<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1657-9267</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Universitas Psychologica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Univ. Psychol.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1657-9267</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Pontificia Universidad Javeriana]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1657-92672013000400018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Professores do ensino público superior: produtividade, produtivismo e adoecimento]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Professors of Public Higher Level Education: Productivity, Productivism and Sickness]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira Borsoi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Izabel Cristina]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flavilio]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Espírito Santo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto Ideias Vitória  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>12</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>1213</fpage>
<lpage>1235</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1657-92672013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1657-92672013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1657-92672013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O objetivo deste artigo é mostrar de que maneira a agenda de atividades no mundo académico tem levado docentes do ensino público superior ao adoecimento. A análise foi baseada em informações colhidas por meio de questionário respondido por 98 professores de uma universidade pública federal e em entrevistas com 18 deles. Os resultados apontam que a procura de ajuda médica e/ou psicológica é mais frequente entre docentes de programas de pós-graduação, principalmente entre mulheres com maior número de orientandos; indicam, também, que é a diversidade de atividades -quase todas obrigatórias, delimitadas e consideradas parâmetro de avaliação do desempenho académico individual e coletivo- que parece levar muitos desses professores ao sofrimento e ao adoecimento.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims at pointing out the way the agenda of activities in the academic world has led professors of public higher level education to sicken. The analysis was based on information gathered through a questionnaire applied to 98 professors of a Brazilian federal public university and interviews with 18 of them. The results demonstrate that the search for medical and/or psychological help is more frequent among professors who work in postgraduate programs, mainly women with a large number of advisees. The results also indicates that the diversity of activities - almost of them are mandatory, delimited and considered parameters for assessing individual and collective academic performance - is what seems to cause suffering and sickness among many of those professors.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Trabalho docente]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[produtividade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[saúde, adoecimento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[universidade pública]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Psicologia Social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[educação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Brasil]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Teaching Work]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Productivity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Health]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Sickness]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Public University]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Social Psychology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Education]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Brasil]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">     <p align="center"><font size="4"><b>Professores do ensino p&uacute;blico superior: produtividade, produtivismo e adoecimento<sup>*</sup></b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Professors of Public Higher Level Education: Productivity, Productivism and Sickness</b></font></p>     <p align="center"><b>Izabel Cristina Ferreira Borsoi**    <br> </b>Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Vit&oacute;ria, Brasil</p>     <p align="center"><b>Flavilio Silva Pereira***    <br> </b>Instituto Ideias Vit&oacute;ria, Brasil</p>     <p><sup>*</sup>Artigo elaborado com base em resultados da pesquisa &quot;Precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e produtividade: implica&ccedil;&otilde;es no modo de vida e na sa&uacute;de de docentes do ensino p&uacute;blico superior&quot;, realizada com apoio da Associa&ccedil;&atilde;o dos Docentes da Ufes (Adufes) para custeio de material de consumo e assessoria de inform&aacute;tica e estat&iacute;stica. Agradecemos a todos os professores e a todas as professoras que aceitaram participar dessa pesquisa. Trata-se de pesquisa acad&eacute;mica n&atilde;o relacionada a tese de doutorado ou a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. O projeto foi aprovado pelo Comit&eacute; de Etica em Pesquisa da Ufes em 25 de junho de 2009, registro no. 72/2009.    <br> <sup>**</sup>E-mail: <a target="_blank" href="mailto:cristinaborsoi@uol.com.br">cristinaborsoi@uol.com.br</a>    <br> <sup>***</sup>E'mail: <a target="_blank" href="mailto:flaviliosp@yahoo.com.br">flaviliosp@yahoo.com.br</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recibido: marzo 4 de 2013 | Revisado: mayo 15 de 2013 | Aceptado: julio 25 de 2013</p> <hr>     <p align="center"><b>Para citar este art&iacute;culo</b></p>     <p>Borsoi, I. C. F., &amp; Pereira, F. S. (2013). Professores do ensino p&uacute;blico superior: produtividade, produtivismo e adoecimento. <i>Uni-versitas Psychologica, 12(4), </i>1213-1235. Doi: 10.11144/ Javeriana.UPSY12-4.peps</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Resumo</b></font></p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; mostrar de que maneira a agenda de atividades no mundo acad&eacute;mico tem levado docentes do ensino p&uacute;blico superior ao adoecimento. A an&aacute;lise foi baseada em informa&ccedil;&otilde;es colhidas por meio de question&aacute;rio respondido por 98 professores de uma universidade p&uacute;blica federal e em entrevistas com 18 deles. Os resultados apontam que a procura de ajuda m&eacute;dica e/ou psicol&oacute;gica &eacute; mais frequente entre docentes de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, principalmente entre mulheres com maior n&uacute;mero de orientandos; indicam, tamb&eacute;m, que &eacute; a diversidade de atividades -quase todas obrigat&oacute;rias, delimitadas e consideradas par&acirc;metro de avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho acad&eacute;mico individual e coletivo- que parece levar muitos desses professores ao sofrimento e ao adoecimento.</p>     <p><b>Palavras-chave autores: </b>Trabalho docente, produtividade, sa&uacute;de, adoecimento, universidade p&uacute;blica.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Psicologia Social, educa&ccedil;&atilde;o, Brasil.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Abstract</b></font></p>     <p>This paper aims at pointing out the way the agenda of activities in the academic world has led professors of public higher level education to sicken. The analysis was based on information gathered through a questionnaire applied to 98 professors of a Brazilian federal public university and interviews with 18 of them. The results demonstrate that the search for medical and/or psychological help is more frequent among professors who work in postgraduate programs, mainly women with a large number of advisees. The results also indicates that the diversity of activities &mdash; almost of them are mandatory, delimited and considered parameters for assessing individual and collective academic performance &mdash; is what seems to cause suffering and sickness among many of those professors.</p>     <p><b>Key words authors:</b> Teaching Work, Productivity, Health, Sickness, Public University.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Key words plus: </b>Social Psychology, Education, Brasil.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>H&aacute; poucos anos, quando professores universit&aacute;rios se encontravam para almo&ccedil;ar, a conversa, provavelmente, incluiria os diversos assuntos do dia &mdash;tais como congressos, bolsas, associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas&mdash;, al&eacute;m das inevit&aacute;veis fofocas que s&atilde;o partes do cotidiano humano. Provavelmente, tamb&eacute;m, terminariam a conversa de bom humor! Hoje &eacute; bem poss&iacute;vel que um outro tema domine a mesa, mas, desta vez, deixando seus componentes de mau humor: as exig&ecirc;ncias crescentes da produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e os <i>ratings </i>da avalia&ccedil;&atilde;o CAPES. (Spink &amp; Alves, 2011, p. 337)</p>     <p>A cita&ccedil;&atilde;o que abre este trabalho foi extra&iacute;da de um artigo de Spink e Alves cujo t&iacute;tulo &eacute;, ao mesmo tempo, sintom&aacute;tico e provocador: &quot;O campo turbulento da produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e a import&acirc;ncia da rebeldia competente&quot;. Os autores analisam, com muita propriedade, o caminho hoje adotado pelas universidades (n&atilde;o somente brasileiras) no que diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica: a busca, acima de tudo, de posi&ccedil;&otilde;es significativas no <i>ranking </i>cient&iacute;fico, principalmente internacional. Trata-se da universidade que se volta para uma agenda de ati-vidades que possibilite o reconhecimento do m&eacute;rito do pesquisador e de sua institui&ccedil;&atilde;o e que viabilize maior aporte financeiro para pesquisas &mdash;n&atilde;o importando o grau de relev&acirc;ncia que elas tenham no plano social. Compromissada com os congressos e os peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos que definem sua posi&ccedil;&atilde;o no mundo acad&eacute;mico global, essa universidade se fecha para as reais demandas e necessidades da sociedade que a abriga.