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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[POR DETRÁS DOS VÉUS: A MULHER MUÇULMANA E AS REVOLUÇÕES TURCA E IRANIANA]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A proposta do presente trabalho é desenvolver uma análise comparativa do processo de exclusão social, política e econômica da mulher muçulmana. Esse processo está, por sua vez, diretamente relacionado ao sistema de crenças e valores de caráter religioso. Sugerimos assim como pressuposto, que os modelos políticos específicos que operam na Turquia e no Irã, o institucionalizaram de forma estruturalmente distinta.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El propósito de este artículo es analizar comparativamente los procesos de la exclusión social, política y económica de las mujeres musulmanas en Irán y en Turquía. Estos procesos están, a su vez, directamente relacionados con el sistema de creencias y de valores de carácter religioso. Sugerimos que los modelos políticos que operan en Turquia y en Iran juegan un papel fundamental en definir estos procesos.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p align="center"><font size="4" face="verdana"><b>POR DETR&Aacute;S DOS V&Eacute;US:     A MULHER MU&Ccedil;ULMANA E AS REVOLU&Ccedil;&Otilde;ES TURCA E IRANIANA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>   <b>Mariana Menezes Neumann*</b></p>     <p>* Mestre em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Bacharel em Socio logia   e Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Pontif&iacute;cia Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Pesquisadora do Centro Internacional   de Estudos e Pesquisas sobre a Inf&acirc;ncia (CIESPI) em conv&ecirc;nio com a PUC-Rio, Rio de Janeiro, Brasil.   <a href="mailto:marianamenezes25@yahoo.com.br">marianamenezes25@yahoo.com.br</a></p>     <p align="center">   Recibido: 11/09/06 Aprobado evaluador interno: 06/11/06 Aprobado evaluador externo: 01/11/06</p>       <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><b>Abstract</b></p>     <p>   The purpose of this article is to comparatively analyze the processes of social, political and   economical exclusion of Muslim women in Iran and Turkey. These processes are related to   a system of beliefs and values of religious character. We suggest that the specific political   models that exist in Turkey and Iran play a fundamental role in institutionalizing these   processes in structurally different ways.</p>     <p>   <b>Key-words:</b> Islam, women, legislation, Turkey, Iran, revolution.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p>   <b>Resumo</b></p>     <p>   A proposta do presente trabalho &eacute; desenvolver uma an&aacute;lise comparativa do processo de   exclus&atilde;o social, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica da mulher mu&ccedil;ulmana. Esse processo est&aacute;, por sua   vez, diretamente relacionado ao sistema de cren&ccedil;as e valores de car&aacute;ter religioso. Sugerimos   assim como pressuposto, que os modelos pol&iacute;ticos espec&iacute;ficos que operam na Turquia e no   Ir&atilde;, o institucionalizaram de forma estruturalmente distinta.</p>     <p>   <b>Palavras-chave:</b> Isl&atilde;, mulher, legisla&ccedil;&atilde;o, Turquia, Ir&atilde;, revolu&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><b>Resumen</b></p>     <p>   El prop&oacute;sito de este art&iacute;culo es analizar comparativamente los procesos de la exclusi&oacute;n social,   pol&iacute;tica y econ&oacute;mica de las mujeres musulmanas en Ir&aacute;n y en Turqu&iacute;a. Estos procesos est&aacute;n,   a su vez, directamente relacionados con el sistema de creencias y de valores de car&aacute;cter   religioso. Sugerimos que los modelos pol&iacute;ticos que operan en Turquia y en Iran juegan un papel fundamental en definir estos procesos.</p>     <p> <b>Palabras clave:</b> Islam, mujeres, legislaci&oacute;n, Turqu&iacute;a, Ir&aacute;n, revoluci&oacute;n</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p>   A palavra Isl&atilde; em &aacute;rabe significa submiss&atilde;o, estando etimologicamente   relacionada a palavra salaam, paz. O mu&ccedil;ulmano &eacute; aquele que se submete a   Allah, revelado atrav&eacute;s das palavras do profeta Muhammad (Maom&eacute;). H&aacute;   uma segunda defini&ccedil;&atilde;o da palavra mu&ccedil;ulmano que em geral &eacute; obscurecida   pela primeira, isto &eacute;, o mu&ccedil;ulmano designado enquanto tal exclusivamente   por ter nascido em uma fam&iacute;lia mu&ccedil;ulmana. Esta condi&ccedil;&atilde;o indica unicamente   sua origem &eacute;tnica e n&atilde;o suas cren&ccedil;as religiosas, n&atilde;o havendo necessariamente uma contradi&ccedil;&atilde;o em ser mu&ccedil;ulmano e ao mesmo tempo ateu ou agn&oacute;stico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Os mu&ccedil;ulmanos da B&oacute;snia, por exemplo, descendentes de eslavos,   converteram-se ao Isl&atilde; somente durante o reinado do Imp&eacute;rio Otomano   e foram oficialmente rotulados de mu&ccedil;ulmanos para diferenci&aacute;-los dos   Crist&atilde;os Ortodoxos s&eacute;rvios e Cat&oacute;licos croatas. Configuraria assim a no&ccedil;&atilde;o   de um "mu&ccedil;ulmano nominal". Esta defini&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o est&aacute; isenta de   controv&eacute;rsias, em especial, pelos ativistas mu&ccedil;ulmanos que tendem a definir   uma fronteira entre os "mu&ccedil;ulmanos aut&ecirc;nticos" e os demais. Em alguns casos   mais radicais a delimita&ccedil;&atilde;o dessa fronteira refere-se a categorias ainda mais   severas, "fi&eacute;is" e "infi&eacute;is". Ambos os discursos podem ser apropriados por um   determinado pa&iacute;s ou grupo pol&iacute;tico para justificar propostas de integra&ccedil;&atilde;o ou separa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>   Portanto, as palavras mu&ccedil;ulmano e Isl&atilde; n&atilde;o apresentam defini&ccedil;&otilde;es exclusivas   e devem ser consideradas categorias ling&uuml;&iacute;sticas identificadoras de grupos   sociais, disputadas por diferentes etnias. Deste modo seu entendimento resulta de um contexto hist&oacute;rico e pol&iacute;tico espec&iacute;fico.</p>     <p>   A partir destas considera&ccedil;&otilde;es buscar-se-&aacute; compreender a proposta do   presente artigo que tem como tem&aacute;tica central o status da mulher mu&ccedil;ulmana   nas sociedades turca e iraniana em dois momentos hist&oacute;ricos espec&iacute;ficos e   que assemelham-se por seu car&aacute;ter revolucion&aacute;rio. A Turquia em 1923 e o   Ir&atilde; em 1979 ser&atilde;o o palco de rupturas pol&iacute;ticas &uacute;nicas e de grande impacto para os pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos do Oriente M&eacute;dio. Em especial no que se refere   ao estatuto da mulher no Isl&atilde;, pois, como ser&aacute; demonstrado, n&atilde;o h&aacute; uma   interpreta&ccedil;&atilde;o homog&ecirc;nea da religi&atilde;o, onde as mulheres s&atilde;o percebidas   como irremediavelmente submissas &agrave;s leis divinas. O que mostra-se claro &eacute;   o fato de que os pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos apresentam n&atilde;o s&oacute; diferen&ccedil;as culturais   marcantes entre si, mas tamb&eacute;m internamente. A interpreta&ccedil;&atilde;o e o enfoque   privilegiado dos preceitos religiosos estar&atilde;o condicionados ao grupo que estiver no poder.</p>     <p>   Dessa forma a Turquia e o Ir&atilde; foram selecionados como estudos de caso   por simbolizarem movimentos opostos, o primeiro na dire&ccedil;&atilde;o de uma   maior abertura religiosa, separando o Estado da religi&atilde;o, tornando-a uma   escolha pessoal. O segundo, por sua vez, implicou em uma interpreta&ccedil;&atilde;o   fundamentalista<sup><a href="#1" name="s1">1</a></sup> da religi&atilde;o, ou seja, uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica que utiliza-se da   cren&ccedil;a para atingir objetivos espec&iacute;ficos, como no caso do Aiatol&aacute; Khomeini. A   proposta de Khomeini estava voltada para o retorno &agrave; "pureza inicial" do Isl&atilde;   nos tempos de Maom&eacute; a partir de um modus operandi particular, implicando na   instaura&ccedil;&atilde;o de um governo teocr&aacute;tico, em que a pol&iacute;tica e a religi&atilde;o se fundem. &Eacute; importante ressaltar que esta &eacute; uma abordagem espec&iacute;fica do islamismo enquanto ideologia pol&iacute;tica, n&atilde;o afigurando-se portanto, como &uacute;nica.</p>     <p>   Em geral, o Isl&atilde; fundamentalista &eacute; tido como representativo das sociedades   mu&ccedil;ulmanas, fator este que ofusca a complexidade dos fen&ocirc;menos pol&iacute;ticos   nessas sociedades sem que haja uma tentativa de compreender as motiva&ccedil;&otilde;es   que possibilitam movimentos deste tipo de conseguirem chegar ao poder com   ades&atilde;o em massa por parte da popula&ccedil;&atilde;o local, como no caso da revolu&ccedil;&atilde;o   no Ir&atilde;.</p>     <p>Como afirma Weber<sup><a href="#2" name="s2">2</a></sup> a preocupa&ccedil;&atilde;o no estudo das religi&otilde;es n&atilde;o deve   ser enfocada a partir de sua ess&ecirc;ncia, dos seus valores e dogmas, mas sim   no estudo do comportamento religioso como uma atividade deste mundo   voltada para fins espec&iacute;ficos. Assim tamb&eacute;m, como este comportamento   ir&aacute; afetar outras esferas de rela&ccedil;&otilde;es sociais. No presente estudo, voltado &agrave;   compreens&atilde;o do status da mulher na religi&atilde;o mu&ccedil;ulmana em dois contextos   hist&oacute;ricos espec&iacute;ficos, esta transfer&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es e significados para a esfera pol&iacute;tica, jur&iacute;dica e social ser&aacute; de fundamental import&acirc;ncia.</p>     <p>   No entanto, antes de enfocarmos os processos revolucion&aacute;rios no Ir&atilde; e na   Turquia, analisaremos a legisla&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica, eixo central para compreendermos o status da mulher mu&ccedil;ulmana nas duas sociedades.</p>     <p> <font size="3" face="verdana"><b>A Legisla&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica</b></font></p>      <p>   A estrutura legal das sociedades mu&ccedil;ulmanas est&aacute; centrada em duas fontes,   a wahy (revela&ccedil;&atilde;o divina) e a aql (raz&atilde;o humana). A dualidade do direito   isl&acirc;mico reflete-se, assim, em duas designa&ccedil;&otilde;es em &aacute;rabe, a Shariah e a fiqh. A   primeira, cujo significado &eacute; "o caminho correto" ou "guia", caracteriza-se pelas   revela&ccedil;&otilde;es feitas por Deus atrav&eacute;s do anjo Gabriel ao profeta Muhammad   (Maom&eacute;) contidas no livro sagrado, o Cor&atilde;o. Portanto, n&atilde;o est&aacute; circunscrita   somente a leis mas apresenta a totalidade dos mandamentos, ou seja, quest&otilde;es   p&uacute;blicas, privadas e comunit&aacute;rias, como heran&ccedil;a, casamento, div&oacute;rcio e   propriedade. Devido a essa caracter&iacute;stica a shariah pode ser dividida em   duas partes. Segundo Bernard Lewis, "a primeira trata da mente e cora&ccedil;&atilde;o   dos crentes, isto &eacute;, de doutrina e moralidade; a outra, de atos externos em   rela&ccedil;&atilde;o a Deus e ao homem, ou melhor, de adora&ccedil;&atilde;o, por um lado, e lei c&iacute;vel, criminal e administrativa, por outro".<sup><a href="#3" name="s3">3</a></sup></p>     <p>   Dentro do escopo da shariah ser&aacute; inclu&iacute;do tamb&eacute;m a Sunna, isto &eacute;, a pr&aacute;tica   do profeta, os ensinamentos coletados por alguns de seus seguidores mais   pr&oacute;ximos que compilaram os seus atos e pronunciamentos. Hadith &eacute; o termo   que designa o conjunto da sunna, no entanto, ir&aacute; apresentar algumas quest&otilde;es   adicionais como profecia e hist&oacute;ria. De acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana   Maom&eacute; n&atilde;o foi somente o transmissor da palavra divina mas tamb&eacute;m apresentou uma conduta correta durante a sua exist&ecirc;ncia, afigurando-se   um modelo comportamental para os fi&eacute;is. No Cor&atilde;o encontra-se o seguinte   vers&iacute;culo, "obedecer a Deus e ao Mensageiro e aos dentre v&oacute;s que disp&otilde;em   de autoridade".<sup><a href="#4" name="s4">4</a></sup> Legitima dessa forma a aceita&ccedil;&atilde;o da sunna como base secund&aacute;ria do direito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   A tradi&ccedil;&atilde;o oral foi a grande respons&aacute;vel pela cont&iacute;nua transmiss&atilde;o da   sunna, sendo compilada somente mais tarde. A primeira vers&atilde;o foi escrita   135 anos ap&oacute;s a morte do profeta. Nem todas as colet&acirc;neas s&atilde;o consideradas   v&aacute;lidas, estando na m&atilde;o de juristas e eruditos a tentativa de creditar-lhes ou   n&atilde;o autenticidade. A diferen&ccedil;a com o modelo jur&iacute;dico ocidental, no qual as   leis n&atilde;o est&atilde;o baseadas em mandamentos divinos e sim na elabora&ccedil;&atilde;o de   normas referentes ao um determinado momento hist&oacute;rico e circunst&acirc;ncias   espec&iacute;ficas, n&atilde;o s&atilde;o totalmente incompat&iacute;veis. Em especial no que se refere   a atua&ccedil;&atilde;o de juristas-te&oacute;logos (mutjahid) no processo de decodifica&ccedil;&atilde;o de   algumas das suras que mostram-se amb&iacute;guas e de dif&iacute;cil compreens&atilde;o para   o leigo (diferentemente da lei isl&acirc;mica, na tradi&ccedil;&atilde;o ocidental n&atilde;o h&aacute; uma   rela&ccedil;&atilde;o estreita entre religi&atilde;o e direito). O resultado final deve se dar a partir   do consenso para que seja devidamente incorporada ao corpo de direito. Fiqh,   portanto, retrata a dimens&atilde;o do direito compreendida como conhecimento e   entendimento humano. O faqih, aquele que pratica a fiqh, &eacute; um especialista legal   que atrav&eacute;s da especula&ccedil;&atilde;o racional (ijtihad), busca compreender a Shariah,   determinando as implica&ccedil;&otilde;es dos mandamentos de Deus em inst&acirc;ncias espec&iacute;ficas, como quest&otilde;es com sentido amplo ou n&atilde;o determinadas.</p>     <p>   Caso o faqih n&atilde;o esteja apto a exercitar a ijtihad, ir&aacute; utilizar outro m&eacute;todo   conhecido como taqlid, isto &eacute;, a imita&ccedil;&atilde;o de um mujtahid renomado. Pois se   todos resolvessem praticar ijtihad, o resultado seria no m&iacute;nimo ca&oacute;tico. Os   juristas mostraram-se cada vez mais relutantes em praticar ijtihad, optando   pela pr&aacute;tica do taqlid. Sua autoridade &eacute; reduzida consideravelmente frente   a shariah. Mas sua import&acirc;ncia n&atilde;o pode ser minimizada se considerarmos   que esteve presente nos 14 s&eacute;culos posteriores ao Profeta. Mas, ao contr&aacute;rio   de apresentarem conselhos e assembl&eacute;ias, como no modelo democr&aacute;tico   ocidental, esta tarefa &eacute; realizada pelos juristas de forma a camuflar novas   leis em costumes e regulamenta&ccedil;&otilde;es. Um exemplo acerca da necessidade do   uso da racionalidade para solucionar impasses acerca do significado de uma   determinada surata, pode ser ilustrado da seguinte maneira: no Cor&atilde;o h&aacute; a   seguinte passagem, "est&atilde;o proibidas ao homem o casamento com suas m&atilde;es e filhas, ...".