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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[A estética política das mídias locativas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[As práticas de acesso propiciadas pelos dispositivos móveis conectados ao Sistema de Posicionamento Global (GPS) estão fazendo emergir um novo espaço social de misturas inextricáveis entre o virtual (o ciberespaço) e os ambientes físicos em que nosso corpo biológico circula. Este trabalho visa apresentar as novas modalidades de comunicação, conexão e interação que estão surgindo sob o nome de "mídias locativas". São processos que estão dando origem a uma estética politicamente orientada, cujas principais características serão discutidas neste trabalho.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Practices of access allowed by mobile devices connected to the Global Positioning System (GPS) are bringing the emergence of a new social space that mixes seamlessly the virtual (cyberspace) with the physical environments in which our biological body circulates. The aim of this paper is to present the new modalities of communication, connection, and interaction appearing under the name of "locative media". They are processes that originate a politically oriented aesthetics whose main characteristics will be discussed in this paper.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="3">    <p align="center"><b>A est&eacute;tica pol&iacute;tica das m&iacute;dias locativas*</b></p></font> <font face="Verdana" size="2">    <p align="center"><b>The political esthetics of locative media</b></p>     <p>Lucia Santaella**</p>     <p>* Este trabalho d&aacute; continuidade &agrave; pesquisa sobre novos processos de comunica&ccedil;&atilde;o permitidos pelos dispositivos m&oacute;veis, desenvolvida no livro Linguagens l&iacute;quidas na era da mobilidade (Santaella, 2007).</p>     <p>** Doutora em Teoria Liter&aacute;ria e Livre Docente em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Professora titular da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (Brasil). E-mail: <a href="mailto:lbraga@pucsp.br">lbraga@pucsp.br</a>.</p>     <p>ORIGINAL RECIBIDO: 19-I-2008 &ndash; ACEPTADO: 13-II-2008</p> <hr size="1">     <p>Las pr&aacute;cticas de acceso propiciadas por los dispositivos m&oacute;viles conectados al Sistema de Posicionamiento Global (GPS) est&aacute;n haciendo surgir un nuevo espacio social de combinaciones inextricables entre lo virtual (el ciberespacio) y los ambientes f&iacute;sicos en los que se mueve nuestro cuerpo biol&oacute;gico. Este trabajo busca presentar las nuevas modalidades de comunicaci&oacute;n, conexi&oacute;n e interacci&oacute;n que est&aacute;n apareciendo bajo el nombre de &quot;medios de comunicaci&oacute;n locativos&quot;. &Eacute;stos son procesos que est&aacute;n dando origen a una est&eacute;tica pol&iacute;ticamente orientada, cuyas principales caracter&iacute;sticas se discutir&aacute;n en el art&iacute;culo.</p>     <p>Palabras claves: medios de comunicaci&oacute;n locativos, espacios sociales, est&eacute;tica pol&iacute;tica, dispositivos m&oacute;viles.</p>     <p>As pr&aacute;ticas de acesso propiciadas pelos dispositivos m&oacute;veis conectados ao Sistema de Posicionamento Global (GPS) est&atilde;o fazendo emergir um novo espa&ccedil;o social de misturas inextric&aacute;veis entre o virtual (o ciberespa&ccedil;o) e os ambientes f&iacute;sicos em que nosso corpo biol&oacute;gico circula. Este trabalho visa apresentar as novas modalidades de comunica&ccedil;&atilde;o, conex&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o surgindo sob o nome de &quot;m&iacute;dias locativas&quot;. S&atilde;o processos que est&atilde;o dando origem a uma est&eacute;tica politicamente orientada, cujas principais caracter&iacute;sticas ser&atilde;o discutidas neste trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Palavras-chaves: m&iacute;dias locativas, espa&ccedil;os sociais, est&eacute;tica pol&iacute;tica, dispositivos m&oacute;veis.</p>     <p>Practices of access allowed by mobile devices connected to the Global Positioning System (GPS) are bringing the emergence of a new social space that mixes seamlessly the virtual (cyberspace) with the physical environments in which our biological body circulates. The aim of this paper is to present the new modalities of communication, connection, and interaction appearing under the name of &quot;locative media&quot;. They are processes that originate a politically oriented aesthetics whose main characteristics will be discussed in this paper.</p>     <p>Key words: locative media, social spaces, political aesthetics, mobile devices.</p> <hr size="1">     <p>A multi-referencialidade do debate sobre as concep&ccedil;&otilde;es de p&uacute;blico, espa&ccedil;o p&uacute;blico, esfera p&uacute;blica, vida p&uacute;blica j&aacute; foi bem indicada por Lavalle (2005). Em meio a autores mais ou menos conhecidos, n&atilde;o resta d&uacute;vida de que o modelo mais influente &eacute; o de Habermas (1962), segundo o qual o espa&ccedil;o p&uacute;blico refere- se &agrave; geografia da esfera p&uacute;blica, isto &eacute;, ao lugar em que as pessoas se re&uacute;nem para dar voz e discutir assuntos de interesse p&uacute;blico. O lamentado decl&iacute;nio do espa&ccedil;o p&uacute;blico, assim concebido, foi um tema largamente discutido (Sennett, 1977; Berman, 1982; Harvey, 2003). Segundo esses autores, o espa&ccedil;o p&uacute;blico, que caracterizou o in&iacute;cio do modernismo, foi substitu&iacute;do por um recolhimento ao espa&ccedil;o privado. Ecoando, em uma nova entona&ccedil;&atilde;o, a id&eacute;ia da &quot;sociedade do espet&aacute;culo&quot;, de Debord (1967) –em que as imagens, que fazem o espet&aacute;culo, n&atilde;o s&atilde;o imagens em si, mas rela&ccedil;&otilde;es sociais cada vez mais mediadas e niveladas por imagens–, ficou bastante conhecido o diagn&oacute;stico de Paul Virilio (1994: 64) sobre o deslocamento dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos tradicionais tais como pra&ccedil;as, ruas e <i>boulevards</i> para a imagem p&uacute;blica.</p>     <p>De fato, as condi&ccedil;&otilde;es do mercantilismo capitalista anulam as formas tradicionais de intera&ccedil;&atilde;o social. O estilo de vida propiciado pelo consumo massivo, em que a propaganda e o <i>marketing</i> expandem a circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias, leva de rold&atilde;o os ideais de um espa&ccedil;o p&uacute;blico urbano participativo. Para Sennett (1977), a ascens&atilde;o da mercadoria gera uma demanda pela intimidade pessoal e autenticidade psicol&oacute;gica, do que decorre a id&eacute;ia de que estranhos n&atilde;o devem falar uns com os outros e de que cada um tem o direito de ser deixado sozinho. Enquanto isso, as m&iacute;dias de massa, especialmente o r&aacute;dio e a televis&atilde;o, difundem as vozes e imagens –constru&iacute;das com o engenho do <i>marketing</i> – de l&iacute;deres aos quais as massas aderem, quase sempre com &ecirc;xtase. Al&eacute;m disso, o acesso ao espa&ccedil;o p&uacute;blico e &agrave;s atividades que nele seriam poss&iacute;veis foi se tornando objeto de regulamenta&ccedil;&otilde;es cada vez maiores, com novas formas de policiamento e vigil&acirc;ncia, bloqueando iniciativas de ocupa&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea.</p>     <p>H&aacute; umas poucas d&eacute;cadas, sem que tal estado de coisas tenha sofrido modifica&ccedil;&otilde;es internas, com o advento da internet e com a expans&atilde;o crescente de seu potencial comunicativo, houve um deslocamento da esfera p&uacute;blica para a imaterialidade das redes da m&iacute;dia eletr&ocirc;nica e sistemas de informa&ccedil;&atilde;o. A opini&atilde;o p&uacute;blica passou, ent&atilde;o, a se formar n&atilde;o s&oacute; pelas m&iacute;dias de massa, mas tamb&eacute;m pelo <i>narrowcasting</i> de canais a cabo, pelos <i>portais</i>, <i>sites</i> e <i>blogs</i> da internet, ficando as ruas, parques e <i>shoppings</i> reservados ao tr&acirc;nsito apressado de cidad&atilde;os ensimesmados. Especialmente entre os jovens, redes sociais como Orkut, MySpace, Facebook substitu&iacute;ram em boa parte as intera&ccedil;&otilde;es <i>face-a-face</i>. Como nos lembra Shepard (2007), redes de socializa&ccedil;&atilde;o, como Flickr, propiciam formas de compartilhamento e de troca inimagin&aacute;veis no espa&ccedil;o f&iacute;sico. Isso gerou uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico fisicamente localiz&aacute;vel, em favor de uma esfera p&uacute;blica pr&oacute;pria das redes globalizadas, comprovando que transforma&ccedil;&otilde;es nas m&iacute;dias emolduram novas modalidades de experi&ecirc;ncia social.</p>     <p>Desse modo, o quadro que se apresentava h&aacute; poucos anos desenhava a coexist&ecirc;ncia de dois espa&ccedil;os paralelos. De um lado, o espa&ccedil;o f&iacute;sico, prenhe tanto de n&atilde;o-lugares, como Aug&eacute; (1994) os definiu, a saber, espa&ccedil;os destitu&iacute;dos de hist&oacute;ria e vida social, entre-lugares de tr&acirc;nsito e ocupa&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias: aeroportos, hot&eacute;is, trens etc., quanto de lugares de consumo, como caf&eacute;s, <i>shoppings</i>, pontos tur&iacute;sticos, concertos, exibi&ccedil;&otilde;es, &aacute;reas de esportes, em que as pessoas meramente se cruzam sem interagir. De outro lado, um tipo distinto de espa&ccedil;o, o espa&ccedil;o informacional e abstrato, batizado de ciberespa&ccedil;o, um espa&ccedil;o virtual de conex&otilde;es planet&aacute;rias ditas imateriais. Esse paralelo opositivo entre o f&iacute;sico, esvaziado de intera&ccedil;&otilde;es sociais vivas, e o cibern&eacute;tico, feito de abstra&ccedil;&otilde;es desencarnadas, despertou uma avalanche de discursos cr&iacute;ticos carregados de perturbadores progn&oacute;sticos sobre a perda da escala humana do tempo e do espa&ccedil;o, sobre a gera&ccedil;&atilde;o de modelos de realidade sem origem e sem destino, sobre a atrofia do corpo f&iacute;sico, plugado e inerte enquanto a mente navega pelos espa&ccedil;os da virtualidade.</p>     <p>Longe de serem hegem&ocirc;nicos, esses discursos foram contrabalan&ccedil;ados por vis&otilde;es menos catastr&oacute;ficas. Um dos primeiros, por exemplo, a colocar a necess&aacute;ria &ecirc;nfase no fato de que o ciberespa&ccedil;o em nada se assemelha a um territ&oacute;rio extranatural, pairando acima da fisicalidade do mundo, foi Manuel Castells (2000). Pensar a sociedade em rede, para ele, implica conceber o ciberespa&ccedil;o tamb&eacute;m como parte integrante de um espa&ccedil;o de fluxos. Este se caracteriza, antes de tudo, pelas pr&aacute;ticas sociais que dominam e definem a sociedade em rede, ou seja, a organiza&ccedil;&atilde;o material de pr&aacute;ticas sociais temporalmente compartilhadas que funcionam atrav&eacute;s de fluxos. Isso nos leva a constatar que, na realidade, as comunidades virtuais eletr&ocirc;nicas nunca deixaram de viver nas &aacute;reas lim&iacute;trofes entre a cultura f&iacute;sica e a virtual.</p>     <p>Em v&aacute;rias ocasi&otilde;es tamb&eacute;m defendi (Santaella, 2003: 303-314; 2004; 2007) que n&atilde;o importa qual forma o corpo virtual possa adquirir, sempre haver&aacute; um corpo biol&oacute;gico junto, ambos inseparavelmente atados. O virtual pode estar em um outro lugar –e o outro lugar ser um ponto de vista privilegiado– mas a consci&ecirc;ncia permanece firmemente arraigada no f&iacute;sico. Historicamente, o corpo, a tecnologia e a comunidade se constituem mutuamente.</p>     <p>Seja como for, a acelerada evolu&ccedil;&atilde;o das tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o, a partir do surgimento de um crescente enxame de dispositivos m&oacute;veis e sem fio, cada vez mais multifuncionais, em muito pouco tempo introduziu condi&ccedil;&otilde;es sociais inesperadas, que prometem reconfigurar nossas experi&ecirc;ncias e entendimento do espa&ccedil;o e da cultura ao devolver &agrave; vida urbana uma vibra&ccedil;&atilde;o que se pensava estar perdida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. A din&acirc;mica dos espa&ccedil;os intersticiais</b></p>     <p>Para come&ccedil;ar, a prolifera&ccedil;&atilde;o das m&iacute;dias m&oacute;veis e computa&ccedil;&atilde;o pervasiva vem trazendo transforma&ccedil;&otilde;es na pr&oacute;pria paisagem do espa&ccedil;o p&uacute;blico. O uso de celulares e iPods, com seus canais abertos para a intimidade, ensejam os mais variados graus de privacidade em ambientes p&uacute;blicos, tornando movedi&ccedil;as as fronteiras entre o p&uacute;blico e o privado. Falar ao telefone, quando se caminha pelas ruas, enviar SMS a um amigo enquanto se viaja dentro de um &ocirc;nibus, ouvir o iPod no metr&ocirc; tornaram-se formas comuns de experi&ecirc;ncia privada em meio ao movimento acelerado do cotidiano nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos contempor&acirc;neos.