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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[DE MARX A HORKHEIMER: UMA HISTÓRIA DA CONVERGÊNCIA ENTRE TEORIA E PRÁXIS]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[De Marx a Horkheimer: una historia de la convergencia entre la teoría y la práctica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is a study on the relationship between Theory and Praxis in Occidental Marxism and in the young Horkheimer.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font size="2" face="Verdana">      <p align="center"><font size="4"><b>DE MARX A HORKHEIMER: UMA HIST&Oacute;RIA DA CONVERG&Ecirc;NCIA ENTRE TEORIA E PR&Aacute;XIS</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>De Marx a Horkheimer: una historia de la convergencia entre la teor&iacute;a y la pr&aacute;ctica</b></font></p>     <p align="center"><b><i>Manoel Ribeiro de Moraes Junior</i></b><sup>*</sup>    <br> Universidade do Estado do Par&aacute; - Brasil    <br> <a href="mailto:manoelribeiromoraesjr@gmail.com">manoelribeiromoraesjr@gmail.com</a></p>     <br>     <p><sup>*</sup> Manoel Ribeiro de Moraes Junior, em est&aacute;gio de P&oacute;s-Doutorado em Filosofia na UERJ, sob a orienta&ccedil;&atilde;o do Dr. Luiz Bernardo Leite Ara&uacute;jo, &eacute; doutor em Ci&ecirc;ncias da Religi&atilde;o pela UMESP e Professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Religi&atilde;o (Mestrado) na UEPA (<a href="mailto:manoelribeiromoraesjr@gmail.com">manoelribeiromoraesjr@gmail.com</a>). <a href="http://lattes.cnpq.br/2429279552706202">http://lattes.cnpq.br/2429279552706202</a></p>     <p>Recibido: diciembre 2011   aprobado: abril 2012</p>   <hr>     <p><b><i>RESUMEN</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este art&iacute;culo es un estudio sobre la relaci&oacute;n entre teor&iacute;a y praxis en el marxismo occidental y en el joven Horkheimer.</p>     <p><b>Palabras chave: </b>Teor&iacute;a y praxis, Marxismo Occidental, Joven Horkheimer.</p> <hr>     <p><b><i>ABSTRACT</i></b></p>     <p>This article is a study on the relationship between Theory and Praxis in Occidental Marxism and in the young Horkheimer.</p>     <p><b>Key Words: </b>Theory and Praxis, Occidental Marxism, Young Horkheimer.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>A hist&oacute;ria do marxismo &eacute; ampla e as possibilidades de sua interpreta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o diversas. Em considera&ccedil;&atilde;o a isso, <i>grosso modo</i>, o objetivo deste tra&ccedil;ado hist&oacute;rico n&atilde;o &eacute; o de esmiu&ccedil;ar a totalidade dos movimentos pol&iacute;ticos ou intelectuais que se ergueram inspirados originariamente, nos escritos de Karl Marx e Friedrich Engels, mas, somente, o de ressaltar alguns marcos de um marxismo ajust&aacute;vel ao tipo ideal "Marxismo Ocidental" que Maurice Merleau-Ponty inaugurou em sua obra "As aventuras da Dial&eacute;tica".<sup><a name="nu1"></a><a href="#num1">1</a></sup> Talvez, mesmo fazendo essa delimita&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, o termo "Marxismo Ocidental" ainda permane&ccedil;a como algo de grande amplitude social, hist&oacute;rica e intelectual.</p>     <p>Todavia, essa etapa distinta da hist&oacute;ria do pensamento marxista revela uma forma criativa de atualizar e perpetuar os germes pol&iacute;tico-intelectuais deflagrados pelos escritos dos fundadores do materialismo hist&oacute;rico. Esse marxismo se revelou em Max Horkheimer n&atilde;o somente como orienta&ccedil;&atilde;o intelectual que marcou uma virada na compreens&atilde;o do pr&oacute;prio significado de pensamento e de sociedade, mas tamb&eacute;m como cr&iacute;tica &agrave;s cl&aacute;ssicas defini&ccedil;&otilde;es de raz&atilde;o a favor de um modo descentralizado, hist&oacute;rico-social e vivencial de racionalidade.<sup><a name="nu2"></a><a href="#num2">2</a></sup> Assim, um esbo&ccedil;o do panorama retrospectivo do "marxismo ocidental" ajudar&aacute; entender melhor a forma&ccedil;&atilde;o do pensamento de Max Horkheimer e tamb&eacute;m do estatuto materialista interdisciplinar da Escola de Frankfurt.</p>     <p><font size="3"><b>1. A Virada Pragm&aacute;tica, Hist&oacute;rica e Materialista na Filosofia de Karl Marx: Uma Introdu&ccedil;&atilde;o aos Fundamentos da Teoria Cr&iacute;tica</b></font></p>     <p>Karl Marx (1818-83) e Friedrich Engels (1820-1895) s&atilde;o oriundos da Ren&acirc;nia. Ambos acompanharam de perto as revoltas prolet&aacute;rias germinadas e efervescidas nos tempos iniciais da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial. De um lado, Karl Marx, afinado com a tradi&ccedil;&atilde;o intelectual do ocidente (estudante de filosofia grega, leitor de Hegel, Feuerbach, Proudhon etc.) e, do outro, Friedrich Engels, um empres&aacute;rio intelectual que conheceu as mazelas do operariado ingl&ecirc;s e as artimanhas da administra&ccedil;&atilde;o empresarial e da economia capitalista industrial (SINGER, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ligados numa parceira fraternal, ideol&oacute;gica e intelectual que iniciou-se entre os anos de 1842 e 1844, os pais do materialismo dial&eacute;tico estiveram sempre ligados &agrave;s causas emancipativas dos oper&aacute;rios.<sup><a name="nu3"></a><a href="#num3">3</a></sup> No decorrer do tempo, o labor deles ganhou uma amplitude te&oacute;rica a partir do instante em que se aplicaram &agrave;s an&aacute;lises mais cr&iacute;ticas e sistem&aacute;ticas da din&acirc;mica pol&iacute;tico-econ&ocirc;mica proveniente da sociedade capitalista. Mas, por eles estarem atados persistentemente aos ideais de justi&ccedil;a e solidariedade da ecoante revolu&ccedil;&atilde;o francesa, dos seus contempor&acirc;neos socialistas ut&oacute;picos e dos aud&iacute;veis protestos dos trabalhadores, o teor resultante de todas as obras da juventude e da maturidade de Marx e de Engels expressou um apelo a uma maior inser&ccedil;&atilde;o do pensamento cr&iacute;tico na concretude de seu tempo.</p>     <p>Destacando essa persistente atitude pol&iacute;tica e intelectual, Perry Anderson afirmou que "a complexidade de articula&ccedil;&atilde;o objetiva entre 'classe' e 'ci&ecirc;ncia' nesse per&iacute;odo se refletiu por sua vez na natureza e no destino dos pr&oacute;prios escritos de Marx" (ANDERSON, 2004, 25) - mesmo que a maior parte destas obras tenham sido postumamente descobertas e publicadas. Ainda que a supera&ccedil;&atilde;o das injusti&ccedil;as sociais fosse o epicentro das preocupa&ccedil;&otilde;es de Engels e Marx, esse marxismo origin&aacute;rio sofreu certo descompasso entre teoria e a pr&aacute;tica pol&iacute;tica. Em meio &agrave;s turbul&ecirc;ncias pol&iacute;tico-sociais de uma sociedade emergente nos paradigmas econ&ocirc;mico-industriais, as organiza&ccedil;&otilde;es auto-emancipativas do proletariado e as obras marxianas sobre revolu&ccedil;&atilde;o, estado burgu&ecirc;s e economia capitalista, j&aacute; n&atilde;o podiam ser vistas num mesmo n&iacute;vel de interesse. Contudo, o desnivelamento intelectual entre os escritos de Karl Marx e as condutas dos partidos e dos sindicatos de esquerda n&atilde;o obscureceu o valor da virada pragm&aacute;tica te&oacute;rico-hist&oacute;rico-materialista do fil&oacute;sofo e socialista alem&atilde;o.</p>     <p>Ap&oacute;s ser expulso da Pr&uacute;ssia e da Fran&ccedil;a, e depois de se acomodar em Londres sob certos cuidados, ajudas financeiras e companheirismo intelectual de Engels, Marx passou a aprofundar as suas an&aacute;lises cr&iacute;ticas &agrave; economia-pol&iacute;tica da moderna sociedade europ&eacute;ia e como tamb&eacute;m procurou aprimorar seus esbo&ccedil;os te&oacute;rico-materialistas. Nestes tempos, a empreitada liter&aacute;ria marxiana pouco ecoou nos movimentos oper&aacute;rios contempor&acirc;neos a ela. Talvez, um dos motivos centrais para que os trabalhadores industriais n&atilde;o tivessem se apropriado intensamente dos recursos te&oacute;ricos desprendidos pelos dois pensadores socialistas, tenha sido a prec&aacute;ria qualidade de vida urbana na qual eles pereciam - considerando que os trabalhadores tinham escassas condi&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o, moradia, alimenta&ccedil;&atilde;o, trabalho e de prote&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para as reivindica&ccedil;&otilde;es de inexistentes direitos trabalhistas e c&iacute;veis. De toda forma, segundo Perry Anderson, Karl Marx e Friedrich Engels foram socialistas intelectuais avan&ccedil;ados em seu tempo, mesmo que a grandeza e a vanguarda de seus trabalhos tenham sido de dif&iacute;cil recep&ccedil;&atilde;o entre os seus contempor&acirc;neos.