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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[PREMISSAS CONCEITUAIS SOBRE A FORMAÇÃO DO MATERIALISMO DE MARX]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the structure and place of materialism in the light of the philosophy of Hegel and Feuerbach and their relationships, principles and influences on the formation of the materialism of Karl Marx. Since the principle engine of dialectic philosophy of Hegel, Marx will make use of dialectic to develop methodologically materialistic philosophy, thus contrasting the idealism of Hegel's dialectic. For this task we use the central categories in Hegel and Marx that allows passage from the particular to universal, as Hegel.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   <font size="2" face="verdana">      <p align="center"><font size="4"><b>PREMISSAS CONCEITUAIS SOBRE A FORMA&Ccedil;&Atilde;O DO MATERIALISMO DE MARX</b><sup>*&dagger;</sup></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b>Conceptual Assumptions on the Formation of Materialism of Marx</b></font></p>      <p>    <center><b><i>C&eacute;sar Augusto Soares da Costa</i></b>    <br>  Universidade Federal do Rio Grande</center></p>      <br>      <p><sup>&dagger;</sup> Texto elaborado a partir do Semin&aacute;rio na Disciplina <i>Karl Marx e a Natureza I</i>, Curso de Doutorado no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande/FURG no semestre acad&ecirc;mico de 2010/1 ministrado pelo Prof. Dr. Francisco Quintanilha Veras Neto.</p>      <p><sup>*</sup> <b>Recibido</b> Junio de 2010; <b>aprobado</b> Noviembre de 2010.</p>  <hr>      <p><font size="3"><b><i>RESUMO</i></b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse artigo pretende analisar e situar a estrutura do materialismo &agrave; luz da filosofia de Hegel e Feuerbach e suas rela&ccedil;&otilde;es, princ&iacute;pios e influ&ecirc;ncias sobre a forma&ccedil;&atilde;o do materialismo de Karl Marx. Sendo a dial&eacute;tica o princ&iacute;pio motor da filosofia de Hegel, ir&aacute; Marx fazer uso da dial&eacute;tica para desenvolver metodologicamente sua filosofia materialista, contrapondo assim ao idealismo dial&eacute;tico de Hegel. Para realiza&ccedil;&atilde;o dessa tarefa utilizaremos as categorias centrais em Hegel e Marx que permitem a passagem do particular ao universal, conforme Hegel.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: Materialismo dial&eacute;tico, Idealismo, filosofia, Hegel, Marx.    <p>  <hr>      <p><font size="3"><b><i>ABSTRACT</i></b></font></p>      <p>This article analyzes the structure and place of materialism in the light of the philosophy of Hegel and Feuerbach and their relationships, principles and influences on the formation of the materialism of Karl Marx. Since the principle engine of dialectic philosophy of Hegel, Marx will make use of dialectic to develop methodologically materialistic philosophy, thus contrasting the idealism of Hegel's dialectic. For this task we use the central categories in Hegel and Marx that allows passage from the particular to universal, as Hegel.</p>      <p><b>Key words</b>: Dialectical Materialism, Idealism, Philosophy, Hegel, Marx.</p>  <hr>      <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>As in&uacute;meras pesquisas sobre o materialismo marxista at&eacute; hoje suscitam pol&ecirc;micas e in&uacute;meros estudos. A inten&ccedil;&atilde;o do nosso artigo &eacute; abordar alguns aspectos conceituais em torno da forma&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica marxista. Logo, come&ccedil;aremos tratando da dial&eacute;tica em Hegel e depois em Karl Marx. Por fim, temos a inten&ccedil;&atilde;o de analisar a rela&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto, ser e consci&ecirc;ncia, no contexto da concep&ccedil;&atilde;o idealista e materialista de Hegel, Feuerbach e Marx.</p>      <p>Certamente que a pretens&atilde;o do nosso texto, ao envolver categorias e rela&ccedil;&otilde;es entre as mesmas de tamanha profundeza, exigiria um esfor&ccedil;o maior e um trabalho bem mais extenso, que n&atilde;o caberia nos limites desta an&aacute;lise. Assim, procuramos atingir de maneira breve, por&eacute;m, n&atilde;o menos consubstancial, ao objetivo a que nos propomos.</p>      <p>Antes de expor o m&eacute;todo dial&eacute;tico, situaremos historicamente a obra dos autores de maneira que facilite a contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de suas id&eacute;ias dentro dos acontecimentos e da &eacute;poca em que escreveram.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As quatro principais obras de Hegel s&atilde;o publicadas num intervalo de 15 anos. Primeiramente foi a <i>Fenomenologia do Esp&iacute;rito</i> em 1807. Depois, de 1812 a 1816, Hegel publica tr&ecirc;s livros da <i>Ci&ecirc;ncia da L&oacute;gica</i> que dar&atilde;o suporte para a estrutura&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo dial&eacute;tico. Em seguida, a primeira edi&ccedil;&atilde;o da <i>Enciclop&eacute;dia das Ci&ecirc;ncias Filos&oacute;ficas</i>, em 1817. Por &uacute;ltimo, <i>Princ&iacute;pios da Filosofia do Direito</i>, em 1821.