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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte e Informática criando interdisciplinaridade para uma educação lógica complexa]]></article-title>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Art and Informatics: Creating Interdisciplinarity for a Complex Technological Education]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El articulo trata de reflexiones sobre una práctica de enseñanza compartida entre las disciplinas de Arte e Informática en una escuela de educación profesional en Brasil. El texto aborda las preocupaciones iniciales de los profesores con la enseñanza integral, que se desprenden en la realización de una actividad común a las dos áreas, a partir de la enseñanza del arte contemporáneo, por el camino del video-arte. En seguida, se aborda la metodología del trabajo, realizado en clases compartidas por los dos profesores, y se hace una discusión sobre los temas que fueron abordados por los estudiantes, como la violencia, o el consumismo y su inserción en el ambiente escolar. El estudio de autoras como Ana Mae Barbosa y Viviane Mosé, argumentan reflexiones sobre los desafíos de la educación contemporánea en relación a los intereses de los alumnos en la actualidad. El análisis de los videos producidos por los estudiantes, a partir de su calidad artística, estética y técnica, permite problematizar las significativas posibilidades de aprendizaje que la integración, entre las áreas del Arte y la Informática traen para la enseñanza de los jóvenes, franja etaria cuyo interés en nuevos medios y tecnologías es relevante.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paper presents some reflections on a teaching practice shared between the disciplines of Art and Informatics in a professional school of education in Brazil. It addresses the initial concerns of teachers regarding comprehensive education, aroused while carrying out an activity common to both areas: teaching contemporary art by means of video-art. Then the methodology of the work done is addressed, as the shared lessons were given simultaneously by the two teachers, and a discussion on the issues addressed by the students -namely violence, consumerism and integration into the school environment- is done. Authors like Ana Mae Barbosa and Viviane Mosé, who argue and reflect on the challenges of contemporary education concerning the interests of pupils today, are then studied. The analysis of the videos produced by the students from the perspective of their technical, aesthetic and artistic quality allows us to problematize significant learning opportunities that integration between the two areas of Art and Informatics brings for teaching young people, an age group whose interest in new media and technologies is highly relevant.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">      <p align="center"><font size="4"><b>Arte e Inform&aacute;tica criando interdisciplinaridade para uma educa&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica complexa</b></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b>Arte e inform&aacute;tica, creando interdisciplinariedad para una educaci&oacute;n tecnol&oacute;gica compleja</b></font></p>      <p align="center"><font size="3"><b>Art and Informatics: Creating Interdisciplinarity for a Complex Technological Education</b></font></p>      <p align="center">Adriano Fiad Farias<sup>*</sup>    <br>  Carla Giane Fonseca do Amaral<sup>**</sup></p>       <p><sup>*</sup> Graduado em Licenciatura em Inform&aacute;tica pela URI - Frederico Westphalen (2001) e Mestre em Ci&ecirc;ncias da Computa&ccedil;&atilde;o pela UFU (2008). Professor dos Cursos T&eacute;cnicos Integrados em Eventos, Administra&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica, no IFSul C&acirc;mpus Sapucaia do Sul. Brasil. Atua em Educa&ccedil;&atilde;o, Inform&aacute;tica e Rob&oacute;tica, atuando com os seguintes temas: Projetos Interdisciplinares de arte e tecnologias, rob&oacute;tica educativa e nuclea&ccedil;&atilde;o de professores e alunos no ensino de rob&oacute;tica.    <br> <sup>**</sup> &Eacute; Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o, Especialista em Educa&ccedil;&atilde;o e Licenciada em Artes Visuais. Professora do Curso T&eacute;cnico em Eventos, no Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia Sul-rio-grandense C&acirc;mpus Sapucaia do Sul - Brasil. Tem experi&ecirc;ncia nas &aacute;reas de educa&ccedil;&atilde;o e design, com &ecirc;nfase em ensino de arte e forma&ccedil;&atilde;o de professores.    <br> Correo electr&oacute;nico: <a href="mailto:carlagiamaral@gmail.com">carlagiamaral@gmail.com</a>.</p>      <p>Art&iacute;culo recibido en diciembre de 2015 y aceptado en febrero de 2016.</p>  <hr>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resumo</b></p>      <p>O artigo trata de reflex&otilde;es sobre uma pr&aacute;tica de ensino compartilhada entre as disciplinas de Arte e Inform&aacute;tica em uma escola de educa&ccedil;&atilde;o profissional no Brasil. O texto aborda as preocupa&ccedil;&otilde;es iniciais dos professores com o ensino integral, que se desdobraram na realiza&ccedil;&atilde;o de uma atividade comum &agrave;s duas &aacute;reas, a partir do ensino de arte contempor&acirc;nea, pelo vi&eacute;s da v&iacute;deo-arte. Em seguida, aborda-se a metodologia do trabalho, realizado em aulas compartilhadas pelos dois professores, e faz-se uma discuss&atilde;o sobre os temas que foram abordados pelos estudantes, como a viol&ecirc;ncia, o consumismo e sua inser&ccedil;&atilde;o no ambiente escolar. O estudo de autoras como Ana Mae Barbosa e Viviane Mos&eacute;, embasam reflex&otilde;es sobre os desafios da educa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea em rela&ccedil;&atilde;o aos interesses dos alunos na atualidade. A an&aacute;lise dos v&iacute;deos produzidos pelos estudantes, a partir de sua qualidade art&iacute;stica, est&eacute;tica e t&eacute;cnica, permite problematizar as significativas possibilidades de aprendizagem que a integra&ccedil;&atilde;o entre as &aacute;reas da Arte e da Inform&aacute;tica trazem para o ensino de jovens, faixa et&aacute;ria cujo interesse em novas m&iacute;dias e tecnologias &eacute; marcante.</p>      <p><b>Palavras chave: </b>Ensino, Arte, Inform&aacute;tica, V&iacute;deo-arte.</p>  <hr>      <p><b>Resumen</b></p>      <p>El articulo trata de reflexiones sobre una pr&aacute;ctica de ense&ntilde;anza compartida entre las disciplinas de Arte e Inform&aacute;tica en una escuela de educaci&oacute;n profesional en Brasil. El texto aborda las preocupaciones iniciales de los profesores con la ense&ntilde;anza integral, que se desprenden en la realizaci&oacute;n de una actividad com&uacute;n a las dos &aacute;reas, a partir de la ense&ntilde;anza del arte contempor&aacute;neo, por el camino del video-arte. En seguida, se aborda la metodolog&iacute;a del trabajo, realizado en clases compartidas por los dos profesores, y se hace una discusi&oacute;n sobre los temas que fueron abordados por los estudiantes, como la violencia, o el consumismo y su inserci&oacute;n en el ambiente escolar. El estudio de autoras como Ana Mae Barbosa y Viviane Mos&eacute;, argumentan reflexiones sobre los desaf&iacute;os de la educaci&oacute;n contempor&aacute;nea en relaci&oacute;n a los intereses de los alumnos en la actualidad. El an&aacute;lisis de los videos producidos por los estudiantes, a partir de su calidad art&iacute;stica, est&eacute;tica y t&eacute;cnica, permite problematizar las significativas posibilidades de aprendizaje que la integraci&oacute;n, entre las &aacute;reas del Arte y la Inform&aacute;tica traen para la ense&ntilde;anza de los j&oacute;venes, franja etaria cuyo inter&eacute;s en nuevos medios y tecnolog&iacute;as es relevante.</p>      <p><b>Palabras clave: </b>ense&ntilde;anza, arte, inform&aacute;tica, video-arte.