</p> <ol>Marx e Engels foram pioneiros isolados em sua pr&oacute;pria gera&ccedil;&atilde;o; pode-se dizer que nenhum contempor&acirc;neo deles, de qualquer nacionalidade, chegou a compreender ou compartilhar completamente suas maduras vis&otilde;es. Sua obra, ao mesmo tempo, produto de um prolongado esfor&ccedil;o conjunto, uma parceria intelectual sem paralelo na hist&oacute;ria do pensamento. Juntos, mesmo no ex&iacute;lio, na pobreza e no trabalho fatigante, jamais perderam contato com as lutas mais importantes do proletariado de sua &eacute;poca, apesar da quase completa falta de v&iacute;nculos organizativos com este por mais de uma d&eacute;cada (ANDERSON, 2005, P. 24).    </ol>     <p>Mesmo que intensamente afim aos ideais socialistas e anarquistas de uma sociedade liberta das formas de explora&ccedil;&atilde;o e de dom&iacute;nio entre os seres humanos, Marx, como hegeliano de esquerda, estava convencido de que eles eram infrut&iacute;feros, pois se apresentavam somente como contra-imagens &agrave;s formas prec&aacute;rias da exist&ecirc;ncia social. Por&eacute;m, por outro lado, o pr&oacute;prio Marx estava profundamente convicto de que a tarefa desprendida por Hegel, em mostrar que o estado moderno conduzia a uma reconcilia&ccedil;&atilde;o absoluta das subjetividades, tinha lugar somente no pensamento (WELLMER, 1988, pp. 65-71). Desde sua tese de doutorado ("A diferen&ccedil;a entre a filosofia da natureza de Dem&oacute;crito e Epicuro"), Marx n&atilde;o aceitava a condi&ccedil;&atilde;o que a filosofia se auto-imp&ocirc;s enquanto mundaneidade pol&iacute;tico-racional distinta e pr&eacute;-iminente ao mundo heter&ocirc;nomo &agrave; subjetividade ou a qualquer paradigma de raz&atilde;o pura e totalizante. Em meio a essa oposi&ccedil;&atilde;o, Karl Marx apontou uma nova possibilidade de reconcilia&ccedil;&atilde;o entre mundo e filosofia. Essa reconcilia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderia seguir os passos unicamente da filosofia e nem por meio da tentativa de apoiar-se num realismo ontol&oacute;gico e pr&aacute;tico pr&eacute;-kantiano, mas somente atrav&eacute;s de uma "filosofica&ccedil;&atilde;o do mundo" e de uma "mundaniza&ccedil;&atilde;o da filosofia". Para ampliar a dimens&atilde;o v&aacute;lida da reflex&atilde;o e do agir te&oacute;rico, Marx se p&ocirc;s na esteira epistemol&oacute;gica da dial&eacute;tica entre natureza e ser humano imediatizada pela unidade elementar vivencial do agir humano (<i>praxis</i>) ou pela categoria s&oacute;cio-econ&ocirc;mica do "trabalho" (<i>arbeit</i>) - considerando que <i>Praxis </i>e <i>Arbeit </i>s&atilde;o termos categoriais que demarcam, de certo modo, respectivamente as fronteiras respectivamente entre o Jovem Marx (que reflete as obras anteriores aos <i>Manuscritos Econ&ocirc;mico-Filos&oacute;ficos </i>de 1844 (<i>&Ouml;konomish-Philosophishe Manuskripte</i>) e o Karl Marx da magna obra pol&iacute;tico-econ&ocirc;mica <i>O Capital </i>(<i>Das Kapital</i>).</p> <ol>A partir dessa oposi&ccedil;&atilde;o radical entre o mundo do pensamento e o mundo real, emerge para Marx a tarefa de mostrar uma nova totalidade, que possa reconciliar dialeticamente mundo e filosofia. Ora, esta nova totalidade n&atilde;o pode ser a filosofia ou mesmo uma outra filosofia, j&aacute; que a filosofia &eacute; parcial (OLIVEIRA, 1989, 65).    </ol>     <p>&Eacute; desta forma que a resposta de Marx &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o intelectual alem&atilde; indicou como o pensamento pode p&ocirc;r-se autoconsciente de suas possibilidades emancipativas, perpetuando sua dimens&atilde;o cr&iacute;tica de forma n&atilde;o auto-referencial, logoc&ecirc;ntrica e nem mesmo solipsista - pr&oacute;prias a toda tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica.<sup><a name="nu4"></a><a href="#num4">4</a></sup> A totalidade aberta pelo pensamento marxista, diferentemente da hegeliana, n&atilde;o se subjaz a um sistema ontol&oacute;gico totalitariamente fechado, mas, sim, aos modos de uma dial&eacute;tica que procurou reconstruir a forma&ccedil;&atilde;o (<i>bildung</i>) das experi&ecirc;ncias vivencialmente humanas, contudo, perguntando-se o que alienaria a realiza&ccedil;&atilde;o plena de uma vida &eacute;tica n&atilde;o cindida, e quais as condi&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para se reconduzir, na pr&aacute;xis do cotidiano, &agrave; sua plenifica&ccedil;&atilde;o - tarefa que o distinguiu da reflex&atilde;o ut&oacute;pico-socialista. Assim, em Marx pode-se encontrar uma dupla tarefa cr&iacute;tica:</p>     <p>&ndash;A primeira revela uma negatividade &agrave; arquitet&ocirc;nica intelectual tradicional, a mesma que conjecturou uma id&eacute;ia de entendimento e de raz&atilde;o sob uma auto-referencialidade do pensamento como "mundo no&eacute;tico" (mundo intelig&iacute;vel em distin&ccedil;&atilde;o ao mundo f&iacute;sico) aut&ocirc;nomo e pr&eacute;-eminente &agrave; facticidade do mundo social, natural e subjetivo;</p> <ol>&#91;...&#93; A totalidade na qual a filosofia a teoria marxista se move &eacute; diferente da totalidade da filosofia de Hegel, e que esta diferen&ccedil;a assinala a diferen&ccedil;a decisiva entre as dial&eacute;ticas de Hegel e Marx. Para Hegel, a totalidade era a totalidade da raz&atilde;o, um sistema ontol&oacute;gico fechado, que acabava por se identificar com o sistema racional da hist&oacute;ria. O processo dial&eacute;tico de Hegel era, pois, um processo ontol&oacute;gico universal no qual a hist&oacute;ria se modelava sobre o processo metaf&iacute;sico do ser. Marx, ao contr&aacute;rio, desliga a dial&eacute;tica desta base ontol&oacute;gica. Na sua obra, a negatividade da realidade torna-se uma condi&ccedil;&atilde;o <i>hist&oacute;rica </i>que n&atilde;o pode ser hipostasiada como uma condi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica (MARCUSE, 1978, p. 286).    </ol>     <p>&ndash;A segunda revela tamb&eacute;m as experi&ecirc;ncias negativas da socializa&ccedil;&atilde;o que unilateralizam as experi&ecirc;ncias da a&ccedil;&atilde;o humana (aliena&ccedil;&atilde;o) a partir de imperativos de uma auto-organiza&ccedil;&atilde;o classista que, por sua vez, obstruem a cont&iacute;nua express&atilde;o dial&eacute;tica reconciliada entre os seres humanos, na naturaliza&ccedil;&atilde;o da humanidade e na humaniza&ccedil;&atilde;o da natureza.</p> <ol>O car&aacute;ter da dial&eacute;tica marxista abarca a negatividade vigente, e a sua nega&ccedil;&atilde;o. Um dado estado de coisas &eacute; negativo e s&oacute; pode ser tornado positivo pela liberta&ccedil;&atilde;o das possibilidades a ele inerentes. Isto &eacute;, a nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o, se realiza pelo estabelecimento de uma nova ordem de coisas. A negatividade e sua nega&ccedil;&atilde;o s&atilde;o duas fases diferentes do mesmo processo hist&oacute;rico, associadas pela a&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do homem (MARCUSE, 1978, p. 287).    ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Para Marx, o est&aacute;gio de uma sociedade reconciliada entre si, de forma que as subjetividades emancipadas n&atilde;o mais se subordinassem a qualquer escravatura, a uma intera&ccedil;&atilde;o eq&uuml;idistante, s&oacute; se tornaria poss&iacute;vel atrav&eacute;s de uma a&ccedil;&atilde;o historicamente desprendida por meio de uma revolu&ccedil;&atilde;o em que prevale&ccedil;a a equipara&ccedil;&atilde;o entre os indiv&iacute;duos que, por sua vez, desprendem uma autonomiza&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica das condi&ccedil;&otilde;es concretas e poss&iacute;veis de vida - considerando que o materialismo hist&oacute;rico de Marx relevava que os germes da emancipa&ccedil;&atilde;o j&aacute; estariam presentes no pr&oacute;prio processo societ&aacute;rio. Desta forma, em meio ao hegelianismo e ao socialismo ut&oacute;pico, o grande desafio aberto, ent&atilde;o, seria o de aprimorar o pensamento cr&iacute;tico de forma que se evitassem as aporias ou as solu&ccedil;&otilde;es sob formula&ccedil;&otilde;es restritamente ideol&oacute;gicas de um problema social. Assim, Marx inicia uma reviravolta na forma de fazer teoria.