</p>     <p>Em contraposi&ccedil;&atilde;o a isso, Spink e Alves (2011) apontam um caminho que p&otilde;e em relevo uma &quot;universidade sem muros, integrada ao seu lugar de atua&ccedil;&atilde;o&quot; (p. 340). Nesse caso, seus integrantes est&atilde;o dedicados n&atilde;o &agrave;s demandas produtivistas, mas ao estudo &quot;dos indicadores da vida social coletiva e &agrave; seriedade e utilidade das ideias em debate&quot; (p. 341). E esse posicionamento que caracteriza a rebeldia competente no mundo acad&eacute;mico.</p>     <p>Podemos dizer que essa esp&eacute;cie de subvers&atilde;o do <i>status quo </i>da vida universit&aacute;ria se resume, no fundamental, ao compromisso com a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que prima pela conectividade com o real e pela qualidade de seus resultados. Certamente, tal postura rep&otilde;e os professores-pesquisadores na condi&ccedil;&atilde;o de artes&atilde;os da ci&ecirc;ncia. Mas n&atilde;o s&oacute;. Retoma o princ&iacute;pio b&aacute;sico do ensino nas universidades, que visa &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de profissionais competentes e socialmente comprometidos.</p>     <p>O problema que apresentamos aqui, entretanto, n&atilde;o diz respeito somente &agrave; necessidade de voltarmos nosso olhar cr&iacute;tico para o tipo de produtividade cient&iacute;fica que tem sido imposta aos docentes no meio universit&aacute;rio e de procurarmos construir um modelo acad&eacute;mico que conecte a universidade &agrave; sociedade real, concreta. Nosso objetivo central &eacute; discutir a rela&ccedil;&atilde;o entre essa din&acirc;mica produtivista e a sa&uacute;de desses professores; mais precisamente, mostrar de que maneira essa agenda de atividades vem provocando, cada vez mais, sofrimento e adoe-cimento<sup><a name="s1" href="#1">1</a></sup> entre eles. Sendo assim, consideramos que a &quot;rebeldia competente&quot; contribuiria tamb&eacute;m para modificar a rela&ccedil;&atilde;o que os docentes t&ecirc;m constru&iacute;do com o mundo acad&eacute;mico de forma a preservar sua sa&uacute;de f&iacute;sica e mental.</p>     <p>Importante alertar que n&atilde;o estamos tratando de nenhuma novidade no que diz respeito &agrave; sa&uacute;de e ao adoecimento de professores do ensino superior: a literatura vem apontando tal problema, principalmente a partir de meados da d&eacute;cada passada. Alguns estudos sobre qualidade de vida j&aacute; indicavam que o trabalho nas universidades come&ccedil;ava a impactar de maneira negativa a sa&uacute;de desses profissionais, como mostram Lucero, Mu&ntilde;iz, L&oacute;pez, Lara e P&eacute;rez (2008). Ao contr&aacute;rio do que indica a pesquisa de Jes&uacute;s (2003) &mdash;que aborda uma amostra de 331 professores da Universidade de Alicante (Espanha) e conclui que a grande maioria dos participantes refere ter qualidade de vida laboral &quot;buena o muy buena&quot; e um grau de satisfa&ccedil;&atilde;o &quot;moderadamente elevado&quot;&mdash;, outras investiga&ccedil;&otilde;es tendem a associar a baixa qualidade de vida laboral ao sucateamento das universidades (Pereira, 2006) e a considerar o trabalho docente como gerador de insatisfa&ccedil;&atilde;o, inseguran&ccedil;a pessoal, estresse laboral (Guevara &amp; Dom&iacute;nguez, 2011).</p>     <p>No caso espec&iacute;fico do Brasil, foram as reformas governamentais direcionadas &agrave;s universidades p&uacute;blicas, e postas em pr&aacute;tica nos anos 1990, que surgiram como geradoras de determinados problemas que passaram a afetar o cotidiano e a sa&uacute;de dos professores a partir da virada do mil&eacute;nio. Ao longo desse per&iacute;odo, essas reformas implicaram mudan&ccedil;as em v&aacute;rios &acirc;mbitos da vida docente. No &acirc;mbito da carreira, houve altera&ccedil;&otilde;es nos crit&eacute;rios para aposentadoria e para progress&otilde;es funcionais, cria&ccedil;&atilde;o de normas produtivistas de avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho individual, bem como cortes de benef&iacute;cios, como quinqu&eacute;nios, anu&eacute;nios<sup><a name="s2" href="#2">2</a></sup> e licen&ccedil;as-pr&eacute;mio<sup><a name="s3" href="#3">3</a></sup>. Quanto &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o, continuamos registrando perda de poder aquisitivo do sal&aacute;rio. Al&eacute;m disso, at&eacute; muito recentemente, vimos crescer a participa&ccedil;&atilde;o dos valores de adicionais salariais no total remunerat&oacute;rio, em detrimento de reajustes do sal&aacute;rio-base &mdash;situa&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;ou a se modificar somente em 2012, ap&oacute;s forte press&atilde;o do movimento docente, havendo, a partir de ent&atilde;o, a incorpora&ccedil;&atilde;o de alguns adicionais ao sal&aacute;rio-base.</p>     <p>Em um plano mais amplo, assistimos &agrave; expans&atilde;o universit&aacute;ria, com o surgimento de novos <i>campi </i>e o aumento vertiginoso da quantidade de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, impactando de maneira brutal a rela&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica professor-aluno. (Sguissard &amp; Silva Junior, 2009; Silva Junior, Sguis-sard, &amp; Silva, 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em geral, as crescentes exig&eacute;ncias em torno do desempenho e da produtividade cient&iacute;fica s&atilde;o apontadas como principais respons&aacute;veis pelo aumento de quadros de sofrimento e adoecimento entre os professores universit&aacute;rios (Bianchetti &amp; Machado, 2008; Emiliano, 2008; Lacaz, 2010; Louzada &amp; Silva Filho, 2005; Luz, 2008; Sguissard &amp; Silva Junior, 2009). Os problemas que mais acometem os docentes s&atilde;o transtornos psicoemocionais, tais como depress&atilde;o e ansiedade, e afec&ccedil;&otilde;es osteo-musculares (Luz, 2008; Emiliano, 2008; Borsoi &amp; Pereira, 2011). O <i>burnout </i>&eacute; apontado como uma s&iacute;ndrome singular que afeta professores em raz&atilde;o da natureza espec&iacute;fica de seu trabalho. Para Carlotto (2002), trata-se de um &quot;tipo de estresse profissional que acomete profissionais que trabalham com qualquer tipo de cuidado, havendo uma rela&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o direta, cont&iacute;nua e altamente emocional com outras pessoas&quot; (p. 190). Lacaz (2010) sintetiza essa s&iacute;ndrome da seguinte forma:</p>     <blockquote> 	    <p>Est&aacute; associada a sintomas relacionados &agrave; exaust&atilde;o mental, emocional, fadiga e depress&atilde;o. S&atilde;o sintomas comportamentais e mentais, e n&atilde;o apenas f&iacute;sicos, e relacionam-se ao trabalho. Tais sintomas acometem pessoas &quot;normais&quot; e associam-se &agrave; queda do desempenho no trabalho, causada por posturas e comportamentos negativos. As dimens&otilde;es da S&iacute;ndrome envolvem exaust&atilde;o emocional, despersonaliza&ccedil;&atilde;o e baixa realiza&ccedil;&atilde;o pessoal no trabalho. (Lacaz, 2010, p. 56)</p> </blockquote>     <p>Na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, segundo Lacaz, s&atilde;o as pessoas do sexo masculino, com idade abaixo de 40 anos e com menos experi&eacute;ncia de trabalho que mais sofrem com essa s&iacute;ndrome, aquelas &quot;que s&atilde;o mais idealistas e entusiastas com a profiss&atilde;o e o trabalho, que se relacionam mais com os alunos e sofrem mais com o conflito de pap&eacute;is&quot; (Lacaz, 2010, p. 56).</p>     <p>No caso do <i>burnout, </i>h&aacute; algum tempo a literatura estabelece rela&ccedil;&atilde;o entre as caracter&iacute;sticas do trabalho docente e essa forma de adoecimento. Os estudos, em geral, s&atilde;o conduzidos tomando como base o Maslach Burnout Inventory (MBI), um question&aacute;rio padronizado de autoinforme que deve ser respondido por meio de uma escala do tipo Likert (Benevides-Pereira, 2002).</p>     <p>A constata&ccedil;&atilde;o de que houve um aumento, principalmente, de problemas de ordem psicoemocional e osteomuscular tem-se dado, no fundamental, por duas vias: pelos relatos de docentes que afirmam apresentar determinado conjunto de sintomas, o qual &eacute; atribu&iacute;do &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de trabalho, em especial &agrave; excessiva carga de trabalho nos &uacute;ltimos anos; e pela verifica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de afastamentos do trabalho por motivo de doen&ccedil;a. Nesse ponto, &eacute; de nosso conhecimento que estamos diante da subno-tifica&ccedil;&atilde;o dos casos de adoecimento &mdash;os professores tendem a se afastar do trabalho sem formalizarem sua licen&ccedil;a m&eacute;dica, pois acabam retomando suas atividades e compensando o tempo &quot;perdido&quot; durante seu afastamento. Borsoi (2012, p. 97) assinala que o &quot;adoecimento torna-se conhecido &#91;na institui&ccedil;&atilde;o&#93; quando o docente se v&eacute; obrigado a se afastar de suas atividades did&aacute;ticas, assegurado por licen&ccedil;a m&eacute;dica que fundamente a necessidade de sua substitui&ccedil;&atilde;o em sala de aula&quot;. Para Lemos (2005), os professores tendem a buscar a automedica&ccedil;&atilde;o para controle da dor e dos desconfortos que os impedem de trabalhar temporariamente.</p>     <p>Nosso prop&oacute;sito &eacute; mostrar que muitos docentes est&atilde;o adoecendo em raz&atilde;o do seu modo de trabalhar para cumprir as exig&eacute;ncias que lhe s&atilde;o impostas pelo modelo de universidade que est&aacute; em vigor, exig&eacute;ncias essas que v&atilde;o muito al&eacute;m do cumprimento de metas de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para isso, tomaremos como base emp&iacute;rica resultados de uma pesquisa realizada entre 2009 e 2010 com docentes da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (Ufes).</p>     <p><font size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p>Num primeiro momento, abordamos 98 docentes efetivos de um conjunto de 403. S&atilde;o 58 homens (59.2%) e 40 mulheres (40.8%) com idade m&eacute;dia de 46.7 anos, variando entre 26 e 68 anos, distribu&iacute;dos por 18 departamentos acad&eacute;micos.