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<abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Um dos temas centrais da filosofia política bobbiana é a democracia. Nesse sentido, várias são as abordagens do filósofo turinês ao longo de sua vasta bibliografia. Neste artigo não seria possível realizar mais do que um apanhado geral sobre esta extensa temática da qual se ocupa Bobbio. Nossa proposta é de centrar-nos em alguns aspectos que possam acercar-nos o conceito de democracia e suas vicissitudes o que, por si só, vale insistir, justifica toda uma pesquisa científica dotada de completa autonomia. Nestas linhas me deterei à procura de tornar mais precisas as dimensões ocupadas pelo conceito de democracia em Bobbio. Passo seguinte, a ideia é encadeá-lo com o sentido e a relevância de que goza o conceito de participação política no contexto de sua obra política, na qual o conceito de activae civitatis desfruta de posição privilegiada.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">     <p align="center"><font size="4"><b>A democracia e seus fundamentos em Norberto Bobbio</b></font></p>     <p align="center"><b><font size="3">Democracy and its grounds in Norberto Bobbio</font></b></p>     <p>Roberto Bueno*    <br>   Universidad Federal de Uberl&acirc;ndia, Brasil</p>     <p>* <a href="mailto:rbueno_@hotmail.com"><i>rbueno_@hotmail.com</i></a><i>.</i>    <br>     <i>Direcci&oacute;n: </i>Av. Jo&atilde;o Naves de &Aacute;vila, 2121 Bairro Santa M&ocirc;nica Bloco 1U Sala 121 (atr&aacute;s do RU) Campus Santa M&ocirc;nica CEP: 38400-902 Uberl&acirc;ndia, Minas Gerais (Brasil).</p>     <p>Fecha de recepci&oacute;n: marzo 8 de 2010    <br>   Fecha de aceptaci&oacute;n: marzo 11 de 2010</p> <hr>     <p><b>Resumen</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uno de los temas centrales de la filosof&iacute;a pol&iacute;tica bobbiana es la democracia. En este sentido muchos son los abordajes del fil&oacute;sofo turin&eacute;s a lo largo de su inmensa bibliografia. En este art&iacute;culo no seria posible realizar m&aacute;s que un breve recorrido sobre esta extens&iacute;sima tem&aacute;tica de la cual se ocupa Bobbio. Nuestra propuesta es la de centrarnos en algunos de los aspectos que puedan acercarnos al n&uacute;cleo del pensamiento bobbiano sobre la democracia y sus vicisitudes, el que por si s&oacute;lo justificaria toda una l&iacute;nea de investigaci&oacute;n due&ntilde;a de total autonom&iacute;a. En estas l&iacute;neas me ocupar&eacute; de hacer m&aacute;s exactas las dimensiones que ocupa el concepto de democracia en Bobbio. A rengl&oacute;n seguido, la idea es de encadenar tal concepto con el sentido e importancia que disfruta el concepto de participaci&oacute;n pol&iacute;tica en el contexto de su obra pol&iacute;tica, en la cual el concepto de <i>activae civitatis </i>disfruta de posici&oacute;n de relieve.</p>     <p>Palabras  Clave    <br>     <i>Norberto Bobbio; Democracia; Derecho; Pol&iacute;tica; Filosof&iacute;a.</i></p> <hr>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Um dos temas centrais da filosofia pol&iacute;tica bobbiana &eacute; a democracia. Nesse sentido, v&aacute;rias s&atilde;o as abordagens do fil&oacute;sofo turin&ecirc;s ao longo de sua vasta bibliografia. Neste artigo n&atilde;o seria poss&iacute;vel realizar mais do que um apanhado geral sobre esta extensa tem&aacute;tica da qual se ocupa Bobbio. Nossa proposta &eacute; de centrar-nos em alguns aspectos que possam acercar-nos o conceito de democracia e suas vicissitudes o que, por si s&oacute;, vale insistir, justifica toda uma pesquisa cient&iacute;fica dotada de completa autonomia. Nestas linhas me deterei &agrave; procura de tornar mais precisas as dimens&otilde;es ocupadas pelo conceito de democracia em Bobbio. Passo seguinte, a ideia &eacute; encade&aacute;-lo com o sentido e a relev&acirc;ncia de que goza o conceito de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no contexto de sua obra pol&iacute;tica, na qual o conceito de <i>activae civitatis </i>desfruta de posi&ccedil;&atilde;o privilegiada.</p>     <p>Palabras-Chave    <br>     <i>Norberto Bobbio; Democracia; Direito; Pol&iacute;tica; Filosofia.</i></p> <hr>     <p><b>1. A democracia como tema central em Bobbio</b></p>     <p>U m dos temas centrais da filosofia pol&iacute;tica bobbiana &eacute; a democracia. Neste sentido, v&aacute;rias s&atilde;o as abordagens do fil&oacute;sofo turin&ecirc;s ao longo de sua vasta bibliografia. Neste artigo n&atilde;o seria poss&iacute;vel realizar mais do que um apanhado geral sobre esta extensa tem&aacute;tica da qual se ocupa Bobbio. Nossa proposta &eacute; de centrar-nos em alguns aspectos que possam acercar-nos o conceito de democracia e suas vicissitudes o que, por si s&oacute;, vale insistir, justifica toda uma pesquisa cient&iacute;fica dotada de completa autonomia. Nestas linhas me deterei &agrave; procura de tornas mais precisas as dimens&otilde;es ocupadas pelo conceito de democracia em Bobbio. Passo seguinte, a ideia &eacute; encade&aacute;-lo com o sentido e a relev&acirc;ncia de que goza o conceito de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no contexto de sua obra pol&iacute;tica, na qual o conceito de activae civitatis desfruta de posi&ccedil;&atilde;o privilegiada.</p>     <p>O conceito de <i>activae civitatis </i>nos remete &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre igualdade e liberdade anunciada por Martino. Segundo ele, quando se d&aacute; um forte predom&iacute;nio da liberdade sobre o valor igualdade nos encontramos com uma situa&ccedil;&atilde;o de forte disparidade, principalmente do ponto de vista econ&ocirc;mico. Por outro lado, argumenta o autor, d&aacute;-se forte predom&iacute;nio da igualdade nos remete para a configura&ccedil;&atilde;o de formas pol&iacute;ticas autocr&aacute;ticas (Martino, 1983).<a href="#1" name="s1"><sup>1</sup></a> Em s&iacute;ntese, do que se trata &eacute;, na verdade, e em perfeita conson&acirc;ncia com Bobbio, de que a durabilidade da liberdade necessita formas ativas de participa&ccedil;&atilde;o, ou seja, a <i>activae civitatis </i>a qual se refere o turin&ecirc;s. Isto torna-se ainda mais evidente quando o Estado tem pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias de cunho social-democrata e buscam a extens&atilde;o de certos n&iacute;veis de igualdade no Estado. Como diz Bobbio, existe o conflito entre a liberdade e a igualdade que, dado a amplia&ccedil;&atilde;o da primeira, sempre redundou na limita&ccedil;&atilde;o do segundo conceito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Momento seguinte em nossas considera&ccedil;&otilde;es, ser&aacute; inevit&aacute;vel ligar a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com o conceito de legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e, claro, o papel que nessas rela&ccedil;&otilde;es possa desempenhar o indiv&iacute;duo apol&iacute;tico.<a href="#2" name="s2"><sup>2</sup></a> Mas, enfim, se quis&eacute;ssemos pura e simplesmente excluir o argumento da legitimidade, porque se faria necess&aacute;ria esta participa&ccedil;&atilde;o? Bobbio oferece ainda outra argumenta&ccedil;&atilde;o para tal. Diz ele que a democracia exige acordos e, logo, podemos concluir, acordos apenas podem dar-se ali onde as diferen&ccedil;as persistam, e a sociedade bobbiana est&aacute; marcada pelo fato de que existem seres desiguais e dominados por paix&otilde;es, instintos associativos e interesses ego&iacute;stas —e aqui talvez a marca da perspectiva hobessiana na filosofia pol&iacute;tica bobbiana—, ou seja, trata-se de um <i>approach </i>te&oacute;rico marcadamente <i>anti-igualitarista </i>em seus moldes cl&aacute;ssicos (Bobbio, 1990b). Nessas circunst&acirc;ncias conflitivas Bobbio n&atilde;o encontrar&aacute; outra solu&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o o di&aacute;logo, o qual pode dar-se quando os interlocutores atuam, isto &eacute;, participam na vida p&uacute;blica, momento no qual o conceito de <i>activae civitates </i>reocupa seu lugar de destaque. Em circunst&acirc;ncias extremas Bobbio foi capaz de dar exemplo pr&aacute;tico dessa sua convic&ccedil;&atilde;o. No contexto da guerra fria, certa vez, chamou liberais e marxistas comunistas ao debate na It&aacute;lia. Na pr&aacute;tica a tentativa foi infrut&iacute;fera, pois os liberais n&atilde;o compareceram (Ruiz-Miguel, 1994). De qualquer forma, conv&eacute;m mencionar, seria muito pouco prov&aacute;vel que, ainda que os liberais tivessem acudido ao encontro programado por Bobbio, que alguns resultados tivessem sido obtidos, e tudo porque o clima de radicalismos ideol&oacute;gicos que o mundo vivia n&atilde;o dava lugar &agrave; transig&ecirc;ncia que se faz indispens&aacute;vel, chave para o avan&ccedil;o de um mero di&aacute;logo para a obten&ccedil;&atilde;o de conseq&uuml;&ecirc;ncias pr&aacute;ticas firmes. Sem isto nenhum avan&ccedil;o pode ser dado, posto que cada uma das partes interv&eacute;m no encontro apenas como meio de reafirmar seu discurso e pouco ou nada dispostas a abrir m&atilde;o de alguns aspectos de sua ideologia.</p>     <p>Um dos problemas que subsistem ao conceito de democracia, entre outros, &eacute; que esta &eacute; uma express&atilde;o que goza de muitos sig-ni&ntilde;eados (Bobbio, 1983).<a href="#3" name="s3"><sup>3</sup></a> Esta diversidade, por sua vez, abriga at&eacute; mesmo sentidos opostos e, em alguns casos, n&atilde;o s&atilde;o meras varia&ccedil;&otilde;es de uma mesma concep&ccedil;&atilde;o mas sim perfeitamente anta-g&ocirc;nica.<a href="#4" name="s4"><sup>4</sup></a> N&atilde;o obstante, em algum momento identifica a democracia como fundamentada no amplo &quot;reconhecimento dos direitos de liberdade e como natural complemento o reconhecimento dos direitos sociais ou de justi&ccedil;a&quot; (Bobbio, 2001a, p. 502)<a href="#5" name="s5"><sup>5</sup></a> De modo mais preciso Bobbio admite ser poss&iacute;vel reconhecer a democracia um significado preponderante, qual seja, aquele que sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de uma &quot;ampla e segura participa&ccedil;&atilde;o da maior parte dos cidad&atilde;os, em forma direta e indireta, nas decis&otilde;es que interessam &agrave; toda coletividade&quot; (Bobbio, 1983, pp. 55-56).<a href="#6" name="s6"><sup>6</sup></a> Essa participa&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o deve ser compreendida apenas como atividade pol&iacute;tico-partid&aacute;ria. Ao contr&aacute;rio, Bobbio defende a tese de que quem est&aacute; fora dos partidos pol&iacute;ticos pode exercer atividades muito &uacute;teis, &agrave; medida que h&aacute; um sem-fim de tarefas as quais os partidos, por m&uacute;ltiplas raz&otilde;es, n&atilde;o querem e/ou n&atilde;o podem exercer (Bobbio, 2001b) carecem de ser cumpridas. Mas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel entender a participa&ccedil;&atilde;o como sin&ocirc;nimo de aclama&ccedil;&atilde;o, t&iacute;pica dos regimes fascistas e nazistas que infestaram a Europa na primeira metade do s&eacute;culo XX. Participar &eacute; inserir-se no debate p&uacute;blico, contradit&oacute;rio, conflituoso, e aceitar resultados que freq&uuml;entemente nos s&atilde;o adversos.