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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A abertura do conceito de sociedade civil: desencaixes, diálogos e contribuições teóricas a partir do Sul Global]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Una apertura del concepto de sociedad civil: desajustes, diálogos y contribuciones teóricas desde el Sur Global]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El concepto de sociedad civil ha sido rearticulado por la Teoría Política en las últimas décadas del siglo XX, vinculándose directamente en los contextos redemocratizados con las nociones de espacio público, ciudadanía, deliberación y participación política. En diferentes partes del mundo, varios estudios e investigaciones acerca de sociedades civiles (re)emergentes han desafiado el núcleo teórico/normativo elaborado por autores referenciales del Norte Global. Este artículo realiza una revisión crítica del concepto de sociedad civil, originalmente concebido y pensado por Europa. Si bien el concepto de sociedad civil ha sido informado y dinamizado por las manifestaciones en el Sur Global desde los ochenta, la gran mayoría de sus intérpretes con proyección mundial ha permanecido situada en el eje teórico del Norte. Nuestro principal objetivo es presentar algunos aportes sobre las especificidades y novedades que el Sur Global trae a la categoría, con vistas a su apertura conceptual para nuevos sentidos y significados. Defendemos que ésta ha sido capaz de romper con la geopolítica del conocimiento y con la colonialidad del saber en el nivel teórico global.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p align=center><font size="4"><b>A abertura do conceito de sociedade civil: desencaixes, di&aacute;logos e contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas a partir do Sul Global</b></font><sup><a name="s*" href="#*">*</a></sup>  <sup><a name="s1" href="#1">1</a></sup></p>      <p><b>Cristiana Losekann y Luciana ballestrin</b></p>      <p>Doutora em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professora adjunta de ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES) atuando junto ao Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais e ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais. Suas principais &aacute;reas de pesquisa s&atilde;o: teoria pol&iacute;tica contempor&acirc;nea, ambientalismo, pol&iacute;tica ambiental, mobiliza&ccedil;&atilde;o da lei pela sociedade civil e pelos movimentos sociais. Desenvolve atualmente o projeto de pesquisa intitulado: "Redes de Ativismo Ambiental, Contesta&ccedil;&atilde;o e Mobiliza&ccedil;&atilde;o do Direito na Am&eacute;rica Latina". Dentre suas publica&ccedil;&otilde;es recentes destaca-se a seguinte: "Participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil na pol&iacute;tica ambiental do Governo Lula". Ambiente & Sociedade (Online), v. 15, p. 179- 200, 2012. Endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico:  <a href="mailto:cristianalosekann@gmail.com">cristianalosekann@gmail.com</a></p>      <p>Doutora em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do Curso de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e professora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Suas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o e interesse s&atilde;o: Teoria Pol&iacute;tica Internacional, teoria pol&iacute;tica e democr&aacute;tica contempor&acirc;nea, teorias do Sul, p&oacute;s-colonialismo, sociedade civil, viol&ecirc;ncia e controle de armas. Desenvolve atualmente o projeto de pesquisa intitulado: "O Giro Decolonial e a Am&eacute;rica Latina: Contribui&ccedil;&otilde;es para o Debate Global sobre as Teorias do Sul". Sua publica&ccedil;&atilde;o mais recente &eacute; o cap&iacute;tulo "Justi&ccedil;a Internacional", publicado no livro "Dimens&otilde;es Pol&iacute;ticas da Justi&ccedil;a", organizado por Leonardo Avritzer, Newton Bignotto, Juarez Guimar&atilde;es, Fernando Filgueiras e Helo&iacute;sa Starling, publicado pela Editora Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, Rio de Janeiro, 2013. Endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico:  <a href="mailto:luballestra@gmail.com">luballestra@gmail.com</a></p> <hr size=1>       <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O conceito de sociedade civil foi rearticulado pela Teoria Pol&iacute;tica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, vinculando-se diretamente nos contextos redemocratizados com as no&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;o p&uacute;blico, cidadania, delibera&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Em diferentes partes do mundo, v&aacute;rios estudos e pesquisas sobre sociedades civis (re)emergentes desafiam o n&uacute;cleo te&oacute;rico/normativo elaborado por autores referenciais do Norte Global. Este artigo realiza uma revis&atilde;o cr&iacute;tica do conceito de sociedade civil, originalmente concebido e pensado pela Europa. Ainda que o conceito de sociedade civil tenha sido informado e dinamizado pelas manifesta&ccedil;&otilde;es no Sul Global desde os anos 1980, a grande maioria de seus int&eacute;rpretes com proje&ccedil;&atilde;o mundial permaneceu situada no eixo te&oacute;rico do NorteNosso principal objetivo &eacute; apresentaralgumas contribui&ccedil;&otilde;es sobre as especificidades e as novidades que o Sul Global traz &agrave; categoria, com vistas &agrave; sua abertura conceitual para novos sentidos e significados. Defendemos que esta tem sido capaz de romper com a geopol&iacute;tica do conhecimento e com a colonialidade do saber no n&iacute;vel te&oacute;rico global.</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Sociedade civil, Norte Global, Sul Global, teoria pol&iacute;tica</p> <hr size=1>     <p align=center><font size="3"><b>Una apertura del concepto de sociedad civil: desajustes, di&aacute;logos y contribuciones te&oacute;ricas desde el Sur Global</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMEN</b></p>     <p>El concepto de sociedad civil ha sido rearticulado por la Teor&iacute;a Pol&iacute;tica en las &uacute;ltimas d&eacute;cadas del siglo XX, vincul&aacute;ndose directamente en los contextos redemocratizados con las nociones de espacio p&uacute;blico, ciudadan&iacute;a, deliberaci&oacute;n y participaci&oacute;n pol&iacute;tica. En diferentes partes del mundo, varios estudios e investigaciones acerca de sociedades civiles (re)emergentes han desafiado el n&uacute;cleo te&oacute;rico/normativo elaborado por autores referenciales del Norte Global. Este art&iacute;culo realiza una revisi&oacute;n cr&iacute;tica del concepto de sociedad civil, originalmente concebido y pensado por Europa. Si bien el concepto de sociedad civil ha sido informado y dinamizado por las manifestaciones en el Sur Global desde los ochenta, la gran mayor&iacute;a de sus int&eacute;rpretes con proyecci&oacute;n mundial ha permanecido situada en el eje te&oacute;rico del Norte. Nuestro principal objetivo es presentar algunos aportes sobre las especificidades y novedades que el Sur Global trae a la categor&iacute;a, con vistas a su apertura conceptual para nuevos sentidos y significados. Defendemos que &eacute;sta ha sido capaz de romper con la geopol&iacute;tica del conocimiento y con la colonialidad del saber en el nivel te&oacute;rico global.</p>     <p><b>PALABRAS CLAVE</b></p>     <p>Sociedad civil, Norte Global, Sur Global, teor&iacute;a pol&iacute;tica</p>     <p>DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.7440/colombiaint78.2013.07"target=_blank>http://dx.doi.org/10.7440/colombiaint78.2013.07</a></p>     <p>Recibido: 29 de mayo de 2012 Modificado: 4 de diciembre de 2012 Aprobado: 19 de marzo de 2013</p> <hr size=1>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O conceito de sociedade civil foi rearticulado na Teoria Pol&iacute;tica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. No contexto das redemocratiza&ccedil;&otilde;es na Am&eacute;rica Latina e no Leste Europeu, a ideia de sociedade civil ganhou diferentes significados na pr&aacute;tica e na teoria, e tornou-se fundamental para o pensamento de modelos democr&aacute;ticos complementares ao representativo liberal.</p>     <p>O principal objetivo deste artigo &eacute; realizar uma revis&atilde;o cr&iacute;tica do conceito de sociedade civil pensado pelo centro, ao questionar sua aplica&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica e sua reprodu&ccedil;&atilde;o normativa em outros contextos. Ao se valer de contribui&ccedil;&otilde;es mais cr&iacute;ticas sobre sociedade civil - especialmente, brasileiras e indianas -, nossa argumenta&ccedil;&atilde;o busca pensar o cen&aacute;rio de participa&ccedil;&atilde;o e associa&ccedil;&atilde;o que as sociedades latino-americanas v&ecirc;m construindo nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas como um enfrentamento &agrave;s teorias metroc&ecirc;ntricas (Connell 2012).</p>     <p>Ainda que o conceito de sociedade civil tenha sido informado e dinamizado pelas manifesta&ccedil;&otilde;es no Sul Global desde os anos 1980, a grande maioria de seus int&eacute;rpretes com proje&ccedil;&atilde;o mundial permaneceu situada no eixo te&oacute;rico do Norte Global. Nesse sentido, o conceito de sociedade civil reproduz uma esp&eacute;cie de divis&atilde;o do trabalho nas Ci&ecirc;ncias Sociais (Alatas 2003), na qual o Sul Global fornece experi&ecirc;ncias, enquanto o Norte Global as teoriza e as aplica (Connell 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A divis&atilde;o entre o Sul e o Norte Global &eacute; aqui utilizada como met&aacute;fora sociol&oacute;gica e n&atilde;o geogr&aacute;fica para os pa&iacute;ses considerados n&atilde;o desenvolvidos, subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Ela &eacute; reproduzida naquilo que Mignolo (2002) chamou de geopol&iacute;tica do conhecimento. Embora alguns autores afirmem que a no&ccedil;&atilde;o de sociedade civil n&atilde;o reproduz a colonialidade do saber devido &agrave; sua trajet&oacute;ria din&acirc;mica de (re)apropria&ccedil;&atilde;o conceitual no mundo - por exemplo, Avritzer (2009) -, &eacute; bastante verific&aacute;vel a influ&ecirc;ncia que as teorias de Habermas (2003) e Cohen e Arato (2001) exerceram a partir da d&eacute;cada de 1990 no Brasil e no restante da Am&eacute;rica Latina.</p>     <p>A maior parte da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica sobre sociedade civil est&aacute; ainda situada no Norte Global, o que mostra a sobreviv&ecirc;ncia dessa matriz contida em sua g&ecirc;nese em meio a diferentes condi&ccedil;&otilde;es, espa&ccedil;os e temporalidades. Mas, a forma&ccedil;&atilde;o desta consci&ecirc;ncia no meio de seus te&oacute;ricos do Sul tem apresentado novas perspectivas ao debate, especialmente no conjunto das Teorias e Epistemologias do Sul. A Am&eacute;rica Latina, em geral, e o Brasil, em particular, t&ecirc;m enxergado em si mesmos um rico e complexo cen&aacute;rio associativo, n&atilde;o necessariamente enquadrado e encaixado nas proposi&ccedil;&otilde;es que a importa&ccedil;&atilde;o do conceito reproduziu. As especificidades e novidades que esses contextos apresentam em termos de formatos de sociedade civil e intera&ccedil;&atilde;o com o Estado v&ecirc;mconsolidando agendas originais de pesquisa, especialmente nos estudos sobre Democracia Participativa. De outra parte, autores indianos t&ecirc;m contribu&iacute;do para repensar a carga ocidental universa-lizante do conceito, desde a perspectiva te&oacute;rica do p&oacute;s-colonialismo.