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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present article focused on the perception of sexual exploitation as a job, using a single case study design. The aim of the study was to investigate the case of a 14 year-old girl, involved in commercial sexual exploitation, who considered this situation as her labor activity. A content analysis showed protective and risk factors as categories, especially related to her labor activities. The girl perceived the sexual exploitation activity as a job that provided autonomy, subsistence, and survival. The study revealed that the negative effects of working during adolescence may bring consequences to health and development. Youth work may be defined as a risk factor, especially when the labour conditions are not adequate and protected.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p align="center"><b><font size="4">Explora&ccedil;&atilde;o sexual e trabalho na adolesc&ecirc;ncia: Um estudo de caso</font></b></p>     <p align="center"><b><font size="3">Sexual exploitation and labor during adolescence: A case study</font></b></p>     <p><b>LUCIANA DUTRA-THOM&Eacute; <sup>*</sup> </b></p>     <p><b>ELDER CERQUEIRA SANTOS </b></p>     <p><b>SILVIA HELENA KOLLER</b></p>     <p><sup>*</sup>    Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, Rua Ramiro Barcelos, 2600 - Bairro Santa Cec&iacute;lia, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP 90035-003. E-mails: <a target="_blank" href="mailto:lucianaduth@gmail.com">lucianaduth@gmail.com</a>, <a target="_blank" href="mailto:eldercerqueira@yahoo.com.br">eldercerqueira@yahoo.com.br</a>, <a target="_blank" href="mailto:silvia.koller@gmail.com">silvia.koller@gmail.com</a></p>     <p>Recibido: agosto 5 de 2009       Revisado: diciembre 14 de 2009       Aceptado: mayo 10 de 2010</p> <hr>     <p align="center"><b>Para citar este art&iacute;culo.</b> </p>     <p>Dutra-Thom&eacute;, L., Cerqueira-Santos, E. &amp; Koller, S. H. (2011). Explora&ccedil;&atilde;o sexual e trabalho na adolesc&ecirc;ncia: Um estudo de caso. <i>Universitas Psychologica, 10 </i>(3),<b> </b>881-896.</p> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resumo</b></p>     <p>O presente artigo teve como foco a explora&ccedil;&atilde;o sexual percebida como trabalho, com delineamento de estudo de caso &uacute;nico. O objetivo foi investigar o caso de uma menina de 14 anos, em situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial, que informava em uma entrevista semi-estruturada, ser esta a sua atividade laboral. Foram levantadas categorias relacionadas aos fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o na vida da jovem, especialmente relacionados ao trabalho. Constatou-se que a jovem percebia a atividade como um trabalho que lhe proporcionava autonomia, subsist&ecirc;ncia e sobreviv&ecirc;ncia. No entanto, os efeitos negativos da explora&ccedil;&atilde;o sexual e de sua percep&ccedil;&atilde;o desta como atividade laboral eram evidentes sobre sua sa&uacute;de e seu desenvolvimento. O trabalho juvenil pode ser considerado um fator de risco, <i>como no presente estudo de caso, </i>principalmente quando as condi&ccedil;&otilde;es laborais n&atilde;o se d&atilde;o de forma adequada e protegida. </p>     <p><b>Palavras-chave autores:</b> Adolesc&ecirc;ncia, trabalho, fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o sexual. </p>     <p><b>Palavras-chave plus: </b>Psicolog&iacute;a del desarrollo, investigaci&oacute;n cualitativa, estudio de caso.</p> <hr>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>The present article focused on the perception of sexual exploitation as a job, using a single case study design. The aim of the study was to investigate the case of a 14 year-old girl, involved in commercial sexual exploitation, who considered this situation as her labor activity. A content analysis showed protective and risk factors as categories, especially related to her labor activities. The girl perceived the sexual exploitation activity as a job that provided autonomy, subsistence, and survival. The study revealed that the negative effects of working during adolescence may bring consequences to health and development. Youth work may be defined as a risk factor, especially when the labour conditions are not adequate and protected. </p>     <p><b>Key words authors:</b> Adolescence, work, protective and risk factors, sexual exploitation.</p>     <p><b>Key words plus:</b> Developmental psychology, qualitative research, case study.</p>     <p>SICI: 1657-9267(201112)10:3&lt;881:ESETNA&gt;2.3.TX;2-A</p> <hr>     <p>A explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescente (ESCA) &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o dos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente, e tem sido considerada dentro do grande tema da viol&ecirc;ncia sexual, diferenciandose do abuso sexual pelo seu car&aacute;ter comercial (ver  <a href="#f1">Figura 1</a>). Junto com o tr&aacute;fico de drogas, caracteriza-se como uma das piores formas de trabalho infanto-juvenil. Atividades dessa natureza  distanciam-se das diretrizes do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA, 1990), as quais definem que &eacute; proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condi&ccedil;&atilde;o de aprendiz (Artigo 60). Quando existente, deve ocorrer de forma protegida - sem prejudicar a educa&ccedil;&atilde;o e a vida comunit&aacute;ria do indiv&iacute;duo em desenvolvimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f1"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19f1.jpg"></a></p>     <p>A viol&ecirc;ncia sexual contra os adolescentes &eacute; evidenciada por qualquer atividade entre um adolescente e um adulto ou outro adolescente que, pela idade ou est&aacute;gio do desenvolvimento, est&aacute; em uma rela&ccedil;&atilde;o de responsabilidade, confian&ccedil;a ou for&ccedil;a. A atividade sexual, nestes casos, &eacute; destinada para gratifica&ccedil;&atilde;o ou satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades desta outra pessoa adulta ou mais forte. Isto pode incluir (mas n&atilde;o se limita) a indu&ccedil;&atilde;o ou coer&ccedil;&atilde;o de um(a) adolescente para engajar-se em qualquer atividade sexual, a explora&ccedil;&atilde;o de um(a) adolescente em sexo comercial ou outra pr&aacute;tica sexual ilegal e o uso de adolescentes em <i>performances </i>ou materiais pornogr&aacute;ficos (World Health Organization, 1999). Esta defini&ccedil;&atilde;o vale quando a atividade sexual &eacute; dirigida ou envolve tamb&eacute;m crian&ccedil;as. Tal viola&ccedil;&atilde;o de direitos, que antes do ECA (1990) era conhecida como prostitui&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil, passa a ser denominada, de acordo com Leal (1999), como explora&ccedil;&atilde;o sexual infanto-juvenil. Desta forma, muda-se o foco dos adolescentes como atores para v&iacute;timas da situa&ccedil;&atilde;o, tirando a autonomia e evidenciando a pr&aacute;tica criminosa de outros (Serpa, 2009). Nesse sentido, o foco da vitimiza&ccedil;&atilde;o deve orientar a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno, considerando que a atividade de venda do corpo para fins sexuais torna-se uma experi&ecirc;ncia presente na vida do(a) jovem que a executa e, portanto, constituinte de sua identidade.</p>     <p>A atividade sexual envolvendo explora&ccedil;&atilde;o comercial est&aacute; relacionada ao uso do corpo adolescente por troca por dinheiro, satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades b&aacute;sicas e/ou de consumo (Faleiros, 2004). A l&oacute;gica de mercado est&aacute; presente na atividade, a partir da qual a pessoa pode arcar com suas necessidades financeiras. Portanto, a dimens&atilde;o laboral est&aacute; implicada no universo da explora&ccedil;&atilde;o sexual. Caracteriza-se como uma forma de trabalho perversa, desprotegida e degradante. Neste contexto de an&aacute;lise, cabe resgatar que um dos significados conferidos ao termo trabalho &eacute; o de mercadoria, uma vez que o fazer profissional est&aacute; ligado &agrave; atividade remunerada, cuja finalidade &eacute; proporcionar a sobreviv&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos e a satisfa&ccedil;&atilde;o de suas necessidades (Zanini, F&uuml;rstenau, Pacini &amp; Merlo, 2004).</p>      <p>Para Lib&oacute;rio (2005), a explora&ccedil;&atilde;o sexual consiste em viol&ecirc;ncia interpessoal, que ocorre em rela&ccedil;&otilde;es pessoais pr&oacute;ximas, dentro ou fora da fam&iacute;lia. Estas favorecem a vulnerabiliza&ccedil;&atilde;o das mulheres, crian&ccedil;as e adolescentes. Estes protagonistas est&atilde;o inseridos em um mercado do sexo que utiliza o <i>marketing </i>e a publicidade para divulgar a hipererotiza&ccedil;&atilde;o do corpo feminino, fortalecendo l&oacute;gicas de submiss&atilde;o e desqualifica&ccedil;&atilde;o da mulher (Leal, 1999), independentemente de sua idade.