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<publisher-name><![CDATA[Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de los Andes]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.7440/res57.2016.06</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Exclusão de adolescentes grávidas em escolas do sul do Brasil: uma análise sobre a educação sexual e suas implicações]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Exclusión de adolescentes embarazadas en las escuelas en el sur de Brasil: un análisis de la educación sexual y sus consecuencias]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Exclusion of Pregnant Adolescents in Schools in Southern Brazil: An Analysis of Sex Education and Its Consequences]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este artículo integra los resultados de un estudio que tuvo como objetivo caracterizar las prácticas relativas a la educación sexual y describir el tratamiento que reciben las adolescentes embarazadas en estas instituciones educativas, así como analizar la deserción de estas estudiantes, con la intención de examinar los procesos de educación sexual en las escuelas y la exclusión escolar y social. Teóricamente, rescatamos algunas aportaciones para la comprensión de la educación sexual, específicamente a partir de los estudios de género, así como de estudios actuales que abordan el tema. También se presentan resultados cualitativos obtenidos a través de entrevistas realizadas a directoras/es, coordinadoras/es pedagodas/os y orientadoras/es educativas/os en las treinta escuelas primarias estatales de la ciudad de Novo Hamburgo/RS, Brasil. Concluímos que los estigmas que rodean la gestación precoz marginan a la adolescente y limitan la disposición de funcionarias/os de las instituciones educativas y de los gobiernos para diseñar políticas diferenciadas que faciliten la continuidad de los estudios durante la gestación y después del parto. La indiferencia frente a este problema social es uno de los facilitadores del abandono de la escuela de la gran mayoría de adolescentes embarazadas. En el estudio realizado, confirmamos la exclusión social y escolar de estas adolescentes.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article integrates the results of a study intended to characterize the practices relating to sex education and to describe the treatment that pregnant adolescents receive at these educational institutions, as well as to analyze the evasion of these students, in order to examine the processes of sex education in the schools and academic and social exclusion. Theoretically, we have retrieved some previous contributions to understanding sex education specifically based on gender studies, as well as current studies dealing with the topic. It also presents qualitative results obtained through interviews with directors, pedagogical coordinators and educational guidance counselors in the 30 public elementary schools of the city of Novo Hamburgo/RS, Brazil. The conclusion is that the stigmas surrounding teenage pregnancy marginalize the affected adolescents and limit the willingness officials of educational institutions and of governments to design differentiated policies to facilitate the continuance of their studies during pregnancy and after giving birth. The indifference towards this social problem is one of the main reasons why the vast majority of pregnant teens drop out of school. The study conducted confirmed the social and academic exclusion of these teenage girls.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adolescentes grávidas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[educação sexual]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[sex education]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p align=center><b><font face="verdana" size="4">Exclus&atilde;o de adolescentes gr&aacute;vidas em escolas do sul do Brasil: uma an&aacute;lise sobre  a educa&ccedil;&atilde;o sexual e suas implica&ccedil;&otilde;es<a    name="s*" href="#*"><sup>*</sup></a></font></b></p>      <p><b>Denise Regina Quaresma da Silva<a    name="s**" href="#**"><sup>**</sup></a> - Universidade Feevale, Brasil</b></p>     <p><a href="#s**" name="**"><sup>**</sup></a> P&oacute;s-doutora em estudos de G&ecirc;nero pela Universidad de Ciencias Empresariales y  Sociales (UCES, Argentina). Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Rio  Grande do Sul (Brasil). Docente da Universidade Feevale (Brasil) do Programa de  P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (PPG) em Diversidade Cultural e Inclus&atilde;o Social, e do PPG em Educa&ccedil;&atilde;o do Centro Universit&aacute;rio  Unilasalle (Brasil). Publica&ccedil;&otilde;es recentes: "Novos olhares para as pegagogias de  g&ecirc;nero na educa&ccedil;&atilde;o infantil" (em coautoria). <i>Revista Contrapontos</i>  14:448-463 (2016), e "Est&aacute;s sempre chorando, tu &eacute; de a&ccedil;&uacute;car&#63; Pedagogias de  g&ecirc;nero na educa&ccedil;&atilde;o infantil" (em coautoria). <i>Revista Iberoamericana de  Educaci&oacute;n</i> 68:137-150 (2015). <a href="mailto:denisequaresmadasilva@gmail.com"> denisequaresmadasilva@gmail.com</a> </p>       <p>DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.7440/res57.2016.06" target=_blank> http://dx.doi.org/10.7440/res57.2016.06</a> </p> <hr size="1">      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Este artigo integra os resultados de um estudo que teve como objetivo caracterizar as  pr&aacute;ticas relativas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexual e descrever o tratamento que recebem as  adolescentes gr&aacute;vidas nas institui&ccedil;&otilde;es educativas, bem como analisar a evas&atilde;o  dessas alunas, com a inten&ccedil;&atilde;o de examinar os processos de educa&ccedil;&atilde;o sexual nas  escolas e a exclus&atilde;o escolar e social. Teoricamente, resgatamos alguns aportes  para a compreens&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o sexual, especificamente a partir dos estudos de  g&ecirc;nero, assim como de estudos atuais que abordam o tema. Tamb&eacute;m s&atilde;o apresentados  resultados qualitativos obtidos por meio de entrevistas realizadas com  diretores, coordenadores pedag&oacute;gicos e orientadores educativos em 30 escolas  estaduais de ensino fundamental da cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul  (Brasil). Conclu&iacute;mos que os estigmas que rodeiam a gravidez na  adolesc&ecirc;ncia marginam a adolescente e limitam a disposi&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios das  institui&ccedil;&otilde;es educativas e dos governos para projetar pol&iacute;ticas diferenciadas que  facilitem a continuidade dos estudos durante a gravidez e depois do parto. O  descaso ante essa problem&aacute;tica social &eacute; um dos facilitadores para o abandono  escolar da grande maioria de adolescentes gr&aacute;vidas. No estudo realizado,  confirmamos a exclus&atilde;o escolar e social dessas adolescentes. </p>      <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>      <p>Adolescentes gr&aacute;vidas, educa&ccedil;&atilde;o sexual, exclus&atilde;o social  (palavras do autor).</p> <hr size="1">      <p align=center><b><font face="verdana" size="3">Exclusi&oacute;n de adolescentes embarazadas en las escuelas en el sur de Brasil: un  an&aacute;lisis de la educaci&oacute;n sexual y sus consecuencias</font></b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMEN</b></p>      <p>Este art&iacute;culo integra los resultados de un estudio que tuvo como objetivo  caracterizar las pr&aacute;cticas relativas a la educaci&oacute;n sexual y describir el  tratamiento que reciben las adolescentes embarazadas en estas instituciones  educativas, as&iacute; como analizar la deserci&oacute;n de estas estudiantes, con la  intenci&oacute;n de examinar los procesos de educaci&oacute;n sexual en las escuelas y la  exclusi&oacute;n escolar y social. Te&oacute;ricamente,  rescatamos algunas aportaciones para la comprensi&oacute;n de la educaci&oacute;n sexual,  espec&iacute;ficamente a partir de los estudios de g&eacute;nero, as&iacute; como de estudios  actuales que abordan el tema. Tambi&eacute;n se presentan resultados cualitativos  obtenidos a trav&eacute;s de entrevistas realizadas a  directoras/es, coordinadoras/es pedagodas/os y orientadoras/es educativas/os en  las treinta escuelas primarias estatales de la ciudad de Novo Hamburgo/RS,  Brasil. Conclu&iacute;mos que los estigmas que rodean la gestaci&oacute;n precoz marginan a la  adolescente y limitan la disposici&oacute;n de funcionarias/os de las instituciones  educativas y de los gobiernos para dise&ntilde;ar pol&iacute;ticas diferenciadas que faciliten  la continuidad de los estudios durante la gestaci&oacute;n y despu&eacute;s del parto. La indiferencia frente a este problema social es uno de los facilitadores del  abandono de la escuela de la gran mayor&iacute;a de adolescentes embarazadas. En el  estudio realizado, confirmamos la exclusi&oacute;n social y escolar de estas  adolescentes.</p>      <p><b>PALABRAS CLAVE</b></p>      <p>Exclusi&oacute;n social (Thesaurus); adolescentes embarazadas, educaci&oacute;n sexual (palabras clave  de autor). </p> <hr size="1">      <p align=center><b><font face="verdana" size="3">Exclusion of Pregnant Adolescents in Schools in Southern Brazil: An Analysis of Sex Education  and Its Consequences</font></b></p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This article integrates the results of a study intended to characterize the practices  relating to sex education and to describe the treatment that pregnant  adolescents receive at these educational institutions, as well as to analyze the  evasion of these students, in order to examine the processes of sex education in  the schools and academic and social exclusion. Theoretically, we have retrieved  some previous contributions to understanding sex education specifically based on  gender studies, as well as current studies dealing with the topic. It also  presents qualitative results obtained through interviews with directors,  pedagogical coordinators and educational guidance counselors in the 30 public  elementary schools of the city of Novo Hamburgo/RS, Brazil. The conclusion is  that the stigmas surrounding teenage pregnancy marginalize the affected  adolescents and limit the willingness officials of educational institutions and  of governments to design differentiated policies to facilitate the continuance  of their studies during pregnancy and after giving birth. The indifference  towards this social problem is one of the main reasons why the vast majority of  pregnant teens drop out of school. The study conducted confirmed the social and  academic exclusion of these teenage girls.