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<article-id pub-id-type="doi">10.12804/apl34.1.2016.09</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transição para a parentalidade e a coparentalidade: casais que os filhos ingressaram na escola ao término da licença-maternidade]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Transition to Parenting and Coparenting: Couples that Children were Enrolled in School on the Espiration of Maternity Leave]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Transición a la parentalidad y coparentalidad: parejas cuyos hijos ingresaron a la escuela al finalizar la licencia de maternidad]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study investigates the transition to parenthood and coparenting in couples whose children entered nursery school right after the end of maternity leave. A descriptive and exploratory study was carried out with a qualitative data analysis method, through content analysis. Four double-working couples/parents aged from 26 to 40 years-old answered a sociodemographic data questionnaire and a semi-structured interview about coparenting. The results indicate that during the transition to parenthood, the fathers preserve better their personal spaces, while mothers feel overwhelmed, as they assume all demands involving this period. On the other hand, coparenting is performed more equally, since the double-work and consequently, early school insertion of the children impose this dynamic. In contrast, household chores are not shared equally, being these associated with gender roles. The results allowed an approach to the reality of these couples, which pointed out evidence of changes in their performance of coparenting.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El presente estudio investigó la transición a la parentalidad y coparentalidad en parejas cuyos hijos entraron a la educación infantil de la escuela, inmediatamente después de la finalización de la licencia de maternidad. Se realizó un estudio de diseño exploratorio y descriptivo, con análisis de datos cualitativos, por medio del análisis de contenido. A cuatro parejas/padres con doble trabajo y edades entre 26 y 40 años, se les aplicó un cuestionario sociodemográfico y se les realizó una entrevista semiestructurada sobre coparentalidad. Los resultados indicaron que, durante la transición a la parentalidad, los padres conservan sus espacios más personales; mientras que las madres se sienten sobrecargadas al responsabilizarse por todas las demandas que implican este periodo. Ya la coparentalidad se lleva a cabo de manera más equitativa, por la inclusión temprana de los niños a la escuela y el doble trabajo que esta dinámica les impone. Por el contrario, las tareas domésticas no se dividen por igual, ya que están asociadas a los roles de género. Los resultados permitieron una aproximación a la realidad de estas parejas, que mostraron indicios de cambio en el desempeño de su coparentalidad.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">      <p> doi: <a href="http://dx.doi.org/10.12804/apl34.1.2016.09" target="_blank">http://dx.doi.org/10.12804/apl34.1.2016.09</a>. </p>      <p align="center"><font size="4"><b>Transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e a coparentalidade: casais que os filhos ingressaram na escola ao t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade </b></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b> The Transition to Parenting and Coparenting: Couples that Children were Enrolled in School on the Espiration of Maternity Leave </b></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b> Transici&oacute;n a la parentalidad y coparentalidad: parejas cuyos hijos ingresaron a la escuela al finalizar la licencia de maternidad </b></font></p>      <p align="center"> Liana Pasinato<Sup>*</Sup>, Clarisse Pereira Mosmann<Sup>* </Sup></p>  <sup>*</sup> Liana Pasinato, mestre em Psicologia Cl&iacute;nica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil; Clarisse Pereira Mosmann, professora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e do Curso de Psicologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil. </p>      <p> A correspond&ecirc;ncia relacionada com este artigo deve se dirigir a Liana Pasinato. Correio eletr&ocirc;nico:<a href="mailto:lia.pasinato@yahoo.com.br">lia.pasinato@yahoo.com.br</a>. </p>      <p> Como citar este artigo: Pasinato, L. &amp; Mosmann, C. (2016). Transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e a coparentalidade: casais que os filhos ingressaram na escola ao t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. <i>Avances en Psicolog&iacute;a Latinoamericana, 34</i>(1), 129-142. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.12804/apl34.1.2016.09" target="_blank">http://dx.doi.org/10.12804/apl34.1.2016.09</a> </p> <hr>      <p><b> Resumo </b></p>      <p> O presente estudo investigou a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e a coparentalidade em casais que os filhos ingressaram na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Foi realizado um estudo de delineamento explorat&oacute;rio e descritivo, com m&eacute;todo de an&aacute;lise dos dados qualitativo, por meio da an&aacute;lise de conte&uacute;do. Quatro casais/pais de duplo trabalho, com idades entre 26 e 40 anos responderam a um questio n&aacute;rio de dados sociodemogr&aacute;ficos e uma entrevista semiestruturada sobre coparentalidade. Os resultados indicaram que, durante a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalida de, os genitores preservam mais seus espa&ccedil;os pessoais, enquanto as genitoras se sentem sobrecarregadas por se  responsabilizarem por todas as demandas que envolvem esse per&iacute;odo. J&aacute; a coparentalidade &eacute; desempenhada de  forma mais igualit&aacute;ria, uma vez que a inser&ccedil;&atilde;o escolar precoce dos filhos e o duplo trabalho imp&otilde;em essa din&acirc;mica. Em contrapartida, as tarefas dom&eacute;sticas ainda n&atilde;o s&atilde;o divididas igualitariamente, estando estas associadas aos pap&eacute;is de g&ecirc;nero. Os resultados permitiram uma aproxima&ccedil;&atilde;o com a realidade desses casais, que apontou ind&iacute;cios de mudan&ccedil;as no desempenho de sua  coparentalidade.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Palavras chave</i>: </b> dupla carreira; escolas maternais; rela&ccedil;&otilde;es familiares. </p> <hr>      <p><b> Abstract </b></p>      <p> This study investigates the transition to parenthood  and coparenting in couples whose children entered nursery school right after the end of maternity leave. A descriptive and exploratory study was carried out with  a qualitative data analysis method, through content analysis. Four double-working couples/parents aged from 26 to 40 years-old answered a sociodemographic data questionnaire and a semi-structured interview about coparenting. The results indicate that during the transition to parenthood, the fathers preserve better their personal spaces, while mothers feel overwhelmed, as they assume all demands involving this period. On the other hand, coparenting is performed more equally, since the double-work and consequently, early school insertion of the children impose this dynamic. In contrast, household chores are not shared equally, being these associated with gender roles. The results allowed an approach to the reality of these couples, which pointed out evidence of changes in their performance of coparenting. </p>      <p><b><i>Keywords</i>:</b> dual career; nursing schools; family relations. </p> <hr>      <p><b> Resumen </b></p>      <p> El presente estudio investig&oacute; la transici&oacute;n a la parentalidad y coparentalidad en parejas cuyos hijos entraron a la educaci&oacute;n infantil de la escuela, inmediatamente despu&eacute;s de la finalizaci&oacute;n de la licencia de maternidad. Se realiz&oacute; un estudio de dise&ntilde;o exploratorio y descriptivo, con an&aacute;lisis de datos cualitativos, por medio del an&aacute;lisis de contenido. A cuatro parejas/padres con doble trabajo y edades entre 26 y 40 a&ntilde;os, se les aplic&oacute; un cuestionario sociodemogr&aacute;fico y se les realiz&oacute; una entrevista semiestructurada sobre coparentalidad. Los resultados indicaron que, durante la transici&oacute;n a la parentalidad, los padres conservan sus espacios m&aacute;s personales; mientras que las madres se sienten sobrecargadas al responsabilizarse por todas las demandas que implican este periodo. Ya la coparentalidad se lleva a cabo de manera m&aacute;s equitativa, por la inclusi&oacute;n temprana de los ni&ntilde;os a la escuela y el doble trabajo que esta din&aacute;mica les impone. Por el contrario, las tareas dom&eacute;sticas no se dividen por igual, ya que est&aacute;n asociadas a los roles de g&eacute;nero. Los resultados