</p>     <p>Foi crit&eacute;rio para delimita&ccedil;&atilde;o do universo da pesquisa que os departamentos nos quais os docentes estavam lotados tivessem programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em funcionamento por, ao menos, tr&eacute;s anos &mdash;com isso, garantindo o tri&eacute;nio para a primeira avalia&ccedil;&atilde;o da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes). Esses departamentos est&atilde;o vinculados a diferentes centros: Tecnol&oacute;gico, Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais, Ci&eacute;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&oacute;micas, Ci&eacute;ncias Exatas e Ci&eacute;ncias da Sa&uacute;de. Assim, foi contemplada uma grande diversidade de &aacute;reas de conhecimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os professores responderam a um conjunto de perguntas fechadas e abertas que compunham um instrumento de pesquisa denominado &quot;Protocolo de estudos sobre trabalho docente&quot;, elaborado e testado pelos pr&oacute;prios pesquisadores. Em ANEXO, disponibilizamos a vers&atilde;o que foi apresentada nas formas impressa e <i>on-line<sup><a name="s4" href="#4">4</a></sup>. </i>Nesse protocolo abordamos os seguintes temas: jornada e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho; forma de organiza&ccedil;&atilde;o das atividades de ensino, pesquisa e extens&atilde;o; sentimentos em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho; aspectos relativos &agrave; sa&uacute;de e ao modo de organiza&ccedil;&atilde;o do tempo liberado do trabalho; e impress&otilde;es gerais sobre a pr&oacute;pria atua&ccedil;&atilde;o como docente, a universidade e as perspectivas de futuro. Em qualquer uma das vers&otilde;es ficou resguardada a identidade do docente &mdash; isso foi feito em conformidade com os procedimentos recomendados pelo Comit&eacute; de &Eacute;tica em Pesquisa (CEP) da Ufes. Por meio de reuni&otilde;es departamentais e de <i>e-mails, </i>os professores foram informados sobre a pesquisa e convidados a participar dela. Essa participa&ccedil;&atilde;o foi, portanto, por ades&atilde;o, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel garantir uma amostra aleat&oacute;ria e probabil&iacute;stica.</p>     <p>A sistematiza&ccedil;&atilde;o dos dados para an&aacute;lise estat&iacute;stica foi realizada por meio do programa SPSS (vers&atilde;o 11.5). Os procedimentos adotados para tal an&aacute;lise levaram em considera&ccedil;&atilde;o agrupamentos e cruzamentos de informa&ccedil;&otilde;es obtidas no protocolo que permitissem, por um lado, tra&ccedil;ar o perfil dos docentes envolvidos na pesquisa no que diz respeito ao modo de caracterizar seu trabalho e organizar sua jornada, ao tempo efetivo dedicado ao trabalho e aos aspectos de g&eacute;nero; e, por outro, caracterizar os modos de express&atilde;o de sofrimento e/ou adoecimento. Aqui, buscamos saber se os docentes haviam procurado atendimento m&eacute;dico e/ou psicol&oacute;gico nos dois anos que antecederam a pesquisa e caracterizar as queixas mais frequentes de problemas relacionados &agrave; sa&uacute;de, bem como o tipo de medica&ccedil;&atilde;o, prescrita ou n&atilde;o, que estavam usando ou tinham usado no mesmo per&iacute;odo.</p>     <p>Do conjunto de informa&ccedil;&otilde;es obtidas, destacamos aquelas que dizem respeito, de modo particular, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre produtividade e sa&uacute;de/ adoecimento para tratar o problema delineado neste artigo<sup><a name="s5" href="#5">5</a></sup>. Tais resultados est&atilde;o expostos na forma de gr&aacute;ficos de barras e de dispers&atilde;o ao longo do texto.</p>     <p>Os gr&aacute;ficos de dispers&atilde;o, de modo particular, foram adotados para mostrar a rela&ccedil;&atilde;o/associa&ccedil;&atilde;o entre duas vari&aacute;veis envolvendo grupos de docentes do sexo masculino e do feminino. Especificamente sobre essas representa&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas, &eacute; preciso que se ressalte que uma amostra constru&iacute;da por ades&atilde;o possibilita estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis de forma a denotar <i>apenas </i>tend&eacute;ncias. Sendo assim, os resultados apresentados devem ser analisados como relativos somente ao grupo estudado, n&atilde;o podendo, ent&atilde;o, ser extrapolados para todo o conjunto de professores da universidade em quest&atilde;o.</p>     <p>Num segundo momento, tomamos como base entrevistas realizadas com 18 docentes que responderam &agrave;s perguntas do protocolo. Essa amostra foi constru&iacute;da intencionalmente, considerando os resultados de cunho quantitativo.</p>     <p>O intervalo entre a aplica&ccedil;&atilde;o do protocolo e a realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas variou de 10 a 12 meses. Com as entrevistas, o objetivo foi, principalmente, aprofundar informa&ccedil;&otilde;es obtidas por meio do protocolo e verificar se houve mudan&ccedil;as significativas, tanto no trabalho como na vida pessoal e na sa&uacute;de dos professores &mdash;considerando o tempo decorrido entre uma etapa e outra da pesquisa. As entrevistas permitiram inquirir sobre percep&ccedil;&otilde;es, sentimentos e expectativas que os docentes n&atilde;o podiam expressar em um protocolo estruturado de perguntas.</p>     <p><font size="3"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p>Uma das quest&otilde;es que mais afligem os pesquisadores que estudam a rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e sa&uacute;de &eacute;: como estabelecer o nexo entre determinados elementos da situa&ccedil;&atilde;o laboral e o adoecimento do trabalhador? Um problema que se torna mais complicado quando envolve transtornos de ordem psicoemocional (Borsoi, 2007).</p>     <p>Aqui, precisamos lidar com a seguinte pergunta: como nos certificarmos de que tais modos de sofrimento e adoecimento t&eacute;m, de fato, rela&ccedil;&atilde;o com as exig&eacute;ncias do trabalho? Em se tratando da atividade acad&eacute;mica, essa pergunta inquieta ainda mais, uma vez que estamos diante de um tipo de trabalho tamb&eacute;m visto como gratificante e prazeroso (Mancebo, 2007; Mancebo &amp; Lopes, 2004; Vilela, 2010), que preserva determinado grau de autonomia profissional, &eacute; socialmente reconhecido &mdash;por se tratar de atividade intelectual por excel&eacute;ncia&mdash; e possibilita constante busca de conhecimento e contato frequente com pessoas jovens.</p>     <p>Al&eacute;m disso, n&atilde;o podemos afirmar que, pelas suas caracter&iacute;sticas fundamentais, se trata de uma atividade que possa ser qualificada como insalubre e/ou periculosa<sup><a name="s6" href="#6">6</a></sup>. O giz, que, num passado bastante recente, afetava os professores por ter componentes alerg&eacute;nicos, foi paulatinamente substitu&iacute;do por pinc&eacute;is. Quanto aos demais elementos das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho &mdash;tais como qualidade inadequada das salas de aula e de atendimento individual, falta de disponibilidade de locais para estudos e acesso a recursos did&aacute;ticos etc.&mdash;, eles s&atilde;o motivos antigos de insatisfa&ccedil;&atilde;o e integram a precariedade de longa data da situa&ccedil;&atilde;o laboral na maioria das universidades p&uacute;blicas brasileiras. Essas caracter&iacute;sticas apenas demonstram o descaso de v&aacute;rios mandatos governamentais em rela&ccedil;&atilde;o a essas institui&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o fazem parte da natureza do trabalho docente propriamente dito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ent&atilde;o, o que mudou, de fato, na atividade dos docentes a ponto de fazer com que as queixas de insatisfa&ccedil;&atilde;o e os sintomas de sofrimento e adoecimento ganhassem a dimens&atilde;o que t&eacute;m atualmente? Mesmo que alguns estudos apontem as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho como um motivo importante nesse processo (Lemos, 2005), o que mais tem recebido destaque &eacute; o aumento brutal das incumb&eacute;ncias acad&eacute;micas. O professor passou a assumir um leque de tarefas n&atilde;o s&oacute; qualitativamente distintas, mas tamb&eacute;m, e principalmente, impactantes em termos quantitativos. E essa nova dimens&atilde;o do trabalho que faz com que o docente n&atilde;o consiga estabelecer limites para sua jornada de trabalho, sendo for&ccedil;ado a invadir o tempo da vida privada com demandas laborais, como atesta a maioria dos estudos que discute o trabalho docente de n&iacute;vel superior, tais como os de Alvarez (2004), Bianchetti e Machado (2008), Sguissard e Silva Junior (2009) e Borsoi e Pereira (2011).</p>     <p>Entre as diversas incumb&eacute;ncias dos docentes est&aacute; a denominada &quot;produtividade acad&eacute;mica&quot;, que, no cotidiano universit&aacute;rio, &eacute; vista como restrita &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &mdash;esta materializada em artigos, cap&iacute;tulos de livros e trabalhos publicados em congressos (Borsoi, 2012). Os estudos j&aacute; mencionados aqui, no geral, apontam os professores vinculados a programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o como aqueles que est&atilde;o mais expostos &agrave; press&atilde;o no trabalho e, portanto, tamb&eacute;m mais propensos ao adoecimento.</p>     <p>Neste artigo, nossa an&aacute;lise, at&eacute; certo ponto, caminha na mesma dire&ccedil;&atilde;o, tanto no que diz respeito aos resultados quantitativos quanto aos qualitativos.</p>     <p>Dos 80 docentes que assinalaram ter procurado ajuda m&eacute;dica e/ou psicol&oacute;gica nos &uacute;ltimos dois anos, 62.5% estavam em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, mais de 80% deles informaram ter problemas como enxaqueca, cistite e crises g&aacute;stricas. Os  <a href="#f1">gr&aacute;ficos 1</a>, <a href="#f2">2</a> e <a href="#f3">3</a> mostram um conjunto de atividades acad&eacute;micas e administrativas &mdash;estas, em sua grande maioria, desempenhadas por docentes atuantes em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o&mdash; e o relacionam a aspectos associados &agrave; sa&uacute;de e ao adoecimento de professores participantes da pesquisa. E fundamental que notemos que se trata, no geral, de incumb&eacute;ncias que integramos crit&eacute;rios das avalia&ccedil;&otilde;es realizadas pela Capes para conceituar tais programas<sup><a name="s7" href="#7">7</a></sup>.</p>     <center><a name="f1"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f1.jpg"></a></center>     <center><a name="f2"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f2.jpg"></a></center>     <center><a name="f3"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f3.jpg"></a></center>     <p>Os gr&aacute;ficos indicam que as porcentagens de professores que informam exercer as atividades descritas e fazer uso frequente de medicamentos, procurar ajuda m&eacute;dica e/ou psicol&oacute;gica e sofrer desconfortos f&iacute;sicos e/ou ps&iacute;quicos nunca s&atilde;o inferiores a 40%, chegando, em alguns casos, a atingir mais de 80%. Muito embora os resultados estejam restritos &agrave; an&aacute;lise estat&iacute;stica descritiva, imposta por uma amostra pouco extensa e, ao mesmo tempo, n&atilde;o probabil&iacute;stica<sup><a name="s8" href="#8">8</a></sup>, os dados apontam uma evidente rela&ccedil;&atilde;o entre excesso de trabalho e sofrimento e adoecimento entre os docentes.