</p>      <p><b>KEYWORDS</b></p>      <p>Social exclusion (Thesaurus); teenage pregnancy, sex education (Author&#8217;s Keywords).</p> <hr size="1">      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No estado do Rio  Grande do Sul, as gesta&ccedil;&otilde;es precoces t&ecirc;m abrang&ecirc;ncia relevante, mesmo que se  fa&ccedil;a alus&atilde;o a uma poss&iacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de casos de gravidez na  adolesc&ecirc;ncia. As adolescentes gr&aacute;vidas representam 17,4% do total, segundo  balan&ccedil;os de 2008, inclusive podemos supor cifras ainda maiores uma vez que o  aborto &eacute; proibido no Brasil. Por essa raz&atilde;o, as adolescentes que buscam cl&iacute;nicas  clandestinas particulares ao decidirem interromper a gravidez poder&atilde;o ter  complica&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de provenientes dos abortos na maioria das vezes malfeitos.  Essas adolescentes poder&atilde;o ir ao &oacute;bito, sobre o qual, na maioria dos casos,  constar&aacute; a declara&ccedil;&atilde;o de outra causa de morte devido &agrave; clandestinidade do  aborto.</p>      <p>Uma pesquisa nacional de 2013 aponta que o Brasil teria 5,2 milh&otilde;es de  adolescentes mulheres de 15 a 17 anos. Destas, 414.105 teriam pelo menos um  filho e, deste n&uacute;mero, somente 104.731 delas estudavam; as outras 309.374  estariam fora da escola. Tamb&eacute;m aponta que a maioria das jovens n&atilde;o trabalha  e/ou estuda e somente uma minoria de 52.062 trabalharia (Moreno e Gon&ccedil;alves  2015).</p>      <p>A gravidez precoce, sem d&uacute;vida, &eacute; uma problem&aacute;tica de preocupa&ccedil;&atilde;o mundial e  ocupa um espa&ccedil;o dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM),  aprovados pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). O quinto objetivo, referente  &agrave; melhora da sa&uacute;de materna, possui um indicador sobre a fecundidade adolescente  e destaca a sua necess&aacute;ria redu&ccedil;&atilde;o pela transcend&ecirc;ncia desse objetivo e por sua  incid&ecirc;ncia no cumprimento dos outros:</p>   <ul>Los embarazos  adolescentes contribuyen al ciclo de muertes maternas y mortalidad infantil. La  fecundidad muy temprana no s&oacute;lo aumenta el riesgo de muerte en el parto, sino  que pone en peligro el bienestar de las madres y ni&ntilde;os que sobreviven. Las  madres j&oacute;venes con frecuencia pierden oportunidades educativas y  socioecon&oacute;micas. Los hijos de madres adolescentes tienen mayor riesgo de morir  durante la lactancia e infancia, y poseen mayor probabilidad de carecer de los  beneficios conocidos que se transmiten de las madres educadas a sus hijos.  Reducir la fecundidad adolescente contribuye directa e indirectamente a lograr  la salud materna y otros objetivos. (ONU 2008, 27)    </ul>       <p>A preocupa&ccedil;&atilde;o com a maternidade das mulheres e das adolescentes, tema do quinto  ODM, estabelece como meta para a verifica&ccedil;&atilde;o de seu cumprimento, no Brasil, a  redu&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o de mortalidade materna para 35 &oacute;bitos por 100.000 nascidos  vivos at&eacute; 2015. Para se ter uma ideia do panorama sobre os partos no Brasil, o parto ces&aacute;rio  representou, em 2012, quase 56% dos partos realizados no pa&iacute;s. Os partos em  menores de 15 anos apresentam 39,8% de partos ces&aacute;rios, sendo uma interven&ccedil;&atilde;o  bastante intrusiva que apresenta s&eacute;rios riscos &agrave;s mulheres e a seus filhos. A  Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) preconiza que essa pr&aacute;tica n&atilde;o ultrapasse os  15% dos partos realizados (Presid&ecirc;ncia  da Rep&uacute;blica — Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres 2015).</p>      <p>O informe de 2010 sobre a marcha dos ODM comenta que se conseguiu reduzir a  gravidez adolescente em algumas regi&otilde;es e pa&iacute;ses. No entanto, isso se mant&eacute;m  como uma problem&aacute;tica e, na Am&eacute;rica Latina, segue com mais de 70 nascimentos por  cada 1.000 mulheres (ODM 2010).</p>      <p>No Brasil, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de considera a gravidez na adolesc&ecirc;ncia como um  problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. Desde 2005, suas investiga&ccedil;&otilde;es sobre a maternidade  come&ccedil;aram a ser consideradas como um grupo significativo das adolescentes entre  10 e 14 anos (IBGE 2009).</p>      <p>Na pesquisa intitulada "Juventudes e Sexualidade" (Garc&iacute;a, Abramovay e Da Silva  2004), impulsionada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a  Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco) no Brasil, levantou-se um dado muito importante:  uma de cada dez estudantes engravida antes dos 15 anos e uma incid&ecirc;ncia de 10%  apresentam probabilidades de ficar gr&aacute;vida, por&eacute;m somente 7% chegam a se graduar  em n&iacute;vel superior.</p>      <p>O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de reconhece, tamb&eacute;m, que por muitos anos essa foi  considerada uma problem&aacute;tica de pessoas muito pobres. Entretanto, as cifras  apontam que, nos &uacute;ltimos anos, chegou a 34% a propor&ccedil;&atilde;o de adolescentes gr&aacute;vidas  de classe m&eacute;dia, o que confirma que n&atilde;o se trata de um problema associado  diretamente &agrave; pobreza ou ao grau de escolaridade (IBGE 2009).</p>      <p>As dimens&otilde;es dessa problem&aacute;tica, claramente comprov&aacute;veis em nosso cotidiano, nos  apresentam a gravidez na adolesc&ecirc;ncia como uma preocupa&ccedil;&atilde;o que nos cerca e se  entrela&ccedil;a com nossas preocupa&ccedil;&otilde;es e motiva&ccedil;&otilde;es investigativas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em nossas primeiras an&aacute;lises, centramos a aten&ccedil;&atilde;o nas viv&ecirc;ncias sobre a  gesta&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filha, como transcorreram os processos de identifica&ccedil;&atilde;o  sexual perante o outro significativo e quais nexos puderam se interligar com a  gravidez (Quaresma da Silva 2007).</p>      <p>Em continuidade, enfocamos as escolas, que por sua fun&ccedil;&atilde;o, conte&uacute;do e  compromisso social, apresentam-se para as adolescentes como um templo de saberes  —e de pessoas s&aacute;bias— que acolher&atilde;o suas interroga&ccedil;&otilde;es. A escola &eacute; atravessada  por marcadores e atribui&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e &eacute; imposs&iacute;vel pensar em uma institui&ccedil;&atilde;o  sem considerar as constru&ccedil;&otilde;es sociais e culturais de masculinidade e  feminilidade (Louro 1997).</p>      <p>A complexidade do tema e suas m&uacute;ltiplas media&ccedil;&otilde;es assinalam algumas  interroga&ccedil;&otilde;es que orientam os nossos estudos: o que est&aacute; acontecendo nas escolas  quanto &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexual&#63; Existem a&ccedil;&otilde;es direcionadas —curriculares e  extracurriculares— para a preven&ccedil;&atilde;o da gravidez na adolesc&ecirc;ncia&#63; O que &eacute;  educa&ccedil;&atilde;o sexual para adolescentes&#63; Como realizam a educa&ccedil;&atilde;o sexual nas escolas&#63;  O que acontece com as adolescentes gr&aacute;vidas&#63; Que tipo de tratamento recebem na  escola&#63; Quais significados compartilham na escola acerca da gravidez na  adolesc&ecirc;ncia&#63; Como &eacute; abordado o tema&#63; As escolas est&atilde;o preparados para faz&ecirc;-lo&#63;  Como se insere a educa&ccedil;&atilde;o sexual na forma&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica&#63; (Quaresma da Silva  2012).</p>      <p>Entendemos que as escolas oferecem um contexto inquestion&aacute;vel por sua  significa&ccedil;&atilde;o de preven&ccedil;&atilde;o da fecundidade adolescente, sem esquecer a  coparticipa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria de outras institui&ccedil;&otilde;es/grupos em se empenhar na  quest&atilde;o. Por outro lado, reconhecemos a import&acirc;ncia de algumas institui&ccedil;&otilde;es e  grupos no tratamento do referido tema para superar discursos que prejudicam pelo  car&aacute;ter punitivo, excludente e contradit&oacute;rio sobre a sexualidade.</p>      <p><b>Falar de sexo n&atilde;o &eacute; falar de sexualidade</b></p>      <p>A escola vem falando de sexo durante s&eacute;culos, por&eacute;m n&atilde;o fala de sexualidade;  vejamos como historicamente isso foi feito. Foucault  (1985) aponta que a maior parte do discurso das escolas, tanto o expl&iacute;cito como  o n&atilde;o dito, elabora-se em torno do sexo para elevar a efic&aacute;cia das institui&ccedil;&otilde;es  na disciplina dos corpos e dos pensamentos.</p>      <p>As escolas se apresentam como um microespa&ccedil;o de poder que controla os corpos e o  sexo de forma pensada e articulada. Por exemplo, as separa&ccedil;&otilde;es por sexo, por  idades —prevenindo que os mais novos n&atilde;o sejam "infectados" pelos pensamentos e  condutas sexuadas dos adolescentes—. Essas s&atilde;o proibi&ccedil;&otilde;es que existem em torno  do corpo, e se &eacute; certo que a escola reflete o culturalmente constru&iacute;do, tamb&eacute;m &eacute;  ineg&aacute;vel que em muitas ocasi&otilde;es refor&ccedil;a, consolida, legitima e reafirma. As  proibi&ccedil;&otilde;es se evidenciam ao reproduzir modos de ser e  estar, tais como: n&atilde;o se masturbar; usar roupas adequadas —em medidas e tamanhos  que ocultem o desenvolvimento corporal—; cuidar com o que podem falar; ocupar  constantemente os pensamentos com conte&uacute;dos escolares para n&atilde;o dar brecha aos  "maus pensamentos"; conduzir a elei&ccedil;&atilde;o de leituras "adequadas" para cada idade;  n&atilde;o oferecer literatura "obscena" e evitar que essas literaturas apare&ccedil;am na m&atilde;o  de algum menino ou menina; dentre tantas outras pr&aacute;ticas disciplinares e  corretivas que cotidianamente podem ser observadas. Exemplificamos: em uma das escolas pesquisadas, meninos e meninas da  quarta s&eacute;rie do ensino fundamental passaram a frequentar a biblioteca da escola  de forma intensa, o que chamou a aten&ccedil;&atilde;o dos docentes. Logo estes descobriram  que todos queriam retirar um livro intitulado <i>Armando a Barraca: coisas que  todo garoto quer saber sobre o piu-piu, o p&ecirc;nis, o pinto...