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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A transformação social nos discursos da cena empreendedora social brasileira: processos comunicacionais e regimes de convocação na mídia digital]]></article-title>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The social transformation in the discourse of the Brazilian social entrepreneur scene: communication processes and convening regimes in digital media]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[En este estudio, derivado de una investigación de postdoctorado sobre el tema del emprenderismo social, desarrollamos un análisis de discurso de proyectos brasileños y su presencia en los medios digitales. El problema planteado por esta investigación es: ¿cuáles son los significados de la transformación social, del compromiso y de la participación ciudadana, bajo la óptica de los discursos del emprendimiento social en Brasil? Discutimos el carácter de un cambio condicionado a la 'sustentabilidad' de los proyectos, en choque entre la visión de negocios y la vocación hacia el "bien común"; así como observamos los proyectos de sociedad articulados en torno a la figura del emprendedor social. El transcurso teórico reflexiona sobre el nuevo espíritu del capitalismo, la cultura emprendedora y el campo semántico del emprendimiento social. El tratamiento del corpus de la investigación está basado en el análisis crítico del discurso propuesto por Fairclough (2001).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this study, derived from a postdoctoral research on the subject of social undertaking, a discourse analysis of Brazilian projects and their presence in digital media was developed. The problem posed by this research is: What are the meanings of social transformation, commitment and citizen participation from the perspective of social undertaking discourses in Brazil? We discuss the nature of a change determined by the 'sustainability' of projects, opposed to a business vision and the vocation towards the "common good"; and we analyze society projects articulated around the figure of the social entrepreneur. The theoretical framework is focused on the new spirit of capitalism, the entrepreneurial culture and the semantic field of social undertaking. The treatment of the corpus of this research is based on the discourse critical analysis proposed by Fairclough (2001).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">     <p align="center"><font size="4"><b>A transforma&ccedil;&atilde;o social nos discursos da cena empreendedora social brasileira: processos comunicacionais e regimes de convoca&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia digital<sup>1</sup></b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>La transformaci&oacute;n social en los discursos de la escena emprendedora social brasile&ntilde;a: procesos comunicacionales y reg&iacute;menes de convocaci&oacute;n en los medios digitales</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>The social transformation in the discourse of the Brazilian social entrepreneur scene: communication processes and convening regimes in digital media</b></font></p>     <p align="center"><b>Vander Casaqui<sup>2    <br> </sup></b>Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM, S&atilde;o Paulo, Brasil<sup>3 </sup> <a target="_blank" href="mailto:vcasaqui@yahoo.com.br">vcasaqui@yahoo.com.br</a></p>     <p><sup>1</sup>Artigo de reflex&atilde;o, que apresenta resultados parciais de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o sobre o tema do empreendedorismo social, em perspectiva anal&iacute;tica e cr&iacute;tica. Este artigo &eacute; desenvolvido no contexto do projeto &quot;Narrativas para transformar o mundo: sentidos do empreendedorismo social nos contextos portugu&eacute;s e brasileiro&quot;, iniciado como pesquisa de p&oacute;s-doutoramento realizada entre janeiro e junho de 2013 na Faculdade de Ci&eacute;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL). Nesse per&iacute;odo, a investiga&ccedil;&atilde;o contou com bolsa de est&aacute;gio p&oacute;s-doutoral no exterior da CAPES (processo BEX no. 10542-12-4). Essa pesquisa continua a ser desenvolvida no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;ticas de Consumo da ESPM, no tri&eacute;nio 2013-2015.    <br> <sup>2</sup>Doutor em Ci&eacute;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade de S&atilde;o Paulo.    <br> <sup>3</sup>Professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;ticas de Consumo da ESPM.</p>     <p>Recibido: 10 de diciembre de 2014 Aceptado: 27 de abril de 2015 Disponible en l&iacute;nea: 30 de noviembre de 2015</p> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>C&oacute;mo citar este art&iacute;culo</b></p>     <p>Casaqui, V. (2016). A transforma&ccedil;&atilde;o social nos discursos da cena empreendedora social brasileira: processos comunicacionais e regimes de convoca&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia digital. <i>Universitas Human&iacute;stica, </i>81, 203-226.  <a target="_blank" href="http://dx.doi.org/10.11144/Javeriana.uh81.tsnd">http://dx.doi.org/10.11144/Javeriana.uh81.tsnd</a></p> <hr>     <p><font size="3"><b>Resumo</b></font></p>     <p>Neste estudo, derivado de pesquisa de p&oacute;s-doutoramento sobre o tema do empreendedorismo social, desenvolvemos uma an&aacute;lise de discursos de projetos brasileiros em sua presenga na m&iacute;dia digital. O problema colocado por essa pesquisa &eacute;: quais os significados da transforma&ccedil;&atilde;o social, do engajamento e da participa&ccedil;&atilde;o cidad&agrave;, sob a &oacute;tica dos discursos do empreendedorismo social no Brasil? Discutimos o car&aacute;ter de uma mudanga condicionada &agrave; 'sustentabilidade' dos projetos, no choque entre a vis&atilde;o de neg&oacute;cios e a voca&ccedil;&atilde;o para o 'bem comum'; assim como tratamos dos projetos de sociedade articulados em torno da figura do empreendedor social. O percurso te&oacute;rico reflete sobre o novo espirito do capitalismo, a cultura empreendedora e o campo sem&aacute;ntico do empreendedorismo social. O tratamento do <i>corpus </i>da pesquisa &eacute; baseado na an&aacute;lise cr&iacute;tica do discurso proposta por Fairclough (2001).</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>empreendedorismo social; comunica&ccedil;&atilde;o e discurso; transforma&ccedil;&atilde;o social; consumo; cultura empreendedora; economia capitalista</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Resumen</b></font></p>     <p>En este estudio, derivado de una investigaci&oacute;n de postdoctorado sobre el tema del emprenderismo social, desarrollamos un an&aacute;lisis de discurso de proyectos brasile&ntilde;os y su presencia en los medios digitales. El problema planteado por esta investigaci&oacute;n es: &iquest;cu&aacute;les son los significados de la transformaci&oacute;n social, del compromiso y de la participaci&oacute;n ciudadana, bajo la &oacute;ptica de los discursos del emprendimiento social en Brasil? Discutimos el car&aacute;cter de un cambio condicionado a la 'sustentabilidad' de los proyectos, en choque entre la visi&oacute;n de negocios y la vocaci&oacute;n hacia el &quot;bien com&uacute;n&quot;; as&iacute; como observamos los proyectos de sociedad articulados en torno a la figura del emprendedor social. El transcurso te&oacute;rico reflexiona sobre el nuevo esp&iacute;ritu del capitalismo, la cultura emprendedora y el campo sem&aacute;ntico del emprendimiento social. El tratamiento del corpus de la investigaci&oacute;n est&aacute; basado en el an&aacute;lisis cr&iacute;tico del discurso propuesto por Fairclough (2001).