</p>     <p>Essa rela&ccedil;&atilde;o aparece tamb&eacute;m de maneira marcante em v&aacute;rias entrevistas. Aqui, cabe salientar que o tempo decorrido entre a aplica&ccedil;&atilde;o do protocolo de pesquisa e a realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas foi fundamental para percebermos a dimens&atilde;o do impacto da sobrecarga das atividades acad&eacute;micas na vida e na sa&uacute;de dos professores.</p>     <p>As entrevistas sempre eram iniciadas partindo de uma s&iacute;ntese das respostas assinaladas no protocolo. A partir da&iacute;, o docente era questionado sobre o que havia se mantido nos &uacute;ltimos 10 a 12 meses e o que fora modificado, tanto no seu trabalho como na sua vida pessoal. Parte significativa dos entrevistados informou algum grau de mudan&ccedil;a em sua situa&ccedil;&atilde;o de trabalho e/ou em sua conduta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s exig&eacute;ncias das atividades acad&eacute;micas. O que mais chama a aten&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios relatos &eacute; o impacto da mudan&ccedil;a da pr&oacute;pria conduta no modo de viver e, em particular, na sa&uacute;de. Seguem alguns depoimentos que atestam essa afirma&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um docente assinala no protocolo de pesquisa que tomava ansiol&iacute;tico para controlar cansa&ccedil;o, estresse, ins&oacute;nia, dores no corpo, irritabilidade etc. &mdash;todos, segundo ele, sintomas resultantes das demandas laborais excessivas do seu departamento, em especial do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, que precisa manter o conceito 5 atribu&iacute;do pela Capes. Questionado sobre a perman&eacute;ncia desse quadro, obtivemos a seguinte resposta:</p>     <blockquote> 	    <p>Melhorou por conta de intensifica&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lise pessoal e por uma atitude de diminuir a cobran&ccedil;a, ou seja, se tem uma tarefa que efetivamente n&atilde;o deu tempo para fazer, paci&eacute;ncia, n&atilde;o faz. Ent&atilde;o, os sintomas t&ecirc;m ficado menos frequentes. N&atilde;o tomo medicamento mais, mas teve um tempo que tive que tomar mesmo. Naquele momento em que n&atilde;o se dava conta do excesso de trabalho. (Homem, 49 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais)</p> </blockquote>     <p>Uma professora informou, na primeira etapa da pesquisa, que havia adoecido consecutivamente nos &uacute;ltimos quatro anos. Teve labirintite, bronquite e mais algumas doen&ccedil;as consideradas s&eacute;rias que, de acordo com seu relato, s&atilde;o todas psicossom&aacute;ticas. Ficou afastada com licen&ccedil;a m&eacute;dica por aproximadamente seis meses. Al&eacute;m do acompanhamento m&eacute;dico, iniciou tratamento psicoterap&eacute;utico por causa do diagn&oacute;stico de estresse. Durante a entrevista afirmou que seu quadro de sa&uacute;de havia melhorado, mas que, para isso, ela seguiu a prescri&ccedil;&atilde;o de um dos m&eacute;dicos que a acompanhava: &quot;eu <i>tinha que reduzir a zero o meu estresse, eu tinha que esquecer que sou professora, 'desligue da universidade'. Ent&atilde;o, durante seis meses, eu consegui me desligar completamente da universidade. Eu j&aacute; estava na coordena&ccedil;&atilde;o do mestrado&quot; </i>(Mulher, 52 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&oacute;micas). Ao retornar da licen&ccedil;a m&eacute;dica, ela buscou formas de redimensionar as demandas laborais:</p>     <blockquote> 	    <p>Uma quest&atilde;o que eu reduzi foi n&atilde;o trabalhar mais em finais de semana. Claro que voc&ecirc; deixa de fazer determinadas tarefas, digamos assim. Na gradua&ccedil;&atilde;o, eu consegui me limitar a uma disciplina. Dou uma disciplina te&oacute;rica. Num semestre eu dou disciplina na gradua&ccedil;&atilde;o e, no outro, no mestrado. Estou com orienta&ccedil;&atilde;o s&oacute; no mestrado. Deixei de orientar na gradua&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, com isso, j&aacute; deu uma reduzida significativa. Uma estrat&eacute;gia que n&oacute;s utilizamos &eacute; passar a fazer pesquisas coletivas. Isso nos fortaleceu muito. Antes, era eu com minha orientanda do PIBIC. Hoje, como estamos fazendo pesquisas que envolvem v&aacute;rias pessoas, n&oacute;s estamos fazendo artigos tamb&eacute;m coletivamente. (Mulher, 52 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&oacute;micas)</p> </blockquote>     <p>Outro professor relata o seguinte:</p>     <blockquote> 	    <p>Eu tive quadros de esgotamento, depress&atilde;o, ang&uacute;stia, obesidade. Tudo que &eacute; de ruim aconteceu. Parte n&atilde;o era relacionada com o trabalho, n&atilde;o. Era particular mesmo. Mas eu fui percebendo que eu tinha muitas insatisfa&ccedil;&otilde;es no trabalho e muita coisa eu estava carregando para casa. A noite, meu gabinete em casa era continua&ccedil;&atilde;o do trabalho. E a&iacute; a gente tem que usar o racional. Eu fui contratado para trabalhar oito horas, e n&atilde;o 10 ou 12, como estava acontecendo. Eu fui cortando, vendo o que era priorit&aacute;rio na minha vida, otimizando o tempo. Ent&atilde;o, diferente de antes, que eu ficava atendendo, conversando com os alunos e colegas, eu tenho uma outra organiza&ccedil;&atilde;o do tempo (... ) Esse ano mudou mais. Fui analisando a situa&ccedil;&atilde;o, fui vendo as causas, fui atacando aquilo que estava me aborrecendo, colocando aquilo que me dava prazer. E fui vendo que o trabalhar em casa, &agrave; noite e em fim de semana, estava contribuindo muito para aquele estado. Mudei meu ritmo de vida e comecei a fazer coisas que me d&atilde;o prazer (... ) Fa&ccedil;o caminhada, corro na praia, nado, comecei a sair com a minha fam&iacute;lia durante a semana, melhorei minha socializa&ccedil;&atilde;o, comecei a rir mais da vida. Ent&atilde;o comecei a fazer coisas que me d&atilde;o prazer. Fui vendo que essas coisas n&atilde;o s&atilde;o caras. A gente vai vendo que as coisas s&atilde;o mais simples. N&atilde;o uso mais rem&eacute;dio. Vou periodicamente ao end&oacute;crino para fazer avalia&ccedil;&atilde;o. (Homem, 47 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais)</p> </blockquote>     <p>O que chama a aten&ccedil;&atilde;o nesses depoimentos &eacute; ue eles revelam a conquista de certo bem-estar e ecupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de a partir do redimensionamen- o da din&acirc;mica do trabalho, o que possibilitou aos rofessores reordenarem suas vidas fora do contexto aboral. Al&eacute;m disso, mostram que eles, bem como utros entrevistados, precisaram chegar ao limite o que podiam suportar em termos de sofrimento, at&eacute; de adoecimento, para perceberem que era &iacute;ecess&aacute;rio modificar sua rela&ccedil;&atilde;o com o trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao mostrarmos que reduzir a carga de trabalho e reservar tempo para o descanso e a vida social e familiar foram fatores decisivos para que os professores pudessem amenizar o sofrimento, ou mesmo recuperar seu estado de sa&uacute;de, sinalizamos que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o efetiva entre aspectos da situa&ccedil;&atilde;o laboral e o processo de adoecimento entre docentes universit&aacute;rios.</p>     <p>Tendo em vista o que expusemos at&eacute; agora, cabe apontar as dimens&otilde;es do trabalho acad&eacute;mico que parecem impactar mais a sa&uacute;de dos professores. Entre os entrevistados, o principal motivo de sofrimento e adoecimento &eacute; a exig&ecirc;ncia de produtividade cient&iacute;fica, al&eacute;m do sentimento de improdutividade. No entanto, no que diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre produtividade cient&iacute;fica &mdash;esta restrita a publica&ccedil;&otilde;es&mdash; e ocorr&ecirc;ncia de mal-estares ou adoecimento, os resultados do protocolo de pesquisa n&atilde;o revelam correla&ccedil;&atilde;o digna de nota. Esta constata&ccedil;&atilde;o, todavia, n&atilde;o equivale a dizer que a press&atilde;o que sentem para publicar n&atilde;o seja um elemento importante para desencadear sofrimento e adoecimento; o que estamos afirmando &eacute; que o fato de publicar mais trabalhos ou menos trabalhos n&atilde;o aparece como impactante no estado de sa&uacute;de do professor, como mostra o  <a href="#f4">Gr&aacute;fico 4</a>.</p>     <center><a name="f4"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f4.jpg"></a></center>     <p>No gr&aacute;fico em quest&atilde;o, podemos observar, somente, que as mulheres apresentam uma  leve rela&ccedil;&atilde;o positiva (diretamente proporcional) entre o aumento do n&uacute;mero m&eacute;dio de publica&ccedil;&otilde;es por ano (considerando os &uacute;ltimos tr&eacute;s anos) e o n&uacute;mero de queixas relacionadas a mal-estares f&iacute;sicos e/ou ps&iacute;quicos. Entre os homens essa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; di-retamente proporcional.</p>     <p>Esse resultado pode ganhar sentido quando consideramos que a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; algo necess&aacute;rio e, ao mesmo tempo, desejado pelos professores, em particular por aqueles que est&atilde;o em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. O problema &eacute; que essa necessidade e esse desejo esbarram na impossibilidade de serem satisfeitos a contento, uma vez que h&aacute; uma imensa demanda de ativi-dades acad&eacute;micas, principalmente de ensino &mdash;de maneira especial, a sala de aula e as orienta&ccedil;&otilde;es e as supervis&otilde;es de alunos. Parece ser nessa dimens&atilde;o que ocorre a maior sobrecarga de trabalho, uma dimens&atilde;o do trabalho acad&eacute;mico que, em geral, os docentes n&atilde;o consideram como tempo produtivo.</p>     <p>Mais ainda, os professores tendem a n&atilde;o levar em conta que o tempo de amadurecimento de um problema de pesquisa, por exemplo, seja parte do momento da produ&ccedil;&atilde;o. Produtividade, ent&atilde;o, se restringe aos trabalhos materializados em publica&ccedil;&otilde;es. Essa &eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da com base na vis&atilde;o de produtividade imposta por institui&ccedil;&otilde;es que regulam, avaliam e financiam as pesquisas e os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es. Os depoimentos de tr&eacute;s professores s&atilde;o exemplares nesse sentido:</p>     <blockquote> 	    <p>Esse neg&oacute;cio das publica&ccedil;&otilde;es na Capes. N&atilde;o interessa se voc&eacute; tem orientandos, se voc&eacute; tem pesquisa, se voc&eacute; tem livro. Interessa &eacute; que voc&eacute; tem tr&eacute;s artigos, n&atilde;o importa se voc&eacute; &eacute; o quinto ou d&eacute;cimo autor. Eu estou at&eacute; repensando a minha vida. Estou pr&oacute;ximo de me aposentar. A &uacute;nica coisa que me deixa muito feliz &eacute; que eu contribu&iacute; para formar muitos alunos, tanto na gradua&ccedil;&atilde;o quanto no mestrado. (Homem, 58 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&oacute;micas).