</p>     <p>A explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; uma viol&ecirc;ncia que gera trauma e que envolve fatores sociais, culturais ou econ&oacute;micos, que afetam o desenvolvimento de crian&ccedil;as e adolescentes. Uma s&eacute;rie de riscos &eacute; apresentada na vida de crian&ccedil;as e adolescentes expostos a esta condi&ccedil;&atilde;o. No entanto, estes riscos n&atilde;o aparecem apenas ap&oacute;s o envolvimento concreto com a explora&ccedil;&atilde;o sexual da pr&oacute;pria crian&ccedil;a/adolescente. Aspectos estruturais, familiares, sociais e pessoais podem anteceder esta concretiza&ccedil;&atilde;o nas suas vidas, ou seja, crescer em uma fam&iacute;lia na qual o abuso sexual &eacute; corrente ou h&aacute; a presen&ccedil;a de outros fatores de risco, como empobrecimento, viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e f&iacute;sica, uso de drogas e &aacute;lcool, prostitui&ccedil;&atilde;o, conflitos com a lei, pris&otilde;es, resid&ecirc;ncia em comunidade violenta, desemprego, entre outros (Koller &amp; De Antoni, 2004).</p>     <p>Nesse contexto, &eacute; poss&iacute;vel identificar a exist&ecirc;ncia dos fatores de risco, que s&atilde;o aspectos pessoais, ambientais ou culturais que atuam como obst&aacute;culo ao desenvolvimento (em n&iacute;vel individual ou social) e que potencializam a vulnerabilidade das pessoas a resultados indesej&aacute;veis ao longo do seu ciclo vital (Pesce, Assis, Santos &amp; Oliveira, 2004). Em uma revis&atilde;o sobre o abuso sexual contra crian&ccedil;as e adolescentes, Amazarray e Koller (1998) ressaltaram que as consequ&ecirc;ncias deste tipo de viol&ecirc;ncia para crian&ccedil;as e adolescentes podem ser f&iacute;sicas, emocionais, sexuais e sociais (comportamento interpessoal). Segundo De Antoni (2000), o abuso emocional ou psicol&oacute;gico &eacute; evidenciado pelo preju&iacute;zo &agrave; compet&ecirc;ncia emocional das crian&ccedil;as/ adolescentes, influenciando principalmente sua capacidade de sentir emo&ccedil;&otilde;es positivas por outros, de se sentirem bem consigo mesmas e de construir expectativas adequadas de futuro.</p>     <p>Fatores de prote&ccedil;&atilde;o s&atilde;o definidos como aspectos pessoais ou do contexto, capazes de reduzir os efeitos dos fatores de risco e garantir o desenvolvimento humano daqueles expostos a eles (Masten, 2001). Componentes biol&oacute;gicos, como a sa&uacute;de f&iacute;sica e o temperamento, a experi&ecirc;ncia da pessoa com o ambiente, a constitui&ccedil;&atilde;o da auto-estima, auto-efic&aacute;cia e a confian&ccedil;a s&atilde;o aspectos pessoais relevantes para a prote&ccedil;&atilde;o. No ambiente, s&atilde;o considerados como fatores de prote&ccedil;&atilde;o os aspectos socioecon&oacute;micos e a rede social e emocional de apoio gerada pela comunidade na qual a pessoa est&aacute; inserida (De Antoni, 2000).</p>     <p>Uma an&aacute;lise bioecol&oacute;gica do desenvolvimento, segundo a proposta de Bronfenbrenner (1979/1996) e Bronfenbrenner e Morris (1998) considera a presen&ccedil;a e associa&ccedil;&atilde;o de fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o. Como os elementos de an&aacute;lise da abordagem bioecol&oacute;gica do desenvolvimento humano levam em conta a pessoa, seus processos psicol&oacute;gicos, o momento de vida e sua hist&oacute;ria (tempo) e o seu ambiente de desenvolvimento (contexto), a influ&ecirc;ncia da explora&ccedil;&atilde;o sexual tem v&aacute;rias repercuss&otilde;es. A exposi&ccedil;&atilde;o a uma hist&oacute;ria de abuso e explora&ccedil;&atilde;o influencia na forma como a pessoa se percebe e lida com as adversidades (processo), que pode variar a partir do contexto e do tempo no qual est&aacute; vivendo (Cecconello, 2003).</p>     <p>A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica ou familiar, principalmente o abuso sexual, tem sido apontada como fator de risco para a explora&ccedil;&atilde;o sexual. Para fugir dela, muitas vezes, adolescentes migram para as ruas (Raffaelli et al., 2001). Neste contexto e sem apoio, a explora&ccedil;&atilde;o sexual passa a ser vista como uma estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia (Lib&oacute;rio, 2005), no entanto, passam a estar expostos &agrave; viol&ecirc;ncia social ou na comunidade. Conforme apontaram Verado, Reis e Veiga (1999), o corpo dos(das) adolescentes j&aacute; foi usado como uma ferramenta de sedu&ccedil;&atilde;o e, com isso, passar a ser usado como estrat&eacute;gia para sobreviver pode ser algo previs&iacute;vel. Portanto, o envolvimento com a explora&ccedil;&atilde;o sexual pode se apresentar como uma alternativa. Outros fatores de risco associados pela literatura com a explora&ccedil;&atilde;o sexual s&atilde;o alto &iacute;ndice de uso de drogas (&aacute;lcool, maconha, crack ou coca&iacute;na), assim como baixa escolaridade ou analfabetismo (Lib&oacute;rio, 2005; Serpa, 2009).</p>     <p>Observa-se que, apesar da redu&ccedil;&atilde;o das piores formas de trabalho infanto-juvenil conquistada nos &uacute;ltimos anos, ainda persiste um amplo n&uacute;mero de crian&ccedil;as e adolescentes que participam de atividades econ&oacute;micas, entre as quais est&atilde;o inclu&iacute;das o tr&aacute;fico de drogas e a explora&ccedil;&atilde;o sexual. Al&eacute;m dos fatores econ&oacute;micos, a complexidade do tema &eacute; perpassada por quest&otilde;es culturais e ideol&oacute;gicas, as quais est&atilde;o intimamente associadas &agrave; dificuldade da erradica&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil e &agrave; mudan&ccedil;a de comportamento necess&aacute;ria para tal finalidade (Amazarray, Dutra-Thom&eacute;, Poletto &amp; Koller, 2007).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A explora&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra infanto-juvenil est&aacute; vinculada &agrave; fragilidade deste contexto, que, por vezes, incorpora crian&ccedil;as e adolescentes ao mercado de trabalho, enquanto, por outro lado, h&aacute; m&atilde;o-de-obra adulta excedente (Assun&ccedil;&atilde;o &amp; Dias, 2002; Oliveira, 1987). A explora&ccedil;&atilde;o do trabalho infanto-juvenil persiste na contemporaneidade devido a uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores, como a condi&ccedil;&atilde;o de miserabilidade e vulnerabilidade das fam&iacute;lias, a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a p&eacute;ssima distribui&ccedil;&atilde;o de renda no Brasil (Marques, Neves &amp; Neto, 2002). Neste cen&aacute;rio, os jovens se v&ecirc;em obrigados a trabalhar para garantir o pr&oacute;prio sustento ou de sua fam&iacute;lia. N&atilde;o &eacute; incomum que o trabalho infanto-juvenil seja concebido como parte complementar das atribui&ccedil;&otilde;es familiares, segundo a l&oacute;gica das obriga&ccedil;&otilde;es, que caracteriza as rela&ccedil;&otilde;es nas fam&iacute;lias carentes (Sarti, 1996).</p>     <p>De acordo com estimativa da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT, 2006), existem no mundo mais de 246 milh&otilde;es de crian&ccedil;as e adolescentes trabalhadores com idade entre cinco e 17 anos. Desses, mais de 100 milh&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m acesso a qualquer tipo de educa&ccedil;&atilde;o e, para a maioria, tempo para brincar &eacute; um luxo que n&atilde;o est&aacute; ao seu alcance. Segundo Barros e Santos (1996), o trabalho infanto-juvenil &eacute; um dos mecanismos de transmiss&atilde;o intergeracional da pobreza, especialmente porque, em geral, os pais das crian&ccedil;as trabalhadoras tamb&eacute;m realizaram esta atividade na sua inf&acirc;ncia.</p>     <p>Nesse contexto de an&aacute;lise, &eacute; pertinente situar o papel do trabalho na vida dos indiv&iacute;duos, uma vez que os significados que permeiam a palavra trabalho perpassam, por exemplo, a id&eacute;ia de reconhecimento social, viabilizado pela realiza&ccedil;&atilde;o de uma obra capaz de expressar o ser humano (Albornoz, 1986). O trabalho tamb&eacute;m &eacute; descrito como constituinte da identidade do indiv&iacute;duo, uma vez que aquilo que a pessoa produz transforma a si mesma e a natureza. As concep&ccedil;&otilde;es marxistas compreendem que a ess&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo encontra-se na atividade laboral (Jacques, 2003), contribuindo para a constitui&ccedil;&atilde;o do seu mundo psicol&oacute;gico e f&iacute;sico. Estas defini&ccedil;&otilde;es posicionam o trabalho num lugar de destaque para os seres humanos, o que pode estar relacionado com a &ecirc;nfase dada pela pr&oacute;pria participante na explora&ccedil;&atilde;o sexual como atividade laboral, remunerada e para sobreviv&ecirc;ncia. Nesse sentido, esta vari&aacute;vel foi privilegiada e outros  fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o foram investigados em associa&ccedil;&atilde;o a esta.</p>     <p>A partir disso, o objetivo deste estudo foi identificar fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento de uma adolescente em situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual, analisando &agrave; luz desta abordagem, levando em conta a pessoa da adolescente entrevistada, os processos psicol&oacute;gicos e sociais nos quais esteve envolvida em sua trajet&oacute;ria, o momento atual de vida e sua hist&oacute;ria e os seus contextos de desenvolvimento (fam&iacute;lia, escola, lugar de resid&ecirc;ncia, trabalho, rua, institui&ccedil;&atilde;o que frequenta, sociedade, entre outros).