</p>     <p><b>Palabras clave: </b>emprendimiento social; comunicaci&oacute;n y discurso; transformaci&oacute;n social; consumo; cultura emprendedora; econom&iacute;a capitalista</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Summary</b></font></p>     <p>In this study, derived from a postdoctoral research on the subject of social undertaking, a discourse analysis of Brazilian projects and their presence in digital media was developed. The problem posed by this research is: What are the meanings of social transformation, commitment and citizen participation from the perspective of social undertaking discourses in Brazil? We discuss the nature of a change determined by the 'sustainability' of projects, opposed to a business vision and the vocation towards the &quot;common good&quot;; and we analyze society projects articulated around the figure of the social entrepreneur. The theoretical framework is focused on the new spirit of capitalism, the entrepreneurial culture and the semantic field of social undertaking. The treatment of the <i>corpus </i>of this research is based on the discourse critical analysis proposed by Fairclough (2001).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords: </b>social undertaking; communication and discourse; social transformation; consumption; entrepreneurial culture; capitalism</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>Nosso trabalho parte da hip&oacute;tese de que o tema do empreendedorismo social &eacute; de grande interesse para o campo da comunica&ccedil;&atilde;o, uma vez que sua cena &eacute; constituida e alimentada por processos discursivos, por estrat&eacute;gias midi&aacute;ticas, por regimes de visibilidade. Agenciadores globais e atores locais, sujeitos e grupos interessados no tema, pautas p&uacute;blicas e espacos ocupados na m&iacute;dia caracterizam a complexa teia comunica-cional a partir da qual o empreendedor social &eacute; significado e legitimado, aqui e agora. Devido ao crescente destaque de empreendedores sociais na sociedade brasileira contempor&aacute;nea, observamos como esse agente incorpora os sentidos da mudanca social, em discursos apoiados em regimes de convoca&ccedil;&atilde;o biopol&iacute;tica (Prado, 2013), por meio dos quais a sociedade &eacute; conclamada ao engajamento e &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Segundo Quint&atilde;o (2012), o empreendedorismo social se estabele-ce na conflu&ecirc;ncia de duas tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas derivadas da consolida-C&agrave;o do sistema capitalista. Por um lado, h&aacute; a figura do empreendedor, o promotor da <i>destruiq&agrave;o criadora </i>(Schumpeter, 1961) que alimenta o avanco do capitalismo liberal. Por outro, o trabalho em torno da emerg&ecirc;ncia da 'quest&atilde;o social', da mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil para amenizar os efeitos da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial sobre os trabalhadores e excluidos do sistema. No decorrer desse artigo, refletimos sobre as intersec&ccedil;&otilde;es, choques e paradoxos representados pela denomina&ccedil;&atilde;o 'empreendedor social'.</p>     <p>Em trabalho anterior (Casaqui, 2014), desenvolvemos um levantamiento bibliogr&aacute;fico em torno da constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do conceito de empreendedorismo social, bem como localizamos o estado da arte da discuss&atilde;o. Talvez por ser um tema relativamente recente, que ganha impulso no contexto do s&eacute;culo XXI, nossa pesquisa detectou alguns poucos trabalhos que tratam do empreendedorismo social em perspectiva cr&iacute;tica, e nenhum vinculado ao campo da comunica&ccedil;&atilde;o. H&aacute;, no entanto, uma profus&atilde;o de artigos e alguns livros que apresentam o empreendedor social na perspectiva da gest&atilde;o ou da economia. Mesmo quando se prop&otilde;e uma esp&eacute;cie de an&aacute;lise social, trata-se da perspectiva dos realizadores ou de ades&atilde;o ao seu ide&aacute;rio -sem o distanciamento cr&iacute;tico e a vis&atilde;o sist&ecirc;mica, necess&aacute;rios para a compreens&atilde;o do papel atribuido a esse agente em nosso tempo.</p>     <p><font size="3"><b>Comunica&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o social e novas perspectivas do empreendedorismo</b></font></p>     <p>A proposta de tematiza&ccedil;&atilde;o das &quot;pr&aacute;ticas comunicativas, criativida-de e novos desafios&quot; feita para esta edi&ccedil;&atilde;o da Revista <i>Universitas Human&iacute;stica </i>nos direciona &agrave; observa&ccedil;&atilde;o da cena empreendedora social a partir desses eixos. Como <i>pr&aacute;ticas comunicativas, </i>entendemos a lei-tura do empreendedorismo social a por meio dos discursos que consti-tuem e caracterizam as atividades das organiza&ccedil;&otilde;es, dos agentes de seu campo, em plataformas midi&aacute;ticas como a internet, como &eacute; o caso desse estudo. Nesse sentido, vemos que a emerg&ecirc;ncia do conceito de empreendedor social &eacute; um processo essencialmente comunicacional. Esse processo &eacute; baseado na elabora&ccedil;&atilde;o de uma forma de nominaliza&ccedil;&atilde;o que, por sua vez, vai gerar novas pr&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m vai transformar os significados e denominates de tantas outras que existiam anteriormente e passam a ser identificadas por esse conceito. Como defende Fairclough (2001, p. 227): &quot;a nominaliza&ccedil;&atilde;o transforma processos e atividades em estados e objetos, e a&ccedil;&otilde;es concretas em abstratas&quot;. Apoiamo-nos na abordagem da an&aacute;lise cr&iacute;tica do discurso de Fairclough para compreen-der como pr&aacute;ticas sociais e discursivas se conectam e interinfluenciam, especialmente em cen&aacute;rios de transforma&ccedil;&atilde;o, de mudanca social, nos quais o autor localiza sua perspectiva anal&iacute;tica.</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de <i>criatividade </i>pode parecer pouco evidente em uma primeira leitura, mas est&aacute; intrinsecamente relacionada com nosso objeto. O empreendedorismo social est&aacute; articulado com a no&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&atilde;o social, que por sua vez representa a criatividade aplicada &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es para os problemas sociais -percebidos como oportunidades para novos projetos. A inova&ccedil;&atilde;o social faz parte de uma mesma rede sem&aacute;ntica, de uma constela&ccedil;&atilde;o de termos originados nas pr&aacute;ticas do mercado capitalista, que ganham novos significados quando acompanhados do termo 'social'. Dessa forma, inova&ccedil;&atilde;o, neg&oacute;cio, economia, entre outros termos, ao se tornarem 'sociais', s&atilde;o aproximados da no&ccedil;&atilde;o de bem comum, de algo cujo objetivo final seria a contribui&ccedil;&atilde;o a melhorias na sociedade, e n&atilde;o o lucro, que est&aacute; na base da economia capitalista.</p>     <p>A ideia de uma sociedade aberta &agrave;s iniciativas de qualquer cida-d&agrave;o, que seja capaz de perceber uma oportunidade e articular a partir da&iacute; um neg&oacute;cio, de propor alguma mercadoria ou servico que inove dado mercado e conquiste novos consumidores, comp&otilde;e a m&iacute;tica do <i>self made man. </i>Toda uma cultura baseada na concorr&ecirc;ncia e legitimada pelo discurso da meritocracia se sustenta nessa ideia da opor-tunidade para 'qualquer um' -o que n&atilde;o quer dizer 'para todos', como lembra um personagem do filme <i>No, </i>de Pablo Larra&iacute;n (2012), sobre o plebiscito que decidiu pelo fim da era do ditador chileno Augusto Pinochet no poder, no ano de 1988.