</p>      <p>Hegel &eacute; tomado como representante de um pensamento mais moderno, fluido, em movimento, um pensamento que ir&aacute; se dedicar para al&eacute;m dos dom&iacute;nios da l&oacute;gica e da matem&aacute;tica, apreendendo o sentido hist&oacute; apreendendo o sentido histde um pensamento mais moderno, fluido, em movimento, um pensamento que irrico e o curso das coisas. O princ&iacute;piomotor de suas id&eacute;ias est&aacute; na dial&eacute;tica.</p>      <p>A &eacute;poca vivenciada por Hegel &eacute; posterior ao Iluminismo, filosofia na qual preponderou as id&eacute;ias de Kant, no per&iacute;odo anterior &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa. O Iluminismo por essa &eacute;poca, final do s&eacute;culo XVIII, na Alemanha, j&aacute; havia sido ultrapassado pela filosofia rom&acirc;ntica. Hegel considerava o Iluminismo como um momento superado na evolu&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;rica do pensamento. Por&eacute;m, por volta de 1830/1840 tem-se um ressurgimento iluminista que a exemplo do anterior, combativo, pol&iacute;tico e anti-religioso na Fran&ccedil;a pr&eacute;-revolucion&aacute;ria, ligava-se na Alemanha &agrave; luta pela reforma do Estado prussiano feudal.</p>      <p>O per&iacute;odo 1830/40 foi de luta ideol&oacute;gica, no qual buscava-se combater os direitos da Raz&atilde;o, a era das Luzes e o racionalismo. Nessa luta, a obra de Hegel cedeu &agrave; influ&ecirc;ncia de Feuerbach.</p>      <p>O novo Iluminismo, de cunho filos&oacute;fico-rom&acirc;ntico, tinha como carrochefe o materialismo de Feuerbach, que lan&ccedil;aria suas pesadas cr&iacute;ticas ao n&uacute;cleo racional-teol&oacute;gico do Idealismo hegeliano. Tem-se ent&atilde;o, na vanguarda do pensamento filos&oacute;fico, o materialismo de Feuerbach, o qual servir&aacute; ao jovem Marx como arma necess&aacute;ria &agrave; cr&iacute;tica do Idealismo hegeliano e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de seu pensamento.</p>      <p>O per&iacute;odo de efervesc&ecirc;ncia da luta ideol&oacute;gico-filos&oacute;fica, envolve, primeiramente, Hegel e Feuerbach e, logo imediatamente, Marx, apoiandose este no materialismo de Feuerbach, para criticar os preceitos filos&oacute;ficos hegelianos. Posteriormente, no Marx maduro, nas <i>Teses sobre Feuerbach</i>, haver&aacute; a cr&iacute;tica ao materialismo humanista feuerbachiano. Todo este per&iacute;odo da cr&iacute;tica de Marx compreende de 1843 a 1846, onde Marx ir&aacute; escrever a <i>Cr&iacute;tica da Economia Pol&iacute;tica</i> (1843), <i>Cr&iacute;tica da Filosofia do Direito de Hegel</i> (1843), os <i>Manuscritos Econ&ocirc;micos-filos&oacute;ficos</i> (1844), <i>A Ideologia Alem&atilde;</i> (1845-1846). Iniciaremos nosso exame partindo das principais categorias hegelianas e sua posterior influ&ecirc;ncia no pensamento de Karl Marx.</p>      <p><b>2. A Premissa: A Dial&eacute;tica Hegeliana</b></p>      <p>Hegel buscou com o desenvolvimento de sua filosofia uma explica&ccedil;&atilde;o do mundo. Ir&aacute; encontrar na Raz&atilde;o o elemento que o faria chegar ao entendimento do mundo. Da&iacute; ele assinala que a Raz&atilde;o se explica a si pr&oacute;pria, como tamb&eacute;m afirmar que a Raz&atilde;o &eacute; quem dirige a hist&oacute;ria. Para isso escreveu a <i>Ci&ecirc;ncia da L&oacute;gica</i> para poder tra&ccedil;ar o corpo de categorias que, numa rela&ccedil;&atilde;o de movimento, caracterizariam a dial&eacute;tica.</p>      <p>A dial&eacute;tica hegeliana parte do princ&iacute;pio da identidade de opostos. Ela se comp&otilde;e de v&aacute;rias unidades, das quais Hegel enumera tr&ecirc;s: <i>tese, ant&iacute;tese e s&iacute;ntese</i>. A tese poder ser entendida como o momento da afirma&ccedil;&atilde;o; a ant&iacute;tese &eacute; o momento da nega&ccedil;&atilde;o da afirma&ccedil;&atilde;o, gerando a tens&atilde;o que origina a s&iacute;ntese, o &uacute;ltimo momento que corresponde &agrave; nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o, ou seja, &eacute; o resultado da ant&iacute;tese anterior, no qual suspende a oposi&ccedil;&atilde;o entre a tese e a ant&iacute;tese. A s&iacute;ntese representa uma nova realidade marcada pela apari&ccedil;&atilde;o da Raz&atilde;o Absoluta, da consci&ecirc;ncia de si, ou, o que d&aacute; no mesmo, da autoconsci&ecirc;ncia. A dial&eacute;tica &eacute; o movimento contradit&oacute;rio dentro de unidades que a cada nova etapa nega e supera a etapa anterior, num fluxo cont&iacute;nuo de supera&ccedil;&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o. Hegel sustenta a id&eacute;ia de que um princ&iacute;pio n&atilde;o basta em si mesmo, pois carrega em si a contradi&ccedil;&atilde;o e a luta de opostos. Esse processo de supera&ccedil;&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o &eacute; o que Hegel chama de processo de explicita&ccedil;&atilde;o (N&oacute;brega, 2005).