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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Traduções e bricolagens: mediações em ocupações de terra no Nordeste de Minas Gerais (Brasil) nas décadas de 1980 e 1990]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Traducciones y bricolajes: mediaciones en ocupaciones de tierra en el Nordeste de Minas Gerais (Brasil) en las décadas de 1980 y 1990]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Translations and bricolages: mediation in land occupations in the Northeast of Minas Gerais (Brazil) in the 1980s and 1990s]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El objetivo del trabajo aquí presentado es el de comprender las acciones de mediación -desarrolladas entre militantes de movimientos sociales, trabajadores rurales y sus adversarios- en las ocupaciones de tierra en la región Nordeste de Minas Gerais (Brasil) durante las décadas de 1980 y 1990. Se realizaron entrevistas a algunos de los principales actores de este proceso, así como análisis de material escrito producido por varias organizaciones, tales como periódicos, cartillas, panfletos, documentos oficiales, etc. La atención se centró en las articulaciones entre algunas significaciones producidas por los diversos grupos en relación, en las dinámicas de construcción, deconstrucción y reconstrucción de las relaciones de representación de los trabajadores rurales y en las relaciones entre movilizaciones locales y la política institucional. Se destacan las relaciones de alianza y disputa entre los principales grupos que estuvieron frente a las ocupaciones - así como las fuertes reacciones de sus adversarios-, interacciones que influyeron decisivamente en el desenvolvimiento del proceso estudiado.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective this work is to understand the mediation actions -developed between social movements activists, rural workers and their adversaries- in the land occupations in the Northeast of Minas Gerais (Brazil) during the 1980s and 1990s. Interviews were conducted with some of the major figures in this process, as well as the analysis of written material produced by various organizations such as newspapers, booklets, pamphlets, official documents, etc. It is focused on the joints between some meanings produced by the groups involved, the dynamics of construction, deconstruction and reconstruction of the relations of representation of rural workers as well as on the relations between local mobilization and institutional politics. It highlights the alliance and dispute relations between the major groups that performed the occupations -as well as the strong reactions of his opponents-, interactions that decisively influenced the development of the process studied.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[mediação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">     <p align="center"><font size="4"><b>Tradu&ccedil;&otilde;es e bricolagens: media&ccedil;&otilde;es em ocupa&ccedil;&otilde;es de terra no Nordeste de Minas Gerais (Brasil) nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990</b></font><sup>1</sup></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Traducciones y bricolajes: mediaciones en ocupaciones de tierra en el Nordeste de Minas Gerais (Brasil) en las d&eacute;cadas de 1980 y 1990</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Translations and bricolages: mediation in land occupations in the Northeast of Minas Gerais (Brazil) in the 1980s and 1990s</b></font></p>     <p align="center"><b>Arnaldo Jos&eacute; Zangelmi<sup>2    <br> </sup></b>Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil<sup>3 </sup><a target="_blank" href="mailto:arnaldozan@yahoo.com.br">arnaldozan@yahoo.com.br</a></p>     <p><sup>1</sup>O texto aqui apresentado trata-se de um artigo de reflex&atilde;o, pois pretende analisar parte dos resultados da pesquisa de doutorado desenvolvida entre 2010 e 2014, sob orienta&ccedil;&atilde;o da prof. Leonilde Medeiros, no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o de Ciencias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da Universidade Federai Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Essa pesquisa contou com bolsa de estudos financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq/Brasil).    <br> <sup>2</sup>Possui gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria pela Universidade Federal de Ouro Preto, Mestrado em Extens&atilde;o Rural pela Universidade Federal de Vigosa e Doutorado em Ciencias Sociais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil.    <br> <sup>3</sup>Profesor Adjunto. &Aacute;rea de Ciencias Sociales. Departamento de Historia.</p>     <p>Recibido: 25 de noviembre de 2014 Aceptado: 24 de marzo de 2015 Disponible en l&iacute;nea: 30 de noviembre de 2015</p> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>C&oacute;mo citar este art&iacute;culo</b></p>     <p>Zangelmi, A. J. (2016). Tradu&ccedil;&otilde;es e bricolagens: media&ccedil;&otilde;es em ocupa&ccedil;&otilde;es de terra no Nordeste de Minas Gerais (Brasil) nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990. <i>Universitas Human&iacute;stica, </i>81, 179-203.  <a target="_blank" href="http://dx.doi.org/10.11144/Javeriana.uh81.tebm">http://dx.doi.org/10.11144/Javeriana.uh81.tebm</a></p> <hr>     <p><font size="3"><b>Resumo</b></font></p>     <p>O objetivo do trabalho aqui apresentado foi compreender as a&ccedil;&otilde;es de <i>media&ccedil;&atilde;o </i>-desenvolvidas entre militantes de movimentos sociais, trabalhadores rurais e seus adversarios- nas ocupa&ccedil;&otilde;es de terra na regi&atilde;o Nordeste de Minas Gerais (Brasil) durante as d&eacute;cadas de 1980 e 1990. Foram realizadas entrevistas junto a alguns dos principais atores desse processo, assim como analisado material escrito produzido por v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es, como jornais, cartilhas, panfletos, documentos oficiais etc. A aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; voltada para as articula&ccedil;&otilde;es entre algumas significa&ccedil;&otilde;es produzidas pelos diversos grupos em rela&ccedil;&atilde;o, para as din&aacute;micas de constru&ccedil;&atilde;o, desconstru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores rurais e para as rela&ccedil;&otilde;es entre mobiliza&ccedil;&otilde;es locais e a pol&iacute;tica institucional. Destacam-se as rela&ccedil;&otilde;es de alianga e disputa entre os principais grupos que estiveram &aacute; frente das ocupa&ccedil;&otilde;es -assim como as fortes rea&ccedil;&otilde;es de seus advers&aacute;rios- intera&ccedil;&otilde;es que influ&iacute;ram decisivamente no desenrolar do processo estudado.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>media&ccedil;&atilde;o; reforma agr&aacute;ria; movimentos sociais</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Resumen</b></font></p>     <p>El objetivo del trabajo aqu&iacute; presentado es el de comprender las acciones de mediaci&oacute;n -desarrolladas entre militantes de movimientos sociales, trabajadores rurales y sus adversarios- en las ocupaciones de tierra en la regi&oacute;n Nordeste de Minas Gerais (Brasil) durante las d&eacute;cadas de 1980 y 1990. Se realizaron entrevistas a algunos de los principales actores de este proceso, as&iacute; como an&aacute;lisis de material escrito producido por varias organizaciones, tales como peri&oacute;dicos, cartillas, panfletos, documentos oficiales, etc. La atenci&oacute;n se centr&oacute; en las articulaciones entre algunas significaciones producidas por los diversos grupos en relaci&oacute;n, en las din&aacute;micas de construcci&oacute;n, deconstrucci&oacute;n y reconstrucci&oacute;n de las relaciones de representaci&oacute;n de los trabajadores rurales y en las relaciones entre movilizaciones locales y la pol&iacute;tica institucional. Se destacan las relaciones de alianza y disputa entre los principales grupos que estuvieron frente a las ocupaciones - as&iacute; como las fuertes reacciones de sus adversarios-, interacciones que influyeron decisivamente en el desenvolvimiento del proceso estudiado.</p>     <p><b>Palabras clave: </b>mediaci&oacute;n; reforma agraria; movimientos sociales</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Summary</b></font></p>     <p>The objective this work is to understand the mediation actions -developed between social movements activists, rural workers and their adversaries- in the land occupations in the Northeast of Minas Gerais (Brazil) during the 1980s and 1990s. Interviews were conducted with some of the major figures in this process, as well as the analysis of written material produced by various organizations such as newspapers, booklets, pamphlets, official documents, etc. It is focused on the joints between some meanings produced by the groups involved, the dynamics of construction, deconstruction and reconstruction of the relations of representation of rural workers as well as on the relations between local mobilization and institutional politics. It highlights the alliance and dispute relations between the major groups that performed the occupations -as well as the strong reactions of his opponents-, interactions that decisively influenced the development of the process studied.