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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[CABO VERDE: DE UM "ESTADO INVIÁVEL" AO PRAGMATISMO NA POLÍTICA EXTERNA]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article seeks to understand, in a synchronous way, the fundamental lines of Cape Verde foreign policy and its reflexes in international relations, from the period of independence to the present day. The central perspective is that independence in 1975 represented to the State of Cape Verde a new era, although the idea of an unviable State had been announced. The strategy to overcome this situation involved an active bet on international relations, particularly in a pragmatic foreign policy that fitted within a framework of agreement and interaction with other States. We seek, through an interdisciplinary and interpretative approach, to analyse social-international phenomena that are configured in Cape Verdean foreign policy, knowing that they are connected both in the field of history and sociology and in the field of political science and international relations. We propose new challenges for Cape Verdean foreign policy, in an international context convulsed with financial crisis, a bet for a greater regional integration on the African continent, taking advantage, in a strategic way, of the continent as a new frontier of development.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>ART&Iacute;CULO DE INVESTIGACI&Oacute;N </b>    <br>  DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.18359/ries.1369"target="_blank">http://dx.doi.org/10.18359/ries.1369</a></font></p>	      <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>CABO VERDE: DE UM "ESTADO INVI&Aacute;VEL" AO PRAGMATISMO NA POL&Iacute;TICA EXTERNA<sup>*</sup></b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>CAPE VERDE: FROM AND "UNVIABLE STATE" TO THE PRAGMATISM IN FOREIGN POLICY</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>CABO VERDE: DE UN "ESTADO INVIABLE" AL PRAGMATISMO EN LA POL&Iacute;TICA EXTERIOR</b></font></p> <font size="2" face="verdana">    <p align="center"><b>Jo&atilde;o Paulo Madeira<sup>**</sup></b></center></p>     <p><b><sup>*</sup></b>Artigo constru&iacute;do sob o projeto de pesquisa: "Na&ccedil;&atilde;o e identidade: A singularidade de Cabo Verde", no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Universidade de Lisboa.    <br> <sup><b>**</b></sup> Candidato ao Doutorado em Ci&ecirc;ncias Sociais, especialidade de Hist&oacute;ria dos Fatos Sociais, no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Universidade de Lisboa. Docente, Universidade Cabo Verde e pesquisador do Centro da Administra&ccedil;&atilde;o e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas, no laborat&oacute;rio de Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade Cabo Verde. Endere&ccedil;o electr&oacute;nico: <a href="mailto:joao.madeira@docente.unicv.edu.cv"/a>joao.madeira@docente.unicv.edu.cv</a>.</p>     <p><b>Referencia:</b> Madeira, J. (2016). Cabo Verde: De um "Estado invi&aacute;vel" ao pragmatismo na pol&iacute;tica externa. <i>Revista de Relaciones Internacionales, Estrategia y Seguridad</i>. 11(1), pp. 85-101. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.18359/ries.1368"target="_blank">http://dx.doi.org/10.18359/ries.1368</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recibido: 13 de agosto de 2015    <br> Evaluado: 25 de septiembre de 2015    <br> Aceptado: 17 de noviembre de 2015</p> <hr>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>	 O artigo procura compreender de forma sincr&oacute;nica as linhas fundamentais da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde e seus reflexos nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, abarcando o per&iacute;odo, desde a independ&ecirc;ncia &agrave; actualidade. A perspectiva central &eacute; a de que a independ&ecirc;ncia em 1975 representou uma nova era para o Estado de Cabo Verde, embora se tenha propalado a ideia de um Estado invi&aacute;vel. A estrat&eacute;gia para ultrapassar esta situa&ccedil;&atilde;o passava por uma aposta activa nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, nomeadamente numa pol&iacute;tica externa pragm&aacute;tica que se ajustasse num quadro de concerta&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o com outros Estados. Procuramos, atrav&eacute;s de uma abordagem interdisciplinar e interpretativa, analisar os fen&oacute;menos sociais-internacionais que se configuram na pol&iacute;tica externa cabo-verdiana, sabendo que estes se relacionam tanto no campo da hist&oacute;ria e da sociologia como no campo da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Prop&otilde;e-se novos desafios para a pol&iacute;tica externa cabo-verdiana, numa conjuntura internacional abalada pela crise financeira, uma aposta para uma maior integra&ccedil;&atilde;o regional no continente africano, aproveitando de forma estrat&eacute;gica o continente como nova fronteira de desenvolvimento.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Cabo Verde, Estado (In)vi&aacute;vel, Pol&iacute;tica Externa, Desenvolvimento</p> <hr>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>The article seeks to understand, in a synchronous way, the fundamental lines of Cape Verde foreign policy and its reflexes in international relations, from the period of independence to the present day. The central perspective is that independence in 1975 represented to the State of Cape Verde a new era, although the idea of an unviable State had been announced. The strategy to overcome this situation involved an active bet on international relations, particularly in a pragmatic foreign policy that fitted within a framework of agreement and interaction with other States. We seek, through an interdisciplinary and interpretative approach, to analyse social-international phenomena that are configured in Cape Verdean foreign policy, knowing that they are connected both in the field of history and sociology and in the field of political science and international relations. We propose new challenges for Cape Verdean foreign policy, in an international context convulsed with financial crisis, a bet for a greater regional integration on the African continent, taking advantage, in a strategic way, of the continent as a new frontier of development.</p>     <p><b>Keywords: </b>Cape Verde, (Un)viable State, Foreign Policy, Development.</p> <hr>     <p><b>RESUMEN</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> El art&iacute;culo busca entender de forma sincr&oacute;nica las l&iacute;neas fundamentales de la pol&iacute;tica exterior de Cabo Verde y sus reflejos en las relaciones internacionales, desde el per&iacute;odo de la independencia hasta la actualidad. La perspectiva central es que la independencia en 1975 represent&oacute; para el Estado de Cabo Verde una nueva era aunque se ten&iacute;a la idea de un Estado inviable. La estrategia para superar esta situaci&oacute;n ser&iacute;a a trav&eacute;s de una participaci&oacute;n activa en las relaciones internacionales, en particular una pol&iacute;tica exterior pragm&aacute;tica que encajaba dentro de un marco de consulta e interacci&oacute;n con otros Estados. Mediante un enfoque interdisciplinario e interpretativo, se busca analizar los fen&oacute;menos sociales-internacionales de la pol&iacute;tica exterior caboverdiana, sabiendo que ambos se encuentran relacionados tanto en el campo de la historia y la sociolog&iacute;a como en el campo de las ciencias pol&iacute;ticas y relaciones internacionales. Se proponen nuevos desaf&iacute;os para la pol&iacute;tica exterior de Cabo Verde, en una econom&iacute;a internacional sacudida por la crisis financiera, una apuesta por una mayor integraci&oacute;n regional en el continente africano, aprovechando estrat&eacute;gicamente el continente como una nueva frontera de desarrollo.</p>     <p><b>Palabras clave: </b>Cabo Verde, Estado (In)viable, Pol&iacute;tica Exterior, Desarrollo.