<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0120-338X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Forma y Función]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Forma funcion, Santaf, de Bogot, D.C.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0120-338X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidad Nacional de Colombia.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0120-338X2008000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Atitudes em fronteira: o caso de tabatinga e letícia border attitudes: the case of tabatinga and leticia]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Border attitudes: the case of tabatinga and Leticia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[de Campos Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<numero>21</numero>
<fpage>303</fpage>
<lpage>324</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0120-338X2008000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0120-338X2008000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0120-338X2008000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo analisa as atitudes lingüísticas de brasileiros e colombianos, bilíngües em espanhol e português, habitantes da área formada por Tabatinga e Letícia, com o objetivo de verificar a manutenção ou não de imaginário binacional a partir daquilo que os sujeitos referem sobre seus idiomas. Tal investigação tem natureza sociolingüística, porque as atitudes lingüísticas influenciam os destinos lingüísticos de qualquer comunidade. A metodologia baseia-se em técnicas de análise de dados e medida de atitudes sociais comuns na psicologia social. Mais especificamente, os dados obtidos por meio de entrevistas e questionários são aplicados a uma escala de medição de atitudes, conhecida como Escala de Likert. Constata-se que há diferenças de crenças e valores entre brasileiros e colombianos considerando-se aquilo que dizem sobre suas línguas. As atitudes lingüísticas encontradas denotam que, na região, mantém-se o imaginário binacional. A idéia de limite político está marcada. Os brasileiros preferem o português e o sentem como seu idioma; os colombianos pensam o mesmo em relação ao espanhol. Fala-se o português em Tabatinga e o espanhol em Letícia, reforçando a idéia de que o território nacional influi na escolha lingüística dos habitantes. Brasileiros e colombianos entendem-se como povos distintos um do outro, com crenças e idiomas diferentes.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper analyzes the linguistic attitudes of Brazilian and Colombian bilingual inhabitants (English and Spanish) in Leticia and Tabatinga in order to confirm if a binational representation is kept, taking into account what people express about their languages. This research is sociolinguistic because linguistic attitudes have a bearing on the way communities interact linguistically. The methodology is based on data analysis and the measurement of social attitudes according to methods used in Social Psychology. More specifically, data collected in interviews and questionnaires are assessed in an attitudes measurement scale (Likert Scale). Discrepancies in beliefs and valves between Brazilians and Colombians livins in this zone were confirmed. Their linguistic attitudes suggest that a binational representation is kept. An idea of political frontier is marked. Brazilians prefer Portuguese, and feel it is their language; Colombians prefer Spanish. Portuguese is spoken in Tabatinga; Spanish is spoken in Leticia. This situation is reinforcing the idea that national frontiers influence the inhabitants&#39; linguistic choice. Brazilians and Colombians in Leticia and Tabatinga see each other as different people, with different beliefs and languages.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[atitudes lingüísticas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[identidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[nação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[bilingüismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Brasil-Colômbia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[linguistic attitudes]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[identity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[nation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[bilingualism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Brazil-Colombia]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">      <p align="center"><font size="4"><b>Atitudes em fronteira: o caso de tabatinga e    let&iacute;cia border attitudes: the case of tabatinga and leticia</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Border attitudes: the case of tabatinga and Leticia</b></font></p>     <p> <b>Gabriela de Campos Barbosa*</b></p>     <p> Universidade Federal do Rio de Janeiro, <a href="mailto:gabriela67@yahoo.com">gabriela67@yahoo.com</a></p>     <p align="center"> Art&iacute;culo recibido 30-11-07, art&iacute;culo aceptado    08-04-08 </p> <hr size="1">     <p><b><font size="3">Resumo</font></b></p>     <p> Este artigo analisa as atitudes ling&uuml;&iacute;sticas de brasileiros e    colombianos, bil&iacute;ng&uuml;es em espanhol e portugu&ecirc;s, habitantes    da &aacute;rea formada por Tabatinga e Let&iacute;cia, com o objetivo de verificar    a manuten&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o de imagin&aacute;rio binacional a partir    daquilo que os sujeitos referem sobre seus idiomas. Tal investiga&ccedil;&atilde;o    tem natureza socioling&uuml;&iacute;stica, porque as atitudes ling&uuml;&iacute;sticas    influenciam os destinos ling&uuml;&iacute;sticos de qualquer comunidade. A metodologia    baseia-se em t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de dados e medida de atitudes    sociais comuns na psicologia social. Mais especificamente, os dados obtidos    por meio de entrevistas e question&aacute;rios s&atilde;o aplicados a uma escala    de medi&ccedil;&atilde;o de atitudes, conhecida como Escala de Likert. Constata-se    que h&aacute; diferen&ccedil;as de cren&ccedil;as e valores entre brasileiros    e colombianos considerando-se aquilo que dizem sobre suas l&iacute;nguas. As    atitudes ling&uuml;&iacute;sticas encontradas denotam que, na regi&atilde;o,    mant&eacute;m-se o imagin&aacute;rio binacional. A id&eacute;ia de limite pol&iacute;tico    est&aacute; marcada. Os brasileiros preferem o portugu&ecirc;s e o sentem como    seu idioma; os colombianos pensam o mesmo em rela&ccedil;&atilde;o ao espanhol.    Fala-se o portugu&ecirc;s em Tabatinga e o espanhol em Let&iacute;cia, refor&ccedil;ando    a id&eacute;ia de que o territ&oacute;rio nacional influi na escolha ling&uuml;&iacute;stica    dos habitantes. Brasileiros e colombianos entendem-se como povos distintos um    do outro, com cren&ccedil;as e idiomas diferentes.</p>     <p> <b>Palavras-chave</b>: atitudes ling&uuml;&iacute;sticas, identidade, na&ccedil;&atilde;o,    biling&uuml;ismo, Brasil-Col&ocirc;mbia.</p> <hr size="1">     <p><b><font size="3">Abstract</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> This paper analyzes the linguistic attitudes of Brazilian and Colombian bilingual    inhabitants (English and Spanish) in Leticia and Tabatinga in order to confirm    if a binational representation is kept, taking into account what people express    about their languages. This research is sociolinguistic because linguistic attitudes    have a bearing on the way communities interact linguistically. The methodology    is based on data analysis and the measurement of social attitudes according    to methods used in Social Psychology. More specifically, data collected in interviews    and questionnaires are assessed in an attitudes measurement scale (Likert Scale).    