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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[BENTO, Fábio Régio. (2010): Maquiavel pré-sociólogo e outros ensaios. Jundiaí, SP, Editora Paco Editorial, 1º edição]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[  <font size="2" face="verdana">     <p   align="left" ><b>RESE&Ntilde;AS DE LIBROS   Y REVISTAS</b></p > </font>     <p align="center"><font size="3" face="verdana"><b>BENTO, </b>F&aacute;bio R&eacute;gio. (2010): <i>Maquiavel pr&eacute;-soci&oacute;logo e outros ensaios. </i><br />   Jundia&iacute;, SP, Editora Paco Editorial, 1&ordm; edi&ccedil;&atilde;o. </font></p > <font size="2" face="verdana">     <p align="center"><img src="img/revistas/rhel/n15/n15a17f01.jpg" width="264" height="399" /></p > <hr size="1" />     <p align="justify">Muitas opini&otilde;es  podem ser despertadas no leitor ao ler o livro <i>Maquiavel pr&eacute;-soci&oacute;logo</i>,  do professor Dr. F&aacute;bio R&eacute;gio Bento. Opini&otilde;es que variam entre a concord&acirc;ncia de  suas id&eacute;ias e a diverg&ecirc;ncia de vis&otilde;es podem passar pelas cabe&ccedil;as de seu  p&uacute;blico. Lan&ccedil;ado este ano pelo Paco Editorial, o livro na verdade &eacute; uma  colet&acirc;nea de cinco ensaios escritos pelo doutor em Ci&ecirc;ncias Sociais pela  Pontif&iacute;cia Universidade San Tommaso, e busca de forma bastante acess&iacute;vel expor  sobre diversos assuntos relacionados &agrave; sociologia acad&ecirc;mica, desde a geral at&eacute;  as espec&iacute;ficas, como &eacute; o caso da sociologia no direito. </p>     <p align="justify">Sua  obra come&ccedil;a com o Ensaio <i>Maquiavel e Durkheim - alguns pontos em comum entre  o pr&iacute;ncipe e as regras do m&eacute;todo sociol&oacute;gico </i>(capitulo no qual d&aacute; nome ao  livro), analisando as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre o repert&oacute;rio te&oacute;rico de  Maquiavel e a teoria positivista do franc&ecirc;s &Eacute;mile Durkheim, considerado o pai  da sociologia acad&ecirc;mica, no que se refere &agrave; an&aacute;lise dos fen&ocirc;menos sociais.  F&aacute;bio consegue de modo r&aacute;pido e direto desconstruir a imagem do autor de O  Pr&iacute;ncipe como o te&oacute;rico da baixa moral da vida pol&iacute;tica e do autoritarismo. Como  o pr&oacute;prio professor escreveu:</p>     <blockquote>       <p align="justify"><i>Maquiavel n&atilde;o recomendou maldades, express&atilde;o que representa a&ccedil;&otilde;e</i><i>s </i><i>humanas indesejadas, mas prov&aacute;veis. Ele descreveu maldades reai</i><i>s </i><i>praticadas na pol&iacute;tica (...). Crueldades &#39;maquiav&eacute;licas&#39; fora</i><i>m </i><i>recomendadas (e encomendadas) por tiranos, e n&atilde;o por Maquiavel (...)</i><sup><a href="#pie1" name="spie1" id="spie1">1</a> </sup></p> </blockquote>     <p align="justify">Ao  longo do ensaio, fica bastante clara a explica&ccedil;&atilde;o de F&aacute;bio Bento sobre o  conceito por detr&aacute;s da id&eacute;ia difundida por s&eacute;culos no mundo. Em nenhum momento  Maquiavel prop&ocirc;s a condu&ccedil;&atilde;o de uma amoralidade como a pr&aacute;tica que o pol&iacute;tico  deve seguir, mas apenas descreveu a realidade do mundo, isto &eacute;, desmistificou  um padr&atilde;o de comportamento dos donos do poder em uma conjuntura pr&eacute;-revolu&ccedil;&atilde;o  burguesa e do advento da democracia. </p>     <p   align="justify" >&Eacute; a&iacute; que mora a semelhan&ccedil;a te&oacute;rica do italiano com &Eacute;mile Durkheim. O segundo, no s&eacute;culo