<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0120-338X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Forma y Función]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Forma funcion, Santaf, de Bogot, D.C.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0120-338X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidad Nacional de Colombia.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0120-338X2010000200003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[INTERATIVIDADE NA CORRESPONDÊNCIA PUBLICADA EM JORNAIS PAULISTAS]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[INTERACTIVITY IN THE CORRESPONDENCE PUBLISHED IN THE NEWSPAPERS OF SAO PAULO]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[da Cunha Victório de Oliveira Andrade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Lúcia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>23</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>73</fpage>
<lpage>95</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0120-338X2010000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0120-338X2010000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0120-338X2010000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O objetivo deste trabalho é focalizar, numa perspectiva textual-interativa, como o gênero discursivo carta do leitor foi se constituindo e se modificando a partir das necessidades interacionais, isto é, o dialogismo estabelecido entre o escrevente e seu interlocutor, evidenciado por meio das marcas lingüísticas encontras nas Cartas publicadas em jornais paulistas do século XIX. Nesses jornais, havia uma seção de cartas enviadas pelos leitores da época, cujo propósito era, em certos casos, pedir ajuda para resolver algum problema ou contar um episódio particular que precisava de uma solução. Podemos dizer que essa seção seria uma espécie de consultório de reclamações, pedidos ou mesmo para estabelecimento de contato com parentes ou amigos. O corpus é constituído de 14 cartas publicadas entre os anos de 1828 e 1893, nos seguintes jornais paulistas: Farol Paulistano, Diário de São Paulo, A Província de São Paulo, Correio Paulistano.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this paper is to analyze, from a textual-interactive perspective, how the discursive genre of letters from the readers was constituted and modified due to interactive needs, that is, the dialogism established between writers and their interlocutors, as evidenced in the linguistic markers found in the letters published in the Sao Paulo press in the 19th century. Those newspapers had a section dedicated to letters sent by the readers, many of which asked for help in solving a problem or told about a specific episode that needed a solution. Thus, it could be said that this section was an advice and requests column, as well as a way of establishing contact with relatives or friends. The object of study is made up of 14 letters published between 1828 and 1893 in the following newspapers: Farol Paulistano, Diário de São Paulo, A Província de São Paulo, Correio Paulistano.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[carta do leitor]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[dialogismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[gênero discursivo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[interatividade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[dialogism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[discursive genre]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[interactive markers]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[letters from the readers]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b><font size="4">INTERATIVIDADE NA  CORRESPOND&Ecirc;NCIA    <br> PUBLICADA EM JORNAIS PAULISTAS</font></b><a href="#*" name="s*"><sup>*</sup></a></font></p>     <p align="center"><font size="3" face="verdana"> INTERACTIVITY IN THE CORRESPONDENCE    <br> PUBLISHED IN THE NEWSPAPERS OF SAO PAULO</font></p>     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana"><b><i>Maria L&uacute;cia da Cunha Vict&oacute;rio de Oliveira Andrade</i></b>    <br>Universidade de S&atilde;o Paulo, Brasil    <br> <a href="mailto:maluvictorio@uol.com.br">maluvictorio@uol.com.br</a></font></p>     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana">Art&iacute;culo de investigaci&oacute;n, recibido 07-04-2008, aceptado 06-06-2011 </font></p> <hr size="1">     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo </b></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font size="2" face="verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; focalizar, numa perspectiva textual-interativa, como o g&ecirc;nero discursivo carta do leitor foi se constituindo e se modificando a partir das necessidades interacionais, isto &eacute;, o dialogismo estabelecido entre o escrevente e seu interlocutor, evidenciado por meio das marcas ling&uuml;&iacute;sticas encontras nas Cartas publicadas em jornais paulistas do s&eacute;culo XIX. Nesses jornais, havia uma se&ccedil;&atilde;o de cartas enviadas pelos leitores da &eacute;poca, cujo prop&oacute;sito era, em certos casos, pedir ajuda para resolver algum problema ou contar um epis&oacute;dio particular que precisava de uma solu&ccedil;&atilde;o. Podemos dizer que essa se&ccedil;&atilde;o seria uma esp&eacute;cie de consult&oacute;rio de reclama&ccedil;&otilde;es, pedidos ou mesmo para estabelecimento de contato com parentes ou amigos. O corpus &eacute; constitu&iacute;do de 14 cartas publicadas entre os anos de 1828 e 1893, nos seguintes jornais paulistas: Farol Paulistano, Di&aacute;rio de S&atilde;o Paulo, A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, Correio Paulistano. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana"><B>Palavras chave:</B><I> carta do leitor, dialogismo, g&ecirc;nero discursivo, interatividade. </I></font></p> </blockquote> <hr size="1">     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><b>Abstract </b></font></p>       <p align="left"><font size="2" face="verdana"></B>The objective of this paper is to analyze, from a textual-interactive perspective, how the discursive genre of letters from the readers was constituted and modified due to interactive needs, that is, the dialogism established between writers and their interlocutors, as evidenced in the linguistic markers found in the letters published in the Sao Paulo press in the 19th century. Those newspapers had a section dedicated to letters sent by the readers, many of which asked for help in solving a problem or told about a specific episode that needed a solution. Thus, it could be said that this section was an advice and requests column, as well as a way of establishing contact with relatives or friends. The object of study is made up of 14 letters published between 1828 and 1893 in the following newspapers: <I>Farol Paulistano, Di&aacute;rio de S&atilde;o Paulo, A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, Correio Paulistano</I>. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana"><B>Key words:</B><I> dialogism, discursive genre, interactive markers, letters from the readers. </I></font></p> </blockquote> <hr size="1"> </font></p>     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana"><I>&#91;...&#93; a palavra, esse dom divino que fez do homem simples mat&eacute;ria organizada, um    <BR>   ente superior na cria&ccedil;&atilde;o, a palavra foi sempre uma reforma &#91;...&#93;, esculpida no jornal, &eacute;    <BR>   prodigiosa e criadora, mas n&atilde;o &eacute; o mon&oacute;logo, &eacute; a discuss&atilde;o.</I> </font></p>     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana">CR&Ocirc;NICA DE MACHADO DE ASSIS,  PUBLICADA EM O ESPELHO,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> EM 23 DE OUTUBRO DE 1859</font></p> <font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es iniciais </b></font>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Pretende-se focalizar, neste trabalho, como o g&ecirc;nero discursivo carta do leitor foi se constituindo e se modificando a partir das necessidades interacionais, isto &eacute;, o dialogismo estabelecido entre o escrevente e seu leitor, evidenciado por meio de marcas lingu&iacute;sticas encontradas nas <I>Cartas</I> publicadas em jornais paulistas do s&eacute;culo XIX. Nesse material, havia uma se&ccedil;&atilde;o de cartas de leitores, cujo prop&oacute;sito era, em determinados casos, pedir ajuda para resolver algum problema ou contar um epis&oacute;dio particular que precisava de uma solu&ccedil;&atilde;o. Podemos dizer que essa se&ccedil;&atilde;o seria uma esp&eacute;cie de consult&oacute;rio de reclama&ccedil;&otilde;es, pedidos ou mesmo para estabelecimento de contato com parentes ou amigos. Cabe observar que algumas cartas s&atilde;o enviadas ao Redator, j&aacute; outras s&atilde;o diretamente endere&ccedil;adas a amigos ou parentes. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O material analisado &eacute; composto por 14 cartas publicadas entre os anos de 1828 e 1893, nos seguintes jornais paulistas: <I>Farol Paulistano, Di&aacute;rio de S&atilde;o Paulo, A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, Correio Paulistano</I><a href="#pie1" name="spie1"><sup>1</sup></a>. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O contexto de situa&ccedil;&atilde;o em que as cartas se efetivam est&aacute; revelado no pr&oacute;prio texto. Tal revela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; de uma forma mec&acirc;nica, mas por meio de um relacionamento sistem&aacute;tico entre o meio social, de um lado, e a organiza&ccedil;&atilde;o funcional da l&iacute;ngua, de outro. A intera&ccedil;&atilde;o ou interatividade &eacute; elemento fundamental do discurso/ texto, do que &eacute; constitutiva, pois se trata de uma troca expl&iacute;cita ou impl&iacute;cita, com outros enunciadores e sup&otilde;e a presen&ccedil;a de um outro ao qual se dirige o enunciador e com rela&ccedil;&atilde;o ao qual constr&oacute;i seu discurso. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><b>1. Conceito de intera&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A intera&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada um dos componentes do processo de comunica&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, faz parte de toda atividade de linguagem, construindo efeito de sentido nesse processo. Para Bakhtin (1929), ela &quot;&eacute; a realidade fundamental da linguagem&quot;. Segundo Brait (2002, p. 194), &quot;&eacute; um fen&ocirc;meno sociocultural, com caracter&iacute;sticas lingu&iacute;sticas e discursivas pass&iacute;veis de serem observadas, descritas, analisadas e interpretadas&quot;. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao estudar um texto a partir da perspectiva textual-interativa, pode-se observar as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais veiculadas pela maneira como a situa&ccedil;&atilde;o comunicativa est&aacute; organizada. Isso significa que o texto deve ser observado n&atilde;o apenas em rela&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; dito, mas tamb&eacute;m as formas da maneira de dizer, pois estas permitem uma leitura dos impl&iacute;citos que se revelam e evidenciam a interatividade &quot;como um jogo de subjetividades, um jogo de representa&ccedil;&otilde;es em que o conhecimento se d&aacute; atrav&eacute;s de um processo de negocia&ccedil;&otilde;es, de trocas, de normas partilhadas, de concess&otilde;es&quot; (Brait, 2002, p. 194). </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em toda intera&ccedil;&atilde;o, os interlocutores est&atilde;o reunidos sob determinadas condi&ccedil;&otilde;es &quot;contratuais&quot;, que est&atilde;o diretamente ligadas ao contexto situacional e aos pap&eacute;is sociais dos participantes dessa intera&ccedil;&atilde;o. Uma an&aacute;lise textual deve, portanto, levar em conta os tra&ccedil;os ling&uuml;&iacute;sticos que permitem reconhecer a intencionalidade do enunciador, os efeitos de sentido constru&iacute;dos por esse enunciador ou pelo locutor por ele instaurado/institu&iacute;do, e a persuas&atilde;o ou manipula&ccedil;&atilde;o que o enunciador busca exercer sobre o eunciat&aacute;rio (leitor). </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Segundo Bakhtin (1927, p. 16), todas as l&iacute;nguas possuem meios gramaticais de express&atilde;o dos aspectos das diferentes atividades humanas e os pap&eacute;is que os interlocutores desempenham em tais atividades, refletindo em sua pr&oacute;pria estrutura o evento da inter-rela&ccedil;&atilde;o desses usu&aacute;rios: &quot;1&ordf; 2&ordf; e 3&ordf; pessoas e estrutura de senten&ccedil;a vari&aacute;vel de acordo com a pessoa do sujeito (&quot;eu&quot; ou &quot;voc&ecirc;&quot; ou &quot;ele&quot;). A forma de uma proposi&ccedil;&atilde;o sobre uma 3&ordf; pessoa, a forma de um tratamento de uma 2&ordf; pessoa, a forma de um enunciado sobre si pr&oacute;prio (e suas modifica&ccedil;&otilde;es) j&aacute; s&atilde;o diferentes em termos de gram&aacute;tica&quot;. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Desse modo, o conceito de intera&ccedil;&atilde;o &eacute; parte integrante da concep&ccedil;&atilde;o de linguagem que orienta a perspectiva textual-interativa, buscando olhar para a materialidade lingu&iacute;stica e para a situa&ccedil;&atilde;o comunicativa constitutivas de uma enuncia&ccedil;&atilde;o e de um enunciado concreto, visando a observar as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, de circula&ccedil;&atilde;o e de recep&ccedil;&atilde;o de uma determinada situa&ccedil;&atilde;o comunicativa: em nosso <I>corpus</I>, as cartas do leitor. </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Para discutir a quest&atilde;o do interlocutor, ou como dizia Bakthin (1929), para tratar do conceito do <I>outro</I>, &eacute; preciso considerar o papel do ouvinte/leitor, dado que a enuncia&ccedil;&atilde;o se constr&oacute;i a partir da intera&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os interlocutores na situa&ccedil;&atilde;o discursiva. A rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica ou dialogismo &eacute;, portanto, condi&ccedil;&atilde;o de linguagem. No texto escrito, h&aacute; o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica ou di&aacute;logo, em sentido amplo, entre o enunciador (autor/escrevente) e o enunciat&aacute;rio (leitor). Cabe lembrar que a atividade verbal sob a forma escrita tamb&eacute;m &eacute; orientada em fun&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es anteriores da mesma natureza. Ao analisar o texto escrito &eacute; necess&aacute;rio levar em conta n&atilde;o s&oacute; o conte&uacute;do e a rela&ccedil;&atilde;o do enunciador com esse conte&uacute;do, mas principalmente a rela&ccedil;&atilde;o do enunciador com o outro e com os discursos desse outro, explicitados ou presumidos. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cartas do leitor, importa dizer que est&atilde;o relacionadas a assuntos vividos pela sociedade da &eacute;poca e noticiados nos jornais ou a aspectos pessoais. Da&iacute; a motiva&ccedil;&atilde;o para escrever no jornal, tendo a possibilidade de o leitor publicar sua cr&iacute;tica, opini&atilde;o ou pedido pessoal. </font></p></font></p><font size="2" face="verdana"><b>2. Origem da carta</b></font>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A carta<a href="#pie2" name="spie2"><sup>2</sup></a> &eacute; o g&ecirc;nero discursivo preferido por pesquisadores que se dedicam aos estudos diacr&ocirc;nicos da l&iacute;ngua devido &agrave; sua proximidade com a oralidade. Por meio dela pode-se pesquisar a evolu&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio g&ecirc;nero carta, sua fun&ccedil;&atilde;o em &eacute;pocas distintas, al&eacute;m de verificar seu papel no desenvolvimento ou (re) cria&ccedil;&atilde;o de outros g&ecirc;neros. Nesse sentido, a carta pode ser analisada como um g&ecirc;nero que revela uma tradi&ccedil;&atilde;o discursiva (TD) da l&iacute;ngua portuguesa no Brasil, evidenciando uma reorienta&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o ou mesmo mudan&ccedil;a ao longo do tempo. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na Antiguidade, as cartas serviam para informar as pessoas, ocupando o lugar dos jornais. Em seu livro <I>O jornalismo antes da tipografia</I>, Rizzini (1977, p. 9) assinala que as cartas: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Passavam de m&atilde;o em m&atilde;o quando continham novidade de interesse. Liam-se, comentavam-se, transcreviam-se as &#91;...&#93; em que os grandes personagens expunham seus pontos de vista. Era por meio delas que, atacado, defendia-se o pol&iacute;tico diante das pessoas cuja estima desejava conservar; emudecido o F&oacute;rum, como no per&iacute;odo de C&eacute;sar, era por meio delas que se procurava formar num p&uacute;blico restrito uma esp&eacute;cie de opini&atilde;o geral. Certas cartas afixavam-se nas pra&ccedil;as ou corriam em c&oacute;pias distribu&iacute;das pelos destinat&aacute;rios, tornando-se p&uacute;blicas. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">A partir do momento em que no s&eacute;culo XVIII a carta, considerada um g&ecirc;nero b&aacute;sico, passa a exercer a fun&ccedil;&atilde;o de correspond&ecirc;ncia privada entre amigos e parentes, pode-se dizer - conforme Pessoa (2002, p. 201) - que outros g&ecirc;neros come&ccedil;am a se definir. Nessa perspectiva, o jornal (que se originou da carta) &quot;passou a incorporar posteriormente a carta, agora, diferenciada desse instrumento origin&aacute;rio&quot;. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na vis&atilde;o de Bakhtin, as sociedades e culturas s&atilde;o v&aacute;rias, assim como suas atividades, cuja media&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pela linguagem. Os usos dessa linguagem s&atilde;o t&atilde;o variados quanto variadas forem as atividades humanas, que moldam a linguagem por meio de enunciados relativamente est&aacute;veis, garantindo a comunica&ccedil;&atilde;o verbal. Esses enunciados constituem os chamados g&ecirc;neros discursivos. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Os g&ecirc;neros discursivos s&atilde;o textos empiricamente realizados, encontrados na sociedade de forma materializada, tais como: not&iacute;cia, artigo, entrevista, carta, bilhete, cr&ocirc;nica, romance, receita culin&aacute;ria, situados no espa&ccedil;o e no tempo. Para Marcuschi (2001, p. 43), a defini&ccedil;&atilde;o dos g&ecirc;neros &eacute; de natureza s&oacute;cio-comunicativa, baseada em par&acirc;metros pragm&aacute;ticos e discursivos, visto que sua sedimenta&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por meio de pr&aacute;ticas sociais que visam a determinados prop&oacute;sitos comunicativos. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ao analisar o g&ecirc;nero carta, Silva (1997) afirma que esse g&ecirc;nero discursivo per-mite uma variedade de tipos de comunica&ccedil;&atilde;o, tais como: pedido, agradecimento, conselho, congratula&ccedil;&otilde;es, desculpas, informa&ccedil;&otilde;es, intima&ccedil;&atilde;o, presta&ccedil;&atilde;o de contas, not&iacute;cias familiares, etc. A autora acrescenta que, embora sendo cartas, n&atilde;o s&atilde;o da mesma natureza, pois circulam em campos de atividade diversos, apresentando fun&ccedil;&otilde;es comunicativas variadas: nas rela&ccedil;&otilde;es pessoais, nos neg&oacute;cios, entre outras. Desse modo, esses tipos de cartas podem ser considerados subg&ecirc;neros do g&ecirc;nero maior &quot;carta&quot;, pois todos apresentam tra&ccedil;os comuns, sua estrutura b&aacute;sica: a se&ccedil;&atilde;o de contato, o n&uacute;cleo da carta e a se&ccedil;&atilde;o de despedida; mas s&atilde;o classificados quanto &agrave; forma de realiza&ccedil;&atilde;o e suas inten&ccedil;&otilde;es. Assim, encontramos carta pedido, carta resposta, carta pessoal, carta programa, carta circular, carta ao leitor, carta do leitor, entre outras. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><b>2.1. Carta do leitor </b></font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Levando em conta a perspectiva funcional-interativa, verificamos que a carta do leitor &eacute; um texto que circula no contexto jornal&iacute;stico em se&ccedil;&atilde;o fixa de jornais e revistas, denominada comumente de cartas, cartas &agrave; reda&ccedil;&atilde;o, carta do leitor, painel do leitor, destinada &agrave; correspond&ecirc;ncia dos leitores. Em outras palavras, a carta &eacute; utilizada em situa&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de contato imediato entre remetente e destinat&aacute;rio, que n&atilde;o se conhecem (o leitor e a equipe editorial do jornal ou da revista), visando a atender v&aacute;rios prop&oacute;sitos comunicativos: opinar, agradecer, reclamar, solicitar, elogiar, criticar, entre outros. &Eacute; um g&ecirc;nero de dom&iacute;nio p&uacute;blico, de car&aacute;ter aberto, com o objetivo de divulgar seu conte&uacute;do e possibilitando a sua leitura ao p&uacute;blico em geral. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na atualidade, as cartas do leitor s&atilde;o divulgadas em jornais e revistas de grande circula&ccedil;&atilde;o e tratam de not&iacute;cias ou reportagens de temas de interesse nacional, publicadas nesses ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o, ou de solicita&ccedil;&otilde;es feitas pelos leitores, pois s&atilde;o de f&aacute;cil acesso, demonstram um contato, por parte deles, com os fatos importantes e recentes da sociedade e est&atilde;o escritas em registro formal ou semiformal do Portugu&ecirc;s. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Sabemos que nem toda carta do leitor &eacute; publicada, pois h&aacute; sempre uma triagem para a sele&ccedil;&atilde;o das cartas a ser, efetivamente, publicadas e entre aquelas que s&atilde;o selecionadas para publica&ccedil;&atilde;o pode haver ainda uma edi&ccedil;&atilde;o, como ocorre normalmente no Jornal <I>Folha de S. Paulo</I> ou na Revista <I>Veja</I>, por exemplo. Por raz&otilde;es de espa&ccedil;o da se&ccedil;&atilde;o ou por direcionamento argumentativo, as cartas podem ser resumidas, parafraseadas ou mesmo ter informa&ccedil;&otilde;es eliminadas. O que acaba, segundo Bezerra (2002, p. 211), &quot;por configurar-se como uma carta com co-autoria: o leitor, de quem partiu o texto original, e o jornalista, que o reformulou&quot;. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Entretanto, nos jornais do final do s&eacute;culo XIX n&atilde;o &eacute; bem isso o que se v&ecirc;. Na verdade, nos jornais selecionados as cartas s&atilde;o colocadas integralmente e versam sobre os mais variados e distintos assuntos vividos pela sociedade da &eacute;poca e noticiados nos jornais ou sobre temas pessoais: pedidos, reclama&ccedil;&otilde;es, coment&aacute;rios, busca de contato com parentes ou amigos, entre outros. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Nessa &eacute;poca, a carta do leitor foi muito produtiva e, segundo Pessoa (2002, pp. 201-202), esse g&ecirc;nero - conhecido na imprensa como <I>correspond&ecirc;ncia - </I>&quot;parece ter se transformado no artigo jornal&iacute;stico muitas vezes rotulado de opini&atilde;o&quot;. Fundamentando-se em Sodr&eacute; (1999: 148), o referido autor afirma que normalmente um s&oacute; artigo ocupava todo o espa&ccedil;o do jornal de ent&atilde;o que, geralmente, era composto de apenas duas p&aacute;ginas. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Seguindo a perspectiva te&oacute;rica relativa &agrave;s atividades comunicativas elaborada por Silva (1997), passamos a apresentar sua proposta te&oacute;rica para a an&aacute;lise das cartas do leitor. Essa proposta engloba aspectos formais (estrutura discursiva, isto &eacute;, o modo de organiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o: narra&ccedil;&atilde;o, descri&ccedil;&atilde;o, exposi&ccedil;&atilde;o, argumenta&ccedil;&atilde;o) e funcionais (unidade comunicativa e sua for&ccedil;a ilocucion&aacute;ria) que se associam na classifica&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero carta. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Nas cartas sob an&aacute;lise<a href="#pie3" name="spie3"><sup>3</sup></a>, encontramos um exemplo significativo em que o escrevente faz uso da estrutura narrativa para contar um di&aacute;logo que ouvira, quando estava descansando na ponte do ferr&atilde;o, entre um senhor portugu&ecirc;s e um estudante brasileiro. Esta carta foi publicada no <I>Farol Paulistano</I>, em 15 de mar&ccedil;o de 1828. Vejamos um pequeno trecho: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(1) Senhor Redactor </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Depois de cessar um pouco essa abundante chuva, que desde o anno passado tem ca&iacute;do todos os dias sem interrup&ccedil;&atilde;o, quis ver o estado da varzea do Carmo, e se com effeito tinha-se conseguido o fim d'esgot&aacute;-la, dirigi-me at&eacute; a chamada ponte do ferr&atilde;o, que foi entulhada e vi o p&ecirc;so das aguas, que n&atilde;o respeita grandes barreiras &#91;...&#93;. De volta sentei-mea descan&ccedil;ar na ponte fraca e a&iacute; estav&atilde;o talvez ao mesmo fim dois sugeitos, um dos quaes era um Portuguez velho, e Brasileiro novo, &#91;...&#93; Logo que cheguei encetav&atilde;o elles uma conversa&ccedil;&atilde;o, e por me parecer interessante apenas voltei a casa tracteri d'escrev&ecirc;-la para me n&atilde;o esquecer, e suppondo que possa alguem julg&aacute;-la tambem interessante lh'a envio para que se digne publicar no seu Farol. </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto ao uso de estrutura descritiva, a carta selecionada no exemplo (2) - publicada no <I>Correio Paulistano</I>, em 22 de julho de 1893 - &eacute; constru&iacute;da com base na descri&ccedil;&atilde;o de um indiv&iacute;duo. Observemos: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(2) Rio Verde </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ha mezes que appareceo nesta cidade um individuo alto, corcunda, espada&uacute;do, meio careca; ao longe parece com corvo mestre e outros disem que com o abestruz e eu me inclino para quaesquer das duas aves. Disem chamar-se &quot;Cruz&quot;, este antigo pa- tibole de malfeitores, emfim pelo nome n&atilde;o se perca. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Disem tambem ser amphibio, porem n&atilde;o parece pela pelle; que &eacute; orgam hoje e outros que &eacute; Realejo por ter manivella. Ja ouvi tratal-o de ganso e d<I>outo</I>r Scismado, mas n&atilde;o sei se attende por esses nomes. O que sei &eacute; que ja foi juiz, cujas bravatas existem em cartorio onde exerceo esse cargo, despachando em um inquerito onde disem, era indiciado e hoje &eacute; representante da so ciedade. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Sei mais que scisma soffrer dos pulm&otilde;es e nem as pedras o convencem do contrario. No jury tem voz aflautada e as vezes parece guincho de vehiculo de duas rodas, e me affirmam mesmo que toca flauta e flautim. Pretende, havendo mudan&ccedil;a de situa&ccedil;&atilde;o ser nomeado juiz de direito de uma Comarca visinha. O seu ar &eacute; de b&ocirc;bo e por isso muito esquivo. Advinhem: quem &eacute; o biographado? </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Rio Verde, 15 de Julho de 1893.    <BR>     JO&Atilde;O  CALDAS.</font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A seguir, buscaremos relacionar as cartas do leitor a essa proposta te&oacute;rica. O g&ecirc;nero carta &eacute; uma unidade comunicativa, pois apresenta uma estrutura de informa&ccedil;&atilde;o a partir de uma organiza&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica, para uso em contextos espec&iacute;ficos: aus&ecirc;ncia de contato imediato entre o emissor e o destinat&aacute;rio. Entretanto, esta &eacute; uma categoria bastante ampla, apresentando uma diversidade de textos e prop&oacute;sitos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na vis&atilde;o de Swales (1990), o termo carta faz refer&ecirc;ncia ao meio de comunica&ccedil;&atilde;o, mas carece, como categoria, de uma indica&ccedil;&atilde;o de prop&oacute;sito suficiente para alcan&ccedil;ar o <I>status </I>de g&ecirc;nero. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Realmente o termo carta &eacute; abrangente e, nas palavras de Silva (1997, p. 121), pode-se dizer que &eacute; </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">pouco esclarecedor: com exce&ccedil;&atilde;o do formato externo - cabe&ccedil;alho, data, assinatura - e algumas express&otilde;es formulaicas freq&uuml;entes em suas se&ccedil;&otilde;es iniciais e finais, o corpo da carta permite qualquer tipo de comunica&ccedil;&atilde;o: desde as vantagens de um determinado cart&atilde;o de cr&eacute;dito at&eacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre o condom&iacute;nio, passando pelas esperadas novidades do amigo que mora no exterior. Todas s&atilde;o cartas, mas n&atilde;o devemos coloc&aacute;-las na mesma categoria. </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">As v&aacute;rias possibilidades de uso das cartas remetem a distintos campos de atividades: a propaganda, os neg&oacute;cios, a correspond&ecirc;ncia pessoal. Essas categorias suscitam o papel que a carta representa na intera&ccedil;&atilde;o social. Nessa perspectiva, podem ser analisados como subg&ecirc;neros do g&ecirc;nero carta. De acordo com Swales, o termo carta &eacute; uma esp&eacute;cie de r&oacute;tulo conveniente para reunir, supragenericamente, os discursos </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Se observarmos as cartas a partir do prop&oacute;sito comunicativo, isto &eacute;, do objetivo do emissor ao escrev&ecirc;-las, podemos estabelecer categorias que se relacionam &agrave; intencionalidade do emissor ou sua funcionalidade: pedido, agradecimento, informa&ccedil;&atilde;o, reclama&ccedil;&atilde;o, entre outros. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Os enunciadores das cartas sob an&aacute;lise s&atilde;o pessoas que vivem na cidade de S&atilde;o Paulo ou no Estado de S&atilde;o Paulo e procuram, por meio do jornal, atingir prop&oacute;sitos bem espec&iacute;ficos e variados. Dentre as cartas levantadas at&eacute; o momento, destacam-se: pedido; reclama&ccedil;&atilde;o; desabafo; coment&aacute;rio sobre mat&eacute;ria publicada, coment&aacute;rio ou cr&iacute;tica a pol&iacute;ticos, sobre as escolas p&uacute;blicas, as condi&ccedil;&otilde;es das estradas, ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, limpeza urbana; biografia; confiss&atilde;o. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em algumas correspond&ecirc;ncias o prop&oacute;sito &eacute; explicitado pelo enunciador, aparecendo em posi&ccedil;&atilde;o de destaque logo no in&iacute;cio do texto. Com frequ&ecirc;ncia, o objetivo da carta n&atilde;o &eacute; indicado t&atilde;o claramente, devendo ser inferido. Veja-se o exemplo a seguir: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(3) A Companhia de Navega&ccedil;&atilde;o Paulista </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">S<I>enho</I>r<I>e</I>s Redactores. - Li por duas vezes, no jornal de vv.ss., reclama&ccedil;&otilde;es sobre a irregularidade dos vapores desta companhia e da desconsidera&ccedil;&atilde;o com que se tratava os Paulistas, deixando de os avisar das trasnferencias por meio de annuncios, etc. &#91;...&#93;. (A Prov&iacute;ncia de S. Paulo, 12 de mar&ccedil;o de 1875) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto ao n&iacute;vel de sua estrutura discursiva, a carta do leitor n&atilde;o apresenta um tipo espec&iacute;fico e, nesse sentido, diferencia-se do conto ou da receita, considerados textos protot&iacute;picos das respectivas estruturas que representam. Na carta, sequ&ecirc;ncias narrativas, descritivas, argumentativas convivem harmoniosamente, como j&aacute; apontamos anteriormente. Por isso, muitas vezes, &eacute; dif&iacute;cil delimitar as por&ccedil;&otilde;es de cada tipo textual, que se sucedem numa progress&atilde;o/transi&ccedil;&atilde;o quase impercept&iacute;vel. Cabe lembrar que o estudo dessa mescla dos tipos de estruturas textuais n&atilde;o pode ser desvinculado do estudo da organiza&ccedil;&atilde;o t&oacute;pica. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A carta &eacute; sem d&uacute;vida um g&ecirc;nero discursivo, por&eacute;m &eacute; tida como um g&ecirc;nero complexo. Trata-se, como j&aacute; se viu, de uma correspond&ecirc;ncia em que diversas estruturas podem estar na base de sua composi&ccedil;&atilde;o. Talvez para melhor analisar e compreender esse g&ecirc;nero discursivo seja necess&aacute;rio observar o prop&oacute;sito de cada carta, qual a sua fun&ccedil;&atilde;o enquanto atividade social, que pap&eacute;is sociais s&atilde;o desempenhados pelos interlocutores. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><b>3. Pap&eacute;is sociais e formas de tratamento nas cartas do leitor </b></font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Neste momento, importa observar a rela&ccedil;&atilde;o entre os pap&eacute;is sociais estabelecidos nas cartas sob an&aacute;lise e as formas de tratamento da l&iacute;ngua. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O conceito de papel social refere-se, segundo Preti (2000, pp. 85-86), &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do homem no grupo social. Assim, na vis&atilde;o do autor: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">&#91;...&#93; cada indiv&iacute;duo tem uma posi&ccedil;&atilde;o dentro de um grupo (seja ele um grupo restrito ou <I>prim&aacute;rio</I>, como a fam&iacute;lia; ou um grande ou secund&aacute;rio, como o Estado, por exemplo). Mas, podendo pertencer a v&aacute;rios grupos sociais, pode ocupar tamb&eacute;m v&aacute;rias posi&ccedil;&otilde;es sociais, Poder&aacute;, por exemplo, ao mesmo tempo, ser o pai, na fam&iacute;lia; o professor, na escola; o jogador na equipe esportiva; o pregador, na Igreja etc. A essas posi&ccedil;&otilde;es sociais definidas do indiv&iacute;duo no grupo costuma-se chamar <I>status</I>. </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O papel social &eacute;, portanto, a maneira de o indiv&iacute;duo estabelecer sua correla&ccedil;&atilde;o vital com outras pessoas. Para Preti, (&oacute;p. cit), o locutor precisa desempenhar seu papel adequadamente, e isso necessita de um certo esfor&ccedil;o consciente para poder produzir a impress&atilde;o almejada. Desse modo, &quot;a conduta &eacute; regulada n&atilde;o apenas conforme os requisitos do papel funcional, mas tamb&eacute;m de acordo com o que o p&uacute;blico espera&quot; (p. 89). </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A linguagem &eacute; um componente essencial no desempenho do papel social. Ainda conforme Preti (2000, p. 89): </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">&#91;...&#93; ao falarmos, podemos refletir o tempo em que vivemos (varia&ccedil;&atilde;o diat&oacute;pica); nossa condi&ccedil;&atilde;o sociocultural, profiss&atilde;o, grau de escolaridade (varia&ccedil;&atilde;o diastr&aacute;tica); nos-so sexo, faixa et&aacute;ria, ou aspectos de nossa personalidade, como timidez, agressividade (varia&ccedil;&atilde;o psicof&iacute;sica); a <I>situa&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o</I> de que participamos, a forma verbal de interagirmos, decorrente do grau de intimidade que temos com nossos interlocutores, do tema que tratamos, da menor ou maior formalidade exigida, que resultar&aacute; em <I>registros</I> diferentes, numa fala <I>tensa</I> ou <I>distensa</I> (varia&ccedil;&atilde;o diaf&aacute;sica) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quando se analisa a rela&ccedil;&atilde;o entre os pap&eacute;is sociais e a varia&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica adequada para represent&aacute;-los, merece um olhar especial o estudo das formas de tratamento, ou seja, a maneira por meio da qual os interlocutores se tratam e o que pode representar na intera&ccedil;&atilde;o a escolha de uma forma ao inv&eacute;s de outra dispon&iacute;vel na l&iacute;ngua. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O uso das formas de tratamento liga-se a fatores diversos, como: intimidade, polidez, afetividade, poder, hierarquia, rever&ecirc;ncia, solidariedade. Ocorre, normalmente, nos di&aacute;logos ou nos vocativos e, nestes &uacute;ltimos, apresentam uma variedade devida &agrave; situa&ccedil;&atilde;o comunicativa. Nas cartas do leitor, de modo geral, os vocativos s&atilde;o: Senhor Redactor, Ilustr&iacute;ssimo Senhor Redactor, Senhores Redactores; mas h&aacute; casos em que o leitor escreve diretamente para um parente, amigo ou conhecido, ou ao p&uacute;blico: Querido esposo (carta dirigida a um volunt&aacute;rio da P&aacute;tria), Ao Chico Salles, Ao Compadre do Monge, Compadre Pancracio, Comadre Chiquinha, Amigo Antonio Nardi Vasconcellos Junior, Aos fazendeiros e possuidores de escravos, Ao p&uacute;blico, etc. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na l&iacute;ngua portuguesa, o sistema de tratamento pode ser representado por: formas pronominais: os pronomes pessoais (tu, v&oacute;s); formas pronominalizadas: termos com valor de pronomes pessoais (voc&ecirc;, o senhor, Vossa Excel&ecirc;ncia, Vossa Senhoria e suas varia&ccedil;&otilde;es); formas nominais: nomes pr&oacute;prios, prenomes, nomes de parentesco ou equivalemtes, ou uma variedade de nomes empregados como vocativos ou formas de chamamento. O uso de qualquer uma dessas possibilidades depende das rela&ccedil;&otilde;es entre os diversos <I>status </I>sociais e os pap&eacute;is para desempenh&aacute;-los. Entretanto, alguns usos podem-se fixar por mais tempo do que outros, em virtude da din&acirc;mica das transforma&ccedil;&otilde;es sociais. Cabe observar que, nas rela&ccedil;&otilde;es entre <I>status</I>, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel passar, de repente, de um tratamento mais formal como <I>o senhor </I>(que implica autoridade, poder) para <I>voc&ecirc;</I> (que implica intimidade, solidariedade), sem marcar a mudan&ccedil;a de pap&eacute;is sociais. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Com base nos trabalhos de Brown e Gilman (1960), pode-se analisar uma <I>sem&acirc;ntica do poder</I> e outra da <I>solidariedade</I>, separando os dois grupos de tratamento que servem para evidenciar as posi&ccedil;&otilde;es manifestadas nas diversas rela&ccedil;&otilde;es sociais: patr&atilde;o/empregado (<I>status</I> ocupacional), jovem/idoso (<I>status</I> et&aacute;rio), entre outros. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Segundo Robinson (1977, p. 126), sociedades que apresentam uma hierarquia muito forte, com manifesta&ccedil;&otilde;es de <I>status</I> atribu&iacute;do (nobre/plebeu, em s&eacute;culos passados), possuem uma s&eacute;rie de formas de tratamento discriminativas, graduadas e co-ocorrentes com outros tra&ccedil;os lingu&iacute;sticos. Esse fato caracteriza a sem&acirc;ntica do poder. Ainda hoje, em sociedades modernas, encontram-se resqu&iacute;cios fortes dessa presen&ccedil;a, com a perman&ecirc;ncia da classe nobre com <I>status </I>e papel social definidos. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em sociedades com <I>status</I> social adquirido, os tratamentos apresentam varia&ccedil;&otilde;es e, conforme Preti, as formas de tratamento indicam aproxima&ccedil;&atilde;o maior e intimidade entre os interlocutores, o que constitui a sem&acirc;ntica da solidariedade. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em tais sociedades, como ocorre em muitos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica, onde h&aacute; menos formalidade, o sistema de tratamento apresenta-se mais sim&eacute;trico, cujas variantes antes indicativas de gradua&ccedil;&atilde;o de poder expressam tamb&eacute;m intimidade e solidariedade (<I>voc&ecirc;/tu</I>). Assim, muitos tra&ccedil;os diferenciadores acabam, gradativamente, perdendo esse emprego. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na atualidade, h&aacute; a tend&ecirc;ncia a um progressivo desaparecimento de formas de tratamento indicativas de poder. No Brasil, um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico dessa mudan&ccedil;a est&aacute; em algumas formas de tratamento, como <I>voc&ecirc;</I> e seu uso ampliado em rela&ccedil;&atilde;o a <I>o senhor</I>, conforme Preti (2000, p. 94), evidenciando uma &quot;quebra de formalismo&quot;. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Talvez a transforma&ccedil;&atilde;o mais relevante das formas de tratamento no Portugu&ecirc;s do Brasil diga respeito ao uso de <I>tu </I>e<I> voc&ecirc;</I>. O sistema reduziu-se ao uso de <I>voc&ecirc;</I>, tanto para indicar intimidade como cortesia, deixando a maior ou menor intimidade para a oposi&ccedil;&atilde;o <I>tu/o senhor</I>, o que n&atilde;o ocorre no Portugu&ecirc;s Europeu em que <I>tu</I> (forma pronominal)<I>/voc&ecirc;</I> (pronome de tratamento) indicam intimidade/igualdade. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Entretanto, no s&eacute;culo XIX &eacute; dif&iacute;cil distinguir com rigor o uso das duas formas <I>tu </I>e <I>voc&ecirc;</I>. Pode-se afirmar que ambos os tratamentos se integram na sem&acirc;ntica da solidariedade. J&aacute; para o plural ficou somente a forma <I>voc&ecirc;s</I>, visto que <I>v&oacute;s</I> desapareceu da l&iacute;ngua falada no Brasil, sendo utilizado apenas na orat&oacute;ria p&uacute;blica. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">No <I>corpus </I>deste trabalho, por&eacute;m encontramos uma carta publicada no jornal <I>Correio Paulistano</I>, em que o remetente trata seu interlocutor por <I>v&oacute;s</I>: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(4) Para que <I>vos metteis</I> a tralh&atilde;o, meu rabula quadrado? J&aacute; que <I>fallasteis </I>em uso fazendo lei, <I>pergunto-vos</I>, com que condi&ccedil;&atilde;o ouso faz lei?&quot; e mais adiante alterna o uso de <I>v&oacute;s/tu </I>ao usar o imperativo: &quot;Ora <I>ide</I> plantar batatas. Se reincidirdes chamo-<I>vos</I> &aacute; palmatoria &#91;...&#93;. Ande, <I>vai</I> para escola orelhudo (22 de junho de 1854). </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Neste exemplo, observa-se uma cr&iacute;tica bastante violenta por parte do escrevente, que se dirige a seu interlocutor como: parvo, bolonio, meu peda&ccedil;o d' asno, rabula, entre outros. Entretanto, h&aacute; outro exemplo em que a esposa escreve para o jornal, dirigindo uma carta a seu esposo: um volunt&aacute;rio da p&aacute;tria, empregando o pronome <I>v&oacute;s.</I> </font></font> </p>   </font>   </p> </p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">(5) Carta dirigida a um Voluntario da Patria    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Querido esposo.    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Emba&uacute; 10 de Setembro de 1865.    </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Tive o delicioso prazer de receber a vossa prezada carta, com data de 18 do proximo passado mez, a qual me encheu de orgulhoso prazer por ter certeza de que vos achavas gosando perfeita saude, e as rogativas que fa&ccedil;o a bem aventurada virgem &eacute; que ao receberes esta vos acheis no goso da mesma. &#91;...&#93; </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto a mim s&oacute; vos posso protestar os mais sinceros votos de estima amisade e fidelidade, e vos envio o saudoso e fiel cora&ccedil;&atilde;o, e um apertado abra&ccedil;o, por ser como sempre serei Vossa estremosa, constante, e fiel esposa.