</p> <hr>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></p>     <p>A partir de 1460 inicia-se a hist&oacute;ria de uma Na&ccedil;&atilde;o insular no meio do Atl&acirc;ntico M&eacute;dio entre &Aacute;frica, a Europa e o Continente Americano. Cabo Verde foi descoberto a partir de um processo de expans&atilde;o mar&iacute;tima protagonizado pelo antigo Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s e serviu, durante s&eacute;culos, como uma importante plataforma de com&eacute;rcio transatl&acirc;ntico. Povoado por diferentes contingentes populacionais oriundos de &Aacute;frica e da Europa, o arquip&eacute;lago conheceu, em diferentes momentos da sua hist&oacute;ria, realidades que est&atilde;o intrinsecamente relacionadas com diferentes factores, entre os quais se destacam a escassez de recursos naturais, com subsequentes per&iacute;odos de seca e fome. Esta condi&ccedil;&atilde;o conduziu &agrave; necessidade da emigra&ccedil;&atilde;o, tanto espont&acirc;nea como for&ccedil;ada e, por &uacute;ltimo, &agrave; inviabilidade da economia nacional.</p>     <p>Protagonizando a luta armada num projecto de unidade nacional com a Guin&eacute;-Bissau, Cabo Verde declara a independ&ecirc;ncia no dia 5 de Julho de 1975. Foi nesse per&iacute;odo que se permitiu a cria&ccedil;&atilde;o das bases fundamentais daquilo que viriam a constituir os valores morais, identit&aacute;rios, culturais e pol&iacute;ticos desta Na&ccedil;&atilde;o, embora num Estado em que as organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es internacionais como o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) chegaram a caracterizar como invi&aacute;vel. A ideia de uma postura paradigm&aacute;tica no &acirc;mbito dos pa&iacute;ses independentes em &Aacute;frica, que estrategicamente ultrapassou as suas limita&ccedil;&otilde;es, afirmando-se no contexto internacional, est&aacute; na base daquilo que pode caracterizar actualmente a pol&iacute;tica externa de Cabo Verde, sobretudo num momento em que se comemoram os quarenta anos da independ&ecirc;ncia nacional. Torna-se, portanto, imprescind&iacute;vel reflectir sobre esta problem&aacute;tica numa perspectiva em que a imagem que sobressai no panorama internacional &eacute; a de um Estado est&aacute;vel com reflexo nas suas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e socais.</p>     <p>V&aacute;rios investigadores t&ecirc;m prestado uma especial aten&ccedil;&atilde;o ao campo de estudo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais e da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde: Varela (2007); Pinto (2008; 2009); Costa &amp; Pinto (2014); Gra&ccedil;a (2014) e Tolentino (2015). Estes autores s&atilde;o un&acirc;nimes em considerar que desde a independ&ecirc;ncia, alguns elementos da pol&iacute;tica externa t&ecirc;m acompanhado os sucessivos Governos, a saber: (1) A posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica privilegiada no Atl&acirc;ntico M&eacute;dio; (2) A estabilidade pol&iacute;tica e a boa governa&ccedil;&atilde;o; (3) A perspectiva de seguran&ccedil;a territorial e o n&atilde;o-alinhamento em blocos ideol&oacute;gicos; (4) O estilo pol&iacute;tico do cultivo da paz social com reflexo tanto na pol&iacute;tica interna como na pol&iacute;tica externa; (5) A aposta numa diplomacia h&aacute;bil e de proximidade que se alicer&ccedil;a nos princ&iacute;pios da paz com o objectivo de contornar os constrangimentos socioecon&oacute;micos.</p>     <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o constitui uma mais-valia para o estudo das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Cabo Verde. Apesar de alguns investigadores versarem sobre este campo de an&aacute;lise, o certo &eacute; que se verifica uma necessidade em se aprofundar acerca da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana com o objectivo de se compreender um conjunto de aspectos pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos, sociais e culturais que moldam a forma de ser e de estar do cabo-verdiano. A originalidade deste artigo prende-se sobretudo com o facto de se verificar uma escassez de literatura na &aacute;rea das rela&ccedil;&otilde;es internacionais com realce para a pol&iacute;tica externa cabo-verdiana. Desta forma, o artigo poder&aacute; servir como suporte &agrave; reflex&atilde;o de futuras investiga&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea.</p>     <p>Como novos desafios, propomos analisar a pol&iacute;tica externa de Cabo Verde numa conjuntura actualmente abalada pela crise financeira internacional que, ali&aacute;s, tem afectado todos os pa&iacute;ses desta sub-regi&atilde;o. Apesar de Cabo Verde ter vindo a privilegiar a Parceria Especial com a Uni&atilde;o Europeia (EU), n&atilde;o deixou de promover uma maior integra&ccedil;&atilde;o regional em &Aacute;frica, j&aacute; que o continente tem vindo a crescer do ponto vista econ&oacute;mico de forma significativa, sobretudo a partir da segunda metade da d&eacute;cada de 2000. Esta mudan&ccedil;a de paradigma de desenvolvimento tem constitu&iacute;do uma das estrat&eacute;gias na aposta de penetra&ccedil;&atilde;o no mercado africano, de modo a criar novas parcerias estrat&eacute;gicas, com o objectivo de procurar o t&atilde;o almejado desenvolvimento sustent&aacute;vel e de proporcionar um maior Investimento Directo Estrangeiro (IDE).</p>     <p>Deste modo, o objectivo deste artigo &eacute; o de analisar de forma sistem&aacute;tica a evolu&ccedil;&atilde;o e a influ&ecirc;ncia das linhas fundamentais da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde e os seus reflexos na pol&iacute;tica internacional. Procuramos abarcar o per&iacute;odo desde a p&oacute;s-independ&ecirc;ncia at&eacute; &agrave; actualidade, tendo como pressuposto uma an&aacute;lise detalhada dos principais acontecimentos que marcaram o panorama pol&iacute;tico, nacional e internacional. Partindo do pressuposto central de que Cabo Verde, ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia se encontrava perante grandes desafios no que concerne ao desenvolvimento, por se tratar de um arquip&eacute;lago insular com escassos recursos naturais, com uma limita&ccedil;&atilde;o territorial, entre outros aspectos, necessitava de ultrapassar estas limita&ccedil;&otilde;es, e f&ecirc;-lo, apostando numa pol&iacute;tica externa que parte da premissa essencial de que as decis&otilde;es tomadas pelos dirigentes pol&iacute;ticos devem estar de acordo com a defini&ccedil;&atilde;o que se faz da situa&ccedil;&atilde;o real do pa&iacute;s. Apostou-se, portanto, numa pol&iacute;tica externa realizada de forma pragm&aacute;tica que cultivava a paz e a coes&atilde;o social, num contexto internacional conturbado pelos grandes fen&oacute;menos como a Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim. O arquip&eacute;lago soube estrategicamente apostar numa pol&iacute;tica externa com resultados positivos, o que, ali&aacute;s, impulsionou significativamente o desenvolvimento nacional.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o privilegia o m&eacute;todo qualitativo, recorrendo particularmente a uma abordagem interdisciplinar e interpretativa dos fen&oacute;menos internacionais, no sentido de se compreenderem os factores que se relacionam tanto no campo da hist&oacute;ria e da sociologia, como no campo da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. A rela&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde no contexto internacional constitui uma rela&ccedil;&atilde;o que assume um quadro concertado e interactivo entre os diversos actores soberanos e n&atilde;o soberanos. Busca-se, a partir deste ponto de vista, reflectir sobre as grandes linhas da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde, desde a sua funda&ccedil;&atilde;o enquanto Estado independente at&eacute; &agrave; actualidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>G&eacute;nese hist&oacute;rica de Cabo Verde</b></p>     <p> Cabo Verde situa-se aproximadamente a 500 km da costa ocidental africana, encontrandose numa posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica entre &Aacute;frica, Europa e Am&eacute;ricas. Caracteriza-se por ser um arquip&eacute;lago constitu&iacute;do por dez ilhas e v&aacute;rios ilh&eacute;us, dividido em dois grupos, o de Barlavento e o de Sotavento. Admite-se que o arquip&eacute;lago tenha sido encontrado pelos portugueses aquando das duas viagens realizadas de forma sucessiva entre 1460 e 1462, tendo isto ocorrido como resultado do processo da expans&atilde;o mar&iacute;tima portuguesa. Foram os portugueses que "trouxeram estas ilhas para o conhecimento do mundo: provavelmente em 1460, as 'ilhas orientais e meridionais'; em 1462, as restantes" (Brito, 1966, p. 28).