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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[DESSEMELHANÇA E EXPURGO DO OUTRO NO DEBATE ACERCA DO REBAIXAMENTO DA MAIORIDADE PENAL NO BRASIL: UMA ANÁLISE DISCURSIVA CRÍTICA (1930-1976)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[DISSIMILARITY AND PURGE OF THE OTHER IN THE DEBATE ON DECREASING THE LEGAL AGE IN BRAZIL: A CRITICAL DISCOURSE ANALYSIS]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Brazil, violent events involving young people have guided the debate about decreasing the legal age. In February 2007, a car theft resulted in the brutal murder of a child, and in a context of public emotion against urban violence, Brazilian media took a clear position in favor of the decrease of legal age. In this paper, I propose a critical discourse analysis of excerpts from a chat with a deputy admittedly favorable to the legal age decrease.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">      <p align="center"><font size="4"><b>DESSEMELHAN&Ccedil;A E EXPURGO DO    <br> OUTRO NO DEBATE ACERCA DO    <br> REBAIXAMENTO DA MAIORIDADE    <br> PENAL NO BRASIL: UMA AN&Aacute;LISE    <br> DISCURSIVA CR&Iacute;TICA  (1930-1976)</b><a href="#*" name="s*"><sup>*</sup></a></font></p>     <p align="center">   <font size="3"> DISSIMILARITY AND PURGE OF THE OTHER IN    <br> THE DEBATE ON DECREASING THE LEGAL AGE    <br> IN BRAZIL: A CRITICAL DISCOURSE ANALYSIS    <br> </font></p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><i>Viviane de Melo Resende</i>    <br> </b>Universidade de Bras&iacute;lia, Brasil    <br>   <a href="mailto:vivianemelo@unb.br"> vivianemelo@unb.br</a>    <br> </font></p>     <p align="right">   <font face="verdana" size="2">Art&iacute;culo de investigaci&oacute;n recibido 19-10-07, art&iacute;culo aceptado 01-06-09</font> <font face="verdana" size="2"><hr size="1">  </font>    <blockquote>       <p><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">No Brasil, eventos de viol&ecirc;ncia envolvendo adolescentes e  jovens t&ecirc;m pautado     o debate acerca do rebaixamento da maioridade penal. Em  fevereiro de 2007,     assistimos ao desfecho de um roubo de carro que resultou  no assassinato brutal     de uma crian&ccedil;a. Em um contexto de como&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica frente  &agrave; viol&ecirc;ncia urbana, a     m&iacute;dia brasileira assumiu um posicionamento claramente  favor&aacute;vel ao discurso do     rebaixamento. Neste artigo, proponho uma an&aacute;lise  discursiva cr&iacute;tica de recortes     de um <i>chat </i>com um deputado reconhecidamente favor&aacute;vel ao  rebaixamento da maioridade penal.  </font></p>       <p><font face="verdana" size="2">     <b>Palavras chave: </b><i>an&aacute;lise de discurso cr&iacute;tica</i>, <i>dessemelhan&ccedil;a</i>, <i>aparta&ccedil;&atilde;o</i>, <i>maioridade</i>, <i>exclus&atilde;o social</i>.</font></p>   </blockquote> <font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><hr align="JUSTIFY" size="1"> </font></font><font face="verdana" size="2"> </font></font> </font></font></font></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">In Brazil, violent events involving  young people have guided the debate about     decreasing the legal age. In  February 2007, a  car theft resulted in the brutal     murder of a child, and in a  context of public emotion against urban violence,     Brazilian media took a clear  position in favor of the decrease of legal age. In this     paper, I propose a critical  discourse analysis of excerpts from a chat with a deputy admittedly  favorable to the legal age decrease.  </font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Keywords: </b></font><i>critical discourse analysis</i>, <i>dissimilarity</i>, <i>social apartheid</i>, <i>legal age</i>, <i>social </i><i>exclusion</i>.</p>   </blockquote> <font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><hr align="JUSTIFY" size="1"> </font></font>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> <font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"></font></font></font></font></font></font>     <p align="justify">NO BRASIL, EVENTOS de viol&ecirc;ncia envolvendo adolescentes e  jovens t&ecirc;m pautado o   debate acerca de Projetos de Emenda Constitucional, que  tramitam no Congresso   Nacional, para o rebaixamento da maioridade penal. Em  fevereiro de 2007, assistimos,   estarrecidos/as, ao desfecho chocante de um roubo de  carro que terminou no   drama do assassinato brutal de uma crian&ccedil;a. E  estarrecidos/as, ainda, assistimos &agrave;   cobertura estrat&eacute;gica da m&iacute;dia, que se apressa em pautar  a redu&ccedil;&atilde;o da maioridade   penal no Brasil, na esteira desse acontecimento. Em um  contexto de como&ccedil;&atilde;o   p&uacute;blica frente &agrave; viol&ecirc;ncia urbana, a m&iacute;dia brasileira  assumiu um posicionamento   claramente favor&aacute;vel ao discurso do rebaixamento, com um  investimento not&aacute;vel   nesse debate.</p>     <p align="justify">Neste trabalho, proponho uma breve an&aacute;lise de recortes de  um <i>chat </i>com o   deputado Alberto Fraga, reconhecidamente favor&aacute;vel ao  rebaixamento da maioridade   penal, promovido por um portal de not&iacute;cias filiado &agrave; Rede  Globo no dia 14   de fevereiro de 2007, quando o evento completava uma  semana (<a href="http://videochat.globo.com/GVC/arquivo" target="_blank">http://videochat.globo.com/GVC/arquivo</a>). De modo complementar, analiso  alguns dos coment&aacute;rios   que o <i>chat </i>suscitou. Os coment&aacute;rios sinalizam leituras concordantes,  que em alguns   casos amplificam trechos do <i>chat </i>com o deputado.</p>     <p align="justify">Na primeira se&ccedil;&atilde;o deste artigo, fa&ccedil;o uma advert&ecirc;ncia: que  n&atilde;o se busque em   meus trabalhos uma simula&ccedil;&atilde;o de &#39;neutralidade acad&ecirc;mica&#39;.  N&atilde;o sou neutra nem   quero parecer neutra. Meu posicionamento &eacute; expl&iacute;cito, e  decorre da natureza mesma   dos temas que tenho investigado. Em seguida, discuto a  relev&acirc;ncia do estudo   discursivo de problemas sociais. Na terceira se&ccedil;&atilde;o,  contextualizo o problema que   envolve o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente e o  discurso pelo rebaixamento da   maioridade penal. Na quarta se&ccedil;&atilde;o, proponho uma  aproxima&ccedil;&atilde;o aos conceitos de   aparta&ccedil;&atilde;o e dessemelhan&ccedil;a (Buarque, 2001), e fragmenta&ccedil;&atilde;o  e expurgo do outro   (Thompson, 1995). Na quinta se&ccedil;&atilde;o, apresento uma  discuss&atilde;o baseada nos dados e,   por fim, uma reflex&atilde;o &agrave; guisa de considera&ccedil;&otilde;es finais.