permitieron una aproximaci&oacute;n a la realidad de estas parejas, que mostraron indicios de cambio en el desempe&ntilde;o de su coparentalidad. </p>      <p><b><i>Palabras clave</i>:</b> carreras dobles; escuelas maternas;  relaciones familiares. </p> <hr>      <p> A transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade configura-se como uma etapa de crise do sistema familiar, caracterizada por mudan&ccedil;as impactantes sobre a vida e sobre o relacionamento dos indiv&iacute;duos que a experimentam. Durante esse per&iacute;odo, novos pap&eacute;is precisam ser aprendidos, novos relacionamentos desenvolvidos e os j&aacute; existentes necessitam ser reordenados (Hernandez &amp; Hutz, 2009). </p>      <p> Atualmente, devido &agrave;s caracter&iacute;sticas de duplo trabalho dos pais, as crian&ccedil;as est&atilde;o ingressando na escola logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Isso gera uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de duas etapas do ciclo de vida da fam&iacute;lia, que, antigamente, eram marcadamente distintas, culminando em uma maior complexidade. Existia uma diferen&ccedil;a no momento de transi&ccedil;&atilde;o da conjugalidade para a parentalidade e a coparentalidade, com tarefas e demandas espec&iacute;ficas. Anteriormente, as av&oacute;s e tias as que habitavam junto &agrave; fam&iacute;lia participavam da guarda e da educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, facilitando para que ocorresse, posteriormente, a entrada dos filhos na escola. Hoje, sabe-se que elas est&atilde;o incorporadas tamb&eacute;m &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ativa (Gravena, 2006; Rizzo, 2010). </p>      <p> Uma etapa de crise evolutiva vital das fam&iacute;lias foi antecipada cronologicamente, j&aacute; que dificilmente podem contar com rede de apoio social (Seabra, 2007), entendida aqui como as inter-rela&ccedil;&otilde;es que estabelecem com amigos, familiares e a comunidade em geral, as quais, atrav&eacute;s do suporte m&uacute;tuo, sustentam o sentimento de bem-estar psicossocial (Sluzki, 1996). Com o duplo trabalho e n&atilde;o havendo familiares dispon&iacute;veis, os casais precisam inserir as crian&ccedil;as na escola, a qual possui hor&aacute;rio e rotina especifica, que precisam ser coordenadas com os hor&aacute;rios dos trabalhos de cada genitor, e mais as tarefas dom&eacute;sticas e de cuidados com a crian&ccedil;a. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nesse contexto, em fam&iacute;lias nucleares, durante a transi&ccedil;&atilde;o da conjugalidade para a parentalidade, os pais necessitam assumir um papel diferente do desempenhado at&eacute; ent&atilde;o, pois o sentimento de maternidade e de paternidade &eacute; carregado de emotividade, o que &agrave;s vezes resulta dif&iacute;cil de ser vivenciado. O surgimento das novas fun&ccedil;&otilde;es vem com o envolvimento dos pais com os filhos que necessitam de cuidados e de afeto, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia com seus genitores durante boa parte do tempo. As dificuldades surgem na medida em que tanto o pai quanto a m&atilde;e precisam dar seu amor ao novo filho, continuando a fazer o mesmo com seu respectivo c&ocirc;njuge. Dessa forma, nesse per&iacute;odo, ocorrem modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura, nos pap&eacute;is e nas fun&ccedil;&otilde;es, e essa transi&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e certos n&iacute;veis de flexibilidade para que o sistema consiga-se adaptar e atingir uma nova din&acirc;mica familiar (R&iacute;os-Gonz&aacute;lez, 2005). </p>      <p> No contexto nacional, Menezes e Lopes (2007) buscaram analisar a rela&ccedil;&atilde;o conjugal durante a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade sob dois enfoques: a avalia&ccedil;&atilde;o que cada casal fez de sua rela&ccedil;&atilde;o e a intera&ccedil;&atilde;o comunicacional estabelecida nos diferentes momentos de transi&ccedil;&atilde;o. Os pesquisadores realizaram um estudo de caso coletivo e longitudinal que abrangeu cinco etapas: o &uacute;ltimo trimestre da gesta&ccedil;&atilde;o e o terceiro, o oitavo, o d&eacute;cimo-segundo e o d&eacute;cimo oitavo meses de vida dos beb&ecirc;s. </p>      <p> A amostra foi composta por quatro casais adultos, com idades entre 20 e 30 anos, que esperavam seu primeiro filho e que foram recrutados em grupos de prepara&ccedil;&atilde;o para gestantes em hospitais de Porto Alegre. Os resultados indicaram que a parentalidade pode-se manifestar de diferentes formas em cada casal. Entretanto, a participa&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, dos homens na fun&ccedil;&atilde;o parental mostrou-se relacionada &agrave; qualidade da conjugalidade. De acordo com os autores, durante a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade, os casais que apresentavam uma rela&ccedil;&atilde;o de envolvimento emocional puderam aprimor&aacute;-la e manifestar isso por meio do aumento da emiss&atilde;o de respostas apoiadoras ao c&ocirc;njuge. Enquanto isso, os casais que j&aacute; tinham um distanciamento afetivo sentiram mais o impacto dessa transi&ccedil;&atilde;o, diminuindo a forma apoiadora de interagir com o c&ocirc;njuge. </p>      <p> No momento em que se estabelece o subsistema parental, instaura-se tamb&eacute;m o subsistema coparental. Esse &uacute;ltimo &eacute; definido pelo envolvimento conjunto e rec&iacute;proco de ambos os pais na educa&ccedil;&atilde;o, na forma&ccedil;&atilde;o e nas decis&otilde;es sobre a vida de seus filhos (Feinberg, 2003). Para defini&ccedil;&atilde;o do termo coparentalidade, &eacute; necess&aacute;ria a presen&ccedil;a de duas (Grzybowski &amp; Wagner, 2010), ou mais pessoas envolvidas e respons&aacute;veis pela educa&ccedil;&atilde;o dos filhos (McHale, Kuersten-Hogan &amp; Rao, 2004). Apenas se excluem da rela&ccedil;&atilde;o coparental os aspectos legais, rom&acirc;nticos, sexuais, emocionais e/ou financeiros dos relacionamentos adultos que n&atilde;o t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com os cuidados sobre a crian&ccedil;a (Feinberg, 2003). </p>      <p> As pesquisas que analisam as associa&ccedil;&otilde;es ao desenvolvimento infantil enfocam a import&acirc;ncia de bons n&iacute;veis de acordo coparental e baixos &iacute;ndices de conflito e de competi&ccedil;&atilde;o coparental (Mosmann, Einsfeld, Silva &amp; Terres-Trindade, 2012; Lamela, Costa, &amp; Figueiredo, 2010). Por acordo coparental entende-se a afirma&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia do outro genitor como pai/m&atilde;e, reconhecendo e respeitando suas contribui&ccedil;&otilde;es e sustentando suas decis&otilde;es. Em contrapartida, alguns genitores adotam uma postura competitiva, minando um ao outro com a cr&iacute;tica, o menosprezo e a culpa. Ou seja, o ganho de um dos genitores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; autoridade e/ ou ao afeto com rela&ccedil;&atilde;o aos filhos pode ser compreendido como uma perda para o outro. Portanto, o comportamento dos filhos &eacute; afetado n&atilde;o somente pela rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos, mas tamb&eacute;m pela coparentalidade, quando os c&ocirc;njuges falham no suporte um ao outro e expressam aos filhos pr&aacute;ticas educativas contradit&oacute;rias. </p>      <p> Muitas vari&aacute;veis podem-se expressar na forma como o casal vai estabelecer sua rela&ccedil;&atilde;o coparental. Al&eacute;m dos aspectos din&acirc;micos do casal, existem elementos contextuais que podem-se refletir nesse momento. Em fun&ccedil;&atilde;o de tradicionais diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero presentes em nossa cultura, percebe-se que, ao mesmo tempo em que o pai deseja participar da vida do beb&ecirc;, ele pode-se perceber como exclu&iacute;do, uma vez que o cuidado dos filhos ainda &eacute; assumido socialmente como uma habilidade natural feminina (Badinter, 2011; Bornholdt, Wagner &amp; Staudt, 2007) e muitas mulheres n&atilde;o permitem uma maior participa&ccedil;&atilde;o dos homens. Ou seja, os casais que procuram dividir os cuidados do filho e os deveres de provedor em bases iguais necessitam negociar seus pap&eacute;is num contexto social, onde a regra que tem sido aceita &eacute; a de que a m&atilde;e seja a encarregada pelo cuidado do filho e o pai ajuda-a. Essa cren&ccedil;a tem sido refor&ccedil;ada tamb&eacute;m pela disponibilidade criada pela licen&ccedil;a-maternidade, e pelo tempo ex&iacute;guo da licen&ccedil;a-paternidade (Cooper &amp; Lewis, 2000), uma vez que a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira prev&ecirc; cento e vinte dias de licen&ccedil;a para as m&atilde;es e cinco dias para os pais. Nesse contexto, &eacute; refor&ccedil;ada a concep&ccedil;&atilde;o tradicional de fam&iacute;lia, composta