</p>     <p><b>M&eacute;todo <i>Delineamento</i></b></p>     <p>Este estudo possui um delineamento de Estudo de Caso &uacute;nico. De acordo com Yin (2005), este tipo de delineamento se prop&otilde;e a investigar um fen&oacute;meno contempor&acirc;neo dentro de seu contexto real, de forma descritiva e explorat&oacute;ria. A escolha da participante e os crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o foram relacionados aos objetivos do estudo. A participante foi escolhida por estar envolvida em uma situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual h&aacute; mais de seis meses, considerando esta atividade como seu trabalho e por se mostrar dispon&iacute;vel para ser entrevistada. Esta disponibilidade pode ser compreendida como um pedido de ajuda diante da viv&ecirc;ncia a que est&aacute; exposta - ainda que a mesma n&atilde;o tenha demonstrado, explicitamente, seu desconforto com a mesma. Trata-se de tem&aacute;tica de estudo mobilizadora para todos os envolvidos na compreens&atilde;o do fen&oacute;meno (v&iacute;tima, institui&ccedil;&atilde;o e pesquisadores). O teor do estudo, por seu car&aacute;ter sistem&aacute;tico e rigoroso, pode transmitir uma id&eacute;ia de frieza. Todavia, a equipe de pesquisa n&atilde;o perdeu de vista a delicadeza do tema, bem como a dificuldade de se aproximar da viv&ecirc;ncia genu&iacute;na da jovem. De fato, era o &uacute;nico caso de explora&ccedil;&atilde;o sexual na institui&ccedil;&atilde;o abordada no per&iacute;odo da pesquisa e que concordou imediatamente com a realiza&ccedil;&atilde;o da mesma. Sua &ecirc;nfase &agrave; atividade de explora&ccedil;&atilde;o sexual como um trabalho, que auxiliava na sobreviv&ecirc;ncia, remunera&ccedil;&atilde;o pessoal e identidade profissional, determinou o foco deste estudo.</p>     <p>O delineamento de estudo de caso proposto por Yin (2005) envolveu cinco componentes interligados: 1) as quest&otilde;es de pesquisa; 2) as proposi&ccedil;&otilde;es; 3) a(s) unidade(s) de an&aacute;lise; 4) a l&oacute;gica que vincula os dados &agrave;s proposi&ccedil;&otilde;es; e, 5) os crit&eacute;rios de interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados. As quest&otilde;es de pesquisa estavam relacionadas aos fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o relacionados &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual de uma adolescente. As proposi&ccedil;&otilde;es consistiram em hip&oacute;teses te&oacute;ricas do estudo que orientou os pesquisadores, que visavam a identificar tais fatores como influ&ecirc;ncias no desenvolvimento da adolescente, com esta hist&oacute;ria de vida e no seu contexto de desenvolvimento. A unidade de an&aacute;lise baseou-se na fonte de informa&ccedil;&otilde;es dadas pela adolescente sobre sua vida e a explora&ccedil;&atilde;o sexual. O quarto componente relacionou-se diretamente com a &ecirc;nfase dada pela adolescente &agrave; atividade de explora&ccedil;&atilde;o sexual como um trabalho, que auxiliava na sobreviv&ecirc;ncia, remunera&ccedil;&atilde;o pessoal, identidade profissional e aux&iacute;lio &agrave; sua fam&iacute;lia. O quinto componente desse delineamento - crit&eacute;rio de interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados - baseou-se na an&aacute;lise segundo a abordagem bioecol&oacute;gica do desenvolvimento humano. Estes passos basearam-se nas ideias de Yin (2005) de que a an&aacute;lise de dados pode ser baseada em: 1) proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e 2) descri&ccedil;&atilde;o do caso.</p>     <p>A principal quest&atilde;o de pesquisa consistiu em identificar e caracterizar um caso de explora&ccedil;&atilde;o sexual de uma adolescente de 14 anos de idade. Foram investigadas caracter&iacute;sticas biosociodemogr&aacute;ficas (idade, escolaridade, composi&ccedil;&atilde;o familiar, moradia) e quest&otilde;es abertas sobre a rela&ccedil;&atilde;o da adolescente com a fam&iacute;lia, a experi&ecirc;ncia com a atividade de explora&ccedil;&atilde;o, com o seu corpo, com a comunidade onde vive, e projetos de futuro. Dessas quest&otilde;es gerais, emergiu, durante a pr&oacute;pria entrevista, outra quest&atilde;o espec&iacute;fica: a atividade de explora&ccedil;&atilde;o sexual era considerada como um trabalho, que auxiliava na sobreviv&ecirc;ncia, remunera&ccedil;&atilde;o pessoal e identidade profissional e pessoal. As proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que orientaram a an&aacute;lise desta quest&atilde;o espec&iacute;fica foram duas <i>a priori </i>(1 e 2) e uma <i>a posteriori </i>(3): 1) A explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; um fator de risco em si mesmo para o desenvolvimento humano, sendo considerado um abuso sexual e um evento violento e traum&aacute;tico. 2) A explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; uma atividade remunerada que pode ser definida como um trabalho (ainda que for&ccedil;ado, ilegal e criminalizado). 3) O trabalho &eacute; uma atividade que auxilia na sobreviv&ecirc;ncia pessoal e no aux&iacute;lio &agrave; fam&iacute;lia, tem influ&ecirc;ncia na identidade profissional e pessoal. A unidade de an&aacute;lise principal desse estudo, portanto, foi o caso de uma adolescente de quatorze anos de idade que vive na condi&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual e que a relata como um trabalho. A an&aacute;lise de dados baseia-se na descri&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o do caso, com base nas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas propostas <i>a priori </i>e <i>a posteriori.</i></p>     <p>O m&eacute;todo de estudo de caso &uacute;nico propiciou uma an&aacute;lise abrangente da vari&aacute;vel explora&ccedil;&atilde;o sexual como atividade laboral, levando em conta os contextos de trauma e viol&ecirc;ncia associados a ela. Devido &agrave;s caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas do objeto de estudo e pela necessidade de aproxima&ccedil;&atilde;o da pesquisadora com a participante no contexto institucional, foi realizada inser&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, com base nos princ&iacute;pios da abordagem bioecol&oacute;gica do desenvolvimento humano (Cecconello &amp; Koller, 2003; Eschiletti, Paula, Moura, Poletto &amp; Koller, 2008).</p>     <p><b><i>Relato de Caso</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A participante ser&aacute; chamada ficticiamente de Manuela. Ela tem atualmente 14 anos, &eacute; parda e nasceu em uma cidade do Nordeste do Brasil, onde viveu com a fam&iacute;lia at&eacute; o &uacute;ltimo anivers&aacute;rio, portanto recentemente. Filha de pai e m&atilde;e agricultores analfabetos, ela frequentou a escola de maneira irregular, saindo definitivamente na quarta s&eacute;rie do ensino fundamental. Desde muito cedo ajudava a fam&iacute;lia na lavoura de cana-de-a&ccedil;&uacute;car junto com mais tr&ecirc;s irm&atilde;os (todos meninos).</p>     <p>De fam&iacute;lia patriarcal machista, a inf&acirc;ncia e a entrada na puberdade &quot;foi <i>conturbada&quot;. </i>Relata medos e total desconhecimento de quest&otilde;es sexuais naquela &eacute;poca. Muito cedo (n&atilde;o lembra quando), come&ccedil;ou a ser assediada por um vizinho (cerca de 30 anos) e isto era motivo de confus&otilde;es com os irm&atilde;os mais velhos.</p>     <p>Relata ter sofrido ass&eacute;dio sexual com ofensas e provoca&ccedil;&otilde;es por parte de amigos, vizinhos e at&eacute; dos irm&atilde;os. Diz ter sido <i>&quot;tocada e beijada &agrave; for&ccedil;a por estes&quot;. </i>Aos 13 anos, foi for&ccedil;ada pela fam&iacute;lia a fazer sexo com um vizinho de 18 anos (amigo do irm&atilde;o), provavelmente, segundo informa <i>&quot;como pagamento por uma briga de vizinhos&quot;.</i></p>     <p>Continuou fazendo sexo for&ccedil;ado com o vizinho at&eacute; que engravidou e sofreu aborto. Com todo epis&oacute;dio vindo &agrave; tona, o clima familiar piorou e relata ter sido expulsa da fam&iacute;lia pelo pai que lhe <i>&quot;chamava com palavras de baixo cal&atilde;o&quot;. </i>O pai a amea&ccedil;ava de expuls&atilde;o de casa, at&eacute; que Manuela encontrou uma amiga disposta a fugir da cidade com ela.</p>     <p>Ainda aos 14 anos, fugiu para outro estado e foi abrigar-se na moradia de uma tia da amiga. Vive, atualmente, em uma casa com esta mulher e mais tr&ecirc;s jovens meninas (uma menor e duas maiores de 18 anos), todas oriundas de seu estado natal. Segundo relata, atendem os <i>&quot;clientes nesta casa&quot;.</i></p>     <p>Esta condi&ccedil;&atilde;o de vida foi denunciada, pela suspeita de vizinhos de que a casa seja um lugar de explora&ccedil;&atilde;o sexual e prostitui&ccedil;&atilde;o. O caso est&aacute; sob acompanhamento do Juizado da Inf&acirc;ncia de da Juventude e do Conselho Tutelar e Manuela est&aacute; em atendimento psicol&oacute;gico numa institui&ccedil;&atilde;o. Por n&atilde;o admitir fazer sexo for&ccedil;ado e &quot;proteger&quot; a prov&aacute;vel cafetina, muitas vezes negando sua fun&ccedil;&atilde;o de aliciadora, o caso ainda n&atilde;o chegou &agrave; interven&ccedil;&atilde;o judicial contra esta mulher.