</p>     <p> A Carta R&eacute;gia de 3 de Dezembro de 1460 atribui a Ant&oacute;nio da Noli e Diogo Gomes o estatuto especial de descobridores oficiais das primeiras ilhas de Cabo Verde. O arquip&eacute;lago, na altura da sua descoberta, encontrava-se inabitado pelo facto de n&atilde;o terem sido encontrados quaisquer vest&iacute;gios que, de alguma forma, comprovassem a presen&ccedil;a de outros povos antes da chegada dos portugueses (Lessa &amp; Ruffi&eacute;, 1960). Por este motivo, desencadeia-se o povoamento das ilhas onde, <i>a priori</i>, se pretendia que fosse adoptado o mesmo modelo de ocupa&ccedil;&atilde;o que entretanto se verificava nas ilhas dos A&ccedil;ores e da Madeira. Por&eacute;m, tal n&atilde;o se afigurou poss&iacute;vel porque o clima era seco e &aacute;rido e igualmente pelo facto de haver uma grande dist&acirc;ncia entre o arquip&eacute;lago de Cabo Verde e a Coroa portuguesa. Nesta sequ&ecirc;ncia, as circunst&acirc;ncias "vieram depois a impor os caminhos que tornaram as ilhas o principal entre os primeiros exemplos de povoamento multirracial" (Barata, 1966, p.925).</p>     <p>O povoamento de Cabo Verde p&ocirc;s em contacto duas culturas e povos diferentes, oriundos de &Aacute;frica e Europa. As ilhas de Santiago e Fogo foram as primeiras a serem povoadas e as restantes nas seguintes datas: Maio (1490), Brava (1545), Santo Ant&atilde;o (1548), no s&eacute;culo XVII Boa Vista (1620), S&atilde;o Nicolau (1623) e, por &uacute;ltimo, as ilhas de S&atilde;o Vicente (1795) e do Sal (1893). Santiago, por ter sido a primeira ilha a ser povoada, gra&ccedil;as &agrave; Carta R&eacute;gia de 12 de Junho de 1466 e &agrave; Carta de Declara&ccedil;&atilde;o e Limita&ccedil;&atilde;o dos Privil&eacute;gios de 1472, recebeu a primeira divis&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa do arquip&eacute;lago, tendo sido divididas em duas capitanias: a do sul, com sede na Ribeira Grande atribu&iacute;da a Ant&oacute;nio da Noli e a do norte, com sede na actual Cidade da Praia, atribu&iacute;da a Diogo Afonso.</p>     <p>No in&iacute;cio do s&eacute;culo XVII e meados do s&eacute;culo XVIII, o arquip&eacute;lago de Cabo Verde encontravase num intenso processo de estrutura&ccedil;&atilde;o social, econ&oacute;mica e administrativa. Diversos foram os sectores que foram dominados pelas elites coloniais que constitu&iacute;ram desde o in&iacute;cio do processo de povoamento at&eacute; &agrave; primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XVII, formas de dom&iacute;nio sob a &eacute;gide de elites locais ou "filhos da terra" que puderam afirmar-se a partir da segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XVII. Estas elites, tendo em conta o contexto da &eacute;poca, adoptaram um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica e administrativa que se baseava sobretudo no com&eacute;rcio de escravos e na explora&ccedil;&atilde;o agro-pecu&aacute;ria. Estes contribu&iacute;ram de forma decisiva para a estrutura&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica do arquip&eacute;lago. Na ilha de Santiago, por exemplo, viriam a "fixar-se homens cujo modo de vida consistia no com&eacute;rcio mar&iacute;timo e internacional" pois a ilha n&atilde;o era "mais que uma col&oacute;nia de mercadores europeus colocados estrategicamente numa ilha perif&eacute;rica do mundo europeu e pr&oacute;xima dos mercados africanos" (Silva, 1995, p. 24). O arquip&eacute;lago de Cabo Verde transformou-se num mercado transatl&acirc;ntico eficiente e bastante vantajoso, isto porque o espa&ccedil;o geogr&aacute;fico assim o permitia (Castro, 2001).</p>     <p>Esta din&acirc;mica permitiu, pela dimens&atilde;o territorial do arquip&eacute;lago e o dif&iacute;cil processo de povoamento, atrair um n&uacute;mero consider&aacute;vel de habitantes de outras localidades, embora em termos de r&aacute;cio populacional. As ilhas possu&iacute;am em finais do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cios do s&eacute;culo XIX, um n&uacute;mero insignificante de "brancos", tendo sido, na altura, previsto que, a m&eacute;dio prazo, houvesse uma diminui&ccedil;&atilde;o ainda maior deste grupo social. Os dados sobre o recenseamento em Cabo Verde entre os finais do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cios do s&eacute;culo XIX, apontam para 58.401 habitantes, divididos em quatro grupos: 1.752 brancos; 25.250 mulatos; 5.109 pretos escravos e 27.290 pretos forros (Chelmicki &amp; Varnhagen,1841).</p>     <p>Pela an&aacute;lise estat&iacute;stica, pode aferir-se que, a partir do s&eacute;culo XVII, se desencadeia o processo de afirma&ccedil;&atilde;o dos "filhos da terra" que contestam as posi&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;tico-administrativas em Cabo Verde. Tendo como pano de fundo para esta tend&ecirc;ncia, o desencadear de todo um processo que conduziu &agrave; independ&ecirc;ncia nacional, que tem como antecedentes as revoltas populares como as que ocorreram em 1822 na localidade de Engenhos, a de 1836 na cidade da Praia e a de 1841 na povoa&ccedil;&atilde;o de Achada Falc&atilde;o. Outros levantamentos populares tiveram lugar na ilha do Sal em 1847, na ilha de Santo Ant&atilde;o em 1886, na ilha de Santiago, nomeadamente na zona de Ribeir&atilde;o Manuel em 1910 e na localidade de Achada Portal, Tarrafal de Santiago em 1920 e, por &uacute;ltimo, na ilha de S&atilde;o Vicente em 1929 e 1934.</p>     <p> A independ&ecirc;ncia nacional inseriu-se num processo de luta contra as formas de domina&ccedil;&atilde;o por parte do antigo Imperio Portugu&ecirc;s. A ideia de unidade africana que se concretiza a partir do projecto de unidade Guin&eacute;-Cabo Verde representava o ideal de uma luta armada contra a coloniza&ccedil;&atilde;o. Cabo Verde, assim como outras antigas col&oacute;nias portuguesas em &Aacute;frica, adquire a independ&ecirc;ncia na d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo passado. Este facto simboliza uma nova era de conquistas, sobretudo de grandes desafios perante a realidade que inclu&iacute;a o arquip&eacute;lago de Cabo Verde. O desenvolvimento revelou-se como uma tarefa quase imposs&iacute;vel ante um Estado caracterizado como invi&aacute;vel pelas inst&acirc;ncias internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. Por&eacute;m, este pa&iacute;s conseguiu, de forma estrat&eacute;gica, com os recursos dispon&iacute;veis -assentes no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre Estados e numa pol&iacute;tica externa eficiente e eficaz- ultrapassar diversos obst&aacute;culos, orgulhando-se, nos dias de hoje, em ser um Pa&iacute;s de Rendimento M&eacute;dio (PRM) que tem pela frente outros grandes desafios no que diz respeito ao seu desenvolvimento.</p>     <p><b> Matriz da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana: da independ&ecirc;ncia &agrave; segunda rep&uacute;blica </b></p>     <p>Ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, diversos desafios se impunham ao Estado de Cabo Verde, nomeadamente porque se tratava de um pa&iacute;s com parcos recursos naturais, baixo rendimento per capita e uma certa limita&ccedil;&atilde;o territorial. O Governo encontrava-se perante duas tarefas consideradas vitais para a afirma&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde. Primeiro lutar com todas as for&ccedil;as e em todas as frentes com o objectivo de evitar que a popula&ccedil;&atilde;o morresse de fome, e, segundo, tentar convencer a popula&ccedil;&atilde;o de que a independ&ecirc;ncia era vi&aacute;vel (Lopes, 2002).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Perante esta realidade, sabendo que a pol&iacute;tica externa parte do pressuposto essencial de que as decis&otilde;es tomadas pelos dirigentes pol&iacute;ticos devem estar de acordo com a defini&ccedil;&atilde;o que se faz acerca da real situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, Cabo Verde definiu &aacute;reas priorit&aacute;rias de interven&ccedil;&atilde;o e apostou fortemente na pol&iacute;tica externa. Esta aposta traduzia-se essencialmente numa estrat&eacute;gia de desenvolvimento que visava intensificar a ajuda externa para os Pa&iacute;ses Menos Avan&ccedil;ados (PMA), precedendo de forma atempada e cautelosa as opera&ccedil;&otilde;es de financiamento. De facto, o Estado cabo-verdiano investiu no refor&ccedil;o de uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses desenvolvidos, com o objectivo de conciliar as ajudas externas, privilegiando, desse modo, as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas receptivas (Silva, 2001).