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords: </b>mediation; agrarian reform; social movements</p> <hr>     <p>O presente trabalho parte de um esfor&ccedil;o de compreens&atilde;o sobre alguns contornos das mudancas sociais e pol&iacute;ticas na atualidade. Os proces-sos de transforma&ccedil;&atilde;o - especialmente aqueles relacionados &agrave;s buscas organizadas pelo redimensionamento das rela&ccedil;&otilde;es de poder na socie-dade- chamam cada vez mais aten&ccedil;&atilde;o e colocam desafios interessantes para as Ciencias Sociais.</p>     <p>Diante desse desafio, o questionamento sobre os efeitos das a&ccedil;&otilde;es de alguns grupos mobilizados -com suas v&aacute;rias utopias, valores, pr&aacute;-ticas, rela&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas- &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o dos processos em curso, suas potencialidades, limites e alternativas. Nesse sentido, cresce a necessidade de estudar as a&ccedil;&otilde;es de grupos comumente denominados como organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, buscando analisar em que medida essas a&ccedil;&otilde;es acontecem, obtem ade-s&atilde;o, atingem seus objetivos e direcionam os processos sociais, culturais e pol&iacute;ticos.</p>     <p>Diante da multiplicidade de fen&oacute;menos que envolvem as a&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, cabe colocar em quest&atilde;o quais seriam os poss&iacute;veis elementos que incitariam a mobiliza&ccedil;&atilde;o, as a&ccedil;&otilde;es de enfrentamento e a forma&ccedil;&atilde;o de novos atores pol&iacute;ticos. A aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; aqui direcionada para a no&ccedil;&atilde;o de <i>media&ccedil;&atilde;o </i>(Neves, 2008) en-quanto a&ccedil;&atilde;o especifica fundamental para as mobiliza&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas. Diante da pergunta 'Por que e como os movimentos sociais acontecem?', questionar as a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o tem apresentado potencial explicativo, pois essas a&ccedil;&otilde;es podem ter car&aacute;ter catalisador para a realiza&ccedil;&atilde;o das mobiliza&ccedil;&otilde;es sociais.</p>     <p>Nesse sentido, o objetivo da pesquisa aqui apresentada foi compreen-der as a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o, entendidas em seu car&aacute;ter m&uacute;ltiplo, proces-sual e relacional -desenvolvidas entre militantes de movimentos sociais, organiza&ccedil;&otilde;es, trabalhadores rurais e seus advers&aacute;rios- direcionadas para a realiza&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&otilde;es de terra nos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce (Minas Gerais, Brasil), a partir de meados da d&eacute;cada de 1980 at&eacute; meados da d&eacute;cada de 1990.</p>     <p>Essa regi&atilde;o, tamb&eacute;m denominada Nordeste Mineiro, tem um hist&oacute;rico marcante de intensos conflitos pela terra, principalmente a partir da d&eacute;cada de 1940. Desde esse per&iacute;odo, ocorreu um intenso movimento de sindicaliza&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o da reforma agraria como bandeira pol&iacute;tica, processo estimulado principalmente pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e por segmentos progressistas da Igreja Cat&oacute;lica. Essas mobiliza&ccedil;&otilde;es crescentes foram obstaculizadas pelo golpe civil-militar de 1964, que deu inicio a um per&iacute;odo ditatorial que, por cerca de vinte anos, limitou consideravelmente as possibilidades de organiza&ccedil;&atilde;o da luta pela terra no Brasil. Diante da forte repress&atilde;o, as lutas se tornaram dispersas e fragmentadas e o movimento sindical fortemente controlado pelo Estado.</p>     <p>J&aacute; na d&eacute;cada de 1980, como parte do processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do Brasil, houve forte atua&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, que redimensionaram as formas t&iacute;picas de mobiliza&ccedil;&atilde;o utilizadas at&eacute; ent&atilde;o. No Nordeste Mineiro, nesse per&iacute;odo, foram realizadas algumas das primeiras ocupa&ccedil;&otilde;es de terra massivas na <i>forma acampamento </i>(Sigaud, 2000) em Minas Gerais, o que transformou significativamente a luta pela terra na regi&atilde;o, seus principais atores e estrat&eacute;gias, com proemin&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Nesse contexto, as ocupa&ccedil;&otilde;es de terra e forma&ccedil;&atilde;o de acampamentos adquiriram significado central na cria&ccedil;&atilde;o de canais de intera&ccedil;&atilde;o entre sociedade civil e pol&iacute;tica institucional, em torno da bandeira de luta pela reforma agr&aacute;ria.</p>     <p>No que se refere &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da pesquisa aqui apresentada, fo-ram realizadas entrevistas junto a alguns dos principais atores na luta pla terra das d&eacute;cadas de 1980 e 1990, assim como analisado material escrito produzido por v&aacute;rias das organiza&ccedil;&otilde;es nas quais atuaram.</p>     <p>Realizamos trinta e quatro entrevistas junto a militantes dos diversos grupos envolvidos nesse processo, como MST, Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT), Federa&ccedil;&atilde;o dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (FETAEMG), Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT), sindicatos, etc., assim como integrantes dos v&aacute;rios assentamentos criados nesse processo de luta. Essas entrevistas, assim como sua an&aacute;lise, foram pautadas nos referenciais da metodologia da <i>Historia Oral </i>(Amado e Ferreira, 2002), tanto na modalidade da <i>historia de vida </i>quanto quest&otilde;es de ordem <i>tem&aacute;tica </i>(Meihy, 1998), procurando, assim, relacionar as trajet&oacute;rias individuais com suas inser&ccedil;&otilde;es nos grupos sociais, din&aacute;micas de rela&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es sobre o processo em quest&atilde;o nessa pesquisa.</p>     <p>A op&ccedil;&atilde;o pela fonte oral permitiu trazer &agrave; tona uma gama de elementos fundamentais para o estudo, pois ela estimula, de forma intensa, referencias subjetivas relevantes para que se entendam as vis&oacute;es de mundo em rela&ccedil;&atilde;o nos diversos contextos. Esse potencial fica mais evidente quando se percebe que a Hist&oacute;ria Oral visualiza bem as articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas - as tens&oacute;es, d&uacute;vidas e estrategias - elementos fortemente ligados &agrave; mem&oacute;ria e &agrave; identidade (Halbwachs, 1990; Pollale, 1992). A Hist&oacute;ria Oral contribuiu para captar os silencios, as mem&oacute;-rias ocultas e as subalternidades, articulados dinamicamente e com l&oacute;gica pr&oacute;pria. Enquanto muitos consideraram que os 'silencios' n&atilde;o podem ser compreendidos pelo trabalho de pesquisa, Portelli (2002), valendo-se da Hist&oacute;ria Oral, considera que n&atilde;o se deve desistir, pois o 'indiz&iacute;vel &eacute; dito'. Nesse sentido, ele sugere o procedimento de se relacionar os fatos e constitui&ccedil;&otilde;es narrativas com as articula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas da forma de lembrar em cada grupo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m foram analisados jornais, cartilhas, panfletos, documentos oficiais, relat&oacute;rios etc. produzidos por v&aacute;rios organiza&ccedil;&otilde;es nas quais esses militantes atuaram, fontes que - ao serem relacionadas com as entrevistas -trouxeram informa&ccedil;&otilde;es relevantes.</p>     <p>Outro par&aacute;metro para nossa metodologia foram as ferramentas da <i>Micro-hist&oacute;ria </i>(Levi, 1992; Ginsburg, 1989; Revel, 2000). Essa aborda-gem pretende -atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o da escala de observa&ccedil;&atilde;o, da an&aacute;lise densa das fontes e da investiga&ccedil;&atilde;o indutiva- demonstrar as especificidades de seus objetos e o valor dessas especificidades para uma compreens&atilde;o mais ampla. Sendo assim, o foco se direciona para casos concretos, processos vividos <i>ao r&eacute;s do chao </i>(Revel, 2000), e para a abertura frente categor&iacute;as imprevistas, muitas vezes construidas pelos pr&oacute;prios atores sociais.