</p>     <p>O <i>self made man </i>seria o her&oacute;i da cultura capitalista, o <i>destruidor criativo </i>identificado por Schumpeter (1961), ainda nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. Inova&ccedil;&atilde;o e neg&oacute;cio s&atilde;o partes de um mesmo processo do capitalismo, em que o empreendedor &eacute; figura chave. No &aacute;mbito desta pesquisa, os <i>novos desafios </i>(o terceiro termo evocado pela tem&aacute;tica da revista) est&atilde;o associados ao discurso que desloca o empreendedor para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais, com maior efi-c&aacute;cia e alcance que as iniciativas do Estado (ou Primeiro Setor) e que as tradicionais organizares identificadas com o chamado Terceiro Setor (organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, miseric&oacute;rdias, entidades filantr&oacute;picas, de caridade e voluntariado). A pr&aacute;tica empreendedora de mercado, com o objetivo de transformar o mundo, une a performance t&eacute;cnica com a voca&ccedil;&atilde;o para o bem comum. O Segundo Setor, que abriga a iniciativa privada, serve como modelo ideal da t&eacute;cnica adotada para resolver problemas sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As pr&aacute;ticas comunicacionais s&atilde;o centrais para legitimar e difundir o conceito de empreendedorismo social na sociedade, na busca de seu campo por reconhecimento, poder simb&oacute;lico e capital social (Bourdieu, 2009). Os agentes do campo investem na entrada em cena midi&aacute;tica, desde a m&iacute;dia digital at&eacute; espacos na m&iacute;dia tradicional (especialmente em programas de car&aacute;ter jornal&iacute;stico), para defender seu lugar aut&ecirc;ntico e a import&aacute;ncia de sua atua&ccedil;&atilde;o na teia social. A inova&ccedil;&atilde;o empreen-dedora passa a ser inova&ccedil;&atilde;o social; o processo de conceber projetos, ideias, de viabiliz&aacute;-los por meio de planos de neg&oacute;cios (tamb&eacute;m entendidos como 'sociais'), &eacute; a atividade criativa gerada pelo mercado capitalista, agora dedicada ao novo desafio de 'mudar o mundo'. Conforme defini&ccedil;&atilde;o apresentada pela <i>Escola Design Thinking, </i>sediada em S&atilde;o Paulo, capital:</p>     <blockquote> 	    <p>Inova&ccedil;&atilde;o social &eacute; uma nova solu&ccedil;&atilde;o para um problema social que &eacute; mais eficaz, eficiente e sustent&aacute;vel que as solu&ccedil;&otilde;es existentes ou que cria valor para a sociedade como um todo, em vez de so-mente para um individuo ou organiza&ccedil;&atilde;o privada. (Stanford Social Innovation Review, s.d.)</p> </blockquote>     <p>A atividade do empreendedor social pressup&otilde;e uma l&oacute;gica de mercado. Diante da fal&ecirc;ncia do Estado Social, considerada a realidade de pa&iacute;ses como os da Comunidade Europeia; ou da inexist&ecirc;ncia hist&oacute;rica desse Estado de Bem-Estar Social <i>(Wellfare State) </i>em pa&iacute;ses chamados 'em desenvolvimento' (como &eacute; o caso do Brasil), o empreendedor social &eacute; situado retoricamente como alternativa &agrave; incapacidade dos governos de sanar os problemas sociais que afligem a popula&ccedil;&atilde;o, ou das iniciativas hist&oacute;ricas da sociedade civil, como as institui&ccedil;&otilde;es de caridade, filantr&oacute;picas e de voluntariado. O discurso da efic&aacute;cia, da <i>performance </i>t&eacute;cnica do empreendedor &eacute; posicionado como um marco, um tipo de revolu&ccedil;&atilde;o na forma de tratar as quest&otilde;es sociais. &Eacute; interessante destacar que, apesar de haver um discurso universalizante padronizador do perfil do empreendedor social, seu campo de atua&ccedil;&atilde;o se articula localmente e seus significados s&atilde;o demarcados por quest&otilde;es econ&oacute;micas, culturais e hist&oacute;ricas espec&iacute;ficas.</p>     <p>No contexto de Portugal, lugar que abrigou o in&iacute;cio dessa pesquisa de p&oacute;s-doutoramento, a atividade empreendedora social serve como resposta, certo antidoto que alia estrat&eacute;gias argumentativas e o exemplo de algumas pr&aacute;ticas bem sucedidas, a todo um cen&aacute;rio de crise que atinge gravemente esse pa&iacute;s. Uma crise, especialmente dram&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; falta de postos no mercado de trabalho, que ultrapassa as quest&otilde;es econ&oacute;micas para atingir a autoestima da popula&ccedil;&atilde;o, as perspectivas de futuro, as apostas na capacidade de Portugal encontrar sa&iacute;das e se reerguer. Como diz a pesquisadora portuguesa M&oacute;nica Lopes, o empreendedorismo, em suas diversas facetas, transformou-se na &quot;panaceia que solucionar&aacute; os graves problemas do desemprego desencadeados pela crise&quot;, por meio de formas de apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e aos chamados &quot;autoempregos&quot; gerados por novos neg&oacute;cios, bem como, supostamente, &quot;atenuar&aacute; os impactos da crise atrav&eacute;s das iniciativas solid&aacute;rias do microempreendedorismo, do em-preendedorismo social e do empreendedorismo econ&oacute;mico solid&aacute;rio&quot; (Lopes, 2012, p. 87).</p>     <p>Em sua obra cl&aacute;ssica sobre o processo hist&oacute;rico de constitui&ccedil;&atilde;o da economia capitalista de mercado, intitulada <i>A grande transforma-gao </i>(editada pela primeira vez em 1944), Polanyi define economia de mercado. Em suas palavras:</p>     <blockquote> 	    <p>Uma economia de mercado significa um sistema autorregul&aacute;vel de mercados, em termos ligeiramente mais t&eacute;cnicos, &eacute; uma economia dirigida pelos precos do mercado e nada al&eacute;m dos precos do mercado. Um tal sistema, capaz de organizar a totalidade da vida econ&oacute;mica sem qualquer ajuda ou interferencia externa, certamen-te merecer&iacute;a ser chamado de autorregul&aacute;vel. Essas condi&ccedil;&otilde;es preliminares devem ser suficientes para revelar a natureza inteiramente sem precedentes de tal acontecimento na hist&oacute;ria da raca humana. (Polanyi, 2012, p. 45)</p> </blockquote>     <p>No campo do empreendedorismo social, &eacute; recorrente o discurso sobre a necessidade da sustentabilidade econ&oacute;mica dos projetos, o que remete diretamente &agrave; quest&atilde;o da autorregula&ccedil;&atilde;o- se n&atilde;o de um mercado tradicional, de um mercado de ideias, conforme discute Angenot (2010). Ideias para resolver problemas sociais devem se adequar &agrave; l&oacute;gica neoliberal, pois os projetos precisam afirmar, de forma recorrente, a capacidade sustent&aacute;vel de suas opera&ccedil;&otilde;es. O modelo de neg&oacute;cios &eacute; o fa-tor predominante na avalia&ccedil;&atilde;o de um empreendimento social; os projetos s&atilde;o adequados para atuar em um mercado, mesmo que social, para disputar com outras propostas. A competitividade se faz presente nos in&uacute;meros concursos voltados para o apoio ao empreendedorismo social. Esta realidade sugere que as verbas destinadas &agrave; a&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel est&atilde;o reservadas para os projetos mais adequados &agrave; combina&ccedil;&atilde;o entre resolu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais e plano de neg&oacute;cios eficaz -muitas vezes com a predomin&aacute;ncia deste &uacute;ltimo para defini&ccedil;&atilde;o dos 'vencedores'.