<sup><a href="#5" name="s5">5</a></sup> Aparentemente esta proibi&ccedil;&atilde;o est&aacute; clara, mas como demonstra   Mohammad Kamali,<sup><a href="#6" name="s6">6</a></sup> podem surgir d&uacute;vidas acerca do termo filha, pois, n&atilde;o   est&aacute; especificado se est&aacute; inclu&iacute;do nesta categoria filhas adotadas, netas, ou   filhas de um primeiro casamento da esposa. E caso estejam inclu&iacute;das nesta categoria, est&atilde;o aptas a receber parte da heran&ccedil;a?</p>     <p> &Eacute; neste &acirc;mbito do direito isl&acirc;mico que as diferentes escolas de direito       mostram-se de fundamental import&acirc;ncia. Encontram-se em um n&uacute;mero       variado, sendo as de maior relev&acirc;ncia a Shafi, a Hanafi (esta &eacute; uma das escolas       de maior influ&ecirc;ncia no direito religioso e da fam&iacute;lia, e &eacute; adotada em pa&iacute;ses       como Afeganist&atilde;o, Paquist&atilde;o e &Iacute;ndia, dentre outros)       , a Maliki e a Hanbali. As       duas primeiras centram seus julgamentos a partir da conduta exterior e n&atilde;o       est&atilde;o particularmente interessadas em explorar a inten&ccedil;&atilde;o por detr&aacute;s dos       atos. Enquanto a Maliki e a Hanbali operam de forma inversa, enfatizando a   import&acirc;ncia da inten&ccedil;&atilde;o como motivadora das a&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>   O fator de unidade entre as diferentes escolas s&atilde;o as injun&ccedil;&otilde;es definitivas   do Cor&atilde;o e da Sunna, pois, diferem em rela&ccedil;&atilde;o a interpreta&ccedil;&atilde;o (fiqh), isto &eacute;,   no uso da racionalidade humana. As diferen&ccedil;as est&atilde;o centradas basicamente   em quest&otilde;es como casamento e tutela, e na postura mais (Hanafi) ou menos   (Maliki) liberalizante em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos da mulher. Em rela&ccedil;&atilde;o ao exemplo   da dificuldade de compreens&atilde;o da abrang&ecirc;ncia do termo filha, as escolas se   posicionariam da seguinte maneira: a Hanafi postula que todos os sentidos   da palavra devem ser consideradas e atribu&iacute;das ao sentido explicitado na   surata. Mas a maioria das outras escolas n&atilde;o est&atilde;o certas quanto a validade desta interpreta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>   H&aacute; um debate similar acerca da ablu&ccedil;&atilde;o (wudu) que antecede as preces.   Segundo o Cor&atilde;o a limpeza se faz necess&aacute;ria quando um indiv&iacute;duo toca o   corpo de algu&eacute;m do sexo oposto (lamastum). O significado preciso da palavra   tocar &eacute; alvo de grandes debates entre as escolas porque n&atilde;o est&aacute; claro se refere   unicamente ao ato de tocar ou se est&aacute; inferido nesta premissa a rela&ccedil;&atilde;o sexual.   Em alguns casos as d&uacute;vidas n&atilde;o concernem somente a palavras isoladas mas   tamb&eacute;m a frases inteiras. Mesmo em situa&ccedil;&otilde;es aparentemente mais simples   de serem interpretadas como o roubo, h&aacute; d&uacute;vidas acerca se est&aacute; incluso nesta   categoria, o ato de roubar de uma pessoa falecida, por exemplo. Embora a totalidade do Cor&atilde;o seja percebida enquanto aut&ecirc;ntica, grande parte do conte&uacute;do legal &eacute; especulativo.</p>     <p>   H&aacute; tamb&eacute;m diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o as tradi&ccedil;&otilde;es Sunni e Shi&lsquo;i<sup><a href="#7" name="s7">7</a></sup> tamb&eacute;m no   aparato legal. Apresentam algumas dessemelhan&ccedil;as nos rituais referentes a   prece, e mais significativamente nas leis relativas a heran&ccedil;a e ao casamento   tempor&aacute;rio (muta&lsquo;). No Ir&atilde;, onde prevalece a tradi&ccedil;&atilde;o Shi&lsquo;i, o direito do   homem a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; divinamente institu&iacute;do. A mulher n&atilde;o tem o   direito de rejeitar as demandas sexuais do marido, sendo assim &eacute; permitido   o contrato tempor&aacute;rio de casamento que pode durar uma hora ou noventa   e nove anos. Muitos cr&iacute;ticos percebem esse contrato como uma forma de   prostitui&ccedil;&atilde;o legalizada. Mas figuras proeminentes da Rep&uacute;blica Isl&acirc;mica do Ir&atilde; promovem-na ativamente.</p>     <p>   Embora juristas das diferentes escolas continuem a praticar a ijtihad, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o   dos Hanbalis, h&aacute; uma doutrina que assegura que as &lsquo;portas da ijtihad&rsquo; foram   fechadas ap&oacute;s o terceiro s&eacute;culo mu&ccedil;ulmano. No entanto, estudiosos atuais   demonstram que os port&otilde;es nunca foram fechados totalmente e que famosos   mujtahids continuaram a pr&aacute;tica at&eacute; o s&eacute;culo dezesseis. Em contrapartida, na   jurisprud&ecirc;ncia Shi&lsquo;i as "portas da ijtihad" permanecem abertas. Os ulamas mais   velhos, conhecidos pelo t&iacute;tulo de Hujjat al Islam (prova do Isl&atilde;) ou Ayatullah   (sinal de Deus) s&atilde;o todos mujtahids, isto &eacute;, int&eacute;rpretes individuais da lei. Todo   fiel Shi&lsquo;i deve colocar-se sob a orienta&ccedil;&atilde;o de um mutjahid que atua como "fonte de imita&ccedil;&atilde;o" (marja-i-taqlid em persa).</p>     <p>   Pode-se perceber dessa forma a forte influ&ecirc;ncia exercida pelo Aiatol&aacute;   Khomeini no momento pr&eacute; e p&oacute;s revolucion&aacute;rio no Ir&atilde;. Assim tamb&eacute;m como   foi significativo o apelo de Khomeini perante as massas, pois em grande   parte, o seu retorno triunfante do ex&iacute;lio foi propiciado pela popula&ccedil;&atilde;o, tanto   homens quanto mulheres. Uma das raz&otilde;es pelas quais este acontecimento   foi poss&iacute;vel deve-se ao importante fato de que os ulamas na tradi&ccedil;&atilde;o   Shi&lsquo;i s&atilde;o os respons&aacute;veis pela manuten&ccedil;&atilde;o das taxas religiosas, a zakat, que constitui um dos cinco pilares da religi&atilde;o. Historicamente este fato   possibilitou que tivessem maior independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos ulamas da   tradi&ccedil;&atilde;o Sunni. Como n&atilde;o h&aacute; uma igreja institucionalizada, o que ocorre &eacute;   uma rede independente de mesquitas aliadas ao setor tradicional (bazaar),   que permitiu aos grupos religiosos iranianos a possibilidade de assumir o   poder atrav&eacute;s do Partido Republicano Isl&acirc;mico, acarretando na queda da dinastia Pahlavi em 1978-79.</p>     <p>   A flexibilidade intelectual e hermen&ecirc;utica da tradi&ccedil;&atilde;o Shi&lsquo;i permitiu aos   ulamas uma maior adaptabilidade das leis &agrave;s demandas contempor&acirc;neas, ao   contr&aacute;rio do que ocorre com a Sunni. Nesta tradi&ccedil;&atilde;o a fiqh tornou-se cada vez   mais imobilizada na esfera intelectual e divorciada da realidade, embora n&atilde;o   se possa afirmar que tenha permanecido monol&iacute;tica. Ainda permanece uma   diversidade consider&aacute;vel no corpus da jurisprud&ecirc;ncia isl&acirc;mica, conforme o seu desenvolvimento.</p>     <p>   Fiqh tamb&eacute;m pode ser definida como a compreens&atilde;o das regras pr&aacute;ticas   da Shariah, manifestada nos aspectos relacionados a conduta individual.   As quest&otilde;es pr&aacute;ticas acerca da conduta s&atilde;o subdivididas em: obrigat&oacute;rio,   recomendado, permiss&iacute;vel (halal), repreens&iacute;vel e proibido (haram). Algumas   premissas b&aacute;sicas da Shariah s&atilde;o: a promo&ccedil;&atilde;o da dignidade humana, justi&ccedil;a   e igualdade, assim como, o estabelecimento de um governo consultivo, a   preven&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es que provoque danos (darar), e a educa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo   atrav&eacute;s da pontualidade, auto - disciplina e modera&ccedil;&atilde;o. No sentido mais   amplo estas premissas s&atilde;o permanentes e imut&aacute;veis, mas quando aplicadas   empiricamente podem aparecer algumas dificuldades de entendimento que   ser&atilde;o resolvidas por um jurista e/ou te&oacute;logo. Um dos exemplos mencionados   por Mohammad Kamali &eacute; o fato de que no Cor&atilde;o est&aacute; determinado que o   depoimento de um homem &eacute; o equivalente ao de duas mulheres. Esta assertiva   foi refor&ccedil;ada por um ulama do passado, atribuindo forte legitimidade a esta   condi&ccedil;&atilde;o de inferioridade da mulher. No entanto, &eacute; importante ressaltar que   mesmo o depoimento de uma mulher n&atilde;o tendo o mesmo peso que o de um   homem, n&atilde;o h&aacute; uma proibi&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita para o seu testemunho em um tribunal   mu&ccedil;ulmano. Sendo assim, como a leitura do Cor&atilde;o deve ser orientada para   objetivos claros e voltada para as necessidades contempor&acirc;neas das sociedades   mu&ccedil;ulmanas, esta posi&ccedil;&atilde;o pode ser revista vindo a admitir o depoimento   tanto do homem quanto da mulher, de forma igualit&aacute;ria. Ainda mais porque   em determinados casos a mulher pode ter sido a &uacute;nica testemunha, sendo o   seu relato de fundamental import&acirc;ncia para resolu&ccedil;&atilde;o da contenda.   Uma das grandes dificuldades para uma mudan&ccedil;a efetiva &eacute; que como os   ulamas e mutjahids s&atilde;o os respons&aacute;veis pela interpreta&ccedil;&atilde;o das leis, e como a mulher n&atilde;o est&aacute; apta a atingir estas esferas de poder, est&aacute; nas m&atilde;os destes   homens uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais favor&aacute;vel das suratas &agrave; causa feminina.   Dentre os pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos na atualidade, a Ar&aacute;bia Saudita constitui um   dos estudos de caso de maior complexidade pois a interpreta&ccedil;&atilde;o do Cor&atilde;o se d&aacute; de forma ainda bastante conservadora.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &Eacute; importante ressaltar, por&eacute;m, que a aparente condi&ccedil;&atilde;o de imutabilidade da       lei por ser divina, n&atilde;o &eacute; de todo verdadeira. Por mais complexa que seja uma       transforma&ccedil;&atilde;o significativa do corpus jur&iacute;dico para atenuar leis que ferem a       integridade f&iacute;sica e psicol&oacute;gica da mulher como, a morte por honra ou morte       por apedrejamento em caso de adult&eacute;rio, dentre outros casos, ainda assim &eacute;   vi&aacute;vel a partir da fiqh, o uso da racionalidade humana.</p>     <p>   O debate acerca do uso do v&eacute;u &eacute; uma constante no Isl&atilde; contempor&acirc;neo,   sendo marcado por perspectivas divergentes. Os tradicionalistas, em grande   parte homens, argumentam que o Profeta melhorou a condi&ccedil;&atilde;o da mulher &aacute;rabe em seu tempo garantindo direitos fundamentais no casamento que eram negados no "tempo da ignor&acirc;ncia" (jahiliya).<sup><a href="#8" name="s8">8</a></sup> As suras proferidas enquanto estava em Meca referem-se ao costume do infantic&iacute;dio feminino com grande horror, condenando tamb&eacute;m o abandono de vi&uacute;vas e &oacute;rf&atilde;os. Ap&oacute;s a ado&ccedil;&atilde;o do Isl&atilde; foi garantido &agrave;s mulheres direitos de heran&ccedil;a sob a prote&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. O marido seria obrigado a prover tanto a mulher quanto as crian&ccedil;as, caso houvesse, com as necessidades essenciais para a sobreviv&ecirc;ncia. Mesmo a poligamia sendo permitida, o homem estava limitado a no m&aacute;ximo quatro esposas que deveriam ser tratadas de forma igualit&aacute;ria.</p>     <p>   O texto cor&acirc;nico est&aacute; voltado tanto para a mulher quanto para o homem   em rela&ccedil;&atilde;o as obriga&ccedil;&otilde;es morais, considerando que todos indistintamente   ter&atilde;o que responder por seus atos no Dia do Julgamento Final. No entanto,   existem passagens que atestam a inferioridade legal da mulher, como por   exemplo, no que se refere a partilha da heran&ccedil;a a irm&atilde; est&aacute; apta a receber   somente a metade do que seus irm&atilde;os receber&atilde;o, estando inferido que ela ser&aacute; mantida pelo marido.</p>     <p>   No contexto &aacute;rabe do s&eacute;culo VII essas suratas n&atilde;o s&atilde;o necessariamente   incompat&iacute;veis com o argumento de que o Isl&atilde; realmente melhorou a condi&ccedil;&atilde;o   feminina, pois foram assegurados alguns direitos no casamento e em rela&ccedil;&atilde;o   a propriedade. Mas feministas contempor&acirc;neas desejosas de ultrapassarem   essas quest&otilde;es iniciais, enfrentam um obst&aacute;culo teol&oacute;gico. Como o texto est&aacute; intimamente relacionado com a id&eacute;ia de esp&iacute;rito, pois constitui uma revela&ccedil;&atilde;o   divina, faz-se necess&aacute;rio operar uma ruptura nesta rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca do texto,   possibilitando maior flexibilidade para eventuais mudan&ccedil;as. Isto requer por&eacute;m que o livro sagrado do Isl&atilde; seja re-contextualizado para o momento atual.</p>     <p>   As quest&otilde;es relacionadas aos direitos da mulher est&atilde;o inexoravelmente   ligadas a quest&atilde;o da modernidade. Para as feministas o Cor&atilde;o foi revelado   em um momento hist&oacute;rico espec&iacute;fico, portanto, a miss&atilde;o destas seria a   de reinterpretar o esp&iacute;rito de seus mandamentos sob a &oacute;tica da realidade   contempor&acirc;nea. Uma das maiores dificuldades para a realiza&ccedil;&atilde;o desta tarefa &eacute;   o fato de que os tradicionalistas acreditam que est&atilde;o mais pr&oacute;ximos ao sentido   original do texto sagrado do que aqueles condicionados por modismos ou   correntes ideol&oacute;gicas distintas. Um exemplo cl&aacute;ssico &eacute; o da poligamia. Os   tradicionalistas interpretam que a igualdade requerida para o tratamento   das esposas afigura-se como o direito a cada uma delas ao seu pr&oacute;prio lar e   a devida provis&atilde;o material. As feministas por&eacute;m ir&atilde;o ponderar que a base   institucional da poligamia deveria ser banida como um todo pois n&atilde;o &eacute; levado   em considera&ccedil;&atilde;o, na concep&ccedil;&atilde;o de igualdade, a incapacidade do homem de   estar emocionalmente envolvido de forma similar com todas as esposas, afetando o seu bem estar psicol&oacute;gico.</p>     <p>   Argumentos semelhantes s&atilde;o utilizados pelas feministas para racionalizar   as puni&ccedil;&otilde;es draconianas em rela&ccedil;&atilde;o a mulheres ad&uacute;lteras ou indiv&iacute;duos   acusados de atividade sexual il&iacute;cita (zina). Segundo as leis acerca da evid&ecirc;ncia   estipuladas no Cor&atilde;o, a zina deve ser atestada por quatro testemunhas do sexo   masculino e maiores de idade. Considerando que em muitos casos esta regra   dificilmente pode ser cumprida, o autor Malise Ruthven<sup><a href="#9" name="s9">9</a></sup> demonstra atrav&eacute;s   do discurso de uma feminista mu&ccedil;ulmana, Leila Badawi, a possibilidade   de uma interpreta&ccedil;&atilde;o alternativa. No caso de uma mulher abandonada ou   enviuvada que fica gr&aacute;vida, ela pode ser protegida pela hila (fic&ccedil;&atilde;o legal) do "feto adormecido", isto &eacute;, uma gravidez pode ser aceita por um per&iacute;odo de at&eacute; sete anos. Sendo assim a crian&ccedil;a &eacute; a herdeira legal do marido ausente ou j&aacute; falecido. No caso da mulher solteira que fica gr&aacute;vida h&aacute; uma hila do "banho coletivo". Os banhos eram tradicionalmente abertos em horas e dias alternativos para homens e mulheres e haveria teoricamente a possibilidade de uma mulher virgem ir ao banho logo ap&oacute;s o hor&aacute;rio reservado aos homens e inadvertidamente sentar em uma po&ccedil;a de s&ecirc;men e engravidar.