</p>  <hr>      <p><b>Abstract</b></p>      <p>The paper presents some reflections on a teaching practice shared between the disciplines of Art and Informatics in a professional school of education in Brazil. It addresses the initial concerns of teachers regarding comprehensive education, aroused while carrying out an activity common to both areas: teaching contemporary art by means of video-art. Then the methodology of the work done is addressed, as the shared lessons were given simultaneously by the two teachers, and a discussion on the issues addressed by the students -namely violence, consumerism and integration into the school environment- is done. Authors like Ana Mae Barbosa and Viviane Mos&eacute;, who argue and reflect on the challenges of contemporary education concerning the interests of pupils today, are then studied. The analysis of the videos produced by the students from the perspective of their technical, aesthetic and artistic quality allows us to problematize significant learning opportunities that integration between the two areas of Art and Informatics brings for teaching young people, an age group whose interest in new media and technologies is highly relevant.</p>      <p><b>Keywords: </b>Education, Arts, Computers, Video-Art.</p>  <hr>      <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das possibilidades que a Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira permite aos jovens estudantes &eacute; realizar a segunda parte da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, chamada de ensino m&eacute;dio, integrada com a forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, como prepara&ccedil;&atilde;o para o mercado de trabalho. No Brasil existe uma rede p&uacute;blica dedicada a esse tipo de educa&ccedil;&atilde;o, chamada Rede Federal de Educa&ccedil;&atilde;o Profissional e Tecnol&oacute;gica. As escolas que pertencem a essa rede, os Institutos Federais de Educa&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IFs), oferecem diversos cursos de ensino m&eacute;dio integrado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.</p>      <p>Apesar do direcionamento desse ensino indicar que a forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica deve ocorrer junto a forma&ccedil;&atilde;o geral dos estudantes, para atender as necessidades da educa&ccedil;&atilde;o no mundo contempor&acirc;neo, os cursos t&eacute;cnicos geralmente enfatizam, em seus programas de ensino, os conhecimentos espec&iacute;ficos direcionados para a atua&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho. Isso se d&aacute; porque, historicamente, o ensino t&eacute;cnico no Brasil foi fundamentado na necessidade de m&atilde;o-de-obra para a sociedade industrial, e a forma&ccedil;&atilde;o humanista n&atilde;o era valorizada, trazendo a fragmenta&ccedil;&atilde;o do conhecimento e resultando em uma educa&ccedil;&atilde;o de massa que oferecia prioritariamente uma forma&ccedil;&atilde;o instrumental. Conforme MOS&Eacute;:</p>      <blockquote>Gram&aacute;tica, literatura, &aacute;lgebra, geometria, gen&eacute;tica, citologia, &oacute;tica, mec&acirc;nica, saberes que s&atilde;o ministrados isoladamente, cada um retratando um fragmento do saber que nunca se relaciona com os outros e com a vida, que, em si mesma, &eacute; extremamente articulada e complexa. Os conte&uacute;dos ficam t&atilde;o fragmentados que levam os alunos a acreditar que estudam para os professores, para os pais, e n&atilde;o para si mesmos, para suas vidas (MOS&Eacute;, 2013).</blockquote>      <p>Atualmente, o ensino m&eacute;dio, conforme prev&ecirc; a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional brasileira (LDB - Lei 9394/96), deve contemplar a interdisciplinaridade e a contextualiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos curriculares, oferecendo aos educandos uma forma&ccedil;&atilde;o ampla, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cidadania quanto &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o para o trabalho.</p>      <p>Trabalhando em um c&acirc;mpus com as caracter&iacute;sticas de ensino compartimentalizado, onde os saberes s&atilde;o ministrados isoladamente, dois professores, atuantes no IF Sul-rio-grandense - C&acirc;mpus Sapucaia do Sul (<a href="#fig1">Figura 01</a>), com as disciplinas de Arte e Inform&aacute;tica desenvolveram o projeto de ensino que &eacute; relatado nesse texto. Inquietos com suas pr&aacute;ticas, os decentes tomaram para si o desejo de tentar promover a aprendizagem integrada de conhecimentos das duas &aacute;reas, a partir de reflex&otilde;es sobre situa&ccedil;&otilde;es enfrentadas pelos estudantes na sociedade contempor&acirc;nea (Barbosa, 2005).