</p> 	    <p>A minha concep&ccedil;&atilde;o era de que n&atilde;o estava sendo produtiva porque eu n&atilde;o estava conseguindo  	escrever artigo. A&iacute;, eu descobri, na terapia, como eu estava produtiva, como que estava sendo produtiva, por exemplo, nesse trabalho de extens&atilde;o... Mas a concep&ccedil;&atilde;o &eacute; &quot;n&atilde;o &eacute; produtivo&quot;. Se voc&eacute; n&atilde;o publica tr&eacute;s artigos, seu nome vai com &quot;bolinha&quot;, com &quot;zeri-nho&quot;. (Mulher, 52 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&oacute;micas).</p> 	    <p>Eu acho que o produtivo &eacute; no sentido das cobran&ccedil;as de produtividade que s&atilde;o feitas pela institui&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o &eacute; a publica&ccedil;&atilde;o que eu associo como produtivo. Estou tentando publicar, mas n&atilde;o sei onde ainda. Eu tenho que parar para ver isso. Esse trabalho que fazemos em termos de projetos com a gradua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; reconhecido pelo departamento ou pela institui&ccedil;&atilde;o. Podemos chamar isso de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica? &quot;N&atilde;o, porque n&atilde;o est&aacute; produzindo&quot;. Mas n&oacute;s estamos fazendo um trabalho com o primeiro per&iacute;odo, ensinando a fazer pesquisa, ent&atilde;o &eacute; um trabalho de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para mim, esse trabalho tinha que ser reconhecido como pesquisa, porque o aluno tem que pesquisar, tem que ir para biblioteca (...). (Mulher, 56 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais)</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partindo desse par&acirc;metro de produtividade, podemos entender porque mais de um ter&ccedil;o dos integrantes da pesquisa afirma n&atilde;o se sentir produtivo, apesar de trabalhar muito. Poucos s&atilde;o aqueles que se deram conta de que s&atilde;o produtivos, mesmo n&atilde;o conseguindo cumprir as metas de publica&ccedil;&atilde;o definidas pelos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e pela Capes.</p>     <p>Para compreendermos, ent&atilde;o, o problema analisado aqui, precisamos considerar que produtividade docente abarca o conjunto de atividades que o professor desenvolve durante sua jornada de trabalho (e para al&eacute;m dela) e que tem como finalidade tanto a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento como a forma&ccedil;&atilde;o de estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o e de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, a press&atilde;o por produtividade se dilui entre a chamada &quot;produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica&quot; e aquela que implica a obrigatoriedade de estudo constante para prepara&ccedil;&atilde;o de aulas, a pr&oacute;pria aula ministrada, a leitura de trabalhos e projetos de alunos, o tempo dedicado &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es e supervis&otilde;es etc., ou seja, o que poder&iacute;amos definir como trabalho acad&ecirc;mico <i>estrito senso.</i></p>     <p>Essa considera&ccedil;&atilde;o fez com que procur&aacute;ssemos no conjunto de atividades realizadas pelos professores aquelas que poderiam ter maior ou menor impacto sobre sua sa&uacute;de. Seguindo esse percurso, as an&aacute;lises apontaram alguns resultados significativos, com destaque para a rela&ccedil;&atilde;o entre elementos indicadores de sofrimento e adoecimento e tempo investido em orienta&ccedil;&atilde;o de estudantes &mdash;tempo considerado aqui em par&acirc;metros num&eacute;ricos. E importante ressaltar, novamente, que &eacute; necess&aacute;rio considerarmos os gr&aacute;ficos a seguir como indicadores de tend&ecirc;ncias, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel, portanto, generalizar seus resultados para grupos que extrapolem a amostra estudada.</p>     <p>O <a href="#f5">Gr&aacute;fico 5</a> aponta a rela&ccedil;&atilde;o entre o n&uacute;mero de orientandos que cada docente tem na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e o n&uacute;mero de motivos que o levaram a procurar atendimento m&eacute;dico e/ou psicol&oacute;gico. Esses motivos est&atilde;o relacionados, no fundamental, a problemas de ordem psicoemocional, enxaqueca, cistite e crises g&aacute;stricas. Em seguida, est&atilde;o as afec&ccedil;&otilde;es osteomus-culares, dermatol&oacute;gicas e respirat&oacute;rias, as alergias, entre outros.</p>     <center><a name="f5"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f5.jpg"></a></center>     <p>Nesse gr&aacute;fico &eacute; poss&iacute;vel observar que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre as vari&aacute;veis representadas em grau maior no grupo das mulheres. Essa rela&ccedil;&atilde;o positiva se refere a um aumento diretamente proporcional entre o n&uacute;mero de orientandos e o n&uacute;mero de ocorr&eacute;ncias que levaram cada professora a buscar ajuda m&eacute;dica e/ou psicol&oacute;gica.</p>     <p>Quando se trata de queixas de mal-estares f&iacute;sicos e ps&iacute;quicos, sua rela&ccedil;&atilde;o com o n&uacute;mero de orientandos torna-se mais evidente entre as mulheres, enquanto para os homens essa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apresenta qualquer proporcionalidade, como mostra o  <a href="#f6">Gr&aacute;fico 6</a>.</p>     <center><a name="f6"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f6.jpg"></a></center>     <p>As atividades realizadas em contato direto com alunos &mdash;em particular aquelas que implicam atendimento individualizado&mdash; apresentam rela&ccedil;&atilde;o proporcional mais acentuada com as queixas de mal-estares, principalmente entre as professoras. Essa situa&ccedil;&atilde;o se repete quando se trata de supervis&atilde;o de estagi&aacute;rios, como podemos verificar no  <a href="#f7">Gr&aacute;fico 7</a>.</p>     <center><a name="f7"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18f7.jpg"></a></center>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Maior frequ&eacute;ncia de sofrimento e adoecimento entre as mulheres tem sido identificada tamb&eacute;m em estudos realizados em universidades n&atilde;o brasileiras. Uma pesquisa realizada na Universidade Nacional de C&oacute;rdoba aponta que a forte tend&eacute;n-cia das mulheres ao adoecimento faz aumentar o consumo de medicamentos ainda em idade precoce (Giacone &amp; Costa, 2004). Outro estudo, esse envolvendo 172 professores da Universidade Polit&eacute;cnica da Catalu&ntilde;a, mostra que a magnitude da jornada laboral tem maior repercuss&atilde;o na vida das professoras, pelo fato de elas valorizarem mais a vida familiar (Cladellas &amp; Castell&oacute;, 2011).</p>     <p>Em artigo publicado anteriormente, tendo como base parte dos resultados da pesquisa que fundamenta este trabalho, Borsoi e Pereira (2011) j&aacute; haviam apontado que as professoras tendem a apresentar mais queixas de sofrimento e adoecimento que os docentes do sexo masculino. Os autores defendem que uma das principais raz&otilde;es para essa ocorr&eacute;ncia &eacute; o fato de que as mulheres lidam com maior fre-qu&eacute;ncia com a aus&eacute;ncia de fronteiras entre o tempo dedicado ao trabalho e o tempo voltado para a vida familiar. Diferentemente dos docentes homens, as professoras tendem a experimentar a dupla jornada, muitas vezes num mesmo intervalo temporal.</p>     <p>O refinamento dos resultados da pesquisa, al&eacute;m de confirmar o que foi exposto no referido artigo, identifica atividades acad&ecirc;micas que parecem ter maior peso no desencadeamento de processos de sofrimento e de adoecimento entre as mulheres docentes: a elevada quantidade de orientandos e estagi&aacute;rios sob supervis&atilde;o.</p>     <p>Cabe ressaltar, entretanto, que, embora os resultados expostos nos gr&aacute;ficos de dispers&atilde;o apontem baixa intensidade na rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho excessivo &mdash;que se expressa na quantidade de orien-tandos e estagi&aacute;rios&mdash; e as queixas de mal-estares por parte dos docentes do sexo masculino, eles n&atilde;o significam que esses professores n&atilde;o tenham problemas de sa&uacute;de relacionados ao trabalho que realizam. Os resultados apenas indicam que, nesse caso, os problemas aparecem de maneira difusa. Assim, tanto os professores que orientam poucos alunos como aqueles que orientam muitos apresentam situa&ccedil;&otilde;es semelhantes em termos de sofrimento e adoecimento. Isso fica evidente na medida em que a pesquisa aponta que 77.6% dos professores homens procuraram atendimento m&eacute;dico e/ou psicol&oacute;gico nos &uacute;ltimos dois anos com queixas similares &agrave;s apresentadas pelas mulheres. Al&eacute;m disso, 41% deles informaram sofrer desconfortos f&iacute;sicos e ps&iacute;quicos como cansa&ccedil;o, fadiga, estresse, ins&oacute;nia e dores no corpo, o que demonstra o real sofrimento entre docentes do sexo masculino.