</p>     <p>A resolu&ccedil;&atilde;o de contendas relacionadas a fidelidade e a honra ir&aacute; depender   em grande parte do pa&iacute;s em que ocorre o julgamento e qual interpreta&ccedil;&atilde;o   da lei ser&aacute; privilegiada. Mesmo no caso espec&iacute;fico da Turquia, cuja base legal   &eacute; secular e n&atilde;o religiosa, h&aacute; um n&uacute;mero acentuado de mortes &lsquo;por honra&rsquo; devido a uma forte press&atilde;o cultural e n&atilde;o exclusivamente legal.</p>     <p>   Na cidade de Sanliurfa, localizada no sudeste turco, as mulheres que   cometem adult&eacute;rio ou mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es sexuais antes do casamento s&atilde;o   mortas pelos pr&oacute;prios familiares. Sob a lei turca essas mortes &lsquo;por honra&rsquo; s&atilde;o   consideradas crimes cometidos sob &lsquo;provoca&ccedil;&atilde;o pesada&rsquo; e as senten&ccedil;as em   geral s&atilde;o leves. As mortes n&atilde;o se caracterizam por crimes passionais e sim   planejadas deliberadamente. De acordo com o relato de Canan Arin, feminista turca, publicado no jornal Folha de S&atilde;o Paulo no dia 14 de mar&ccedil;o de 1999,</p>     <p> "se a comunidade acha que uma menina desonrou a fam&iacute;lia, seus parentes s&atilde;o condenados       ao ostracismo. E eles se sentem obrigados a mat&aacute;-la. Houve cinco ou seis casos que foram       para um tribunal no &uacute;ltimos anos, mas ningu&eacute;m se apresenta como testemunha. No ano       passado, uma mulher conseguiu sobreviver a uma tentativa de assassinato &ndash; tentaram   jog&aacute;-la no rio Eufrates. Ela mudou o nome e passou a esconder-se."</p>     <p> Outra ativista pelos direitos da mulher, Seyda Toreuk, afirma</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> "o erro de algumas &eacute; simplesmente ir ao cinema com um homem. Uma mulher foi morta       por que lhe dedicaram uma can&ccedil;&atilde;o no r&aacute;dio. A fam&iacute;lia pensou que a dedicat&oacute;ria viesse   de um amante".</p>     <p>   No Isl&atilde; o casamento &eacute; contratual, e considerando que os contratos s&atilde;o   negoci&aacute;veis, reformistas argumentam que se a lei apresenta ambig&uuml;idades   que dificultam uma uni&atilde;o, pode-se utilizar subterf&uacute;gios contratuais. H&aacute; por   exemplo o caso da bisneta do profeta, Sukayna bint Hussein, que estipulou   que seu marido n&atilde;o poderia contrair outros casamentos. Mas nem todas as   escolas de direito permitem que a mulher determine as cl&aacute;usulas do contrato,   ou caso seja poss&iacute;vel, o seu poder de decis&atilde;o ser&aacute; determinado em grande   parte pelo status da sua fam&iacute;lia.</p>     <p>   O casamento entre jovens no Isl&atilde; &eacute; considerado positivo pois serve como   freio as tenta&ccedil;&otilde;es sexuais. Sob a Shariah o contrato de casamento (nikah) &eacute; um   contrato legal sancionado pela lei divina. N&atilde;o constitui como no cristianismo   um sacramento. De acordo com as autoridades legais o guardi&atilde;o da mulher   (wali), normalmente seu pai, decide o casamento em seu nome. Somente a   tradi&ccedil;&atilde;o Shi&lsquo;i caracteriza a mulher como uma entidade legal similar ao seu   companheiro. Os interesses da mulher est&atilde;o supostamente salvaguardados   pelo dote (mahr), dado pelo marido em dinheiro ou em bens equivalentes,   caso ele opte por divorciar-se deixando-a materialmente segura.</p>     <p>O marido, por sua vez, apresenta o direito de divorciar-se atrav&eacute;s da talaq,   isto &eacute;, rep&uacute;dio ou declara&ccedil;&atilde;o unilateral. Ele precisa repetir a frase "Eu me   divorcio de voc&ecirc;" tr&ecirc;s vezes. As duas primeiras declara&ccedil;&otilde;es requerem um   per&iacute;odo de espera de tr&ecirc;s ciclos menstruais para garantir que a mulher n&atilde;o   esteja gr&aacute;vida, ou se estiver garantir que assumir&aacute; a paternidade da crian&ccedil;a.   Durante este per&iacute;odo ambas as fam&iacute;lias ir&atilde;o se posicionar entre o casal para   tentar uma reconcilia&ccedil;&atilde;o. Caso n&atilde;o ocorra a terceira vez que declarar "Eu   me divorcio de voc&ecirc;" ir&aacute; efetivar o div&oacute;rcio, sem que haja a possibilidade   de recorrer a corte. Em geral o pai tem a cust&oacute;dia dos filhos, em rela&ccedil;&atilde;o aos   homens a partir dos 7 anos e 9 para as mulheres. Caso seja a mulher a iniciar o   processo de div&oacute;rcio, implicar&aacute; em abrir m&atilde;o do direito ao dote, procedimento   chamado de khul. Aos mu&ccedil;ulmanos &eacute; permitido o casamento com judias ou   crist&atilde;s. Mas o contr&aacute;rio n&atilde;o se aplica. Segundo alguns escritores mu&ccedil;ulmanos   contempor&acirc;neos como, Yousuf al-Qaradawi, isto ocorre devido a falta de   simetria neste aspecto entre homens e mulheres porque acredita-se que o homem seja o respons&aacute;vel pelo lar.</p>     <p>   Feministas mu&ccedil;ulmanas argumentam que o Isl&atilde; em si n&atilde;o &eacute; reacion&aacute;rio   mas sim a sua interpreta&ccedil;&atilde;o, que tende a manter o status quo, isto &eacute;, patriarcal   e excludente. Mas n&atilde;o se pode descartar por completo o fato de que o texto   sagrado deixa claro em determinadas passagens a condi&ccedil;&atilde;o de inferioridade   da mulher, "os homens s&atilde;o superiores &agrave;s mulheres pelas qualidades com   que Deus os elevou acima delas e porque os homens gastam os seus bens a   dot&aacute;-las....".<sup><a href="#10" name="s10">10</a></sup></p>     <p>   As feministas, por sua vez, interpretam essas passagens como fruto de   um momento espec&iacute;fico e n&atilde;o acreditam que estas suratas servem como   justificativas plaus&iacute;veis para mant&ecirc;-las em uma posi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;s de   segunda classe. O argumento de que o testemunho de uma mulher numa   quest&atilde;o referente a neg&oacute;cios por exemplo, seria considerado inferior ou n&atilde;o   qualificado, aparentemente &eacute; uma postura de tempos arcaicos. Mas segundo   o Cor&atilde;o o depoimento de uma mulher formada continua inferior mesmo em   rela&ccedil;&atilde;o a um homem iletrado. Apesar dessas quest&otilde;es pontuais existem &aacute;reas   onde as interpreta&ccedil;&otilde;es masculinas est&atilde;o sendo contestadas, em especial no   que se refere ao hadith. O questionamento da hadith &eacute; um processo menos   controverso do que as investidas contra o Cor&atilde;o. Um dos maiores obst&aacute;culos   encontrados pelas feministas mu&ccedil;ulmanas &eacute; a quest&atilde;o hist&oacute;rica e cultural.</p>     <p>Para os te&oacute;logos mu&ccedil;ulmanos a contesta&ccedil;&atilde;o das feministas &eacute; percebida como   provinda de uma fonte hostil, ou seja, a influ&ecirc;ncia do ide&aacute;rio de liberdade e igualdade ocidental.</p>     <p>   Fatima Mernissi, marroquina, e Leila Ahmed, eg&iacute;pcia, argumentam   que o Isl&atilde; atualmente &eacute; comparativamente menos igualit&aacute;rio do que nos   tempos do Profeta. Segundo as escritoras o imp&eacute;rio Ab&aacute;ssida foi um dos   grandes respons&aacute;veis pela perda de status da mulher devido ao incentivo   ao concubinato, e a interpreta&ccedil;&atilde;o claramente masculina do sistema legal. As   mulheres no tempo de Maom&eacute; eram relativamente livres, participavam da vida   p&uacute;blica quando n&atilde;o estavam envolvidas tamb&eacute;m em batalhas e contribu&iacute;ram   grandemente para o processo de expans&atilde;o do islamismo. Argumenta-se   ainda que a primeira pessoa a acreditar que as revela&ccedil;&otilde;es do Profeta eram   realmente divinas foi sua primeira mulher, Khadija. Ap&oacute;s sua morte, Maom&eacute;   contraiu diversos matrim&ocirc;nios sendo a sua preferida a mais nova chamada   Aisha, filha de um companheiro pr&oacute;ximo, Abu Bkar. Ela representou um   papel importante na guerra civil (fitna) contra os judeus, e foi a inspira&ccedil;&atilde;o de diversas hadiths.<sup><a href="#11" name="s11">11</a></sup></p>     <p>   Atualmente mulheres em diversos pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos est&atilde;o lutando pela   mudan&ccedil;a do sistema jur&iacute;dico, o que implica em um embate direto com leis   divinamente estabelecidas. Em pa&iacute;ses como Ir&atilde; e Turquia ocorre uma melhora   significativa em rela&ccedil;&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, enquanto no Afeganist&atilde;o e na   Ar&aacute;bia Saudita, usar batom e dirigir constitui ainda uma infra&ccedil;&atilde;o punida com   viol&ecirc;ncia e pris&atilde;o. Como afirmou um estudioso do Isl&atilde;, Akbar S. Ahmed, as   mudan&ccedil;as no mundo isl&acirc;mico relacionadas as mulheres podem ser reduzidas   a uma quest&atilde;o, "a posi&ccedil;&atilde;o da mulher na sociedade mu&ccedil;ulmana espelha o   destino do Isl&atilde;; quando o Isl&atilde; est&aacute; seguro e confidente assim est&atilde;o as mulheres,   mas quando o Isl&atilde; &eacute; desafiado e encontra-se sob press&atilde;o, assim as mulheres tamb&eacute;m ficar&atilde;o".<sup><a href="#12" name="s12">12</a></sup></p>     <p> <b>Estudo de Caso: Turquia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   O Imp&eacute;rio Otomano era originalmente formado por principados turcos   estabelecidos a partir da imigra&ccedil;&atilde;o destes para a regi&atilde;o da Anat&oacute;lia devido,   em grande parte, a expans&atilde;o dos selj&uacute;quidas. Esta era uma dinastia turca adepta do Isl&atilde; sunita que em 1055 estabeleceu-se em Bagd&aacute; e durante os   anos de 1038 &agrave; 1194 conquistou partes da Anat&oacute;lia, at&eacute; ent&atilde;o pertencente   ao Imp&eacute;rio Bizantino. O controle de Bagd&aacute;, no entanto, foi perdido ap&oacute;s   1534 para a dinastia saf&aacute;vida (Ir&atilde;) e somente retomada em 1638. Em raz&atilde;o   das disputas entre as duas dinastias os otomanos iniciaram o deslocamento   para o sul, ocupando a S&iacute;ria, o Egito e a Ar&aacute;bia Ocidental. Por volta do ano   de 1516-17 o Imp&eacute;rio Otomano constitu&iacute;a a principal pot&ecirc;ncia militar e naval   da regi&atilde;o, estabelecendo um Estado baseado na for&ccedil;a e com uma estrutura   pol&iacute;tica centralizada e organizada, capaz de coletar impostos e manter a lei   em um territ&oacute;rio vasto. A estrutura de poder estava encabe&ccedil;ada pelo soberano   (pax&aacute; ou sult&atilde;o, isto &eacute;, &lsquo;detentor do poder&rsquo;) e sua fam&iacute;lia e abaixo destes   encontravam-se os vizires (sadr-i azam), respons&aacute;veis pelo funcionalismo p&uacute;blico, governos provinciais e ex&eacute;rcito.</p>     <p>   A legitimidade do soberano n&atilde;o fundamentava-se exclusivamente no   poder militar pois, a religi&atilde;o caracterizava-se como o elo de liga&ccedil;&atilde;o entre as   diferentes tribos n&ocirc;mades que compunham o Imp&eacute;rio Otomano. Segundo Hourani,</p>     <p> "o sult&atilde;o n&atilde;o era apenas o defensor das fronteiras do Isl&atilde;, mas tamb&eacute;m o guardi&atilde;o de seus       lugares santos. Tamb&eacute;m controlava as principais rotas pelas quais os peregrinos chegavam a       elas. Organizar e chefiar a peregrina&ccedil;&atilde;o anual era uma de suas principais fun&ccedil;&otilde;es; realizada       com grande formalidade e um grande ato p&uacute;blico, a peregrina&ccedil;&atilde;o era uma asser&ccedil;&atilde;o anual   da soberania otomana no cora&ccedil;&atilde;o do mundo mu&ccedil;ulmano".<sup><a href="#13" name="s13">13</a></sup></p>     <p>   Outra fun&ccedil;&atilde;o de igual import&acirc;ncia era a ado&ccedil;&atilde;o da sharia. Foram criadas   institui&ccedil;&otilde;es que colocavam os ulamas em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es com as esferas   militar e burocr&aacute;tica. Com a divis&atilde;o das prov&iacute;ncias em distritos, para cada   um deles era nomeado um c&aacute;dis que seria respons&aacute;vel pela execu&ccedil;&atilde;o da lei   de acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica. Os c&aacute;dis tamb&eacute;m eram respons&aacute;veis pela   emiss&atilde;o de ordens e proclama&ccedil;&otilde;es do sult&atilde;o e dos governadores.</p>     <p>   Tanto o risco de uma invas&atilde;o pela R&uacute;ssia, &Aacute;ustria e Ir&atilde; quanto o anseio   pela expans&atilde;o do territ&oacute;rio na Europa Oriental e Central, consumiam os   recursos do Estado que n&atilde;o empenhava parte de sua receita na cria&ccedil;&atilde;o de   uma infra-estrutura mais eficiente. Sendo assim o imp&eacute;rio ficava cada vez   mais deficit&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o as pot&ecirc;ncias europ&eacute;ias, uma das raz&otilde;es pelas quais   o imp&eacute;rio Otomano chegou ao fim no in&iacute;cio do s&eacute;c. XX.</p>     <p>Uma das poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es seria a crescente disparidade de poder nas   esferas pol&iacute;tica e militar e consequentemente, econ&ocirc;mica, fruto da penetra&ccedil;&atilde;o   crescente de pa&iacute;ses como Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia, ficando latente a falta   de avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, em especial, nos armamentos de guerra para recha&ccedil;ar   a amea&ccedil;a ocidental. Essa amea&ccedil;a apresentava uma dupla conota&ccedil;&atilde;o pois,   afigurava-se uma quest&atilde;o tanto pol&iacute;tica quanto religiosa. Os pa&iacute;ses habitados   por infi&eacute;is, ou seja, o mundo b&aacute;rbaro, eram caracterizados como Dar al-Harb   (Casa da Guerra), ao contr&aacute;rio da Dar al-Islam (Casa do Isl&atilde;), o mundo civilizado   onde predominava a lei do Isl&atilde; sob um governo mu&ccedil;ulmano. "O decl&iacute;nio   dos otomanos, por&eacute;m, deveu-se n&atilde;o tanto a mudan&ccedil;as internas, mas sim &agrave;   incapacidade deles de acompanhar o r&aacute;pido avan&ccedil;o do Ocidente em ci&ecirc;ncia e tecnologia, nas artes da guerra e da paz, e no governo e com&eacute;rcio".<sup><a href="#14" name="s14">14</a></sup></p>     <p>   O imp&eacute;rio Otomano j&aacute; havia guerreado in&uacute;meras vezes contra na&ccedil;&otilde;es   europ&eacute;ias mas em geral, estas disputas se davam de forma isolada. A   particularidade da Primeira Guerra Mundial &eacute; o fato de que desta vez a   Turquia estava imersa em um conflito que envolvia todas as grandes pot&ecirc;ncias   da Europa e, consequentemente precisava se posicionar frente aos blocos em   disputa. O sult&atilde;o acaba por optar pela alian&ccedil;a com a Alemanha, acreditando   estar impedindo o avan&ccedil;o russo pois desde a derrota em 1774, que acarretou   as condi&ccedil;&otilde;es desvantajosas do Tratado de Ku&ccedil;uk Kaynarca, implicando na   perda de territ&oacute;rio e de influ&ecirc;ncia regional, assim como, da liberdade de   navega&ccedil;&atilde;o para os comerciantes russos, as rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses era marcada por continuados conflitos.