</p>     <p>Perguntamos, assim, se a sociedade civil brasileira, em particular, e a latino-americana, em geral, estaria aqu&eacute;m dos padr&otilde;es prescritos pelas teorias do Norte Global ou estaria o conceito de sociedade civil inadequado para entender tais realidades. Ser&aacute; que ele explica as formas variadas de manifesta&ccedil;&atilde;o, resist&ecirc;ncia e protesto &agrave;s quais assiste o continente nos anos p&oacute;s-redemocratiza&ccedil;&atilde;o? Como desprender o conceito de sociedade civil de sua carga moral europeia?</p>     <p>Na primeira parte deste trabalho, tra&ccedil;amos uma breve genealogia do conceito de sociedade civil e destacamos os condicionamentos e as heran&ccedil;as de sua matriz europeia moderna, bem como o n&uacute;cleo normativo de suas elabora&ccedil;&otilde;es mais contempor&acirc;neas. Em um segundo momento, trabalhamos com a reinven&ccedil;&atilde;o do conceito no Brasil e na Am&eacute;rica Latina, a partir da informa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas n&atilde;o pensadas e n&atilde;o contempladas pelas teorias hegem&ocirc;nicas sobre sociedade civil. Na terceira e &uacute;ltima parte, discutiremos as especificidades e as novidades que o Sul Global traz &agrave; categoria em termos te&oacute;ricos.</p>     <p><b>1. Sociedade Civil: um conceito </b><i><b>do</b> </i><b>Norte Global</b></p>     <p>A Europa Ocidental foi a &quot;parteira&quot; do conceito de sociedade civil. As teoriza&ccedil;&otilde;es sobre a origem do Estado e da sociedade (civil) encontraram seus primeiros esfor&ccedil;os nas doutrinas filos&oacute;ficas jusnaturalistas.</p>     <p>Para Thomas Hobbes, seu pai fundador, a condi&ccedil;&atilde;o humana fora da sociedade civil era a barb&aacute;rie; o medo rec&iacute;proco do estado de guerra latente entre os homens pelos homens fundava a consci&ecirc;ncia que os inclinava a ingressar na sociedade civil e rejeitar a perman&ecirc;ncia na sociedade natural. No caso, a <i>societas civilis </i>era o pr&oacute;prio Estado Civil que governaria igualmente pelas leis civis: &quot;fora dele (do governo civil), assistimos ao dom&iacute;nio das paix&otilde;es, da guerra, do medo, da mis&eacute;ria, da imund&iacute;cie, da solid&atilde;o, da barb&aacute;rie, da ignor&acirc;ncia, da crueldade; nele, o dom&iacute;nio da raz&atilde;o, da paz, da seguran&ccedil;a, das riquezas, da dec&ecirc;ncia, da sociedade, da eleg&acirc;ncia, das ci&ecirc;ncias e da benevol&ecirc;ncia&quot; (Hobbes 1992, 178). Se &quot;o come&ccedil;o da sociedade civil prov&eacute;m do medo rec&iacute;proco&quot; (Hobbes 1992, 28), tem-se que &quot;o estado dos homens fora da sociedade civil &eacute; um simples estado de guerra&quot; (Hobbes 1992, 38). Com efeito, no Estado Absolutista, iniciou-se uma reorganiza&ccedil;&atilde;o dos relacionamentos humanos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a nas maneiras, na personalidade do homem e nos seus sentimentos, cada vez mais intolerante ao que n&atilde;o fosse civilizado (Elias 1993, 21).</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de sociedade civil ganhou a denota&ccedil;&atilde;o &quot;civilizada&quot; em Locke (Bobbio 2000).Ao fazer uma cr&iacute;tica alusiva a Hobbes, Locke diferenciou o estado de natureza ao de guerra - essa por vezes necess&aacute;ria mesmo em um governo civil. As considera&ccedil;&otilde;es de Locke sobre a Am&eacute;rica anarquizada o levaram a elaborar a ideia de equival&ecirc;ncia do Estado de natureza ao Estado selvagem. Os povos primitivos eram, por suposto, &quot;incivis&quot;, na medida em que o pol&iacute;tico se tornava sin&oacute;nimo de &quot;civilizado&quot;; a distin&ccedil;&atilde;o e a superioridade dos ocidentais (Elias 1993, 213) deveram-se justamente &agrave; proeza de sua autociviliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Mas foi no s&eacute;culo XVIII que as palavras correlatas &quot;civilidade&quot; e &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o&quot; ganharam for&ccedil;a. Ao ultrapassar o sentido da polidez, cortesia e refinamento, a convers&atilde;o do primitivo &agrave;s boas maneiras fundamentou o pr&oacute;prio processo civilizat&oacute;rio: coube &agrave;s civiliza&ccedil;&otilde;es civilizar. A civiliza&ccedil;&atilde;o foi &quot;um projeto encarregado de resolver o problema permanente de liberar, diluir e sublimar a viol&ecirc;ncia; a incivili-dade era o inimigo permanente da sociedade civil&quot; (Keane 2001, 138). As na&ccedil;&otilde;es civilizadas tinham avan&ccedil;ado razoavelmente na elimina&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria viol&ecirc;ncia, como argumentou Ferguson (Keane 2001, 138 ); mas, paradoxalmente, a necessidade de civilizar foi extremamente incivilizada na empreitada colonial.</p>     <p>A aus&ecirc;ncia de um devido apre&ccedil;o pela n&atilde;o-viol&ecirc;ncia, somada a outras justificativas e interesses, hierarquizou as sociedades consoante seu est&aacute;gio no progresso de outro projeto, racional e iluminista. As ideias de est&aacute;gios graduais e hierarquias societais tiveram na sociedade europeia um exemplo a ser perseguido. A civiliza&ccedil;&atilde;o foi a express&atilde;o encontrada para indicar um ponto &oacute;timo de regula&ccedil;&atilde;o da conviv&ecirc;ncia social, na qual as boas maneiras e costumes aliaram-se &agrave; sublima&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia para conformar um est&aacute;gio &uacute;ltimo e ideal. <i>A pr&oacute;pria conforma&ccedil;&atilde;o do Estado ausente no Novo Mundo </i>impunha &agrave;s pessoas um maior ou menor grau de autocontrole, na medida em que &quot;a monopoliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, a concentra&ccedil;&atilde;o de armas e homens armados sob uma &uacute;nica autoridade, torna mais ou menos calcul&aacute;vel o seu emprego e torna os homens desarmados, nos espa&ccedil;os sociais pacificados, a ao controlarem sua pr&oacute;pria viol&ecirc;ncia mediante precau&ccedil;&atilde;o ou reflex&atilde;o&quot; (Elias 1993, 201). A sociedade civil, portanto, seria a s&iacute;ntese da domestica&ccedil;&atilde;o dos instintos inerentemente selvagens do ser humano, catalisada pelo monop&oacute;lio estatal da viol&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Rousseau, a sa&iacute;da do estado de natureza institui na conduta do homem o instinto pela justi&ccedil;a e moralidade em suas a&ccedil;&otilde;es, embora os primeiros deveres de civilidade fossem observados &quot;at&eacute; mesmo entre os selvagens&quot; (Rousseau 2007, 62). Rousseau rompeu com seus antecessores contratualistas por considerar a bondade e a justi&ccedil;a naturais ao homem, e por transformar a ideia de desigualdade pol&iacute;tica em um elemento forte para a busca da autodetermina&ccedil;&atilde;o do povo, ideia assumida pelos revolucion&aacute;rios franceses na Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem e do Cidad&atilde;o de 1789. Mas, n&atilde;o se pode esquecer que Rousseau, assim como Ferguson, estabeleceu &quot;estranhas&quot; rela&ccedil;&otilde;es entre o &quot;clima&quot; e o florescimento da liberdade, civiliza&ccedil;&atilde;o e progresso (Avritzer 2009). Ou seja, a preocupa&ccedil;&atilde;o sobre a origem da desigualdade entreos homens n&atilde;o era estendida a outras geografias. Os povos que n&atilde;o compartilhavam de um c&oacute;digo europeu em vias de civiliza&ccedil;&atilde;o - especialmente os povos ind&iacute;genas e negros - foram segregados a um est&aacute;gio inferior da hist&oacute;ria europeia-universal e, portanto, a eles n&atilde;o se devia muita preocupa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Atribui-se a Hegel o modelo dual de distin&ccedil;&atilde;o entre a sociedade civil e o Estado, ambosapartados do espa&ccedil;o familiar. Hegel rompeu, portanto, com o jusnaturalismo anterior fundado no contrato: o estado fundamenta a sociedade e os indiv&iacute;duos n&atilde;o s&atilde;o anteriores a ele. Lan&ccedil;ou as primeiras bases modernas para o entendimento da sociedade civil em sua media&ccedil;&atilde;o e interpenetra&ccedil;&atilde;o com o Estado (Cohen e Arato 2001). Seus escritos, juntamente com os de Thomas Paine e Tocqueville, caracterizaram os anos situados entre 1750 e 1850 como o per&iacute;odo de nascimento e matura&ccedil;&atilde;o da ideia de sociedade civil na sua distin&ccedil;&atilde;o com o Estado (Keane 2001). Contribu&iacute;ram tamb&eacute;m os expoentes do Iluminismo Escoc&ecirc;s, Adam Smith e Adam Ferguson. O pressuposto evolutivo est&aacute; explicitado em outros fil&oacute;sofos escoceses do s&eacute;culo XVIII, que tratavam a sociedade civil como ant&iacute;tese da viol&ecirc;ncia. A civilidade era uma conven&ccedil;&atilde;o artificial para conter a viol&ecirc;ncia natural; a sociabilidade nas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e &iacute;ntimas (Keane 2001).</p>     <p>Nos s&eacute;culos XVIII e XIX, &quot;a incivilidade era o fantasma que assolava permanentemente a sociedade civil&quot; (Keane 2001, 138). O termo <i>civiliza&ccedil;&atilde;o </i>passou a ser ent&atilde;o ant&oacute;nimo de natureza, barb&aacute;rie, selvageria, rudeza, presente nas na&ccedil;&otilde;es primitivas ou nos comportamentos destoantes. &Agrave; &eacute;poca, a Europa experimentava, pelo menos desde o s&eacute;culo XVI, uma mudan&ccedil;a radical nos padr&otilde;es de conduta de suas pr&oacute;prias classes abastadas. S&atilde;o alguns deles: a elimina&ccedil;&atilde;o dos excessos da autopuni&ccedil;&atilde;o e da autoindulg&ecirc;ncia, a repress&atilde;o do comportamento espont&acirc;neo, o controle das fun&ccedil;&otilde;es e impulsos corporais em p&uacute;blico. Uma progressiva racionaliza&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o da &quot;vergonha&quot;, &quot;repugn&acirc;ncia&quot; ou &quot;embara&ccedil;o&quot; diante de atos cru&eacute;is ou violentos, foi componente do processo civilizat&oacute;rio (Elias 1993, 242).</p>     <p>O reaparecimento simult&acirc;neo da sociedade civil nos contextos do Leste Europeu e da Am&eacute;rica Latina a partir da d&eacute;cada de 1970 reanimou seu debate conceitual. N&atilde;o obstante a aus&ecirc;ncia de um interc&acirc;mbio de ideias (Kaldor 2003), o ponto similar deste fen&oacute;meno em ambos os continentes foi encontrado na contraposi&ccedil;&atilde;o ao Estado, este representante de regimes militares ditatoriais e totalit&aacute;rios, respectivamente (Costa 2003). No Leste Europeu, afirmava-se um sentimento antimarxist,<sup><a name="s2" href="#2">2</a></sup> diametralmente oposto &agrave;quele observado na Am&eacute;rica Latina, iniciado com <i>Solidarn&oacute;sci </i>polon&ecirc;s e que culminou nas &quot;Revolu&ccedil;&otilde;es de Veludo&quot; de 1989. Esta narrativa reproduzida por muitos te&oacute;ricos do Norte -Cohen e Arato, Kaldor, Keane, entre outros - pretendeu inserir os contextos do Leste Europeu e da Am&eacute;rica Latina na Terceira Onda de Democratiza&ccedil;&atilde;o de Huntington (1994). Diferen&ccedil;as importantes foram suprimidas com o fim de imbuir ambas as regi&otilde;es em um mesmo esp&iacute;rito democratizante. A for&ccedil;a do sindicalismo e as figuras de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e Lech Walesa eram tomadas &agrave; semelhan&ccedil;a e com o mesmo entusiasmo. Ainda que n&atilde;o seja objeto de discuss&atilde;o neste texto, &eacute; importante notar que a sociedade civil latino-americana possu&iacute;a express&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es antes do marco temporal mais ou menos consensual em rela&ccedil;&atilde;o a sua suposta retomada conceitual.