</p>     <p>Enquanto que na cultura intelectual burguesa a reconcilia&ccedil;&atilde;o dos opostos significava somente uma proposta pol&iacute;tica segundo as exig&ecirc;ncias do pensamento puramente te&oacute;rico, para Marx era necess&aacute;ria uma nova forma de filosofia que impulsionasse esses ideais a "partir de" e o direcionasse "para a" pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia pol&iacute;tica.<sup><a name="nu5"></a><a href="#num5">5</a></sup> Marx &eacute; um pensador n&atilde;o s&oacute; da sociedade, mas tamb&eacute;m do pr&oacute;prio pensamento, pois, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel revolucionar a sociedade (pr&aacute;xis pol&iacute;tica) sem revolucionar as possibilidades pol&iacute;ticas do pensamento (teoria). A interconex&atilde;o entre teoria e pr&aacute;xis que ser&aacute; herdada por Max Horkheimer e pelo primeiro programa da Teria Cr&iacute;tica, j&aacute; aparece como uma marcante exig&ecirc;ncia pol&iacute;tico-epistemol&oacute;gica na s&eacute;tima tese dos onze aforismos sobre Feuerbach, quando Marx transforma a hist&oacute;ria da viv&ecirc;ncia humana no espa&ccedil;o de articula&ccedil;&atilde;o de todo saber:</p> <ol>A vida social &eacute; essencialmente pr&aacute;tica. Todos os mist&eacute;rios que seduzem a teoria para o misticismo encontram a sua solu&ccedil;&atilde;o racional na praxe humana e no compreender desta pr&aacute;xis ((MARX, 2008, p. 29).    </ol>     <p>Nesse pequeno escrito de onze aforismos, Karl Marx imp&otilde;e uma cr&iacute;tica &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, sobretudo aos seus pap&eacute;is pol&iacute;tico e intelectual. Para ele, a incompletude filos&oacute;fica restrita ao papel contemplativo era conseq&uuml;&ecirc;ncia de um equ&iacute;voco sobre as id&eacute;ias de pensamento, hist&oacute;ria, sociedade e mundo. A princ&iacute;pio, ao tomar o materialismo de Ludwig Feuerbach<sup><a name="nu6"></a><a href="#num6">6</a></sup> como par&acirc;metro de um modo de reflex&atilde;o cr&iacute;tico-transformadora, Marx combateu as prerrogativas pr&oacute;prias do modo de como as filosofias tradicionais tratavam de seus temas.</p>     <p>Para o fil&oacute;sofo socialista alem&atilde;o, a filosofia tradicional compreendia as significa&ccedil;&otilde;es dos objetos e do modo como refletia sobre o estatuto da objetividade poss&iacute;vel, privilegiando sempre a realidade no&eacute;tica (intelig&iacute;vel) ao mundo das experi&ecirc;ncias sociais e naturais. Atrav&eacute;s dessa critica, Marx percebeu que tal procedimento reflexivo e especulativo sobre o real e sobre o pr&oacute;prio pensamento era insuficiente, pois era importante a compreens&atilde;o n&atilde;o somente da significa&ccedil;&atilde;o do mundo natural e social, mas tamb&eacute;m a compreens&atilde;o do processo formativo das condi&ccedil;&otilde;es e das possibilidades de toda a&ccedil;&atilde;o humana: intelectual e pr&aacute;tica.</p> <ol>Como em Kant, o centro dessa teoria est&aacute; na doutrina das "categorias", s&oacute; que em Marx as categorias determinam tanto o processo real de vida como as condi&ccedil;&otilde;es transcendentais da constitui&ccedil;&atilde;o dos "mundos de vida". N&atilde;o existe, para Marx, uma autoconsci&ecirc;ncia aut&ocirc;noma capaz de se auto-refletir independentemente das estruturas subjacentes do trabalho social. Da&iacute; por que a nova "s&iacute;ntese", proposta por Marx enquanto constitui&ccedil;&atilde;o transcendental do mundo objetivo, se caracteriza, em diferencia&ccedil;&atilde;o, com o pensamento de Kant, Fichte e do pr&oacute;prio Hegel, por n&atilde;o ser algo situado no plano da l&oacute;gica, mas por ser, acima de mais nada, uma produ&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica e transcendental de um sujeito-esp&eacute;cie em que se autogera historicamente. O substrato, a que se refere a s&iacute;ntese, n&atilde;o &eacute; de car&aacute;ter simb&oacute;lico, como na filosofia cl&aacute;ssica alem&atilde;, mas pr&aacute;tico-social-hist&oacute;rico (OLIVEIRA, 1989, p. 55).    </ol>     <p>Para Marx, a constitui&ccedil;&atilde;o das realidades significada e a trabalhada &eacute; poss&iacute;vel sempre a partir da dimens&atilde;o da "pr&aacute;xis humana". O conjunto das atividades humanas, a pr&aacute;xis humana, &eacute;, ent&atilde;o, a condi&ccedil;&atilde;o de toda a&ccedil;&atilde;o intelectual e instrumental. A filosofia cr&iacute;tica tem de compreender que o processo de forma&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o do mundo social s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se o pensamento reflexivo perceber que o processo constituidor das significa&ccedil;&otilde;es do pensamento e da a&ccedil;&atilde;o humana &eacute; condicionado &agrave; pr&aacute;xis social. Desta feita, a reflex&atilde;o te&oacute;rica n&atilde;o deve se depurar do mundo, mas antes, se tornar auto-consciente de que ela mesmo emerge da concretude hist&oacute;rico-social. Aplicado esse princ&iacute;pio metodol&oacute;gico de reflex&atilde;o para uma interconex&atilde;o entre a teoria e a pr&aacute;tica, por&eacute;m com finalidades &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, pode-se concluir que a reflex&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se ela nascer e se desenvolver em concord&acirc;ncia com o exerc&iacute;cio pleno da emancipa&ccedil;&atilde;o social. Assim, segundo Joan Alway<sup><a name="nu7"></a><a href="#num7">7</a></sup> (s/d, 13),</p> <ol>&eacute; com Marx que a atividade humana &eacute; colocada no centro do entendimento e do significado da hist&oacute;ria. A esp&eacute;cie humana tornou-se a for&ccedil;a criativa, o sujeito da hist&oacute;ria, o autor e ator num drama de sua pr&oacute;pria feitura. A hist&oacute;ria, uma vez sendo atividade redentora de um ser transcendente, agora tornou-se atividade redentora do ser humano. A perspectiva de Marx preserva a id&eacute;ia de que a hist&oacute;ria tenha um significado e um ser intelig&iacute;vel, por&eacute;m, importante, ele introduz o adicional e <i>tenet </i>da atividade da consci&ecirc;ncia humana como momento decisivo na atualiza&ccedil;&atilde;o do significado da hist&oacute;ria. A a&ccedil;&atilde;o humana e o entendimento tornaram-se a chave para a toda a realiza&ccedil;&atilde;o do sentido final da hist&oacute;ria: a premissa da teopria com a pr&aacute;tica intenta que a atividade da autoconsci&ecirc;ncia humana pode afetar o curso da mudan&ccedil;a social - est&aacute; em vigor.    </ol>     <p>A interconex&atilde;o necess&aacute;ria entre teoria e pr&aacute;tica, por fim, &eacute; enaltecida, conclusivamente, de tal forma que Marx exige essa reestrutura&ccedil;&atilde;o do papel da teoria. Pois, se a atividade intelectual &eacute; casual ao conjunto final da sociabilidade, &agrave; pr&aacute;xis humana, logo, a supera&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es intelectuais somente &eacute; poss&iacute;vel no alcance da supera&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es sociais - e <i>vice versus</i>. Por isso, Marx redigiu, no d&eacute;cimo primeiro aforismo das "Teses sobre Feuerbach", que</p> <ol>Os fil&oacute;sofos t&ecirc;m apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a quest&atilde;o, por&eacute;m, &eacute; transform&aacute;-lo (MARX, 2008, p. 29).    ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Assim, o entendimento e a pr&aacute;xis (o agir humana) ganham uma conectividade de tal forma que n&atilde;o se abre somente uma nova teoria de compreens&atilde;o social, mas tamb&eacute;m de interpreta&ccedil;&atilde;o dos significados s&oacute;cio-culturais. Sob este referencial, o marxismo possibilita a interpreta&ccedil;&atilde;o das express&otilde;es sociais n&atilde;o mais sob as exig&ecirc;ncias conceituais da raz&atilde;o, mas sob as amplas condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-naturais, intermediada pela a&ccedil;&atilde;o humana (<i>praxis</i>) onde elas ganham for&ccedil;a sem&acirc;ntica.