</p>     <p>Mais importante do que a paisagem urbana e os enclaves de privacidade no seio da vida p&uacute;blica s&atilde;o as atividades complexamente urdidas que est&atilde;o emergindo. A converg&ecirc;ncia das novas redes m&oacute;veis de telecomunica&ccedil;&otilde;es, com o Sistema de Posicionamento Global<a href="#1" name="n1"><sup>1</sup></a> (GPS) e com as interfaces gr&aacute;ficas interativas dos dispositivos m&oacute;veis vem expandindo o potencial das tecnologias midi&aacute;ticas, propiciando a comunica&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos em movimento, que, durante todo o tempo, est&atilde;o conscientes do lugar que cada um ocupa no espa&ccedil;o. Ao introduzir a consci&ecirc;ncia do contexto e permitir a comunica&ccedil;&atilde;o multi-usu&aacute;rio, essa converg&ecirc;ncia est&aacute; alterando os padr&otilde;es dos fluxos de informa&ccedil;&atilde;o assim como as situa&ccedil;&otilde;es em que a comunica&ccedil;&atilde;o ocorre. Est&atilde;o surgindo com isso novas estruturas espaciais interativas e novas formas de pr&aacute;ticas culturais. Trata-se de servi&ccedil;os baseados em locais que, por meio da rede geoespacial, est&atilde;o ligando os bits imateriais da m&iacute;dia e informa&ccedil;&atilde;o com lugares f&iacute;sicos do espa&ccedil;o p&uacute;blico urbano. S&atilde;o pr&aacute;ticas tecno-sociais com o potencial de gerar formas de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica que reconectam as dimens&otilde;es materiais do espa&ccedil;o f&iacute;sico com os recursos participativos da esfera p&uacute;blica virtual.</p>     <p>A comunica&ccedil;&atilde;o mediada por computador via internet deslocou os pontos de encontros f&iacute;sicos para os contextos espaciais virtuais. Com as redes de comunica&ccedil;&atilde;o m&oacute;veis baseadas em localiza&ccedil;&otilde;es ressurgem os pontos de encontro no espa&ccedil;o f&iacute;sico de um ambiente urbano. O par&acirc;metro da localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica &eacute; assim reintroduzido, mas em atividades que continuam sendo mediadas por computador. O espa&ccedil;o virtual em que a comunica&ccedil;&atilde;o ocorre &eacute; mapeado para o espa&ccedil;o f&iacute;sico habitado pelos corpos materiais dos participantes. Assim, o contexto espacial virtual &eacute; mapeado no mundo f&iacute;sico e o contexto espacial h&iacute;brido resultante torna-se a arena do processo interativo.</p>     <p>Conseq&uuml;entemente, a esfera p&uacute;blica n&atilde;o mais se define pelas estruturas materiais como pra&ccedil;as e ruas, nem apenas pelo espa&ccedil;o virtual das redes telem&aacute;ticas, mas surge na intera&ccedil;&atilde;o complexa de espa&ccedil;os materiais e imateriais, em espacialidades h&iacute;bridas caracterizadas por fluxos din&acirc;micos. O impacto desses desenvolvimentos na rela&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;os midi&aacute;ticos e espa&ccedil;os urbanos tem sido profundo (McQuire, 2006) e nos leva a confirmar que o desenvolvimento e crescimento de complexidade das tecnologias comunicacionais n&atilde;o est&aacute; se dirigindo para a dissolu&ccedil;&atilde;o das cidades, dos corpos, do mundo f&iacute;sico, mas para a intersec&ccedil;&atilde;o do f&iacute;sico com o virtual. A integridade do corpo biol&oacute;gico, cuja perda iminente foi t&atilde;o lastimada, est&aacute; na realidade se transformando rapidamente em um conjunto de extens&otilde;es ligadas a um mundo h&iacute;brido, pautado pela interconex&atilde;o de redes e sistemas <i>on</i> e <i>off line</i> (Beiguelman, 2006: 153). Assim, n&oacute;s continuamos a habitar esferas f&iacute;sicas, em urdiduras nas quais v&aacute;rias outras esferas virtuais se misturam, sem que os ambientes f&iacute;sicos desapare&ccedil;am.</p>     <p>Andr&eacute; Lemos (no prelo), pioneiro no Brasil no estudo das cibercidades, afirma que &quot;estamos assistindo &agrave; expans&atilde;o de experi&ecirc;ncias de localiza&ccedil;&atilde;o e de tratamento inteligente da informa&ccedil;&atilde;o a partir de dispositivos sem fio que aliam mobilidade, personaliza&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o, criando novas pr&aacute;ticas de espa&ccedil;o&quot;.</p>     <p>V&aacute;rios autores t&ecirc;m chamado de &quot;espa&ccedil;os h&iacute;bridos&quot; as mesclas entre o f&iacute;sico e virtual (Souza e Silva, 2006). Entretanto, o adjetivo &quot;h&iacute;brido&quot; tem sido utilizado em tantos contextos diferentes que, na busca de uma maior precis&atilde;o terminol&oacute;gica, com &ecirc;nfase n&atilde;o apenas nos fluxos de informa&ccedil;&atilde;o para dentro e para fora do espa&ccedil;o f&iacute;sico em conex&otilde;es incons&uacute;teis, mas tamb&eacute;m nas novas formas de socializa&ccedil;&atilde;o que a&iacute; emergem, em meus trabalhos (Santaella, 2007), tenho utilizado &quot;espa&ccedil;os intersticiais&quot; como uma met&aacute;fora capaz de caracterizar as m&uacute;ltiplas faces das mudan&ccedil;as mais recentes no mundo da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura. Entre as m&uacute;ltiplas faces dessas mudan&ccedil;as encontram- se as atividades que est&atilde;o sendo conhecidas sob a rubrica de &quot;m&iacute;dias locativas&quot;.</p>     <p><b>2. O que s&atilde;o m&iacute;dias locativas</b></p>     <p>O texto origin&aacute;rio das propostas locativas, antes mesmo da exist&ecirc;ncia desse nome, encontra-se no <i>Manifesto Headmap</i>, no qual, j&aacute; em 1999, Ben Russell lan&ccedil;ava id&eacute;ias ut&oacute;picas e inspiradoras que o tempo s&oacute; confirmaria. Com o mote de que a internet j&aacute; estava come&ccedil;ando a &quot;pingar no mundo real&quot;, o manifesto alertava para o enriquecimento de nossa experi&ecirc;ncia espacial pela sobreposi&ccedil;&atilde;o de camadas de informa&ccedil;&atilde;o –imagens, textos, sons– disponibilizados por dispositivos m&oacute;veis e computa&ccedil;&atilde;o sem fio habilitados com GPS e alimentados por um intenso esp&iacute;rito comunit&aacute;rio. Al&eacute;m disso, propunha uma s&eacute;rie de t&aacute;ticas para se aplicar ontologias da <i>web</i> sem&acirc;ntica &agrave; tecnologia m&oacute;vel sens&iacute;vel ao local, transformando assim esta &uacute;ltima de um meio de acesso a conte&uacute;do sobre localiza&ccedil;&atilde;o para a base de uma nova esp&eacute;cie de presen&ccedil;a m&oacute;vel em rede.</p>     <p>O nome &quot;m&iacute;dias locativas&quot; foi dado por Karlis Kalnins como uma categoria de teste para processos e produtos realizados por um grupo internacional de pessoas trabalhando com as tecnologias emergentes. Foi esse o nome do primeiro evento sobre o tema, realizado em julho de 2003, no K@2, Centro de Cultura e Informa&ccedil;&atilde;o, localizado na costa b&aacute;ltica da Latvia, em Karosta, uma abandonada cidade militar da era sovi&eacute;tica. A escolha do lugar foi inspirada na id&eacute;ia de Paul Virilio de que n&atilde;o se pode entender o desenvolvimento das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o sem que se entenda tamb&eacute;m a evolu&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias militares. Al&eacute;m disso, pretendia- se que o evento se realizasse em local distante do mercado global em que essas tecnologias se originaram.