Discrepancies in beliefs and valves between Brazilians and Colombians livins    in this zone were confirmed. Their linguistic attitudes suggest that a binational    representation is kept. An idea of political frontier is marked. Brazilians    prefer Portuguese, and feel it is their language; Colombians prefer Spanish.    Portuguese is spoken in Tabatinga; Spanish is spoken in Leticia. This situation    is reinforcing the idea that national frontiers influence the inhabitants&#39;    linguistic choice. Brazilians and Colombians in Leticia and Tabatinga see each    other as different people, with different beliefs and languages.</p>     <p> <b>Keywords</b>: linguistic attitudes, identity, nation, bilingualism, Brazil-Colombia.</p> <hr size="1">     <p><font size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p> Com o iNtuito de verificar a hip&oacute;tese de que, al&eacute;m da variedade    ling&uuml;&iacute;stica, diferen&ccedil;as culturais justificam as maneiras    de socializa&ccedil;&atilde;o dos grupos estudados -as atitudes sobre    eles mesmos e os demais, sobre as l&iacute;nguas que utilizam e a manuten&ccedil;&atilde;o    de imagin&aacute;rio binacional na regi&atilde;o-, este artigo analisa    as atitudes ling&uuml;&iacute;sticas de brasileiros e colombianos bil&iacute;ng&uuml;es    em portugu&ecirc;s e em espanhol, habitantes de uma fronteira particular: a    regi&atilde;o urbana de Tabatinga, no lado brasileiro, e de Let&iacute;cia,    no lado colombiano.</p>     <p> Tabatinga tem 26.536 habitantes (ibge, Brasil, 2000); e Let&iacute;cia, 36.528    habitantes (DaNe, Col&ocirc;mbia, 2000). A primeira cidade, fundada em 1766    com a constru&ccedil;&atilde;o de um forte pe los militares portugueses para    defender seu territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico, &eacute; considerada um posto    militar, embora n&atilde;o existam somente militares na cidade. Estes foram    se misturando &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local. Segundo dados do ex&eacute;rcito    brasileiro (2004), 934 homens organizados em quatro pelot&otilde;es s&atilde;o    respons&aacute;veis pela vigil&acirc;ncia fronteiri&ccedil;a de Tabatinga. Ali    o governo brasileiro, atrav&eacute;s dos minist&eacute;rios da Cultura, Educa&ccedil;&atilde;o    e Turismo, investe em atividades militares e de ajuda civil para evitar o &ecirc;xodo    populacional, incentivando os servi&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de    e infra-estrutura como estrat&eacute;gia de defesa nacional, desenvolvimento    e fixa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. Let&iacute;cia, capital    da prov&iacute;ncia colombiana chamada Amazonas, tem sua funda&ccedil;&atilde;o    em 1867, por peruanos, para ser porto comercial. Tabatinga e Let&iacute;cia    est&atilde;o &agrave;s margens do rio denominado Amazonas, no lado colombiano,    e Solim&otilde;es, no lado brasileiro. A avenida da Amizade liga as duas cidades    e n&atilde;o h&aacute; divis&atilde;o estrita entre elas. Pode-se passar de    uma localidade a outra sem passaporte. Existe apenas uma tabuleta indicadora    de fronteira, que ningu&eacute;m percebe mais. Tabatinga e Let&iacute;cia intercambiam    servi&ccedil;os e m&atilde;o-de-obra e est&atilde;o relativamente isolados do    resto do Brasil e da Col&ocirc;mbia, j&aacute; que a floresta amaz&ocirc;nica    as circunda. O contato com outras regi&otilde;es acontece por transporte a&eacute;reo    ou fluvial, raz&atilde;o pela qual Tabatinga e Let&iacute;cia permanecem unidas    s&oacute;cio-economicamente (Barbosa, 2004, p. 10).</p>     <p> Devido a essa necessidade de sobreviv&ecirc;ncia, as fam&iacute;lias foram    se misturando por meio de uni&otilde;es oficiais e n&atilde;o oficiais e apresentam    integrantes das duas nacionalidades. As autoridades afirmam n&atilde;o saber    exatamente quantos estrangeiros existem em cada cidade, pois muitos possuem    dupla nacionalidade e declaram uma das duas dependendo da situa&ccedil;&atilde;o    (na escola, em hospitais, por exemplo). Tal n&iacute;vel de miscigena&ccedil;&atilde;o    deveria fazer com que pens&aacute;ssemos que h&aacute; uma integra&ccedil;&atilde;o    perfeita na regi&atilde;o, ou seja, que na fam&iacute;lia, no trabalho ou nas    ruas as diferen&ccedil;as nacionais foram apagadas. Entretanto, isto n&atilde;o    ocorre, aumentando o interesse pelo estudo dessa regi&atilde;o paradoxal.</p>     <p> Embora brasileiros e colombianos vivam em comunidade aparentemente tranq&uuml;ila,    detectam-se diferen&ccedil;as entre eles quando se observam as atitudes e valora&ccedil;&otilde;es    que uma nacionalidade demonstra em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; outra e aos    idiomas que utilizam. Durante as entrevistas ou conversas informais estabelecidas    entre o investigador e a popula&ccedil;&atilde;o, houve declara&ccedil;&otilde;es    de que, por exemplo, colombianos pensam que o brasileiro &eacute; menos trabalhador    do que eles e que gosta de viver em festas. O contr&aacute;rio tamb&eacute;m    acontece. Brasileiros declararam que os colombianos s&atilde;o mais rudes ao    falar e chegam a ser grosseiros.</p>     <p> Dessa forma, o problema investigativo traduz-se como as diferen&ccedil;as    entre grupos de distintas nacionalidades, brasileiros e colombianos. Toma-se    a id&eacute;ia de na&ccedil;&atilde;o como etnia, na vis&atilde;o de Ribeiro    (1975, pp. 61-63), ou seja, &quot;um povo que se v&ecirc; a si mesmo como um    ente singular frente aos demais e que aspira &agrave; &#39;auto-determina&ccedil;&atilde;o&#39;    de seu destino; des&iacute;gnio comumente alcan&ccedil;ado pelo dom&iacute;nio    de um territ&oacute;rio pertencente a uma entidade pol&iacute;tica, que &eacute;    o estado nacional&quot;. As formas de intera&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica    e cultural refletem atitudes ling&uuml;&iacute;sticas, valora&ccedil;&otilde;es    e estere&oacute;tipos constru&iacute;dos pelos povos em contato, o que finalmente    provoca e demonstra quest&otilde;es de identidade na regi&atilde;o.</p>     <p> A seguir, encontram-se detalhes sobre a teoria e a metodologia nas quais est&aacute;    baseado este artigo. Depois, apresentam-se os resultados da pesquisa, bem como    discuss&atilde;o e conclus&otilde;es.</p>     <p> <font size="3"><b>2. Material e m&eacute;todos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>2.1 Fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica</b></p>     <p> O presente trabalho busca, na psicologia social, os conceitos de atitude e    de estere&oacute;tipos, como tamb&eacute;m o m&eacute;todo de an&aacute;lise    dos dados, ou seja, a aplica&ccedil;&atilde;o destes &agrave; Escala de Likert,    detalhada mais adiante; na antropologia ling&uuml;&iacute;stica, encontra a    base da rela&ccedil;&atilde;o l&iacute;ngua-cultura-identidade, al&eacute;m    dos conceitos de valores, preconceitos e estere&oacute;tipos.