</p>     <p>Polanyi sinaliza a passagem dessa vertente econ&oacute;mica liberal a um sistema de crencas, a um <i>credo liberal </i>que ainda alimenta a leitura do livre mercado como a t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o da humanidade:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 	    <p>O liberalismo econ&oacute;mico foi o princ&iacute;pio organizador de uma sociedade engajada na cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de mercado. Nascido como mera propens&atilde;o em favor de m&eacute;todos n&atilde;o burocr&aacute;ticos, ele evoluiu para uma f&eacute; verdadeira na salva&ccedil;&atilde;o secular do homem atra-v&eacute;s de um mercado autorregul&aacute;vel. Um tal fanatismo resultou do s&uacute;bito agravamento da tarefa pela qual ele se responsabilizara: a magnitude dos sofrimentos a serem infligidos a pessoas inocentes, assim como o amplo alcance das mudancas entrelacadas que a orga-niza&ccedil;&atilde;o da nova ordem envolvia. (Polanyi, 2012, p. 151)</p> </blockquote>     <p>Nos discursos que representam o campo do empreendedorismo social, est&aacute; impl&iacute;cita a f&eacute; na capacidade de um tipo de &quot;mercado social&quot;, composto pelas iniciativas atomizadas de pessoas e pequenos coletivos de agentes. Uma f&eacute; traduzida em posturas afirmativas, no diagn&oacute;stico m&aacute;gico que aponta para um movimento em curso, uma 'revolu&ccedil;&atilde;o' projetada no futuro e simultaneamente celebrada por seus resultados j&aacute; alcancados. Uma esp&eacute;cie de &quot;utopia pragm&aacute;tica&quot;, sustentada pela estrat&eacute;gia de tornar visiveis as iniciativas consideradas exemplares.</p>     <p><font size="3"><b>An&aacute;lise de casos do empreendedorismo social no Brasil</b></font></p>     <p>A perspectiva metodol&oacute;gica adotada para este estudo, conforme indicado anteriormente, est&aacute; baseada na an&aacute;lise cr&iacute;tica do discurso de Fairclough (2001). O autor prop&otilde;e um m&eacute;todo de an&aacute;lise multidimensional, que relaciona textos, discursos e pr&aacute;ticas sociais. Esta abor-dagem interessa a esta pesquisa, uma vez que tratamos de textos que articulam a ideologia de um campo (do empreendedorismo social) com as pr&aacute;ticas derivadas de sua atua&ccedil;&atilde;o. O discurso sobre a pr&aacute;tica &eacute; manifestado como um projeto de sociedade, relacionado com uma no-&ccedil;&atilde;o de transforma&ccedil;&atilde;o social. Fairclough localiza sua metodologia em ambientes de mudan&ccedil;a social; a mudan&ccedil;a em questao &eacute; uma forma-&ccedil;&atilde;o discursiva recorrente no campo estudado. Dessa forma, buscamos compreender como textos, discursos e pr&aacute;ticas produzem significados sobre o que &eacute; o processo de transforma&ccedil;&atilde;o capitaneado pelo empreen-dedor social.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao procedimento de sele&ccedil;&atilde;o do <i>corpus </i>analisado, extra&iacute;do da m&iacute;dia digital, partimos tamb&eacute;m de premissas do estudo do discurso social de Angenot (2010). O autor prop&otilde;e a an&aacute;lise dos en-cadeamentos discursivos que representam uma totalidade, que ultra-passam seus aspectos singulares para identificar as 'for&ccedil;as sociais' e suas regularidades discursivas. O crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o dos textos &eacute; a presen&ccedil;a do discurso sobre a transforma&ccedil;&atilde;o relacionado com a atua-&ccedil;&atilde;o do empreendedor social. Temos como objetivo analisar como esse agente &eacute; constru&iacute;do por um projeto de mudan&ccedil;a social, marcado ideologicamente pela ideia de sociedade empreendedora concebida por Drucker (2011).</p>     <p>A associa&ccedil;&atilde;o entre empreendedorismo social e a imagem do 'transformador' &eacute; recorrente: uma das maiores organiza&ccedil;&otilde;es globais dessa cena, a Ashoka, chama os empreendedores sociais de <i>changemakers. </i>Um dos projetos que analisamos, o &quot;Imagina na Copa&quot;<sup><a name="s4" href="#4">4</a></sup> trata seus agentes como <i>transformadores. </i>Diante da constata&ccedil;&atilde;o da incid&ecirc;ncia de termos como 'transforma&ccedil;&atilde;o' e 'mudan&ccedil;a' identificados com o campo do empreendedorismo social, lan&ccedil;amos um olhar cr&iacute;tico para os discursos que mobilizam o campo sem&agrave;ntico da transforma&ccedil;&atilde;o social, tendo como pano de fundo a cultura empreendedora, a l&oacute;gica da performance (Ehrenberg, 2010), diretamente associada ao <i>modus operandi </i>do mercado neoliberal. Ou seja, no cen&aacute;rio neoliberal em que concorrer e vencer pela 'meritocracia' &eacute; regra generalizada, difundida no senso comum, os sujeitos assumem para si a responsabilidade da supera&ccedil;&atilde;o de obst&aacute;culos e de seus pr&oacute;prios limites, a fim de se tornarem competitivos e alcancarem o sucesso. A alta performance empreendedora &eacute; valorizada pela cultura correspondente a esse cen&aacute;rio.</p>     <p>A contextualiza&ccedil;&atilde;o da cultura empreendedora e do empreende-dorismo social, em nossa pesquisa, &eacute; desenvolvida em alinhamento com a tese do novo esp&iacute;rito do capitalismo (Boltanski, &amp; Chiapello, 2009). De acordo com os autores, que elaboram uma perspectiva hist&oacute;rica do esp&iacute;rito do capitalismo, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX tivemos a emerg&ecirc;ncia da cultura empreendedora como paradigma que n&atilde;o se refere unicamente ao mundo do trabalho, &eacute; transportado para a vida como um todo. O esp&iacute;rito do capitalismo est&aacute; relacionado com as l&oacute;gicas de justifica&ccedil;&atilde;o do sistema, que se adequa ciclicamente ao universo de expectativas dos sujeitos. Nesse cen&aacute;rio, a ret&oacute;rica do capitalismo se ajusta para motivar, para produzir engajamento adequa-do &agrave;s demandas dos novos tempos. E que tempos s&atilde;o esses em que vivemos? Se considerarmos os discursos produzidos pela ag&ecirc;ncia bra-sileira de pesquisa de tend&ecirc;ncias e comportamento Box1824, vivemos a era em que uma nova gera&ccedil;&atilde;o, chamada <i>Millenials </i>ou Gera&ccedil;&atilde;o Y, emerge como paradigma do futuro. Um futuro que j&aacute; acontece agora, em que os jovens procuram viver o mundo do trabalho por meio de uma l&oacute;gica de autonomia, liberdade e felicidade. De sua investiga&ccedil;&atilde;o que prioriza as novas gera&ccedil;&otilde;es com idade para inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, a Box1824 extrai um perfil que, em sua tese, ser&aacute; o agente transformador, moldado para liderar, inspirar toda uma gera-&ccedil;&atilde;o de brasileiros: o <i>jovem-ponte. </i>Suas caracter&iacute;sticas se ajustam ao homem conexionista, que corresponde ao novo esp&iacute;rito do capitalismo (Boltanski y Chiapello, 2009). De acordo com a pesquisa do Projeto Sonho Brasileiro, o jovem-ponte tem como caracter&iacute;stica principal a aptid&agrave;o de recolher ideias em seu tr&aacute;nsito por diferentes grupos e redistribu&iacute;-las na sociedade, &quot;conectando redes e pessoas que nunca se falariam. Este jovem funciona como um catalisador de ideias, gerando um novo tipo de influ&ecirc;ncia, que se d&aacute; pela transversalidade&quot; (Projeto Sonho Brasileiro, 2011).</p>     <p>Para Boltanski e Chiapello (2009, p. 466), o homem identificado com o mundo conexionista &eacute; flex&iacute;vel, adapt&aacute;vel, capaz de &quot;tratar sua pr&oacute;pria pessoa como um texto que poderia ser traduzido para diferentes l&iacute;nguas&quot; para explorar redes e circular por universos distintos. Em &uacute;ltima inst&aacute;ncia, sua atua&ccedil;&atilde;o tem como fim a &quot;utiliza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica de rela&ccedil;&otilde;es&quot; (p. 460), ou seja, a explora&ccedil;&atilde;o produtiva dos contatos, numa forma de mercantiliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es, mesmo que seja com o fim de 'mudar o mundo', de causas sociais, e n&atilde;o em proveito pr&oacute;prio, como argumentam os discursos do campo do empreendedorismo social. Essa quest&atilde;o &eacute; um dos pontos fr&aacute;geis desse discurso, uma vez que h&aacute; outros capitais, que n&atilde;o o econ&oacute;mico, atribu&iacute;dos ao empreen-dedor social, como o capital simb&oacute;lico ou o capital social - ainda mais no momento em que esse agente ganha espaco na m&iacute;dia brasileira, em um processo de celebriza&ccedil;&atilde;o associado &agrave;s a&ccedil;&otilde;es em torno do 'bem comum'. Concursos como o Pr&ecirc;mio Folha Empreendedor Social, organizado pela Folha da S&atilde;o Paulo, o principal jornal brasileiro, em coopera&ccedil;&atilde;o com a Funda&ccedil;&atilde;o Schwab (uma das mais importantes or-ganiza&ccedil;&otilde;es que agenciam o empreendedorismo social no mundo), ofe-recem visibilidade, resultam na obten&ccedil;&atilde;o de premia&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e financeiras, servindo, mesmo que involuntariamente, a uma esp&eacute;cie de culto &agrave; personalidade, a uma celebriza&ccedil;&atilde;o de seus respons&aacute;veis.