</p>      <p align="center"><a name="fig1"><img src="img/revistas/ppo/n16/n16a07fig1.jpg"></a></p>      <p>Acreditando que a experi&ecirc;ncia est&eacute;tica, a partir da arte, tem contribui&ccedil;&otilde;es para dar para a vida &eacute;tica, especialmente para o campo da educa&ccedil;&atilde;o (Hermann, 2005, 2008), os professores desenvolveram a atividade a fim de atender ao objetivo da educa&ccedil;&atilde;o profissional de fornecer aos estudantes dos cursos t&eacute;cnicos em Gest&atilde;o Cultural uma liga&ccedil;&atilde;o entre a forma&ccedil;&atilde;o subjetiva e a prepara&ccedil;&atilde;o para o trabalho em profiss&otilde;es t&eacute;cnicas (Brasil, 2012).</p>      <p>Considerando que o desenvolvimento humano para a exist&ecirc;ncia em um ambiente complexo n&atilde;o pode ser separado em partes dissociadas, as preocupa&ccedil;&otilde;es dos professores estavam em desenvolver uma atividade interdisciplinar que envolvesse as duas disciplinas, Arte e Inform&aacute;tica, e permitisse a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos a partir da rela&ccedil;&atilde;o entre diversos planos sensoriais dos estudantes.</p>      <p>Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de discuss&otilde;es pr&eacute;vias a respeito do tema, os docentes criaram um projeto de educa&ccedil;&atilde;o interdisciplinar, que pretendia alcan&ccedil;ar a aprendizagem de conceitos das duas &aacute;reas, juntamente com reflex&otilde;es comuns ao modo de vida dos estudantes envolvidos.</p>      <p><font size="3"><b>Interdisciplinaridade e desafios</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Morin (2000), no mundo atual mais e mais cedo os indiv&iacute;duos tem contato com novas tecnologias em seu conv&iacute;vio social. Esse fator contribui para mudan&ccedil;as na maneira de interagir e comunicar-se, na medida em que a maioria desses recursos traz como caracter&iacute;sticas constituidoras a multim&iacute;dia e a hipertextualidade.</p>      <p>Pensando por essa perspectiva, compreende-se que n&atilde;o se pode ignorar a realidade tecnol&oacute;gica em que as nossos alunos est&atilde;o imersos, e que, portanto, urge a necessidade de recontextualizar esses recursos no &acirc;mbito educativo, a fim de melhorar a constru&ccedil;&atilde;o de habilidades e compet&ecirc;ncias comunicativas e interativas em prol da aprendizagem significativa.</p>      <p>O Brasil, no s&eacute;culo XX, passou pelo medo do pensamento cr&iacute;tico e pela supervaloriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento t&eacute;cnico. Os Estados evitavam a educa&ccedil;&atilde;o reflexiva e cr&iacute;tica, por medo do comunismo, fazendo com que a educa&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XX tenha se desenvolvido voltada para a t&eacute;cnica (Mos&eacute;, 2013).</p>      <p>Nos anos 1990, o Brasil come&ccedil;a a modificar suas leis, a fim de acompanhar o desenvolvimento mundial, instituindo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional brasileira - 1996), norteando os Par&acirc;metros Curriculares Nacionais (PCNs - 1997), que apresentam uma &uacute;nica vez o termo interdisciplinaridade, como se essa n&atilde;o fizesse parte da escola.</p>      <blockquote>As propostas curriculares oficiais dos Estados est&atilde;o organizadas em disciplinas e/ou &aacute;reas. Apenas alguns Munic&iacute;pios optam por princ&iacute;pios norteadores, eixos ou temas, que visam tratar os conte&uacute;dos de modo interdisciplinar, buscando integrar o cotidiano social com o saber escolar (Brasil, 1997, p.41).</blockquote>      <p>Em 1998, a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (CEB) introduz o termo interdisciplinaridade em seus documentos, no Parecer n&deg; 15/98, a concep&ccedil;&atilde;o de interdisciplinaridade &eacute; entendida como:</p>      <blockquote>A interdisciplinaridade deve ir al&eacute;m da mera justaposi&ccedil;&atilde;o de disciplinas e ao mesmo tempo evitar a dilui&ccedil;&atilde;o das mesmas em generalidades. &#91;...&#93; O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mant&eacute;m um di&aacute;logo permanente com outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirma&ccedil;&atilde;o, de complementa&ccedil;&atilde;o, de nega&ccedil;&atilde;o, de amplia&ccedil;&atilde;o, de ilumina&ccedil;&atilde;o de aspectos n&atilde;o distinguidos (Brasil, 1998, p.38).