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A proposta do evento ilustra com clareza as caracter&iacute;sticas e os caminhos que as m&iacute;dias locativas tomariam da&iacute; em diante. Para os organizadores, os dispositivos de rede sem fio, com suas transfer&ecirc;ncias de dados sempre on line e sua intera&ccedil;&atilde;o com sinais posicionados e microprocessadores atados ao ambiente, oferecem &agrave;s pessoas capacidades computacionais e comunicacionais, antes imposs&iacute;veis, para criar redes sociais <i>ad hoc</i> que est&atilde;o mudando as rela&ccedil;&otilde;es humanas entre si e com o espa&ccedil;o e tempo. Durante o evento, receptores de baixo custo de sat&eacute;lites de posicionamento global ofereceram a amadores os meios de produzir suas pr&oacute;prias informa&ccedil;&otilde;es cartogr&aacute;ficas com precis&atilde;o militar.</p>     <p>Antes mesmo do evento, os dados cartogr&aacute;ficos gerados pelos pr&oacute;prios usu&aacute;rios, numa variedade de ambientes de redes rastreados por m&aacute;quinas, j&aacute; estava possibilitando o desenvolvimento de um <i>pool</i> de dados <i>open source</i> sobre a geografia humana. Com o surgimento dos port&aacute;teis e dispositivos de rede computacional sens&iacute;veis ao ambiente, essa cartografia colaborativa permite que os usu&aacute;rios mapeiem seus ambientes f&iacute;sicos com dados digitais, geo-anotados. Distinto da WWW, o foco agora &eacute; deslocado para a localiza&ccedil;&atilde;o espacial e centrado no usu&aacute;rio individual, tendo em vista a cria&ccedil;&atilde;o de cartografias colaborativas de espa&ccedil;o e mente, lugares e conex&otilde;es entre eles.</p>     <p>As m&iacute;dias locativas s&atilde;o insepar&aacute;veis da no&ccedil;&atilde;o de computa&ccedil;&atilde;o pervasiva. No seu sentido mais amplo, a computa&ccedil;&atilde;o pervasiva ou ub&iacute;qua engloba recursos, aplica&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de computa&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel, vest&iacute;vel, distribu&iacute;da, em rede e sens&iacute;vel ao contexto. Dispositivo tecnol&oacute;gico sens&iacute;vel ao contexto significa que o dispositivo &eacute; capaz de localizar, classificar, coletar, arquivar e usar informa&ccedil;&atilde;o relevante, assim como descartar informa&ccedil;&atilde;o irrelevante. No caso das m&iacute;dias locativas, sens&iacute;vel ao contexto referese a um campo em que a localiza&ccedil;&atilde;o de pessoas e objetos pode ser usada pelas m&aacute;quinas para derivar informa&ccedil;&atilde;o contextual com a qual d&atilde;o assist&ecirc;ncia aos usu&aacute;rios. As tecnologias de sensores habilitam os dispositivos m&oacute;veis a fornecer pistas sobre o contexto.</p>     <p>Para sintetizar, &eacute; bastante esclarecedora a explica&ccedil;&atilde;o que nos &eacute; fornecida por Andr&eacute; Lemos (no prelo) sobre a constitui&ccedil;&atilde;o e abrang&ecirc;ncia das m&iacute;dias locativas no seu atual estado da arte.</p>     <blockquote>Um conjunto de processos e tecnologias &#91;que&#93; se caracteriza por emiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o digital a partir de lugares/objetos. Esta informa&ccedil;&atilde;o &eacute; processada por artefatos sem fio, como GPS, telefones celulares, palms e laptops em redes Wi-Fi ou Wi-Max, Bluetooth, ou etiquetas de identifica&ccedil;&atilde;o por meio de r&aacute;dio freq&uuml;&ecirc;ncia (RFID)<a href="#2" name="n2"><sup>2</sup></a>. As m&iacute;dias locativas s&atilde;o utilizadas para agregar conte&uacute;do digital a uma localidade, servindo para fun&ccedil;&otilde;es de monitoramento, vigil&acirc;ncia, mapeamento, geoprocessamento (GIS), localiza&ccedil;&atilde;o, anota&ccedil;&atilde;o ou jogos. Dessa forma, os lugares e objetos passam a dialogar com dispositivos informacionais, enviando, coletando e processando dados a partir de uma rela&ccedil;&atilde;o estreita entre informa&ccedil;&atilde;o digital, localiza&ccedil;&atilde;o e artefatos digitais m&oacute;veis.</blockquote>     <p>Desde a WWW, parcialmente e em graus diversos, passamos a pertencer a m&uacute;ltiplos lugares e comunidades, o que tornou vital nossa habilidade de manipular indireta e assincronicamente correntes de informa&ccedil;&atilde;o, bens e servi&ccedil;os, e a administra&ccedil;&atilde;o da vida cotidiana foi crescentemente se tornando tecnologicamente mediada. As m&iacute;dias locativas agora nos permitem combinar essas media&ccedil;&otilde;es com organiza&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o em que as formas de comunica&ccedil;&atilde;o em camadas ligamse aos fluxos da vida urbana.</p>     <p><b>3. Classifica&ccedil;&otilde;es das m&iacute;dias locativas</b></p>     <p>O campo de aplica&ccedil;&otilde;es das m&iacute;dias locativas &eacute; imenso e cresce a olhos vistos. S&atilde;o muitas as tentativas de classifica&ccedil;&otilde;es desse campo na busca de uma sistematiza&ccedil;&atilde;o que facilite o tr&acirc;nsito cognitivo por essa nova seara a ser explorada. O campo se estende dos indicadores e servi&ccedil;os, <i>games</i>, relatos de hist&oacute;rias baseadas em locais, anota&ccedil;&otilde;es espaciais at&eacute; as performances em rede. Seja qual for o tipo, &eacute; preciso lembrar que as pr&aacute;ticas das m&iacute;dias locativas dependem de recursos materiais particulares e das pol&iacute;ticas e leis p&uacute;blicas e privadas que regem o uso desses recursos.</p>     <p>De que tenho not&iacute;cia, baseado em pesquisa exaustiva, o mais completo levantamento das m&iacute;dias locativas foi realizado por Lenz (2007). Sem contar as sub-categorias que s&atilde;o muitas, na sua categoriza&ccedil;&atilde;o, dezenove tipos de pr&aacute;ticas com m&iacute;dias locativas s&atilde;o descritos, incluindo a indica&ccedil;&atilde;o e breve descri&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de projetos. Tomando como base as fun&ccedil;&otilde;es das m&iacute;dias locativas, a classifica&ccedil;&atilde;o apresentada por Lemos (no prelo) &eacute; bem mais sint&eacute;tica, mas bastante representativa, como se segue: realidade aumentada m&oacute;vel, mapeamento e monitoramento, <i>geotags</i>, anota&ccedil;&atilde;o urbana e os <i>games wireless</i> que utilizam uma ou mais dessas fun&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>As aplica&ccedil;&otilde;es de realidade aumentada m&oacute;vel referem- se a informa&ccedil;&otilde;es sobre uma determinada localidade visualizadas em um dispositivo m&oacute;vel, aumentando a informa&ccedil;&atilde;o. Assim, um celular pode identificar uma pizzaria em local pr&oacute;ximo e, por meio de <i>links</i>, ver a foto do lugar e ter acesso ao card&aacute;pio no website do restaurante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As fun&ccedil;&otilde;es locativas tamb&eacute;m podem ser aplicadas a formas de mapeamento (<i>mapping</i>) e de monitoramento do movimento (<i>tracing</i>) no espa&ccedil;o urbano. Em sistemas que permitem o compartilhamento de <i>tags</i>, informa&ccedil;&otilde;es textuais digitais s&atilde;o agregadas a mapas, podendo ser acessadas pelos equipamentos m&oacute;veis.