</p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><b>1. Uma advert&ecirc;ncia inicial</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">Minha aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; discuss&atilde;o do rebaixamento da  maioridade penal no   Brasil deve-se ao engajamento com o Movimento Nacional de  Meninos e Meninas   de Rua (MNMMR), junto ao qual realizei a pesquisa &quot;An&aacute;lise  de Discurso Cr&iacute;tica   e Etnografia: o Movimento Nacional de Meninos e Meninas  de Rua, sua crise e o   protagonismo juvenil&quot; (Resende, 2008). A luta contra o  rebaixamento da magori dade penal &eacute; uma das bandeiras do Movimento, e como  etn&oacute;grafa acompanhei de   muito perto essa luta, compreendendo suas motiva&ccedil;&otilde;es  sociais e pol&iacute;ticas.</p>     <p align="justify">Assim, no relat&oacute;rio da referida pesquisa, dispon&iacute;vel na  &iacute;ntegra em <a href="http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3617" target="_blank">http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3617</a>,  escrevi:</p> </font>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outro exemplo de meu engajamento com o MNMMR/DF, que extrapolou o contexto     do Movimento e teve uma conseq&uuml;&ecirc;ncia mais direta na minha  experi&ecirc;ncia     estritamente acad&ecirc;mica, foi &agrave; milit&acirc;ncia contra o  rebaixamento da maioridade penal     no Brasil, em 2007. Esse envolvimento levou-me n&atilde;o s&oacute; ao  Congresso Nacional &mdash;para     participar da reuni&atilde;o do F&oacute;rum Nacional Permanente de Entidades  N&atilde;o-Governamentais     de Defesa dos Direitos da Crian&ccedil;a e do Adolescente (F&oacute;rum  DCA)&mdash;  mas     tamb&eacute;m me levou &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do texto &quot;Dessemelhan&ccedil;a e  expurgo: a m&iacute;dia e o debate     sobre a viol&ecirc;ncia e o rebaixamento da maioridade penal&quot;,  publicado no <i>M&iacute;dia &amp; Pol&iacute;tica</i>     e depois, para minha surpresa, capturado pelo <i>Observat&oacute;rio da Imprensa </i>como     &quot;O debate sobre viol&ecirc;ncia e rebaixamento da idade penal&quot;.  Meu objetivo era colocar     o conhecimento acad&ecirc;mico &mdash;nesse caso, as ferramentas da  An&aacute;lise de Discurso Cr&iacute;tica&mdash;     em pr&aacute;tica no debate que me parecia urgente. N&atilde;o vejo  esse envolvimento com     a milit&acirc;ncia do Movimento e as rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas que  estabeleci com as participantes     como problem&aacute;ticos para a pesquisa, ao contr&aacute;rio: n&atilde;o s&oacute;  me fortalecem &mdash;no sentido     a que me referi na se&ccedil;&atilde;o anterior&mdash; como aumentam a  possibilidade de meu trabalho     ser &uacute;til ao Movimento, que &eacute;, no fim, a minha meta (sobre  o engajamento em pesquisa     etnogr&aacute;fica, veja Denzin, 1999; sobre observa&ccedil;&atilde;o  participante e engajamento do/a     pequisador/a, veja Atkinson &amp; Pugsley, 2005).  (Resende, 2008, p. 116)</font></p> </blockquote> <font face="verdana" size="2">     <p align="justify">O trabalho a que me refiro na cita&ccedil;&atilde;o &mdash;um texto breve,  que pretendia possibilitar   a leigos (n&atilde;o linguistas e n&atilde;o analistas de discurso)  perceber o funcionamento   do discurso em debates como esse&mdash; deu origem a este  artigo. A an&aacute;lise tamb&eacute;m   serviu ao objetivo de ilustrar, para as participantes da  referida pesquisa, o tipo de   an&aacute;lise realizada em ADC e seu poss&iacute;vel alcance social.  Assim, as breves an&aacute;lises   apresentadas n&atilde;o t&ecirc;m o objetivo de serem exaustivas &mdash;tenho  plena consci&ecirc;ncia de   sua limita&ccedil;&atilde;o, em consequ&ecirc;ncia da pequena quantidade de  dados analisados e da   natureza preliminar dessas an&aacute;lises.</p>     <p align="justify">Esta segunda vers&atilde;o do trabalho, agora transformado em  artigo, foi apresentada   no &quot;VII Congreso de la Asociaci&oacute;n Latinoamericana de  Estudios del Discurso&quot;, em   Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, em setembro de 2007.</p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><b>2. A</b><b> </b><b>ADC </b><b>e a relev&acirc;ncia do estudo discursivo de problemas sociais</b></p>     <p align="justify">Este trabalho vincula-se, em termos te&oacute;ricos e  metodol&oacute;gicos, &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o de   pesquisa reconhecida como An&aacute;lise de Discurso Cr&iacute;tica  (ADC). A ADC configurase   em uma s&eacute;rie de desdobramentos dos trabalhos  desenvolvidos pela Lingu&iacute;stica   Cr&iacute;tica. Sendo assim, define-se por uma heterogeneidade  de abordagens que, embora   diversas, identificam-se com o r&oacute;tulo &#39;An&aacute;lise de  Discurso Cr&iacute;tica&#39;. Apesar   da diversidade, as propostas te&oacute;ricas/metodol&oacute;gicas em  ADC guardam algumas   caracter&iacute;sticas em comum.</p>     <p align="justify">Em primeiro lugar, uma caracter&iacute;stica fundamental &agrave;s  abordagens cr&iacute;ticas nos   estudos da linguagem &eacute; a interdisciplinaridade: o  rompimento de fronteiras disciplinares   e o reconhecimento de que para se analisar problemas  sociais discursivamente   manifestos &eacute; preciso operacionalizar conceitos e  categorias desenvolvidos   pelas Ci&ecirc;ncias Sociais (Wodak, 2003). Nesse sentido, as  diferentes propostas de ADC   caracterizam-se pelo estabelecimento de diferentes  rela&ccedil;&otilde;es entre a Lingu&iacute;stica e   disciplinas de car&aacute;ter social. Exemplos disso s&atilde;o as  abordagens de Van Dijk &mdash;que   dialoga com a Psicologia Social&mdash;, de Wodak &mdash;que prop&otilde;e  uma articula&ccedil;&atilde;o com a   Hist&oacute;ria&mdash; e de Fairclough &mdash;que estrutura sua proposta  para ADC na recontextualiza&ccedil;&atilde;o   de abordagens da Teoria Social Cr&iacute;tica. Reconhecendo