</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel identificar dois grandes per&iacute;odos de pol&iacute;tica externa cabo-verdiana: o primeiro ocorreu entre 1975 a 1990, num regime de partido &uacute;nico que assentava na unidade pol&iacute;tica e constitucional entre Cabo Verde e Guin&eacute;-Bissau. O segundo vai de 1991 at&eacute; &agrave; actualidade e &eacute; marcado pela passagem de um regime monopartid&aacute;rio para um regime multipartid&aacute;rio (&Eacute;vora, 2004). Verificam-se algumas rupturas em determinadas &aacute;reas como nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e, ao mesmo tempo, formas de continuidade, nomeadamente nas rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-diplom&aacute;ticas.</p>     <p><b>Posicionamento face &agrave; ordem internacional entre 1975 e 1990 </b></p>     <p>Entre 1975 e 1990, a pol&iacute;tica externa de Cabo Verde desenrolou-se num contexto internacional conturbado marcado, sobretudo pela Guerra Fria e pela queda do Murro de Berlim que influenciaram toda a d&eacute;cada de 70 e 80 do s&eacute;culo passado. Perante este cen&aacute;rio, o Estado tinha que actuar de forma cautelosa, de modo a obter a confian&ccedil;a dos parceiros internacionais que pudessem garantir efectivamente os apoios essenciais para fazer face as car&ecirc;ncias existentes no arquip&eacute;lago.</p>     <p> Neste primeiro per&iacute;odo, destacam-se duas fases importantes da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana, a primeira das quais de 1975 a 1980 em que a pol&iacute;tica estava, de certo modo, direccionada para &Aacute;frica, com ades&atilde;o &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o da Unidade Africana (OUA), actual Uni&atilde;o Africana (UA), partilhando dos mesmos objectivos com a Guin&eacute;-Bissau. Importa real&ccedil;ar que a assinatura, em 1978, do acordo da Conven&ccedil;&atilde;o de Lom&eacute; marca o in&iacute;cio da rela&ccedil;&atilde;o entre Cabo Verde e a UE (Monteiro, 2001). O acordo direccionado para os pa&iacute;ses da &Aacute;frica, Cara&iacute;bas e Pac&iacute;fico (ACP) orientava-se para o apoio a Programas Indicativos Nacionais (PIN) e a Programas Indicativos Regionais (PIR), tendo como pressuposto a ideia de que a sustentabilidade do desenvolvimento dos pa&iacute;ses &eacute; a de que adquiram a capacidade de participar no sistema econ&oacute;mico internacional e, de igual modo, que saibam "utilizar os recursos dispon&iacute;veis de forma a maximizar o seu potencial de interven&ccedil;&atilde;o e o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es e que sejam tomadas medidas no sentido da valoriza&ccedil;&atilde;o crescente dos seus recursos" (Cardoso, 2002: 142). Cabo Verde estabeleceu no programa do Governo de 1975-1980, os princ&iacute;pios de relacionamento com o exterior tais como: o respeito pelas normas do Direito Internacional; o princ&iacute;pio da soberania e a n&atilde;o-inger&ecirc;ncia nos assuntos internos.</p>     <p>A segunda fase decorre de 1980 a 1990 e &eacute; marcada pela ruptura do projecto de unidade Guin&eacute;-Cabo Verde, como consequ&ecirc;ncia do golpe de Estado a 14 de Novembro de 1980 que ocorreu na Guin&eacute;-Bissau. Houve diverg&ecirc;ncias de v&aacute;ria ordem, sobretudo no seio do partido, e que acabaram por desmantelar a unidade pol&iacute;tica de ambos os pa&iacute;ses (N&oacute;brega, 2003), causando a mudan&ccedil;a da sigla PAIGC para PAICV. As preocupa&ccedil;&otilde;es sobre a viabilidade da economia nacional, a car&ecirc;ncia a n&iacute;vel de infra-estruturas e de capital humano, levaram os dirigentes pol&iacute;ticos a tra&ccedil;arem, como objectivos centrais de Cabo Verde, o desenvolvimento e a consolida&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa, atrav&eacute;s da maximiza&ccedil;&atilde;o das ajudas externas com a preserva&ccedil;&atilde;o de boas rela&ccedil;&otilde;es com pa&iacute;ses doadores como era o caso da Holanda, Portugal, Fran&ccedil;a, Espanha, Estados Unidos da Am&eacute;rica, Cuba, &Aacute;frica do Sul, URSS, Reino Unido, B&eacute;lgica, &Aacute;ustria, It&aacute;lia, Su&eacute;cia, e Rep&uacute;blica Federal Alem&atilde;. Estes foram alguns dos pa&iacute;ses com os quais Cabo Verde estabeleceu rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas pr&oacute;ximas.</p>     <p> Neste quadro, h&aacute; que ressaltar dois acontecimentos que marcaram o panorama pol&iacute;tico internacional e que trouxeram um grande impacto para pa&iacute;ses como Cabo Verde. Referimo-nos &agrave; Guerra Fria e &agrave; queda do Muro de Berlim. Os antecedentes das lutas pela independ&ecirc;ncia foram igualmente marcados pelas disputas de influ&ecirc;ncia em &Aacute;frica entre o sistema capitalista dominado pelos Estados Unidos da Am&eacute;rica e o sistema comunista controlado pelas antigas Rep&uacute;blicas Socialistas Sovi&eacute;ticas. Os interesses destas superpot&ecirc;ncias geraram entre pa&iacute;ses de &Aacute;frica e da Am&eacute;rica Latina diversos conflitos regionais, pelo facto de se terem alinhado ora num bloco ora noutro, onde cada um apoiava os seus respectivos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o (Aron, 1962).</p>     <p> Cabo Verde viu-se inevitavelmente envolvido neste problema, embora a sua principal preocupa&ccedil;&atilde;o tenha sido a viabiliza&ccedil;&atilde;o do Estado no cen&aacute;rio pol&iacute;tico internacional, atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses na base do respeito m&uacute;tuo. Para ultrapassar este problema, Cabo Verde aderiu estrategicamente ao movimento dos Pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados, que implicava tanto a n&atilde;o inser&ccedil;&atilde;o no "campo militar atlantista liderado pelos Estados Unidos da Am&eacute;rica (NATO), como a recusa da protec&ccedil;&atilde;o do seu advers&aacute;rio: A URSS (Pacto de Vars&oacute;via)" (Gra&ccedil;a, 2014: 271). Cabo Verde apresentou garantias aos pa&iacute;ses, como por exemplo, atrav&eacute;s da n&atilde;o permiss&atilde;o de instala&ccedil;&atilde;o de bases militares, quer por parte do bloco capitalista, quer do bloco socialista. Esta op&ccedil;&atilde;o permitiu que o arquip&eacute;lago fosse perspectivado com o estatuto de um Estado aut&oacute;nomo e independente, gozando do respeito no cen&aacute;rio internacional. Era mais do que uma posi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-alinhamento, pois a quest&atilde;o central era a de saber agir no quadro de uma posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica, sem se vincular a nenhum dos blocos, procurando obter o m&aacute;ximo proveito das suas decis&otilde;es. Deste modo, Cabo Verde pretendeu focalizar-se no seu desenvolvimento, tendo defendido o seu posicionamento na esfera pol&iacute;tica internacional que levava &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de pequenos Estados.</p>     <p>Diferente da maioria dos pa&iacute;ses africanos, Cabo Verde optou por uma relativa independ&ecirc;ncia ideol&oacute;gica, nomeadamente pelo n&atilde;o-alinhamento. A meta era a de assegurar a estabilidade do pa&iacute;s, criando uma forte coes&atilde;o social com o prop&oacute;sito de retirar os benef&iacute;cios da situa&ccedil;&atilde;o vigente, recebendo as boas gra&ccedil;as dos seus parceiros externos, na qual era necess&aacute;rio afirmar uma posi&ccedil;&atilde;o firme nas rela&ccedil;&otilde;es externas em que o conceito da paz e da seguran&ccedil;a fossem alicer&ccedil;ais (Varela, 2007). A "prova de fogo" para o arquip&eacute;lago prendia-se com o dossier &Aacute;frica do Sul que poderia incomodar, sobremaneira, a diplomacia cabo-verdiana, sobretudo no contexto africano. Este caso constituiu uma verdadeira prova diplom&aacute;tica para os dirigentes pol&iacute;ticos cabo-verdianos, uma vez que o arquip&eacute;lago recusou aderir &agrave;s san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas contra o regime do apartheid em 1986, pois exigia-se a Cabo Verde a n&atilde;o permiss&atilde;o de escala de avi&otilde;es da <i>South African Airways </i>no aeroporto internacional da ilha do Sal (Varela, 2007). Um dos motivos era a de que os voos renderiam anualmente a Cabo Verde uma quantia superior a 25,4 milh&otilde;es de d&oacute;lares, igual a 31% do PIB, avaliado altura pelo Banco Mundial em 80 milh&otilde;es de d&oacute;lares (Lopes, 2002). O Primeiro-Ministro na altura, Pedro Pires, fez saber, tanto a Pret&oacute;ria como a Washington que o PAIGC estava disposto a executar os seus objectivos e compromissos com a &Aacute;frica do Sul e que, do mesmo modo, era necess&aacute;rio respeitar os interesses estrat&eacute;gicos do ocidente (Gomes &amp; Moreira de S&aacute;, 2008).