</p>     <p>Pelos resultados, notamos que as mulheres tendem a eleger &mdash;obviamente n&atilde;o de maneira intencional&mdash; algumas atividades da vida acad&eacute;mica como as que mais exigem envolvimento, esfor&ccedil;o, aten&ccedil;&atilde;o: aquelas tarefas que implicam rela&ccedil;&atilde;o direta com os alunos. Provavelmente por isso, essas atividades aparecem na base de suas queixas de mal-estares e modos de adoecimento. Ao contr&aacute;rio das professoras, os docentes homens parecem tratar as diversas incumb&eacute;ncias do seu trabalho de maneira semelhante. Os depoimentos de dois entrevistados podem lan&ccedil;ar luz sobre essa quest&atilde;o. O primeiro, ao ser questionado sobre o que considera mais desgastante na atividade acad&eacute;mica, responde:</p>     <blockquote> 	    <p>Prazos e volume de trabalho. Prazos para dar conta de in&uacute;meros pareceres, prazos para dar conta de processos seletivos de mestrado e doutorado, prazo de orienta&ccedil;&atilde;o de aluno &mdash; o prazo vai se esgotando e o cara tem que defender a disserta&ccedil;&atilde;o ou tese &mdash;, participa&ccedil;&atilde;o em banca, que &agrave;s vezes o prazo &eacute; ex&iacute;guo para o trabalho. Ter que fazer uma leitura de uma tese em 15 dias, por exemplo. (Homem, 49 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais)</p> </blockquote>     <p>O outro, ao ser inquirido sobre o modo como lida com as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho na universidade, emite a seguinte resposta:</p>     <blockquote> 	    <p>Uma colega me perguntou se eu n&atilde;o queria assumir a coordena&ccedil;&atilde;o do colegiado. Eu aceitei. Eu quero sair um pouco de laborat&oacute;rio, pesquisa... Ent&atilde;o, para mim, tem sido extremamente gratificante, muito prazeroso. &#917; diferente de estar numa p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, numa pesquisa. Voc&eacute; tem aqui um suporte muito grande da universidade. Tem gente para te dar assessoria, voc&eacute; tem t&eacute;cnicos, voc&eacute; lida com alunos. O aluno &eacute; muito melhor para lidar. As vezes, tem suas particularidades. Voc&eacute; consulta esses colegas da inst&acirc;ncia superior, que te orientam. Ent&atilde;o tem sido muito prazeroso porque voc&eacute; v&eacute; resultado. Voc&eacute; &eacute; cobrado, mas voc&eacute; v&eacute; imediatamente o resultado. Acho que isso &eacute; motivador aqui para mim. Os resultados s&atilde;o imediatos. Ent&atilde;o, tem sido muito bom. (Homem, 47 anos, Centro de Ci&eacute;ncias Humanas e Naturais)</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para esse professor, importa n&atilde;o a tarefa a ser feita, mas o fato de que est&aacute; experimentando algo novo, diferente do que fazia antes. A rela&ccedil;&atilde;o com os alunos &eacute; inerente a seu trabalho, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; desconforto. O outro professor, por sua vez, prende--se ao tempo que tem para realizar cada tarefa, e n&atilde;o &agrave; natureza da tarefa em si mesma. &#917; o volume de trabalho que n&atilde;o cabe em sua jornada regular que o incomoda. &#917; isso que ele aponta como sendo desgastante e que, na sua avalia&ccedil;&atilde;o, leva alguns de seus colegas de departamento ao adoecimento.</p>     <p>Os resultados emp&iacute;ricos analisados aqui apontam que a base do sofrimento e do adoecimento dos docentes parece estar, de fato, na press&atilde;o por produtividade, mas n&atilde;o necessariamente na press&atilde;o pela produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em termos de publica&ccedil;&otilde;es. Esta &uacute;ltima tende a ser percebida pelo docente como a atividade mais geradora de tens&otilde;es porque ela aparece, em sua carga hor&aacute;ria, como uma demanda que resulta em avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa que impacta, de maneira mais intensa, a pr&oacute;pria carreira acad&eacute;mica e o conceito do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no qual est&aacute; inserido.</p>     <p>Muitas vezes, o docente n&atilde;o se d&aacute; conta de que, na avalia&ccedil;&atilde;o final da sua produtividade individual e da de seu programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, entram, como requisitos obrigat&oacute;rios, n&atilde;o s&oacute; o quantitativo de publica&ccedil;&otilde;es, mas, tamb&eacute;m, o n&uacute;mero de orien-tandos de mestrado e/ou doutorado, de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e de monografia ou est&aacute;gio, a quantidade de horas-aula ministradas tanto na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o quanto na gradua&ccedil;&atilde;o, o quantitativo de disserta&ccedil;&otilde;es e teses finalizadas, o n&uacute;mero de participa&ccedil;&otilde;es em bancas de defesa etc. E isso &eacute; decisivo para a aquisi&ccedil;&atilde;o dos conceitos avaliativos da Capes.</p>     <p>Ora, estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o e, em particular, de mestrado ou doutorado, t&eacute;m prazos r&iacute;gidos para apresentarem seus trabalhos de conclus&atilde;o de curso; os orientandos de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica precisam elaborar seus relat&oacute;rios, tamb&eacute;m dentro de prazos regulares, para manter suas bolsas de estudos; as disciplinas t&eacute;m de ser ministradas durante o semestre letivo em curso. Todas s&atilde;o atividades que o docente se obriga a priorizar porque envolvem compromisso direto com pessoas que podem ser penalizadas, caso tal compromisso n&atilde;o seja cumprido dentro dos par&acirc;metros temporais estabelecidos. &#917; prov&aacute;vel que essa carga de responsabilidade seja a causa principal de casos de s&iacute;ndrome de <i>burnout </i>entre docentes, como informa a literatura j&aacute; citada no in&iacute;cio deste artigo<sup><a name="s9" href="#9">9</a></sup>.</p>     <p>Em contraposi&ccedil;&atilde;o, as publica&ccedil;&otilde;es de trabalhos envolvem outra modalidade de implica&ccedil;&atilde;o pessoal e incumb&eacute;ncias que podem ser adiadas at&eacute; certo ponto, uma vez que o preju&iacute;zo &eacute; sentido, em primeiro lugar e em especial, pelo pr&oacute;prio docente. Da&iacute; que a produ&ccedil;&atilde;o dita cient&iacute;fica pode estar em segundo plano na jornada laboral, muito embora necess&aacute;ria e sempre desejada como prioridade na mesma dimens&atilde;o das demais atividades acad&eacute;micas.</p>     <p>Por fim, a discuss&atilde;o levada a cabo aqui nos permite considerar que &eacute; a diversidade de atividades &mdash;estas quase todas obrigat&oacute;rias, delimitadas e tomadas como par&acirc;metro de avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho acad&eacute;mico individual e coletivo&mdash; que, de fato, tende a levar muitos professores ao sofrimento e ao adoecimento.</p>     <p><font size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p>Nosso objetivo principal foi indicar de que maneira aspectos do trabalho docente t&eacute;m provocado sofrimento e/ou adoecimento entre professores de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior. O resultado da an&aacute;lise de informa&ccedil;&otilde;es quantitativas e qualitativas aponta que esse processo est&aacute; relacionado &agrave; imensa demanda de atividades acad&eacute;micas que tem o docente, no fundamental &agrave; sobrecarga de ensino (aulas, orienta&ccedil;&otilde;es e supervis&otilde;es de estudantes etc.), aliada &agrave; necessidade de pesquisar e publicar, sem, no entanto, conseguir redimensionar sua jornada de trabalho para incluir nela a possibilidade real de satisfazer tal necessidade de acordo com o pr&oacute;prio desejo.</p>     <p>O aprofundamento da an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es obtidas na pesquisa nos colocou diante de elementos que denotam a tend&eacute;ncia de que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre sofrimento/adoecimento e atividades realizadas em contato com estudantes, o que tende a corroborar o que vem sendo apresentado pela literatura que destaca a ocorr&eacute;ncia de casos de s&iacute;ndrome de <i>burnout </i>entre professores. Nossa pesquisa aponta que essa rela&ccedil;&atilde;o se apresenta de forma mais expl&iacute;cita entre as mulheres. Elas parecem sentir as atividades de orienta&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o como mais desgastantes, raz&atilde;o porque estas surgem como mais geradoras de sofrimento, e at&eacute; de adoecimento. Quanto aos homens, eles tendem a n&atilde;o discriminar atividades que possam ser mais ou menos desgastantes ou motivos de tens&atilde;o. Entretanto, tamb&eacute;m est&atilde;o expostos a uma situa&ccedil;&atilde;o similar de sofrimento e adoecimento relacionados a aspectos do trabalho.</p>     <p>Contrariando, em parte, a percep&ccedil;&atilde;o imediata dos pr&oacute;prios professores e os argumentos de autores que buscam defender que a intensa exig&eacute;ncia de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica seja a causa principal de sofrimento entre docentes do ensino superior &mdash;de modo singular, entre pesquisadores&mdash;, nossa pesquisa aponta que s&atilde;o a quantidade e a diversidade das atividades acad&eacute;micas que sobrecarregam os docentes, invadindo, assim, seu cotidiano particular e inviabilizando o tempo para o descanso, o lazer e a vida familiar e social. Al&eacute;m disso, essa mesma sobrecarga impede que eles realizem o desejo de acompanhar a contento a forma&ccedil;&atilde;o de seus alunos e de pesquisar e publicar de acordo com seu pr&oacute;prio ritmo, e em conson&acirc;ncia com demandas reais que a sociedade e o ambiente acad&eacute;mico imp&otilde;em.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sendo assim, julgamos pertinente defender que o redimensionamento da din&acirc;mica do trabalho acad&eacute;mico requer a considera&ccedil;&atilde;o de pesos semelhantes para essa diversidade de atividades; requer, de certo modo, o que Spink e Alves chamaram de &quot;rebeldia competente&quot;. Nesse caso, consideramos que uma conduta questionadora da atual pol&iacute;tica universit&aacute;ria pode impactar n&atilde;o s&oacute; a qualidade da produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica &mdash;seja ela concretizada em pesquisa, seja em publica&ccedil;&atilde;o, seja em forma&ccedil;&atilde;o de estudantes&mdash;, mas tamb&eacute;m a sa&uacute;de e o bem-estar dos docentes.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Rodap&eacute;</b></font></p>     <p><sup><a href="#s1" name="1">1</a></sup>Neste artigo, entendemos adoecimento como um estado de comprometimento f&iacute;sico e/ou ps&iacute;quico reconhecido por profis'sionais de sa&uacute;de como uma afec&ccedil;&atilde;o ou um transtorno que ne' cessita de tratamento, medicamentoso ou n&atilde;o. Quanto &agrave; no&ccedil;&atilde;o de sofrimento, ela se refere a manifesta&ccedil;&otilde;es de desconforto e/ou a mal-estares f&iacute;sicos ou ps&iacute;quicos que n&atilde;o s&atilde;o qualificados como patologias ou transtornos som&aacute;ticos ou ps&iacute;quicos. Claro est&aacute;, no entanto, que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os processos de adoeci' mento e o sofrimento. Aqui, n&atilde;o tivemos a inten&ccedil;&atilde;o de tratar esses fen&oacute;menos separadamente, por essa raz&atilde;o eles s&atilde;o mencionados quase sempre em conjunto.    <br> <sup><a href="#s2" name="2">2</a></sup>Tipos de adicionais salariais por tempo de servi&ccedil;o.    <br> <sup><a href="#s3" name="3">3</a></sup>Licen&ccedil;a remunerada com dura&ccedil;&atilde;o de at&eacute; tr&ecirc;s meses, a t&iacute;tulo de pr&ecirc;mio por assiduidade, ap&oacute;s cada per&iacute;odo de cinco anos ininterruptos de trabalho.    <br> <sup><a href="#s4" name="4">4</a></sup>A vers&atilde;o <i>on-line </i>do protocolo foi elaborada pelo engenheiro de computa&ccedil;&atilde;o Gustavo Becacici.    <br> <sup><a href="#s5" name="5">5</a></sup>Elaboramos dois outros artigos fundamentados em resultados obtidos por meio do protocolo de pesquisa aqui referido. Ver Borsoi e Pereira (2011) e Borsoi (2012).    <br> <sup><a href="#s6" name="6">6</a></sup>Insalubridade diz respeito a um conjunto de elementos espec&iacute;ficos das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho os quais, quando atuam no organismo do trabalhador, podem causar enfermidades reconhecidas como doen&ccedil;as relacionadas ao trabalho (Scopinho, 2003). A condi&ccedil;&atilde;o periculosa de trabalho &eacute; aquela que oferece risco objetivo de acidente laboral.    <br> <sup><a href="#s7" name="7">7</a></sup>As porcentagens apresentadas nos Gr&aacute;ficos 1, 2 e 3 s&atilde;o relativas ao N total de docentes que responderam a cada vari&aacute;vel e foram calculadas individualmente.    <br> <sup><a href="#s8" name="8">8</a></sup>Como informamos anteriormente, a pesquisa dependeu da ades&atilde;o dos professores, o que impossibilitou a constru&ccedil;&atilde;o de uma amostragem aleat&oacute;ria probabil&iacute;stica, que, obviamente, em termos estat&iacute;sticos, seria mais representativa do universo investigado.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup><a href="#s9" name="9">9</a></sup>E importante ressaltar que a pesquisa n&atilde;o investigou se h&aacute; ocorr&ecirc;ncia ou n&atilde;o de s&iacute;ndrome de burnout. Por essa raz&atilde;o, apenas indicamos uma prov&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o entre aspectos da situa&ccedil;&atilde;o de trabalho e esse modo de adoecimento.    <br> <sup><a href="#s10" name="10">10</a></sup>Instrumento elaborado por Izabel Cristina Ferreira Borsoi e testado com a colabora&ccedil;&atilde;o de Flavilio Silva Pereira, originalmente adotado na pesquisa &quot;Precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e produtividade: implica&ccedil;&otilde;es no modo de vida e na sa&uacute;de de docentes do ensino p&uacute;blico superior&quot;, desenvolvida da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo.</p> <hr>     <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p>Alvarez, D. (2004). <i>Cimento n&atilde;o &eacute; concreto, tamborim n&atilde;o &eacute; pandeiro, pensamento n&atilde;o &eacute; dinheiro! Para onde vai a produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica? </i>Rio de Janeiro: Myrrha.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1657-9267201300040001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Benevides-Pereira, A. M. T. (2002). <i>Burnout: </i>o processo de adoecer pelo trabalho. In A. M. T. Benevides-Pereira (Ed.), <i>Burnout: quando o trabalho amea&ccedil;a o bem-estar do trabalhador </i>(pp. 21-91). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1657-9267201300040001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bianchetti, L., &amp; Machado, A. M. N. (2008). &quot;Ref&eacute;ns da produtividade&quot;: sobre produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, sa&uacute;de dos pesquisadores e intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. GT: <i>Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o, 09 </i>(ANPED).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1657-9267201300040001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Borsoi, I. C. F. (2007). Da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e sa&uacute;de &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e sa&uacute;de mental &#91;Edi&ccedil;&atilde;o Especial&#93;. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 19(1), </i>103-111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1657-9267201300040001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Borsoi, I. C. F. (2012). Trabalho e produtivismo: sa&uacute;de e modo de vida de docentes de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior. <i>Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, </i>15(1), 81-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1657-9267201300040001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Borsoi, I. C. F., &amp; Pereira, F. S. (2011). Mulheres e homens em jornadas sem limites: doc&eacute;ncia, g&eacute;nero e sofrimento. <i>Temporalis, 11 </i>(21), 119-145.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1657-9267201300040001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carlotto, M. S. (2002). S&iacute;ndrome de <i>burnout </i>e a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho: um estudo com professores universit&aacute;rios. In A. M. T. Benevides-Pereira (Ed.), <i>Burnout: quando o trabalho amea&ccedil;a o bem-estar do trabalhador </i>(pp. 187-212). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1657-9267201300040001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cladellas, R., &amp; Castell&oacute;, A. (2011). Percepci&oacute;n del estado de salud y estr&eacute;s, de profesorado universitario, en relaci&oacute;n con la franja horaria de docencia. <i>Electronic Journal of Research in Educational Psychology, </i>9(1), 217-240. Recuperado de <a target="_blank" href="http://repositorio.ual.es/jspui/bitstream/10835/855/1/Art_23_508_eng.pdf">http://repositorio.ual.es/jspui/bitstream/10835/855/1/Art_23_508_eng.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1657-9267201300040001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Emiliano, N. (2008). <i>Sociabilidades e adoecimento nas universidades: a sa&uacute;de do trabalhador. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;tica Social da Universidade Federal Fluminense, Niter&oacute;i, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1657-9267201300040001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Giacone, M. S., &amp; Costa, M. C. S. (2004). Trabajo y salud de las docentes de la Universidad Nacional de C&oacute;rdoba: uso de medicamentos/sustancias l&iacute;citas y plan materno infantil &#91;N&uacute;mero Especial&#93;. <i>Revista Latino-Americana de Enfermagem, 12, </i>383-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1657-9267201300040001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Guevara, H., &amp; Dom&iacute;nguez, A. (2011). Aproximaciones te&oacute;ricas a la calidad de vida del profesor universitario. <i>Revista de Bio&eacute;tica Latinoamericana, </i>8(1), 61-74. Recuperado de <a target="_blank" href="http://www.saber.ula.ve/bitstream/123456789/34040/3/articulo6.pdf">http://www.saber.ula.ve/bitstream/123456789/34040/3/articulo6.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1657-9267201300040001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jes&uacute;s, H. B. (2003). <i>La calidad de vida, el trabajo y la salud de los profesores universitarios. </i>Tese de Doutorado n&atilde;o publicada, Departamento de Psicolog&iacute;a de la Salud de la Universidad de Alicante, Alicante, Espa&ntilde;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1657-9267201300040001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lacaz, F. A. C. (2010). Capitalismo organizacional e trabalho: a sa&uacute;de do docente. <i>Universidade e Sociedade, </i>19(45), 51-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1657-9267201300040001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lemos, J. C. (2005). <i>Cargas ps&iacute;quicas no trabalho e processos de sa&uacute;de em professores universit&aacute;rios. </i>Tese de Doutorado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua-&ccedil;&atilde;o em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&oacute;polis, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1657-9267201300040001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Louzada, R. de C. R., &amp; Silva Filho, J. F., da. (2005). Forma&ccedil;&atilde;o do pesquisador e sofrimento mental: um estudo de caso. <i>Psicologia em Estudo, </i>10(3), 1-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1657-9267201300040001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lucero, J. C. V., Mu&ntilde;iz, J. G., L&oacute;pez, N. A. M., Lara, R. M. M., &amp; P&eacute;rez, O. P. G. (2008). Factores que influyen em la calidad de vida de profesores universitarios. <i>Psicolog&iacute;a y Salud, 18(1), </i>27-36. Recuperado de  <a target="_blank" href="http://redalyc.uaemex.mx/pdf/291/29118103.pdf">http://redalyc.uaemex.mx/pdf/291/29118103.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1657-9267201300040001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Luz, M. T. (2008). Notas sobre a pol&iacute;tica de produtividade em pesquisa no Brasil: consequ&eacute;ncias para a vida acad&eacute;mica, a &eacute;tica no trabalho e a sa&uacute;de dos trabalhadores. <i>Pol&iacute;tica &amp; Sociedade, </i>7(13), 205-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1657-9267201300040001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mancebo, D. (2007). Trabalho docente: subjetividade, sobre implica&ccedil;&atilde;o e prazer. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 20</i>(1), 74- 80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1657-9267201300040001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mancebo, D., &amp; Lopes, M. C. R. (2004). Trabalho docente: compress&atilde;o temporal, flexibilidade e prazer? <i>Revista de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, </i>13(24), 138-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1657-9267201300040001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, O. A. V. (2006). <i>Qualidade de vida no trabalho de docentes universit&aacute;rios de uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e outra privada do leste de Minas Gerais. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Meio Ambiente e Sustentabilidade do Centro Universit&aacute;rio de Caratinga, Minas Gerais, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1657-9267201300040001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Scopinho, R. A. (2003). <i>Vigiando a vigil&acirc;ncia: sa&uacute;de e seguran&ccedil;a no trabalho em tempos de qualidade total. </i>S&atilde;o Paulo: Annablume/Fapesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S1657-9267201300040001800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sguissardi, V., &amp; Silva Junior, J. dos R. (2009). <i>Trabalho intensificado nas federais: p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e produtivismo acad&eacute;mico. </i>S&atilde;o Paulo: Xam&atilde;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1657-9267201300040001800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Silva Junior, J. dos R., Sguissard, V., &amp; Silva, E. P. (2010). Trabalho intensificado na universidade p&uacute;blica brasileira. <i>Universidade e Sociedade, 19</i>(45), 9-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S1657-9267201300040001800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Spink, P., &amp; Alves, M. A. (2011). O campo turbulento da produ&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e a import&acirc;ncia da rebeldia competente. <i>O &amp; S: Ideias em Debate, </i>18(57), 337-343.