a  heterogeneidade,   assumo a filia&ccedil;&atilde;o de meu trabalho &agrave; abordagem de  Fairclough (2001, 2003, 2006),   que sugere que os trabalhos de pesquisa partam da  identifica&ccedil;&atilde;o de problemas   sociais parcialmente discursivos que possam ser  investigados por meio da an&aacute;lise   situada de textos (Chouliaraki &amp; Fairclough, 1999;  Resende, 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">A segunda caracter&iacute;stica comum &agrave;s diversas propostas  te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas   em ADC &eacute; seu car&aacute;ter posicionado. Trata-se de abordagens  cr&iacute;ticas para o estudo   lingu&iacute;stico-discursivo de textos no sentido de que as  pesquisas vinculadas &agrave; ADC   assumem um posicionamento expl&iacute;cito em face de problemas  sociais parcialmente   discursivos, isto &eacute;, n&atilde;o simulam &#39;imparcialidade  cient&iacute;fica&#39;. A partir da identifica&ccedil;&atilde;o   de problemas sociais com facetas discursivas, o objetivo  &eacute; desvelar discursos   e ideologias que servem de suporte a estruturas de  domina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p align="justify">Dessas duas caracter&iacute;sticas fundamentais &agrave;s diferentes  abordagens em ADC, emerge   uma terceira, nem sempre claramente formulada: nos  trabalhos em ADC, o &#39;valor&#39;   de teorias e categorias propriamente lingu&iacute;sticas n&atilde;o &eacute;  tomado como dado, mas   emerge dos dados e dos objetivos da an&aacute;lise. Explico: a  Lingu&iacute;stica &eacute; utilizada nos   trabalhos de an&aacute;lise discursiva como instrumento para a  cr&iacute;tica social. Assim sendo,   o objetivo das an&aacute;lises &eacute; a cr&iacute;tica social, obtida por  meio da an&aacute;lise de instancia&ccedil;&otilde;es   lingu&iacute;sticas que servem de subs&iacute;dio e sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave;  cr&iacute;tica de problemas sociais.</p>     <p align="justify">A utiliza&ccedil;&atilde;o de categorias lingu&iacute;sticas justifica-se na  medida em que possibilita   ao/&agrave; analista explorar a materializa&ccedil;&atilde;o discursiva de  problemas sociais, em termos da   vincula&ccedil;&atilde;o de textos a discursos particulares. Quando se  faz uma an&aacute;lise discursiva   cr&iacute;tica, ent&atilde;o, o objetivo &eacute; mapear a rela&ccedil;&atilde;o entre  escolhas lingu&iacute;sticas em textos   particulares e outros momentos n&atilde;o-discursivos de  pr&aacute;ticas sociais (Fairclough,   Jessop &amp; Sayer, 2002).</p>     <p align="justify">Feitas essas breves observa&ccedil;&otilde;es acerca da cr&iacute;tica social  em ADC (para uma   discuss&atilde;o pormenorizada, ver Resende &amp; Ramalho,  2006), focalizo, na pr&oacute;xima   se&ccedil;&atilde;o, o problema social em an&aacute;lise neste trabalho,  considerando que a relev&acirc;ncia   da an&aacute;lise discursiva da naturaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza extrema  e da criminaliza&ccedil;&atilde;o de   pessoas em decorr&ecirc;ncia de sua situa&ccedil;&atilde;o de pobreza (Frade,  2007) decorre de que   s&atilde;o problemas parcialmente discursivos, atrelados &agrave;  naturaliza&ccedil;&atilde;o de discursos dominantes   acerca da precariza&ccedil;&atilde;o social e &agrave; dissimula&ccedil;&atilde;o de  quest&otilde;es sociais graves.   Sendo assim, s&atilde;o objetos anal&iacute;ticos para a ADC, dada sua  agenda de engajamento   como pr&aacute;tica te&oacute;rica cr&iacute;tica para a mudan&ccedil;a social.</p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><b>3. O Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente</b>   <b>e o debate acerca da maioridade penal</b></p>     <p align="justify">Institu&iacute;do em 13 de julho de 1990, como resultado de  d&eacute;cadas de luta e mobiliza&ccedil;&atilde;o   da sociedade civil em torno da quest&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o a  crian&ccedil;as e adolescentes   no Brasil, o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA)  representa uma supera&ccedil;&atilde;o   do antigo C&oacute;digo do Menor. Assim, o ECA &eacute; &quot;fruto de uma  longa luta social pela   mudan&ccedil;a de concep&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a e ao  adolescente&quot; (INESC, 2004).   Crian&ccedil;as e adolescentes deixam de ser vistos/as como  objetos e passam a ser (teoricamente)   reconhecidos/as como sujeitos de direitos, a partir da  regulamenta&ccedil;&atilde;o   dos artigos 227 e 228 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que regem  os direitos de crian&ccedil;as e   adolescentes brasileiros/as.</p>     <p align="justify">Embora a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal brasileira e o ECA adotem a  teoria da prote&ccedil;&atilde;o   integral a crian&ccedil;as e adolescentes &mdash;que se define na  responsabiliza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, da   sociedade e do Estado por sua prote&ccedil;&atilde;o&mdash;, o ECA &eacute;  frequentemente desrespeitado,   inclusive por falta de conhecimento da sociedade a seu  respeito (Melo, 2001). Os   casos de abuso contra crian&ccedil;as e adolescentes s&atilde;o  frequentes, o que inclui a viol&ecirc;ncia   de Estado. Um tipo j&aacute; banalizado dessa viol&ecirc;ncia &eacute; aquela  sofrida nos centros   de interna&ccedil;&atilde;o que deveriam cumprir a tarefa de  ressocializa&ccedil;&atilde;o de adolescentes   infratores/as. No Brasil, crian&ccedil;as e adolescentes n&atilde;o  cometem crimes, e sim atos   infracionais. A diferen&ccedil;a &eacute; que a l&oacute;gica das pol&iacute;ticas  p&uacute;blicas para adolescentes/   as infratores n&atilde;o recorre &agrave; l&oacute;gica do crime e castigo,  mas &agrave; l&oacute;gica da prote&ccedil;&atilde;o e da   reintegra&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade por meio de medidas  socioeducativas. Isso na teoria. Na   pr&aacute;tica, os centros de ressocializa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o verdadeiras  pris&otilde;es, incapazes, por sua   estrutura, de cumprir seu papel de reintegra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p align="justify">De acordo com a Se&ccedil;&atilde;o VII (Da interna&ccedil;&atilde;o) do Cap&iacute;tulo IV  (Das medidas socioeducativas)   do ECA, a interna&ccedil;&atilde;o de adolescentes em centros de  ressocializa&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o pode exceder a tr&ecirc;s anos. &Eacute; esse aspecto do ECA que  vem sendo questionado   por segmentos da sociedade civil e por parlamentares. De  um lado, h&aacute; a proposta   de amplia&ccedil;&atilde;o do prazo de interna&ccedil;&atilde;o para dez anos; de  outro, h&aacute; a proposta do   rebaixamento da maioridade penal, ficando adolescentes a  partir de 16 anos sujeitos   &agrave; pris&atilde;o, nos mesmos pres&iacute;dios em que adultos/as cumprem  pena.