</p>     <p> Interessada em como um indiv&iacute;duo valora outros grupos ou sujeitos,    a psicologia social dedica-se ao estudo das atitudes e as define, com Montmollin    (1985, p. 117), como &quot;sentimentos ou ju&iacute;zos favor&aacute;veis ou    desfavor&aacute;veis sobre pessoas ou grupos sociais&quot;. Tamb&eacute;m aborda    o conceito de estere&oacute;tipo e o considera como a base cognitiva do preconceito,    pois v&ecirc; o primeiro como uma cren&ccedil;a sobre as caracter&iacute;sticas    pessoais que atribu&iacute;mos aos indiv&iacute;duos. &Eacute; poss&iacute;vel    identificar tais estere&oacute;tipos atrav&eacute;s da l&iacute;ngua, j&aacute;    que aparecem concretizados no uso ling&uuml;&iacute;stico dos falantes. Neste    ponto entra a socioling&uuml;&iacute;stica e, em meio a essa gama de atitudes,    concentra-se na atitude ling&uuml;&iacute;stica. Segundo Lastra (1992, p. 148),    a atitude ling&uuml;&iacute;stica &eacute; &quot;qualquer &iacute;ndice afetivo,    cognoscitivo ou de comportamento de rea&ccedil;&otilde;es a diferentes variedades    da l&iacute;ngua ou a seus falantes&quot;. Partindo dessas rea&ccedil;&otilde;es    ou posicionamentos ling&uuml;&iacute;sticos em uma sociedade, &eacute; poss&iacute;vel    observar se os sujeitos preferem ou n&atilde;o determinado uso ou forma empregada    e, por conseguinte, se identificam com o grupo que a concretiza. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia    disso, formam-se uma ou mais comunidades de fala que, segundo Moreno (1998,    p. 37), s&atilde;o grupos de indiv&iacute;duos que conhecem e compartilham ao    menos uma variedade ling&uuml;&iacute;stica, regras de comportamento comunicativo,    atitudes e uma mesma valora&ccedil;&atilde;o das formas ling&uuml;&iacute;sticas.    Al&eacute;m disso, pode-se tamb&eacute;m perceber se na comunidade ocorre ou    n&atilde;o a diglossia, que Fishman (1979, p. 129) define como &quot;o uso    de duas variedades ling&uuml;&iacute;sticas, de qualquer tipo, com fun&ccedil;&otilde;es    diferentes (depois o autor alarga o conceito para duas l&iacute;nguas distintas)&quot;.</p>     <p> Segundo a antropologia ling&uuml;&iacute;stica, cultura &eacute; uma &quot;maneira    de ser e estar no mundo&quot; (Duranti, 1997, cap. 2). Essa maneira est&aacute;    constitu&iacute;da por valores, cren&ccedil;as, saberes e conhecimentos socialmente    adquiridos atrav&eacute;s do aprendizado humano. Os indiv&iacute;duos organizam    sistemas simb&oacute;licos para conhecer e reconhecer essa realidade org&acirc;nica    e inorg&acirc;nica, formando assim uma consci&ecirc;ncia sobre o mundo, os seres    que o habitam, as coisas e sobre eles mesmos. Um desses sistemas &eacute; a    l&iacute;ngua. &Agrave; medida que tais sistemas s&atilde;o particulares a determinado    grupo, pode-se reconhecer um modo particular de viver de tais indiv&iacute;duos    e caracteriz&aacute;-los como detentores de uma identidade cultural pr&oacute;pria.    Como Duranti, Gumperz (1981, p. 99) tamb&eacute;m se dedica &agrave; rela&ccedil;&atilde;o    l&iacute;ngua e cultura, e diz que a estrutura ling&uuml;&iacute;stica tem um    importante efeito sobre o modo como se percebe a realidade. Este autor afirma    que a linguagem ajuda a formar as bases dos estere&oacute;tipos com que justificamos    nossos modos de experi&ecirc;ncia e &eacute;; portanto, mais que um ve&iacute;culo    para expressar id&eacute;ias, &eacute; capaz de restringir nosso pensar. Os    indiv&iacute;duos, quando aprendem a l&iacute;ngua materna, adquirem tamb&eacute;m    a forma com que seu grupo avalia essa l&iacute;ngua e as l&iacute;nguas dos    outros. Os estere&oacute;tipos est&atilde;o baseados em valores que a comunidade    possui. Para van Dijk (1997, p. 9), que tamb&eacute;m aborda a rela&ccedil;&atilde;o    l&iacute;ngua-cultura, estere&oacute;tipos s&atilde;o &quot;pontos de refer&ecirc;ncia    para a avalia&ccedil;&atilde;o social e cultural&quot;. Segundo este autor,    os valores &quot;est&atilde;o localizados no dom&iacute;nio da mem&oacute;ria    das cren&ccedil;as sociais&quot; e &quot;compreendem-se como objetos mentais    compartilhados de cogni&ccedil;&atilde;o social&quot; (vanDijk, 1997, p. 79).    Se a comunidade estudada &eacute; bil&iacute;ng&uuml;e, tamb&eacute;m &eacute;    prov&aacute;vel que viva uma experi&ecirc;ncia bicultural, j&aacute; que tem    contato com duas realidades ling&uuml;&iacute;sticas.</p>     <p> Considera-se bil&iacute;ng&uuml;e, neste trabalho, aquele que utiliza dois    idiomas de forma alternada (Weinreich, 1953, p. 5), sendo que esse uso pode    variar em n&iacute;veis diferentes. O bil&iacute;ng&uuml;e, ent&atilde;o, poder&aacute;    dominar as habilidades de produ&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o ling&uuml;&iacute;sticas    ou apenas ser fluente para entender o idioma e n&atilde;o para produzi-lo.</p>     <p> <b>2.2 Etapas na coleta de dados</b></p>     <p> A pesquisa se desenvolve em tr&ecirc;s visitas &agrave; regi&atilde;o, a saber,    15 dias em 1998, 20 dias em 1999 e 20 dias em 2000. A primeira visita voltou-se    para a observa&ccedil;&atilde;o participante, isto &eacute;, para a observa&ccedil;&atilde;o    da comunidade em atividades comuns &agrave; rotina dos habitantes. Em conversas    informais na rua, no com&eacute;rcio, nas escolas, anotaram-se declara&ccedil;&otilde;es    do tipo &quot;o brasileiro &eacute; festeiro&quot; e &quot;o colombiano &eacute;    trabalhador&quot;, o que sugere uma divis&atilde;o pol&iacute;tica de duas    na&ccedil;&otilde;es no imagin&aacute;rio local.</p>     <p> A segunda visita de campo estabeleceu o primeiro grupo de informantes que    forneceu os enunciados avaliativos sobre o portugu&ecirc;s e o espanhol. N&atilde;o    &eacute; necess&aacute;ria uma amostra de todos os bil&iacute;ng&uuml;es da    regi&atilde;o (item &quot;Justificativa da amostra&quot;), j&aacute; que somente    s&atilde;o utilizados alguns de tais enunciados (6 a 24) conforme Oppenheim    (1992, p. 187). Essas proposi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o extra&iacute;das    de entrevistas e question&aacute;rios (t&eacute;cnicas detalhadas mais adiante).</p>     <p> A terceira visita dedicou-se &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o dos enunciados    avaliativos &agrave; comunidade bil&iacute;ng&uuml;e.</p>     <p> <b>2.3 T&eacute;cnicas de coleta de dados</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Na segunda visita de campo, para recolher os enunciados avaliativos foram    aplicadas t&eacute;cnicas diretas de coleta de dados (quando o informante tem    a consci&ecirc;ncia sobre o tema abordado). Entre as t&eacute;cnicas deste tipo    encontram-se os question&aacute;rios e as entrevistas.</p>     <p> 2.3.1 Question&aacute;rios</p>     <p> De acordo com Richardson (1999, cap. 12 e 13), o question&aacute;rio &eacute;    um dos m&eacute;todos de capta&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o    mais utilizado na investiga&ccedil;&atilde;o social. Ele permite obter um grande    n&uacute;mero de dados em um curto per&iacute;odo; abarca uma ampla &aacute;rea    geogr&aacute;fica e apresenta relativa uniformidade nos resultados, pois o vocabul&aacute;rio,    a ordem das perguntas e as instru&ccedil;&otilde;es s&atilde;o iguais para todos    os entrevistados. Os question&aacute;rios permitem a tabula&ccedil;&atilde;o    dos dados de maneira mais f&aacute;cil, principal mente aquilos de perguntas    fechadas, onde as op&ccedil;&otilde;es de respostas aparecem para o indiv&iacute;duo.    