</p>     <p>Durante a entrevista da pesquisa revelou claramente a situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual. Diz que faz <i>&quot;sexo para sobreviver, que este &eacute; o seu trabalho e porque quer e gosta desta vida&quot;. </i>Considera que os homens com quem faz sexo s&atilde;o como namorados. N&atilde;o se denomina como &quot;uma <i>prostituta s&oacute; por receber 'agrados' dos homens com quem 'fica'&quot;. </i>Tem alguns rapazes que s&atilde;o clientes freq&uuml;entes e, por isso, considera-os como <i>&quot;ficantes. </i>Diz que <i>&quot;prostituta &eacute; quem vai rodar a bolsinha na cal&ccedil;ada&quot;. </i>Descreve a si mesma como sendo <i>&quot;uma menina bonita e cobi&ccedil;ada e diz que se diverte com isso&quot;. </i>Diz que <i>&quot;nunca &eacute; for&ccedil;ada a fazer sexo com quem n&atilde;o quer&quot;. </i>N&atilde;o acredita que vai voltar para escola ou arrumar outro trabalho. Diz que seu futuro &eacute; <i>&quot;ficar nesta casa&quot;, </i>e aponta o turismo sexual em seu estado natal, como uma possibilidade de ganhar mais dinheiro. Mais detalhes sobre o caso est&atilde;o apresentados na se&ccedil;&atilde;o de Resultados.</p>     <p><b><i>Procedimentos e Instrumentos</i></b></p>     <p>A institui&ccedil;&atilde;o que atende adolescentes exploradas sexualmente e que presta servi&ccedil;os foi contatada. Os objetivos e o procedimento da pesquisa foram apresentados para o respons&aacute;vel e solicitado a sua participa&ccedil;&atilde;o. O Termo de Concord&acirc;ncia da Institui&ccedil;&atilde;o foi assinado. Para a participante, foi a apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisa seguiu as determina&ccedil;&otilde;es do Conselho Federal de Psicologia, Resolu&ccedil;&atilde;o n.16/2000 (2000) e a Resolu&ccedil;&atilde;o n.196 (1996) do Conselho Nacional de Sa&uacute;de, e ECA (1990). A pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc; de Etica em Pesquisa do Grupo Hospitalar Concei&ccedil;&atilde;o de Porto Alegre, e est&aacute; registrada no SISNEP sob o protocolo n. 0142.1.164.000-08.</p>     <p>A inser&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica foi iniciada na institui&ccedil;&atilde;o, a partir de visitas para ambienta&ccedil;&atilde;o com o contexto, conhecimento dos profissionais envolvidos (principalmente da Psicologia) e da participante. Nesta fase, conhecer a rotina da institui&ccedil;&atilde;o e estabelecer conversas informais foi importante para iniciar a vincula&ccedil;&atilde;o da pesquisadora com a participante. A entrevista semi-estruturada foi composta de quest&otilde;es sobre a caracteriza&ccedil;&atilde;o biosociodemogr&aacute;fica (idade, escolaridade, composi&ccedil;&atilde;o familiar, moradia) e quest&otilde;es abertas sobre a rela&ccedil;&atilde;o da adolescente com a fam&iacute;lia, a experi&ecirc;ncia com a atividade de explora&ccedil;&atilde;o, com o seu corpo, com a comunidade onde vive e projetos de futuro. Foi poss&iacute;vel observar que o roteiro de entrevista n&atilde;o possui nenhuma quest&atilde;o espec&iacute;fica relacionada ao entendimento de explora&ccedil;&atilde;o sexual como um trabalho. Ocorre que, a fim de n&atilde;o induzir a participante a esta compreens&atilde;o, optou-se pela n&atilde;o elabora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es diretas, de forma que o conte&uacute;do emergisse espontaneamente no decorrer da entrevista. Pelas respostas da participante, houve interesse em explorar mais a quest&atilde;o relacionada &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual como atividade laboral e isto foi realizado com uma pergunta aberta: Fale mais sobre esta sua vis&atilde;o de que a sua atividade sexual &eacute; o seu trabalho. A pesquisadora utilizou um di&aacute;rio de campo, no qual fez registros sobre o andamento da pesquisa. Os resultados ser&atilde;o devolvidos de forma direta para a institui&ccedil;&atilde;o. O objetivo desta atividade &eacute; de que os resultados possam contribuir com o trabalho de profissionais que lidam diretamente no atendimento de outras adolescentes envolvidas com a pr&aacute;tica da explora&ccedil;&atilde;o sexual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Os resultados est&atilde;o apresentados e discutidos a seguir e visam a responder &agrave; principal quest&atilde;o de pesquisa, que consistiu em identificar e caracterizar um caso de explora&ccedil;&atilde;o sexual de uma adolescente de 14 anos de idade. A <a href="#t1">Tabela 1</a> apresenta a descri&ccedil;&atilde;o biosociodemogr&aacute;fica do caso, com os aspectos investigados na entrevista sobre a sua vis&atilde;o do pr&oacute;prio corpo e do g&ecirc;nero, as proposi&ccedil;&otilde;es abordadas e exemplos de vinhetas das respostas da adolescente.</p>     <p align="center"><a name="t1"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t1.jpg"></a></p>     <p>A <a href="#t2">Tabela 2</a> apresenta a sua vis&atilde;o sobre a fam&iacute;lia de origem e sua inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia.</p>     <p align="center"><a name="t2"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t2.jpg"></a></p>     <p>A <a href="#t3">Tabela 3</a> apresenta a percep&ccedil;&atilde;o sobre si mesma e dos outros sobre si da participante do estudo. A participante d&aacute; ind&iacute;cios na percep&ccedil;&atilde;o da sua atividade como um trabalho, e quer ser reconhecida como pessoa prestadora deste servi&ccedil;o como qualquer outro.</p>     <p align="center"><a name="t3"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t3.jpg"></a></p>     <p>A <a href="#t4">Tabela 4</a> mostra as respostas da adolescente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual. Destacou-se a defini&ccedil;&atilde;o da atividade de explora&ccedil;&atilde;o sexual como um trabalho, que auxiliava na sobreviv&ecirc;ncia, remunera&ccedil;&atilde;o e independ&ecirc;ncia da adolescente. A explora&ccedil;&atilde;o sexual mostrou-se como um fator de risco em si mesmo para o desenvolvimento humano, sendo considerado um abuso sexual e um evento violento e traum&aacute;tico, conforme proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica expressa <i>a priori </i>para an&aacute;lise neste estudo. Por outro lado, a partir da percep&ccedil;&atilde;o da garota, a atividade de explora&ccedil;&atilde;o sexual definida como um trabalho - que lhe proporciona sobreviv&ecirc;ncia e autonomia - pode estar sendo avaliada por ela como fator protetivo. Nesse sentido, a proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica <i>a posteriori </i>tamb&eacute;m confirmou presen&ccedil;a nestes dados, ou seja, a explora&ccedil;&atilde;o sexual apareceu como uma atividade remunerada, que foi definida pela participante como um trabalho. O trabalho para ela, segundo a proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, foi descrito como uma atividade que auxiliava na sobreviv&ecirc;ncia pessoal. O trabalho para ela tem influ&ecirc;ncia na identidade profissional e pessoal.</p>     <p align="center"><a name="t4"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t4.jpg"></a></p>     <p>A <a href="#t5">Tabela 5</a> inlui os fatores de risco pressentes na vida pregressa e atual da adolescente participante do estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="t5"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t5.jpg"></a></p>     <p>Quando Manuela relata que foi abusada sexualmente desde a pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia, com consentimento da fam&iacute;lia, identifica-se, para al&eacute;m da permiss&atilde;o dos pais e irm&atilde;os, uma marca na constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade. De alguma forma, a jovem &eacute; reconhecida como integrante que auxilia nas dificuldades dom&eacute;sticas atrav&eacute;s do oferecimento de seu corpo (Amazarray &amp; Koller, 1998). Registrase, a&iacute;, o quanto o ser humano se constr&oacute;i a partir das a&ccedil;&otilde;es que realiza - ainda que estas possuam car&aacute;ter perverso e desprotegido. Esta marca ficou de tal maneira registrada em sua vida que, mesmo ap&oacute;s sair de casa e das desaven&ccedil;as vividas neste local, segue vendendo seu corpo (De Antoni, 2000; Lib&oacute;rio, 2005). Al&eacute;m disso, justifica esta situa&ccedil;&atilde;o como a execu&ccedil;&atilde;o de uma atividade laboral, que lhe permite sobreviver e ter independ&ecirc;ncia.</p>     <p>A <a href="#t6">Tabela 6</a> inclui os fatores de prote&ccedil;&atilde;o presentes na vida pregressa e atual da adolescente participante do estudo.</p>     <p align="center"><a name="t6"><img src="img/revistas/rups/v10n3/v10n3a19t6.jpg"></a></p>     <p>A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica ou familiar aparece nitidamente, neste caso, como fator de risco para a explora&ccedil;&atilde;o sexual. A adolescente fugiu para outro contexto que tamb&eacute;m apresenta risco, mas segue a</p>     <p>atividade sexual como se fosse o que melhor sabe executar. A explora&ccedil;&atilde;o sexual consiste em uma estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia e de identidade pessoal. A viol&ecirc;ncia social ou da comunidade parece atenuada e n&atilde;o criticada, frente &agrave; viol&ecirc;ncia for&ccedil;ada pela fam&iacute;lia de origem. De acordo com Dutra-Thom&eacute; (2009) jovens trabalhadores sofrem mais viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e na comunidade e possuem maior frequencia de uso de drogas quando comparados jovens n&atilde;o trabalhadores, neste &uacute;ltimo caso, provavelmente por obterem recursos para adquirilas. O alto &iacute;ndice de uso de drogas (&aacute;lcool, maconha, <i>crack </i>ou coca&iacute;na) tem sido identificado como fator de risco associado pela literatura com a explora&ccedil;&atilde;o sexual (Lib&oacute;rio, 2005; Serpa, 2009).