de um homem provedor e uma mulher dedicada aos cuidados do lar (Pinheiro, Galiza &amp; Fontoura, 2009). Ou seja, n&atilde;o existe incentivo por parte do estado para um maior envolvimento dos genitores com seus filhos. </p>      <p> Em contrapartida, na Su&eacute;cia, desde 1974, a licen&ccedil;a-maternidade tornou-se um benef&iacute;cio remunerado para ambos os pais, com o objetivo de estimular os homens a assumirem um papel mais ativo na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos e de propiciar uma divis&atilde;o mais igualit&aacute;ria das tarefas dom&eacute;sticas. De acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o sueca, at&eacute; o terceiro m&ecirc;s a licen&ccedil;a &eacute; para o pai e para a m&atilde;e e, depois disso, o casal opta sobre qual dos dois continuar&aacute; de licen&ccedil;a parental, podendo esse per&iacute;odo ser alternado para que tanto o pai quanto a m&atilde;e possam-se revezar na licen&ccedil;a-maternidade/paternidade (Pinheiro et al., 2009). </p>      <p> Ao investigar o envolvimento paterno no contexto brasileiro, Beltrame e Bottoli (2010) realizaram entrevistas semiestruturadas, com quatro casais, aplicadas individualmente, a partir de fotos tiradas pelos pr&oacute;prios pais, que registraram o dia a dia da fam&iacute;lia. Nesse estudo, observou-se que ser pai, na atualidade, na vis&atilde;o da mulher e do homem, afasta-se e aproxima-se dos modelos tradicionais, ou seja, os pais encontram-se num momento de transi&ccedil;&atilde;o, exercendo antigos e novos pap&eacute;is. &Eacute; exigida uma nova postura dos homens, em que novas fun&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is s&atilde;o esperados n&atilde;o somente por ingressarem em uma nova etapa do ciclo vital, mas tamb&eacute;m porque a sociedade e a m&iacute;dia cobram um pai mais envolvido no cuidado com os filhos (Freitas, Silva, Coelho, Guedes &amp; Costa, 2009; Staudt &amp; Wagner, 2008). </p>      <p> Por&eacute;m, quando, por necessidade, os pais oferecem cuidados como dar banho, dar comida, trocar fralda, dentre outros, aparece a ideia de que o homem estaria ajudando ou auxiliando a mulher (Bustamante &amp; Trad, 2005). Cabe ressaltar que o envolvimento paterno no cuidado dos filhos n&atilde;o significa uma apropria&ccedil;&atilde;o da vida dom&eacute;stica em si, pois ainda permanece a distin&ccedil;&atilde;o entre ser pai e ser dono de casa, sendo a &uacute;ltima ainda vivida com muito estranhamento (Sutter &amp; Bucher-Maluschke, 2008). </p>      <p> Tamb&eacute;m, com objetivo de investigar as experi&ecirc;ncias e os sentimentos de pais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria paternidade, Gabriel e Dias (2011) realizaram um estudo qualitativo, atrav&eacute;s da an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 1977). Participaram oito homens, pais prim&iacute;paros, com idades entre 28 e 41 anos, que responderam a uma entrevista semiestruturada. Os resultados revelaram que, mesmo os pais colocando-se como envolvidos, essa participa&ccedil;&atilde;o refere-se ao tempo em que est&atilde;o dispon&iacute;veis e n&atilde;o &agrave; sua integralidade. A m&atilde;e e/ou a escola ainda s&atilde;o as principais respons&aacute;veis pela crian&ccedil;a durante o dia. Portanto, essa falta de consist&ecirc;ncia, segundo os autores, entre o discurso e o fazer paterno, faz parte do momento s&oacute;cio hist&oacute;rico que o homem tem vivenciado um per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o na constitui&ccedil;&atilde;o de seu papel. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nesse sentido, a literatura sugere que existe uma coexist&ecirc;ncia de modelos familiares, n&atilde;o ha-vendo predomin&acirc;ncia de um tipo de estrutura. Em algumas fam&iacute;lias, persiste a tradicional divis&atilde;o de pap&eacute;is; em outras, marido e esposa dividem as tarefas dom&eacute;sticas e educativas, e identificam-se, ainda, as fam&iacute;lias em que a mulher &eacute; a principal provedora do sustento econ&ocirc;mico familiar (Wagner, Predebon, Mosmann &amp; Verza, 2005; Fleck &amp; Wagner, 2003). &Eacute; consensual que, ao ingressar a mulher ao mercado de trabalho, os homens foram impelidos a dividir com a esposa os trabalhos dom&eacute;sticos e a cria&ccedil;&atilde;o dos filhos. Segundo Gomes e Resende (2004) a din&acirc;mica familiar muda nos casais de duplo trabalho, pois n&atilde;o h&aacute; como o homem n&atilde;o participar da vida familiar, devido &agrave; falta de tempo das mulheres. </p>      <p> Assim, alguns estudos t&ecirc;m-se dedicado a analisar a divis&atilde;o de pap&eacute;is e de fun&ccedil;&otilde;es de pais e de m&atilde;es no contexto de duplo trabalho. Souza, Wagner, Branco e Reichert (2007) realizaram um estudo de casos m&uacute;ltiplos (Yin, 1993) com quatro fam&iacute;lias, utilizando para coleta de dados a entrevista familiar estruturada (F&eacute;res-Carneiro, 1996), e um question&aacute;rio que investigou dados biodemogr&aacute;ficos e aspectos do funcionamento e da estrutura dessas fam&iacute;lias. Os resultados apontaram que as mulheres ainda s&atilde;o responsabilizadas pelo bem-estar das fam&iacute;lias e principalmente pelo trabalho dom&eacute;stico. A contribui&ccedil;&atilde;o dos homens aparece de forma mais intensa no cuidado e no acompanhamento do desenvolvimento dos filhos e em atividades de lazer e de culin&aacute;ria nos finais de semana. </p>      <p> J&aacute; Seabra e Seidl-de-Moura (2011) investigaram os aspectos do envolvimento paterno, tendo como base te&oacute;rica a abordagem sociocultural. Participaram dessa pesquisa sete fam&iacute;lias quando seus filhos primog&ecirc;nitos estavam com 5, 20 e 36 meses. As m&atilde;es responderam o instrumento Estilo Paterno e foi realizada uma entrevista com os pais para investigar o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o paterno e materno com o envolvimento do pai com os filhos e identificando em que aspectos essa participa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais ou menos frequente. Os resultados encontrados afastam esse grupo de pais das caracter&iacute;sticas da paternidade tradicional. Percebe-se uma tend&ecirc;ncia de envolvimento do pai no cotidiano dos filhos, tanto nos aspectos de lazer como nos de cuidado, e um aumento dessa participa&ccedil;&atilde;o juntamente com o aumento da idade dos filhos. </p>      <p> Questiona-se, ent&atilde;o, como se configura esse fen&ocirc;meno da transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e para a coparentalidade, somado ao ingresso precoce dos filhos na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil. Neste estudo, considera-se ingresso precoce a entrada dos beb&ecirc;s na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Nesse sentido, cabe destacar que as escolas de educa&ccedil;&atilde;o infantil tornaram-se mais importantes com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, ao colaborar para que as m&atilde;es participassem do processo produtivo e tivessem onde deixar seus filhos. </p>      <p> Anteriormente, essas escolas ocupavam-se apenas com os cuidados b&aacute;sicos para sobreviv&ecirc;ncia das crian&ccedil;as. Atualmente, ampliou-se essa concep&ccedil;&atilde;o, pois as escolas de educa&ccedil;&atilde;o infantil favorecem o desenvolvimento das crian&ccedil;as nos seus diversos aspectos: cognitivo, psicomotor, afetivo e psicossocial (Ara&uacute;jo, Gama &amp; Silva, 2013). S&atilde;o, atualmente, para grande parte das fam&iacute;lias, a &uacute;nica alternativa para as m&atilde;es, que necessitam regressar ao trabalho logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade, gerando uma expressiva demanda de articula&ccedil;&atilde;o entre os genitores para dar conta dos cuidados com o filho, das demandas da escola e de seus trabalhos. </p>      <p> Vanalli e Barham (2012) entrevistaram 40 professoras de escolas p&uacute;blicas do interior paulista, m&atilde;es de filhos de at&eacute; dois anos. O intuito foi o de investigar as viv&ecirc;ncias delas depois do retorno da licen&ccedil;a-maternidade, examinando a divis&atilde;o de tarefas com seus c&ocirc;njuges, a satisfa&ccedil;&atilde;o com seu envolvimento familiar e o do c&ocirc;njuge e com sua rede social de apoio. A maioria das m&atilde;es relatou dedicar-se o dobro do tempo que seus c&ocirc;njuges &agrave;s atividades dom&eacute;sticas e ao cuidado dos filhos. Elas assumiam tarefas de alta frequ&ecirc;ncia e com hor&aacute;rios fixos, avaliando positivamente o envolvimento familiar do esposo, mas sistematicamente menor que os seus. Essas participantes relatavam enfrentar grande sobrecarga, apontando para a necessidade de rever a divis&atilde;o do trabalho familiar.