</p>     <p align="justify">Sabemos, entretanto, que o sistema prisional brasileiro  est&aacute; em colapso. Pres&iacute;dios   superlotados s&atilde;o apenas parte do problema. O sistema  penitenci&aacute;rio brasileiro   nunca cumpriu papel de recupera&ccedil;&atilde;o e ressocializa&ccedil;&atilde;o,  como &eacute; de conhecimento   geral. O mesmo, como vimos, se aplica aos centros de  ressocializa&ccedil;&atilde;o voltados   para o atendimento de adolescentes. Os tr&ecirc;s anos de  interna&ccedil;&atilde;o previstos no ECA   n&atilde;o surtem o efeito desejado pela fal&ecirc;ncia do sistema de  priva&ccedil;&atilde;o de liberdade. &Eacute;   evidente que dez anos nesse mesmo sistema tamb&eacute;m n&atilde;o  chegar&atilde;o ao termo &mdash;a   quest&atilde;o fundamental &eacute; a da qualidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">Quanto ao rebaixamento da maioridade penal no Brasil, &eacute;  igualmente medida   falaciosa, visto que o problema do envolvimento de  crian&ccedil;as e adolescentes com o   crime organizado n&atilde;o seria resolvido por meio de  semelhante medida: o resultado   seria a coopta&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes cada vez  mais jovens pelas organiza&ccedil;&otilde;es   criminosas.</p>     <p align="justify">O debate acerca do ECA no Brasil, notadamente na m&iacute;dia,  raramente menciona   qualidade do atendimento, mas apenas a quantidade (em  termos temporais) da interna&ccedil;&atilde;o.   Al&eacute;m disso, nota-se um retrocesso na percep&ccedil;&atilde;o de  crian&ccedil;as e adolescentes   no Brasil &mdash;abandona-se o discurso da prote&ccedil;&atilde;o para se  retomar o da criminaliza&ccedil;&atilde;o.   N&atilde;o se estabelece a necess&aacute;ria rela&ccedil;&atilde;o entre a  marginaliza&ccedil;&atilde;o de adolescentes   e a exclus&atilde;o socioecon&ocirc;mica de suas fam&iacute;lias, a precariza&ccedil;&atilde;o  social, a car&ecirc;ncia de   servi&ccedil;os. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, n&atilde;o se percebe a rela&ccedil;&atilde;o  entre a precariedade dos   servi&ccedil;os oferecidos pelo Estado &agrave; sociedade brasileira e  a absurda corrup&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica   com a qual convivemos, e que nos envergonha.</p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><b>4. Aparta&ccedil;&atilde;o e dessemelhan&ccedil;a, fragmenta&ccedil;&atilde;o e expurgo do  outro</b></p>     <p align="justify">O termo <i>aparta&ccedil;&atilde;o</i>, conforme Buarque (2001) explica, tem sua origem  etimol&oacute;gica   na palavra latina <i>partire</i>, cujo conceito refere-se &agrave; divis&atilde;o em partes. O   voc&aacute;bulo latino deu origem, no <i>afric&acirc;ner</i>,  ao termo <i>apartheid</i>, na &Aacute;frica do Sul.   Do conceito de <i>apartheid </i>social, Buarque prop&ocirc;s o termo  aparta&ccedil;&atilde;o, como o desenvolvimento   separado de segmentos em uma sociedade n&atilde;o em termos de  etnias,   mas de classes.</p>     <p align="justify">Buarque (2001, p. 34) esclarece que &quot;o centro do conceito  de aparta&ccedil;&atilde;o est&aacute; em   que o desenvolvimento brasileiro n&atilde;o provoca apenas  desigualdade social, mas uma   separa&ccedil;&atilde;o entre grupos sociais&quot;. Nesse sentido, o autor  prop&otilde;e um <i>continuum </i>entre   os conceitos de desigualdade, diferen&ccedil;a e dessemelhan&ccedil;a.  Em um caso de <i>desigualdade</i>,   as classes sociais, embora desiguais, convivem em uma  rela&ccedil;&atilde;o de necessidade   m&uacute;tua, e todas t&ecirc;m acesso aos bens essenciais como  alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o.   O que as torna desiguais &eacute; o acesso ao consumo de bens e  servi&ccedil;os considerados   sup&eacute;rfluos. Nesse sentido, a desigualdade social  constitui a distin&ccedil;&atilde;o entre pessoas   do mesmo lado da fronteira social. A <i>diferen&ccedil;a</i>,  por outro lado, refere-se &agrave; distin&ccedil;&atilde;o   entre os dois lados dessa fronteira. O que distingue a <i>dessemelhan&ccedil;a </i>da  diferen&ccedil;a &eacute;   a perda do &quot;sentimento de semelhan&ccedil;a&quot;, do ju&iacute;zo &eacute;tico que  nos faz sentir, todos/as,   membros de uma mesma esp&eacute;cie de indiv&iacute;duos.</p>     <p align="justify">Em sua discuss&atilde;o sobre ideologia, Thompson (1995)  refere-se aos modos de   opera&ccedil;&atilde;o da ideologia, esta entendida como formas  simb&oacute;licas que servem para   estabelecer e sustentar rela&ccedil;&otilde;es sistematicamente  assim&eacute;tricas de poder. Na <i>fragmenta&ccedil;&atilde;o</i>,   um dos cinco modos gerais de opera&ccedil;&atilde;o da ideologia,  rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o   podem ser sustentadas por meio da segmenta&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica  de indiv&iacute;duos e   grupos. Uma das estrat&eacute;gias de constru&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da  fragmenta&ccedil;&atilde;o &eacute; o <i>expurgo</i>   <i>do outro</i>,  em que se objetiva representar simbolicamente o grupo que possa constituir   obst&aacute;culo ao poder hegem&ocirc;nico como um inimigo que deve  ser combatido.   Segundo Thompson (1995, p. 87), o expurgo do outro &quot;envolve  a constru&ccedil;&atilde;o de um   inimigo contra o qual os indiv&iacute;duos s&atilde;o chamados a resistir  coletivamente ou a   expurg&aacute;-lo&quot;. O autor explica que essa estrat&eacute;gia de  fragmenta&ccedil;&atilde;o &eacute; utilizada muitas   vezes em articula&ccedil;&atilde;o com a <i>unifica&ccedil;&atilde;o </i>&mdash;modo  de opera&ccedil;&atilde;o da ideologia pelo   qual se constr&oacute;i uma unidade simb&oacute;lica que cria uma  identidade coletiva. Assim,   por meio da fragmenta&ccedil;&atilde;o de um segmento da sociedade e da  unifica&ccedil;&atilde;o de outro   segmento&mdash; tido como oposto ao primeiro &mdash;constroem-se  dualidades do tipo <i>n&oacute;s</i>   <i>x eles</i>, em que &#39;eles&#39;  constitui um inimigo a ser combatido e expurgado por meio   da uni&atilde;o do conjunto &#39;n&oacute;s&#39;.