</p>     <p>Adolescentes expostos &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual devem ser tratados como v&iacute;timas e receber apoio e assist&ecirc;ncia do Estado. N&atilde;o podem ser tratados como criminosos e merecem aten&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o das suas fam&iacute;lias e comunidades (Pinheiro, 2009). A sa&iacute;da da casa, para obten&ccedil;&atilde;o de sustento pessoal ou para auxiliar &agrave; fam&iacute;lia, est&aacute; associada &agrave; seguran&ccedil;a das crian&ccedil;as e dos adolescentes - que geralmente saem impelidas por uma situa&ccedil;&atilde;o limite de viol&ecirc;ncias, abusos e maus tratos, associada &agrave; quest&otilde;es econ&oacute;micas envolvidas na atividade de explora&ccedil;&atilde;o. Neste caso, Manuela n&atilde;o tinha seguran&ccedil;a nem mesmo em casa ou na sua comunidade de origem, o que provavelmente a leva a exigir menos ainda nos novos contextos nos quais ela se insere. Nesse contexto, a explora&ccedil;&atilde;o sexual, enquanto atividade laboral degradante, aproxima-se da pr&oacute;pria etimologia da palavra trabalho, originada do termo <i>tripalium </i>- referente a instrumento agr&iacute;cola utilizado para tortura (limitador do ser humano) e, ao mesmo tempo, para cultura de cereais (transformador da natureza) (Albornoz, 1986; Borges &amp; Argolo, 2002; Jacques, 2002; Mendes &amp; Morone, 2002; Nardi, 2006). Esta associa&ccedil;&atilde;o se estabelece pelo fato de que a venda do corpo torna-se uma alternativa de trabalho e &uacute;nica fonte de sustento, caracterizada pela perversidade e viola&ccedil;&atilde;o de direitos.</p>     <p>Ainda que exposta a uma forma de trabalho degradante, Manuela parece n&atilde;o possuir no&ccedil;&atilde;o da viola&ccedil;&atilde;o de seus direitos e nem mesmo com a participa&ccedil;&atilde;o na institui&ccedil;&atilde;o luta por eles. A resid&ecirc;ncia em uma casa denunciada como prost&iacute;bulo, a falta de apoio das inst&acirc;ncias reguladoras de seus direitos e de seguran&ccedil;a pessoal, n&atilde;o s&atilde;o questionadas por ela. Por defini&ccedil;&atilde;o, segundo Pinheiro (2009), os entornos de crian&ccedil;as e adolescentes que permitem o trabalho n&atilde;o favorecem a garantia de seus direitos e s&atilde;o omissos na prote&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, psicol&oacute;gica e sexual, especialmente no caso de explora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O prop&oacute;sito principal das campanhas e dos programas pela erradica&ccedil;&atilde;o do trabalho infanto-juvenil e contra a viol&ecirc;ncia tem sido a retirada de crian&ccedil;as/adolescentes de contextos que prejudicam o seu desenvolvimento ao longo do ciclo vital. No caso da explora&ccedil;&atilde;o sexual, este foco deveria ser ainda mais n&iacute;tido, especialmente pela jun&ccedil;&atilde;o de ambos os riscos (trabalho infanto-juvenil e viol&ecirc;ncia) e por favorecer uma economia de mercado perversa. No entanto, a inibi&ccedil;&atilde;o e a extin&ccedil;&atilde;o destas condi&ccedil;&otilde;es de vida n&atilde;o t&ecirc;m sido efetivas. Ao contr&aacute;rio, a retirada de crian&ccedil;as e adolescentes destes contextos, parece ser seguida de uma enxurrada de novos personagens que ocupam seu lugar. Al&eacute;m disso, a configura&ccedil;&atilde;o atual do mercado de trabalho caracteriza-se por rela&ccedil;&otilde;es laborais fragilizadas diante do desemprego, escassas pol&iacute;ticas de gera&ccedil;&atilde;o de renda e mecanismos insuficientes de inser&ccedil;&atilde;o dos jovens no mercado de trabalho (Lima &amp; Minayo-Gomes, 2003). O mercado da explora&ccedil;&atilde;o sexual - que s&oacute; ocorre porque h&aacute; clientela - tornase, portanto, alternativa de sobreviv&ecirc;ncia e tem nutrido uma crescente ind&uacute;stria de pessoas na crise econ&oacute;mica (Cerqueira-Santos, Morais, Moura &amp; Koller, 2008; Pinheiro, 2009). Este panorama evidenciou-se no depoimento da adolescente, ao mencionar sua rela&ccedil;&atilde;o com a clientela a partir do servi&ccedil;o que presta: <i>&quot;Bons os que pagam, ruins os que n&atilde;o pagam&quot;; &quot;Na minha casa e busco eles no bar e no posto de gasolina, vou l&aacute; com as amigas&quot;; &quot;Eu ganho uns R#36;200,00. E pouco. Mas dizem que &eacute; porque o povo aqui &eacute; pobre, paga pouco, tem pouco homem nessa cidade&quot;.</i></p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o no cotidiano de atividades de explora&ccedil;&atilde;o sexual afasta, ainda mais, as crian&ccedil;as e os adolescentes da escolariza&ccedil;&atilde;o e de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, criando um ciclo mal&eacute;fico que afasta as possibilidades de obten&ccedil;&atilde;o de outras atividades laborais e projetos de vida. Manuela j&aacute; apresentava dificuldades de acompanhar sua escola, de acordo com sua idade, tendo sido afastada v&aacute;rias vezes para o trabalho no corte da cana-de-a&ccedil;&uacute;car. Suas poss&iacute;veis dificuldades de aprendizagem, fruto de sua hist&oacute;ria de abuso sexual na fam&iacute;lia e na comunidade, provavelmente poderiam estar - ainda que n&atilde;o relatados - relacionadas &agrave; ansiedade e estados depressivos, express&otilde;es previs&iacute;veis em v&iacute;timas de abuso sexual (Habigzang, Azevedo, Koller &amp; Machado, 2006; Habigzang, Hatzenberger, Dala Corte, Stroeher &amp; Koller, 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A explora&ccedil;&atilde;o sexual, al&eacute;m de gerar sintomas psicopatol&oacute;gicos, poderia expor a sa&uacute;de f&iacute;sica e moral de Manuela (Morais, 2005). Pinheiro (2009) apontou que as crian&ccedil;as e adolescentes envolvidos na explora&ccedil;&atilde;o sexual, em geral, t&ecirc;m condenado esta forma de sobreviver. Classificam esta atividade como criminosa e diferenciada de outros tipos de trabalho (Pinheiro, 2009). Este n&atilde;o &eacute; o caso da participante deste estudo, uma vez que, mesmo planejando no futuro casar e ter uma fam&iacute;lia, identificou-se como uma profissional do sexo. Segundo ela, esta atividade ocupacional lhe permite sobreviver, al&eacute;m de ser aquilo que diz saber fazer. Esta descri&ccedil;&atilde;o, todavia, n&atilde;o descarta o poss&iacute;vel sofrimento impl&iacute;cito presente no caso. Manuela, por exemplo, denomina seus clientes como <i>&quot;ficantes&quot;, </i>uma poss&iacute;vel forma de amenizar o car&aacute;ter  mercadol&oacute;gico da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida com eles. Al&eacute;m disso, descreve em duas passagens <i>&quot;Meu pai j&aacute; disse tamb&eacute;m que n&atilde;o me quer mais. O que eu vou fazer? T&aacute; bom aqui mesmo&quot; </i>e, ao relatar a rela&ccedil;&atilde;o com a poss&iacute;vel cafetina: <i>&quot;Podia ser melhor, mas a culpa n&atilde;o &eacute; da minha tia, a culpa toda &eacute; do meu pai. Ela s&oacute; quer me ajudar&quot;. </i>Estas frases expressam o sofrimento de Manuela perante a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica a que foi exposta e o envolvimento com a explora&ccedil;&atilde;o sexual como uma op&ccedil;&atilde;o de trabalho relacionada com a falta de alternativas mais saud&aacute;veis.</p>     <p>Um estudo em treze pa&iacute;ses sobre a explora&ccedil;&atilde;o sexual na inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia sugere que esta condi&ccedil;&atilde;o est&aacute; aumentando e as atividades criminosas associadas tamb&eacute;m, assim como o turismo sexual, a pornografia e os delitos relacionados &agrave; internet (UNICEF, 2004). As meninas t&ecirc;m sido mais frequentemente identificadas neste esquema de explora&ccedil;&atilde;o, embora meninos tamb&eacute;m sejam envolvidos. A faixa de idade das meninas envolvidas em v&aacute;rios pa&iacute;ses deste relat&oacute;rio est&aacute; entre os 12 e os 14 anos, como no caso deste estudo.</p>     <p>Um dos pontos preocupantes na coloca&ccedil;&atilde;o da entrevistada &eacute;, justamente, a n&atilde;o percep&ccedil;&atilde;o da atividade que executa como uma explora&ccedil;&atilde;o, ou seja, o n&atilde;o reconhecimento da sua situa&ccedil;&atilde;o de v&iacute;tima. Sarriera, Silva, Kabbas e Lopes (2001) descreveram que as primeiras experi&ecirc;ncias laborais constituem a identidade dos jovens em forma&ccedil;&atilde;o, pois servem como um modelo de refer&ecirc;ncia. A adolescente iniciou a execu&ccedil;&atilde;o desta atividade num momento fr&aacute;gil na constru&ccedil;&atilde;o de sua identidade, o que se destacou ao dizer <i>&quot;E minha forma de sobreviver, de ajuda na casa que vivo, de comprar o que preciso. N&atilde;o vou ter outro trabalho. Isto &eacute; o que sou, este &eacute; o meu trabalho&quot;; &quot;Sou independente, n&atilde;o sou prostituta (...) Fa&ccedil;o sexo para sobreviver, que este &eacute; o meu trabalho e porque quero e gosto desta vida&quot;. </i>Nesse sentido, a explora&ccedil;&atilde;o sexual naturalizou-se como elemento que lhe d&aacute; a oportunidade de sobreviver, ser aut&oacute;noma e, at&eacute; mesmo, de reconhecer a si mesma como um ser humano capaz de produzir alguma coisa e, a partir disso, ser reconhecida. De fato, a categoria trabalho, enquanto objeto de reflex&atilde;o, o aponta como um elemento de integra&ccedil;&atilde;o social, fonte de auto-estima e de sentido para a vida das pessoas (Prieb, 2000). O trabalho &eacute; um fator contribuinte para o crescimento do indiv&iacute;duo, de forma a incorporar sentimentos de auto-estima e realiza&ccedil;&atilde;o a sua personalidade (Forastieri, 1997). Entretanto, a execu&ccedil;&atilde;o de uma forma de trabalho degradante, como a exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual, distancia o indiv&iacute;duo dos componentes geradores de sa&uacute;de e desenvolvimento emocional, moral e cognitivo das pessoas, bem como para seu reconhecimento social (Filgueiras &amp; Hippert, 2002).