<sup><a name="s3" href="#3">3</a></sup></p>     <p>Atualmente, existe uma clara disputa entre v&aacute;rios argumentos/discursos/agendas de sociedade civil. Tal variedade conceitual tem oscilado de acordo com o enquadramento dos atores no interior do conceito, sua fun&ccedil;&atilde;o diante de regimes pol&iacute;ticos, seu relacionamento com o Estado e seu <i>modus operandi. </i>As reflex&otilde;es sobre a sociedade civil n&atilde;o podem ser descoladas de matrizes te&oacute;ricas maiores, cujas preocupa&ccedil;&otilde;es originais extrapolam-nas: a rigor, n&atilde;o existe uma teoria pura da sociedade civil. Mas, &eacute; poss&iacute;vel encontrar caracter&iacute;sticas semelhantes em meio &agrave; disponibilidade de vertentes complementares ou incompat&iacute;veis.</p>     <p>As seguintes vers&otilde;es podem ser acentuadas conforme a &ecirc;nfase que lhe &eacute; atribu&iacute;da: a tocqueveliana (virtude c&iacute;vica); gramsciana (hegemonia); haberma-siana (comunica&ccedil;&atilde;o); neotocqueveliana (capital social); neoliberal (filantropia); a comunitarista (comunidade); neodurkheiana (solidariedade); a cosmopolita (paz). Todos os modelos e releituras assumem a diferen&ccedil;a com o Estado, negam a viol&ecirc;ncia e prov&ecirc;m de uma matriz anglo-sax&oacute;nica ou euroc&ecirc;ntrica.</p>     <p>Delinearam-se outras caracter&iacute;sticas da moderna sociedade civil, para al&eacute;m do distanciamento da viol&ecirc;ncia e da n&atilde;o-concorr&ecirc;ncia pela tomada do poder estatal: o modelo tripartite aut&oacute;nomo e autolimitado; as ideias de auto--organiza&ccedil;&atilde;o e autodetermina&ccedil;&atilde;o; a busca pelo consentimento e entendimento pelo di&aacute;logo livre e racional; e, finalmente, o c&iacute;rculo virtuoso estabelecido com as pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas (Young 2000; Kaldor 2001; Keane 2001; Cohen e Arato 2001). Como <i>l&oacute;cus </i>privilegiado de transforma&ccedil;&atilde;o na p&oacute;s-modernidade, creditou-se &agrave; sociedade civil o imp&eacute;rio da raz&atilde;o comunicativa; como <i>slogan </i>pol&iacute;tico - &agrave; esquerda ou &agrave; direita - a esfera da solidariedade. As express&otilde;es &quot;sociedade civil organizada&quot; e &quot;sociedade civil moderna&quot; soam uma redund&acirc;ncia: hoje, a express&atilde;o &quot;sociedade civil&quot; pressup&otilde;e organiza&ccedil;&atilde;o e modernidade. Entendemos que essas atribui&ccedil;&otilde;es configuram um n&uacute;cleo minimamente compartilhado das teorias da sociedade civil pensadas pelos autores do Norte.</p>     <p>O livro <i>Civil Society and Political Theory, </i>de Cohen e Arato,<sup><a name="s4" href="#4">4</a></sup> foi de enorme import&acirc;ncia para a retomada do conceito de sociedade civil no centro do debate pol&iacute;tico contempor&acirc;neo. No livro, os autores realizam uma extensa recupera&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do conceito e sustentam que a relev&acirc;ncia em retomar, contemporaneamente, o conceito de sociedade civil est&aacute; na possibilidade de constituir outra esfera social que seja diferente e independente do Estado e da economia. Dessa forma, o conceito de sociedade civil poderia contribuir na compreens&atilde;o e proposi&ccedil;&atilde;o de mecanismos que permitam aprofundar os n&iacute;veis democr&aacute;ticos para al&eacute;m daqueles conquistados por meio dos instrumentos da democracia representativa e das leis do mercado. Assim, suas propostas te&oacute;ricas pressup&otilde;em extrapolar os limites do pensamento liberal e procedimental de democracia.</p>     <p>Amparados, principalmente, nas ideias de Habermas, Cohen e Arato (2001) adotam a elabora&ccedil;&atilde;o da diferencia&ccedil;&atilde;o social, correspondente &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de sistemas e mundo da vida. A sociedade civil est&aacute; identificada - mas n&atilde;o &eacute; a mesma coisa - com o mundo da vida. Este compreende toda a gama de tradi&ccedil;&otilde;es sociais, lingu&iacute;sticas e culturais que fazem parte da vida dos indiv&iacute;duos cotidianamente. Al&eacute;m disso, compreende as formas como nos relacionamos com os outros, ou seja, as formas de solidariedade, os padr&otilde;es de conduta moral e &eacute;tica, o conhecimento acumulado sobre as coisas e os padr&otilde;es de pensamento. Existem tr&ecirc;s componentes no mundo da vida: cultura, sociedade e personalidade. Essas diferencia&ccedil;&otilde;es se estruturam por meio de institui&ccedil;&otilde;es especializadas em que cada um desses componentes se materializa. &Eacute; justamente nesses n&iacute;veis institucionais, sejam culturais, de solidariedade, o de identidades, que &eacute; poss&iacute;vel pensar a sociedade civil segundo Cohen e Arato (2001).</p>     <p>Todavia, n&atilde;o s&atilde;o somente as institui&ccedil;&otilde;es que fornecem a unidade de um mundo da vida. Toda a rede lingu&iacute;stica e cultural de tradi&ccedil;&otilde;es &eacute; fonte para a condi&ccedil;&atilde;o institucional. A esfera p&uacute;blica, a comunica&ccedil;&atilde;o e as associa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fundamentais e centrais na sociedade civil, mas o aspecto privado, em que os indiv&iacute;duos criam suas identidades e seus ju&iacute;zos aut&oacute;nomos, tamb&eacute;m o &eacute;. Assim, outra formula&ccedil;&atilde;o de Habermas, a de &quot;a&ccedil;&atilde;o comunicativa&quot;, d&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para exist&ecirc;ncia de uma sociedade civil moderna na qual, por meio da pr&aacute;tica discursiva e da racionaliza&ccedil;&atilde;o do mundo da vida, podem-se questionar normas e alterar padr&otilde;es sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa reelabora&ccedil;&atilde;o do conceito de sociedade civil fundamentada numa divis&atilde;o tripartite das esferas sociais causou grande impacto entre acad&ecirc;micos e influenciou trabalhos em todo o mundo desde a d&eacute;cada de 1990. A principal caracter&iacute;stica desta sociedade civil moderna, n&atilde;o equivalente ao Estado nem ao mercado, estaria na condi&ccedil;&atilde;o de autonomia dos indiv&iacute;duos, capazes de criar associa&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias a partir da identifica&ccedil;&atilde;o de projetos comuns de vida (Walzer 2008) - tudo isso viabilizado pela a&ccedil;&atilde;o comunicativa. Para garantir as condi&ccedil;&otilde;es de autonomia, o modelo te&oacute;rico proposto por Cohen e Arato sustenta que a &quot;autolimita&ccedil;&atilde;o&quot; entre as esferas sociais &eacute; necess&aacute;ria.</p>     <p>Os limites de cada um dos tr&ecirc;s elementos da sociedade estariam nos pr&oacute;prios mecanismos de coordena&ccedil;&atilde;o estabelecidos por cada um de forma diferenciada. O mecanismo de coordena&ccedil;&atilde;o do Estado &eacute; o poder, por meio do monop&oacute;lio do uso da for&ccedil;a; o da economia &eacute; o dinheiro; o da sociedade civil, por sua vez, &eacute;fundamentalmente comunicativo: a capacidade de influ&ecirc;ncia. Mas esses mecanismos n&atilde;o s&atilde;o imperme&aacute;veis; muito pelo contr&aacute;rio, Cohen e Arato (2001) sugerem que a sociedade civil seria capaz de influenciar o sistema pol&iacute;tico e o sistema econ&oacute;mico agindo sobre as institui&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias desses dois campos. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade pol&iacute;tica, as institui&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias seriam todos os instrumentos da democracia representativa, como partidos, parlamentos e, inclusive, inst&acirc;ncias locais e/ou regionais abertas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o direta. A respeito da sociedade econ&oacute;mica, os autores indicam que a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de mecanismos de negocia&ccedil;&atilde;o coletiva, de conselhos de representa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e de outras formas existentes pode funcionar como intermedi&aacute;ria entre as ideias que emergem da sociedade civil e a realidade do mercado.</p>     <p>Ao escrever sobre a sociedade civil em <i>Direito e Democracia - entre factici-dade e validade, </i>Habermas (2003) salienta que o significado atual de sociedade civil n&atilde;o &eacute; mais aquele que a identificava com a &quot;sociedade burguesa&quot; liberal ou que coincidia com a economia e o mercado. Segundo o autor, o conceito hoje adquiriu outra caracter&iacute;stica: a forma&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;cleo institucional que n&atilde;o se caracteriza pelos atributos econ&oacute;micos nem pelos estatais e que, por sua vez, ampara as condi&ccedil;&otilde;es sociais para o surgimento de esferas p&uacute;blicas.</p>     <p>Mas, para que isso seja poss&iacute;vel, &eacute; necess&aacute;rio que se preservem os direitos privados, que, por sua vez, garantem as condi&ccedil;&otilde;es para a exist&ecirc;ncia de uma esfera privada plural, livre e aut&oacute;noma. A esfera privada &eacute; absolutamente importante para a exist&ecirc;ncia da cidadania aut&oacute;noma Habermas (2003). O exemplo disso encontra-se claramente em Estados totalit&aacute;rios, nos quais a vida privada &eacute; controlada por estes e a cidadania inexiste. Nesses casos, a interfer&ecirc;ncia e a inger&ecirc;ncia do Estado na estrutura da vida privada e, inclusive, na vida &iacute;ntima desorganizam e desintegram as redes de rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas nesse campo (Habermas 2003, 101).</p>     <p>Assim, a autonomia, caracter&iacute;stica central da sociedade civil moderna, s&oacute; poderia ser mantida por uma profil&aacute;tica separa&ccedil;&atilde;o entre as esferas sociais. Ademais, o modelo tripartite, al&eacute;m de garantir a manuten&ccedil;&atilde;o da autonomia, pensada como garantia da n&atilde;o domina&ccedil;&atilde;o da sociedade civil pelo Estado em regimes autorit&aacute;rios; tamb&eacute;m teve resson&acirc;ncia entre aqueles preocupados com o processo de transfer&ecirc;ncia de responsabilidades sociais do Estado para a sociedade civil, mormente, aqueles advindos das pol&iacute;ticas neoliberais.</p>     <p>Portanto, como os atores da sociedade civil n&atilde;o buscam o poder do Estado nem desejam substituir as fun&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o do mercado, tornam-se menos suscet&iacute;veis aos valores norteadores de ambos e mais prop&iacute;cios para o surgimento de valores independentes e, em certos casos, at&eacute; antag&oacute;nicos aos da l&oacute;gica do poder e do dinheiro (Avritzer e Costa 2004, 710). Nesse sentido, a forma de atua&ccedil;&atilde;o da sociedade civil deve ser sempre aut&oacute;noma e buscar a influ&ecirc;ncia por meio da participa&ccedil;&atilde;o em associa&ccedil;&otilde;es e em movimentos e por meio da m&iacute;dia.