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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um elo perfeito: Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e a educação matemática Vida y obra]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[  <font size="2" face="verdana">      <p align="center"><font size="4"><b>Um elo perfeito: Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e a educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica Vida y obra    <br>  Resenha escrita por Pedro Carlos Pereira*</b></font></p>        <p>* Universidade Federal rural do Rio de Janeiro, Brasil. Contacto: <a href="mailto:pecape@ig.com.br">pecape@ig.com.br</a></p>  <hr>      <p align="center"><a name="fig1"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f1.jpg"></p>      <p><b>Resenha.</b> Uma Educadora respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es de professores de Matem&aacute;tica, que atuam com sucesso em v&aacute;rios pa&iacute;ses, tem seus trabalhos como refer&ecirc;ncias nacionais e internacionais na &aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica e, &eacute; por todos n&oacute;s muito conhecida, querida e respeitada.</p>      <p>Neste artigo rendo homenagens a esta altiva educadora, a primeira Doutora em Ci&ecirc;ncias - Matem&aacute;tica no Brasil, Dra. Maria Laura Mouzinho Leite Lopes. Por ser uma pessoa que viveu, participou e atuou expressivamente de v&aacute;rios movimentos, principalmente na &aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica, possu&iacute;a importante cabedal de conhecimento que n&atilde;o podemos deixar de registrar e divulgar.</p>      <p>Proeminente era a sua capacidade de aproveitar situa&ccedil;&otilde;es de dificuldades para crescer e realizar coisas novas. Do conv&iacute;vio com ela, durante anos, escutei v&aacute;rios relatos de fatos hist&oacute;ricos do nosso pa&iacute;s e do mundo, no que se refere, principalmente, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, cultura e pol&iacute;tica e a rela&ccedil;&atilde;o com a Matem&aacute;tica e a Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica.</p>      <p><b>O La&ccedil;o Familiar e o In&iacute;cio da Forma&ccedil;&atilde;o Escolar</b></p>      <p>Uma pernambucana, nascida em Timba&uacute;ba, no dia 18 de janeiro de 1919, a menina Maria Laura &eacute; primog&ecirc;nita de oito filhos. Segundo Ela, teve uma inf&acirc;ncia saud&aacute;vel e muito proveitosa, por ser filha de Laura Moura Mouzinho, uma professora prim&aacute;ria, atual primeira fase do ensino fundamental e, de Oscar Mouzinho, um respeitado comerciante local e autoditada de grande cultura.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na cidade de Recife, no Grupo Escolar Jo&atilde;o Barbalho (atualmente Escola Estadual Jo&atilde;o Barbalho) concluiu o Curso Prim&aacute;rio (atual Ensino Fundamental I). Prosseguindo os estudos, em 1932, ingressou na Escola Normal de Pernambuco, tendo permanecido nessa escola at&eacute; 1934. Neste per&iacute;odo foi aluna do professor Luiz de Barros Freire (1986-1963), que segundo ela: ele foi o respons&aacute;vel pela minha voca&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica.</p>      <p>No ano de 1935, com 18 anos de idade e junto &agrave; fam&iacute;lia Mouzinho, Prof&ordf; Maria Laura chega &agrave; cidade do Rio de Janeiro. No m&ecirc;s de fevereiro, deste mesmo ano, ela foi matriculada no Instituto Lafayette, onde se preparou para prestar Exame de Madureza no Col&eacute;gio Pedro II, sito &agrave; Rua Marechal Floriano, buscando cursar a quarto ano do Curso Ginasial, atual Ensino Fundamental II. Muda-se para Petr&oacute;polis no ano seguinte, tornando-se aluna do Col&eacute;gio Sion. Sobre essa fase, Maria Laura comenta bem humorada as dificuldades de irm&atilde; mais velha em todas essas mudan&ccedil;as.