</p>     <p>   Inicialmente as vantagens obtidas pela alian&ccedil;a com a Alemanha estavam   concentradas no campo da transfer&ecirc;ncia de tecnologia e financiamentos, mas   com a derrota alem&atilde; em 1919 a Turquia sofrer&aacute; uma ruptura pol&iacute;tica &uacute;nica no mundo mu&ccedil;ulmano ao fundar uma rep&uacute;blica turca independente.</p>     <p>   Grande parte do territ&oacute;rio do imp&eacute;rio foi dividido entre a Fran&ccedil;a e a Gr&atilde;-   Bretanha excetuando a regi&atilde;o da Anat&oacute;lia que permaneceu independente.   Em outubro de 1918 os l&iacute;deres da Juventude Turca perderam grande parte dos   postos de poder com a indica&ccedil;&atilde;o de um novo sult&atilde;o, Mehmed Vahideddin   que acabou por indicar Ahmed Izzet Pasa como o seu gr&atilde;o-vizir com a dif&iacute;cil   tarefa de assinar um armist&iacute;cio. O territ&oacute;rio turco foi invadido por franceses   e ingleses e em menor n&uacute;mero, por italianos. A popula&ccedil;&atilde;o local encontravase   em p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es, empobrecida e desesperan&ccedil;ada e a cidade de Istambul, parcialmente destru&iacute;da. Mas os rumos do pa&iacute;s mudariam com a   chegada de navios de guerra gregos em Izmir no dia 15 de maio de 1919.   Embora os turcos houvessem aceitado a derrota para as pot&ecirc;ncias europ&eacute;ias,   sentiram-se ultrajados com a chegada de antigos rivais. As manifesta&ccedil;&otilde;es   come&ccedil;aram a florescer n&atilde;o s&oacute; em Istambul mas em v&aacute;rias partes do pa&iacute;s.   No dia 19 de maio, o general Mustafa Kemal foi enviado para Izmir com a   miss&atilde;o de desfazer os &uacute;ltimos regimentos do ex&eacute;rcito turco mas, na verdade,   organizou um movimento de resist&ecirc;ncia com as tropas restantes. Conhecido   como anatolismo, este movimento foi a base da reconstru&ccedil;&atilde;o da Turquia,   cuja for&ccedil;a motriz estava no sentimento de nacionalidade. Com a vit&oacute;ria   da resist&ecirc;ncia, Kemal Ataturk conseguiu atrav&eacute;s de tratados com a Fran&ccedil;a,   Inglaterra e Gr&eacute;cia n&atilde;o s&oacute; a liberta&ccedil;&atilde;o total do territ&oacute;rio da Anat&oacute;lia, j&aacute; que   as demais prov&iacute;ncias come&ccedil;ariam seus pr&oacute;prios processos de independ&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m a extin&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia estrangeira nos neg&oacute;cios de Estado.</p>     <p>   A aceita&ccedil;&atilde;o destas medidas era em grande parte resultado da ruptura   empreendida por Ataturk atrav&eacute;s da seculariza&ccedil;&atilde;o do Estado, ou seja, a   separa&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e pol&iacute;tica estatal, adotando como par&acirc;metro os moldes   europeus. A legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m sofreu modifica&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas com a ado&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo civil su&iacute;&ccedil;o e do c&oacute;digo penal italiano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Neste caso o termo revolu&ccedil;&atilde;o ser&aacute; adotado para caracterizar as mudan&ccedil;as   ocorridas na sociedade turca no ano de 1923. Em geral revolu&ccedil;&otilde;es implicam   em uma mudan&ccedil;a brusca, em geral atrav&eacute;s de um golpe de Estado, sendo   inaugurado um estilo de poder autorit&aacute;rio e com a cristaliza&ccedil;&atilde;o da estrutura   de apropria&ccedil;&atilde;o, e ascens&atilde;o de uma nova classe ao poder. Como presidente   da Turquia, Mustafa Kemal adotou uma pol&iacute;tica ditatorial com o intuito de   abolir institui&ccedil;&otilde;es que orquestravam o califado. Uma das raz&otilde;es para o sucesso   da revolu&ccedil;&atilde;o foi a cautela em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s reformas adotadas, dessa forma, as   mudan&ccedil;as ocorriam em intervalos moderados, impossibilitando uma oposi&ccedil;&atilde;o   aberta, fator este que n&atilde;o impediu que houvessem tentativas de assassin&aacute;-lo. No entanto, os conspiradores foram descobertos e executados.</p>     <p>   A administra&ccedil;&atilde;o de Ataturk voltava-se de certa forma, para responder aos   anseios da popula&ccedil;&atilde;o que ainda se recuperava dos efeitos da guerra, portanto,   a &ecirc;nfase estava no nacionalismo e n&atilde;o no desejo por liberdade e democracia, estes segundo Ataturk, viriam a posteriori.</p>     <p>   Simbolizada pela mudan&ccedil;a de capital de Istambul para Ankara um novo   governo foi instaurado na Turquia, n&atilde;o mais baseado em uma dinastia ou   imp&eacute;rio mas sim, estruturado nos moldes de uma rep&uacute;blica. Ao abolir o   califado, o centro da ortodoxia religiosa tamb&eacute;m foi severamente modificado pois os juristas-te&oacute;logos foram destitu&iacute;dos de seus cargos de proemin&ecirc;ncia   no processo de interpreta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o das leis. O kemalismo n&atilde;o era   contr&aacute;rio a religi&atilde;o em si mas, &agrave; sua forma teocr&aacute;tica, acreditando que para   haver o progresso fazia-se necess&aacute;rio uma estrutura democr&aacute;tica baseada nos   par&acirc;metros das pot&ecirc;ncias ocidentais. Ao contr&aacute;rio do Ir&atilde; p&oacute;s-revolucion&aacute;rio,   a id&eacute;ia de moderniza&ccedil;&atilde;o estava intimamente relacionada a ocidentaliza&ccedil;&atilde;o,   contudo a cultura local n&atilde;o deixou de ser valorizada e incentivada como marcas   da identidade nacional. &Eacute; preciso ressaltar por&eacute;m que a id&eacute;ia do que constitui   propriamente a identidade de uma na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; facilmente identific&aacute;vel,   em raz&atilde;o de percep&ccedil;&otilde;es distintas no interior da sociedade. Sendo assim, o   ide&aacute;rio de uma identidade nacional homog&ecirc;nea, neste caso especificamente,   refletiria a vis&atilde;o dos que se encontravam no poder neste momento espec&iacute;fico da hist&oacute;ria turca.</p>     <p>   O cerco aos l&iacute;deres religiosos fecha-se cada vez mais apesar de movimentos   de oposi&ccedil;&atilde;o. As vestimentas que simbolizassem o Isl&atilde; foram proibidas a n&atilde;o   ser para os que estivessem diretamente vinculados a alguma inst&acirc;ncia da   vida religiosa. Em novembro de 1925 foi estabelecido um decreto em que os   homens deveriam adotar as vestimentas ocidentais, ou seja, terno e chap&eacute;u.   As mulheres, por sua vez, n&atilde;o mais usariam os v&eacute;us, ocorrendo um processo de &lsquo;unveiling&rsquo;.<sup><a href="#15" name="s15">15</a></sup></p>     <p>   Segundo Ataturk, "eu j&aacute; presenciei mulheres cobrindo os rostos com um   peda&ccedil;o de pano ou toalha, quando um homem passa por perto. Qual &eacute; o   significado deste comportamento? Senhores, as mulheres e jovens de uma   na&ccedil;&atilde;o civilizada podem adotar esta postura b&aacute;rbara? &Eacute; um espet&aacute;culo que   ridiculariza a na&ccedil;&atilde;o e precisa ser modificado imediatamente".<sup><a href="#16" name="s16">16</a></sup> Apesar da   percep&ccedil;&atilde;o do v&eacute;u como um elemento culturalmente retr&oacute;grado, as mudan&ccedil;as   nesta esfera deram-se de forma t&iacute;mida, em especial no interior do pa&iacute;s e nas &aacute;reas rurais. A tentativa de romper com determinados costumes a curto prazo n&atilde;o foi bem sucedida, vindo a ocorrer gradativamente, isto &eacute;, paralelo a ado&ccedil;&atilde;o de um modelo democr&aacute;tico, efetivado realmente em 1950 com elei&ccedil;&otilde;es pluripartid&aacute;rias.</p>     <p>   As mudan&ccedil;as no estatuto da mulher foram significativas. A poligamia   foi considerada ilegal e percebida como grande empecilho para &agrave; liberdade e dignidade feminina, sendo institu&iacute;do o casamento e o div&oacute;rcio como um   ato de escolha pessoal, assim como, o estabelecimento de direitos iguais para   homens e mulheres. Outro aspecto marcante dessa mudan&ccedil;a foi a permiss&atilde;o   para a mulher mu&ccedil;ulmana casar com um n&atilde;o-mu&ccedil;ulmano. A religi&atilde;o tamb&eacute;m   foi caracterizada como uma escolha individual e as minorias religiosas, como   crist&atilde;os e sufis (interpreta&ccedil;&atilde;o m&iacute;stica do Isl&atilde;), passaram a ser reconhecidas. A   reforma educacional foi uma arena de especial import&acirc;ncia para o crescente   engajamento feminino, e as escolas estrangeiras viram-se com uma grande demanda por vagas.</p>     <p>   Associa&ccedil;&otilde;es e clubes formados unicamente por mulheres foram estabelecidos,   o que gerava um espa&ccedil;o privilegiado para debates e reivindica&ccedil;&otilde;es. Em 1929   a Uni&atilde;o Turca de Mulheres enviou uma peti&ccedil;&atilde;o ao governo exigindo n&atilde;o s&oacute;   o direito de voto em elei&ccedil;&otilde;es municipais mas paralelamente o direito de se   candidatarem. Este direito foi concedido em 1934 e um ano depois j&aacute; haviam   17 deputadas. No entanto temerosos de que a Uni&atilde;o Turca de Mulheres   viesse a se tornar um partido pol&iacute;tico, o governo aboliu a Uni&atilde;o em abril de   1935 com a justificativa de que o seu prop&oacute;sito j&aacute; havia sido efetivado. Este   acontecimento demonstra que as mudan&ccedil;as estavam inegavelmente ocorrendo,   mas estas se dariam de forma controlada pelo Estado com o intuito de evitar, pelo menos em seu est&aacute;gio inicial, uma nova ruptura.</p>     <p>   No ano de 1925 foi aberto &agrave;s mulheres a possibilidade de se tornarem   ju&iacute;zas. Em 1933 j&aacute; havia tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de mulheres com o cargo de   professoras na Universidade de Istambul, e a primeira a receber um diploma   universit&aacute;rio foi Halid&eacute; Edib. &Eacute; conhecida internacionalmente por seus   trabalhos acad&ecirc;micos e romances e foi professora de literatura ocidental,   vindo at&eacute; mesmo assessorar o presidente Kemal Ataturk em uma s&eacute;rie de atividades voltadas para as quest&otilde;es sociais.</p>     <p>   As an&aacute;lises referentes ao per&iacute;odo revolucion&aacute;rio na Turquia s&atilde;o variadas,   pois por um lado buscou-se instaurar uma rep&uacute;blica mas, ao mesmo tempo,   esta foi efetivada de forma ditatorial e com forte repress&atilde;o aos dissidentes, em   especial, grupos ligados aos califas e religiosos. Inegavelmente para as mulheres   foi um passo importante para romper com a tradi&ccedil;&atilde;o religiosa que privilegiava   uma interpreta&ccedil;&atilde;o excludente acerca da participa&ccedil;&atilde;o feminina nas esferas de poder e limitava a sua atua&ccedil;&atilde;o em grande parte &agrave; esfera dom&eacute;stica.</p>     <p>   Assim como a influ&ecirc;ncia estrangeira possibilitou um maior contato com   novas id&eacute;ias como nacionalismo, liberdade e igualdade, movimentos feministas   ocidentais tamb&eacute;m deixaram suas marcas, mas neste per&iacute;odo ainda eram   incipientes. Um maior interc&acirc;mbio de id&eacute;ias &eacute; possibilitado com a crescente inser&ccedil;&atilde;o da mulher na academia e consequentemente, na op&ccedil;&atilde;o desta em estudar em universidades estrangeiras. Segundo Bernard Lewis,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> "independente das diferentes percep&ccedil;&otilde;es que cada um possa apresentar sobre a revolu&ccedil;&atilde;o       turca, &eacute; indiscut&iacute;vel que o kemalismo trouxe nova vida e esperan&ccedil;a para a popula&ccedil;&atilde;o,       reestabelecendo as suas energias e respeito pr&oacute;prio, levando-os em dire&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; &agrave;   independ&ecirc;ncia, mas a algo muito mais raro e precioso, a sua liberdade".<sup><a href="#17" name="s17">17</a></sup></p>     <p>   <b>Estudo de Caso: Ir&atilde;</b></p>     <p>   O governo do monarca Reza Pahlevi, que assumiu o trono em 1941 logo ap&oacute;s   a invas&atilde;o dos brit&acirc;nicos e sovi&eacute;ticos, foi marcado pela tentativa de conciliar   a forte influ&ecirc;ncia estrangeira paralela as press&otilde;es internas de movimentos   nacionalistas. O pomo da disc&oacute;rdia estava centrado no petr&oacute;leo pois havia   uma forte press&atilde;o brit&acirc;nica que almejava o monop&oacute;lio da produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera   enquanto os movimentos internos lutavam pela sua estatiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>   Essa disputa, por&eacute;m, foi herdada do ent&atilde;o monarca Muhammad Ali da   dinastia Qadjar (1794 - 1925) que foi posteriormente interrompida com o apoio   dos ingleses. A deposi&ccedil;&atilde;o da dinastia foi liderada pelo pai de Reza Pahlevi,   Reza Khan em 1925. A origem, no entanto, remonta ao ano de 1901 quando   o explorador ingl&ecirc;s William D&rsquo;Arcy firmou contrato com Mazufar ad-Din X&aacute;   (pai do Muhammad Ali) para pesquisar e industrializar o petr&oacute;leo no Ir&atilde; pelo   per&iacute;odo de 60 anos. Essa concess&atilde;o acarretou na cria&ccedil;&atilde;o da Anglo-Iranian   Oil Company. Apesar de diversas tentativas o petr&oacute;leo s&oacute; foi efetivamente   encontrado em 1908 na prov&iacute;ncia do Huzist&atilde;o. Em 1914 com a deflagra&ccedil;&atilde;o   da Primeira Guerra Mundial o "ouro negro" transformou-se de fundamental   import&acirc;ncia para o ex&eacute;rcito ingl&ecirc;s que estava no processo de substitui&ccedil;&atilde;o do   carv&atilde;o como combust&iacute;vel.</p>     <p>   Mas, antes de iniciados os conflitos na Europa, havia grande instabilidade   interna no Ir&atilde; devido a movimentos nacionalistas. Em 1909 Muhammad Ali   havia sido deposto entregando o poder ao seu filho Ahmad Mirza com apenas   11 anos mas n&atilde;o abandonou totalmente o poder atuando nos bastidores das   decis&otilde;es pol&iacute;ticas. Nessa nova configura&ccedil;&atilde;o a Inglaterra encontrou terreno   prop&iacute;cio para a queda da dinastia Qadjar. Em 1921 o comandante das tropas   brit&acirc;nicas, o general Ironside, aconselha ao monarca a nomear para a chefia   da Legi&atilde;o dos Cossacos (unidade mais poderosa do ex&eacute;rcito) o general Reza Khan, militar fiel aos interesses ingleses, que em 1925 liderou o golpe de   Estado e assumiu o poder no mesmo ano.</p>     <p>   Em 1926 foi coroado xainx&aacute; (rei dos reis) adotando o nome de Reza Khan   Pahlevi. Este, por sua vez, mostrava-se mais favor&aacute;vel a rep&uacute;blica cujo grande   modelo era o governo secular instaurado na Turquia com Mustapha Kemal   Ataturk em 1923. Esta revolu&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; estudada no pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo   caracteriza-se como um dos grandes marcos no mundo mu&ccedil;ulmano pois   acarreta no fim do Imp&eacute;rio Otomano, encerrando com a influ&ecirc;ncia da religi&atilde;o   nos neg&oacute;cios de Estado e promovendo mudan&ccedil;as estruturais na legisla&ccedil;&atilde;o e   no sistema pol&iacute;tico.