<sup><a name="s5" href="#5">5</a></sup></p>     <p><b>2. Sociedade Civil: um conceito </b><i><b>no</b> </i><b>Sul Global</b></p>     <p>Conforme anunciaram Cohen e Arato (2001), uma das vias da retomada do formato contempor&acirc;neo do conceito foi informada pelos contextos latino-americanos e do Leste Europeu, no final dos anos 1970. Contudo, a elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica projetada mundialmente deu-se externa a eles e permaneceu fundamentada epistemologicamente nos pressupostos te&oacute;ricos modernos. Dois problemas da&iacute; derivaram-se: a) a divis&atilde;o r&iacute;gida entre Estado e Sociedade Civil e b) a desconsidera&ccedil;&atilde;o de grupos sociais que estavam fora dos moldes da modernidade/civilidade, ou seja, manifesta&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas de sociedade civil.</p>     <p>Nesta segunda parte do artigo, oferecemos algumas leituras que sugerem descompassos e desencaixes te&oacute;ricos a partir da experi&ecirc;ncia brasileira e latino-americana. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil, a reflex&atilde;o gira em torno do primeiro problema. Por sua vez, o cen&aacute;rio latino-americano &eacute; tomado de forma mais gen&eacute;rica com o fim de ilustrar muito brevemente o segundo ponto.</p>     <p>No Brasil, os contornos entre Estado, sociedade civil e mercado s&atilde;o marcadamente entrela&ccedil;ados, desde nossa funda&ccedil;&atilde;o, conforme boa parte do pensamento pol&iacute;tico e social que nos interpreta. Assim, nossos int&eacute;rpretes identificaram, cada um a sua maneira, o descompasso de nossa forma&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao exemplo europeu. Dessa maneira, nossas institui&ccedil;&otilde;es, nossa sociedade e nossa economia n&atilde;o corresponderiam &agrave; forma&ccedil;&atilde;o moderna caracterizada por limites claros entre as esferas e por fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e exclusivas.Do ponto de vista da forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, somos marcados pelo mandonismo desde as rela&ccedil;&otilde;es privadas at&eacute; as p&uacute;blicas (Carvalho 2003). Portanto, n&atilde;o ter&iacute;amos desde o in&iacute;cio as bases para a forma&ccedil;&atilde;o de um terreno que permitisse o surgimento de uma sociedade civil moderna. Primeiramente, pela aus&ecirc;ncia de separa&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado e, posteriormente, pela imbrica&ccedil;&atilde;o entre a esfera pol&iacute;tica e a esfera econ&oacute;mica do mercado. At&eacute; aqui, a aus&ecirc;ncia da autoli-mita&ccedil;&atilde;o entre as esferas sociais &eacute; aspecto que sugere a aus&ecirc;ncia, tamb&eacute;m, de uma sociedade civil. Outro momento hist&oacute;rico e anal&iacute;tico que merece ser destacado &eacute; aquele que compreende o in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o de nossos direitos at&eacute; o processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, analisou Santos (1979) que ter&iacute;amos no Brasil uma &quot;cidadania regulada&quot;, marcada pela limita&ccedil;&atilde;o da autonomia da sociedade civil e pela regula&ccedil;&atilde;o do acesso aos direitos pelo pr&oacute;prio Estado; ele pr&oacute;prio, o &quot;fabricante&quot; dasdemandas sociais. Outrossim, Carvalho sinalizou que, at&eacute; a redemocratiza&ccedil;&atilde;o, o que havia no Brasil era a &quot;estadania&quot; (Carvalho 1998) - gerada pela invers&atilde;o na arquitetura dos direitos que ofereceu bens sociais sem garantir um ambiente no qual tais demandas pudessem ser desenhadas pela pr&oacute;pria sociedade. Este aspecto envolveu o enfraquecimento da cidadania e a desarticula&ccedil;&atilde;o da sociedade pelo Estado, eliminando esferas de media&ccedil;&atilde;o representativas, desmobilizando a sociedade civil e minando sua autonomia. Esse aspecto foi rompido, em grande parte, com o processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e coroado com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, que garantiu v&aacute;rios mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o e controle social. Nos conceitos de ambos e na vis&atilde;o estadoc&ecirc;ntrica de ambos os autores - a qual se soma Faoro (2000) e Trindade (1986) -, o que estava em jogo era uma rela&ccedil;&atilde;o na qual o Estado engolfava a sociedade eliminando as suas possibilidades de autodetermina&ccedil;&atilde;o e autonomia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todas essas formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e conceituais sugerem que o desenvolvimento de nossas institui&ccedil;&otilde;es, constru&ccedil;&otilde;es sociais e econ&oacute;micas, mesmo espelhadas &agrave;s modernas elabora&ccedil;&otilde;es de mundo ocidental, sempre estiveram e permanecem marcadas por fortes entrela&ccedil;amentos. Assim, um conjunto de pesquisadores brasileiros t&ecirc;m analisado as liga&ccedil;&otilde;es entre Estado, sociedade e mercado, para al&eacute;m dos fen&oacute;menos pol&iacute;ticos do clientelismo, coronelismo ou coopta&ccedil;&atilde;o. Alternativamente, aquilo que se est&aacute; sugerindo &eacute; que Estado, sociedade civil e mercado possam se relacionar e estabelecer v&iacute;nculos que signifiquem o aprofundamento da democracia. Ademais, as an&aacute;lises emp&iacute;ricas t&ecirc;m sustentado que esses v&iacute;nculos s&atilde;o menos difusos e informais do que Cohen e Arato (2001), assim como Habermas (Ibid.) pensaram - ao passo que sejam menos formais do que as teorias das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas admitem.</p>     <p>Dagnino, Olvera e Panfichi (2006) argumentaram que, na realidade latino-americana, Sociedade Civil e Estado s&atilde;o heterog&ecirc;neos. Essa heterogeneidade ocorre em diferentes sentidos. Por um lado, &eacute; marcada pela exist&ecirc;ncia de diferentes projetos pol&iacute;ticos -autorit&aacute;rio, neoliberal e participativo - que atravessam o Estado e a Sociedade Civil. Por outro, &eacute; marcada pela pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o fragmentada das institui&ccedil;&otilde;es estatais (O&#39;Donnell 2011) e pelo pluralismo intr&iacute;nseco &agrave; sociedade civil. Dessa forma, sugerem que o modelo te&oacute;rico tripartite das esferas sociais n&atilde;o se sustenta se n&atilde;o entendermos os tr&acirc;nsitos queocorrem entre eles. Ademais, se o conceito de sociedade civil tem sua relev&acirc;ncia prec&iacute;pua na amplia&ccedil;&atilde;o da democracia, &eacute;, tamb&eacute;m, necess&aacute;rio conhecer os significados implicados nos v&iacute;nculos propostos pelos diferentes projetos pol&iacute;ticos existentes. Desse modo, concordantemente, Avritzer (2009) tem contribu&iacute;do com uma elabora&ccedil;&atilde;o conceitual, &agrave; luz das teorias democr&aacute;ticas, que permite compreender justamente esses elos e tr&acirc;nsitos pol&iacute;ticos entre Sociedade Civil e Estado. Nesse sentido, o conceito de &quot;institui&ccedil;&otilde;es participativas&quot; e &quot;institui&ccedil;&otilde;es h&iacute;bridas&quot; s&atilde;o exemplares.</p>     <p>Esses estudos evidenciam que o problema do conceito de sociedade civil elaborado por Cohen e Arato na esteira habermasiana est&aacute; na concep&ccedil;&atilde;o de um limite de a&ccedil;&atilde;o restrito e r&iacute;gido para a sociedade civil. A caracter&iacute;stica de autolimita&ccedil;&atilde;o impediria que a sociedade civil ocupasse posi&ccedil;&otilde;es efetivas no sistema pol&iacute;tico ou nas rela&ccedil;&otilde;es de mercado, deixando a essa o difuso papel de influenciar nas outras esferas. N&atilde;o deixaram claro, obstante, como isso ocorreria. A obje&ccedil;&atilde;o &agrave; influ&ecirc;ncia autolimitada da sociedade civil segue, tamb&eacute;m, em outro sentido, qual seja, a necess&aacute;ria implica&ccedil;&atilde;o entre autolimita-&ccedil;&atilde;o e autonomia. Assim, a partir de uma perspectiva relacional, admite-se que existam complexas e m&uacute;ltiplas imbrica&ccedil;&otilde;es entre Estado e Sociedade Civil, tendo em vista as heterogeneidades intr&iacute;nsecas a estes dois. Torna-se duvidoso afirmar que a aproxima&ccedil;&atilde;o entre alguns setores da sociedade civil e do Estado comprometa a autonomia desta como um todo.</p>     <p>Avritzer (2009) defende que &quot;a especificidade da Am&eacute;rica Latina para abordar os conceitos de cidadania, sociedade civil e espa&ccedil;o p&uacute;blico&quot; (2009, 4) estabelece &quot;um novo centro geogr&aacute;fico para o conceito (2009, 13)&quot;. O autor argumenta, assim, que o processo de &quot;democratiza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina produziu atores que ressignificaram as vers&otilde;es europeias e norte-americanas anteriores do conceito de sociedade civil. A sociedade civil latino-americana fornece,por meio de sua pluralidade, manifesta&ccedil;&otilde;es con-testat&oacute;rias e participativas; uma nova gram&aacute;tica para esse velho conceito. As express&otilde;es n&atilde;ocivis dessa nova sociedade civil latino-americana s&oacute; podem ser entendidas a partir do rompimento com o marco liberal (especialmente, o da representa&ccedil;&atilde;o individual de interesses), institucional (espa&ccedil;o onde se desenrola a luta pol&iacute;tica) e do reconhecimento de novas quest&otilde;es culturais e identit&aacute;rias muito pr&oacute;prias da regi&atilde;o reivindicadas pela a&ccedil;&atilde;o coletiva&quot;. Isso contribuiria para a n&atilde;o-criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e dos protestos, correntemente veiculados pela m&iacute;dia hegem&ocirc;nica.</p>     <p>Nossa hist&oacute;ria e desenvolvimento estiveram condicionados pela viol&ecirc;ncia da domina&ccedil;&atilde;o colonial e explora&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica. Os processos de independ&ecirc;ncia em geral foram no s&eacute;culo XIX produto de interesses econ&oacute;micos e n&atilde;o pol&iacute;ticos das elites locais. Ainda que os padr&otilde;es de coloniza&ccedil;&atilde;o empenhados por espanh&oacute;is e portugueses tenham sido muito diferentes, o continente n&atilde;o obedeceu &agrave; mesma din&acirc;mica de diferencia&ccedil;&atilde;o nas esferas p&uacute;blicas e privadas - em um sentido estatal e econ&oacute;mico, respectivamente - observada no velho mundo. Isso supostamente teria desautorizado a exist&ecirc;ncia de uma sociedade civil latino-americana antes do s&eacute;culo XX: n&atilde;o haveria uma sociedade entre iguais e um senso de justi&ccedil;a p&uacute;blica.<sup><a name="s6" href="#6">6</a></sup>Por uma s&eacute;rie de outras raz&otilde;es, a Am&eacute;rica Latina foi e &eacute; sobrecarregada de interpreta&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises pessimistas. Diferentes correntes te&oacute;ricas do pensamento social e pol&iacute;tico latino-americano buscaram encontrar processos europeus no continente: feudalismo, revolu&ccedil;&atilde;o industrial, liberalismo, revolu&ccedil;&atilde;o burguesa, entre outros. As especificidades da Am&eacute;rica Latina, por&eacute;m, foram trabalhadas por algumas correntes do marxismo latino-americano, especialmente, nos escritos de Jos&eacute; Carlos Mari&aacute;tegui e vers&otilde;es da Teoria da Depend&ecirc;ncia - considerada como uma produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica genuinamente latino-americana, e que inspirou autores como Immanuel Wallerstein, Samir Amin e Giovanni Arrighi (Martins 2006).