Este tipo se usa para conseguir informa&ccedil;&otilde;es objetivas sobre o    sujeito, como dados pessoais, cidade de resid&ecirc;ncia e nacionalidade, em    modelo de m&uacute;ltipla escolha, por exemplo. O question&aacute;rio de perguntas    abertas (quando n&atilde;o h&aacute; m&uacute;ltipla escolha) d&aacute; ao sujeito    a possibilidade de contestar algo que n&atilde;o est&aacute; apresentado ou    previsto pelo investigador, fornecendo a este &uacute;ltimo informa&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o preconcebidas sobre a comunidade estudada.</p>     <p> Foram utilizados esses dois tipos de question&aacute;rios. O question&aacute;rio    em portugu&ecirc;s foi respondido pelos brasileiros e o question&aacute;rio    em espanhol pelos colombianos, j&aacute; que assim preferiram. N&atilde;o houve    nenhum pedido de troca de instrumento pelos informantes.</p>     <p> 2.3.2 Entrevistas</p>     <p> Sobre as entrevistas tentou-se conjugar, na mesma ocasi&atilde;o, dois tipos    de procedimentos importantes, ou seja, a entrevista n&atilde;o diretiva, mais    pr&oacute;xima de uma conversa, e a entrevista guiada, baseada num question&aacute;rio    escrito. Nos dois casos deseja-se obter dados mais profundos sobre a comunidade.    Isto significa que o investigador pode captar informa&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o    em um n&iacute;vel consciente, subconsciente e inconsciente do informante.</p>     <p> A entrevista n&atilde;o diretiva tem a inten&ccedil;&atilde;o de descobrir    aquilo que o sujeito acredita sobre os aspectos do tema abordado. &Eacute; um    instrumento &uacute;til para conhecer as atitudes de uma comunidade sobre determinado    tema. Deixa-se que o sujeito fale e n&atilde;o s&atilde;o permitidas muitas    interven&ccedil;&otilde;es do investigador; este n&atilde;o deve deixar que    o indiv&iacute;duo se desvie do assunto.</p>     <p> A entrevista guiada &eacute; feita com base em um guia preparado com anteced&ecirc;ncia    e, embora n&atilde;o se levem as perguntas feitas, o investigador prev&ecirc;    determinada organiza&ccedil;&atilde;o. O guia cont&eacute;m os aspectos do tema    que se deseja abordar. As perguntas dependem do investigador, que deve separ&aacute;-las    por tema, mas tamb&eacute;m se d&aacute; liberdade ao entrevistado para responder    como desejar. Nos dois tipos de entrevistas deseja-se aprofundar sobre o &quot;estado    interno&quot; ou &quot;estado mental&quot; do falante.</p>     <p> <b>2.4 Justificativa da amostra</b></p>     <p> A psicologia social indica como se pode extrair a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno    atitudinal a partir das declara&ccedil;&otilde;es obtidas em campo. S&atilde;o    precisos dois grupos de informantes: o primeiro, bem pequeno, que apenas forne&ccedil;a    enunciados atitudinais; o segundo, maior, que reavalie esses enunciados sa&iacute;dos    da comunidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na segunda visita de campo, de toda a popula&ccedil;&atilde;o urbana de Tabatinga-Let&iacute;cia    (63.054 habitantes -26.536 de Tabatinga somados aos 36.528 de Let&iacute;cia),    o primeiro grupo de informantes foi formado por 40 bil&iacute;ng&uuml;es (20    brasileiros e 20 colombianos), sem determina&ccedil;&atilde;o de classe social,    idade ou sexo, j&aacute; que n&atilde;o se desejava relacionar as atitudes ling&uuml;&iacute;sticas    com essas vari&aacute;veis. Confia-se na declara&ccedil;&atilde;o de nacionalidade    dos sujeitos, uma vez que muitos possuem dupla nacionalidade.</p>     <p> Na terceira visita, para o segundo grupo de informantes, n&atilde;o se trabalhou    com o universo de todos os bil&iacute;ng&uuml;es da regi&atilde;o, ou seja,    um marco de refer&ecirc;ncia ou base de amostragem (nem mesmo o governo tem    posse de dados exatos de quantos estrangeiros vivem em cada cidade). Utilizou-se    uma amostra acidental, &quot;um subconjunto da popula&ccedil;&atilde;o formado    pelos elementos que se conseguiu obter&quot; (Richardson, 1999, p. 160). Quatro    ajudantes do investigador, tamb&eacute;m bil&iacute;ng&uuml;es, conseguiram    informantes em locais diversos: estabelecimentos comerciais, resid&ecirc;ncias,    hospitais, postos de sa&uacute;de, ruas. A amostra acidental foi composta de    618 sujeitos bil&iacute;ng&uuml;es, metade de brasileiros e metade de colombianos.    Dos primeiros 50%, metade era composta por indiv&iacute;duos brasileiros residentes    em Let&iacute;cia e a outra parte morava em Tabatinga. Assim tamb&eacute;m se    procedeu com os sujeitos colombianos: metade residia em Tabatinga e, o restante,    em Let&iacute;cia.</p>     <p> <b>2.5 Prepara&ccedil;&atilde;o da escala de medi&ccedil;&atilde;o atitudinal</b></p>     <p> Nas respostas aos question&aacute;rios e &agrave;s entrevistas se encontram    os enunciados avaliativos sobre as l&iacute;nguas. Foram listadas todas as proposi&ccedil;&otilde;es    que fizessem alguma considera&ccedil;&atilde;o sobre o portugu&ecirc;s e o espanhol,    mas n&atilde;o foram utilizadas todas encontradas na pesquisa, j&aacute; que    somente algumas cumprem as exig&ecirc;ncias estruturais e sem&acirc;nticas para    serem novamente avaliadas pela comunidade e contabilizadas em escalas de medi&ccedil;&atilde;o    de atitudes: os enunciados devem ser claros, incluindo um s&oacute; conte&uacute;do    para a avalia&ccedil;&atilde;o, evitando-se, assim, a ambig&uuml;idade nas interpreta&ccedil;&otilde;es;    n&atilde;o devem apresentar verbos em passado nem ser muito extensas; deve-se    tamb&eacute;m evitar o uso de palavras como &quot;todos&quot;, &quot;sempre&quot;,    &quot;nenhum&quot;, &quot;nunca&quot;, que levam a uma r&aacute;pida aceita&ccedil;&atilde;o    ou recusa do enunciado pelo sujeito (Richardson, 1999, p. 289). Oppenheim (1992,    p. 179) afirma que as proposi&ccedil;&otilde;es est&atilde;o bem constru&iacute;das    quando os indiv&iacute;duos se sentem emocionalmente envolvidos nas respostas    e quando o investigador n&atilde;o percebe muitas d&uacute;vidas nem recebe    respostas em branco.</p>     <p> Escolhidas entre as proposi&ccedil;&otilde;es as mais adequadas &agrave;s    aprecia&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, tanto em portugu&ecirc;s quanto em espanhol,    elaborou-se com elas uma escala, conhecida como Escala de Likert, desenvolvida    para analisar o grau de orienta&ccedil;&atilde;o de determinado indiv&iacute;duo    a favor ou contra um objeto. Os escores obtidos emuma escala deste g&ecirc;nero    d&atilde;o conta das atitudes do grupo para o qual foi constru&iacute;da.</p>     <p> A escala de Likert consiste numa s&eacute;rie de afirma&ccedil;&otilde;es    sobre um objeto atitudinal. A metade delas deve ser favor&aacute;vel ao objeto;    a outra metade, desfavor&aacute;vel (Rodrigues, 1999, p. 421). Isto evita que    o indiv&iacute;duo esteja somente de acordo ou unicamente contra o enunciado.    