</p>     <p>   Embora demonstrasse simpatias ao modelo pol&iacute;tico adotado na Turquia,   mostrava-se reticente quanto aos resultados da Primeira Guerra Mundial,   em especial pela invas&atilde;o russa no pa&iacute;s. Sendo assim adota uma postura pr&oacute;   Alemanha nazista e em 1935 substitui o nome do pa&iacute;s, P&eacute;rsia por Ir&atilde;, isto &eacute;,   ariano, demonstrando ao 3 &ordm; Reich a origem pura da ra&ccedil;a.</p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o as medidas do seu governo sobressaem-se programas de   reformas nos setores da educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, e uma moderniza&ccedil;&atilde;o gradativa   dos costumes impostos pela religi&atilde;o, como por exemplo em rela&ccedil;&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o   feminina. Neste aspecto houve a&ccedil;&otilde;es fortemente baseadas nas mudan&ccedil;as na   Turquia. Na constitui&ccedil;&atilde;o iraniana de 1906 as mulheres encontravam-se na   mesma condi&ccedil;&atilde;o dos loucos, delinq&uuml;entes e crian&ccedil;as. Com a mudan&ccedil;a da   constitui&ccedil;&atilde;o foi elevado o seu status para o de cidad&atilde;s, semelhante ao status   dos homens.</p>     <p>   Promoveu-se tamb&eacute;m a liberdade em rela&ccedil;&atilde;o ao uso do chador (v&eacute;us que   cobrem as faces). Em 1936 h&aacute; a cerim&ocirc;nia do &lsquo;unveiling&rsquo; com a convoca&ccedil;&atilde;o   de parentes e amigos para presenciar um forte s&iacute;mbolo de emancipa&ccedil;&atilde;o   feminina. "A id&eacute;ia era t&atilde;o absurda para as mu&ccedil;ulmanas tradicionais, que elas   simplesmente n&atilde;o conseguiam sair de casa vestidas de modo ocidental. Como   era uma imposi&ccedil;&atilde;o do governo, algumas mulheres preferiram n&atilde;o mais sair   de casa".<sup><a href="#18" name="s18">18</a></sup></p>     <p>   Essas modifica&ccedil;&otilde;es iam de encontro aos interesses dos ulamas na manuten&ccedil;&atilde;o   da ordem religiosa como inibidora de a&ccedil;&otilde;es reformistas que pudessem minar   a sua influ&ecirc;ncia e poder. Mas as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas no cen&aacute;rio internacional   acabaram por interromper temporariamente o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o. Com a eclos&atilde;o da Segunda Guerra Mundial o Ir&atilde; encontrava-se em uma posi&ccedil;&atilde;o   delicada considerando a alian&ccedil;a com a Alemanha. Em 1941 os pa&iacute;ses aliados   necessitavam passar por territ&oacute;rio iraniano para o envio de suprimentos para   a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. No entanto havia a presen&ccedil;a de t&eacute;cnicos alem&atilde;es no pa&iacute;s   cuja justificativa era o aux&iacute;lio no desenvolvimento econ&ocirc;mico. Os aliados   mostravam-se temerosos de um poss&iacute;vel avan&ccedil;o at&eacute; a &Iacute;ndia e ao Golfo P&eacute;rsico e   resolveram tomar medidas pragm&aacute;ticas. Neste mesmo ano o pa&iacute;s foi invadido   pelos ingleses e sovi&eacute;ticos que for&ccedil;aram a abdica&ccedil;&atilde;o do x&aacute; Reza Khan em   nome do seu filho Reza Pahlevi, que estava na &eacute;poca, com 20 anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Devido em grande parte a sua forma&ccedil;&atilde;o no exterior Reza Pahlevi   mostrava-se inclinado para ado&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias e h&aacute;bitos ocidentais, fator esse   que minimizava os receios dos aliados quanto a novas rupturas de rela&ccedil;&otilde;es   com pot&ecirc;ncias europ&eacute;ias, vencedoras na Segunda Guerra mundial. O "Trono   do Pav&atilde;o", como ficou conhecido em raz&atilde;o de um estilo de vida sofisticado,   foi marcado por fortes turbul&ecirc;ncias internas. Em grande parte mostrou-se   in&aacute;bil na concilia&ccedil;&atilde;o dos interesses externos e internos, sendo visto como um   instrumento nas m&atilde;os dos dominadores.</p>     <p>   Durante a d&eacute;cada de 50 o movimento que almejava a estatiza&ccedil;&atilde;o dos campos   petrol&iacute;feros torna-se a grande bandeira dos sentimentos nacionalistas. O l&iacute;der   era um pol&iacute;tico de 70 anos e inimigo dos Pahlevi em raz&atilde;o de seus v&iacute;nculos   com a monarquia Qadjar, Mahammed Hedayat, conhecido como Mossadegh.   Sua trajet&oacute;ria pol&iacute;tica remonta ao ano de 1919 quando se op&otilde;e aos "ocupantes   ingleses" e posteriormente assumindo postos de poder como Ministro das   Finan&ccedil;as (1921), governador do Azerbaij&atilde;o e Ministro do Exterior em 1923,   dentre outros cargos.</p>     <p>   Em 1925 foi exilado ap&oacute;s ser preso duas vezes mas acabou anistiado em   1941 por Reza Pahlevi. Dois anos depois do seu retorno inicia campanha   para a nacionaliza&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo e cria o partido Frente Nacional. Em 1951   obteve sua primeira vit&oacute;ria. Foi aprovado no Parlamento por unanimidade   a nacionaliza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera. Nesse mesmo ano foi nomeado   primeiro-ministro com forte apoio da popula&ccedil;&atilde;o que sofria as conseq&uuml;&ecirc;ncias   da concess&atilde;o para o governo brit&acirc;nico como a n&atilde;o transfer&ecirc;ncia de tecnologia   e a remessa de lucros para os pa&iacute;ses de origem acarretando em baixos sal&aacute;rios   e a n&atilde;o qualifica&ccedil;&atilde;o de profissionais locais. Nesse contexto &eacute; criada a National   Iranian Oil Company, mas ainda ficavam sob depend&ecirc;ncia estrangeira nos   processos de prospec&ccedil;&atilde;o, extra&ccedil;&atilde;o e refino, em raz&atilde;o da falta de t&eacute;cnicos   aptos para o uso do maquin&aacute;rio. Apesar de mantida a participa&ccedil;&atilde;o inglesa,   o governo brit&acirc;nico rompeu rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com o Ir&atilde;, amea&ccedil;ando o   pa&iacute;s de nova invas&atilde;o.</p>     <p>A ind&uacute;stria petrol&iacute;fera come&ccedil;ava a entrar em colapso ap&oacute;s o boicote   econ&ocirc;mico ingl&ecirc;s que impossibilitou que os petroleiros chegassem at&eacute; as   refinarias. A partir desse momento come&ccedil;a a haver descontentamentos internos   dos setores ligados a ind&uacute;stria. Reza Pahlevi alia-se a elite iraniana para retirar   Mossadegh do cargo de primeiro-ministro na tentativa de neutralizar um de   seus maiores obst&aacute;culos pol&iacute;ticos. Como Mossadegh manteve o apoio dos   partidos e da popula&ccedil;&atilde;o acabou por sair vitorioso. Em 1973 o x&aacute; come&ccedil;a a   arregimentar outros setores descontentes como o clero xiita, que o acusava de   infiltrar membros de esquerda no governo. Em plena Guerra Fria, Mossadegh &eacute; acusado pela CIA de ser o representante do Tudeh (PC iraniano).</p>     <p>   A continuidade do sistema mon&aacute;rquico &eacute; garantida. O x&aacute; retoma o poder   e d&aacute; in&iacute;cio a um per&iacute;odo discricion&aacute;rio. Criou a Savak (Organiza&ccedil;&atilde;o Nacional   de Informa&ccedil;&atilde;o e Seguran&ccedil;a), cujos integrantes eram treinados pelos agentes   da CIA, buscando dessa forma evitar o crescimento dos movimentos de   esquerda, sendo dessa forma estabelecida uma alian&ccedil;a entre os Estados Unidos   e o x&aacute;. A hist&oacute;ria moderna do Ir&atilde; ser&aacute;, portanto, marcada pela interfer&ecirc;ncia   norte-americana que pretendia fazer do pa&iacute;s um basti&atilde;o contra a influ&ecirc;ncia comunista na regi&atilde;o.</p>     <p>   A pol&iacute;tica externa para o Oriente M&eacute;dio do presidente Nixon tratava de   neutralizar a influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica que se tornara a principal   fornecedora de armas e suporte t&eacute;cnico para grupos &aacute;rabes radicais. Essa   alian&ccedil;a representava n&atilde;o s&oacute; uma maior proximidade com os Estados Unidos   mas tamb&eacute;m com os pa&iacute;ses ideologicamente compromissados com valores   democr&aacute;ticos e liberais. A id&eacute;ia de que a liberdade depende acima de tudo   das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas tem norteado o pensamento americano at&eacute; os   dias de hoje. A maioria dos seus l&iacute;deres est&aacute; convencida de que os Estados   Unidos tem a miss&atilde;o especial de difundir seus valores como contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; paz mundial.</p>     <p>   No per&iacute;odo inicial da rep&uacute;blica a opini&atilde;o dominante era de que a na&ccedil;&atilde;o   serviria melhor &agrave; causa democr&aacute;tica praticando em casa suas virtudes. No   entanto com Roosevelt a premissa passa a ser a de que os Estados Unidos   tinham a obriga&ccedil;&atilde;o de valer-se da for&ccedil;a para triunfar. Al&eacute;m disso, os atores no   palco internacional como o Ir&atilde;, tiveram que lidar com press&otilde;es conflitantes   geradas pela pol&iacute;tica externa da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, em especial pela proximidade   geogr&aacute;fica acarretando em novos riscos de invas&atilde;o. Assim, a d&eacute;cada de 70 &eacute;   marcada pelo esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico de Washington para bloquear a influ&ecirc;ncia   sovi&eacute;tica no Oriente M&eacute;dio, por&eacute;m mantendo os seus canais de comunica&ccedil;&atilde;o   aberto com os russos. O Ir&atilde; ir&aacute; se posicionar de forma semelhante, com o   objetivo de n&atilde;o sofrer repres&aacute;lias por ambos os lados. Curiosamente o x&aacute; ir&aacute; acabar sendo deposto n&atilde;o pelas pot&ecirc;ncias em conflito durante a Guerra Fria mas sim por movimentos nacionalistas.</p>     <p>   Reza Pahlevi, ancorado na alian&ccedil;a com os norte-americanos e ingleses, deu   in&iacute;cio a um processo de ocidentaliza&ccedil;&atilde;o em parte inspirado no modelo turco   de laiciza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, modelo esse tamb&eacute;m adotado por seu pai, Reza Khan.   Foram realizadas melhorias no sistema educacional, o &iacute;ndice de analfabetismo   baixou de 90% para 65%. Investiu tamb&eacute;m em hospitais, escolas, universidades,   rede de estradas e sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o. Havia a inten&ccedil;&atilde;o de desenvolver   o pa&iacute;s, mas mesmo com o alto &iacute;ndice de crescimento do produto interno   bruto, este projeto foi inviabilizado devido a forte &ecirc;nfase na compra de armas   do exterior que com a falta de pe&ccedil;as de reposi&ccedil;&atilde;o e a falta de know how para utiliz&aacute;-las, logo ficaram obsoletas.<sup><a href="#19" name="s19">19</a></sup></p>     <p>   A ind&uacute;stria automobil&iacute;stica tamb&eacute;m surgiu neste momento, assim como   a tentativa de implementar a reforma agr&aacute;ria no pa&iacute;s embora houvesse um   contingente significativo de migra&ccedil;&atilde;o do campo para as cidades. Em grande   parte esta aflu&ecirc;ncia em massa era resultante da aus&ecirc;ncia de &aacute;gua e eletricidade nos campos.</p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o a mulher este processo possibilitou maior participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica,   instituindo o sufr&aacute;gio em 1963. &Eacute; not&oacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o da irm&atilde; mais velha   do x&aacute;, Ashraf, em quest&otilde;es de Estado. Em 1968 conduziu a Confer&ecirc;ncia dos   Direitos Humanos promovida pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Teer&atilde;. Foi delegada   nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas na I Confer&ecirc;ncia Internacional de Mulheres no M&eacute;xico   em 1975 e esteve sempre ligada a ONU nas quest&otilde;es relativas aos Direitos   Humanos. Este fator, no entanto, n&atilde;o caracteriza a ades&atilde;o efetiva do Estado ao princ&iacute;pio de n&atilde;o viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> "Mesmo assim as mulheres nunca tiveram tanta liberdade e import&acirc;ncia no Ir&atilde;. Mulheres       eram eleitas para o parlamento, escolhidas como embaixadoras e at&eacute; o Minist&eacute;rio da       Educa&ccedil;&atilde;o em 1970 foi ocupado por uma mulher. Entre ju&iacute;zas e advogadas, contavam-se &agrave;s centenas. O servi&ccedil;o militar era obrigado a aceit&aacute;-las por decreto".<sup><a href="#20" name="s20">20</a></sup></p>     <p>   Neste momento o clero xiita, at&eacute; ent&atilde;o aliado do x&aacute;, mostrou-se   profundamente insatisfeito com as modifica&ccedil;&otilde;es postas em vigor que objetivava   diminuir a sua influ&ecirc;ncia no cen&aacute;rio pol&iacute;tico. Em especial quando foi aprovado   a aboli&ccedil;&atilde;o da grande propriedade em raz&atilde;o da reforma agr&aacute;ria. Os l&iacute;deres   xiitas eram os maiores benefici&aacute;rios do regime feudal, recebendo doa&ccedil;&otilde;es e legados, aumentados com as contribui&ccedil;&otilde;es dos fi&eacute;is. Imbu&iacute;dos da moral e da   f&eacute; atacaram a corrup&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia imperial. Com as taxas religiosas (zakat), o   clero tinha dinheiro para financiar o movimento de oposi&ccedil;&atilde;o. Mas dos grupos   opositores o principal era o Mujahidin, cuja base te&oacute;rica voltava-se para um discurso socialista.</p>     <p>   Apesar das mudan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o feminina, em especial no &acirc;mbito do direito, grande parte dos membros que se opunham ao governo do x&aacute; eram mulheres. Uma das poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es &eacute; o fato de que a corrup&ccedil;&atilde;o do governo e a pobreza da popula&ccedil;&atilde;o iam de encontro ao apelo de liberdade e igualdade por parte das reivindica&ccedil;&otilde;es de grupos da oposi&ccedil;&atilde;o. A princesa Ashraf, o grande modelo para as mulheres, passou a ser o principal alvo das cr&iacute;ticas. Foi acusada de gastos milion&aacute;rios no exterior e envolvimento com o narcotr&aacute;fico.</p>     <p>   Em fevereiro de 1979 as manifesta&ccedil;&otilde;es nacionalistas no Ir&atilde; chegaram ao &aacute;pice. O x&aacute; foi obrigado a abandonar o pa&iacute;s e Khomeini regressou triunfante do ex&iacute;lio. Como alternativa vitoriosa aos modelos capitalista e socialista ocidentais, a Revolu&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica despertou entusiasmo em todo mundo mu&ccedil;ulmano. Os fundamentalistas, apoiados nos Guardas da Revolu&ccedil;&atilde;o e na popularidade de Khomeini, exclu&iacute;ram do governo seus antigos aliados de esquerda e de direita. O pensamento pol&iacute;tico, religioso e social do Aiatol&aacute; influenciou decisivamente o processo revolucion&aacute;rio iraniano, maximizando a import&acirc;ncia das particularidades locais e da religi&atilde;o para exaltar o elo de liga&ccedil;&atilde;o com o passado, com a cultura percebida enquanto pura e fonte da pr&oacute;pria identidade.</p>     <p>   Como aponta Manuel Castells, "quando Khomeini aterrissou em Teer&atilde; em 1 &ordm; de fevereiro de 1979 para liderar a revolu&ccedil;&atilde;o, retornou como o representante do im&atilde; Nacoste, o Senhor do Tempo (wali al-zaman), no intuito de reafirmar a preemin&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios religiosos".