XIX, estabeleceu os m&eacute;todos de an&aacute;lise e estudo sociol&oacute;gicos usando de elementos, como o realismo metodol&oacute;gico (descritivo), que oprimeiro j&aacute; fazia usos&eacute;culos antes. Por isso o autor nos apresenta um Maquiavel como precursor da sociologia pol&iacute;tica, ao apontar que <i>&quot;</i>Maquiavel estuda as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre o v&eacute;rtice (pr&iacute;ncipes) e a base (s&uacute;ditos)&quot; <a href="#pie2" name="spie2" id="spie2"><sup>2</sup></a> </p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p   align="justify" >Mas o livro n&atilde;o se resume a esta pol&ecirc;mica. V&aacute;rios assuntos s&atilde;o abordados, como a quest&atilde;o do papel do positivismo no direito e a concep&ccedil;&atilde;o legalista do mesmo. Com uma linguagem at&eacute; mesmo um pouco did&aacute;tica, F&aacute;bio explica o papel do direito enquanto ci&ecirc;ncia ao expor que &quot;o direito &eacute; a ci&ecirc;ncia social dos conflitos e das solu&ccedil;&otilde;es normativas aptas a resolver tais conflitos de interesses entre as partes (...)&quot;<a href="#pie3" name="spie3" id="spie3"><sup>3</sup></a></p >     <p align="justify">Mas o que mais  chama a aten&ccedil;&atilde;o ao livro &eacute; a recusa do autor em considerar o marxismo, chamado por  ele de maximalista, como um projeto de constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade. Usando  de argumentos s&eacute;rios e de um conhecimento bastante profundo na teoria de Marx,  ele coloca a proposta revolucion&aacute;ria de luta de classes como incapaz de  continuar as transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais iniciadas durante a Revolu&ccedil;&atilde;o  Francesa. </p>     <p align="justify">Como alternativa  F&aacute;bio apresenta a ado&ccedil;&atilde;o de uma orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de cunho reformista,  proposto por Eduard Bernstein (1850-1932) e que se tornou ao longo dos anos um  fen&ocirc;meno bastante caracter&iacute;stico nos movimentos sociais (sindical, etc.) e em  organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ditas de esquerda atingidas pelo vendaval oportunista no  final do s&eacute;culo XX. </p>     <p align="justify">&Eacute;  aqui que o autor exp&otilde;e a sua profunda rejei&ccedil;&atilde;o a concep&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica marxista e  na proposta de revolu&ccedil;&atilde;o socialista. Mas mesmo divergindo em algumas opini&otilde;es,  a obra de F&aacute;bio Bento transforma-se em uma interessante an&aacute;lise da sociologia  acad&ecirc;mica. L&ecirc;-la poder&aacute; clarear muitas zonas obscuras que normalmente  encontramos em muitos cursos universit&aacute;rios pelo Brasil, ao ponto que o livro  pode se tornar em um importante instrumento argumentativo a ser usado na sala  de aula. </p> <hr size="1" />     <p   align="justify" ><a href="#pie1" name="spie1" id="spie1"><sup>1</sup></a> BENTO, F&aacute;bio Regio. (2010): <i>Maquiavel pr&eacute;-soci&oacute;logo e outros ensaios. </i>Jundia&iacute;, SP, Editora Paco Editorial, 1&ordm; edi&ccedil;&atilde;o, p 14. </p >     <p   align="justify" ><a href="#pie2" name="spie2" id="spie2"><sup>2</sup></a> BENTO, F&aacute;bio R&eacute;gio, op.cit. </p >     <p   align="justify" ><a href="#spie3" name="pie3" id="pie3"><sup>3</sup></a> Ibidem. </p > <hr size="1" />     <p   align="right" ><b>C&aacute;ssio Diniz</b><br />   <i>Universidade Nove de Julho -PPGE/Uninove<br />   Brasil</i></p > </font>      ]]></body>
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