</P>      <p> Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi o de analisar as viv&ecirc;ncias da transi&ccedil;&atilde;o para parentalidade e para a coparentalidade em casais que os filhos ingressaram na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo depois do t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. </p>       <p><font size="3"><b> M&eacute;todo </b></font></p>      <p><b> Delineamento </b></p>      <p> Foi realizado um estudo de delineamento explorat&oacute;rio e descritivo, com m&eacute;todo de an&aacute;lise de dados qualitativo por meio da an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 1977). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O estudo explorat&oacute;rio tem por finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, proporcionando uma vis&atilde;o geral acerca de determinado fato, sendo complementado pelo estudo descritivo, que visa a identificar as caracter&iacute;sticas do fen&ocirc;meno (Gil, 1999). Atrav&eacute;s da an&aacute;lise de dados qualitativos, pode-se aprofundar a compreens&atilde;o dos componentes identificados, analisando o significado que os indiv&iacute;duos e/ou grupos atribuem a um problema social ou humano (Creswel, 2010). Desse modo, justifica-se a referida escolha metodol&oacute;gica por avaliar-se que ela pode proporcionar uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao processo de transi&ccedil;&atilde;o da parentalidade para a coparentalidade e suas associa&ccedil;&otilde;es com as rela&ccedil;&otilde;es familiares, especificamente, com o ingresso dos filhos na escola logo depois do t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. </p>      <p><b>Participantes </b></p>      <p> Participaram deste estudo quatro casais de duplo trabalho, com idades entre 26 e 40 anos, com filhos que ingressaram na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo depois do t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Todos os c&ocirc;njuges possuem v&iacute;nculo empregat&iacute;cio, com jornada de trabalho a partir de 30 horas semanais, em sua maior parte com gradua&ccedil;&atilde;o completa. No que se refere &agrave; situa&ccedil;&atilde;o conjugal, tr&ecirc;s dos quatro casais vivem em uni&atilde;o est&aacute;vel, dos quais dois em segunda uni&atilde;o. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rede social de apoio, dois casais contavam com a ajuda dos av&oacute;s e dois n&atilde;o tinham essa possibilidade. Apenas um casal referiu contar com aux&iacute;lio de uma diarista para as tarefas dom&eacute;sticas. Os outros tr&ecirc;s casais se organizavam entre si. O per&iacute;odo de licen&ccedil;a-maternidade das genitoras correspondeu aos quatro meses, conforme &agrave; <a href="#t1" target="_blank">tabela 1</a>. </p>      <p align="center"><a name="t1"></a><img src="img/revistas/apl/v34n1/v34n1a10t1.jpg"></p>      <p> Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o foram: fam&iacute;lia nuclear, casais de duplo trabalho com filhos que tivessem ingressado na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo em seguida ao t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade (<a href="#t1">tabela 1</a>). Devido &agrave; dificuldade para encontrar fam&iacute;lias que se dispusessem a participar da pesquisa, realizamos esse contato atrav&eacute;s das escolas de educa&ccedil;&atilde;o infantil, as quais forneceram contatos de casais que preenchiam os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o. Os casais que aceitaram participar do estudo eram heterossexuais e formavam fam&iacute;lias nucleares.</p>      <p><b> Procedimentos de coleta de dados </b></p>        <p> A coleta de dados foi realizada a partir de con-tato com Escolas Particulares do Munic&iacute;pio de Erechim/RS, as quais indicaram as fam&iacute;lias cujos filhos ingressaram na escola logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. A pesquisadora contatou essas fam&iacute;lias e as convidou a participarem da pesquisa. Uma vez aceito o convite, foi agendada uma entrevista no local de maior conveni&ecirc;ncia da fam&iacute;lia, em sua resid&ecirc;ncia ou no consult&oacute;rio da pesquisadora. </p>      <p> Primeiramente, foi realizada uma entrevista com os dois genitores e, ao final desta, foi agendado um novo encontro individualmente com cada genitor, quando foi repetida a mesma entrevista. Justifica-se a escolha desse segundo momento individual visando a oportunizar que os c&ocirc;njuges, separadamente, se sentissem mais &agrave; vontade para avaliar as dificuldades associadas &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade. </p>      <p><b> Instrumentos </b></p>      <p> Ficha de dados sociodemogr&aacute;ficos: buscou levantar dados sobre os genitores e tamb&eacute;m sobre as crian&ccedil;as: idade, renda, carga hor&aacute;ria de trabalho e idade da crian&ccedil;a ao ingressar na escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Entrevista sobre coparentalidade: roteiro desenvolvido pelo N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas em Transtorno do Desenvolvimento-UFRGS (N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas em Transtorno do Desenvolvimento, 2006). A entrevista foi adaptada aos objetivos do presente estudo enfocando o contexto de duplo trabalho e a inser&ccedil;&atilde;o dos filhos &agrave; escola logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Esta se constituiu de 18 perguntas, em oito dimens&otilde;es: pergunta introdut&oacute;ria; parentalidade; relaciona-mento com o filho(a); apoio m&uacute;tuo; compartilhamento de cuidados; pr&aacute;ticas educativas/valores/ expectativas; engajamento em atividades com o filho(a); engajamento em atividades com a fam&iacute;lia. </p>      <p><b> Procedimentos de an&aacute;lise dos dados </b></p>      <p> Todas as entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas e analisadas por meio do m&eacute;todo da an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 1977). Os resultados foram compreendidos a partir da Teoria Sist&ecirc;mica (Wagner, 2011). </p>      <p> Os resultados ser&atilde;o apresentados a partir de categorias e subcategorias elaboradas por meio da an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas realizadas com os genitores. Cada categoria foi discutida teoricamente, diferenciando suas subcategorias, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de falas dos participantes, exemplificando o tema espec&iacute;fico de cada uma delas. </p>      <p> A an&aacute;lise de conte&uacute;do foi do tipo mista (Bardin, 1977), sendo as categorias e subcategorias definidas a <i>priori</i>: coparentalidade, apoio m&uacute;tuo e compartilhamento de cuidados com os filhos. E as que emergiram a<i> posteriori</i>, mediante an&aacute;lise de conte&uacute;do: transi&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade, e divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas. </p>      <p><b> Procedimentos &eacute;ticos </b></p>      <p> O trabalho atendeu &agrave;s exig&ecirc;ncias &eacute;ticas contempladas na resolu&ccedil;&atilde;o para pesquisas com seres humanos, segundo a Resolu&ccedil;&atilde;o 466/12 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de e do Conselho Federal de Psicologia (CFP) 016/2000. Dessa forma, a pesquisa se iniciou com a aprova&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, RS, Brasil (CEP 12/005). Os participantes concordaram com a pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual estavam claros os objetivos da pesquisa e as quest&otilde;es &eacute;ticas inerentes a ela. </p>      <p><font size="3"><b> Resultados e discuss&atilde;o </b></font></p>      <p><b> Transi&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade </b></p>      <p> Esta categoria compreende os desafios relatados pelos participantes decorrentes da transi&ccedil;&atilde;o e da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade. Abarca tamb&eacute;m os conflitos coparentais e os descompassos referentes &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do par parental, que tem seus reflexos na din&acirc;mica familiar. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os seguintes relatos mostram uma diferen&ccedil;a expressiva nas falas de pais e de m&atilde;es. A intensidade das dificuldades maternas vividas por elas, e a aparente tranquilidade e facilidade paterna, leva &agrave; conclus&atilde;o de que isso se constitui como um fator estressor, apesar de os casais n&atilde;o admitirem, o que est&aacute; impl&iacute;cito nas seguintes frases: "... eles querem meu sangue, &agrave;s vezes eu t&ocirc; &agrave; beira de um ataque, porque eles querem muito, o pai me ajuda, pega, leva, mas quando &eacute; aquela hora de todo mundo se ajeitar, tem que ser com a m&atilde;e" (m&atilde;e B); "... bem tranquilo, nunca ningu&eacute;m disse eu t&ocirc; cansado, eu n&atilde;o posso agora, ou tenho compromisso, a gente adia de tudo muitas vezes... &agrave;s vezes eu trago trabalho pra casa..., mas da&iacute; a gente deixa pra fazer depois que eles t&atilde;o dormindo...a gente nunca preteriu as crian&ccedil;as porque tem que fazer alguma tarefa assim, a gente para, larga tudo, e depois, quando sobrar um tempo, a gente faz..." (pai B). </p>      <p> Identifica-se, corroborando a literatura (Gabriel &amp; Dias, 2011), que a m&atilde;e continua sendo a principal respons&aacute;vel e quem acompanha a crian&ccedil;a na maior parte do tempo. Mesmo que o pai esteja envolvido e participe dos cuidados com os filhos, este se refere ao tempo em que est&atilde;o dispon&iacute;veis, ou quando  s&atilde;o solicitados: "... a crian&ccedil;a fica mais apegada &agrave; m&atilde;e... quer brincar mais com a mam&atilde;e, da&iacute; o papai tenta, mas quer ficar com a mam&atilde;e, e a&iacute; a mam&atilde;e &agrave;s vezes quer fazer alguma coisa minha, olha uma revista, l&ecirc; um e-mail, fazer alguma coisa, e n&atilde;o consegue...e da&iacute; tu v&ecirc; que o papai consegue mais fazer, mas n&atilde;o &eacute; porque ele tomou a iniciativa... nesse momento cria um certo estresse...tu pensa assim, 'bem hoje que hoje eu queria um tempinho s&oacute; pra mim, sabe'..." (m&atilde;e A). </p>      <p> As frases a seguir evidenciam que, durante a transi&ccedil;&atilde;o e a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade, as mulheres sentem mais as dificuldades desse momento do que os homens. Pode-se pensar que, em fun&ccedil;&atilde;o de as m&atilde;es passarem quatro meses em licen&ccedil;a-maternidade, e terem que retornar ao mercado de trabalho, conciliando suas atividades profissionais com as dom&eacute;sticas e parentais, elas relatam sentir uma sobrecarga f&iacute;sica e emocional. J&aacute; os homens retornam ao trabalho logo em seguida ao nascimento do filho, talvez n&atilde;o sentindo de forma t&atilde;o intensa como as mulheres essas mudan&ccedil;as: "... eu senti dificuldade no come&ccedil;o, quando ele se adaptou a mim e eu a ele... de repente j&aacute; n&atilde;o almo&ccedil;ava mais, eu j&aacute; n&atilde;o tomava banho, eu n&atilde;o cortava mais as unhas, sair pra cortar cabelo ent&atilde;o nunca na vida..." (m&atilde;e D). </p>      <p> A partir do seguinte relato nota-se que os homens conseguem manter seus espa&ccedil;os pessoais; em contrapartida, as mulheres ficam mais envolvidas com as tarefas da casa e com os filhos. Talvez eles n&atilde;o se sintam t&atilde;o sobrecarregados porque conseguem preservar seus espa&ccedil;os de lazer<i>: </i>"o que ajuda muito na nossa conviv&ecirc;ncia &eacute; saber respeitar os gostos, a minha esposa tem uma qualidade, eu tenho 34 anos e jogo videogame at&eacute; hoje e vou jogar com 64..." (pai D). </p>      <p> Cabe destacar que, nos genitores do casal C, n&atilde;o apareceram conflitos e dificuldades durante esse per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o da conjugalidade para a parentalidade. Isso &eacute; evidenciado a partir das seguintes frases: "&eacute; normal, &eacute; pai e m&atilde;e pela primeira vez, nunca a gente sabe de tudo n&eacute;, sempre tem uma coisa nova pr&aacute; gente aprender..." (pai C); "bem normal, bem tranquilo, pede pra fazer... faz numa boa..." (m&atilde;e C). </p>      <p> Esses resultados sustentam a literatura (Mosmann, Wagner, &amp; F&eacute;res-Carneiro, 2006; Nichols &amp; Schwartz, 2007; Van Egeren &amp; Hawkins, 2004; Wagner, 2011), que aponta a necessidade de adapta&ccedil;&otilde;es entre os genitores durante esse per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o da conjugalidade para a parentalidade. De modo que, para alguns casais, pode ser mais dif&iacute;cil e, para outros, vivenciado com menos sofrimento, dependendo da adaptabilidade do casal. </p>      <p><b> Coparentalidade </b></p>      <p> Esta categoria contempla quest&otilde;es referentes &agrave; coparentalidade exercida pelo par parental. &Eacute; composta por duas subcategorias que abarcam as viv&ecirc;ncias dos casais concernentes ao apoio m&uacute;tuo e o compartilhamento de cuidados. </p>      <p><b> Apoio m&uacute;tuo</b>. Esta subcategoria compreende o aux&iacute;lio entre os genitores no cuidado com os filhos. No geral, entre os casais entrevistados, parece haver uma reciprocidade de apoio, pois todos referiram a import&acirc;ncia do di&aacute;logo nesse processo. Esse dado corrobora a literatura (Mosmann et al., 2006), que mostra que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como facilitadora e essencial para adapta&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is parentais &agrave;s novas demandas: "... com bastante conversa... um apoia o outro no momento que n&atilde;o est&aacute; legal..."(m&atilde;e A); "... eu sempre fui muito disposto assim, muito cooperativo... nunca me incomodei de fazer nada... pai tem que participar de tudo na cria&ccedil;&atilde;o... &eacute; uma ajuda m&uacute;tua... t&aacute; com os filhos ali... &eacute; quase que autom&aacute;tico... isso vai surgindo ao natural..." (pai B). </p>      <p> Esses dados mostram que os pais deste estudo demonstram um envolvimento e uma participa&ccedil;&atilde;o mais ampla com rela&ccedil;&atilde;o aos cuidados dos filhos. N&atilde;o se restringem aos momentos de lazer e ao sustento financeiro, conforme apontado no estudo de Souza et al. (2007). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Apesar de existir esse apoio, o estresse inerente ao trabalho pode contribuir para que surjam conflitos. Deve-se considerar que, para os casais deste estudo, coincide a transi&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade com o ingresso escolar dos filhos: "... daqui a pouco tu n&atilde;o est&aacute; legal n&eacute;, naquele dia... vai falar de forma um pouco mais r&iacute;spida, ent&atilde;o tu est&aacute; cansado, juntou uma fun&ccedil;&atilde;o ou outra do trabalho... mas a gente sempre tenta chegar num consenso, as vezes l&oacute;gico, tem atritos..." (pai A). </p>     <p> Entretanto, ainda que surjam conflitos, fica evidente novamente a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o para conseguir administrar as dificuldades que s&atilde;o inerentes &agrave; rotina das fam&iacute;lias. Esse apoio m&uacute;tuo aparece de forma menos intensa no casal D, o que fica evidente a partir da seguinte frase: "... n&atilde;o &eacute; exatamente igual, mas d&aacute; pr&aacute; dizer que &eacute; uns sessenta a quarenta... todas as tarefas quase do J. &eacute; ela que faz, mas &agrave;s vezes ali, tem alguma coisa que eu sei fazer, eu n&atilde;o deixo ela terminar, &agrave;s vezes eu me meto fazer, vou lavar lou&ccedil;a, botar a roupa em molho, tirar alguma coisa, ent&atilde;o eu diminuo aquele ritmo de tarefas dela assim...ou ela me pede, troca o J. e tal, eu troco, mas a maioria das tarefas &eacute; dela" (pai D). </p>      <p> Corroborando com o que sugere a literatura (Hernandez &amp; Hutz, 2009), percebe-se atrav&eacute;s dos relatos, que os genitores conseguiram assumir as novas tarefas a partir da chegada do beb&ecirc; e mudaram suas atribui&ccedil;&otilde;es a partir do t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade e a consequente inser&ccedil;&atilde;o escolar dos filhos. Cabe ressaltar, que embora os casais n&atilde;o citem nas falas a quest&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o escolar, esse foi o est&iacute;mulo para a entrevista. As perguntas sobre a rotina dos cuidados foi referente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade e retorno ao trabalho, e a inser&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a na escola. </p>      <p> Nota-se que o ingresso na escola dos filhos demandou maior apoio entre os genitores para fazer frente ao processo. Durante esse per&iacute;odo, n&atilde;o aparecem conflitos relacionados ao apoio propriamente dito, como na transi&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade. As discord&acirc;ncias surgem no desenvolvimento di&aacute;rio das fun&ccedil;&otilde;es coparentais, como apontam os estudos de Badinter (2011) e Bornholdt et al. (2007). O fato de os filhos permanecerem na escola em turno integral pode estar auxiliando os genitores no desempenho de uma coparentalidade mais funcional, uma vez que, durante todo o dia, a escola termina por assumir muitas das tarefas relacionadas &agrave; crian&ccedil;a. Nesse contexto, identifica-se que existem bons n&iacute;veis de acordo coparental entre os casais, pois eles definem de m&uacute;tuo entendimento o que cada um vai fazer. </p>      <p><b> Compartilhamento de cuidados com os filhos</b>. </p>      <p> Esta subcategoria abrange as quest&otilde;es da coparentalidade que se referem especificamente aos cuidados que ambos os genitores dispensam aos filhos. Destaca-se que os conte&uacute;dos referem-se tamb&eacute;m &agrave; forma como eles se organizam frente &agrave;s novas demandas que s&atilde;o decorrentes desse processo. </p>      <p> Assim como no estudo de Wagner et al. (2005), nesses casais tamb&eacute;m se observa uma relativa divis&atilde;o de pap&eacute;is, na qual pais e m&atilde;es compartilham tarefas referentes &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do dia a dia dos filhos: "... de manh&atilde; eu dou a mamadeira, a&iacute; o A. acorda e vai fazer as coisas pra ele, vai se arrumar, a&iacute; ele pega e troca a fralda... enquanto eu levanto... ajudo ele trocar a roupa, eu escolho a roupa... mas, se acontecer, ele vai ter que trocar... enquanto o A. est&aacute; colocando a roupinha, eu fa&ccedil;o o lanchinho, arrumo a malinha dele e o pai leva para escolinha..." (m&atilde;e B). O pai complementa: "a &uacute;nica coisa &eacute; lavar as roupinhas dela s&oacute;, quem faz &eacute; a F., porque o resto, banho... comida, principalmente no s&aacute;bado se eu ficar com ela n&eacute;..." (pai C). </p>      <p> A partir dos relatos dos casais B e C, pode-se observar que existe uma divis&atilde;o igualit&aacute;ria com rela&ccedil;&atilde;o ao cuidado dos filhos. Por&eacute;m, h&aacute; os c&ocirc;njuges em que a divis&atilde;o depende da necessidade, como no casal D. De acordo com o exposto, percebe-se a coexist&ecirc;ncia de modelos, como apontado pela literatura (Fleck &amp; Wagner, 2003), n&atilde;o predominando somente um tipo de estrutura: "um pouco da conviv&ecirc;ncia nossa reflete na forma como a gente cuida do nosso filho, porque tem essa divis&atilde;o, n&atilde;o t&atilde;o igual, mas &eacute; satisfat&oacute;rio pra n&oacute;s, e faz com que, &agrave;s vezes ela est&aacute; cansada, eu fico com ele, &agrave;s vezes &eacute; eu que n&atilde;o quero ficar com ele, ela fica..." (pai D). </p>      <p> A literatura (Bornholdt et al., 2007; Badinter, 2011) tem apontado que, ao mesmo tempo em que o pai deseja participar dos cuidados com os filhos e das atividades dom&eacute;sticas, e a m&atilde;e verbaliza esse desejo, muitas vezes, ela n&atilde;o permite a sua entrada nesse espa&ccedil;o. Nota-se que os casais C e D dessa pesquisa corroboram esses estudos, enquanto os casais Ae B contrariam esses resultados (Bornholdt et al., 2007; Badinter, 2011), o que indica processo de mudan&ccedil;as nos atuais pap&eacute;is, pois algumas m&atilde;es, ao perceberem que est&atilde;o mais envolvidas com os cuidados dos filhos do que os pais, fazem um movimento para facilitar a entrada deles. Esse fator vem a contribuir para um bom desenvolvimento da coparentalidade, o que se evidencia nas seguintes frases: "... as vezes eu vejo assim que... eu t&ocirc; cuidando mais dela...da&iacute; eu pe&ccedil;o pr&aacute; ele trocar, pra ter mais contato com ela..." (m&atilde;e A); "eu e ele, os dois, a gente leva, busca, eu tento deixar ele tamb&eacute;m, a gente tenta dividir pra ele participar tamb&eacute;m da vida do A" (m&atilde;e B). </p>      <p> A divis&atilde;o dos cuidados com os filhos &eacute; relatada como satisfat&oacute;ria para os genitores deste estudo. Entretanto cabe destacar que, enquanto para alguns casais j&aacute; est&aacute; definido o que cada um faz, para outros, depende da demanda, o que refor&ccedil;a a import&acirc;ncia da flexibilidade de pap&eacute;is e de fun&ccedil;&otilde;es, e da comunica&ccedil;&atilde;o (Mosmann, Wagner, &amp; F&eacute;res-Carneiro, 2006; Nichols &amp; Schwartz, 2007; Van Egeren &amp; Hawkins, 2004; Wagner, 2011) para poderem trocar de tarefas de acordo com a necessidade. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nesse contexto, de duplo trabalho e vida escolar precoce dos filhos, os pais foram impelidos a dividir com as m&atilde;es os cuidados referentes &agrave;s crian&ccedil;as. Nota-se que os pais deste estudo se mostraram envolvidos e participativos nas quest&otilde;es coparentais, o que pode estar demonstrando uma mudan&ccedil;a na atualidade com rela&ccedil;&atilde;o aos pap&eacute;is, uma vez que os genitores t&ecirc;m compartilhado essas tarefas, as quais antigamente eram vistas, exclusivamente, como de responsabilidade da m&atilde;e. </p>      <p><b> Divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas</b>. Esta categoria contempla os conte&uacute;dos referentes &agrave; forma como o par parental se organiza com a divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas no contexto de duplo trabalho e vida escolar do filho. Destacam-se as percep&ccedil;&otilde;es dos pais e das m&atilde;es sobre suas atribui&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas e a forma de desempenh&aacute;-las. </p>      <p> Os resultados acompanham os estudos de Jablonski (2010) e Sutter e Bucher-Maluschke (2008) de que os homens demonstram dificuldades em compartilhar de forma igualit&aacute;ria as tarefas dom&eacute;sticas, pois estas ainda s&atilde;o vivenciadas com muito estranhamento pelos mesmos (Sutter &amp; Bucher-Maluschke, 2008). Os entrevistados dizem que dividem, mas se identifica nas falas que isso acontece quando &eacute; necess&aacute;rio e/ou quando lhe pedem: "quando precisa ele me ajuda... n&atilde;o chegamos assim a conversar..." (m&atilde;e C); "... se ela me pedir, numa boa sempre fa&ccedil;o, mas se deixar pra mim aquilo parado pra eu fazer, pode esquecer" (pai D). </p>      <p> Algumas mulheres desta pesquisa ainda continuam assumindo mais tarefas de alta frequ&ecirc;ncia e com hor&aacute;rio fixo, como apontado no estudo de Vanalli e Barham (2012), enquanto outras dividem mais as tarefas com os c&ocirc;njuges: "... eu levanto e &eacute; essa correria, arrumo ele, dou mam&aacute;, &agrave;s vezes eu levo... se eu estou em casa, estou organizando a casa" (m&atilde;e B); "Como eu chego &agrave;s sete e ele &agrave;s cinco, dividimos, ele limpa a casa, eu lavo roupa, e dividimos as tarefas" (m&atilde;e C). </p>      <p> A divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas tamb&eacute;m exige readapta&ccedil;&atilde;o e flexibilidade por parte do casal, para que n&atilde;o seja mais um fator a contribuir e agravar os desafios vivenciados neste momento. Afala a seguir demonstra essa necessidade: "... tem um dia que tu est&aacute; mais cansada, &agrave;s vezes o F. lava mais lou&ccedil;a, ent&atilde;o ele brinca assim: 'a lou&ccedil;a t&aacute; com saudades de ti'... da&iacute; eu brinco... 'tem um monte de roupa l&aacute; que est&aacute; l&aacute; pra passar... que est&aacute; l&aacute; pra lavar, e ningu&eacute;m est&aacute; reclamando'..." (m&atilde;e A). </p>      <p> Esses dados coincidem com os resultados encontrados pelos autores Vanalli e Barham (2012) e Souza et al. (2007), em que as m&atilde;es relatam dedicar o dobro do tempo que os pais as atividades da casa e ao cuidado dos filhos, sentindo grande sobrecarga, enquanto que os pais se envolvem mais com o lazer e outras atividades nos finais de semana. </p>      <p> Tamb&eacute;m surgem as quest&otilde;es relacionadas aos pap&eacute;is de g&ecirc;nero, em que predomina a concep&ccedil;&atilde;o tradicional de fam&iacute;lia, onde a mulher &eacute; quem de-ve se dedicar aos cuidados do lar. Por&eacute;m, com a diferen&ccedil;a de que o homem n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico provedor financeiro: "eu homem lavo a lou&ccedil;a e assisto o es-porte" (pai D); "... se tem a roupa pra lavar, claro, homem, geneticamente, acho que eles n&atilde;o enxergam o servi&ccedil;o..." (m&atilde;e D). </p>      <p> O fato de os pais estarem mais envolvidos e participativos no cuidado com os filhos n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o direta com uma maior apropria&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da vida dom&eacute;stica, pois parece que alguns homens ainda seguem modelos tradicionais com rela&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os da casa. Em alguns momentos, os homens fazem uma distin&ccedil;&atilde;o de quais s&atilde;o as tarefas das mulheres e quais s&atilde;o as dos homens (Sutter &amp; Bucher-Maluschke 2008). </p>      <p> Embora a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e a coparentalidade apresente suas dificuldades e alguns conflitos com rela&ccedil;&atilde;o ao cuidado com os filhos, parece estar havendo uma divis&atilde;o mais igualit&aacute;ria e um maior acordo coparental entre os participantes do estudo. Entretanto, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tarefas </p>      <p> dom&eacute;sticas, existe uma divis&atilde;o ainda n&atilde;o igualit&aacute;ria, mas que &eacute; relatada pelos participantes como satisfat&oacute;ria, o que refor&ccedil;a os estudos que mostram que essas tarefas ainda s&atilde;o mais delegadas e assumidas pelas mulheres, especialmente as de alta frequ&ecirc;ncia e rotineiras. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></p>      <p> O objetivo do presente artigo foi analisar a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade e a coparentalidade em casais cujos filhos ingressaram na es-cola de educa&ccedil;&atilde;o infantil logo ap&oacute;s o t&eacute;rmino da licen&ccedil;a-maternidade. Justifica-se sua relev&acirc;ncia devido &agrave; escassez de estudos nacionais voltados &agrave; import&acirc;ncia da coparentalidade para o desenvolvimento dos filhos e, tamb&eacute;m, devido ao enfoque majorit&aacute;rio dado pelas pesquisas &agrave; coparentalidade depois do div&oacute;rcio. Considera-se que o ingresso escolar dos filhos tem sido adiantado, o que gera uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de duas etapas do ciclo evolutivo familiar, pois os genitores, al&eacute;m de se adaptarem &agrave; parentalidade, precisam negociar seus pap&eacute;is e suas fun&ccedil;&otilde;es coparentais. </p>      <p> Considerando as viv&ecirc;ncias relatadas pelos casais deste estudo, identifica-se um descompasso nas percep&ccedil;&otilde;es de homens e mulheres. As m&atilde;es deste estudo relataram que se sentiram mais sobrecarregadas com as novas tarefas e fun&ccedil;&otilde;es referentes ao per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o para parentalidade, o que gerou algumas dificuldades para elas. Por outro lado, os pais n&atilde;o relataram compartilhar desta mesma sobrecarga. Talvez isso tenha ocorrido em fun&ccedil;&atilde;o de os pais conseguirem manter seus espa&ccedil;os de lazer, e as m&atilde;es se colocarem como respons&aacute;veis por dar conta de todas as demandas. </p>      <p> J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o ao compartilhamento de cuidados dos filhos, identifica-se que existe uma maior divis&atilde;o mais igualit&aacute;ria entre os genitores. Os relatos indicam que a divis&atilde;o ocorre de acordo com a necessidade, entretanto, pode-se questionar tamb&eacute;m se as m&atilde;es deixam que os pais participem ativamente. Cabe destacar que, neste estudo, j&aacute; se observa uma mudan&ccedil;a nesse sentido, uma vez que algumas m&atilde;es, ao se perceberem passando mais tempo com os filhos, delegam alguns cuidados aos pais. Parece que a inser&ccedil;&atilde;o escolar precoce dos filhos, o duplo trabalho e a impossibilidade de assumir tudo as impele a fazer esse movimento. </p>      <p> Em contrapartida, nas tarefas dom&eacute;sticas, ainda existe menos divis&atilde;o entre os casais desta pesquisa, pois algumas tarefas permanecem vinculadas ao papel de g&ecirc;nero. Nota-se que os homens t&ecirc;m-se empenhado no envolvimento e no desempenho dos pap&eacute;is e das fun&ccedil;&otilde;es coparentais, permanecendo ainda com certo estranhamento e distanciamento das tarefas do lar. </p>      <p> Esses resultados, ainda que referentes a um n&uacute;mero pequeno de participantes, parecem indicar algumas mudan&ccedil;as da atualidade, que t&ecirc;m seus reflexos na din&acirc;mica familiar. Cabe ressaltar que, apesar das dificuldades e dos conflitos vivenciados durante esse per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o &agrave; parentalidade e &agrave; coparentalidade, unidas &agrave;s quest&otilde;es de duplo trabalho e da inser&ccedil;&atilde;o escolar dos filhos, os genitores desta pesquisa apresentaram capacidade de adaptabilidade e bons n&iacute;veis de acordo coparental. </p>      <p> Pode-se questionar se esses resultados referem-se &agrave; desejabilidade social, uma vez que a literatura sustenta este per&iacute;odo do ciclo vital como de crise que tende a se refletir em uma diminui&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis de funcionalidade. Nos casais entrevistados, n&atilde;o houve diferen&ccedil;a entre o conte&uacute;do das entrevistas conjugal e individual de cada c&ocirc;njuge. Por outro lado, cabe ressaltar a dificuldade em conseguir casais que atendessem aos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e demonstrassem interesse em participar desta pesquisa. Pode-se pensar que os que assentiram em participar n&atilde;o estejam com tanta dificuldade de fazer frente &agrave;s demandas deste per&iacute;odo. </p>      <p> Os resultados do presente estudo, desde uma abordagem qualitativa, permitiram uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade destes casais, que apontou ind&iacute;cios de mudan&ccedil;as no desempenho da coparentalidade nesses pares parentais. Sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas, contemplando um n&uacute;mero maior de casais, desde uma perspectiva quantitativa, auxiliando no mapeamento das caracter&iacute;sticas da din&acirc;mica conjugal e coparental nesta etapa de transi&ccedil;&atilde;o para parentalidade e coparentalidade, t&atilde;o carente de estudos no contexto brasileiro. </p> <hr>      <p><font size="3"><b> Refer&ecirc;ncias </b></font></p>      <!-- ref --><p> Ara&uacute;jo, M. A. N., Gama, F. S., &amp; Silva, U. (2013). Creche de ontem e de hoje: o que os pais esperam desta institui&ccedil;&atilde;o? <i>Revista Psicologia, Diversidade e Sa&uacute;de, 2</i>(1), 3-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463214&pid=S1794-4724201600010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Badinter, E. (2011). <i>O conflito: a mulher e a m&atilde;e</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463216&pid=S1794-4724201600010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Bardin, L. (1977). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do.</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463218&pid=S1794-4724201600010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Beltrame, G. R., &amp; Bottoli, C. (2010). Retratos do envolvimento paterno na atualidade. <i>Barbar&oacute;i, </i>(32), 205-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463220&pid=S1794-4724201600010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Bornholdt, E. A., Wagner, A., &amp; Staudt, A. C. P. (2007). A viv&ecirc;ncia da gravidez do primeiro filho &agrave; luz da perspectiva paterna. <i>Psicologia Cl&iacute;nica, 19</i>(1), 75-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463222&pid=S1794-4724201600010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. (2012). Conselho Nacional de Sa&uacute;de. Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 466, de 12 de dezembro de 2012. Regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos. Bras&iacute;lia (DF).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463224&pid=S1794-4724201600010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Bustamante, V. &amp; Trad, L. A. B. (2005). Participa&ccedil;&atilde;o paterna no cuidado de crian&ccedil;as pequenas: um estudo etnogr&aacute;fico com fam&iacute;lias de camadas populares. <i>Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica, 21</i>(6), 1865-1874.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463226&pid=S1794-4724201600010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Cooper, C. L., &amp; Lewis, S. (2000).<i> E agora, trabalho ou fam&iacute;lia?: Pais e m&atilde;es que trabalham fora aprendem como enfrentar as sobrecargas profissionais e familiares do dia-a-dia</i>. S&atilde;o Paulo: T&acirc;misa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463228&pid=S1794-4724201600010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Creswel, J. W. (2010). <i>Projeto de pesquisa: m&eacute;todos qualitativo, quantitativo e misto</i> (3a ed.). Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463230&pid=S1794-4724201600010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Feinberg, M. E. (2003). The internal structure and ecological context of coparenting: A framework for research and intervention. <i>Parenting: Science and Practice, 3</i>(2), 95-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463232&pid=S1794-4724201600010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Feres-Carneiro, T. (1996). <i>Fam&iacute;lia: diagn&oacute;stico e terapia. </i>Rio de Janeiro: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463234&pid=S1794-4724201600010001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Fleck, A. &amp; Wagner, A. (2003). A mulher como a principal provedora do sustento econ&ocirc;mico familiar. <i>Psicologia em Estudo, 8</i>(esp), 31-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463236&pid=S1794-4724201600010001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Freitas, W. M. F., Silva, A. T. M. C., Coelho, E. A. C., Guedes, R. N., &amp; Costa, A. M. T. (2009). Paternidade: responsabilidade social do homem no papel de provedor.<i> Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, 43</i>(1), 85-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463238&pid=S1794-4724201600010001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Gabriel, M. R. &amp; Dias, A. C. G. (2011). Percep&ccedil;&otilde;es sobre a paternidade: descrevendo a si mesmo e o pr&oacute;prio pai como pai. <i>Estudos de Psicologia, 16</i>(3), 253-261.