</p>     <p>Celulares, <i>palms</i>, etiquetas RFID ou redes Bluetooth s&atilde;o utilizados para indexar mensagens (SMS, v&iacute;deo, foto) a localidades. Essas pr&aacute;ticas s&atilde;o chamadas de anota&ccedil;&otilde;es urbanas.</p>     <p>Os <i>games</i> m&oacute;veis ou sem fio utilizam celulares, <i>palms</i> e a rede internet para jogos executados entre jogadores no espa&ccedil;o das ruas e jogadores <i>on line</i>. Lenz apresenta 26 exemplos desse tipo de jogo e novos exemplos n&atilde;o cessam de aparecer.</p>     <p>Entretanto, os projetos em m&iacute;dias locativas mais instigantes t&ecirc;m sido aqueles que se realizam no territ&oacute;rio da arte, apresentando propostas est&eacute;ticas que despertam nossas reflex&otilde;es. Mais uma vez, isso s&oacute; vem confirmar a hip&oacute;tese que, h&aacute; algum tempo, tem guiado meu pensamento de que a arte &eacute; a esfera que toma a dianteira da cria&ccedil;&atilde;o cultural, fazendo emergir complexidades que, sem a arte, n&atilde;o ter&iacute;amos condi&ccedil;&otilde;es de enxergar. &Eacute; no trabalho dos artistas que os enigmas humanos s&atilde;o decifrados pela sensibilidade. </p>     <p><b>4. M&iacute;dias locativas no territ&oacute;rio das artes</b></p>     <p>No campo das artes, o fundamento dos projetos de m&iacute;dias locativas &eacute; cr&iacute;tico, social e memorialista, concentrando- se na intera&ccedil;&atilde;o pessoal e social com lugares. Tudo pode ser carregado com camadas invis&iacute;veis de anota&ccedil;&otilde;es textuais, visuais, aud&iacute;veis que s&atilde;o acionadas quando algu&eacute;m as pede ou simplesmente pela aproxima&ccedil;&atilde;o do local com tecnologia compat&iacute;vel.</p>     <p>As palavras-chave desses projetos s&atilde;o: compartilhamento, notas, marca&ccedil;&atilde;o, demarca&ccedil;&atilde;o, pistas, opini&otilde;es, colabora&ccedil;&atilde;o, busca e conex&atilde;o. S&atilde;o pr&aacute;ticas espacializadoras e socializadoras. Nada &eacute; considerado mais importante nas artes das m&iacute;dias locativas do que o contexto. As experi&ecirc;ncias levam em considera&ccedil;&atilde;o locais geogr&aacute;ficos de interesse, elevando o local acima de seu status instrumentalizado, um mero ponto na coordenada da longitude e latitude da Terra, para atingir o n&iacute;vel de lugar habitado, experienciado e vivido. Por isso mesmo, os computadores, os celulares, o GPS e outros recursos possibilitam essas pr&aacute;ticas, mas n&atilde;o s&atilde;o o alvo de projetos que se voltam para a aplica&ccedil;&atilde;o das m&iacute;dias digitais a lugares f&iacute;sicos, capazes de disparar rela&ccedil;&otilde;es sociais reais.</p>     <p>Tuters e Varnelis (2006) consideram o mapeamento como fator central nas artes das m&iacute;dias locativas e apresentam uma tipologia que se reduz a duas possibilidades de mapeamento: anotativo, que virtualmente coloca <i>tags</i> em tudo, e fenomenol&oacute;gico, que marca a a&ccedil;&atilde;o do sujeito no mundo. Ao considerar que categorias e taxonomias sempre lutam umas contra as outras, Bleecker (2006) prefere apresentar a est&eacute;tica das m&iacute;dias locativas por seus atributos: situar a m&iacute;dia em seu espa&ccedil;o geogr&aacute;fico, &quot;hackear&quot; os modos tradicionais de se construir mapas, capturar hist&oacute;rias, tradi&ccedil;&otilde;es e o futuro de um lugar, conectar camadas distintas de dados e represent&aacute;- las como geograficamente coerentes, entremear lugares ficcionais e n&atilde;o ficcionais, criar express&otilde;es midi&aacute;ticas h&iacute;bridas.</p>     <p>Na &aacute;rvore geneal&oacute;gica das artes, as m&iacute;dias locativas encontram seus antecedentes nas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas situadas geograficamente, cuja hist&oacute;ria precede o lan&ccedil;amento do primeiro sat&eacute;lite em 1978. O legado vem da rica hist&oacute;ria da <i>land art</i>, quando, no final dos anos 1960, os artistas, em protesto contra a artificialidade e comercializa&ccedil;&atilde;o da arte, abandonaram as galerias e procuraram lugares remotos da natureza, inacess&iacute;veis &agrave;s demandas insaci&aacute;veis do mercado, para realizar a sua arte. S&atilde;o esculturas ou instala&ccedil;&otilde;es, muitas vezes gigantescas, localizadas na natureza, envolvendo sele&ccedil;&atilde;o acurada dos materiais utilizados em conson&acirc;ncia com o local. Um dos mais expressivos e citados exemplos da <i>land art</i> &eacute; uma escultura em espiral (Spiral Jetty) de 1.500 p&eacute;s no Great Salt Lake, em Utah, de Robert Smithson.</p>     <p>Muito pr&oacute;xima da <i>land art</i>, tamb&eacute;m com in&iacute;cio nos anos 1960, encontra- se a arte de s&iacute;tio espec&iacute;fico, uma arte criada para existir em um determinado lugar. &Eacute; o local que aciona o planejamento e a cria&ccedil;&atilde;o da obra. Esta se integra de modo t&atilde;o impercept&iacute;vel no lugar escolhido que fica dif&iacute;cil determinar as fronteiras entre a arte e o ambiente de que ela &eacute; parte. Por isso, a arte de s&iacute;tio espec&iacute;fico tamb&eacute;m se confunde com a arte ambiental.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante essa linhagem, de acordo com Bleecker (Ib&iacute;d.), &eacute; necess&aacute;rio estabelecer a diferen&ccedil;a tecnol&oacute;gica entre m&iacute;dias locativas antes e depois dos sat&eacute;lites. Por isso, ele utiliza a prolifera&ccedil;&atilde;o do GPS como uma demarca&ccedil;&atilde;o das formas contempor&acirc;neas de m&iacute;dias locativas. Essa distin&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, entretanto, n&atilde;o pode obliterar o parentesco muito pr&oacute;ximo, no aspecto de envolvimento dos participantes com os lugares, que as m&iacute;dias locativas apresentam com os <i>happenings</i>, a arte participativa, e principalmente com o ativismo da est&eacute;tica dos situacionistas e da sua principal ferramenta, a psicogeografia.</p>     <p>O lema dos <i>happenings</i>, termo cunhado por Allan Kaprow em 1957, era tirar a arte das telas e lev&aacute;-la para a vida. Portanto, &eacute; uma arte que se situa entre as artes visuais e as artes c&ecirc;nicas, propensa &agrave; improvisa&ccedil;&atilde;o e envolvendo a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico espectador. Embora n&atilde;o se confunda com elas, o <i>happening</i> apresenta elementos das artes participativas. Nestas, a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico &eacute; o projeto. O artista cria uma situa&ccedil;&atilde;o que induz a participa&ccedil;&atilde;o sem id&eacute;ias pr&eacute;-concebidas sobre o resultado. Roux (2007) compara essa forma de arte &agrave; democracia e &agrave; administra&ccedil;&atilde;o participativa, nas quais o que importa n&atilde;o &eacute; tanto que as pessoas participem, mas sim o fato de que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; o princ&iacute;pio fundamental que governa as intera&ccedil;&otilde;es humanas nesses modelos.