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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O MORFEMA -EIR- NO PORTUGUÊS BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO*]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[THE MORPHEME -EIR- IN CONTEMPORARY BRAZILIAN PORTUGUESE]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper investigates morphological operations and semantic meanings concerning the morpheme -eir- in the history of Portuguese language, based on the descriptive studies of Cunha & Cintra (1998), Rocha (1998), Soledade (2005) and Via-ro (2011). For that purpose, not only the authors' proposals were reviewed, but new morpheme realizations were also extracted from informal texts on Internet, where the language sample was considered closer to the vernacular one, which supports the transparency of this research.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[história da língua portuguesa]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[morfologia da língua portuguesa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">          <p align="center"><font size="4"><b>O MORFEMA <i>-EIR- </i>NO PORTUGU&Ecirc;S BRASILEIRO  CONTEMPOR&Acirc;NEO<a href="#*a" name="*b">*</a></b></font></p>          <p align="center"><font size="3"><b>THE MORPHEME <i>-EIR- </i>IN CONTEMPORARY BRAZILIAN PORTUGUESE</b></font></p>        <p>&nbsp;</p>          <p><b>Natival  Almeida Sim&otilde;es Neto, Juliana Soledade Barbosa Coelho</b></p>          <p><i>Universidade  Federal da Bahia, Brasil, <i><a href="mailto:nativalneto@gmail.com">nativalneto@gmail.com</a>, <a href="mailto:julisoledade@hotmail.com">julisoledade@hotmail.com</a></i>.</i></p>     <p>Recibido: 07/09/2013 - Aceptado: 16/11/2013</p> <hr size="1" />          <p>&nbsp;</p>          <p><b>Resumo</b></p>          <p>Este trabalho investiga as opera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas e as  acep&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas concernentes ao morfema <i>-eir- </i>na hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa, tendo  como base os estudos descritivos empreendidos por Cunha &amp; Cintra  (1998), Rocha (1998), Soledade (2005) e Viaro (2011). Para isso, n&atilde;o s&oacute; revisamos as  propostas dos referidos autores, mas tamb&eacute;m coletamos novas realiza&ccedil;&otilde;es do morfema em textos  de sites informais da Internet, onde encontramos uma amostra de l&iacute;ngua mais  pr&oacute;xima do vern&aacute;culo, o que garante a transpar&ecirc;ncia  desta pesquisa.</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Palavras-chave</i>: hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa, sem&acirc;ntica lexical, morfologia da l&iacute;ngua portuguesa.</p>  <hr size="1" />          <p>&nbsp;</p>          <p><b>Abstract</b></p>          <p>This paper investigates morphological  operations and semantic meanings concerning the morpheme -<i>eir</i>- in the history of Portuguese  language, based on the descriptive studies of  Cunha &amp; Cintra (1998), Rocha (1998), Soledade (2005) and Via-ro (2011). For that  purpose, not only the authors' proposals were reviewed, but new morpheme  realizations were also extracted from informal texts on Internet, where the language  sample was considered closer to the vernacular one,  which supports the transparency of this research.</p>          <p><i>Keywords</i>: <i></i>Portuguese Language History, Lexical Semantics, Portuguese Language Morphology.</p>  <hr size="1" />          <p>&nbsp;</p>          <p><b>1. Considera&ccedil;&otilde;es iniciais</b></p>          <p>Com o intuito de diferenciar os  fen&ocirc;menos da flex&atilde;o e da deriva&ccedil;&atilde;o, um dos   crit&eacute;rios mais mencionados pelos autores &eacute; a mudan&ccedil;a de  classe de palavras.   A deriva&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o a flex&atilde;o, permite a mudan&ccedil;a de classe.  Entretanto,   trabalhos como os de Bas&iacute;lio (1980), Rocha (1998) e Soledade  (2005) mostram   que, na maioria dos processos derivacionais no portugu&ecirc;s,  n&atilde;o h&aacute; mudan&ccedil;a de   classe. O sufixo <i>-eir-</i>, que ser&aacute; discutido ao longo deste trabalho<sup><a href="#1a" name="1b">1</a></sup>, &eacute; um desses   casos, pois tem como processo protot&iacute;pico a forma&ccedil;&atilde;o de um  substantivo agentivo   (profissional ou habitual) a partir de outro substantivo.</p>       <p>O sufixo <i>-eir- </i>&eacute; morfema oriundo da forma <i>-arius </i>da l&iacute;ngua latina, onde   j&aacute; apresentava variadas acep&ccedil;&otilde;es, dentre elas principalmente  a forma&ccedil;&atilde;o de   adjetivos (<i>usurarius,  a, um</i>) e substantivos de no&ccedil;&atilde;o agentiva (<i>testamentarius, ii</i>),   para al&eacute;m de vegetal (<i>ficarius,  ii</i>), instrumento/objeto (<i>tabularium, ii</i>) e  locativa   (<i>gallinarium, ii</i>)<i>. </i>Nos  estudos da morfologia da l&iacute;ngua portuguesa, alguns autores   atentaram para a alta produtividade do sufixo <i>-eir-</i>, diferentemente do <i>-</i>&aacute;rio que   jamais alcan&ccedil;ou a mesma popularidade no portugu&ecirc;s.</p>     <p>Quanto &agrave;s pesquisas j&aacute; realizadas, este artigo,  inicialmente, apresentar&aacute; uma   revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica dos estudos descritivos feitos por  Cunha &amp; Cintra (1998)   e Rocha (1998) numa perspectiva sincr&ocirc;nica. Em seguida,  ser&atilde;o apresentados   os estudos desenvolvidos por Soledade (2005) e Viaro (2011)  em abordagens   diacr&ocirc;nicas, &agrave;s quais se somam as descri&ccedil;&otilde;es das gram&aacute;ticas  hist&oacute;ricas de Said   Ali (1964) e Nunes (1969).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No &uacute;ltimo momento, ser&atilde;o apresentados dados do portugu&ecirc;s  contempor&acirc;neo   encontrados em contextos informais da Internet, como sites  de entretenimento,   redes sociais (<i>Twitter</i>, <i>Facebook</i>, <i>Orkut </i>e afins), a fim de demonstrar   novos empregos (morfol&oacute;gicos ou sem&acirc;nticos) do morfema <i>-eir-</i>, que talvez   n&atilde;o tenham sido registrados por nenhum dos referidos  autores, atestando a   sua vitalidade na l&iacute;ngua atual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.  A proposta de Cunha &amp; Cintra (1998)</b></p>     <p>Cunha &amp; Cintra (1998) apresentam o estudo mais  simplificado sobre o morfema <i>-eiro</i>, se compararmos com  os estudos feitos posteriormente. Os autores   apenas apresentam o morfema como um dos sufixos dispon&iacute;veis  no processo de   sufixa&ccedil;&atilde;o nominal, ou seja, morfema que se presta &agrave; forma&ccedil;&atilde;o  de substantivos a   partir de outro substantivo. Sem entrar em detalhes de  opera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas,   os autores separam as acep&ccedil;&otilde;es do morfema <i>-eiro </i>da seguinte maneira:<sup><a href="#2a" name="2b">2</a></sup></p>   <ul type="disc">     <li>Ocupa&ccedil;&atilde;o, of&iacute;cio, profiss&atilde;o<i>: barbeiro, copeira</i></li>     <li>Lugar onde se guarda algo<i>:  galinheiro, tinteiro</i></li>     <li>&Aacute;rvore e arbusto<i>:  laranjeira, craveiro</i></li>     <li>Ideia de intensidade, aumento<i>: nevoeiro, poeira</i></li>     <li>Objeto de uso<i>:  cinzeiro, pulseira</i></li>     <li>No&ccedil;&atilde;o coletiva: <i>berreiro,  formigueiro</i></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>H&aacute; considera&ccedil;&otilde;es que precisam ser feitas a respeito dessa  classifica&ccedil;&atilde;o. Por   exemplo, a separa&ccedil;&atilde;o entre <i>objeto  de uso </i>e <i>lugar  onde se guarda algo </i>apresenta complica&ccedil;&otilde;es   quando constatamos que est&aacute; se considerando <i>tinteiro </i>como <i>lugar onde</i>   <i>se guarda algo </i>e <i>cinzeiro </i>como <i>objeto de uso</i>. No  entanto, o <i>tinteiro </i>&eacute; um recipiente   onde se guarda tinta, geralmente de caneta, muito usado em  outros tempos. E   o <i>cinzeiro </i>&eacute; um recipiente onde se guarda as cinzas de <i>cigarro</i>, <i>charuto </i>e afins. Dessa forma, percebemos que h&aacute; uma fronteira, por vezes,  bastante t&ecirc;nue entre   uma e outra acep&ccedil;&atilde;o, como &eacute; comum ocorrer nos casos de  sufixos poliss&ecirc;micos. Assim, parece mais sugestivo considerar a classifica&ccedil;&atilde;o,  como &laquo;<i>recipiente </i>onde   se guarda algo&raquo;, por sua vez a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;recipiente&raquo; se  especificaria em &laquo;local&raquo;   (ex.: <i>galinheiro</i>) e &laquo;objeto&raquo; (ex.: <i>cinzeiro,  tinteiro</i>).</p>       <p>O  segundo ponto observado nessa classifica&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; no&ccedil;&atilde;o   coletiva,  onde se encaixa a palavra <i>berreiro</i>.  Parece dif&iacute;cil a aceita&ccedil;&atilde;o da   id&eacute;ia  de coletivo para um substantivo abstrato como <i>berro</i>.  A no&ccedil;&atilde;o coletiva   parece  estar muito ligada &agrave; no&ccedil;&atilde;o de contagem, mensurabilidade, conjunto. No  caso de <i>berreiro</i>, parece estar mais ligado, na  classifica&ccedil;&atilde;o dos autores,   &agrave;  ideia de &laquo;intensidade, aumento e dura&ccedil;&atilde;o&raquo;,  j&aacute; que h&aacute; contextos lingu&iacute;sticos em que uma &uacute;nica entidade &eacute; capaz de produzir  o que Cunha &amp; Cintra (1998)   consideram  como uma no&ccedil;&atilde;o coletiva, conforme o exemplo em (<a href="#01c">01</a>):</p>       <blockquote>         <p>(<a name="01c">01</a>)    <br> Filho de Dani Winits abre o maior <i>berreiro </i>na praia.  (Portal R7)</p>   </blockquote>       <p>Essa ideia de <i>intensidade,  aumento </i>pode ser encontrada tamb&eacute;m em forma&ccedil;&otilde;es   como <i>comedeira,  bebedeira e tremedeira</i>, vistas,  respectivamente, nos exemplos   de (<a href="#02c">02</a>) a (<a href="#04c">04</a>):</p>       <blockquote>         <p>(<a name="02c">02</a>)    <br> Aqui no Brasil, ela se reduz a batucada, <i>comedeira </i>e  presentinhos do Papai       Noel. (Site Catolicismo Romano)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a name="03c">03</a>)    <br> Ap&oacute;s bebedeira, irm&atilde; de Kim Kardashian aperta seu seio.  (Site Ego)</p>         <p>(<a name="04c">04</a>)    <br> Porque morro de medo de altura, era uma tremedeira  lascada! Nem conseguia       firmar os p&eacute;s no ch&atilde;o de tanto que tremia!? (Blog Unwriten  by Fran)</p>   </blockquote>       <p>Outro ponto da proposta de Cunha &amp; Cintra (1998) aqui  destacado &eacute; a   separa&ccedil;&atilde;o feita entre <i>galinheiro </i>e <i>formigueiro</i>. Ambas as forma&ccedil;&otilde;es parecem   contemplar tanto a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;lugar&raquo; quanto a no&ccedil;&atilde;o  &laquo;coletiva&raquo; e ainda a no&ccedil;&atilde;o   &laquo;recipiente&raquo;. Vejamos o exemplo em (<a href="#05c">05</a>):</p>       <blockquote>         <p>(<a name="05c">05</a>)    <br> Siga o rastro das formigas para ver por onde elas  entram em sua casa e <i>onde </i>&eacute; o <i>formigueiro</i>. (Site  Como fazer tudo)</p>   </blockquote>       <p>No exemplo (<a href="#05c">05</a>), <i>formigueiro </i>&eacute; retomado pelo pronome <i>onde</i>, o que nos faz   considerar que ele tem um valor de locativo, portanto. Isso  j&aacute; faria questionar   a distin&ccedil;&atilde;o feita por Cunha &amp; Cintra (1998) entre as  forma&ccedil;&otilde;es <i>formigueiro </i>e <i>galinheiro</i>. Por&eacute;m,  h&aacute; tamb&eacute;m em <i>formigueiro</i>, a ideia de <i>aglomera&ccedil;&atilde;o  ou no&ccedil;&atilde;o</i>   <i>coletiva</i>, o que  talvez tamb&eacute;m possa se aplicar a <i>galinheiro</i>. Essas no&ccedil;&otilde;es de locativo   e de coletivo parecem acontecer simultaneamente nesses  casos. Isso nos faz   sugerir que o sufixo <i>-eir- </i>pode, em alguns casos, apresentar dupla informa&ccedil;&atilde;o,   indicando um poss&iacute;vel percurso recipiente &gt;  recipiente/local &gt; recipiente/   local onde existe grande quantidade de algo. Veja que assim  considerando, fica   clara a aproxima&ccedil;&atilde;o entre <i>galinheiro </i>e <i>formigueiro</i>, mas tamb&eacute;m entre <i>tinteiro,</i>   <i>saleiro </i>e <i>cinzeiro</i>.</p>       <p>Viaro (2011) observa que, no que tange ao morfema <i>-eiro </i>em itens como   <i>formigueiro </i>e <i>galinheiro</i>, houve  uma converg&ecirc;ncia sem&acirc;ntica do <i>-arium </i>latino,   que formava locativos com o <i>-</i>&aacute;rion grego, que formava coletivos.  Talvez por isso &eacute; que possamos constatar, nessas palavras, as duas ideias,  existindo uma   esp&eacute;cie de amalgama&ccedil;&atilde;o de sentidos para que eles ocorram  simultaneamente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, destacamos no trabalho de Cunha &amp; Cintra (1998)  a aus&ecirc;ncia de   classifica&ccedil;&otilde;es, como forma&ccedil;&atilde;o de gent&iacute;licos (<i>brasileiro</i>, <i>mineiro</i>) e ainda forma&ccedil;&atilde;o   de adjetivos (<i>ligeiro</i>, <i>verdadeiro</i>). Esses destaques foram feitos por Rocha (1998)   e ser&atilde;o discutidos na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.  O </b><b><i>-eiro </i></b><b>na  perspectiva da morfologia derivacional proposta por Rocha</b> <b>(1998)</b></p>     <p>Diferente da abordagem descritiva proposta por Cunha &amp;  Cintra (1998),   Rocha (1998) investiga a acep&ccedil;&atilde;o agentiva do morfema <i>-eiro </i>numa perspectiva   exclusivamente sincr&ocirc;nica em que fatos hist&oacute;ricos da l&iacute;ngua  portuguesa (doravante   LP) s&atilde;o desprezados, pois o autor acredita que o falante da  atual sincronia   n&atilde;o tem acesso a dados de sincronias passadas. Rocha (1998)  apresenta   o conceito de <i>produtividade</i>,<sup><a href="#3a" name="3b">3</a></sup> que diz  respeito &agrave; possibilidade do surgimento   de novos itens lexicais, seguindo &agrave;s regras de forma&ccedil;&atilde;o de  palavras (RFP) do   portugu&ecirc;s. Diante da quantidade de novas ocorr&ecirc;ncias com <i>-eiro </i>em LP, o autor   conclui que a RFP &#91;&#91;X&#93;<sub>S</sub>&#93; -<i>eiro</i>&#93;<sub>S</sub><sup><a href="#4a" name="4b">4</a></sup>   &eacute; altamente produtiva. O trabalho de Rocha   (1998) trata apenas das opera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas (e n&atilde;o  l&eacute;xico-sem&acirc;nticas) do   -<i>eiro </i>agentivo. Para isso, o autor desconsidera outras acep&ccedil;&otilde;es do  morfema que podem ser vistas a seguir:<sup><a href="#5a" name="5b">5</a></sup></p> <ul type="disc">     <li><b>&Aacute;rvore ou arbusto: </b><i>abacateiro,  limoeiro, pessegueiro, mamoeiro, caquizeiro e tomateiro.</i></li>     <li><b>  Coletivo, conjunto</b>: <i>berreiro,  barreiro, aguaceiro, faqueiro, letreiro, nevoeiro, braseiro.</i></li>     <li><b>  Gent&iacute;lico</b>: <i>mineiro,  campineiro, pantaneiro e brasileiro.</i></li>     <li><b> Objeto</b>: <i>pandeiro, chuveiro, isqueiro, chaveiro  e ponteiro. </i></li>     <li><b>  Lugar ou recipiente</b>: <i>banheiro,  celeiro, mosteiro, outeiro, poleiro, terreiro,   formigueiro, vespeiro, pardieiro, picadeiro, atoleiro,  tinteiro, agulheiro, candeeiro,   fogareiro, galinheiro, paliteiro, petroleiro, saleiro,  a&ccedil;ucareiro, manteigueira, cafeteira, compoteira, maioneseira, frigideira, farinheira,  traseira.</i></li>     <li><b>  Formador de adjetivos</b>: <i>matreiro,  verdadeiro, brejeiro, caseiro, ligeiro, careiro,   costeiro, faceiro, fagueiro, fronteiro, grosseiro, inteiro,  ordeiro, primeiro, hospitaleiro.</i></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>O autor apresenta os seguintes exemplos para a acep&ccedil;&atilde;o  agentiva:</p> <ul type="disc">     <li><b>  Agentivos</b>: <i>livreiro,  pasteleiro, capoteiro, padeiro, relojoeiro, carvoeiro, salsicheiro,   carpinteiro, marceneiro, serralheiro, oleiro, bermudeiro,  chineleiro, peruqueiro, marmoreiro, queijeiro.</i></li>     </ul>     <p>Encontrada a RFP referente ao morfema <i>-eiro</i>, Rocha (1998) faz  uma s&eacute;rie   de testes para determinar a quais tipos de bases  substantivas o morfema <i>-eiro</i> agentivo consegue se conectar. A ideia de tipologia das  bases substantivas se d&aacute; pelas subcategorias da classe:</p>     <blockquote>       <p>Essas  subcategorias podem ser de qualquer natureza: fon&eacute;tica, morfol&oacute;gica, sint&aacute;tica,     sem&acirc;ntica,  etc. S&atilde;o exemplos de subcategoria do substantivo: pr&oacute;prio, comum,     concreto,  abstrato, simples, composto, primitivo, derivado (com tais e tais sufixos     ou  com tais e tais prefixos), coletivo, est&aacute;tico ou din&acirc;mico, que designa a&ccedil;&atilde;o,  estado     ou  movimento, agente, paciente, objeto, animal, cor, partido pol&iacute;tico, parte de um     todo,  parte do corpo, etc. Tamb&eacute;m deve ser considerado se o substantivo &eacute; pr&oacute;prio     da  linguagem coloquial, t&eacute;cnica, cientifica, jornal&iacute;stica, etc. (Rocha, 1998: 129)</p> </blockquote>     <p>A partir disso, o autor depreende que nem todos os tipos de  substantivos   conseguem se somar ao -<i>eiro </i>agentivo e formar com ele uma palavra  poss&iacute;vel   na LP. Dentro desses crit&eacute;rios, o autor mostra a que tipos  de substantivo o   morfema n&atilde;o se conecta:</p>   <ul type="disc">     <li>A RFP n&atilde;o se aplica a bases abstratas, como <i>falcatrua</i>, <i>mentira</i>,<sup><a href="#6a" name="6b">6</a></sup> <i>golpe</i>,   <i>apelo</i>, <i>conven&ccedil;&atilde;o</i>, entre  outros. Entretanto, o autor destaca algumas poucas   forma&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o obedecem a essa constata&ccedil;&atilde;o. Casos de c<i>ambalacho/</i>   <i>cambalacheiro</i>, <i>manota/manoteiro</i>, <i>boato/boateiro </i>e <i>biscate/biscateiro</i>.</li>     <li>A RFP n&atilde;o se aplica a bases que designam agentes/indiv&iacute;duos.  O autor   entende que n&atilde;o faz sentido anexar um sufixo agentivo a um  base que   j&aacute; designa agente.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>O morfema <i>-eiro </i>n&atilde;o se conecta a uma base composta.</li>     </ul>     <p>A respeito desses crit&eacute;rios, consideramos os pontos a  seguir:</p> <ul type="disc">     <li>Rocha (1998) ressalva que o <i>-eiro</i>, por vezes, pode se  somar a substantivos   abstratos, mas que isso n&atilde;o &eacute; t&atilde;o produtivo. Entretanto, n&atilde;o  s&atilde;o raras   forma&ccedil;&otilde;es, como <i>fofoca/fofoqueiro,  barraco/barraqueiro, bagun&ccedil;a/bagunceiro,</i>   <i>baderna/baderneiro, mexerico/mexeriqueiro, </i>entre outras.</li>     <li>O segundo crit&eacute;rio n&atilde;o contempla forma&ccedil;&otilde;es, como <i>Ivete Sangalo/iveteiro,</i>   <i>Chiclete com Banana/chicleteiro, Avi&otilde;es do Forr&oacute;/  avi&atilde;ozeiro, Marina Silva/</i>   <i>marineiro, </i>entre  outras forma&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m surgido na l&iacute;ngua atual. A   considera&ccedil;&atilde;o feita pelo autor talvez se justifique pelo fato  de, na &eacute;poca,   ainda n&atilde;o existirem forma&ccedil;&otilde;es como essas.</li>     <li>O &uacute;ltimo crit&eacute;rio poderia ser questionado por forma&ccedil;&otilde;es,  como <i>S&atilde;o Jo&atilde;o/</i>   <i>s&atilde;o-joaneira </i>e <i>roupa velha / roupa-velheiro. </i>Esses exemplos foram apresentados   por Viaro (2009), que diferencia essas forma&ccedil;&otilde;es de outras  como   <i>atum-verdadeiro, </i>pois,  nesse caso, o item <i>verdadeiro</i>, j&aacute; entrou assim na   composi&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m ocorre em <i>dente queiro </i>e <i>santo casamenteiro</i>. A   ocorr&ecirc;ncia desse tipo de opera&ccedil;&atilde;o &eacute; realmente pouco  produtiva, se comparada   &agrave; facilidade de encontrar itens a partir dos crit&eacute;rios  anteriores.</li>     </ul>     <p>Sobre essas exce&ccedil;&otilde;es, Rocha (1998: 130) esclarece que  &laquo;gram&aacute;tica n&atilde;o &eacute;   matem&aacute;tica&raquo; e devemos considerar, numa regra, a tend&ecirc;ncia,  n&atilde;o a exce&ccedil;&atilde;o. O   que por si, j&aacute; aponta para a inefic&aacute;cia da aplica&ccedil;&atilde;o do termo  regra, como bem   questiona Bas&iacute;lio em seu artigo de 2010.</p>     <p>Em linhas gerais, podemos depreender da proposta de Rocha  (1998) que   o morfema <i>-eiro</i>, agentivo ou n&atilde;o, tem sempre o seu significado definido  pela   rela&ccedil;&atilde;o que estabelece com a base. Apesar disso, h&aacute; algumas  classifica&ccedil;&otilde;es que   parecem n&atilde;o estar em sintonia com os exemplos. Reiteramos,  por exemplo, o   caso de <i>berreiro </i>como uma no&ccedil;&atilde;o coletiva.