observa&ccedil;&atilde;o das atividades coletivas na escola e de conversas e desenhos com as crian&ccedil;as, foram feitas entrevistas com familiares e equipe escolar. Distanciamentos e aproxima&ccedil;&otilde;es entre as significa&ccedil;&otilde;es destes sujeitos s&atilde;o explorados como forma de trazer as tens&otilde;es necess&aacute;rias para a compreens&atilde;o da tem&aacute;tica ambiental na educa&ccedil;&atilde;o infantil.</p>      <p><i><b>Palavras-chave:</b> educa&ccedil;&atilde;o infantil, educa&ccedil;&atilde;o ambiental, rural, assentamento rural, crian&ccedil;a pr&eacute;-escolar.</i></p>  <hr>      <p><font size="3"><b>Abstract</b></font></p>      <p>Only recently, Brazil has consolidated the legal bases to bring in the environmental issues on the curriculum of the early childhood education. From this newness, accrues an absence of knowledge to base the educational practices. This paper intends to evidence the experiences of preschool children living in rural areas, specially focusing the way that they are signified and circumstanced by socioenvironmental characteristics of the investigated contexts. The methodological approach was inspired by ethnography in school contexts. In addition to the observation of collective activities in school and conversations and drawings with children, interviews were conducted with family members and school staff. Distances and approaches between the meanings of these participants were explored as a way to bring the necessaries tensions to understand the environmental issues in early childhood education.</p>      <p><i><b>Key words:</b> early childhood education, environmental education, rural, rural settlement, preschool children.</i></p>  <hr>      <p>O Brasil realizou, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o do atendimento &agrave;s crian&ccedil;as em creche e pr&eacute;-escola como parte do sistema formal de ensino. Esse processo &eacute; iniciado com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 e fortalecido com legisla&ccedil;&otilde;es complementares como o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional - LDB (Lei Federal 9394/96) (Kuhlmann Junior, 2010).</p>      <p>Os avan&ccedil;os no atendimento em creches e pr&eacute;-escolas - denominado educa&ccedil;&atilde;o infantil e destinado &agrave;s crian&ccedil;as at&eacute; 5 anos de idade -, em conjunto com a transforma&ccedil;&atilde;o social na concep&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a e com a atua&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais de luta por creche, colaboraram para que a concep&ccedil;&atilde;o destas institui&ccedil;&otilde;es, "marcada em suas origens por um modelo substitutivo-materno e baseado no paradigma da necessidade, transitasse para uma concep&ccedil;&atilde;o pautada no direito da crian&ccedil;a" (Silva, 2011, p. 14).</p>      <p>Entre os ac&uacute;mulos e os retrocessos na constru&ccedil;&atilde;o da nossa democracia, essa mudan&ccedil;a, que fez transitar a vincula&ccedil;&atilde;o institucional de creches e pr&eacute;-escolas da assist&ecirc;ncia &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, paulatinamente, provocou a constru&ccedil;&atilde;o de um novo consenso sobre as fun&ccedil;&otilde;es dessas institui&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Recentemente, esse novo consenso reflete-se na aprova&ccedil;&atilde;o das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (DCNEI) (Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 2010). A fun&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica e pedag&oacute;gica das creches e pr&eacute;-escolas &eacute; estabelecida, nas DCNEI, em conson&acirc;ncia com uma posi&ccedil;&atilde;o &eacute;tico-pol&iacute;tica que assume a import&acirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es educacionais na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade democr&aacute;tica e, ao mesmo tempo, o desafio de construir uma educa&ccedil;&atilde;o infantil tamb&eacute;m democr&aacute;tica. Esta fun&ccedil;&atilde;o &eacute; descrita no artigo 7&deg; das DCNEI em termos de cinco elementos que precisam ser concomitantemente observados para o cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o institucional em sua plenitude: a oferta de condi&ccedil;&otilde;es para a viv&ecirc;ncia dos direitos; a complementariedade &agrave; fam&iacute;lia; a garantia de amplia&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es e saberes; a equidade; e a constru&ccedil;&atilde;o de novas formas de sociabilidade e subjetividade. &Eacute; este &uacute;ltimo elemento que se constitui uma novidade no que se refere &agrave; inser&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es ambientais no debate nacional sobre o curr&iacute;culo e sobre a fun&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o infantil. Nele, orienta-se que as propostas pedag&oacute;gicas favore&ccedil;am a constru&ccedil;&atilde;o de "novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com o rompimento de rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria, socioecon&ocirc;mica, &eacute;tnico-racial, de g&ecirc;nero, regional, lingu&iacute;stica e religiosa" (Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 2010, artigo 7&deg;, inciso V).  De fato, ao longo de todo o texto, aparece a preocupa&ccedil;&atilde;o com a inclus&atilde;o da problem&aacute;tica ambiental: no artigo que define curr&iacute;culo para a educa&ccedil;&atilde;o infantil e elenca o conjunto de saberes e experi&ecirc;ncias que o comp&otilde;em (artigo 3&deg;); no artigo que define a crian&ccedil;a como sujeito da educa&ccedil;&atilde;o infantil, incluindo o reconhecimento da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos sobre a natureza (artigo 4&deg;); no rol dos princ&iacute;pios &eacute;ticos, pol&iacute;ticos e est&eacute;ticos que devem ser respeitados na efetiva&ccedil;&atilde;o de propostas pedag&oacute;gicas (artigo 6&deg;); no reconhecimento das especificidades do trabalho com as crian&ccedil;as de &aacute;rea rural (artigo 8&deg;, par&aacute;grafo 3&deg;, incisos II, II e V). Ainda, o inciso X do artigo 9&deg; elenca, no conjunto de experi&ecirc;ncias que necessitam compor as propostas pedag&oacute;gicas, experi&ecirc;ncias que "promovam a intera&ccedil;&atilde;o, o cuidado, a preserva&ccedil;&atilde;o e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o n&atilde;o desperd&iacute;cio dos recursos naturais" (Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 2010). Esta forte presen&ccedil;a faz dessa resolu&ccedil;&atilde;o um marco na incorpora&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica ambiental como objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o das propostas pedag&oacute;gicas das institui&ccedil;&otilde;es que educam crian&ccedil;a de at&eacute; cinco anos de idade. Assim, na rela&ccedil;&atilde;o com os demais n&iacute;veis de ensino, a inser&ccedil;&atilde;o dessa problem&aacute;tica coloca tamb&eacute;m a educa&ccedil;&atilde;o infantil no enfrentamento dos desafios a uma forma&ccedil;&atilde;o voltada para a constru&ccedil;&atilde;o de sujeitos compromissados com as diferentes formas de vida na terra.</p>      <p>A novidade dessa inser&ccedil;&atilde;o aponta para a consci&ecirc;ncia de uma forma&ccedil;&atilde;o desde cedo mais atenta &agrave; necessidade de transforma&ccedil;&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es entre os seres humanos e o ambiente natural e constru&iacute;do, dada a crise socioambiental que vivemos.Contudo,seucar&aacute;terainda incipienterevela tamb&eacute;m a fragilidade de ac&uacute;mulos na &aacute;rea e, consequentemente, o pouco conhecimento sobre as formas como lidar com ele no interior dos espa&ccedil;os educacionais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre este aspecto, defende-se a necessidade de enfrentar o vazio de saberes e de pr&aacute;ticas que existe na educa&ccedil;&atilde;o infantil brasileira. Para Campos-de-Carvalho e Souza (2008), a partir de uma perspectiva da Psicologia ambiental, por exemplo, a educa&ccedil;&atilde;o infantil sofreria de uma necessidade de investiga&ccedil;&otilde;es sobre o uso de &aacute;reas externas, com foco na influ&ecirc;ncia do contato com a natureza para o desenvolvimento e aprendizagem infantil. No enfrentamento dessa problem&aacute;tica, as DCNEI sinalizam que as a&ccedil;&otilde;es que contemplem princ&iacute;pios de uma educa&ccedil;&atilde;o ambiental, na educa&ccedil;&atilde;o infantil, n&atilde;o podem ser conduzidas como momentos curriculares. O pr&oacute;prio nome educa&ccedil;&atilde;o ambiental n&atilde;o aparece na resolu&ccedil;&atilde;o. Sua presen&ccedil;a em diferentes artigos, que regem diversos aspectos implicados na elabora&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de propostas pedag&oacute;gicas, denota uma perspectiva de integra&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica ambiental a todas as a&ccedil;&otilde;es com a crian&ccedil;a.