</p>     <p>A paternidade menos contest&aacute;vel e mais lembrada das m&iacute;dias locativas encontra-se na est&eacute;tica situacionista. Os situacionistas eram um grupo de ativistas pol&iacute;ticos e art&iacute;sticos cujo movimento originou-se em 1957. Suas influ&ecirc;ncias vinham do Dada, Surrealismo e, principalmente, do Letrismo. Este &uacute;ltimo, constitutivo de um movimento est&eacute;tico internacional do p&oacute;s-guerra, pretendia fundir poesia e m&uacute;sica e transformar a paisagem urbana. Os situacionistas visavam suprimir a separa&ccedil;&atilde;o entre arte e cultura, integrando-as na vida cotidiana. O que eles pretendiam realizar era uma revolu&ccedil;&atilde;o da imagina&ccedil;&atilde;o em que todos, tal como sonhado por Marx, pudessem ser poetas e artistas. Eles estavam entre os grupos libert&aacute;rios proeminentes nos eventos de maio-junho de 1968, na Fran&ccedil;a. Sob a roupagem da liberdade, o situacionismo propunha uma cr&iacute;tica do capitalismo, principalmente na sua rela&ccedil;&atilde;o com a arquitetura e o planejamento urbano, por consider&aacute;los como express&otilde;es do poder estatal e, portanto, respons&aacute;veis pela fragmenta&ccedil;&atilde;o da vida p&uacute;blica. A figura mais influente desse grupo, Guy Debord, que tamb&eacute;m foi membro do Letrismo Internacional, na sua conhecida tese sobre a <i>Sociedade do espect&aacute;culo</i>, proclamava que, nessa sociedade, as experi&ecirc;ncias aut&ecirc;nticas estavam sendo recicladas como espet&aacute;culo, transformando o indiv&iacute;duo em consumidor passivo.</p>     <p>Muitos autores reconhecem nas m&iacute;dias locativas os ecos da psicogeografia, uma proposta estrat&eacute;gica para a explora&ccedil;&atilde;o inventiva e l&uacute;dica da cidade. Foi definida em 1955 por Debord que buscava explicar, ligada a essa estrat&eacute;gia, a id&eacute;ia do urbanismo unit&aacute;rio, na sua busca de uma aproxima&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria da arquitetura. A psicogeografia prega a pr&aacute;tica da deriva: perambular pelas ruas, sem rumos definidos, deixar-se perder nos labirintos da urbe, para subverter os rumos pr&eacute;-determinados do planejamento urbano. &quot;Uma outra cidade para uma outra vida&quot; era o que proclamava o arquiteto radical Constant.</p>     <p>A deriva da psicogeografia &eacute; cont&iacute;gua &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da teoria urbana, dos radicais como Henri Lefebvre (1947), ou liberais como Jane Jacobs (1961), ambos pregando que encontros casuais em espa&ccedil;os p&uacute;blicos favorecem o funcionamento das sociedades democr&aacute;ticas. Mas a deriva, como queria Debord, deve somar &agrave; espontaneidade dos encontros fortuitos o dom&iacute;nio das varia&ccedil;&otilde;es psicogeogr&aacute;ficas por meio do conhecimento e c&aacute;lculo de suas possibilidades. Caso contr&aacute;rio, a deriva perderia o potencial pol&iacute;tico de que ela deve se nutrir. Assim entendida, a deriva foi a principal estrat&eacute;gia que os situacionistas elegeram e, nos anos 1980 e 1990, houve um reflorescimento e diversifica&ccedil;&atilde;o da psicogeografia, impulsionados por v&aacute;rios tipos de ativismos est&eacute;ticos. Recentemente, as m&iacute;dias locativas trouxeram um novo vigor para a psicogeografia.</p>     <p>Como se pode ver, as m&iacute;dias locativas est&atilde;o ligadas a uma tradi&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica de ativismo pol&iacute;tico. Elas carregam, por isso mesmo, todo o peso das controv&eacute;rsias que sempre rondaram e continuam rondando esse tipo de proposta est&eacute;tica.</p>     <p><b>5. O fogo cruzado das controv&eacute;rsias pol&iacute;ticas</b></p>     <p>Para os cr&iacute;ticos das m&iacute;dias locativas, os protocolos da internet s&atilde;o arquiteturas de controle que, desde o come&ccedil;o, estiveram implicadas em v&aacute;rias disputas de poder entre interesses militares, governamentais, industriais, universit&aacute;rios. Agora, o GPS est&aacute; inevitavelmente atado aos complexos militares e &agrave; sua ubiq&uuml;idade crescentemente comercial. As m&iacute;dias locativas s&atilde;o hoje parte da &quot;civilianiza&ccedil;&atilde;o&quot; das tecnologias, movida por interesses mercadol&oacute;gicos.</p>     <p>Tuters e Varnelis (Ib&iacute;d.) enumeram uma s&eacute;rie de manifesta&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas contra as m&iacute;dias locativas. Para Andreas Broekman (ex-diretor do <i>Transmediale</i>, em Berlim), as m&iacute;dias locativas s&atilde;o a vanguarda da sociedade de controle e os artistas t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de deixar claro que seus trabalhos est&atilde;o baseados na apropria&ccedil;&atilde;o de instrumentos de vigil&acirc;ncia e controle. A artista Coco Fusco, por seu lado, atacou as pr&aacute;ticas associadas com redes e mapeamento, afirmando que elas fazem evaporar quatro d&eacute;cadas de cr&iacute;tica p&oacute;s-moderna ao cartesianismo. Em vez de abra&ccedil;ar t&aacute;ticas fundadas em sonhos de onisci&ecirc;ncia, os artistas e ativistas deveriam examinar a hist&oacute;ria da globaliza&ccedil;&atilde;o, das redes, das a&ccedil;&otilde;es coletivas para se darem conta de qu&atilde;o enraizados eles est&atilde;o nas margens da cultura e da geopol&iacute;tica. Segundo o artista e te&oacute;rico Jordan Crandall, os projetos de m&iacute;dias locativas est&atilde;o nos escravizando em um neo-cartesianismo pelo ressurgimento da especificidade temporal e local, testemunhada pelas tecnologias de vigil&acirc;ncia e navega&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel ao local. A cr&iacute;tica mais devastadora veio de Brian Holmes (2003), quando afirmou que, com as m&iacute;dias locativas, a est&eacute;tica da deriva est&aacute; em todas as partes, assim como a grelha hiper-racionalista da infra-estrutura imperial, pois, ao usar uma tecnologia controlada pela defesa militar norte-americana, estamos sendo interpelados por sua ideologia imperial.