</p>     <p>Todo este percurso deu particular visibilidade a Cabo Verde no cen&aacute;rio pol&iacute;tico internacional, visto ser um pa&iacute;s que cultivava a paz e exercia influ&ecirc;ncia de forma directa e indirecta em muitos pa&iacute;ses africanos. Cabo Verde refor&ccedil;a as suas rela&ccedil;&otilde;es com Portugal, passando, na maioria das vezes, a desempenhar o papel de mediador de conflitos a n&iacute;vel regional, sobretudo na &Aacute;frica Austral, disponibilizando o seu territ&oacute;rio para encontros secretos na promo&ccedil;&atilde;o da paz entre Angola e a &Aacute;frica do Sul, por exemplo, por parte do movimento da South-West Africa People's Organization (SWAPO) - Organiza&ccedil;&atilde;o do Povo do Sudoeste Africano - que lan&ccedil;ou diversas opera&ccedil;&otilde;es de guerrilha para conseguir a independ&ecirc;ncia da Nam&iacute;bia. Gra&ccedil;as a estes encontros foi poss&iacute;vel estabelecer formas de di&aacute;logo com resultados satisfat&oacute;rios (Lopes, 2002). Al&eacute;m disso, em 1981, o Presidente da Rep&uacute;blica Aristides Pereira, foi convidado para ser o porta-voz do grupo africano na Confer&ecirc;ncia Mundial dos Vinte e Um Pa&iacute;ses Menos Avan&ccedil;ados (PMA), que teve lugar em Paris. Posteriormente foi nomeado para coordenar as ac&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas dos cinco Pa&iacute;ses Africanos de L&iacute;ngua Oficial Portuguesa (PALOP), sobretudo naquilo que se refere aos problemas com a &Aacute;frica Austral, o que permitiu o refor&ccedil;o da diplomacia cabo-verdiana no &acirc;mbito internacional (Cardoso, 1986).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aposta numa diplomacia forte, vinculada &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o de uma imagem pol&iacute;tica robusta no contexto da pol&iacute;tica externa, possibilitou que Cabo Verde, de certa forma, delineasse as suas rela&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m com a Uni&atilde;o Europeia a n&iacute;vel multilateral, por interm&eacute;dio de outras organiza&ccedil;&otilde;es como a Comunidade Econ&oacute;mica dos Estados da &Aacute;frica Ocidental (CEDEAO). Cabo Verde procurou igualmente estabelecer acordos no &acirc;mbito dos pa&iacute;ses ACP, a n&iacute;vel bilateral com a UE e igualmente entre Cabo Verde e outros pa&iacute;ses da UE. O "fio condutor" da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde foi o de conseguir, de forma estrat&eacute;gica, adquirir meios que pudessem auxiliar o pa&iacute;s no seu desenvolvimento, com o prop&oacute;sito de construir a imagem de um pa&iacute;s vi&aacute;vel e economicamente sustent&aacute;vel que, de alguma forma, contribu&iacute;sse para orientar a pol&iacute;tica externa durante o per&iacute;odo da abertura pol&iacute;tica que ocorreu com o advento da Segunda Rep&uacute;blica (1991).</p>     <p><b>O fim da guerra fria e o advento da Segunda Rep&uacute;blica (1991)</b></p>     <p> Com o fim da Guerra Fria e a vit&oacute;ria do bloco capitalista, verificou-se uma aproxima&ccedil;&atilde;o assumida no mundo ocidental globalizado que deixou marcas vis&iacute;veis na pol&iacute;tica externa cabo-verdiana. Este segundo per&iacute;odo da pol&iacute;tica externa desencadeou-se com a unipolaridade do mundo em que os EUA se assumiram como a &uacute;nica superpot&ecirc;ncia no plano internacional.</p>     <p>O t&eacute;rmino da Guerra Fria e a consequente queda do Muro de Berlim em 1989 desencadeou o processo da abertura pol&iacute;tica em Cabo Verde. Tomando consci&ecirc;ncia da insustentabilidade do regime, os dirigentes do PAICV anunciaram a abertura pol&iacute;tica para o multipartidarismo, com a revoga&ccedil;&atilde;o do artigo 4&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o, que consagrava o PAICV como a &uacute;nica for&ccedil;a dirigente da sociedade civil e do Estado (Koudawo, 2001). Al&eacute;m da press&atilde;o externa, outros factores internos for&ccedil;aram o ajustamento do regime pol&iacute;tico cabo-verdiano, tais como: a oposi&ccedil;&atilde;o crescente da Igreja Cat&oacute;lica, as diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es sociais, a ruptura no seio do PAICV com a afirma&ccedil;&atilde;o da ala dos trotskistas e a excessiva burocratiza&ccedil;&atilde;o do Estado.</p>     <p> Aliado a isto, conjugam-se certos factores externos e internos que pressionaram os dirigentes pol&iacute;ticos do PAICV a iniciarem a abertura pol&iacute;tica, que, al&eacute;m de revogarem o artigo 4&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o, procederam em Fevereiro de 1990, no Conselho Nacional do Partido, &agrave; abertura, para que outros partidos pol&iacute;ticos pudessem organizar e disputar as diferentes elei&ccedil;&otilde;es em Cabo Verde (Lopes, 2002; &Eacute;vora, 2004; Pinto, 2008, 2009). A 13 de Janeiro de 1991, o partido de Movimento para a Democracia (MpD) vence as elei&ccedil;&otilde;es legislativas com uma maioria qualificada, o que representou uma efectiva consuma&ccedil;&atilde;o da abertura pol&iacute;tica em Cabo Verde.</p>     <p>Esta abertura pol&iacute;tica teve como consequ&ecirc;ncia a abertura econ&oacute;mica em que o Estado deixa de ser o centro da economia, e a dimens&atilde;o privada passa a ter outra visibilidade no contexto econ&oacute;mico cabo-verdiano. Verifica-se uma preocupa&ccedil;&atilde;o maior com a vincula&ccedil;&atilde;o da economia cabo-verdiana &agrave; economia mundial, onde o novo Governo aposta na continuidade de uma pol&iacute;tica externa da diplomacia econ&oacute;mica, mas tamb&eacute;m numa perspectiva de maturidade numa conjuntura internacional totalmente diferente. No programa do Governo de 1991 a 1996 constatam-se reajustes e altera&ccedil;&otilde;es no que se refere &agrave;s prioridades na pol&iacute;tica externa de Cabo Verde, pois verifica-se uma forte liberaliza&ccedil;&atilde;o no sector econ&oacute;mico e um enquadramento legal do investimento externo p&uacute;blico/privado.</p>     <p>Cabo Verde consolida a sua posi&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito internacional pelo facto de abra&ccedil;ar a terceira vaga da democratiza&ccedil;&atilde;o ocorrida em finais do s&eacute;culo XX, que aconteceu um pouco por toda a &Aacute;frica e Am&eacute;rica Latina (Huntington, 1994). Ganha-se confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es e nos parceiros internacionais que, cada vez mais, valorizam os regimes democr&aacute;ticos, alegando que estes estariam em condi&ccedil;&otilde;es de proverem unidades mais cred&iacute;veis e cooperativas, com maior propens&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o da paz. Estas mudan&ccedil;as d&atilde;o origem, de facto, a um novo ciclo na pol&iacute;tica externa de Cabo Verde, pois diversificam-se aqui formas de parceria numa inser&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica do arquip&eacute;lago no &acirc;mbito da economia mundial, no refor&ccedil;o de uma diplomacia econ&oacute;mica como novo ide&aacute;rio da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana (Costa e Pinto, 2014).