</p>      <p>Importa salientar que a <i>tese, ant&iacute;tese e s&iacute;ntese</i> n&atilde;o se operacionalizam de maneira autom&aacute;tica, como, &agrave; primeira vista, pode parecer. Explicitando de forma mais detalhada esse movimento de passagem do Esp&iacute;rito Abstrato ao Esp&iacute;rito Absoluto, Hegel utiliza as seguintes categorias: o <i>ser-em-si</i>, o <i>ser-a&iacute;</i>, o <i>ser-para-si</i> e o <i>ser-em-si-para-si</i>. Na realidade, dentro das tr&ecirc;s unidades acima descritas operam quatro momentos. A diferen&ccedil;a que h&aacute; nesses quatro momentos &eacute; que do momento inicial para o segundo momento, ou seja, na passagem do <i>ser-em-si</i> (que corresponde &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o) para o <i>ser-a&iacute;</i> (corresponde &agrave; ant&iacute;tese, a segunda etapa) opera-se a primeira negatividade, caracterizada pela imediatez do ser mediatizada pela reflex&atilde;o. &Eacute; um momento de diferencia&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o ainda de supera&ccedil;&atilde;o, pois a&iacute; ainda opera uma negatividade ligada ao <i>ser-em-si</i>. Na passagem do <i>ser-a&iacute;</i> para o <i>ser-para-si</i> (corresponde ao segundo momento da ant&iacute;tese) opera-se a segunda negatividade, onde n&atilde;o apenas o <i>ser-para-si</i> diferencia-se do <i>semem- si</i>, mas, o supera, se separa e se isola, para al&eacute;m da imediatez do <i>ser-ai</i> anterior.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O momento do ser-para-si &eacute; o que h&aacute; de novo, &eacute; fase crucial, &eacute; o momento de inven&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica hegeliana, pois &eacute; a partir desse momento que o ser se torna pessoa, ser livre, &eacute; a etapa de maior grau de subjetividade. Essa passagem que Hegel caracteriza como media&ccedil;&atilde;o ele a denomina de <i>ess&ecirc;ncia</i>. A id&eacute;ia de supera&ccedil;&atilde;o do ser-para-si em rela&ccedil;&atilde;o ao ser-em-si significa desatar os la&ccedil;os que mant&eacute;m preso o ser &agrave;s leis da Raz&atilde;o n&atilde;o consciente. &Eacute; nesse sentido que ele se torna livre, segundo Hegel. A id&eacute;ia de liberdade surge da opera&ccedil;&atilde;o dessa passagem que &eacute; marcada pela interfer&ecirc;ncia do movimento dial&eacute;tico, o que no momento anterior n&atilde;o havia, pois na primeira negatividade houve uma passagem imediata, ainda presa ao momento inicial marcado pela ingenuidade, inconsci&ecirc;ncia no dom&iacute;nio da Raz&atilde;o.</p>      <p>A dial&eacute;tica &eacute; tamb&eacute;m um processo de concretiza&ccedil;&atilde;o. O momento inicial da tr&iacute;ade &eacute; de abstra&ccedil;&atilde;o, por ser mais amplo, pois engloba as tr&ecirc;s etapas em seus movimentos cont&iacute;nuos e opostos. O momento final do processo que resulta na s&iacute;ntese &eacute; o menos amplo, &eacute; a fase final do primeiro ciclo dial&eacute;tico que eliminou as demais. Da&iacute; que, o que &eacute; importante, o movimento dial&eacute;tico representa o processo que vai do abstrato at&eacute; o concreto.</p>      <p>A categoria mais abstrata que, segundo Hegel, se encaixa na tese &eacute; o ser, ser puro, livre de seus atributos. Seria a categoria mais abstratamente universal. A ant&iacute;tese do ser seria o <i>n&atilde;o-ser</i>, ou seja, o nada. Este &eacute; o elemento mediador, a nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o. E na s&iacute;ntese, como mesclagem dessas duas, ter&iacute;amos o devir ou devenir. A id&eacute;ia &eacute; percorrer o transcurso que levaria do Esp&iacute;rito Abstrato at&eacute; o Esp&iacute;rito Concreto, atrav&eacute;s do elemento de media&ccedil;&atilde;o que Hegel chama de ess&ecirc;ncia ou a nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o. Hegel trata na sua l&oacute;gica Id&eacute;ia, Raz&atilde;o e Esp&iacute;rito como sin&ocirc;nimos.</p>      <p>Esse primeiro momento, da Id&eacute;ia, representa a interioridade e subjetividade, isto &eacute;, &eacute; a Id&eacute;ia <i>em si</i>, ou, o <i>ser em si</i>. O segundo momento &eacute; a exterioriza&ccedil;&atilde;o da Id&eacute;ia e a nega&ccedil;&atilde;o do primeiro momento. Esse segundo momento de exterioriza&ccedil;&atilde;o &eacute; dado na Natureza. &Eacute; a id&eacute;ia em estado de objetiva&ccedil;&atilde;o. A Natureza &eacute; a ant&iacute;tese da Id&eacute;ia. Por &uacute;ltimo tem-se a objetiva&ccedil;&atilde;o da Id&eacute;ia, unidade do terceiro momento que &eacute; a s&iacute;ntese da ant&iacute;tese entre a Id&eacute;ia subjetiva e a Natureza. A Id&eacute;ia Absoluta representa o retorno &agrave; interioridade, &eacute; a volta ao estado inicial. A diferen&ccedil;a entre a etapa inicial e a etapa final &eacute; que o Esp&iacute;rito Abstrato &eacute; uma interioridade sem consci&ecirc;ncia; j&aacute; na segunda etapa, o Esp&iacute;rito Concreto ou Id&eacute;ia Absoluta &eacute; uma interioridade consciente, fruto do movimento contradit&oacute;rio da ant&iacute;tese anterior. A Id&eacute;ia &eacute; a unidade do ser e do objeto.