</p>     <p>Para os te&oacute;ricos da moderniza&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cada de 1960 (Martins 2006), que postulavam uma correla&ccedil;&atilde;o causal positiva entre desenvolvimento econ&oacute;mico e democracia, a Am&eacute;rica Latina estava condenada por seu subdesenvolvimento e n&atilde;o obedi&ecirc;ncia a um etapismo hier&aacute;rquico atravessado pelas sociedades avan&ccedil;adas do Norte. As teorias da cultura pol&iacute;tica, por sua vez, elaboradas tamb&eacute;m nesta mesma d&eacute;cada, apesar de escolherem o M&eacute;xico como um dos cinco casos de an&aacute;lise, acabaram receitando a f&oacute;rmula de cultura c&iacute;vica e democr&aacute;tica dos Estados Unidos da Am&eacute;rica e da Inglaterra (Almond e Verba 1963). As teorias da transi&ccedil;&atilde;o, por seu turno, elaboradas ao longo dos anos 1980, claramente apostaram mais no sul da Europa (Gr&eacute;cia, Portugal e Espanha) do que na Am&eacute;rica Latina, em termos de consolida&ccedil;&atilde;o da democracia (O&#39;Donnell, Schimitter e Whitehead 1988). At&eacute; a metade da d&eacute;cada de 1990, v&aacute;rios te&oacute;ricos tinham d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estabilidade do nosso sistema pol&iacute;tico (Linz e Stepan 1999).</p>     <p>Por outro lado, o continente parecia ter produzido somente uma s&eacute;rie de &quot;ismos&quot; indesej&aacute;veis, fruto direto da mistura hist&oacute;rica entre o p&uacute;blico e privado: coronelismo, clientelismo, mandonismo, caudilhismo, populismo. Estes fen&oacute;menos aliados &agrave;s vers&otilde;es estadoc&ecirc;ntricas brasileiras supracitadas, teriam atrofiado o desenvolvimento de nossa sociedade civil.</p>     <p>O estudo da sociedade civil na Am&eacute;rica Latina por ela mesma tem sido realizado com a utiliza&ccedil;&atilde;o de outras nomenclaturas. Ainda est&aacute; por ser feito um trabalho de f&oacute;lego que mapeie historicamente e recrie uma genealogia dos movimentos da sociedade civil na regi&atilde;o. Embora a redemocratiza&ccedil;&atilde;o tenha dado grande impulso a essa agenda de pesquisa, sabemos que o cen&aacute;rio associativo latino-americano possui uma riqueza anterior: associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias e de bairro, organiza&ccedil;&otilde;es populares camponesas, bem como a pr&oacute;pria resist&ecirc;ncia armada durante os per&iacute;odos ditatoriais precisam encontrar lugar no vasto repert&oacute;rio da a&ccedil;&atilde;o coletiva no continente, certamente n&atilde;o iniciada ao final dos anos 1970.</p>     <p>As teorias da transi&ccedil;&atilde;o apostaram em uma an&aacute;lise que deixaram em segundo plano as rela&ccedil;&otilde;es entre Estado e Sociedade Civil. Basicamente, os estudos sobre transitologia enfatizaram as negocia&ccedil;&otilde;es entre atores pol&iacute;ticos e as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (Avritzer 1996). A literatura criticada na se&ccedil;&atilde;o anterior possuiu, assim, o m&eacute;rito de iluminar a import&acirc;ncia da sociedade civil neste processo, ainda que care&ccedil;a de an&aacute;lises e relatos detalhados.</p>     <p>No Brasil, o movimento pela Anistia em 1979 e pelas &quot;Diretas J&aacute;&quot; em 1984 mostraram a for&ccedil;a dos movimentos sociais, do novo sindicalismo, dos novos partidos de esquerda, das associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, das comunidades eclesiais de base, das organiza&ccedil;&otilde;es populares, dos movimentos suprapartid&aacute;rios. Por exemplo, o movimento de associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias no Brasil nas grandes capitais lutou por melhorias urbanas resultando, no come&ccedil;o dos anos 1980, no F&oacute;rum Nacional da Reforma Urbana. A luta pelo direito &agrave; cidade e &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana no Brasil foi fundamental para a presen&ccedil;a na Assembleia Nacional Constituinte, para a posterior elabora&ccedil;&atilde;o do Estatuto da Cidade em 2001 e para as audi&ecirc;ncias para a aprova&ccedil;&atilde;o dos planos diretores municipais. Outro exemplo vem do movimento sanitarista que teve sua origem nas lutas sociais na zona leste de S&atilde;o Paulo o qual exigia o acesso &agrave; sa&uacute;de enquanto direito; ele evoluiu para a cria&ccedil;&atilde;o de conselhos visando ao controle dos servi&ccedil;os municipais de sa&uacute;de (Avritzer 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda no processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o, poder&iacute;amos citar no M&eacute;xico o movimento dos atingidos pelo terremoto de 1985 e a forma&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a C&iacute;vica - uma clara disputa entre sociedade civil e governo sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do sistema eleitoral mexicano. Na Argentina, o movimento das m&atilde;es e av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio continua vivo at&eacute; hoje; sendo este pa&iacute;s um exemplo na luta pelos Direitos Humanos, Mem&oacute;ria, Justi&ccedil;a e Verdade.</p>     <p>Os movimentos que reivindicam redistribui&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e reconhecimento cultural (Fraser 2001) ganharam muito for&ccedil;a no continente a partir da d&eacute;cada de 1980. Assim, temos um forte movimento ind&iacute;gena no Brasil e no Chile com os &iacute;ndios Mapuche, mas especialmente nos pa&iacute;ses da regi&atilde;o andina como Peru, Equador e Bol&iacute;via. O movimento pela &aacute;gua na Bol&iacute;via, bem como o movimento dos cocaleros, as comunidades de paz na Col&oacute;mbia, os zapatistas no M&eacute;xico, os piqueteiros, bloqueios e cacerola&ccedil;os na Argentina, o movimento dos sem-terra (MST no Brasil e Via Campesina na Am&eacute;rica Latina), sem-teto e atingidos por barragens, Vale do Rio Doce e petr&oacute;leo e g&aacute;s no Brasil, as cooperativas da economia solid&aacute;ria, a recupera&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas, s&atilde;o outros exemplos.</p>     <p>Fora do campo dos movimentos sociais, mas ainda no campo da sociedade civil, n&atilde;o podemos esquecer as milhares de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais (ONGs) locais, nacionais, regionais e internacionais que atuam no continente e abordam estes e outros temas derivados, junto a outras associa&ccedil;&otilde;es, funda&ccedil;&otilde;es e outros tipos de organiza&ccedil;&otilde;es. Muitas vezes formam-se redes transnacionais de advocacia, como por exemplo, pela redu&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia armada, meio ambiente e direito das mulheres. N&atilde;o podemos esquecer tamb&eacute;m que os pr&oacute;prios F&oacute;runs Sociais Mundiais (FSM) tiveram grande parte de suas edi&ccedil;&otilde;es no Brasil e Venezuela, bem como a pr&oacute;pria import&acirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o transnacional dos movimentos sociais contra a &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio para as Am&eacute;ricas(Alca). Existe ainda uma s&eacute;rie de redes transnacionais no continente que atuam sobre os mais variados temas tocantes aos processos de desenvolvimento em curso.</p>     <p>No &acirc;mbito institucional, muitos expoentes da sociedade civil latino-americana possuem rela&ccedil;&atilde;o com a esquerda partid&aacute;ria. A Constitui&ccedil;&atilde;o Boliviana de 2007 que conclama um Estado Plurinacional, estabelece a possibilidade de lideran&ccedil;as de movimentos sociais se candidatarem para cargos eletivos, quebrando o monop&oacute;lio da representa&ccedil;&atilde;o de interesses pelos partidos pol&iacute;ticos. Segundo Silva (2010), o Movimento ao Socialismo da Bol&iacute;via, o Partido Socialista Unificado da Venezuela e o Movimento P&aacute;tria Altiva e Soberana no Equador s&atilde;o partidos de esquerda refundadoras, isto &eacute;, prop&otilde;em refundar as institucionalidades da democracia representativa liberal ocidental, o que justificaria os olhares desconfiados sobre o que vem ocorrendo nesses pa&iacute;ses. Por outro lado, a Frente Ampla do Uruguai, o Partido dos Trabalhadores do Brasil, a Frente Sandinista de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional da Nicar&aacute;gua e o Partido Socialista chileno representam partidos de esquerda renovadores, com uma cr&iacute;tica moderada ao neoliberalismo e &agrave; democracia representativa.</p>     <p>Outras experi&ecirc;ncias inovadoras que desafiam &agrave;s teorias mais tradicionais de sociedade civil s&atilde;o aquelas nas quais o Estado ativa a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social. Desde os Conselhos Comunais venezuelanos aos Or&ccedil;amentos Participativos no Brasil - exportado para diversos lugares do mundo -, a experi&ecirc;ncia continental traz novidades emp&iacute;ricas para o pensamento te&oacute;rico acerca de quais s&atilde;o os atores part&iacute;cipes da sociedade civil e at&eacute; que ponto est&atilde;oafastados do Estado. Atualmente, a experi&ecirc;ncia boliviana desperta um interesse mundial por suas tentativas de ruptura com o constitucionalismo e sistema pol&iacute;tico liberal.</p>     <p><b>3. Sociedade Civil: Abertura Conceitual</b></p>     <p>Conforme Keane (2001, 45), a &quot;globaliza&ccedil;&atilde;o vertical e horizontal&quot; da &quot;linguagem da sociedade civil&quot; (2001, 45) extrapolou seu marco ocidental. Atualmente, ela &eacute; cada vez mais observada em pa&iacute;ses africanos, c&iacute;rculos isl&acirc;micos e leste asi&aacute;tico. Por exemplo, em Formosa e na China, &quot;controv&eacute;rsias antropol&oacute;gicas&quot; tomaram lugar para a melhor tradu&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o &quot;sociedade civil&quot;; nestes contextos, &quot;sociedade popular&quot; e &quot;sociedade de cidad&atilde;os&quot; apareceriam como as melhores alternativas<sup><a name="s7" href="#7">7</a></sup> (Keane 2001, 37). Para Chatterjee (2004, 70), o conceito de sociedade civil n&atilde;o faz o menor sentido na &Iacute;ndia, pois estaria separado &quot;da mais ampla vida popular das comunidades, encastelada em enclaves de liberdade c&iacute;vica e lei racional&quot;.</p>     <p>Antes mesmo desta atual fase de expans&atilde;o conceitual, pol&iacute;tica e pr&aacute;tica do termo, Keane (2001.) observou que, em 1960, a desconhecida Escola da Sociedade Civil do Marxismo Japon&ecirc;s de inspira&ccedil;&atilde;o grams-ciana constituiu o primeiro esfor&ccedil;o contempor&acirc;neo de recupera&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o, embora confinada ao Jap&atilde;o. De fato, foi Gramsci um dos te&oacute;ricos mais importantes para a renova&ccedil;&atilde;o do pensamento marxista e da pr&oacute;pria sociedade civil. Ao pensar em um modelo tripartite de sociedade (econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e civil) seguida por muitos autores, inclusive n&atilde;o marxistas, ele ampliou a percep&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de domina&ccedil;&atilde;o ao plano cultural/ideol&oacute;gico, igualando-o em import&acirc;ncia estrat&eacute;gica ao material/econ&oacute;mico. A sociedade civil gramsciana &eacute; um campo aberto, originada da din&acirc;mica econ&oacute;mica da sociedade, mas que disputa hegemonia por meio de tend&ecirc;ncias, interesses e vis&otilde;es de mundo. Atualmente, observa-se um interesse renovado concep&ccedil;&atilde;o de &quot;sociedade civil comunista&quot; gramsciana.