</p>     <p>A diplomacia econ&oacute;mica assumiu contornos ambiciosos e efectiva-se pela vaga de privatiza&ccedil;&otilde;es, permitindo a inser&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde na economia mundial atrav&eacute;s da capta&ccedil;&atilde;o de investimentos privados para o arquip&eacute;lago. Esta onda de privatiza&ccedil;&otilde;es permitiu que Cabo Verde gozasse de v&aacute;rios apoios, nomeadamente a n&iacute;vel t&eacute;cnico e financeiro (Lima, 2001; Estev&atilde;o, 2011), num processo que se pautava pela melhoria de condi&ccedil;&otilde;es de vida dos caboverdianos e do pa&iacute;s em termos pol&iacute;ticos, com a aproxima&ccedil;&atilde;o ao ocidente e em termos de infra-estrutura&ccedil;&atilde;o (Silveira, 2005).</p>     <p>Cabo Verde continuou a desenvolver uma pol&iacute;tica externa de ajuda ao desenvolvimento, sobretudo na concess&atilde;o de donativos e empr&eacute;stimos, onde se verificou uma forte aposta na coopera&ccedil;&atilde;o, nomeadamente nas formas de parceria estrat&eacute;gica com pa&iacute;ses como a China e, desse modo, procedendo a formas de transi&ccedil;&atilde;o das suas rela&ccedil;&otilde;es externas. Esta parceria teve, de alguma forma, como base o interesse da China nas vantagens comparativas e competitivas da localiza&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica de Cabo Verde que, de facto, se encontra na encruzilhada do Atl&acirc;ntico entre a &Aacute;frica, a Europa e as Am&eacute;ricas (Costa &amp; Pinto, 2014).</p>     <p>O esfor&ccedil;o passou pela concep&ccedil;&atilde;o de uma imagem de um pa&iacute;s est&aacute;vel, de boa governa&ccedil;&atilde;o, que cultiva a estabilidade pol&iacute;tica, a paz e a promo&ccedil;&atilde;o dos valores democr&aacute;ticos, combatendo a corrup&ccedil;&atilde;o, protegendo e respeitando os direitos humanos. Por estes motivos, Cabo Verde foi, em 2004, contemplado com o programa do Governo norte-americano, <i>Millenium Challenge Account </i>(MCA-Cabo Verde), que se caracteriza por ser um programa destinado &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de projectos que contribuem para o crescimento econ&oacute;mico e redu&ccedil;&atilde;o da pobreza.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A imagem de boa governa&ccedil;&atilde;o permitiu a Cabo Verde celebrar em 2007 o acordo de Parceria Especial com a UE, que foi de extrema import&acirc;ncia para o seu desenvolvimento. A democracia cabo-verdiana &eacute; vista no contexto dos pa&iacute;ses africanos como uma das mais consolidadas, sendo o arquip&eacute;lago apontado como um bom exemplo de entre os pa&iacute;ses africanos. O objectivo da pol&iacute;tica externa de Cabo Verde &eacute; o de aproximar e ancorar em espa&ccedil;os est&aacute;veis, que s&atilde;o vi&aacute;veis e economicamente seguros.</p>     <p>Em 2008, Cabo Verde transitou da categoria de Pa&iacute;ses em Vias de Desenvolvimento (PVD) para o patamar de Pa&iacute;ses de Rendimento M&eacute;dio (PRM), o que colocou novos desafios ao pa&iacute;s a n&iacute;vel interno e, particularmente, a n&iacute;vel externo.</p>     <p><b>Novos desafios da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana num contexto de incertezas</b></p>     <p> Cabo Verde, como outros pequenos Estados insulares, concebe na pol&iacute;tica externa um recurso para o desenvolvimento do seu pa&iacute;s que actualmente enfrenta grandes desafios, num contexto internacional abalado pela crise financeira que afectou de forma particular a UE, um dos principais parceiros do arquip&eacute;lago. A situa&ccedil;&atilde;o agrava-se quando o pa&iacute;s se encontra perante outros constrangimentos estruturais, como &eacute; o caso da redu&ccedil;&atilde;o consubstancial da Ajuda P&uacute;blica para o Desenvolvimento (APD), e perda de privil&eacute;gios no que diz respeito aos empr&eacute;stimos concessionais. Todos estes desafios t&ecirc;m incitado os dirigentes pol&iacute;ticos a repensar a pol&iacute;tica externa, na tentativa de criar novos modelos que apontam para a auto-sustentabilidade do pa&iacute;s, embora a diplomacia cabo-verdiana tenha dado sinais da capacidade de interpreta&ccedil;&atilde;o e de respostas aos problemas internacionais que, ao longo do tempo, se consubstanciam na promo&ccedil;&atilde;o de diversas parcerias estrat&eacute;gicas para o desenvolvimento (Costa &amp; Pinto, 2014).</p>     <p>Esta estrat&eacute;gia passa tamb&eacute;m por uma aposta em sectores astuciosos que permitem a m&eacute;dio e longo prazo a sustentabilidade da economia cabo-verdiana no que se refere ao redimensionamento da pol&iacute;tica externa. Os programas do Governo de 2006-2011 e de 2011-2016 definem tr&ecirc;s eixos fundamentais da pol&iacute;tica externa cabo-verdiana, a saber: uma diplomacia ao servi&ccedil;o do desenvolvimento na era da globaliza&ccedil;&atilde;o; uma pol&iacute;tica externa de afirma&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde no mundo e, por &uacute;ltimo, a afirma&ccedil;&atilde;o das comunidades cabo-verdianas no exterior, na difus&atilde;o da ideia de uma Na&ccedil;&atilde;o global.</p>     <p>A ideia de Na&ccedil;&atilde;o global tem sido uma das refer&ecirc;ncias da pol&iacute;tica externa, na medida em que se verifica um especial cuidado para com as comunidades cabo-verdianas na di&aacute;spora, e que servem como v&iacute;nculo na integra&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde no plano internacional. A preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que as comunidades cabo-verdianas possam efectivamente afirmar-se nos pa&iacute;ses de acolhimento, no sentido contribuir no desenvolvimento do pa&iacute;s e na assun&ccedil;&atilde;o plena da condi&ccedil;&atilde;o de Na&ccedil;&atilde;o global. Al&eacute;m disso, estas comunidades continuam a contribuir para garantir a estabilidade macroecon&oacute;mica do arquip&eacute;lago, nomeadamente com as suas remessas que, de facto, constituem um dos pilares do Produto Interno Bruto (PIB) (Costa &amp; Pinto, 2014).</p>     <p>Os tr&ecirc;s eixos fundamentais da pol&iacute;tica externa chamam implicitamente a aten&ccedil;&atilde;o para o investimento e aposta em outros sectores estrat&eacute;gicos que possam servir de elo de liga&ccedil;&atilde;o entre Cabo Verde e o mundo globalizado, tais como: o turismo, a cultura e o cluster do mar. Estes sectores contribuem para prestar uma outra dimens&atilde;o &agrave; diplomacia econ&oacute;mica no sentido de se potencializar a internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos segmentos do mercado cabo-verdiano com a meta principal de atrair o Investimento Directo Estrageiro (IDE) e incrementar as exporta&ccedil;&otilde;es, particularmente dos servi&ccedil;os do turismo e de recursos marinhos. A estrat&eacute;gia passa por potencializar outros mercados internacionais, como seja o mercado africano e o das Regi&otilde;es Ultraperif&eacute;ricas (RUP), al&eacute;m de preservar o tradicional mercado da UE.</p>     <p>Uma maior integra&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde no mercado africano tem sido alvo de discuss&atilde;o entre acad&eacute;micos, investigadores e dirigentes pol&iacute;ticos, sobretudo numa altura em que &Aacute;frica &eacute; apontada como um dos continentes que, apesar da crise financeira internacional, tem crescido de forma significativa, a uma m&eacute;dia anual de 6%.</p>     <p> No IX F&oacute;rum Sobre o Desenvolvimento em &Aacute;frica, realizado entre 12 e 16 de Outubro de 2014 na cidade de Marraquexe, que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de investigadores, decisores pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios e membros de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais cabo-verdianas, constatou-se existir a preocupa&ccedil;&atilde;o em que Cabo Verde participasse mais nos assuntos africanos, incitando-o para uma maior integra&ccedil;&atilde;o regional. Carlos Lopes, Secret&aacute;rio Executivo da Comiss&atilde;o das Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para &Aacute;frica, considera que Cabo Verde deve reorientar a sua estrat&eacute;gia de desenvolvimento e, desta forma, aproximar-se melhor da sua &aacute;rea geogr&aacute;fica, isto &eacute;, do continente africano como uma prioridade para o desenvolvimento do pa&iacute;s. Jorge Tolentino, Ministro caboverdiano das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, real&ccedil;a a import&acirc;ncia de perspectivar o desenvolvimento africano, num quadro de recurso constante aos mecanismos fundamentais da integra&ccedil;&atilde;o regional, particularmente o da integra&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde (A Semana, 2014, outubro 14).