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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Democracia Deliberativa como Guia para a Tomada de Decisões Legítimas: Análise teórica a partir de Carlos Santiago Nino e algumas práticas institucionais no Brasil contemporâneo]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Paraná Faculdade de Direito Núcleo Constitucionalismo e Democracia: Filosofia e Dogmáticas Constitucionais Contemporâneas]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A democracia deliberativa parte da ideia de que um sistema político valioso é aquele que promove a tomada de decisões imparciais, por meio de um debat coletivo com todos os potencialmente afetados pela decisão, tratando-os com igualdade. A democracia só se justifica na medida em que permite a construção de um espaço público de deliberação. E será justamente neste espaço (estatal e(ou) não estatal) em que os cidadãos poderão então decidir qual o melhor rumo para suas vidas e que princípios e normas regerão a sociedade em que vivem. Este trabalho busca mostrar como a concepção deliberativa de democracia, tal qual defendida por Carlos Santiago Nino, se mostra como importante guia para a tomada de decisões legítimas e como se dão as práticas político-democráticas e de decisão em importantes espaços institucionais no Brasil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>A Democracia Deliberativa como Guia para a Tomada de Decis&otilde;es Leg&iacute;timas.   An&aacute;lise te&oacute;rica a partir de Carlos Santiago Nino e algumas pr&aacute;ticas institucionais no Brasil contempor&acirc;neo*</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Miguel Gualano de Godoy**</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">* Este trabalho apresenta resultados de uma pesquisa maior sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre Constitucionalismo e Democracia, apresentada como Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR) em fevereiro de 2011 perante Banca Examinadora composta pelos seguintes membros: Prof. Tit. Dr. Roberto Gargarella (UBA), Prof. Tit. Dr. Cl&egrave;merson Merlin Cl&egrave;ve (UFPR) e Prof. Dra. Vera Karam de Chueiri (UFPR). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">** Bacharel e Mestre em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR). Bolsista da CAPES (2009/2011). Membro e Pesquisador do N&uacute;cleo "Constitucionalismo e Democracia: Filosofia e Dogm&aacute;ticas Constitucionais Contempor&acirc;neas" da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paran&aacute;, Brasil (UFPR), <a href="mailto:miguelg@seju.pr.gov.br">miguelg@seju.pr.gov.br</a>. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Recibido</b>: marzo 27 de 2011. <b>Aprobado</b>: mayo 2 de 2011</font></p> <hr />     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resumen</b>:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">   La democracia deliberativa parte de la idea de que un sistema pol&iacute;tico valioso es aquel que promueve, en condiciones de igualdad, la toma de decisiones imparciales mediante un debate colectivo con todas las personas que ser&aacute;n directa o indirectamente afectadas por la decisi&oacute;n. Una democracia s&oacute;lo se justifica    en la medida en que posibilita la construcci&oacute;n de un espacio p&uacute;blico de deliberaci&oacute;n. Es precisamente tal espacio (estatal y(o) no estatal) en que los ciudadanos pueden, en consecuencia, decidir cu&aacute;l es el mejor rumbo para sus vidas as&iacute; como qu&eacute; principios y normas regir&aacute;n la sociedad en la que viven. Este art&iacute;culo busca mostrar como una concepci&oacute;n deliberativa de democracia, en la versi&oacute;n defendida por Carlos Santiago Nino, se muestra como una gu&iacute;a importante para el proceso de toma de decisiones leg&iacute;timas y, en concreto, como se desarrollan las practicas pol&iacute;tico-democr&aacute;ticas y de decisi&oacute;n en importantes espacios institucionales en Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palabras clave</b>: Democracia deliberativa. Toma de decisiones. Carlos Santiago Nino. Mini-p&uacute;blicos.</font></p><hr />     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Resumo</b>:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A democracia deliberativa parte da ideia de que um sistema pol&iacute;tico valioso &eacute; aquele que promove a tomada de decis&otilde;es imparciais, por meio de um debat coletivo com todos os potencialmente afetados pela decis&atilde;o, tratando-os    com igualdade. A democracia s&oacute; se justifica na medida em que permite a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o p&uacute;blico de delibera&ccedil;&atilde;o. E ser&aacute; justamente neste espa&ccedil;o (estatal e(ou) n&atilde;o estatal) em que os cidad&atilde;os poder&atilde;o ent&atilde;o decidir qual o melhor rumo para suas vidas e que princ&iacute;pios e normas reger&atilde;o a sociedade em que vivem. Este trabalho busca mostrar como a concep&ccedil;&atilde;o deliberativa de democracia, tal qual defendida por Carlos Santiago Nino, se mostra como importante guia para a tomada de decis&otilde;es leg&iacute;timas e como se d&atilde;o as pr&aacute;ticas pol&iacute;tico-democr&aacute;ticas e de decis&atilde;o em importantes espa&ccedil;os institucionais no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>:     Democracia Deliberativa; Carlos Santiago Nino; Minip&uacute;blicos.</font></p><hr />     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o: a Democracia Deliberativa de Carlos Santiago Nino a partir de John Rawls e J&uuml;rgen Habermas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Carlos Santiago Nino ao fazer uma leitura comparativa entre as concep&ccedil;&otilde;es de democracia de John Rawls e J&uuml;rgen Habermas se prop&otilde;e, por meio de sua teoria da democracia deliberativa, a preencher a lacuna deixada por Rawls ao acreditar no debate coletivo, na pr&aacute;tica discursiva proposta por Habermas (Nino, 1999: 165). Ao mesmo tempo, n&atilde;o nega que a raz&atilde;o individual de um sujeito tamb&eacute;m possa, ainda que carente de um debate coletivo, propor solu&ccedil;&otilde;es adequadas (Nino, 1999: 162). Com isso, Nino busca superar a proposta individualista de Rawls, que conduz a um elitismo moral exacerbado e, tamb&eacute;m, a proposta de Habermas, a qual pode conduzir a um populismo moral (Nino, 1999: 165)<sup><a name="p1" id="p1"></a><a href="#1">1</a> </Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nino toma parte das teoriza&ccedil;&otilde;es de Rawls e Habermas, mas, diferentemente deles, concebe que o conhecimento da verdade moral se d&aacute; a partir de um procedimento que privilegie uma discuss&atilde;o e decis&atilde;o intersubjetivas. Dessa forma, o interc&acirc;mbio de ideias e a necessidade de se justificar determinada posi&ccedil;&atilde;o aos outros debatedores/participantes incrementam o conhecimento que o indiv&iacute;duo possui, detectam defeitos no racioc&iacute;nio e protegem a imparcialidade. No entanto, essa pr&aacute;tica n&atilde;o exclui a possibilidade de a reflex&atilde;o individual tamb&eacute;m produzir solu&ccedil;&otilde;es corretas, ainda que este m&eacute;todo seja  o menos confi&aacute;vel, dada a dificuldade de manuten&ccedil;&atilde;o da imparcialidade (Nino, 2005: 203-205). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria entre Rawls e Habermas adotada por Nino &eacute; por ele intitulada de construtivismo epistemol&oacute;gico (Nino, 2005: 203). Nino fundamenta o valor epist&ecirc;mico da democracia na busca da solu&ccedil;&atilde;o mais adequada mediante pr&aacute;ticas discursivas coletivas e(ou) individuais, e p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a imparcialidade como requisito essencial para a busca dessa solu&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, a princ&iacute;pio a unanimidade parece ser o equivalente funcional da imparcialidade. Se aqueles que podem ser afetados por uma decis&atilde;o tiverem participado da discuss&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, a decis&atilde;o tomada ser&aacute;, provavelmente, imparcial e moralmente correta, sempre que todos a aceitarem livremente e sem coer&ccedil;&atilde;o (Nino, 1999: 166).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>2. A Democracia Deliberativa e a legitimidade das decis&otilde;es</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No entanto, preocupado com a realidade complexa e a pr&aacute;xis social cotidiana e, diferentemente de J&uuml;rgen Habermas e John Rawls, Nino n&atilde;o pretende alcan&ccedil;ar o consenso como resultado mais adequado ou da solu&ccedil;&atilde;o mais justa, nem mesmo quando presentes as condi&ccedil;&otilde;es ideais para o debate. Nino acredita na democracia deliberativa como o m&eacute;todo mais confi&aacute;vel para transformar os interesses das pessoas, suas prefer&ecirc;ncias e, assim, chegar ao resultado mais correto. "A diferencia de Habermas, no concibo al consenso, ni siquiera cuando es alcanzado bajo condiciones ideales, como constitutivo de soluciones justas. Tampoco creo que la empresa colectiva de la discusi&oacute;n sea la &uacute;nica forma de conocer esas decisiones justas. Mi posici&oacute;n solo intenta sostener que la democracia deliberativa es el m&eacute;todo m&aacute;s confiable para lograrlo." (Nino, 1999: 202).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Da&iacute; a sua proposi&ccedil;&atilde;o de conferir legitimidade &agrave; decis&atilde;o majorit&aacute;ria (Nino, 1999: 207). O argumento que confere legitimidade e validade &agrave; decis&atilde;o da maioria n&atilde;o pode ser o de que ela, maioria, est&aacute; mais perto da unanimidade, visto que a equival&ecirc;ncia funcional entre unanimidade e imparcialidade n&atilde;o se reduz a uma quest&atilde;o meramente quantitativa. A passagem da unanimidade para a regra da maioria deve ser baseada na ideia de que a imparcialidade ser&aacute; mais bem preservada por meio da discuss&atilde;o/dissenso do que qualquer outro meio ou resultado advindo do consenso un&acirc;nime. Ou seja, um processo de discuss&atilde;o moral com certo limite de tempo, dentro do qual uma decis&atilde;o majorit&aacute;ria deve ser tomada, tem maior poder epist&ecirc;mico para alcan&ccedil;ar decis&otilde;es moralmente corretas do que qualquer outro procedimento de decis&otilde;es coletivas (Nino, 2003: 168). Mas, para n&atilde;o recair no mesmo equ&iacute;voco da teoria de Habermas, a decis&atilde;o majorit&aacute;ria deve sempre ser vista com cautela, pois a discord&acirc;ncia de uma minoria &eacute; o que pode, por vezes, at&eacute; mesmo conferir o grau de imparcialidade necess&aacute;rio para que a decis&atilde;o tomada seja tida como a mais correta e, tamb&eacute;m, o fundamento para question&aacute;la ou desobedec&ecirc;-la. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O valor epist&ecirc;mico da democracia deliberativa, baseado na discuss&atilde;o e decis&atilde;o p&uacute;blicas, n&atilde;o se aplica a qualquer decis&atilde;o, em particular, e tampouco tem o cond&atilde;o de afirmar que todas as decis&otilde;es majorit&aacute;rias s&atilde;o as corretas. Ela n&atilde;o &eacute; uma confirma&ccedil;&atilde;o do ditado popular "a voz do povo &eacute; a voz de Deus" (Nino, 2003: 181). Por &oacute;bvio que decis&otilde;es democr&aacute;ticas majorit&aacute;rias podem ser equivocadas e quase sempre excluem, por consequ&ecirc;ncia, interesses minorit&aacute;rios. No entanto, &eacute; o valor epist&ecirc;mico da democracia que deve fundar a aceita&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o democr&aacute;tica, inclusive nos casos em que a reflex&atilde;o individual do sujeito aponte a decis&atilde;o majorit&aacute;ria como equivocada. Pois, se n&atilde;o fosse assim, um sujeito somente aceitaria o resultado do processo democr&aacute;tico quando tal resultado coincidisse com a sua reflex&atilde;o individual. E tal postura contraria completamente a conclus&atilde;o de que o processo democr&aacute;tico-deliberativo &eacute;    geralmente mais confi&aacute;vel epistemicamente do que o processo de reflex&atilde;o individual de um sujeito. Vale dizer, deve-se obedecer ao resultado do processo democr&aacute;tico, mesmo quando ele afronte a reflex&atilde;o individual de um sujeito, sempre que se houver observado as condi&ccedil;&otilde;es sobre as quais se baseou esse processo (Nino, 2005: 207). Isso n&atilde;o significa que um indiv&iacute;duo n&atilde;o possa se posicionar contra a maioria. Ao contr&aacute;rio, o direito de se criticar a decis&atilde;o tomada deve sempre ser resguardado e, em certos casos, pode-se at&eacute; mesmo admitir a absten&ccedil;&atilde;o do sujeito em atuar conforme a decis&atilde;o tomada (obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia<sup><a name="p2" id="p2"></a><a href="#2">2</a> </Sup>).