</p>     <p>Com base nesses par&aacute;metros, foi poss&iacute;vel reconstruir a hist&oacute;ria de parte significativa desse processo, sobre o qual contamos com pou-qu&iacute;ssimos estudos, e desvendar parte das tramas que configuraram a luta pela terra nesse contexto.</p>     <p><font size="3"><b>Contexto das mobiliza&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>Apesar de conflitos de car&aacute;ter isolado, apenas a partir da d&eacute;cada de 1950 a luta pela terra no Brasil adquire maior unidade e visibilidade, em torno da bandeira da reforma agr&atilde;ria. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), as Ligas Camponesas e alguns setores da Igreja Cat&oacute;lica foram atores fundamentais nesse processo. Cada qual, &agrave; sua maneira, de-senvolveu estrat&eacute;gias de mobiliza&ccedil;&atilde;o visando o redimensionamento da estrutura fundi&aacute;ria e das condi&ccedil;&otilde;es de vida no campo, disputando a organiza&ccedil;&atilde;o das classes populares e o processo de sindicaliza&ccedil;&atilde;o. Nesse processo, destaca-se a constitui&ccedil;&atilde;o da identidade de <i>campon&ecirc;s, </i>confe-rindo unidade e abrang&ecirc;ncia pol&iacute;tica para as mobiliza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores rurais, em oposi&ccedil;&atilde;o aos <i>latifundi&aacute;rios. </i>(Novaes, 1997).</p>     <p>Ap&oacute;s 1964 essas for&ccedil;as foram fortemente combatidas pelo Estado brasileiro que, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, inclusive criou condi&ccedil;&otilde;es para aumentar a concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria. Apesar do surgimiento de novas estrat&eacute;gias de luta durante o regime militar, esse foi um per&iacute;odo de dispers&atilde;o e atomiza&ccedil;&atilde;o das lutas no campo. Essas a&ccedil;&otilde;es passaram a ocorrer de forma mais isolada, com poucas e incipientes media&ccedil;&otilde;es. O final dos anos de 1960 e os anos de 1970 foram marcadas pela forte repress&atilde;o pol&iacute;tica, diante da qual v&aacute;rios grupos buscaram resistir, muitos deles agindo na clandestinidade, sendo duramente perseguidos. Apesar des-sas iniciativas -que mantiveram viva a chama da luta pela terra e colo-cavam em quest&atilde;o a falsa imagem de consenso e harmonia propagada pelo regime civil-militar -essas mobiliza&ccedil;&otilde;es obtiveram pouco sucesso em termos de conquista de terras pelos trabalhadores rurais.</p>     <p>A partir do final dos anos de 1970 e inicio de 1980 houve um fortale-cimento da luta pela terra no Brasil, em converg&ecirc;ncia com o processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Pa&iacute;s, no qual surgiram novos atores, novas demandas e novas formas de enfrentamento (Martins, 2004). Ocorreram transforma&ccedil;&otilde;es importantes nas a&ccedil;&otilde;es de luta pela terra nesse contexto, especialmente no que se refere a generaliza&ccedil;&atilde;o e massifica&ccedil;&atilde;o  das ocupa&ccedil;&otilde;es, em grande medida decorrentes da cria&ccedil;&atilde;o MST<sup><a name="s4" href="#4">4</a></sup> no sul do Brasil e a migra&ccedil;&atilde;o de parte de sus militantes para outras regi&ocirc;es (Lerrer, 2008).</p>     <p>A <i>forma acampamento </i>(Sigaud, 2005) apresentou-se como inflex&atilde;o nos processos de luta pela terra, ou seja, uma forma de enfrentamen-to que fortaleceu as possibilidades de intera&ccedil;&atilde;o com o poder p&uacute;blico, redimensionou pr&aacute;ticas de v&aacute;rios movimentos e organiza&ccedil;&otilde;es no meio rural, relacionando-se com o surgimiento de novas identidades pol&iacute;ticas. Como afirma Sigaud (2005), &quot;ocupar terras e nelas montar acampamentos tornou-se, nos &uacute;ltimos vinte anos, a forma apropriada para reivindicar a reforma agr&atilde;ria no Brasil&quot; (p. 255). Assim, salienta-se que a <i>forma acampamento </i>&eacute; &quot;uma linguagem, um modo de fazer afir-ma&ccedil;&otilde;es por meio de atos, destinada a fundar pretens&ocirc;es &agrave; legitimida-de&quot; (Sigaud, Rosa, e Macedo, 2008).</p>     <p>Essas novas for&ccedil;as ganharam maior relevo em Minas Gerais na segunda metade da d&eacute;cada de 1980, quando a organiza&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o das ocupa&ccedil;&otilde;es de terra se tornou mais concreta, principalmente pela a&ccedil;&atilde;o conjunta entre militantes sulistas do MST, lideres sindicais e membros da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT). Em feverei-ro de 1988 foi realizada a primeira ocupa&ccedil;&atilde;o de terra com proemin&ecirc;n-cia do MST em Minas Gerais, no municipio de Novo Cruzeiro (Vale do Jequitinhonha), com a participa&ccedil;&atilde;o de cerca de 400 familias da regi&atilde;o, dando origem ao Assentamento Aruega. Em seguida foram realizadas outras ocupa&ccedil;&otilde;es -nas fazendas Sapezinho (Novo Cruzeiro, 1988), Bela Vista (Te&oacute;filo Otoni, 1989), Limeira-Calif&oacute;rnia (Tumiritinga, 1993) e do Minist&eacute;rio (Governador Valadares, 1994)- muitas delas engrossadas pelos excedentes da primeira ocupa&ccedil;&atilde;o, que teve um car&aacute;ter emblem&aacute;tico tanto pelo n&uacute;mero de trabalhadores rurais mobilizados quanto pela participa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Os trabalhadores rurais mobilizados nesse processo s&atilde;o provenientes de pequenas comunidades rurais de v&aacute;rios munic&iacute;pios do Nordeste Mineiro. Em sua maioria, eram agregados, meeiros, possei-ros, assalariados e propriet&aacute;rios de terras pequenas, isoladas e desgastadas, insuficientes diante do crescimento da fam&iacute;lia. Trabalhavam principalmente na agricultura de arroz, feijao, mandioca, milho, caf&eacute; e cana, produtos voltados principalmente para subsist&ecirc;ncia, tendo pou-co excedente para ser vendido nos mercados locais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O universo cultural dos trabalhadores rurais do Nordeste de Minas Gerais foi historicamente marcado pelo saudosismo em rela&ccedil;&atilde;o aos antigos v&iacute;nculos entre grupos de posseiros, agregados e fazendeiros, fortemente baseados em rela&ccedil;&otilde;es de reciprocidade, mando, obedi&ecirc;n-cia e prote&ccedil;&atilde;o (Ribeiro, 1996). Essas rela&ccedil;&otilde;es, dilu&iacute;das no processo de moderniza&ccedil;&atilde;o, continuaram como pontos de refer&ecirc;ncia fundamentais para a atua&ccedil;&atilde;o desses trabalhadores, suas expectativas e escolhas.</p>     <p>Os v&iacute;nculos e direitos tradicionais de agregados e posseiros per-deram seu valor diante das novas for&ccedil;as econ&oacute;micas, desamparando esses trabalhadores e lan&ccedil;ando-os num mundo cujos significados nao faziam sentido. Assim, havia uma mem&oacute;ria do <i>enraizamento </i>em face da dilui&ccedil;&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es, levando essas pessoas ao desejo  pelo restabelecimento de uma comunidade rural frente &agrave; solidao da sociedade moderna (Ribeiro, 1996).</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es entre essas fam&iacute;lias mobilizadas e os fazendeiros da regiao j&aacute; estavam dilu&iacute;das, algumas vezes em razao dos latif&uacute;ndios te-rem sido vendidos para outros donos, outras pelos antigos fazendeiros terem modificado suas rela&ccedil;&otilde;es com os trabalhadores rurais, principalmente buscando sua proletariza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Diante desse sentimento de desamparo, muitos trabalhadores vi-nham buscando enraizamento atrav&eacute;s da organiza&ccedil;&atilde;o de suas comunidades em torno de sindicatos e par&oacute;quias. Geralmente eram cat&oacute;licos, muito participantes na vida religiosa de suas comunidades, alguns se tornando lideran&ccedil;as locais das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que atuavam fortemente na regiao. O acesso &agrave; terra atrav&eacute;s das ocupa&ccedil;&otilde;es surgiu como uma nova possibilidade de enrai-zamento para esses trabalhadores, uma possibilidade de autonomia e restabelecimento de lacos de solidariedade.</p>     <p><font size="3"><b>Tradu&ccedil;&otilde;es e bricolagens no processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o consistem na constru&ccedil;&atilde;o de novos arranjos a partir dos fragmentos de significados, dispon&iacute;veis nos v&aacute;rios universos de significa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o (Neves, 2008). Essas a&ccedil;&otilde;es possibilitam a comu-nica&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o conjunta entre grupos em intera&ccedil;&atilde;o nos processos sociais, o que assemelha a media&ccedil;&atilde;o com as atua&ccedil;&otilde;es do tradutor e do <i>bricoleur.