</p>     <p>O valor da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica reside tanto em seu aspecto legitimador quanto no aspecto pedag&oacute;gico de que ela se reveste. O primeiro aspecto, desde logo, trata da sustenta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de que disp&otilde;em os respons&aacute;veis pol&iacute;ticos para prosseguir no processo pol&iacute;tico tanto quanto de seu resultado legislativo. O segundo aspecto, pedag&oacute;gico, oferece importante blindagem pol&iacute;tica ao sistema de garantias contra ideologias antidemocr&aacute;ticas. A participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica torna poss&iacute;vel que o indiv&iacute;duo proteja, pelo menos, uma das dimens&otilde;es do homem prenunciadas por Bobbio: a interior, posto que a exterior &eacute; aquela sobre a qual o Estado pode exercer o seu poder. Na realidade, Bobbio n&atilde;o deixa de perceber que a &quot;democracia perfeita, ideal&quot;, &eacute; mesmo a democracia direta (Bob-bio, 1983), a qual nunca desapareceu como verdadeiro paradigma e ideal de democracia nos moldes modernos (Bobbio, 1987). N&atilde;o obstante, veio a servir t&atilde;o somente enquanto um &uacute;til corretivo &agrave; democracia indireta (Bobbio, 1983), ainda que n&atilde;o o seja de forma isolada. Entretanto, no que diz respeito a dimens&atilde;o interior o Estado n&atilde;o deve ter qualquer possibilidade de inger&ecirc;ncia. Para tanto, n&atilde;o h&aacute; outra solu&ccedil;&atilde;o, segundo as refer&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, que uma firme a&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo em defesa desse que, para o turin&ecirc;s, &eacute; o caminho da democracia (Bobbio, 2001b).<a href="#7" name="s7"><sup>7</sup></a> Isto fica exemplificado por sua postura no per&iacute;odo p&oacute;s-fascista italiano, quando reconhecia a tarefa que lhe aguardava e aos seus contempor&acirc;neos, qual seja, a de &quot;nos preparar culturalmente para o objetivo de renovar as nossas institui&ccedil;&otilde;es e restaurar o Estado liberal&quot; (Bobbio, 2000, p. 16),<a href="#8" name="s8"><sup>8</sup></a> que, ao fim e ao cabo, anda de m&atilde;os dadas com o Estado democr&aacute;tico.<a href="#9" name="s9"><sup>9</sup></a> Enfim, tratava-se de colocar as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade para que o Estado italiano pudesse dar o salto qualitativo ansiado por Bobbio: da supera&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio pela viol&ecirc;ncia para a restaura&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio pol&iacute;tico n&atilde;o violento, caracter&iacute;stico n&atilde;o apenas de toda sociedade civilizada como amplamente democr&aacute;tica (Bobbio apud Lafer, 1998)</p>     <p>Como conseq&uuml;&ecirc;ncia da defesa da participa&ccedil;&atilde;o (a qual chega a considerar um dever c&iacute;vico) (Bobbio, 1983) e, tamb&eacute;m, do fato de que ela muitas vezes n&atilde;o se d&aacute;, podemos assinalar um outro aspecto da teoria pol&iacute;tica de Bobbio, qual seja, o do combate &agrave; <i>apoliti</i><i>&agrave;</i><i>dade,</i><a href="#10" name="s10"><i><sup>10</sup></i></a><i> </i>a uma sociedade de &quot;esperadores&quot; (Bobbio, 2001b)<a href="#11" name="s11"><sup>11</sup></a><sup> </sup>que, ao fim e ao cabo, buscando preservar-se atrav&eacute;s da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o na vida p&uacute;blica, terminam por lucrar. Em algum momento eles s&atilde;o reconhecidos como um entrave &agrave; vida pol&iacute;tica ao passo em que se apresentam n&atilde;o apenas como seres n&atilde;o propositivos mas tamb&eacute;m como fortes o bastante para servir de obst&aacute;culos a muitas das novas id&eacute;ias (Bobbio, 2001b).<a href="#12" name="s12"><sup>12</sup></a> Corol&aacute;rio disso &eacute; que adot&aacute;-la implica em um efetivo posicionamento pol&iacute;tico, mesmo que inconscientemente. Entre os apol&iacute;ticos Bobbio identifica tanto aqueles que n&atilde;o participam da pol&iacute;tica como aqueles que n&atilde;o o fazem por carecer de reflex&otilde;es pol&iacute;ticas (Bobbio, 2001b). Muito tempo depois ele esmiu&ccedil;aria o tema classificando os primeiros como aqueles que &quot;n&atilde;o engolem a pol&iacute;tica&quot;, tornando-se indiferentes a pol&iacute;tica, enquanto uma segunda categoria n&atilde;o pretende abaixar-se ao n&iacute;vel em que se travam as disputas pol&iacute;ticas (Bobbio, 2001b). N&atilde;o obstante, o fato &eacute; que o comportamento de ambos tem repercuss&atilde;o, e eu diria que em alguns casos at&eacute; mesmo profundamente, na vida pol&iacute;tica.</p>     <p>Por outro lado, Bobbio chega a definir alguns elementos como imprescind&iacute;veis ao conceito de democracia. Basicamente s&atilde;o dois os seus elementos. O primeiro deles &eacute; o conceito de individualismo. Neste Bobbio v&ecirc; a base filos&oacute;fica que empresta as condi&ccedil;&otilde;es para a a&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e mais, da pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que o Estado possa vir a elaborar (Bobbio, 1991). O turin&ecirc;s associa o conceito de individualismo &agrave; exist&ecirc;ncia do voto universal (Bobbio, 2001a), e isto refor&ccedil;a sua percep&ccedil;&atilde;o de que o Estado tem como ponto de partida o indiv&iacute;duo e n&atilde;o o coletivo como quer a concep&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica (Bobbio, 2001a). Al&eacute;m disso, ele associa historicamente o antiindividualismo &agrave;s iniciativas reacion&aacute;rias como a de Burke.<a href="#13" name="s13"><sup>13</sup></a></p>     <p>Nesta ordem s&atilde;o dois os elementos a considerar. O primeiro diz respeito &agrave;s especificidades do conceito, isto &eacute;, de sua compreens&atilde;o como em no &acirc;mbito da formalidade e outro no da materialidade.</p>     <p>O segundo elemento que analisaremos diz respeito ao conceito de bom governo e como ele se constitui.</p>     <p>A abordagem do primeiro desses elementos nos leva &agrave; conclus&atilde;o que na obra de Bobbio a democracia n&atilde;o pode ser aceita como uma mera formalidade, isto &eacute;, que existem certos procedimentos, tais como o da elei&ccedil;&atilde;o da classe pol&iacute;tica, que n&atilde;o pode ser restringido a uma mera fachada.<a href="#14" name="s14"><sup>14</sup></a> Os desastres de uma concep&ccedil;&atilde;o meramente instrumental ou de car&aacute;ter formal da democracia (que todavia predominam no mundo) (Bobbio, 2001b) encontram seu grande paradigma hist&oacute;rico na evolu&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos na Alemanha nacional-socialista de 1933, onde a ascens&atilde;o ao poder dos intolerantes p&ocirc;de dar-se atrav&eacute;s das arestas existentes no regime democr&aacute;tico. Enfim, para o turin&ecirc;s a &quot;democracia pressup&otilde;e o livre desenvolvimento das faculdades humanas&quot; (Bobbio, 1983, p. 62), uma a&ccedil;&atilde;o positiva por parte do indiv&iacute;duo, que necessita contrapor-se &agrave; massifica&ccedil;&atilde;o que gera um conformismo generalizado. Esta &eacute;, de certa forma, uma abordagem que lhe acerca com a abordagem arendtiana que argumenta em prol da submiss&atilde;o das massas ao governo totalit&aacute;rio de formas ins&oacute;litas. Hannah Arendt argumenta que n&atilde;o apenas d&aacute;-se a perpetra&ccedil;&atilde;o da barb&aacute;rie em nome de ideologias totalit&aacute;rias sen&atilde;o que a mesma submiss&atilde;o atinge n&iacute;veis impens&aacute;veis quando os pr&oacute;prios executores n&atilde;o hesitam em submeter aos seus e, no caso, a si pr&oacute;prios, aos des&iacute;gnios das condena&ccedil;&otilde;es por parte do regime, o que Arendt denominou de fator inquietante foi este &quot;altru&iacute;smo de seus seguidores&quot;. (Arendt, 1974).</p>     <p>Estando o indiv&iacute;duo envolto pela necessidade de promover seu auto-desenvolvimento poder&iacute;amos questionar sobre as peculiaridades das circunst&acirc;ncias nas quais estar&aacute; inserido para levar a cabo tal tarefa. Um conceito-chave para compreender esta quest&atilde;o &eacute; o de democracia real, o qual n&atilde;o foi descuidado por Bobbio. Sua aproxima&ccedil;&atilde;o ao conceito de democracia real &eacute; sobretudo ligado ao de &eacute;tica, e esta, por sua vez, em suas interconex&otilde;es com a pol&iacute;tica. Estes s&atilde;o os dois t&oacute;picos seguintes indispens&aacute;veis para compreender o contexto no qual o indiv&iacute;duo ir&aacute; mover-se para promover sua personalidade. Mas, enfim, o que significa uma democracia e real e &eacute;tica? Antes de tudo, Bobbio sustentar&aacute; que a democracia n&atilde;o pode ser entendida sen&atilde;o atrav&eacute;s de um conte&uacute;do &eacute;tico, com o que cria o que ele denomina de uma base de uma &quot;concep&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da democracia&quot;, a qual tem como base nada mais do que a &eacute;tica kantiana, ou seja, o homem como pessoa (Bobbio, 2001b),<a href="#15" name="s15"><sup>15</sup></a><sup> </sup>o qual, desde logo, precede a organiza&ccedil;&atilde;o estatal e, dessa forma, tem de encontrar nela a estrutura adequada para a satisfa&ccedil;&atilde;o de suas necessidades e em conson&acirc;ncia com o respeito &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o humana. Nessa democracia denominada integral Bobbio antevia o futuro, muito embora, congruente com as perspectivas de sua filosofia da hist&oacute;ria, mantivesse o futuro aberto, n&atilde;o prefixado por quaisquer leis hist&oacute;ricas necess&aacute;rias que viessem a encaminhar o seu evolver,<a href="#16" name="s16"><sup>16</sup></a> id&eacute;ia esta que fica ainda mais clara quando sustenta que a hist&oacute;ria tem apenas um sentido, aquele que n&oacute;s lhe atribu&iacute;mos conforme nossos desejos e esperan&ccedil;as (Bobbio, 1991).</p>     <p>Em outro artigo ele oferece uma vez mais o problema da rela&ccedil;&atilde;o entre democracia e a sua forma e conte&uacute;do. Essa democracia integral n&atilde;o poderia descuidar da substancialidade, n&atilde;o poderia apenas apresentar-se de forma instrumental. O car&aacute;ter teleol&oacute;gico seria fundamentalmente desenvolvido a partir de um &quot;conjunto de princ&iacute;pios inspiradores irrevog&aacute;veis&quot; (Bobbio, 2001b, p. 113).<a href="#17" name="s17"><sup>17</sup></a><sup> </sup>Por outro lado, historicamente, diz Bobbio, o aparecimento da democracia material em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia meramente formal teria ocorrido atrav&eacute;s da institui&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais, o que nos remete &agrave;s constitui&ccedil;&otilde;es liberais do s&eacute;culo rec&eacute;m passado.<a href="#18" name="s18"><sup>18</sup></a> A democracia substancial exige a reforma<a href="#19" name="s19"><sup>19</sup></a> das estruturas econ&ocirc;micas e sociais como fatores fundamentais para tornar esses direitos democr&aacute;ticos efetivos. Em outras palavras, o jusfil&oacute;sofo italiano sugere que se deva pensar na integra&ccedil;&atilde;o da democracia formal e da democracia substancial, posto que onde existir &quot;apenas a primeira e n&atilde;o a segunda, a primeira ir&aacute; se esvaziando aos poucos, transformando-se no seu contr&aacute;rio&quot; (Bobbio, 1990b, p. 168). A interrela&ccedil;&atilde;o entre ambos conceitos &eacute; o que tornaria poss&iacute;vel a democracia em sentido amplo ou, como diz em outra obra, &quot;o processo de alargamento da democracia na sociedade contempor&acirc;nea&quot; (Bobbio, 1987, p. 155), o que deve ser entendido em boa parte como extens&atilde;o do processo de participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os. Este processo se deu em boa parte &agrave;s custas da perda de espa&ccedil;o pelo Estado, que descobre no nicho de poder deste &uacute;ltimo um grande espa&ccedil;o para que os indiv&iacute;duos desenvolvam seus potenciais. Como diz Bobbio, as for&ccedil;as que se movem em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade e ao progresso hist&oacute;rico encontram no Estado um empecilho, &quot;uma forma residual arcaica, em vias de extin&ccedil;&atilde;o&quot;. (Bobbio, 2001a. p. 254).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enfim, do que se trata nesse processo de alargamento das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas &eacute; de que se d&ecirc; a supera&ccedil;&atilde;o do momento da democratiza&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o que se deu com a institui&ccedil;&atilde;o das casas parlamentares para, como diz Bobbio, dar-se a democratiza&ccedil;&atilde;o intestina da pr&oacute;pria sociedade (Bobbio, 1987), isto &eacute;, da forma de dire&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es que lhe comp&otilde;em e inspiram sua condu&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, desde o ponto de vista te&oacute;rico,<a href="#20" name="s20"><sup>20</sup></a><sup> </sup>a compreens&atilde;o da democracia integral ou substancial conjugada com a democracia formal &eacute; a &uacute;nica estrutura realmente s&oacute;lida com capacidade de garantir efic&aacute;cia e presteza &agrave;s liberdades que as complexas sociedades modernas demandam.