</p>      <p>Por gostar de Matem&aacute;tica, no ano de 1938, prepara-se para o vestibular da Escola Nacional de Engenharia. Embora tendo sido aprovada em F&iacute;sica e Matem&aacute;tica, n&atilde;o consegue aprova&ccedil;&atilde;o por ter obtido conceito insuficiente em Desenho.</p>      <p align="center"><a name="fig2"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f2.jpg"></p>      <p align="center"><a name="fig3"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f3.jpg"></p>      <p align="center"><a name="fig4"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f4.jpg"></p>      <p><b>A Forma&ccedil;&atilde;o em Matem&aacute;tica</b></p>      <p>Para o historiador Antoine Prost, um acontecimento tornar-se hist&oacute;rico se o fato seja capaz de provocar mudan&ccedil;as em um meio. Na vida da professora Maria Laura, e sempre no sentido positivo, v&aacute;rios fatos e acontecimentos que geraram mudan&ccedil;as.</p>      <p>Em seu depoimento, comenta que desde menina tinha o sonho de fazer um curso de n&iacute;vel superior na &aacute;rea de ci&ecirc;ncias, o que causava espanto no Col&eacute;gio Sion, pois esta n&atilde;o era uma profiss&atilde;o comum para as mulheres da &eacute;poca.</p>      <p>O fato da sua reprova&ccedil;&atilde;o no vestibular para a Engenharia foi muito ruim para esta &aacute;rea de conhecimento, mas &oacute;timo para a Matem&aacute;tica. Diante dos fatos, a professora nos fala: <i>comecei a dar aulas no Col&eacute;gio Sion do Rio de Janeiro e aulas particulares de Matem&aacute;tica,</i> o que podemos acreditar, neste momento, ser para suprir as suas necessidades b&aacute;sicas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No ano de 1939, Maria Laura toma conhecimento da cria&ccedil;&atilde;o da <i>Universidade do Distrito Federal (UDF)</i> e ao chegar &agrave; Universidade constata que o vestibular j&aacute; havia sido realizado. Mais uma tristeza. S&oacute; que ao sair da Universidade e passando pelo Largo do Machado encontra seu antigo professor da Escola Normal de Pernambuco, Professor Luiz de Barros Freire, que estava ocupando o cargo de Decano da Escola de Ci&ecirc;ncias da UDF. Neste momento do encontro, conta toda a sua hist&oacute;ria e dilema com rela&ccedil;&atilde;o ao vestibular que acabara de fazer.</p>      <p>Ap&oacute;s o encontro com o professor Luiz Freire, ela o procura na UDF, a seu pedido, com os resultados do vestibular. Segundo Maria Laura, o professor era um bom observador: ele analisa, de forma minuciosa e criteriosa, os resultados obtidos por mim no vestibular e tendo em vista a minha aprova&ccedil;&atilde;o em F&iacute;sica e Matem&aacute;tica para o Curso de Engenharia, pois s&oacute; tendo sido reprovado em desenho, me considera apta para fazer parte do corpo discente do Curso de Matem&aacute;tica da UDF. Diante desta resposta, a Maria Laura come&ccedil;a a realiza&ccedil;&atilde;o do seu sonho. No entanto, como diz o dito popular, alegria de pobre dura pouco. A UDF teve uma exist&ecirc;ncia curta: somente 15 dias de vida. Por motivos pol&iacute;ticos, no Estado Novo, aquela universidade foi extinta e todos os alunos e professores foram transferidos, em mar&ccedil;o de 1939, para o Curso de Matem&aacute;tica da rec&eacute;m-criada Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) - Universidade do Brasil.</p>      <p>Em 1941, Maria Laura gradua-se Bacharel e, no ano seguinte, conclui a Licenciatura em Matem&aacute;tica. Devido a seu desempenho, ainda como aluna de gradua&ccedil;&atilde;o, torna-se, junto &agrave; sua melhor amiga, Moema Sampaio Corr&ecirc;a Mariani, monitora do Professor Oliveira Junior.