</p>     <p>Corsino Tolentino trouxe para o debate a quest&atilde;o de se perspectivar uma maior integra&ccedil;&atilde;o de Cabo Verde na CEDEAO. O diplomata e investigador cabo-verdiano considera que Cabo Verde &eacute; parte da geopol&iacute;tica africana e, neste sentido, o pa&iacute;s dever&aacute; assumir a sua voca&ccedil;&atilde;o inter-regional e aproveitar de forma mais eficaz a sua rela&ccedil;&atilde;o com a CEDEAO, o que n&atilde;o significa "abrir m&atilde;o" de outras parcerias estrat&eacute;gicas para o arquip&eacute;lago (A VOZ, 2015, julho 3). Todo este debate visa consubstanciar a pol&iacute;tica externa cabo-verdiana num discurso que aponta para o papel do pa&iacute;s no cen&aacute;rio internacional. Os desafios actualmente s&atilde;o outros, pois, mais do que uma estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia, o pa&iacute;s deve estar consciente de que n&atilde;o pode contar exclusivamente com a solidariedade externa no que se refere ao seu desenvolvimento. A estrat&eacute;gia central passa tamb&eacute;m pela necessidade de o pa&iacute;s se ancorar a outras regi&otilde;es de desenvolvimento, com o compromisso de fazer face aos desafios conjunturais num mundo cada vez mais globalizado, provando que preenche os requisitos necess&aacute;rios de forma a n&atilde;o perder a sua credibilidade internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais e recomenda&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p> O Estado de Cabo Verde &eacute; relativamente recente, com apenas quarenta anos. A independ&ecirc;ncia ocorreu num per&iacute;odo de uma complexa conjuntura internacional que ocorreu durante as d&eacute;cadas de 60 e 70 do s&eacute;culo passado. Este trouxe grandes desafios para o arquip&eacute;lago, passando a ser referenciado como um dos marcos mais importantes da hist&oacute;ria das ilhas.</p>     <p>Era necess&aacute;rio ultrapassar as limita&ccedil;&otilde;es que se prendiam com a falta de recursos naturais, a insularidade e a exiguidade territorial, o fraco crescimento econ&oacute;mico e uma conjuntura internacional abalada por fen&oacute;menos contundentes. Isto passava estrategicamente pela adop&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica externa de notoriedade com o objectivo de procurar o t&atilde;o almejado desenvolvimento.</p>     <p>O n&atilde;o-alinhamento do arquip&eacute;lago ao bloco socialista, nem ao ocidente trouxe ganhos significativos, apesar de os dirigentes pol&iacute;ticos de ent&atilde;o estarem cientes do posicionamento do pa&iacute;s no contexto internacional. Desde muito cedo, Cabo Verde apostou numa pol&iacute;tica externa que cultivava a paz e a coes&atilde;o social, permitindo que o arquip&eacute;lago emergisse pouco a pouco gra&ccedil;as "a uma pol&iacute;tica interna s&eacute;ria e coerente e &agrave; pol&iacute;tica externa caracterizada pela firmeza dos seus princ&iacute;pios" (Cardoso, 1986, p. 12).</p>     <p> O advento da Segunda Rep&uacute;blica (1991-2001) marca a viragem na pol&iacute;tica externa caboverdiana, onde se aposta no refor&ccedil;o da diplomacia econ&oacute;mica e promo&ccedil;&atilde;o da economia nacional &agrave; escala mundial. O fim da Guerra Fria e a vit&oacute;ria do capitalismo viabilizou em Cabo Verde o processo de liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, onde o sector privado passa a desempenhar um papel extremamente importante para o desenvolvimento do pa&iacute;s e, de forma indirecta, para o processo da pol&iacute;tica externa, com a tentativa de desencadear o Investimento Directo Estrangeiro (IDE). Cabo Verde apostou sempre na valoriza&ccedil;&atilde;o da sua di&aacute;spora e das suas remessas que passaram a contribuir significativamente para o PIB cabo-verdiano. A ideia de uma Na&ccedil;&atilde;o global passou a orientar a pol&iacute;tica externa do pa&iacute;s, sendo este referenciado como um bom exemplo na democracia e na boa governa&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica, beneficiando dos v&aacute;rios apoios, e no financiamento e capta&ccedil;&atilde;o de recursos para projectos internacionais.</p>     <p>Por&eacute;m, diversos s&atilde;o os desafios que se imp&otilde;em ao arquip&eacute;lago, sobretudo numa conjuntura de crise financeira internacional. Chama-se a aten&ccedil;&atilde;o aos decisores pol&iacute;ticos para a necessidade de se refor&ccedil;ar a rela&ccedil;&atilde;o com o continente africano, nomeadamente no fortalecimento da integra&ccedil;&atilde;o regional. Apesar das conquistas, Cabo Verde precisa de refor&ccedil;ar mais a sua imagem de Estado est&aacute;vel e pac&iacute;fico, com o objectivo de atrair cada vez mais o IDE. Neste &acirc;mbito, Cabo Verde, como pa&iacute;s de rendimento m&eacute;dio, precisa de encontrar novas estrat&eacute;gias no que concerne ao desenvolvimento sustent&aacute;vel que passa necessariamente pelo refor&ccedil;o da sua pol&iacute;tica externa.</p>     <p>O Desenvolvimento sustent&aacute;vel que tanto se almeja passa igualmente pela diversifica&ccedil;&atilde;o dos parceiros num mundo cada vez mais globalizado, sendo necess&aacute;rio uma aposta estrat&eacute;gica bem delineada em sectores como o turismo, a cultura e os recursos marinhos. Para que possam apresentar uma outra dimens&atilde;o, a diplomacia econ&oacute;mica dever&aacute; centrar-se no sentido de potencializar a internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos segmentos do mercado cabo-verdiano como o mercado africano e o das Regi&otilde;es Ultraperif&eacute;ricas (RUP).</p>     <p>Desta forma, &eacute; de referir ainda que o campo de estudo de rela&ccedil;&otilde;es internacionais, com realce para a pol&iacute;tica externa cabo-verdiana, necessita de uma reflex&atilde;o no que se refere &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o e &agrave; pesquisa cient&iacute;fica. Seria aqui importante encorajar os demais investigadores a explorarem melhor outras perspectivas e potencialidades no que concerne &agrave; pol&iacute;tica externa cabo-verdiana e que, de alguma forma, poder&atilde;o redimensionar a sua pol&iacute;tica externa, evidentemente n&atilde;o excluindo os trabalhos desenvolvidos at&eacute; ent&atilde;o, mas, sobretudo, pelo refor&ccedil;o da sua pol&iacute;tica num contexto de grandes incertezas e de novos caminhos que se abrem para o desenvolvimento de pequenos Estados insulares como &eacute; o caso de Cabo Verde.</p>     <p>Por&eacute;m, alertamos para as dificuldades de se investigar em Cabo Verde, particularmente neste campo de estudo. A presente investiga&ccedil;&atilde;o encontrou, por exemplo, dificuldades quanto ao acesso a documentos cient&iacute;ficos. Face a esta escassez, procuramos aliar &agrave; literatura cient&iacute;fica um conjunto de pesquisas efectuadas por investigadores estrangeiros que se debru&ccedil;am sobre outras realidades. Al&eacute;m disso, cremos que seria pertinente confrontar uma base te&oacute;rica com um conjunto de entrevistas a especialistas da &aacute;rea, no sentido de compreender melhor acerca desta problem&aacute;tica. Tal n&atilde;o foi poss&iacute;vel devido a alguns constrangimentos estruturais, entre os quais o factor tempo, visto que a marca&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas constituiu um processo, que se encontra sujeito a v&aacute;rios imprevistos, nomeadamente a indisponibilidade por parte dos entrevistados e a sua respectiva dispers&atilde;o geogr&aacute;fica entre ilhas. Outro aspecto diz respeito ao facto de algumas das personalidades que pretend&iacute;amos entrevistar tendem a ocultar a identidade de forma a n&atilde;o se exporem publicamente.</p> <hr>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Aron, R. (1962). <i>Paix et guerre entre les nations</i>. Paris: Calmann-Levy.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S1909-3063201600010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Barata, O. (1966). <i>O povoamento de Cabo Verde, Guin&eacute; e S&atilde;o Tom&eacute;</i>. In Curso de Extens&atilde;o Universit&aacute;ria ano lectivo de 1965-1966. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;tica Ultramarina, 922-958.