Cada afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; seguida de cinco alternativas: totalmente    de acordo, de acordo em parte, n&atilde;o estou de acordo, discordo em parte    e discordo totalmente. Estas op&ccedil;&otilde;es permitem maior precis&atilde;o    de resultados, pois n&atilde;o reduzem as respostas a dois p&oacute;los opostos    (favor&aacute;vel- desfavor&aacute;vel). A cada uma das afirmativas se atribuem    valores num&eacute;ricos de 1 a 5. O investigador decide em que dire&ccedil;&atilde;o    vai atribuir os valores mais altos. O escore individual de cada sujeito ser&aacute;    a soma dos pontos obtidos com as respostas dadas &agrave;s proposi&ccedil;&otilde;es    da escala. H&aacute; que levar em conta que, se um enunciado tem um escore baixo    em rela&ccedil;&atilde;o aos outros, ele n&atilde;o deve ser considerado por    ser pouco confi&aacute;vel ou poder representar atitudes estranhas &agrave;    comunidade. O sujeito marca suas respostas, estando &quot;mais&quot; ou &quot;menos&quot;    de acordo com cada um deles. No final, calcula-se a pontua&ccedil;&atilde;o    de cada indiv&iacute;duo sobre sua orienta&ccedil;&atilde;o a favor ou contra    cada enunciado. A principal fun&ccedil;&atilde;o de uma escala de medi&ccedil;&atilde;o    &eacute; dividir as pessoas investigadas em grupos relativamente amplos no tocante    &agrave; determinada atitude (Oppenheim, 1992, p. 187) e prever atitudes e interesses    (Richardson, 1999, p. 256). Parte da escala utilizada na pesquisa encontra-se    no Anexo b.</p>     <p> Depois de contabilizados os escores de cada indiv&iacute;duo, o investigador    pode demonstr&aacute;-los em porcentagens que indicam o n&uacute;mero de sujeitos    que foram favor&aacute;veis ou desfavor&aacute;veis ao objeto. Isso facilita    a visualiza&ccedil;&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados    (Anexo C). Observe-se que a inclus&atilde;o dos dados sobre as cidades de Tabatinga    e Let&iacute;cia na tabela de percentuais permite que se relacionem as informa&ccedil;&otilde;es    entre idioma e territ&oacute;rio, v&iacute;nculo importante para a confirma&ccedil;&atilde;o    da id&eacute;ia de que uma determinada l&iacute;ngua est&aacute; ligada &agrave;    id&eacute;ia de territorialidade e, ainda, &agrave; id&eacute;ia de na&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> As escalas foram aplicadas por quatro auxiliares de pesquisa, tamb&eacute;m    bil&iacute;ng&uuml;es, e preenchidas na presen&ccedil;a dos mesmos.</p>     <p> <b>3. Resultados</b></p>     <p> As atitudes estudadas referem-se basicamente ao sentido de est&eacute;tica    de cada idioma; &agrave; import&acirc;ncia que possuem essas l&iacute;nguas    para os sujeitos de cada nacio nalidade; &agrave; prefer&ecirc;ncia que cada    grupo nacional expressa sobre o portugu&ecirc;s e o espanhol e &agrave; consci&ecirc;ncia    sobre quem fala melhor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Observemos os resultados, divididos segundo as nacionalidades. O item &quot;Atitudes    ling&uuml;&iacute;sticas de colombianos...&quot; se refere &agrave;s atitudes    ling&uuml;&iacute;sticas de colombianos e o item &quot;Atitudes ling&uuml;&iacute;sticas    de brasileiros...&quot; &agrave;s atitudes ling&uuml;&iacute;sticas de brasileiros.    As tabelas como os percentuais completos est&atilde;o no Anexo C. Coment&aacute;rios    sobre estes resultados aparecem nas notas, no final do trabalho.</p>     <p> <b>3.1 Atitudes ling&uuml;&iacute;sticas de colombianos (309 indiv&iacute;duos:    154 de Tabatinga, 155 de Let&iacute;cia).</b></p>     <p> Sobre o espanhol, os colombianos em Let&iacute;cia e em Tabatinga disseram    ser o mais elegante, mas n&atilde;o sabem se &eacute; o mais elegante de todas    as l&iacute;nguas que existem<sup><a href="#1" name="s1">1</a></sup>.</p>     <p> Para os colombianos em Let&iacute;cia, seu idioma &eacute; o mais importante    porque, como dissera 71% deles, &eacute; &quot;seu&quot; idioma<sup><a href="#2" name="s2">2</a></sup>.    Em Tabatinga os n&uacute;meros confirmam essa id&eacute;ia; entretanto h&aacute;    um aumento do n&uacute;mero de colombianos inseguros (16% em Let&iacute;cia;    32% em Tabatinga), que concordam em parte.</p>     <p> O portugu&ecirc;s n&atilde;o &eacute; mais elegante para os colombianos em    Let&iacute;cia. Embora haja colombianos inseguros sobre isto (15%), o espanhol    continua sendo o idioma mais elegante. Os n&uacute;meros s&atilde;o confirmados    pelos colombianos em Tabatinga (80% discorda da afirmativa).</p>     <p> A l&iacute;ngua portuguesa n&atilde;o &eacute; a mais importante entre os    colombianos de Let&iacute;cia (75%).</p>     <p> Pelas anota&ccedil;&otilde;es do investigador (em Anexo), v&ecirc;-se que,    embora os colombianos prefiram seu idioma (92%), h&aacute; um apre&ccedil;o    pela l&iacute;ngua do Brasil. Para eles, o outro idioma, como &eacute; de um    pa&iacute;s grande e desenvolvido, deve ser importante tamb&eacute;m<sup><a href="#3" name="s3">3</a></sup>.    Sobre o ensino de portugu&ecirc;s aos colombianos, parece que muitos (68%) n&atilde;o    pensaram sobre o tema<sup><a href="#4" name="s4">4</a></sup>. Em Tabatinga,    56% dos colombianos est&aacute; em desacordo parcial sobre a id&eacute;ia. Esse    enunciado aparece em num question&aacute;rio, e foi escrito por um brasileiro    em Let&iacute;cia.</p>     <p> Os colombianos em Let&iacute;cia est&atilde;o, em sua maioria (76%), em desacordo    parcial quando foram perguntados se preferem o portugu&ecirc;s ao espanhol.    H&aacute; exce&ccedil;&otilde;es, pois se comenta que o portugu&ecirc;s &eacute;    muito bonito, entretanto o espanhol &eacute; o idioma deles<sup><a href="#5" name="s5">5</a></sup>.    Em Tabatinga, diminui o n&uacute;mero dos que est&atilde;o parcialmente contra    (para 48%) e se justifica esse caminho porque preferem o portugu&ecirc;s para    comunicar-se em Tabatinga. Confirma-se a id&eacute;ia de que, no imagin&aacute;rio    dos sujeitos, cada l&iacute;ngua pertence ou est&aacute; vinculada a um territ&oacute;rio.</p>     <p> A maioria dos colombianos de Let&iacute;cia (87%) cr&ecirc; que eles falam    melhor do que os brasileiros. Os que est&atilde;o parcialmente a favor (5%)    justificam suas opini&otilde;es, pois a linguagem dos brasileiros lhes chama    muito a aten&ccedil;&atilde;o. Em Tabatinga, isto se confirma tamb&eacute;m    pelas notas do investigador, que registram que o sotaque brasileiro &eacute;    mais agrad&aacute;vel do que a pron&uacute;ncia colombiana por ser diferente    desta &uacute;ltima<sup><a href="#6" name="s6">6</a></sup>. Mant&eacute;m-se    a diferen&ccedil;a entre as duas l&iacute;nguas. Os colombianos admiram o portugu&ecirc;s,    embora este n&atilde;o seja seu idioma.</p>     <p> Os colombianos rejeitam a id&eacute;ia de que o portugu&ecirc;s seja seu idioma    (91%). Tanto em Let&iacute;cia quanto em Tabatinga parece n&atilde;o haver d&uacute;vidas    a esse respeito. Os colombianos em Let&iacute;cia acreditam que, se n&atilde;o    fosse o fato de dizer tantas grosserias<sup><a href="#7" name="s7">7</a></sup>,    estariam totalmente de acordo (58% totalmente + 42% parcialmente) que os colombianos    tenham uma linguagem muito bonita. Isso tamb&eacute;m se confirma em Tabatinga.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>3.2 Atitudes ling&uuml;&iacute;sticas de brasileiros (309    indiv&iacute;duos: 156 de Tabatinga, 153 de Let&iacute;cia)</b></font></p>     <p> A avalia&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica do espanhol pelos brasileiros retrata    que tanto os que est&atilde;o em Let&iacute;cia quanto em Tabatinga acreditam    que o espanhol n&atilde;o &eacute; a l&iacute;ngua mais elegante.