</p>     <p>Para o grupo de intelectuais indianos dos &quot;Estudos Subalternos&quot;, oriundos, sobretudo, do marxismo dissidente indiano, o conceito de sociedade civil precisa ser questionado. Isso porque as ambiguidades deste n&atilde;o est&atilde;o presentes apenas na formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica tripartite e aditiva do social conforme Chandhoke (2003), em cr&iacute;tica a Cohen e Arato. Os autores Chandhoke (200), Chatterjee (2004), Khilnani e Kaviraj (2001), Hachhethu e Gellner (2008), Randeria (2006) e Roy (2003), est&atilde;o cientes de que o Estado sempre est&aacute; limitando a autonomia da sociedade civil; mas, al&eacute;m disso, percebem tamb&eacute;m que a sociedade civil implica um projeto ocidental, que pressup&otilde;e uma vis&atilde;o de mundo, uma forma organizativa, um conceito de mobiliza&ccedil;&atilde;o e formas espec&iacute;ficas de rela&ccedil;&atilde;o com o Estado. Cada um desses autores desenvolve sua argumenta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, mas, tomando-os em conjunto, &eacute; poss&iacute;vel perceber que todos identificam a exist&ecirc;ncia de &quot;sociedades civis&quot; e que, concretamente, &eacute; poss&iacute;vel observar que as sociedades civis do Norte Global tentam impor suas concep&ccedil;&otilde;es &agrave;s sociedades civis do Sul Global.</p>     <p>&Eacute; nesse sentido que a an&aacute;lise cr&iacute;tica das ONGs ganha tanta relev&acirc;ncia nos trabalhos de pesquisadores indianos e tamb&eacute;m sul-africanos. Em seus estudos, manifestam que conflitos e embates importantes entre civiliza&ccedil;&otilde;es ocorrem para al&eacute;m dos instrumentos do Estado e da economia, no terreno da linguagem, da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura. Assim, o modelo de associativismo ocidental tem sido imposto atrav&eacute;s dessas organiza&ccedil;&otilde;es que do Norte v&atilde;o para os pa&iacute;ses pobres do sul imbu&iacute;das de projetos que correspondem aos anseios das sociedades civis de seus pa&iacute;ses de origem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao buscar fundamentar o conceito de sociedade civil de forma pragm&aacute;tica &agrave; experi&ecirc;ncia indiana, Chandhoke (2003) ressalta que a sociedade civil &eacute; heterog&ecirc;nea e constitu&iacute;da por fatores diversos de acordo com conting&ecirc;ncias e contextos espec&iacute;ficos de cada pa&iacute;s. Adverte que a maior parte dos te&oacute;ricos da sociedade civil confunde-se entre uma vis&atilde;o anal&iacute;tica e uma vis&atilde;o prescritiva desta. Ou seja, eles confundem o que &eacute; com o que deveria ser a sociedade civil. Dessa forma, deixam de perceber que, longe de se constituir como a salva&ccedil;&atilde;o para os problemas da democracia, a sociedade civil est&aacute; permeada por ambiguidades. Ela afirma que a sociedade civil &eacute; necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente, para a democracia.</p>     <p>Para a autora, o potencial democr&aacute;tico da sociedade civil de contesta&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia &agrave; domina&ccedil;&atilde;o dos poderes constitu&iacute;dos est&aacute; amea&ccedil;ado, principalmente nos pa&iacute;ses pobres, pela atua&ccedil;&atilde;o de ONGs internacionais que tendem a domesticar as sociedades locais, despolitizando suas quest&otilde;es na medida em que atribuem verticalmente significados &agrave;s suas lutas e demandas. Ela critica a substitui&ccedil;&atilde;o do ativismo local pela atua&ccedil;&atilde;o de grandes ONGs, uma vez que estas &uacute;ltimas realizam as tarefas do Estado legitimando a sua n&atilde;o-performance, o que resulta, por fim, numa neutraliza&ccedil;&atilde;o dos descontentamentos pol&iacute;ticos causados pela falta de a&ccedil;&atilde;o estatal (Chandhoke 2003).</p>     <p>Mas, al&eacute;m das implica&ccedil;&otilde;es das atividades das ONGs internacionais em pa&iacute;ses pobres, a autora tamb&eacute;m alerta para as contradi&ccedil;&otilde;es existentes dentro dos movimentos sociais e das demais organiza&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em as sociedades locais. Assim, quando pr&aacute;ticas marginalizadas procuram entrar no dom&iacute;nio da sociedade civil, elas precisam romper barreiras para simplesmente registrar suas presen&ccedil;as e necessidades nessa esfera. Al&eacute;m disso, a autora adverte que, apesar de muitos movimentos sociais terem revelado identidades e a multiplicidade de opress&atilde;o na sociedade civil, tamb&eacute;m t&ecirc;m criado categorias essencializadas de identidade (Chandhoke 2003, 209), o que, ao inv&eacute;s de contribuir para a inclus&atilde;o desses grupos, exclui ainda mais.</p>     <p>Mas, al&eacute;m das incertezas de papel da sociedade civil em assegurar democracia, &eacute; preciso lembrar que se trata de uma categoria moderna ocidental (Chatterjee 2004). Dessa forma, &eacute; necess&aacute;rio avaliar como ela opera em contextos que carregam aspectos culturais pr&oacute;prios, conflitantes com os valores modernos. A sociedade civil moderna tem suas pr&oacute;prias bandeiras, muitas, em contraposi&ccedil;&atilde;o a grupos culturais espec&iacute;ficos (Khilnani e Kaviraj 2001). Nesse sentido, se n&atilde;o quisermos que alguns grupos culturais fiquem exclu&iacute;dos, precisamos avaliar n&atilde;o apenas se os formatos de mobiliza&ccedil;&atilde;o da moderna sociedade civil (em associa&ccedil;&otilde;es e ONGs) est&atilde;o representando grupos culturais &quot;tradicionais&quot;, mas tamb&eacute;mprecisamos ,naquilo que entendemos por sociedade civil, formas de organiza&ccedil;&atilde;o diferentes dos formatos modernos (Hachhethu e Gellner 2008; Roy 2003; Escobar 2005).</p>     <p>Pesquisadores do Nepal, Bhattachan (2003), Hachhethu e Gellner (2008), entre outros, t&ecirc;m defendido um entendimento mais amplo de sociedade civil, que inclua aqueles grupos tidos como &quot;tradicionais&quot;. O argumento deles &eacute; de que a organiza&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria nesse pa&iacute;s &eacute; anterior ao formato de ONGs e que podem ser observadas em toda sua hist&oacute;ria, contrariando aqueles que sustentam que n&atilde;o h&aacute; uma genu&iacute;na sociedade civil l&aacute;. Al&eacute;m disso, elementos como &quot;democracia&quot; e &quot;transpar&ecirc;ncia&quot; n&atilde;o est&atilde;o presentes na totalidade das organiza&ccedil;&otilde;es que o Ocidente considera como parte da sociedade civil.</p>     <p>Mas, al&eacute;m desse, outro ponto no debate &eacute; relevante. Trata-se da discuss&atilde;o epistemol&oacute;gica que fundamenta as fun&ccedil;&otilde;es de sociedades civis, enquanto l&oacute;cus para a forma&ccedil;&atilde;o de consensos democr&aacute;ticos ou enquanto fundamento para a emerg&ecirc;ncia de contra-hegemonias. Nesse sentido, as an&aacute;lises produzidas a partir dessas experi&ecirc;ncias &quot;n&atilde;o exemplares&quot; (Rosa 2008) do Sul Global t&ecirc;m apontado para a coexist&ecirc;ncia entre experi&ecirc;ncias de coopera&ccedil;&atilde;o e de contesta&ccedil;&atilde;o intra sociedade civil e entre esta e o Estado. Assim, em nossas sociedades civis, t&ecirc;m florescido tanto experi&ecirc;ncias de a&ccedil;&atilde;o conjunta entre Estado e sociedade civil quanto movimentos e manifesta&ccedil;&otilde;es que visam a desestabilizar a ordem (Hachhethu e Gellner 2008).</p>     <p>A proposta de Randeria (2006) neste debate tamb&eacute;m &eacute; importante. A autora critica as explica&ccedil;&otilde;es que partem da ideia de &quot;hibridiza&ccedil;&atilde;o&quot; ou modernidade h&iacute;brida para analisar a coexist&ecirc;ncia de aspectos distintos na sociedade civil. Sua cr&iacute;tica &agrave; no&ccedil;&atilde;o est&aacute; na tend&ecirc;ncia que esta produz de essencializar tanto as aspectos considerados &quot;n&atilde;o modernos&quot; quanto a presumir uma pureza nas formas e institui&ccedil;&otilde;es europeias. Ela defende uma no&ccedil;&atilde;o de &quot;modernidades entrela&ccedil;adas&quot;<sup><a name="s8" href="#8">8</a></sup> (2006, 100), a partir da qual introduz o elemento relacional como constituidor de v&aacute;rias e diferentes modernidades. Assim, para Randeria &quot;n&atilde;o existe uma &uacute;nica e coerente ideia de sociedade civil que tenha viajado do Ocidente e tenha sido, ou possa ser replicada em outro lugar&quot; (2006, 106).</p>     <p>Por sua vez, Chakrabarty (2000, 4) realiza uma cr&iacute;tica importante no &acirc;mbito do p&oacute;s-colonialismo, mas que n&atilde;o desconsidera e n&atilde;o pretende romper com a paternidade europeia do conceito: &quot;Conceitos como cidadania, Estado, sociedade civil, esfera p&uacute;blica, direitos humanos, igualdade perante a lei, o indiv&iacute;duo, a distin&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado, a ideia do sujeito, a democracia, soberania popular, justi&ccedil;a social, racionalidade cient&iacute;fica e assim por diante, todos carregam a carga do pensamento e hist&oacute;ria europeias &#91;...&#93; Estes conceitos vinculam uma inevit&aacute;vel - no sentido de indispens&aacute;vel - vis&atilde;o universal e secular do ser humano&quot;.</p>     <p>Da mesma forma, Domingues (2011, 13) critica este tipo de argumenta&ccedil;&atilde;o ao afirmar que &quot;nada do que &eacute; humano me &eacute; estranho, deveria ser nosso lema, pois o que emerge numa regi&atilde;o de modo contingente num dado momento, e assim ocorreu com a modernidade, pode ser apropriado autenticamente por qualquer indiv&iacute;duo ou coletividade, desde que responda as suas necessidade e expectativas concretas. O que importa &eacute; o que fazemos com ela&quot;.</p>     <p>Porquanto, n&atilde;o se trata de negar a evidente influ&ecirc;ncia do mundo ocidental em plantar suas institui&ccedil;&otilde;es e os modos de vida nesses pa&iacute;ses. Se pudermosdizer que aqui encontramos diferentes aspectos da modernidade global, estamos, com isso, reconhecendo essa heran&ccedil;a. Entretanto, o que se sugere &eacute; que as solu&ccedil;&otilde;es e caminhos futuros possam ser pensados daqui (e aqui) tamb&eacute;m. &Eacute; nesse sentido que v&aacute;rias propostas tamb&eacute;m t&ecirc;m emergido, recentemente, na Am&eacute;rica Latina, evocando outras formas de encaminhar projetos de vida coletiva. Chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para a no&ccedil;&atilde;o de &quot;p&oacute;s-desenvolvimento&quot; que tem como um dos seus principais articula-dores o colombiano Arturo Escobar (2005), que tem sustentado o estabelecimento de outros indiciadores de &quot;bem-viver&quot;, &quot;desenvolvimento&quot; etc., a partir de experi&ecirc;ncias concretas, em pr&aacute;tica em v&aacute;rios cantos da Am&eacute;rica Latina por comunidades &quot;tradicionais&quot; e povos origin&aacute;rios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Escobar argumenta que a no&ccedil;&atilde;o de &quot;p&oacute;s-desenvolvimento&quot; proposta pelos p&oacute;s-estruturalistas estaria comprometida n&atilde;o com uma adapta&ccedil;&atilde;o dos projetos de desenvolvimentos euroc&ecirc;ntricos &agrave;s culturas locais, mas, sim, com a possibilidade de que as culturas locais alterem os projetos de desenvolvimento euroc&ecirc;ntricos e construam suas pr&oacute;prias no&ccedil;&otilde;es de bem viver. Para o autor os principais atores desse processo s&atilde;o: &quot;comunidades locais&quot;, novos movimentos sociais e ONGs, somados a todos os produtores de conhecimento, em que est&atilde;o inclu&iacute;dos indiv&iacute;duos, Estado e movimentos sociais (Escobar 2005, 21). Esse momento e movimento p&oacute;s-desenvol-vimento encontra, vis&atilde;o de Escobar, um terreno fecundo na &Aacute;sia, &Aacute;frica e Am&eacute;rica Latina, j&aacute; que longe de completar o projeto de desenvolvimento (por isso foram chamados de subdesenvolvidos), preservam experi&ecirc;ncias que s&atilde;o capazes de mudar o curso dos acontecimentos e criam alternativas ao &quot;mundo desenvolvido&quot;.