</i></p>     <p>Um primeiro ponto que chamou aten&ccedil;&atilde;o foi a importancia dos significados ligados &agrave; religiosidade para a comunica&ccedil;&atilde;o inicial entre trabalhadores rurais e militantes das organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos. Isso ficou evidente em depoimentos de atores que buscavam na Biblia referencias para despertar a organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores na regi&atilde;o, desde a d&eacute;cada de 1980. Os referenciais b&iacute;blicos ficaram evidentes tamb&eacute;m na cartilha intitulada <i>Terra nao se ganha, se conquista: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, </i>produzida pela CPT de Minas Gerais na d&eacute;cada de 1980 -na qual a quest&atilde;o da terra &eacute; situada com base em algumas cita&ccedil;&otilde;es:</p>     <blockquote> 	    <p>Deixa tua terra, tua fam&iacute;lia e a casa do teu pai, e vai para a terra que eu te mostrar - disse Jav&eacute; a Abra&atilde;o. Farei de ti uma grande na&ccedil;&atilde;o; eu te abencoarei, exaltarei o teu nome; e tu, se uma ben&ccedil;&atilde;o. Abencoarei aqueles que te abencoarem, e amaldicoarei aqueles que te amaldicoarem; todas as fam&iacute;lias da terra ser&atilde;o benditas em ti. E o Senhor apareceu a Abra&atilde;o e disse-lhe: Eu darei esta terra aos teus descendentes. 	<i>(G&eacute;nesis </i>12, 1-3-7)</p> 	    <p>Clamamos ao senhor, Deus de nossos pais, o qual nos ouviu, olhou para o nosso sofrimento, trabalho e angùstia, e nos tirou do Egito com m&atilde;o forte e braco poderoso, com grande espanto, com sinais e prodigio; introduziu-nos neste lugar e deu-nos esta terra que corre leite e mel 	<i>(Deuteron&ocirc;mio </i>26, 7-9) <i>(Terra n&atilde;o se ganha, se conquista: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. 	</i>p. 26).</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As passagens b&iacute;blicas valorizavam a ideia de uma travessia, de coragem para deixar os antigos v&iacute;nculos para tr&aacute;s, em analogia com as ocupa&ccedil;&otilde;es de terra e vida nos acampamentos.</p>     <p>Grande parte dos militantes do MST que atuaram junto aos tra-balhadores nas ocupa&ccedil;&otilde;es estavam ligados a grupos organizados por segmentos progressistas da Igreja Cat&oacute;lica, como a CPT, e alguns j&aacute; traziam experi&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o religiosa nas comunidades rurais mo-bilizadas. Paulo explicou como foi sua entrada na milit&aacute;ncia do MST -fortemente influenciada pela atua&ccedil;&atilde;o de grupos religiosos na regi&atilde;o - e argumentou sobre a import&aacute;ncia dessa participa&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o das mobiliza&ccedil;&otilde;es:</p>     <blockquote> 	    <p>De qualquer forma se deu na Igreja mesmo. Naquele periodo, <i>estava no auge da constru&ccedil;&atilde;o das Comunidades Eclesiais de Base e o grande lema daquela &eacute;poca era a luta pela terra, 	</i>essa ala mais revo-lucion&aacute;ria... Ent&atilde;o essa turma, esse padre l&aacute; da minha par&oacute;quia, o Jer&oacute;nimo, ele era dessa ala da Igreja, a ala mais combativa da Igreja. 	<i>A preocupa&ccedil;&atilde;o dele era construir as CEBs e a partir da&iacute; j&aacute; com possibili-dade de constru&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais. 	</i>Foi realmente um trabalho dif&iacute;cil e <i>o que contribuiu muito foi a aceita&ccedil;&atilde;o da Igreja, porque o povo &eacute; muito religioso, 	</i>ent&atilde;o a coisa poderia parecer dif&iacute;cil, mas se levava a discuss&atilde;o religiosa junto, a partir da f&eacute; ai... Assim, como o trabalho de base era muito da Igreja, 	<i>a gente fazia a discuss&atilde;o votada para a mis-s&atilde;o do Messias mesmo, 	</i>etc. <i>Ai opessoal quebrava o medo e... enfim, se disponibilizava. </i>/Paulo, entrevista ao autor, 19/03/2011, grifos nossos)</p> </blockquote>     <p>Grande parte dos depoimentos demonstra como as reflex&ocirc;es anteriores, muitas vezes em CEBs, j&aacute; haviam criado uma perspectiva cr&iacute;tica dos trabalhadores sobre a realidade que vivenciavam e j&aacute; colocavam a reforma agr&aacute;ria como ideal. Nesse mesmo sentido, a aceita&ccedil;&atilde;o das novas ideias e a&ccedil;&otilde;es passou pela tentativa de inser&ccedil;&atilde;o -da forma mais coesa poss&iacute;vel- nessas l&oacute;gicas anteriores e redes de rela&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Houve, assim, um esforco de media&ccedil;&atilde;o para relacionar as utopias pol&iacute;ticas de organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais e as representares religiosas de grande parte dos trabalhadores rurais envolvidos, o que contribuiu para a cria&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de confianca e facilitou a comuni-ca&ccedil;&atilde;o das novas propostas de a&ccedil;&atilde;o. As mobiliza&ccedil;&otilde;es iniciadas a partir de meados da d&eacute;cada de 1980 foram poss&iacute;veis, em grande medida, pela existencia de trabalhos de base anteriores que j&aacute; haviam constitu&iacute;do certo sentimento de injustica e questionamento da realidade agr&aacute;ria local e nacional, com forte fundamento na religiosidade popular. Nessas rela&ccedil;&otilde;es, foram realizadas <i>bricolagens </i>entre significados religiosos e pol&iacute;ticos de alguns dos atores envolvidos, como na aproxima&ccedil;&atilde;o entre a representa&ccedil;&atilde;o sobre Jesus Cristo -associada &agrave; insubordina&ccedil;&atilde;o frente &agrave;s injusticas e rela&ccedil;&otilde;es de opress&atilde;o- com o questionamento sobre o <i>status quo </i>que movimentos e organiza&ccedil;&otilde;es realizavam na luta pela terra.</p>     <p>Tamb&eacute;m foi frequente a combina&ccedil;&atilde;o entre as representa&ccedil;&otilde;es b&iacute;blicas sobre a Terra Prometida -conquista marcada por travessias, grandes sacrif&iacute;cios- com a luta pela terra atrav&eacute;s de ocupa&ccedil;&otilde;es e forma&ccedil;&atilde;o de acampamentos, espacos de desestrutura&ccedil;&atilde;o e, em certa medida, reestrutura&ccedil;&atilde;o do cotidiano social das fam&iacute;lias mobilizadas. Assim, foram poss&iacute;veis <i>tradug&otilde;es </i>(Santos, 2003) entre as linguagens pol&iacute;ticas das organiza&ccedil;&otilde;es envolvidas e a linguagem religiosa de grande parte dos trabalhadores rurais mobilizados, possibilitando comunica&ccedil;&atilde;o e envolvimento m&uacute;tuo em torno de a&ccedil;&otilde;es conjuntas no sentido das ocupa&ccedil;&otilde;es de terra, assim como a proje&ccedil;&atilde;o dessas mobiliza&ccedil;&otilde;es locais para instancias mais amplas.</p>     <p>Para Santos (2003), o trabalho de tradu&ccedil;&atilde;o &eacute; procedimento que cria inteligibilidade m&uacute;tua entre experiencias, n&atilde;o atribuindo o status de totalidade exclusiva a nenhuma delas, mas sim reconhecen-do sua incompletude. Assim, a tradu&ccedil;&atilde;o -ao identificar elementos comuns- permite o encontro entre motiva&ccedil;&otilde;es de diferentes grupos, fortalecendo as possibilidades de agrega&ccedil;&atilde;o sem, com isso, levar &agrave; perda de autonomia. Dessa forma, o trabalho de tradu&ccedil;&atilde;o propicia o di&aacute;logo e a forma&ccedil;&atilde;o de formas h&iacute;bridas de conhecimento e atua&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica, processo que n&atilde;o est&aacute; livre de tens&otilde;es diante das v&aacute;rias e, algumas vezes, destoantes linguagens em rela&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nesse mesmo processo, algumas a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o aqui discutidas se direcionaram cada vez mais para o questionamento da auto-ridade e legitimidade do dominio dos fazendeiros sobre a terra, o que contribuiu na forma&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva politica oposta. Assim, ca-minhou-se no sentido da delimita&ccedil;&atilde;o e enfrentamento de adversarios no seio da sociedade, direcionando reflexivamente para a compreens&atilde;o dos latifundi&aacute;rios como adversarios dos sem-terra.</p>     <p>No depoimento abaixo, Sebasti&atilde;o -lideranga local em Aruega- nar-rou parte das argumentares utilizadas nos trabalhos de base, demonstrando as inquietudes dos trabalhadores rurais e a necessidade de deslegitimar a figura do fazendeiro, ruptura sem a qual a ocupag&atilde;o da terra n&atilde;o seria percebida como algo legitimo:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 	    <p>Eles (lideran&ccedil;as) falavam: &quot;A gente num vai ocupar uma terra que tem dono. Vamos ocupar uma terra improdutiva&quot;. Ai quando as pes-soas falavam: &quot;Isaias, num tem jeito Isaias, como &eacute; que n&oacute;s vamos tomar a terra do outro?&quot;. Ele respond&iacute;a: &quot;N&atilde;o gente, a terra que o Movimento ocupa &eacute; terra que o dono nao paga imposto. A maior parte dela nao tem documento.&quot; Ai tentava convencer que a situag&atilde;o &eacute; essa, que Aruega &eacute; 966 hectares de terra, mas o dono tem documento de 246. Cade as outras? As outras era dele? N&atilde;o era! &#91;...