</p>     <p>&Eacute; importante destacar que o prop&oacute;sito de &quot;mudar o mundo&quot;, relacionado ao empreendedorismo social, traduz a utopia da <i>sociedade empreendedora, </i>termo cunhado por Peter Drucker (2011), autor do campo da gest&atilde;o e do marketing. Segundo o autor, a efetiva mudanca da sociedade seria levada a cabo pelos empreendedores, sem rupturas revolucion&aacute;rias. Essa concep&ccedil;&atilde;o de Drucker aponta para a l&oacute;gica da reforma, da sustentabilidade do pr&oacute;prio sistema capitalista -eliminando qualquer possibilidade de um outro mundo poss&iacute;vel, ou de uma outra economia, que proponha alternativas ao modelo estabelecido como hegem&oacute;nico em nosso tempo. Em &uacute;ltima inst&aacute;ncia, o capitalismo se recoloca como via &uacute;nica, inclusive para sua pr&oacute;pria supera&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; uma ideia paradoxal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo do jovem conexionista, ou o <i>jovem-ponte, </i>construido pela pesquisa da Box1824, &eacute; o ponto de partida para algumas das iniciativas mais importantes do empreendedorismo social brasileiro recente, mais especificamente da cena da cidade de Sao Paulo, a maior capital do pa&iacute;s e uma das maiores metr&oacute;poles do mundo. Dentre elas, est&aacute; o j&aacute; citado projeto Imagina na Copa. Neste ponto, discutimos um dos exemplos mais representativos dessa cena: a Rede Atados<sup><a name="s5" href="#5">5</a></sup>. Seus fundadores foram finalistas do Pr&ecirc;mio Folha Empreendedor Social 2014, o que ampliou sua notoriedade. Sua proposta como empreendimento social &eacute; constituir um territ&oacute;rio, uma rede digital cujo objetivo &eacute; dar visibilidade a iniciativas brasileiras e assim mobilizar volunt&aacute;rios para trabalhar nesses projetos. Como diz a apresenta&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio projeto,</p>     <blockquote> 	    <p>O Atados &eacute; uma plataforma social que conecta pessoas e orga-niza&ccedil;&otilde;es, facilitando o engajamento nas mais diversas possibilidades de voluntariado. O fortalecimento dessa rede e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de volunt&aacute;rios ampliam o impacto das organiza&ccedil;&otilde;es e transformam pessoas e comunidades. (Atados, s.d.)</p> </blockquote>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o nessa rede serve &agrave; santifica&ccedil;&atilde;o pelas obras (Weber, 2004) de seus aliados: a no&ccedil;&atilde;o do 'bem' &eacute; deslocada de seu sentido 'comum', comunit&aacute;rio, do produto da a&ccedil;&atilde;o, para tamb&eacute;m qualificar o ser que age. Ou seja, quem se associa &agrave; rede &eacute; considerado &quot;do bem&quot;, como atesta a frase em destaque no topo da p&aacute;gina principal do projeto: &quot;Uma rede do bem, para fazer o bem!&quot;, bem como seu <i>slogan: </i>&quot;Atados -juntando gente boa&quot;. O projeto de transforma&ccedil;&atilde;o se baseia no conexionismo, e os mentores da rede Atados se auto intitulam <i>arti-culadores </i>dessa utopia baseada na conex&atilde;o- uma utopia pragm&aacute;tica, de &quot;gente que faz&quot;:</p>     <blockquote> 	    <p>O encontro entre volunt&aacute;rios e organiza&ccedil;&otilde;es, representado aqui em Atos Volunt&aacute;rios s&atilde;o possibilidades de experi&ecirc;ncias e v&iacute;nculos. E &eacute; nesse encontro que o Atados acredita. Nesse encontro que afeta e modifica. Que aproxima e cria v&iacute;nculos.</p> </blockquote>     <p>Essa conex&atilde;o ajuda a alimentar uma rede de pessoas que tem em comum a busca do bem coletivo e da harmoniza&ccedil;&atilde;o das nossas rela&ccedil;&otilde;es - com n&oacute;s mesmos e com o mundo. (Atados, s.d.)</p>     <p>A f&eacute; no contato, na aproxima&ccedil;&atilde;o de sujeitos, no conexionismo salvador, reelabora a no&ccedil;&atilde;o do liberalismo e seu <i>credo liberal, </i>discutidos por Polanyi (2012): a autorregula&ccedil;&atilde;o da sociedade, com vistas a uma harmonia coletiva, tem como pano de fundo um projeto de sociedade idealizado pelo encontro de sujeitos 'do bem', em polariza&ccedil;&atilde;o com 'o mal'. Nesse aspecto, ecoa, de certa maneira, o emblem&aacute;tico <i>slogan </i>tradicional do Google; <i>&quot;Don't be eviT'. </i>Esse polo contr&aacute;rio fica sugerido pelo trecho da apresenta&ccedil;&atilde;o do projeto &quot;Juntar ao inv&eacute;s de separar. Conciliar ao inv&eacute;s de romper. Cooperar ao inv&eacute;s de competir&quot;. O alvo da atribui&ccedil;&atilde;o negativa poderia ser o individualismo, o conflito de interesses entre grupos sociais distintos, a competi&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica. A proposta de transforma&ccedil;&atilde;o no discurso da rede Atados &eacute; baseada na propaga&ccedil;&atilde;o de um saber, de um conhecimento a ser difundido nessa rede de gestos e pessoas conectados, que promoveria a uniao, o pacto social amplo e harm&oacute;nico. Um tipo de revela&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica, que guarda rela&ccedil;&atilde;o intertextual com a doutrina&ccedil;&atilde;o religiosa.</p>     <p>Outra iniciativa que rendeu &agrave; sua idealizadora, Lorrana Scarpioni, o posto de finalista do Pr&ecirc;mio Folha Empreendedor Social 2014, foi a plataforma <i>Bliive, </i>cujo nome &eacute; uma corruptela da palavra <i>believe </i>(acredite, na l&iacute;ngua inglesa, o que reitera o campo discursivo religioso mencionado acima). O processo de funcionamiento do projeto &eacute; assim explicado na p&aacute;gina principal do projeto, em tr&ecirc;s etapas:</p>     <blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Voc&ecirc; oferece uma experi&ecirc;ncia. Por exemplo, uma aula de guitarra durante uma hora.</p> 	    <p>Pela hora oferecida voc&ecirc; recebe um TimeMoney, a moeda de troca da rede.</p> 	    <p>Agora voc&ecirc; pode trocar seu TimeMoney pelo que quiser.</p> </blockquote>     <p>A mercadoriza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es, transformadas em cr&eacute;ditos de horas, em moeda pr&oacute;pria que permite transa&ccedil;&otilde;es entre usu&aacute;rios da plataforma, remete &agrave; l&oacute;gica de trocas mercantilista. A alternativa ao uso do dinheiro ganha a aura de revolu&ccedil;&atilde;o, e o processo de transforma&ccedil;&atilde;o nao tem como objetivo espec&iacute;fico a resolu&ccedil;&atilde;o de um problema social. Pode atender a gostos, a desejos, quereres, &agrave; demanda por 'experi&ecirc;n-cias'. Em tese, prop&otilde;e trocas entre sujeitos que tem algo a oferecer, de interesse de outros, e que nao s&atilde;o exclu&iacute;dos do acesso &agrave; m&iacute;dia digital, o que significa certo patamar social acima das condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;-rias das carnadas mais baixas da sociedade. Estabelece, enfim, novos olhares para as rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas, agora potencialmente traduz&iacute;-veis em mercadorias para consumo e pagas em horas de trabalho. A 'revolu&ccedil;&atilde;o', mesmo que promotora de alguns deslocamentos mimetiza o paradigma capitalista baseado na associa&ccedil;&atilde;o entre mercadorias e pessoas. A consagrada frase Tempo &eacute; dinheiro' sustenta a estrat&eacute;gia criativa do neg&oacute;cio, identificado como &quot;social&quot; - ao menos no contexto do concurso de Empreendedorismo Social promovido pela Folha de S&atilde;o Paulo.