</p>     <p>Outros exemplos da proposta do autor que parecem n&atilde;o  satisfazer a sua   pr&oacute;pria classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; <i>cafeteira </i>como <i>recipiente </i>e n&atilde;o como <i>objeto. </i>Ou ainda   como <i>objeto de uso</i>, nos conformes de Cunha &amp; Cintra (1998), considerando   que se trata de um objeto mais funcional/produtor do que  armazenador.<sup><a href="#7a" name="7b">7</a></sup> Por sua  vez, podemos entender que os termos <i>aguaceiro,  nevoeiro </i>e <i>berreiro </i>estariam   mais bem categorizados se o autor considerasse uma  classifica&ccedil;&atilde;o com ideia   de &laquo;intensidade, ac&uacute;mulo e aumento&raquo;, como feito por Cunha  &amp; Cintra (1998).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda que mencione a forma&ccedil;&atilde;o <i>cobreiro </i>com  acep&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a, Rocha   (1998) n&atilde;o classifica como uma categoria de significa&ccedil;&atilde;o.  Entretanto, h&aacute; forma&ccedil;&otilde;es   como <i>unheiro</i>, <i>olheira</i>, <i>bicheira</i>, entre outras que, mais a frente, ser&atilde;o   categorizadas neste trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.  O tratamento nas gram&aacute;ticas hist&oacute;ricas</b></p>     <p>As gram&aacute;ticas hist&oacute;ricas s&atilde;o caracterizadas por descrever  uma l&iacute;ngua em   seu car&aacute;ter evolutivo, podendo tratar de apenas um aspecto,  como a sintaxe   ou a fonologia. Destacamos aqui as gram&aacute;ticas de Said Ali  (1964) e de Nunes   (1969), que, por se dedicarem, em parte, ao estudo da  morfologia, discorreram   sobre a evolu&ccedil;&atilde;o de morfemas derivacionais, como o <i>-eiro</i>.</p>     <p>Said Ali (1964) tamb&eacute;m aponta o <i>-eiro </i>como uma evolu&ccedil;&atilde;o do  sufixo <i>-ariu</i>   do latim cl&aacute;ssico, que teria se processado atrav&eacute;s da  seguinte evolu&ccedil;&atilde;o f&ocirc;nica:   <i>-ariu </i>&gt; <i>-airu </i>&gt; -<i>eiro</i>. O autor sinaliza a  n&atilde;o exist&ecirc;ncia de palavras formadas   com o sufixo <i>-airo, </i>mas ressalva que, no portugu&ecirc;s antigo, h&aacute; registros dessa   etapa evolutiva em palavras como <i>sudairo, contrairo, fadairo, vigairo, boticairo</i>,   entre outras. Posteriormente, sob a influ&ecirc;ncia erudita,  essas palavras em -<i>airo</i>   voltaram a assumir a forma primitiva em <i>-</i>&aacute;rio, sendo esse sufixo capaz de  novamente   apresentar alguma produtividade; s&atilde;o exemplos: <i>monet&aacute;rio, mostru&aacute;rio,</i>   <i>avi&aacute;rio, funcion&aacute;rio, hor&aacute;rio, fracion&aacute;rio.</i></p>     <p>No portugu&ecirc;s arcaico, sufixo <i>-eiro </i>come&ccedil;a a ser muito  produtivo na forma&ccedil;&atilde;o   de nomes que caracterizam homens e mulheres pelos seus  of&iacute;cios: <i>pedreiro, barbeiro,</i>   <i>peixeiro, lavadeira, parteira, relojoeiro, </i>entre outros. H&aacute; modifica&ccedil;&atilde;o dos sentidos   que esses nomes teriam inicialmente. Por exemplo, <i>pedreiro </i>n&atilde;o &eacute; um  homem que   trabalha com <i>pedras</i>, mas um profissional que executa servi&ccedil;os de constru&ccedil;&atilde;o de   muros e paredes de <i>pedra </i>ou ainda, um <i>caixeiro </i>n&atilde;o &eacute; um homem que se ocupa de <i>caixas</i>, mas aquele que  vende produtos fora do seu local de fabrica&ccedil;&atilde;o, o chamado <i>caixeiro-viajante</i>. Dessa  forma, h&aacute; uma altera&ccedil;&atilde;o na par&aacute;frase que antes era feita   diretamente como em <i>barbeiro </i>(&laquo;homem que trabalha fazendo barba&raquo;).</p>     <p>Said Ali, embora n&atilde;o estabele&ccedil;a uma rela&ccedil;&atilde;o entre o uso  primitivo do <i>-</i>&aacute;riu   como formador de adjetivos e o -<i>eiro</i>, esclarece que  muitos nomes como esse sufixo s&atilde;o <i>qualificadores  (foreiro, verdadeiro, campeiro, dianteiro), </i>bem  como ocorre   com o <i>-&aacute;rio (origin&aacute;rio,  ordin&aacute;rio, di&aacute;rio, prec&aacute;rio</i>)<i>.</i></p>     <p>O autor ainda apresenta a possibilidade de serem encontrados  v&aacute;rios nomes   de plantas e arbustos com o sufixo <i>-eiro </i>ou <i>-eira</i>, cuja aplica&ccedil;&atilde;o  dependeria do   g&ecirc;nero do nome primitivo. Por exemplo, de uma palavra  feminina como <i>manga</i>   deriva-se <i>mangueira</i>, assim como de uma palavra masculina como <i>ju&aacute;</i>, deriva-se   <i>juazeiro</i>. Exce&ccedil;&atilde;o  seria <i>figueira</i>, feminino derivado do masculino <i>figo</i>, por&eacute;m,   em latim <i>ficus, i </i>(&laquo;figo&raquo;, &laquo;figueira&raquo;), era um substantivo feminino, o que  valida   a tese de que o g&ecirc;nero do produto relaciona-se  intrinsecamente com o g&ecirc;nero   da base, nas forma&ccedil;&otilde;es em <i>-eiro.</i></p>     <p>O autor destaca o surgimento de voc&aacute;bulos, como <i>charuteira e paliteiro</i>   (recipientes), <i>galinheiro </i>e <i>coelheira </i>(lugar onde se guardam animais) e <i>pulseira</i>   <i>e mosqueteiro </i>(objetos  de uso).</p>     <p>De uma forma geral, os dados levantados por Said Ali (1964),  quando ainda   nem se pensava em portugu&ecirc;s brasileiro (PB), j&aacute; contemplam  quase todas   as classifica&ccedil;&otilde;es estabelecidas por Rocha (1998) para o PB.  Essa classifica&ccedil;&atilde;o   morfossem&acirc;ntica n&atilde;o aparece na descri&ccedil;&atilde;o estabelecida por  Nunes (1969).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nunes (1969), dentro do cap&iacute;tulo sobre forma&ccedil;&atilde;o de palavras,  coloca o   morfema <i>-eiro </i>junto ao <i>-deiro</i>, esclarecendo que ambos s&atilde;o oriundos do <i>-ariu</i>   latino, e podem operar tanto com temas nominais quanto  verbais, podendo   designar <i>profiss&otilde;es,  instrumentos, lugar, aglomera&ccedil;&atilde;o </i>e <i>&aacute;rvores </i>ou <i>arbustos</i>.</p>     <p>A separa&ccedil;&atilde;o entre -<i>eiro </i>e <i>-deiro </i>por Nunes (1969) parece ser uma forma de   lidar com a possibilidade de um mesmo morfema <i>-eiro </i>operar com categorias   diferentes. Esse <i>d </i>no morfema <i>-deiro </i>parece estar relacionado ao partic&iacute;pio   verbal, como em <i>gelado </i>do verbo <i>gelar, </i>uma vez que na forma&ccedil;&atilde;o se preserva   tamb&eacute;m a vogal tem&aacute;tica original da base verbal.<sup><a href="#8a" name="8b">8</a></sup>  Nessa perspectiva, o morfema <i>-deiro </i>se juntaria ao verbo <i>gelar </i>e formaria <i>geladeira</i>, por  exemplo, n&atilde;o ocorrendo   a soma do morfema <i>-eiro </i>ao partic&iacute;pio <i>gelado</i>.</p>       <p>Ressaltamos, no entanto, que &agrave; &eacute;poca da publica&ccedil;&atilde;o de Nunes  (1969), a   perspectiva de an&aacute;lise era somente descritiva, n&atilde;o se  importando em explicar   as opera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas concernentes a cada morfema  derivacional. Por&eacute;m,   ainda existem autores de morfologia do portugu&ecirc;s que, ainda,  atualmente   consideram a exist&ecirc;ncia do sufixo <i>-deiro(a)</i>, sendo  esse aspecto motivo de controv&eacute;rsias   e debates.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.  O </b><b><i>-eiro </i></b><b>no  portugu&ecirc;s arcaico</b></p>     <p>Em sua investiga&ccedil;&atilde;o sobre a deriva&ccedil;&atilde;o sufixal no portugu&ecirc;s  arcaico, Soledade   (2005) encontrou dados com os morfemas <i>-</i>&aacute;rio e <i>-eiro, </i>sufixos divergentes   origin&aacute;rios do <i>-arius </i>latino. A autora sinaliza que o morfema <i>-eir- </i>adquiriu, j&aacute;   nesse per&iacute;odo, uma autonomia e produtividade que o <i>-</i>&aacute;rio, descendente direto   da forma original latina, n&atilde;o conseguiu. Foram encontradas  as seguintes acep&ccedil;&otilde;es para o morfema <i>-eir-</i>:<sup><a href="#9a" name="9b">9</a></sup></p> <ul type="disc">     <li><b>  Agente</b>: <i>armeiro,  barbeiro, caleiro, &ccedil;apateiro,<sup><a href="#10a" name="10b">10</a></sup> archeiros, arteiro, beesteiros, camareiro, carpinteiros.</i></li>     <li><b>  Adjetivo</b>: <i>certeiro,  duradeiro, faagueyro, falseyro, mentireiro, derradeiro, ligeiro, praceiro.</i></li>     <li><b>  Locativo</b>: <i>pesqueyra,  cabeceira, carreira, catiueyro, celeiro, rribeira, galinheiros, terreiros.</i></li>     <li><b>  Instrumentos</b>: <i>aguardeira,  bandeira, caldeira, candeeiro, fogueira, topeteira,   traseira.</i></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><b>&Aacute;rvore ou arbusto</b>: <i>figueira,  maceeyra, oliveiras.</i></li>     </ul>     <p>Organizamos os dados acima de uma maneira diferente da  apresentada por   Soledade (2005). Colocamos em ordem de produtividade no <i>corpus </i>analisado   pela autora. Isso nos permite tanto visualizar a descri&ccedil;&atilde;o  feita por Said Ali   (1964) -sobre a intensa ocorr&ecirc;ncia do <i>-eir- </i>agentivo para o  portugu&ecirc;s da &eacute;poca- quanto aproximar os dados do portugu&ecirc;s arcaico com os do  portugu&ecirc;s mais   contempor&acirc;neo, visto em Rocha (1998), de forma a concluir  que o <i>-eir- </i>agentivo   parece ter sido o mais produtivo na hist&oacute;ria da l&iacute;ngua.</p>       <p>Soledade (2005) conclui que o <i>-eir- &eacute; </i>o mais  portugu&ecirc;s de todos os sufixos. Isso se revela na diferen&ccedil;a percentual entre as formas <i>-eiro/-eira </i>derivadas  do   latim e as derivadas do portugu&ecirc;s. De 200 palavras em <i>-eir- </i>encontradas pela   autora, apenas 27 s&atilde;o formas dissidentes ou derivadas do  latim, perfazendo   13% das deriva&ccedil;&otilde;es com esse morfema.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>6.  A constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do morfema </b><b><i>-eiro </i></b><b>agentivo</b></p>       <p>Viaro (2011) investiga a trajet&oacute;ria do morfema <i>-eiro </i>desde o seu  surgimento   ainda no latim (<i>-ariu</i>), quando, segundo o autor, era essencialmente um formador   de adjetivos. Por&eacute;m, o fato de adjetivos e substantivos  compartilharem   algumas propriedades morfol&oacute;gicas, e at&eacute; mesmo sint&aacute;ticas,  colaborou para   que outras par&aacute;frases fossem admitidas a partir do morfema <i>-eiro </i>ou <i>-arius</i>, em   se tratando da l&iacute;ngua latina. Consequentemente, outros  sentidos come&ccedil;aram   a ser depreendidos do morfema.