</blockquote>      <p>Trabalhar com interdisciplinaridade &eacute; um grande desafio, pois necessita que os professores envolvidos estejam dispostos a sofrer rupturas em seus conceitos e pensamentos, buscando a aproxima&ccedil;&atilde;o de conceitos de &aacute;reas que venham sendo trabalhadas isoladamente, mas que no dia-a-dia do aluno encontram-se integradas. Em Brasil (1998), vemos que a interdisciplinaridade n&atilde;o significa diluir as disciplinas envolvidas em uma &uacute;nica, mas sim manter conceitos e individualidades de ambas, integrando-as a partir da compreens&atilde;o das m&uacute;ltiplas causas e fatores que interv&ecirc;m sobre a realidade, onde devem ser trabalhadas todas as linguagens necess&aacute;rias para a constitui&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, comunica&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o de significados.</p>      <p>Considerando que o mundo em que vivemos &eacute; um mundo globalizado, onde tudo est&aacute; relacionado, todos os conhecimentos convergem para a forma&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos e cria&ccedil;&atilde;o de novos contextos socioculturais. Nesse contexto, a interdisciplinaridade provoca e convoca para a complexidade, trazendo novas leituras, conceitos e concep&ccedil;&otilde;es para os docentes e discentes, abrindo espa&ccedil;o para o di&aacute;logo e para as conex&otilde;es dos conhecimentos, integrando-os com as formas de ser na sociedade contempor&acirc;nea.</p>      <p><font size="3"><b>Projeto Interdisciplinar entre as disciplinas de Arte e Inform&aacute;tica</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pensando sobre os desafios de ensinar no s&eacute;culo XXI, os professores analisaram os conhecimentos e os programas de ensino de suas disciplinas e desenvolveram um projeto de cria&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos art&iacute;sticos baseados nos conceitos da arte contempor&acirc;nea. O projeto foi realizado com duas turmas de estudantes dos primeiros anos do Curso T&eacute;cnico em Gest&atilde;o Cultural do IFSul - C&acirc;mpus Sapucaia do Sul.</p>      <p>Cumprindo com as necessidades da educa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de Arte, a atividade promoveu o estudo sobre arte contempor&acirc;nea, de modo geral, e desenvolveu os conhecimentos sobre uma pr&aacute;tica espec&iacute;fica do campo art&iacute;stico: a produ&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deo, sua est&eacute;tica, contexto e caracter&iacute;sticas t&eacute;cnicas (RUSH, 2006). Na &aacute;rea da Inform&aacute;tica, o projeto promoveu a produ&ccedil;&atilde;o e a edi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos em software espec&iacute;fico, listado no programa de ensino dessa disciplina e muito utilizado nos dias atuais.</p>      <p>Os v&iacute;deos deviam ter como tema as po&eacute;ticas dos estudantes, suas preocupa&ccedil;&otilde;es ou interesses, assuntos que fossem relevantes para os adolescentes, p&uacute;blico principal desse sistema de ensino. Esses temas foram trazidos para o contexto de discuss&atilde;o das aulas por serem presentes na vida comum dos estudantes, por exemplo: formas de se inserir na escola, preocupa&ccedil;&otilde;es com o futuro, contexto social, viol&ecirc;ncia, entre outros.</p>      <p>A atividade teve por objetivo promover apropria&ccedil;&atilde;o da cultura e desenvolvimento dos conhecimentos est&eacute;ticos, inseridos na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e aprecia&ccedil;&atilde;o, muito importantes para a atua&ccedil;&atilde;o na sociedade, atrav&eacute;s do acesso a linguagem digital. A pr&aacute;tica tamb&eacute;m tornou poss&iacute;vel um processo de aprendizagem baseado na indivisibilidade entre teoria e pr&aacute;tica, de forma a superar a fragmenta&ccedil;&atilde;o curricular, muitas vezes presente na educa&ccedil;&atilde;o profissional.