</p>      <p>Observe-se que, at&eacute; os &uacute;ltimos dias de vida da Maria Laura, elas trabalharam juntas no Projeto Fund&atilde;o - UFRJ, mantendo a mais pura e sincera amizade.</p>      <p>Depois de estar prestando servi&ccedil;os a FNFi, no ano de 1943, a Prof&ordf;. Maria Laura inicia oficialmente sua carreira de professora universit&aacute;ria, quando efetivada como Professora Assistente no Departamento de Matem&aacute;tica.</p>      <p>Dedicada como sempre para atingir os seus objetivos, nos seis anos seguintes dedica-se ao seu trabalho de <i>livre doc&ecirc;nc</i>ia intitulado <i>&ldquo;Espa&ccedil;os projetivos -reticulado de seus sub-espa&ccedil;os&rdquo;</i>, orientado pelo expoente matem&aacute;tico portugu&ecirc;s, Professor Ant&oacute;nio Aniceto Ribeiro Monteiro (1907-1980), que, em 24 de setembro de 1949, lhe rendeu o t&iacute;tulo de Doutor em Ci&ecirc;ncia -Matem&aacute;tica. Ap&oacute;s a defesa da Tese de Doutorado, a Prof&ordf; Maria Laura trabalha por dois anos no Departament of Mathematics da The University of Chicago, nos Estados Unidos.</p>      <p align="center"><a name="fig5"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f5.jpg"></p>      <p align="center"><a name="fig6"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f6.jpg"></p>      <p align="center"><a name="fig7"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f7.jpg"></p>      <p>Podemos afirmar que, pelo fato do trabalho apresentado pela Prof&ordf; Maria Laura ter o primeiro registro aceito pelas comunidades cient&iacute;ficas e acad&ecirc;micas, cabe a ela o t&iacute;tulo de Primeira Doutora em Matem&aacute;tica no Brasil.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com afinco e afei&ccedil;&atilde;o na realiza&ccedil;&atilde;o do seu trabalho na FNFI, Maria Laura atinge o apogeu da sua carreira e ocupa todos os cargos existentes no Departamento de Matem&aacute;tica dessa respeit&aacute;vel Institui&ccedil;&atilde;o. Por ocasi&atilde;o da reforma universit&aacute;ria de 1967, torna-se Professor Titular no Instituto de Matem&aacute;tica, da Universidade da Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>      <p>Al&eacute;m de ser uma profissional consagrada e envolvida com um ensino de boa qualidade, a Prof&ordf; Maria Laura atuou veementemente nas entidades cient&iacute;ficas criadas na &eacute;poca: <i>Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF)</i>, no ano de 1949, e neste mesmo ano foi a primeira mulher a ministrar aulas de Geometria para o Curso de Engenharia, no rec&eacute;m-criado <i>Instituto Tecnol&oacute;gico da Aeron&aacute;utica</i> (ITA); em 1951, participa da cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Pesquisa, atual <i>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico</i> (CNPq) e torna-se associada na <i>Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncia</i>, onde &eacute; diplomada em mar&ccedil;o de 1952; re&uacute;ne-se a matem&aacute;ticos influentes do Rio de Janeiro e de S&atilde;o Paulo (USP), para propor ao CNPq, no ano de 1952, a cria&ccedil;&atilde;o do mais importante instituto de matem&aacute;tica do Brasil e um dos mais importantes do mundo, o <i>Instituto de Matem&aacute;tica Pura e Aplicada (IMPA)</i>, do qual foi secret&aacute;ria de 1952 a 1956. Neste ano, casa-se com o renomado f&iacute;sico Professor Jos&eacute; Leite Lopes e, com ele, foi trabalhar nos Estados Unidos.</p>      <p>Essa relevante carreira &eacute; interrompida pela Ditadura Militar e, em 1969, junto ao marido Prof. Leite Lopes, &eacute; banida do pa&iacute;s, pelo mais cruel dos Ato: <i>Ato Institucional n&ordm; 5.