</p>      <p>A primeira etapa &eacute; o est&aacute;gio da liberdade restrita, em que a percep&ccedil;&atilde;o do ser humano face &agrave; realidade &eacute; ing&ecirc;nua. O terceiro momento, no qual vai haver a objetiva&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, ser&aacute; marcado pelo surgimento das institui&ccedil;&otilde;es humanas, tais como a moral, o direito, a hist&oacute;ria, a pol&iacute;tica, etc. &Eacute; o surgimento do pr&oacute;prio Estado como objetiva&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o efetiva da Raz&atilde;o. Afirma Hegel que a passagem do Esp&iacute;rito abstrato ou subjetivo para o Esp&iacute;rito concreto ou objetivo representa um est&aacute;gio de maior liberdade. Afirma Hegel (2005) na <i>Fenomenologia do Esp&iacute;rito</i> que a evolu&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito &eacute; a transcend&ecirc;ncia deste do plano subjetivo, est&aacute;gio de inconsci&ecirc;ncia, para o plano objetivo, universal, absoluto, est&aacute;gio de autoconsci&ecirc;ncia. O crescimento do esp&iacute;rito se d&aacute; no transcorrer da hist&oacute;ria; da&iacute; que o processo que leva do estado subjetivo ao objetivo, absoluto, representa o processo de crescimento da liberdade do ser humano. Na etapa de s&iacute;ntese, do esp&iacute;rito absoluto, este se torna infinito. &Eacute; a consci&ecirc;ncia de si pr&oacute;prio, a mente se auto-percebe em qualquer outra coisa (Hegel, 2003). O dom&iacute;nio absoluto da Raz&atilde;o tem sua raz&atilde;o de ser na l&oacute;gica de Hegel, por ele afirmar que n&atilde;o escolhemos as condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e instituicionais nas quais evolu&iacute;mos e, no entanto, elas determinam profundamente nossa maneira de ver ou o esp&iacute;rito dos povos em geral (Hegel, 2003).</p>      <p>Ser&aacute; do aprofundamento do estudo da obra de Hegel e da cr&iacute;tica dirigida ao sistema idealista hegeliano que Marx ir&aacute; se apropriar do que h&aacute; de mais fundamental em seu sistema: a dial&eacute;tica. Marx ir&aacute; desenvolver a dial&eacute;tica como fundamento metodol&oacute;gico e te&oacute;rico de sua principal obra, <i>O Capital</i> (1867). Por&eacute;m, ao contr&aacute;rio de Hegel, Marx ir&aacute; desenvolver a dial&eacute;tica segundo a concep&ccedil;&atilde;o materialista e n&atilde;o idealista. Conforme o pr&oacute;prio Marx, enquanto a dial&eacute;tica de Hegel desce do c&eacute;u &agrave; terra, sua dial&eacute;tica vai da terra ao c&eacute;u.</p>      <p><b>3. Idealismo e Materialismo: Hegel, Feuerbach e Marx</b></p>      <p>Embora n&atilde;o seja tema de investiga&ccedil;&atilde;o, consideramos fundamental na cr&iacute;tica do jovem Marx a Hegel como tamb&eacute;m para sua concep&ccedil;&atilde;o materialista da hist&oacute;ria a filosofia de Feuerbach, que atrav&eacute;s do materialismo rebateu o sistema idealista hegeliano. Da&iacute; que a cr&iacute;tica de Marx a Hegel n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem antes nos reportarmos, brevemente, &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o de Feuerbach nesse processo, de quem o Marx jovem e maduro estruturou n&atilde;o s&oacute; sua cr&iacute;tica como tamb&eacute;m a evolu&ccedil;&atilde;o de seu pensamento. Partimos tratando da rela&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto em Hegel, Feuerbach e Marx.</p>      <p><i>3.1 A Rela&ccedil;&atilde;o sujeito e objeto: a epistemologia materialista</i></p>      <p>Na realidade, do ponto de vista epistemol&oacute;gico, o centro da discuss&atilde;o do debate entre Hegel e Marx, inclusive Feuerbach, &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o sujeito e objeto. Algumas coloca&ccedil;&otilde;es realizadas em nosso estudo j&aacute; foram brevemente, de uma maneira ou de outra, citadas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Hegel essa rela&ccedil;&atilde;o se coloca no plano abstrato da Raz&atilde;o, da Id&eacute;ia e do Esp&iacute;rito, para depois se estender ao plano da objetiva&ccedil;&atilde;o, atingindo a Raz&atilde;o Absoluta, cuja realiza&ccedil;&atilde;o objetiva se d&aacute; por meio do Estado.</p>      <p>Portanto, em Hegel o sujeito &eacute; abstrato, ele se encarna na Raz&atilde;o. Melhor dizendo, o ser &eacute; 'sujeito de si mesmo', independente da exist&ecirc;ncia corporal do indiv&iacute;duo pensante. O ser &eacute; uma simples propriedade do pensar. A consci&ecirc;ncia &eacute; o ser, o sujeito. O ser &eacute; objeto (Plekh&acirc;nov, 1972, p. 22). Feuerbach, por sua vez, adianta que "n&atilde;o h&aacute; e n&atilde;o pode haver pensamento independente do homem, quer dizer, do ser real, material". Seguindo esse racioc&iacute;nio o homem &eacute; para Feuerbach o n&uacute;cleo da unidade entre o ser e o pensar (Plek&acirc;nov, 1972, p. 22).</p>      <p>O Marx jovem absorve integralmente o pensamento de Feuerbach. A inova&ccedil;&atilde;o de Feuerbach, isto &eacute;, a transi&ccedil;&atilde;o ao materialismo invertendo a rela&ccedil;&atilde;o entre o ser e o pensar ser&aacute; a base sobre a qual Marx encaminhar&aacute; seu pensamento.</p>      <p>Se em Marx o elemento mediador &eacute; a pr&aacute;xis, em Hegel &eacute; a ess&ecirc;ncia. Para Feuerbach n&atilde;o h&aacute; media&ccedil;&atilde;o. A media&ccedil;&atilde;o &eacute; um atributo da l&oacute;gica dial&eacute;tica e essa &eacute; uma categoria que Feuerbach refutou em sua filosofia. A unidade entre o ser e o pensar ocorre em Feuerbach pela simples raz&atilde;o de que &eacute; o homem um ser material e que &eacute; de sua natureza a faculdade de pensar.