</p>     <p><font size="3"><b>Do mercado de ideias &agrave; volta ao mercado tradicional -a publicidade de Chivas Regal</b></font></p>     <p>Um caso recente, que serve &agrave; reflex&atilde;o sobre os deslocamentos e incor-pora&ccedil;&otilde;es do discurso do empreendedorismo social e sua aproxima&ccedil;&atilde;o com o mundo das celebridades, dos novos olimpianos (Morin, 2011) relacionados ao esp&iacute;rito do capitalismo como discute Ehrenberg, (2010), &eacute; a iniciativa da marca internacional de u&iacute;sque Chivas. A no-&ccedil;&atilde;o de olimpiano, originalmente desenvolvida por Morin para tratar das estrelas correspondentes &agrave; cultura de massas, como as estrelas de cinema de meados do s&eacute;culo XX, relaciona-se com os personagens que servem de modelo, para poss&iacute;vel proje&ccedil;&atilde;o-identifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos de sua &eacute;poca. Ehrenberg aponta que, na atualidade, o empreendedor ocupa esse espa&ccedil;o de modelo de cultura, por ter associada a si uma vida heroica, pois assume riscos, representa o sucesso e o exemplo a ser seguido pelos demais. O empreendedor social, nesse sentido, &eacute; ce-lebrizado para 'inspirar' as pr&aacute;ticas da sociedade em que vive.</p>     <p>Chivas desenvolve, a partir de 2014, uma campanha mundial, des-dobrada em a&ccedil;&otilde;es locais, em torno da imagem do empreendedor social. O Brasil est&aacute; entre os pa&iacute;ses escolhidos para compor esse mosaico de historias de vidas exemplares (Buonanno, 2011), conectadas com o universo simb&oacute;lico da marca. O <i>slogan </i>cl&agrave;ssico de Chivas, <i>'Live with Chivalry', </i>ou <i>viva com cavalheirismo, </i>transporta os c&oacute;digos de distin-C&aacute;o aristocr&aacute;tica em tempos passados para nossos dias. O discurso publicit&aacute;rio relaciona o consumo do u&iacute;sque com um comportamento cavalheiresco de pessoas que iriam 'contra a corrente', no sentido contr&agrave;rio da multid&aacute;o. O homem de Chivas n&atilde;o &eacute; um qualquer, mais um na 'massa'; sua superioridade &eacute; sugerida pela nobreza de seus atos e refinamiento de seus gostos, representados em imagens que aliam capital econ&oacute;mico e cultural. Poder simb&oacute;lico e econ&oacute;mico que subenten-dem o compartilhamento do gosto por Chivas como elo comum.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o da marca Chivas com o empreendedorismo social &eacute; uma iniciativa muito recente, e bastante curiosa na sua associa&ccedil;&atilde;o com esse campo. O filme global da campanha, intitulado 'Venca do jeito certo' lancado em novembro de 2014 , Chivas Regal (2014) -uma es-p&eacute;cie de manifesto da marca-, estabelece a equa&ccedil;&atilde;o entre o sucesso e o 'prop&oacute;sito', termo recorrente no discurso associado &agrave; noc&aacute;o de bem comum. Um ator negro<sup><a name="s6" href="#6">6</a></sup>, trajando blazer e camisa branca, em um rin-gue de boxe (cen&aacute;rio de luta, alegoria da competitividade do mercado capitalista), movimenta-se de um lado a outro e dialoga com a camera, olhando para o observador construido pela mensagem. Seu discurso &eacute; muito expl&iacute;cito na significa&ccedil;&atilde;o do sucesso com um cariz social: &quot;Dinheiro. Que func&aacute;o ele tem, se n&atilde;o para fazer o bem? &#91;...&#93; Nos tornamos a mudanca que o mundo deseja ver'.</p>     <p>Imagens de personagens que v&aacute;o traduzir essa estrat&eacute;gia local-mente aparecem no filme, como &eacute; o caso do ator brasileiro Marcos Palmeira, propriet&agrave;rio da Fazenda Vale das Palmeiras, dedicada &agrave; pro-duc&aacute;o de alimentos org&aacute;nicos: &quot;Pra mim &eacute; fundamental, fazer o lucro e fazer o bem. Eu acho que esse &eacute; o casamento do sucesso&quot;. Sua fala &eacute; sucedida pelo ator do inicio, que continua: &quot;Isto &eacute; <i>Chivalry. </i>Viver n&atilde;o como 'eles e n&oacute;s' mas como 'todos n&oacute;s''. Mais adiante, surge uma per-gunta na tela, em fundo preto e letras garrafais: &quot;Se n&atilde;o a gente, ent&atilde;o quem?&quot;. A frase final do filme &eacute;: &quot;Desta vez, n&oacute;s venceremos do jeito certo', sucedida do <i>slogan </i>tradicional da marca, <i>'Live with Chivalry'. </i>H&aacute; um paradoxo fundamental, na oscila&ccedil;&atilde;o entre a perspectiva iguali-t&aacute;ria, o &quot;todos n&oacute;s&quot;, mencionada rapidamente, e a afirma&ccedil;&atilde;o dos elei-tos, da distinc&aacute;o, do &quot;n&oacute;s&quot; vocacionado ao sucesso 'com cavalheirismo'. O tom imperativo do discurso &eacute; a convoca&ccedil;&atilde;o para que esse grupo sele-to assuma seu papel de lideranca, de ascens&atilde;o sobre os demais.</p>     <p>O representante desses l&iacute;deres vision&aacute;rios, vencedores que obtem o sucesso do jeito certo, na articula&ccedil;&atilde;o brasileira da campanha &eacute; o ator Marcos Palmeira (mencionado acima), apresentado como modelo de empreendedor social. A p&aacute;gina da rede Facebook da marca Chivas Regal Brasil traz a <i>'timeline biography' </i>do ator, a sua 'hist&oacute;ria de vida' - na verdade, uma narrativa m&iacute;tica que mostra o ator como um ser despertado para uma voca&ccedil;&atilde;o, que alia sensibilidade, iniciativa e ousadia. Chivas utiliza a imagem do gal&aacute;, conhecido nacionalmente por atuar em telenovelas da maior rede de televis&atilde;o do Brasil, a Rede Globo, como garoto propaganda para afirmar a dimens&atilde;o moral, o car&aacute;ter do homem de neg&oacute;cios 'do bem' sobreposto &agrave; imagem do empreendedor social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na leitura de Chivas, mais do que resolver problemas sociais, o modelo agora &eacute; o do homem de neg&oacute;cios bem sucedido que promove tamb&eacute;m 'um impacto social positivo'. A narrativa do her&oacute;i mostra como o ator de sucesso, origin&aacute;rio de um extrato social favorecido economicamente para os padr&otilde;es brasileiros, ousa arriscar em um projeto, um 'sonho': ser propriet&aacute;rio de uma fazenda e l&aacute; instalar a produc&aacute;o de alimentos org&aacute;nicos, de forma sustent&aacute;vel, incluindo a comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos em loja pr&oacute;pria. O despertar de seus ideais se d&aacute; pelo contato, ainda na juventude, com uma tribo ind&iacute;gena. Essa inspira&ccedil;&atilde;o, a 'semente empreendedora social', &eacute; apresentada como a grande lic&aacute;o de vida para que siga sua trajet&oacute;ria heroica, ao enfrentar todos os obst&aacute;culos pelo caminho, at&eacute; chegar ao momento atual, no qual &eacute; celebrado como o exemplo vitorioso do homem que faz neg&oacute;cios, tem um prop&oacute;sito, obt&eacute;m lucro e se preocupa com o lado social de sua atividade. Basicamente, o que est&aacute; em quest&atilde;o na iniciativa de Marcos Palmeira e sua fazenda &eacute; uma l&oacute;gica de <i>fair trade, </i>quer dizer, um neg&oacute;cio justo e vantajoso 'para todos', ao menos no plano discursivo. Nada que ultrapasse os limites de seu empreendi-mento, nenhum projeto de sociedade que evoque a dimens&atilde;o pol&iacute;tica da transforma&ccedil;&atilde;o social. Em s&iacute;ntese: cuidar de si e 'pensar no outro'.