</p>      <p>Na educa&ccedil;&atilde;o infantil, dadas as caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as bem pequenas, n&atilde;o se trata de pensar a educa&ccedil;&atilde;o ambiental como conjunto de saberes, mas principalmente como uma pr&aacute;tica capaz de favorecer media&ccedil;&otilde;es que permitam a viv&ecirc;ncia sensorial, afetiva, cognitiva e motora da crian&ccedil;a de modo integral com o ambiente natural e constru&iacute;do. Imp&otilde;em-se os desafios de extrapolar conte&uacute;dos, requerendo o profundo conhecimento tanto da crian&ccedil;a como do contexto socioambiental em que se constitui e que dele &eacute; parte constitutiva, e de compreender n&atilde;o apenas a crian&ccedil;a e o ambiente, ou a crian&ccedil;a no ambiente, mas principalmente a crian&ccedil;a do ambiente. Essa perspectiva assenta-se tanto em concep&ccedil;&otilde;es atuais de crian&ccedil;a, que recuperam seu protagonismo na vida social, como em contribui&ccedil;&otilde;es da Psicologia Ambiental, com destaque para a compreens&atilde;o da interdepend&ecirc;ncia entre a pessoa e o ambiente. Nesse aspecto, pode-se dizer que a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, na educa&ccedil;&atilde;o infantil, partilha de uma concep&ccedil;&atilde;o transformadora que, a partir de experi&ecirc;ncias da vida di&aacute;ria, busca construir os sentidos das a&ccedil;&otilde;es e dos sujeitos como parte de um sistema amplo de rela&ccedil;&otilde;es (Raethzel &amp; Uzzell, 2009).</p>      <p>Nosso interesse pela quest&atilde;o emerge a partir de pesquisas com educa&ccedil;&atilde;o infantil em &aacute;rea rural (Silva, Pasuch &amp; Silva, 2012; Silva &amp; Silva, 2013), pela complexidade que comp&otilde;e o socioambiente rural brasileiro, marcado por diferen&ccedil;as e tamb&eacute;m por desigualdades, tanto internas como em rela&ccedil;&atilde;o ao contexto urbano. As diferen&ccedil;as constroem identidades diversas, ancoradas na diversidade sociocultural e de produ&ccedil;&atilde;o da vida de assentados rurais, ribeirinhos, povos da floresta, trabalhadores rurais, quilombolas entre outros. As desigualdades expressam-se no acesso reduzido aos benef&iacute;cios das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Essa complexidade torna a compreens&atilde;o do contexto rural um grande desafio para uma educa&ccedil;&atilde;o que busca integrar a problem&aacute;tica ambiental e pautar-se na concep&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a do ambiente. Comp&otilde;e essa complexidade o fato de, nessas &aacute;reas, grande parte dos professores serem provenientes das cidades e possu&iacute;rem poucos v&iacute;nculos com o campo, al&eacute;m do profissional (Barbosa, Gehlen, &amp; Fernandes, 2012). Nesse cen&aacute;rio, tal como nos inspira Gruenewald (2003), pouco s&atilde;o potencializadas as possibilidades de experimentar e interrogar o contexto, como parte do curr&iacute;culo escolar. A problematiza&ccedil;&atilde;o dos limites da sala de aula n&atilde;o &eacute; feita, dificultando o caminho do professor em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica nos entendimentos de lugar, e do papel do lugar na sua pr&aacute;tica educacional.</p>      <p>A aposta que fazemos aqui &eacute; de que a investiga&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as do campo e de como vivenciam experi&ecirc;ncias pessoais em intera&ccedil;&atilde;o constante com a natureza ou com o espa&ccedil;o rural pode colaborar tanto para a promo&ccedil;&atilde;o de maior visibilidade dessas inf&acirc;ncias como para a constru&ccedil;&atilde;o de elementos que coloquem em curso a reflex&atilde;o sobre a articula&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o ambiental e educa&ccedil;&atilde;o infantil.</p>      <p>A partir de uma investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, este texto tem como objetivo evidenciar algumas das viv&ecirc;ncias de crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares moradoras em um tipo particular de rural brasileiro - assentamentos da reforma agr&aacute;ria -, com destaque para as formas como tais viv&ecirc;ncias s&atilde;o significadas e circunstanciadas pelas caracter&iacute;sticas socioambientais dos contextos investigados. Ao evidenciar essas viv&ecirc;ncias, pretende-se colaborar com a discuss&atilde;o acerca das provoca&ccedil;&otilde;es que a incorpora&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica ambiental implica para a educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as bem pequenas.</p>      <p><font size="3"><b>A Abordagem Te&oacute;rica e Metodol&oacute;gica</b></font></p>      <p>A pesquisa apoiou-se nas contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas do psic&oacute;logo russo Lev S. Vigostki, principalmente no que tange ao conceito de viv&ecirc;ncia, por sua fecundidade no di&aacute;logo com as preocupa&ccedil;&otilde;es fundantes &agrave; psicologia ambiental. Na perspectiva vigotskiana, a viv&ecirc;ncia do ambiente &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento humano. Mais do que a consci&ecirc;ncia, &eacute; a viv&ecirc;ncia a unidade da personalidade com o ambiente, a rela&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e determinado momento da realidade (Toassa, 2009). Pode-se dizer, portanto, que &eacute; pela viv&ecirc;ncia que a pessoa constitui sua personalidade social, ou seja, ela torna-se membro de um grupo definido, a partir do qual ocupa posi&ccedil;&otilde;es e assume pap&eacute;is, compondo-se como uma unidade dram&aacute;tica do conjunto de rela&ccedil;&otilde;es sociais (Vigotski, 2000).</p>      <p>De acordo com Rey (2000), no processo de constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade, o conceito de viv&ecirc;ncia permite perceber a microg&ecirc;nese das situa&ccedil;&otilde;es sociais, que constitui a unidade indissoci&aacute;vel entre os elementos internos e externos, manifestados nos aspectos cognitivos e afetivos de modo integral. Neste sentido, a intera&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo e os elementos que o cercam &eacute; inequivocamente uma rela&ccedil;&atilde;o de interdepend&ecirc;ncia.</p>      <p>A viv&ecirc;ncia pode ser compreendida como a base para a constitui&ccedil;&atilde;o da personalidade e das fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas superiores, mediadoras das intera&ccedil;&otilde;es que as crian&ccedil;as estabelecem com seu mundo. Nessa perspectiva, a viv&ecirc;ncia torna-se, al&eacute;m da unidade de an&aacute;lise, conceito central de um m&eacute;todo hol&iacute;stico para a compreens&atilde;o da influ&ecirc;ncia do meio no comportamento infantil e no desenvolvimento psicol&oacute;gico (Meshcheryakov, 2010).  Assim, n&atilde;o se pode analisar o meio independentemente do modo como ele &eacute; interpretado pela crian&ccedil;a a partir de sua viv&ecirc;ncia (Vigotski, 2010).</p>      <p>O conceito de viv&ecirc;ncia pode ser compreendido, portanto, como o modo pelo qual o ser humano apropria-se do mundo e expressa os elementos dessa apropria&ccedil;&atilde;o; no caso da crian&ccedil;a, de que modo ela se relaciona afetivamente com as situa&ccedil;&otilde;es e toma consci&ecirc;ncia da realidade (Vigotski, 2010). Diz respeito ao processo de inser&ccedil;&atilde;o nos modos de pensar, sentir e agir de uma determinada cultura, por meio da viv&ecirc;ncia e da interioriza&ccedil;&atilde;o dos significados da experi&ecirc;ncia humana. De acordo com Vidal e Pol (2005), o conceito de apropria&ccedil;&atilde;o desenvolvido por Vigotski, permite que, na d&eacute;cada de 60, seja dado o "salto" em dire&ccedil;&atilde;o ao conceito de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, central para a Psicologia Ambiental. Ao processo de apropria&ccedil;&atilde;o associa-se assim o dom&iacute;nio das significa&ccedil;&otilde;es sobre o espa&ccedil;o na constitui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No conjunto de rela&ccedil;&otilde;es e no sistema afetivo-emocional meio-pessoa, est&atilde;o inseridos os aspectos culturais que representam as produ&ccedil;&otilde;es humanas portadoras de significa&ccedil;&atilde;o (Pino, 2005). Pode-se compreender que as intera&ccedil;&otilde;es da pessoa com os outros (indiv&iacute;duos e objetos) comp&otilde;em as tessituras simb&oacute;licas do contexto cultural e social, constituindo a microg&ecirc;nese dos processos de significa&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>A perspectiva hist&oacute;rico-cultural de desenvolvimento humano prop&otilde;e a apreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos humanos em sua rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre natureza e sociedade. O comportamento humano &eacute; analisado a partir dessa rela&ccedil;&atilde;o e &eacute; compreendido como produto e produtor da hist&oacute;ria e da cultura. Esta compreens&atilde;o constitui-se em uma das formas de se conceber a quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o natureza e cultura, ou seus bin&ocirc;mios correspondentes, como natureza-sociedade, natureza-humanidade, tema recorrente ao longo dos s&eacute;culos e que, como sabemos, est&aacute; na base das formula&ccedil;&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e das mentalidades que marcam o chamado ambientalismo contempor&acirc;neo (Castro, 2005).