</p>     <p align="justify">A divis&atilde;o manique&iacute;sta entre &#39;n&oacute;s&#39; e &#39;eles&#39; pode ser  totalizadora, no sentido   de se filiar a uma l&oacute;gica de apar&ecirc;ncias em que as  rela&ccedil;&otilde;es causais e estruturais do   problema em quest&atilde;o na divis&atilde;o dos grupos antag&ocirc;nicos n&atilde;o  s&atilde;o percebidas. Em   sua vers&atilde;o extrema, a oposi&ccedil;&atilde;o entre bom/mau,  humano/desumano, civilizado/   b&aacute;rbaro pode resultar no apagamento da semelhan&ccedil;a, do  sentimento de pertencer   a uma mesma esp&eacute;cie, humana.</p>     <p align="justify">Esse apagamento de identidade humana parece acontecer de  modo assustador   entre as elites &mdash;a&iacute; inclu&iacute;da a classe m&eacute;dia&mdash; e os  segmentos exclu&iacute;dos da produ&ccedil;&atilde;o   e do consumo. Por que nos permitimos assistir a  popula&ccedil;&otilde;es miser&aacute;veis recolhendo   alimentos no lixo, e nada fazemos? Por que nos permitimos  assistir a crian&ccedil;as sendo   vitimizadas por todo tipo de viol&ecirc;ncia cotidianamente?  Por que nos comovemos   com as mortes de certas pessoas e n&atilde;o com as de outras?  Por que nos sensibiliza   o assassinato de uma crian&ccedil;a de classe m&eacute;dia e n&atilde;o o  assassinato de crian&ccedil;as da   favela? Por que a tortura de presos pobres n&atilde;o nos causa  horror? A resposta, t&atilde;o   estarrecedora quanto o epis&oacute;dio pelo qual iniciamos esta  reflex&atilde;o, pode ser uma   quest&atilde;o de identidade: j&aacute; n&atilde;o nos identificamos com essa  parcela de nossa esp&eacute;cie!   Em nosso pertencimento &agrave; esp&eacute;cie humana, alguns/algumas  s&atilde;o mais humanos/   as que outros/as.</p>     <p align="justify">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><b>5. Na pr&aacute;tica: o que dizem os dados</b></p>     <p align="justify">A perda do sentimento de semelhan&ccedil;a e a fragmenta&ccedil;&atilde;o por  expurgo do outro   ficam claras nos dados coletados, em excertos como os que  seguem (grifos meus),   extra&iacute;dos do <i>videochat </i>com o deputado Fraga, que fez da  como&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica seu   palanque. Ao dissertar sobre as garantias de direitos  assegurados &mdash;embora nunca   conquistados&mdash; no ECA, diz ele:</p> </font>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(1) Eu defendo os &quot;Direitos Humanos&quot; <i>para os humanos direitos</i>.     </font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(2) Os &quot;Direitos Humanos&quot; devem ser para <i>o cidad&atilde;o de bem, honesto e trabalhador</i>.     </font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(3) Eu tenho dito, e me desculpe quem n&atilde;o gosta dessa  tese, que se est&aacute; achando ruim     fa&ccedil;a um teste: adote <i>uma  crian&ccedil;a dessa </i>e leve para sua casa. E as pessoas  v&atilde;o ver     que n&atilde;o &eacute; bem assim. A <i>crueldade </i>desses jovens atingiu limites assim  alt&iacute;ssimos.     Temos que tentar reeducar, mas <i>tem alguns que v&ecirc;m ao mundo para fazer o mal &agrave;s</i>     <i>pessoas de bem</i>.</font></p> </blockquote> <font face="verdana" size="2">     <p align="justify">Nos tr&ecirc;s excertos destacados fica patente a vincula&ccedil;&atilde;o do  discurso do parlamentar   &agrave; l&oacute;gica da aparta&ccedil;&atilde;o, &agrave; segmenta&ccedil;&atilde;o da sociedade em  grupos antag&ocirc;nicos   em que um representa &#39;o bem&#39; e portanto deve ter  direitos, ao contr&aacute;rio do outro.   No exemplo (1), a refer&ecirc;ncia a &quot;humanos direitos&quot;  pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia tamb&eacute;m   de seres humanos tomados <i>a priori </i>como  &#39;errados&#39; e, como tal, n&atilde;o sendo sujeitos   dos mesmos direitos assegurados ao primeiro grupo. A tese  de que os <i>direitos </i>ditos   <i>humanos </i>n&atilde;o  se aplicam a todo o conjunto dos seres humanos sugere a fragmenta&ccedil;&atilde;o   da humanidade e, portanto, a vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; l&oacute;gica da  dessemelhan&ccedil;a. Isso fica claro   pela <i>justaposi&ccedil;&atilde;o das  express&otilde;es </i>&#39;direitos humanos&#39; e &#39;humanos  direitos&#39;: o significado   decorrente dessa <i>coloca&ccedil;&atilde;o </i>n&atilde;o deixa d&uacute;vidas de que os direitos  humanos, na   perspectiva do parlamentar, n&atilde;o seriam universais.</p>     <p align="justify">No excerto (2), a vincula&ccedil;&atilde;o do grupo caracterizado como  do &quot;cidad&atilde;o de bem&quot;   ao trabalho (o &quot;cidad&atilde;o de bem&quot; &eacute; aqui representado como  sendo um &quot;trabalhador&quot;)   ilustra uma l&oacute;gica de apar&ecirc;ncias que apaga o fato de que  faltam milhares de postos   de trabalho e de que o desemprego est&aacute; na raiz do  problema debatido. Al&eacute;m de   &quot;trabalhador&quot;, o &quot;cidad&atilde;o de bem&quot; &eacute; aqui <i>discursivamente representado </i>como &quot;honesto&quot;.   De acordo com essa l&oacute;gica, poderia causar estranheza que,  no Brasil, n&atilde;o se   questionem ent&atilde;o os direitos de cidadania dos/as  in&uacute;meros/as pol&iacute;ticos/as corruptos   que sangram os cofres p&uacute;blicos. Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o  sujeitos de mais direitos do que   cabem ao &quot;cidad&atilde;o de bem&quot;, o que inclui fora privilegiado  para o julgamento de   seus &#39;deslizes&#39;.</p>     <p align="justify">A divis&atilde;o manique&iacute;sta <i>bem  x mal </i>permanece em evid&ecirc;ncia no terceiro  trecho   em destaque, notadamente em &quot;uma crian&ccedil;a dessa&quot; e no  &uacute;ltimo per&iacute;odo: &quot;fazer o   mal &agrave;s pessoas de bem&quot;. A <i>modalidade de&ocirc;ntica </i>que  expressa obrigatoriedade em   &quot;<i>Temos que </i>tentar reeducar&quot; &eacute; desconstru&iacute;da tanto na <i>escolha do verbo </i>&quot;tentar&quot;   quanto na utiliza&ccedil;&atilde;o da <i>estrutura  de oposi&ccedil;&atilde;o </i>&quot;<i>mas </i>tem alguns que v&ecirc;m ao mundo   para fazer o mal &agrave;s pessoas de bem&quot;. Aqui se nota tanto a  fragmenta&ccedil;&atilde;o dessa parcela   da popula&ccedil;&atilde;o considerada dotada de &quot;crueldade&quot; quanto a  unifica&ccedil;&atilde;o de outros   segmentos, exortados a se unir em seu expurgo.