</p>     <p>O segundo dos elementos imprescind&iacute;veis ao regime democr&aacute;tico aparece quando Bobbio retoma sua defesa das institui&ccedil;&otilde;es como base para o bom governo<a href="#21" name="s21"><sup>21</sup></a> tanto quanto para o regime democr&aacute;tico. Nesse instante surge a indefect&iacute;vel quest&atilde;o: o que &eacute; um <i>bom governo? </i>Em primeiro lugar cabe destacar que este questionamento n&atilde;o &eacute;, nem de longe, uma contribui&ccedil;&atilde;o original de Bobbio ao desenvolvimento da Filosofia Jur&iacute;dica e Pol&iacute;tica. Ao contr&aacute;rio, trata-se de uma retomada de um tema fundamental para estas disciplinas que tem sua abordagem cl&aacute;ssica no pensamento grego.</p>     <p>Contudo, distanciando-se de sua perspectiva estruturalista que predomina em sua metodologia filos&oacute;fica, Bobbio toma como um dos referenciais para o bom governo o crit&eacute;rio de que ele tenha como &quot;preocupa&ccedil;&atilde;o o bem comum&quot;, retomando um argumento caro ao aristotelismo e ao tomismo que volta ao classicismo grego. Aqui, novamente, abre-se o espa&ccedil;o a mais uma pergunta que sugere obviedade: de que tratamos, enfim, quando falamos de &quot;bem comum&quot;? (Bobbio, 2001a, p. 219).</p>     <p>Com o intuito de melhor caracterizar o <i>bom governo </i>Bobbio ir&aacute; buscar recursos argumentativos no pensamento de Einaudi, um dos pensadores italianos mais influentes, diga-se que n&atilde;o apenas sobre Bobbio, que dizia que &quot;n&atilde;o se governa sem um ideal&quot; (Bob-bio, 2001a, p. 204), mesmo que, os ideais n&atilde;o sejam deste mundo (Bobbio, 2001a). Destarte, percebe-se que Bobbio caracteriza o <i>bom governo </i>n&atilde;o apenas pela composi&ccedil;&atilde;o de suas institui&ccedil;&otilde;es, como talvez pudesse levar a crer, assim como pela forma de exerc&iacute;cio do poder necess&aacute;rio para faz&ecirc;-lo na pr&aacute;tica. A necessidade de que se governe (pr&aacute;tica pol&iacute;tica) com um ideal (percep&ccedil;&atilde;o e direcionamento do agir pol&iacute;tico) &eacute; uma muito estimulante proposi&ccedil;&atilde;o de Einaudi (apud Bobbio, 2001a) que parece ter surtido grandes conseq&uuml;&ecirc;ncias, mais ou menos percebidas, tanto na filosofia pol&iacute;tica como na filosofia jur&iacute;dica de Bobbio. Tanto em uma quanto em outra, diria que o efeito reside em que Bobbio adotar&aacute; uma perspectiva funcionalista que lhe informa em grande medida n&atilde;o apenas dos fins como tamb&eacute;m dos valores inerentes ao sistema pol&iacute;tico e jur&iacute;dico.</p>     <p>Em que pese Bobbio adote durante longo per&iacute;odo uma perspectiva funcionalista, logo ele lhe acrescentar&aacute; a necessidade de que o governante exer&ccedil;a o poder conforme o princ&iacute;pio de legalidade (Bobbio, 2001a). O governo das leis salta da Antig&uuml;idade cl&aacute;ssica, precisamente das linhas da obra de Plat&atilde;o, ainda mais exatamente de <i>O Pol&iacute;tico, </i>at&eacute; os nossos dias atrav&eacute;s do constitucionalismo e das prote&ccedil;&otilde;es garantidas por este ao cidad&atilde;o contra o governante. Ali era cultivada a cultura de que a lei era a senhora dos governantes e os governantes s&atilde;o seus escravos, vejo a salva&ccedil;&atilde;o das cidades e sobre elas o acumular-se de todos os bens que os deuses costumam conceder &agrave;s cidades. Neste conceito estaria a g&ecirc;nese do constitucionalismo que, nas palavras de Bobbio, constituiriam &quot;o desfecho natural da id&eacute;ia do bom governo fundado na supremacia da lei&quot; (Bobbio, 2001a, p. 212), tal e como anunciara em outros termos tanto tempo antes Arist&oacute;teles.</p>     <p>Bobbio termina por caracterizar o mau governo pelo procedimento inverso ao do bom governo, qual seja, o do desrespeito &agrave; lei e que esteja dirigido pelo mero voluntarismo o que, como vimos, &eacute; marca registrada do totalitarismo. Sem embargo, Bobbio reconhece que esta terminologia foi substitu&iacute;da por outro dualismo, governabilidade e ingovernabilidade (Bobbio, 2001a). Enfim, aqui emerge um aspecto que se revela como um fio condutor de toda a obra de Bobbio tanto em sua afirma&ccedil;&atilde;o do bom governo como de sua caracteriza&ccedil;&atilde;o da democracia como o melhor dos regimes de governo. Em sua obra esta argumenta&ccedil;&atilde;o se sustenta no fato de que se disp&otilde;e de um rem&eacute;dio para evitar a transi&ccedil;&atilde;o violenta no que ao poder se refere. Enfim, a grande e historicamente pouco experimentada vantagem, &eacute; de que no reino da democracia passa-se do predom&iacute;nio da viol&ecirc;ncia para o da n&atilde;o viol&ecirc;ncia (apud Lafer, 1998).</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre este novo dualismo e o conceito de democracia igualmente necessita ser recolocado. Em primeiro lugar cabe dizer que a democracia surge como cria&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m tendo como finalidade de ordenar as institui&ccedil;&otilde;es (Bobbio, 2001b). Se esta fora a &uacute;nica caracteriza&ccedil;&atilde;o da democracia n&atilde;o poder&iacute;amos diferenci&aacute;-la de qualquer outro regime pol&iacute;tico, posto que n&atilde;o h&aacute; algum que n&atilde;o tenha esses objetivos. O que diferencia a democracia dos demais &eacute; precisamente os meios libert&aacute;rios e socialmente acordados que se prop&otilde;e utilizar para alcan&ccedil;ar os fins que aos quais a sociedade se prop&otilde;em. Ela se diferencia dos regimes fechados pelo fato de que possui regras do jogo claras e, acima de tudo, que gozam de um n&iacute;vel aceit&aacute;vel de efic&aacute;cia e legitimidade (Bobbio, 2000).<a href="#22" name="s22"><sup>22</sup></a><sup> </sup>Nesse sentido Bobbio entende que a Constitui&ccedil;&atilde;o pode ser um instrumento jur&iacute;dico para a preserva&ccedil;&atilde;o dos valores democr&aacute;ticos sempre e quando olvide prever mais do que as mencionadas regras do jogo, isto &eacute;, atribuindo aos cidad&atilde;os a tarefa de determinar quais valores efetivamente proteger e, enfim, <i>como </i>se deve jogar o jogo da democracia e n&atilde;o o <i>que </i>(Bobbio, 1990b) com o que seu conceito se aproxima do de Hesse.</p>     <p>Mas se a democracia quer dizer governo do povo, ao mesmo tempo este n&atilde;o poder&aacute; ter lugar sen&atilde;o quando as institui&ccedil;&otilde;es lhe permitam ao homem comum agir atrav&eacute;s delas. A possibilidade de interven&ccedil;&atilde;o na vida p&uacute;blica deve ser proporcionada n&atilde;o apenas sob a forma de influ&ecirc;ncia nas decis&otilde;es pol&iacute;ticas como tamb&eacute;m, e at&eacute; mesmo principalmente, atrav&eacute;s do oferecimento de condi&ccedil;&otilde;es para a assun&ccedil;&atilde;o de poder pelos cidad&atilde;os nos momentos previstos para a promo&ccedil;&atilde;o da altern&acirc;ncia no poder. Aqui foi quando, como diz Bobbio, ele foi seduzido pela democracia, posto que permite &quot;a passagem de uma classe pol&iacute;tica &agrave; outra <i>sine effusione sanguinis&quot; </i>(Bobbio, 2001b, p. 130).<a href="#23" name="s23"><sup>23</sup></a> Enfim, diz que o conceito de democracia tem sido entendido como el&aacute;stico, mas que, na realidade, h&aacute; alguns aspectos que lhe s&atilde;o inerentes &quot;desde que o mundo &eacute; mundo&quot;. Um deles &eacute; de que a democracia significa o &quot;governo de todos, de muitos ou da maioria&quot; (Bobbio, 1983, p. 79). A partir disso podemos tirar duas conclus&otilde;es. A primeira delas &eacute; que sendo tantos aqueles que participam de uma sociedade e de seu governo, o passo l&oacute;gico seguinte &eacute; de que ela estar&aacute; marcada pela diferen&ccedil;a, isto &eacute;, pelo dissenso em tantas mat&eacute;rias quantas forem as debatidas. Nesse mesmo sentido Bobbio admite que a democracia pode ser caracterizada &quot;pela legitima&ccedil;&atilde;o do dissenso&quot; (Bobbio, 1990b, p. 55) ou, como sintetizaria com muita felicidade Ruiz-Miguel, que atrav&eacute;s do &quot;consenso de la mayor&iacute;a con el disenso de la minor&iacute;a&quot; (Ruiz-Miguel, 1994, p. 51). Em outras palavras, se trata de que as diverg&ecirc;ncias n&atilde;o causam fraturas no sistema, antes o refor&ccedil;am, sempre que respeitadas as regras do jogo.</p>     <p>O segundo aspecto relativo a esta mat&eacute;ria &eacute; que um governo de muitos, tal como esse em quest&atilde;o, supor&aacute; igualmente que as demandas aumentem consideravelmente. Aqui aparece uma outra caracter&iacute;stica da democracia que a torna perfeitamente identific&aacute;vel perante os sistemas fechados: &quot;democracia tem demanda f&aacute;cil e resposta dif&iacute;cil &#91;e isto ocorre, obviamente, devido ao alto n&uacute;mero de demandas&#93;; a autocracia, ao contr&aacute;rio, est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de tornar a demanda mais dif&iacute;cil, e disp&otilde;e de maior facilidade para dar respostas&quot; (Bobbio, 2000, p. 49). Isto explica, em boa parte, a dificuldade e os obst&aacute;culos colocados &agrave; express&atilde;o popular, estando o sistema dotado, isto sim, de alta capacidade resolutiva. Essa liga&ccedil;&atilde;o entre facilidade e dificuldade de dar respostas as demandas que os regimes possuem podemos opor o conceito bobbiano de visibilidade do poder.<a href="#24" name="s24"><sup>24</sup></a></p>     <p>Segundo o sentido geral da obra bobbiana, poder&iacute;amos dizer que ele estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o diretamente proporcional entre visibilidade e Estado democr&aacute;tico. Nesta rela&ccedil;&atilde;o quanto maior for a visibilidade pol&iacute;tica mais desenvolvidas se encontrar&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es do Estado democr&aacute;tico e, por conseguinte, o pr&oacute;prio processo decisorio que o envolve. Por outro lado, quanto menor for o grau de visibilidade do sistema, menor o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. O fato de que seu processo decis&oacute;rio seja obscuro permite, por conseguinte, que suas decis&otilde;es sejam tomadas muito rapidamente, de modo contr&aacute;rio ao que ocorre no Estado democr&aacute;tico, onde as decis&otilde;es pol&iacute;ticas devem perseguir um <i>iter </i>&agrave; busca de legitima&ccedil;&atilde;o para si e para o regime a que pertencem. Em decorr&ecirc;ncia disto &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a velocidade de resposta do sistema na concep&ccedil;&atilde;o bobbiana est&aacute; intr&iacute;nseca e de forma inversamente proporcional ligada ao grau de democracia existente no sistema.<a href="#25" name="s25"><sup>25</sup></a> Paralelamente a estas estruturas, cuja a&ccedil;&atilde;o &eacute; mais ou menos lerda, nos deparamos com o fen&ocirc;meno que Bobbio denomina de criptogoverno, o qual se traduz na forma de estruturas de poder n&atilde;o vis&iacute;veis mas altamente influenciadoras das decis&otilde;es, o qual n&atilde;o deve confundir-se com o subgoverno (Bobbio, 2000)<a href="#26" name="s26"><sup>26</sup></a> que &eacute; o segredo da governabilidade, posto que est&aacute; para a pol&iacute;tica como o <i>humus </i>biol&oacute;gico das pequenas plantas para a florestas (Bobbio, 1990b).<a href="#27" name="s27"><sup>27</sup></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma aproxima&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima ao conceito de democracia que v&iacute;nhamos discutindo compreende duas id&eacute;ias esbo&ccedil;adas por Bobbio. A primeira delas &eacute; a de que nela &quot;todos s&atilde;o <i>livres </i>porque s&atilde;o <i>iguais&quot; </i>(Bobbio, 1990b, p. 43). A democracia, sem embargo, n&atilde;o sup&otilde;e uma igualdade universal. Esta sup&otilde;e alguns problemas. O primeiro deles diz respeito a igualdade em si, que &eacute; o de ser um conceito capaz de ser preenchido por diversos conte&uacute;dos (Bobbio, 1991). Em segundo lugar, a igualdade em seu sentido universal apresenta-se como um tipo de ideal inalcan&ccedil;&aacute;vel, mesmo que a resposta seja positiva no que diz respeito exclusivamente a &oacute;rbita pol&iacute;tica. O que Bobbio tem em vista &eacute; uma igualdade relativamente ao poder de interferir nos assuntos pol&iacute;ticos (Bobbio, 1990b).