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se, por um lado, Nino n&atilde;o descarta a reflex&atilde;o individual e a busca da verdade moral da melhor decis&atilde;o, de forma particular, por outro, deve-se, sempre, conferir maior grau de legitimidade &agrave; decis&atilde;o coletiva, deliberada e assistida por todos. Isto porque ele n&atilde;o pretende que a teoria da democracia deliberativa tenha aplica&ccedil;&atilde;o em toda a dimens&atilde;o moral. Ao contr&aacute;rio. Segundo Nino, o valor epist&ecirc;mico da democracia deliberativa encontra limites no princ&iacute;pio da autonomia do sujeito. Isso quer dizer que n&atilde;o se devem admitir, ainda que por meio de um debate p&uacute;blico, interfer&ecirc;ncias sobre a vida e a escolha privada do cidad&atilde;o. H&aacute; quest&otilde;es que dizem respeito &agrave; intimidade do sujeito como, por exemplo, a sua escolha religiosa, sua op&ccedil;&atilde;o sexual, dieta alimentar etc., que n&atilde;o devem estar sujeitas ao debate e &agrave; decis&atilde;o p&uacute;blicos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para a concretiza&ccedil;&atilde;o de sua teoria, Nino parte e depende do pressuposto de que a falta de imparcialidade n&atilde;o se deve &agrave;s inclina&ccedil;&otilde;es ego&iacute;stas dos atores sociais e pol&iacute;ticos, mas sim &agrave; ignor&acirc;ncia destes sobre os interesses dos demais (Nino, 2005: 182-183). &Eacute; com base nesse pressuposto que Nino reafirma sua cr&iacute;tica a governos ditatoriais ou aristocr&aacute;ticos (elitistas), j&aacute; que um ditador ou uma minoria detentora do poder deixam de conhecer os interesses dos setores mais afastados da sociedade. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se o pressuposto adotado por Nino parece ing&ecirc;nuo ao conceber que os sujeitos envolvidos no debate (sejam eles governantes ou governados) n&atilde;o est&atilde;o, naquele momento, imbu&iacute;dos de interesses ego&iacute;stas, o fundamento para legitim&aacute;-lo parece a melhor resposta &agrave; pretensa singeleza. Definir os interesses da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de simples conhecimento, mas tamb&eacute;m de escolha. Assim, se um indiv&iacute;duo n&atilde;o tem nenhuma oportunidade de tomar uma decis&atilde;o que o permita/ajude a dar uma ordem de prefer&ecirc;ncia aos seus interesses, poderia ver-se impossibilitado de definir essa ordem. Ou seja, o pressuposto de imparcialidade ser&aacute; satisfeito se os sujeitos envolvidos no processo deliberativo tiverem conhecimento sobre os dados f&aacute;ticos e relevantes da quest&atilde;o em debate (Nino, 2005: 169). Desta forma, evita-se a discricionariedade ou imposi&ccedil;&atilde;o das vontades/decis&otilde;es dos governantes e abre-se espa&ccedil;o para que se possa eleger coletivamente a melhor decis&atilde;o, sobretudo por aqueles que ser&atilde;o diretamente afetados por ela.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao tratar da influ&ecirc;ncia das negocia&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es sobre a democracia deliberativa, Nino mostra que tais fatores podem, muitas vezes, representar um malef&iacute;cio na medida em que ensejam decis&otilde;es parciais, movidas por paix&otilde;es; mas, podem tamb&eacute;m ser respons&aacute;veis por importantes mudan&ccedil;as estruturais nos modos de decis&atilde;o, em especial nos sistemas de governos representativos. "Quiero defender aqu&iacute; una visi&oacute;n de la democracia en la cual se asigna un rol a la negociaci&oacute;n y a las manifestaciones de emociones, pero manteniendo para ellas un lugar subordinado a la argumentaci&oacute;n en la promoci&oacute;n del poder epist&eacute;mico del proceso de toma de decisiones mayoritarias". (Nino, 2005: 170-171). Para que a negocia&ccedil;&atilde;o e as emo&ccedil;&otilde;es possam ser reivindica&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas no processo deliberativo elas devem se afirmar pela argumenta&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o por seu poder agregador "Admitamos que con la ayuda de factores emocionales y negociaciones sobre la base del auto inter&eacute;s, el debate racional y las decisiones mayoritarias consiguientes no tender&iacute;an a ser soluciones imparciales. Sin embargo, el impacto beneficioso de estos aspectos de la democracia sobre su valor moral funciona solo a trav&eacute;s de la argumentaci&oacute;n". (Nino, 2005: 171).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vale dizer, se &eacute; inevit&aacute;vel que nos processos decis&oacute;rios possa haver negocia&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia da emo&ccedil;&atilde;o, &eacute; melhor que esses aspectos sejam incorporados ao processo e, assim, submetidos &agrave; sabatina argumentativa. Dessa forma, a negocia&ccedil;&atilde;o e a emo&ccedil;&atilde;o podem at&eacute; mesmo ser ben&eacute;ficas ao processo de discuss&atilde;o p&uacute;blica, pois permitem a identifica&ccedil;&atilde;o das justificativas levadas a cabo no processo de delibera&ccedil;&atilde;o. Busca-se, assim, a justifica&ccedil;&atilde;o das propostas e decis&otilde;es    perante os demais sujeitos e grupos. Desta maneira, uma proposta apaixonada ou obtida mediante barganha n&atilde;o pode ser acatada ou sancionada tendo a negocia&ccedil;&atilde;o ou a situa&ccedil;&atilde;o emocionante do momento como pr&oacute;prio fundamento da decis&atilde;o. Ainda assim, &eacute; preciso reconhecer que existe uma linha muito t&ecirc;nue que separa as decis&otilde;es tomadas com base em negocia&ccedil;&otilde;es e situa&ccedil;&otilde;es de emo&ccedil;&atilde;o daquelas que, de fato, foram submetidas a um processo genu&iacute;no de discuss&atilde;o p&uacute;blica. O que se defende &eacute; que em uma democracia deliberativa e em um processo de discuss&atilde;o e decis&atilde;o &eacute; desej&aacute;vel que os sujeitos apresentem suas raz&otilde;es e argumentem de modo imparcial (Mart&iacute;, 2006: 43).  </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, &eacute; certo que os indiv&iacute;duos possuem suas prefer&ecirc;ncias e interesses e, por isso, podem (e isso usualmente acontece) apresentar raz&otilde;es auto-interessadas. Parece muito dif&iacute;cil que um indiv&iacute;duo argumente sempre de forma imparcial, como se tivesse que ser juiz de si pr&oacute;prio, de seus argumentos e de suas cren&ccedil;as. Al&eacute;m do mais, pretender tal postura seria demasiado exigente. Todavia, o que se pode exigir &eacute; que esse cidad&atilde;o esteja aberto para o debate e, assim, discuta, delibere, apresente suas prefer&ecirc;ncias, interesses e raz&otilde;es para que eles sejam postos &agrave; prova e, qui&ccedil;&aacute;, aceitos (Gargarella, 2009: 263). Um cidad&atilde;o respons&aacute;vel atua devidamente quando est&aacute; aberto a escutar aos demais e entender seus argumentos. Mas para isso n&atilde;o necessita converter-se em um &aacute;rbitro de seus pr&oacute;prios interesses, pois &eacute; ele parte, e n&atilde;o juiz, e n&atilde;o deve envergonhar-se dessa sua condi&ccedil;&atilde;o de parte. O que se pode reclamar &agrave;s partes que est&atilde;o em conflito, em discuss&atilde;o, &eacute; que estejam abertas a escutar a parte contr&aacute;ria e a dar-lhe as melhores raz&otilde;es poss&iacute;veis sobre a posi&ccedil;&atilde;o que defendem<sup><a name="p3" id="p3"></a><a href="#3">3</a> </Sup>. Assim, a discuss&atilde;o p&uacute;blica ajuda a impedir ou prevenir a tomada de decis&otilde;es parciais e viciadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nino n&atilde;o se prop&otilde;e a estabelecer todas as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que um argumento seja v&aacute;lido. Por&eacute;m, pela via negativa aponta alguns argumentos que, usualmente, s&atilde;o utilizados e que, em verdade, nada representam ou fundamentam e, portanto, n&atilde;o podem ser utilizados em um processo de discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A simples express&atilde;o do desejo ou descri&ccedil;&atilde;o do interesse n&atilde;o pode ser utilizada como argumento para fundamentar uma decis&atilde;o, pois ela, em si, nada justifica. A refer&ecirc;ncia a uma tradi&ccedil;&atilde;o, costume ou divindade pode, no m&aacute;ximo, servir de premissa ao processo de argumenta&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, n&atilde;o serve como fundamenta&ccedil;&atilde;o, pois tradi&ccedil;&atilde;o e autoridade podem sempre ser postas &agrave; prova e questionadas. A proposi&ccedil;&atilde;o de normas que n&atilde;o sejam gerais e abstratas p&otilde;e em xeque a imparcialidade de uma decis&atilde;o fundada nestes termos, pois certamente estabelece uma discrimina&ccedil;&atilde;o injustificada. Propostas que  s&atilde;o contr&aacute;rias aos atos ordin&aacute;rios do proponente ou que se aplicam omente a uma situa&ccedil;&atilde;o particular (e n&atilde;o a outras similares) carecem de legitimidade, pois contradizem as posturas habituais do proponente e, seguramente, evidenciam um caso de seletividade infundada. De igual forma, propostas que desconsiderem as necessidades dos indiv&iacute;duos n&atilde;o se sustentam, porque carecem de raz&otilde;es para serem criadas. Por fim, propostas que tentam resolver um conflito, mas s&atilde;o parciais, tamb&eacute;m carecem de legitimidade, pois n&atilde;o explicam as raz&otilde;es de suas parcialidades (Nino, 2003: 171-172). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com isso, busca-se evidenciar que algumas condi&ccedil;&otilde;es que definem o car&aacute;ter genu&iacute;no de um argumento, sem que definam sua validade, devem ser pressupostos de qualquer discuss&atilde;o. Ou seja, qualquer proposta ego&iacute;sta pode ser apresentada sob a &eacute;gide de um discurso coletivo, aparentemente imparcial. No entanto, estas disposi&ccedil;&otilde;es, que mostram como determinados argumentos n&atilde;o podem ser utilizados, tendem a minimizar ou ao menos expor como determinados argumento carecem de legitimidade.  </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nino apresenta esses argumentos carecedores de legitimidade para coibir propostas parciais, ego&iacute;stas, sem fundamento substancial, j&aacute; que, quando postas em xeque perante a coletividade, tendem a ser questionadas e exclu&iacute;das da decis&atilde;o. Com isso, o autor n&atilde;o pretende defender uma teoria consensual ou majorit&aacute;ria da verdade f&aacute;tica,    l&oacute;gica ou filos&oacute;fica, mas apenas mostrar como as quest&otilde;es morais, de  interesse abrangente, quando postas em debate para um processo de delibera&ccedil;&atilde;o, ajudam ao conhecimento da melhor resposta. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa maneira, se de um lado a proposta de Nino busca fugir das decis&otilde;es utilitaristas e parciais ao exp&ocirc;-las &agrave; sabatina argumentativa, por outro n&atilde;o consegue escapar ao fato de que em determinados momentos nem mesmo o procedimento leg&iacute;timo pode impedir tais decis&otilde;es. Por isso Nino se preocupa tanto com a defesa das minorias e com a busca e prote&ccedil;&atilde;o de determinados valores morais, transformados em normas e impass&iacute;veis de questionamento. &Eacute; justamente nesse ponto que Nino acentua a tens&atilde;o entre constitucionalismo e democracia. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A democracia deve ser adotada como procedimento e experimenta&ccedil;&atilde;o em uma a&ccedil;&atilde;o comunicativa e argumentativa a fim de  serem tomadas as decis&otilde;es moralmente mais corretas. No entanto, n&atilde;o podem usurpar determinadas conquistas, direitos e garantias estabelecidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o. O que diferencia Nino (e, aqui, tamb&eacute;m deve-se incluir Roberto Gargarella) dos demais te&oacute;ricos &eacute; que n&atilde;o pretende ele uma teoria que ignore esta tens&atilde;o<sup><a name="p4" id="p4"></a><a href="#4">4</a></Sup>. Ao contr&aacute;rio, &eacute; a partir dela que se deve teorizar e com ela conviver. Por essa raz&atilde;o, Nino n&atilde;o acredita no consenso t&atilde;o idealizado por Rawls ou Habermas, mas d&aacute; grande valor &agrave;s decis&otilde;es coletivas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A teoria da democracia deliberativa de Carlos Santiago Nino se funda, portanto, na capacidade epistemol&oacute;gica da discuss&atilde;o coletiva e da decis&atilde;o majorit&aacute;ria para alcan&ccedil;ar solu&ccedil;&otilde;es moralmente corretas. A capacidade epistemol&oacute;gica da democracia deliberativa fundada na discuss&atilde;o p&uacute;blica &eacute; importante porque a partir dela pode-se    n&atilde;o apenas justificar parcialmente as democracias existentes, como    tamb&eacute;m se pode utiliz&aacute;-la como guia e par&acirc;metro para transformar esse processo em um procedimento ainda mais democr&aacute;tico, inclusivo, plural e imparcial. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A delibera&ccedil;&atilde;o &eacute; leg&iacute;tima se a inclus&atilde;o das partes no processo de discuss&atilde;o e decis&atilde;o se d&aacute; em p&eacute; de igualdade e sem press&otilde;es coercitivas; mediante o conhecimento dos termos f&aacute;ticos do problema e de tal forma que as minorias n&atilde;o estejam incapacitadas de participar; em momentos em que os indiv&iacute;duos n&atilde;o se encontrem sujeitos a emo&ccedil;&otilde;es extremas (Nino, 2003: 180). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse ponto, Nino se aproxima do que prop&otilde;e Habermas em sua "situa&ccedil;&atilde;o ideal de fala" (Habermas, 1987: 153)<sup><a name="p5" id="p5"></a><a href="#5">5</a></Sup>. Diante disso, quando as condi&ccedil;&otilde;es para promover o valor epist&ecirc;mico da democracia n&atilde;o s&atilde;o satisfeitas ela n&atilde;o alcan&ccedil;a a sua completude. Tais condi&ccedil;&otilde;es     devem ser cumpridas, na medida em que s&atilde;o elementos de justifica&ccedil;&atilde;o das democracias existentes e tamb&eacute;m s&atilde;o guias para o incremento de uma democracia mais aprofundada (Nino, 2003: 180). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, &eacute; justamente na constata&ccedil;&atilde;o de Nino de que muitas vezes setores da sociedade s&atilde;o impedidos de serem ouvidos que se    verificam as interse&ccedil;&otilde;es entre constitucionalismo e democracia. A  democracia, como conquista e processo de tomada de decis&otilde;es, insere o sujeito/povo nas discuss&otilde;es e delibera&ccedil;&otilde;es, enquanto o constitucionalismo regula este processo, estabelecendo limites, padr&otilde;es e at&eacute; mesmo determina&ccedil;&otilde;es, como a representa&ccedil;&atilde;o, por exemplo. No entanto, muitas vezes o constitucionalismo pode representar um freio &agrave; democracia. Outras vezes, o pr&oacute;prio procedimento democr&aacute;tico deixa de satisfazer direitos e exig&ecirc;ncias constitucionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>3. O Procedimento Democr&aacute;tico-deliberativo e a Satisfa&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;via de Direitos Substantivos (ou Procedimentalismo com Substancialismo)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A qualidade epist&ecirc;mica das leis democr&aacute;ticas varia de acordo com o grau no qual os processos de discuss&atilde;o coletiva e de tomada de decis&atilde;o est&atilde;o baseados. Quando essas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o satisfeitas, as leis se tornam d&eacute;beis, pass&iacute;veis de questionamento. Dessa forma, para Nino, o valor epist&ecirc;mico de uma democracia requer o cumprimento de certas condi&ccedil;&otilde;es e pr&eacute;-requisitos, quais sejam: a participa&ccedil;&atilde;o livre e igual no processo de discuss&atilde;o e de tomada de decis&otilde;es;    a proposi&ccedil;&atilde;o e a sua justifica&ccedil;&atilde;o; a aus&ecirc;ncia de minorias isoladas; e a  exist&ecirc;ncia de um marco emocional apropriado para a argumenta&ccedil;&atilde;o (Nino, 2003: 192). Alguns desses pr&eacute;-requisitos podem ser considerados a base de uma declara&ccedil;&atilde;o de direitos ou, ent&atilde;o, considerados como direitos a <i>priori</i> ao processo democr&aacute;tico<sup><a name="p6" id="p6"></a><a href="#6">6</a> </Sup>. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A natureza destes direitos, a <i>priori</i>, cria problemas significativos, j&aacute; que os direitos sociais podem ser encarados como a extens&atilde;o natural dos direitos individuais cl&aacute;ssicos (Nino, 2005: 209). Nino reconhece que desde o lugar de onde escreve (Am&eacute;rica Latina) esses direitos s&atilde;o violados por a&ccedil;&otilde;es ou omiss&otilde;es, cotidianamente. Dessa forma, a liberdade e a igualdade, que s&atilde;o pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es essenciais do processo democr&aacute;tico, s&atilde;o postas em risco. Vale dizer, as pessoas que sofrem priva&ccedil;&otilde;es materiais t&ecirc;m sua participa&ccedil;&atilde;o limitada e(ou) exclu&iacute;da do processo de discuss&atilde;o e tomada de decis&otilde;es (Nino, 2003: 193). Por isso, &eacute; importante que a pr&oacute;pria democracia satisfa&ccedil;a esses direitos a <i>priori</i>, o que far&aacute; com que o processo democr&aacute;tico tenha seu valor aumentado ou reduzido de acordo com a sua aproxima&ccedil;&atilde;o ou distanciamento das exig&ecirc;ncias de uma discuss&atilde;o ampla e aberta, com a participa&ccedil;&atilde;o de todos os potencialmente afetados pela decis&atilde;o a ser tomada, com as melhores condi&ccedil;&otilde;es de liberdade e igualdade e com a estrita observ&acirc;ncia e necessidade de se justificarem as  propostas por meio de princ&iacute;pios p&uacute;blicos e n&atilde;o de meros interesses particulares (Nino, 2003: 193; 2005: 210). Dessa forma, Nino tenta  superar o conflito entre procedimentalismo e substancialismo, pois,  para ele, os direitos fundamentais (que subjazem ao processo democr&aacute;tico-deliberativo) se situam no plano ontol&oacute;gico. A democracia deliberativa, por sua vez, se situa no plano epistemol&oacute;gico. Assim,  n&atilde;o haveria conflito entre democracia deliberativa e direitos fundamentais, uma vez que pertencentes a planos diferentes (Nino, 2005: 208). No entanto, apesar da proposi&ccedil;&atilde;o de que os direitos fundamentais est&atilde;o em um plano distinto do plano em que se encontra o processo democr&aacute;tico, ao estabelecer certos direitos como condi&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio processo democr&aacute;tico-deliberativo (direitos a <i>priori</i>) esse  conflito entre procedimentalismo e substancialismo parece n&atilde;o se  resolver, mas, ao contr&aacute;rio, ressurgir  <sup><a name="p7" id="p7"></a><a href="#7">7</a> </Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa tentativa de instituir um conjunto de direitos b&aacute;sicos e extra&iacute;-los em maior ou menor grau do processo democr&aacute;tico &eacute; t&iacute;pica do liberalismo que tenta conciliar o ideal democr&aacute;tico com a ideia de direitos substantivos b&aacute;sicos. Assim como Nino, John Rawls adota essa estrat&eacute;gia ao diferenciar as condi&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a (<i>constitutional essentials</i>) e o &acirc;mbito da democracia (Rawls, 2000: 221-223/272-281); Ronald Dworkin concebe certos direitos como trunfos (e, portanto, pr&eacute;vios ao processo democr&aacute;tico) (Dworkin, 1984: 152). J&uuml;rgen Habermas tamb&eacute;m o faz, ao estabelecer uma compreens&atilde;o indissoci&aacute;vel entre autonomia p&uacute;blica e autonomia privada, entendendo-as como indissoci&aacute;veis e co-originais (Habermas, 1997: 139). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que se percebe &eacute; que essa tens&atilde;o &eacute; permanente, n&atilde;o se resolve    e, ao final, conforme Jos&eacute; Luis Mart&iacute;, tem-se um substancialismo    fraco, que d&ecirc; uma pequena prefer&ecirc;ncia &agrave; garantia de direitos substantivos<sup><a name="p8" id="p8"></a><a href="#8">8</a></Sup>, ou um procedimentalismo fraco, que d&ecirc; uma pequena prefer&ecirc;ncia ao procedimento democr&aacute;tico<sup><a name="p9" id="p9"></a><a href="#9">9</a> </Sup>    (Mart&iacute;, 2006: 155-156).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ora, se a democracia deliberativa, tal como vem sendo apresentada e defendida neste trabalho, se justifica como epist&ecirc;mica, &eacute;    porque ela &eacute; concebida como o procedimento mais adequado e confi&aacute;vel para se chegar a uma decis&atilde;o coletiva imparcial e leg&iacute;tima. E    ela assim o &eacute; porque &eacute; o m&eacute;todo que melhor trata a todos os cidad&atilde;os e envolvidos no processo de discuss&atilde;o e decis&atilde;o com igual respeito e considera&ccedil;&atilde;o (igual autonomia pol&iacute;tica e igual dignidade). Mas,    se ao fim e ao cabo ela pressup&otilde;e uma justifica&ccedil;&atilde;o substantiva (o    tratamento valorativo e igualit&aacute;rio que ela sup&otilde;e e confere aos indiv&iacute;duos), pode-se concluir que n&atilde;o h&aacute; justifica&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica da democracia deliberativa sem uma justifica&ccedil;&atilde;o substantiva anterior que    a respalde. No entanto, essa pressuposi&ccedil;&atilde;o substantiva n&atilde;o subtrai da democracia deliberativa o seu car&aacute;ter epist&ecirc;mico, procedimental    (a sua confiabilidade como melhor procedimento democr&aacute;tico de tomada de decis&otilde;es) e, tampouco, o faz sup&eacute;rfluo ou desnecess&aacute;rio.  Ao contr&aacute;rio, o car&aacute;ter epist&ecirc;mico da democracia deliberativa &eacute; importante porque, ainda que pressuponha um fundamento substantivo, &eacute; o procedimento democr&aacute;tico de decis&atilde;o que mais abre espa&ccedil;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o coletiva, &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o, antes e depois do voto, de momentos e espa&ccedil;os para a argumenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre as raz&otilde;es que  justificam a ado&ccedil;&atilde;o de uma decis&atilde;o (ou sua revis&atilde;o, uma vez tomada tal decis&atilde;o). Al&eacute;m do mais, uma justifica&ccedil;&atilde;o meramente substantiva careceria dos benef&iacute;cios que a justifica&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica produz - um  procedimento amplo, imparcial e que melhor desenvolva justamente esses princ&iacute;pios substantivos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, se direitos substantivos s&atilde;o adotados como fundamento intr&iacute;nseco ao processo democr&aacute;tico, ent&atilde;o se pode concluir que n&atilde;o apenas as justifica&ccedil;&otilde;es epist&ecirc;micas e substanciais se pressup&otilde;em na fundamenta&ccedil;&atilde;o da democracia deliberativa, mas que . n&atilde;o h&aacute; justifica&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica sem uma justifica&ccedil;&atilde;o substancial<sup><a name="p10" id="p10"></a><a href="#10">10</a></Sup>. Ademais, &eacute; dif&iacute;cil conceber uma teoria democr&aacute;tica e uma teoria da decis&atilde;o (e, ainda mais, uma teoria democr&aacute;tica da decis&atilde;o) que n&atilde;o esteja, de alguma forma, vinculada a uma fundamenta&ccedil;&atilde;o substantiva. E isso n&atilde;o impede a defesa da democracia deliberativa, como teoria e pr&aacute;tica (procedimental) da busca por decis&otilde;es leg&iacute;timas e democr&aacute;ticas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todo esse racioc&iacute;nio e conclus&atilde;o s&atilde;o importantes porque assim se deixa clara a posi&ccedil;&atilde;o aqui adotada. Vale dizer, d&aacute;-se prefer&ecirc;ncia &agrave; concep&ccedil;&atilde;o deliberativa de democracia e, consequentemente, &agrave; sua fundamenta&ccedil;&atilde;o e exig&ecirc;ncias procedimentais, mesmo que tal fundamenta&ccedil;&atilde;o e exig&ecirc;ncias estejam vinculadas a considera&ccedil;&otilde;es substantivas<sup><a name="p11" id="p11"></a><a href="#11">11</a></Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nino, apesar de defender a satisfa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de direitos