</i>, de autoria de  Nick Fischer. Esse livro aborda as transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e emocionais da  adolesc&ecirc;ncia e, no momento em que demonstraram interesse na sua leitura, a  equipe diretiva o retirou do acervo da biblioteca. Essa leitura deveria ser  permitida somente aos maiores, sendo considerada impr&oacute;pria para meninas e  meninos da quarta s&eacute;rie.</p>      <p>Sobre essas fun&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas no interior de determinadas institui&ccedil;&otilde;es,  Foucault (1998, 120) aponta que, a partir do s&eacute;culo XVIII, surgiram t&eacute;cnicas  cada vez mais minuciosas do controle do corpo. Especialmente nos anos  posteriores ao s&eacute;culo XVIII, no interior dos hospitais, escolas, f&aacute;bricas e  ex&eacute;rcito, passam a funcionar articuladamente um conjunto de estrat&eacute;gias com a  inten&ccedil;&atilde;o de produzir corpos d&oacute;ceis e &uacute;teis para o sistema vigente,  configurando-se no que ele denomina uma "anatomia pol&iacute;tica do detalhe". Em sua  obra, ele discute as rela&ccedil;&otilde;es de poder disciplinares no universo escolar  enquanto espa&ccedil;o institucional, bem como as pequenas atitudes que s&atilde;o  representa&ccedil;&otilde;es e d&atilde;o forma e materialidade a essas rela&ccedil;&otilde;es de poder. &Eacute; o caso  do exemplo acima citado, que acaba regulando os corpos e os pensamentos das  crian&ccedil;as a respeito da sexualidade.</p>      <p>Para Foucault (1998),  o poder em todas as sociedades est&aacute; ligado ao corpo e &eacute; sobre ele que s&atilde;o  impostas as obriga&ccedil;&otilde;es, as limita&ccedil;&otilde;es e as proibi&ccedil;&otilde;es, produzindo a docilidade.  O corpo d&oacute;cil pode ser submetido, utilizado, transformado e aperfei&ccedil;oado em  fun&ccedil;&atilde;o do poder. Tal processo regularizador n&atilde;o acontece somente por meio do  dito, do verbalizado, dos regulamentos e dos documentos escritos, mas tamb&eacute;m se  consolida por meio das mensagens menos evidentes. Como exemplo, &eacute; poss&iacute;vel  mencionar a "natural" separa&ccedil;&atilde;o de banheiros para meninos e meninas —a  arquitetura espacial produz subjetividades, conduzindo os corpos a espa&ccedil;os  considerados adequados, excludentes e produtivos—. Os professores, por sua vez,  tamb&eacute;m s&atilde;o regulados e n&atilde;o podem fazer uma s&eacute;rie de coisas, por exemplo, usar  roupas curtas ou "inapropriadas", pois a  escola &eacute; um ambiente favor&aacute;vel &agrave;s pr&aacute;ticas de vigil&acirc;ncia, o panoptismo.</p>      <p>Essas pr&aacute;ticas evidenciam complexas rela&ccedil;&otilde;es de poder que t&ecirc;m lugar nas  institui&ccedil;&otilde;es disciplinares. Desse modo, por meio dessas a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, imp&otilde;e-se  um dispositivo nas sociedades "normalizando" a vida das pessoas e,  consequentemente, de todo o corpo social, construindo o cidad&atilde;o ideal para  perpetuar-se um determinado sistema.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bonato (1996), ao problematizar o velado e o aparente na educa&ccedil;&atilde;o da  sexualidade, toma como base para suas an&aacute;lises as reflex&otilde;es de Foucault.  Para a autora, nos tr&ecirc;s &uacute;ltimos s&eacute;culos, houve uma explos&atilde;o discursiva em torno do sexo. Criou-se uma  variedade de dispositivos para se falar de sexo, por&eacute;m, cada vez que se fala  sobre isso, se valoriza o tema como um segredo. Os dispositivos utilizados para  falar de sexo apresentam tamb&eacute;m um refinamento do vocabul&aacute;rio. As palavras  utilizadas nesse contexto s&atilde;o controladas e &eacute; definido quando e onde se pode  falar, em quais situa&ccedil;&otilde;es;  verifica-se quem pode falar e com quem poder&aacute; fazer interlocu&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Entre esses dispositivos criados, aparece a escola, na qual foram se  estabelecendo "temas aprovados" e "temas vetados" sobre sexo, respostas  "adequadas" para cada pergunta, estrat&eacute;gias para afastar o tema dos pensamentos  e prever os comportamentos "desajustados".</p>      <p>De maneira geral, a sexualidade n&atilde;o encontra um espa&ccedil;o na escola para ser  discutida e problematizada. Os corpos dos alunos  "falam" sua sexualidade, por&eacute;m a escola se torna surda e muda (Quaresma da Silva  2007, 114). Podemos notar a diferen&ccedil;a entre falar de sexo —o que ocorre todo o  tempo nas escolas— e propiciar uma  discuss&atilde;o aberta sobre a sexualidade. A educa&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; o &uacute;nico m&eacute;todo v&aacute;lido  conhecido para preparar os adolescentes para as diversas situa&ccedil;&otilde;es que podem  aparecer em suas vidas. O sexo entre eles, ou entre adolescentes e adultos,  come&ccedil;a a qualquer momento, e n&atilde;o podemos ingenuamente acreditar que, por n&atilde;o  falar sobre isso, eles n&atilde;o possam ter essas rela&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Nesse sentido, acreditamos que as educa&ccedil;&otilde;es sexuais nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino  devem ser organizadas, intencionalmente, em um processo que incorpore o  conhecimento biom&eacute;dico, psicol&oacute;gico, jur&iacute;dico e sociol&oacute;gico. Estar&atilde;o  entrela&ccedil;adas, assim, ao pleno exerc&iacute;cio da sexualidade, igualdade de g&ecirc;nero, com  o respeito pela diversidade, buscando evitar situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o, abuso,  ass&eacute;dio, bem como o in&iacute;cio da gravidez ou doen&ccedil;a sexualmente transmiss&iacute;vel,  envolvendo ativamente para essa finalidade professores, estudantes, fam&iacute;lias e  institui&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Com essa proje&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m est&aacute; se direcionando a necessidade de superar atitudes  que negam ou sancionam o prazer e a sexualidade na adolesc&ecirc;ncia. Se n&atilde;o  incluirmos esses temas, criamos uma barreira de obstru&ccedil;&atilde;o para falar abertamente  sobre sexualidade, o que dificulta o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e limita a educa&ccedil;&atilde;o e a  prepara&ccedil;&atilde;o dos adolescentes para viver a sua sexualidade de uma maneira  prazerosa e respons&aacute;vel. Tamb&eacute;m devemos parar e pensar o quanto podem ser  prejudiciais para os adolescentes as dificuldades que os adultos t&ecirc;m para falar  sobre sexualidade. Essas dificuldades normalmente se tornam evidentes nos  discursos moralistas, estigmatizados e amb&iacute;guos presentes no imagin&aacute;rio social e  que refletem no conte&uacute;do imagin&aacute;rio sobre sexualidade que circula nas  institui&ccedil;&otilde;es de ensino, fundamentando as contradi&ccedil;&otilde;es que surgem na pr&aacute;tica da  educa&ccedil;&atilde;o sexual.</p>      <p><b>O que acontece no Brasil com a educa&ccedil;&atilde;o sexual nas escolas&#63;</b></p>      <p>Ao falar sobre educa&ccedil;&atilde;o sexual e sua introdu&ccedil;&atilde;o nas escolas brasileiras, vale  ressaltar que esse processo tem sido marcado por altos e baixos cont&iacute;nuos, a  partir das primeiras experi&ecirc;ncias do in&iacute;cio do s&eacute;culo passado. A demanda por  essas a&ccedil;&otilde;es iniciais foram influenciadas pelas ideias m&eacute;dico-higienistas  europeias, centradas na necessidade de combater as pr&aacute;ticas masturbat&oacute;rias e  doen&ccedil;as ven&eacute;reas (Say&atilde;o 1997, 108).</p>      <p>Em 1928, segundo registros da &eacute;poca, o Congresso Nacional aprovou a proposta de  instrumentar a educa&ccedil;&atilde;o sexual nas escolas, mas tais esfor&ccedil;os foram bastante  criticados e dificultados pela igreja. Nos anos 1960 e 70, as escolas no Brasil  continuaram como um "territ&oacute;rio sagrado", um lugar para aprender sobre tudo,  menos a sexualidade (Ribeiro 2004, 15).</p>      <p>Eram muito poucas as escolas com uma situa&ccedil;&atilde;o diferente, e nesse grupo estavam  as renovadoras, com iniciativas importantes e revolucion&aacute;rias permeadas por  ideias de movimentos sociais de muito impacto no momento. No entanto, as poucas  iniciativas que surgiram foram reprimidas pelo Regime Militar, ap&oacute;s o Golpe de  1964, uma vez que foram suprimidas todas as manifesta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Em 1968,  houve uma estagna&ccedil;&atilde;o e/ou decl&iacute;nio da educa&ccedil;&atilde;o sexual em correspond&ecirc;ncia com a  onda de puritanismo que governou o pa&iacute;s e que trouxe o rigor da censura (Barroso  e Bruschini 1982, 22-23).</p>      <p>Somente a partir de 1978 foram retomados os projetos de implementa&ccedil;&atilde;o da  educa&ccedil;&atilde;o sexual nos curr&iacute;culos escolares, apoiados por &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos  municipais e estaduais. Ao mesmo tempo, organizaram-se f&oacute;runs de discuss&atilde;o em  &acirc;mbito nacional para trocar experi&ecirc;ncias e fortalecer o trabalho de educa&ccedil;&atilde;o  sexual, com o aumento da gravidez na adolesc&ecirc;ncia e a propaga&ccedil;&atilde;o do  V&iacute;rus da Imunodefici&ecirc;ncia Humana (HIV) entre os jovens (Ribeiro 2004, 21).