</p>       <p>Pela proximidade morfossint&aacute;tica entre substantivo e  adjetivo, a primeira   <i>nova </i>par&aacute;frase para o  morfema <i>-eiro </i>foi, segundo Viaro (2011), a designa&ccedil;&atilde;o de   agente. Em casos como esses, Bas&iacute;lio (2011) postula que o  substantivo tem a   fun&ccedil;&atilde;o de designar os seres, ao passo que os adjetivos  servem para qualific&aacute;-los. No entanto, destaca a autora que uma das formas mais comuns  de designar   um ser &eacute; qualificando-o. Prova disso &eacute; que alguns nomes  agentivos profissionais   ou qualificadores foram incorporados ao sistema  antropon&iacute;mico como   sobrenomes no per&iacute;odo arcaico (p. ex.: <i>ferreiro </i>(&gt;<i>Ferreira</i>)). Outro  argumento   em favor dessa tese &eacute; apresentado por Viaro (2011) quando  indica que certos   nomes (como <i>estrangeiro</i>) possuem a possibilidade de serem empregados tanto   como um substantivo quanto como um adjetivo, o que pode ser  observado no   contraste das senten&ccedil;as em (<a href="#06c">06</a>) e (<a href="#07c">07</a>):</p>       <blockquote>         <p>(<a name="06c">06</a>)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	Foram presos os acusados de estuprar estrangeira. (Wordpress  Jornalismo       Contempor&acirc;neo)</p>         <p>(<a name="07c">07</a>)    <br> 	As empresas estrangeiras registram o capital que investem no  pa&iacute;s. (Site       Revista Exame)</p>   </blockquote>       <p>Na senten&ccedil;a em (<a href="#06c">06</a>), mas n&atilde;o em (<a href="#07c">07</a>), o termo <i>estrangeira </i>&eacute; o  n&uacute;cleo do   sintagma nominal que exerce a fun&ccedil;&atilde;o de objeto do verbo, e  um adjetivo nunca &eacute;   n&uacute;cleo de um sintagma nominal. O termo <i>estrangeira</i>, em  (<a href="#06c">06</a>), designa a mulher   que n&atilde;o pertence a uma determinada nacionalidade, j&aacute; em  (<a href="#07c">07</a>), o termo <i>estrangeiras</i> n&atilde;o funciona como n&uacute;cleo do sintagma, apenas aparecendo  adjungido ao n&uacute;cleo   <i>empresas</i>,  exercendo uma atribui&ccedil;&atilde;o qualificadora, por assim dizer.</p>       <p>Ainda em (<a href="#06c">06</a>), observamos que o termo <i>estrangeira </i>pode  remontar a um n&uacute;cleo   omitido <i>mulher.</i><sup><a href="#11a" name="11b">11</a></sup>  Nesse exemplo, ainda somos capazes de fazer esse tipo de   redirecionamento, mas em outros casos, essa possibilidade se  perde. Como bem   observa Viaro (2011) a palavra <i>cozinheiro</i>, cujo  emprego original era adjetivo   &laquo;<i>relativo &agrave; cozinha</i>&raquo;, pressupunha um <i>servo  cozinheiro</i>. No entanto, ao longo do   tempo, o termo <i>servo </i>se perde e <i>cozinheiro</i>, por si  s&oacute;, passa a ser o nome designador   para a &laquo;<i>pessoa  que trabalha na cozinha</i>&raquo;. Dessa proximidade  morfossint&aacute;tica &eacute;   que, segundo esse autor, se justifica o fato de o sufixo  formador de adjetivos logo   ter se direcionado para a forma&ccedil;&atilde;o de substantivos.</p>       <p>Seguindo essa linha sobre a constru&ccedil;&atilde;o da agentividade,  Viaro (2011) discute   a possibilidade de o morfema <i>-eiro </i>agentivo  ter dado origem ao <i>-eiro/-eira </i>atributivo   &agrave; &aacute;rvores e arbustos. Autores como Bas&iacute;lio (2011) mencionam  a possibilidade   de ocorr&ecirc;ncia do <i>-eiro </i>na forma&ccedil;&atilde;o de &laquo;<i>agentes</i>&raquo; <i>vegetais</i>. O uso  das aspas em   <i>agentes, </i>encontrado  no livro da referida autora, nos permite pensar a respeito da   terminologia <i>agente </i>para esse caso<i>.</i></p>       <p>Viaro (2011) paraleliza essa discuss&atilde;o, mostrando a  possibilidade de, por   exemplo, o <i>abacateiro </i>ser <i>uma  &aacute;rvore que produz abacate</i>, da mesma forma que   uma <i>doceira </i>&eacute; <i>uma  mulher que faz doce. </i>Dentro dessas par&aacute;frases, a aproxima&ccedil;&atilde;o   sem&acirc;ntica de verbos centrais como <i>produzir </i>e <i>fazer </i>nos  permitiria considerar que   temos agentes nos dois casos. O autor prefere, no entanto,  assumir a ideia de que o   agente deve ser um ser vivo animado, ou seja, um animal e,  prototipicamente, um   ser humano, pois esse contempla a ideia de que o agente &eacute;  aquele que faz uma a&ccedil;&atilde;o   de maneira deliberada. Dessa forma, uma &aacute;rvore, para Viaro,  n&atilde;o contemplaria a   classifica&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o &eacute; um animal, ou ser vivo que pode  executar deliberadamente   uma a&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>Cumpre destacar que essa op&ccedil;&atilde;o do autor contraria o  entendimento de que   as diversas acep&ccedil;&otilde;es de <i>-eir- </i>s&atilde;o muito mais  interligadas do que possa parecer.</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de agente, no sentido ampliado: &laquo;aquele ou aquilo  que produz/faz/   realiza algo&raquo; unifica v&aacute;rias especifica&ccedil;&otilde;es do sufixo como  agente profissional   (<i>pedreiro</i>), agente habitual (<i>fofoqueiro</i>), agente natural/vegetal (<i>figueira</i>) e objeto   agente (<i>batedeira</i>). Essa aproxima&ccedil;&atilde;o permite entender que o sufixo <i>-eir- </i>apresenta   uma rede interligada de significa&ccedil;&atilde;o, que fornece evid&ecirc;ncias  para diferentes   n&iacute;veis de generaliza&ccedil;&atilde;o e graus de abstra&ccedil;&atilde;o, constituindo a  sua polissemia.</p>     <p><i>6.1. A altera&ccedil;&atilde;o das par&aacute;frases no morfema -eir-</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As par&aacute;frases, como as j&aacute; apresentadas na se&ccedil;&atilde;o anterior,  s&atilde;o recursos para   detalhar os sentidos dos morfemas dos voc&aacute;bulos, a partir de  uma composi&ccedil;&atilde;o   sem&acirc;ntica entre base e afixos. Vejamos os exemplos de (<a href="#08c">08</a>) a  (<a href="#11c">11</a>):</p>     <blockquote>       <p>(<a name="08c">08</a>)    <br> <i>Doceira </i>- Aquela que <i>faz  doce</i>.</p>       <p>(<a name="09c">09</a>)    <br> <i>Cozinheiro </i>- Aquele que <i>trabalha </i>na <i>cozinha</i></p>       <p>(<a name="10c">10</a>)    <br> <i>Sapateiro </i>- Aquele que <i>conserta  sapatos</i></p>       <p>(<a name="11c">11</a>)    <br> <i>Mensageiro </i>- Aquele que <i>entrega  mensagens</i></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No exemplo em (<a href="#08c">08</a>), temos o valor protot&iacute;pico de  significa&ccedil;&atilde;o do -<i>eiro</i> agentivo profissional. A par&aacute;frase &eacute; direta, pois o sufixo  logo se estabelece com   a base: &laquo;a pessoa que faz&raquo; (informa&ccedil;&atilde;o do sufixo) e &laquo;doce&raquo;  (informa&ccedil;&atilde;o da base). A partir de (<a href="#09c">09</a>), percebemos uma altera&ccedil;&atilde;o na par&aacute;frase, a  partir do momento   em que o verbo <i>fazer </i>j&aacute; n&atilde;o se integra. A ideia passa a ser de ocupa&ccedil;&atilde;o com   a entrada do verbo <i>trabalhar. </i>Em (<a href="#10c">10</a>) e (<a href="#11c">11</a>), observamos que j&aacute; n&atilde;o  lidamos   com verbos gen&eacute;ricos de fun&ccedil;&atilde;o, ocupa&ccedil;&atilde;o ou atividade, como <i>fazer</i>, <i>trabalhar</i>   e <i>produzir</i>. Mas, para Viaro (2011), nesses exemplos h&aacute; um elemento  omitido   na par&aacute;frase, que tamb&eacute;m poderia estar oculto no exemplo em  (<a href="#08c">08</a>). Vejamos   como remontamos essas par&aacute;frases, &agrave; luz das ideias do autor:</p>     <blockquote>       <p>(<a name="12c">12</a>)    <br> <i>Doceira </i>- Aquela que <i>trabalha </i>fazendo doces</p>       <p>(<a name="13c">13</a>)    <br> <i>Sapateiro </i>- Aquele que <i>trabalha </i>consertando sapatos.</p>       <p>(<a name="14c">14</a>)    <br> <i>Mensageiro </i>- Aquele que <i>trabalha </i>entregando mensagens.</p> </blockquote>     <p>Nos exemplos de (<a href="#12c">12</a>) a (<a href="#14c">14</a>), destacamos o verbo <i>trabalha</i>, que,  segundo Viaro   (2011), estaria omitido nas par&aacute;frases do <i>-eir- agentivo</i>. Ainda  para o autor, essa   omiss&atilde;o apareceria em casos como <i>roqueiro</i>, que  pode ser <i>a pessoa que trabalha tocando  rock</i>. Entretanto, talvez pelo potencial  poliss&ecirc;mico de toda palavra, a leitura   que fazemos do <i>-eiro </i>em <i>roqueiro </i>parece mais satisfat&oacute;ria no exemplo em  (<a href="#15c">15</a>):</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a name="15c">15</a>)    <br> Igrejas para <i>roqueiros </i>atraem fieis com liberdade, m&uacute;sica  pesada e mensagens     do Evangelho. (Portal de Not&iacute;cias Gospel Mais)</p> </blockquote>     <p>Em (<a href="#15c">15</a>), observamos que o termo <i>roqueiros </i>n&atilde;o diz  respeito a uma ocupa&ccedil;&atilde;o   propriamente dita, mas a um gosto ou estilo pessoal, da  mesma forma que   <i>pagodeiros</i>, <i>funkeiros </i>e <i>sambistas</i>.</p>     <p><i>6.2. Aspecto avaliativo do morfema -eir-</i></p>     <p>Viaro (2011) observa a altera&ccedil;&atilde;o de sentido n&atilde;o s&oacute; na  constru&ccedil;&atilde;o das par&aacute;frases,   mas tamb&eacute;m na possibilidade de o morfema <i>-eiro </i>estar atrelado ao  ju&iacute;zo   de valor. Termos como <i>noveleiro</i>, segundo o autor, teriam um tra&ccedil;o pejorativo,   pois enfatizam uma m&aacute; produ&ccedil;&atilde;o ou comportamento rid&iacute;culo do  agente.</p>     <p>O autor observa que essas constru&ccedil;&otilde;es sempre existiram na  l&iacute;ngua:</p>     <blockquote>       <p><i>mexeriqueiro </i>(XV)<i>, noveleiro, aventureiro </i>(XVI)<i>, trapaceiro, lambisqueiro, embusteiro</i> (XVII)<i>, galhofeiro, bisbilhoteiro, caloteiro, festeiro </i>(XVIII)<i>, cachaceiro, pagodeiro, beijoqueiro,</i>     <i>arruaceiro, politiqueiro, ordeiro, novidadeiro, taberneiro </i>(XIX)<i>, bagunceiro, cambalacheiro,</i>     <i>biscateiro, barraqueiro, batuqueiro, loroteiro, fofoqueiro,  encrenqueiro, maconheiro,</i>     <i>metaleiro </i>(XX)<i>. </i>Acres&ccedil;am-se a essas palavras tamb&eacute;m <i>forrozeiro, punheteiro, mochileiro,</i>     <i>baderneiro, mutreteiro, trambiqueiro, fuxiqueiro, truqueiro </i>(Viaro, 2011).