</p>     <p> Sobre a import&acirc;ncia desse idioma, os brasileiros em Let&iacute;cia (41%    totalmente + 25 parcialmente) tampouco concordam que o espanhol seja a l&iacute;ngua    mais importante. Em Tabatinga as cifras se mant&ecirc;m.</p>     <p>As atitudes positivas dos brasileiros em rela&ccedil;&atilde;o ao portugu&ecirc;s    como l&iacute;ngua mais elegante s&atilde;o claras. A maioria em Let&iacute;cia    concorda (58% totalmente + 42% parcialmente). Em Tabatinga isso se mant&eacute;m.    Aqueles que est&atilde;o parcialmente de acordo (60%) afirmam que o portugu&ecirc;s    &eacute; um idioma elegante, mas n&atilde;o sabem se &eacute; o mais elegante    do mundo<sup><a href="#8" name="s8">8</a></sup>.</p>     <p> Sobre a import&acirc;ncia da l&iacute;ngua portuguesa em Let&iacute;cia, tanto    em Tabatinga como em Let&iacute;cia os brasileiros demonstram uma consci&ecirc;ncia    ling&uuml;&iacute;stica interessante porque relacionam o idioma com outros que    n&atilde;o fazem parte da regi&atilde;o. A maioria est&aacute; de acordo com    a posi&ccedil;&atilde;o de import&acirc;ncia da l&iacute;ngua (75% em Let&iacute;cia    e 100% em Tabatinga).</p>     <p> Para os brasileiros em Let&iacute;cia, 72% cr&ecirc;em totalmente que os colombianos    devem aprender o portugu&ecirc;s, pois est&atilde;o cansados de falar espanhol<sup><a href="#9" name="s9">9</a></sup>.    Em Tabatinga, 50% dos interrogados tamb&eacute;m acreditam nisso de forma integral.    O interessante foi notar que 20% dos sujeitos em Let&iacute;cia dissera que    concordava somente em parte, pois afirmou que os brasileiros eram estrangeiros;    logo era sua obriga&ccedil;&atilde;o falar espanhol, o idioma da Col&ocirc;mbia<sup><a href="#10" name="s10">10</a></sup>.    De qualquer forma, tanto em Let&iacute;cia (83%) quanto em Tabatinga (85%),    a maioria dos brasileiros prefere o portugu&ecirc;s e o sentem como seu idioma.</p>     <p> Os colombianos n&atilde;o falam melhor que os brasileiros. Na opini&atilde;o    da maioria destes &uacute;ltimos (58%), os brasileiros reconhecem a pron&uacute;ncia    colombiana como muito decente. Relacionam-se estes coment&aacute;rios com o    significado da palavra decente (que em portugu&ecirc;s, significa respeit&aacute;vel),    pelo trato que os brasileiros recebem dos colombianos em Let&iacute;cia e em    Tabatinga<sup><a href="#11" name="s11">11</a></sup>. Nas duas cidades, os brasileiros    falam melhor do que os colombianos (58% em Let&iacute;cia e 84% em Tabatinga,    item 12).</p>     <p> <b><font size="3">4. Discuss&atilde;o</font></b></p>     <p> Quando se observa a realidade ling&uuml;&iacute;stico-cultural da &aacute;rea    Tabatinga-Let&iacute;cia, pensa-se nas condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas    e sociais de um lugar que tem a diferen&ccedil;a como marco importante. Ali    convivem grupos de nacionalidades diversas, pessoas que possuem em seu repert&oacute;rio    ling&uuml;&iacute;stico mais de um idioma. Passar de um pa&iacute;s ao outro    &eacute; f&aacute;cil, r&aacute;pido e quase impercept&iacute;vel, pois a linha    de fronteira n&atilde;o se observa com facilidade. A Avenida da Amizade, que    liga as duas cidades, estabelece um corredor de livre passagem a brasileiros    e colombianos. Isso &eacute; necess&aacute;rio, pois do outro lado da fronteira    h&aacute; algo de que uns e outros precisam e n&atilde;o encontram em seus pa&iacute;ses.    Sobrevive assim Tabatinga-Let&iacute;cia, com as diferen&ccedil;as que, no dia-a-dia,    n&atilde;o se notam, mas que marcam os imagin&aacute;rios da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> Uma regi&atilde;o t&atilde;o diversificada ainda poderia reconhecer-se como    um lugar de identidade &uacute;nica; neste caso, amaz&ocirc;nica. O isolamento    geogr&aacute;fico poderia ser respons&aacute;vel pelo esvanecimento de id&eacute;ias    como as de na&ccedil;&atilde;o, nacionalidade e de territ&oacute;rio nacional.    Entretanto, isso n&atilde;o acontece, pois Tabatinga e Let&iacute;cia se reconhecem    como cidades separadas, cada uma com sua identidade e instrumentos que refletem    essa independ&ecirc;ncia; por exemplo, as l&iacute;nguas que utilizam (vide    as rela&ccedil;&otilde;es de percentuais entre as atitudes registradas para    Tabatinga e Let&iacute;cia, Anexo C, bem como as notas no final do trabalho).    Pensar em Tabatinga &eacute; pensar no Brasil e lembrar de Let&iacute;cia &eacute;    ter a Col&ocirc;mbia em mente. As diferen&ccedil;as entre os dois pa&iacute;ses    se percebem nos sentimentos e valores que os habitantes deixam transparecer    sobre o portugu&ecirc;s e o espanhol.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Confirma-se a id&eacute;ia de que os dois povos possuem consci&ecirc;ncia    de que h&aacute; duas nacionalidades distintas na regi&atilde;o: brasileiros    e colombianos. S&atilde;o bil&iacute;ng&uuml;es em algum n&iacute;vel, demonstram    essa no&ccedil;&atilde;o e reconhecem que cada idioma &eacute; um s&iacute;mbolo,    respectivamente, do Brasil e da Col&ocirc;mbia. Ao preferir um idioma em rela&ccedil;&atilde;o    ao outro, apresentando adjetivos que deixam perceber que s&atilde;o mais ou    menos favor&aacute;veis a cada um deles (por exemplo, o portugu&ecirc;s &eacute;    elegante, importante), marcam sua pertin&ecirc;ncia a uma etnia, a uma na&ccedil;&atilde;o.    Deixam tamb&eacute;m escapar estere&oacute;tipos quando, por exemplo, afirmam    que brasileiros ou colombianos falam melhor uns que outros. Esses julgamentos    s&oacute; t&ecirc;m sentido quando s&atilde;o baseados em valora&ccedil;&otilde;es    particulares de cada grupo ou cultura. Isto evidencia que existem diferen&ccedil;as    e mais de uma forma de ver o mundo.</p>     <p> Este trabalho focaliza as atitudes ling&uuml;&iacute;sticas na regi&atilde;o    e as vincula aos sentidos de identidade nacional ali presentes. Entretanto,    h&aacute; outras quest&otilde;es que podem ser levantadas considerando-se tem&aacute;ticas    ling&uuml;&iacute;sticas: biling&uuml;ismo, elei&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica,    diglossia e comunidade de fala.</p>     <p> O biling&uuml;ismo est&aacute; claramente evidenciado, em algum n&iacute;vel,    nos sujeitos que participam dos question&aacute;rios, entrevistas ou que preencheram    as escalas de medi&ccedil;&atilde;o atitudinal. Eles podem compreender o portugu&ecirc;s    e o espanhol, embora alguns n&atilde;o sejam fluentes em uma dessas l&iacute;nguas.</p>     <p>Poder&iacute;amos perguntar se h&aacute; ou n&atilde;o diglossia na regi&atilde;o,    j&aacute; que, em v&aacute;rios momentos, o portugu&ecirc;s &eacute; preferido    em rela&ccedil;&atilde;o ao espanhol ou vice-versa, levando a crer que h&aacute;    valores distintos para cada l&iacute;ngua. Os valores atribu&iacute;dos ao portugu&ecirc;s    e ao espanhol s&atilde;o diferentes, mas esta atribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    est&aacute; vinculada ao papel que cada idioma exerce dentro do Brasil ou da    Col&ocirc;mbia. Para que houvesse diglossia seria necess&aacute;rio que os sujeitos    preterissem uma ou outra l&iacute;ngua em termos de sua funcionalidade no pa&iacute;s.    