</p>     <p align="justify">Nota-se na intera&ccedil;&atilde;o um foco voltado para desacreditar os  movimentos sociais   que atuam na luta pela universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos  humanos. O expurgo do outro   &eacute; evidenciado pela cren&ccedil;a em &quot;crueldade&quot; intr&iacute;nseca e  pela divis&atilde;o entre bem e   mal. Ao contr&aacute;rio do paradigma vigente no ECA, o da  prote&ccedil;&atilde;o, entra em cena um   discurso de criminaliza&ccedil;&atilde;o: uma vez que se entende que as  crian&ccedil;as e adolescentes   infratores/as (&quot;uma <i>dessas </i>crian&ccedil;as&quot;) n&atilde;o ser&atilde;o  ressocializados/as &mdash;o que decorre   por rela&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de &quot;v&ecirc;m ao mundo para fazer o mal &agrave;s  pessoas de bem&quot;&mdash; nas   institui&ccedil;&otilde;es que deveriam ter essa finalidade. Ent&atilde;o fica  claro que a priva&ccedil;&atilde;o de sua   liberdade sai da l&oacute;gica da prote&ccedil;&atilde;o para a l&oacute;gica do &#39;crime  e castigo&#39;. N&atilde;o se trata   da proposta de uma modifica&ccedil;&atilde;o simples na Lei vigente,  trata-se de uma guinada   paradigm&aacute;tica no trato &agrave; inf&acirc;ncia e &agrave; juventude no pa&iacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">Apesar de uma aparente coer&ecirc;ncia no discurso que  relaciona prote&ccedil;&atilde;o &agrave; impunidade,   mesmo defensores dos Projetos de Emenda Constitucional  que tramitam   no Congresso acerca do rebaixamento da maioridade penal  no Brasil, como &eacute; o   caso do deputado Fraga, percebem a contradi&ccedil;&atilde;o evidente  da proposta, como se   nota no excerto (4), a seguir:</p> </font>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(4) Talvez, daqui a alguns anos, tenhamos que come&ccedil;ar  tudo novamente para se alterar     a idade de 16 anos, porque o de 14 ou o de 15 mata da  mesma forma, tem a mesma     crueldade.</font></p> </blockquote> <font face="verdana" size="2">     <p align="justify">Nesse trecho (4) o parlamentar trai seu pr&oacute;prio discurso,  pois esclarece que o   rebaixamento da maioridade penal n&atilde;o implicaria  diminui&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia nem   resolu&ccedil;&atilde;o do problema da coopta&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e  adolescentes pelo crime organizado   ou da falta de expectativas que assola os/as filhos/as  dos/as desempregados/   as cr&ocirc;nicos, para usar uma express&atilde;o de Bourdieu (1998).  N&atilde;o se trata, ent&atilde;o, de   resolver a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia urbana no pa&iacute;s; trata-se  apenas de oferecer resposta   superficial a uma sociedade apartada, pronta, em sua  miopia, para o expurgo de   uma parcela de si.</p>     <p align="justify">Se, por outro lado, nos voltarmos para os coment&aacute;rios ao <i>chat</i>, enviados por   cidad&atilde;os/&atilde;s brasileiros/as preocupados/as com a seguran&ccedil;a  p&uacute;blica e partid&aacute;rios/   as do rebaixamento da maioridade penal no Brasil,  verificaremos a amplifica&ccedil;&atilde;o   dos trechos da fala do deputado. Acobertados/as pelo  manto do anonimato, nos   coment&aacute;rios o expurgo adquire contornos ainda mais  expl&iacute;citos. Vejamos tr&ecirc;s desses   coment&aacute;rios nos excertos (5), (6) e (7) a seguir:</p> </font>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(5) Andar, correr, sorrir, comer, falar, n&atilde;o s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es  que, por si s&oacute; caracterizam um     ser humano. Para poder clamar pelos direitos humanos um  ser vivente <i>deveria</i>     <i>ser </i>dotado, tamb&eacute;m,  de sentimentos, o que n&atilde;o ocorre com <i>essas  excrec&ecirc;ncias</i>. A     sociedade <i>persegue  e liquida escorpi&otilde;es, cobras, taturanas e outras pragas</i>.     </font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(6) <i>Monstros</i>!! &Eacute; isso que eles s&atilde;o, portanto, <i>devem ser tratados como tal</i>. <i>Deveria-se</i>     <i>amarr&aacute;-los numa jamanta e arrast&aacute;-los at&eacute; a morte</i>.     156     Universidad Nacional de Colombia, Facultad de Ciencias  Humanas, Departamento de Ling&uuml;&iacute;stica     Viviane de Melo Resende     </font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(7) O que eu vejo &eacute; <i>um  monte de esterco</i>, um monte de p&aacute;rias, uns  vagabundos, uns     assassinos. Vejo <i>uns  animais </i>que <i>n&atilde;o fariam falta nenhuma neste mundo</i>, ao contr&aacute;rio     dos <i>ratos </i>e <i>baratas </i>pois estes ainda servem para manter equilibrado o ciclo  animal.</font></p> </blockquote> <font face="verdana" size="2">     <p align="justify">Uma breve an&aacute;lise da representa&ccedil;&atilde;o discursiva dos jovens  envolvidos no evento   &eacute; suficiente para indicar o expurgo do outro nesses  trechos. A <i>representa&ccedil;&atilde;o de atores</i>   <i>sociais </i>&eacute;  uma categoria f&eacute;rtil em ADC, desenvolvida em detalhes por van Leeuwen   (2008). Assim, &quot;as maneiras como atores sociais s&atilde;o  representados em textos podem   indicar posicionamentos ideol&oacute;gicos em rela&ccedil;&atilde;o a eles e  suas atividades&quot; (Resende   &amp; Ramalho, 2006, p. 72). Nas inst&acirc;ncias discursivas  em an&aacute;lise, os atores sociais   representados s&atilde;o <i>impersonalizados</i>, isto &eacute;, representados por meio de &quot;significados   que n&atilde;o incluem o tra&ccedil;o sem&acirc;ntico humano&quot; (van Leeuwen,  2008, p. 46).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">Retirar-lhes o atributo &#39;humano&#39; &eacute; uma forma de  justificar a nega&ccedil;&atilde;o dos direitos   humanos a esses indiv&iacute;duos. A impersonaliza&ccedil;&atilde;o ocorre  tanto em &quot;monstros&quot;   quanto em &quot;essas excrec&ecirc;ncias&quot;/&quot;um monte de esterco&quot; e,  ainda, na compara&ccedil;&atilde;o   metaf&oacute;rica com &quot;escorpi&otilde;es, cobras, taturanas e outras  pragas&quot;/&quot;ratos e baratas&quot;.   