</p>      <p>A partir dessas posi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, a abordagem metodol&oacute;gica foi inspirada na etnografia em contextos escolares (Rockwell, 2009) e consistiu na descri&ccedil;&atilde;o detalhada das situa&ccedil;&otilde;es observadas relativas &agrave;s viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares nos principais espa&ccedil;os que circunstanciavam seu desenvolvimento nos contextos investigados: o espa&ccedil;o do assentamento rural de modo amplo (casa da fam&iacute;lia, lote da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos ou cria&ccedil;&atilde;o de animais, &aacute;reas coletivas, espa&ccedil;os naturais); o espa&ccedil;o da institui&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o infantil (&aacute;reas das salas de refer&ecirc;ncia das crian&ccedil;as, interiores e exteriores da institui&ccedil;&atilde;o educacional) (Silva, 2012). Neste texto, as viv&ecirc;ncias socioambientais das crian&ccedil;as foram trazidas por meio das significa&ccedil;&otilde;es sobre ser crian&ccedil;a no campo, apreendidas das falas dos adultos e das observa&ccedil;&otilde;es e conversas com as crian&ccedil;as assentadas. Primeiro exploramos as significa&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias e das crian&ccedil;as sobre a vida no assentamento e, posteriormente, apresentamos as significa&ccedil;&otilde;es produzidas no contexto da educa&ccedil;&atilde;o infantil com vistas a evidenciar os (des)encontros dessas significa&ccedil;&otilde;es e as potencialidades que elas portam para uma educa&ccedil;&atilde;o ambiental na educa&ccedil;&atilde;o infantil.</p>      <p><b>Procedimentos e Contextos de Investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>O material emp&iacute;rico da pesquisa foi constru&iacute;do por meio da perman&ecirc;ncia di&aacute;ria da pesquisadora, durante dois meses, em dois assentamentos rurais da reforma agr&aacute;ria, localizados na regi&atilde;o nordeste do estado de S&atilde;o Paulo / Brasil (Assentamento A e Assentamento B). Esta perman&ecirc;ncia foi acompanhada de registros em caderno de campo, entrevistas com adultos, conversas e desenhos realizados com as crian&ccedil;as. Neste per&iacute;odo, foram acompanhadas duas turmas de pr&eacute;-escola localizadas nas escolas de educa&ccedil;&atilde;o infantil dos dois assentamentos. Os registros eram feitos ao final de cada dia de observa&ccedil;&atilde;o participante e as entrevistas e conversas foram audiogravadas e transcritas.</p>      <p>As observa&ccedil;&otilde;es das duas turmas de educa&ccedil;&atilde;o infantil ocorreram nos diferentes espa&ccedil;os e atividades das crian&ccedil;as na escola, durante o transporte escolar e nas casas das crian&ccedil;as, durante as entrevistas e conversas com elas e com seus familiares. Em cada um dos dois assentamentos rurais, al&eacute;m da observa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em atividades coletivas realizadas na escola, foram feitas entrevistas com os seguintes participantes: quatro familiares, duas professoras das turmas de educa&ccedil;&atilde;o infantil, demais profissionais da educa&ccedil;&atilde;o (em um assentamento: diretora e monitora do &ocirc;nibus; no outro: diretora e coordenadora pedag&oacute;gica); oito crian&ccedil;as de cinco anos de idade (quatro participantes em cada assentamento).</p>      <p>A pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto, Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP). Os participantes foram convidados a participar sendo esclarecidos sobre os procedimentos e a inser&ccedil;&atilde;o da pesquisadora no per&iacute;odo indicado naqueles contextos. Houve, portanto, um contrato &eacute;tico com os participantes, tamb&eacute;m formalizado por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e da autoriza&ccedil;&atilde;o escrita dos dirigentes dos contextos (escola, secretarias municipais e/ou movimentos sociais) e das fam&iacute;lias, respeitando o desejo de participa&ccedil;&atilde;o e a permiss&atilde;o das crian&ccedil;as. Foram utilizados nomes fict&iacute;cios para apresenta&ccedil;&atilde;o de trechos do material de pesquisa.</p>      <p>Os dois assentamentos rurais participantes localizavamse nas mesorregi&otilde;es lim&iacute;trofes das cidades de Ribeir&atilde;o Preto e de Araraquara, ambas do interior do estado de S&atilde;o Paulo. Trata-se de regi&otilde;es caracterizadas, atualmente, pela produ&ccedil;&atilde;o sucroalcooleira. A geografia dessas &aacute;reas &eacute; caracterizada por grandes plan&iacute;cies, cuja paisagem foi historicamente transformada em um grande deserto verde de monoculturas da cana-de-a&ccedil;&uacute;car. Em contraste aos avan&ccedil;os dessa paisagem des&eacute;rtica, est&atilde;o &aacute;reas de assentamentos de reforma agr&aacute;ria, que correspondem a aproximadamente 0,7% da &aacute;rea total das duas mesorregi&otilde;es citadas.</p>      <p>No Assentamento A, localizado a 14 quil&ocirc;metros do centro urbano, destaca-se uma paisagem composta por um n&uacute;mero diverso de atividades: cultivo de feij&atilde;o, milho e caf&eacute;; manejo do eucalipto; cria&ccedil;&atilde;o de gado de leite; e o cultivo de hortas. Est&aacute; constitu&iacute;do h&aacute; cerca de 10 anos, possui uma &aacute;rea total de aproximadamente 3 mil hectares, divididos entre 160 fam&iacute;lias. Segundo os participantes, no per&iacute;odo de realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, viviam no Assentamento aproximadamente mil pessoas. Cada fam&iacute;lia possui um lote e uma &aacute;rea em uma das duas agrovilas<Sup><a href="#num1" name="nu1">1</a></Sup>, caracterizadas por &aacute;reas menores e maior proximidade das casas. Al&eacute;m da escola municipal, possui uma unidade de sa&uacute;de, igrejas de diferentes religi&otilde;es, um minimercado, dois bares, &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente e reserva legal. As duas agrovilas s&atilde;o distantes em aproximadamente quatro quil&ocirc;metros. O Assentamento est&aacute; organizado em dois movimentos nacionais de luta pela terra, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento de Liberta&ccedil;&atilde;o dos Sem Terra (MLST). Uma das principais lutas que as lideran&ccedil;as desses dois movimentos no Assentamento A encamparam juntos, com &ecirc;xito, foi a cria&ccedil;&atilde;o da escola do Assentamento, que funciona em per&iacute;odo integral. Ela foi fundada em 2002, a partir do aproveitamento do pr&eacute;dio da antiga escola da fazenda que ali havia, e no per&iacute;odo de realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa possu&iacute;a v&iacute;nculo institucional com uma escola de ensino fundamental da cidade.</p>      <p>O Assentamento B, localizado a 28 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia do centro administrativo do munic&iacute;pio, em uma regi&atilde;o de cerrado, constituiu-se em uma antiga fazenda de monocultura de eucalipto que, a partir da d&eacute;cada de 1980, teve suas terras ocupadas por trabalhadores rurais e suas fam&iacute;lias com apoio do sindicato dos trabalhadores rurais do munic&iacute;pio. Vivem no Assentamento mais de 350 fam&iacute;lias, em lotes de 14 hectares cada. O territ&oacute;rio do Assentamento possui aproximadamente 7.000 hectares. As principais atividades dos assentados s&atilde;o a produ&ccedil;&atilde;o leiteira, culturas anuais e a produ&ccedil;&atilde;o hortifrutigranjeira. O Assentamento &eacute; constitu&iacute;do, al&eacute;m dos lotes individuais e das agrovilas, pela escola, o posto de sa&uacute;de, a padaria, diversas igrejas e templos religiosos, um mercado pequeno, &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente e de reserva legal, nas quais h&aacute; uma represa, lagos e cachoeiras. A escola foi um projeto do governo municipal. O atendimento ocorre em per&iacute;odo parcial e &eacute; ofertado desde o ber&ccedil;&aacute;rio at&eacute; o nono ano do ensino fundamental.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Viv&ecirc;ncias das Crian&ccedil;as</b></p>      <p>As significa&ccedil;&otilde;es de ser crian&ccedil;a no campo mediando viv&ecirc;ncias no assentamento e na fam&iacute;lia. O material de pesquisa demonstrou uma diversidade de experi&ecirc;ncias vivenciadas pelas crian&ccedil;as no contexto dos Assentamentos rurais participantes. Nos discursos dos familiares e nas conversas com as crian&ccedil;as, predominantemente, apareceram significa&ccedil;&otilde;es sobre a inf&acirc;ncia no campo atreladas: &agrave; tranquilidade e &agrave; liberdade; ao acompanhamento das atividades rotineiras e produtivas da fam&iacute;lia; a um contato intenso com elementos do ambiente natural.</p>      <p>O fragmento seguinte ilustra significa&ccedil;&otilde;es vinculadas &agrave; tranquilidade e &agrave; liberdade.