</p> <ol>Nenhum signo cultural, quando compreendido e dotado de um sentido, permanece isolado: torna-se parte da <i>unidade da consci&ecirc;ncia verbalmente constitu&iacute;da</i>. A consci&ecirc;ncia tem o poder de abord&aacute;-lo verbalmente. Assim, ondas crescentes de ecos e resson&acirc;ncias verbais, como as ondula&ccedil;&otilde;es conc&ecirc;ntricas &agrave; superf&iacute;cie das &aacute;guas, moldam, por assim dizer, cada um dos signos ideol&oacute;gicos. Toda <i>refra&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do ser em processo de forma&ccedil;&atilde;o</i>, seja qual for a natureza de seu material significante, <i>&eacute; acompanhada de uma refra&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica verbal</i>, como fen&ocirc;meno obrigatoriamente concomitante. A palavra est&aacute; presente em todos os atos de compreens&atilde;o e em todos os atos de interpreta&ccedil;&atilde;o (BAKHTIN, 2004, p. 38).    </ol>     <p><font size="3"><b>2. A Evolu&ccedil;&atilde;o do Pensamento e do Engajamento Pol&iacute;tico-Te&oacute;rico Marxista</b></font></p>     <p>Uma segunda gera&ccedil;&atilde;o de te&oacute;ricos marxistas apresentada por Perry Anderson vem das regi&otilde;es sul e leste da Europa - que coincidentemente eram as mais marginais no desenvolvimento capitalista. S&atilde;o seus integrantes: Antonio Labriola (Camp&acirc;nia), Franz Mehring (Pomer&acirc;nia), Karl Johann Kautsky (Bo&ecirc;mia) e Georgi Walentinowitsch Plechanow (Tambov). Oriundos da classe m&eacute;dia, mas de tradi&ccedil;&otilde;es familiares e profissionais bem distintas entre si, estes "novos te&oacute;ricos" do marxismo levaram a cabo a tentativa de sistematizar filosoficamente o materialismo hist&oacute;rico em contatos diretos com Friedrich Engels.</p>     <p>Estes intelectuais que optaram pelo pensamento marxista j&aacute; em idade adulta, tinham ao menos tr&ecirc;s prop&oacute;sitos:</p>     <p>&ndash;sistematizar mais ainda o materialismo hist&oacute;rico, aprimorando assim seus princ&iacute;pios filos&oacute;ficos;</p>     <p>&ndash;dar uma amplitude a diversas quest&otilde;es que n&atilde;o foram contempladas por Marx ou Engels;</p>     <p>&ndash;e, por &uacute;ltimo, criar um corpo de saberes com a finalidade de favorecer <sub>127 </sub>uma vis&atilde;o de mundo ampla e de f&aacute;cil aprendizado para as classes sociais menos favorecidas.</p>     <p>Al&eacute;m dos escritos especulativos, esta gera&ccedil;&atilde;o procurou organizar o corpo liter&aacute;rio dos escritos marxianos e engelianos, redigindo introdu&ccedil;&otilde;es, escrevendo apresenta&ccedil;&otilde;es e textos cr&iacute;ticos ao conjunto das obras organizadas - al&eacute;m de ensaios biogr&aacute;ficos e dissertativos sobre as vidas, as obras e as id&eacute;ias dos dois socialistas alem&atilde;es (ANDERSON, 2005, 28).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; no final do s&eacute;culo XIX, outra gera&ccedil;&atilde;o de pensadores marxistas se destacou por assumir uma fort&iacute;ssima posi&ccedil;&atilde;o de destaque e de modelo no horizonte da pol&iacute;tica partid&aacute;ria, da a&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e do engajamento intelectual do s&eacute;culo XX. Enquanto isso, nessa mesma &eacute;poca, o mundo europeu passava por fortes transforma&ccedil;&otilde;es. Naqueles dias, o capitalismo imp&ocirc;s um franco crescimento, de forma a atingir alt&iacute;ssimas taxas de lucros e complexidade, ao mesmo tempo em que foi suscet&iacute;vel a fortes crises e a atuar como piv&ocirc; de conflitos pol&iacute;ticos internacionais. O maior impacto negativo de seu progresso, por meio do desenvolvimento tecnol&oacute;gico, foi a cria&ccedil;&atilde;o e a prolifera&ccedil;&atilde;o de uma grande massa de desempregados no setor produtivo dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica e da Europa. J&aacute; no plano da pol&iacute;tica internacional, as grandes pot&ecirc;ncias promoveram expans&otilde;es territoriais imperialistas, dando in&iacute;cio assim a uma corrida de afirma&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica. Assim, sobre estas duas gera&ccedil;&otilde;es imediatamente emergentes aos dias de Marx e Engels, diz Perry Anderson que</p> <ol>os herdeiros imediatos de Marx e Engels se formaram em um per&iacute;odo de relativa calmaria. A gera&ccedil;&atilde;o seguinte de marxistas atingiu a maioridade em um ambiente mais turbulento, quando o capitalismo europeu come&ccedil;ava a navegar na dire&ccedil;&atilde;o da tormenta da primeira guerra mundial (ANDERSON, 2005, 29).    </ol>     <p>Esta terceira gera&ccedil;&atilde;o de intelectuais marxistas engajados politicamente e revolucionariamente &eacute; oriunda do centro e do oriente da Europa. Dela, podemos destacar: L&ecirc;nin (1870-1923 / Simbirsk - Volga), Rosa Luxemburgo (1871-1919 / Zamosc - Gal&iacute;cia), Hilferding (1877-1941 / Viena) e Trotski (1879-1940 / Kherson - Ucr&acirc;nia). Com um exerc&iacute;cio de aprimoramento da rela&ccedil;&atilde;o entre o te&oacute;rico e o pr&aacute;tico, de modo mais intenso que aquele desprendido pela gera&ccedil;&atilde;o anterior, estes novos e precoces pensadores marxistas exerceram grandess&iacute;ssimas influ&ecirc;ncias tanto partid&aacute;rias em suas regi&otilde;es quanto te&oacute;ricas por meio de escritos que trouxeram consigo relev&acirc;ncias sobre economia, pol&iacute;tica e sociedade. N&atilde;o era sem motivos. As crescentes transforma&ccedil;&otilde;es do modo de produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do capitalismo exigiram tamb&eacute;m grandes aprimoramentos nas an&aacute;lises cr&iacute;ticas da economia-pol&iacute;tica. Al&eacute;m do mais, os estudos de Max Weber sobre movimentos sociais e v&aacute;rios outros temas da hist&oacute;ria econ&ocirc;mica e das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, al&eacute;m do crescimento de an&aacute;lises mais pormenorizadas e intensamente mais cr&iacute;ticas &agrave;s id&eacute;ias de Marx por parte de importantes te&oacute;ricos econ&ocirc;micos, exigiam algumas reformula&ccedil;&otilde;es e amplia&ccedil;&otilde;es nas teses inicialmente redigidas em <i>O Capital</i>.</p>     <p>Antes de cada um completar trinta anos, esta gera&ccedil;&atilde;o de not&aacute;veis marxistas aplicou-se em dar uma amplitude e uma atualidade te&oacute;rica &agrave;s id&eacute;ias marxistas, algo de que elas j&aacute; careciam naqueles dias. Kautsky, em 1899, analisou as mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas nos setores agr&aacute;rios da Europa e dos Estados Unidos. Logo ap&oacute;s, por&eacute;m no mesmo ano, L&ecirc;nin aprimorou os estudos sobre o materialismo hist&oacute;rico e tamb&eacute;m sobre a quest&atilde;o agr&aacute;ria, investigando o modelo rural da sociedade czarista. Seis anos mais tarde, Hilferding sistematizou uma an&aacute;lise e uma cr&iacute;tica ao sistema financeiro de sua &eacute;poca, enfocando uma refuta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica &agrave;s cr&iacute;ticas marginalistas impostas &agrave; obra <i>O Capital </i>de Karl Marx,<sup><a name="nu8"></a><a href="#num8">8</a></sup> e &agrave;s teorias econ&ocirc;micas fundamentadas nos princ&iacute;pios das teorias cl&aacute;ssicas. Em 1907, Bauer escreveu um esbo&ccedil;o te&oacute;rico sobre forma&ccedil;&otilde;es e sobre organiza&ccedil;&otilde;es sociais, por&eacute;m, sua maior aten&ccedil;&atilde;o vai em dire&ccedil;&atilde;o a uma tentativa de explicar teoricamente os expansionismos imperialistas. Momentos antes da primeira guerra mundial, os estudos da socialista Rosa Luxemburgo procuraram uma teoriza&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica do lucro, da expans&atilde;o imperialista e do papel da periferia n&atilde;o-capitalista na din&acirc;mica econ&ocirc;mica da Europa moderna - id&eacute;ias que, por sua vez, foram muito criticadas por Bauer.