</p>      <p><font size="3"><b>Metodologia</b></font></p>      <p>As aulas das duas disciplinas ocorreram juntas durante o projeto, que teve dura&ccedil;&atilde;o de cerca de dois meses, levando em conta o principal objetivo da interdisciplinaridade que diz que as disciplinas envolvidas devem ser modificadas pela pr&aacute;tica (Berger, 1971). O primeiro passo metodol&oacute;gico para o desenvolvimento da atividade foi oportunizar aos alunos momentos de discuss&atilde;o, fazendo com que esses colaborassem na cria&ccedil;&atilde;o de um cronograma das atividades, a fim de comtemplar a apropria&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos e a otimiza&ccedil;&atilde;o do tempo em sala de aula e extraclasse.</p>      <p>A partir do cronograma, os estudantes se dividiram em grupos de tr&ecirc;s a cinco indiv&iacute;duos e, a partir das orienta&ccedil;&otilde;es dos professores, escolheram um tema espec&iacute;fico para os seus projetos, por exemplo: a situa&ccedil;&atilde;o dos estudantes na escolar, o consumismo, preocupa&ccedil;&otilde;es com o meio ambiente, etc.</p>      <p>Em seguida, realizaram-se estudos sobre roteiro e filmes, a partir dos quais os estudantes criaram pr&eacute;-roteiros para cada v&iacute;deo e ap&oacute;s alguns momentos e orienta&ccedil;&atilde;o pelos docentes, partiram para a fase da grava&ccedil;&atilde;o das cenas, que, por conta do cronograma e da necessidade de estar em outros espa&ccedil;os foi feita, quase que totalmente em momentos extraclasse.</p>      <p>Os estudantes foram orientados pelos professores para perceber, identificar e escolher os planos, cortes paras as cenas, movimentos de c&acirc;mera e figurinos para compor os v&iacute;deos. Foram tamb&eacute;m instigados para, a partir dos seus sentidos, enquanto estivessem gravando, identificar o potencial de cada loca&ccedil;&atilde;o escolhida, a fim de atingir os objetivos descritos em seus pr&eacute;-roteiros.</p>      <p>Depois desse passo, as cenas gravadas foram levadas para a sala de aula e se passou para a fase de edi&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos, aplicando os conhecimentos sobre o software de edi&ccedil;&atilde;o, inser&ccedil;&atilde;o de &aacute;udio, corte e mudan&ccedil;as nas sequ&ecirc;ncias de cenas. As orienta&ccedil;&otilde;es dos professores foram no sentido de tentar fortalecer a sensibilidade e a experi&ecirc;ncia criativa dos estudantes, expandindo o conhecimento sobre cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, linguagem da tecnologia e m&iacute;dias digitais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depois da primeira fase de edi&ccedil;&atilde;o, houve uma pr&eacute;-apresenta&ccedil;&atilde;o dos mesmos para os professores, a fim de que pudessem ser feitos os &uacute;ltimos ajustes, a partir da orienta&ccedil;&atilde;o dos docentes, passando-se para o fechamento dos arquivos e finaliza&ccedil;&atilde;o. Depois de finalizados, os v&iacute;deos foram apresentados pelos estudantes para todos os colegas, quando se promoveu uma discuss&atilde;o sobre os temas trabalhados nos v&iacute;deos, a fim de se compartilhar os conceitos aprendidos na atividade e fazer uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre os temas abordados.</p>      <p><font size="3"><b>Resultados</b></font></p>      <p>A atividade resultou em v&iacute;deos de grande qualidade est&eacute;tica e t&eacute;cnica, o que identifica esse projeto interdisciplinar como pr&aacute;tica que torna poss&iacute;vel o ensino dos conhecimentos requeridos pela natureza das profiss&otilde;es t&eacute;cnicas, assim como o desenvolvimento est&eacute;tico, a partir de discuss&otilde;es sobre temas sociais e integra&ccedil;&atilde;o das demandas subjetivas dos estudantes.</p>       <p><font size="3"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>      <p>Atualmente, a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel sem que se preste aten&ccedil;&atilde;o &agrave; pluralidade das sensa&ccedil;&otilde;es. A realiza&ccedil;&atilde;o dessa pr&aacute;tica tornou poss&iacute;vel perceber que, apesar da educa&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica no Brasil ser um sistema que, muitas vezes, s&atilde;o privilegiados os conhecimentos t&eacute;cnicos no ensino, &eacute; poss&iacute;vel unir forma&ccedil;&atilde;o para o mercado de trabalho com exerc&iacute;cios de reflex&atilde;o, atrav&eacute;s retorno &agrave; sensibilidade, em oposto a pura objetividade cient&iacute;fica. Os resultados dessa pr&aacute;tica permitem concluir que, devido &agrave; import&acirc;ncia dos sentidos para a vida humana, n&atilde;o somente a arte, mas outras ci&ecirc;ncias como a Inform&aacute;tica, por exemplo, podem ser aprendidas a partir de processos est&eacute;ticos.