</p> </blockquote>     <p>Essas informa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas nos permitem refutar o que  disse Rocha (1998)   sobre o fato de o morfema -<i>eiro </i>n&atilde;o se somar a bases abstratas. Os  exemplos acima   permitem constatar que essa hip&oacute;tese &eacute; invalidada tanto na  perspectiva sincr&ocirc;nica   quanto diacr&ocirc;nica. Quanto ao elemento valorativo nessas  constru&ccedil;&otilde;es,   Viaro (2011) acredita que ele est&aacute; ligado &agrave; intoler&acirc;ncia &agrave;  repeti&ccedil;&atilde;o, sobretudo   pelos atos designados por essas bases. Essa ideia de ato que  se repete &eacute; observada   em outras constru&ccedil;&otilde;es que apresentam ato iterativo e  normalmente ocorre com   bases participiais, tais quais as constru&ccedil;&otilde;es de (<a href="#02c">02</a>) <i>comedeira </i>a (<a href="#04c">04</a>) <i>tremedeira</i>. Outro fato que corrobora a compreens&atilde;o de um aspecto  avaliativo (pejorativo   ou apreciativo) no morfema <i>-eir </i>pode ser encontrado quando relacionado   ao valor genitivo (posse) que pode lhe ser atribu&iacute;do. Por  exemplo, observemos   os pares <i>fazendeiro </i>e <i>interesseiro</i>. Em ambos, observamos que a ideia &eacute; de   uma pessoa que tem alguma coisa. No primeiro caso, <i>fazenda </i>e, no  segundo,   <i>interesse</i>. Mas, no  segundo, chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para o valor de &laquo;hip&eacute;rbole&raquo; e &laquo;frequ&ecirc;ncia&raquo; que o  primeiro n&atilde;o tem, o que subtrai deste o valor &laquo;pejorativo&raquo;. Nesse caso, <i>fazendeiro </i>seria uma pessoa que tem fazendas e <i>interesseiro</i>, aquele   que tem <i>muito </i>interesse -ou um interesse socialmente conden&aacute;vel- nas  coisas.</p>     <p>Soledade (2013: 26), acerca do car&aacute;ter pejorativo do sufixo  -<i>eir</i>-,  indica que   n&atilde;o se pode afirmar que este j&aacute; estivesse presente no  portugu&ecirc;s arcaico:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>As  instancia&ccedil;&otilde;es que apresentam uma no&ccedil;&atilde;o depreciativa devem esse aspecto &agrave;     sem&acirc;ntica  da base e n&atilde;o do sufixo: (p.ex.: <i>aguireiro</i>, <i>fasleiro, mentireiro, usureiro</i>). Em  bases neutras, (como <i>braceiro </i>&laquo;vir&iacute;l,  forte&raquo;; <i>praceiro </i>&laquo;soci&aacute;vel&raquo;)  observa-se     inclusive  o valor apreciativo, tamb&eacute;m, obviamente comum em bases com essa     natureza  (<i>certeiro, justiceiro, sabedeiro, verdadeiro,  vertudeiro</i>). No que se refere aos     empregos  substantivos referentes a agentes profissionais, vale ressaltar que no PA     n&atilde;o  h&aacute; registro de forma&ccedil;&otilde;es em <i>-ista </i>(sufixo  que ser&aacute; introduzido posteriormente     no  portugu&ecirc;s). Assim, <i>-dor </i>e <i>-eir- </i>concorriam  para produzir instancia&ccedil;&otilde;es dessa     natureza,  sendo os primeiros empregados para forma&ccedil;&otilde;es cuja base &eacute; um verbo e o     segundo  para forma&ccedil;&otilde;es cuja base &eacute; um substantivo, os usos desses dois sufixos no     PA  n&atilde;o parece lincenciar nenhuma tipo de infer&ecirc;ncia quanto a um suposto valor     pejorativo  de <i>-eir-, </i>haja  vista que profiss&otilde;es de relativo prest&iacute;gio eram designadas por     instancia&ccedil;&otilde;es  com esse sufixo (p. ex.: <i>albergueyro;  cavaleiro; despenseiro; mercadeiro;</i>     <i>pessoeiro; pousadeiro</i>)<sup><a href="#12a" name="12b">12</a></sup>.</p> </blockquote>     <p>Assim, uma hip&oacute;tese para o crescente car&aacute;ter  avaliativo/pejorativo/l&uacute;dico   do sufixo <i>-eir- </i>pode estar na rela&ccedil;&atilde;o de concorr&ecirc;ncia deste com o sufixo -<i>ista</i>   (em forma&ccedil;&otilde;es agentivas), que s&oacute; veio a se acirrar ap&oacute;s o  per&iacute;odo arcaico da l&iacute;ngua portuguesa.</p>     <p>Em face desses exemplos, herdamos muitas palavras em <i>-eir</i>- desprovidas de   pejoratividade, o que possibilita que falantes atuais  possuam modelos do sufixo   sendo empregados tanto com valor apreciativo quanto com  valor depreciativo,   e n&atilde;o h&aacute; como, com os dados de que dispomos, afirmar que h&aacute;  prevalecimento   de um sobre o outro.</p>     <p>&Agrave; luz da proximidade entre adjetivo e substantivo e das  no&ccedil;&otilde;es de valora&ccedil;&atilde;o,   atestada na se&ccedil;&atilde;o imediatamente anterior e nesta, discutamos  os seguintes   exemplos:</p>     <blockquote>       <p>(<a name="16c">16</a>)    <br> <i>Iveteiros </i>v&atilde;o ao del&iacute;rio com trio da musa. (Site Terra)</p>       <p>(<a name="17c">17</a>)    <br> Os <i>marxistas </i>devem reivindicar a sa&iacute;da de Feliciano da CDHM (...). (Site     M&iacute;dia Independente)</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a name="18c">18</a>)    <br> O problema desses &laquo;an&atilde;os&raquo; (Se voc&ecirc; n&atilde;o entendeu a  rela&ccedil;&atilde;o, por favor,     aumente o volume do seu CD do Restart) &eacute; que eles, assim  como os <i>clariceiros</i> s&oacute; t&atilde;o nessa onda para serem cool, mas que eles realmente s&oacute;  t&atilde;o fazendo     papel de idiota. (Site Class Jokers)</p>       <p>(<a name="19c">19</a>)    <br> A linguagem teatral na obra <i>clariceana. </i>(T&iacute;tulo  de artigo do Prof. Dr. Andr&eacute;     Luis Gomes da UnB)</p>       <p>(<a name="20c">20</a>)    <br> E tenho uma pregui&ccedil;a <i>galcosteira </i>de pensar nesses tr&acirc;mites. (Site Bahia     Not&iacute;cias)</p>       <p>(<a name="21c">21</a>)    <br> Acho que essa hist&oacute;ria, ainda que guarde um certo ar  folcl&oacute;rico da decantada     pregui&ccedil;a <i>caymmiana</i>, revela com precis&atilde;o, n&atilde;o a pregui&ccedil;a perniciosa,  pecaminosa,     mas o contr&aacute;rio disso, o requinte da incorpora&ccedil;&atilde;o &agrave; vida  cotidiana     (...). <i>(Ata da Assembleia  Legislativa da Bahia)</i></p> </blockquote>     <p>Nos dados em (<a href="#16c">16</a>) e (<a href="#17c">17</a>), observamos um paralelo entre as  forma&ccedil;&otilde;es em <i>-eiro </i>e <i>-ista</i>, concorrentes para a  forma&ccedil;&atilde;o de agentivos a partir de substantivos.   Ambos os casos apresentam a ideia de <i>seguidor ou adepto de alguma filosofia,</i>   <i>pensador, artista</i>.  Entretanto, notemos que h&aacute; um tom mais l&uacute;dico na forma&ccedil;&atilde;o <i>iveteiros </i>em (<a href="#16c">16</a>),  em contraponto a uma ideia mais engajada da forma&ccedil;&atilde;o <i>marxistas</i> em (<a href="#17c">17</a>), que, por sua vez, tem rela&ccedil;&atilde;o direta com a natureza  sem&acirc;ntica   das bases que um e outro sufixo selecionam.<sup><a href="#13a" name="13b">13</a></sup></p>       <p>Uma forma&ccedil;&atilde;o em <i>-eiro </i>parece sofrer restri&ccedil;&otilde;es discursivas (cf. Rocha,   1998) em contextos onde se espera menos ludismo, o que &eacute;  expressado pela   informa&ccedil;&atilde;o da base.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa ideia pode ser constatada tamb&eacute;m no paralelo entre <i>clariceiro </i>em (<a href="#18c">18</a>)   e <i>clariceana </i>em (<a href="#19c">19</a>)<i>. </i>O primeiro &eacute; um substantivo que designa aqueles que   gostam de Clarice Lispector, ao passo que o segundo &eacute; um  adjetivo que denota   uma refer&ecirc;ncia para o termo <i>obra</i>, n&uacute;cleo do sintagma  nominal. Notemos que uma forma&ccedil;&atilde;o como <i>clariceana </i>parece acontecer com mais facilidade no   discurso acad&ecirc;mico, da mesma maneira que forma&ccedil;&otilde;es em <i>-eir- </i>tendem a n&atilde;o   ser realizadas. Prova disso s&atilde;o exemplos como <i>saussuriana, chomskyano</i>, <i>estruturalista</i> e <i>gerativista</i>, n&atilde;o se consagrando formas aparentemente pejorativas,   como *<i>estruturaleiro </i>ou *<i>chomskeiro</i>.</p>       <p>Entendemos que h&aacute; uma valora&ccedil;&atilde;o nos termos em <i>-eir-</i>, principalmente se   comparados a outros morfemas concorrentes. Outro exemplo  disso &eacute; a competi&ccedil;&atilde;o   das formas <i>candomblecista </i>e <i>candomblezeiro</i>. N&atilde;o citamos aqui o caso de <i>taxista </i>ou <i>taxeiro</i>, pois a depender do  contexto regional, elas podem ser neutras,   mas em se tratando de <i>candombl&eacute;</i>, uma religi&atilde;o, um dogma, o morfema <i>-eir- </i>atribuir   o tal valor pejorativo. Por&eacute;m, destacamos tamb&eacute;m que, muitas  vezes,   quando n&atilde;o h&aacute; concorr&ecirc;ncia de sufixos, o valor pejorativo j&aacute;  est&aacute; expresso na   pr&oacute;pria base, como <i>fuxiqueiro</i>, que n&atilde;o tem uma forma concorrente *<i>fuxiquista</i>.</p>       <p>Por fim, apenas em car&aacute;ter de refor&ccedil;o, criamos um paralelo  entre duas   forma&ccedil;&otilde;es de adjetivos que se referem ao mesmo nome <i>pregui&ccedil;a </i>em (<a href="#20c">20</a>) e  (<a href="#21c">21</a>).   Em (<a href="#20c">20</a>), a forma&ccedil;&atilde;o <i>galcosteira </i>nos parece ter um car&aacute;ter mais  pejorativo que   a forma&ccedil;&atilde;o <i>caymmiana </i>em (<a href="#21c">21</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>5.  Considera&ccedil;&otilde;es parciais sobre revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica</b></p>       <p>De maneira geral, observamos at&eacute; aqui que o morfema <i>-eir- </i>aparece,  prototipicamente,   em constru&ccedil;&otilde;es de seres agentivos, mais especificamente,  agentivos   profissionais e habituais. Tanto a diacronia quanto a  sincronia revelam essa   tend&ecirc;ncia. A perspectiva sincr&ocirc;nica nos permite visualizar  que o morfema <i>-eir</i>- tem   um alto &iacute;ndice de aplicabilidade morfol&oacute;gica e possibilidade  sem&acirc;ntica.   J&aacute; a perspectiva diacr&ocirc;nica permite perceber que essa gama  de significa&ccedil;&otilde;es j&aacute;   existia em outros per&iacute;odos da LP, n&atilde;o sendo uma caracter&iacute;stica  particular do   portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo.</p>       <p>Feita toda a revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, a partir da pr&oacute;xima  se&ccedil;&atilde;o, apresentaremos   alguns dados do nosso <i>corpus </i>constitu&iacute;do e o nosso quadro de an&aacute;lises.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>6.  Metodologia de pesquisa</b></p>       <p>Levantamos para este trabalho 260 palavras com o morfema <i>-eir-</i>. Procuramos   nos certificar da exist&ecirc;ncia delas, usando n&atilde;o s&oacute;  dicion&aacute;rios, como o Ferreira   (2008) e o Houaiss e Villar (2009), mas tamb&eacute;m consultando a  realiza&ccedil;&atilde;o dessas constru&ccedil;&otilde;es na Internet, o que inclui redes sociais (<i>Twitter, Facebook </i>e   afins) e resultados de sites de busca, como o <i>Google</i>. Al&eacute;m disso,  recolhemos   alguns exemplos dos textos-base e informa&ccedil;&otilde;es junto a outros  falantes, pois o   levantamento das palavras se baseou, majoritariamente, na  nossa experi&ecirc;ncia,   intui&ccedil;&atilde;o e conhecimento enciclop&eacute;dico enquanto falantes de  LP.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre as palavras a serem analisadas, destacamos aqui os  exemplos de (<a href="#22c">22</a>)   a (<a href="#33c">33</a>):</p>       <blockquote>         <p>(<a name="22c">22</a>)    <br> Quanto ao chul&eacute;, sigam o meu conselho (para quem,  obviamente, for <i>allstarzeiro </i>como eu):  apliquem o velho e eficaz leite de rosas no p&eacute;. (Wordpress       Jacidio)</p>         <p>(<a name="23c">23</a>)    <br> Eu sou <i>brahmeiro</i>. (Jingle da cerveja Brahma)</p>         <p>(<a name="24c">24</a>)    <br> Porcos d&atilde;o <i>canseira </i>e tiram Ivo Meirelles do s&eacute;rio. (Portal  R7)</p>         <p>(<a name="25c">25</a>)    <br> Quem d&aacute; moral a <i>foveiro </i>&eacute; creme de pele, meu filho. (Twitter)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a name="26c">26</a>)    <br> <i>Mensaleiro </i>&eacute; transferido para unidade semi-intensiva em S&atilde;o Paulo.  (Site       Correio da Bahia)</p>         <p>(<a name="27c">27</a>)    <br> Crian&ccedil;a <i>perguntadeira </i>atrapalha? (Blog do Espa&ccedil;o Dom Quixote)</p>         <p>(<a name="28c">28</a>)    <br> Tive que rir hoje da <i>podreira </i>do Santos. (Twitter)</p>         <p>(<a name="29c">29</a>)    <br> Tenho mesmo de entrar no mundo <i>smartphoneiro</i>. (Fairy Style Wordpress)</p>         <p>(<a name="30c">30</a>)    <br> Novela mexicana &eacute; uma <i>tosqueira</i>. (Twitter)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a name="31c">31</a>)    <br> Que <i>trabalheira </i>pra colocar uma pel&iacute;cula. (Twitter)</p>         <p>(<a name="32c">32</a>)    <br> Odeio a maneira como os <i>tumbleiros </i>sem no&ccedil;&atilde;o  acrescentam frases em       imagens e gifs de filmes e s&eacute;ries com palavras nada a ver.  (Twitter)</p>         <p>(<a name="33c">33</a>)    <br> H&aacute; muito tempo n&atilde;o escrevo uma reda&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica (reda&ccedil;&atilde;o  de <i>vestibuleiro</i>).       (Blog Espa&ccedil;o Foco)</p>   </blockquote>       <p>Na impossibilidade de listarmos aqui todos os novos dados  encontrados,   selecionamos esses que apresentam registros in&eacute;ditos, por  assim dizer, do morfema <i>-eir-</i>, operando com bases  variadas, como substantivos pr&oacute;prios, vistos   nos exemplos em (<a href="#22c">22</a>) e (<a href="#23c">23</a>), com bases verbais, como em (<a href="#27c">27</a>)  ou ainda, com   bases adjetivais como em (<a href="#28c">28</a>) e (<a href="#30c">30</a>).</p>       <p>Al&eacute;m disso, destacamos tamb&eacute;m novos significados que n&atilde;o  apareceram at&eacute;   agora em nenhum dos trabalhos abordados, como o de sensa&ccedil;&atilde;o  ou anomalia,   respectivamente em (<a href="#24c">24</a>) e (<a href="#25c">25</a>), ou ainda usu&aacute;rio (<a href="#23c">23</a>) e (<a href="#29c">29</a>)  e frequentador   habitual (<a href="#32c">32</a>) e (<a href="#33c">33</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>7.  Quadros de an&aacute;lises</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O nosso quadro de an&aacute;lises se dividir&aacute; em duas partes. A  primeira diz   respeito &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es estruturais, a respeito da  morfologia, salientando as   RFPs concernentes ao morfema <i>-eir- </i>atualmente. A segunda  parte ser&aacute; de cunho   sem&acirc;ntico, detalhando as acep&ccedil;&otilde;es encontradas e  quantificando-as.</p>       <p><i>7.1. A an&aacute;lise morfol&oacute;gica</i></p>       <p>Os estudos sobre as RFPs (cf. BAS&Iacute;LIO, 1980; ROCHA, 1998)  apontam   que o morfema <i>-eir- </i>opera sobre bases substantivas e, dessa opera&ccedil;&atilde;o, surgem   outros substantivos. Nos nossos dados, encontramos a  opera&ccedil;&atilde;o do morfema <i>-eir- em </i>outras categorias de base.</p>       <p align="center"><img src="img/revistas/linli/n65/n65a05tab1.gif"><a name="tab1"></a></p>       <p>A <a href="#tab1">Tabela 1</a> mostra que realmente h&aacute; maior produtividade de <i>-eir- </i>sobre   bases substantivas, como em <i>pedra/pedreiro</i>, <i>Ivete/Iveteiro </i>e <i>fofoca/fofoqueiro</i>. N&atilde;o   fizemos, nessa tabela, distin&ccedil;&atilde;o entre os tipos de  substantivos. Esper&aacute;vamos   que a segunda base mais operante fosse a adjetiva, em fun&ccedil;&atilde;o  da proximidade   constatada em v&aacute;rios estudos, mas, diferente disso,  encontramos forma&ccedil;&otilde;es a   partir de verbos em segundo lugar. S&atilde;o casos como <i>cansar/canseira </i>ou <i>batido/</i>   <i>batedeira</i>. Aqui  tamb&eacute;m n&atilde;o fizemos diferen&ccedil;a entre as formas nominais do   verbo. Na categoria <i>Outros</i>, encaixamos elementos de origem desconhecida,   como <i>carpinteiro  (carpinto?)</i>, adv&eacute;rbio (<i>tr&aacute;s/traseiro</i>)<i>, </i>entre outras bases  menos   produtivas.</p>       <p>Na <a href="#tab2">Tabela 2</a>, a seguir, observamos os  tipos de substantivos em que o <i>-eir</i>- opera:</p>       <p align="center"><img src="img/revistas/linli/n65/n65a05tab2.gif"><a name="tab2"></a></p>       <p>Na <a href="#tab2">Tabela 2</a>, consideramos &uacute;nica a categoria <i>concreto/comum</i>, apenas  para   poder tratar do argumento de Rocha (1998) de que o <i>-eir- </i>n&atilde;o opera sobre bases   abstratas ou substantivos abstratos. A categoria <i>pr&oacute;prio </i>contempla  as forma&ccedil;&otilde;es   de gent&iacute;licos (<i>Brasil/brasileiro</i>), usu&aacute;rios de marcas, empresas ou programas de   televis&atilde;o (<i>Brahma/brahmeiro</i>)<i>, </i>f&atilde;s  e seguidores de artistas e bandas (<i>Avi&otilde;es  do</i>   <i>Forr&oacute;/avi&atilde;ozeiro</i>). Na  categoria <i>abstrato</i>, encontramos forma&ccedil;&otilde;es como <i>mexerico/</i>   <i>mexeriqueiro</i>, <i>truque/truqueiro</i>, entre  outras.</p>       <p>Dada a ocorr&ecirc;ncia de opera&ccedil;&otilde;es do morfema <i>-eir- </i>em bases verbais.  Estimamos   na <a href="#tab3">Tabela 3</a> qual forma nominal &eacute; mais <i>saliente </i>para a  deriva&ccedil;&atilde;o. Em   tempo, observamos que as opera&ccedil;&otilde;es com verbos partem sempre  de formas   nominais, aquelas que podem se aproximar de substantivos,  num momento   sint&aacute;tico em que, por exemplo, ocupa a posi&ccedil;&atilde;o de um sujeito,  categoria sint&aacute;tica   quase exclusiva dos substantivos. Exemplo seria &laquo;<i>Fumar </i>faz mal &agrave; sa&uacute;de&raquo; e &laquo;<i>O</i>   <i>cigarro </i>faz mal &agrave;  sa&uacute;de&raquo;. Essa atestada rela&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica entre substantivos   e formas nominais do verbo talvez seja a raz&atilde;o de ser  poss&iacute;vel a opera&ccedil;&atilde;o do   morfema <i>-eir- </i>a verbos.</p>       <p align="center"><img src="img/revistas/linli/n65/n65a05tab3.gif"><a name="tab3"></a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As forma&ccedil;&otilde;es oriundas de partic&iacute;pio s&atilde;o mais produtivas para  a ideia de   iteratividade, como sugere Viaro (2011) para <i>bebedeira </i>(&laquo;bebido&raquo;)  ou ainda   para objetos que servem para realizar certas a&ccedil;&otilde;es como <i>frigideira </i>(&laquo;frigido&raquo;)   ou que praticam certas a&ccedil;&otilde;es como <i>geladeira </i>(&laquo;gelado&raquo;).  As forma&ccedil;&otilde;es a partir   de infinitivos aparecem em <i>zoeira/zoar,  canseira/cansar </i>e <i>corriqueiro/corricar</i>. A   &uacute;nica forma&ccedil;&atilde;o por ger&uacute;ndio &eacute; <i>curandeiro</i>, que  sugerimos ter vindo de <i>curando</i>.</p>       <p>Dessas opera&ccedil;&otilde;es, podemos concluir que h&aacute;, pelo menos, 3  RFPs concernentes   ao morfema <i>-eir- </i>para a forma&ccedil;&atilde;o de substantivos. Se considerarmos a   possibilidade de forma&ccedil;&atilde;o de adjetivos tamb&eacute;m, seriam 6  RFPs. S&atilde;o elas:</p>       <p>&#91;X&#93;<sub>S</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>S</sub> Y&#93; <sub>S</sub> &rarr; <i>banho/banheiro</i>, <i>cinzas/cinzeiro</i>    <br> &#91;X&#93;<sub>V</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>V</sub> Y&#93; <sub>S</sub> &rarr; <i>arrumado/arrumadeira, cansar/canseira</i>    <br> &#91;X&#93;<sub>A</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>A</sub> Y&#93; <sub>S</sub> &rarr; <i>tonto/tonteira , podre/podreira</i>    <br> &#91;X&#93;<sub>S</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>S</sub> Y&#93; <sub>A</sub> &rarr; <i>interesse/interesseiro</i>    <br> &#91;X&#93;<sub>V</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>V</sub> Y&#93; <sub>A</sub> &rarr; <i>corricar/corriqueiro, indagar/indagueira</i>    <br> &#91;X&#93;<sub>A</sub> &rarr; &#91; &#91; X &#93; <sub>A</sub>Y&#93; <sub>A</sub> &rarr; <i>certo/certeiro</i>, <i>grosso/grosseiro</i>.</p>       <p><i>7.2. A an&aacute;lise sem&acirc;ntica</i></p>       <p>Quanto a sua significa&ccedil;&atilde;o, delimitamos dez possibilidades  para o morfema <i>-eiro</i>. S&atilde;o elas:</p>   <ul type="disc">     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><b>Agentivo</b>: Aquele que deliberadamente faz uma  a&ccedil;&atilde;o, isso aporta par&aacute;frases   a partir de verbos como <i>fazer,  trabalhar, produzir, lidar</i>, entre outros.   