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> E como voc&ecirc;s acham que &eacute; a vida das crian&ccedil;as no campo? </i>Joana:<i> Ah! Bom. Bom. Melhor do que na cidade. Na cidade &eacute; muito perigo! Tem uma bicicleta, mas n&atilde;o pode andar ... vem um de moto, outro de carro... Agora, na ro&ccedil;a n&atilde;o! Ele pega a bicicleta dele, anda aqui, tranquilo, sossegado. Na ro&ccedil;a, pra crian&ccedil;a &eacute; muito melhor.</i>    <br> (Av&oacute; de Eduardo, crian&ccedil;a de cinco anos de idade, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>Para os av&oacute;s de Eduardo, o Assentamento permite que as crian&ccedil;as se desenvolvam com maior seguran&ccedil;a. A valoriza&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas socioambientais do Assentamento, por parte das fam&iacute;lias, aparece em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s viv&ecirc;ncias de crian&ccedil;as nos ambientes citadinos. Este movimento de compara&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; feito por Marina, lideran&ccedil;a do MLST no Assentamento A, que agrega, &agrave; significa&ccedil;&atilde;o da liberdade, a justificativa da exist&ecirc;ncia de uma comunidade que assume a prote&ccedil;&atilde;o coletiva e compartilhada das crian&ccedil;as.</p>      <blockquote>     <p>Marina:<i> Aonde se fala que &eacute; uma comunidade, a liberdade das crian&ccedil;as &eacute; outra, porque, vamos supor assim, hoje uma crian&ccedil;a pode sair da casa dela e ficar at&eacute; seis horas, sete horas da noite brincando na rua, andando de bicicleta, jogando bola, que todo mundo conhece aquela crian&ccedil;a. E como a gente tem muito conhecimento dentro do assentamento, todo mundo sabe. Entre a agrovila I e a agrovila II s&atilde;o quase 3 km de dist&acirc;ncia. Se algu&eacute;m da agrovila II v&ecirc; uma crian&ccedil;a da agrovila I, de cinco anos, sozinha l&aacute; em cima, vai criar curiosidade em saber o que ele t&aacute; fazendo l&aacute;, sozinho ou se ele t&aacute; acompanhado. Como que ele chegou at&eacute; l&aacute;? E se a crian&ccedil;a estiver perdida, alguma coisa assim, eles v&atilde;o trazer ele de volta na casa dele. Ent&atilde;o, essa tranquilidade. (...) Aqui a gente tem toda essa refer&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, em termos de liberdade, as crian&ccedil;as daqui s&atilde;o bem mais soltas que as crian&ccedil;as da cidade.</i>    <br> (Marina, lideran&ccedil;a do MLST, Assentamento A)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na conversa com Marina, emergiram elementos que permitem a compreens&atilde;o dessa liberdade implicada na configura&ccedil;&atilde;o do Assentamento como uma comunidade, na sua din&acirc;mica socioespacial. Por meio dessa compreens&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel refletir sobre as condi&ccedil;&otilde;es socioambientais que sustentam os processos de apropria&ccedil;&atilde;o daquele espa&ccedil;o pelas crian&ccedil;as, contribuindo assim para a constru&ccedil;&atilde;o da autonomia na locomo&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-temporal do assentamento, como demonstra a conversa com Vinicius e seu primo Nino.</p>      <blockquote>     <p>Nino:<i> Ele vai mudar pro lote dele agora</i>.    <br> Pesquisadora:<i> Ah &eacute;? &Eacute; longe daqui o lote?</i>    <br> Vin&iacute;cius:<i> N&atilde;o!</i>    <br> Nino:<i> Pouquinho.</i>    <br> Vin&iacute;cius:<i> Pouquinho s&oacute;.</i>    <br> Pesquisadora:<i> D&aacute; pra ir a p&eacute;?</i>    <br> Vin&iacute;cius:<i> N&atilde;o!</i>    <br> Nino:<i> D&aacute; sim.</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Vin&iacute;cius: <i>D&aacute; n&atilde;o. S&oacute; de bicicleta.</i>    <br> Nino:<i> Eu j&aacute; fui. Eu passei de l&aacute; a p&eacute;, fio.</i>    <br> (Vin&iacute;cius, seis anos de idade, e Nino, nove anos, crian&ccedil;as do Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>As crian&ccedil;as Vin&iacute;cius e Nino demonstraram que vivenciam oportunidades de brincar livremente pelo Assentamento, caracterizadas pelas idas e vindas do lote &agrave; agrovila, seja a p&eacute; ou de bicicleta.</p>      <p>Para grande parte das crian&ccedil;as, as possibilidades retratadas pelas viv&ecirc;ncias descritas relacionam-se a um imagin&aacute;rio e a uma pr&aacute;tica em que se cruzam brincadeira, rela&ccedil;&otilde;es com a terra, rios, plantas e animais, numa composi&ccedil;&atilde;o que privilegia a liberdade, a cria&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o da autonomia. O espa&ccedil;o &eacute; significado na sua dimens&atilde;o promotora de intera&ccedil;&otilde;es diferenciadas com a natureza e o cultivo da terra. Nesse ambiente, os participantes compreendem que a crian&ccedil;a vive intensamente a brincadeira, sendo o local de recrea&ccedil;&atilde;o expandido para todo o assentamento.</p>      <p>Contraditoriamente, existem tamb&eacute;m significa&ccedil;&otilde;es opostas a estas, que tendem a reduzir as experi&ecirc;ncias de deslocamento aut&ocirc;nomo no espa&ccedil;o do assentamento, baseadas no medo dos respons&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o a perigos do ambiente natural. Mesmo que n&atilde;o hegem&ocirc;nicas, elas refletem inf&acirc;ncias diversas no interior de uma mesma localidade.</p>      <blockquote>     <p>Dora:<i> A Em&iacute;lia, eu n&atilde;o deixo ir na casa dos outros. &Eacute; muito dif&iacute;cil.</i>    <br>  Pesquisadora:<i> Por qu&ecirc;?</i>    <br> Dora:<i> Por ser mato, por ser longe. Aqui tem muita cobra.</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> (Dora, m&atilde;e de Em&iacute;lia, crian&ccedil;a de cinco anos, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>A dist&acirc;ncia entre as casas, os longos percursos e a exist&ecirc;ncia de animais pe&ccedil;onhentos emergem como elementos importantes na circunscri&ccedil;&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es de deslocamento das crian&ccedil;as e, consequentemente, de conviv&ecirc;ncia com outras crian&ccedil;as fora do espa&ccedil;o da fam&iacute;lia e da escola. Assim, algumas crian&ccedil;as que vivem no Assentamento est&atilde;o submetidas a um intenso controle e vigil&acirc;ncia do adulto, o que pode gerar maior isolamento.</p>      <p>Desta forma, significa&ccedil;&otilde;es diversas sobre o rural e sobre o ser crian&ccedil;a convivem no assentamento. De toda forma, quaisquer delas permitem vislumbrar, seja pela maior mobilidade e explora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o no seu conjunto, seja pela restri&ccedil;&atilde;o supervisionada pelos adultos, que o assentamento rural e as significa&ccedil;&otilde;es sobre ser crian&ccedil;a nesse espa&ccedil;o circunscrevem viv&ecirc;ncias integradas, cognitivas, motoras e afetivas &agrave;s crian&ccedil;as.</p>      <p>Outro elemento dessa circunscri&ccedil;&atilde;o aparece na intensa rela&ccedil;&atilde;o que as crian&ccedil;as possuem com o acompanhamento das atividades rotineiras e produtivas da fam&iacute;lia, o que inclui a participa&ccedil;&atilde;o conjunta nas atividades produtivas, caracterizada pela proximidade com o cotidiano do trabalho com a terra e conviv&ecirc;ncia na lida di&aacute;ria da ro&ccedil;a. Esta proximidade aparece, em especial, quando a crian&ccedil;a ainda n&atilde;o frequenta a escola.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> Como &eacute; a vida dessas crian&ccedil;as aqui no assentamento?</i>    <br>  Maria Jos&eacute;:<i> As que n&atilde;o v&atilde;o pra escola, elas ficam com os pais, e da&iacute; muitas vezes eles v&atilde;o viver ali o dia a dia que o pai e a m&atilde;e vivem, porque o pai e a m&atilde;e, ele tem uma horta... Por exemplo, meu beb&ecirc;, voc&ecirc; v&ecirc; meu beb&ecirc; lavar alface, voc&ecirc; fica rindo dele, porque &eacute; a realidade dele. Se a gente vai &agrave; horta colher um p&eacute; de alface, ele vai junto. Ent&atilde;o, a realidade que essas crian&ccedil;as vivem, principalmente as que j&aacute; come&ccedil;am a andar, de tr&ecirc;s aninhos pra cima, elas vivem a realidade do pai e da m&atilde;e ali. &Eacute; o leite no curral, &eacute; a horta, &eacute; a galinha no terreiro, &eacute; o porquinho. Ent&atilde;o, eles vivem uma realidade rural.</i>    <br> (Maria Jos&eacute;, lideran&ccedil;a do MST, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>A fala de Maria Jos&eacute;, enquanto m&atilde;e e lideran&ccedil;a do MST no Assentamento A, demonstra o seu contentamento ao dizer que as crian&ccedil;as "sem-terra" s&atilde;o privilegiadas, pois os pais acompanham seu desenvolvimento mais de perto. Se por um lado este aspecto &eacute; valorizado, tamb&eacute;m a escola adquire import&acirc;ncia &agrave; medida que as crian&ccedil;as crescem, como forma de ampliar suas viv&ecirc;ncias para al&eacute;m do acompanhamento da vida familiar e construir rotinas que incorporem a inser&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em pr&aacute;ticas de letramento.