Isto at&eacute; ocorre, dentro de cada pa&iacute;s, em algumas escolas de Tabatinga    ou Let&iacute;cia, onde os estrangeiros deixam de usar a l&iacute;ngua de suas    na&ccedil;&otilde;es para utilizar a l&iacute;ngua da escola. Entretanto, este    fato &eacute; muito restrito, j&aacute; que aconte somente em escolas onde h&aacute;    estrangeiros. A escolha ling&uuml;&iacute;stica mais geral acontece devido &agrave;    territorialidade, &agrave; geografia, ao pa&iacute;s no qual o idioma representa    a na&ccedil;&atilde;o. O portugu&ecirc;s n&atilde;o tem fun&ccedil;&otilde;es    que o espanhol n&atilde;o possa cumprir no Brasil ou na Col&ocirc;mbia respectivamente.    Estes dados podem ser confirmados pela tabelas em anexo, que mostram a rela&ccedil;&atilde;o    entre as opini&otilde;es dos sujeitos e seu local de resid&ecirc;ncia.</p>     <p> Pensando ainda em valora&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica, levanta-se    outra quest&atilde;o: a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de mais de uma comunidade    de fala. &Eacute; curioso que, por um lado, parece tratar-se de s&oacute; uma    comunidade que domina regras de uso bil&iacute;ng&uuml;e muito claras, optando    pelo portugu&ecirc;s em Tabatinga e pelo espanhol em Let&iacute;cia. O valor    que se atribui a cada l&iacute;ngua &eacute; diferente, embora para as duas    cidades, no dia-a-dia, portugu&ecirc;s e espanhol tenham o status de l&iacute;nguas    nacionais. A atribui&ccedil;&atilde;o de valor &eacute; distinta quando se pensa    em quem est&aacute; avaliando a l&iacute;ngua. Nesse momento, ocorre a separa&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s e do espanhol, dos brasileiros e dos colombianos. A diferen&ccedil;a    n&atilde;o se deve ao status das l&iacute;nguas, mas &agrave; rela&ccedil;&atilde;o    de identidade que cada grupo mant&eacute;m com elas (vide, por exemplo, as porcentagens    referentes aos itens 6 e 9 da escala -Anexo C, bem como as notas 2 e 5)    Por haver atitudes ling&uuml;&iacute;sticas diferentes dentro da regi&atilde;o,    compreende-se que se trata de duas comunidades de fala e n&atilde;o de uma.    Quando se levanta a possibilidade de exist&ecirc;ncia de uma comunidade Tabatinga-Let&iacute;cia,    com identidade pr&oacute;pria, &eacute; pelo seu isolamento geogr&aacute;fico    e ajuda s&oacute;cio-econ&ocirc;mica m&uacute;tua entre as duas localidades.    Isto leva a pensar que se trata de um lugar que, diariamente tivesse apagado    a id&eacute;ia das nacionalidades que ali convivem. Na pr&aacute;tica, isso    n&atilde;o ocorre.</p>     <p> Pelos enunciados recolhidos em trabalho de campo foi poss&iacute;vel observar    as posi&ccedil;&otilde;es do sujeitos em rela&ccedil;&atilde;o ao idioma, ou    seja, o valor ling&uuml;&iacute;stico dessa l&iacute;ngua na sociedade estudada.    No caso de Tabatinga-Let&iacute;cia, prevalecem duas l&iacute;nguas diferentes    e dois grupos nacionais distintos.</p>     <p><b><font size="3">5. Conclus&otilde;es</font></b></p>     <p> Entende-se que a comunidade estudada &eacute; bil&iacute;ng&uuml;e, alternando    o portugu&ecirc;s e o espanhol segundo o territ&oacute;rio onde esteja o indiv&iacute;duo    e n&atilde;o devido ao valor que um ou outro idioma apresente na regi&atilde;o.    Para eles, as duas l&iacute;nguas possuem o mesmo status como l&iacute;ngua    nacional. N&atilde;o ocorre diglossia, a n&atilde;o ser em momentos extremamente    restritos, dentro de cada pa&iacute;s, quando, por exemplo, um brasileiro vai    estudar em Let&iacute;cia e sabe que o espanhol &eacute; a l&iacute;ngua da    escola. N&atilde;o usa, ent&atilde;o, o portugu&ecirc;s. Os sujeitos aceitam    essa situa&ccedil;&atilde;o, embora defendam seus idiomas.</p>     <p> As atitudes ling&uuml;&iacute;sticas indicaram que os estere&oacute;tipos    reafirmam as diferen&ccedil;as entre brasileiros, que defendem o portugu&ecirc;s    como seu idioma, e colombianos que preferem o espanhol e o indicam como l&iacute;ngua    de seu pa&iacute;s. Cada grupo demarca seu territ&oacute;rio geogr&aacute;fico    e ling&uuml;&iacute;stico com seu s&iacute;mbolo, embora n&atilde;o exista fronteira    f&iacute;sica estrita. As divis&otilde;es est&atilde;o no imagin&aacute;rio    binacional da regi&atilde;o.</p>     <p> Dois grupos &eacute;tnico-nacionais em contato, duas comunidades de fala:    brasileiros e colombianos, podem conviver na regi&atilde;o de limite pol&iacute;tico,    mas o imagin&aacute;rio de fronteira entre os dois pa&iacute;ses se mant&eacute;m,    separando as pessoas segundo suas nacionalidades. As l&iacute;nguas e seus usos    d&atilde;o conta disso, pois uma vez mais a forma de contato ling&uuml;&iacute;stico    n&atilde;o sup&otilde;e uma mistura dos dois idiomas. Ainda utilizando as duas    l&iacute;nguas em fam&iacute;lia ou nas ruas, a comunidade continuou gerando    atitudes ling&uuml;&iacute;sticas que denotam prefer&ecirc;ncias por uma das    duas como s&iacute;mbolo de identidade nacional de cada grupo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>        <center>     <a href="img/revistas/fyf/n21/n21a13aA.gif" target="blank"><b>Anexo A</b></a>    </center>     <p>        <center>     <a href="img/revistas/fyf/n21/n21a13aB.gif" target="blank"><b>Anexo B</b></a>    </center>     <p>        <center>     <a href="img/revistas/fyf/n21/n21a13aC.gif" target="blank"><b>Anexo C</b></a>    </center> <hr size="1">     <p><sup><a href="#s1" name="1">1</a></sup> &quot;El espa&ntilde;ol es la lengua    m&aacute;s elegante de esta regi&oacute;n, pero yo no s&eacute; si es la m&aacute;s    elegante de todas en el mundo&quot; (&quot;O espa&ntilde;ol &eacute; a lengua    mais elegante desta regi&atilde;o, mas n&atilde;o sei se &eacute; a mais elegante    de todas no mundo&quot;).</p>     <p> <sup><a href="#s2" name="2">2</a></sup> &quot;El espa&ntilde;ol es mi idioma&quot;    (&quot;O espanhol &eacute; meu idioma&quot;).</p>     <p> <sup><a href="#s3" name="3">3</a></sup> &quot;El brasile&ntilde;o es una    lengua importante, pues Brasil es un pa&iacute;s grande y desarrollado&quot;    (&quot;O brasileiro &eacute; uma l&iacute;ngua importante, pois o Brasil &eacute;    um pa&iacute;s grande e desenvolvido&quot;).</p>     <p> <sup><a href="#s4" name="4">4</a></sup> &quot;Nunca se nos ha ocurrido esa    posibilidad&quot; (&quot;Essa possibilidade nunca nos passou pela cabe&ccedil;a&quot;).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#s5" name="5">5</a></sup> &quot;El espa&ntilde;ol es meu idioma&quot;    (&quot;O espa&ntilde;ol &eacute; meu idioma&quot;).</p>     <p> <sup><a href="#s6" name="6">6</a></sup> &quot;El acento de ellos es bonito,    pero creo que es por ser diferente&quot; (&quot;O sotaque deles &eacute; bonito,    mas acho que &eacute; porque &eacute; diferente&quot;).</p>     <p> <sup><a href="#s7" name="7">7</a></sup> &quot;Ellos dicen muchas groser&iacute;as&quot;    (&quot;Eles dizem muitas grosserias&quot;).</p>     <p><sup><a href="#s8" name="8">8</a></sup> &quot;O espanhol &eacute; bonito,    mas entre todos no mundo n&atilde;o sei&quot;.</p>     <p> <sup><a href="#s9" name="9">9</a></sup> &quot;&Agrave;s vezes ficamos cansados    de falar s&oacute; o espanhol&quot;.</p>     <p> <sup><a href="#s10" name="10">10</a></sup> &quot; Se o brasileiro l&aacute;    &eacute; estrangeiro, tem que falar a l&iacute;ngua de l&aacute;&quot;.</p>     <p> <sup><a href="#s11" name="11">11</a></sup> &quot;S&atilde;o decentes, respeit&aacute;veis&quot;.