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1909-3063201600010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Brito, R. (1966). <i>Guin&eacute;, Cabo Verde e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe: Alguns aspectos da terra e dos homens.</i> Em. Curso de Extens&atilde;o Universit&aacute;ria Ano Lectivo de 1965-1966. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;tica Ultramarina, 21-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1909-3063201600010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Castro, G. (2001). <i>O Percurso Geogr&aacute;fico e Mission&aacute;rio de Baltasar Barreira em Cabo Verde, Guin&eacute;, Serra Leoa.</i> Lisboa: Sociedade Hist&oacute;rica da Independ&ecirc;ncia de Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1909-3063201600010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Cardoso, M. (2002). A coopera&ccedil;&atilde;o entre a Uni&atilde;o Europeia e Cabo Verde nos anos 90 - coopera&ccedil;&atilde;o bilateral e multilateral com a Ilha de Sto. Ant&atilde;o: A Import&acirc;ncia de Planos Integrados. <i>Cadernos de Estudos Africanos, 3</i>, 141-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1909-3063201600010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Cardoso, R. (1986). <i>Cabo Verde: Op&ccedil;&atilde;o para uma pol&iacute;tica de paz</i>. Praia: Instituto Cabo-Verdiano do Livro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1909-3063201600010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Carlos Lopes lan&ccedil;a o desafio da &Aacute;frica enquanto a "nova fronteira do Desenvolvimento". (2014, outubro 14). <i>Jornal A Semana.</i> <a href="http://asemana.sapo.cv/spip.php/pdf/local/spip.php?article103871&amp;ak=1"target="_blank">http://asemana.sapo.cv/spip.php/pdf/local/spip.php?article103871&amp;ak=1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1909-3063201600010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>8. Chelmicki, J. &amp; Varnhagen, F. (1841). <i>Geografia cabo-verdiana ou descri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica-Hist&oacute;rica da Prov&iacute;ncia das Ilhas de Cabo Verde</i>. Lisboa: Typographia de Luiz Correa da Cunha.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1909-3063201600010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Conselhos de Ministros. (1975). <i>Programa do governo para a I legislatura (1975-1980)</i>. Praia: Governo de Cabo Verde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1909-3063201600010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Conselhos de Ministros. (1991).<i> Programa do governo para a IV legislatura (1991-1996)</i>. Praia: Governo de Cabo Verde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1909-3063201600010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Conselhos de Ministros. (2006). <i>Programa do governo para a VII legislatura (2006-2011)</i>. Praia: Governo de Cabo Verde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1909-3063201600010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Conselhos de Ministros. (2011).<i> Programa do governo para a VIII legislatura (2011-2016)</i>. Praia: Governo de Cabo Verde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1909-3063201600010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Consejo de la Uni&oacute;n Europea. (2005a). <i>The European Union Counter-Terrorism Strategy</i>. Bruselas: Parlamento Europeo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1909-3063201600010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Costa, S. &amp; Pinto, J. (2014). A pol&iacute;tica externa cabo-verdiana num mundo multipolar: Entre a ambival&ecirc;ncia pratica e a ret&oacute;rica discursiva? Em. Delgado, J.; Varela, O. &amp; Costa, S. (Org.). <i>As Rela&ccedil;&otilde;es externas de Cabo Verde: (Re)leituras Contempor&acirc;neas.</i> (pp. 163-228). Praia: ISCJS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1909-3063201600010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Estev&atilde;o, J. (2011). A economia cabo-verdiana desde a independ&ecirc;ncia: Uma transi&ccedil;&atilde;o lenta. Em. Bussotti, L. &amp; Ngoenha, S. (Org.).<i> O p&oacute;s-colonialismo na &Aacute;frica lus&oacute;fona: O Cabo Verde contempor&acirc;neo / Il postcolonialismo nell'Africa lusofona: il Capo Verde Contempor&acirc;neo</i>. (pp. 69-91). Torino: L'Harmattan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1909-3063201600010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16. &Eacute;vora, R. (2004). <i>Cabo Verde: A abertura pol&iacute;tica e a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia</i>. Praia: Spleen Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1909-3063201600010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Gomes, B. &amp; Moreira de S&agrave;, T. (2008). <i>Carlucci vs. Kissinger; Os EUA e a revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa</i>. Lisboa: Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1909-3063201600010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Gra&ccedil;a, C. (2014). A no&ccedil;&atilde;o do "pragmatismo" na pol&iacute;tica externa de Cabo Verde: Interesse nacional e op&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rios. Em. Delgado, J.; Varela, O. &amp; Costa, S. (Org.). <i>As rela&ccedil;&otilde;es externas de Cabo Verde: (Re)leituras Contempor&acirc;neas</i>. (pp. 267-283). Praia: ISCJS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1909-3063201600010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Huntington, S. (1994). <i>A Terceira Onda: A Democratiza&ccedil;&atilde;o no Final do S&eacute;culo XX</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1909-3063201600010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20. Koudawo, F. (2001). <i>Cabo Verde e Guin&eacute;-Bissau: Da democracia revolucion&aacute;ria &agrave; democracia liberal</i>. Bissau: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1909-3063201600010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>21. Lessa, A. &amp; Ruffie&#769;, J. (1960). <i>Seroantropologia das Ilhas de Cabo Verde: Mesa-redonda sobre o homem cabo-verdiano</i>. Lisboa: Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es do Ultramar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1909-3063201600010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>22. Lessa, A. &amp; Ruffie&#769;, J. (1960). <i>Seroantropologia das Ilhas de Cabo Verde: Mesa-redonda sobre o homem cabo-verdiano</i>. Lisboa: Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es do Ultramar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1909-3063201600010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>23. Lopes, J. (2002). <i>Cabo Verde: Os bastidores da independ&ecirc;ncia</i>. Praia: Spleen Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1909-3063201600010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>24. Monteiro, R. (2001). <i>A &Aacute;frica na pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o europeia</i>. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1909-3063201600010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25. N&oacute;brega, A. (2003). <i>A luta pelo poder na Guin&eacute;-Bissau</i>. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1909-3063201600010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>26. Pinto, J. (2008). Adimplendum est Hodie. <i>Africanologia: Revista Lus&oacute;fona de Estudos Africanos.</i> 1. 1-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1909-3063201600010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>27. Pinto, J. (2008). (2009). <i>Estrat&eacute;gias da ou para a lusofonia? O futuro da l&iacute;ngua portuguesa</i>. Lisboa: Pref&aacute;cio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1909-3063201600010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>28. Tolentino, A. (2015, julho 3). A Constru&ccedil;&atilde;o de um "Pa&iacute;s Invi&aacute;vel". <i>A VOZ: Seman&aacute;rio Independente de Cabo Verde</i>. 2-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1909-3063201600010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>29. Silva, A. (1995). <i>Hist&oacute;ria de um Sahel insular</i>. Praia: Spleen Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1909-3063201600010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>30. Silva, A. (2001). 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