</p>      <p>As implica&ccedil;&otilde;es acerca da maneira de se conceber o sujeito e o objeto s&atilde;o profundas, atingindo o n&uacute;cleo do pensamento dos autores, do ponto de vista metodol&oacute;gico e filos&oacute;fico e, quanto aos resultados a que chegam.</p>      <p>Deduz-se que o sujeito em Hegel &eacute; produto da Raz&atilde;o. Em Marx, o sujeito &eacute; fruto das condi&ccedil;&otilde;es materiais atrav&eacute;s das quais eles se reproduzem, ou seja, o conjunto das rela&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o e das for&ccedil;as produtivas. Em s&iacute;ntese, Hegel faz da consci&ecirc;ncia o sujeito e do ser o objeto, enquanto Marx faz do ser o pr&oacute;prio sujeito em sua atividade pr&aacute;tica e da consci&ecirc;ncia o objeto apreendido pelo ser em sua realidade objetiva, material. Assim, conforme as vis&otilde;es de Hegel e Marx acerca da determina&ccedil;&atilde;o do sujeito e do objeto, vamos ter caminhos diferenciados quando entendidas tais categorias &agrave; luz da quest&atilde;o da universalidade no &acirc;mbito da rela&ccedil;&atilde;o entre sociedade civil e Estado.</p>      <p>Feuerbach afirma que o come&ccedil;o da filosofia deve se assentar no finito, no determinado, no real. Desmonta de &iacute;nicio a base sobre a qual se estrutura o pensamento de Hegel ao afirmar que o ser do homem n&atilde;o &eacute; a Id&eacute;ia, a Raz&atilde;o ou o Esp&iacute;rito, mas o homem. O homem &eacute;, antes de qualquer coisa, um ser natural. O princ&iacute;pio materialista do pensamento de Feuerbach se coloca no sentido de considerar o homem como ser real, como ser vivente, em sua exist&ecirc;ncia concreta e n&atilde;o ideal. Nesse sentido remete a ess&ecirc;ncia do homem &agrave; natureza. Enquanto em Hegel a Natureza &eacute; a exterioriza&ccedil;&atilde;o do ser (da primeira etapa, na tese) no sistema da l&oacute;gica, em Feuerbach &eacute; a atribui&ccedil;&atilde;o essencial do ser. Feuerbach trata do homem em si pr&oacute;prio, livre das atribui&ccedil;&otilde;es especulativas e idealistas do hegelianismo. Afirma Feuerbach que "a verdadeira rela&ccedil;&atilde;o do pensamento ao ser reduz-se a isto: o ser &eacute; sujeito, o pensamento &eacute; predicado. O pensamento prov&eacute;m do ser e n&atilde;o o ser do pensamento" (Timmerman, p. 51). A dial&eacute;tica hegeliana pouco ou nenhum valor tem na obra de Feuerbach por ach&aacute;-la arbitr&aacute;ria. Dir&aacute; Marx que Feuerbach desprezou o que de mais fundamental h&aacute; no pensamento de Hegel.</p>      <p>O materialismo de Marx sai das entranhas do materialismo de Feuerbach, mas com uma nova roupagem, pelo seu car&aacute;ter hist&oacute;ricoconcreto. Enquanto Feuerbach observa no materialismo o car&aacute;ter natural, Marx dar&aacute; ao seu materialismo um car&aacute;ter hist&oacute;rico. Na medida em que o materialismo de Marx tem por fundamento a hist&oacute;ria, ele assume o car&aacute;ter s&oacute;cio-hist&oacute;rico, desenvolvendo seu pensamento no &acirc;mbito da teoria social. Portanto, o materialismo hist&oacute;rico-dial&eacute;tico de Marx tem uma base material, centrada no bin&ocirc;mio for&ccedil;as produtivas-rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, que desenvolveremos mais adiante. Marx sai do campo da filosofia para o campo da teoria social.</p>      <p>Em Feuerbach a ess&ecirc;ncia do homem &eacute; o seu ser. O real &eacute; o sens&iacute;vel. A verdade reside na uni&atilde;o de dois sujeitos reais em sua natureza. Essa uni&atilde;o nasce da intui&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia universal de ambos os sujeitos. A verdade &eacute;, como diz Feuerbach, o homem em sua ess&ecirc;ncia, ou em outras palavras, &eacute; a ess&ecirc;ncia dos sujeitos (Frederico & Sampaio, p. 82). &Eacute; a consci&ecirc;ncia sens&iacute;vel. Para Hegel a verdade &eacute; a uni&atilde;o entre ess&ecirc;ncia e apar&ecirc;ncia da coisa, &eacute; a uni&ccedil;&atilde;o do eu e do tu que nasce da institui&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia universal (idem, p. 83). Embora Marx inicialmente concebesse a verdade conforme Feuerbach; ou, fazendo uma ponte com Hegel, a verdade &eacute; a revela&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia por meio da reflex&atilde;o, em seus estudos posteriores ele n&atilde;o entender&aacute; mais a verdade como a consci&ecirc;ncia sens&iacute;vel, intuitiva, mas a verdade como sendo o homem real agindo sobre a realidade, transformando-a.