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, em dezembro de 1996, como resultado do n&iacute;vel e da extens&atilde;o das  discuss&otilde;es, foi aprovada a Lei de Diretrizes e Bases "Darcy Ribeiro", que  estabelece os Par&acirc;metros Curriculares Nacionais (PCNs) para a realiza&ccedil;&atilde;o da  educa&ccedil;&atilde;o como garantia do exerc&iacute;cio da cidadania, responsabilidade, dignidade  humana, incidindo sobre a necessidade de o jovem experimentar plenamente a  sexualidade. Nesses par&acirc;metros, aparece a educa&ccedil;&atilde;o sexual como um tema  transversal do curr&iacute;culo escolar a ser interligado com o conte&uacute;do das diferentes  mat&eacute;rias. Pr&oacute;ximos a esse tema, tamb&eacute;m aparecem outros temas que o pa&iacute;s  considera importantes na constru&ccedil;&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o inclusiva e sustent&aacute;vel, como:  &eacute;tica, meio ambiente, g&ecirc;nero, sa&uacute;de e diversidade cultural. Portanto, a educa&ccedil;&atilde;o  sexual n&atilde;o aparece como um tema espec&iacute;fico e obrigat&oacute;rio nos curr&iacute;culos  escolares, mas como uma quest&atilde;o que os professores s&atilde;o desafiados a entrela&ccedil;ar  harmoniosamente com o curr&iacute;culo e as atividades extracurriculares (Ribeiro 2004,  24).</p>      <p>A partir do que norteiam esses PCNs, as escolas n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m o compromisso social  para implementar a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o sexual para a preven&ccedil;&atilde;o da gravidez, a sa&uacute;de  sexual e reprodutiva e o desenvolvimento biopsicossocial em geral de  adolescentes, mas tamb&eacute;m o dever de cumprir legalmente os PCNs.</p>      <p><b>Metodologia</b></p>      <p>Este estudo, de forma geral, utilizou uma metodologia quanti-qualitativa, mas  especificamente, neste texto, destacaremos os resultados que emergiram da  an&aacute;lise qualitativa da pesquisa intitulada "Geografias de exclus&atilde;o adolescentes  gr&aacute;vidas nas escolas do sul do Brasil: corpos abjetos". Essa pesquisa teve por  objetivo caracterizar pr&aacute;ticas relativas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexual e descrever o  tratamento dado &agrave;s adolescentes gr&aacute;vidas nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino, bem como  analisar a evas&atilde;o dessas alunas, com a inten&ccedil;&atilde;o de examinar os processos de  educa&ccedil;&atilde;o sexual nas escolas.</p>      <p>Para atingir tais objetivos, foram aplicadas entrevistas semiestruturadas com  diretores, coordenadores pedag&oacute;gicos e orientadores educacionais em 30 escolas  estaduais de ensino fundamental<a    name="s1" href="#1"><sup>1</sup></a> da cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul (Brasil), durante a segunda metade do ano de 2014 e ao longo de 2015. Para o processo de an&aacute;lise dos  dados, consideraram-se as contribui&ccedil;&otilde;es do m&eacute;todo de an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin  2002). </p>      <p><b>An&aacute;lise das categorias emergentes: resultados e discuss&atilde;o</b></p>      <p>As an&aacute;lises de conte&uacute;do das entrevistas revelaram categorias que merecem ser  comentadas e exploradas a partir de suas implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e para o  desenvolvimento biopsicossocial dos adolescentes.</p>      <p><b>Inexist&ecirc;ncia de um projeto institucional particular para a transversaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o sexual</b></p>      <p>Mesmo que os profissionais que comp&otilde;em a equipe diretiva das  escolas conhe&ccedil;am o que est&aacute; estabelecido nos PCNs, no que se refere &agrave; proposta  de transversaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o sexual, existe uma interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada que  cria obst&aacute;culos &agrave; exist&ecirc;ncia de um projeto institucional que estabele&ccedil;a e defina  os procedimentos particulares que ser&atilde;o assumidos em cada escola. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute;  recorrente na maioria das escolas pesquisadas e &eacute; evidente a tend&ecirc;ncia a  confundir "tema transversal" com algo n&atilde;o institucionalizado, organizado ou  planejado.</p>      <p>Sabemos que as a&ccedil;&otilde;es educativas podem ser uma demanda em qualquer  circunst&acirc;ncia, por&eacute;m n&atilde;o podemos, por isso, negar o necess&aacute;rio planejamento e  organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho educativo. Percebemos que as escolas sup&otilde;em que somente  devam falar de educa&ccedil;&atilde;o sexual quando as inquietudes invadam aos alunos ou se  explicite uma demanda que sinalize que chegou a hora de falar sobre rela&ccedil;&otilde;es  sexuais ou dos contraceptivos e da gravidez, como o an&uacute;ncio de uma aluna gr&aacute;vida  na escola. Dessa forma, parece-nos que a educa&ccedil;&atilde;o sexual funciona como um  "extintor de inc&ecirc;ndios" em uma situa&ccedil;&atilde;o emergente e que, na escola, se espera  chegar a um momento cr&iacute;tico para conversar sobre sexualidade. Isso retira o  essencial car&aacute;ter preventivo da educa&ccedil;&atilde;o sexual e acentua uma perspectiva  circunstancial e interventiva ante situa&ccedil;&otilde;es de "perigo" ou diante da demanda  expl&iacute;cita dos adolescentes.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sem d&uacute;vida, &eacute; muito dif&iacute;cil poder prever o momento em que os  adolescentes precisar&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es sobre educa&ccedil;&atilde;o sexual que lhes devem ser  dadas para tomarem decis&otilde;es nas circunst&acirc;ncias das novas etapas de suas vidas.  Essa posterga&ccedil;&atilde;o os coloca em maior  vulnerabilidade ante uma gravidez, cont&aacute;gio de Doen&ccedil;as de Transmiss&atilde;o Sexual  (DSTs) ou situa&ccedil;&otilde;es de abuso. Nas entrevistas, reiteradamente  os dirigentes escolares citam a falta de informa&ccedil;&otilde;es como um dos facilitadores da gravidez precoce das  alunas. Exemplificamos com a informa&ccedil;&atilde;o de uma das entrevistadas: "Na minha  opini&atilde;o, ainda acho que &eacute; descuido pela falta de informa&ccedil;&atilde;o, falta de  conhecimento, de achar que n&atilde;o vai acontecer com a pessoa. Por descuido mesmo e  pela falta de informa&ccedil;&atilde;o, mais pela falta de informa&ccedil;&atilde;o" (Orientadora  educacional 2014). </p>      <p>Esse entendimento nos possibilita compreender a inadequada  interpreta&ccedil;&atilde;o que existe entre os docentes sobre o in&iacute;cio da educa&ccedil;&atilde;o sexual  para os discentes na escola. Tal interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute;, muitas vezes, fundamentada no  medo de incentivar ou promover um interesse precoce para as rela&ccedil;&otilde;es sexuais ao  falar sobre o tema para as crian&ccedil;as.</p>       <p>O deslocamento da educa&ccedil;&atilde;o sexual para a etapa adolescente adquire  maior evid&ecirc;ncia nas escolas que formaram parte do estudo e que t&ecirc;m somente at&eacute; a  5ª s&eacute;rie —ensino fundamental 1— e, portanto, t&ecirc;m poucas probabilidades de contar  com adolescentes gr&aacute;vidas entre seus estudantes. A exce&ccedil;&atilde;o pode ocorrer com as  meninas que repetem o ano por problemas de aprendizagem ou de outro tipo, que  acabam correndo os mesmos riscos da gravidez na adolesc&ecirc;ncia que as alunas das  demais s&eacute;ries do ensino fundamental.</p>      <p>A quase totalidade das escolas pesquisadas considera um tanto desnecess&aacute;rio  trabalhar a educa&ccedil;&atilde;o sexual entre as prioridades educativas. Uma das  entrevistadas revela que "nunca havia pensado na import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o sexual"  (Coordenadora pedag&oacute;gica 2015) e que somente ao ser entrevistada para a pesquisa  percebeu a lacuna que existe na escola sobre esses temas. Nesse sentido,  percebemos que as escolas n&atilde;o assumem a gravidez na adolesc&ecirc;ncia como uma  tem&aacute;tica a ser trabalhada com os estudantes. O assunto &eacute; apenas abordado como  uma consequ&ecirc;ncia quando ocorre uma gravidez entre seus estudantes, como se a  preven&ccedil;&atilde;o devesse ocorrer somente nas escolas que j&aacute; t&ecirc;m esse "problema".</p>      <p>Sobre as atividades realizadas, aparecem com frequ&ecirc;ncia nas  entrevistas exemplos de palestras que s&atilde;o planejadas e realizadas durante o ano  letivo, por&eacute;m a pouca articula&ccedil;&atilde;o com outros processos da escola —doc&ecirc;ncia,  prepara&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, pesquisa— reduz em grande medida sua transcend&ecirc;ncia,  sistematiza&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&Eacute; importante tamb&eacute;m apontar que n&atilde;o existe uma l&oacute;gica sobre quais  temas ser&atilde;o trabalhados em cada palestra, pois n&atilde;o s&atilde;o identificadas as  prioridades. Da mesma forma, n&atilde;o parece haver uma preocupa&ccedil;&atilde;o em conson&acirc;ncia com  os princ&iacute;pios normativos institu&iacute;dos que devem  sustentar a educa&ccedil;&atilde;o sexual, tais como a promo&ccedil;&atilde;o da plena sexualidade, a  igualdade de g&ecirc;nero e o respeito &agrave; diversidade.</p>       <p><b>Aus&ecirc;ncia de metodologias participativas no planejamento e  elabora&ccedil;&atilde;o das atividades de educa&ccedil;&atilde;o sexual</b></p>       <p>As atividades que s&atilde;o realizadas durante o ano nas escolas de ensino fundamental  frequentemente emergem do crit&eacute;rio pessoal dos respons&aacute;veis pela tarefa, que  definem os temas considerados priorit&aacute;rios e organizam as palestras ou oficinas  que ser&atilde;o realizadas. Cabe ressaltar que raramente foi citada a realiza&ccedil;&atilde;o de  oficinas. De maneira geral, para falar sobre sexualidade chamam um palestrante  de fora da escola, de prefer&ecirc;ncia algu&eacute;m da &aacute;rea da sa&uacute;de. Falam sobre  preven&ccedil;&atilde;o, uso de preservativos e das DSTs, o que tamb&eacute;m &eacute; importante, por&eacute;m n&atilde;o  podemos reduzir a educa&ccedil;&atilde;o sexual no seu amplo sentido a essas palestras.</p>       <p>Em nossa opini&atilde;o, essa pr&aacute;tica pode ser tamb&eacute;m uma explica&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel para  compreendermos o distanciamento e a falta de implica&ccedil;&atilde;o de  alguns docentes com a necessidade de transformar a educa&ccedil;&atilde;o sexual em um trabalho  s&eacute;rio, organizado, criativo e constante. Quando os docentes n&atilde;o participam do  di&aacute;logo sobre o projeto e a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o sexual, est&atilde;o sendo  pouco ativos. Assim, est&aacute; sendo descartada a potencialidade dos docentes para o  questionamento e a an&aacute;lise de suas pr&aacute;ticas e a constru&ccedil;&atilde;o de alternativas de  supera&ccedil;&atilde;o das lacunas existentes.