<sup><a href="#21" name="s21">21</a></sup></p>     <p>   O retorno do aiatol&aacute; foi precedido por uma grave crise interna devido a   paralisa&ccedil;&atilde;o da &uacute;nica ind&uacute;stria nacional, ou seja, a petrol&iacute;fera. Com a greve se   espalhando por diversos setores Reza Pahlevi via-se em uma situa&ccedil;&atilde;o cada   vez mais insustent&aacute;vel apelando para o predom&iacute;nio da viol&ecirc;ncia. Diversas   manifesta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;-Khomeini foram dissolvidas com a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas,   deixando um saldo de mortos de centenas de pessoas. No final do ano de 1978, pouco antes do seu ex&iacute;lio, o x&aacute; optou por abandonar o trono deixando-o   a cargo de Shapur Baktiar, um oposicionista moderado. Logo que assumiu   o poder prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal para julgamento e puni&ccedil;&atilde;o dos   respons&aacute;veis pelo massacre dos manifestantes, a suspens&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es   de petr&oacute;leo para Israel, a permiss&atilde;o para o retorno de Khomeini do ex&iacute;lio, a   liberaliza&ccedil;&atilde;o da imprensa e a convoca&ccedil;&atilde;o de novas elei&ccedil;&otilde;es. Essas propostas   amenizaram os protestos da popula&ccedil;&atilde;o e o trabalho foi parcialmente retomado   na ind&uacute;stria.</p>     <p>   No entanto, para os defensores de um estado verdadeiramente isl&acirc;mico   estas propostas n&atilde;o eram suficientes. Acreditavam que Baktiar era o "ultimo   lacaio da monarquia e do imperialismo americano" pois tamb&eacute;m era apoiado   pelos Estados Unidos que almejavam evitar uma rep&uacute;blica anti-Ocidente.   Com o retorno de Khomeini, este declarou o Parlamento e o Governo ilegais,   insuflando a popula&ccedil;&atilde;o contra os Estados Unidos e os seus defensores, acarretou   em uma sa&iacute;da em massa tanto de judeus quanto de americanos do pa&iacute;s.</p>     <p>   Outra medida adotada foi a instaura&ccedil;&atilde;o de um governo paralelo buscando   for&ccedil;ar a ren&uacute;ncia de Baktiar. Essa postura teve um efeito domin&oacute; pois em diversas   cidades do interior a administra&ccedil;&atilde;o foi assumida por partid&aacute;rios da revolu&ccedil;&atilde;o.   As legisla&ccedil;&otilde;es passaram a ser substitu&iacute;das pelo Cor&atilde;o, estabelecendo as bases   para um governo verdadeiramente isl&acirc;mico. O Governo e o Parlamento foram   efetivamente dissolvidos no dia 11 de fevereiro de 1979. Uma das primeiras   modifica&ccedil;&otilde;es com o novo governo foi a proibi&ccedil;&atilde;o de bebidas alc&oacute;olicas, a   dissolu&ccedil;&atilde;o dos tribunais civis e o retorno da obrigatoriedade do uso do chador.   Foram estabelecidos tribunais revolucion&aacute;rios isl&acirc;micos com o objetivo de   punir os "traidores do Ir&atilde;". Todos aqueles que houvessem participado ou   defendiam o sistema mon&aacute;rquico foram executados. As mulheres que vendiam   o corpo para sua sobreviv&ecirc;ncia foram tamb&eacute;m executadas por corromperem a   pureza do Isl&atilde;. O pudor mu&ccedil;ulmano era tema central de muitos dos discursos   do Aitol&aacute;, sendo assim, todas as atividades compartilhadas por homens e   mulheres n&atilde;o ligados por la&ccedil;os familiares seriam consideradas ilegais, como   os banhos mistos nas praias. O cinema, a televis&atilde;o e as r&aacute;dios foram proibidas   de veicular imagens que ferissem os preceitos isl&acirc;micos, em especial cenas   que remetessem de alguma forma a cultura "corrompida" do ocidente.</p>     <p>   A rep&uacute;blica isl&acirc;mica foi efetivamente instaurada no dia 1&ordm; de abril ap&oacute;s   as elei&ccedil;&otilde;es. Bazargan, sucessor de Baktiar, havia proposto que as c&eacute;dulas   apresentassem tr&ecirc;s op&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, teocracia, monarquia ou democracia. A   terceira op&ccedil;&atilde;o, no entanto, foi vetada por Khomeini para garantir a vit&oacute;ria   da rep&uacute;blica isl&acirc;mica. Logo depois uma nova constitui&ccedil;&atilde;o foi proposta para   substituir a de 1906.</p>     <p>Paradoxalmente, as dissid&ecirc;ncias internas n&atilde;o demoraram a aparecer. Com   a sa&iacute;da de empresas estrangeiras havia mais de um milh&atilde;o de desempregados   e segmentos da popula&ccedil;&atilde;o mostravam-se descontentes com a falta de uma   pol&iacute;tica eficaz para solucionar o problema. Outra quest&atilde;o complicada foi   a atua&ccedil;&atilde;o dos "Guardas da Revolu&ccedil;&atilde;o" que sa&iacute;am pelas ruas procurando   por infratores das leis isl&acirc;micas. At&eacute; mesmo membros da fam&iacute;lia do Aiatol&aacute;   Teleghani foram presos, apesar de sua alian&ccedil;a com Khomeini. Segundo Rui   Medeiros, "s&oacute; n&atilde;o houve uma contra revolu&ccedil;&atilde;o porque o governo alimentava   com o &oacute;dio aos norte americanos o esp&iacute;rito do povo, identificando a causa   revolucion&aacute;ria com nacionalismo, patriotismo, salvaguarda da dignidade   nacional e o fim da explora&ccedil;&atilde;o estrangeira".<sup><a href="#22" name="s22">22</a></sup> Apesar das diverg&ecirc;ncias pol&iacute;ticas Khomeini ir&aacute; permanecer no poder at&eacute; sua morte em 1989.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   O sucesso da revolu&ccedil;&atilde;o iraniana pode ser relacionado a tr&ecirc;s fatores, em   geral ausentes nos pa&iacute;ses com tradi&ccedil;&atilde;o Sunni: 1) a mistura de id&eacute;ias da tradi&ccedil;&atilde;o   Shi&lsquo;i com o pensamento marxista entre os jovens radicais residentes nas &aacute;reas   urbanas durante a d&eacute;cada de 1970, 2) autonomia dos ulamas da tradi&ccedil;&atilde;o Shi&lsquo;i   que, ao contr&aacute;rio do Sunni, possu&iacute;am um poder de influ&ecirc;ncia significativa   entre os setores sociais devido a sua constitui&ccedil;&atilde;o em um verdadeiro corpo   religioso e 3) as expectativas escatol&oacute;gicas do Shi&lsquo;ismo popular acerca do   retorno do d&eacute;cimo segundo im&atilde;. Por outro lado, o Ocidente e as elites de   pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos perceberam a revolu&ccedil;&atilde;o como um ressurgimento do radicalismo conhecido como &lsquo;fundamentalismo isl&acirc;mico&rsquo;.</p>     <p>   Como demonstrado anteriormente, o processo de altera&ccedil;&atilde;o das leis isl&acirc;micas &eacute; um processo complexo devido ao fato de ser baseado em leis divinas. N&atilde;o obstante como o Cor&atilde;o n&atilde;o pode ser lido isoladamente e sim requer uma bibliografia secund&aacute;ria, assim tamb&eacute;m, como alguns de seus vers&iacute;culos apresentam um significado amb&iacute;guo, &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar mudan&ccedil;as na shariah. Neste aspecto h&aacute; uma importante contribui&ccedil;&atilde;o das escolas de direito que oferecem posturas distintas acerca da Shariah e do Hadith, n&atilde;o havendo um consenso acerca da condi&ccedil;&atilde;o irremedi&aacute;vel de inferioridade da mulher.</p>     <p>   Outro elemento complicador &eacute; o fato de que os mujahaddin s&atilde;o homens   e na condi&ccedil;&atilde;o de juristas - te&oacute;logos s&atilde;o os respons&aacute;veis pela interpreta&ccedil;&atilde;o   das leis e em muitos casos mostram-se pouco dispostos a enfoc&aacute;-la de forma   mais favor&aacute;vel &agrave; mulher, apesar da atua&ccedil;&atilde;o de feministas, nas diversas &aacute;reas   do conhecimento, para privilegiar uma perspectiva mais atualizada das leis   isl&acirc;micas.</p>     <p>No Ir&atilde; de Khomeini houve uma dr&aacute;stica mudan&ccedil;a na condi&ccedil;&atilde;o da   mulher. Fundamentado em um discurso da pureza inicial do Isl&atilde;, buscava   instaurar um governo semelhante ao per&iacute;odo de Maom&eacute;. Como a influ&ecirc;ncia   estrangeira foi bruscamente criticada, qualquer forma de argumenta&ccedil;&atilde;o   com tra&ccedil;os ocidentais era vista como uma deturpa&ccedil;&atilde;o do legado do Profeta.   Como afirmou Hobsbawm em Um Mapa da Quest&atilde;o Nacional a necessidade   de estipular a id&eacute;ia do inimigo, &eacute; central para marcar a diferen&ccedil;a do &lsquo;eu&rsquo; e   do &lsquo;outro&rsquo;. Khomeini utiliza-se desse princ&iacute;pio constantemente, "nas atuais   circunst&acirc;ncias, em que os imperialistas, os governos traidores e tir&acirc;nicos, os   judeus, os crist&atilde;os e os materialistas se uniram para deformar as verdades   do Isl&atilde; e enganar os povos mu&ccedil;ulmanos, temos, mais do que nunca, o dever   e a responsabilidade de levar a cabo uma propaganda ativa e fazer vigorar   as institui&ccedil;&otilde;es v&aacute;lidas". Define com precis&atilde;o aqueles que se enquadram na   categoria de "fi&eacute;is" e "infi&eacute;is" determinando barreiras que separam-nos e   impossibilitam a conviv&ecirc;ncia harm&ocirc;nica. A id&eacute;ia de destrui&ccedil;&atilde;o e aniquila&ccedil;&atilde;o dos focos nocivos ao Isl&atilde; est&aacute; sempre presente.</p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o a legisla&ccedil;&atilde;o aponta no in&iacute;cio do Livro Verde que, "o governo   isl&acirc;mico &eacute; o governo de direito divino e suas leis n&atilde;o podem ser mudadas,   modificadas nem contestadas". Continua, "o poder legislativo &eacute; exclusivamente   detido pelo Santo profeta do Isl&atilde; e ningu&eacute;m, a n&atilde;o ser Ele, pode promover   uma lei. Qualquer lei que n&atilde;o emane d&rsquo;Ele deve ser rejeitada". E mais, "a   lei cor&acirc;nica, que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o a lei divina, constitui a base de todo o governo   isl&acirc;mico e reina infalivelmente sobre todos os indiv&iacute;duos que dele fazem parte.   (...) no Isl&atilde; governar significa unicamente p&ocirc;r em pr&aacute;tica as leis do Cor&atilde;o".<sup><a href="#23" name="s23">23</a></sup>   Esse determinismo referendado na palavra de Deus impossibilita qualquer   tentativa real de oposi&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios pr&eacute;-estabelecidos, estagnando a evolu&ccedil;&atilde;o do direito e conseq&uuml;entemente a condi&ccedil;&atilde;o feminina.</p>     <p> "A lei dita de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia, em vigor desde h&aacute; algum tempo no Ir&atilde; (men&ccedil;&atilde;o a       constitui&ccedil;&atilde;o de 1906), op&otilde;e-se radicalmente ao esp&iacute;rito isl&acirc;mico. Foi votada pelas duas       C&acirc;maras ilegais, e toda mulher que, &agrave; sombra dessa lei, p&ocirc;de obter o div&oacute;rcio, &eacute; considerada       como estando ainda casada. Todo casamento ulterior &eacute; um ato de adult&eacute;rio. Aquele que       a desposar cometer&aacute; por sua vez adult&eacute;rio e deve ser punido segundo os regulamentos       isl&acirc;micos. As crian&ccedil;as nascidas dessas uni&otilde;es s&atilde;o ileg&iacute;timas e n&atilde;o tem nenhum direito a       heran&ccedil;a. Isso &eacute; v&aacute;lido para qualquer caso em que o tribunal tenha concedido &agrave; mulher o   direito do div&oacute;rcio contra a vontade do marido".<sup><a href="#24" name="s24">24</a></sup></p>     <p>Khomeini ir&aacute; apresentar uma s&eacute;rie de regulamenta&ccedil;&otilde;es para a&ccedil;&otilde;es   corriqueiras como o ato de comer e beber, da pureza e da impureza, da   natureza da &aacute;gua, da ablu&ccedil;&atilde;o, e assim por diante. Em rela&ccedil;&atilde;o a mulher   apresenta defini&ccedil;&otilde;es pormenorizadas acerca da menstrua&ccedil;&atilde;o, "durante a   menstrua&ccedil;&atilde;o da mulher, &eacute; prefer&iacute;vel o homem evitar o coito, mesmo que n&atilde;o   penetre completamente, ou seja, at&eacute; o anel da circuncis&atilde;o, e que n&atilde;o ejacule.   &Eacute; igualmente desaconselh&aacute;vel sodomiz&aacute;-la".   <sup><a href="#25" name="s25">25</a></sup> A menstrua&ccedil;&atilde;o &eacute; percebida   como impureza n&atilde;o sendo recomendado toc&aacute;-la, ao mesmo tempo, esta n&atilde;o   pode tocar no Cor&atilde;o ou ir &agrave; mesquita antes do t&eacute;rmino do fluxo menstrual e da realiza&ccedil;&atilde;o de suas ablu&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o ao casamento, adult&eacute;rio e rela&ccedil;&otilde;es conjugais, o direito   institucionalizado do homem ao prazer &eacute; mantida, "de duas maneiras a mulher   pode pertencer legalmente a um homem: pelo casamento cont&iacute;nuo e pelo   casamento tempor&aacute;rio. No primeiro caso, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio precisar a dura&ccedil;&atilde;o   do casamento. No segundo, deve-se indicar, por exemplo, se a dura&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de uma hora, de um dia, de um m&ecirc;s, de um ano ou mais".<sup><a href="#26" name="s26">26</a></sup></p>     <p>   A mulher mu&ccedil;ulmana est&aacute; impossibilitada de casar-se com um n&atilde;o   mu&ccedil;ulmano mas no caso do homem este poder&aacute; casar-se com uma judia   ou crist&atilde; somente atrav&eacute;s do casamento tempor&aacute;rio, isto &eacute;, meramente para   exercitar seus desejos sexuais. Outra passagem significativa afirma, "a mulher   que contratou um casamento cont&iacute;nuo n&atilde;o est&aacute; autorizada a sair de casa sem   a permiss&atilde;o do marido. Deve estar &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para todos os seus desejos   e n&atilde;o pode se recusar a ele sem uma raz&atilde;o religiosamente v&aacute;lida. Se ela lhe   for inteiramente submissa, o marido ter&aacute; que lhe garantir o alimento, a roupa   e o alojamento, tenha ou n&atilde;o meios para isso".<sup><a href="#27" name="s27">27</a></sup> A condi&ccedil;&atilde;o de inferioridade &eacute; refor&ccedil;ada primordialmente atrav&eacute;s do casamento devido ao fato de que o direito familiar &eacute; central na legisla&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica pois, o n&uacute;cleo da fam&iacute;lia &eacute; a c&eacute;lula social que representa a coletividade, &eacute; o espelho da sociedade no seu microcosmos.</p>     <p>   Khomeini ir&aacute; estimular o casamento de meninas de 9 anos, ao inv&eacute;s de   como prescrevia a constitui&ccedil;&atilde;o anterior, ap&oacute;s a sua puberdade. "&Eacute; aconselh&aacute;vel   ter pressa em casar uma filha p&uacute;bere. Um dos motivos de regozijo do homem est&aacute; em que sua filha n&atilde;o tenha as primeiras regras na casa paterna, e sim na casa do marido".<sup><a href="#28" name="s28">28</a></sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   A forma&ccedil;&atilde;o intelectual &eacute; percebida enquanto fator secund&aacute;rio. Segundo   Khomeini n&atilde;o h&aacute; uma necessidade real da mulher em ter uma profiss&atilde;o,   considerando sua fun&ccedil;&atilde;o nobre na sociedade de cuidar do n&uacute;cleo familiar. O   dever de garantir a sobreviv&ecirc;ncia material &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o dos homens. Como o   sexo, a lasc&iacute;via e a id&eacute;ia de impureza perpassa as rela&ccedil;&atilde;o sociais, refer&ecirc;ncias   a situa&ccedil;&otilde;es que devem ser evitadas aparecem em todo o Livro Verde. "A   mulher que desejar continuar os seus estudos, com o fim de ganhar a vida   por meio de um trabalho decente e que tenha um homem como professor,   poder&aacute; faz&ecirc;-lo, se cobrir o rosto e se n&atilde;o tiver contato com os homens. Mas,   se isso for inevit&aacute;vel e contrariar os princ&iacute;pios religiosos e morais, ela dever&aacute;   renunciar aos estudos".