&#93; A dele ningu&eacute;m tomou, ta ai. <i>Ele num t&aacute; trabalhando nela porque? Por que ele nao trabalha! </i>(Sebastiao, entrevista ao autor, 13/07/2005, grifos nossos)</p> </blockquote>     <p>Enfatizavam que as terras eram objeto de grilagem, devolutas ou nao estavam sendo usadas para produgao pelos latifundi&aacute;rios. Esses argumentos eram reproduzidos pelas liderangas locais, que foram as-sumindo cada vez mais a forma de um discurso de enfrentamento, buscando romper com as tradicionais relag&otilde;es de obedi&ecirc;ncia e pro-tegao que marcavam as lembrangas dos antigos agregados da regiao. V&aacute;rios depoimentos demonstrar&iacute;a que, nesse processo de media&ccedil;&atilde;o, se articulou um pensamento de que o vinculo com a terra &eacute; de quem nela trabalha e nao de quem a expropriou e explorou enquanto mercadoria, num processo de reenquadramento das concepg&otilde;es sobre direitos. A busca pela contraposigao entre trabalhadores e fazendeiros &eacute; evidente, sendo o sofrimento de uns situado como consequ&ecirc;ncia da explora&ccedil;&atilde;o do outro, de um privil&eacute;gio que trazia consequ&ecirc;ncias perversas, ou seja, o sofrimento dos trabalhadores e latif&uacute;ndio s&atilde;o pensados como faces de uma mesma moeda. Ao salientarem que o fazendeiro nao trabalha, caminhou-se no sentido da constitui&ccedil;&atilde;o de uma bricolagem entre as representa&ccedil;&otilde;es sobre a import&aacute;ncia do trabalho na terra -um valor para os trabalhadores rurais- e a ideia de 'fun&ccedil;&atilde;o social da terra'<sup><a name="s5" href="#5">5</a></sup> presente nas concep&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dos movimentos e organiza&ccedil;&otilde;es sociais envolvidas nesse processo, sendo uma das bandeiras hist&oacute;ricas na luta pela terra no Brasil. Assim, a valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho na terra e a ideia de 'fun&ccedil;&atilde;o social da terra' foram combinadas num arranjo que permitiu a constitui&ccedil;&atilde;o de uma imagem negativa do latifundi&aacute;rio e, assim, contribuiu para a legitima&ccedil;&atilde;o das ocupa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Mais um ponto tamb&eacute;m relevante para as a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o foi a busca pela forma&ccedil;&atilde;o de um sentimento de que, ao se unirem e se organizarem, os trabalhadores teriam a for&ccedil;a de modificar as rela&ccedil;&otilde;es de poder estabelecidas. O incentivo para esse sentimento de for&ccedil;a pela uniao est&aacute; presente em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es, inclusive no material impresso distribu&iacute;do pelos militantes dos grupos mobilizados. Al&eacute;m dos textos que trazem fortemente essa ideia, imagens buscam ilustrar esse sentimento que visavam fortalecer:</p>     <center><a name="f1"><img src="img/revistas/unih/n81/n81a08f1.jpg"></a></center>     <p>Referindo-se &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de Aruega, tida pelos v&aacute;rios atores como vitoriosa, alguns entrevistados ressaltam como superaram o temor atribu&iacute;do &agrave; heran&ccedil;a coronelista da regiao, dando ind&iacute;cios sobre a exis-t&ecirc;ncia crescente desse sentimento de for&ccedil;a coletiva nas mobiliza&ccedil;&otilde;es:</p>     <blockquote> 	    <p>Munic&iacute;pios que tinham heran&ccedil;a mais... mais assim forte do coro-nelismo, pegando ali para aquelas bandas de Novo Cruzeiro mesmo, Padre Para&iacute;so, &Aacute;guas Formosas, alguns s&oacute; sabe falar do tal de Juca Quaresma, grande capitao ali daquela regiao. Entao o pessoal tinha muito medo mesmo. A&iacute; n&oacute;s tivemos que esclarecer pra eles, at&eacute; trazer fotos, alguns slides em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; luta que estava acontecendo no sul, no Esp&iacute;rito Santo, na Bahia. 	<i>A gente mostrando pra eles como a for&ccedil;a do povo rompia a repress&atilde;o dos fazendeiros 	</i>e tal e mostrando fotos bonitas, aquela imensidao de gente cortando arame, quebrando por-teira... (Paulo, entrevista ao autor, 19/03/2011, grifos nossos)</p> </blockquote>     <p>Havia, assim, grande resist&ecirc;ncia dos trabalhadores rurais de v&aacute;rias comunidades em entrar nessas mobiliza&ccedil;&otilde;es, que se pautavam no en-frentamento contra poderes temidos, respeitados e, muitas vezes, que gozavam de grande legitimidade para esses trabalhadores. O esfor&ccedil;o nesse momento foi para desconstruir os fragmentos das antigas rela&ccedil;&otilde;es de obedi&ecirc;ncia e prote&ccedil;&atilde;o tradicionais, demonstrando que eram poss&iacute;veis outras for&ccedil;as, ligadas &agrave; uniao dos mais fracos.</p>     <p>V&aacute;rios depoimentos indicam como grande parte do trabalho de base girou em torno de demonstrar a for&ccedil;a que os movimentos vi-nham adquirindo frente a poderes antes considerados inquestion&aacute;veis e inating&iacute;veis, em converg&ecirc;ncia com o processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em v&aacute;rias regi&ocirc;es do Brasil. Esse esfor&ccedil;o foi para quebrar o medo frente ao autoritarismo e a viol&ecirc;ncia fortemente presentes nos discursos dos fazendeiros e autoridades da regiao. Diante do recente e incipiente processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o no Brasil, a rearticula&ccedil;&atilde;o de formas de autoritarismo eram estrat&eacute;gias recorrentes dos grupos que buscavam desarticular os processos de ocupa&ccedil;&otilde;es, espalhando o temor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia e impunidade t&iacute;pica do regime civil-militar (1964-1985).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contra esses obst&aacute;culos, os militantes dos grupos mobilizados buscavam demonstrar a exist&ecirc;ncia de outra forma de poder, relacionada &agrave; conquista de direitos pela e para a coletividade. Estava em curso uma busca pelos sentimientos de autoestima e autoconfian&ccedil;a (Honneth, 2003), que foram relacionados com a constru&ccedil;&atilde;o do reco-nhecimento de uma for&ccedil;a coletiva que pudesse contrabalan&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es de poder vigentes.</p>     <p>Num dos depoimentos, Paulo attribuì a esse sentimento de for&ccedil;a coletiva, que vinham construindo nas a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o, um status de 'mito', que fez com que as pessoas assumissem posturas de enfren-tamento com base na cren&ccedil;a numa grande for&ccedil;a coletiva que, se nao fosse pela pr&oacute;pria cren&ccedil;a, nao existiria. Essa suposta for&ccedil;a, segundo depoimentos, gerou uniao no grupo e temor nos advers&aacute;rios:</p>     <blockquote> 	    <p>N&oacute;s conseguimos por diversas vezes correr com a pol&iacute;cia. Enfim, e n&oacute;s criamos um... um mito ali de resist&ecirc;ncia, que muitas vezes chegava a ser mito mesmo. N&oacute;s nao t&iacute;nhamos a... a for&ccedil;a real que aparentemente parecia ter. Mas, assim, criamos um certo pavor mes-mo. &#91;...&#93; N&oacute;s, na ocupa&ccedil;&atilde;o de Aruega, conseguimos isso. Fruto... nao &eacute; m&eacute;rito s&oacute; da lideran&ccedil;a, mas do Movimento naquele conjuntura. (Paulo, entrevista ao autor, 19/03/2011)</p> </blockquote>     <p>Assim, a a&ccedil;&atilde;o conjunta -com sua for&ccedil;a motivada por esse mito-acabou por concretiz&aacute;-lo, numa profecia que se realizou, um c&iacute;rculo virtuoso que motivou os trabalhadores a continuarem empenhados na luta e a expandirem com maior confian&ccedil;a.</p>     <p>O processo de constru&ccedil;&atilde;o do sentimento de for&ccedil;a coletiva est&aacute; tam-b&eacute;m associado &agrave; ideia de que nao se lutava pontualmente apenas por aquelas terras, mas tamb&eacute;m por uma causa, pela constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade, uma utopia, elemento fundamental na din&aacute;mica dos movimentos sociais (Neveu, 2005). Dessa forma, os anseios pela terra dos trabalhadores rurais mobilizados -conquista fundamental para seu enraizamento- foram articulados com a bandeira mais ampla pela reforma agr&aacute;ria, acrescentando um maior sentimento de legitimidade para suas a&ccedil;&otilde;es ao estarem envolvidos num processo que possibilitaria uma conquista para a sociedade como um todo.</p>     <p>Outro fundamento desse sentimento de for&ccedil;a descrito anteriormente est&aacute; na busca pela cria&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia sobre a inter-depend&ecirc;ncia entre as mobiliza&ccedil;&otilde;es que se constitu&iacute;am localmente, as organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais e o poder do Estado. Assim, a cria&ccedil;&atilde;o, no trabalho de media&ccedil;&atilde;o, de rela&ccedil;&otilde;es com as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas -mostrando que esse conflito era tamb&eacute;m um problema a ser resolvido pelo poder p&uacute;blico, que estaria acima do jogo de interesses locais- tra-zia o sentimento de que o processo em curso transcendia os limites do acampamento, o que encorajava os trabalhadores rurais mobilizados.