</p>     <p>Isto que vem sendo dito, n&atilde;o obstante, tampouco &eacute; argumento suficiente para compelir Bobbio a olvidar-se por completo da necessidade de promover a&ccedil;&otilde;es paliativas no que diz respeito &agrave;s &quot;enormes desigualdades econ&ocirc;micas e sociais existentes em nosso pa&iacute;s&quot; (Bobbio, 1990b, p. 158), que eram, diz ele, uma das causas mais evidentes do escandaloso atraso daquele momento da It&aacute;lia do p&oacute;s-guerra. Acaso a defesa de um Bobbio desigualitarista choca com esta sua posi&ccedil;&atilde;o? Absolutamente. O argumento para isto est&aacute; em que Bobbio compreende a utiliza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas desigualit&aacute;rias como um eficiente para a promo&ccedil;&atilde;o de mais igualdade (Bobbio, 1993d), o que n&atilde;o revela que esta deva ser uma pol&iacute;tica levada ao extremo comprometendo os valores libert&aacute;rios ao radicalizar as reformas igualit&aacute;rias promovendo profundas interfer&ecirc;ncias, por exemplo, no direito privado, precisamente no direito de propriedade e no direito de fam&iacute;lia.</p>     <p>Esta sua caracteriza&ccedil;&atilde;o distanciada do igualitarismo substancial fica evidenciada quando procede a uma diferencia&ccedil;&atilde;o entre ela, t&iacute;pica das ideologias igualit&aacute;rias, e a igualdade perante a lei e a de oportunidades (Bobbio, 1993d), &agrave;s quais adere. Al&eacute;m disto, um outro aspecto que corrobora para esta mesma interpreta&ccedil;&atilde;o reside em que ao partir da aceita&ccedil;&atilde;o da pluralidade de caracteres e habilidades humanas, Bobbio tampouco deixa claro que aceite que estas diferen&ccedil;as, que ao fim e ao cabo, se traduzem em esp&eacute;cie atrav&eacute;s do emprego da for&ccedil;a de trabalho no mercado. Al&eacute;m do mais, mesmo naqueles aspectos em que os homens se apresentam similares persistem diferen&ccedil;as, enfim, que &quot;gli uomini non sono eguali in tutto, sono eguali e diseguali, e non tutti sono egualmente eguali o egualmente diseguali&quot;. (Bobbio, 1985, p. 15).</p>     <p>Enfim, o que estava sendo questionado, ao tempo em que se colocava em posi&ccedil;&atilde;o equidistante, era da necessidade de superar progressivamente as mais graves e intoler&aacute;veis desigualdades. Mas ser&aacute; mesmo poss&iacute;vel que encontremos at&eacute; mesmo algum neoliberal ou social-democrata simp&aacute;tico a causa liberal que n&atilde;o esteja de acordo com a id&eacute;ias pr&oacute;ximas a essas? (Bobbio, 1990b). Em algum momento deixa claro que j&aacute; n&atilde;o basta ao Estado livre garantias formais aos direito, mas agora necessita igualmente proteger com semelhante decis&atilde;o &quot;o direito de ter o m&iacute;nimo indispens&aacute;vel para viver&quot;, enfim, o direito de &quot;n&atilde;o morrer de fome&quot; (Bobbio, 2001a, p. 500), al&eacute;m daquele direito &agrave; vida j&aacute; consagrado ao longo da constru&ccedil;&atilde;o dos direitos do homem. Tudo isto encontrou sua s&iacute;ntese hist&oacute;rica no direito anunciado pelos revolucion&aacute;rios norte-americanos atrav&eacute;s de dispositivos presentes na <i>Declara&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia norte-americana </i>de que cada um disponha de meios eficazes para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento de sua pr&oacute;pria perso-nalidade.<a href="#28" name="s28"><sup>28</sup></a> A Bobbio restou pouco mais, e n&atilde;o com pouco m&eacute;rito, do que proceder a defesa de valores humanistas primeiramente em um mundo avesso &agrave;s liberdades ofendidas pelo fascismo e, posteriormente, e n&atilde;o menos intensamente, pela vers&atilde;o comunista do antilibertarismo.</p>     <p>Esta sua defesa da liberdade est&aacute; alicer&ccedil;ada na firme oposi&ccedil;&atilde;o entre o igualitarismo radical e o liberalismo exacerbado, ainda que int&eacute;rpretes como Ruiz-Miguel lhe insiram na tradi&ccedil;&atilde;o do liberalismo de esquerda (Ruiz-Miguel, 1994). A conclus&atilde;o de Bobbio &eacute; de que existem direitos sociais que s&atilde;o pressupostos necess&aacute;rios para o desenvolvimento de uma vida livre, o que poder&aacute; afirmar que &quot;um indiv&iacute;duo instru&iacute;do &eacute; mais livre do que um inculto; um indiv&iacute;duo que tem um trabalho &eacute; mais livre do que um desempregado; um homem s&atilde;o &eacute; mais livre do que um enfermo&quot; (Bobbio, 2001a p. 508).</p>     <p>Ao reler estas linhas podemos perceber em suas entrelinhas o que Bobbio deixaria expl&iacute;cito mais adiante: que a liberdade e a igualdade (pelo menos em certo n&iacute;vel m&iacute;nimo) est&atilde;o estreitamente ligadas uma a outra (Bobbio, 1991). Por conseguinte, o turin&ecirc;s viria a tornar evidente sua conclus&atilde;o acerca da necessidade de que as estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas n&atilde;o tomem o rumo excludente por uma op&ccedil;&atilde;o pelo radicalismo, mas sim que em sua busca pela prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s liberdades elas n&atilde;o olvidem as prote&ccedil;&otilde;es ao homem para que possa efetivamente exercer a almejada liberdade. Esta pertence ao seu conceito de democracia e nela devem existir mecanismos positivos que a defendam, evitando que a esfera de a&ccedil;&atilde;o dos agentes privados autorizados a usar a for&ccedil;a por si pr&oacute;prios no sentido de exercer a prote&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria se amplie (Bobbio, 1989).</p>     <p>Mas se Bobbio realmente patrocina a causa do &quot;m&iacute;nimo indispens&aacute;vel para viver&quot; poder&iacute;amos pensar uma vez mais sobre o qu&ecirc; efetivamente ele defende em mat&eacute;ria pol&iacute;tica. Creio ser poss&iacute;vel afirmar que, desde uma leitura liberal, poder&iacute;amos afirmar que, na pior das hip&oacute;teses, nos deparar&iacute;amos com algu&eacute;m que sustente a tese bobbiana de que o Estado n&atilde;o deva desempenhar unicamente a fun&ccedil;&atilde;o de guarda de tr&acirc;nsito ou bem de um general, mas sim &quot;que possa ser ambas as coisas de acordo com as circunst&acirc;ncias&quot; (Bobbio, 2001a, pp. 296-297).<a href="#29" name="s29"><sup>29</sup></a> Este seria um Estado que poder&iacute;amos chamar de oportuno ou conveniente, e que tenderia a fortalecer os la&ccedil;os de legitimidade de um sistema pol&iacute;tico como a democracia que necessita dela visceralmente.</p>     <p>Uma segunda e n&atilde;o menos importante id&eacute;ia no sentido de promover uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao conceito de democracia a partir da abordagem das fun&ccedil;&otilde;es do Estado reside no fato de que possua em seu n&uacute;cleo um car&aacute;ter instrumental antes que teleol&oacute;gico. Isto permite a Bobbio enunciar que ela &eacute; um &quot;conjunto de regras de procedimento para a forma&ccedil;&atilde;o de decis&otilde;es coletivas, em que est&aacute; prevista e facilitada a participa&ccedil;&atilde;o mais ampla poss&iacute;vel dos interessados&quot; (Bobbio, 2000, pp. 14, 22, 30),<a href="#30" name="s30"><sup>30</sup></a> e ainda mais, que ela &quot;&eacute; um m&eacute;todo um conjunto de regras de conviv&ecirc;ncia, as chamadas &quot;regras do jogo&quot; (Bobbio, 1990b, p. 133).<a href="#31" name="s31"><sup>31</sup></a> Em princ&iacute;pio isto poderia dar lugar a sua cr&iacute;tica pela utiliza&ccedil;&atilde;o de um conceito em sentido restrito, ainda que abstrato. Sem embargo, o pr&oacute;prio Bobbio enfrenta a quest&atilde;o e define que melhor este significado em sentido estrito do que um mais amplo, mas vago (Bobbio, 2001a). Seja como for, do ponto de vista das decis&otilde;es tomadas e que ir&atilde;o nortear o dispositivo jur&iacute;dico pertinente, elas sempre exigir&atilde;o que se adote apenas um rumo, sob pena de que tenhamos um dispositivo desorientado ou, ent&atilde;o, que expresse alguma esp&eacute;cie de conflito. O direito sup&otilde;e certo grau de congru&ecirc;ncia no que se refere as diretrizes pol&iacute;ticas e, por conseguinte, na vontade expressa pelo legislador.</p>     <p>Assim, do que se trata quando se procede &agrave; cria&ccedil;&atilde;o das regras do jogo &eacute;, sem d&uacute;vida, de um conceito meramente instrumental da democracia. Nessa medida ele se demonstra aberto e congruente a outro conceito-chave de Bobbio, qual seja, o da pluralidade. Esse conceito se torna vi&aacute;vel e operativo desde a &oacute;tica da pr&aacute;tica pol&iacute;tica &agrave; medida que a toler&acirc;ncia opere como uma intermedi&aacute;ria eficaz entre projetos dos indiv&iacute;duos.<a href="#32" name="s32"><sup>32</sup></a> Nesse sentido Bobbio se questiona sobre o que vem mesmo a ser a democracia sen&atilde;o um conjunto de regras (das quais conhecemos antecipadamente apenas algumas de suas caracter&iacute;sticas) para a solu&ccedil;&atilde;o dos conflitos sem derramamento de sangue (Bobbio, 2000),<a href="#33" name="s33"><sup>33</sup></a> isto porque a sociedade livre tem um de seus principais ideais n&atilde;o na plena realiza&ccedil;&atilde;o da ordem atrav&eacute;s do triunfo de alguns dos sistemas de valores cultivados socialmente, sen&atilde;o atrav&eacute;s da elimina&ccedil;&atilde;o da luta pela supremacia de um deles sobre os demais (Bobbio, 1990a).</p>     <p>A liga&ccedil;&atilde;o entre os conceitos de democracia e de pluralidade se d&aacute; na medida em que o desenvolvimento da segunda n&atilde;o pode dar-se em um regime pol&iacute;tico que n&atilde;o esteja eivado de um sistema procedimental definido, mas nunca normativo, taxativo, fechado <i>ab initio </i>quanto ao conte&uacute;do. Bobbio sim &eacute; taxativo, mas quanto a que em seu bojo a pr&oacute;pria democracia n&atilde;o pode impedir a ningu&eacute;m de lutar pela consecu&ccedil;&atilde;o de seus fins. Neste embate, a democracia por&aacute; como condi&ccedil;&atilde;o que cada um permita aos outros tamb&eacute;m lutarem pelos fins que julgarem melhores e mais convenientes e que, por conseguinte, ambos grupos cheguem a um acordo sobre o crit&eacute;rio sobre como decidir nesse tipo de sistema, mas nunca sobre quais os fins que devam prevalecer (Bobbio, 1990b). Enfim, Bobbio &eacute; muito claro: &quot;a democracia como m&eacute;todo est&aacute; sim aberta a todos os poss&iacute;veis conte&uacute;dos&quot; (Bobbio, 2000, p. 22)<a href="#34" name="s34"><sup>34</sup></a> e, paradoxalmente, nesse sentido aproxima-se do relativismo t&atilde;o ampla e duramente combatido como instrumento do positivismo jur&iacute;dico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta mesma medida Bobbio afasta-se da filosofia da hist&oacute;ria t&iacute;pica do s&eacute;culo das luzes, bem da forma como tinha decretado sua morte um de seus mestres, Benedetto Croce (Bobbio, 2000), influenciado em boa medida pelo hegelianismo e idealismo dos quais Bobbio guardaria boa dist&acirc;ncia. No contexto de sua filosofia pol&iacute;tica o espa&ccedil;o para o determinismo filos&oacute;fico ou hist&oacute;rico &eacute; nulo, ao contr&aacute;rio, as vias est&atilde;o abertas &agrave; vontade democraticamente constru&iacute;da antes que atadas a alguma esp&eacute;cie de designio supremo ao qual caiba ao homem apenas cumprir. Neste sentido uma vez mais o sentido de uma filosofia da hist&oacute;ria final&iacute;stico hegeliano lhe separa do mestre alem&atilde;o. Ademais, nesta perspectiva, sendo o homem um animal teleol&oacute;gico (Bobbio, 1991), por conseguinte, nada mais far&aacute; do que pautar suas a&ccedil;&otilde;es com vistas a cumprir seu <i>desideratum. </i>Recai neste momento a pergunta sobre o sentido da liberdade em uma tal circunst&acirc;ncia reflexivo-filos&oacute;fica.