</p>     <p>Nesse sentido, discutem-se os fundamentos ocidentais da pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o do conhecimento, colocando em cheque a supremacia do saber cient&iacute;fico, dos macromodelos de sociedade e da constru&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es universalizantes. O autor oferece exemplos como o Processo de Comunidades Negras do Pac&iacute;fico sul-colombiano, processo que prop&otilde;e um pa&iacute;s pluri&eacute;tnico e multicultural. No Brasil, podemos facilmente identificar o p&oacute;s-desenvolvimento com as redes de agroecologia que, desde a sociedade civil at&eacute; o Estado, est&atilde;o criando outras formas de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos, de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento, al&eacute;m de formas de vida concretamente diferentes. Ambas as experi&ecirc;ncias est&atilde;o implicadas naquilo que o autor chama de &quot;contra--labor&quot;<sup><a name="s9" href="#9">9</a></sup> (2005), ou seja, formas de a&ccedil;&atilde;o que subvertem e deslocam os significados da economia, da pol&iacute;tica, da natureza etc., e tamb&eacute;m mesclam aspectos de conhecimento pr&aacute;tico, moderno, com o local, &quot;criando modernidades m&uacute;ltiplas, locais ou mutantes&quot; (Escobar 2005, 25), al&eacute;m das p&oacute;s-modernidades.</p>     <p>Muitas destas experi&ecirc;ncias t&ecirc;m sido consideradas um exerc&iacute;cio de-colonial que confronta a colonialidade do poder, do ser e do saber (Castro-G&oacute;mez e Grosfoguel 2007). O sentido de de-colonizar a modernidade a partir de perspectivas n&atilde;o eurocentradas e de paradigmas outros foi traduzido nos conceitos de &quot;pensamento fronteiri&ccedil;o&quot; de Walter Mignolo e &quot;transmodernidade&quot; de Enrique Dussel. Desprendimento, abertura, <i>de-linking, </i>desobedi&ecirc;ncia, vigil&acirc;ncia e suspei&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;micas s&atilde;o estrat&eacute;gias para a decoloniza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e epistemol&oacute;gica, na qual a categoria de sociedade civil come&ccedil;a a transitar.</p>     <p>Acreditamos que n&atilde;o s&oacute; os atores da sociedade civil como os autores que teorizam sobre ela possuem a oportunidade de criar focos de questionamento e resist&ecirc;ncia, no que pese a considera&ccedil;&atilde;o de outras experi&ecirc;ncias subalternizadas na pr&aacute;tica e na teoria.</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     <p>Recorrentemente, n&oacute;s, cientistas pol&iacute;ticos do Sul Global, tendemos a analisar nosso continente a partir de modelos explicativos pensados e baseados nas experi&ecirc;ncias do Norte Ocidental. Esta pr&aacute;tica geralmente nos leva a cometer dois erros b&aacute;sicos. O primeiro diz respeito ao processo sistem&aacute;tico de importa&ccedil;&atilde;o de teorias que nos leva &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de colonizados do saber. O segundo, derivado do primeiro, refere-se &agrave;s frustra&ccedil;&otilde;es quando aplicamos estas teorias e, logo, aos diagn&oacute;sticos e progn&oacute;sticos equivocados a partir delas elaborados.</p>     <p>Neste artigo procuramos cumprir um objetivo principal, qual seja, o de problematizar a trajet&oacute;ria conceitual da ideia de sociedade civil e a contribui&ccedil;&atilde;o das novas experi&ecirc;ncias do Sul Global para a incorpora&ccedil;&atilde;o de novos sentidos e significados. &Eacute; preciso notar que esta esp&eacute;cie de descons-titui&ccedil;&atilde;o agrega um novo repert&oacute;rio para o conceito de sociedade civil, cuja gram&aacute;tica seminal est&aacute; associada &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o liberal moderna europeia.</p>     <p>O conceito de sociedade civil permanece em disputa por uma mir&iacute;ade de atores que endossam diferentes projetos pol&iacute;ticos hegem&oacute;nicos e contra-he-gem&oacute;nicos. A vers&atilde;o civilizada, institucionalizada e comportada da sociedade civil concorre com suas vers&otilde;es desconsideradas, subalternizadas e desobedientes. A esta altura, poder&iacute;amos nos questionar se a utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de sociedade civil ainda &eacute; v&aacute;lida para designar as m&uacute;ltiplas experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o e contesta&ccedil;&atilde;o que conformam o Sul Global.</p>     <p>Por enquanto, optamos pelo n&atilde;o-abandono da ideia, desde que esta seja deslocada de sua matriz origin&aacute;ria europeia de modo a incorporar as experi&ecirc;ncias que os atores contempor&acirc;neos desde o Sul t&ecirc;m lhe oferecido. Isso porque as tentativas de encaixe explicativo e normativo das vers&otilde;es metroc&ecirc;ntricas da sociedade civil para o Brasil e Am&eacute;rica Latina cont&ecirc;m implicitamente a ideia de um modelo a ser seguido e copiado - modelo este prescrito, inclusive, pelas principais organiza&ccedil;&otilde;es internacionais dominadas pelos pa&iacute;ses centrais. As tentativas de neutralizar, despolitizar, esterilizar e cooptar a ideia da sociedade civil se torna parte estrat&eacute;gica de universalizar e hegemonizar seu significado neoliberal. Chamamos aten&ccedil;&atilde;o de que este conceito &eacute; um dos muitos que est&atilde;o em disputa no mundo do s&eacute;culo XXI, cada vez mais ampliado por conforma&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas - na pr&aacute;tica, na geografia e na teoria.</p> <hr size=1>     <p><b>Comentarios</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="*" href="#s*">*</a></sup> As an&aacute;lises produzidas neste artigo s&atilde;o fruto da interlocu&ccedil;&atilde;o e da discuss&atilde;o te&oacute;rica estabelecida entre as co-autoras, a partir de suas investiga&ccedil;&otilde;es individuais.</p>     <p><sup><a name="1" href="#s1">1</a></sup>   A ordem das autoras segue apenas o crit&eacute;rio de ordem alfab&eacute;tica, j&aacute; que ambas s&atilde;o igualmente respons&aacute;veis pelos m&eacute;ritos e eventuais falhas existentes no artigo.</p>     <p><sup><a name="2" href="#s2">2</a></sup> Para uma vis&atilde;o anticomunista da sociedade civil, ver Gellner (1996).</p>     <p><sup><a name="3" href="#s3">3</a></sup> Contrariamente ao entendimento acerca do abolicionismo consolidado no pensamento pol&iacute;tico brasileiro, recentemente Alonso (2011) evidenciou que havia um forte associativismo abolicionista no Brasil que antecedeu as principais inova&ccedil;&otilde;es institucionais marcantes do processo abolicionista brasileiro.</p>     <p><sup><a name="4" href="#s4">4</a></sup> Originalmente publicado em 1992 em ingl&ecirc;s.</p>     <p><sup><a name="5" href="#s5">5</a></sup> Durante a d&eacute;cada de 1980 nos Estados Unidos Charles Tilly (1996) refutou o conceito de sociedade civil, argumentando que a separa&ccedil;&atilde;o das esferas &quot;civil&quot; e &quot;pol&iacute;tica&quot; seria mais fruto da proje&ccedil;&atilde;o normativa dos te&oacute;ricos do que empiricamente observ&aacute;vel. Da mesma forma, Warren (2001) defende a substitui&ccedil;&atilde;o do conceito, bastante setorial, pela ideia de &quot;associa&ccedil;&otilde;es&quot;.</p>     <p><sup><a name="6" href="#s6">6</a></sup> Esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; controversa. Especialmente no caso argentino, autores como Trindade (1986) mostraram o desenvolvimento de uma sociedade civil j&aacute; no s&eacute;culo XIX, contrariamente ao caso brasileiro. A nota de rodap&eacute; 3 tamb&eacute;m desafia tal ideia no caso do Brasil.</p>     <p><sup><a name="7" href="#s7">7</a></sup> Para uma leitura de amostras continentais da sociedade civil (Ir&atilde;, Turquia, Palestina, China, Nig&eacute;ria e outros), ver Glasius et al. (2004).</p>     <p><sup><a name="8" href="#s8">8</a></sup> Originalmente, <i>&quot;entangled modernities&quot;.</i></p>     <p><sup><a name="9" href="#s9">9</a></sup> A express&atilde;o &eacute; traduzida da elabora&ccedil;&atilde;o original, <i>counterwork, </i>de Arce e Long (2000).</p>  <hr size=1>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1.&nbsp;Alatas, Syed Farid. 2003. Academic dependency and the global division of labour in the social sciences. <i>Current Sociology 51 </i>(6): 599-613.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0121-5612201300020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2.&nbsp;Almond, GabrielSidney Verba. 1963. <i>The civic culture: olitical attitudes and democracy in five nations. </i>Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0121-5612201300020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3.&nbsp;Alonso, Angela. 2011. Associativismo avant la lettre as sociedades pela aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o no Brasil oitocentista. <i>Sociologias </i>(UFRGS. Impresso) 28: 169-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0121-5612201300020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4.&nbsp;Arce, Alberto e Norman Long (eds.). 2000. <i>Anthropology, development, and modernities. </i>Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0121-5612201300020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5.&nbsp;Avritzer, Leonardo. 2009. Am&eacute;rica Latina: especificidade pol&iacute;tica e paradigmas te&oacute;ricos. <i>Paper </i>apresentado no semin&aacute;rio Sociedade civil e p&oacute;s-colonialismo: um debate sobre paradigmas para o entendimento da Am&eacute;rica Latina. Citado com permiss&atilde;o do autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0121-5612201300020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6.&nbsp;Avritzer, Leonardo. 1996. <i>A moralidade da democracia. </i>Belo Horizonte: Ed. da UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0121-5612201300020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7.&nbsp;Avritzer, Leonardo e S&eacute;rgio Costa. 2004. Teoria Cr&iacute;tica, Democracia e Esfera P&uacute;blica: concep&ccedil;&otilde;es e usos na Am&eacute;rica Latina. <i>Dados, Revista de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>(47(4): 703-728.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0121-5612201300020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8.