</p>     <p>Al&eacute;m disso, os projetos n&atilde;o podem prescindir de algum tipo de colabora&ccedil;&atilde;o financeira, intelectual, pol&iacute;tica, material etc. entre governo, institui&ccedil;&otilde;es e ind&uacute;stria. Implicam rela&ccedil;&otilde;es que misturam artistas e pesquisadores, designers e usu&aacute;rios, sujeitos e objetos, passado e futuro, material e imaterial, mercadorias e valores. Tuters e Varnelis (2006) lembram tamb&eacute;m que a atual gera&ccedil;&atilde;o de artistas cresceu dentro de uma dieta de cr&iacute;tica &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es. V&ecirc;em as artes em novas m&iacute;dias como transdisciplinares e procuram colocar seus projetos no campo da pesquisa, <i>design</i> e desenvolvimento. Por isso, buscam o financiamento das corpora&ccedil;&otilde;es ou mesmo do capital de risco. Bleecker (2006) diz que &eacute; ir&ocirc;nico que, no momento em que os fundos para as artes secaram, os artistas de m&iacute;dias locativas t&ecirc;m sido financiados por grandes empresas interessadas muito justamente na imagina&ccedil;&atilde;o dos artistas para a emerg&ecirc;ncia de novas id&eacute;ias e aplica&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora em campos antag&ocirc;nicos, cr&iacute;ticos e defensores das m&iacute;dias locativas identificam-se na paix&atilde;o que os move. Varnelis (2006) considera que, embora as cr&iacute;ticas sejam bem fundamentadas, elas s&atilde;o tamb&eacute;m nost&aacute;lgicas, ao invocar uma no&ccedil;&atilde;o de arte aut&ocirc;noma, independente dos circuitos das tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o mais se sustenta. Para os defensores, v&iacute;rus, <i>hackers</i> e net arte s&atilde;o formas de resist&ecirc;ncia e subvers&atilde;o aos protocolos da rede. &Eacute; essa mesma pol&iacute;tica que a est&eacute;tica das m&iacute;dias locativas est&aacute; levando para o mundo sem fio, ao propor sistemas abertos, redes livres, espa&ccedil;os a serem vivenciados como interfer&ecirc;ncia, pirataria, participa&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o. O contexto de produ&ccedil;&atilde;o dessas m&iacute;dias &eacute; social e pol&iacute;tico, com seu foco em redes sociais, acesso e conte&uacute;do participativo nos relatos de hist&oacute;rias e anota&ccedil;&otilde;es espaciais. Portanto, s&atilde;o m&iacute;dias que redirecionam, na dire&ccedil;&atilde;o de seu uso, o poder embutido nas tecnologias.</p>     <p>Os projetos ganham as ruas, distanciam- se das galerias e museus e tamb&eacute;m das telas dos computadores pr&oacute;prias da net art, buscando as interfaces sociais com lugares. Quando aplicado &agrave; rede do espa&ccedil;o urbano, o modelo da web sem&acirc;ntica se constitui em um modo verdadeiramente personalizado de arquivamento de dados, permitindo aos autores deixar a informa&ccedil;&atilde;o nos seus pr&oacute;prios servidores, tornando-os respons&aacute;veis por seu pr&oacute;prio conte&uacute;do.</p>     <p>Enfim, s&atilde;o projetos que buscam extrair o potencial criativo das tecnologias GPS, explorando formas de express&atilde;o que s&atilde;o intr&iacute;nsecas ou espec&iacute;ficas das m&iacute;dias m&oacute;veis e sem fio. Um potencial que ajuda a elevar a consci&ecirc;ncia da hist&oacute;ria, da informa&ccedil;&atilde;o negligenciada ou esquecida, das pessoas e eventos que est&atilde;o &agrave; margem do consenso, para dar voz ao que precisa ser conhecido: lugares e verdades sobre injusti&ccedil;as, expectativas frustradas, viol&ecirc;ncia. Os limites entre arte e ativismo s&atilde;o muito t&ecirc;nues. Mas tratase a&iacute; de um ativismo diferencial, pois, desde o primeiro evento de m&iacute;dias locativas, a proposta era explorar a fun&ccedil;&atilde;o desorganizadora (social, espacial e temporal) das redes sem fio <i>ad hoc</i> para a sincroniza&ccedil;&atilde;o, sensibilidade interpessoal, usando tecnologias <i>open source</i> de mapeamento e posicionamento para ouvir e ver dados no espa&ccedil;o. H&aacute; tamb&eacute;m projetos que buscam redefinir os sentidos do mundo privado, impregnados com os valores do capital. Voltam-se, assim, para o renascimento de aspectos singelos da experi&ecirc;ncia pessoal com os lugares, vivificando os ambientes ao carreg&aacute;-los de sentimentos humanos.</p>     <p>Em suma, apesar das controv&eacute;rsias, e sem neg&aacute;-las, sou levada a pensar que, quando movido pelo misto de desprendimento e obstina&ccedil;&atilde;o que habita a alma de muitos artistas, qualquer projeto de arte, por mais simples que seja, ajuda o mundo a se tornar melhor.</p>     <p><b>CITAS</b></p>     <p><a href="#n1" name="1">1</a> O sistema de posicionamento global (GPS) foi autorizado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1973 e &eacute; operado pelo departamento de defesa dos Estados Unidos. Os instrumentos envolvidos nesse sistema s&atilde;o um anel de 24 sat&eacute;lites que circundam a Terra de modo tal que, pelo menos quatro deles s&atilde;o vis&iacute;veis de qualquer ponto no globo em qualquer momento. O sistema tem sido usado para a navega&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos, mas encontrou seu caminho tamb&eacute;m na internet m&oacute;vel, quando o grupo de sat&eacute;lites &eacute; usado para localizar a posi&ccedil;&atilde;o de um usu&aacute;rio.</p>     <p><a href="#n2" name="2">2</a> RFID &eacute; um m&eacute;todo autom&aacute;tico identificador de radio freq&uuml;&ecirc;ncia que se baseia no arquivamento e recupera&ccedil;&atilde;o de dados remotos utilizando os recursos dos tags. Um tag de RFID &eacute; um pequeno objeto que pode ser incorporado a um produto, animal ou pessoa.</p> <hr size="1">     <p><b>Bibliograf&iacute;a</b></p>     <!-- ref --><p>AUG&Eacute;, Mark, 1994, &quot;N&atilde;o-lugares&quot;, Maria Lucia Pereira (trad.), <i>Introdu&ccedil;&atilde;o a uma antropologia da supermodernidade</i>, Campinas, Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0121-7550200800010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BEIGUELMAN, Giselle, 2006, &quot;Entre hiatos e intervalos (A est&eacute;tica da transmiss&atilde;o no &acirc;mbito da cultura da mobilidade)&quot;, en: Denize Correa de Ara&uacute;jo (ed.), <i>Imagem (Ir) realidade. Comunica&ccedil;&atilde;o e ciberm&iacute;dia</i>, Porto Alegre, Sulina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0121-7550200800010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERMAN, Marshall, 1982, <i>All that is solid melts into air: The experience of modernity</i>, New York, Simon e Schuster.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0121-7550200800010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BLEECKER, Julian, 2006, &quot;Locative media: a brief bibliography and taxonomy of GPS-enabled locative media&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://leoalmanac.org/journal/Vol_14/lea_v14_n03-04/jbleecker.asp" target="_blank">http://leoalmanac.org/journal/Vol_14/lea_v14_n03-04/jbleecker.asp</a>&gt;, consultado el 15 de diciembre de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0121-7550200800010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTELLS, Manuel, 2000, <i>The rise of the network society</i>, Malden, MA, Blackwell Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0121-7550200800010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DEBORD, Guy, 2000, <i>A sociedade do espet&aacute;culo</i>, Rio de Janeiro, Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0121-7550200800010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HABERMAS, J&uuml;rgen, 1994, <i>Historia y cr&iacute;tica de la opini&oacute;n p&uacute;blica. La transformaci&oacute;n estructural de la vida p&uacute;blica</i>, M&eacute;xico, Gustavo Gili.