</i></p>       <p><b>A Prof&ordf; Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e a Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica: um elo perfeito</b></p>      <p>Sendo vedado o direito de realizar algo mais pela educa&ccedil;&atilde;o no Brasil, mais uma vez nossa estimada professora segue rumo aos EUA, s&oacute; que em condi&ccedil;&atilde;o bem diferente: a de EXILADA. Em seguida vai para Estrasburgo, Fran&ccedil;a e l&aacute;, com apoio do Prof Georges Glaeser e da Prof&ordf; Luciene F&eacute;lix, Maria Laura d&aacute; inicio ao seu trabalho em Did&aacute;tica Matem&aacute;tica, no <i>Institute de Recherche en Enseignement de Mathematiques</i> (IREM). Sua capacidade de se informar e fazer rela&ccedil;&otilde;es entre diversas &aacute;reas da ci&ecirc;ncia vai tornando-a uma das mais importantes pesquisadoras em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica no Brasil e no mundo.</p>      <p>Ap&oacute;s os anos do ex&iacute;lio, e em 1974, Maria Laura retorna para nosso pa&iacute;s. Com o seu entusiasmo, e novos conhecimentos, passa a atuar ativamente como defensora de causas inovadoras ligadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores e ao ensino e a aprendizagem da Matem&aacute;tica em todos os n&iacute;veis de escolaridade, assumindo o papel de lideran&ccedil;a na &aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica no Brasil, que manteve at&eacute; os &uacute;ltimos dias da sua vida.</p>      <p>N&atilde;o podendo assumir o seu papel na Universidade, nossa professora canalizou suas energias para a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de professores nas escolas: Escola Israelita Brasileira Eliezer Eistenbarg e Centro Educacional de Niter&oacute;i.</p>      <p>Como sempre ativa em suas a&ccedil;&otilde;es e envolvida em formar professores competentes, no ano de 1976 participa intensamente com os professores Jos&eacute; Carlos Melo e Souza (1905-1990), Moema S&aacute; Carvalho e Anna Averbuch na cria&ccedil;&atilde;o do grupo de pesquisa &ldquo;GEPEM - Grupo de Ensino e Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica&rdquo;, o que presidiu durante oito anos. No GEPEM participou da organiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios eventos. O primeiro deles foi o <i>&ldquo;Semin&aacute;rio, Sobre Ensino da Matem&aacute;tica&rdquo;,</i> realizado na Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, no Rio de Janeiro, e coordenou a a primeira pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica no Brasil, o <i>&ldquo;Projeto Bin&ocirc;mio Professor-Aluno na Inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica&rdquo;</i>. Outra a&ccedil;&atilde;o de suma import&acirc;ncia foi &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, pelo GEPEM, em 1980, do <i>Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Lato Sensu, Especializa&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica</i>, considerado o pioneiro e embri&atilde;o do segundo <i>Curso de Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica</i> no Brasil, ambos em conv&ecirc;nio com a Universidade Santa &Uacute;rsula (USU).</p>      <p>No ano de 1980, felizmente o mundo acad&ecirc;mico tem uma boa not&iacute;cia, a prof&ordf; Maria Laura &eacute; reintegrada ao Instituto de Matem&aacute;tica (IM) da UFRJ. Como sempre ousada, aceita mais um desafio: inovar o ensino de Estat&iacute;stica para os alunos do curso de licenciatura e, para tanto pede para ser lotada no Departamento de Estat&iacute;stica.