</p>     <p>Na campanha analisada, o sucesso ainda se mant&eacute;m como paradigma do imagin&aacute;rio liberal. O <i>self made man </i>&eacute; santificado por suas obras, na releitura do esp&iacute;rito protestante discutido por Weber (2004). O lucro e o sucesso aliados a 'fazer o bem', como oferecer um pro-duto 'melhor' para seus clientes, assist&ecirc;ncia dent&aacute;ria a seus funcio-n&aacute;rios, cuidar da sustentabilidade e do equil&iacute;brio ambiental em sua pr&oacute;pria propriedade. O imagin&aacute;rio da transforma&ccedil;&atilde;o social, cooptado pelo mercado, &eacute; exemplar na comunica&ccedil;&atilde;o da marca de u&iacute;sque Chivas Regal e sua ressignifica&ccedil;&atilde;o do conceito de empreendedor social:</p>     <blockquote> 	    <p>Empreendedores que sabem que um neg&oacute;cio pr&oacute;prio pode ser lucrativo, mas tamb&eacute;m pode (e deve) fazer bem para os outros. E vao atr&aacute;s de seus sonhos.</p> 	    <p>Chivas acredita que os empreendedores sociais representam o sucesso no s&eacute;culo XXI. E suas hist&oacute;rias merecem ser contadas. Por isso, escolhemos lan&ccedil;ar no Facebook de Chivas a biografia de Marcos Palmeira, agricultor org&agrave;nico e ator. Dedica&ccedil;&atilde;o, cavalheirismo, gene-rosidade e coragem s&atilde;o as bases dessa hist&oacute;ria de sucesso! 	<i>Cheers!<sup><a name="s7" href="#7">7</a></sup></i></p> </blockquote>     <p>Chivas prop&otilde;e a definitiva sobreposi&ccedil;&atilde;o entre os termos 'empreendedor' e 'empreendedor social', abolindo a diferen&ccedil;a que os separava em termos conceituais: o objetivo principal de atender &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o ou amenizar um problema social &eacute; ultrapassado pelo sonho de um neg&oacute;cio lucrativo, mas que 'pode (e deve) fazer bem', sem que o 'bem' tenha qualquer compromisso com uma efetiva transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. O u&iacute;sque se posiciona como s&iacute;mbolo do sucesso de quem faz bons neg&oacute;cios e tem o poder de cooptar para sua iniciativa a aura do 'bem comum'. Como revela uma das frases de Marcos Palmeira em sua <i>'timeline biography': </i>&quot;Se o meu neg&oacute;cio for lucrativo e, ao mesmo tempo, puder gerar impactos positivos na vida das pessoas, me considero um vencedor&quot;.</p>     <p><font size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es fin&aacute;is</b></font></p>     <p>Os regimes de convoca&ccedil;&atilde;o (Prado, 2013)<sup><a name="s8" href="#8">8</a></sup> da cena empreendedora social buscam mobilizar seguidores, volunt&aacute;rios, apoiadores, inves-tidores sociais, por meio de uma estrat&eacute;gia de difus&atilde;o de modelos de cultura (Morin, 2011), de exemplos de sucesso. Dessa forma, hist&oacute;rias de vida exemplares (Buonanno, 2011) ganham a m&iacute;dia e se propagami com a legitimidade celebrada pela pr&oacute;pria comunica&ccedil;&atilde;o. A aura do bem comum constitui uma esp&eacute;cie de Olimpo, o patamar superior reservado aos l&iacute;deres vision&aacute;rios. O projeto de sociedade sugere que a ades&atilde;o &agrave;s causas e as pr&aacute;ticas de consumo delas derivadas &eacute; asso-ciada &agrave; a&ccedil;&atilde;o cidada, acess&iacute;vel a qualquer sujeito 'do bem'. A transfor-ma&ccedil;&atilde;o social ganha diferentes matizes, tendo seus limites expandidos a cada novo discurso de coopta&ccedil;&atilde;o, de deslocamento, de afirma&ccedil;&atilde;o de um agente que busca reafirmar seu lugar na sociedade.</p>     <p>De projetos articulados em alinhamento com o esp&iacute;rito do mundo conexionista, &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de uma marca de u&iacute;sque por meio da cele-bra&ccedil;&atilde;o da vida de seus garotos propaganda, o que apreendemos &eacute; uma leitura da transforma&ccedil;&atilde;o social que nao promove fissuras nas bases do capitalismo hegem&oacute;nico. Pelo contr&aacute;rio, muitas vezes renovam sua ret&oacute;rica, aos moldes do processo do esp&iacute;rito do capitalismo analisado por Boltanski e Chiapello (2009). Dessa forma, o empreendedorismo social emerge como discurso de engajamento, de incentivo &agrave; partici-pa&ccedil;&atilde;o, que conota algo de transcendente, de magn&agrave;nimo e elevado para seus agentes exemplares. Exemplos de sucesso, na releitura da polariza&ccedil;&atilde;o com o <i>loser, </i>o perdedor da cultura competitiva fundada no liberalismo. O poder de sedu&ccedil;&atilde;o desse discurso j&aacute; &eacute; percebido como produtivo em termos de incentivo ao consumo; marcas como Chivas, Banco Ita&uacute; (o maior banco privado do Brasil e um dos maiores da Am&eacute;rica Latina, cuja estrat&eacute;gia publicit&aacute;ria recente reitera o discurso da 'transforma&ccedil;&atilde;o'), entre outras, investem em iniciativas para alimentar o capital simb&oacute;lico de sua organiza&ccedil;&atilde;o e de seus produtos.</p>     <p>Como defende Lazzarato (2006, p. 99), &quot;a empresa que produz um servi&ccedil;o ou uma mercadoria cria um mundo&quot;; no mundo de Chivas, a competividade &eacute; a regra e o sucesso o paradigma. O que &eacute; reiterado pelo seu mais recente projeto, o concurso <i>The venture </i>(o empreendi-mento), que atribui o pr&ecirc;mio de um milhao de d&oacute;lares ao vencedor entre 13 pa&iacute;ses, incluindo o Brasil. Em sua apresenta&ccedil;&atilde;o, fica evidente a estrat&eacute;gia de coopta&ccedil;&atilde;o da imagem do empreendedor social para a tradicional marca de u&iacute;sque:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 	    <p>Chivas acredita que os neg&oacute;cios podem ser lucrativos e, ao mes-mo tempo, ter impactos positivos na sociedade. Essa cren&ccedil;a est&aacute; no nosso DNA desde que os irm&atilde;os John e James come&ccedil;aram seus neg&oacute;-cios em Aberdeen, Esc&oacute;cia. Acreditamos que essa &eacute; a hora para celebrar a generosidade de esp&iacute;rito e dar um novo significado ao sucesso no s&eacute;culo 21. Por isso estamos procurando start-ups que usem o em-preendedorismo para colaborar com o avan&ccedil;o do Pa&iacute;s. (Chivas, s.d.)</p> </blockquote>     <p>A marca de u&iacute;sque, fundada no come&ccedil;o dos anos 1800, estabele-ce a si mesma como o marco zero, a g&ecirc;nese do esp&iacute;rito empreendedor social, pela 'generosidade' dos seus fundadores, seja l&aacute; o que isso quer dizer. Dessa forma, esvazia-se qualquer sentido transformador que a cena empreendedora social poderia representar, em um mundo em crise, em diversos sentidos - do econ&oacute;mico ao ambiental. Por mais que possa haver algumas iniciativas de empreendedorismo social louv&aacute;-veis, ficam as quest&otilde;es que nos intrigam: &eacute; poss&iacute;vel superar esse processo cultural de vampiriza&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o social, ou de seu esvaziamento, pela ret&oacute;rica do capital? A transforma&ccedil;&atilde;o social &eacute; poss&iacute;vel, sem que se assuma sua dimens&atilde;o pol&iacute;tica, e sem que se choque com interesses, privil&eacute;gios e valores arraigados no modelo capitalista hegem&oacute;nico?</p>     <p>O projeto de sociedade empreendedora social &eacute; um discurso m&iacute;tico, fundado na cren&ccedil;a de que a cultura empreendedora &eacute; a &uacute;nica via para mudar o mundo, mesmo sem produzir transform&#094;&otilde;es efetivas no sistema capitalista. Eis um paradoxo fundamental, amplificado pelo discurso, em tom positivo, que afirma a exist&ecirc;ncia de uma revolu&ccedil;&atilde;o em curso, em escala global, promovida pelo empreendedorismo social.