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463240&pid=S1794-4724201600010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Gil, A. C. (1999). <i>M&eacute;todos e t&eacute;cnicas de pesquisa social </i>(5&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463242&pid=S1794-4724201600010001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Gomes, A. J. S., &amp; Resende, V. R. (2004). O pai presente: o desvelar da paternidade em uma fam&iacute;lia contempor&acirc;nea. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20</i>(2), 119-125.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463244&pid=S1794-4724201600010001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Gravena, A. C. (2006). <i>Retorno ao trabalho ap&oacute;s o nascimento de um filho: percep&ccedil;&otilde;es de professoras sobre sua experi&ecirc;ncia</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado). UFSCar, S&atilde;o Carlos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463246&pid=S1794-4724201600010001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Grzybowski, L. S., &amp; Wagner, A. (2010). Casa do pai, casa da m&atilde;e: a coparentalidade ap&oacute;s o div&oacute;rcio. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26</i>(1), 77-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463248&pid=S1794-4724201600010001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Hernandez, J. A. E. &amp; Hutz, C. S. (2009). Transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade: ajustamento conjugal e emocional. <i>Psico, 40</i>(4), 414-421.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463250&pid=S1794-4724201600010001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Jablonski, B. (2010). A divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas entre homens e mulheres no cotidiano do casamento. <i>Psicologia Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, 30</i>(2), 262-275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463252&pid=S1794-4724201600010001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Lamela, D., Costa, R. N., &amp; Figueiredo, B. (2010). Modelos te&oacute;ricos das rela&ccedil;&otilde;es coparentais: revis&atilde;o cr&iacute;tica. <i>Psicologia em Estudo, 15</i>(1), 205-216.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463254&pid=S1794-4724201600010001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> McHale, J. P., Kuersten-Hogan, R., &amp; Rao, N. (2004). Growing points for coparenting theory and research. <i>Journal of Adult Development, 11</i>(3), 221-234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463256&pid=S1794-4724201600010001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Menezes, C. C., &amp; Lopes, R. C. S. (2007). Rela&ccedil;&atilde;o conjugal na transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade: gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute; dezoito meses do beb&ecirc;. <i>Psico-USF, 12</i>(1), 83-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463258&pid=S1794-4724201600010001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Mosmann, C., Wagner, A., &amp; F&eacute;res-Carneiro, T. (2006). Qualidade conjugal: mapeando conceitos. <i>Paid&eacute;ia, 16</i>(35), 315-325.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463260&pid=S1794-4724201600010001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Mosmann, C., Einsfeld, P., Silva, A. M., &amp; Terres-Trindade, M. (2012). <i>Intera&ccedil;&atilde;o conjugal, coparental, parental e sintomas internalizantes e externalizantes dos filhos: resultados preliminares</i>. Trabalho apresentado no Segundo Congresso de Inicia&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o (CICPG), S&atilde;o Leopoldo, RS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463262&pid=S1794-4724201600010001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Nichols, M. P., &amp; Schwartz, R. C. (2007). <i>Terapia familiar: conceitos e m&eacute;todos</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463264&pid=S1794-4724201600010001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas em Transtorno do Desenvolvimento. (2006). <i>Entrevista sobre coparentalidade. </i>Porto Alegre: UFRGS (material n&atilde;o publicado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463266&pid=S1794-4724201600010001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Pinheiro, L., Galiza, M., &amp; Fontoura, N. (2009). No-vos arranjos familiares, velhas conven&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero: a licen&ccedil;a-parental como pol&iacute;tica p&uacute;blica para lidar com essas tens&otilde;es. <i>Estudos Feministas, 17</i>(3), 851-859.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463268&pid=S1794-4724201600010001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> R&iacute;os-Gonz&aacute;lez, J. A. R. (2005). &iquest;Los ciclos vitales de la familia y la pareja?: &iquest;<i>crisis u oportunidades? </i>Madrid: Editorial CCS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463270&pid=S1794-4724201600010001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Rizzo, G. (2010). <i>Creche: organiza&ccedil;&atilde;o, curr&iacute;culo, montagem e funcionamento</i> (6a ed.). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463272&pid=S1794-4724201600010001000030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Seabra, K. C. (2007). <i>A paternidade em fam&iacute;lias urbanas: uma an&aacute;lise da participa&ccedil;&atilde;o do pai na creche-escola e nos cuidados com o filho</i> (Tese de Doutorado). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463274&pid=S1794-4724201600010001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Seabra, K. C., &amp; Seidl-de-Moura, M. L. (2011). Cuidados paternos nos primeiros tr&ecirc;s anos de vida de seus filhos: um estudo longitudinal. <i>Intera&ccedil;&atilde;o em Psicologia, 15</i>(2), 135-147.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463276&pid=S1794-4724201600010001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Sutter, C., &amp; Bucher-Maluschke, J. S. N. F. (2008). Pais que cuidam dos filhos: a viv&ecirc;ncia masculina na paternidade participativa. <i>Psico, 39</i>(1), 74-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463278&pid=S1794-4724201600010001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Sluzki, C. (1996). <i>La red social: fronteras de la pr&aacute;ctica sist&eacute;mica</i>. Barcelona: Gedisa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463280&pid=S1794-4724201600010001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Souza, N. H. S., Wagner, A, Branco, B. M., &amp; Reichert, C. B. (2007). Fam&iacute;lias com casais de dupla carreira e filhos em idade escolar: estudos de casos. <i>Aletheia,</i> 26, 109-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463282&pid=S1794-4724201600010001000035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Staudt, A. C. P., &amp; Wagner, A. (2008). Paternidade em tempos de mudan&ccedil;a. <i>Psicologia: Teoria e Pr&aacute;tica, 10</i>(1), 174-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463284&pid=S1794-4724201600010001000036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Van Egeren, L. A., &amp; Hawkins, D. P. (2004). Coming to terms with coparenting: Implications of definition and measurement. <i>Journal of Adult Development, 11</i>(3), 165-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463286&pid=S1794-4724201600010001000037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Vanalli, A. C. G., &amp; Barham, E. J. (2012). Ap&oacute;s a licen&ccedil;a maternidade: a percep&ccedil;&atilde;o de professoras sobre a divis&atilde;o das demandas familiares. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 24</i>(1), 130-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463288&pid=S1794-4724201600010001000038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Wagner, A., Predebon, J., Mosmann, C., &amp; Verza, F. (2005). Compartilhar tarefas?: pap&eacute;is e fun&ccedil;&otilde;es de pai e m&atilde;e na fam&iacute;lia contempor&acirc;nea. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 21</i>(2), 181-186.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463290&pid=S1794-4724201600010001000039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Wagner, A. (Org.). (2011). <i>Desafios psicossociais da fam&iacute;lia contempor&acirc;nea: pesquisas e reflex&otilde;es</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463292&pid=S1794-4724201600010001000040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p> Yin, R. K. (1993). <i>Applications of case study research. </i>Philadelphia: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463294&pid=S1794-4724201600010001000041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>  </font>      ]]></body><back>
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