</p>       <p>Quando empregamos metodologias participativas, que privilegiam a cr&iacute;tica por  meio de processos reais de participa&ccedil;&atilde;o e envolvimento, estamos acentuando o  compromisso pol&iacute;tico a partir de uma posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e emancipadora. Isso  permitir&aacute; a professores empoderarem-se e transformarem suas pr&aacute;ticas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pensar, projetar, instrumentalizar e avaliar a educa&ccedil;&atilde;o sexual deve implicar  ativamente todos que comp&otilde;em o grupo diretivo e docente da escola e tamb&eacute;m os  estudantes. </p>      <p><b>Pr&aacute;ticas permeadas de estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero e exclus&atilde;o das adolescentes  gr&aacute;vidas</b></p>       <p>A maioria dos professores entrevistados especifica que a educa&ccedil;&atilde;o sexual deve ser  e &eacute; mais dirigida &agrave;s alunas que aos alunos. Entre as justificativas  apresentadas, est&aacute; o fato de considerarem que as alunas amadurecem mais cedo e  que devem saber mais sobre sexualidade pois s&atilde;o elas que  engravidam. Al&eacute;m disso, s&atilde;o elas que acabam arcando com as consequ&ecirc;ncias da  gravidez, como se pode observar em um relato da pesquisa:<i> </i>"&eacute; muito  complicado para as alunas, porque praticamente interrompe todo um processo  natural das coisas, da&iacute; com crian&ccedil;a vai ter que cuidar, vai ter que trabalhar  muitas vezes para poder alimentar, porque muitas vezes s&oacute; Deus nem sabe quem &eacute; o  pai, ou o pai s&oacute; faz o filho e depois desaparece e quem assume na verdade &eacute; a  mulher e isso modifica totalmente a vida da adolescente" (Diretora 2015). Por  esse motivo, os docentes entendem que as alunas precisam ter mais conhecimento  sobre a preven&ccedil;&atilde;o da gravidez, refor&ccedil;ando e perpetuando a suposi&ccedil;&atilde;o de que os  cuidados acerca desta e dos filhos s&atilde;o responsabilidades do sexo feminino. Isso  aponta para a problem&aacute;tica da gravidez na adolesc&ecirc;ncia: uma importante quest&atilde;o  de g&ecirc;nero.</p>      <p>Evidentemente, n&atilde;o podemos negar que a forma como os adolescentes estabelecem os  v&iacute;nculos ainda est&aacute; impregnada de estere&oacute;tipos e mitos que colocam as f&ecirc;meas em  uma situa&ccedil;&atilde;o de desvantagem e de maior vulnerabilidade. Isso se d&aacute; pois est&atilde;o  imersos em uma cultura hegemonicamente machista, como &eacute; a cultura do estado do  Rio Grande do Sul, no Brasil, onde prepondera a figura do ga&uacute;cho, que subjetiva  as masculinidades no estado.</p>      <p>Tradicionalmente, para a mulher, tem-se reservado o espa&ccedil;o privado e as  qualidades competentes para essa posi&ccedil;&atilde;o como serem meigas, delicadas,  dependentes, carinhosas e cuidadoras, deixando em um plano secund&aacute;rio suas  potencialidades e possibilidades reais intelectuais e psicol&oacute;gicas. O n&uacute;cleo  essencial de suas vidas vai se constituindo em fun&ccedil;&atilde;o dos outros, derivando  dessa posi&ccedil;&atilde;o sua "especializa&ccedil;&atilde;o" em ser dona de casa, m&atilde;e, esposa e cuidadora  de enfermos ou idosos, o que origina e determina a necessidade e a forma de agir  inconscientemente com os outros. O sentido da vida, o que fazer na vida, acaba  sendo orientado pelos outros de tal forma que o "eu" s&oacute; existe na medida do que  faz pelos outros. Isso constitui o n&uacute;cleo do "cativeiro" ou a aus&ecirc;ncia de  liberdade das mulheres (Fern&aacute;ndez 2003, 60).</p>       <p>As mulheres n&atilde;o nascem sendo "mulheres marionetes"; s&atilde;o necess&aacute;rias muitas  interven&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas eficientes, uma esmerada educa&ccedil;&atilde;o, imita&ccedil;&otilde;es das  figuras femininas com comportamentos d&oacute;ceis acompanhadas de elogios. Tudo isso  produz uma mulher com uma autonomia restrita, que limita sua emancipa&ccedil;&atilde;o e  liberta&ccedil;&atilde;o do papel estabelecido. Quando uma menina nasce, seu "treinamento"  para a depend&ecirc;ncia provavelmente come&ccedil;a no hospital, quando &eacute; colocada nela uma  roupa de cor rosa, carregada de simbolismos. As expectativas da m&atilde;e e do pai s&atilde;o  bem definidas: ser&aacute; sempre boa, obediente, d&oacute;cil e meiga. Essa aprendizagem  acaba alienando-a de si mesma para corresponder &agrave;s exig&ecirc;ncias dos adultos, por&eacute;m  isso se d&aacute; de forma inconsciente e dificilmente ser&aacute; percebido por ela (Quaresma  da Silva 2008, 4). </p>       <p>A partir dessas quest&otilde;es, podemos assinalar alguns pontos-chave para pensar se a gravidez na  adolesc&ecirc;ncia &eacute; sempre uma gravidez n&atilde;o desejada e questionarmos quais exig&ecirc;ncias  e expectativas podem estar ocultas atr&aacute;s de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual desprotegida e  com os riscos de uma gravidez.</p>       <p>A maternidade constitui uma dimens&atilde;o importante na constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade  feminina. Desde que nasce, uma menina escuta que a maior aspira&ccedil;&atilde;o da vida de  uma mulher &eacute; ser m&atilde;e. Talvez esse desejo inconsciente de ser m&atilde;e possa  influenci&aacute;-la ao ponto de n&atilde;o cuidar da preven&ccedil;&atilde;o adequadamente na rela&ccedil;&atilde;o  sexual. Levantamos a hip&oacute;tese de que as adolescentes possam estar expressando  uma necessidade de serem reconhecidas como "mulheres", que estejam no mesmo  status social das outras que s&atilde;o m&atilde;es e que as rodeiam, com todas as liberdades  que implica transcender de adolescente a mulher.</p>       <p>No complexo processo de aceita&ccedil;&atilde;o/subjetiva&ccedil;&atilde;o/objetiva&ccedil;&atilde;o do que foi constru&iacute;do  s&oacute;cio-historicamente em torno de ser mulher e de ser homem nas sociedades  herdeiras de uma cultura patriarcal, tamb&eacute;m adquire relev&acirc;ncia indiscut&iacute;vel o  mito do amor rom&acirc;ntico. Esse mito perpetua o v&iacute;nculo funcional dependente nos  relacionamentos entre um casal. Junto aos sentimentos amorosos v&atilde;o  instituindo-se posi&ccedil;&otilde;es de poder que n&atilde;o favorecem as mulheres, fazendo com que  sejam dependentes do amor de um homem. Exige-se fidelidade dessa mulher com seu  companheiro —e n&atilde;o de ambos— e parte-se da idealiza&ccedil;&atilde;o de um outro que as  representar&aacute;, as proteger&aacute; e as valorizar&aacute;. Ao contr&aacute;rio do que transmite a  mitologia popular, o amor rom&acirc;ntico n&atilde;o &eacute; fonte de transcend&ecirc;ncia, felicidade  nem autorrealiza&ccedil;&atilde;o. Constitui uma das principais causas da brecha existente  entre homens e mulheres, sendo uma das pr&aacute;ticas culturais que obrigam a mulher a  aceitar e amar sua pr&oacute;pria submiss&atilde;o (Illuz 2014). </p>      <p>Para uma adolescente que se apropriou desse pensamento de amor idealizado, &eacute; dif&iacute;cil  relacionar amor e relacionamento de casal com problema, sofrimento ou  enfermidade. Essa pode ser tamb&eacute;m uma perspectiva relevante para compreender por  que muitas adolescentes n&atilde;o reconhecem ou desconsideram o risco de uma gravidez  ou de uma enfermidade sempre que t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o sexual.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que se reprime e sanciona nas mulheres, nos homens se estimula. As mensagens transmitidas aos  adolescentes, segundo seu g&ecirc;nero, s&atilde;o bem distintas. Enquanto, em rela&ccedil;&atilde;o a  elas, s&atilde;o reprimidas as viv&ecirc;ncias prazerosas da sexualidade, para eles, tais  viv&ecirc;ncias constituem uma fonte importante de express&atilde;o e reafirma&ccedil;&atilde;o de sua  virilidade. Nos homens, observamos um superdesenvolvimento do mundo exterior  —fazer, ter, atuar— e uma repress&atilde;o da esfera emocional (Montesinos 1999, 92).</p>      <p>Estes podem ser os fundamentos para que os professores considerem que a educa&ccedil;&atilde;o  sexual, no caso dos adolescentes do sexo masculino, deve ser encaminhada para  ajudar na defini&ccedil;&atilde;o da sexualidade "normal", por&eacute;m n&atilde;o levam em conta a  participa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel deles na preven&ccedil;&atilde;o de uma gravidez precoce e em  assumirem a paternidade nesses casos.</p>      <p>Nossa experi&ecirc;ncia nesses temas nos permite afirmar que a coloca&ccedil;&atilde;o do adjetivo  "normal" nas conversas sobre a sexualidade masculina est&aacute; geralmente associada  &agrave;s tradicionais expectativas de ser homem —forte, conquistador, potente e  assustador—, atributos que se convertem em fatores de risco para o surgimento da  gravidez precoce e outras problem&aacute;ticas sociais como a viol&ecirc;ncia, o cont&aacute;gio com  DSTs, a infidelidade e o abuso sexual e psicol&oacute;gico que assistimos nas rela&ccedil;&otilde;es  de casais. Podemos afirmar que a educa&ccedil;&atilde;o sexual para os adolescentes do sexo  masculino est&aacute; muito limitada e encaminhada para a normatiza&ccedil;&atilde;o da  heterossexualidade.</p>      <p>N&atilde;o obstante, a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica desses grupos e as constru&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas  contra-hegem&ocirc;nicas que est&atilde;o sendo elaboradas v&atilde;o descolocando o car&aacute;ter  "natural" que tradicionalmente foi atribu&iacute;do ao sujeito feminino ou ao  masculino, mostrando que existe um processo de constru&ccedil;&atilde;o de "sujeitos de  g&ecirc;nero", o qual nos possibilita falar de diversidades de g&ecirc;nero.</p>      <p>Sabemos que, por meio do discurso, os jovens aprendem quais comportamentos devem  valorizar, quais atitudes e gestos s&atilde;o adequados para cada um dos sexos e  g&ecirc;neros, ou seja, "ao representar determinadas identidades e excluir outras, o  discurso busca, de maneira intencional, constituir e fixar os sujeitos sociais  em identidades espec&iacute;ficas de g&ecirc;nero e de sexualidade" (Louro 2002, 46). Assim,  por meio das linguagens e dos sil&ecirc;ncios, ensinam-se quais s&atilde;o as atitudes  consideradas adequadas a um adolescente, bem como o que podem e devem fazer.