</p>     <p>Por outro lado, o que realmente tem sido alvo de altera&ccedil;&atilde;o &eacute; o que fica exposto &agrave; hermen&ecirc;utica, isto &eacute;, ao elemento prescritivo carregado de escalas axiol&oacute;gicas.<a href="#35" name="s35"><sup>35</sup></a> Enfim, dir&aacute; Bobbio que o conceito de democracia n&atilde;o &eacute; el&aacute;stico como freq&uuml;entemente nos deparamos, mas sim que ele &eacute; &quot;um sistema de poder no qual as decis&otilde;es coletivas, isto &eacute;, as decis&otilde;es que interessam a toda a coletividade (seja ela grande ou pequena) s&atilde;o tomadas por todos os membros que a comp&otilde;em&quot;, o que, claro, pode ser entendido de forma direta ou indireta, onde este &uacute;ltimo tem o significado de que existem intermedi&aacute;rios entre o querer do cidad&atilde;o soberano e a positiva&ccedil;&atilde;o deste des&iacute;gnio em norma jur&iacute;dica. Um outro aspecto conceitual analisado por Bobbio acerca da democracia diz respeito a sua rela&ccedil;&atilde;o com o socialismo. Para o turin&ecirc;s a abordagem do tema deve ser precedida pelo estabelecimento da rela&ccedil;&atilde;o entre justi&ccedil;a e liberdade. Em seu pensamento isto se d&aacute; quando busca ligar os conceitos de liberalismo e socialismo.</p>     <p>Para Bobbio resultava dificilmente apreens&iacute;vel como poderia dar-se a &quot;constru&ccedil;&atilde;o de um Estado novo, democr&aacute;tico e ao mesmo tempo socialista&quot; (Bobbio, 1983, p. 75-76)<a href="#36" name="s36"><sup>36</sup></a> a partir das escassas e insuficientes refer&ecirc;ncias marxistas, &agrave;s quais, deve ser sublinhado, muitos te&oacute;ricos da esquerda permaneceram presos durante a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento de esquerda no decorrer do s&eacute;culo XX. Como diria ele em outro momento, mais relevante &eacute; que nos atenhamos ao que s&atilde;o os resultados da teoria concebida do que propriamente a fidelidade ao modelo que nos inspira. Como se isto ainda f&ocirc;ra pouco, Bobbio deixa claro em outro artigo que o &quot;socialismo real &#91;...&#93; &eacute; uma mentira monstruosa&quot; (Bobbio, 1990b, p. 89), &quot;irredim&iacute;vel e cruel&quot; (Bobbio, 2001a, p. 654), que hoje se encontra &quot;incontestavelmente falido&quot; (Bobbio, 2001a, p. 351) e que foi, enfim, &quot;um erro ou, no melhor dos casos, uma ilus&atilde;o&quot; (Bobbio, 1990b, p. 90)<a href="#37" name="s37"><sup>37</sup></a> que n&atilde;o ganhou espa&ccedil;o no mundo material conforme a concep&ccedil;&atilde;o ut&oacute;pica de seus idealizadores.</p>     <p>Para explicar estas ideias mais detalhadamente Bobbio acrescenta que se trata da conseq&uuml;&ecirc;ncia de &quot;uma determinada concep&ccedil;&atilde;o de sociedade e de Estado, de economia e de pol&iacute;tica, da id&eacute;ia, t&atilde;o velha quanto a hist&oacute;ria humana, de que todos os males de que sofrem as sociedades evolu&iacute;das derivam da posse individual dos bens e de que o advento do reino da felicidade depende da supress&atilde;o da propriedade privada e da instaura&ccedil;&atilde;o de um regime econ&ocirc;mico fundado exclusivamente na propriedade coletiva&quot; (Bobbio, 1990b, p. 89).<a href="#38" name="s38"><sup>38</sup></a> Enfim, Bobbio n&atilde;o &eacute; um marxista, nunca se considerou como tal (Bobbio apud Ruiz-Miguel, 1994). Isto contraria francamente a evolu&ccedil;&atilde;o liberal da independiza&ccedil;&atilde;o da esfera privada do indiv&iacute;duo frente a sua eleva&ccedil;&atilde;o &agrave; esfera de compet&ecirc;ncia do Estado (Bobbio, 1987), ao que poderia acrescentar-se que o sentido de garantia de direitos e liberdades que as nossas sociedades tomaram.</p>     <p>Tudo isto se coaduna com sua r&aacute;pida rea&ccedil;&atilde;o aos primeiros eventos que desembocaram na queda do Muro de Berlim. Ali argumentava que em que pese a vit&oacute;ria da democracia e do liberalismo ficava tamb&eacute;m claro que agora uma s&eacute;rie de id&eacute;ias e ideais, enfim, uma grande tarefa propositiva seria a que lhe tocaria a teoria liberal desenvolver, posto que nenhum dos grandes desafios, tais como a pobreza e a justi&ccedil;a, se resolveriam pelo mero fato de que o socialismo ru&iacute;sse como ruiu. Restavam ainda dois ter&ccedil;os da humanidade sedentos por respostas &agrave;s suas demandas por solu&ccedil;&otilde;es para a pobreza e por justi&ccedil;a. Ao fim de seu artigo Bobbio deixava no ar a quest&atilde;o sobre &quot;que meios e que ideais ela tem para enfrentar aqueles muitos problemas a partir dos quais nasceu o desafio comunista?&quot; (Bobbio, 1990c, p. 144). Qui&ccedil;&aacute; ainda hoje seja poss&iacute;vel outra vez colocar a quest&atilde;o sobre a mesa e verificar&iacute;amos a atualidade desta quest&atilde;o de Bobbio.</p>     <p>H&aacute;, todavia, um outro aspecto que pode resultar &uacute;til para a melhor compreens&atilde;o da filosofia pol&iacute;tica bobbiana, e ele &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre justi&ccedil;a e liberdade dentro do contexto dos conceitos de liberalismo e socialismo. O liberalismo v&ecirc; a liberdade e a justi&ccedil;a como meio e fim socialmente valorosos, em que pese n&atilde;o possam ser realizadas em sua plenitude (Bobbio, 2001a). Esta id&eacute;ia de irrealizabilidade de qualquer estado de plenitude presente na filosofia liberal Bobbio a transporta para sua an&aacute;lise sobre a democracia, a liberdade e a igualdade. Exemplo desta incompatibilidade, diz, se verifica quando pensamos na realiza&ccedil;&atilde;o desses valores em seu limite e nos deparamos com uma sociedade que tente realizar em seu n&iacute;vel m&aacute;ximo tanto a liberdade econ&ocirc;mica e uma outra sociedade que tentasse produzir a justi&ccedil;a distributiva. No primeiro caso, argumenta, produzir&iacute;amos uma sociedade tremendamente desigual, enquanto no segundo caso, como meio, teriam de ser adotadas medidas cerceadoras de liberdades (Bobbio, 2001a).</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Em tudo isto &eacute; poss&iacute;vel observar uma grande dose de ceticismo pol&iacute;tico, o qual conduz a filosofia pol&iacute;tica bobbiana a n&atilde;o fiar-se do potencial libert&aacute;rio das a&ccedil;&otilde;es empreendidas pelo homem at&eacute; mesmo nos dias de hoje, sen&atilde;o que o impele a enfrentar-se com a dura realidade. Esta &eacute; recheada de dados como o de que a &quot;hist&oacute;ria &eacute; um entrela&ccedil;amento dram&aacute;tico de liberdades e de opress&otilde;es, de novas liberdades de encontro &agrave;s quais v&ecirc;m novas opress&otilde;es&quot;, com o que conclui que n&atilde;o h&aacute; liberdade perdida para sempre, mas que tampouco h&aacute; aquela para sempre conquistada (Bobbio, 2001a). Acaso isto lhe afasta de uma certa cren&ccedil;a na liberdade? Absolutamente. Demonstrou claramente, como diz Ruiz-Miguel, uma radical convic&ccedil;&atilde;o de que a liberdade &eacute; a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o da vida civil e de todo o avan&ccedil;o humano e, ainda mais, que sem as liberdades as coisas mais importantes se revelam secund&aacute;rias e as coisas boas se tornam tristes (Ruiz-Miguel, 1994).</p>     <p>Toda essa argumenta&ccedil;&atilde;o &eacute; perfeitamente congruente com um outro trecho de sua obra onde ao admitir a fal&ecirc;ncia do socialismo real chama a aten&ccedil;&atilde;o que isto n&atilde;o significa o fim dos regimes comunistas, &quot;que podem durar muito tempo, encontrando novas for&ccedil;as para sobreviver&quot; (Bobbio, 2001a, p. 351). Relativamente a</p>     <p>este ceticismo pol&iacute;tico ou, pelo menos, firme dose de realismo,<a href="#39" name="s39"><sup>39</sup></a><sup> </sup>percebemos uma liga&ccedil;&atilde;o de necessidade com seu conceito de cidadania participativa, o que se deve a que as liberdades sempre demandar&atilde;o a a&ccedil;&atilde;o determinada por parte dos seus detentores no sentido de mant&ecirc;-las.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O denodo na aplica&ccedil;&atilde;o pelo triunfo das liberdades tampouco tem for&ccedil;a para, sequer, projetar seu definitivo &ecirc;xito em um futuro, ainda que long&iacute;nquo. Assim, retomando a linha argumentativa podemos dizer que o liberalismo v&ecirc; a liberdade e a justi&ccedil;a como meio e fim socialmente valorosos, mas que lhes reconhece a impossibilidade de triunfo mais do que relativo quanto ao conte&uacute;do e parcial quanto ao tempo. Acaso supusesse que isto f&ocirc;ra poss&iacute;vel, Bobbio estaria se opondo a um dos fundamentos da teoria filos&oacute;fico-pol&iacute;tica liberal, qual seja, o de que n&atilde;o existem quaisquer tipos de solu&ccedil;&otilde;es definitivas. Nisto reside uma das grandes discre-p&acirc;ncias relativamente &agrave; filosofia pol&iacute;tica socialista, segundo a qual a liberdade e a justi&ccedil;a s&atilde;o concep&ccedil;&otilde;es previamente determinadas em seu conte&uacute;do pela doutrina do partido que constituem aquelas solu&ccedil;&otilde;es definitivas que tem sua exist&ecirc;ncia recha&ccedil;ada pela filosofia pol&iacute;tica liberal. Desta forma, enquanto esta concede um papel predominante ao indiv&iacute;duo como cidad&atilde;o participante e construtor da sociedade na qual vive<a href="#40" name="s40"><sup>40</sup></a> aquela proporciona aos indiv&iacute;duos pouco mais espa&ccedil;o do que o de submeter-se a uma tal doutrina oficial.</p>     <p>Disso tudo fica evidenciada uma bem acabada posi&ccedil;&atilde;o de Bo-bbio sobre o socialismo? Todavia n&atilde;o. Faltaria ainda acrescentar sua clara condena&ccedil;&atilde;o ao primado do p&uacute;blico traduzido no aumento da esfera estatal, na regula&ccedil;&atilde;o coativa dos comportamentos dos indiv&iacute;duos e dos grupos que operam fora da &oacute;rbita do Estado</p>     <p>(Bobbio, 1987). Ora, se em um primeiro momento ele deixa ver que &eacute; contr&aacute;rio ao primado do p&uacute;blico traduzido na capacidade de regula&ccedil;&atilde;o/coa&ccedil;&atilde;o, por parte do Estado ser&aacute; igualmente poss&iacute;vel deduzir que sua filosofia dista de desestimular o surgimento de quaisquer estruturas reguladoras do Estado. Bobbio afirma que o verdadeiro protagonista do saber pol&iacute;tico n&atilde;o &eacute; mais o Estado e sim o indiv&iacute;duo (Bobbio, 2001a). Nesse momento podemos concluir que o socialismo, tanto o real como o te&oacute;rico, o concebido e imagin&aacute;rio como o praticado s&atilde;o objetos de rep&uacute;dio por sua parte. Assim, conclu&iacute;a contrariamente aqueles que se debatiam pela fidelidade ao pressupostos marxistas, distanciando-se da an&aacute;lise dos efeitos e das perspectivas que a aplica&ccedil;&atilde;o de tal teoria surtia sobre o momento presente.</p> <hr>     <p><a href="#s1" name="1"><sup>1</sup></a> A sobreposi&ccedil;&atilde;o do valor liberdade sobre a igualdade &eacute; admitida at&eacute; mesmo por Ruiz-Miguel (cf Ruiz-Miguel, 1994, p. 124).</p>     <p><a href="#s2" name="2"><sup>2</sup></a> Bobbio traz &agrave; tona este conceito em diversos momentos. Em um deles destaca a &quot;apatia pol&iacute;tica&quot; que chega a envolver metade daqueles que t&ecirc;m direito ao voto, o que possibilitaria caracteriz&aacute;-las como &quot;desinteressadas&quot;. A este respeito ver Bobbio, (2000, p. 45). Em outro trecho detalha melhor o que seja sua concep&ccedil;&atilde;o de apatia pol&iacute;tica explicando que ela n&atilde;o &eacute; precisamente um sintoma de crise de um sistema democr&aacute;tica. Na realidade, por contradit&oacute;rio que possa parecer, ela traduz um sinal de perfeita sa&uacute;de, demonstrando que seus atores apenas se revelam indiferentes perante o processo pol&iacute;tico que se desenvolve. Trata-se, diz, de uma &quot;ben&eacute;vola indiferen&ccedil;a&quot; (Bobbio, 2000, p. 82). O mesmo conceito de apatia como forma de interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica volta a tratar em outro trecho de sua obra. A este respeito ver Bobbio, (2000, p. 156).