</p>     <p>&Eacute; importante notar que o crescimento do pensamento econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico de inspira&ccedil;&atilde;o marxista na Alemanha, na R&uacute;ssia e na &Aacute;ustria, foi marcante nos quinze primeiros anos do s&eacute;culo vinte. Al&eacute;m do avan&ccedil;o e do amadurecimento te&oacute;rico do marxismo, &eacute; distintivo o r&aacute;pido crescimento, inclusive qualitativo, tanto dos partidos oper&aacute;rios quanto das organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias que combatiam os antigos regimes da Europa Oriental. Esse novo momento espiritual e pol&iacute;tico do marxismo pode ser visto como aquele em que os intelectuais amadureceram suas articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e at&eacute; mesmo revolucion&aacute;rias. Por causa disso, Trotsky escreveu a obra <i>Resultados e Perspectivas </i>que, de algum modo, oferecia uma nova forma de compreender as condi&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como tamb&eacute;m o modo de investida intelectual dos movimentos revolucion&aacute;rios que os tornaram capazes de abrigar uma perspectiva organizacional, te&oacute;rica e t&aacute;tico-revolucion&aacute;ria mais madura no enfrentamento em meio &agrave;s lutas de classes.</p>     <p>Os momentos posteriores &agrave; primeira guerra mundial foram marcados por cis&otilde;es fort&iacute;ssimas nas rela&ccedil;&otilde;es entre os intelectuais marxistas. A Segunda Internacional j&aacute; sofria v&aacute;rias rupturas entre seus membros. Rosa Luxembrugo (aplicada na cria&ccedil;&atilde;o de frentes revolucion&aacute;rias na Pol&ocirc;nia e na Alemanha), Trotsky (na consolida&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o de 1917 e, mais tarde, na sua aproxima&ccedil;&atilde;o para com os movimentos revolucion&aacute;rios, mas perif&eacute;ricos ao <i>establishment </i>sovi&eacute;tico) e L&ecirc;nin (principal pensador e l&iacute;der executivo da revolu&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica) que foram grandes express&otilde;es de um marxismo pol&iacute;tico-intelectual, afastaram-se, entre si, e isolaram os seus ideais e as suas articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas sempre de acordo com as circunst&acirc;ncias em que cada um se envolvia.</p>     <p>L&ecirc;nin fez com que o materialismo hist&oacute;rico e as teorias pol&iacute;ticas ganhassem uma atualidade pol&iacute;tica at&eacute; ent&atilde;o inexistente na hist&oacute;ria do marxismo. Por&eacute;m, a sua pr&aacute;tica pol&iacute;tico-governamental foi de encontro aos interesses oper&aacute;rios nacionais que, por sua vez, representavam uma R&uacute;ssia com modelos prec&aacute;rios de economia agr&aacute;ria e industrial. O "intelectual-revolucion&aacute;rio" que L&ecirc;nin representava no ide&aacute;rio pol&iacute;tico, sobretudo aquele favor&aacute;vel &agrave;s revolu&ccedil;&otilde;es atentas &agrave;s exig&ecirc;ncias dos grupos sociais mais pobres, passou, cada vez mais, a ser conivente com a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado socialista, burocr&aacute;tico, racional, militarizado, de economia planificada e com procedimentos leviat&acirc;nicos de controle social. Assim, o Estado sovi&eacute;tico nasceu sob a condu&ccedil;&atilde;o de um ideal revolucion&aacute;rio orquestrado por L&ecirc;nin e que, mais tarde, ser&aacute; herdado por Stalin, mas sob os desafios de uma condu&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica planificada, estabelecendo um regime fortemente centralizado e expansionista sobre grupos de origens &eacute;tnicas diversas, assim como sob o desafio de reprimir violentamente as contra-revolu&ccedil;&otilde;es que se opunham radicalmente ao modelo absolutista de um governo que, mesmo sob motes comunistas, mostrava-se cada vez menos sens&iacute;vel &agrave;s express&otilde;es concretas do oprimido (MONGE, 1993).</p>     <p>O progresso do pensamento e da pol&iacute;tica partid&aacute;ria n&atilde;o foi hegem&ocirc;nico e nem homog&ecirc;neo na Europa. Em 1919, na Alemanha, Rosa Luxemburgo foi presa barbaramente por grupos paramilitares que apoiavam ideais nacionalistas e s&oacute;cio-democr&aacute;ticos, pois, com a queda do segundo <i>Reich</i>, ela lutava pela organiza&ccedil;&atilde;o de uma frente revolucion&aacute;ria, redigindo, inclusive, o programa pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico do partido. Assim, em tempos de um levante em Berlim, ela foi assassinada por esquadr&otilde;es mercen&aacute;rios contratados pelo Governo Socialdemocrata.</p>     <p>Em 1920, foi encerrada a pretens&atilde;o de instaurar uma Rep&uacute;blica 130 Sovi&eacute;tica B&aacute;vara. Essa fase de estabiliza&ccedil;&atilde;o da economia capitalista p&oacute;s-guerra favoreceu a intimida&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo o apoio popular &agrave;s repress&otilde;es fatalistas aos movimentos revolucion&aacute;rios. Tal situa&ccedil;&atilde;o contribuiu para com a ascens&atilde;o de governos autorit&aacute;rios em pa&iacute;ses onde as revolu&ccedil;&otilde;es eram eminentes: Alemanha, It&aacute;lia, Hungria e na &Aacute;ustria. Mesmo participando destes momentos de uma maneira muito discreta, Max Horkheimer mostrou-se um admirador das causas pol&iacute;ticas e das id&eacute;ias de Rosa Luxemburgo, sobretudo das suas cr&iacute;ticas ao centralismo bolchevique.<sup><a name="nu9"></a><a href="#num9">9</a></sup></p> <ol>De tempos em tempos, tem-se levantado a quest&atilde;o da poss&iacute;vel filia&ccedil;&atilde;o de Horkheimer ao PDK. N&atilde;o h&aacute; provas para corroborar essa vis&atilde;o, e h&aacute; muitas coisas nos escritos e nos atos dele que tornam plaus&iacute;veis sua afirma&ccedil;&atilde;o de que nunca ingressou no partido. Durante a &eacute;poca em que estudaram juntos em Munique, em 1919, Horkheimer e Pollock foram testemunhas n&atilde;o participantes das breves atividades revolucion&aacute;rias dos literatos b&aacute;varos. Apesar de terem ajudado a esconder esquerdistas que eram v&iacute;timas do terrorismo branco que se seguiu, eles pr&oacute;prios n&atilde;o se juntaram &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o, que consideraram prematura e inevitavelmente malfadada, em vista da falta e condi&ccedil;&otilde;es objetivas que favorecessem uma verdadeira mudan&ccedil;a social. As primeiras simpatias pol&iacute;ticas de Horkehiemr foram Rosa Luixemburgo, especialmente por sua cr&iacute;tica ao centralismo bolchevique. Depois do assassinato dela, em 1919, Horkheimer nunca encontrou outro l&iacute;der socialista para seguir (JAY, 2008, p. 51).    </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na d&eacute;cada de vinte, a R&uacute;ssia de Stalin se consolidou como um bloco totalit&aacute;rio e isolado, de forma a despertar rep&uacute;dio entre aqueles que se mobilizaram para perpetuar o ideal da revolu&ccedil;&atilde;o prolet&aacute;ria. Tal d&eacute;cada revelou, mais uma vez, a fragilidade do capitalismo e, desta feita, os pensadores cr&iacute;ticos ao totalistarismo sovi&eacute;tico passam tamb&eacute;m pela persegui&ccedil;&atilde;o de muitos Estados da Europa que se alinham num fascismo contra a crise econ&ocirc;mica.</p> <ol>Enquanto o stalismo amorda&ccedil;ava a cultura sovi&eacute;tica, fora da URSS a fisionomia pol&iacute;tica do capitalismo europeu era cada vez mais violenta e conturbada. A classe oper&aacute;ria continuava a ser uma poderosa amea&ccedil;a &agrave;s burguesias da Europa central e meridional, embora em todas as partes tivesse sofrido derrotas durante a grande crise revolucion&aacute;ria do p&oacute;s-guerra. A cria&ccedil;&atilde;o da terceira internacional e o crescimento de partidos comunistas disciplinados, sob a bandeira do leninismo, atemorizavam todas as classes dirigentes dos epicentros originais de 1918-20. Al&eacute;m disso, a recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do imperialismo que havia garantido o restabelecimento da ordem de Versalhes teve vida curta. Em 1929, o maior colapso na hist&oacute;ria do capitalismo devastou o continente, espalhando o desemprego em massa e intensificando a luta de classe. A contra-revolu&ccedil;&atilde;o social estava mobilizada em suas formas mais brutas e violentas, extinguindo as democracias parlamentares nos pa&iacute;ses em que elas ainda existiam para eliminar todas as organiza&ccedil;&otilde;es independentes da classe oper&aacute;ria. As ditaduras terroristas do fascismo foram a solu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do capital para enfrentar as amea&ccedil;as da classe trabalhadora (ANDERSON, 2005, 41).    </ol>     <p><font size="3"><b>3. A Ressurrei&ccedil;&atilde;o do Criticismo na Tradi&ccedil;&atilde;o Intelectual Marxista</b></font></p> <ol>Umas das quest&otilde;es cruciais levantadas na an&aacute;lise subseq&uuml;ente foi a rela&ccedil;&atilde;o da teoria com a pr&aacute;tica, ou, mais precisamente, com o que se tornou um termo conhecido no l&eacute;xico marxista: a <i>praxis</i>. Em uma defini&ccedil;&atilde;o frouxa, a pr&aacute;xis foi usada para designar uma esp&eacute;cie de a&ccedil;&atilde;o autocriadora, que diferia do comportamento externamente motivado, produzido por for&ccedil;as que estavam fora do controle do ser humano. Ao ser usado pela primeira vez na <i>Metaf&iacute;sica </i>de Arist&oacute;teles, a pr&aacute;xis foi originariamente vista como o oposto da <i>theoria</i> contemplativa. No uso marxista, por&eacute;m, foi vista em uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica com a teoria. De fato, uma das caracter&iacute;sticas da pr&aacute;xis em contraste com a mera a&ccedil;&atilde;o, era o fato de ela ser instru&iacute;da por considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. A atividade revolucion&aacute;ria deveria unificar a teoria e a pr&aacute;xis o que estaria em contraste direto com a situa&ccedil;&atilde;o vigente no capitalismo (JAY, 2008. 39).    </ol>     <p>O marxismo europeu n&atilde;o-sovi&eacute;tico, ap&oacute;s a primeira guerra mundial, ficou restrito. De um lado, em 1923, formou-se o Instituto de Pesquisa Social, na Rep&uacute;blica de Weimer, nas depend&ecirc;ncias administrativas da Universidade de Frankfurt (<i>Frankfurt am Main</i>). Sob a dire&ccedil;&atilde;o de Carl Gr&uuml;nberg, um austro-marxista, esse instituto, que mais frente abrigou idealmente a Escola de Frankfurt, procurou analisar temas econ&ocirc;micos, s&oacute;cio-trabalhistas e outras quest&otilde;es s&oacute;cio-pol&iacute;tico-econ&ocirc;micas em conv&ecirc;nio com o sovi&eacute;tico Instituto Marx-Engels, em Moscou. Do outro, vemos grandes personagens do marxismo intelectual que preconizaram os ideais de articula&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria entre a pr&aacute;xis e a teoria, de formas pertinentes aos seus mundos, mas sempre &agrave; luz dos ideais libert&aacute;rios e cr&iacute;tico-te&oacute;ricos de Marx. &Eacute;is os mais conhecidos: A. Gramci, na It&aacute;lia, K. Korsh, na Tur&iacute;ngia, e G. Luk&aacute;cs, na Hungria.</p>     <p>Esse marxismo revisionista, cr&iacute;tico, seguiu uma trajet&oacute;ria inversa &agrave;quela trilhada por Karl Marx. Enquanto Marx fez do materialismo hist&oacute;rico uma teoria cr&iacute;tica que se deslocava da filosofia para a economia pol&iacute;tica, esse neo-marxismo n&atilde;o abandonou a economia pol&iacute;tica - muito menos Marx -, contudo retornou &agrave; filosofia em meio aos desafios abertos pelas novas orienta&ccedil;&otilde;es intelectuais daquele tempo sob inspira&ccedil;&otilde;es espistemol&oacute;gicas de tradi&ccedil;&atilde;o kantiana ou hegeliana. &Eacute; importante salientar que nenhum marxista ocidental afirmou que o objetivo central das reflex&otilde;es seria a Teoria do Conhecimento - tal como desenvolveu-se o debate da filosofia cr&iacute;tica e idealista anterior ao s&eacute;culo XIX. Contudo, a retomada de quest&otilde;es oriundas da filosofia significava a necessidade de uma orienta&ccedil;&atilde;o preliminar destinados a um aprimoramento da a&ccedil;&atilde;o interpretativa e transformadora do mundo.</p>     <p>As id&eacute;ias emergentes do marxismo ocidental foram mal recepcionadas tanto pela ortodoxia da social-democracia como pelo comunismo sovi&eacute;tico. Essas recep&ccedil;&otilde;es negativas podem se justificar pelo fato de que as for&ccedil;as pol&iacute;tico-governamentais de orienta&ccedil;&atilde;o marxista filiaram-se &agrave;s recep&ccedil;&otilde;es de um materialismo realista sob um ponto de vista epistemol&oacute;gico afim ao realismo e ao objetivismo das ci&ecirc;ncias da natureza - a for&ccedil;a intelectual interpretada por eles como aquela capaz de cumprir a supera&ccedil;&atilde;o da filosofia preconizada por Engels e Marx, ou seja, a radicaliza&ccedil;&atilde;o do empirismo e do objetivismo cientificista no materialismo hist&oacute;rico contra a metaf&iacute;sica ou a filosofia abstrata burguesa. Assim, o marxismo sovi&eacute;tico e aqueles associados &agrave; Internacional Comunista (<i>Komintern</i>) aplicaram uma investida fortemente censurante aos pensamentos de Lukacs, Gramsci e Korsch, por entender que esses intelectuais filiavam as teorias de Marx aos intelectuais de origem burguesa. A filosofia de Lukacs, por exemplo, segundo L&ouml;wy (1996, 37), era</p> <ol>uma "<i>filosofia integral e sem dogmas</i>", enquanto que Weber resta prisioneiro de uma verdade sem condi&ccedil;&atilde;o e sem ponto de vista; Luk&aacute;cs supera a seu mestre com a dial&eacute;tica do sujeito e o objeto, e com o reconhecimento sem restri&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria como &uacute;nico meio de nossos erros e de nossas verifica&ccedil;&otilde;es. O que Luk&aacute;cs aportou - atraindo desta forma a condena&ccedil;&atilde;o da ortodoxia sovi&eacute;tica (Pravda, l924) - &eacute; "<i>um marxismo que incorpora a subjetividade da hist&oacute;ria sem fazer dela um epifen&ocirc;meno</i>.    </ol>     <p>O termo "Marxismo Ocidental" designa uma tradi&ccedil;&atilde;o intelectual que expressa o rumo pol&iacute;tico-intelectual de pensadores que, mesmo &agrave; luz do imperativo marxismo de supera&ccedil;&atilde;o da epistemologia tradicional de primado idealista (MARX, 2008, 28), entendem que o papel da cr&iacute;tica n&atilde;o pode ser depreciado no af&atilde; revolucion&aacute;rio. Por entender este primado em meio a toda uma crise do entendimento (<i>Verstand</i>) e da raz&atilde;o (<i>Vernunft</i>), Merleau-Ponty v&ecirc; o porqu&ecirc; Weber ter sido t&atilde;o decisivo naquele momento. Para Merleau- 133 Ponty, a sociologia e a hist&oacute;ria econ&ocirc;mica de Weber recolocam novos desafios na rela&ccedil;&atilde;o entre o saber e a hist&oacute;ria - sendo este &uacute;ltimo o trajeto da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com pretens&otilde;es libert&aacute;rias. Para Weber, a hist&oacute;ria n&atilde;o pode ser decidida sem antes passar por uma tarefa compreensiva. O dogmatismo hist&oacute;rico recalca a infinitude das particularidades do presente e do passado e &eacute; assim que a dial&eacute;tica dogm&aacute;tica toma a hist&oacute;ria: n&atilde;o &eacute; a partir de sua singularidade, mas a partir de um prop&oacute;sito previamente selecionado com objetivos pol&iacute;ticos que tamb&eacute;m s&atilde;o previamente selecionados. Desta feita, mais que um projeto libert&aacute;rio, a dial&eacute;tica cient&iacute;fica tornou-se uma ideologia com finalidades pr&aacute;ticas, por&eacute;m sem for&ccedil;as cr&iacute;ticas ao cont&iacute;nuo processo de reflex&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o. O dogmatismo hist&oacute;rico suprassumia os indiv&iacute;duos das possibilidades de consentimento ou de recusa te&oacute;rica.</p> <ol>O historiador n&atilde;o pode passar os olhos pelo passado sem lhe dar um sentido, sem p&ocirc;r nele o relevo do importante e do acess&oacute;rio, do essencial e do acidental, dos esbo&ccedil;os e das realiza&ccedil;&otilde;es, das prepara&ccedil;&otilde;es e das decad&ecirc;ncias, e esses vetores, tra&ccedil;a os sobre o conjunto compacto dos fatos, j&aacute; desfiguram um real onde tudo &eacute; igualmente real e cristalizem nele nossos interesses. N&atilde;o se pode evitar a invas&atilde;o do historiador na hist&oacute;ria, mas pode-se fazer com que, assim como o sujeito kantiano, o entendimento hist&oacute;rico construa de acordo com certas regras que garantam o valor intersubjetivo &agrave; sua representa&ccedil;&atilde;o do passado. As significa&ccedil;&otilde;es - ou, como diz Weber, os tipos ideais que ele introduziu nos fatos - n&atilde;o dever&atilde;o ser tomadas como chaves da hist&oacute;ria: s&atilde;o apenas balizas precisas para avaliar a dist&acirc;ncia entre o que pensamos e o que aconteceu e evidenciar o resto deixado por toda interpreta&ccedil;&atilde;o. Portanto, cada perspectiva s&oacute; se p&otilde;e para preparar outras e s&oacute; &eacute; fundada se ficar estabelecido que &eacute; parcial e que o real fica mais al&eacute;m (MERLEAU-PONTY, 2006, 02).    </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas cr&iacute;ticas metodol&oacute;gicas originam-se, sobretudo, dos c&iacute;rculos intelectuais weberianos. O papel da teoria em Weber adverte que a an&aacute;lise da hist&oacute;ria e de suas poss&iacute;veis categorias elementares &eacute; aferida, sob ponto de vista cr&iacute;tico da tradi&ccedil;&atilde;o kantiana, de modo a se questionar primeiramente e criticamente as possibilidades do papel do investigador, mais precisamente, do entendimento te&oacute;rico. Desta feita, essa provoca&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica que enfraquecer&aacute; o ideal de objetividade hist&oacute;rica sob as pretens&otilde;es de um realismo &uacute;ltimo ((WEBER, s/d), exigir&aacute; da reflex&atilde;o sobre a distin&ccedil;&atilde;o entre hist&oacute;ria e entendimento, e as possibilidades da a&ccedil;&atilde;o significativo-te&oacute;rica da segunda em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira. Assim, a sociologia interpretativa de Weber reconhece os limites das ci&ecirc;ncias que investigam as a&ccedil;&otilde;es e as significa&ccedil;&otilde;es humanas, conferindo-lhe a possibilidade de uma interpreta&ccedil;&atilde;o reconstrutiva de suas raz&otilde;es poss&iacute;veis (tipos ideais),<sup><a name="nu10"></a><a href="#num10">10</a></sup> ou da racionalidade embutida nos fen&ocirc;menos econ&ocirc;mico-hist&oacute;rico-sociais.<sup><a name="nu11"></a><a href="#num11">11</a></sup> Essa quest&atilde;o aberta por Weber influenciar&aacute; o pensamento de G. Luk&aacute;cs, como tamb&eacute;m o seu correlato filos&oacute;fico, a Escola de Marburgo (do neokantismo), influenciar&aacute; Max Horkheimer na sua recep&ccedil;&atilde;o e reinterpreta&ccedil;&atilde;o do marxismo n&atilde;o partid&aacute;rio.</p>     <p><font size="3"><b>Notas e Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p>A vida acad&ecirc;mica de Max Horkheimer alimentou-se de v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, art&iacute;sticas e intelectuais. Por&eacute;m, dentre elas, o marxismo serviu-lhe de motivo central de pensamento a partir do qual desdobraria todas as seguintes. Muit&iacute;ssimo influenciado por seu amigo economista e soci&oacute;logo marxista Friedrich Pollock, Horkheimer deixou-se seduzir pelos caminhos pol&iacute;tico e intelectual de Rosa Luxemburgo, contudo sempre &agrave; luz das quest&otilde;es sobre viv&ecirc;ncialidade abertas pela fenomenologia, pelas dimens&otilde;es significativas que emergem dela e sob a interpreta&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica do neokantismo. Esta influ&ecirc;ncia teve, ao menos, quatro conseq&uuml;&ecirc;ncias no processo de consolida&ccedil;&atilde;o do perfil intelectual de Horkheimer:</p>     <p>&ndash;Uma avers&atilde;o aos sistemas pol&iacute;tico-totalit&aacute;rios - mesmo que origin&aacute;rio de levantes comunistas;</p>     <p>&ndash;Um ceticismo para com os ideais convencionais de revolu&ccedil;&atilde;o;</p>     <p>&ndash;A necessidade de reflex&otilde;es apuradas sobre os limites, de um lado, e as condi&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, por outro, de uma sociedade livre dos antagonismos que provocam conflitos e degrada&ccedil;&otilde;es dos ideais de justi&ccedil;a equipar&aacute;vel e m&uacute;tua;</p>     <p>&ndash;Uma retomada das significa&ccedil;&otilde;es das express&otilde;es como liberdade, religi&atilde;o, Deus etc., para a compreens&atilde;o das express&otilde;es afins &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o humana e como aquelas pr&oacute;prias da exist&ecirc;ncia humana.</p>     <p>Por este vi&eacute;s, Horkheimer procura construir uma trilha alternativa de Materialismo Hist&oacute;rico e Interdisciplinar, revisando-o atrav&eacute;s de uma problematiza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, sem perder de vista as implica&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas preconizadas por Marx. Essa investida visava &agrave; supera&ccedil;&atilde;o das antinomias cravadas pelo marxismo revolucion&aacute;rio e partid&aacute;rio, e, at&eacute; mesmo, &agrave; exaust&atilde;o da economia pol&iacute;tica sob as r&eacute;deas do materialismo cientificista n&atilde;o cr&iacute;tico - da&iacute; a ressurrei&ccedil;&atilde;o das reflex&otilde;es cr&iacute;ticas na pergunta sobre as condi&ccedil;&otilde;es e os limites da reflex&atilde;o, da a&ccedil;&atilde;o e da significa&ccedil;&atilde;o humana dentro do pr&oacute;prio marxismo. Assim Horkheimer integrou um grupo de intelectuais dispostos a repensarem e atualizarem os ideais do materialismo hist&oacute;rico postos por Karl Marx. e que foi nomeado por Maurice Merleau-Ponty de "Marxismo Ocidental".<sup><a name="nu12"></a><a href="#num12">12</a></sup></p>     <p>Para o professor Dr. Fred Rush, a Teoria Cr&iacute;tica majoritariamente e inicialmente formulada, sobretudo atrav&eacute;s dos artigos escritos por Max Horkheimer por volta de 1933-34, fez com que o Instituto de Pesquisa Social se despedisse dos interesses meramente descritivos ou simplesmente especulativos, a fim de exercer uma tarefa epistemol&oacute;gica socialmente mais atuante. Essa amplitude visava n&atilde;o s&oacute; a esclarecer sobre as for&ccedil;as das desigualdades sociais, mas tamb&eacute;m orientar for&ccedil;as pol&iacute;ticas que visavam &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o social a partir do fim das desigualdades sociais. Por isso, afirma o prof. Dr. Rush, que</p> <ol>poder-se-ia pensar que a Teoria Cr&iacute;tica &eacute; 'cr&iacute;tica' apenas na medida em que torna a desigualdade social aparente, aponta alguns candidatos plaus&iacute;veis para as causas da desigualdade e permite &agrave; sociedade em geral (ou, no m&iacute;nimo, seu segmento oprimido) reagir de maneira apropriada. A Teoria Cr&iacute;tica &eacute; 'cr&iacute;tica' porque responde ao fardo deixado pela &uacute;ltima das Teses sobre Feuerbach, de Marx: 'os fil&oacute;sofos t&ecirc;m apenas <i>interpretado </i>o mundo de diferentes maneiras; a quest&atilde;o &eacute; mud&aacute;-lo'."<sup><a name="nu13"></a><a href="#num13">13</a></sup>    </ol> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Notas</b></font></p>  <sup><a name="num1"></a><a href="#nu1">1</a></sup>MERLEAU-PONTY, Maurice. <i>As aventuras da Dial&eacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2006.    <br>  <sup><a name="num2"></a><a href="#nu2">2</a></sup>Para uma compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre o pensamento filos&oacute;fico de Marx e as filosofias de Kant e Hegel, cf. (ROCKMORE, 2002).    <br>  <sup><a name="num3"></a><a href="#nu3">3</a></sup>Para uma maior compreens&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da classe oper&aacute;ria e organiza&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia classista e de mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, cf. (THOMPSON, 1987).    <br>  <sup><a name="num4"></a><a href="#nu4">4</a></sup>Cf. Sobre as leituras do pensamento marxiano &agrave; luz da problem&aacute;tica do entendimento e da pr&aacute;xis, dentro da tradi&ccedil;&atilde;o neo-kantiana de pensamento (J&uuml;rgen Habermas e Nicolau Hartmann), cf. (OLIVEIRA,1989<i>, </i>51-72).    <br>  <sup><a name="num5"></a><a href="#nu5">5</a></sup>Para uma maior compreens&atilde;o dos conceito de emancipa&ccedil;&atilde;o, reconcilia&ccedil;&atilde;o e utopia no pensamento de Marx, cf. WELLMER, 1994, pp. 65-72.    <br>  <sup><a name="num6"></a><a href="#nu6">6</a></sup>Sobre a cr&iacute;tica &agrave; religi&atilde;o crist&atilde; e &agrave; filosofia cl&aacute;ssica por Feuerbach, cf. FEUERBACH, 1988; FEUERBACH, 1989.    <br>  <sup><a name="num7"></a><a href="#nu7">7</a></sup>Para uma maior compreens&atilde;o da implica&ccedil;&atilde;o conceitual de pr&aacute;xis, "trabalho social" para uma teoria da significa&ccedil;&atilde;o, cf. as seguintes obras: HABERMAS, 1982; BAKHTIN, 1992.    <br>  <sup><a name="num8"></a><a href="#nu8">8</a></sup>Em concord&acirc;ncia com a teoria cl&aacute;ssica, Marx entendia que o valor era conseq&uuml;&ecirc;ncia imediata do custo da produ&ccedil;&atilde;o e mais a margem de lucro impostas pelo monopolizador das for&ccedil;as produtivas (Cf. Marx, 2003). Por&eacute;m, para os te&oacute;ricos marginais, o valor em uma economia aberta tamb&eacute;m leva em considera&ccedil;&atilde;o a satisfa&ccedil;&atilde;o do consumidor como princ&iacute;pio criador de demanda e, por isso, como algo tamb&eacute;m ponderante na regula&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os (cf. FIANI, 1990).    <br>  <sup><a name="num9"></a><a href="#nu9">9</a></sup>"A supress&atilde;o do socialismo e do comunismo radicais na Alemanha neste per&iacute;odo, principalmente o assassinato dos lideres espartaquistas Karl Liebknecht e Rosa Luxemburg, foi mais tarde descrito por Max Horkheimer como uma mudan&ccedil;a radical com conseq&uuml;&ecirc;ncias fatais. Em todo caso, este desenvolvimento exerceu uma importante influ&ecirc;ncia no seu compromisso para com o marxismo. (STIRK, Peter M. R., 1992, p. 03).    <br>  <sup><a name="num10"></a><a href="#nu10">10</a></sup>WEBER, Max<b><i>. </i></b><i>Econom&iacute;a y sociedad: Un esbozo de sociologia comprensiva. </i>Mexico: Fondo de Cultura Economica, 1992<b><i>; </i></b>RINGER, Fritz<b><i>. </i></b><i>A Metodologia de Max Weber. A Unifica&ccedil;&atilde;o das Ci&ecirc;ncias Culturais e Sociais. </i>S&atilde;o Paulo: Edusp, 2004.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  <sup><a name="num11"></a><a href="#nu11">11</a></sup>ARAUJO, Luiz Bernardo Leite. "Weber e Habermas: religi&atilde;o e raz&atilde;o moderna". S&iacute;ntese (Belo Horizonte), Belo Horizonte, v. 21, n. 64, p. 15-41, 1994.    <br>  <sup><a name="num12"></a><a href="#nu12">12</a></sup>MERLEAU-PONTY, Maurice. <i>As Aventuras da Dial&eacute;tica. Op. cit. </i>p. 02.    <br>  <sup><a name="num13"></a><a href="#nu13">13</a></sup>RUSH, Fred (Org.) "As bases conceituais da primeira Teoria Cr&iacute;tica" <i>in</i>: <i>Teoria Cr&iacute;tica</i>. Aparecida: Id&eacute;ias &amp; letras, 2008, p. 35.    <br>  <hr>     <p><font size="3"><b>Referencias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p>ALWAY, Joan (S/d). <i>Critical theory and political possibilities, conception of emancipatory politicalin the works of Horkheimer, Adorno, Marcuse, and Habermas</i>. London: Greenwold Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0120-4688201200010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDERSON, Perry (2004). <i>Considera&ccedil;&otilde;es </i>sobre o marxismo ocidental. Nas trilhas do materialismo hist&oacute;rico<i>, </i>S&atilde;o Paulo, Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0120-4688201200010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARA&Uacute;JO, Luiz Bernardo Leite (1994). "Weber e Habermas: religi&atilde;o e raz&atilde;o moderna", S&iacute;ntese (Belo Horizonte), Belo Horizonte, v. 21, n. 64, p. 15-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0120-4688201200010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAKHTIN, Mikhail (1992). Marxismo e filosofia da linguagem, S&atilde;o Paulo, Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0120-4688201200010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FEUERBACH, Ludwig (1988). Princ&iacute;pios da filosofia do futuro: e outros escritos, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es &amp;0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0120-4688201200010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>_____ (1989). Prele&ccedil;&otilde;es sobre a Ess&ecirc;ncia da Religi&atilde;o, Campinas, Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0120-4688201200010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIANI, Ronaldo (1990). Teoria econ&ocirc;mica cl&aacute;ssica e teoria econ&ocirc;mica marginalista. <i>Revista de Economia Pol&iacute;tica, </i>vol. 10, n.&deg; 4 (40), oulubro-dezembro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0120-4688201200010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HABERMAS, J (1982). Conhecimento e Interesse, Rio de Janeiro, Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0120-4688201200010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JAY, Martin (2008). A Imagina&ccedil;&atilde;o Dial&eacute;tica, Hist&oacute;ria da Escola de Frankfurt e do Instituto de Pesquisas Sociais, Rio de Janeiro, Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0120-4688201200010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&Ouml;WY, Michael (1996). "Figuras de um marxismo weberiano" em: Arruda Jr. &amp; Edmundo Lima.(org.), Max Weber<i>, </i>Direito e Modernidade, Florian&oacute;polis, Letras contempor&acirc;neas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0120-4688201200010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARCUSE, Hebert (1978). "Os fundamentos da teoria dial&eacute;tica da sociedade" em: Raz&atilde;o e revolu&ccedil;&atilde;o, Rio de Janeiro, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0120-4688201200010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARX, Karl (2003). Sal&aacute;rio, Pre&ccedil;o e Lucro<b>. </b>S&atilde;o Paulo, Centauro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0120-4688201200010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>_____ (2008). "Teses Sobre Feuerbach" em: A Ideologia Alem&atilde;. S&atilde;o Paulo, Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0120-4688201200010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MERLEAU-PONTY, Maurice (2006): As Aventuras da Dial&eacute;tica<i>. </i>S&atilde;o Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0120-4688201200010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MONGE, Rodrigo Quesada (1993). El siglo de los totalitarismos <i>(1871-1991)</i>. San Jos&eacute;, EUNED.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0120-4688201200010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLIVEIRA, Manfredo Ara&uacute;jo (1989). A filosofia na crise da modernidade. S&atilde;o Paulo, Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0120-4688201200010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RINGER, Fritz (2004): A Metodologia de Max Weber<i>. </i>A Unifica&ccedil;&atilde;o das Ci&ecirc;ncias Culturais e Sociais<i>, </i>S&atilde;o Paulo, Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0120-4688201200010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROCKMORE, Tom (2002). Marx after marxism. The philosophy of Karl Marx. Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0120-4688201200010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUSH, Fred (Org.) (2008). Teoria Cr&iacute;tica, Aparecida, Id&eacute;ias &amp; letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0120-4688201200010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SINGER, Peter (2003). Marx<i>, </i>S&atilde;o Paulo, Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0120-4688201200010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>STIRK, Peter M. R (1992). Max Horkheimer. A new interpretation. Lanham, Harvester Wheatsheaf / Barnes &amp; Noble Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0120-4688201200010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>THOMPSON, E. P (1987). <i>Forma&ccedil;&atilde;o da Classe oper&aacute;ria</i>. (3 vols). Rio de Janeiro, Paz e terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0120-4688201200010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WEBER, Max (2000). Ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica - <i>duas voca&ccedil;&otilde;es</i>, 5. Ed, S&atilde;o Paulo, Editora Cultrix.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0120-4688201200010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>_____ (1992). Econom&iacute;a y sociedad: Un esbozo de sociologia comprensiva<i>. </i>Mexico, Fondo de Cultura Economica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0120-4688201200010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WELLMER, Albrecht (1988). "Raz&oacute;n, utopia y dial&eacute;ctica de la Ilustraci&oacute;n", em: Bernstein, R. (Ed.), Habermas y la modernidad, Madrid, C&aacute;tedra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0120-4688201200010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  </font>      ]]></body><back>
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