</p>      <p>As escolas foram se especializando em legitimar e perpetuar esses atributos que,  tradicionalmente, t&ecirc;m sido designados para ser homem e ser mulher. Sobre eles,  continuam sendo estabelecidas rela&ccedil;&otilde;es de exclus&atilde;o, subordina&ccedil;&atilde;o e opress&atilde;o  entre os g&ecirc;neros, inclusive no interior de um mesmo g&ecirc;nero, tanto que o discurso  de muitas professoras a respeito das adolescentes que engravidam &eacute; de julgamento  moral e desprezo, pela impureza moral que o corpo gr&aacute;vido representa. Os  rapazes, como n&atilde;o aparentam no corpo a marca da gravidez simbolizada pela  barriga que cresce, n&atilde;o s&atilde;o estigmatizados e em alguma medida s&atilde;o inclusive  aplaudidos, pois s&atilde;o dados como sendo machos ao fecundarem a adolescente.</p>      <p>Realmente, ao menos no que tange &agrave; sexualidade, as escolas foram se distanciando  abismalmente da miss&atilde;o libertadora que envolve a apropria&ccedil;&atilde;o do conhecimento  cient&iacute;fico. Seria um bom ponto de an&aacute;lise entre os docentes o questionamento da  fun&ccedil;&atilde;o opressora que as institui&ccedil;&otilde;es educativas ainda operam em nossos dias, em  contraposi&ccedil;&atilde;o a uma educa&ccedil;&atilde;o emancipat&oacute;ria.</p>      <p>Percebemos tamb&eacute;m uma certa banaliza&ccedil;&atilde;o sobre o abandono escolar de uma aluna gr&aacute;vida. J&aacute;  era esperado que o fato ocorresse, como afirma uma das entrevistadas quando diz  que "no ano retrasado, n&oacute;s tivemos uma menina do sexto ano, rec&eacute;m tinha  completado 13 anos, ela engravidou, teve o beb&ecirc;, deixou de vir para a escola e  agora a gente ficou sabendo que ela j&aacute; est&aacute; na segunda gravidez esse ano"  (Coordenadora pedag&oacute;gica 2015). Outra diz: "o que a gente v&ecirc; aqui na escola &eacute;  que as meninas abandonam tudo, abandonam estudo, elas t&ecirc;m que se dedicar &agrave;  crian&ccedil;a, inclusive a gente j&aacute; recebeu alunos de meninas que foram gestantes na  adolesc&ecirc;ncia, e geralmente s&atilde;o alunos com muitos problemas a serem resolvidos,  ent&atilde;o eu vejo como algo que n&atilde;o &eacute; bom" (Diretora 2015). Ou seja, o estigma  existente sobre a m&atilde;e adolescente como sendo algu&eacute;m com problemas se estende  sobre sua prole.</p>      <p>Nossa investiga&ccedil;&atilde;o corrobora com os achados de Gait&aacute;n (2014) sobre formas de  regula&ccedil;&atilde;o dos corpos e sexualidades de mulheres jovens e as disputas de sentidos  que, em torno da maternidade e do aborto, se produzem na implementa&ccedil;&atilde;o de uma  pol&iacute;tica social na Regi&atilde;o Metropolitana de Buenos Aires. Em tal implementa&ccedil;&atilde;o,  determinados comportamentos s&atilde;o constru&iacute;dos como leg&iacute;timos e ileg&iacute;timos para  m&atilde;es jovens e somente aparece um tipo de identidade sexual abordada: a  heterossexualidade.</p>      <p><b>Pouco tratamento de temas como aborto, maternidade/paternidade e diversidade</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em nossos di&aacute;logos, emergia com insist&ecirc;ncia certo mal-estar e ang&uacute;stia entre os  docentes diante da tarefa de abordar temas de educa&ccedil;&atilde;o sexual. No entanto, falar  sobre a biologia dos corpos, DSTs/HIV/S&iacute;ndrome  de Imunodefici&ecirc;ncia Adquirida (Aids) e os m&eacute;todos  anticonceptivos n&atilde;o representa a mesma dificuldade para eles em compara&ccedil;&atilde;o aos  outros temas da sexualidade humana que s&atilde;o dif&iacute;ceis de serem compreendidos,  aceitos e dialogados abertamente, como o tema da diversidade sexual.</p>      <p>&Eacute; habitual que, diante da indaga&ccedil;&atilde;o, questionamento ou curiosidade dos estudantes por um  conjunto de temas sobre a sexualidade, aconte&ccedil;a a evas&atilde;o dos docentes que se  sentem desprovidos de conhecimentos e ferramentas para abordar esses temas.  Assim, resta pouco espa&ccedil;o para que os adolescentes encontrem respostas para as  suas d&uacute;vidas. O risco de dar in&iacute;cio a um c&iacute;rculo vicioso no qual estudantes e  docentes se frustrem &eacute; muito prov&aacute;vel. Sem d&uacute;vidas, nesse v&iacute;nculo, o docente tem  a responsabilidade &eacute;tica de procurar informa&ccedil;&otilde;es e de "armar-se" de  conhecimentos e estrat&eacute;gias para chegar &agrave; aula com um discurso convincente, uma  linguagem compreens&iacute;vel e uma postura inclusiva e emancipat&oacute;ria, tentando  superar as resist&ecirc;ncias e as dificuldades pessoais que possa vivenciar.  Portanto, um educador deve ter clareza do lugar que ocupa no processo de  mudan&ccedil;as necess&aacute;rias para que nossas sociedades sejam mais justas, ainda que  considerem pequenas as mudan&ccedil;as que possam fazer.</p>      <p>Nesse empreendimento, no qual o interesse e o compromisso dos docentes s&atilde;o  fundamentais, tamb&eacute;m &eacute; exigida a participa&ccedil;&atilde;o da equipe diretiva das  institui&ccedil;&otilde;es educativas na cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os que possibilitem a forma&ccedil;&atilde;o e a  atualiza&ccedil;&atilde;o sobre temas de educa&ccedil;&atilde;o sexual, a did&aacute;tica para serem abordados e o  treinamento metodol&oacute;gico para sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e  aperfei&ccedil;oamento.</p>      <p>Figueir&oacute; (2009, 142) destaca que o prop&oacute;sito de educar sexualmente engloba  tamb&eacute;m a possibilidade de os docentes reeducarem-se para atuar como educadores  sexuais em todos os tipos e n&iacute;veis de ensino. Quanto &agrave; quest&atilde;o das diferen&ccedil;as  dos conte&uacute;dos imagin&aacute;rios sobre a sexualidade que circulam entre uma gera&ccedil;&atilde;o e  outra, deve-se ter em conta como um aspecto que constitui uma barreira para a  educa&ccedil;&atilde;o sexual. Esse aspecto n&atilde;o deve ser desvalorizado; ao contr&aacute;rio, deve ser  observado.</p>       <p>Ao analisarmos os temas que s&atilde;o mais evitados pelos docentes ou aqueles que s&atilde;o  considerados mais inc&ocirc;modos, apareceram como mais citados: homossexualidade,  aborto, masturba&ccedil;&atilde;o, sexualidade precoce, as mudan&ccedil;as ao que antes consideravam  uma apar&ecirc;ncia feminina ou masculina, e outros que, inclusive ao nome&aacute;-los,  carregavam express&otilde;es pejorativas, como a transexualidade e o travestismo. Isso  mostra como a escola continua sendo um territ&oacute;rio onde, a nosso ver, n&atilde;o se fala  de "pr&aacute;ticas proibidas".</p>      <p>Outros temas n&atilde;o foram mencionados e tamb&eacute;m est&atilde;o quase ausentes nas pr&aacute;ticas de  educa&ccedil;&atilde;o sexual, como o prazer e os sentimentos nas rela&ccedil;&otilde;es sexuais, os  direitos sexuais e reprodutivos, a responsabilidade paterna e os estere&oacute;tipos de  g&ecirc;nero, que deveriam ser mencionados por seus nexos com a reprodu&ccedil;&atilde;o de  situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o ou omiss&atilde;o, assim como por seus custos e  limita&ccedil;&otilde;es para a autonomia masculina e feminina.</p>       <p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao aborto, dialogar sobre o tema no Brasil &eacute; muito complicado pelo  alcance e pela extens&atilde;o de ideias religiosas que apresentam a interrup&ccedil;&atilde;o de uma  gesta&ccedil;&atilde;o como "homic&iacute;dio", impossibilitando a conquista de um aspecto importante  nos direitos sexuais e reprodutivos. Essas ideias n&atilde;o persistem somente nas  pessoas com mais idade. Um estudo realizado com adolescentes e jovens de ambos  os sexos demonstrou que mais da metade da amostra se manifestou contra o aborto,  mesmo nos casos de estupro ou ante uma situa&ccedil;&atilde;o de risco para a sa&uacute;de materna, o  que evidencia que esses crit&eacute;rios tamb&eacute;m est&atilde;o presentes com muita for&ccedil;a nas  novas gera&ccedil;&otilde;es (Garc&iacute;a, Abramovay e da Silva 2004, 226-228).</p>       <p>Sabemos que o aborto &eacute; afinal buscado pelas mulheres ante uma gravidez n&atilde;o desejada. Pattis  (2000), ao estudar aspectos simb&oacute;licos do aborto provocado e da maternidade,  refere que existem filhos  que nascem e s&atilde;o "abortados" simbolicamente de outras formas todos os dias, pois  n&atilde;o basta parir uma criatura humana apenas biologicamente, &eacute; necess&aacute;rio que os  pais acolham psicologicamente os filhos quando nascem. </p>       <p>Sobre essa situa&ccedil;&atilde;o, Dolto (2000, 28) expressa:</p>   <ul>&#91;...&#93; si un cuerpo est&aacute; marcado por el deseo de muerte o de no vida, de no amor,  de no llamado a su existencia por sus padres, m&aacute;s vale que ese cuerpo no nazca.  M&aacute;s vale que ese embri&oacute;n no llegue a la madurez a que lo haga sin esa acogida  que lo integra de pleno derecho en la alegr&iacute;a, en el grupo en que va a nacer,  pues ese ni&ntilde;o est&aacute; condenado al rechazo de los seres vivos que lo rodean,  rechazo que &eacute;l provocar&aacute; inconscientemente por su actitud, dado que el rechazo  lo ha acompa&ntilde;ado en su encarnaci&oacute;n. Su &eacute;tica inconsciente est&aacute; hecha de odio y  de indiferencia.     </ul>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tema dos direitos sexuais e reprodutivos com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gravidez na  adolesc&ecirc;ncia traz junto consigo conota&ccedil;&otilde;es que com frequ&ecirc;ncia ocupam bastante  tempo nos debates de muitos eventos cient&iacute;ficos, com temas que certamente s&atilde;o  relevantes, mas precisamos tamb&eacute;m problematizar o direito de a adolescente  desejar, conceber, continuar ou interromper uma gesta&ccedil;&atilde;o. A contradi&ccedil;&atilde;o que se  apresenta entre o discurso jur&iacute;dico e o discurso psicol&oacute;gico/m&eacute;dico, que  assinala a aus&ecirc;ncia de estrutura ps&iacute;quica e maturidade anat&ocirc;mico-fisiol&oacute;gica na  adolesc&ecirc;ncia para acolher um beb&ecirc;, necessita continuar sendo repensada,  procurando um encontro entre essas perspectivas.