</p>      <p>Afirma Marx nos <i>Manuscritos</i> que para Hegel o ser humano s&oacute; tem valor como ser abstrato pensante, como autoconsci&ecirc;ncia. E o sujeito que se conhece como autoconsciente &eacute; Deus, O Esp&iacute;rito Absoluto (Frederico E Sampaio, p. 45). Da&iacute; Marx afirmar que toda aliena&ccedil;&atilde;o do homem &eacute; a aliena&ccedil;&atilde;o que parte de sua autoconsci&ecirc;ncia. A supera&ccedil;&atilde;o da aliena&ccedil;&atilde;o &eacute;, justamente, a supera&ccedil;&atilde;o da abstra&ccedil;&atilde;o vazia e sem conte&uacute;do que se instaura no momento da nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o, na ant&iacute;tese, como etapa de media&ccedil;&atilde;o, passando da reflex&atilde;o &agrave; pr&aacute;xis. O conceito de aliena&ccedil;&atilde;o Marx toma de Feuerbach, refazendo este conceito posteriormente em seus trabalhos. A teoria da aliena&ccedil;&atilde;o de Feuerbach acusa o dom&iacute;nio do ser absoluto em Deus ou no Esp&iacute;rito Absoluto como fundamento da aliena&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia humana. Conforme Feuerbach, Deus &eacute; simplesmente a forma separada de seu conte&uacute;do, no homem. Dessa falsa separa&ccedil;&atilde;o, afirma, o homem ao abdicar de sua ess&ecirc;ncia, aliena-se. Logo, &eacute; tarefa essencial da Filosofia esclarecer e desmistificar essas ilus&otilde;es (Timmerman, p. 52). Tanto Feuerbach quanto Marx transferem o racionalismo de Hegel do reino da abstra&ccedil;&atilde;o para o reino da concretude.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>3.2 As Teses contra Feuerbach (1845) e o Materialismo de Marx</i></p>      <p>Nas onze teses de Marx sobre Feuerbach est&aacute; as bases de sustenta&ccedil;&atilde;o do materialismo de Marx. Na primeira tese Marx afirma que o principal defeito de todo o materialismo, incluindo o de Feuerbach, &eacute; que a realidade, o mundo sens&iacute;vel s&oacute; s&atilde;o apreendidos sob a forma de objeto ou intui&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o como <i>atividade humana sens&iacute;vel</i>, enquanto <i>pr&aacute;xis</i>. Na mesma tese adianta Marx que Feuerbach acata objetos sens&iacute;veis distintos dos objetos do pensamento de Hegel, mas n&atilde;o considera a pr&oacute;pria atividade humana como atividade objetiva (Marx, 1988, p. 161).</p>      <p>Na sexta tese diz Marx que Feuerbach teve o m&eacute;rito de transpor a ess&ecirc;ncia religiosa para a ess&ecirc;ncia humana, mas que a ess&ecirc;ncia humana n&atilde;o pode ser algo em abstrato, inerente ao indiv&iacute;duo isolado, sendo, em realidade, o conjunto das rela&ccedil;&otilde;es sociais. Esse &uacute;ltimo aspecto - o conjunto das rela&ccedil;&otilde;es sociais - &eacute; um dos aspectos de maior import&acirc;ncia da teoria social de Marx. Acrescenta Marx na s&eacute;tima tese que o indiv&iacute;duo abstrato que Feuerbach analisa &eacute; ele, na realidade, uma forma social determinada (Marx, 1988, p. 162).</p>      <p>De volta a Marx, se observar&aacute; em <i>A Ideologia Alem&atilde;</i> (1845-46) o nascimento do materialismo hist&oacute;rico e dial&eacute;tico. Aqui estar&aacute; exposto o pensamento do Marx maduro que refutar&aacute; o hegelianismo especulativoidealista e o materialismo humanista feuerbachiano. Embora Feuerbach desse um passo significativo para desmontar o racionalismo abstrato de Hegel, sua filosofia materialista pecava por situar no sens&iacute;vel, no intuitivo e no naturalismo a ess&ecirc;ncia do ser, de maneira que, para aquele, al&eacute;m do ser nada teria sentido, mas apenas no pr&oacute;prio ser. Quanto a este ponto, o pensamento de Feuerbach parece dar indica&ccedil;&otilde;es de que ele permaneceria no <i>ser-em-si</i> de Hegel. Tirando o homem do Reino Divino e livrando-o da aliena&ccedil;&atilde;o, Feuerbach fez do homem um ser satisfeito com sua ess&ecirc;ncia, sua sensibilidade, que, por ser natural, &eacute; imut&aacute;vel, no sentido estrito do termo. Apesar de seu materialismo, da mesma forma que Hegel, Feuerbach fez do homem um conceito abstrato. Tomando a natureza como refer&ecirc;ncia, renuncia ao movimento dial&eacute;tico de supera&ccedil;&atilde;o, existindo a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre os sujeitos individualizados. Nesse sentido, na perspectiva feuerbachiana, a sociedade &eacute; o conjunto dos seres em sua individualidade.</p>      <p><b>4. O Materialismo: Ser social e as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Contrariamente a Feuerbach, Marx vai situar seu materialismo para al&eacute;m do sujeito pensante, preso em sua sensibilidade. Marx ir&aacute; centrar seu materialismo na rela&ccedil;&atilde;o dos sujeitos com condi&ccedil;&otilde;es materiais nas quais eles se perpetuam e atendem suas necessidades. Para Marx, os seres humanos embora sens&iacute;veis, s&atilde;o seres concretos reais, fruto das rela&ccedil;&otilde;es que mant&eacute;m em sua atividade pr&aacute;tica, produtiva. H&aacute; uma inter-rela&ccedil;&atilde;o entre as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e as for&ccedil;as produtivas, dependendo estas e, ao mesmo tempo, impulsionando a divis&atilde;o do trabalho. Dir&aacute; Marx que o que os indiv&iacute;duos s&atilde;o depende n&atilde;o da Raz&atilde;o, mas das condi&ccedil;&otilde;es materiais da produ&ccedil;&atilde;o dos bens necess&aacute;rios &agrave; vida. Ou seja, a cada desenvolvimento das for&ccedil;as produtivas, corresponder&aacute; novas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o mais avan&ccedil;adas, o que, por sua vez, corresponder&aacute; mais adiante a um novo momento de reflex&atilde;o dos indiv&iacute;duos sobre sua ess&ecirc;ncia, subjetiva e objetiva, o ser e suas condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia.</p>      <p>A partir da&iacute; vislumbra-se a rela&ccedil;&atilde;o entre ser e consci&ecirc;ncia. Estando condicionado os indiv&iacute;duos em seu pensamento pelas condi&ccedil;&otilde;es materiais, estar&aacute; a consci&ecirc;ncia subordinada ao ser, logo &eacute; o ser que determina a consci&ecirc;ncia e n&atilde;o o contr&aacute;rio. J&aacute; em Feuerbach essa m&aacute;xima, de quem Marx tomou, ocorre n&atilde;o do homem face &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es materiais, mas porque o pr&oacute;prio homem &eacute; real, concreto, portanto, material.</p>      <p>A correspond&ecirc;ncia necess&aacute;ria entre as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e as for&ccedil;as produtivas &eacute; fundamental na concep&ccedil;&atilde;o do materialismo hist&oacute;rico. Da&iacute; ser o materialismo hist&oacute;rico uma teoria social. A dial&eacute;tica &eacute; o n&uacute;cleo racional do materialismo de Marx e Engels, exposto em <i>A Ideologia Alem&atilde;</i>. A oposi&ccedil;&atilde;o inscrita no sistema hegeliano entre a tese e a ant&iacute;tese, entre a afirma&ccedil;&atilde;o e a nega&ccedil;&atilde;o, tem em Marx a media&ccedil;&atilde;o material, enquanto em Hegel &eacute; reflexiva, abstrata. Da&iacute; que a solu&ccedil;&atilde;o na opera&ccedil;&atilde;o entre a contradi&ccedil;&atilde;o dos dois p&oacute;los se d&aacute; em Marx por meio da atividade pr&aacute;tica do homem que supera a oposi&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto, ou o que Marx vai conceituar como a <i>pr&aacute;xis</i>. A pr&aacute;xis &eacute; a atividade en&eacute;rgica dos homens face aos conflitos e contradi&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da sociedade.</p>      <p>Dir&aacute; Marx que a primeira condi&ccedil;&atilde;o de toda hist&oacute;ria humana &eacute; a exist&ecirc;ncia de seres humanos vivos. Acrescenta que, os homens ao produzirem seus meios de subsist&ecirc;ncia, produzem indiretamente sua pr&oacute;pria vida material (Marx & Engels, 1989, p. 10-11). Mais adiante, coloca que a maneira como os homens manifestam sua vida reflete no que eles s&atilde;o. O que eles s&atilde;o coincide com o que eles produzem e como produzem. Assim sendo, segundo Marx, o que os indiv&iacute;duos s&atilde;o depende das condi&ccedil;&otilde;es materiais de sua produ&ccedil;&atilde;o (1989, p. 11).</p>      <p>Os indiv&iacute;duos, no exerc&iacute;cio de sua atividade produtiva, segundo um modo determinado de produzir, colocam-se em rela&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas determinadas, rela&ccedil;&otilde;es que se d&atilde;o entre propriet&aacute;rios de meios de produ&ccedil;&atilde;o e propriet&aacute;rios da for&ccedil;a de trabalho. Em decorr&ecirc;ncia disso, a estrutura social e o Estado nascem do processo vital de indiv&iacute;duos em a&ccedil;&atilde;o, na sua exist&ecirc;ncia real, segundo a maneira como trabalham e produzem materialmente (1989, p. 18).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sintetiza Marx a id&eacute;ia de que s&atilde;o os homens reais, atuantes, que produzem e reproduzem suas id&eacute;ias, suas representa&ccedil;&otilde;es, etc. Da&iacute; ser a consci&ecirc;ncia o resultado do ser consciente e, o ser dos homens, acrescenta, &eacute; o seu processo de vida real. S&atilde;o os homens que realizando sua produ&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo suas rela&ccedil;&otilde;es materiais, transformam, em fun&ccedil;&atilde;o da realidade em que vivem, seu pensamento e tamb&eacute;m os produtos de seu pensamento (1989, p. 19-20). Posteriormente, com base nessa id&eacute;ia, Marx ir&aacute; desenvolver as no&ccedil;&otilde;es de estrutura e superestrutura.</p>      <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre o ser e o pensamento fica clara quando Marx e Engels assinalam que:</p>      <p><ol>A consci&ecirc;ncia &eacute;, portanto, de in&iacute;cio, um produto social. A consci&ecirc;ncia &eacute;, antes de mais nada, apenas a consci&ecirc;ncia do meio sens&iacute;vel mais pr&oacute;ximo e de uma interdepend&ecirc;ncia limitada com outras pessoas e outras coisas situadas fora do indiv&iacute;duo que toma consci&ecirc;ncia (1989, p. 25).</p>      <p>E, mais adiante, afirmam que:    <br>  A soma das for&ccedil;as produtivas, de capitais, de formas das rela&ccedil;&otilde;es sociais que cada indiv&iacute;duo e que cada gera&ccedil;&atilde;o encontram constitui a base concreta da representa&ccedil;&atilde;o que os fil&oacute;sofos fazem do que seja subst&acirc;ncia ou ess&ecirc;ncia do homem (1989, p. 36-37).    </ol></p>      <p>Contrariamente ao modelo hegeliano, est&atilde;o as id&eacute;ias, as representa&ccedil;&otilde;es e a consci&ecirc;ncia, a princ&iacute;pio, direta e intimamente ligadas &agrave; atividade material e ao com&eacute;rcio material dos homens.