Al&eacute;m desses, consideramos tamb&eacute;m par&aacute;frases com verbos <i>gostar, usar</i> e <i>ser adepto de</i>, <i>frequentador habitual de</i>. Exemplos dessa classe s&atilde;o <i>sapateiro,</i>   <i>doceira, macumbeiro, roqueiro, forrozeiro, Iveteiro,  Mahaleiro, livreiro</i> e <i>maconheiro</i>.</li>       <li><b>Locativo</b>: Lugar ou recipiente onde se pode  guardar algo. &Eacute; importante   ressaltar que nem sempre se pode considerar o lugar como  recipiente   onde se guarda/reserva alguma coisa. Existem casos em que a  locatividade   est&aacute; relacionada a ideia de &laquo;lugar onde se pratica uma  a&ccedil;&atilde;o&raquo;, como   em <i>banheiro, </i>ou ainda &laquo;lugar que &eacute; relacionado a uma caracter&iacute;stica&raquo; da   base, como <i>cabeceira, ladeira</i>.</li>       <li><b>Objeto de uso</b>: Classe destinada a objetos funcionais  que podem mimetizar a a&ccedil;&atilde;o humana, como <i>frigideira</i>, <i>batedeira </i>ou que servem para alguma   fun&ccedil;&atilde;o, como <i>pulseira.</i><sup><a href="#14a" name="14b">14</a></sup></li>       <li><b>Doen&ccedil;a ou anomalia</b>: Nomes populares de doen&ccedil;a ou  carcater&iacute;stica de   sa&uacute;de anormal, como <i>olheira</i>, <i>cobreiro</i>, <i>unheiro</i>.</li>       <li><b>Ato iterativo, excessivo ou duradouro</b>: Classe  abstrata que engloba atos   continuados que se repetem excessivamente, como <i>berreiro, converseiro,</i>   <i>comedeira, bebedeira </i>e  estados e sensa&ccedil;&otilde;es duradouros, como <i>canseira</i>, <i>pasmaceira</i>, entre  outros. Podemos dizer que essa classe diz respeito a   uma no&ccedil;&atilde;o mais atitudinal.</li>       <li><b>Fen&ocirc;meno da natureza</b>: Seguindo proposta de Botelho <i>et al </i>(2009),   consideramos uma classe de fen&ocirc;menos da natureza, que n&atilde;o  aparece   em nenhum outro autor aqui mencionado, tal como <i>aguaceiro, nevoeiro,</i>   <i>fumaceiro.</i></li>      <li><b>Coletivo e ac&uacute;mulo</b>: Ideia de reuni&atilde;o ou excesso, como em <i>cancioneiro</i> e <i>trabalheira</i>.</li>     <li><b>&Aacute;rvore ou arbusto</b>: Designa&ccedil;&atilde;o de plantas, como <i>abacateiro, roseira, </i>entre   outros.</li>       <li><b>Adjetivo</b>: Formador de adjetivos, como <i>grosseiro, ligeiro, interesseiro.</i></li>      <li><b>Gent&iacute;lico</b>: Formador de substantivos (ou  adjetivos) que denotam origem   ou v&iacute;nculo institucional, como <i>brasileiro, campineiro, mineiro, jacarezeiro,</i>   <i>Ufbeiro, Unebeiro.</i></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>       <p>A partir dessas possibilidades de significa&ccedil;&atilde;o, calculamos,  na <a href="#tab4">Tabela 4</a>, quais   as mais recorrentes no nosso <i>corpus</i>:</p>       <p align="center"><img src="img/revistas/linli/n65/n65a05tab4.gif"><a name="tab4"></a></p>       <p>Seria dif&iacute;cil comparar os nossos dados com trabalhos  anteriores, pelo   simples fato de haver classifica&ccedil;&otilde;es aqui que ou n&atilde;o  aparecem em outros estudos   ou s&atilde;o colocadas de outras maneiras. Mas, de qualquer forma,  podemos   observar que h&aacute; uma maior proemin&ecirc;ncia de agente para  designar ocupa&ccedil;&otilde;es,   seguido de adjetivos, dada a proximidade morfossint&aacute;tica  entre substantivo e   adjetivo e por fim, o locativo, que estudos diacr&ocirc;nicos,  como os de Soledade   (2005) e Viaro (2009, 2011) apontam que j&aacute; s&atilde;o produtivos em  outras fases da   LP. As demais acep&ccedil;&otilde;es parecem ser mais secund&aacute;rias em  termos de ocorr&ecirc;ncia   e podem variar a depender da amostra de l&iacute;ngua selecionada.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>8.  Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>       <p>Essa pesquisa nos permitiu constatar que o morfema <i>-eir- </i>&eacute; muito produtivo   no portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo. Tal evid&ecirc;ncia pode estar  relacionada ao fato   preconizado por Soledade (2005) de que esse seria o mais  portugu&ecirc;s dos sufixos   oriundos do latim. No portugu&ecirc;s arcaico, j&aacute; observamos uma  produtividade   maior do <i>-eir- </i>agentivo, de forma que, consecutivamente, essa parece ser a   acep&ccedil;&atilde;o mais recorrente dele nas fases seguintes da LP.</p>       <p>No portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo observamos n&atilde;o s&oacute; um incremento  das possibilidades   de significa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de maior variedade de bases &agrave;s  quais   o morfema se afixa. O que podemos sugerir acerca disso &eacute; que  um sufixo muito produtivo parece estender com maior <i>fluidez </i>a sua  capacidade de se associar   a variadas categorias de base. Isso &eacute; observado com outros  sufixos produtivos   da l&iacute;ngua, como observou Soledade (2013) com o -<i>ismo, </i>que se aplica a bases   substantivas comuns (<i>fetichismo</i>) e pr&oacute;prias (<i>marxismo</i>), verbos (<i>batismo</i>), adjetivos   (<i>favoritismo</i>), siglas (<i>petismo</i>), entre outras.</p>       <p>Sobre as acep&ccedil;&otilde;es, o mesmo car&aacute;ter fluido que se observa no  &acirc;mbito morfol&oacute;gico   se revela no &acirc;mbito sem&acirc;ntico. Um sufixo produtivo parece  conseguir   estender a sua teia poliss&ecirc;mica com maior facilidade. O  sufixo -<i>dor</i>,  de maneira   mais discreta que o <i>-eir-</i>, conseguiu, por exemplo, estender a no&ccedil;&atilde;o protot&iacute;pica   de agentivo (<i>apresentador</i>, <i>comendador</i>) para a designa&ccedil;&atilde;o de objetos que realizam   a&ccedil;&otilde;es (<i>escorredor</i>, <i>liquidificador</i>) e locativos (<i>trocador</i>, <i>corredor</i>).</p>       <p>H&aacute; ainda de se observar que os sufixos produtivos parecem <i>amalgamar </i>sentidos   com maior facilidade. Com o <i>-eir- </i>constatamos essa  tend&ecirc;ncia em lexias   que unem as no&ccedil;&otilde;es de objeto e recipiente <i>(cinzeiro)</i>, objeto  e coletivo <i>(chaveiro)</i>,   coletivo e locativo <i>(formigueiro)</i>, entre outras. Viaro (2009) observou que formas   como <i>formigueiro </i>e <i>galinheiro </i>unem essas duas acep&ccedil;&otilde;es por conflu&ecirc;ncia dos   sufixos -<i>arius </i>latino (formador de locativo) e -&aacute;rion grego (formador de  coletivo),   mas tendo em vista outras am&aacute;lgamas, podemos considerar que  o pr&oacute;prio   potencial poliss&ecirc;mico do sufixo lhe d&ecirc; essa <i>dupla acep&ccedil;&atilde;o</i>, por  assim dizer.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao final, conclu&iacute;mos, assim como os autores revisados, que o  sufixo <i>-eir-</i>, no   portugu&ecirc;s sincr&ocirc;nico, tem apresentado inquestion&aacute;vel <i>prolificidade, </i>sendo  utilizado   para designar, para qualificar ou localizar. Dada a  quantidade ocorr&ecirc;ncia   de forma&ccedil;&otilde;es <i>particulares </i>do portugu&ecirc;s do Brasil (<i>iveteiro</i>, <i>clariceiro</i>, <i>allstarzeiro</i>, <i>viadeiro</i>, etc),  podemos propor que, dentro da hist&oacute;ria da LP, se esse &eacute; o mais <i>portugu&ecirc;s </i>dos  sufixos latinos, como observou Soledade (2005), hoje, ele talvez   esteja se encaminhando para se tornar o mais <i>brasileiro </i>dos  sufixos derivacionais.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p>_____________________________    <br> <b>Notes</b>    <br> <a href="#*b" name="*a">*</a> Esta pesquisa se insere no projeto Para a elabora&ccedil;&atilde;o de um dicion&aacute;rio de Sufixos da L&iacute;ngua Portuguesa,   coordenado pela Prof<sup>a</sup> Dr<sup>a</sup> Juliana Soledade Barbosa Coelho (Universidade Federal da Bahia). Esse projeto teve in&iacute;cio em 2012, no &acirc;mbito do PROHPOR - Programa para a hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa.    <br> <a href="#1b" name="1a">1</a> A express&atilde;o do sufixo como -<i>eir</i>-, e n&atilde;o -<i>eiro</i>, se justifica pelo fato de podermos encontrar tanto formas pass&iacute;veis de flex&otilde;es de g&ecirc;nero (os adjetivos: <i>ligeiro</i>/<i>ligeira</i> e agentivos: <i>cozinheiro</i>/<i>cozinheira</i>) quanto aquelas que se apresentam uniformes (fen&ocirc;menos naturais: <i>nevoeiro</i>, anomalias: <i>olheira</i>, atitudinais: <i>comedeira</i>, entre outros). Contudo, mantivemos o formato -<i>eiro</i> quando esta foi a forma utilizada pelos autores que foram objeto de cita&ccedil;&atilde;o.    <br> <a href="#2b" name="2a">2</a> Exemplos e classifica&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios autores.    <br> <a href="#3b" name="3a">3</a>  Se pensarmos a produtividade como a possibilidade de surgimento de novos itens  lexicais, conforme Rocha (1998),  &eacute; preciso entender esse processo dentro do que se denomina l&eacute;xico poss&iacute;vel, ou  seja, o conjunto de itens  lexicais que podem ser produzidos segundo um regra de forma&ccedil;&atilde;o de palavras  internalizada na mente dos  falantes, ou como quer Booij (2010), o esquema construcional que faz parte da  gram&aacute;tica da l&iacute;ngua.    <br> <a href="#4b" name="4a">4</a>  Nesta representa&ccedil;&atilde;o da RFP de <i>-eiro </i>est&aacute; sendo evidenciado que o sufixo -<i>eiro </i>opera em  uma base substantiva (S)  e tem como resultado outro substantivo. Contudo, sabemos que esse comportamento  n&atilde;o &eacute; categ&oacute;rico, podemos  encotrar forma&ccedil;&otilde;es em <i>-eiro </i>cuja  base n&atilde;o &eacute; um substantivo (p. ex.: verbos: <i>coceira  (co&ccedil;ar),</i> <i>herdeira (herdar)</i>;  adjetivos: <i>grosso (grosseiro), certo  (certeiro)</i>; partic&iacute;pios passado<i>: paradeiro (parado),</i> <i>conversadeira (conversado), </i>entre  outros).    <br> <a href="#5b" name="5a">5</a> Exemplos e classifica&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio  autor.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#6b" name="6a">6</a> Sobre esse exemplo, cumpre destacar que no portugu&ecirc;s arcaico era usual o termo mentireiro, que posteriormente foi substitu&iacute;do por mentiroso.    <br> <a href="#7b" name="7a">7</a> Esse parece ser o mesmo caso de <i>chaleira</i>, que Viaro (2009), por exemplo, entende que, na perspectiva sincr&ocirc;nica, &eacute; um objeto que faz ch&aacute; e n&atilde;o armazena. Sugerimos aqui tamb&eacute;m a possibilidade de haver uma am&aacute;lgama de sentidos, nesses casos, <i>objeto em que se faz e se armazena (ch&aacute;, caf&eacute;)</i>, seria uma leitura poss&iacute;vel. Notemos, portanto, a rela&ccedil;&atilde;o entre objeto agente e objeto recipiente.    <br> <a href="#8b" name="8a">8</a> A poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de um sufixo -<i>deir</i>- decorre de uma an&aacute;lise sincr&ocirc;nica, admitindo que os falantes de hoje j&aacute; n&atilde;o precisam passar pela forma&ccedil;&atilde;o participial para, de verbos, criar substantivos ou adjetivos em -<i>eir</i>-; assim uma forma como <i>morredeiro</i>, &laquo;local que abriga pessoas prestes a morrer&raquo; (encontrada no romance de Mario Bellatin, intitulado <i>Sal&atilde;o de beleza</i>), teria se formado a partir do tema verbal <i>morre</i>- associado a um sufixo -<i>deiro</i>. Contudo, considerando-se a l&iacute;ngua como fen&ocirc;meno s&oacute;cio-cognitivo historicamente constitu&iacute;do, h&aacute; que se levar em considera&ccedil;&atilde;o que o suposto sufixo -<i>deir</i>-o decorre da comum associa&ccedil;&atilde;o entre -<i>eir</i>- e bases participais, assim, como -<i>dor</i>, decorre da associa&ccedil;&atilde;o de -<i>or</i> a essas mesmas bases, em que se observar a incorpora&ccedil;&atilde;o do -<i>d</i>- do partic&iacute;pio &agrave;s formas sufixais independentes. Determinar, todavia, em que momento da hist&oacute;ria da l&iacute;ngua os falantes legaram uma autonomia a -<i>dor</i> n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. Assim, &eacute; preciso que se fa&ccedil;am maiores estudos para identificar se de fato a autonomia de -<i>deir</i>- j&aacute; se processou na l&iacute;ngua.    <br> <a href="#9b" name="9a">9</a> Um artigo intitulado "Experimentando esquemas: um olhar sobre a polissemia das forma&ccedil;&otilde;es &#91;X<sub>i</sub> -eir-&#93;<sub>nj</sub> no portugu&ecirc;s arcaico", (Soledade, no prelo), que faz um rean&aacute;lise desses dados sob uma perspectiva da morfologia construcional de Booij (2010), est&aacute; para ser publicado em edi&ccedil;&atilde;o da <i>Revista Diadorim</i> em homenagem a Margarida Bas&iacute;lio.    <br> <a href="#10b" name="10a">10</a> A forma escrita est&aacute; de acordo como dado encontrado pela autora em seu <i>corpus</i>. &Eacute; preciso lembrar que, &eacute;poca, n&atilde;o existia uma (orto)grafia regulamentada para o portugu&ecirc;s, esse crit&eacute;rio tamb&eacute;m se aplica aos demais exemplos.    <br> <a href="#11b" name="11a">11</a> A elipse de um nome gen&eacute;rico (<i>pessoa</i>, <i>indiv&iacute;duo</i>, <i>homem mulher</i>) &eacute; admitida por alguns autores para justificar o suposto emprego substantivo de um termo adjetivo.    <br> <a href="#12b" name="12a">12</a> Um estudo sobre as instancia&ccedil;&otilde;es complexas para designar agentes profissionais no PA est&aacute; para ser desenvolvido pela mestranda La&iacute;na Andrade (PPGLinC-UFBA).    <br> <a href="#13b" name="13a">13</a> Embora -<i>eir</i>- e -<i>ista</i> apresentem certo grau de sinmorfismo, no que se refere &agrave; acep&ccedil;&atilde;o agentiva profissional ou habitual, o sufixo -<i>ista</i> acarreta uma rede sem&acirc;ntica muito mais restrita. Os agentes em -<i>ista</i>, geralmente, possuem uma natureza de especialidade, conhecimento aprofundado e espec&iacute;fico em dado assunto ou m&eacute;todo, j&aacute; o sufixo -<i>eir</i>- se presta a acrescentar diferentes aspectos de agentividade, como por exemplo trabalhadores que desenvolvem o conhecimento atrav&eacute;s da pr&aacute;tica (<i>vaqueiro</i>, <i>lavadeira</i>, etc.), trabalhadores que atuam de forma amador&iacute;stica (<i>taxeiro</i>, <i>a&ccedil;ougueiro</i>, <i>curandeiro</i>, etc.) que, em geral, trazem consigo o car&aacute;ter mais l&uacute;dico, jocoso ou trivial das a&ccedil;&otilde;es praticadas por esse agente. Al&eacute;m disso, a rede poliss&ecirc;mica do -<i>eir</i>- se estende para outros dom&iacute;nios sem&acirc;nticos sobre os quais o -<i>ista</i> jamais avan&ccedil;ou, como, por exemplo, agente naturais: <i>bananeira</i>; instrumentos/objetos: <i>chuveiro</i>, <i>cinzeiro</i>; locativo: <i>galinheiro</i>; atitudinais: <i>bagaceira</i>; coletividade: <i>viadeiro</i>; excesso: <i>aguaceiro</i>; anomalia: <i>olheira</i>, entre outros.    <br> <a href="#14b" name="14a">14</a> Soledade (2013: 22) oferece exemplos de como se entende o aspecto funcional dos objetos:    <br> <i>Aguadeiro</i> &#91;Instrumento que exerce uma fun&ccedil;&atilde;o* relacionada &agrave; sem&acirc;ntica da base&#93; *conter    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <i>Bandeira</i> &#91;Instrumento que exerce uma fun&ccedil;&atilde;o* relacionada &agrave; sem&acirc;ntica da base&#93; *representar    <br> <i>Joelheira</i> &#91;Instrumento que exerce uma fun&ccedil;&atilde;o* relacionada &agrave; sem&acirc;ntica da base&#93; *proteger    <br> <i>Sombreiro</i> &#91;Instrumento que exerce uma fun&ccedil;&atilde;o* relacionada &agrave; sem&acirc;ntica da base&#93; *produzir    <br> <i>Topeteira</i> &#91;Instrumento que exerce uma fun&ccedil;&atilde;o* relacionada &agrave; sem&acirc;ntica da base&#93; *proteger.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Refer&ecirc;ncias  bibliogr&aacute;ficas</b></p>       <!-- ref --><p>1. Ali, S. (1964). <i>Gram&aacute;tica  hist&oacute;rica da l&iacute;ngua portuguesa</i>. <i>7 ed. </i>S&atilde;o Paulo:   Melhoramentos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000279&pid=S0120-5587201400010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Bas&iacute;lio, M. (1980). <i>Estruturas  lexicais do portugu&ecirc;s: Uma abordagem gerativa.</i> Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S0120-5587201400010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3. Bas&iacute;lio, M. (2010). Abordagem gerativa e abordagem cognitiva na forma&ccedil;&atilde;o   de palavras: considera&ccedil;&otilde;es  preliminares. <i>Ling&uuml;&iacute;stica</i>, 5, 2, 1-14, dez. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S0120-5587201400010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Bas&iacute;lio, M. (2011). <i>Forma&ccedil;&atilde;o  de palavras no portugu&ecirc;s do Brasil. </i><i>3 ed. </i>S&atilde;o   Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000285&pid=S0120-5587201400010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Booij, G. (2010). Construction  Morphology. <i>Language and Linguistics</i>   <i>Compass </i>3/1  (2010): 1-13, 10.1111/j.1749-818x.2010.00213.x.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000287&pid=S0120-5587201400010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Botelho, L. S. <i>et  al</i>. (2009). Uma abordagem sociocognitiva  das constru&ccedil;&otilde;es   agentivas em X-eiro. Em Miranda, N. S. and Salomao, M. M.  (Org). <i>Constru&ccedil;&otilde;es</i>   <i>do portugu&ecirc;s do Brasil</i>: <i>da gram&aacute;tica ao discurso</i>. Belo Horizonte: Editora   UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000289&pid=S0120-5587201400010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Cunha, C. and Cintra, L. (1998). <i>Breve gram&aacute;tica do portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo.</i>   <i>11 ed</i>. Lisboa:  Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000291&pid=S0120-5587201400010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>8. Ferreira, A. B. de H. (2008). <i>Novo Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio da L&iacute;ngua Portuguesa</i>. Curitiba: Positivo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000293&pid=S0120-5587201400010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Houaiss, A. and Villar, M. (2009). Dicion&aacute;rio  Eletr&ocirc;nico Houaiss da L&iacute;ngua   Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000295&pid=S0120-5587201400010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Nunes, J. J. (1969). Comp&ecirc;ndio de gram&aacute;tica hist&oacute;rica <i>portuguesa. </i>Lisboa:   Livraria Cl&aacute;ssica Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000297&pid=S0120-5587201400010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Rocha, L. C. A. (1998). <i>Estruturas morfol&oacute;gicas do portugu&ecirc;s</i>. Belo Horizonte:   Editora da UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000299&pid=S0120-5587201400010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Soledade, J. (2005). <i>Sem&acirc;ntica  morfolexical contribui&ccedil;&otilde;es para a descri&ccedil;&atilde;o do</i>   <i>paradigma sufixal do portugu&ecirc;s arcaico. </i>290 f. Tese (Doutorado em Letras),   Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Bahia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000301&pid=S0120-5587201400010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>13. Soledade, J. Experimentando esquemas: um olhar sobre a  polissemia das   forma&ccedil;&otilde;es &#91;X<sub>i</sub> -eir-&#93;<sub>nj</sub> no  portugu&ecirc;s arcaico. Em Gon&ccedil;alves, C. A. V. and Almeida,   M. L. L. <i>Homenagem  a Margarida Bas&iacute;lio (no prelo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000303&pid=S0120-5587201400010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>     <!-- ref --><p>14. Viaro, M. E. (2011). A forma&ccedil;&atilde;o do significado agentivo  de -eiro. En <i>XVI</i>   <i>Congreso Internacional de la ALFAL, Alcal&aacute; de  Henares. Actas del XVI</i>   <i>Congreso Internacional de la Asociaci&oacute;n de  Ling&uuml;&iacute;stica y Filolog&iacute;a. </i>(2671-2679). Alcal&aacute; de Henares: Universidad de Alcal&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000305&pid=S0120-5587201400010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>15. Viaro, M. E. (2009). Uma nova  metodologia para dados etimol&oacute;gicos e   diacr&ocirc;nicos: o problema da data&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos. Em Torres Morais, M. A. C. R. and Andrade, M. L. C. V. de O. <i>Hist&oacute;ria do portugu&ecirc;s paulista</i>. (445-463). Campinas: Editora da  Unicamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000307&pid=S0120-5587201400010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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