</p>      <p>Da mesma forma que valorizamos o aborto como um tema que urge a ser inclu&iacute;do na  pauta da educa&ccedil;&atilde;o sexual das adolescentes, consideramos que a perspectiva da  educa&ccedil;&atilde;o sexual masculina tamb&eacute;m deve ocupar um espa&ccedil;o no debate sobre as  gesta&ccedil;&otilde;es precoces. Esse tema &eacute; dado como sendo prioridade para ser trabalhado  com as adolescentes, pois como s&atilde;o elas que carregam no corpo a fecunda&ccedil;&atilde;o, a  barriga que cresce promove nelas a marca do estigma do "pecado".</p>      <p>Conforme analisamos anteriormente, n&atilde;o vincular os adolescentes com essa  problem&aacute;tica constitui um grande erro, que podemos evidenciar de imediato na  desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o com a gravidez e, em longo prazo, com uma paternidade  distanciada ou perif&eacute;rica durante a vida adulta. As designa&ccedil;&otilde;es de atributos de  g&ecirc;nero, posicionamentos e espa&ccedil;os reservados de formas diferentes para os  adolescentes condicionam uma percep&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica diferenciada quanto &agrave;  responsabilidade pelas rela&ccedil;&otilde;es sexuais e suas consequ&ecirc;ncias.</p>      <p>O respeito &agrave; diversidade, como um valor que deve regular nossos sistemas de  rela&ccedil;&otilde;es, &eacute;, sem d&uacute;vidas, um recurso de significativa potencialidade pedag&oacute;gica,  educativa e emancipat&oacute;ria do institu&iacute;do, que pelo cotidiano se naturaliza e se  torna acr&iacute;tico. Podemos incluir muitos temas no debate para que os adolescentes  considerem que existem diferentes formas de expressar a sexualidade, de amar e  de desejar; al&eacute;m de perceberem como a express&atilde;o de diferentes possibilidades da  sexualidade nem sempre &eacute; respeitada, conduzindo alguns ao sil&ecirc;ncio, &agrave;  humilha&ccedil;&atilde;o, &agrave; segrega&ccedil;&atilde;o e at&eacute; a serem v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia.</p>       <p>O <i>bullying</i>,<a    name="s2" href="#2"><sup>2</sup></a>  que na atualidade est&aacute; cada vez mais visibilizado nas escolas, na maioria das  vezes est&aacute; associado a discrimina&ccedil;&otilde;es que se constroem a partir de estere&oacute;tipos  de g&ecirc;nero que contradizem a ideia de pensar a sexualidade, os corpos e os  desejos a partir de uma perspectiva diversa. O sil&ecirc;ncio dos docentes ante os  comportamentos desrespeitosos e intolerantes favorece a viol&ecirc;ncia  discriminat&oacute;ria diante daqueles que possuem uma apar&ecirc;ncia diferente ou que  expressam sua sexualidade e seus desejos sem ajustar-se ao que determinados  grupos consideram como aceit&aacute;vel ou normal.</p>      <p><b>Conclus&atilde;o: o que acontece nas escolas com adolescentes gr&aacute;vidas&#63;</b></p>      <p>Este estudo, realizado nas escolas estaduais de Novo Hamburgo, sul do Brasil,  nos permitiu tamb&eacute;m identificar situa&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas que t&ecirc;m uma implica&ccedil;&atilde;o  pol&iacute;tica significativa, n&atilde;o somente por acontecerem em espa&ccedil;os p&uacute;blicos como s&atilde;o  as escolas estaduais, mas tamb&eacute;m por estarem opostos &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es e aos ideais  de inclus&atilde;o, igualdade e respeito &agrave; diversidade que defende a sociedade  brasileira.</p>      <p>A adolescente que, por diversas raz&otilde;es, continua com a gravidez n&atilde;o est&aacute;  precisamente o mais pr&oacute;ximo do ideal de feminilidade que foi constru&iacute;do para  essa etapa da vida, inclusive nem sequer nos casos de uma gravidez adolescente  planejada e desejada. A adolescente gr&aacute;vida, de maneira geral, come&ccedil;a a  confrontar as expectativas em torno do seu g&ecirc;nero para essa fase da vida e a  vivenciar situa&ccedil;&otilde;es de evidente exclus&atilde;o e afastamento da escola, sendo que s&atilde;o  sutilmente "convidadas" a permanecerem em casa para ficarem mais "protegidas" ou  simplesmente somem do espa&ccedil;o escolar.</p>      <p>Constatamos que a maioria das adolescentes gr&aacute;vidas que evadem n&atilde;o s&atilde;o objeto de  investimento por parte das escolas ou de cuidados por parte do Conselho Tutelar,  na tentativa de que regressem ao conv&iacute;vio escolar. Ao contr&aacute;rio, o abandono &eacute;  dado como normal e n&atilde;o existe uma preocupa&ccedil;&atilde;o com esse fato, tanto que na  maioria das escolas pesquisadas n&atilde;o h&aacute; sequer um controle dessas ocorr&ecirc;ncias, o  que denota o descaso com esses corpos abjetos. Quando h&aacute; um controle e &eacute; feito o  encaminhamento do abandono escolar da adolescente gr&aacute;vida ao Conselho Tutelar,  por meio do preenchimento e encaminhamento da Ficha de Comunica&ccedil;&atilde;o de Aluno  Infrequente (Ficai), as entrevistadas revelaram que n&atilde;o recebem retorno desse  &oacute;rg&atilde;o. Em raras ocasi&otilde;es, h&aacute; uma visita de algum  conselheiro tutelar na escola ou na casa da aluna que evadiu.</p>      <p>Quando isso ocorre, a educa&ccedil;&atilde;o, seja a informal dom&eacute;stica, seja a instru&ccedil;&atilde;o  escolar, se constitui em uma das bases da exclus&atilde;o e da viol&ecirc;ncia contra o  feminino, muitas vezes a partir de detalhes sutis e quase impercept&iacute;veis que at&eacute;  podem parecer benef&iacute;cios. Os discursos, para Butler (2015), na verdade habitam  corpos, acomodando-se neles. Estes, de fato, carregam discursos como parte de  seu pr&oacute;prio sangue. E ningu&eacute;m pode sobreviver sem, de alguma forma, ser cobrado  pelo discurso (Butler 2015).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os estigmas que rodeiam a gravidez na adolesc&ecirc;ncia marginam a  adolescente e limitam a disposi&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios das institui&ccedil;&otilde;es educativas e  dos governos para projetar pol&iacute;ticas diferenciadas que facilitem a continuidade  dos estudos durante a gravidez e depois do parto. Constatamos, portanto, que  somente algumas escolas realizam o acompanhamento para a continuidade dos  estudos da adolescente gestante em casa, de acordo com a disposi&ccedil;&atilde;o da equipe  diretiva e/ou coordena&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica.</p>      <p>De acordo com Hall (1997), o termo <i>estigma</i> &eacute; de origem grega e se refere  a sinais corporais, uma marca depreciativa atribu&iacute;da a um determinado sujeito  por n&atilde;o estar coerente com as normas e os padr&otilde;es estabelecidos. Assim,  buscava-se evidenciar seu desvio e atributos negativos com a implementa&ccedil;&atilde;o do  estigma, servindo de aviso para os "normais" que deveriam manter-se longe da  pessoa "estragada", "impura", "indigna" e "merecidamente" exclu&iacute;da da  conviv&ecirc;ncia com os "normais". No caso das "m&atilde;es menininhas", como denominamos as  adolescentes que t&atilde;o precocemente vivem a experi&ecirc;ncia da gravidez, essa marca se  imp&otilde;e pela apari&ccedil;&atilde;o da barriga que cresce. Ou seja, a impress&atilde;o do estigma  depende da visibilidade e do conhecimento do "defeito". A partir dessa  confirma&ccedil;&atilde;o, o sujeito se torna desacreditado em suas potencialidades, passando  a n&atilde;o ser mais identificado por seu car&aacute;ter individual, mas de acordo com sua  marca, destruindo-se a visibilidade das outras esferas de sua subjetividade.</p>      <p>No estudo realizado, confirmamos que essas pr&aacute;ticas reguladoras s&atilde;o recorrentes  e produzem estigma sobre a sexualidade e a gravidez na adolesc&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso,  reiteram a exclus&atilde;o escolar/social das adolescentes que fogem &agrave; regra social  imposta: somente as "bem-comportadas" permanecem na escola. As gr&aacute;vidas s&atilde;o  corpos abjetos, na medida em que s&atilde;o corpos cujas vidas n&atilde;o s&atilde;o consideradas  "vidas" e cuja materialidade &eacute; entendida como "n&atilde;o importante" (Butler 2015).</p>       <p>Tamb&eacute;m podemos concluir que as escolas que formaram parte deste estudo v&ecirc;m  desempenhando um papel fracassado na educa&ccedil;&atilde;o sexual de meninos, meninas e  adolescentes, e que a transversaliza&ccedil;&atilde;o da perspectiva de g&ecirc;nero na educa&ccedil;&atilde;o  sexual n&atilde;o existe nesses ambientes, onde prevalece uma educa&ccedil;&atilde;o sexista que  continua reproduzindo modelos de rela&ccedil;&otilde;es hegem&ocirc;nicos e excludentes.</p> <hr size="1">     <p><b> Comentarios </b></p>     <p><a href="#s*" name="*"><sup>*</sup></a> Este artigo apresenta parte dos resultados  da pesquisa "Geografias da exclus&atilde;o das adolescentes gr&aacute;vidas em escolas do sul  do Brasil: corpos abjetos&#63;". Este estudo recebeu apoio de financiamento da  Universidade Feevale e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico  (CNPq), chamada p&uacute;blica MCTI/CNPq 14/2013. </p>         <p><a href="#s1" name="1"><sup>1</sup></a>  		O ensino fundamental no Brasil vai desde a primeira at&eacute; a nona s&eacute;rie. Um  		estudante que n&atilde;o repete nenhuma s&eacute;rie conclui o fundamental entre os 14  		e os 15 anos. </p> 		     <p><a href="#s2" name="2"><sup>2</sup></a>  		Termo ingl&ecirc;s que designa a pr&aacute;tica de atos agressivos, violentos ou  		intimidat&oacute;rios entre estudantes. Quem &eacute; v&iacute;tima de <i>bullying</i> &eacute;  		perseguido, humilhado, intimidado, exclu&iacute;do ou discriminado. </p>        <hr size="1">      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>       <!-- ref --><p>1. Bardin, Laurence. 2002. <i> An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934378&pid=S0123-885X201600030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>2. Barroso, Carmen e Cristina Bruschini. 1982. <i>Educa&ccedil;&atilde;o sexual: debate aberto</i>.  Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934380&pid=S0123-885X201600030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Bonato, Nailda Marinho da Costa. 1996. <i>Educa&ccedil;&atilde;o </i><i> (Sexual) e sexualidade: o velado e o aparente</i>.  Disserta&ccedil;&atilde;o da Mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934382&pid=S0123-885X201600030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>4. Butler, Judith. 