</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     <p>V&aacute;rios fatores de risco presentes no caso de Manuela t&ecirc;m se repetido em estudos internacionais, como aponta a <i>United Nations Secretary-General's</i></p>     <p><i>Study on Violence against Children </i>(2005). Um fator de risco marcadamente presente em v&aacute;rios estudos, inclusive na Am&eacute;rica Latina, tem sido a viol&ecirc;ncia intrafamiliar. A entrada na explora&ccedil;&atilde;o sexual tem sido relacionada com o abandono e a estigmatiza&ccedil;&atilde;o social das crian&ccedil;as e adolescentes (Pinheiro, 2009). Esta condi&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a no pr&oacute;prio microssistema familiar e se alastra para outros contextos de desenvolvimento. Portanto, a v&iacute;tima, em geral, abandona a escola e &eacute; exclu&iacute;da de grupos de iguais.</p>     <p>Outros contextos macrossist&ecirc;micos, tamb&eacute;m marcados pela pobreza e pela desigualdade social, mostram que meninas e meninos s&atilde;o envolvidos em explora&ccedil;&atilde;o sexual como uma estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia, em troca de alimento, habita&ccedil;&atilde;o, acolhida e drogas <i>(Human Rights Watch, </i>2001). Diante da atual configura&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho, caracterizada pela falta de instabilidade nos empregos, crescimento da informalidade e escassa abertura de novos postos de trabalho (Abramovay, Castro, Pinheiro, Lima &amp; Matinelli, 2002), estes adolescentes tornam-se vulner&aacute;veis &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o a formas de trabalho degradantes, como no caso de Manuela. Embora em muitos destes relatos haja associa&ccedil;&atilde;o com tortura e golpes violentos, estes n&atilde;o aparecem no relato de Manuela, que se limita a comentar que, &agrave;s vezes, tem nojo, mas nem isto a limita.</p>     <p>Eventos e resultados negativos ao longo do desenvolvimento j&aacute; existiam anteriormente &agrave; vinda para a casa onde vive atualmente e para as atividades de explora&ccedil;&atilde;o sexual. A vincula&ccedil;&atilde;o e a identifica&ccedil;&atilde;o com o papel de uma profissional foi processual. Os v&iacute;nculos familiares eram fr&aacute;geis e quase inexistentes, assim como o relacionamento com a escola e com a comunidade de origem. Esta lacuna facilitou a inser&ccedil;&atilde;o da adolescente na rede de explora&ccedil;&atilde;o sexual, expondo-a a uma atividade de elevado risco para sua sa&uacute;de f&iacute;sica e mental, privando-a do seu direito a formas protegidas de trabalho. Trata-se de mais uma das diferentes trajet&oacute;rias de vincula&ccedil;&atilde;o com a explora&ccedil;&atilde;o sexual, j&aacute; identificada por Morais (2009), as quais s&oacute; podem ser entendidas se devidamente contextualizadas, a partir das caracter&iacute;sticas individuais e da rede de apoio de cada indiv&iacute;duo.</p>     <p>O n&atilde;o reconhecimento da condi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;tima por parte da pr&oacute;pria participante &eacute; um elemento crucial para entender a sua rela&ccedil;&atilde;o com a atividade laboral. Imaginar que a atividade de ESCA &eacute; uma &quot;alternativa&quot; de sobreviv&ecirc;ncia minimiza a condi&ccedil;&atilde;o degradante e a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o. Este n&atilde;o reconhecimento est&aacute; claramente ligado &agrave; dificuldade de interven&ccedil;&atilde;o em casos como o aqui analisado. Institui&ccedil;&otilde;es de atendimento, profissionais e pesquisadores t&ecirc;m como tarefa desvelar os motivos prim&aacute;rios do envolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o de meninas e meninos na situa&ccedil;&atilde;o de ESCA, recolocandoos, a todo tempo, no local de v&iacute;timas, explorados e retomando a discuss&atilde;o de que s&atilde;o indiv&iacute;duos em forma&ccedil;&atilde;o - os quais precisam de oportunidades de desenvolvimento saud&aacute;vel.</p>     <p>A explora&ccedil;&atilde;o sexual gera preju&iacute;zo para a qualidade de vida dos adolescentes envolvidos. Ocorre de forma processual (Lib&oacute;rio, 2004) e carece de aten&ccedil;&atilde;o da rede de prote&ccedil;&atilde;o, dos programas voltados para essa realidade e de pesquisas psicol&oacute;gicas e sociais sobre a explora&ccedil;&atilde;o sexual (Dos Santos, 2004). Uma an&aacute;lise sob o prisma da abordagem bioecol&oacute;gica do desenvolvimento humano pode ser uma alternativa te&oacute;rico-metodol&oacute;gica que abarque a complexidade do fen&oacute;meno.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A promo&ccedil;&atilde;o do trabalho descente - produtivo, remunerado justamente, que promove seguran&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o social para as fam&iacute;lias, fonte de melhores perspectivas para o desenvolvimento das pessoas e sua integra&ccedil;&atilde;o social (OIT, 2002; Somavia, 2001) - parece estar distante da realidade descrita neste estudo. A adolescente participante n&atilde;o possui maturidade f&iacute;sica, mental e moral para a realiza&ccedil;&atilde;o da atividade que executa, elementos necess&aacute;rios para uma viv&ecirc;ncia profissional repleta de significados, sentido e satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal (Amazarray et al., 2007). Ademais, as limita&ccedil;&otilde;es do estudo n&atilde;o permitiram o estabelecimento do contato com a experi&ecirc;ncia genu&iacute;na de sofrimento da participante, todavia, ficaram evidentes os diversos fatores de risco aos quais Manuela encontra-se exposta. Este contexto de atividade laboral degradante e violador de direitos explicita a necessidade do fen&oacute;meno da explora&ccedil;&atilde;o sexual ser analisado, tamb&eacute;m, atrav&eacute;s de lente da Psicologia do Trabalho.</p>     <p>Diante de um mercado profissional fragilizado, o envolvimento com a explora&ccedil;&atilde;o sexual torna-se alternativa de sobreviv&ecirc;ncia e elemento constituinte da rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com o mundo.</p> <hr>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Abramovay, M., Castro, M. J., Pinheiro, L. C., Lima, F. S. &amp; Matinelli, C. C. (2002). <i>Juventude, viol&ecirc;ncia e vulnerabilidade social na Am&eacute;rica Latina: desafios para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. </i>Bras&iacute;lia: UNESCO/BID.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1657-9267201100030001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Albornoz, S. (1986). <i>O que &eacute; trabalho? </i>(6<sup>&acirc;</sup> ed.). S&atilde;o Paulo: Brasiliense.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1657-9267201100030001900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amazarray, M. &amp; Koller, S. (1998). Alguns aspectos observados no desenvolvimento de crian&ccedil;as v&iacute;timas de abuso sexual. <i>Psicologia Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 11 </i>(3), 546-555.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1657-9267201100030001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amazarray, M. R., Dutra-Thom&eacute;, L., Poletto, M. &amp; Koller, S. (2007). Perspectivas acerca do trabalho infanto-juvenil: ideologias, subjetividade e sa&uacute;de do trabalhador. <i>Laboreal, 3 </i>(2), 22-28.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1657-9267201100030001900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Assun&ccedil;&atilde;o, A. A. &amp; Dias, E. C. (2002). Trabalho precoce: poss&iacute;veis efeitos sobre o desenvolvimento das crian&ccedil;as e adolescentes. <i>Revista Devir: Esquizoan&aacute;lise e seus Encontros, 1 </i>(2), 39-60.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1657-9267201100030001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barros, R. P de &amp; Santos, E. C. (1996). Consequ&ecirc;ncias de longo prazo do trabalho precoce. In A. Fausto &amp; R. Cervini (Eds.), <i>O trabalho e a rua: Crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil urbano dos anos 80 </i>(2<sup>&acirc;</sup> ed., pp. 56-61). S&atilde;o Paulo: Cortez.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1657-9267201100030001900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Borges, L. O. B. &amp; Argolo, J. C. T. (2002). Estrat&eacute;gias Organizacionais na Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de mental do Individuo podem ser eficazes. In M. G. Jacques &amp; W. Codo (Eds.), <i>Sa&uacute;de Mental e Trabalho: leituras </i>(pp. 271-295). Petr&oacute;polis, RJ: Vozes. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1657-9267201100030001900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brasil, Lei Federal 8069/1990. Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, Bras&iacute;lia, DF.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1657-9267201100030001900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brasil, Resolu&ccedil;&atilde;o n&deg; 016/2000 &#91;Conselho Federal de Psicologia&#93;. 20 de dezembro de 2000. Bras&iacute;lia, DF.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1657-9267201100030001900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brasil, Resolu&ccedil;&atilde;o n&deg;196/1996 &#91;Conselho Nacional de Sa&uacute;de&#93;. 16 de outubro de 1996. Bras&iacute;lia, DF.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1657-9267201100030001900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U. (1996). <i>A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados. </i>Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. (Originalmente publicado em 1979)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1657-9267201100030001900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U. &amp; Morris, P (1998). The ecology of developmental processes. In W. Damon (Ed.), <i>Handbookofch&atilde;dpsychology </i>(Vol. 1, pp. 993-1027). New York: John Wiley &amp; Sons, Inc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1657-9267201100030001900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cecconello, A. M. (2003). <i>Resili&ecirc;ncia e vulnerabilidade em fam&iacute;lia em situa&ccedil;&atilde;o de risco. </i>Tese de Doutorado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/2641">http://hdl.handle.net/10183/2641</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1657-9267201100030001900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cecconello, A. M. &amp; Koller, S. H. (2003). Inser&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica na comunidade: uma proposta metodol&oacute;gica para o estudo de fam&iacute;lias em situa&ccedil;&atilde;o de risco. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 16 </i>(3), 515-524.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1657-9267201100030001900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cerqueira-Santos, E., Morais, N. A., Moura, A. &amp; Koller, S. (2008). Explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes: uma an&aacute;lise comparativa entre clientes e n&atilde;o clientes do com&eacute;rcio sexual. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 21 </i>(3), 446-454.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1657-9267201100030001900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>De Antoni, C. (2000). <i>Vulnerabilidade e resili&ecirc;ncia familiar na vis&atilde;o de adolescentes maltratadas. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/2116">http://hdl.handle.net/10183/2116</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1657-9267201100030001900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dos Santos, B. R. (2004). Contribui&ccedil;&otilde;es para um balan&ccedil;o das campanhas de combate ao abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescente no Brasil. In R. M. C. Lib&oacute;rio &amp; S. M. G. Sousa (Orgs.), <i>Explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil: reflex&otilde;es te&oacute;ricas, relatos de pesquisa e interven&ccedil;&otilde;es psicossociais </i>(pp. 99-148). S&atilde;o Paulo/Goi&acirc;nia: Casa do Psic&oacute;logo/Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1657-9267201100030001900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dutra-Thom&eacute;, L. (2009). <i>Explora&ccedil;&atilde;o sexual e trabalho: um estudo de fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o com adolescentes e jovens. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado In&eacute;dita, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/17211">http://hdl.handle.net/10183/17211</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1657-9267201100030001900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eschiletti-Pratti, L., Paula Couto, M. C. P., Moura, A., Poletto, M. &amp; Koller, S. (2008). Revisando a inser&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica: Uma proposta de sistematiza&ccedil;&atilde;o. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 21 </i>(1), 160-179. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1657-9267201100030001900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Faleiros, V. P. (2004). O fetiche da mercadoria na explora&ccedil;&atilde;o sexual. In R. M. C. Lib&oacute;rio &amp; S. M.G. Sousa (Orgs.), <i>Explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil: reflex&otilde;es te&oacute;ricas, relatos de pesquisa e interven&ccedil;&otilde;es psicossociais </i>(pp. 51-72). S&atilde;o Paulo/Goi&acirc;nia: Casa do Psic&oacute;logo/Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1657-9267201100030001900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Filgueiras, J. C. &amp; Hippert, M. I. (2002). Estresse: Possibilidades e Limites. In M.G. Jacques &amp; W. Codo (Eds.), <i>Sa&uacute;de mental e trabalho: leituras </i>(pp. 112-129). Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1657-9267201100030001900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Forastieri, V. (1997). <i>Children at work: Health and safety risk. </i>Geneva: International Labour Office.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1657-9267201100030001900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Habigzang, L. F., Azevedo, G. A., Koller, S. H. &amp; Machado, P X. (2006). Fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o na rede de atendimento a crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual. <i>Psicologia. Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 19, </i>379-386.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1657-9267201100030001900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Habigzang, L. F., Hatzenberger, R., Dala Corte, F., Stroeher, F. &amp; Koller, S. H. (2008). Avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica em casos de abuso sexual na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. <i>Psicologia. Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 21, </i>338-344.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1657-9267201100030001900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Human Rights Watch. (2001). <i>Scared at school: Sexual Violence against girls in South African schools. </i>New York: Author.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1657-9267201100030001900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jacques, M. G. (2002). &quot;Doen&ccedil;a dos nervos&quot;: uma express&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de/doen&ccedil;a mental. In M. G. Jacques &amp; W. Codo (Eds.), <i>Sa&uacute;de Mental e Trabalho: leituras </i>(pp. 98-111). Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 2002.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1657-9267201100030001900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jacques, M. G. (2003). Abordagens te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas em sa&uacute;de/doen&ccedil;a mental e trabalho. <i>Psicologia e Sociedade, 15 </i>(1), 97-116.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1657-9267201100030001900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Koller, S. H. &amp; De Antoni, C. (2004). Viol&ecirc;ncia intrafamiliar: uma vis&atilde;o ecol&oacute;gica. In S. H. Koller (Ed.), <i>Ecologia do desenvolvimento humano: pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o no Brasil </i>(pp. 293-310). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1657-9267201100030001900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Leal, M. L. P. (1999). <i>A explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial de meninos, meninas e adolescentes na Am&eacute;rica Latina e Caribe </i>&#91;Relat&oacute;rio final&#93;. Bras&iacute;lia: Centro de Refer&ecirc;ncia, Estudos e A&ccedil;&otilde;es sobre Crian&ccedil;as e Adolescentes (CECRIA).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1657-9267201100030001900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lib&oacute;rio, R. M. C. (2004). Explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial infanto-juvenil: categorias explicativas e pol&iacute;ticas de enfrentamento. In R. M. C. Lib&oacute;rio &amp; S. M. G. Sousa (Orgs.), <i>Explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil: reflex&otilde;es te&oacute;ricas, relatos de pesquisa e interven&ccedil;&otilde;es psicossociais </i>(pp. 19-50). S&atilde;o Paulo/Goi&acirc;nia: Casa do Psic&oacute;logo/Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1657-9267201100030001900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lib&oacute;rio, R. M. C. (2005). Adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de prostitui&ccedil;&atilde;o: uma an&aacute;lise sobre a explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial na sociedade contempor&acirc;nea. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o Cr&iacute;tica, 18 </i>(3), 413-420.