</p>      <p>Os instrumentos e m&aacute;quinas utilizadas para o trabalho no dia-a-dia da ro&ccedil;a tamb&eacute;m aparecem nas conversas com as crian&ccedil;as, mediadas pelos desenhos, como express&atilde;o de suas brincadeiras. Nas brincadeiras de faz de conta das crian&ccedil;as, emergiram (re)constru&ccedil;&otilde;es de situa&ccedil;&otilde;es do cotidiano do campo na rela&ccedil;&atilde;o com as atividades dos pais/familiares, como desenhar carro&ccedil;as, "pegar algumas cordas de pular para brincar de cavalo e carro&ccedil;a", "brincar de lote" (Di&aacute;rio de Campo).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro conjunto de significa&ccedil;&otilde;es que foram apreendidas do material produzido com as fam&iacute;lias e as crian&ccedil;as caracterizam a viv&ecirc;ncia no campo pelo contato intenso com elementos do ambiente natural, por meio de brincadeiras em &aacute;rea livre.</p>      <p>O recorte da conversa com Leia, que &eacute; m&atilde;e de uma crian&ccedil;a da educa&ccedil;&atilde;o infantil e monitora do &ocirc;nibus no Assentamento A, ilustra parte das intera&ccedil;&otilde;es com esses elementos, significadas positivamente como construtoras de formas diversas de se relacionar com a terra e os animais.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> E isso que voc&ecirc; falou que as crian&ccedil;as s&atilde;o criativas, que s&atilde;o bem agitadas?</i>    <br> Leia:<i> O bom daqui, eles t&ecirc;m espa&ccedil;o. Ent&atilde;o, se a gente der asas, eles v&atilde;o voar. Eu sinto pelos sobrinhos que v&ecirc;m dos parentes, os afilhados que v&ecirc;m. Ent&atilde;o, chega e fica &agrave; vontade. Sabe quando voc&ecirc; v&ecirc; as crian&ccedil;as brincando na terra, no quintal? Brincando com os animais, brincando com a galinha no quintal? A menininha com medo do pintinho. (Risos). A minha vai l&aacute; e pega. O meu menininho vai l&aacute; e pega. "V&oacute;, vou prender proc&ecirc;. Soltou. Vou prender proc&ecirc;". Ele mesmo vai l&aacute;, pega e prende. E eu vejo a sobrinha com medo.</i>    <br> (Leia, monitora do &ocirc;nibus, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>Nas conversas com as crian&ccedil;as, v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es foram registradas indicando, na mesma dire&ccedil;&atilde;o, aspectos relevantes &agrave; compreens&atilde;o localmente constru&iacute;da sobre os processos de vida.</p>      <blockquote>     <p><i>Durante o trecho at&eacute; o estacionamento dos &ocirc;nibus, Rebeca sentou-se comigo. Passamos por uma &aacute;rea de clubes, s&iacute;tios e condom&iacute;nios pr&oacute;ximos &agrave; pista e ela me mostrou uma grande quantidade de p&eacute;s de manga, dizendo que as mangas j&aacute; estavam madurando. Disse: "Como podem j&aacute; estar madurando se ainda n&atilde;o &eacute; &eacute;poca de manga?". E eu respondi que tamb&eacute;m n&atilde;o entendia. E perguntei para ela qual era a &eacute;poca da manga e ela disse que come&ccedil;ava dia 28, "t&aacute; longe ainda".</i>    <br> (Di&aacute;rio de Campo, 9&deg; dia, Assentamento B)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O olhar e a indaga&ccedil;&atilde;o de Rebeca, assim como os conte&uacute;dos da intera&ccedil;&atilde;o que ela inicia com a pesquisadora, voltam-se para elementos de um ciclo de vida da fruta, associado ao per&iacute;odo do ano esperado para sua colheita. Em outras conversas, novos saberes sobre o ciclo da vida tamb&eacute;m se pronunciaram como significa&ccedil;&otilde;es sobre o mundo em que vivem.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> O que &eacute; esse a&iacute; que voc&ecirc; t&aacute; desenhando agora?</i>    <br> Leonardo:<i> Uma &aacute;rvore.</i> Pesquisadora:<i> E esse a&iacute; embaixo?</i>    <br> Leonardo:<i> T&aacute; chovendo. </i>    <br> Pesquisadora:<i> Por que t&aacute; chovendo?</i>    <br> Leonardo:<i> Pra molhar as plantas. Minha madrinha t&aacute; rezando.</i>    <br> Pesquisadora:<i> Pra ver se chove? (Sim com a cabe&ccedil;a)</i>    <br> Pesquisadora:<i> E voc&ecirc;? O que voc&ecirc; acha? Tinha que chover ou n&atilde;o?</i>    <br> Leonardo: <i>Tinha. Pra molh&aacute; as plantinha dela, pra n&atilde;o ter que molh&aacute;.</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> (Leonardo, crian&ccedil;a de cinco anos de idade, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>Ao relatar a import&acirc;ncia da chuva para a atividade da madrinha, o menino fez emergir, na conversa, saberes acerca da import&acirc;ncia para o cultivo das plantas pela fam&iacute;lia, num per&iacute;odo em que a seca na regi&atilde;o estava bastante intensa.</p>      <p>Pode-se perceber que, tanto para Rebeca como para Leonardo, a concretude dos processos de significa&ccedil;&atilde;o sobre vida e morte, vivida pelas intera&ccedil;&otilde;es cotidianas, permite compreens&otilde;es complexas e j&aacute; exercem impacto na express&atilde;o de seus saberes, desejos e preocupa&ccedil;&otilde;es. Manifesta-se ainda nas escolhas interativas e comunicativas com adultos e crian&ccedil;as e na variedade de combina&ccedil;&otilde;es para brincadeiras nesses contextos.</p>      <p>Resumindo, o olhar atento &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es sobre a vida das crian&ccedil;as do campo, al&eacute;m de viabilizar um conhecimento sobre a crian&ccedil;a deste ambiente, em muito informa sobre as pr&aacute;ticas e os modos como as fam&iacute;lias estruturam e criam condi&ccedil;&otilde;es para as viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as nos assentamentos, suas rela&ccedil;&otilde;es sensoriais, motoras, cognitivas e afetivas com o mundo social e f&iacute;sico deste contexto. Numa perspectiva interessada na constru&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias que tragam para o interior da educa&ccedil;&atilde;o infantil debates sobre a forma&ccedil;&atilde;o fundada em uma preocupa&ccedil;&atilde;o ambiental, evidenciar esses elementos pode ajudar no di&aacute;logo entre a equipe escolar e as potencialidades que o rural apresenta. Ao colocar em primeiro plano as viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as como sujeitos do ambiente rural, tens&otilde;es necess&aacute;rias de serem enfrentadas afloram nos (des)encontros entre a equipe escolar e a realidade das crian&ccedil;as.</p>      <p>Significa&ccedil;&otilde;es da equipe educacional sobre as viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as nos assentamentos: encontros e desencontros. As significa&ccedil;&otilde;es apresentadas nos discursos das profissionais que trabalhavam diretamente com as crian&ccedil;as assentadas foram analisadas conforme as categorias emergentes no item anterior. Sua an&aacute;lise indica elementos de encontros e desencontros em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias e das crian&ccedil;as.</p>      <p>Os elementos que v&atilde;o ao encontro do que foi apresentado pelas fam&iacute;lias e pelas pr&oacute;prias crian&ccedil;as dizem respeito, principalmente, &agrave; compreens&atilde;o do assentamento rural como espa&ccedil;o de viv&ecirc;ncia de maior tranquilidade e liberdade, e de contato intenso com a natureza ou ambiente natural, conforme ilustram os trechos seguintes.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> E com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a especificamente? Como voc&ecirc; v&ecirc; a crian&ccedil;a que cresce aqui no assentamento?</i>    <br>  &Acirc;ngela: <i>Olha, eu vejo que eles crescem, eles t&ecirc;m um pouco mais de calma do que na cidade, s&atilde;o mais calmos. N&atilde;o sei se pela pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o com a natureza... Eles t&ecirc;m uma maior mobilidade, destreza, coordena&ccedil;&atilde;o motora deles &eacute; &oacute;tima. Nos esportes eles se d&atilde;o muito, muito bem. Acho que &eacute; por causa dessa liberdade mesmo, dos movimentos.</i>    <br> (Professora &Acirc;ngela, Assentamento B)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alinhada &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias, para a professora &Acirc;ngela, a intera&ccedil;&atilde;o com o ambiente rural proporciona mobilidade, destreza e coordena&ccedil;&atilde;o motora, al&eacute;m de promover nas crian&ccedil;as maior tranquilidade. Nesta fala, ela aponta a rela&ccedil;&atilde;o direta com a natureza como uma forte qualidade do ambiente rural na constitui&ccedil;&atilde;o do ser crian&ccedil;a em &aacute;rea rural. Outros profissionais tamb&eacute;m trazem esses aspectos em suas falas.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> (...) No dia a dia, principalmente dos pequenos, da educa&ccedil;&atilde;o infantil. Como que &eacute; a rotina delas quando n&atilde;o est&atilde;o na escola?