&nbsp;Bhattachan, Krishna B. 2003. Civil society and protection of diversity in Nepal. Em <i>Nepal tomorrow: Voices and visions, </i>ed. D. B. Gurung, 32-62. Kathmandu: Koselee Prakashan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0121-5612201300020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9.&nbsp;Bobbio, Norberto. Sociedade Civil. 2000. Em <i>Dicion&aacute;rio de Pol&iacute;tica, </i>orgs. Norberto Bobbio, Nicola Matteuci e Gianfranco Pasquino, Vol. 2. S&atilde;o Paulo: Perspectiva e Bras&iacute;lia: Ed da UnB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0121-5612201300020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10.&nbsp;Carvalho, Jos&eacute; Murilo. 2003. <i>Cidadania no Brasil: o longo caminho. </i>Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0121-5612201300020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11.&nbsp;Carvalho, Jos&eacute; Murilo. 1998. Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discuss&atilde;o conceitual. <i>Pontos e Bordados: escritos de hist&oacute;ria e pol&iacute;tica. </i>Belo Horizonte: Ed. da UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0121-5612201300020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12.&nbsp;Castro-G&oacute;mez, Santiago e Ram&oacute;n Grosfoguel(eds.). 2007. <i>El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epist&eacute;mica m&aacute;s all&aacute; del capitalismo global. </i>Bogot&aacute;: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contempor&aacute;neos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0121-5612201300020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13.&nbsp;Chakrabarty, Dipesh. 2000. <i>Provincializing Europe: Postcolonial thought and historical diference. </i>Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0121-5612201300020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14.&nbsp;Chandhoke, Neera. 2003. <i>The conceits of civil society. </i>Oxford: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0121-5612201300020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15.&nbsp;Chatterjee, Partha. 2004. <i>Colonialismo, modernidade e pol&iacute;tica. </i>Salvador: Edufba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0121-5612201300020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16.&nbsp;Cohen, Jean. 2003. Sociedade Civil e Globaliza&ccedil;&atilde;o: repensando categorias. <i>Dados Revista de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>46 (3): 419-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0121-5612201300020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17.&nbsp;Cohen, Jean; Andrew Arato. 2001. <i>Sociedad civil y teor&iacute;a pol&iacute;tica. </i>M&eacute;xico: Fondo de Cultura Econ&oacute;mica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0121-5612201300020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18.&nbsp;Connell, Raewyn. 2012. A iminente revolu&ccedil;&atilde;o na teoria social. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>27 (80): 9-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0121-5612201300020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19.&nbsp;Costa, S&eacute;rgio. 2003. Democracia Cosmopolita: D&eacute;ficits Conceituais e Equ&iacute;vocos Pol&iacute;ticos. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>18 (53): 19-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0121-5612201300020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20.&nbsp;Dagnino, Evelina, Alberto Olvera e Aldo Panfichi. 2006. <i>A Disputa pela Constru&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica na Am&eacute;rica Latina. </i>S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0121-5612201300020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>21.&nbsp;Domingues, Jos&eacute; Maur&iacute;cio. 2011. <i>Teoria Cr&iacute;tica e Semi(periferia). </i>Belo Horizonte: Ed. UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0121-5612201300020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>22.&nbsp;Elias, Norbert. 1993. <i>O processo civilizador. </i>Volume 2: Forma&ccedil;&atilde;o do Estado e Civiliza&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0121-5612201300020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>23.&nbsp;Escobar, Arturo. 2005. El &quot;postdesarrollo&quot; como concepto y pr&aacute;ctica social. Em <i>Pol&iacute;ticas de econom&iacute;a, ambiente y sociedad en tiempos de globalizaci&oacute;n, </i>coord. Daniel Mato, 17-31. Caracas: Facultad de Ciencias Econ&oacute;micas y Sociales, Universidad Central de Venezuela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0121-5612201300020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>24.&nbsp;Faoro, Raymundo. 2000. <i>Os Donos do Poder: forma&ccedil;&atilde;o do patronato pol&iacute;tico brasileiro. </i>S&atilde;o Paulo: Globo Publifolha.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0121-5612201300020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25.&nbsp;Fraser, Nancy. 2001. Da redistribui&ccedil;&atilde;o ao reconhecimento? Dilemas da justi&ccedil;a na era p&oacute;s-socialista. Em <i>Democracia hoje: novos desafios para a teoria democr&aacute;tica contempor&acirc;nea, </i>org. Jess&eacute; Souza,245-82. Bras&iacute;lia: UnB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0121-5612201300020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>26.&nbsp;Gellner, Ernest. 1996. <i>Condi&ccedil;&otilde;es da Liberdade: a sociedade civil e seus rivais. </i>Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0121-5612201300020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>27.&nbsp;Glasius, Marlies, David Lewis e Hakan Seckinelgin (eds.). 2004. <i>Exploring civil society: Political and cultural contexts. </i>London, New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0121-5612201300020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>28.&nbsp;Habermas, J&uuml;rgen. 2003. <i>Direito e Democracia: entre a facticidade e validade.Vol. </i>II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0121-5612201300020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>29.&nbsp;Hachhethu, Krishna e David Gellner. <i>2008. Local democracy in South Asia. Microprocesses of democratization in Nepal and its neighbours. </i>Volume 1. Delhi: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0121-5612201300020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>30.&nbsp;Hobbes, Thomas. 1992. <i>Do cidad&atilde;o. </i>S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0121-5612201300020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>31.&nbsp;Huntington, Samuel. 1994. <i>A Terceira Onda: A Democratiza&ccedil;&atilde;o no Final do S&eacute;culo XX. </i>S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0121-5612201300020000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>32.&nbsp;Kaldor, Mary. 2003. The idea of global civil society. <i>International Affairs 79 </i>(3): 583-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0121-5612201300020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>33.&nbsp;Kaldor, Mary. 2001. <i>Global civil society: An answer to war. </i>Cambridge: Cambridge Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0121-5612201300020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>34.&nbsp;Keane, John. 2001. <i>A Sociedade Civil: velhas imagens e novas vis&otilde;es. </i>Lisboa: Temas e Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0121-5612201300020000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>35.&nbsp;Khilnani, Sunil e Sudipta Kaviraj. 2001. <i>Civil society, history and possibilities. </i>New York, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0121-5612201300020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>36.&nbsp;Linz, Juan e Alfred Stepan. 1999. <i>A transi&ccedil;&atilde;o e a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia. A experi&ecirc;ncia do Sul da Europa e da Am&eacute;rica do Sul. </i>S&atilde;o Paulo: Ed. Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0121-5612201300020000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>37.&nbsp;Martins, Carlos Eduardo. 2006. Verbete: Pensamento Social. Em <i>Latino-americana: Enciclop&eacute;dia Contempor&acirc;nea da Am&eacute;rica Latina e do Caribe, </i>Emir Sader  e Ivana Jinkings. S&atilde;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0121-5612201300020000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>38.&nbsp;Mignolo, Walter. 2002. The geopolitics of knowledge and the colonial difference. <i>The South Atlantic Quarterly </i>101 (1): 57-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0121-5612201300020000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>39.&nbsp;O&#39;Donnell, Guillermo. 2011. <i>Democracia, Ag&ecirc;ncia e Estado: teoria com inten&ccedil;&atilde;o comparativa. </i>S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0121-5612201300020000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>40.&nbsp;O&#39;Donnell, Guilhermo, Philippe Schimitter e Lawrence Whitehead (eds.). 1998. <i>Transi&ccedil;&otilde;es do regime autorit&aacute;rio. </i>S&atilde;o Paulo: V&eacute;rtice.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0121-5612201300020000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>41.&nbsp;Pateman, Carole. 1992. <i>Participa&ccedil;&atilde;o e Teoria Democr&aacute;tica. </i>Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0121-5612201300020000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>42.&nbsp;Randeria, Shalini. 2006. Civil society and legal pluralism in the shadow of caste: Entangled modernities in post-colonial India. Em <i>Hybridising east and west, </i>eds. Dominique Schirmer, Gernot Saalmenn eChristl Kesseler, 77-96. Londres: Transaction Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0121-5612201300020000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>43.&nbsp;Rosa, Marcelo. 2008. 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Escala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0121-5612201300020000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>45.&nbsp;Roy, Indrajit. 2003. Development and its discontents: Civil society as the new lexicon development. <i>Society for International Development, </i>V. 1011-6370 <i>46 </i>1: 80-7; 031587. SAGE Publications. 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La construcci&oacute;n del Estado nacional en Argentina y Brasil, 1810-1900. <i>Revista Mexicana de Sociolog&iacute;a 5 </i>(2): 131-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0121-5612201300020000700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>50.&nbsp;Walzer, Michael. 2008. <i>Pol&iacute;tica e Paix&atilde;o. </i>S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0121-5612201300020000700050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>51.&nbsp;Warren, Mark. 2001. <i>Democracy and association. </i>Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0121-5612201300020000700051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>52.&nbsp;Young, Iris Marion. 2000. <i>Inclusion and democracy. </i>Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0121-5612201300020000700052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>    </font>      ]]></body><back>
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