</p>      <p align="center"><a name="fig8"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f7.jpg"></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais uma vez a sua capacidade profissional e de lideran&ccedil;a se tornam evidentes, e passa a desempenhar fun&ccedil;&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e como membro do Conselho Universit&aacute;rio passa atuar de forma incisiva na pol&iacute;tica universit&aacute;ria, em todos os n&iacute;veis, sempre no sentido de contribuir para a renova&ccedil;&atilde;o e aprimoramento dessa Institui&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>A UFRRJ em reconhecimento &agrave; sua dedica&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica em Matem&aacute;tica e em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica e, particularmente no IM, a Prof&ordf; Maria Laura &eacute; agraciada com o t&iacute;tulo de <i>Professor Em&eacute;rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro,</i> no dia 01 de julho de 1996.</p>      <p><b>O Projeto Fund&atilde;o e a Pesquisadora Maria Laura</b></p>      <p>O Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (SESU/MEC), no final do ano de 1982, publica o edital para novos projetos para o Programa de Integra&ccedil;&atilde;o da Universidade com o Ensino do 1&ordm; Grau, e um grupo de professores do IM/UFRJ, sob a coordena&ccedil;&atilde;o da Maria Laura, apresentou e teve aprovado o <i>Projeto de Forma&ccedil;&atilde;o Para Professores de 1&ordm;, 2&ordm; e 3&ordm; Graus.</i></p>      <p>No ano de 1983, as a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas nos Institutos de F&iacute;sica, Biologia, F&iacute;sica, Geoci&ecirc;ncias (Geografia), Qu&iacute;mica, unidas as da Matem&aacute;tica, implantam o <i>Projeto Fund&atilde;o- Desafio para a Universidade,</i> sob a coordena&ccedil;&atilde;o da Profa Maria Laura. O Projeto Fund&atilde;o passou a integrar o Sub-Programa de Educa&ccedil;&atilde;o para Ci&ecirc;ncia (SPEC), do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (PADCT) e gerenciado pela CAPES.</p>      <p>No Projeto h&aacute; de fato aspectos inovadores, a saber:</p>  <ul>     <li>ser um s&oacute; projeto integrando dois Centros - CCMN e CCS - e cinco Institutos da UFRJ, em uma Universidade, que no momento se encontrava bastante fragmentada em Unidades e Centros.</li>      <li>ter como um de seus princ&iacute;pios, o da participa&ccedil;&atilde;o dos professores da Universidade, professores da escola b&aacute;sica e graduandos da Universidade como correspons&aacute;veis por todas as a&ccedil;&otilde;es. Trata-se de trabalho realizado <i>por</i> professores <i>para</i> professores.</li>      <li>representar o in&iacute;cio da abertura da UFRJ como espa&ccedil;o de desenvolvimento profissional de professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.</li>     </ul>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A prof&ordf; Maria Laura, como coordenadora do Projeto Fund&atilde;o, passou a participar do Grupo de Trabalho do SPEC, e assumindo a coordenadoria a n&iacute;vel nacional. O SPEC, no ano de 1990, cria a Rede Rio de Janeiro, englobando os cinco projetos ligados ao Programa: GEPEM; PUC-Rio; Projeto Fund&atilde;o; CECIERJ; Espa&ccedil;o Ci&ecirc;ncia Viva, que por nossa sorte tamb&eacute;m foi coordenada pela Maria Laura, at&eacute; a extin&ccedil;&atilde;o do Programa em 1993. A falta de apoio financeiro n&atilde;o diminuiu o entusiasmo da Maria Laura e o Projeto Fund&atilde;o continuou a atuar com os setores Biologia, F&iacute;sica e Matem&aacute;tica sob a sua coordena&ccedil;&atilde;o geral.</p>      <p>Atuando h&aacute; 30 anos no IM/ UFRJ o <i>Setor Matem&aacute;tica do Projeto Fund&atilde;o (PF-Mat)</i> teve na coordena&ccedil;&atilde;o as professoras Maria Laura, Lilian Nasser e Lucia Tinoco, Por&eacute;m, no per&iacute;odo de 1996 at&eacute; 2013, a coordena&ccedil;&atilde;o ficou sob a &eacute;gide da professora Maria Laura e com grande reconhecimento dos professores do Brasil e do exterior.