</p>      <p><b>5. Conclus&atilde;o</b></p>      <p>Sem sombra de d&uacute;vida h&aacute; consenso por parte dos estudiosos de Hegel, Feuerbach e Marx a grande contribui&ccedil;&atilde;o que tiveram os dois primeiros pensadores para a evolu&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do pensamento de Marx. Feuerbach significou uma reviravolta no idealismo de Hegel como corrente de pensamento dominante at&eacute; ent&atilde;o. Em contraposi&ccedil;&atilde;o ao idealismo, Feuerbach vai instaurar o materialismo, trazendo o homem do c&eacute;u e colocando na terra: o homem &eacute; a ess&ecirc;ncia de tudo.</p>      <p>A l&oacute;gica da teoria econ&ocirc;mica de Marx se assenta no m&eacute;todo dial&eacute;tico. Por exemplo, o pr&oacute;prio capital, como propriedade moderna, carrega em sua ess&ecirc;ncia o princ&iacute;pio dial&eacute;tico da contradi&ccedil;&atilde;o, na medida em que Marx trata de sua evolu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da mercadoria at&eacute; a crise do capitalismo, decorrente da tend&ecirc;ncia &agrave; queda da taxa de lucro, acarretada pela acumula&ccedil;&atilde;o, concentra&ccedil;&atilde;o e centraliza&ccedil;&atilde;o do capital em escala crescente. Marx sintetiza a l&oacute;gica dial&eacute;tica em sua obra ao afirmar no livro terceiro que o capital &eacute; uma barreira ao pr&oacute;prio capitalismo, o que &eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o controversa. Por outro lado, o vi&eacute;s metodol&oacute;gico da dial&eacute;tica hegeliana est&aacute; presente nos <i>Manuscritos</i> quando Marx desenvolve o m&eacute;todo da economia pol&iacute;tica que embasar&aacute; a estrutura de <i>O Capital</i>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O ponto central e controverso em Hegel e em Marx que est&aacute; no sistema l&oacute;gico de Hegel &eacute; o movimento dial&eacute;tico que faz operar o mecanismo de conserva&ccedil;&atilde;o-supera&ccedil;&atilde;o. Este mecanismo envolve a quest&atilde;o do Estado em Hegel como Raz&atilde;o Absoluta, assim como o fundamento da liberdade. Esta, em Hegel prov&eacute;m do Esp&iacute;rito, do abstrato; em Marx, prov&eacute;m do ser e suas condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia, portanto, do concreto. Os escritos com Marx, principalmente em <i>A Ideologia Alem&atilde;</i>, Engels retoma e refaz a vis&atilde;o de Estado que foi concebida na &eacute;poca, ao lado de Marx. Assim como grandes avan&ccedil;os houve na concep&ccedil;&atilde;o de Estado realizados por Gramsci.</p>      <p>Por fim, resta dizer que se a filosofia de Hegel &eacute; idealista e especulativa, o materialismo hist&oacute;rico de Marx e Engels &eacute; concreto, objetivo, revolucion&aacute;rio.</p>  <hr>      <p><font size="3"><b>Referencias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>      <!-- ref --><p>Hegel, G. W.F. (2003): <i>Princ&iacute;pios da filosofia do direito</i>, S&atilde;o Paulo, Martins Fontes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0120-4688201000020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>_ (2003): <i>Fenomenologia do Esp&iacute;rito</i>, Petr&oacute;polis, Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0120-4688201000020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marx, K e Engels, F. (1989): <i>A Ideologia Alem&atilde;</i>, S&atilde;o Paulo, Martins Fontes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0120-4688201000020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>_ (1983): <i>O Capital</i>, S&atilde;o Paulo, Abril Cultural, livro 3, vol. 4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0120-4688201000020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marx, K. (1978): <i>Manuscritos econ&ocirc;micos-filos&oacute;ficos</i>. Cole&ccedil;&atilde;o Os Pensadores, S&atilde;o Paulo: Abril Cultural.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0120-4688201000020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>_ (2005): <i>Cr&iacute;tica da filosofia do Direito de Hegel</i>. S&atilde;o Paulo: Boitempo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0120-4688201000020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>_ (1988): <i>Teses contra Feuerbach</i>. In: Os Pensadores. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0120-4688201000020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>N&oacute;brega, F.P. (2005): <i>Compreender Hegel</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0120-4688201000020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Plekh&acirc;nov, G. (1972): <i>Os princ&iacute;pios fundamentais do marxismo</i>, S&atilde;o Paulo, HUCITEC.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0120-4688201000020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sampaio, B.A. e Frederico, C. (2006): <i>Dial&eacute;tica e Materialismo: Marx entre Hegel e Feuerbach</i>, Rio de Janeiro, Editora UFRJ.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0120-4688201000020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Timmermans, B. (2005): <i>Hegel</i>, S&atilde;o Paulo, Esta&ccedil;&atilde;o Liberdade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0120-4688201000020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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