substantivos e encontrar o limite do processo democr&aacute;tico-deliberativo na autonomia do sujeito, entende ser poss&iacute;vel defender uma concep&ccedil;&atilde;o que outorgue uma pequena prioridade ao procedimento democr&aacute;tico. Isso porque Nino deixa claro que se for necess&aacute;rio satisfazer todas as pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es do processo democr&aacute;tico-deliberativo para outorgar valor epist&ecirc;mico a esse processo, restariam muito poucas quest&otilde;es a serem definidas pela democracia. Ou seja, n&atilde;o se pode exacerbar o fortalecimento das pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es a tal ponto que a sua a&ccedil;&atilde;o diga respeito somente a quest&otilde;es do pr&oacute;prio processo, a quest&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o, pois o conhecimento dos direitos, a <i>priori</i>, seria inacess&iacute;vel se o procedimento fosse epistemologicamente est&eacute;ril (Nino, 2003: 193). Da&iacute; a proposi&ccedil;&atilde;o de Nino de que o valor epist&ecirc;mico da democracia n&atilde;o se outorga segundo o crit&eacute;rio de tudo ou nada, mas, sim, de forma gradual. Vale dizer, a falta de satisfa&ccedil;&atilde;o completa das condi&ccedil;&otilde;es a<i> priori</i> pode privar o processo democr&aacute;tico de algum grau de valor, mas n&atilde;o, necessariamente, quita a sua validade total    (Nino, 2003: 194). E &eacute; justamente essa justifica&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica da democracia, a qual tem por fun&ccedil;&atilde;o definir o conte&uacute;do dos direitos  e o valor do pr&oacute;prio processo democr&aacute;tico, que faz de Nino um autor que possibilita a aposta no procedimento democr&aacute;tico-deliberativo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse mesmo sentido, Roberto Gargarella, ao fazer uma leitura comparativa entre as propostas de John Rawls (1993), Bruce Ackerman (1984; 1991), Samuel Freeman (1990: 122-157; 1992: 3-42) e Jeremy Waldron (1999), deixa transparecer que o compromisso com o igual <i>status</i> conferido aos sujeitos &eacute;, justamente, reafirmado    pelo processo democr&aacute;tico (Gargarella, 2005). Ou seja, &eacute; porque os sujeitos s&atilde;o considerados iguais que o debate e a decis&atilde;o democr&aacute;ticos s&atilde;o poss&iacute;veis. Tal afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recha&ccedil;a, de forma alguma, um  compromisso forte com os direitos, mas, ao contr&aacute;rio, &eacute; a express&atilde;o desse compromisso robusto (Gargarella, 2005: 12). E &eacute; justamente porque h&aacute; um dissenso sobre o significado e conte&uacute;do desses direitos  que o debate democr&aacute;tico &eacute; imprescind&iacute;vel, pois somente por meio dele se poder&aacute; estabelecer o valor e o alcance desses direitos (Gargarella, 2005: 13). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Autores como Rawls ou Freeman ainda poderiam alegar que o apelo a procedimentos majorit&aacute;rios, sob condi&ccedil;&otilde;es em que o entendimento p&uacute;blico sobre os requisitos da soberania democr&aacute;tica    encontra-se enfraquecido ou em conflito, levaria a um resultado fraco, d&eacute;bil e vacilante. Entretanto, Gargarella mostra que se autores como Rawls ou Freeman querem que suas posi&ccedil;&otilde;es sejam aceitas    deveriam, antes, comprovar que, de fato, os d&eacute;ficits que imputam    aos procedimentos majorit&aacute;rios, e em especial o debate produzido no &acirc;mbito legislativo, n&atilde;o ser&atilde;o reproduzidos no &acirc;mbito do Poder Judici&aacute;rio. Pois, tamb&eacute;m os Tribunais tomam decis&otilde;es de forma dividida, fracionada, por interm&eacute;dio de maiorias fr&aacute;geis e dissidentes.    Al&eacute;m disso, os argumentos e justificativas do Poder Judici&aacute;rio s&atilde;o    (e devem ser) sempre mais limitados. Os ju&iacute;zes e debates jurisdicionais, ao contr&aacute;rio dos debates populares e legislativos, n&atilde;o podem recorrer a concep&ccedil;&otilde;es amplas de bem, n&atilde;o podem fundamentar suas decis&otilde;es com argumentos que n&atilde;o perten&ccedil;am &agrave; esfera p&uacute;blica (Gargarella, 2005:13) Aos ju&iacute;zes compete um discurso de aplica&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o  de justifica&ccedil;&atilde;o (G&uuml;nther, 2004: 361-413). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante disso, surgem muitas quest&otilde;es que suscitam uma postura cr&iacute;tica ante o Poder Judici&aacute;rio: por que raz&otilde;es pensar que o Poder Judici&aacute;rio v&aacute;, de fato, aceitar as restri&ccedil;&otilde;es argumentativas que a teoria pol&iacute;tico-jur&iacute;dica (defendida pelos pr&oacute;prios autores substantivos que defendem um maior protagonismo dos ju&iacute;zes) lhes imp&otilde;e? Por que    acreditar que os ju&iacute;zes ir&atilde;o, efetivamente, afirmar e n&atilde;o negar o igual  <i>status</i> de cada cidad&atilde;o? Por isso, Gargarella prop&otilde;e uma postura cr&iacute;tica diante de qualquer proposta destinada a delegar a autoridade interpretativa do povo, dos cidad&atilde;os, aos ju&iacute;zes (Gargarella, 2005: 14).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que haja um dissenso sobre o significado e conte&uacute;do    dos direitos, pode-se e deve-se alcan&ccedil;ar um acordo sobre o procedimento que ir&aacute; definir o valor e o alcance desses direitos. Dessa  forma, pode-se encarar o procedimento democr&aacute;tico como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria da legitimidade da decis&atilde;o, enquanto os direitos que o  fundamentam, a satisfa&ccedil;&atilde;o desses direitos, ir&atilde;o justamente definir o  valor epist&ecirc;mico (e, tamb&eacute;m, a consequente legitimidade) do processo democr&aacute;tico-deliberativo (Mart&iacute;, 2006: 169). &Eacute; precisamente porque h&aacute; uma discord&acirc;ncia entre os sujeitos que, falar, discutir e deliberar s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A &uacute;nica forma de se resolverem os problemas de coexist&ecirc;ncia, as diferen&ccedil;as sobre o conte&uacute;do dos direitos e do pr&oacute;prio processo democr&aacute;tico de tomada de decis&atilde;o &eacute; mediante o di&aacute;logo m&uacute;tuo sobre referidos problemas (Mart&iacute;, 2006: 172). Ou seja, &eacute; porque h&aacute; uma pluralidade ineg&aacute;vel, diferen&ccedil;as t&atilde;o profundas (qui&ccedil;&aacute;, insuper&aacute;veis) que &eacute; necess&aacute;rio dialogar, discutir, comunicar. De tal forma    que, ao fim e ao cabo, vale a m&aacute;xima do paradoxo da linguagem:  "n&oacute;s nos comunicamos porque n&atilde;o nos comunicamos" (Neto, 2001: 11-20). &Eacute; o di&aacute;logo, a discuss&atilde;o e a delibera&ccedil;&atilde;o que possibilitam essa comunica&ccedil;&atilde;o que, devido &agrave;s profundas diferen&ccedil;as existentes, em outro contexto n&atilde;o aconteceria. Desta maneira, deve-se sempre encarar o processo democr&aacute;tico como um procedimento cont&iacute;nuo (<i>ongoing</i>). O processo nunca se det&eacute;m, novas raz&otilde;es sempre podem ser analisadas (a favor ou contra a decis&atilde;o tomada) de tal forma que o resultado do processo n&atilde;o &eacute; nunca, necessariamente, permanente. O consenso &eacute;, assim, um consenso que se sabe provis&oacute;rio e a decis&atilde;o &eacute; uma decis&atilde;o que se sabe sempre prec&aacute;ria. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa dif&iacute;cil rela&ccedil;&atilde;o entre subst&acirc;ncia e procedimento, pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es (direitos a <i>priori</i>) e delibera&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o precisa, necessariamente, ser dissolvida, resolvida, pois essa tens&atilde;o n&atilde;o tira do processo democr&aacute;tico-deliberativo seu valor e sua import&acirc;ncia. Mais do que satisfazer todos os princ&iacute;pios e as pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es da democracia (o que seria muito dif&iacute;cil e demasiado ideal) para somente ap&oacute;s se iniciar o processo, h&aacute; que se reconhecer, de sa&iacute;da, um patamar m&iacute;nimo que por meio do processo (ou por causa dele) se satisfaz. Vale dizer, deve-se buscar um equil&iacute;brio gradual que permita a satisfa&ccedil;&atilde;o progressiva do ideal democr&aacute;tico, uma vez que as restri&ccedil;&otilde;es impostas pelas pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es se atenuam na medida em que o pr&oacute;prio processo democr&aacute;tico, paulatinamente, se refere a elas (Mart&iacute;, 2006: 122)<sup><a name="p12" id="p12"></a><a href="#12">12</a></Sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>4.  Pr&aacute;ticas da Democracia Deliberativa: minip&uacute;blicos, or&ccedil;amento participativo e conselhos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O processo democr&aacute;tico-deliberativo com valor epist&ecirc;mico n&atilde;o &eacute; ideal, sen&atilde;o real e, evidentemente, deve se preocupar com a complexa realidade f&aacute;tica e social contempor&acirc;nea (Nino, 2003: 183). As situa&ccedil;&otilde;es enfrentadas pelas sociedades e governos atuais s&atilde;o bastante dif&iacute;ceis devido, por exemplo, &agrave;s diferen&ccedil;as abismais existentes entre os cidad&atilde;os e o tempo quase inexistente que estes dedicam &agrave; defesa de seus interesses na esfera p&uacute;blica. Somado a isso, as exig&ecirc;ncias t&eacute;cnicas de conhecimento para a delibera&ccedil;&atilde;o de certos temas, a inevit&aacute;vel forma&ccedil;&atilde;o de grupos orientados &agrave; defesa de seus pr&oacute;prios interesses n&atilde;o somente s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es inevit&aacute;veis, como tamb&eacute;m dificultam o processo de delibera&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o. Mesmo assim, Nino    pensa sua teoria preocupada com complexidades das sociedades  contempor&acirc;neas, em especial, com as dificuldades dos pa&iacute;ses latinoamericanos (Nino, 2003: 183). E &eacute; a partir desse pressuposto e da fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica acima esbo&ccedil;ada que se pode pensar em pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas democr&aacute;ticas e deliberativas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O repensar dessas pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas, em geral, se concentra sobre as institui&ccedil;&otilde;es, a partir de sugest&otilde;es de novos arranjos institucionais e de poder (como, por exemplo, uma nova estrutura legislativa ou o controle do Poder Judici&aacute;rio etc.), quase sempre baseadas em teorias abrangentes e complexas (Habermas, 1997). No entanto, sem ignorar ou menosprezar essas discuss&otilde;es sobre a (re) estrutura&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica, pode-se chamar aten&ccedil;&atilde;o, concomitantemente, para projetos e pr&aacute;ticas menores, por&eacute;m tamb&eacute;m efetivos nesse repensar. Esses projetos e pr&aacute;ticas consistem em reunir os cidad&atilde;os, sejam poucos, sejam muitos, para delibera&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas organizadas de maneira autoconsciente, o que Archon Fung chama de minip&uacute;blicos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esses minip&uacute;blicos podem funcionar de diversas maneiras: reuni&otilde;es (regionais, municipais etc.), associa&ccedil;&otilde;es, grupos reformistas etc. Os minip&uacute;blicos s&atilde;o importantes porque eles representam, atualmente, os esfor&ccedil;os construtivos mais promissores para o engajamento c&iacute;vico e a delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica na pol&iacute;tica contempor&acirc;nea. Ademais, tendo em vista a enorme pluralidade e diversidade pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, social, cultural etc., fortalecer e aprofundar diversos    minip&uacute;blicos pode ser mais f&aacute;cil e eficaz do que modificar e aprimorar um grande p&uacute;blico (Fung, 2004: 174)<sup><a name="p13" id="p13"></a><a href="#13">13</a></Sup>. At&eacute; mesmo para se repensar novos arranjos institucionais que incentivem e promovam uma participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, deliberativa, maior e mais efetiva, &eacute; &uacute;til saber como funciona a delibera&ccedil;&atilde;o em &acirc;mbitos menores, mais restritos e espec&iacute;ficos. Essa pr&aacute;tica &eacute; importante porque ela traz tamb&eacute;m  consigo e inclui em suas discuss&otilde;es e propostas, a responsabilidade p&uacute;blica, justi&ccedil;a social, administra&ccedil;&atilde;o efetiva e mobiliza&ccedil;&atilde;o popular. Os minip&uacute;blicos contribuem, assim, para o projeto democr&aacute;tico, para o revigoramento da esfera p&uacute;blica, modelando o ideal que se quer alcan&ccedil;ar e aprimorando a qualidade da participa&ccedil;&atilde;o e da delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas (Fung, 2004: 175). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Segundo Archon Fung, a primeira escolha a ser feita na forma&ccedil;&atilde;o de um minip&uacute;blico &eacute; estabelecer sua fun&ccedil;&atilde;o. Responder ao que se presta um minip&uacute;blico j&aacute; revela quais contornos esse espa&ccedil;o ir&aacute; assumir. Pode-se entender o minip&uacute;blico como "f&oacute;rum educativo" (Fung, 2004: 176), preocupado em criar condi&ccedil;&otilde;es quase ideais    de di&aacute;logo. Assim, os cidad&atilde;os formariam, articulariam e refinariam opini&otilde;es em igual condi&ccedil;&atilde;o, o que qualificaria a opini&atilde;o p&uacute;blica.  As enquetes deliberativas tamb&eacute;m podem ser situadas no &acirc;mbito do f&oacute;rum educativo e j&aacute; se mostraram como instrumento h&aacute;bil a estimular discuss&otilde;es, incrementando e transformando as opini&otilde;es dos participantes (Fung, 2004: 191). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m da fun&ccedil;&atilde;o de aperfei&ccedil;oar opini&otilde;es, os minip&uacute;blicos podem desenvolver rela&ccedil;&otilde;es com os respons&aacute;veis pela tomada de decis&atilde;o, de maneira que os consensos obtidos nesses minip&uacute;blicos sirvam de informa&ccedil;&atilde;o ao Estado. Este segundo tipo de minip&uacute;blico &eacute; chamado de "conselho consultivo participativo" e busca possibilitar participa&ccedil;&atilde;o popular e conferir legitimidade social &agrave;s decis&otilde;es governamentais (Fung, 2004: 176). H&aacute; tamb&eacute;m os minip&uacute;blicos criados como "coopera&ccedil;&atilde;o para a resolu&ccedil;&atilde;o participativa de um problema", cujo pressuposto &eacute; um relacionamento cont&iacute;nuo entre cidad&atilde;os e agentes pol&iacute;ticos que desejam resolver um mesmo problema (Fung, 2004: 177). O Estado apresenta suas propostas para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas enquanto os cidad&atilde;os contribuem na proposi&ccedil;&atilde;o de novas solu&ccedil;&otilde;es para problemas coletivos e na responsabiliza&ccedil;&atilde;o do Estado por suas a&ccedil;&otilde;es (<i>accountability</i> social). Um quarto padr&atilde;o de minip&uacute;blico se forma pela "governan&ccedil;a participativa", cujo objetivo &eacute; inserir a popula&ccedil;&atilde;o na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, tal como ocorre, por exemplo, com o or&ccedil;amento participativo praticado em alguns munic&iacute;pios brasileiros (Fung, 2004: 177)<sup><a name="p14" id="p14"></a><a href="#14">14</a></Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Estabelecida a fun&ccedil;&atilde;o do minip&uacute;blico, segundo Archon Fung, h&aacute; que se selecionar seus participantes. O mecanismo mais comum &eacute; a autossele&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria. Ou seja, participam aqueles que assim desejaram. A vontade de participar, entretanto, esbarra na disposi&ccedil;&atilde;o de tempo, interesse e recursos. Essas condi&ccedil;&otilde;es e possibilidades comprometem de sa&iacute;da, por&eacute;m, a igual representa&ccedil;&atilde;o, restringindo, assim, o espa&ccedil;o p&uacute;blico aos cidad&atilde;os que em geral possuem um <i>status </i>mais elevado (pois disp&otilde;em de mais tempo e condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e, assim, t&ecirc;m mais possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o). Esse desequil&iacute;brio    pode ser contornado por meio de a&ccedil;&otilde;es afirmativas, como maior divulga&ccedil;&atilde;o das reuni&otilde;es em comunidades que seriam sub-representadas e disposi&ccedil;&atilde;o de recursos que facilitem a participa&ccedil;&atilde;o desses cidad&atilde;os, como, por exemplo, a utiliza&ccedil;&atilde;o de equipamentos de inform&aacute;tica que auxiliem as opini&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es dessas pessoas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s estabelecer a fun&ccedil;&atilde;o e os participantes do minip&uacute;blico, &eacute; preciso estabelecer qual assunto ser&aacute; apreciado pelo debate p&uacute;blico.    Qualquer restri&ccedil;&atilde;o j&aacute; de antem&atilde;o configuraria indevida restri&ccedil;&atilde;o &agrave;s    liberdades de express&atilde;o e pol&iacute;tica. Mat&eacute;rias que demandam conhecimentos t&eacute;cnicos muito especializados prejudicam a discuss&atilde;o e a delibera&ccedil;&atilde;o, sobretudo se n&atilde;o h&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o de intermediadores que solucionem as d&uacute;vidas dos cidad&atilde;os. Por isso, em geral devem    ser escolhidas mat&eacute;rias de interesse p&uacute;blico, que beneficiar&atilde;o todos  os potencialmente afetados pela decis&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As decis&otilde;es devem ser tomadas ap&oacute;s a veicula&ccedil;&atilde;o dos diferentes posicionamentos e dever&atilde;o pautar-se pela for&ccedil;a do melhor argumento (Fung, 2004: 179). Os minip&uacute;blicos devem gerar discuss&atilde;o,  de modo que as posi&ccedil;&otilde;es apresentadas sejam ponderadas e refinadas. Desse processo podem resultar importantes benef&iacute;cios, como o aprendizado p&uacute;blico e a responsabilidade estatal (<i>accountability</i> ) (Fung, 2004: 182). Aquele diz respeito &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre estrat&eacute;gias e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas que poder&atilde;o ser empregadas. J&aacute; a <i>accountability</i> atua como instrumento de press&atilde;o sobre os representantes, aumentando a transpar&ecirc;ncia e legitimidade das decis&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A frequ&ecirc;ncia das reuni&otilde;es deve ser ditada pelo pr&oacute;prio minip&uacute;blico. As reuni&otilde;es voltadas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o vinculativas deveriam ocorrer com maior frequ&ecirc;ncia, visto que suas decis&otilde;es exigem constante atualiza&ccedil;&atilde;o. Mas a frequ&ecirc;ncia das reuni&otilde;es tamb&eacute;m est&aacute; ligada &agrave; import&acirc;ncia dada a elas pelo minip&uacute;blico e o efeito que          elas possuem sobre a a&ccedil;&atilde;o a ser tomada. Esta afirma&ccedil;&atilde;o encontra    respaldo quando analisadas as diferentes experi&ecirc;ncias de Or&ccedil;amento Participativo, como em Porto Alegre e Recife. Na capital ga&uacute;cha,  verificou-se o aumento da participa&ccedil;&atilde;o popular nas assembleias porque os cidad&atilde;os avaliavam que o disp&ecirc;ndio de tempo e esfor&ccedil;o valiam a pena. A prolifera&ccedil;&atilde;o de Organiza&ccedil;&otilde;es encorajou a popula&ccedil;&atilde;o a se empenhar em negocia&ccedil;&otilde;es e delibera&ccedil;&otilde;es face a face (Wampler, 2004: 219). Por outro lado, em Recife, que tamb&eacute;m adotou o Or&ccedil;amento Participativo, as taxas de participa&ccedil;&atilde;o permaneceram baixas e uma das raz&otilde;es foi a pequena &ecirc;nfase depositada nas reuni&otilde;es de discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o (Wampler, 2004: 225)<sup><a name="p15" id="p15"></a><a href="#15">15</a></Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Fung, um minip&uacute;blico &eacute; empoderado quando as delibera&ccedil;&otilde;es tomadas por ele influenciam as decis&otilde;es pol&iacute;ticas (Fung, 2004: 182). Um minip&uacute;blico atuante, que influi sobe as decis&otilde;es  pol&iacute;ticas contribui para um governo democr&aacute;tico ao estabelecer a ponte entre os anseios da popula&ccedil;&atilde;o (mediante a delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica) e a&ccedil;&otilde;es estatais. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um exemplo de minip&uacute;blico atuante e empoderado pode ser encontrado nos grupos que se formam para discutir e deliberar sobre o or&ccedil;amento participativo. O or&ccedil;amento participativo, assim, amplia a responsabilidade estatal e se mostra como um bom mecanismo de controle social sobre a aloca&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o das verbas p&uacute;blicas (Fung, 2004: 221). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O or&ccedil;amento participativo foi adotado pelo munic&iacute;pio de Porto    Alegre a partir de 1989 e, assim, subordinou a aloca&ccedil;&atilde;o de significativa parcela do or&ccedil;amento municipal &agrave; tomada coletiva de decis&otilde;es, combinando mecanismos diretos e representativos (Fung, 2004:199). Foram realizadas assembleias nos dezesseis distritos de Porto Alegre, das quais participaram residentes e integrantes do governo municipal. As discuss&otilde;es sobre o or&ccedil;amento participativo ocorrem em duas rodadas de assembleias. Na primeira, o governo    oferece aos cidad&atilde;os participantes informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e financeiras  que servir&atilde;o de base &agrave;s decis&otilde;es (Fung, 2004: 223). L&iacute;deres comunit&aacute;rios procuram convencer os demais sobre a necessidade de alocar recursos em &aacute;reas que, em geral, s&atilde;o de interesse da maior parte da popula&ccedil;&atilde;o. O que caracteriza, portanto, o or&ccedil;amento participativo &eacute; justamente promo&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e de uma cultura de direitos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na segunda rodada de reuni&otilde;es, ap&oacute;s a defini&ccedil;&atilde;o de prioridades  gerais do munic&iacute;pio, os participantes se re&uacute;nem em seus bairros para selecionar os projetos espec&iacute;ficos que ser&atilde;o inclu&iacute;dos na agenda de  obras p&uacute;blicas (Wampler, 2004: 222-223). Dessas reuni&otilde;es produzse em um &uacute;nico or&ccedil;amento municipal, ponderado e detalhado sobre cada uma das prefer&ecirc;ncias dos distritos. (Fung, 2004: 199). Em Porto Alegre, o or&ccedil;amento participativo engloba todo o montante do or&ccedil;amento cuja aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; discricion&aacute;ria - exclu&iacute;dos gastos com pessoal, d&iacute;vidas e manuten&ccedil;&atilde;o (Wampler, 2004: 231). O que se v&ecirc; &eacute; que o or&ccedil;amento participativo, como minip&uacute;blico, al&eacute;m de estabelecer a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos segundo as prefer&ecirc;ncias dos cidad&atilde;os, tamb&eacute;m exerce a fun&ccedil;&atilde;o de monitoramento, pois as assembleias revisam a extens&atilde;o e a qualidade da implementa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas constantes no or&ccedil;amento do ano anterior (Fung, 2004: 182). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A l&oacute;gica do minip&uacute;blico e do or&ccedil;amento participativo incita a participa&ccedil;&atilde;o das camadas populares de baixo <i>status</i>, de modo que estas s&atilde;o sobre-representadas nas reuni&otilde;es do Or&ccedil;amento Participativo. (Fung, 2004: 199). Os recursos s&atilde;o alocados para cada regi&atilde;o    de Porto Alegre conforme: i) popula&ccedil;&atilde;o; ii) perfil socioecon&ocirc;mico; e  iii) infraestrutura existente. Isso garante que regi&otilde;es mais populosas, carentes e prec&aacute;rias recebam maior parcela do or&ccedil;amento p&uacute;blico, mas n&atilde;o determina a maneira como tais recursos ser&atilde;o aplicados (Wampler, 2004: 222). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A experi&ecirc;ncia do or&ccedil;amento participativo destacou-se por aumentar o n&iacute;vel de responsabilidade (<i>accountability</i>) oficial, diminuindo o desvio de verbas e ainda proporcionando aumento nos    rendimentos fiscais. Resultado disso &eacute; que o governo, junto da participa&ccedil;&atilde;o popular, revestiu-se de maior legitimidade, promovendo  mais justi&ccedil;a e efic&aacute;cia no setor de obras p&uacute;blicas (Fung, 2004: 200)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Or&ccedil;amento Participativo de Porto Alegre, iniciado em 1989, caracterizou-se, assim, pela participa&ccedil;&atilde;o popular, delibera&ccedil;&otilde;es e negocia&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, bem como pelas distribui&ccedil;&otilde;es de maiores recursos &agrave;s regi&otilde;es em desvantagem (Wampler, 2004: 211). Seu desenho  institucional reflete as estrat&eacute;gias de seus maiores defensores: resolu&ccedil;&otilde;es imediatas pra problemas sociais e maior participa&ccedil;&atilde;o popular na tomada de decis&otilde;es p&uacute;blicas que envolvem grandes parcelas da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, somente entre 1997 e 2000, foram conduzidas 104 experi&ecirc;ncias de or&ccedil;amento participativo (Vitale, 2004: 245). Destas, 53 foram conduzidas em administra&ccedil;&otilde;es do PT, 13 do PSDB, 11 do PSB, 9 do PMDB, 8 do PDT, 3 do PPS, 3 do PV, 2 do PTB e 2 do PFL. Em termos regionais, foram 47 no Sudeste, 39 no Sul, 14 no Nordeste, 03 no Norte e apenas 01 no Centro-Oeste. A compara&ccedil;&atilde;o entre as experi&ecirc;ncias de or&ccedil;amento participativo nos munic&iacute;pios de Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Bel&eacute;m (PA), Campina Grande (PB), Itapecerica da Serra (SP) e Medianeira (PR), mostram a influ&ecirc;ncia dos fatores tempo e maturidade sobre os resultados  obtidos (Vitale, 2004: 243). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A dimens&atilde;o direta de participa&ccedil;&atilde;o, complementar ao sistema representativo, foi mais exitosa em cidades de maior dimens&atilde;o: justamente nas cidades cuja popula&ccedil;&atilde;o ultrapassa 1 milh&atilde;o de habitantes (Vitale, 2004:247). Outro aspecto fundamental est&aacute; ligado &agrave; vontade pol&iacute;tica do Poder Executivo em instituir e implementar o or&ccedil;amento participativo. Os altos &iacute;ndices de cumprimento das decis&otilde;es fruto do or&ccedil;amento participativo em Porto Alegre e Belo Horizonte, por exemplo, podem ser atribu&iacute;dos &agrave; conjuga&ccedil;&atilde;o de dois fatores: o compromisso da Prefeitura em cumprir as prioridades deliberadas e    a arrecada&ccedil;&atilde;o suficiente de verbas para viabilizar os investimentos    (Vitale, 2004: 251). Tempo e continuidade tamb&eacute;m s&atilde;o fatores determinantes para o sucesso do programa de or&ccedil;amento participativo. Porto Alegre e Belo Horizonte, por exemplo, utilizam o or&ccedil;amento participativo h&aacute; mais de dez anos - este, desde 1993 e aquele, desde 1989 (Vitale, 2004: 252). Em ambos os munic&iacute;pios, s&atilde;o crescentes    os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o e sofistica&ccedil;&atilde;o, voltadas a superar limites de regionaliza&ccedil;&atilde;o e incluir delibera&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas. &Eacute; certo que dificuldades s&atilde;o encontradas durante os primeiros anos de implementa&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento participativo, os quais residem, principalmente, na cria&ccedil;&atilde;o de uma nova cultura de gest&atilde;o da coisa p&uacute;blica e no incentivo ao envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os. Passado algum tempo, s&atilde;o colhidos resultados mais consistentes, seja na democratiza&ccedil;&atilde;o formal e material do procedimento participativo, seja na distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos    (Vitale, 2004: 252). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m do or&ccedil;amento participativo, outro canal de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica direta sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas se d&aacute; por interm&eacute;dio dos Conselhos estaduais e municipais especializados. &Eacute; pela via desses Conselhos que a popula&ccedil;&atilde;o consegue expressar suas necessidades,  requisi&ccedil;&otilde;es, reclama&ccedil;&otilde;es, influenciar a tomada de decis&otilde;es e tamb&eacute;m exercer o controle social sobre a elabora&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, o Conselho Municipal de Sa&uacute;de de Curitiba &eacute; um exemplo da possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (democr&aacute;tico-deliberativa) da popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de Curitiba em temas relativos &agrave; sa&uacute;de. Essa participa&ccedil;&atilde;o tem um impacto direto sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de e, assim, tamb&eacute;m sobre a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio<sup><a name="p16" id="p16"></a><a href="#16">16</a></Sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A compet&ecirc;ncia legal desse tipo de Conselho &eacute; supervisionar a gest&atilde;o governamental do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) por meio    86   16   de instrumentos deliberativos e fiscalizat&oacute;rios. O Conselho Municipal de Sa&uacute;de, basicamente, se faz presente na formula&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas a serem executadas pelo SUS no munic&iacute;pio. Por&eacute;m, os instrumentos de controle de que disp&otilde;e o Conselho s&atilde;o poucos e informais<sup><a name="p17" id="p17"></a><a href="#17">17</a></Sup>. Apesar disso, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de ser    realizada e &eacute; exercida de outros modos - principalmente pela press&atilde;o feita sobre o governo na condi&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&atilde;o representante do interesse p&uacute;blico<sup><a name="p18" id="p18"></a><a href="#18">18</a></Sup>. Essa pr&aacute;tica de fiscaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel e &eacute; favorecida, sobretudo, mediante a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica equilibrada entre os segmentos que comp&otilde;em o Conselho (membros do governo municipal, prestadores de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, cidad&atilde;os), a configura&ccedil;&atilde;o  de uma arena politicamente ativa e uma agenda voltada a vistorias e delibera&ccedil;&otilde;es de teor impositivo (Fuks, 2004: 107). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; interessante ressaltar que nas discuss&otilde;es e decis&otilde;es plen&aacute;rias do Conselho, em geral s&atilde;o os usu&aacute;rios que assumem a lideran&ccedil;a nas interven&ccedil;&otilde;es, enquanto prestadores de servi&ccedil;o raramente emitem    opini&otilde;es. Nesse processo de discuss&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m a figura do visitante - atores da sociedade civil que n&atilde;o integram o Conselho, mas que participam das discuss&otilde;es. H&aacute;, ainda, a possibilidade de outras participa&ccedil;&otilde;es externas, tais como as realizadas por agentes do governo, que, em geral, se apresentam na condi&ccedil;&atilde;o de "quadro de apoio" para apresentar programas governamentais, esclarecimentos e pareceres (Fuks, 2004:30). Essa participa&ccedil;&atilde;o do visitante e do quadro de apoio (que n&atilde;o se confundem com o "quadro t&eacute;cnico" que comp&otilde;e    o Conselho) apenas mostra como o Conselho se configura como um  espa&ccedil;o perme&aacute;vel &agrave; ampla participa&ccedil;&atilde;o em todos os seus momentos de tomada de decis&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todavia, n&atilde;o raro, o ideal de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica equilibrada &eacute; frustrado devido a diferen&ccedil;as socioecon&ocirc;micas (como renda e escolaridade) (Fuks, 2004: 107). A ocorr&ecirc;ncia de desigualdades profundas prejudica, evidentemente, o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es fiscalizadoras, pois impedem a veicula&ccedil;&atilde;o de todos os interesses, sobretudo os dos sujeitos em situa&ccedil;&otilde;es de maior car&ecirc;ncia, no espa&ccedil;o p&uacute;blico. A exist&ecirc;ncia de desigualdades agudas reduz a participa&ccedil;&atilde;o popular &agrave;    figura dos conselheiros, os quais muitas vezes n&atilde;o se interessem pelo  exerc&iacute;cio do controle social e necessidades de setores vulner&aacute;veis da popula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apesar disso, &eacute; necess&aacute;rio destacar que nas discuss&otilde;es e decis&otilde;es do Conselho h&aacute;, em geral, a polariza&ccedil;&atilde;o entre usu&aacute;rios, de um lado, e agentes governamentais e gestores, de outro. E tal polariza&ccedil;&atilde;o tem se mostrado positiva e contribu&iacute;do para o efetivo exerc&iacute;cio do controle social, possibilitando que ideias e interesses (muitas vezes) divergentes sejam expostos, discutidos e decididos de forma ampla, coletiva e democr&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao final, apesar da falta de instrumentos efetivos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o  e controle e a exist&ecirc;ncia de desigualdades socioecon&ocirc;micas entre os participantes, o Conselho tem se mostrado um espa&ccedil;o aberto, plural, pelo qual &eacute; poss&iacute;vel que a popula&ccedil;&atilde;o tome parte direta nas discuss&otilde;es, decis&otilde;es e controle social de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de no munic&iacute;pio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que essas experi&ecirc;ncias pr&aacute;ticas de discuss&atilde;o e decis&atilde;o coletivas mostram &eacute; que, de fato, &eacute; poss&iacute;vel estabelecer um processo democr&aacute;tico-deliberativo e, por vezes, um processo democr&aacute;tico direto, sem representa&ccedil;&atilde;o ou intermedia&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o experi&ecirc;ncias, pr&aacute;ticas, de  minip&uacute;blicos, que t&ecirc;m influ&ecirc;ncia direta sobre planejamentos e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. &Eacute; evidente que essas experi&ecirc;ncias e pr&aacute;ticas possuem limita&ccedil;&otilde;es, que o processo democr&aacute;tico-deliberativo n&atilde;o &eacute; isento de falhas. N&atilde;o se trata de idealizar a democracia deliberativa. Mas, ao contr&aacute;rio, mostrar que as limita&ccedil;&otilde;es existentes n&atilde;o tiram dessas pr&aacute;ticas o seu valor. E &eacute; pelo estabelecimento de uma pr&aacute;tica adequada, efetivamente democr&aacute;tica, que se deve lutar. Se essas experi&ecirc;ncias, esses minip&uacute;blicos mostram as limita&ccedil;&otilde;es da pr&aacute;tica democr&aacute;ticodeliberativa, &eacute;, no entanto, com fundamento e por meio da pr&oacute;pria pr&aacute;tica democr&aacute;tica e deliberativa que se dever&aacute; recuperar, fortalecer e revigorar esses importantes espa&ccedil;os. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Talvez seja justamente nesse recuperar da pr&aacute;tica democr&aacute;tica que o Poder Judici&aacute;rio tenha um importante papel a cumprir. N&atilde;o no sentido de ditar as regras do jogo democr&aacute;tico, pois a ele n&atilde;o cabe esse papel, mas sim, no sentido de fazer tais regras serem respeitadas. E se o Poder Judici&aacute;rio tem algum papel a cumprir (e, certamente, tem) na tarefa de garantir e respeitar a democracia, tamb&eacute;m a teoria da democracia, a democracia deliberativa, tem um papel a cumprir sobre a pr&aacute;tica jurisdicional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Notas al pie</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="1" id="1"></a><a href="#p1">1</a></Sup> Vale observar que essa diferencia&ccedil;&atilde;o que Nino faz de sua teoria com a teoria de Habermas ao atribuirlhe as teses ontol&oacute;gica e epistemol&oacute;gica &eacute; pass&iacute;vel de refuta&ccedil;&atilde;o. Isso porque &eacute; poss&iacute;vel que, ao contr&aacute;rio do que afirma Nino, Habermas talvez n&atilde;o aceitasse integralmente as teses que Nino lhe atribui e, ao contr&aacute;rio, possivelmente at&eacute; se aproximasse mais das teses que Nino elabora e estabelece para a sua pr&oacute;pria teoria. Para uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica e aprofundada sobre as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre as teorias de Nino e Habermas vide: (Oquendo, 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="2" id="2"></a><a href="#p2">2</a></Sup> Sobre a obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia vide: (Rawls, 2008: 458-462), (Dworkin, 2007: 315-341), (Nino, 2007: 400-411).