</p>     <p>Como salientado por Medeiros e Esterci (1994), as media&ccedil;&otilde;es levam movimentos e grupos a transcenderem sua dimens&atilde;o local e particular, ligando-os a outros grupos e inst&aacute;ncias. Dessa forma, as mobiliza&ccedil;&otilde;es ganharam significado e for&ccedil;a diante da intera&ccedil;&atilde;o entre atores de v&aacute;rios contextos, cuja liga&ccedil;&atilde;o foi poss&iacute;vel diante de um esfor&ccedil;o de aproxima&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de objetivos em comum.</p>     <p>O depoimento de Estefani -lideran&ccedil;a do MST nesse processo- demonstra como havia o direcionamento das mobiliza&ccedil;&otilde;es para a esfera institucional, as 'autoridades', que teriam que se posicionar diante desse conflito. Assim, mesmo sabendo das limita&ccedil;&otilde;es em termos de quantidade de poss&iacute;veis benefici&aacute;rios pelo assentamento, as a&ccedil;&otilde;es eram pensadas como mecanismo de interven&ccedil;&atilde;o na esfera pol&iacute;tica, o que poderia trazer consequ&ecirc;ncias mais amplas:</p>     <p>A gente queria melhorar &#91;...&#93; pelo menos mostrar para a socieda-de. Porque a gente sabe que um acampamento daquele nao ia melhorar a n&iacute;vel da quantidade de pessoas que existiam na &eacute;poca sem terra, sem comida, porque o povo era sem comida mesmo! A gente sabia que isso nao ia resolver, mas <i>pelo menos para chamar aten&ccedil;&atilde;o das autoridades, mostrar para a sociedade que tinha como melhorar, </i>mas que as autoridades da &eacute;poca nao queriam uma melhora, parecem que nao tinham sentimento de ver as pessoas sofrendo, passando por di-ficuldade. (Estefani, entrevista ao autor, 22/10/2012, grifos nossos)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em v&aacute;rios depoimentos se revela como pol&iacute;ticos influentes -como, por exemplo, deputados estaduais e federais- estavam mobilizados em torno dos desdobramentos das ocupa&ccedil;&otilde;es em curso. Os enfrentamen-tos locais, desencadeados no contexto de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, estavam intimamente relacionadas com os embates em outras inst&acirc;n-cias, no Executivo, Legislativo e Judici&aacute;rio. As pessoas mobilizadas no acampamento acompanhavam as batalhas nessas outras inst&acirc;ncias, percebendo suas rela&ccedil;&otilde;es e se sentindo como parte de um processo de luta mais amplo, o que lhes trazia mais confian&ccedil;a.</p>     <p>Em depoimentos e conversas informais foram ressaltados: o apoio de deputados, bispos e organiza&ccedil;&otilde;es; as articula&ccedil;&otilde;es em torno da emis-s&atilde;o e derrubada de liminares de despejo e o uso estrat&eacute;gico da opiniao p&uacute;blica -informa&ccedil;&otilde;es que indicaram que estava em curso a constru&ccedil;&atilde;o de redes entre grupos mobilizados na sociedade civil, opiniao p&uacute;blica e pol&iacute;tica institucional. Dessa forma, foram realizadas tradu&ccedil;&otilde;es que permitiram relacionar as mobiliza&ccedil;&otilde;es nos acampamentos com a atua&ccedil;&atilde;o de agentes noutras inst&aacute;ncias. Assim, sob a bandeira mais ampla da luta pela reforma agr&aacute;ria, uma variedade de a&ccedil;&otilde;es ganhou maior unidade e legitimidade. Nessas tradu&ccedil;&otilde;es, foram propiciadas comunica&ccedil;&otilde;es entre os referenciais pol&iacute;ticos e culturais dos diversos grupos envolvidos, como as concep&ccedil;&otilde;es religiosas e desejo pelo en-raizamento dos trabalhadores rurais, ideais de transforma&ccedil;&atilde;o social das organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, e as bandeiras pol&iacute;ticas mais amplas levadas ao &aacute;mbito institucional por membros do Estado, como funcion&aacute;rios do Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (INCRA) e deputados estaduais e federais.</p>     <p>Na constru&ccedil;&atilde;o de uma linguagem em comum, que congregava as concep&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es desses diversos atores, foi poss&iacute;vel situar as ocupa&ccedil;&otilde;es de terra como estrat&eacute;gia amplamente aceita e incentivada, mesmo que o ponto de partida fossem os diferentes significados atribu&iacute;dos a essa estrat&eacute;gia pelos diversos atores em rela&ccedil;&atilde;o: acesso a um peda&ccedil;o terra, luta pela reforma agr&aacute;ria, luta por uma nova sociedade, constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para os trabalhadores rurais etc.</p>     <p><font size="3"><b><i>Descompassos e rea&ccedil;&otilde;es</i></b></font></p>     <p>Apesar de uma an&aacute;lise panor&aacute;mica das mobiliza&ccedil;&otilde;es do MST nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990 indicar como esse movimento foi paulatinamente ganhando for&ccedil;a, nossas an&aacute;lises mais pontuais demonstram que esse processo nao se deu de forma linear. As ocupa&ccedil;&otilde;es realizadas entre 1988 e 1997 foram marcadas tamb&eacute;m por momentos de enfra-quecimento frente &agrave;s discord&aacute;ncias entre os aliados e rea&ccedil;&otilde;es dos ad-vers&aacute;rios (fazendeiros, pol&iacute;ticos locais, for&ccedil;as policiais etc.), atingindo o cerne das a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o que vinham sendo constru&iacute;das.</p>     <p>Integrantes do MST e da CPT, principais organiza&ccedil;&otilde;es &agrave; frente dessas mobiliza&ccedil;&otilde;es, tiveram fortes diverg&ecirc;ncias relacionadas &agrave;s diferentes perspectivas sobre o grau de confronta&ccedil;&atilde;o que se deveria ter frente aos advers&aacute;rios. Alguns depoimentos apontam que o MST pres-sionou no sentido de um enfrentamento mais intenso -como resist&ecirc;n-cia aos despejos, ocupa&ccedil;&atilde;o de terras ainda nao desapropriadas- e a CPT optou por uma postura mais voltada para a negocia&ccedil;&atilde;o, posi&ccedil;&otilde;es divergentes que enfraqueceram suas a&ccedil;&otilde;es conjuntas.</p>     <p>Essas tens&ocirc;es ficaram evidentes quando v&aacute;rias lideran&ccedil;as com-pararam a ocupa&ccedil;&atilde;o de Aruega -onde CPT e MST ainda estavam mais unidos e a terra foi conquistada- com algumas das ocupa&ccedil;&otilde;es subsequentes, que foram despejadas, nao conseguindo a terra:</p>     <blockquote> 	    <p>Tem momentos que a lideran&ccedil;a opta por um caminho muito de alian&ccedil;a, de negocia&ccedil;&otilde;es, que nao surte efeito. E h&aacute; momento em que as pessoas tomam uma decis&atilde;o um pouco mais radical, de combate mesmo e acaba sendo vitorioso. 	<i>Quando n&oacute;s ocupamos Aruega n&oacute;s nao t&iacute;nhamos nenhuma pretens&atilde;o de negociar. 	</i>Negociar em que sentido? Ah, do propriet&aacute;rio chegar, com aquela conversinha doce e tal... Quer dizer, entramos com um prop&oacute;sito muito claro de radicaliza&ccedil;&atilde;o mesmo! Radicalizamos o m&aacute;ximo! Tanto &eacute; que a pol&iacute;cia nao conse-guiu entrar. (...) Quando ocupamos Sapezinho, que &eacute; a Fazenda ao lado, era basicamente o mesmo grupo de lideran&ccedil;a. 	<i>Por influ&ecirc;ncia inclusive at&eacute; dapr&oacute;pria CPT... os aliados... flexibilizou. 	</i>(Paulo, entrevista ao autor, 19/03/2011, grifos nossos)</p> </blockquote>     <p>Estava em disputa, principalmente, a forma e a intensidade do enfrentamento que os trabalhadores rurais teriam frente &agrave;s tentativas de despejo e realiza&ccedil;&atilde;o de novas ocupa&ccedil;&otilde;es. Enquanto grande parte dos militantes do MST via aquele momento como decisivo para a conti-nuidade do processo de ocupa&ccedil;&otilde;es, membros da CPT acreditavam ser melhor recuar, ter uma postura mais moderada, em vista do risco dos trabalhadores rurais serem despejados violentamente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essas divis&oacute;es possibilitaram tamb&eacute;m que os atores contrarios as mo-biliza&ccedil;&otilde;es pudessem articular significados no sentido da manuten&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Como salientado por Novaes (1994) &eacute; necess&agrave;rio pensar a media&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m dos atores comprometidos com os interesses dos trabalhadores, ou seja, &eacute; pertinente pensar tamb&eacute;m as formas de media&ccedil;&atilde;o a servigo da manutengao das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Nas entrevistas, um dos principais motivos alegados para o 'fracasso' da ocupa&ccedil;&atilde;o de Sapezinho foi o consentimento da frequente entrada da dona da fazenda e da pol&iacute;cia no acampamento, supostamente visando o di&agrave;logo e a doa&ccedil;&atilde;o de alimentos, rem&eacute;dios etc. enviados por ela para os sem-terra. Isso teria amainado a oposigao dos trabalhadores dada a habilidade de convencimento e forma&ccedil;&atilde;o de uma boa autoimagem pela dona da fazenda. Assim, argumentam que a mobiliza&ccedil;&atilde;o foi en-fraquecida, o que teria facilitado a insergao da pol&iacute;cia, descoberta de informa&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas e a retirada dos trabalhadores rurais da terra.