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1657-9267201100030001900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lima, S. M. &amp; Minayo-Gomes, C. (2003). Modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o na condi&ccedil;&atilde;o de aprendiz: embates atuais. <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias e Sa&uacute;de-Manguinhos, 10 </i>( 3), 931-53.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1657-9267201100030001900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marques, M. E., Neves, M. de A. &amp; Neto, A. C. (2002). <i>Trabalho infantil: a inf&acirc;ncia roubada. </i>Belo Horizonte: Segrac.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1657-9267201100030001900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Masten, A. S. (2001). Ordinary magic: Resilience processes in development. <i>American Psychologist, 56 </i>(3), 227-238. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://www.capes.gov.br">www.capes.gov.br/capes/portal</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1657-9267201100030001900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mendes, A. M. &amp; Morrone, A. M. (2002). Viv&ecirc;ncias de prazer-sofrimento e sa&uacute;de ps&iacute;quica no trabalho: trajet&oacute;ria conceitual e emp&iacute;rica. In A. M. M. Mendes, L. O. Borges &amp; M. C. Ferreira (Eds.), <i>Trabalho em transi&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de em risco </i>(pp. 25-42). Bras&iacute;lia: Editora Universidade de Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1657-9267201100030001900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Morais, N. A. (2005). <i>Um estudo sobre sa&uacute;de de adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de rua: o ponto de vista de adolescentes, profissionais de sa&uacute;de. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado In&eacute;dita, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/7392">http://hdl.handle.net/10183/7392</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1657-9267201100030001900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Morais, N. A. (2009). <i>Trajet&oacute;rias de vida de crian&ccedil;as e adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social: entre o risco e a prote&ccedil;&atilde;o. </i>Tese de Doutorado in&eacute;dita, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/16660">http://hdl.handle.net/10183/16660</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1657-9267201100030001900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nardi, E. C. (2006). <i>Etica, trabalho e subjetividade: trajet&oacute;rias de vida no contexto das transforma&ccedil;&otilde;es do capitalismo contempor&acirc;neo. </i>Porto Alegre: Editora do UFRGS.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1657-9267201100030001900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, C. R. de (1987). <i>Hist&oacute;ria do trabalho. </i>S&atilde;o Paulo: &aacute;tica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1657-9267201100030001900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Organizaci&oacute;n Internacional del Trabajo. (2002). <i>El trabajo decente es fundamental para el progreso social. </i>Ginebra: Autor. Retrieved in April, 08, 2008, from <a target=_blank href="http://www.ilo.org/global/about-the-ilo/decent-work-agenda/lang--es/index.htm">http://www-ilo-mirror.cornell.edu.public/spanish/decent.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1657-9267201100030001900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho. (2006). <i>A elimina&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil: um objetivo ao nosso alcance </i>&#91;Relat&oacute;rio Global 2006. Suplemento Brasil&#93;. Retrieved in March, 12, 2007, from <a  target="_blank" href="http://www.oitbrasil.org.br">http://www.oitbrasil.org.br</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1657-9267201100030001900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pesce, R. P, Assis, S. G., Santos, N. &amp; Oliveira, R. V. C. (2004). Risco e prote&ccedil;&atilde;o: em busca de um equil&iacute;brio promotor de resili&ecirc;ncia. <i>Teoria e Pesquisa, 20 </i>(2), 135-143.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1657-9267201100030001900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pinheiro, P S. (2009). <i>Informe mundial sobre la violencia contra los ni&ntilde;os y ni&ntilde;as. </i>Ginebra: ONU.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1657-9267201100030001900043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Prieb, S. A. M. (2000). A tese do fim da centralidade do trabalho: mitos e realidades. <i>Economia e Desenvolvimento, 12, </i>48-76.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1657-9267201100030001900044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Primer Congreso Mundial contra la Explotaci&oacute;n Sexual Comercial de Ni&ntilde;os, Ni&ntilde;as y Adolescentes. (1996, agosto). &#91;Informe&#93;. Retrieved in January 30th, 2009, from <a  target="_blank" href="http://www.oit.org.pe/ipec/documentos/decla_estocolmo.pdf">http://www.oit.org.pe/ipec/documentos/decla_estocolmo.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1657-9267201100030001900045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Raffaelli, M., Koller, S. H., Reppold, C. T., Kuschick, M. B., Krum, F. M. B. &amp; Bandeira, D. R. (2001). How do Brazilian street youth experience 'the street'? Analysis of a sentence completion task. <i>Childhood, 8, </i>396-415.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1657-9267201100030001900046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sarriera, J. C., Silva, M. A., Kabbas, C. P &amp; Lopes, V. B. (2001). Forma&ccedil;&atilde;o da identidade ocupacional em adolescentes. <i>Estudos de Psicologia, 6 </i>(1), 27-32.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1657-9267201100030001900047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sarti, C. A. (1996). <i>A fam&iacute;lia como espelho. </i>S&atilde;o Paulo: Autores Associados.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1657-9267201100030001900048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Serpa, M. G. (2009). <i>Explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial e prostitui&ccedil;&atilde;o: um estudo de fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o com mulheres adultas e adolescentes. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado In&eacute;dita, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a  target="_blank" href="http://hdl.handle.net/10183/17231">http://hdl.handle.net/10183/17231</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1657-9267201100030001900049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Somavia, J. (2001). <i>Reducir el d&eacute;ficit del trabajo decente: un desaf&iacute;o global. </i>Ginebra: OIT. Retrieved in April 08, 2008, from <a  target="_blank" href="http://www.ilo.org/public/spanish/standards/relm/ilc/ilc89/rep-i-a.htm">http://www-ilo-mirror.cornell.edu.public/spanish/bureau/dgo/messages/summary.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1657-9267201100030001900050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>United Nations International Children's Emergency Fund. (2004). <i>Analyse r&eacute;gionale sur l'exploitation sexuelle en Afrique de l'Ouest et du Centre : &eacute;volution de la situation, progr&egrave;s accomplis et obstacles &agrave; surmonter depuis le Congr&egrave;s de Yokohama en 2001. </i>West and Central Africa Regional Office: Author.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1657-9267201100030001900051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>United Nations Secretary, General's Study on Violence against Children. (2005). <i>Regional Desk Review: Latin America. </i>Retrieved in January 30, 2009, from <a  target="_blank" href="http://www.violencestudy.org/r27">http://www.violencestudy.org/r27</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1657-9267201100030001900052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Verado, M. T., Reis, M. S. F. &amp; Vieira, R. M. (1999).<i> Meninas do porto: mitos e realidade da prostitui&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil. </i>S&atilde;o Paulo: O Nome da Rosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1657-9267201100030001900053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Yin, R. K. (2005). <i>Estudo de caso: planejamento e m&eacute;todos </i>(3<sup>&acirc;</sup> ed.). Porto Alegre: Bookman.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1657-9267201100030001900054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zanini, P, F&uuml;rstenau, C. R., Pacini, L. &amp; Merlo, A. R. C. (2004). As transforma&ccedil;&otilde;es no servi&ccedil;o p&uacute;blico e a sa&uacute;de dos trabalhadores da seguridade social de Porto Alegre. In A. R. M. Crespo (Ed.), <i>Sa&uacute;de do trabalhador no Rio Grande do Sul: realidade, pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o </i>(pp. 361-378). Porto Alegre: Editora da UFRGS.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1657-9267201100030001900055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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