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="3" id="3"></a><a href="#p3">3</a></Sup> Segundo Gargarella, "os bons cidad&atilde;os n&atilde;o s&atilde;o os que se convertem ou atuam como &aacute;rbitro, sen&atilde;o aqueles que podem atuar como s&atilde;o - partes de um todo - sendo, por sua vez, respeitosos das regras que finalmente se convertem em lei para todos.". (Gargarella, 2009: 265).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="4" id="4"></a><a href="#p4">4</a></Sup> Vale ressaltar que Gargarella ao tratar da democracia deliberativa e das maneiras de argumentar nesta seara, n&atilde;o ignora o cen&aacute;rio conflituoso e tampouco idealiza o sujeito. Ao contr&aacute;rio, o concebe como indiv&iacute;duo situado e part&iacute;cipe de certa comunidade, com todas as caracter&iacute;sticas que da&iacute; possa advir e adquirir. (Gargarella, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="5" id="5"></a><a href="#p5">5</a></Sup> "Habermas parte do pressuposto de que sujeitos capazes de linguagem e a&ccedil;&atilde;o estabelecem pr&aacute;ticas argumentativas atrav&eacute;s das quais se asseguram intersubjetivamente e compartilham de um contexto comum, de um &lsquo;mundo da vida'. O objetivo da &eacute;tica discursiva habermasiana &eacute; explicar como &eacute; poss&iacute;vel, frente a um conflito normativo, a obten&ccedil;&atilde;o de um acordo racionalmente motivado. Por isso, a &eacute;tica discursiva recorre ao modelo de um amplo e irrestrito di&aacute;logo, no qual todos os participantes t&ecirc;m igual acesso e onde prevalece a for&ccedil;a do melhor argumento. Este modelo Habermas designa como situa&ccedil;&atilde;o ideal de fala e imp&otilde;e uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es: n&atilde;o limita&ccedil;&atilde;o, ou seja, aus&ecirc;ncia de impedimentos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o viol&ecirc;ncia, inexist&ecirc;ncia de coa&ccedil;&otilde;es externas ou press&otilde;es internas; seriedade, todos os participantes devem ter como objetivo a busca cooperativa de um acordo" (Citadino, 2009: 110-111).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="6" id="6"></a><a href="#p6">6</a></Sup> "Hay derechos que son condici&oacute;n para que el procedimiento democr&aacute;tico de discusi&oacute;n y decisi&oacute;n tenga alg&uacute;n valor epist&eacute;mico. Si los participantes en el procedimiento no se pueden expresar libremente y en relativa igualdad de condiciones, si su vida o seguridad se pone en peligro con la defensa de ciertas posiciones, si est&aacute;n sujetos a los intereses de los dem&aacute;s, el procedimiento de intercambio de propuestas y decisi&oacute;n mayoritaria carece de todo valor epist&eacute;mico. Esto nos permite distinguir ciertos derechos como derechos a priori". (Nino, 2005: 208-209). "El valor epist&eacute;mico de una democracia requiere que se cumpla con ciertos prerrequisitos sin los cuales no existir&aacute; una raz&oacute;n para diferenciar los resultados de la democracia. Estas condiciones incluyen: la participaci&oacute;n libre e igual en el proceso de discusi&oacute;n y toma de decisiones; la orientaci&oacute;n de la comunicaci&oacute;n en el sentido de la justificaci&oacute;n; la ausencia de minor&iacute;as congeladas y aisladas, y la existencia de un marco emocional apropiado para la argumentaci&oacute;n." Vide tamb&eacute;m: (Nino, 2003: 192). Em fim, esses direitos a priori, para Nino, podem ser associados aos ju&iacute;zos a priori de Kant, cujo conhecimento se d&aacute; por meio de um m&eacute;todo transcendental de investiga&ccedil;&atilde;o das pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es do conhecimento emp&iacute;rico. Estes direitos s&atilde;o reconhecidos por serem pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es para o conhecimento do resto da moralidade intersubjetiva, incluindo outros direito. Vale ressaltar aqui tamb&eacute;m a importante e necess&aacute;ria cr&iacute;tica do Comunitarismo e do Republicanismo, que v&ecirc;em as virtudes c&iacute;vicas como condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o procedimento democr&aacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="7" id="7"></a><a href="#p7">7</a></Sup> Nesse sentido, Jos&eacute; Luis Mart&iacute; mostra como essa tens&atilde;o representa um conflito circular. Vide (Mart&iacute;, 2006: 119). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="8" id="8"></a><a href="#p8">8</a></Sup> Como John Rawls (2008) e Ronald Dworkin (2007).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="9" id="9"></a><a href="#p9">9</a></Sup> Como J&uuml;rgen Habermas (1997), Joshua Cohen (1989) ou Jeremy Waldron (1999).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="10" id="10"></a><a href="#p10">10</a></Sup> Para uma leitura cr&iacute;tica e aprofundada sobre essa rela&ccedil;&atilde;o entre justifica&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica e justifica&ccedil;&atilde;o substantiva da democracia deliberativa vide: (Gargarella, 2005), (Mart&iacute;, 2006: 177-214), (Bay&oacute;n, 2009: 198-225), (Moreso, 2009: 315-320).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="11" id="11"></a><a href="#p11">11</a></Sup> Vale ressaltar aqui a diferen&ccedil;a existente entre os princ&iacute;pios estruturais da democracia, compreendidos como as propriedades caracter&iacute;sticas da democracia (liberdade dos participantes, igualdade formal entre os sujeitos, participa&ccedil;&atilde;o, argumenta&ccedil;&atilde;o etc.) e os direitos a <i>priori</i>, compreendidos como pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es do processo democr&aacute;tico. Os princ&iacute;pios estruturais da democracia s&atilde;o as propriedades formais do processo democr&aacute;tico, constituem e definem a democracia. Os direitos a <i>priori</i>, ao contr&aacute;rio, s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es que devem ser garantidas, alcan&ccedil;adas para que a democracia seja poss&iacute;vel, s&atilde;o suas condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade. E, dessa forma, muitas vezes, ser&atilde;o tamb&eacute;m condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias de um ou mais princ&iacute;pios estruturais da democracia. Essa distin&ccedil;&atilde;o &eacute; importante para se evitar o comum equ&iacute;voco de se considerar autores defensores do processo democr&aacute;tico majorit&aacute;rio (e, portanto, desconfiados e refrat&aacute;rios &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional) como sujeitos despreocupados com a prote&ccedil;&atilde;o de direitos necess&aacute;rios ao processo democr&aacute;tico. Ao contr&aacute;rio, e &eacute; o que aqui se defende, &eacute; plenamente poss&iacute;vel defender e adotar uma postura que leve em considera&ccedil;&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es substantivas necess&aacute;rias para a exist&ecirc;ncia da democracia (satisfa&ccedil;&atilde;o e garantia de direitos a <i>priori</i>) e, no entanto, na dimens&atilde;o do processo democr&aacute;tico de decis&atilde;o, defender e adotar uma postura majorit&aacute;ria, que respeite a regra da maioria (sempre cuidando com os direitos da minoria). Sobre essa distin&ccedil;&atilde;o entre os princ&iacute;pios estruturais do processo democr&aacute;tico e os direitos compreendidos como condi&ccedil;&atilde;o do processo democr&aacute;tico, bem como a possibilidade de se defender uma postura substancial relativa &agrave;s garantias das pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es para o processo democr&aacute;tico e uma postura majorit&aacute;ria relativa ao processo democr&aacute;tico de decis&atilde;o vide: (Mart&iacute;, 2006: 88-108). Vide ainda: (Silva, 2008: 216-217).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="12" id="12"></a><a href="#p12">12</a></Sup> &Eacute; importante ressalvar, no entanto, que conceber o valor epist&ecirc;mico, pr&aacute;tico, da democracia deliberativa como algo gradual, e n&atilde;o de tudo ou nada, n&atilde;o &eacute; algo &oacute;bvio e f&aacute;cil. A distin&ccedil;&atilde;o entre o ideal e as condi&ccedil;&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o desse ideal n&atilde;o &eacute; sempre expressa, evidente. Muitas vezes, estar perto de um ideal a ser alcan&ccedil;ado n&atilde;o significa necessariamente uma boa situa&ccedil;&atilde;o ou um bom resultado. Por vezes, uma situa&ccedil;&atilde;o de completa aus&ecirc;ncia desse ideal a ser atingido &eacute; o que gera consci&ecirc;ncia e a&ccedil;&atilde;o para alterar tal situa&ccedil;&atilde;o. Num contexto de relativa desigualdade, por exemplo, talvez fosse muito mais dif&iacute;cil lograr altera&ccedil;&otilde;es estruturais na pol&iacute;tica democr&aacute;tica do que num contexto de completa desigualdade, onde as din&acirc;micas ativadoras da percep&ccedil;&atilde;o da desigualdade possivelmente funcionassem muito mais vigorosamente. Para uma leitura cr&iacute;tica do valor gradual da democracia deliberativa, vide: (Ovejero, 2009: 323-332).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="13" id="13"></a><a href="#p13">13</a></Sup> Com minip&uacute;blicos, Archon Fung busca aprimorar a ideia de Robert Dahl de um <i>minipopulus</i> e a ideia de Jack Nagel de <i>Assembleias Deliberativas de Base Aleat&oacute;ria</i>. A no&ccedil;&atilde;o de minip&uacute;blicos de Fung &eacute; mais profunda porque busca congregar as ideias anteriores, tornando sua proposta de minip&uacute;blicos mais inclusiva e ligada &agrave; sociedade civil e ao Estado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="14" id="14"></a><a href="#p14">14</a></Sup> Um exemplo desse tipo de situa&ccedil;&atilde;o em que condi&ccedil;&otilde;es de tempo e socioecon&ocirc;micas privilegiam cidad&atilde;o mais abastados se deu com a discuss&atilde;o sobre o Plano de Sa&uacute;de do Oregon, nos Estados Unidos. A participa&ccedil;&atilde;o popular contou majoritariamente com o envolvimento de cidad&atilde;os tipicamente ricos e altamente instru&iacute;dos, visto que a participa&ccedil;&atilde;o era volunt&aacute;ria e poucos esfor&ccedil;os foram direcionados para obter ades&atilde;o em comunidades menos favorecidas que n&atilde;o dispunham de tanto tempo ou recursos financeiros para poder participar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="16" id="16"></a><a href="#p16">15</a></Sup> Entende-se que "efeitos demonstra&ccedil;&atilde;o" positivos, baseados na delibera&ccedil;&atilde;o, negocia&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o respondem pelo aumento de participa&ccedil;&atilde;o como visto em Porto Alegre e Belo Horizonte. Contrariamente, baixos resultados em Recife n&atilde;o produziram o "efeito demonstra&ccedil;&atilde;o" necess&aacute;rio para alavancar o aumento da participa&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os nas reuni&otilde;es do OP. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="16" id="16"></a><a href="#p16">16</a></Sup> Para esta an&aacute;lise sobre os Conselhos estaduais e municipais e, em especial, sobre o Conselho Municipal de Sa&uacute;de de Curitiba, foi utilizado o estudo te&oacute;rico e pr&aacute;tico organizado e realizado por Renato M. Perissinoto, Nelson Ros&aacute;rio de Souza e M&aacute;rio Fuks. Vide: (Fuks - Perissinoto - Souza, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="17" id="17"></a><a href="#p17">17</a></Sup> Dessa forma, n&atilde;o havendo muitas possibilidades de se promoverem san&ccedil;&otilde;es efetivas, resta aos Conselhos recorrer a outras institui&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os (em geral, o Poder Judici&aacute;rio) para que estes tomem as provid&ecirc;ncias adequadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><Sup><a name="18" id="18"></a><a href="#p18">18</a></Sup> (Schevisbiski - Sales - Fuks, 2004: 106). Os Conselhos cumprem, neste caso, a fun&ccedil;&atilde;o de "indutores de responsabilidade social".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Bibliografia </b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Ackerman, Bruce (1984). "The Storrs Lectures: Discovering the Constitution". In: <i>Yale Law Journa</i>l. v. 93. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1794-5887201100010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Ackerman, Bruce (1991). <i>We the People</i>: Foundations. Cambridge: Harvard University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1794-5887201100010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Bay&oacute;n, Juan Carlos (2009). "&iquest;Necesita la rep&uacute;blica deliberativa una justificaci&oacute;n epist&eacute;mica?". In: <i>Diritto &amp; Questione Pubbliche</i> - Rivista di Filosofia  del Diritto e Cultura Giuridica. n. 09. Palermo: Universit&agrave; degli Studi di Palermo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1794-5887201100010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Citadino, Gisele (2009). <i>Pluralismo, direito e justi&ccedil;a distributiva - elementos  da filosofia constitucional contempor&acirc;nea</i>. 4ed. Rio de Janeiro: Lumen Iuris. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1794-5887201100010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. Cohen, Joshua (1989). "Deliberation and democracy deliberative". In:  Pettit, Philip - Hanlin, Alan (Orgs.). <i>The good polity: normative analysis of the state</i>. London: Blackwell.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1794-5887201100010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Cruz, &Aacute;lvaro Ricardo de Souza (2004). <i>Jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional democr&aacute;tica</i>. Belo Horizonte: Del Rey.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1794-5887201100010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Cruz, &Aacute;lvaro Ricardo de Souza (2007). <i>Hermen&ecirc;utica jur&iacute;dica e(m) debate - o constitucionalismo brasileiro entre a teoria do discurso e a ontologia existencial</i>. Belo Horizonte: F&oacute;rum.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1794-5887201100010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Dworkin, Ronald (2007). <i>Levando os direitos a s&eacute;rio</i>. Trad. Jefferson Luiz Camargo. 2ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1794-5887201100010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Dworkin, Ronald (1984). "Rights as trumps". In: Waldron, Jeremy. <i>Theories of rights</i>. Oxford: University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1794-5887201100010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Dworkin, Ronald (2007). <i>O imp&eacute;rio do Direito</i>. Trad. Jefferson Luiz Camargo. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1794-5887201100010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Dworkin, Ronald (2006). <i>O direito da liberdade: a leitura moral da constitui&ccedil;&atilde;o norte-americana</i>. Trad. Marcelo Brand&atilde;o Cipolla. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1794-5887201100010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Freeman, Samuel (1990). "Reasons and Agreements in Social Contract Views". In: <i>Philosophy and Public Affairs</i>, v. 19, n. 02. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1794-5887201100010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Freeman, Samuel (1992). "Original Meaning, Democractic Interpretation, and the Constitution". In: <i>Philosophy and Public Affairs</i>, V. 21, N. 1.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1794-5887201100010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. Fishkin, James S. (1991). <i>Democracy and Deliberation: New Directions for Democratic Reform</i>. New Haven and London: Yale University Press. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1794-5887201100010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Fishkin, James S. (1995). <i>The Voice of the People - Public Opinion &amp; Democracy</i>. New Haven and London: Yale University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1794-5887201100010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Fishkin, James S. (2009). <i>When the People Speak - Deliberative Democracy &amp; Public Consultation</i>. New York: Oxford University Press. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1794-5887201100010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Fishkin, James S. - Ackerman, Bruce (2004). <i>Deliberation Day</i>. New Haven and London: Yale University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1794-5887201100010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Fuks, Mario - Perissinoto, Renato M.- Souza, Nelson Ros&aacute;rio de. (2004) (Orgs.) <i>Democracia e participa&ccedil;&atilde;o</i>: os Conselhos Gestores do Paran&aacute;. Curitiba: UFPR.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1794-5887201100010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> 19. Fung, Archon (2004). "Receitas para esferas p&uacute;blicas: oito desenhos institucionais e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias". In: Coelho, Vera Schattan P. - Nobre, Marcos (Orgs). <i>Participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o: teoria democr&aacute;tica e experi&ecirc;ncias    institucionais no Brasil contempor&acirc;neo</i>. S&atilde;o Paulo: 34. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1794-5887201100010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Gargarella, Roberto (2008). <i>Los fundamentos legales de la desigualdad - el    constitucionalismo en Am&eacute;rica </i>(1776-1860). Buenos Aires: Siglo XXI. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1794-5887201100010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Gargarella, Roberto (2009). "La rep&uacute;blica deliberativa de Jos&eacute; Luis Mart&iacute;".    In: <i>Diritto &amp; Questione Pubbliche</i> - Rivista di Filosofia del Diritto e Cultura    Giuridica. n. 09. Palermo: Universit&agrave; degli Studi di Palermo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1794-5887201100010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. Gargarella, Roberto (2005). "El constitucionalismo seg&uacute;n John Rawls". In:    <i>Araucaria</i> Revista Iberoamericana de Filosof&iacute;a, Pol&iacute;tica y Humanidades. v. 14.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1794-5887201100010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23. G&uuml;nther, Klaus (2004). <i>Teoria da argumenta&ccedil;&atilde;o no Direito e na moral</i>: justifica&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Landy Editora.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1794-5887201100010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">24. G&uuml;nther, Klaus (1995). "Un concepto normativo de coherencia para una teor&iacute;a de la argumentaci&oacute;n jur&iacute;dica". In: <i>Doxa</i> Nos. 17-18.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1794-5887201100010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Habermas, J&uuml;rgen (1997). <i>Direito e democracia: entre facticidade e validade</i>. v. I. Trad. Fl&aacute;vio Beno S. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1794-5887201100010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">26. Habermas, J&uuml;rgen (1987). <i>Teor&iacute;a de la acci&oacute;n comunicativa</i>. Madrid: Taurus.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1794-5887201100010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">27. Neto, Menelick de Carvalho (2001). "A contribui&ccedil;&atilde;o do direito administrativo enfocado da &oacute;tica do administrad o: para uma reflex&atilde;o acerca dos    fundamentos do controle de constitucionalidade das Leis no Brasil: um pequeno exerc&iacute;cio de Teoria da Constitui&ccedil;&atilde;o". In: <i>Revista F&oacute;rum Administrativo</i>. v. 1. n. 1. Belo Horizonte: Ed. F&oacute;rum.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1794-5887201100010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">28. Nino, Carlos Santiago (1999). <i>La constituci&oacute;n de la democracia deliberativa</i>. Barcelona: Gedisa,  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1794-5887201100010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">29. Nino, Carlos Santiago (2005). <i>Fundamentos de derecho constitucional</i>. Buenos Aires: Astrea.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1794-5887201100010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">30 Nino, Carlos Santiago (2007). <i>&Eacute;tica y derechos humanos - un ensayo de fundamentaci&oacute;n</i>. 2ed. Buenos Aires: &Aacute;strea.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1794-5887201100010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">31. Mart&iacute;, Jos&eacute; Luis (2006). <i>La rep&uacute;blica deliberativa - una teor&iacute;a de la democracia</i>. Madrid: Marcial Pons. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1794-5887201100010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">32. Moreso, Jos&eacute; Juan (2009). "Las virtudes epist&eacute;micas de la rep&uacute;blica deliberativa". In: <i>Diritto &amp; Questione Pubbliche</i> - Rivista di Filosofia del Diritto e  Cultura Giuridica. n. 09. Palermo: Universit&agrave; degli Studi di Palermo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1794-5887201100010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">33. Oquendo, Angel (2008). "Democracia deliberativa en Nino y Habermas".    In: Alegre, Marcelo- Gargarella, Roberto- Rosenkrantz, Carlos F. (Orgs.).    <i>Homenaje a Carlos Santiago Nino</i>. Buenos Aires: La Ley/Facultad de Derecho-UBA.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1794-5887201100010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">34. Ovejero, F&eacute;lix (2009). "&iquest;Deliberaci&oacute;n en dosis?". In: <i>Diritto &amp; Questione Pubbliche</i> - Rivista di Filosofia del Diritto e Cultura Giuridica, n. 09. Palermo: Universit&agrave; degli Studi di Palermo.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1794-5887201100010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">35. Rawls, John (2000). <i>Liberalismo pol&iacute;tico</i>. Trad. Dinah de Abreu Azevedo. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1794-5887201100010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> 36 Rawls, John (2008). <i>Uma teoria da justi&ccedil;a</i>. Trad. Jussara Sim&otilde;es. 3ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1794-5887201100010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">37. Silva, Lu&iacute;s Virg&iacute;lio Afonso da - Mendes, Conrado H&uuml;bner (2008). "Habermas e a Jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional". In: Nobre, Marcos- Terra, Ricardo.    <i>Direito e democracia </i>- um guia de leitura de Habermas. S&atilde;o Paulo: Malheiros.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1794-5887201100010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">38. Schevisbiski, Renata S.- Sales, M&aacute;rcio R. da P.- Fuks, Mario (2004). "O controle social na pol&iacute;tica de sa&uacute;de: um estudo sobre o Conselho Municipal de Sa&uacute;de de Curitiba (1991-2001)". In: Fuks, Mario - Perissinoto, Renato M. - Souza, Nelson Ros&aacute;rio de. (Orgs.) <i>Democracia e participa&ccedil;&atilde;o</i>:    os Conselhos Gestores do Paran&aacute;. Curitiba: UFPR. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1794-5887201100010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">39. Vitale, Denise (2004). "Democracia direta e poder local: a experi&ecirc;ncia brasileira do or&ccedil;amento participativo". In: Coelho, Vera Schattan P.- Nobre, Marcos (Orgs). <i>Participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o</i>: teoria democr&aacute;tica e experi&ecirc;ncias institucionais no Brasil contempor&acirc;neo. S&atilde;o Paulo: Ed. 34.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1794-5887201100010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">40. Waldron, Jeremy (1999). <i>Law and disagreement</i>. Oxford: Clarendon Press. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1794-5887201100010000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">41. Wampler, Brian - Avritzer, Leonardo (2004). "P&uacute;blicos participativos:    sociedade civil e novas institui&ccedil;&otilde;es no Brasil democr&aacute;tico". In: Coelho, Vera Schattan P.- Nobre, Marcos (Orgs). <i>Participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o: teoria    democr&aacute;tica e experi&ecirc;ncias Institucionais no Brasil contempor&acirc;neo</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1794-5887201100010000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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