</p>     <p><a href="#s3" name="3"><sup>3</sup></a> No mesmo sentido ver Bobbio, (2001a. pp. 386-387).</p>     <p><a href="#s4" name="4"><sup>4</sup></a> Sobre a diversidade de significados e, inclusive, o antagonismo de muitas delas a um valor positivo para a democracia, Bobbio mostra o argumento que durante muito tempo vigorou: &quot;Durante s&eacute;culos, de Plat&atilde;o a Hegel, a democracia foi condenada como forma de governo m&aacute; em si mesma, por ser o governo do povo e o povo, degradado a massa, a multid&atilde;o, a plebe, n&atilde;o estar em condi&ccedil;&otilde;es de governar: o rebanho precisa do pastor, a chusma do timoneiro &#91;...&#93;&quot; (Bobbio, 2000, p. 114). Ele refor&ccedil;a seu ponto de vista em outra obra ao afirmar que a &quot;democracia pode ser considerada &#91;.&#93; com sinal positivo ou negativo, isto &eacute;, como uma forma boa e, portanto, a ser louvada e recomendada, ou como forma m&aacute;, e portanto a ser reprovada e desaconselhada&quot; (Bobbio, 1987, p. 139). Um desses argumentos hist&oacute;ricos contr&aacute;rios a democracia &eacute; o de que elas se apresentavam como regimes turbulentos, refer&ecirc;ncia esta que, desde logo, dizia respeito &agrave; democracia direta.</p>     <p><a href="#s5" name="5"><sup>5</sup></a> Bobbio ressalta como o per&iacute;odo do p&oacute;s-guerra &eacute; que presencia o emergir dos direitos sociais. Poder&iacute;amos concluir que isto se deveu em boa parte &agrave; necessidade de que em uma sociedade praticamente devastada pela barb&aacute;rie fosse demandada uma a&ccedil;&atilde;o positiva e forte por parte do Estado. Nesse contexto torna-se compreens&iacute;vel o discurso de Roosevelt sobre o desafio de libertar os homens das necessidades: &quot;Para que o homem se liberte da necessidade, &eacute; preciso uma interven&ccedil;&atilde;o do Estado para proteger o trabalho, dar trabalho a quem n&atilde;o tem, prover as aposentadorias aos idosos, as pens&otilde;es por invalidez &#91;.&#93; desenvolver a possibilidade de obter tratamentos m&eacute;dicos adequados &#91;...&#93; N&atilde;o se trata de almejar uma distante idade do ouro. &Eacute; uma base espec&iacute;fica para um tipo de mundo que podemos alcan&ccedil;ar na nossa &eacute;poca e na nossa gera&ccedil;&atilde;o&quot;. (apud Bobbio, 2001a p. 506).</p>     <p><a href="#s6" name="6"><sup>6</sup></a> Bobbio busca detalhar ainda mais seu conceito de democracia ao expor amplo quadro do que seriam os seus componentes: &quot;a) todos os cidad&atilde;os que tenham atingido a maioridade, sem distin&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a, religi&atilde;o, condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sexo, etc., devem gozar dos direitos pol&iacute;ticos, isto &eacute;, do direito de exprimir com o voto a pr&oacute;pria opini&atilde;o e/ou eleger quem a exprima por ele; b) o voto de todos os cidad&atilde;os deve ter peso id&ecirc;ntico, isto &eacute;, deve valer por um; c) todos os cidad&atilde;os que gozam dos direitos pol&iacute;ticos devem ser livres de votar segundo a pr&oacute;pria opini&atilde;o, formando o mais livremente poss&iacute;vel, isto &eacute;, em uma livre concorr&ecirc;ncia entre grupos pol&iacute;ticos organizados, que competem entre si para reunir reivindica&ccedil;&otilde;es e transform&aacute;-las em delibera&ccedil;&otilde;es coletivas; d) devem ser livres ainda no sentido em que devem ser colocados em condi&ccedil;&otilde;es de terem reais alternativas, isto &eacute;, de escolher entre solu&ccedil;&otilde;es diversas; e) para as delibera&ccedil;&otilde;es coletivas como para as elei&ccedil;&otilde;es dos representantes deve valer o princ&iacute;pio da maioria num&eacute;rica, ainda que se possa estabelecer diversas formas de maioria (relativa, absoluta, qualificada), em determinadas circunst&acirc;ncias previamente estabelecidas; f) nenhuma decis&atilde;o tomada pela maioria deve limitar os direitos da minoria, em modo particular o direito de tornar-se, em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, maioria&quot; (Bobbio, 1983. p. 56). &Agrave; parte este minucioso detalhamento, em sua abordagem da quest&atilde;o da liberdade e sua rela&ccedil;&atilde;o com as minorias, Bobbio parece seguir a cl&aacute;ssica argumenta&ccedil;&atilde;o milliana. Ali&aacute;s, Bobbio conclama os leitores-cidad&atilde;os a &quot;participem ativamente da vida p&uacute;blica&quot;. (Bobbio, 2001b, p. 109).</p>     <p><a href="#s7" name="7"><sup>7</sup></a> Logo adiante Bobbio faz refer&ecirc;ncia a que o Estado fez-se <i>res publica, </i>e nessa medida ele torna-se portador de interesse coletivo, part&iacute;cipe do Estado e, assim, cidad&atilde;o <i>(cf. </i>Bobbio, 1983, p. 86). Corol&aacute;rio disto, ent&atilde;o, &eacute; que a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; fundamental.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#s8" name="8"><sup>8</sup></a> Em algum momento ao destacar a import&acirc;ncia desse elemento Bobbio chega mesma a admitir que o costume tem mais import&acirc;ncia do que as institui&ccedil;&otilde;es (Bobbio, 2001b, p. 140).</p>     <p><a href="#s9" name="9"><sup>9</sup></a> &Eacute; muito importante para bem compreender a posi&ccedil;&atilde;o de Bobbio frente ao Estado liberal e ao Estado democr&aacute;tico, bem como ao que estes conceitos centrais representam em seu pensamento, o conceito de interdepend&ecirc;ncia que ele estabelece entre ambos. Bobbio afirma que ambos andaram de m&atilde;os dadas, sendo que a prova hist&oacute;rica disso est&aacute; no fato de que &quot;Estado liberal e Estado democr&aacute;tico, quando caem, caem juntos&quot;. (Bobbio, 2000, p. 33).</p>     <p><a href="#s10" name="10"><sup>10</sup></a> &Eacute; interessante destacar como Bobbio reprovava a gera&ccedil;&atilde;o de seus pais pelo fato de terem sido pouco operantes na defesa das institui&ccedil;&otilde;es contra o avan&ccedil;o do fascismo. Assim, dizia ele, &quot;reprov&aacute;vamos o fato de n&atilde;o terem defendido o direito do cidad&atilde;o de participar como sujeito da vida p&uacute;blica e de se terem reduzido pouco a pouco &#91;...&#93; a uma multid&atilde;o aclamante&quot; (Bobbio, 2001b, pp. 107-108). Indubitavelmente, neste ponto a refer&ecirc;ncia a Carl Schmitt &eacute; clara.</p>     <p><a href="#s11" name="11"><sup>11</sup></a> Bobbio arremata o tema afirmando que condena &quot;o mal do absente&iacute;smo, da indiferen&ccedil;a diante das grandes quest&otilde;es p&uacute;blicas&quot; (Bobbio, 2001b, p. 110). Aqui ficam patenteadas as idas e vindas a que o pensamento de Bobbio esteve sujeito e que n&atilde;o ap&oacute;iam a ideia de que encontremos nele um fil&oacute;sofo cuja filosofia seja pass&iacute;vel de reputar-se como de linha cont&iacute;nua e de raras mudan&ccedil;as. Isto sim, esteve apoiado em alguns eixos, os quais, estes sim, permaneceram intocados ao longo de sua vida e obra como, por exemplo, o da democracia.</p>     <p><a href="#s12" name="12"><sup>12</sup></a> Em realidade, &eacute; sabido com que for&ccedil;a contam aqueles que se postam na vida p&uacute;blica de forma anti-propositiva, ou seja, a partir de discursos negadores de projetos construtivistas. Estes discursos costumam dispor de ampla base porque se valem da demagogia e do populismo, pelo menos, para articular-se publicamente, mesmo que na &oacute;rbita privada cambiem integralmente. Por outro lado, o discurso pol&iacute;tico propositivo necessita estabelecer as bases com o real, e nessa medida, com o fact&iacute;vel, sob pena de arcar com o &ocirc;nus s&oacute;cio-pol&iacute;tico do proposto mas n&atilde;o realizado.</p>     <p><a href="#s13" name="13"><sup>13</sup></a> A este respeito ver Bobbio, (1991, p. 147).</p>     <p><a href="#s14" name="14"><sup>14</sup></a> N&atilde;o pretendo avan&ccedil;ar em demasia na abordagem do assunto, mas creio que aqui reside a grande import&acirc;ncia de que determinemos com toda precis&atilde;o poss&iacute;vel as leis eleitorais e todos os aspectos que envolvem a participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o assim mesmo como a interven&ccedil;&atilde;o dos atores e das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas nesse processo.</p>     <p><a href="#s15" name="15"><sup>15</sup></a> O mesmo conceito de democracia real oposta ao de democracia ideal aparece uma vez mais em Bobbio, (2000, p. 33).</p>     <p><a href="#s16" name="16"><sup>16</sup></a> Estas considera&ccedil;&otilde;es abrem espa&ccedil;o ao questionamento proposto por Ruiz-Miguel sobre quais foram os fins que Bobbio teria atribu&iacute;do &agrave; hist&oacute;ria. O autor responde que seriam basicamente tr&ecirc;s, quais sejam: a) liberdade; b) igualdade; c) seguran&ccedil;a (cf Ruiz-Miguel, 1994, p. 122). Estes fins encontrados por Ruiz-Miguel s&atilde;o plenamente congruentes com os valores da sociedade aberta que podem ser apreciados ao longo da obra de Bobbio e voltam a encontrar-se &agrave; medida em que o italiano deixe aberta a hist&oacute;ria a melhor integra&ccedil;&atilde;o desses valores que, como disse em algum momento, n&atilde;o s&atilde;o plenamente realiz&aacute;veis sen&atilde;o em aberto confronto e de modo excludente com os demais. Em outro momento, propondo-se a realizar uma classifica&ccedil;&atilde;o da filosofia bobbiana, Ruiz-Miguel n&atilde;o deixa de enquadrar a filosofia da hist&oacute;ria do turin&ecirc;s como &quot;b&aacute;sicamente liberal&quot; (Ruiz-Miguel, 1994, p. 130). Nesta id&eacute;ia de futuro aberto Ruiz-Miguel observa em Bobbio a exist&ecirc;ncia de raz&otilde;es para assumir a presen&ccedil;a de uma concep&ccedil;&atilde;o progressiva da hist&oacute;ria, em que pese admita a possibilidade dos retrocessos <i>(Op. cit., </i>p. 135).</p>     <p><a href="#s17" name="17"><sup>17</sup></a> N&atilde;o obstante esta perspectiva, int&eacute;rpretes como Vigo admite a hip&oacute;tese de uma teleologia ou axiologia de car&aacute;ter material ou substancial tanto quanto uma outra meramente formal. Ao respeito ver Vigo, (1991, p. 138).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#s18" name="18"><sup>18</sup></a> &Eacute; interessante sublinhar que em outro de seus artigos Bobbio se refere a igualdade formal e a igualdade substancial como elementos prov&aacute;veis em um regime democr&aacute;tico. Desde logo, o que se pode observar &eacute; menos uma confus&atilde;o do que uma desuniformiza&ccedil;&atilde;o conceitual, posto que ambos terminam por possuir o mesmo significado. Onde ele diz democracia ou igualdade formal, ent&atilde;o, quer dizer o mesmo, assim como quando diz democracia ou igualdade substancial. Sobre o tema ver Bobbio, (1987, p. 157-158; 1990b, p. 209).</p>     <p><a href="#s19" name="19"><sup>19</sup></a> &Eacute; interessante a lembran&ccedil;a de Lafer de que no per&iacute;odo revolucion&aacute;rio de 1968 Bobbio se surpreendera, desgostosamente, com o movimento. Isto se deveu a que ele j&aacute; tinha dada por consolidada a vit&oacute;ria da social-democracia liberal no plano pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico na Europa do p&oacute;s-guerra <i>(cf. </i>Lafer, 1998, p. 101).</p>     <p><a href="#s20" name="20"><sup>20</sup></a> O que se quer ressaltar aqui &eacute; a oposi&ccedil;&atilde;o entre teoria e pr&aacute;tica no sentido em que a segunda compreenderia aqui as institui&ccedil;&otilde;es do Estado em si mesmas, tais como o Poder Judici&aacute;rio, o Poder Legislativo, as pol&iacute;cias, etc., em sua atua&ccedil;&atilde;o efetiva, embora nem sempre eficaz.</p>     <p><a href="#s21" name="21"><sup>21</sup></a> Sobre esta rela&ccedil;&atilde;o entre governo e regras &eacute; interessante assinalar que Bobbio sublinha que n&atilde;o basta o &quot;governo respeitar as regras do jogo para ser considerado um bom governo&quot; (Bobbio, 2000, p. 78). Ser&aacute; precisamente o respeito &agrave;s regras quem ir&aacute; traduzir a legitimidade do sistema pol&iacute;tico em quest&atilde;o.