</i>    <br> Clarice:<i> &Eacute;, voc&ecirc; sabe, &agrave;s vezes eu vou l&aacute;, eles falam pra mim "Tia, eu hoje tirei leite da vaca", "Tia, hoje eu fui...". Outro dia a gente tava com uma crian&ccedil;a toda machucada, eu falei "Nossa! Mas o que aconteceu com essa crian&ccedil;a?", ela tinha ido catar uma galinha, a galinha arranhou. (Risos). Ent&atilde;o, eu percebo que tem um contato maior com a natureza, com os animais, com os bichos,. (...) Agora, o que fica claro pra mim &eacute; que eles t&ecirc;m mais liberdade, porque t&ecirc;m mais espa&ccedil;o. (...) Eles sobem na &aacute;rvore e descem com desenvoltura. Eles t&ecirc;m mais essa coisa do f&iacute;sico, desse contato mais f&iacute;sico mesmo com a natureza, sem muitos problemas. Eles pegam os bichinhos na m&atilde;o (...) eles pegam um besouro na m&atilde;o, eles p&otilde;em a lagartinha na m&atilde;o. Ent&atilde;o, isso eu percebo que tem de diferente mesmo. Um pouco mais de liberdade espacial. Mas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras coisas eu n&atilde;o vejo muito, eu n&atilde;o acho que s&atilde;o t&atilde;o diferentes.</i>    <br> (Diretora Clarice, Assentamento B)</p> </blockquote>      <p>A diretora Clarice, ao mesmo tempo em que compartilha a compreens&atilde;o das viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as assentadas como vinculadas &agrave; liberdade, &agrave; desenvoltura do movimento corporal e ao contato com a natureza, tamb&eacute;m sinaliza desencontros em rela&ccedil;&atilde;o aos demais sujeitos, destacando as continuidades da viv&ecirc;ncia dessas crian&ccedil;as e daquelas que vivem nas cidades.</p>      <p>Estes desencontros s&atilde;o mais evidentes com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es acerca das viv&ecirc;ncias nas rotinas familiares.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> Como voc&ecirc; acha que &eacute; o fim de semana dessas crian&ccedil;as?</i>    <br> Marta:<i> Eu tenho feito uma roda de conversa com eles. Pelo que eu vejo, muitos v&atilde;o ajudar os pais. Alguns n&atilde;o t&ecirc;m op&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o t&ecirc;m. Ficam em casa.</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  Pesquisadora:<i> E os de 4 e 5 anos? Como que voc&ecirc; imagina?</i>    <br> Marta: <i>Eu acho que num tem tamb&eacute;m op&ccedil;&atilde;o. Fica l&aacute;. Muitos, principalmente os meninos, dizem pra mim que v&atilde;o brincar de carrinho. Muitos v&atilde;o para o rio com o pai. Ent&atilde;o, eu acho que eles n&atilde;o t&ecirc;m a op&ccedil;&atilde;o do que fazer.</i>    <br> (Diretora Marta, Assentamento A)</p> </blockquote>      <p>Na fala de Marta, a interpreta&ccedil;&atilde;o dada ao acompanhamento da rotina dos pais situa a crian&ccedil;a e seu grupo familiar e cultural no lugar da falta, da aus&ecirc;ncia de op&ccedil;&otilde;es, contrariamente ao sentido positivo dado a essas atividades pelas fam&iacute;lias. Emerge da&iacute; a compreens&atilde;o de rural como espa&ccedil;o vazio, sem oportunidades de atividades e, consequentemente, com poucas possibilidades de explora&ccedil;&atilde;o de lugares e de participa&ccedil;&atilde;o em brinquedos e brincadeiras. O destaque &agrave;s viv&ecirc;ncias com o rio aparece associado &agrave; car&ecirc;ncia de outras possibilidades e n&atilde;o &agrave; potencialidade e riqueza que ele representa.</p>      <p>Aliando-se a esta fala, a coordenadora pedag&oacute;gica de uma das escolas associa esse debate ao uso que a escola pode fazer das caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as que vivem na &aacute;rea rural.</p>      <blockquote>     <p>Pesquisadora:<i> E como voc&ecirc; acha que &eacute; a vida dessas crian&ccedil;as, principalmente at&eacute; os cinco anos?</i>    <br> Li&ccedil;a:<i> Eu acho que alguns j&aacute; t&ecirc;m algumas responsabilidades um pouco mais de ajudar mesmo na pr&oacute;pria fam&iacute;lia. A gente brinca, eu e a Clarice, e fala que a agricultura familiar preconiza o trabalho infantil, porque se s&atilde;o todos ajudando por aquilo, a crian&ccedil;a acaba entrando tamb&eacute;m. Ent&atilde;o, n&atilde;o sei at&eacute; que ponto isso &eacute;... Longe de mim julgar. Mas eles t&ecirc;m uma vida mais livre, eu acho que eles t&ecirc;m sim. Eu vejo quando tem bichinhos que eles t&ecirc;m um contato muito grande. Voc&ecirc; pega uma crian&ccedil;a da cidade, j&aacute; vai ter medo. E eles n&atilde;o. Por isso que eu falo que essa explora&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; meio inata. Ent&atilde;o, d&aacute; pra voc&ecirc; aprofundar muito os conhecimentos, d&aacute; pra voc&ecirc; aproveitar muito o que tem ao redor.</i>    <br> (Coordenadora Lica, Assentamento B)</p> </blockquote>      <p>Com elementos de ambiguidade, os encontros e desencontros das significa&ccedil;&otilde;es a&iacute; presentes, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s das fam&iacute;lias e das crian&ccedil;as, definem as viv&ecirc;ncias tanto pelo espa&ccedil;o da brincadeira como pelas limita&ccedil;&otilde;es impostas pelo acompanhamento no trabalho da agricultura familiar.&Eacute; na significa&ccedil;&atilde;o do maior contato com a natureza que Lica vislumbra possibilidades de di&aacute;logo entre as pr&aacute;ticas escolares e a vida da crian&ccedil;a, seus saberes e seu entorno. Nesse movimento, abre possibilidades de uma pedagogia que explore o lugar, entendido predominantemente em seu aspecto natural.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>      <p>Nas significa&ccedil;&otilde;es apresentadas, a viv&ecirc;ncia das crian&ccedil;as em espa&ccedil;os significados pela liberdade, tranquilidade e autonomia, relaciona-se, por vezes, &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de perigo frente &agrave; exist&ecirc;ncia de animais perigosos e &agrave; extens&atilde;o das &aacute;reas de locomo&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. Essas viv&ecirc;ncias, mediadas pelos adultos e pelo ambiente f&iacute;sico e natural, comp&otilde;em processos de significa&ccedil;&otilde;es pelas crian&ccedil;as sobre seu contexto e o mundo em que vivem, ora favorecendo intera&ccedil;&otilde;es diversas entre crian&ccedil;as e seu socioambiente, ora restringindo suas possibilidades. Compreender essas viv&ecirc;ncias tamb&eacute;m no contexto institucional da educa&ccedil;&atilde;o infantil &eacute; reconhecer que ele faz parte do socioambiente e, portanto, tamb&eacute;m joga papel importante nos modos de vida das crian&ccedil;as assentadas.</p>      <p>Corraliza e Collado (2011) relatam que poucos s&atilde;o os estudos que investigam a influ&ecirc;ncia da natureza presente nas institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao bem-estar das crian&ccedil;as. Estudos como esse v&ecirc;m demonstrando a import&acirc;ncia do ambiente natural para o bem-estar do ser humano, bem como a necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise para uma compreens&atilde;o de diversos aspectos envolvidos na rela&ccedil;&atilde;o entre o ser humano e seu socioambiente; entre eles destaca-se o aspecto afetivo (Am&eacute;rigo, Garc&iacute;a &amp; S&aacute;nchez, 2013). Nesse sentido, compreender as viv&ecirc;ncias anteriores e atuais das crian&ccedil;as e de suas professoras contribui para essa an&aacute;lise.</p>      <p>De modo geral, o material de pesquisa permitiu verificar que, no Assentamento B, onde os encontros de significa&ccedil;&otilde;es dos diferentes sujeitos mais se pronunciam, a professora da turma das crian&ccedil;as de quatro e cinco anos de idade possu&iacute;a uma hist&oacute;ria de vida org&acirc;nica ao campo, fato diverso das professoras no Assentamento A. Sendo tamb&eacute;m assentada da reforma agr&aacute;ria, a professora do Assentamento B demonstrou uma leitura do socioambiente bastante rica, que se manifestou nas oportunidades que abria nas atividades que realizava com as crian&ccedil;as, em diversos espa&ccedil;os da escola e do assentamento. Distanciamentos e poucos v&iacute;nculos tamb&eacute;m estavam presentes na hist&oacute;ria de profissionais da educa&ccedil;&atilde;o nos assentamentos pesquisados, que faziam restringir as atividades em seus temas e nos espa&ccedil;os internos e fechados.</p>      <p>Essas aproxima&ccedil;&otilde;es e os distanciamentos instigam-nos a questionar sobre a import&acirc;ncia do saber e da experi&ecirc;ncia docente para a efetiva&ccedil;&atilde;o de uma aprendizagem significativa e contextualizada &agrave;s necessidades e experi&ecirc;ncias das crian&ccedil;as. Mais particularmente, instigam compreender a cria&ccedil;&atilde;o de zonas de partilha de significa&ccedil;&otilde;es e viv&ecirc;ncias socioespaciais, afetivas e temporais entre as professoras e a crian&ccedil;as. Pode-se supor que, a depender das significa&ccedil;&otilde;es de rural e de lugar, estas zonas de encontros e desencontros produzem maiores ou menores possibilidades de aprofundamento das media&ccedil;&otilde;es entre os conhecimentos escolares e os saberes das crian&ccedil;as, suas fam&iacute;lias e sua comunidade, promovendo ou n&atilde;o o crescente envolvimento e interesse das crian&ccedil;as, com vistas &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o das significa&ccedil;&otilde;es sobre o ambiente em que elas est&atilde;o inseridas (Oliveira, 2011a).