</p>      <p>Mais uma vez a hist&oacute;ria se repete. Com base nos princ&iacute;pios pedag&oacute;gicos do PF-Mat, a professora Maria Laura, unida a um grupo de professores, cria o <i>Curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em Ensinode Matem&aacute;tica,</i> no IM/UFRJ, em n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o <i>lato-sensu,</i> no ano de 1992. A partir dessa iniciativa o IM passou a desenvolver a&ccedil;&otilde;es voltadas para a forma&ccedil;&atilde;o de professores, fato que contribuiu incisivamente para a cria&ccedil;&atilde;o do <i>Mestrado Profissional em Ensino de Matem&aacute;tica</i>, no ano de 2006, e no elenco do corpo docente constava a professora Maria Laura, e ainda as professoras L&iacute;lian Nasser, Claudia Segadas, do PFMat.</p>      <p>Como a equipe do PF-Mat participa ativamente do movimento da melhoria do ensino e aprendizagem da Matem&aacute;tica no Brasil, a Prof&ordf; Maria Laura atua veemente do processo de cria&ccedil;&atilde;o e funda&ccedil;&atilde;o da <i>Sociedade Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica</i> (SBEM), que ocorreu no dia 27 de janeiro de 1988, no <i>II Encontro Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica</i> (ENEM), realizado na Universidade de Maring&aacute;, no Estado do Paran&aacute;. E no mesmo ano, em setembro, funda Regional Rio da SBEM, a SBEM/RJ.</p>      <p>No que diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica, a Profa Maria Laura possui uma vasta obra. Para os Boletins do GEPEM, escreveu 19 artigos sobre o ensino, a aprendizagem e a evolu&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica, e Matem&aacute;tica, no Brasil e no mundo.</p>      <p>Pelo Projeto Fund&atilde;o, al&eacute;m de ser a coordenadora geral, orientou permanentemente o <i>Subgrupo Forma&ccedil;&atilde;o de Professores</i>, com participa&ccedil;&atilde;o de professores do IM, professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, denominados multiplicadores, estudantes do Curso de Licenciatura em Matem&aacute;tica do IM e, tendo a participa&ccedil;&atilde;o especial da Prof&ordf; Moema S&aacute; Carvalho. Durante este per&iacute;odo publicou quatro livros, pela Editora IM/UFRJ, que divulga a produ&ccedil;&atilde;o desse subgrupo:</p>  <ul>     <li><i>Tratamento da Informa&ccedil;&atilde;o: explorando dados estat&iacute;sticos e no&ccedil;&otilde;es de probabilidade</i>, em 1997.</li>      <li><i>Tratamento da Informa&ccedil;&atilde;o: atividades para o ensino b&aacute;sico</i>, em 2002.</li>      <li><i>Hist&oacute;rias para Introduzir No&ccedil;&otilde;es de Combinat&oacute;ria e Probabilidade</i>, em 2004.</li>      <li><i>Grafos: jogos e desafios,</i> em 2010.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>      <p>Ainda, pela mesma editora e pelo PF-Mat, em parceria com a prof&ordf; L&iacute;lian Nasser, publicam o livro <i>&ldquo;Geometria: na era da imagem e do movimento&rdquo;</i><b>,</b> em 1996, pela Editora da UFRJ.</p>      <p>Desde o ano de 1988, participando do PF-Mat no mesmo subgrupo, e sob a coordena&ccedil;&atilde;o da prof&ordf; Maria Laura participei da pesquisa para INEP, contrato n&ordm; 21/89, com o t&iacute;tulo de <i>&ldquo;Forma&ccedil;&atilde;o de Formadores de Professores&rdquo;</i>, cujo objetivo era detectar as defici&ecirc;ncias do Curso de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores (antigo Curso Normal).</p>      <p>As publica&ccedil;&otilde;es desta not&aacute;vel professora n&atilde;o se abreviam ao Projeto Fund&atilde;o. No ano de 1962, pela Editora do Instituto de Matem&aacute;tica da Universidade Nacional Del Sur, em Bahia Blanca, Argentina, &eacute; publicado o seu livro <i>Conceitos Fundamentais da Geometria</i>, parte de uma colet&acirc;nea denominada &ldquo;S&eacute;rie de Monografias de Matem&aacute;tica&rdquo;, coordenada pelo Prof. Monteiro, seu orientador na tese de Livre Doc&ecirc;ncia.