2015. <i>C&oacute;mo los cuerpos llegan a ser materia</i>.  http://antroposmoderno.com/antro-articulo.php&#63;id_articulo=1272 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934384&pid=S0123-885X201600030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Dolto, Fran&ccedil;oise. 2000. <i>Lo feminino. Art&iacute;culos y conferencias</i>.  Barcelona: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934385&pid=S0123-885X201600030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Fern&aacute;ndez, Lourdes. 2003. G&eacute;nero y subjetividad. Em <i>Pensando en la Personalidad</i>,  tomo II, 52-65. La Habana: F&eacute;lix Varela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934387&pid=S0123-885X201600030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>7. Figueir&oacute;,  Mary Neide Damico, org. 2009. <i>Educa&ccedil;&atilde;o sexual: m&uacute;ltiplos temas, compromisso  comum.</i> Londrina: Universidade Estadual de Londrina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934389&pid=S0123-885X201600030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Fisher, Nick. 2005. <i>Armando a Barraca: coisas que todo garoto quer saber sobre o  piu-piu, o p&ecirc;nis, o pinto</i>... S&atilde;o Paulo: Cia Melhoramentos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934391&pid=S0123-885X201600030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Foucault, Michel. 1985. <i>Hist&oacute;ria da Sexualidade II: o uso dos prazeres.</i> Rio de  Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934393&pid=S0123-885X201600030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>10. Foucault, Michel. 1998. <i>Vigiar e punir: nascimento da pris&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934395&pid=S0123-885X201600030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>11. Gait&aacute;n, Ana Cecilia. 2014. Algunas reflexiones sobre la construcci&oacute;n cotidiana  de la maternidad y la sexualidad de j&oacute;venes madres en la implementaci&oacute;n de una  pol&iacute;tica social en el conurbano bonaerense. <i>Revista de Estudios Sociales</i>  49: 47-58. <a href="http://dx.doi.org/10.7440/res49.2014.04" target=_blank>http://dx.doi.org/10.7440/res49.2014.04</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934397&pid=S0123-885X201600030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>12. Garc&iacute;a Castro Mary, Miriam Abramovay e Lorena Bernadete da Silva. 2004. <i> Juventudes y sexualidad</i>. Bras&iacute;lia: Unesco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934398&pid=S0123-885X201600030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>13. Hall, Stuart. 1997. The Spectacle of the Other.  Em <i>Representation. Cultural Representations and Signifying</i>, org. Stuart  Hall, 223-290. Londres: Sage — Open University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934400&pid=S0123-885X201600030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>14. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica  (IBGE). 2009. <i>Indicadores Sociodemogr&aacute;ficos e de sa&uacute;de</i> <i>no Brasil.</i>  <a href="http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/indic_sociosaude/2009/indicsaude.pdf" target=_blank>http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/indic_sociosaude/2009/indicsaude.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934402&pid=S0123-885X201600030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>15. Illuz, Eva. 2014. <i>Por qu&eacute; duele el amor</i>. <i>Una explicaci&oacute;n sociol&oacute;gica</i>.  Buenos Aires: Katz Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934403&pid=S0123-885X201600030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>16. Louro, Guacira Lopes. 1997. <i>G&ecirc;nero, sexualidade e educa&ccedil;&atilde;o</i>: <i>uma  perspectiva p&oacute;s-estruturalista</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934405&pid=S0123-885X201600030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>17. Louro, Guacira Lopes. 2002. G&ecirc;nero: quest&otilde;es para a educa&ccedil;&atilde;o. Em <i> G&ecirc;nero, democracia e sociedade brasileira</i>, orgs. Cristina Bruschini e Sandra  G. Unbehaum, 225-242. S&atilde;o Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o Carlos Chagas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934407&pid=S0123-885X201600030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>18. Objetivos del Desarrollo del Milenio (ODM). 2010. <i>Informe 2010.  Naciones Unidas Nueva York</i>.  <a href="http://mdgs.un.org/unsd/mdg/Resources/Static/Products/Progress2010/MDG_Report_2010_Es.pdf" target=_blank>http://mdgs.un.org/unsd/mdg/Resources/Static/Products/Progress2010/MDG_Report_2010_Es.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934409&pid=S0123-885X201600030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>19. Montesinos, Rafael. 1999. <i>Las rutas de la masculinidad. Ensayos sobre el cambio cultural y el  mundo moderno</i>. M&eacute;xico:  Gedisa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934410&pid=S0123-885X201600030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>20. Moreno, Ana Carolina e Gabriela Gon&ccedil;alves.  2015. <i>No Brasil, 75% das adolescentes que t&ecirc;m filhos est&atilde;o fora da escola</i>.  S&atilde;o Paulo.  <a href="http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/03/no-brasil-75-das-adolescentes-que-tem-filhos-estao-fora-da-escola.html" target=_blank>http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/03/no-brasil-75-das-adolescentes-que-tem-filhos-estao-fora-da-escola.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934412&pid=S0123-885X201600030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>21. Pattis, Eva. 2000. <i>Aborto, perda e renova&ccedil;&atilde;o: um  paradoxo na procura da identidade feminina</i>. S&atilde;o Paulo: Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934413&pid=S0123-885X201600030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>22. Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). 2008. <i> Objetivos del desarrollo del Milenio Informe 2008</i>. <a href="http://www.un.org/es/millenniumgoals/pdf/MDG_Report_2008_SPANISH.pdf" target=_blank>http://www.un.org/es/millenniumgoals/pdf/MDG_Report_2008_SPANISH.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934415&pid=S0123-885X201600030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>23. Ribeiro, Paulo Rennes Marcal. 2004. Os momentos hist&oacute;ricos da educa&ccedil;&atilde;o  sexual no Brasil. Em <i>Sexualidade e educa&ccedil;&atilde;o: aproxima&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias</i>,  org. Paulo Rennes Marcal Ribeiro, 15-25. S&atilde;o Paulo: Arte &amp; Ci&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934416&pid=S0123-885X201600030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>24. Quaresma da Silva, Denise R. 2007. A sexualidade e a educa&ccedil;&atilde;o sexual nas  escolas atrav&eacute;s dos tempos. Em <i>Forma&ccedil;&atilde;o de professores:</i> <i>a articula&ccedil;&atilde;o  entre os diferentes saberes</i>, orgs. Denise Arina Francisco Valduga e Mireila  de Souza Menezes, 107-126. Novo Hamburgo: Feevale.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934418&pid=S0123-885X201600030000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>25. Quaresma da Silva, Denise R. 2008. Discurso e g&ecirc;nero: uma discuss&atilde;o sobre  modos de enunciar o feminino. Palestra apresentada no Semin&aacute;rio Internacional  Fazendo G&ecirc;nero: Corpo, Viol&ecirc;ncia e Poder, Florian&oacute;polis. Universidade de Santa  Catarina. <a href="http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST54/Silva-Mello_54.pdf" target=_blank> http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST54/Silva-Mello_54.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934420&pid=S0123-885X201600030000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>26. Quaresma da Silva, Denise R. 2012.  La producci&oacute;n de lo normal y lo anormal: un estudio sobre creencias de g&eacute;nero y  sexualidad entre docentes de escuelas municipales de Novo Hamburgo/Brasil. <i> Subjetividad y procesos cognitivos</i> 16 (1).  <a href="http://www.scielo.org.ar/scielo.php&#63;script=sci_arttext&pid=S1852-73102012000100008" target=_blank>http://www.scielo.org.ar/scielo.php&#63;script=sci_arttext&amp;pid=S1852-73102012000100008</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934421&pid=S0123-885X201600030000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>27. Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica — Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, Brasil.  2015. Raseam. <i>Relat&oacute;rio Anual Socioecon&ocirc;mico da Mulher 2014</i>.  <a href="http://www.spm.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/publicacoes/2015/livro-raseam_completo.pdf" target=_blank>http://www.spm.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/publicacoes/2015/livro-raseam_completo.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934422&pid=S0123-885X201600030000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>28. Say&atilde;o, Yara. 1997. Orienta&ccedil;&atilde;o sexual na escola: os territ&oacute;rios poss&iacute;veis e  necess&aacute;rios. Em <i>Sexualidade na escola:</i> <i>alternativas te&oacute;ricas e  pr&aacute;ticas</i>, org. Julio Groppa Aquino, 107-118. S&atilde;o Paulo: Summus Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934423&pid=S0123-885X201600030000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><b>Entrevistas</b></p>       <!-- ref --><p>29. Orientadora educacional. Dezembro de 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934426&pid=S0123-885X201600030000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>30. Coordenadora pedag&oacute;gica. Agosto de 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934428&pid=S0123-885X201600030000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>31. Diretora. Setembro de 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2934430&pid=S0123-885X201600030000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>   		<hr size="1"> 		    <p>Data de recep&ccedil;&atilde;o: 30 de setembro de 2015 Data de aceita&ccedil;&atilde;o: 26 de janeiro de 2016 Data de modifica&ccedil;&atilde;o: 15 de abril de 2016</p>  </font>      ]]></body><back>
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