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0121-7550200800010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David, 2003, <i>Paris, capital of modernity</i>, New York e London, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0121-7550200800010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOLMES, Brian, 2003, &quot;Drifting through the grid: Psychogeography and imperial infrastructure&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://www.springerin.at/dyn/heft_text.php?textid=1523&amp;lang=en" target="_blank">http://www.springerin.at/dyn/heft_text.php?</a>&gt;, consultado el 15 de diciembre de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0121-7550200800010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JACOBS, Jane, 1961, <i>The Death and Life of Great American Cities</i>, New York, Vintage Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0121-7550200800010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAVALLE, Adri&aacute;n 2005, &quot;As dimens&otilde;es constitutivas do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Uma abordagem pr&eacute;-te&oacute;rica para lidar com a teoria&quot;, en: <i>Espa&ccedil;o e Debates</i>, Vol. 25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0121-7550200800010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LEFEBVRE, Henri, 1991, <i>The Critique of Everyday Life</i>, Vol. 1, London, Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0121-7550200800010001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEMOS, Andr&eacute; s/f, &quot;M&iacute;dias locativas e territ&oacute;rios informacionais&quot;, en: Lucia Santaella e Priscila Arantes (eds.), <i>Est&eacute;ticas tecnol&oacute;gicas. Novos modos de sentir</i>, S&atilde;o Paulo, Educ, no prelo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0121-7550200800010001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LENZ, Ronald, 2007, &quot;Locative media&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://spresearch.waag.org/images/LocativeMedia.pdf" target="_blank">http://spresearch.waag.org/images/LocativeMedia.pdf</a>&gt;, consultado el 08 de enero de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0121-7550200800010001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LYONS, Jessica, 2005, &quot;Site-specific art sets mood in many locals: installations blend art and environs. The result: aesthetic surprises indoors and out&quot;, en: <i>Art Business News</i>, abril, disponible en: &lt;<a href="http://findarticles.com/p/articles/mi_m0HMU/is_4_32/ai_n1372 0087" target="_blank">http://findarticles.com/p/articles/mi_m0HMU/is_4_32/ai_n1372 0087</a>&gt;, consultado el 7 de enero de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0121-7550200800010001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MCQUIRE, Scott, 2006, &quot;The politics of public space in the media city&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://www.firstmonday.org/issues/special11_2/mcquire/index.html" target="_blank">http://www.firstmonday.org/issues/special11_2/mcquire/index.html</a>&gt;, consultado el 12 de enero de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0121-7550200800010001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ROUX, Xavier, 2007, &quot;Participation in Contemporary Art&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://timetags.research.yahoo.com/creativity/papers/7.roux.pdf" target="_blank">http://timetags.research.yahoo.com/creativity/papers/7.roux.pdf</a>&gt;, consultado el 7 de enero de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0121-7550200800010001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUSSELL, Ben, 1999, &quot;Headmap manifesto&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://www.headmap.org/headmap.pdf" target="_blank">http://www.headmap.org/headmap.pdf</a>&gt;, consultado el 22 de junio de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0121-7550200800010001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTAELLA, Lucia, 2003, <i>Culturas e artes do p&oacute;s-humano. Da cultura das m&iacute;dias &agrave; cibercultura</i>, S&atilde;o Paulo, Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0121-7550200800010001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTAELLA, Lucia, 2004, <i>Corpo e comunica&ccedil;&atilde;o. Sintoma da cultura</i>, S&atilde;o Paulo, Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0121-7550200800010001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTAELLA, Lucia, 2007, <i>Linguagens l&iacute;quidas na era da mobilidade</i>, S&atilde;o Paulo, Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0121-7550200800010001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SENNETT, R., 1977, <i>The fall of public man</i>, New York, Alfred A. Knopf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0121-7550200800010001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SHEPARD, Mark, 2007, &quot;Locative media as critical urbanism&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://www.spatialturn.de/Abstracts/Shepard.pdf" target="_blank">http://www.spatialturn.de/Abstracts/Shepard.pdf</a>&gt;, consultado el 10 de enero de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0121-7550200800010001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOUZA, Adriana, 2006, &quot;Do ciber ao h&iacute;brido: Tecnologias m&oacute;veis como interfaces de espa&ccedil;os h&iacute;bridos&quot;, en: Denize Correa de Ara&uacute;jo (ed.), <i>Imagem (Ir) realidade. Comunica&ccedil;&atilde;o e ciberm&iacute;dia</i>, Porto Alegre, Sulinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0121-7550200800010001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TUTERS, Marc e K. Varnelis, 2006, &quot;Beyond locative media&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://networkedpublics.org/locative_media/beyond_locative_ media" target="_blank">http://networkedpublics.org/locative_media/beyond_locative_ media</a>&gt;, consultado el 11 de diciembre de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0121-7550200800010001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VARNELIS, Kazys, 2006, &quot;Locative media&quot;, disponible en: &lt;<a href="http://www.futuresonic.com/futuresonic/pdf/Locative_Commons.pdf" target="_blank">http://www.futuresonic.com/futuresonic/pdf/Locative_Commons.pdf</a>&gt;, consultado el 11de diciembre de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0121-7550200800010001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VIRILIO, Paul, 1994, <i>The vision machine</i>, Bloomington, Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0121-7550200800010001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> </font>      ]]></body><back>
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