<sup><a href="#29" name="s29">29</a></sup> O fardo do desejo sexual recai, na maioria das vezes,   sobre as mulheres. Como afirmou Ali ibn Taled (fundador da fac&ccedil;&atilde;o xiita), "Deus &ndash; Todo Poderoso criou o desejo sexual em dez partes; ent&atilde;o ele deu nove partes &agrave;s mulheres e uma aos homens".<sup><a href="#30" name="s30">30</a></sup></p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o ao corpus jur&iacute;dico apresentado na nova constitui&ccedil;&atilde;o pode-se   destacar os seguintes elementos: o objetivo da constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; definido como   a formata&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica dos ideais da revolu&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m como um modelo   para o alargamento da experi&ecirc;ncia iraniana para os demais pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos,   na tentativa de estabelecer uma "comunidade mundial unificada". Em   refer&ecirc;ncia a mulher estipula, "a fam&iacute;lia &eacute; a unidade principal da sociedade e   o centro principal de desenvolvimento e transcend&ecirc;ncia para a humanidade.   (...) a mulher, como uma unidade da sociedade n&atilde;o mais ser&aacute; olhada como   uma &lsquo;coisa&rsquo; ou um instrumento que serve ao consumismo e a explora&ccedil;&atilde;o. Ao   readquirir o seu importante dever e papel t&atilde;o respeit&aacute;vel e nobre de M&atilde;e   na educa&ccedil;&atilde;o de seres humanos conscientes, ela participar&aacute; ativamente na   exist&ecirc;ncia pioneira, juntamente com o homem".<sup><a href="#31" name="s31">31</a></sup> &Eacute; curioso como no artigo 3 &ordm; h&aacute; a men&ccedil;&atilde;o da garantia de cria&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o de direitos para os indiv&iacute;duos de forma igualit&aacute;ria perante a lei. Sendo que efetivamente este dado n&atilde;o ocorreu. No artigo 4 &ordm; &eacute; determinado que, "todas as leis e decretos civis, penais, financeiros, econ&ocirc;micos, administrativos, culturais, militares e pol&iacute;ticos, etc. e no que respeita a recursos naturais devem basear-se em preceitos isl&acirc;micos. Este artigo tem absoluta e universal prioridade sobre todos os outros artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o (...)".<sup><a href="#32" name="s32">32</a></sup></p>     <p>   Segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o o governo &eacute; obrigado a garantir os direitos das mulheres de acordo com os preceitos isl&acirc;micos, isto &eacute;:</p>     <p>   1. Criar condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao desenvolvimento da personalidade da mulher e defesa dos seus direitos materiais e espirituais;</p>     <p>   2. Apoio &agrave;s m&atilde;es, especialmente no per&iacute;odo de gesta&ccedil;&atilde;o, lacta&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as sem tutor;</p>     <p>   3. Cria&ccedil;&atilde;o de tribunais competentes para a prote&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e continua&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia;</p>     <p>   4. Cria&ccedil;&atilde;o de um seguro especial para as vi&uacute;vas, idosas e pessoas sem qualquer esp&eacute;cie de assist&ecirc;ncia, e</p>     <p>   5. Outorgar a tutela de crian&ccedil;as a m&atilde;es dignas para benef&iacute;cio das crian&ccedil;as no caso de n&atilde;o haver tutor legal (de acordo com a lei isl&acirc;mica).</p>     <p>   Os artigos concernentes a mulher em geral tratam de quest&otilde;es voltadas   para a fam&iacute;lia. Considerando que os poderes soberanos s&atilde;o o legislativo,   executivo e judici&aacute;rio, exercidos sob a supervis&atilde;o dos dirigentes religiosos   (imamate), sendo o presidente o elo de liga&ccedil;&atilde;o entre os tr&ecirc;s &eacute; question&aacute;vel   o verdadeiro poder deste em efetuar mudan&ccedil;as que v&atilde;o de encontro aos   interesses do clero religioso. Como a constitui&ccedil;&atilde;o mostra-se conservadora   com rela&ccedil;&atilde;o a modifica&ccedil;&otilde;es da tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica, rupturas substanciais n&atilde;o encontram espa&ccedil;o para serem implementadas.</p>     <p>   Na realidade cotidiana as mulheres foram obrigadas a cobrirem-se de   forma severa, e muitas optaram ao inv&eacute;s do uso do chador que facilmente   poderia revelar partes do corpo proibidas, crime pun&iacute;vel por a&ccedil;oitamento   ou cadeia, passaram a vestir-se com rapoosh, uma esp&eacute;cie de sobretudo que   poderiam abotoar e evitar constrangimentos. Devido aos altos pre&ccedil;os do   rapoosh, em oposi&ccedil;&atilde;o aos baixos sal&aacute;rios, muitas mulheres manifestaram que   deveria ser fornecido pelo governo j&aacute; que era uma imposi&ccedil;&atilde;o. Assim mesmo   n&atilde;o estavam imunes &agrave; repress&atilde;o policial. Se porventura apresentassem bot&otilde;es muito coloridos, ou um decote considerado revelador logo seriam   abordadas pela pol&iacute;cia religiosa e levadas para a delegacia (o per&iacute;odo   de encarceramento poderia chegar a 12 meses). N&atilde;o s&oacute; o uso de roupas   conden&aacute;veis era considerado infra&ccedil;&atilde;o, o uso de esmalte, maquiagem ou   o uso dos cabelos soltos tamb&eacute;m. O curioso &eacute; que muitos membros da   Guarda Revolucion&aacute;ria (pasdaran) eram mulheres, e em geral mais velhas,   que consideravam positivo o retorno a tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica, as mesmas que   mostraram-se reticentes com as mudan&ccedil;as propostas pelo x&aacute;, como por exemplo, a cerim&ocirc;nia do "unveiling".</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &Eacute; importante perceber as percep&ccedil;&otilde;es das mulheres variam enormemente,       muitas acreditam estar colaborando para o estabelecimento de uma na&ccedil;&atilde;o       independente enquanto outras percebem as restri&ccedil;&otilde;es como essencialmente       negativas, frutos de uma sociedade dominada pelo patriarcalismo e   desigual.</p>     <p>   Outra medida adotada pelos Guardas da Revolu&ccedil;&atilde;o era a de que a mulher   n&atilde;o poderia trabalhar fora sem o consentimento do marido, essa permiss&atilde;o   seria necess&aacute;ria tamb&eacute;m para sair de casa ou mesmo comparecer ao funeral   de um membro da fam&iacute;lia. Nas escolas deveria haver separa&ccedil;&atilde;o por g&ecirc;nero   e as meninas foram banidas de determinadas &aacute;reas do conhecimento como   agricultura e engenharia. S&oacute; recentemente as mulheres puderam voltar a estudar direito, mas continua vetado o acesso a fun&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;za.</p>     <p>   Em rela&ccedil;&atilde;o ao casamento a mulher n&atilde;o poderia mais tomar a iniciativa   do div&oacute;rcio e a cust&oacute;dia da crian&ccedil;a foi garantida ao pai ap&oacute;s os dois anos   de idade. Caso o marido morresse a cust&oacute;dia ent&atilde;o passaria para o av&ocirc; paterno.</p>     <p>   Adolescentes que estivessem em uma festa poderiam ser obrigadas a   passar por um teste de virgindade. Caso fosse atestado a perda da virgindade   poderiam escolher entre, 100 chibatadas ou casar-se com o homem que as   estivesse acompanhando durante a festa. A Rep&uacute;blica Isl&acirc;mica apresentava   uma abordagem particular para as virgens sentenciadas com a pena de morte   sob acusa&ccedil;&otilde;es anti-isl&acirc;micas. Segundo a tradi&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana, acredita-se que   assim como os m&aacute;rtires, as virgens iriam automaticamente para o para&iacute;so, mas   os cl&eacute;rigos queriam certificar-se de que essas meninas n&atilde;o iriam e obrigavam-nas   a perder a virgindade atrav&eacute;s do estupro ou mesmo pelo casamento tempor&aacute;rio com um dos guardas, conferindo um status legal a essa viola&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>   Em 1986 essa pr&aacute;tica foi condenada pela Anistia Internacional e   posteriormente interrompida. Devido a falta de registros fidedignos &eacute; incerto o n&uacute;mero de adolescentes punidas com essa senten&ccedil;a mas nos primeiros tr&ecirc;s   anos da revolu&ccedil;&atilde;o, vinte mil mulheres foram executadas. Khomeini estipulou   que a idade m&iacute;nima para a execu&ccedil;&atilde;o de mulheres seria de 9 anos enquanto para os meninos, 16.</p>     <p>   Apesar da condena&ccedil;&atilde;o severa &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero de prostitutas   aumentou devido a condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica prec&aacute;ria do pa&iacute;s. A estrat&eacute;gia utilizada para burlar a lei &eacute; atrav&eacute;s do casamento tempor&aacute;rio.</p>     <p>   Esses exemplos ilustram que o discurso de Khomeini embora embasado na   ret&oacute;rica da pureza religiosa, deturpou os seus ensinamentos, apresentando   uma vers&atilde;o radical da tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica de forma a manter a sociedade   iraniana devidamente sob os controles do clero religioso. A inten&ccedil;&atilde;o era   alastrar esse movimento pelos demais pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos. A proposta de   uma "comunidade isl&acirc;mica mundial" n&atilde;o aconteceu. Embora haja uma base   religiosa comum este fator n&atilde;o &eacute; o suficiente para neutralizar diverg&ecirc;ncias   nos setores pol&iacute;tico ou econ&ocirc;mico ou mesmo, amenizar rivalidades ancestrais, como no caso Ir&atilde;-Iraque, por exemplo.</p>     <p> <font size="3" face="verdana"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>      <p>   A experi&ecirc;ncia colonial marcou profundamente a forma&ccedil;&atilde;o dos Estados   nacionais no mundo mu&ccedil;ulmano. Em raz&atilde;o da diversidade de na&ccedil;&otilde;es   europ&eacute;ias que buscaram delimitar suas pr&oacute;prias esferas de influ&ecirc;ncia tamb&eacute;m   s&atilde;o m&uacute;ltiplos os efeitos advindos dessa interven&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses do Oriente   M&eacute;dio. Considerando o enfoque deste trabalho, objetivou-se demonstrar os   diferentes processos ocorridos na Turquia e no Ir&atilde;, que n&atilde;o obstante s&atilde;o frutos   de uma causa &uacute;nica, a chegada do Ocidente e a conseq&uuml;ente interfer&ecirc;ncia nos neg&oacute;cios de Estado.</p>     <p>   A concep&ccedil;&atilde;o de um Estado territorial delimitado geograficamente &eacute; recente   na hist&oacute;ria dos pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos, pois embora considerassem as diferen&ccedil;as &eacute;tnicas, ling&uuml;&iacute;sticas e regionais, estavam ligados n&atilde;o s&oacute; pela religi&atilde;o como fonte de identidade, mas tamb&eacute;m politicamente, atrav&eacute;s de um soberano &uacute;nico. O recorte realizado na regi&atilde;o pelas pot&ecirc;ncias europ&eacute;ias deu-se de forma arbitr&aacute;ria e em grande medida, para resolver contendas entre si e, por isso em muitos casos n&atilde;o houve uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o acerca das divis&otilde;es realizadas e o impacto causado nas popula&ccedil;&otilde;es locais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Dessa forma, a longo prazo, as tens&otilde;es come&ccedil;aram a emergir entre os   grupos &eacute;tnicos e religiosos distintos, como por exemplo na Nig&eacute;ria e no Paquist&atilde;o, assim como entre os curdos que encontram-se imprensados entre   o Iraque, Ir&atilde; e Turquia. Apesar disso, curiosamente os movimentos resultantes   dessas disputas n&atilde;o buscaram o retorno do Isl&atilde; como raz&atilde;o de Estado, assim   como, optaram por manter os limites territoriais impostos, sendo o discurso   nacionalista o enfoque central das reivindica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>   Assim, os Estados mu&ccedil;ulmanos p&oacute;s-coloniais estruturaram-se de acordo   com os moldes europeus atrav&eacute;s de uma elite ocidentalizada, ou seja, formada   e influenciada diretamente pelos grandes centros de poder, e que acabou por   introjetar o modus operandi do colonizador. Essa continuidade entre o per&iacute;odo   colonial e p&oacute;s-colonial implicou em uma ruptura com os valores e princ&iacute;pios   do Isl&atilde; na esfera da pol&iacute;tica, fator este presente no kemalismo turco e no Ir&atilde;   pr&eacute;-revolucion&aacute;rio. &Eacute; importante ressaltar por&eacute;m, que o Ir&atilde; permaneceu, ao   menos nominalmente, independente. As interfer&ecirc;ncias estrangeiras deramse   de forma indireta, atrav&eacute;s de l&iacute;deres locais como no caso de Reza Khan e   Reza Pahlevi.</p>     <p>   Em raz&atilde;o dessa ruptura surge uma s&eacute;rie de movimentos cuja linha de a&ccedil;&atilde;o   est&aacute; centrada no ressurgimento religioso. No caso turco h&aacute; o Partido Refah,   enquanto no Ir&atilde; foi efetivamente instaurado uma rep&uacute;blica isl&acirc;mica. Os   diferentes grupos acreditam estar representando as aspira&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o   ao contr&aacute;rio dos pol&iacute;ticos, que desvincularam-se das propostas mu&ccedil;ulmanas   e almejam basicamente o desenvolvimento interno e o fortalecimento do   nacionalismo como elo de liga&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a popula&ccedil;&atilde;o, minimizando   a import&acirc;ncia das diferen&ccedil;as sociais e cren&ccedil;as religiosas.</p>     <p>   Em linhas gerais pode-se perceber como o ethos dos Estados p&oacute;s-coloniais   a correla&ccedil;&atilde;o entre progresso e ocidentaliza&ccedil;&atilde;o paralelo a id&eacute;ia de seculariza&ccedil;&atilde;o   pol&iacute;tica em detrimento do Isl&atilde;. Durante a Guerra Fria a divis&atilde;o no cen&aacute;rio   internacional entre os blocos capitalista e socialista tamb&eacute;m ocasionou um   impacto no mundo mu&ccedil;ulmano, pois alguns pa&iacute;ses optaram pelo alinhamento   com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica enquanto outros, com os Estados Unidos. Mas de   qualquer maneira, independente dessa escolha, internamente a religi&atilde;o era   compreendida como subordinada ao Estado, e consequentemente &agrave;s suas   propostas de desenvolvimento. O Ir&atilde; e a Turquia posicionaram-se a favor   dos norte-americanos, o que no primeiro caso levou a uma forte infiltra&ccedil;&atilde;o   da CIA com o objetivo de tornar o pa&iacute;s em um basti&atilde;o contra o comunismo.   Os descompassos pol&iacute;ticos gerados a partir dessa interven&ccedil;&atilde;o, acabaram por   levar a uma crise interna culminando na revolu&ccedil;&atilde;o de 1979. No caso turco   o alinhamento n&atilde;o provocou maiores conseq&uuml;&ecirc;ncias, apenas manteve a   pol&iacute;tica nacional de crescente ocidentaliza&ccedil;&atilde;o e sendo assim, fortalecendo os   movimentos dissidentes internos.