Em todos os casos, h&aacute; uma alta carga de <i>avalia&ccedil;&atilde;o </i>na  representa&ccedil;&atilde;o analisada, em   decorr&ecirc;ncia da <i>sele&ccedil;&atilde;o  lexical </i>e da <i>carga sem&acirc;ntica </i>associada.</p>     <p align="justify">No caso das <i>met&aacute;foras </i>que animalizam explicitamente os  atores sociais representados,   a indica&ccedil;&atilde;o do tratamento dispensado aos animais citados  no exemplo   (5) &mdash;&quot;A sociedade persegue e liquida&quot;&mdash; indica o tipo de  tratamento que se sugere   dever ser estendido aos jovens delinquentes: persegui&ccedil;&atilde;o  e aniquila&ccedil;&atilde;o. &Eacute; justamente   o que fazem os grupos de exterm&iacute;nio que agem nas grandes  cidades brasileiras. Essa   representa&ccedil;&atilde;o est&aacute; de acordo com a l&oacute;gica da aparta&ccedil;&atilde;o e  da dessemelhan&ccedil;a.</p>     <p align="justify">Nos exemplos (6) e (7), o desfecho n&atilde;o &eacute; diferente: a  sugest&atilde;o do exterm&iacute;nio   como solu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se verifica. No exemplo (6)  explicitamente, pois a sugest&atilde;o   de tratamento &eacute; &quot;amarr&aacute;-los numa jamanta e arrast&aacute;-los  at&eacute; a morte&quot;. No exemplo   (7) de forma mais impl&iacute;cita, quando se sugere que &quot;n&atilde;o  fariam falta nenhuma neste   mundo ao contr&aacute;rio dos ratos e baratas&quot;. Na compara&ccedil;&atilde;o  com os animais, os jovens   infratores e pobres saem perdendo, o que indica, mais uma  vez, a dessemelhan&ccedil;a   denunciada por Buarque (2001).</p>     <p align="justify">Vejamos, finalmente, um &uacute;ltimo coment&aacute;rio ao <i>chat</i>, transcrito no  exemplo (8):</p> </font>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">(8) Racioc&iacute;nio: a maioria da corja vem de fam&iacute;lias pobres  ou miser&aacute;veis. Os pais desses     sujeitos tiveram mais filhos do que conseguiram dar conta  dignamente. <i>Estes, ainda</i>     <i>mais pobres, tamb&eacute;m se acham no direito de colocar mais  almas nesse mundo</i>, com     &oacute;timas chances de repetir a trajet&oacute;ria decadente dos seus  progenitores. A reflex&atilde;o     &eacute;: <i>o pa&iacute;s n&atilde;o  precisa de mais miser&aacute;veis. Se o controle de natalidade come&ccedil;ar j&aacute;, nossos</i>     <i>netos poder&atilde;o ter uma vida mais tranquila</i>.</font></p> </blockquote> <font face="verdana" size="2">     <p align="justify">Neste &uacute;ltimo exemplo, a pobreza e a mis&eacute;ria s&atilde;o  associadas &agrave; viol&ecirc;ncia de modo   inexor&aacute;vel. De acordo com esse racioc&iacute;nio, e em nome da  seguran&ccedil;a das elites,   nega-se aos pobres o direito de se reproduzirem. Esse  significado &eacute; <i>texturizado </i>com   base em <i>ironia</i>: &quot;tamb&eacute;m se acham no direito de colocar mais almas nesse  mundo&quot;.   Soma-se a isso a <i>reprodu&ccedil;&atilde;o  textual </i>da aparta&ccedil;&atilde;o entre as classes, na  cria&ccedil;&atilde;o discursiva   de dois grupos antag&ocirc;nicos no excerto: &quot;miser&aacute;veis&quot; e &quot;nossos  netos&quot;.</p>     <p align="justify">Assim, o que os coment&aacute;rios analisados sugerem, como  estrat&eacute;gia para a garantia   da seguran&ccedil;a da elite brasileira e de seus descendentes,  &eacute;, por um lado, o   exterm&iacute;nio desses jovens infratores &mdash;nos exemplos (5),  (6) e (7)&mdash; e, por outro, a   elimina&ccedil;&atilde;o da mis&eacute;ria por meio de &quot;controle de natalidade&quot;  &mdash;no exemplo (8). Em   nenhum momento se cogita a possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o da  mis&eacute;ria por meio de   condi&ccedil;&otilde;es mais justas de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao emprego,  por exemplo.</p>     <p align="justify">Em nenhum momento se assume que fatos lament&aacute;veis como o  evento que deu   origem aos textos analisados s&atilde;o tamb&eacute;m consequ&ecirc;ncia de uma  distribui&ccedil;&atilde;o injusta   n&atilde;o s&oacute; de renda, mas tamb&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de  sobreviv&ecirc;ncia. Em nenhum   momento se reconhece que o estado atual tem por origem  uma s&eacute;rie de equ&iacute;vocos   pol&iacute;ticos que envolvem a industrializa&ccedil;&atilde;o sem altera&ccedil;&atilde;o  na estrutura agr&aacute;ria; a implanta&ccedil;&atilde;o   da ditadura e suas consequ&ecirc;ncias: concentra&ccedil;&atilde;o de renda,  endividamento,   abandono dos setores sociais; a instala&ccedil;&atilde;o da democracia  sem uma reforma de prioridades;   o &ecirc;xodo rural e a consequente metropoliza&ccedil;&atilde;o da pobreza;  a periferiza&ccedil;&atilde;o   da pobreza nas favelas, com radical perda de qualidade de  vida para as popula&ccedil;&otilde;es   pobres; a falta de investimento em servi&ccedil;os p&uacute;blicos,  como a educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p align="justify">Simplificar um problema t&atilde;o complexo em estruturas  bin&aacute;rias tais como bem/   mal e humano/animal, sinalizando a oposi&ccedil;&atilde;o n&oacute;s/eles, n&atilde;o  parece ser um meio   racional de se construir o debate. Precisamos, sim,  enfretar essa discuss&atilde;o. Mas   n&atilde;o nesses termos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;</p>     <p align="justify"><b>6. &Agrave; guisa de considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p align="justify">Em um contexto de viol&ecirc;ncia extrema, o rebaixamento da  maioridade penal   tem sido pautado pela m&iacute;dia e por parlamentares como  poss&iacute;vel &#39;solu&ccedil;&atilde;o&#39;. Pode-se   argumentar que tanto a m&iacute;dia quanto o Congresso apenas  oferecem resposta &agrave;   inquieta&ccedil;&atilde;o da sociedade. Sim, mas n&atilde;o s&oacute; isso. A m&iacute;dia,  quando pauta a discuss&atilde;o   nesses termos e com um investimento not&aacute;vel na quest&atilde;o,  n&atilde;o apenas responde &agrave;   sociedade como ajuda a construir uma vers&atilde;o altamente  posicionada da realidade   &mdash;de acordo com a dial&eacute;tica entre discurso e sociedade. E  essa perspectiva parcial   do problema, tantas vezes repetida em diferentes textos e  diversas esferas, acaba   por atuar na cria&ccedil;&atilde;o de inquieta&ccedil;&atilde;o social ainda maior.