</p>      <p>Unir a capacidade da forma&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica para promover a abertura dos sujeitos para novas formas de entender a si mesmos e aos outros, ajuda na forma&ccedil;&atilde;o de comportamentos mais adequados as demandas do mundo contempor&acirc;neo. A educa&ccedil;&atilde;o, forma pela qual os h&aacute;bitos, valores e conhecimentos de uma comunidade s&atilde;o transmitidos, em um processo cont&iacute;nuo de forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, pode ser desenvolvida pelo potencial da sensibilidade que a experi&ecirc;ncia est&eacute;tica promove, tornando a forma&ccedil;&atilde;o um processo que pode ser &eacute;tico e est&eacute;tico ao mesmo tempo (Hermann, 2010).</p>  <hr>      <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p>Barbosa, A. M. (org.) (2005). Arte/Educa&ccedil;&atilde;o Contempor&acirc;nea: conson&acirc;ncias internacionais. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399547&pid=S2011-804X201600020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Berger G. (1971), Conditions of problem of interdisciplinarity, in OECD-CERI (eds.) L'interdisciplinarit&eacute;. Probl&egrave;mes d'enseignement et de recherche dans les Universit&eacute; (pp. 21-24). Paris: UNESCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399549&pid=S2011-804X201600020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brasil. (1997). Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Fundamental. Par&acirc;metros curriculares nacionais: introdu&ccedil;&atilde;o aos par&acirc;metros curriculares nacionais. Bras&iacute;lia: Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Fundamental - MEC/SEF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399551&pid=S2011-804X201600020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brasil. (1998). Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e do Desporto. Parecer CEB n.&deg; 15, de 1 de junho de 1998, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino M&eacute;dio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399553&pid=S2011-804X201600020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brasil. (2012). Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o. CEB Resolu&ccedil;&atilde;o n&deg; 6 de 4 de setembro de 2012. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Profissional T&eacute;cnica de N&iacute;vel M&eacute;dio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399555&pid=S2011-804X201600020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hermann N. (2005). &Eacute;tica e est&eacute;tica: a rela&ccedil;&atilde;o quase esquecida. EDIPUCRS: Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399557&pid=S2011-804X201600020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hermann N. (2008). &Eacute;tica: a aprendizagem da arte de viver. Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade, 29 (102), 15-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399559&pid=S2011-804X201600020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hermann N. (2010). Autocria&ccedil;&atilde;o e horizonte comum: ensaios sobre educa&ccedil;&atilde;o &eacute;tico-est&eacute;tica. Iju&iacute;: Uniju&iacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399561&pid=S2011-804X201600020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      <!-- ref --><p>Morin, E. (2000). Os sete saberes necess&aacute;rios &agrave; educa&ccedil;&atilde;o do futuro (2<sup>a</sup> ed.). S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399563&pid=S2011-804X201600020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mos&eacute;, V. (2013). A escola e os desafios contempor&acirc;neos. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399565&pid=S2011-804X201600020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rush, M. (2006). Novas M&iacute;dias na Arte Contempor&acirc;nea. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=6399567&pid=S2011-804X201600020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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