</p>      <p>Nesse contexto, a constitui&ccedil;&atilde;o de uma proposta que se aproxime dos princ&iacute;pios da educa&ccedil;&atilde;o ambiental, na educa&ccedil;&atilde;o infantil, requer ainda mais da equipe escolar um exame acurado de suas significa&ccedil;&otilde;es sobre o rural e sobre o ser crian&ccedil;a nesse ambiente, sobre os distanciamentos e proximidades com o rural significado e vivido, sobre os saberes e as rela&ccedil;&otilde;es afetivas com o rural em que se localiza a escola, compartilhados ou n&atilde;o com as crian&ccedil;as e fam&iacute;lias.</p>      <p>Isto exige o conhecimento profundo sobre a realidade imediata das crian&ccedil;as assim como as potencialidades do entorno que a constitui e que ela constr&oacute;i. Conforme aponta Elali (2003), a integra&ccedil;&atilde;o dos profissionais com essa realidade proporciona uma mudan&ccedil;a de paradigma, de uma concep&ccedil;&atilde;o de ambiente natural como cen&aacute;rio em que se desenvolvem atividades com a crian&ccedil;a para uma concep&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a ativamente participativa, denominada pela autora de participa&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica.</p>      <p>Se isto &eacute; v&aacute;lido para todos os n&iacute;veis de ensino, mais ainda o &eacute; para a educa&ccedil;&atilde;o infantil. Neste caso, a media&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as assentadas na sua participa&ccedil;&atilde;o em seu mundo requer que se leve em conta princ&iacute;pios caros, constru&iacute;dos tanto no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o infantil (Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 2010) quanto nas discuss&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o ambiental (Barros &amp; Tozoni-Reis, 2009; Toledo, 2010). As intera&ccedil;&otilde;es e as brincadeiras comp&otilde;em-se assim como eixo integrador das atividades no contexto educacional que, revigoradas pela presen&ccedil;a de elementos do cotidiano das crian&ccedil;as, conformam as media&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com o mundo a sua volta e consigo mesmo, dialeticamente (Oliveira, 2011b; Teixeira, 2009). Neste processo, como atividade que permite a express&atilde;o da crian&ccedil;a em sua integralidade, a brincadeira possibilita compreender as apreens&otilde;es motoras, cognitivas e afetivas de suas viv&ecirc;ncias, na rela&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o, fus&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o ao mundo.</p>      <p>Um estudo desenvolvido por Am&eacute;rigo et al. (2013) demonstrou que pensar e comportar-se com atitudes pr&oacute;ambientais favorece tanto o meio ambiente como tamb&eacute;m o bem-estar emocional do indiv&iacute;duo. Nesse sentido, valorizar o contexto rural como espa&ccedil;o de vida e de produ&ccedil;&atilde;o que se interage de modo equilibrado com a natureza auxilia n&atilde;o apenas em atitudes sustent&aacute;veis como tamb&eacute;m na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de das comunidades rurais.</p>      <p>Nessa perspectiva, o per&iacute;odo da inf&acirc;ncia torna-se importante para o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es afetivas positivas com o ambiente natural e com maneiras equilibradas de cultiv&aacute;-lo, j&aacute; que se trata de um momento da vida em que s&atilde;o constitu&iacute;das as primeiras apropria&ccedil;&otilde;es sobre a cultura e o contexto socioambiental em que a crian&ccedil;a est&aacute; imersa. Raymundo, Kuhnen e Soares (2010) reiteram a import&acirc;ncia do di&aacute;logo te&oacute;rico e metodol&oacute;gico entre a Psicologia Ambiental e a Psicologia do Desenvolvimento, na problematiza&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre a crian&ccedil;a em desenvolvimento e o socioambiente.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Toledo (2010), a aprecia&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica, o cuidado e o afeto com os processos e elementos da natureza motivam a aproxima&ccedil;&atilde;o e o interesse das crian&ccedil;as. O envolvimento afetivo implica o sujeito no cuidado e s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com o conhecimento e a conviv&ecirc;ncia direta com o objeto de afeto, no caso os bens naturais (Tiriba, 2008). Esses elementos podem ser potencializados quando se trabalha em contexto rural. Como afirmam Silva et al. (2012), a educa&ccedil;&atilde;o infantil do campo pode ser vista como verdadeiros experimentos naturais, nos quais artificialismos podem ser evitados, uma vez que "dispon&iacute;veis est&atilde;o os elementos que comp&otilde;em a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o da vida" (p.177).</p>      <p>As viv&ecirc;ncias das crian&ccedil;as dos assentamentos rurais retratadas na pesquisa demonstram rela&ccedil;&otilde;es entre ser humano e meio-ambiente marcadas pelas cria&ccedil;&otilde;es e cultivos. Evidentemente, a viv&ecirc;ncia rural por si s&oacute; n&atilde;o garante a constitui&ccedil;&atilde;o de sujeitos preocupados com a produ&ccedil;&atilde;o da vida, porque esta pode ser pautada na explora&ccedil;&atilde;o de forma inconsequente. Esta caracter&iacute;stica &eacute; bastante documentada nos meios rurais, cujas pr&aacute;ticas hist&oacute;ricas de dom&iacute;nio da natureza foram hegemonicamente pautadas na depreda&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais (Beduschi Filho, 2003).  Compreender as formas de ocupa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o no rural em que se situa a escola &eacute;, portanto, tarefa imprescind&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o infantil, na constru&ccedil;&atilde;o de seus projetos em articula&ccedil;&atilde;o ou mesmo em questionamento destas pr&aacute;ticas. Desta forma, a escola pode ser o lugar em que se amplia a compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre ser humano e natureza, de uma perspectiva utilitarista e/ou antropoc&ecirc;ntrica para uma perspectiva de interdepend&ecirc;ncia e pertencimento (Toledo, 2010; Tiriba, 2005). Tamb&eacute;m os contextos de assentamentos rurais de reforma agr&aacute;ria que possuem em seus projetos a organiza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria baseada na agricultura familiar, na produ&ccedil;&atilde;o coletiva, na produ&ccedil;&atilde;o em respeito aos bens naturais e na policultura, por exemplo, representam &agrave;s escolas verdadeiros laborat&oacute;rios para as pr&aacute;ticas educativas.</p>      <p>No cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o promotora da constru&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima e horizontal entre o ser humano e a natureza (Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 2010; Toledo, 2010), a educa&ccedil;&atilde;o infantil necessita pensar a rela&ccedil;&atilde;o com o meio-ambiente de modo integral, considerando seus m&uacute;ltiplos e complexos elementos, que envolvem aspectos ecol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos, legais, pol&iacute;ticos, sociais, econ&ocirc;micos, cient&iacute;ficos, culturais e &eacute;ticos (Raymundo &amp; Kuhnen, 2010). S&oacute; assim ela se constituir&aacute; numa educa&ccedil;&atilde;o ambiental transformadora (Raethzel &amp; Uzzell, 2009) e permitir&aacute; que as crian&ccedil;as sejam de fato sujeitos ativos e catalizadores das mudan&ccedil;as ambientais (Uzzell, 1994).</p>  <hr>      <p><b>Pie de p&aacute;gina</b></p>      <p><sup><a href="#nu1" name="num1">1</a></sup> No contexto dos assentamentos rurais, as agrovilas s&atilde;o conhecidas como n&uacute;cleos populacionais dentro das fazendas assentadas, nos quais as pessoas vivem em casas mais pr&oacute;ximas umas das outras e possuem seus lotes independentes dessas &aacute;reas. &Eacute; nas agrovilas geralmente que se instalam os servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncias e de organiza&ccedil;&atilde;o coletiva dos moradores, como por exemplo, as escolas, postos de sa&uacute;de, sedes de cooperativas, associa&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais.</p>  <hr>      <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p>Am&eacute;rigo, M., Garc&iacute;a, J. A., &amp; S&aacute;nchez, T. (2013). Actitudes y comportamiento hacia el medio ambiente natural. Salud medioambiental y bienestar emocional. <i>Universitas Psychologica, 12</i>(3). doi: 10.11144/ Javeriana.UPSY12-3.acma.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0120-0534201300030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Barbosa, M. C., Gehlen, I., &amp; Fernandes, S. B. (2012). A oferta e a demanda de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil no campo: um estudo a partir de dados prim&aacute;rios. In M. C. S. Barbosa, A. P. S. Silva, J. Pasuch, F. L. A. Leal, I. O. Silva, M. N. M. Freitas &amp; S. S. Albuquerque (Eds.), <i>Oferta e demanda de educa&ccedil;&atilde;o infantil no campo</i> (pp. 71-105). Porto Alegre: Evangraf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0120-0534201300030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Barros, V. &amp; Tozoni-Reis, M. (2009). Reinventando o ambiente: Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental na Educa&ccedil;&atilde;o Infantil. <i>Cadernos de Educa&ccedil;&atilde;o, 34</i>, 135-151.