</p>     <p>Aceitamos inclusive sentar na mesa de negocia&ccedil;&atilde;o com a proprietaria, e <i>a proprietaria teve uma habilidade tamanha de nos enrolar, mas enrolou bacana! </i>A ponto de um dia a reuniao se dar na fazenda dela. <i>Um dos equ&iacute;vocos mais vergonhosos </i>de se contar que n&oacute;s cometemos, <i>n&oacute;s ca&iacute;mos no conto de fadas. </i>Acreditamos que aquela nego-cia&ccedil;&atilde;o que tinha se estabelecido ai n&oacute;s &iacute;amos conquistar a Fazenda. Negocia&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;tico, com a proprietaria, com o INCRA, nao sei o que e tal, e apostamos nisso e flexibilizamos a resistencia interna. (...) Era um <i>imbr&ocirc;glio </i>mesmo... <i>Eia conseguiu estrategiar uma metodologia tao eficaz de nos desgragar. </i>Ela levava leite pras criangas! Fornecia leite, levava. Ela infiltrou no acampamento! Ela e seus... Ai chega a pol&iacute;cia com o mesmo discurso: &quot;N&atilde;o, que n&oacute;s estamos pra proteger e tal&quot;. (Paulo, entrevista ao autor, 19/03/2011, grifos nossos)</p>     <p>Paulo &eacute; enf&aacute;tico ao afirmar que a perspectiva que vinham cons-truindo, oposta &agrave; figura do <i>fazendeiro, </i>foi minada nesse processo. A autoridade das lideran&ccedil;as foi abalada diante de for&ccedil;as que passavam a ganhar/retomar legitimidade frente os trabalhadores rurais, como a fazendeira e a pol&iacute;cia militar. Caua -um trabalhador rural acampado, fortemente ligado &agrave; CPT- contou alguns acontecimentos reveladores sobre esse processo:</p>     <p>A pol&iacute;cia acampou no meio de n&oacute;s e foi cadastrando o pessoal. Dizia: &quot;O governo vai dar uma terra para voc&ecirc;s&quot;. Essa era a promessa da pol&iacute;cia! <i>A&iacute; o MST viu que eles tomavam o povo mesmo, ia desbaratar o acampamento ali. </i>&#91;...&#93; O Movimento perdia o povo, as lideran&ccedil;as tinham que ficar quieto, nao podia fazer uma reuniao, porque eles queriam pegar as lideran&ccedil;as. (Caua, entrevista ao autor, 25/10/2012, grifos nossos)</p>     <p>O fato dos policiais militares optarem por acampar junto aos tra-balhadores rurais - distribuindo alimentos, realizando cadastros e prometendo que seriam assentados noutro lugar - &eacute; muito significativo, pois indica a busca por uma conviv&ecirc;ncia que permitisse, al&eacute;m de controle f&iacute;sico, a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o sobre os acampados que pudessem desmotiv&aacute;-los ao enfrentamento. Nesses momentos de conviv&ecirc;ncia, os policiais tentavam minar a credibilidade do MST junto aos acampados, restabelecer a confian&ccedil;a na ordem vigente, nos valores tradicio-nais de respeito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s autoridades e hierarquias constitu&iacute;das. Assim, as significa&ccedil;&otilde;es sobre certos valores dos atores em conflito es-tavam em disputa intensa, sendo elementos centrais na defini&ccedil;&atilde;o dos rumos desse processo.</p>     <p>Nesse contexto, tamb&eacute;m a propriet&aacute;ria da terra buscou evitar que os militantes mediassem a constru&ccedil;&atilde;o de sua imagem como advers&aacute;-ria para os trabalhadores rurais. Em v&aacute;rios depoimentos de assentados ficou claro como a figura do fazendeiro, geralmente uma imagem abstrata para os trabalhadores, ganhou concretude a partir da pre-sen&ccedil;a frequente da dona da terra no acampamento, suas doa&ccedil;&otilde;es, promessas e demonstra&ccedil;&otilde;es de sofrimento:</p>     <p>Naquela &eacute;poca o fazendeiro quase nao aparecia. Eu conhecia a dona da Fazenda Sapezinho, vi por umas tr&ecirc;s vezes. Sempre ela che-gava chorando: &quot;Que eu vou vender essa terra para o Governo, pra voc&ecirc;s assentar e tal&quot;. Trazia leite para as criancinhas, mas aquilo era s&oacute; para enga&ntilde;ar. (Policarpo, entrevista ao autor, julio 7, 2013)</p>     <p>Nessa situa&ccedil;&atilde;o de aproxima&ccedil;&atilde;o com os sem-terra e imagem de sofrimento, ao que tudo indica, a fazendeira e a pol&iacute;cia conseguiram valer-se das mem&oacute;rias sobre as rela&ccedil;&otilde;es de mando/obedi&ecirc;ncia e pro-te&ccedil;&atilde;o -t&iacute;picas das antigas rela&ccedil;&otilde;es de agrego na regiao- para enfraque-cer a oposi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores rurais e de parte das suas lideran&ccedil;as.</p>     <p>O sentimento de for&ccedil;a pela uniao, fundamental para as mobili-za&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m sofreu forte impacto diante dos despejos realizados, tanto nos mais violentos, como no da Fazenda Bela Vista em 1989, quanto nos mais simb&oacute;licos, como no da Fazenda do Minist&eacute;rio em 1993. Nesse &uacute;ltimo, destaca-se a presen&ccedil;a de um aparato policial des-proporcional e da banda de m&uacute;sica da Pol&iacute;cia Militar durante o despejo, numa clara tentativa de humilhar os trabalhadores rurais e abater sua autoconfian&ccedil;a.</p>     <p>Essas a&ccedil;&otilde;es conservadoras -assim como a inexist&ecirc;ncia de regula-menta&ccedil;&atilde;o sobre as desapropria&ccedil;&otilde;es<sup><a name="s6" href="#6">6</a></sup>- fez com que as mobiliza&ccedil;&otilde;es fossem retra&iacute;das entre os anos de 1989 e 1993. No entanto, ap&oacute;s esse per&iacute;odo, o movimento retoma seu crescimento, rearticulando as a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o abaladas, direcionando suas iniciativas para o Vale do Rio Doce.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O caso da Fazenda do Minist&eacute;rio &eacute; emblem&aacute;tico para essa retomada. Essa fazenda, almejada pelos trabalhadores rurais mobilizados na d&eacute;cada de 1960, foi um dos piv&ocirc;s do golpe civil-militar de 1964, se tornando um s&iacute;mbolo da for&ccedil;a pol&iacute;tica dos fazendeiros da regiao<sup><a name="s7" href="#7">7</a></sup>. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, as mobiliza&ccedil;&otilde;es do MST tornaram essa terra novamente objeto de luta, transformando seu significado.</p>     <p>A Fazenda do Minist&eacute;rio, atrav&eacute;s das a&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o, passou a indicar a retomada do antigo conflito. Assim, cada vez mais, essa &aacute;rea passou a significar o direito dos trabalhadores rurais solapado por d&eacute;cadas, objeto de sua luta, uma &aacute;rea que estava destinada para reforma agr&aacute;ria e que, assim, deveria ser ocupada para o fechamento desse ciclo. Assim, buscou-se colocar a Fazenda do Minist&eacute;rio como s&iacute;mbolo de uma batalha perdida, noutro momento, mas que esse quadro poderia ser modificado pela uniao dos trabalhadores rurais num novo contexto, numa correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as diferente, na qual os traba-lhadores rurais mobilizados teriam sucesso.</p>     <p>Dessa forma, ao rearticular seu olhar para os antigos conflitos na fazenda, esses atores reavaliaram suas mem&oacute;rias, conferindo-as novos significados, de acordo com o contexto de mobiliza&ccedil;&atilde;o que esta-vam vivenciando, aumentando suas possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade em que viviam. Depois de um intenso processo de luta, essa terra foi conquistada em 1997, assim como outras fazendas da regiao, indicando uma nova ascens&atilde;o das mobiliza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><font size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es fin&aacute;is</b></font></p>     <p>A pesquisa aqui apresentada buscou demonstrar que as a&ccedil;&otilde;es de me-dia&ccedil;&atilde;o se deram no sentido da constitui&ccedil;&atilde;o de <i>bricolagens </i>entre elementos dos <i>universos de significa&ccedil;&atilde;o </i>-religiosos, pol&iacute;ticos, culturais etc.- dos v&aacute;rios grupos envolvidos, caminhando na dire&ccedil;&atilde;o da forma-&ccedil;&atilde;o de certas significa&ccedil;&otilde;es, que unificaram esfor&ccedil;os dos trabalhadores rurais mobilizados em dire&ccedil;&atilde;o a um sentimento de for&ccedil;a coletiva e &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o de certos atores como advers&aacute;rios (fazendeiros, policiais, poderes locais etc.), possibilitando, assim, a realiza&ccedil;&atilde;o das referidas ocupa&ccedil;&otilde;es de terra e o consequente assentamento de parte das fam&iacute;-lias mobilizadas.