</p>     <p><a href="#s22" name="22"><sup>22</sup></a> O fato de que as normas jur&iacute;dicas sejam habitualmente respeitadas n&atilde;o quer dizer que as regras em si mesmas n&atilde;o possam sofrer altera&ccedil;&otilde;es. Esta, sustenta Bobbio, &eacute; uma verdade com a qual &quot;um bom democrata n&atilde;o pode deixar de estar de acordo&quot; (Bobbio, 2000, p. 79). Exemplo acabado disto &eacute; que at&eacute; mesmo as normas constitucionais dos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados n&atilde;o deixam de prever formas de alterar seu conte&uacute;do, t&eacute;cnica da qual n&atilde;o foge a Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira vigente.</p>     <p><a href="#s23" name="23"><sup>23</sup></a> Dessa forma, paradoxalmente, o turin&ecirc;s inclina-se por uma democracia formal, algo contra o qual ele tinha se insurgido, defendendo o valor da democracia real ou substancial perante ela. N&atilde;o obstante, agora ele surge argumentando que &quot;inclinei-me pouco a pouco a reconhecer a ess&ecirc;ncia da democracia no conjunto das regras processuais que permitem a solu&ccedil;&atilde;o dos conflitos sociais sem que seja necess&aacute;rio recorrer ao uso da viol&ecirc;ncia rec&iacute;proca&quot; (Bobbio, 2001b, p. 130). Nesse mesmo sentido ver Bobbio, (2000, p. 51). Aqui ele destaca o papel mediador da conviv&ecirc;ncia exercido pelas institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Aqui seria poss&iacute;vel detectar, ent&atilde;o, uma aporia no pensamento do turin&ecirc;s. Sendo necess&aacute;rio solucionar a oposi&ccedil;&atilde;o entre o conceito de democracia formal e substancial que parece defender em distintos momentos de sua obra, nos inclinar&iacute;amos pela admiss&atilde;o da conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre a convic&ccedil;&atilde;o bobbiana de uma democracia formal e de uma real ou substancial. &Eacute; apenas nela onde o opositor deixa de ser um inimigo e passa a ser t&atilde;o somente um concidad&atilde;o divergente.</p>     <p><a href="#s24" name="24"><sup>24</sup></a> Este conceito de visibilidade do poder &eacute; um tema recorrente na filosofia bobbiana ao qual o autor liga a democracia. A este respeito ver Bobbio, (2001a. p. 387).</p>     <p><a href="#s25" name="25"><sup>25</sup></a> &Eacute; mister reconhecer que, n&atilde;o obstante o avan&ccedil;ado grau de democracia de um sistema, que ele necessita, at&eacute; mesmo com vistas a manter-se, uma certa &aacute;rea de reserva onde as decis&otilde;es necessariamente demandar&atilde;o segredo. &Eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o confundir essa &aacute;rea de decis&otilde;es que devem manter-se sob segredo daqueles outros tipos de sistemas pol&iacute;ticos onde o segredo das decis&otilde;es e das a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas &eacute; sua pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia. Por outro lado, uma boa avalia&ccedil;&atilde;o sobre quais as &aacute;reas devem manter-se sobre o manto do segredo de Estado &eacute; muito sens&iacute;vel e que n&atilde;o &eacute; nosso prop&oacute;sito abordar aqui, mas sim t&atilde;o somente sublinhar sua exist&ecirc;ncia mesmo em um sistema como o de Bobbio. Sobre o segredo como ess&ecirc;ncia do poder ver Bobbio, (2000, p. 205).</p>     <p><a href="#s26" name="26"><sup>26</sup></a> Bobbio define criptogoverno como &quot;o conjunto das a&ccedil;&otilde;es realizadas por for&ccedil;as pol&iacute;ticas subversivas que agem na sombra em articula&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os secretos, ou com uma parte deles, ou pelo menos por eles n&atilde;o obstaculizadas&quot; (Bobbio, 2000, p. 118). Mais ainda, para ele criptogoverno significa aquele que &quot;age na mais profunda obscuridade&quot; (Bobbio, 1990b, p. 209). &Eacute; interessante que uma leitura hol&iacute;stica da obra de Bobbio possa nos conduzir a uma interepreta&ccedil;&atilde;o kantiana deste trecho, principalmente na cr&iacute;tica que o fil&oacute;sofo de KOnigsberg realiza sobre o uso de quaisquer meios moralmente reprov&aacute;veis para bater o inimigo, at&eacute; mesmo na guerra. Desde logo, Bobbio refere-se a outro tipo de embate, estritamente pol&iacute;tico, mas mesmo assim prega pela visibilidade e pela limpeza na disputa pelo poder (cf Kant, 1990, p. 219). Acerca do fen&ocirc;meno do poder ver Bobbio, (1990b, p. 204-207).</p>     <p><a href="#s27" name="27"><sup>27</sup></a> Bobbio desvincula as crises pol&iacute;ticas, que devem ser sempre entendidas como institucionais, de sua origem soberana, que nunca entra em crise. Assim, diz ele, o &quot;subgoverno n&atilde;o entra nunca em crise. Pelo contr&aacute;rio, as crises do governo tornam-no cada vez mais resistentes&quot; (Bobbio, 1990b, p. 206). Talvez para Bobbio o governo oficial representado pelas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas funcionem para o subgoverno como as bact&eacute;rias, que sobrevivem aos ataques de poderosos antibi&oacute;ticos e, logo, se tornam elas tamb&eacute;m perenemente resistentes a eles. Dessa forma, as crises pol&iacute;ticas necessitariam intensidade cada vez mais alta para conseguir algum tipo de perverso efeito sobre a sociedade onde esteja sendo exercido o subgoverno que &eacute;, enfim, &quot;uma estrutura de poder est&aacute;vel, permanente&quot;. <i>(Ib).</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#s28" name="28"><sup>28</sup></a> Isto &eacute; o que se pode depreender, por exemplo, de um dos elementos da tr&iacute;ade jeffersoniana, na qual o &uacute;ltimo prop&otilde;e o direito &agrave; felicidade.</p>     <p><a href="#s29" name="29"><sup>29</sup></a> Id&eacute;ia semelhante a esta ele voltaria a manifestar em outro de seus artigos <i>(cf. </i>Bobbio, 2001a. p. 496). Em outro momento Bobbio faz refer&ecirc;ncia &agrave;s teorias teleol&oacute;-gicas as quais, segundo ele, tem na justi&ccedil;a, no bem comum e na paz os fins do Estado <i>(cf. </i>Bobbio, 1990a, p. 328).</p>     <p><a href="#s30" name="30"><sup>30</sup></a> Em outro momento destaca a liga&ccedil;&atilde;o entre a democracia entendida predominantemente como procedimento e a postura ativa dos cidad&atilde;os <i>(Op. cit., </i>14, p. 51). Nesse mesmo sentido acrescenta Martino que as regras do jogo democr&aacute;tico n&atilde;o podem mesmo estabelecer os conte&uacute;dos que devem ser alvo das decis&otilde;es coletivas, pois faz&ecirc;-lo seria violar os princ&iacute;pios b&aacute;sicos do pr&oacute;prio sistema democr&aacute;tico, pois n&atilde;o haveria nada mais a decidir, mas t&atilde;o somente a aplicar <i>(cf. </i>Martino; In: Bulygin, Farrell, Nino, Rabossi, 1983, p. 311). J&aacute; o pr&oacute;prio Bobbio em entrevista concedida sustentava a mesma coisa: &quot;Ninguna de estas reglas dice qu&eacute; cosa debe uno decidir, cada una establece c&oacute;mo se decide... Saber de antemano cu&aacute;l es el criterio sobre la base del cual se determina qui&eacute;n gana y qui&eacute;n pierde permite que el conflicto sea resoluble pac&iacute;ficamente. Fuera del uso de la regla de la mayor&iacute;a, no existe outro recurso que la fuerza... La diferencia se establece entre 'gana el m&aacute;s fuerte' y 'gana quien obtiene la mayor&iacute;a'&quot;. (Bobbio; apud Martino; In: Bulygin, Farrell, Nino, Rabossi, 1983, p. 311).</p>     <p><a href="#s31" name="31"><sup>31</sup></a> Nesse mesmo sentido ver Bobbio, (2001a, p. 427). Nesse artigo Bobbio define quais s&atilde;o os <i>&quot;universaisprocessuais&quot; </i>da democracia: 1) todos os cidad&atilde;os que tenham alcan&ccedil;ado a maioridade et&aacute;ria sem distin&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a, religi&atilde;o, condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, sexo, devem gozar de direitos pol&iacute;ticos, isto &eacute;, cada um deles deve gozar do direito de expressar sua pr&oacute;pria opini&atilde;o ou de escolher quem a expresse por ele; 2) o voto de todos os cidad&atilde;os deve ter igual peso; 3) todos aqueles que gozam dos direitos pol&iacute;ticos devem ser livres para poder votar segundo sua pr&oacute;pria opini&atilde;o formada, ao m&aacute;ximo poss&iacute;vel, livremente, isto &eacute;, em uma livre disputa entre grupos pol&iacute;ticos organizados em concorr&ecirc;ncia entre si; 4) devem ser livres tamb&eacute;m no sentido de que devem ser colocados em condi&ccedil;&otilde;es de escolher entre diferentes solu&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, entre partidos que tenham programas distintos e alternativos; 5) seja para as elei&ccedil;&otilde;es, seja para as decis&otilde;es coletivas, deve valer a regra da maioria num&eacute;rica, no sentido de que ser&aacute; considerado eleito o candidato ou ser&aacute; considerada v&aacute;lida a decis&atilde;o que obtiver o maior n&uacute;mero de votos; 6) nenhuma decis&atilde;o tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria, particularmente o direito de se tornar por sua vez maioria em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es <i>(cf. </i>Bobbio, 2001a, p. 427)</p>     <p><a href="#s32" name="32"><sup>32</sup></a> Bobbio chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a toler&acirc;ncia &eacute;, qui&ccedil;&aacute;, o &uacute;nico valor partilh&aacute;vel em sociedades multiculturais como as nossas, em que pese esteja longe de ser efetivamente partilhado e exija, ent&atilde;o, ser reconquistado a cada dia <i>(cf. </i>Bobbio, 2001a, p. 673).</p>     <p><a href="#s33" name="33"><sup>33</sup></a> No mesmo sentido ver Bobbio, (2000, p. 185). Em outros artigos Bobbio volta a esta tem&aacute;tica. Em um deles sublinha a import&acirc;ncia da democracia como introdu-tora da disputa partid&aacute;ria e da discuss&atilde;o pol&iacute;tica como meios de aceder ao poder em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s lutas encarni&ccedil;adas e sangrentas pelo poder <i>(cf. </i>Bobbio, 1990b, p. 131). Em um outro artigo Bobbio volta a mencionar a sucess&atilde;o pac&iacute;fica no poder como um dos grandes trunfos da democracia <i>(cf. </i>Bobbio, (2001b, p. 135). Em outro momento o jusfil&oacute;sofo volta a mesma argumenta&ccedil;&atilde;o, defendendo a possibilidade de entender a democracia como a substitui&ccedil;&atilde;o do uso de t&eacute;cnicas violentas pelo uso de t&eacute;cnicas n&atilde;o-violentas, tais como o voto, o debate, a greve, a manifesta&ccedil;&atilde;o e outras. A este respeito ver Bobbio, (1990b, p. 154). Em outra obra volta a repetir que &quot;a democracia como forma de gobierno caracterizada por la exist&ecirc;ncia y el respecto de reglas que permiten solucionar los lconflictos sin que sea necesario recurrir a la viol&ecirc;ncia &#91;...&#93;&quot; (Bobbio, 1993e, p. 287). Esta parece ser uma concep&ccedil;&atilde;o cuja elabora&ccedil;&atilde;o sofreu, pelo menos, grande influ&ecirc;ncia de Ricardo Bauer, um dos que, como diz Bobbio, &quot;nos precederam&quot;, e que &quot;nos ajudaram a sair da selva obscura em que o fascismo nos tinha lan&ccedil;ado&quot; (Bobbio, 1990b, p. 231). Sobre este tema ver Bobbio, (1982, p. 17-20). Salienta Ruiz-Miguel uma das frases prediletas de Bobbio de que as democracias justamente se caracterizam pelo princ&iacute;pio de que preferem contar cabe&ccedil;as (e faz&ecirc;-las contar) do que cort&aacute;-las <i>(cf. </i>Ruiz-Miguel, 1994, p. 126). Em outro momento, quando aborda o problema dos direitos humanos, Bobbio volta a referir-se ao valor da democracia como processo de solu&ccedil;&atilde;o de conflitos de forma pac&iacute;fica <i>(cf. </i>Bobbio, (1993c, p. 14).</p>     <p><a href="#s34" name="34"><sup>34</sup></a> Quanto a caracteriza&ccedil;&atilde;o da democracia como procedimento, entre outros, ver Bobbio, (2000, p. 77-78).