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0120-0534201300030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Beduschi Filho, L. C. (2003). <i>Assentamentos rurais e conserva&ccedil;&atilde;o da natureza: do estranhamento &agrave; a&ccedil;&atilde;o coletiva</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Iglu, FAPESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0120-0534201300030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Campos-de-Carvalho, M. &amp; Souza, T. N. (2008). Psicologia Ambiental, Psicologia do Desenvolvimento e Educa&ccedil;&atilde;o Infantil: integra&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel? <i>Paideia, 18</i>(39), 25-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0120-0534201300030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Castro, P. (2005). Cren&ccedil;as e atitudes em rela&ccedil;&atilde;o ao ambiente e &agrave; natureza. In L. Soczka (Ed.), <i>Contextos Humanos e Psicologia Ambiental</i> (pp.160-201). Lisboa, Portugal: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0120-0534201300030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Corraliza, J. A., &amp; Collado, S. (2011). La naturaleza cercana como moderadora del estr&eacute;s infantil. <i>Psicothema, 23</i>(2), 221-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0120-0534201300030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Elali, G. A. (2003). O ambiente da escola - o ambiente na escola: uma discuss&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o escola-natureza em educa&ccedil;&atilde;o infantil. <i>Estudos de Psicologia (Natal), 8</i>(2), 309-319.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0120-0534201300030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gruenewald, D. (2003). The best of both worlds: A critical pedagogy of place. <i>Educational Researcher, 32</i>(4), 3-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0120-0534201300030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kuhlmann Junior, M. (2010) <i>Inf&acirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o infantil: uma abordagem hist&oacute;rica</i>. Porto Alegre, RS: Media&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0120-0534201300030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Meshcheryakov, B. G. (2010). Ideias de L. S. Vigotski sobre a ci&ecirc;ncia do desenvolvimento infantil.<i> Psicologia USP, 21</i>(4), 703-726.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0120-0534201300030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Oliveira, Z. M. R. (2011a). <i>Educa&ccedil;&atilde;o infantil: fundamentos e m&eacute;todos</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0120-0534201300030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Oliveira, Z. M. R. (2011b). <i>Jogo de papeis: um olhar para as brincadeiras infantis</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0120-0534201300030000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pino, A. (2005). <i>As marcas do humano: as origens da constitui&ccedil;&atilde;o cultural da crian&ccedil;a na perspectiva de Lev S. Vigotski</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0120-0534201300030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Raymundo, L. S., &amp; Kuhnen, A. (2010). A psicologia e a educa&ccedil;&atilde;o ambiental. <i>Revista de Ci&ecirc;ncias Humanas, 44</i>(2), 435-450.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0120-0534201300030000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Raymundo, L. S., Kuhnen, A., &amp; Soares, L. B. (2000). O espa&ccedil;o aberto da educa&ccedil;&atilde;o infantil: lugar para brincar e desenvolverse. <i>Psicologia em Revista, 16</i>(2), 251-270.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0120-0534201300030000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Raethzel, N., &amp; Uzzell, D. (2009). Transformative environmental education: a collective rehearsal for reality'. <i>Environmental Education Research, 15</i>(3), 263-277.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0120-0534201300030000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rey, F. L. G. (2000). El lugar de las emociones en la constituci&oacute;n social de lo ps&iacute;quico: el aporte de Vigotski. <i>Educa&ccedil;&atilde;o </i>&amp; <i>Sociedade, 70</i>, 132-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0120-0534201300030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rockwell, E. (2009). <i>La experiencia etnogr&aacute;fica: historia y cultura en los procesos educativos</i>. Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0120-0534201300030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica - Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. (2010) <i>Diretrizes curriculares nacionais para a educa&ccedil;&atilde;o infantil</i>. Bras&iacute;lia: MEC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0120-0534201300030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Silva, J. B. (2012). <i>Crian&ccedil;as assentadas e educa&ccedil;&atilde;o infantil no/do campo: contextos e significa&ccedil;&otilde;es</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0120-0534201300030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, A. P. S. (2011, Setembro). Creche, Pr&eacute;-Escola e Democracia. <i>Educa&ccedil;&atilde;o (S&atilde;o Paulo)</i>, 14-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0120-0534201300030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silva, A. P. S., Pasuch, J. &amp; Silva, J. B. (2012). <i>Educa&ccedil;&atilde;o Infantil do campo</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0120-0534201300030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, J. B. &amp; Silva, A. P. S. (2013). A crian&ccedil;a e o ambiente natural: experi&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o infantil em assentamento rural. In: I. O. Silva, A. P. S. Silva, &amp; A. A. Martins (Orgs.), <i>Inf&acirc;ncias do campo </i>(pp. 165-181). 1 ed. Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0120-0534201300030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Teixeira, S. R. S. (2009). <i>A constru&ccedil;&atilde;o de significados nas brincadeiras de faz de conta por crian&ccedil;as de uma turma de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil ribeirinha da Amaz&ocirc;nia</i>. Tese de doutorado, Universidade Federal do Par&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0120-0534201300030000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      <!-- ref --><p>Tiriba, L. (2005). <i>Crian&ccedil;as, natureza e educa&ccedil;&atilde;o infantil</i>. Tese de doutorado, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0120-0534201300030000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Tiriba, L. (2008). Seres Humanos e Natureza nos espa&ccedil;os de Educa&ccedil;&atilde;o Infantil. <i>Revista Sinpro-Rio, 3</i>, 22-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0120-0534201300030000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Toassa, G. (2009). <i>Emo&ccedil;&otilde;es e viv&ecirc;ncias em Vigotski: investiga&ccedil;&atilde;o para uma perspectiva hist&oacute;rico-cultural</i>. Tese de doutorado, Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0120-0534201300030000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Toledo, M. L. P. B. (2010). <i>Rela&ccedil;&otilde;es e concep&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as com/sobre a natureza</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0120-0534201300030000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Uzzell, D. (1994). <i>Children as catalysts of environmental change</i> (Final report). Denmark, France, Portugal, United Kingdom. Recuperado de: <a href="http://www.academia.edu/attachments/6978005/download_file" target="_blank">http://www.academia.edu/attachments/6978005/download_file</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0120-0534201300030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vidal, T., &amp; Pol, E. (2005). La apropiaci&oacute;n del espacio: una propuesta te&oacute;rica para comprender la vinculaci&oacute;n entre las personas y los lugares. <i>Anuario de Psicolog&iacute;a, 36</i>(3), 281-297.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0120-0534201300030000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (2000). Psicologia Concreta do Homem (1929). <i>Educa&ccedil;&atilde;o </i>&amp;<i> Sociedade - Cedes, 71</i>, 21-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0120-0534201300030000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (2010). Quarta aula: a quest&atilde;o do meio na pedologia. <i>Psicologia USP, 21</i>(4), 681-701.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0120-0534201300030000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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