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1657-9267201300040001800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vilela, E. F. (2010). <i>Viv&ecirc;ncias de prazer e sofrimento no trabalho docente: um estudo em IES p&uacute;blica de Belo Horizonte. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Administra&ccedil;&atilde;o da Faculdade Novos Horizontes, Belo Horizonte, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1657-9267201300040001800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ANEXO</b></p>     <center><a name="a1"><img src="img/revistas/rups/v12n4/v12n4a18a1.jpg"></a><sup><a name="s10" href="#10">10</a></sup></center> </font>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alvarez]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cimento não é concreto, tamborim não é pandeiro, pensamento não é dinheiro! Para onde vai a produção académica?]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Myrrha]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Benevides-Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Burnout: o processo de adoecer pelo trabalho]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Benevides-Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[urnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>21-91</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa do Psicólogo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bianchetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Reféns da produtividade": sobre produção de conhecimento, saúde dos pesquisadores e intensificação do trabalho na pós-graduação]]></source>
<year>2008</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borsoi]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. C. F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da relação entre trabalho e saúde à relação entre trabalho e saúde mental]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia & Sociedade]]></source>
<year>2007</year>
<volume>19</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>103-111</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borsoi]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. C. F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho e produtivismo: saúde e modo de vida de docentes de instituições públicas de ensino superior]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Psicologia Social do Trabalho]]></source>
<year>2012</year>
<volume>15</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>81-100</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borsoi]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. C. F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mulheres e homens em jornadas sem limites: docéncia, género e sofrimento]]></article-title>
<source><![CDATA[Temporalis]]></source>
<year>2011</year>
<volume>11</volume>
<numero>21</numero>
<issue>21</issue>
<page-range>119-145</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carlotto]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndrome de burnout e a satisfação no trabalho: um estudo com professores universitários]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Benevides-Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>187-212</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa do Psicólogo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cladellas]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Castelló]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Percepción del estado de salud y estrés, de profesorado universitario, en relación con la franja horaria de docencia]]></article-title>
<source><![CDATA[Electronic Journal of Research in Educational Psychology]]></source>
<year>2011</year>
<volume>9</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>217-240</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Emiliano]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociabilidades e adoecimento nas universidades: a saúde do trabalhador]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Niterói ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Giacone]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C. S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Trabajo y salud de las docentes de la Universidad Nacional de Córdoba: uso de medicamentos/sustancias lícitas y plan materno infantil]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Latino-Americana de Enfermagem]]></source>
<year>2004</year>
<volume>12</volume>
<page-range>383-90</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guevara]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Domínguez]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Aproximaciones teóricas a la calidad de vida del profesor universitario]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Bioética Latinoamericana]]></source>
<year>2011</year>
<volume>8</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>61-74</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jesús]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La calidad de vida, el trabajo y la salud de los profesores universitarios]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Alicante ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lacaz]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. A. C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Capitalismo organizacional e trabalho: a saúde do docente]]></article-title>
<source><![CDATA[Universidade e Sociedade]]></source>
<year>2010</year>
<volume>19</volume>
<numero>45</numero>
<issue>45</issue>
<page-range>51-59</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lemos]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cargas psíquicas no trabalho e processos de saúde em professores universitários]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Florianópolis ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Louzada]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. de C. R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. F., da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formação do pesquisador e sofrimento mental: um estudo de caso]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></source>
<year>2005</year>
<volume>10</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>1-17</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lucero]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C. V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Muñiz]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[López]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. A. M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Factores que influyen em la calidad de vida de profesores universitarios]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicología y Salud]]></source>
<year>2008</year>
<volume>18</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>27-36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luz]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Notas sobre a política de produtividade em pesquisa no Brasil: consequéncias para a vida académica, a ética no trabalho e a saúde dos trabalhadores]]></article-title>
<source><![CDATA[Política & Sociedade]]></source>
<year>2008</year>
<volume>7</volume>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
<page-range>205-228</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mancebo]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho docente: subjetividade, sobre implicação e prazer]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Reflexão e Crítica]]></source>
<year>2007</year>
<volume>20</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>74- 80</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mancebo]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C. R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho docente: compressão temporal, flexibilidade e prazer?]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Educação Pública]]></source>
<year>2004</year>
<volume>13</volume>
<numero>24</numero>
<issue>24</issue>
<page-range>138-152</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[O. A. V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Qualidade de vida no trabalho de docentes universitários de uma instituição pública e outra privada do leste de Minas Gerais]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Minas Gerais ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scopinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vigiando a vigilância: saúde e segurança no trabalho em tempos de qualidade total]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Annablume/Fapesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sguissardi]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva Junior]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. dos R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Trabalho intensificado nas federais: pós-graduação e produtivismo académico]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Xamã]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva Junior]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. dos R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sguissard]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho intensificado na universidade pública brasileira]]></article-title>
<source><![CDATA[Universidade e Sociedade]]></source>
<year>2010</year>
<volume>19</volume>
<numero>45</numero>
<issue>45</issue>
<page-range>9-25</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Spink]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O campo turbulento da produção académica e a importância da rebeldia competente]]></article-title>
<source><![CDATA[O & S: Ideias em Debate]]></source>
<year>2011</year>
<volume>18</volume>
<numero>57</numero>
<issue>57</issue>
<page-range>337-343</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vilela]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vivências de prazer e sofrimento no trabalho docente: um estudo em IES pública de Belo Horizonte]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