</p>     <p>No entanto -dada a multiplicidade de atores que influ&iacute;ram nesse processo, com diferentes perspectivas e estrat&eacute;gias- essas media&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m foram marcadas por descompassos, tens&ocirc;es e disputas entre os principais movimentos e organiza&ccedil;&otilde;es que pretenderam mobilizar os trabalhadores rurais. Assim, existiram momentos de enfraqueci-mento das a&ccedil;&otilde;es conjuntas, que, em certos casos, dificultaram a resis-t&ecirc;ncia nos acampamentos, permitindo a realiza&ccedil;&atilde;o de despejos.</p>     <p>Os advers&aacute;rios tamb&eacute;m influ&iacute;ram nesse processo, buscando desarticular as mobiliza&ccedil;&otilde;es, no sentido da manuten&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Assim, fazendeiros, policiais, prefeitos etc. tamb&eacute;m realizaram media&ccedil;&otilde;es, rearticulando valores tradicionais -relacionados &agrave;s antigas rela&ccedil;&otilde;es de mando/obedi&ecirc;ncia/prote&ccedil;&atilde;o- minando, em parte, a legitimidade das lideran&ccedil;as dos movimentos e enfraquecendo as signi-fica&ccedil;&otilde;es em constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim, tratou-se de um processo din&aacute;mico -com diferentes con-figura&ccedil;&otilde;es de poder ao longo de cerca de dez anos de mobiliza&ccedil;&atilde;o- e relacional, em vista da intera&ccedil;&atilde;o entre v&aacute;rios atores que interviram nesse processo, com suas diferentes expectativas e estrat&eacute;gias.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Rodap&eacute;</b></font></p>     <p><sup><a href="#s4" name="4">4</a></sup>Apesar do MST ter sido oficialmente fundado em 1984, seu surgimento remonta &agrave;s primeiras ocupa&ccedil;oes de terra organizadas a partir de 1979 no Sul do Brasil, com apoio da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup><a href="#s5" name="5">5</a></sup>'Fungao social da terra' &eacute; um termo legai, introduzido no Estatuto da Terra (1964), que foi recorrentemente utilizado na luta politica.    <br> <sup><a href="#s6" name="6">6</a></sup>A Constituigao de 1988 previa a desapropria&ccedil;&atilde;o pela fungao social e improdutividade da terra, no entanto os dispositivos constitucionais para sua realiza&ccedil;&atilde;o somente foram regulamentados em 1993.    <br> <sup><a href="#s7" name="7">7</a></sup>A Fazenda do Ministerio foi ocupada pelos trabalhadores rurais mobilizados pela reforma agr&atilde;ria no inicio da d&eacute;cada de 1960, gerando grande tens&atilde;o e conflitos entre propriet&agrave;rios rurais, l&iacute;deres sindicais, trabalhadores rurais, pol&iacute;ticos etc. A not&iacute;cia de que a Fazenda seria destinada aos trabalhadores pelo Governo Goulart se espalhou, sendo um dos estopins para a rea&ccedil;&atilde;o conservadora que culminou no golpe civil-militar de 1964.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p>Amado, J. e Ferreira, M. M. (Orgs.) (2002). <i>Usos e Abusos da Hist&oacute;ria Oral. </i>Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0120-4807201600010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ginzburg, C. (1989). Sinais: ra&iacute;zes de um paradigma indici&aacute;rio. Em <i>Mitos, emblemas, sinais </i>(pp.143-179). Sao Paulo: Cia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0120-4807201600010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Halbwachs, M. (1990). <i>A mem&oacute;ria coletiva. </i>Sao Paulo: V&eacute;rtice.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0120-4807201600010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Honneth, A. (2003). <i>Luta por reconhecimento: a gram&aacute;tica moral dos conflitos sociais. </i>Sao Paulo: Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0120-4807201600010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lerrer, D. F. (2008). <i>Trajet&oacute;rias de Militantes Sulistas: nacionaliza&ccedil;&atilde;o e modernidade do MST. </i>(Tese Doutorado de Ci&ecirc;ncias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade) Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0120-4807201600010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Levi, G. (1992). Sobre a micro-hist&oacute;ria. Em Burke, P. (Org.). <i>A escrita da hist&oacute;ria: novas perspectivas </i>(pp. 133-161). Sao Paulo: Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0120-4807201600010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, J. S. (2004). <i>Reforma Agr&aacute;ria: o imposs&iacute;vel di&aacute;logo. </i>Sao Paulo: Ed. USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0120-4807201600010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Medeiros, L. S. de e Esterci, N. (1994). Introdu&ccedil;&atilde;o. Em Medeiros, L. (Org.). <i>Assentamentos Rurais: uma vis&atilde;o multidisciplinar. </i>Sao Paulo: Ed. Da Universidade Estadual Paulista.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0120-4807201600010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Meihy, J. C. (1998). <i>Manual de Hist&oacute;ria Oral. </i>Sao Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es  Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0120-4807201600010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p>     <!-- ref --><p>Neveu, &Eacute;. (2005). <i>Sociologie des mouvements sociaux. </i>Paris: Le D&eacute;couverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0120-4807201600010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Novaes, R. R. (1994). A media&ccedil;&atilde;o no campo: entre a polissemia e a banaliza&ccedil;&atilde;o. Em Medeiros, L. (Org.). <i>Assentamentos Rurais: uma vis&atilde;o </i>multidisciplinar. Sao Paulo: Ed. Da Universidade Estadual Paulista.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0120-4807201600010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Novaes, R. R. (1997). <i>De corpo e alma: catolicismo, classes sociais e conflitos no campo. </i>Rio de Janeiro: Graphia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0120-4807201600010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pollak, M. (1992). Mem&oacute;ria e identidade social. <i>Estudos Hist&oacute;ricos, </i>5(10), 200212.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0120-4807201600010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Portelli, A. (2002). O massacre de Civitella Val di Chiana &#91;Toscana: 29 de julho de 1944&#93;: mito, pol&iacute;tica, luta e senso comum. Em Amado, J., e Ferreira, M. (Orgs.). <i>Usos e Abusos da Hist&oacute;ria Oral. </i>Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0120-4807201600010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Revel, J. P. (2000). Em Levi, G. <i>A Heran&ccedil;a Imaterial: trajet&ocirc;ria de um exorcista no Piemnote do s&eacute;culo XVII. </i>RJ: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0120-4807201600010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, E. M. (Org.) (1996). <i>Lembran&ccedil;as da terra: hist&oacute;rias do Mucuri e Jequitinhonha. </i>Contagem: CEDEFS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0120-4807201600010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, B. S. (2003). Para uma sociologia das aus&ecirc;ncias e uma sociologia das emerg&ecirc;ncias. Em Santos, B. S. (Org.). <i>Conhecimento prudente para uma vida decente: &quot;Um discurso sobre as ci&ecirc;ncias&quot; revisitado. </i>Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0120-4807201600010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sigaud, L. (2000). A Forma Acampamento: Notas a Partir da Vers&atilde;o Pernambucana. <i>Novos Estudos Cebrap, 58, </i>73-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0120-4807201600010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sigaud, L. (2005). As condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade das ocupa&ccedil;&otilde;es de terra. <i>Tempo Social, </i>17(1), 255-280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0120-4807201600010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sigaud, L., Rosa, M. y Macedo, M. E. (2008). Ocupa&ccedil;&otilde;es de Terra, Acampamentos e Demandas ao Estado: Uma An&aacute;lise em Perspectiva Comparada. <i>DADOS -Revista de Ci&ecirc;ncias Sociais, 51 </i>(1), 107-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0120-4807201600010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zangelmi, A. J. (2014). <i>Tradu&ccedil;&otilde;es e Bricolagens: media&ccedil;&otilde;es em ocupa&ccedil;&otilde;es de terra no Nordeste Mineiro nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990 </i>(Tese Doutorado de Ci&ecirc;ncias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade). Instituto de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais/Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0120-4807201600010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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