</p>     <p><a href="#s35" name="35"><sup>35</sup></a> Bobbio reafirma esta id&eacute;ia quando busca reunir argumentos para justificar o por que a democracia &eacute; desej&aacute;vel. Ali diz ele que o que muda no decorrer dos s&eacute;culos n&atilde;o &eacute; tanto o significado do conceito de democracia como o julgamento de valores que ele expressa (cf Bobbio, 1983, p. 83). Este julgamento incluiu durante muito tempo n&atilde;o apenas o recha&ccedil;o &agrave; democracia como tamb&eacute;m sua valora&ccedil;&atilde;o negativa, desde a Antig&uuml;idade do pensamento ocidental, desde seus pais gregos, at&eacute; os &iacute;cones do pensamento revolucion&aacute;rio. Ao fim e ao cabo, elenca pelo menos tr&ecirc;s boas justificativas para preferir o m&eacute;todo democr&aacute;tico, o que &eacute; feito a partir de sua abordagem &eacute;tica, pol&iacute;tica e utilitarista <i>(cf. </i>Bobbio, 1983, p. 84). A primeira perspectiva, &eacute;tica, &eacute; aquela que pode ser identificada pelo fato de que cada um obedece as leis que a si mesmo se concedeu. J&aacute; a segunda perspectiva, pol&iacute;tica, se diria que a raz&atilde;o pela prefer&ecirc;ncia pela democracia se deve ao fato de ser ela a principal arma contra o abuso de poder. A terceira perspectiva, utilit&aacute;ria, sustenta que a democracia &eacute; prefer&iacute;vel porque se cr&ecirc; serem os indiv&iacute;duos os melhores int&eacute;rpretes de seus pr&oacute;prios interesses <i>(cf. </i>Bobbio, 1983, p. 84-85). Ainda assim ver Bobbio, (1993d, p. 74).</p>     <p><a href="#s36" name="36"><sup>36</sup></a> Em outro artigo diz Bobbio de modo taxativo que &quot;d&aacute; vontade de lhes dizer na cara &#91;...&#93; desejavam voc&ecirc;s o socialismo e ao mesmo tempo a liberdade?&quot; (Bobbio, 1990b, p. 90). Nesse mesmo artigo volta a advertir que a conjuga&ccedil;&atilde;o de socialismo e liberdade &eacute; que &eacute; o problema, ali&aacute;s, n&atilde;o resolvido, pois o &uacute;nico socialismo que at&eacute; hoje a humanidade conheceu foi incompat&iacute;vel com a liberdade <i>(Ib.). </i>Em outro artigo, ao expressar sua descren&ccedil;a quanto as possibilidades do socialismo, Bobbio fez refer&ecirc;ncia a que o &quot;socialismo democr&aacute;tico&quot; era, todavia, &quot;um desafio&quot;. (Bobbio, 1990b, p. 149).</p>     <p><a href="#s37" name="37"><sup>37</sup></a> Na hip&oacute;tese de que tenha verdadeiramente sido um erro, adverte Bobbio de que, efetivamente, n&atilde;o deixou de ser previsto. Ao contr&aacute;rio, que a &quot;transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade sem uma adequada reforma pol&iacute;tica &#91;...&#93; levariam ao despotismo do Estado, ao poder descontrolado de uma burocracia irrespons&aacute;vel, era uma tese j&aacute; prevista &#91;...&#93;&quot;. (Bobbio, 1990b, p. 90).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#s38" name="38"><sup>38</sup></a> Por utilizar refer&ecirc;ncia bobbiana, poder&iacute;amos dizer que desde o ponto de vista hist&oacute;rico seria uma estranha estrat&eacute;gia esta a de tomar a igualitariza&ccedil;&atilde;o do direito de propriedade para alcan&ccedil;ar o est&aacute;gio ideal de sociedade, posto que o direito de propriedade desempenhou atrav&eacute;s dos tempos a tarefa de garantir a esfera privada dos indiv&iacute;duos contra a usurpa&ccedil;&atilde;o dos governos tiranos <i>(cf. </i>Bobbio, 1991, p. 141).</p>     <p><a href="#s39" name="39"><sup>39</sup></a> Mais do que este realismo, Ruiz-Miguel chega a identificar em Bobbio um &quot;inmisericorde realismo pol&iacute;tico&quot; aliado ainda ao seu agu&ccedil;ado sentido cr&iacute;tico (cf Ruiz-Miguel, 1983. p. 15).</p>     <p><a href="#s40" name="40"><sup>40</sup></a> Neste ponto Bobbio &eacute; especialmente claro. Ver trecho deste ensaio onde abordo a quest&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como um dos eixos centrais de sua filosofia pol&iacute;tica. Ver se&ccedil;&atilde;o 2, onde &eacute; abordado o funcionamento do conceito de democracia na obra de Bobbio.</p> <hr>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Arendt, H. (1974). <i>Los or&iacute;genes del totalitarismo. </i>Madrid: Tecnos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1692-8857201000010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ayer, A. (1965). <i>Lenguaje, verdad y l&oacute;gica. </i>Buenos Aires: Eudeba.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1692-8857201000010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (2001a). <i>Teoria Geral da Pol&iacute;tica. </i>Rio de Janeiro: Campus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1692-8857201000010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (2001b). <i>Entre duas rep&uacute;blicas. </i>Bras&iacute;lia: Editora Universidade de Bras&iacute;lia: S&atilde;o Paulo: Editora Universidade de Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1692-8857201000010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (2000). <i>O futuro da democracia. </i>S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1692-8857201000010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1998). Pr&oacute;logo. En A. Greppi. <i>Teor&iacute;a e ideolog&iacute;a en el pensamiento pol&iacute;tico de Norberto Bobbio. </i>Madrid: Universidad Carlos iii / Marcial Pons.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1692-8857201000010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1997). <i>O tempo da mem&oacute;ria. De senectute. </i>Rio de Janeiro: Campus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1692-8857201000010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1994). La communit&agrave; internazionale e il diritto. <i>Pol&iacute;tica, Historia y Derecho en Bobbio, V. </i>Mexico: Fontamara.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1692-8857201000010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1993a). <i>Teor&iacute;a general del derecho. </i>Madrid: Debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1692-8857201000010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1993b). <i>Estudio preliminar. </i>En N. Bobbio. <i>El positivismo jur&iacute;dico. </i>Madrid: Debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1692-8857201000010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1993c). <i>El positivismo jur&iacute;dico. </i>Madrid: Debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1692-8857201000010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1993d). <i>Igualdady libertad. </i>Barcelona: Paid&oacute;s I.C.E. / U.A.B.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1692-8857201000010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1993e). <i>Perfil ideol&oacute;gico del siglo XX em It&aacute;lia. </i>M&eacute;xico: Fondo de Cultura Econ&oacute;mica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1692-8857201000010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1991). <i>El tiempo de los derechos. </i>Madrid: Sistema.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1692-8857201000010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1990a). <i>Contribuci&oacute;n a la teor&iacute;a del derecho. </i>Madrid: Debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1692-8857201000010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1990b). <i>As ideologias e o poder em crise. </i>Bras&iacute;lia: Editora Universidade de Bras&iacute;lia: S&atilde;o Paulo: Polis.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1692-8857201000010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1990c). A utopia. <i>Lua Nova, outubro, </i>p. 144.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1692-8857201000010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1989). <i>Teoria do ordenamento jur&iacute;dico. </i>S&atilde;o Paulo: Polis; Bras&iacute;lia: Editora da Universidade de Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1692-8857201000010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1987). <i>Estado, governo e sociedade. Para uma teoria geral da pol&iacute;tica. </i>Rio de Janeiro: Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1692-8857201000010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1985). Sulla nozione di giustizia. <i>Teoria Politica, I, </i>7-19.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1692-8857201000010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1983). <i>Qual socialismo? </i>Rio de Janeiro: Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1692-8857201000010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1982). <i>El problema de la guerra y las v&iacute;as de la paz. </i>Barcelona: Gedisa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1692-8857201000010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1973). Hans Kelsen. <i>Rivista Internazionale di Filosofia del Diritto, I, </i>426-449.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1692-8857201000010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bobbio, N. (1965). <i>Giusnaturalismo epositivismogiuridico. </i>Milano: Edizioni di Comunit&agrave;.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1692-8857201000010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Einaudi, L. (1973). <i>Il buongoverno. </i>Roma-Bari: Laterza.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1692-8857201000010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Greppi, A. (1998). <i>Teor&iacute;a e ideolog&iacute;a en el pensamiento pol&iacute;tico de Norberto Bobbio. </i>Madrid: Universidad Carlos iii / Marcial Pons.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1692-8857201000010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kant, E. (1990). <i>La paz perpetua. </i>Mexico: Porr&uacute;a.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1692-8857201000010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lafer, C. (1998). Bobbio domestica o poder por meio do direito. <i>Campinas, XIV, </i>97-103.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1692-8857201000010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Manero, J. R. &amp; Atienza, M. (1985). 8 preguntas a Norberto Bobbio. <i>Doxa, I, </i>233-246.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1692-8857201000010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Martino, A. (1983). Freud, Kelsen y la unidad del Estado. En E. Bulygin, M. D. Farrell, C. S. Nino &amp; E. A. Rabossi (Orgs.). <i>El lenguaje del derecho. </i>Buenos Aires: Abeledo-Perrot.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1692-8857201000010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peces-Barba, G. (s.f.). Introducci&oacute;n. En N. Bobbio. <i>Contribuci&oacute;n a la Teor&iacute;a del Derecho. </i>Madrid: Debate. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1692-8857201000010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Raphael, D. D. (1983). <i>Problemas de Filosof&iacute;a Pol&iacute;tica. </i>Madrid: Alianza. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1692-8857201000010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruiz Miguel, A. (1994). <i>Pol&iacute;tica, Historia y Derecho en Bobbio. </i>Mexico: Fontamara.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1692-8857201000010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruiz Miguel, A. (1990). Bobbio y el positivismo jur&iacute;dico italiano. Estudio preliminar. En N. Bobbio, <i>Contribuci&oacute;n a la Teor&iacute;a General del Derecho.</i> Madrid: Debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1692-8857201000010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruiz Miguel, A. (1983). <i>Filosof&iacute;a y derecho en Norberto Bobbio. </i>Madrid: Centro de Estudios Constitucionales. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1692-8857201000010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Unzueta, M. A. (1990). <i>La escuela de Bobbio. </i>Madrid: Tecnos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1692-8857201000010000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vigo, R. L. (1991). <i>Perspectivas iusfilos&oacute;ficas contempor&aacute;neas. </i>Buenos Aires: Abeledo-Perrot.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1692-8857201000010000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wittgenstein, L. (1992). <i>Tractatus Logico-Philosophicus. </i>Madrid: Alianza Editorial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1692-8857201000010000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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