</p> <hr size="1">     <p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias</font></b></p> </font>    <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Barbosa, G. De C. (2004). Atitudes ling&uuml;&iacute;sticas e identidade na    fronteira Brasil- Col&ocirc;mbia. Tesis de Maestr&iacute;a para la obtenci&oacute;n    del t&iacute;tulo de M&aacute;ster en Ling&uuml;&iacute;stica, Faculdade de    Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, R&iacute;o de Janeiro, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0120-338X200800010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Colombia, Departamento Nacional De Estad&iacute;stica (Dane). (2000). Censo    2000. Bogot&aacute;: Autores.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0120-338X200800010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Duranti, A. (1997). Linguistic anthropology. Cambridge: Cup.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0120-338X200800010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Fishman, J. (1979). Sociolog&iacute;a del lenguaje. Madrid: C&aacute;tedra.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0120-338X200800010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Gumperz, J. J. & Bennet, A. (1981). Lenguaje y cultura. Barcelona: Anagrama.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0120-338X200800010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (ibge). (2000).    Censo de 2000. Brasilia: Autores.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0120-338X200800010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Lastra, Y. (1992). Socioling&uuml;&iacute;stica para hispanoamericanos. M&eacute;xico:    El Colegio de M&eacute;xico.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0120-338X200800010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Moreno, F. (1998). Principios de socioling&uuml;&iacute;stica y sociolog&iacute;a    del lenguaje. Barcelona: Ariel.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0120-338X200800010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Oppenheim, A. N. (1992). Questionnaire design, interviewing and attitude measurement.    London, Washington, DC: Cassell.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0120-338X200800010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Ribeiro, D. (1975). Los brasile&ntilde;os. Teor&iacute;a del Brasil. Buenos    Aires: Siglo XXi.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0120-338X200800010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Richardson, R. J., Peres, J. A. S., Wanderley, J. C. V., Correia, L. M. &    Peres, M. H. M. (1999). Pesquisa social. M&eacute;todos e t&eacute;cnicas. S&atilde;o    Paulo: Atlas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0120-338X200800010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Rodrigues, A., Assmar, E. M. & Jablonski, B. (2000). Psicologia social.    Petr&oacute;polis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0120-338X200800010001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Van Dijk, T. (1997). Ideolog&iacute;a. Un enfoque multidisciplinario. Amsterdam:    Universidad de Amsterdam.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0120-338X200800010001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> Weinreich, U. (1953). Languages in contact: Findings and problems. La Haya:    Mouton.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0120-338X200800010001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. De C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Atitudes lingüísticas e identidade na fronteira Brasil- Colômbia]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Río de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de LetrasUniversidade Federal do Rio de Janeiro]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Colombia, Departamento Nacional de Estadística (Dane)</collab>
<source><![CDATA[Censo 2000]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Bogotá ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Autores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Duranti]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Linguistic anthropology]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cup]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fishman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociología del lenguaje]]></source>
<year>1979</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cátedra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gumperz]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bennet]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Lenguaje y cultura]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (ibge)</collab>
<source><![CDATA[Censo de 2000]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasilia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Autores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lastra]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociolingüística para hispanoamericanos]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[México ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[El Colegio de México]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moreno]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Principios de sociolingüística y sociología del lenguaje]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ariel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oppenheim]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Questionnaire design, interviewing and attitude measurement]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[London^eDCWashington DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cassell]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Los brasileños: Teoría del Brasil]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Buenos Aires ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Siglo XXi]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Richardson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Peres]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A. S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wanderley]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C. V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Correia]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Peres]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. H. M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa social: Métodos e técnicas]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Atlas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Assmar]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Jablonski]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Psicologia social]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Van Dijk]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ideología: Un enfoque multidisciplinario]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Amsterdam ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidad de Amsterdam]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weinreich]]></surname>
<given-names><![CDATA[U]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Languages in contact: Findings and problems]]></source>
<year>1953</year>
<publisher-loc><![CDATA[La Haya ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mouton]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