</font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Eulalia Maria Silveria (Correio Paulistano, 26 de setembro de 1865) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O uso de <I>v&oacute;s</I> para a segunda pessoa do singular, antes mesmo do s&eacute;culo XIX, &eacute; considerado um arca&iacute;smo que se mant&eacute;m em situa&ccedil;&otilde;es de rever&ecirc;ncia e prest&iacute;gio, constituindo um exemplo de sem&acirc;ntica do poder; entretanto, no exemplo citado (4), o uso de <I>v&oacute;s </I>cria um efeito de sentido de ironia e descaso em rela&ccedil;&atilde;o ao interlocutor, uso esse que se mescla com o de <I>tu</I>, j&aacute; que o poder e o prest&iacute;gio s&atilde;o trocados pelo descr&eacute;dito e pela inferioridade. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave;s express&otilde;es utilizadas nas rela&ccedil;&otilde;es de poder, incluem-se todas as formas pronominalizadas, com exce&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;: <I>vossemec&ecirc;, o senhor, a senhora, a </I><I>senhora Dona, o senhor Dr., o cavalheiro, V. Exa. V. S&ordf;.</I> , entre outras. Tais formas indicam respeito, hierarquia e s&atilde;o usadas de acordo com o <I>status</I> atribu&iacute;do ou adquirido dos interlocutores. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Nos exemplos seguintes (6 e 7), para dirigir-se ao redator do jornal, o interlocutor usa formas diversificadas. H&aacute; casos em que emprega <I>Vossa Senhoria</I>, como no exemplo (6), escrito por uma lavadeira. J&aacute; h&aacute; outros em que o interlocutor usa o pronome de tratamento vcm<I>,</I> como em (7), embora o vocativo empregado seja <I>o senhor</I> e, em alguns momentos, use a forma senhor. Nesses exemplos, verifica-se uma varia&ccedil;&atilde;o no uso da forma empregada para dirigir-se ao redator, interlocutor conhecido apenas por interm&eacute;dio do jornal, sem car&aacute;ter &iacute;ntimo ou de grande conhecimento partilhado. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">(6) Consequencias da nova numera&ccedil;&atilde;o </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">S<I>e</I>n<I>ho</I>r redactor. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Sou lavadeira e engommadeira, e tenho sempre exercido as minhas modestas profiss&otilde;es com applauso do S<I>e</I>n<I>ho</I>r publico e dos meus freguezes da academia. Morei d'antes no becco do inferno e ha cousa de 3 mezes mudei-me para esta sua casa, onde vivia tranquillamente em quanto na cimalha da porta se lia o NUMERO 20, mas o proprietario querendo embellezar o front-spicio do seu predio entendeu que devia mandar caial-o, o que fez, empregando em tal obra um s<I>e</I>n<I>ho</I>r pintor muito chu&eacute; que borrou-me o 2 do vinte, e ficou minha casa com o numero 0 ! </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ora, eu sou muito procurada pelos meus freguezes e por isso quando elles indag&atilde;o da minha casa preciso dizer-lhes o nome da rua e numero da porta, para que eles v&atilde;o l&aacute; direitos. &#91;...&#93;. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ora, como conto a v<I>ossa</I> s<I>enhoria </I>j&aacute; tudo isto er&atilde;o tristezas para a minha alma e por isso tencionava mudar-me do meu cazebre. &#91;...&#93;. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">V<I>ossa </I>s<I>enhoria </I>que &eacute; muito perspicaz hade notar os meus prejuizos e em virtude delles espero que reclamar&aacute; em | meu favor, afim de que me seja restitu&iacute;da a cifra no seu lugar, ao contrario eu pinto na porta o que me parecer e n&atilde;o dou cavaco &aacute; na&ccedil;&atilde;o. Eu n&atilde;o vivo de borr&otilde;es na porta, entenda-se. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Estou zangada e n&atilde;o quero articular mais. Pe&ccedil;o-lhe que me olhe pela cifra como cousa sua. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">At&eacute; a primeira.    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Sua criada    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Apollinaria Gerundia de Mattosinhos (Correio Paulistano,12 de agosto de 1865) </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">(7) Lembran&ccedil;as minhas </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">S<I>e</I>n<I>ho</I>r redactor. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Sou uma assignante das suas folhas por minha conveniencia e das meninas, que gost&atilde;o de ler os romances e as pilherias que o snr bota todos os dias. </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Na realidade s&atilde;o muito bonitas. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Vmc. &eacute; muito espirituoso, e aquella sua cousa do jry j&aacute; me arrebentou os cord&otilde;es &agrave;s saias de tanto rir. &#91;...&#93;. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">O senhor bota sempre nos jornaes os pre&ccedil;os dos comestiveis e etc; mas n&atilde;o falla do pre&ccedil;o das costuras, nem do valor dos ovos. Isso &eacute; uma falta, perdoe-me. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Olhe, se n&atilde;o se costurasse, n&oacute;s andavamos n&uacute;s. Credo, que vergonha! N&atilde;o acha? </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">E os ovos s&atilde;o muito peitoraes. Se em vez do expediente do thesouro vmc. pozesse o custo destas cousas, olhe que havia de ter mais assignantes. &#91;...&#93;. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Conforme f&ocirc;r, se eu vir que o negocio deixa, dou mais elasticidade ao estabelecimento e o snr. ha de ter um interesse sacudido! </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Fa&ccedil;a alguma cousa neste assumpto que n&atilde;o hade perder comigo. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Desculpe o bote de rap&eacute; Princeza, que envio para consolo dos seus narizes. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Sua predilecta </font></p>       <p><font size="2" face="verdana"><I>Generosa M&aacute;xima </I>(Correio Paulistano, 25 de agosto de 1865) </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Biderman (1972-1973, pp. 358-359) apresenta os usos das formas de tratamento no mundo de fala portuguesa na Idade M&eacute;dia e afirma que o <I>tu</I> era marca de intimidade, afeto, emotividade ou ainda de inferioridade. J&aacute; o <I>v&oacute;s</I> indicava n&atilde;ointimidade, dist&acirc;ncia ou respeito e superioridade. No mesmo uso de v&oacute;s, encontramos as formas <I>Vossa Merc&ecirc;, vossa Senhoria e Senhor. </I></font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A forma <I>voc&ecirc; </I>aparece, provavelmente, no s&eacute;culo XVIII como tratamento intermedi&aacute;rio entre <I>tu</I> e <I>Vossa Merc&ecirc;</I>. Para Biderman, <I>voc&ecirc;</I> e <I>Vossa Merc&ecirc;</I> coexistem nesse s&eacute;culo e como apresentam valores ligeiramente diferentes, a autora n&atilde;o sabe se teria derivado da evolu&ccedil;&atilde;o de <I>Vossa Merc&ecirc; </I>como afirmam alguns estudiosos, dentre eles Jos&eacute; Pedro Machado: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quando se considera as in&uacute;meras variantes de <I>Vossa Merc&ecirc;</I> levantadas por Pl&agrave; C&aacute;rceres na literatura dos s&eacute;culos XVI, XVII e XVIII, outra hip&oacute;tese pode ser aventada. O tratamento de <I>Vossa Merc&ecirc;</I> deve ser importado da Espanha. Ao, no final do s&eacute;culo XVI e primeira metade do s&eacute;culo XVII, Portugal estava sob o dom&iacute;nio espanhol. Al&eacute;m disso, as rela&ccedil;&otilde;es entre as sociedades portuguesa e espanhola sempre foram muito intensas e estreitas desde os tempo medievais. Compare-se agora variantes espanholas como: <I>voa&ccedil;ed, vue&ccedil;ed, vassunc&ecirc;, vua&ccedil;ed, voaz&eacute;, vuaz&eacute;, vuez&eacute;</I>, todas registradas por C&aacute;rceres. Note-se qu&atilde;o vizinhas se encontram foneticamente de <I>voc&ecirc;</I>. <I>Vassunc&ecirc; </I>do repert&oacute;rio de C&aacute;rceres tamb&eacute;m se encontra nos meios rurais portugueses e brasileiros, a par com <I>Vosmec&ecirc;</I> e <I>oc&ecirc;.</I> Essa &uacute;ltima freq&uuml;ente na fala urbana brasileira de v&aacute;rios n&iacute;veis. Talvez <I>voc&ecirc;</I> simplesmente represente uma daquelas variantes que corriam na Espanha sen&atilde;o em toda a Pens&iacute;nsula Ib&eacute;rica. (p. 363) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Cabe apontar ainda que no Brasil a substitui&ccedil;&atilde;o de <I>tu </I>por <I>voc&ecirc;</I>, como forma de tratamento familiar e &iacute;ntima, deve ter ocorrido na passagem do s&eacute;culo XIX para o XX. Por isso no <I>corpus</I> sob an&aacute;lise a forma <I>voc&ecirc;</I> &eacute; a menos encontrada, h&aacute; poucas ocorr&ecirc;ncias. Veja-se, a seguir, o texto (8), no qual o escrevente dirige-se &agrave; m&atilde;e, empregando a forma <I>Vossa merc&ecirc;</I>; j&aacute; para interagir com o irm&atilde;o, usa o pronome <I>voc&ecirc;</I><a href="#pie4" name="spie4"><sup>4</sup></a><I>. </I></font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(8) Minha m&atilde;e, hoje 25 do corrente de 1865. Cidade de S<I>&atilde;o </I>Paulo. Corpo de Voluntarios da Patria. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Oh! que satisfa&ccedil;&atilde;o para mim em saber que estas miseraveis lettras v&atilde;o achar a v.mc. com feliz saude em companhia de toda nossa familia; vou por meio d'esta pedir-lhe sua ben&ccedil;&atilde;o, e participar-lhe os successos de minha vida, hoje 25 de mar&ccedil;o, para mim um dia festivo, foi hoje que vi sahir o batalh&atilde;o dos voluntarios da patria, acompanhado pela musica voluntaria; ia ent&atilde;o adiante do batalh&atilde;o o commandante do corpo volunta- rio commandando todo aquelle exercito no largo do pa&ccedil;o ao encontro do presidente &#91;...&#93;. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Oh! minha m&atilde;e lembre-se de mim, porque de v<I>ossa </I>m<I>er</I>c<I>&ecirc;</I> n&atilde;o me esque&ccedil;o; acceite um louvado meu, n&atilde;o repare na nota da carta porque, ah! esta carta foi notada com lagrimas;... pois adeus mam&atilde;e, oh! meu pae lance-me tambem sua ben&ccedil;&atilde;o, Jo&atilde;ozinho lembrai-vos de mim, que eu logo vou para a batalha, n'essas cam- panhas do Paraguay. Tive 200$000 de gratifica&ccedil;&atilde;o, mas nada posso mandar, nada para voc&ecirc; nem para nossa m&atilde;e, o que confesso com pezar. Adeos, Jo&atilde;ozinho, de vosso irm&atilde;o que muito vos estima o </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><I>Felix de Amaral Gurgel</I>. (Correio Paulistano, 28 de mar&ccedil;o de 1865) </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Para ilustrar a fase de uso de formas variantes de <I>Vossa Merc&ecirc;</I>, encontramos cartas em que uma senhora dirige-se a uma comadre, empregando a forma <I>mec&ecirc;</I>, como no exemplo (9). H&aacute; outra em que o escrevente emprega a forma <I>vocemec&ecirc;</I> e <I>vossa merc&ecirc;</I>, indistintamente para interagir com o redator (10); e outra em que usa a forma <I>vo&ccedil;unce</I> para dirigir-se ao redator (11). </font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">(9) Comadre Chiquinha </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Muito estimarei que ao receber estas mal tra&ccedil;adas regras, se ache j&aacute; quasi boa do seu romatismo. </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Eu, louvado seja Deus, vou indo boa de saude, andando somente tresnoitada, porque, al&eacute;m de estranhar a casa, que n&atilde;o &eacute; como aquella em que morei na Luz, n&atilde;o tenho podido mais pregar olho com a gritaria das sentinellas da cad&ecirc;a, que tem garganta como esses barcos que os estrangeiros inventar&atilde;o pr'a bala n&atilde;o furar. Olhe, nha Chiquinha, berr&atilde;o, berr&atilde;o os taes como as vaccas na porta do quintal, chamando as cria. </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Mariquinha, que mec&ecirc; sabe que soffre muito das lombrigas, leva a noite inteira se acordando assustada com | semelhantes berros. &#91;...&#93;. </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Arrematando esta, pe&ccedil;o-lhe o favor de ver se por ahi ha alguma casinha vaga, porque quero me safar daqui como o diabo da - cruis.  </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Adeus; espero sua resposta    </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Sou sua comadre </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><I>Tudinha </I>(Correio Paulistano, 20 de agosto de 1865) </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">(10) O feij&atilde;o e os atravessadores </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">S<I>enho</I>r Redactor: </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Vocemec&ecirc; &eacute; homem da imprensa, vive sempre preoccupado com as poesias e n&atilde;o ha de saber do que se passa no mundo de chilra prosa em que eu e minhas comadres vivemos. Pois, eu quero sempre dar-lhe uma prosinha do meu mund&eacute;o para que vmc. fa&ccedil;a uma pequena id&eacute;a dos transtornos em que vivemos.&#91;...&#93; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Em fim de contas eu o que quero &eacute; providencias s&eacute;rias. A minha e a barriga de minha familia, n&atilde;o p&oacute;de estar exposta aos botes dos atravessadores; e por isso - rogo a v<I>ossa </I>m<I>er</I>c<I>&ecirc;</I> que atice a policia nesses miliantes e d&ecirc; com elles no chelindr&oacute;. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Eu prometto-lhe um balainho de &oacute;vos frescos se v<I>ossa </I>m<I>er</I>c<I>&ecirc;</I> fizer com que os taes vendeiros d&ecirc;em o feij&atilde;o por uma continha que n&atilde;o aleije os pobres.    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Sou uma sua creada    </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">Balbina Rosa. (Correio Paulistano, 24 de abril de 1865) </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(11) Duas regras </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">S<I>enho</I>r redactor. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ha muito tempo que andava com ganas de dar uma pennada na imprensa de vo&ccedil;unc&ecirc;; mas entonces como n&atilde;o sei retolica, tinha scismas que von&ccedil;unc&ecirc; havia-se p&ocirc;r com partes. Mas j&aacute; hoje vi no seu pharol annun- ciada uma descomponenda de nha Amalia, cosinheira que foi do defundo senhor conego meu padrinho, que Deus haja, e isso me pissui de animo para botar nas folhas umas regras. </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Eu conhe&ccedil;o vo&ccedil;unc&ecirc; de outras eras; vo&ccedil;unc&ecirc; &eacute; que n&atilde;o se lembra de mim; eu estava alugada na casa do seu bispo D<I>om</I> Matheus, no tempo em que vo&ccedil;unc&ecirc; foi l&aacute; botar a Chrisma em vo&ccedil;unc&ecirc; mesmo. Eu bem me lem- bro disso. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Mas saiba vo&ccedil;unc&ecirc;, que eu sempre fui muito faceira e gostei de me aceiar, quando veio a lei da gente varrer a sua testada eu varria a minha &aacute; missa das armas, e quando os homens da carro&ccedil;a passav&atilde;o no meu bequinho j&aacute; achavam a lixarada n'uma montoeira. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Vai agora apparece um dia destes um velhote com uma espada grande e pistola na m&atilde;o e manda que eu metta a montoeira para dentro. Isto, s<I>enho</I>r redactor, n&atilde;o se faz a uma viuva honrada. &#91;...&#93;. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Nas suas folhas argumente em meu beneficio, e eu fico rezando por sua alma ao S<I>e</I>n<I>ho</I>r S<I>&atilde;o </I>Jo&atilde;o no meu rosario, que me deixou minha av&oacute;.  </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Se l&aacute; apparecer a nha Amalia vo&ccedil;unc&ecirc; d&ecirc;-lhe lembran&ccedil;as minhas.    </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Uma sua serva. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><I>Nicota Gertrudes. </I>(Correio Paulistano 24 de junho de 1865) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Por meio dos exemplos, verifica-se que as formas - <I>Vossa Senhoria, Vossa Merc&ecirc;, o senhor - </I>usadas pelo escrevente para se dirigir ao redator ou a um parente denotam respeito em rela&ccedil;&atilde;o ao papel social desempenhado pelo interlocutor. Entretanto, revelam tamb&eacute;m que a forma <I>Vossa Merc&ecirc;</I> est&aacute; passando por uma fase de transforma&ccedil;&atilde;o devido &agrave; varia&ccedil;&atilde;o com que &eacute; empregada, dependendo de quem &eacute; o escrevente e a que classe social pertence. </font></p></font></p><font size="2" face="verdana"><b>4. Interatividade nas cartas do leitor</b></font>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A interatividade &eacute; definida, por Marcuschi (1999, p. 143), como &quot;o movimento t&iacute;pico e expl&iacute;cito do escrevente direcionado a um leitor prentendido&quot;. Desse modo, as marcas de interatividade s&atilde;o constitu&iacute;das por express&otilde;es ou formas lingu&iacute;sticas que subentendem a presen&ccedil;a de um leitor a quem o escrevente se refere de modo claro e sem qualquer ambiguidade em determinado contexto situacional. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">A rela&ccedil;&atilde;o dessas marcas com a gram&aacute;tica evidencia-se pelo fato de essas formas lingu&iacute;sticas serem usuais na l&iacute;ngua, ou seja, s&atilde;o empregadas de acordo com as possibilidades que o sistema de l&iacute;ngua portuguesa permite. </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Tal uso faz parte de um movimento pr&oacute;prio do processo de textualiza&ccedil;&atilde;o cuja presen&ccedil;a do interlocutor evidencia-se na pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o textual. As cartas s&atilde;o casos t&iacute;picos de textos que permitem um uso intenso de marcas de intera&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o quer dizer que outros g&ecirc;neros n&atilde;o o permitam. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Observemos a carta, a seguir, na qual destacamos algumas dessas marcas<a href="#pie5" name="spie5"><sup>5</sup></a>: </font></p>     <blockquote>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">(12) COMPADRE PANCRACIO </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">N&atilde;o come&ccedil;o por perguntar- lhe noticia de sua saude, porque pela ultima que me escreveo fiquei sabendo que est&aacute; rijo como um cerne, fresco como uma alface, e alegre como um medico em tempo de epidemia. Tambem pudera n&atilde;o ser assim. O compadre passa um vid&atilde;o, mora no meio da abundancia, sente o aroma das flores, e das arvores, bebe boa e cristalina agua (N&atilde;o repare, poetissimo compadre), neste estylo que &eacute; muito geral nesta cidade). </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Como ia dizendo, come boa carne de porco, ou de gorda vitella, passeia no seu pomar, colhe e engole por desfastio um suculento pecego, ou uma tenra banana, dorme a sesta na sua rede, a noite toma o saudavel e puro caf&eacute;, e quando tem mais apetite manduca o seu prato da nutriente cangica, e dorme o sonno do justo depois de ter resado o infallivel ter&ccedil;o com a familia. E deixe correr 365 dias por um anno. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Ora realmente felicissimo compadre, uma vidinha destas &eacute; para chegar com certeza &aacute; idade do defunto Mathuzalen, que nem eu, nem o compadre conhecemos. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">&Eacute; verdade que o anasphaltissimo compadre por isso mesmo anda no mundo da lua, a respeito de progresso <I>progressante</I> n&atilde;o encherga um palmo adiante do nariz; e para de todo n&atilde;o ficar obtuso &eacute; mister que eu o v&aacute;, com estas minhas cartas burnindo, e tirando-o do estado quasi natural em que se acha. </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Tenha paciencia, compadre, Deus me defenda de deixa-lo (o compadre, n&atilde;o a Deus) fazer figura ridicula; tenha paciencia, heide dezabuzal-o. </font></p>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Aqui corre o rio por outra f&oacute;rma. Levanta-se a gente pela volta das 8 horas, toma o seu caf&eacute;, mas um caf&eacute;, compadre, todo adubado com milho, e outras coisitas mais, coisa boa; l&ecirc; o <I>Correio Paulistano</I>, faz o seu toilette, isto &eacute;, lava o rosto, pentea-se, cal&ccedil;a as chinela, veste a ceroula, a cal&ccedil;a, o casaco, etc., fuma o seu charutinho; e assim chega at&eacute; as 10 horas, que &eacute; a hora do almo&ccedil;o, j&aacute; se sabe, coisa fina, carne quasi sempre de boi pesteado, dizem que est&aacute; reconhecida que &eacute; mais saborosa, assim como a carne de dois e tres dias, por que fica mais macia; n&atilde;o sabia desta, compadre, pois &#91;v&#93;&aacute; aprendendo, que muito tem que aprender. </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O leite aqui compra-se j&aacute; adubado com agua e polvilho, que lhe d&aacute; um sainete excellente. O p&atilde;o, isso ent&atilde;o, compadre de uma figa, &eacute; coisa grande; temos p&atilde;o de todas as na&ccedil;&otilde;es; p&atilde;o francez, italiano, hespanhol, portuguez, allem&atilde;o, e n&atilde;o sei se at&eacute; o p&atilde;o turco; cada um com seu differente feitio, e alguns bem engra&ccedil;ados; e quanto ao sabor, isso nem fallemos, &eacute; comer e gritar por mais; uns tem um gostinho de azedo, qne &eacute; um regalo, outros com uns longes de m&ocirc;fo que o torna verdadeiramente apetitoso, estes claros, aquelles de uma c&ocirc;r mais trigueira, outros ainda mais, que at&eacute; fazem uma vista agradavel na mesa. Dizem-me que este ge- nero est&aacute; n'uma tal perfei&ccedil;&atilde;o, que emprega-se na sua manipula&ccedil;&atilde;o todas as farinhas conhecidas e desconhe- cidas, e &eacute; isto que o torna cada vez melhor. A respeito de p&atilde;o dir-lhe-hei, impertinentissimo compadre, que s&oacute; n&atilde;o temos o - P&atilde;o nosso de cada dia. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O jantar tem sempre lugar a hora da sua merenda, <I>frugalissimo compadre</I>, comp&otilde;ese de - todas las cosas e algumas cositas mais, tudo iguarias papafina. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto ao vinho e ao ch&aacute;, isso nem &eacute; bom fallarmos, ha tal abundancia, e variedade que eu iria longe, se quizesse descrever-lhe. Que perfei&ccedil;&atilde;o ! que gosto! O compadre p&oacute;de comprar uma garrafa de vinho de 640 ou de 800 r<I>&eacute;</I>s, que com essa s&oacute; garrafa ter&aacute; vinho, aguardente, licor, rozasolis, cognac, cerveja, etc. Faz pra- zer ainda ao paladar mais estragado. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O ch&aacute; antigamente era uma bebida desenxabida, hoje n&atilde;o senhor, principia pela c&ocirc;r que &eacute; de um amarello requeimado, e tem um gostinho de <I>sassuai&aacute;</I> com seus longes de <I>sabugueiro</I>, que melhor n&atilde;o p&oacute;de ser. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Compadre, ha hoje uma transforma&ccedil;&atilde;o em tudo isto que aposto o que quizer em como se o compadre viesse comer um dia &aacute;s nossas mesas, n&atilde;o saberia o que estava comendo, talvez cuidasse que estava saboreando os celebres bicos de rouxinol, e o manjar dos anjos, com que nos regal&atilde;o os ouvidos quando somos crian&ccedil;as. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Agora do que o compadre mais se havia de admirar seria do pre&ccedil;o de tudo isto. O'he, com qualquer 8$ rs. por dia o compadre p&oacute;de almo&ccedil;ar, jantar e ceiar! Realmente &eacute; de gra&ccedil;a. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Uma coisa que n&atilde;o temos nesta nossa boa cidade do Apostolo das gentes, quem o acreditaria! &eacute; agua. Mas declaro-lhe, sequiozissimo compadre, que n&atilde;o faz falta. Temos tanto liquido de diversas naturesas que realmente a agua deve ser banida de uma vez; n&atilde;o deve servir nem para a lavagem do corpo. E que bom n&atilde;o ser&aacute; banharmo-nos em caninha, cerveja, cognac, ou Cliquot? Que aroma delicioso n&atilde;o exhalar&aacute; uma cidade que adopte este hygienico, e agradavel costume?! </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Agora, aceiadissimo compadre, &aacute; noite quando depois de repletos de tantas delicadas, e variadissimas iguarias, sahimos a dar o nosso passeio hygienico, que prazer sentimos, quando ao passarmos por uma esqui- na, vemos correr della uma agua grossa com forte cheiro de sal amoniaco, ou quando encontramos um grande e alto carro conduzindo grande quantidade do verdadeiro patcholly, que deixa evaporar o mais ex- quisito aroma conhecido! Que bem estar n&atilde;o sente um filho de Deos ao passar pela rua do Rosario, em frente a casa que pertenceu ao seu velho amigo capit&atilde;o Severino! Oh compadre de um dardo, &eacute; que &eacute; o verdadeiro viver no seio de Abrah&atilde;o; agora &eacute; que se p&oacute;de dizer com verdade - esta vida n&atilde;o chega a netos, nem a filhos com barbas. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Affirm&atilde;o-me, compadre, que a policia tem ultimamente visitado as casas de negocio, e inutilisado muitos generos deteriorados, falsificados, etc.. mas realmente, austerissimo compadre, acho que a policia n&atilde;o tem ra- s&atilde;o, e que de alguma f&oacute;rma vae contra a plena liberdade do commercio. Os nossos commerciantes apenas o que fazem &eacute; melhorar o genero, fazendo diversas mis turas, e porisso, variando-o, tudo em beneficio do povo. E o compadre sabe perfeitamente que a variedade deleita, como dizia o outro. </font></p>       <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Era o que faltava que homens que vivem s&oacute; pensando no modo de nos ser <I>util</I> e <I>agradavel</I> soffressem nos seus interesses. Nada, n&atilde;o admitto, e para enristar a lan&ccedil;a por elles estar&aacute; sempre prompto o seu velho compadre </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">O Z&Eacute; DA VESTIA. (Correio Paulistano, 21de janeiro de 1864) </font></p> </blockquote>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Na carta sob an&aacute;lise, todas as partes destacadas com sublinhado apresentam uma rela&ccedil;&atilde;o interpessoal direta do escrevente (O Z&eacute; da Vestia) com seu destinat&aacute;rio (Compadre Pancracio). Tudo transcorre como se ele estivesse na presen&ccedil;a de seu interlocutor (Tenha paci&ecirc;ncia compadre; n&atilde;o sabia desta compadre; Agora aceiadissimo compadre). Evidencia-se, assim, que o g&ecirc;nero carta pessoal tem um interlocutor definido, &uacute;nico, bem delineado e &iacute;ntimo. Al&eacute;m disso, h&aacute; uma suposi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos partilhados que sustenta uma s&eacute;rie de afirma&ccedil;&otilde;es ou coment&aacute;rios que escapam aos demais leitores do jornal. </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Quanto a elementos caracter&iacute;sticos da interatividade, veja-se a pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios trechos da carta no estilo de atos ilocut&oacute;rios (N&atilde;o repare; Tenha paci&ecirc;ncia; v&aacute; aprendendo, que muito tem que aprender), perguntas (n&atilde;o sabia desta, compadre) Outro ind&iacute;cio de rela&ccedil;&atilde;o direta com o interlocutor s&atilde;o os vocativos (poet&iacute;ssimo compadre; felic&iacute;ssimo compadre, anasphaltissimo compadre, compa-dre de uma figa; adeiadissimo compadre, austerissimo compadre, Oh compadre de um dardo, impertinentissimo compadre, etc). H&aacute; ainda o uso de marcadores discursivos - agora, ent&atilde;o, assim, mas realmente, acho que, olhe que encadeiam as seq&uuml;&ecirc;ncias textuais e estabelecem um envolvimento com o interlocutor. </font></p></font></p> <font size="2" face="verdana"><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Essas marcas de intera&ccedil;&atilde;o revelam que o enunciador/escrevente age visando a um envolvimento multiorientado (cf. Marcuschi 1999), dado que se envolve: com seu interlocutor (o leitor a quem a carta est&aacute; dirigida e aos prov&aacute;veis leitores do jornal); com o t&oacute;pico discursivo em desenvolvimento (o assunto tratado na referida carta); consigo mesmo; com pr&aacute;ticas sociais espec&iacute;ficas (na carta, o contato pessoal). </font></p>     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Desse modo, tais marcas s&atilde;o uma caracter&iacute;stica primordial do processamento lingu&iacute;stico oral ou escrito. Numa perspectiva cognitiva, podemos dizer - em conformidade com Marcuschi (1999) - que o processamento textual, enquanto atividade/movimento de produ&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o de texto apresenta aspectos comuns na fala e na escrita, ou seja, a interatividade n&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia t&iacute;pica da fala e pode ocorrer na textualiza&ccedil;&atilde;o da escrita. A interatividade &eacute; uma caracter&iacute;stica que est&aacute; relacionada ao escrevente/locutor e sua a&ccedil;&atilde;o com a l&iacute;ngua, e n&atilde;o apenas um aspecto da modalidade (oral/escrita). Assim, a dialogicidade ser&aacute; tanto maior quanto mais definido for o interlocutor. </font></p>    <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana">Em s&iacute;ntese, as marcas de interatividade nas cartas atuam como operadores de orienta&ccedil;&atilde;o cognitiva, evidenciando perspectivas de interpreta&ccedil;&atilde;o preferencial por parte do escrevente/locutor. Al&eacute;m de marcas estil&iacute;sticas, s&atilde;o formas de a&ccedil;&atilde;o com a linguagem (atos de fala) que estabelecem contratos, fazem negocia&ccedil;&otilde;es, propostas e definem posicionamentos para uma rela&ccedil;&atilde;o intersubjetiva eficaz. </font></p> <hr size="1">     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#s*" name="*"><sup>*</sup></a> Este artigo foi desenvolvido no &acirc;mbito do Projeto &quot;Tradi&ccedil;&otilde;es discursivas: constitui&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a dos g&ecirc;neros discursivos numa perspectiva diacr&ocirc;nica&quot;, que integra o Projeto Tem&aacute;tico de Equipe &quot;Para a Hist&oacute;ria do Portugu&ecirc;s Paulista (Projeto Caipira)&quot;, Processo FAPESP no. 06/55944-0, coordenado pelo prof. Dr. Ataliba T. de Castilho (USP).</font> </p>     <P class="Sect"   ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie1" name="pie1"><sup>1</sup></a> O material para an&aacute;lise foi retirado do livro organizado por Barbosa e Lopes. <I>Cr&iacute;ticas, queixumes e bajula&ccedil;&otilde;es na imprensa brasileira do s&eacute;culo </I><B><I>XIX</I></B><I>-</I>cartas de leitores. Rio de Janeiro: UFRJ/FAPERJ, 2006. </font>     <P class="Sect"   ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie2" name="pie2"><sup>2</sup></a> O uso da designa&ccedil;&atilde;o <I>g&ecirc;nero carta</I>, em vez de <I>g&ecirc;nero epistolar</I>, busca dar &ecirc;nfase ao sentido de unidade de comunica&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da em contextos funcionais espec&iacute;ficos, evitando conota&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias.</font>      <P class="Sect"   ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie3" name="pie3"><sup>3</sup></a> As cartas foram transcritas seguindo a ortografia da &eacute;poca. </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P class="Sect"   ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie4" name="pie4"><sup>4</sup></a> Os pronomes aparecem sublinhados no texto.</font>      <P class="Sect"   ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie5" name="pie5"><sup>5</sup></a> Tais marcas est&atilde;o sublinhadas no texto.</font>  <HR SIZE="1">     <P   align="justify" ><font size="2" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bakhtin, M. (1976). Discurso na vida e discurso na arte (sobre a po&eacute;tica sociol&oacute;gica). </font><font size="2" face="verdana">Carlos Alberto Faraco e Crist&oacute;v&atilde;o Tezza (trad.), a partir da tradu&ccedil;&atilde;o inglesa de I. R. </font><font size="2" face="verdana">Titunik &quot;Discourse in life and discourse in art concerning sociologial poetics&quot;. In </font><font size="2" face="verdana"><I>Freudism</I>. New York: Academic Press &#91;c&oacute;pia xerox&#93; (trabajo original publicado en </font><font size="2" face="verdana">1927). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0120-338X201000020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bakhtin, M. (1979). <I>Marxismo e filosofia da linguagem. </I>M. Lahud, Y. F. Vieira e outros </font><font size="2" face="verdana">(trads.). S&atilde;o Paulo: Hucitec (trabajo original publicado en 1929). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0120-338X201000020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bezerra, M. A. (2002). Por que cartas do leitor na sala de aula. In A. P. Dion&iacute;sio, A. R. </font><font size="2" face="verdana">Machado e M. A. Bezerra, <I>G&ecirc;neros textuais e ensino. </I>Rio de Janeiro: Lucerna<I>. </I></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0120-338X201000020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Biderman, M. T. C. (1972-1973). Formas de tratamento e estruturas sociais. <I>Revista Alfa</I>, vol. 18/19, 339-381. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0120-338X201000020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Brait, B. (2002). Intera&ccedil;&atilde;o, g&ecirc;nero e estilo. In D. Preti (org<I>.</I>),<I> Intera&ccedil;&atilde;o na fala e na escrita </I>(vol. 5, pp. 125-128). S&atilde;o Paulo: Humanitas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0120-338X201000020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Brown, R. e Gilman, A. (1960). The pronouns of power and solidarity. In T. A. Sebeok, <I>Style in Language </I>(pp. 253-276)<I>. </I>USA: Press of MIT. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0120-338X201000020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Marcuschi, L. A. (1999). Marcas de interatividade no processo de textualiza&ccedil;&atilde;o da escrita. In A. C. S. Rodrigues, I. M. Alves e N. S. Goldstein,<I> Semin&aacute;rio de filologia e l&iacute;ngua portuguesa </I>(pp.139-156). S&atilde;o Paulo: Humanitas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0120-338X201000020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Marcuschi, L. A. (2001). Letramento e oralidade no contexto das pr&aacute;ticas sociais e eventos comunicativos. In I. Signorini (org.), <I>Investigando a rela&ccedil;&atilde;o oral/escrito </I>(pp. 23-50). Campinas: Mercado de Letras. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0120-338X201000020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Pessoa, M. de B. (2002). Da carta a outros g&ecirc;neros textuais. In M. E. L. Duarte e D. Callou (orgs.), <I>Para a hist&oacute;ria do portugu&ecirc;s brasileiro </I>(vol. IV, pp. 197-205). Rio de Janeiro: UFRJ/FAPERJ. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0120-338X201000020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Preti, D. (2000). Pap&eacute;is sociais e formas de tratamento em <I>A Ilustre Casa dos Ramires</I>, de E&ccedil;a de Queiroz. In B. Berrini (org.), <I>A Ilustre Casa dos Ramires Cem Anos </I>(pp.&nbsp;85-109). S&atilde;o Paulo: EDUC/FAPESP. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0120-338X201000020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Rizzini, C. (1977). <I>O jornalismo antes da tipografia</I>. S&atilde;o Paulo: Editora Nacional. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0120-338X201000020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Robinson, W. P. (1977). Linguagem e comportamento social. J. Martins (trad.). S&atilde;o Paulo: Cultrix. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0120-338X201000020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Silva, V. L. P. (1988). <I>Cartas Cariocas</I>. <I>A varia&ccedil;&atilde;o do sujeito na escrita informal</I> (tese de doutorado). Rio de Janeiro: UFRJ. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0120-338X201000020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Silva, V. L. P. (1997). Varia&ccedil;&otilde;es tipol&oacute;gicas no g&ecirc;nero textual carta. In I. G. V. Koch e K.</font><font size="2" face="verdana">S. Monteiro de Barros (eds.), <I>T&oacute;picos em ling&uuml;&iacute;stica de texto e an&aacute;lise da conversa&ccedil;&atilde;o </I></font><font size="2" face="verdana">(p. 118-124). Natal: EDUFRN. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0120-338X201000020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Sim&otilde;es, J. da S. (2007). <I>Sintaticiza&ccedil;&atilde;o, discursiviza&ccedil;&atilde;o e semanticiza&ccedil;&atilde;o das ora&ccedil;&otilde;es de ger&uacute;ndio no portugu&ecirc;s brasileiro </I>(tese de doutorado). FFLCH-Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0120-338X201000020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Sodr&eacute;, N. W. (1999). <I>Hist&oacute;ria da Imprensa no Brasil</I>. Rio de Janeiro: Mauad. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0120-338X201000020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Swales, J. (1990).<I> Genre analysis</I>. Cambridge: Cambridge University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0120-338X201000020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bakhtin]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Discurso na vida e discurso na arte (sobre a poética sociológica)]]></article-title>
<source><![CDATA[Freudism]]></source>
<year>1976</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Academic Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bakhtin]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lahud]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vieira e outros]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y. F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Marxismo e filosofia da linguagem]]></source>
<year>1979</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hucitec]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bezerra]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por que cartas do leitor na sala de aula]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Dionísio]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bezerra]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gêneros textuais e ensino]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lucerna]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Biderman]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. T. C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formas de tratamento e estruturas sociais]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Alfa]]></source>
<year>1973</year>
<volume>18/19</volume>
<page-range>339-381</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brait]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Interação, gênero e estilo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Preti]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Interação na fala e na escrita]]></source>
<year>2002</year>
<volume>5</volume>
<page-range>125-128</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Humanitas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gilman]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The pronouns of power and solidarity]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Sebeok]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Style in Language]]></source>
<year>1960</year>
<page-range>253-276</page-range><publisher-loc><![CDATA[USA ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Press of MIT]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marcuschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Marcas de interatividade no processo de textualização da escrita]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C. S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Goldstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Seminário de filologia e língua portuguesa]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>139-156</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Humanitas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marcuschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Letramento e oralidade no contexto das práticas sociais e eventos comunicativos]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Signorini]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Investigando a relação oral/escrito]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>23-50</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pessoa]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. de B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da carta a outros gêneros textuais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Duarte]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. E. L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Callou]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Para a história do português brasileiro]]></source>
<year>2002</year>
<volume>IV</volume>
<page-range>197-205</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UFRJ/FAPERJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Preti]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Papéis sociais e formas de tratamento em A Ilustre Casa dos Ramires, de Eça de Queiroz]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Berrini]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Ilustre Casa dos Ramires Cem Anos]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>85-109</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[EDUC/FAPESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rizzini]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O jornalismo antes da tipografia]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Robinson]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Linguagem e comportamento social]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cultrix]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[V. L. P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cartas Cariocas: A variação do sujeito na escrita informal]]></source>
<year>1988</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[V. L. P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Variações tipológicas no gênero textual carta]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Koch]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. G. V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro de Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tópicos em lingüística de texto e análise da conversação]]></source>
<year>1997</year>
<page-range>118-124</page-range><publisher-loc><![CDATA[Natal ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[EDUFRN]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Simões]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. da S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sintaticização, discursivização e semanticização das orações de gerúndio no português brasileiro]]></source>
<year>2007</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sodré]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História da Imprensa no Brasil]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mauad]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Swales]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Genre analysis]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