</p>      <p>Pela revista, da Sociedade Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica (SBEM), denominada &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica Em Revista&rdquo; publica o artigo <i>Fra&ccedil;&otilde;es - dos resultados de pesquisa &agrave; pr&aacute;tica em sala de aula</i>, Ano I - n&ordm; 2 - 1994, pp 13 - 18, com a colabora&ccedil;&atilde;o da Prof&ordf; Lucia Tinoco - IM/ UFRJ. Na mesma Revista, Ano 7 - n&ordm; 8 - junho 2000, p. 5 - 9, &eacute; publicada a entrevista concedida &agrave; Prof&ordf; C&eacute;lia Carolino Pires (PUC/SP), na &eacute;poca Presidente da SBEM Nacional.</p>      <p>Dando continuidade em suas publica&ccedil;&otilde;es, na &ldquo;Revista do Professor de Matem&aacute;tica&rdquo;, da Sociedade Brasileira de Matem&aacute;tica (SBM), na n&ordm; 5, 2&ordm; semestre de 1984, p. 28 - 31 publica o artigo <i>Hebert Fremont: o ensino da Matem&aacute;tica atrav&eacute;s de suas aplica&ccedil;&otilde;es</i>.</p>      <p>Em toda a sua vida acad&ecirc;mica orientou diversos trabalhos cient&iacute;ficos, inclusive minha disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado e, em seguida, foi meu objeto de estudo no meu trabalho de tese de doutorado. Participou de v&aacute;rias bancas de defesa de monografias (gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o), disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado e teses de doutorado, bem como de bancas de concurso para professor, em v&aacute;rias Institui&ccedil;&otilde;es do nosso pa&iacute;s. Em todos esses momentos sua t&ocirc;nica foi a de incentivar novos talentos, e nunca os abandonou, sempre procurava acompanhar cada um em sua trajet&oacute;ria profissional.</p>      <p><b>Um at&eacute; breve</b></p>      <p>Que dizer ao final destas singelas palavras? Quinze dias antes da sua passagem para o oriente eterno, esta nobre Professora, Maria Laura, coordenava, no Projeto Fund&atilde;o, seu mais novo trabalho, <i>Hist&oacute;ria da Geometria N&atilde;o Euclidiana para Sala de Aula</i>.</p>      <p>Uma profiss&atilde;o s&oacute; adquire vida quando n&oacute;s lhe emprestamos plenamente nossa vida, por toda a vida. &Eacute; o que fez a Professora Maria Laura durante seus 94 anos de vida e 73 de magist&eacute;rio, quando no dia 20 de junho de 2010 passa a nos orientar da mais alta posi&ccedil;&atilde;o que o Grande Arquiteto do Universo nos permite. Temos a certeza de que a <i>Professora Em&eacute;rita Maria Laura Mouzinho Leite Lopes</i>, de forma efetiva como sempre fez, continuar&aacute; a entusiasmar professores. Que sua luz, adquirida durante todos esses anos de magist&eacute;rio, continue a irradiar coragem para lutarmos por uma educa&ccedil;&atilde;o justa e equitativa para a forma&ccedil;&atilde;o de pessoas cr&iacute;ticas e construtoras do seu pr&oacute;prio saber.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="fig9"></a><img src="img/revistas/recig/v13n15/v13n15a16f9.jpg"></p>      <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncia Bibliogr&aacute;fica</b></font></p>      <!-- ref --><p>Pereira, P. C. (2010). A Educadora Maria Laura: contribui&ccedil;&otilde;es para a constitui&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica no Brasil. Tese apresentada a Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, para obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de Doutor em Educa&ccedil;&atilde;o Matem&aacute;tica, sob a orienta&ccedil;&atilde;o do Prof. Dr. Saddo Ag Almouloud. S&atilde;o Paulo: Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1900-6586201500010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. C]]></given-names>
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<source><![CDATA[A Educadora Maria Laura: contribuições para a constituição da Educação Matemática no Brasil]]></source>
<year>2010</year>
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