</p>     <p align="justify">Tamb&eacute;m &eacute; f&aacute;cil argumentar que os/as parlamentares apenas  refletem o que   pensa a sociedade. O que se evita dizer &eacute; que o problema  da viol&ecirc;ncia urbana e   a como&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em torno do rebaixamento da maioridade  penal est&atilde;o sendo   utilizados como palanque pol&iacute;tico e como estrat&eacute;gia de  recupera&ccedil;&atilde;o da imagem de   um congresso desgastado pelos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o em  que se envolve cada   vez mais constantemente.</p>     <p align="justify">O debate acerca de inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia no Brasil &eacute;  urgente e n&atilde;o pode ser   postergado. Mas precisa ser feito de modo s&eacute;rio, muito  diferente da cobertura de   apar&ecirc;ncias a que temos assistido. O que queremos? Vamos  assumir a aparta&ccedil;&atilde;o de   nossa sociedade e abrir m&atilde;o de direitos teoricamente  assegurados antes que sejam efetivamente conquistados?<font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2">   </font></font></font></font></font></font></p> <font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><hr size="1"> </font></font></font></font> </font>  </font>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a href="#s*" name="*"><sup>*</sup></a> Este artigo n&atilde;o &eacute; resultado direto de minha pesquisa de  doutorado, mas sim um resultado   indireto. A pesquisa, intitulada &quot;An&aacute;lise de Discurso  Cr&iacute;tica e Etnografia: o Movimento   Nacional de Meninos e Meninas de Rua, sua crise e o  protagonismo juvenil&quot;, foi realizada entre 2005 e 2008, com o  apoio da Capes. </font><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"></font></font></font></font></font></font></font></p> <font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><font face="verdana" size="2"><hr size="1">     <b>Referencias</b></font>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (1998). <i>Contrafogos</i>.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0120-338X200900010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BUARQUE, C. (2001). <i>O que &eacute;      aparta&ccedil;&atilde;o</i><i> - </i><i>o apartheid social        brasileiro</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0120-338X200900010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CHOULIARAKI, L. &amp; FAIRCLOUGH, N. (1999). <i>Discourse in Late Modernity. Rethinking</i>     <i>Critical Discourse Analysis</i>. Edinburgh:  Edinburgh University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0120-338X200900010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ECA (Estatuto da  Crian&ccedil;a e do Adolescente). (2002 &#91;Lei 8.069/ 1990&#93;). Bras&iacute;lia:   Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0120-338X200900010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>FAIRCLOUGH, N. (2001). <i>Discurso e mudan&ccedil;a social</i>. 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London: Routledge.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0120-338X200900010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>FAIRCLOUGH, N.; JESSOP, B. &amp; SAYER, A. (2002). Critical Realism and  Semiosis.     <i>Journal of Critical Realism  (incorporating Alethia), 5</i>(1), 2-10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0120-338X200900010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>FRADE, L. (2007). <i>O que o Congresso Nacional brasileiro pensa sobre a  criminalidade </i>(tese   de doutorado, Sociologia). Universidade de Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0120-338X200900010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INESC (Instituto de  Estudos Socioecon&ocirc;micos). (2004). <i>Colet&acirc;nea  de leis sobre os direitos</i>     <i>da crian&ccedil;a e do adolescente</i>. Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0120-338X200900010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MELO, E. U. (2001). Aspectos sobre o trabalho for&ccedil;ado e o trabalho  infantil no Brasil. In     <i>Cadernos do </i><i>CEAM </i>(pp. 51-58). Bras&iacute;lia: N&uacute;cleo de Estudos da Inf&acirc;ncia e  Juventude.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0120-338X200900010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify">RESENDE, V. M. (2008). <i>An&aacute;lise de Discurso Cr&iacute;tica e Etnografia: o Movimento  Nacional</i>     <i>de Meninos e Meninas de Rua, sua crise e o protagonismo  juvenil </i>(tese de doutorado,   Lingu&iacute;stica). Universidade de Bras&iacute;lia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0120-338X200900010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>RESENDE, V. M. (2009). <i>An&aacute;lise de Discurso Cr&iacute;tica e Ralismo Cr&iacute;tico: implica&ccedil;&otilde;es</i>     <i>interdisciplinares</i>.  Campinas: Pontes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0120-338X200900010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>RESENDE, V. M. &amp; RAMALHO, V.  (2006). <i>An&aacute;lise de Discurso Cr&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo:   Contexto.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0120-338X200900010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>THOMPSON, J. B. (1995). <i>Ideologia e cultura moderna</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0120-338X200900010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>VAN LEEUWEN, T. (2008). <i>Discourse and practice</i>. New tools for Critical  Discourse   Analysis. Oxford:  Oxford University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0120-338X200900010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify">WODAK, R. (2003). De qu&eacute; trata el an&aacute;lisis  cr&iacute;tico del discurso (ACD).  Resumen de su   historia, sus conceptos fundamentales y sus desarrollos.  In R.  Wodak &amp; M. Meyer (orgs.), <i>M&eacute;todos de an&aacute;lisis cr&iacute;tico  del discurso </i>(pp.  17-34). Barcelona: Gedisa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0120-338X200900010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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