</p>     <p>Segundo S.V.R Nasr,<sup><a href="#33" name="s33">33</a></sup> a proposta dos governos mu&ccedil;ulmanos &eacute; desenvolverse   atrav&eacute;s da ummah, ou seja, rejeitam as influ&ecirc;ncias do estado secular e   da cultura ocidental, mas concordam com a proposta de se promover o   desenvolvimentos social. Este &eacute; o grande desafio, e o mesmo ocorre com a   quest&atilde;o feminina. Ambos os casos, Ir&atilde; e Turquia, materializam uma disputa   que &eacute; essencialmente ideol&oacute;gica mas, que ter&aacute; uma import&acirc;ncia significativa   na defini&ccedil;&atilde;o dos projetos pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e sociais, assim como na implementa&ccedil;&atilde;o de um sistema jur&iacute;dico que institucionalize esse projeto.</p>     <p>   Em vista do objetivo central deste trabalho, buscou-se demonstrar quais   seriam os reflexos das escolhas pol&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o ao status da mulher   mu&ccedil;ulmana. Pode-se inferir, portanto, que a partir da caracteriza&ccedil;&atilde;o dessas   disputas como fundamentalmente ideol&oacute;gica, a posi&ccedil;&atilde;o que a mulher ocupa   nessas respectivas sociedades est&aacute; diretamente vinculada ao projeto pol&iacute;tico   e, em segundo plano, ao microcosmo representado pelas rela&ccedil;&otilde;es sociais   cotidianas e pela for&ccedil;a da religi&atilde;o como fonte de identidade. N&atilde;o havendo,   dessa forma, uma resposta &uacute;nica que abarque a complexidade de fatores que   implicam na defini&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o da mulher mu&ccedil;ulmana.</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><sup><a href="#s1" name="#1">1</a></sup> A palavra fundamentalista &eacute; normalmente associada aos mu&ccedil;ulmanos que visam implementar um estado   isl&acirc;mico, seja atrav&eacute;s de revolu&ccedil;&otilde;es ou atos terroristas. No entanto, a origem do termo fundamentalista   tem origem crist&atilde;. Para Castells, a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo fundamentalista para designar as a&ccedil;&otilde;es de   grupos isl&acirc;micos, "as ra&iacute;zes sociais do fundamentalismo radical parecem resultar da combina&ccedil;&atilde;o   entre a moderniza&ccedil;&atilde;o bem-sucedida, conduzida pelos Estados nos anos 50 e 60, e o fracasso da   moderniza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica na maioria dos pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos durante os anos 70 e 80, uma vez que   suas economias n&atilde;o conseguiram se adaptar &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es impostas pela concorr&ecirc;ncia global   e a revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica no per&iacute;odo. Assim, uma popula&ccedil;&atilde;o jovem, urbana e com elevado n&iacute;vel de   instru&ccedil;&atilde;o, como resultado da primeira onda da moderniza&ccedil;&atilde;o, teve suas expectativas frustradas,   pois a economia n&atilde;o p&ocirc;de se sustentar e novas formas de depend&ecirc;ncia cultural foram institu&iacute;das"   (Castells, 1999 [(2000), O Poder da Identidade (vol.II), S&atilde;o Paulo, Paz e Terra, p.:35]). Os meios adotados   para expressar o descontentamento variam de acordo com as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas presentes nos   respectivos pa&iacute;ses em que os movimentos de contesta&ccedil;&atilde;o (denominados como fundamentalistas) ocorrem.</p>     <p><sup><a href="#s2" name="#2">2</a></sup> Freund, J. (1975), Sociologia de Max Weber, Rio de Janeiro,: Forense Universit&aacute;ria.</p>     <p>   <sup><a href="#s3" name="#3">3</a></sup> Lewis, B (1996). O Oriente M&eacute;dio: do advento do cristianismo aos dias de hoje. Rio de Janeiro, Jorge Zahar   Ed, p.203.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#s4" name="#4">4</a></sup> Cor&atilde;o (1979), Lisboa, Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas do Ultramar, 4:59.</p>     <p><sup><a href="#s5" name="#5">5</a></sup> Ib&iacute;d, 4: 23.</p>     <p>   <sup><a href="#s6" name="#6">6</a></sup> Mohammad Hashim Kamali &eacute; professor de direito internacional isl&acirc;mico na Universidade da   Mal&aacute;sia.</p>     <p><sup><a href="#s7" name="#7">7</a></sup> A tradi&ccedil;&atilde;o Shi&lsquo;i, no entanto, apresenta uma doutrina intermedi&aacute;ria entre os limites e as possibilidades   da a&ccedil;&atilde;o humana, isto &eacute;, a doutrina da escolha (ikhtiyar). Apesar de considerar Allah como o todopoderoso   e justo n&atilde;o implica no fato de que o ser humano deve se resignar por completo e n&atilde;o fazer   nada para interferir em seu destino. Segundo esta perspectiva a imutabilidade das determina&ccedil;&otilde;es   divinas &eacute; somente na esfera da universalidade, na no&ccedil;&atilde;o do todo. A rela&ccedil;&atilde;o na esfera pessoal implica   em escolhas cont&iacute;nuas entre o bem e o mal, na op&ccedil;&atilde;o por alternativas eticamente corretas. Sendo   assim o destino de cada ser humano &eacute; tra&ccedil;ado a partir de uma intera&ccedil;&atilde;o constante entre as op&ccedil;&otilde;es   delineadas por Allah e as escolhas pessoais. As escolhas, portanto, s&atilde;o feitas livremente, mas as   op&ccedil;&otilde;es s&atilde;o divinamente determinadas. Ao contr&aacute;rio da tradi&ccedil;&atilde;o Sunni que n&atilde;o opera com esse mesmo conceito de &lsquo;doutrina da escolha&rsquo;, o fiel encontra-se restringido &agrave;s designa&ccedil;&otilde;es divinas.</p>     <p><sup><a href="#s8" name="#8">8</a></sup> Per&iacute;odo precedente a expans&atilde;o isl&acirc;mica.</p>     <p><sup><a href="#s9" name="#9">9</a></sup> Ruthven, M. (1997), Islam: a very short introduction, Oxford, Oxford University Press.</p>     <p><sup><a href="#s10" name="#10">10</a></sup> Cor&atilde;o (1979), Lisboa, Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas do Ultramar, IV: 34-44.</p>     <p><sup><a href="#s11" name="#11">11</a></sup> Ruthven, M. (1997), Islam: a very short introduction, Oxford, Oxford Unviversity Press, p. 116.</p>     <p>   <sup><a href="#s12" name="#12">12</a></sup> Ahmed apud Goodwin, J. (1995), Price of Honor: muslim women lift the veil of silence on the Islamic world,   New York, Plume Book, p. 46.</p>     <p><sup><a href="#s13" name="#13">13</a></sup> Hourani, A. (2001), Uma hist&oacute;ria dos povos &aacute;rabes, S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras, p. 230.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#s14" name="#14">14</a></sup> Lewis, B. (1996), O Oreinte M&eacute;dio: do advento do cristianismo aos dias de hoje, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, p. 258.</p>     <p><sup><a href="#s15" name="#15">15</a></sup> A cerim&ocirc;nia de unveiling, ou retirada dos ve&uacute;s, tamb&eacute;m ocorreu no Ir&atilde;, durante o governo de Reza Khan no ano de 1936.</p>     <p>   <sup><a href="#s16" name="#16">16</a></sup> Ataturk apud Lewis, B. (1968), The emergence of modern Turkey, London, Oxford University Press,   (tradu&ccedil;&atilde;o aproximada), p. 271.</p>     <p><sup><a href="#s17" name="#17">17</a></sup> Lewis, B. (1968), The emergence of modern Turkey, London, Oxford University Press, (tradu&ccedil;&atilde;o aproximada), p. 293.</p>     <p><sup><a href="#s18" name="#18">18</a></sup> Pinto, I. (1999), Descobrindo o Ir&atilde;, Porto Alegre,: Artes e Of&iacute;cios, p. 80.</p>     <p><sup><a href="#s19" name="#19">19</a></sup> Este fator contribuiu para que os danos da guerra entre Ir&atilde; e Iraque em 1980 fossem menores.</p>     <p>   <sup><a href="#s20" name="#20">20</a></sup> Pinto, I. (1999), Descobrindo o Ir&atilde;, Porto Alegre, Artes e Of&iacute;cios, p. 80.</p>     <p><sup><a href="#s21" name="#21">21</a></sup> Castells, M. (2000), O Poder da Identidade (vol.II), S&atilde;o Paulo, Paz e Terra, p. 35.</p>     <p><sup><a href="#s22" name="#22">22</a></sup> Medeiros, R. (1981), A revolta dos turbantes, Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, p. 209.</p>     <p><sup><a href="#s23" name="#23">23</a></sup> Khomeini, A. (1980), O livro verde: dos princ&iacute;pios pol&iacute;ticos, filos&oacute;ficos, sociais e religiosos, Rio de Janeiro, Record, pp. 17,18.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   <sup><a href="#s24" name="#24">24</a></sup> Ib&iacute;d, p. 31.</p>     <p><sup><a href="#s25" name="#25">25</a></sup> Ibid, p. 93.</p>     <p>   <sup><a href="#s26" name="#26">26</a></sup> Ib&iacute;d, p. 97.</p>     <p>   <sup><a href="#s27" name="#27">27</a></sup> Ibid, p. 102.</p>     <p><sup><a href="#s28" name="#28">28</a></sup> Ib&iacute;d, p. 108.</p>     <p>   <sup><a href="#s29" name="#29">29</a></sup> Ib&iacute;d, p. 132.</p>     <p>   <sup><a href="#s30" name="#30">30</a></sup> Citado por Brooks, G. (1995), Nove partes do desejo: o mundo secreto das mulheres isl&acirc;micas, Rio de Janeiro,   Gryphus.</p>     <p>   <sup><a href="#s31" name="#31">31</a></sup> Khomeini, A. op. cit, p. 12.</p>     <p><sup><a href="#s32" name="#32">32</a></sup> Ibid, p. 23.</p> <hr size="1">     <p>   <font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>   AL-GHAZZ&Acirc;L&Icirc;, A.H. M, (2001), A alquimia da felicidade. Rio de Janeiro, Fissus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0122-4409200600020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   ARMSTRONG, K. (2000), Islam: a short history, New York, Modern Library.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0122-4409200600020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   AZEVEDO, M. Soares de (2000), Inicia&ccedil;&atilde;o ao Isl&atilde; e ao sufismo, Rio de Janeiro, Nova Era.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0122-4409200600020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   BOZARSIAN, H. (2001, maio) "Radicalismos, viol&ecirc;ncias e integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na Turquia",   in Tempo Social. Revista de Sociologia da USP, S&atilde;o Paulo, Vol. 13, No.1, pp. 67-80.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0122-4409200600020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   BROOKS, G. (1995), Nove partes do desejo: o mundo secreto das mulheres isl&acirc;micas, Rio de   Janeiro, Gryphus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0122-4409200600020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   CASTELLS, M. (2000), O poder da identidade, vol. II, S&atilde;o Paulo, Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0122-4409200600020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DA REP&Uacute;BLICA ISL&Acirc;MICA DO IR&Atilde; (1986), Lisboa, Embaixada da Rep&uacute;blica   Isl&acirc;mica do Ir&atilde; em Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0122-4409200600020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   COR&Atilde;O (1979), Lisboa, Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas do Ultramar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0122-4409200600020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>DAHL, R. (1997), Poliarquia, S&atilde;o Paulo, EDUSP.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0122-4409200600020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   EL-SOLH, C. F. e MABRO, J. (eds.) (1995), Muslim women&acute;s choices: religious belief and social   reality, RI, Berg Publishers Ltd.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0122-4409200600020000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   ESPOSITO, J. (ed.) (1999), The Oxford history of Islam, Oxford, Oxford University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0122-4409200600020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   FREUND, J. (1975), A sociologia de Max Weber, Rio de Janeiro, Forense Universit&aacute;ria.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0122-4409200600020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   GOODWIN, J. (1995), Price of honor: muslim women lift the veil of silence on the Islamic world,   New York, Plume Book.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0122-4409200600020000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   HALL, S. (2001), A identidade cultural na p&oacute;s-modernidade, Rio de Janeiro, DP&amp;A.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0122-4409200600020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   HOURANI, A. (2001), Uma hist&oacute;ria dos povos &aacute;rabes, S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0122-4409200600020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   JORNAL FOLHA DE S&Atilde;O PAULO, 23 de setembro de 2001.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0122-4409200600020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   KHOMEINI, A. (1980), O livro verde: dos princ&iacute;pios pol&iacute;ticos, filos&oacute;ficos, sociais e religiosos,   Rio de Janeiro, Record.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0122-4409200600020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   LEWIS, B. (2002), O que deu errado no Oriente M&eacute;dio?, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0122-4409200600020000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   --------. (1996), O Oriente M&eacute;dio: do advento do cristianismo aos dias de hoje, Rio de Janeiro,   Jorge Zahar Ed.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0122-4409200600020000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   --------. (1968), The emergence of modern Turkey, London, Oxford University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0122-4409200600020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   MEDEIROS, R. (1981), A revolta dos turbantes, Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0122-4409200600020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   PINTO, I. (1999), Descobrindo o Ir&atilde;, Porto Alegre, Artes e Of&iacute;cios.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0122-4409200600020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   QUEIROZ, M. E. TORRES (1990), "A m&iacute;stica da viol&ecirc;ncia", in Revista do ISER, Rio de   Janeiro, Vol.15, pp.34-52.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0122-4409200600020000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   REVISTA ISTO &Eacute;, 01 de mar&ccedil;o de 2000.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0122-4409200600020000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   RUSHDIE, S.(2000), Os versos sat&atilde;nicos, S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0122-4409200600020000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   RUTHVEN, M. (1997), Islam: a very short introduction, Oxford, Oxford University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0122-4409200600020000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   SAID, E. (1990), Orientalismo: o oriente como inven&ccedil;&atilde;o do ocidente, S&atilde;o Paulo, Companhia   das Letras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0122-4409200600020000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   SANTONI, E. (1997), El Islam, Madrid, Acento Editorial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0122-4409200600020000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>   SASSON, J. (1992), Princesa: a hist&oacute;ria real da vida das mulheres &aacute;rabes por tr&aacute;s de seus negros   v&eacute;us, S&atilde;o Paulo, Best Seller.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0122-4409200600020000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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