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Rodap&eacute;</b></font></p>     <p><sup><a href="#s4" name="4">4</a></sup>O Imagina na Copa &eacute; um projeto, situado na m&iacute;dia digital, que recolheu, produziu e publicizou historias de empreendedores sociais brasileiros, apresentados como modelos do pa&iacute;s imaginado como melhor no futuro. Seu nome &eacute; uma invers&atilde;o positiva das cr&iacute;ticas que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira fazia durante os preparativos para a Copa do Mundo de futebol, realizada em 2014 no pa&iacute;s. Diante de algum problema, como no caso de atrasos nos aeroportos, a frase original que se podia ouvir nas ruas era: &quot;se agora est&aacute; assim, imagina na copa&quot;: (Cabral, Campanatti, Ribeiro y Pereira, s.d.)    <br> <sup><a href="#s5" name="5">5</a></sup>Rede Atados Pode ser encontrado em: <a target="_blank" href="http://atados.com.br">atados.com.br</a>    <br> <sup><a href="#s6" name="6">6</a></sup>Trata-se de Chiwetel Ejiofor, ator principal do filme <i>12 years of slave, </i>produ&ccedil;&atilde;o norte-americana de 2013, que ganhou o Oscar de melhor filme em 2014, entre outros premios,    <br> <sup><a href="#s7" name="7">7</a></sup>Publicado na p&aacute;gina da Chivas Regal Brasil do Facebook no dia 23 set. 2014.    <br> <sup><a href="#s8" name="8">8</a></sup>A no&ccedil;&atilde;o de regimes de convoca&ccedil;&atilde;o biopol&iacute;tica, desenvolvida por Prado (2013), &eacute; baseada na teoria de Foucault. De acordo com Prado (2013, pp. 10-11), &quot;no mundo contempor&aacute;neo h&aacute; uma infinidade de enunciadores, que &#91;...&#93; nos convoca para programas espec&iacute;ficos, apoiados em atividades e servigos oferecidos no mercado&quot;. Nesse sentido, os discursos sobre o empreendedorismo social n&atilde;o somente comunicam sobre essa cena, mas convocam os sujeitos &aacute; participa&ccedil;&atilde;o, ao engajamento para atuar em suporte a iniciativas exemplares, ou na concep&ccedil;&atilde;o de novos projetos que seguem os seus modelos de sucesso.</p> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p>Angenot, M. (2010). <i>El discurso social: los limites hist&oacute;ricos de lo pensable y lo decible. </i>Buenos Aires: Siglo XXI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0120-4807201600010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Atados (s. d.) Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://www.atados.com.br/sobre">https://www.atados.com.br/sobre</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0120-4807201600010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Boltanski, L., &amp; Chiapello, E. (2009). <i>O novo espirito do capitalismo. </i>S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0120-4807201600010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, P. (2009). <i>O poder simb&oacute;lico. </i>Rio de Janeiro: Bertrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0120-4807201600010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Buonanno, M. (2011, jul/dez). Hist&oacute;rias de vida exemplares. Biograf&iacute;as. <i>MATRIZes, </i>5(1). 63-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0120-4807201600010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Favor a&ntilde;adir la siguiente referencia: Cabral, F., Campanatti, M., Ribeiro, M. y Pereira, T. (s.f.). Imagina na copa. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href="http://imaginanacopa.com.br/">http://imaginanacopa.com.br/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0120-4807201600010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Casaqui, V. (2014). Ideologia do empreendedorismo social: representa&ccedil;&otilde;es do trabalho em tempos de crise do Estado Social portugu&ecirc;s. <i>Rumores, </i>8(16), 1936 Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href="http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/89636">http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/89636</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0120-4807201600010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Chivas Regal (2014, nov 4). Ven&ccedil;a do jeito certo. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=SIH1CMxHmcI">https://www.youtube.com/watch?v=SIH1CMxHmcI</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0120-4807201600010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Chivas Regal Brasil (2010). Chivas Regal Brasil Facebook Fan Page. Dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href="https://www.facebook.com/ChivasRegalBrasil">https://www.facebook.com/ChivasRegalBrasil</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0120-4807201600010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Drucker, P. F. (2011). <i>Inova&ccedil;&atilde;o e espirito empreendedor: pr&agrave;tica e principios. </i>Sao Paulo: Cengage Learning.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0120-4807201600010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ehrenberg, A. (2010). <i>O culto da performance: da aventura empreendedora &agrave; depress&atilde;o nervosa. </i>Aparecida - SP: Id&eacute;ias &amp; Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0120-4807201600010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fairclough, N. (2001). <i>Discurso e mudan&ccedil;a social. </i>Bras&iacute;lia: Ed. UNB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0120-4807201600010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lazzarato, M. (2006). <i>As revolu&ccedil;&otilde;es do capitalismo. </i>Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0120-4807201600010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lopes, M. (2012). Verbete &quot;Empreendedorismo&quot;. Em <i>Dicion&agrave;rio das crises e alternativas </i>(pp. 86-87). Coimbra: Almedina, CES.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0120-4807201600010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morin, E. (2011). <i>Cultura de massas no s&eacute;culo XX - Vol 1, Neurose. </i>Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0120-4807201600010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Polanyi, K. (2012). <i>A grande transforma&ccedil;&atilde;o: as origens da nossa &eacute;poca. </i>Rio de Janeiro: Elsevier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0120-4807201600010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Prado, J. L. A. (2013). <i>Convoca&ccedil;&otilde;es biopoliticas dos dispositivos comunicacionais. </i>Sao Paulo: Educ / Fapesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0120-4807201600010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Projeto Sonho Brasileiro. (2011). <i>Pesquisa realizada pela ag&ecirc;ncia Box1824. </i>Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="http://pesquisa.osonhobrasileiro.com.br/indexn.php">http://pesquisa.osonhobrasileiro.com.br/indexn.php</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0120-4807201600010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Quintao, C. (2012). A reemerg&ecirc;ncia do Terceiro Setor. Em L. Veloso e R. M. Carmo (Orgs.). <i>A constitui&ccedil;&atilde;o social da economia </i>(pp. 123-153). Lisboa: Ed. Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0120-4807201600010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schumpeter, J. A. (1961). <i>Capitalismo, socialismo e democracia. </i>Campinas: Fundo de Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0120-4807201600010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stanford Social Innovation Review (s.d.). Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="http://www.escoladesignthinking.com.br/inova&ccedil;&atilde;osocial/">http://www.escoladesignthinking.com.br/inova&ccedil;&atilde;osocial/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0120-4807201600010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Weber, M. (2004). <i>A &eacute;tica protestante e o &quot;espirito&quot; do capitalismo. </i>S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0120-4807201600010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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