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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A METÁFORA NO DISCURSO DO TRANSGRESSOR]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Metaphor materializes in discourse according to multiple specific rules. The purpose of this article is to verify the mechanisms through which metaphor operates in transgressive discourse. The analysis revolves around the different theories of language that focus on relations of continuity vs. discontinuity, unification vs. fragmentation, and aggregation vs. disaggregation. Using the perspective of French discourse analysis theory, the article suggests that the discursive metaphor arises in the tension between continuity and discontinuity, a tension that mobilizes relations of force on the basis of the carnivalization of voices in transgressive discourse.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center"   ><font size="4" face="verdana"></B><b>A MET&Aacute;FORA NO  DISCURSO DO TRANSGRESSOR </b></font></P >     <P align="center"   ><font size="3" face="verdana">METAPHOR IN TRANSGRESSIVE DISCOURSE</font></P >     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana"><I><b>Jefferson Barbosa de Souza</b>*    <BR>      <b>V&acirc;nia Maria Lescano Guerra</b>**</I>    <BR>    Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil    <BR> *<a href="mailto:jeffoucault@yahoo.com.br">jeffoucault@yahoo.com.br</a>    <BR>  **<a href="mailto:vguerra1@terra.com.br">vguerra1@terra.com.br</a></font></P >     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana"> Art&iacute;culo de reflexi&oacute;n recibido 30-04-2009, aceptado 29-03-2011</font></P ><hr size="1">     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>Resumo </b></font></P >       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font size="2" face="verdana">A met&aacute;fora se materializa nos discursos atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplas regras espec&iacute;ficas&nbsp;de aparecimento. Este trabalho tem como objetivo verificar quais s&atilde;o os mecanismos, atrav&eacute;s dos quais, a  met&aacute;fora funciona no discurso transgressor. De&nbsp;modo geral, podemos dizer que nossa indaga&ccedil;&atilde;o se circunscreve &agrave;s diferentes teorias da linguagem que cont&eacute;m estudos baseados nas rela&ccedil;&otilde;es&nbsp;continuidade vs. descontinuidade, unifica&ccedil;&atilde;o vs. fragmenta&ccedil;&atilde;o e agrega&ccedil;&atilde;o vs. desagrega&ccedil;&atilde;o. Conforme &agrave; perspectiva te&oacute;rica da an&aacute;lise do discurso&nbsp;franc&ecirc;s, acredita-se que a met&aacute;fora discursiva surge da tens&atilde;o entre continuidade e descontinuidade, tens&atilde;o que mobiliza rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a a partir da carnavaliza&ccedil;&atilde;o de vozes no discurso do transgressor. </font></P >       <p><font size="2" face="verdana"><B>Palavras chave:</B><I> comunica&ccedil;&atilde;o, discurso, met&aacute;fora, </I><B><I>pcc</I></B><I>. </I></font></P > </blockquote> <hr size="1">     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><b>Abstract</b></font></P >       <p align="left"><font size="2" face="verdana"> Metaphor materializes in discourse according to multiple specific rules. The purpose of this article is to verify the mechanisms through which metaphor operates in transgressive discourse. The analysis revolves around the different theories of language that focus on relations of continuity vs. discontinuity, unification vs. fragmentation, and aggregation vs. disaggregation. Using the perspective of French discourse analysis theory, the article suggests that the discursive metaphor arises in the tension between continuity and discontinuity, a tension that mobilizes relations of force on the basis of the carnivalization of voices in transgressive discourse. </font></P >       <p><font size="2" face="verdana"><B>Key words:</B><I> communication, discourse, metaphor, </I><B><I>pcc</I></B><I>. </I></font></P > </blockquote> <hr size="1">     <P align="right"   ><font size="2" face="verdana"><I>A met&aacute;fora tamb&eacute;m merece que se lute por ela.    <BR> </I>GADET  &amp; P&Ecirc;CHEUX,<I> A l&iacute;ngua inating&iacute;vel (2004)</I></font></P > </font></P ><font size="2" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A sociedade atual na era da globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma tida como &quot;uma comunidade, uma aldeia&quot;, no sentido de que as informa&ccedil;&otilde;es circulam livremente e anulam-se os efeitos do espa&ccedil;o e do tempo (grau zero). No entanto essa imediaticidade trouxe consideravelmente outros problemas. Um dos mais evidentes que envolvem a situa&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia no contexto global atual &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o de uma sociedade majoritariamente do <I>espet&aacute;culo</I> (Debord, 1997). O espet&aacute;culo tem o efeito de desbotar a realidade e, ao mesmo tempo, <I>criar</I> uma nova configura&ccedil;&atilde;o da realidade a partir do imaginado no espet&aacute;culo da informa&ccedil;&atilde;o. Na era da sociedade global as incertezas, as fragmenta&ccedil;&otilde;es e os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos (ou seja, as aberturas) contribuem para o crescimento do sentimento de <I>medo </I>e de <I>inseguran&ccedil;a</I> (Bauman, 2007). </font></P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana">O atributo da &quot;abertura&quot;, antes um produto precioso, ainda que fr&aacute;gil, da corajosa mas estafante <I>auto-afirma&ccedil;&atilde;o</I>, &eacute; associado, hoje, principalmente a um <I>destino</I> irresist&iacute;vel - aos efeitos n&atilde;o planejados e imprevistos da &quot;globaliza&ccedil;&atilde;o negativa&quot; -, ou seja uma globaliza&ccedil;&atilde;o seletiva do com&eacute;rcio e do capital, da vigil&acirc;ncia e da informa&ccedil;&atilde;o, da viol&ecirc;ncia e das armas, do crime e do terrorismo &#91;...&#93;. Uma sociedade &quot;aberta&quot; &eacute; uma sociedade exposta aos golpes do &quot;destino&quot;. (Bauman, p. 13) </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A prepara&ccedil;&atilde;o de uma sociedade para o medo e inseguran&ccedil;a por interm&eacute;dio da espetaculariza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, num caso espec&iacute;fico, pode relacionar-se com a necessidade de se vender not&iacute;cias que causem impacto, numa limitada vis&atilde;o mercadol&oacute;gica, isto &eacute;, proliferar o medo para a ind&uacute;stria prosperar, garantir o ibope para as emissoras de televis&atilde;o (Bourdieu, 1997). A presente pesquisa, inserida neste contexto, vem analisar um pronunciamento transmitido pela televis&atilde;o, que especificaremos a seguir. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">H&aacute; exatamente tr&ecirc;s meses ap&oacute;s os ataques que pararam a capital de S&atilde;o Paulo, sob assun&ccedil;&atilde;o do Primeiro Comando da Capital (PCC), irrompe um determinado discurso na televis&atilde;o. Esse discurso deixa de habitar o sil&ecirc;ncio do pensamento do grupo e adquire materialidade na madrugada de 13 de agosto de 2006, quando &eacute; transmitido nacionalmente pela Rede Globo. Ent&atilde;o, o que se tem na tela &eacute; a imagem de um integrante do PCC manifestando um pronunciamento, a partir de uma listagem de prov&aacute;veis indigna&ccedil;&otilde;es do grupo, a saber: </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Como integrante do Primeiro Comando da Capital, o PCC, venho pelo &uacute;nico meio encontrado por n&oacute;s para transmitir um comunicado para a sociedade e os governantes. A introdu&ccedil;&atilde;o do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pela lei 10.792/2003, no interior da fase de execu&ccedil;&atilde;o penal, inverte a l&oacute;gica da execu&ccedil;&atilde;o penal. E coerente com a perspectiva de elimina&ccedil;&atilde;o e inabilita&ccedil;&atilde;o dos setores sociais redundantes, leia-se a &quot;clientela do sistema penal&quot;, a nova puni&ccedil;&atilde;o disciplinar inaugura novos m&eacute;todos de cust&oacute;dia e controle da massa carcer&aacute;ria, conferindo &agrave; pena um n&iacute;tido car&aacute;ter de castigo cruel. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O Regime Disciplinar Diferenciado agride o primado da ressocializa&ccedil;&atilde;o do sentenciado vigente na constitui&ccedil;&atilde;o mundial desde o iluminismo e pedra angular do sistema penitenci&aacute;rio, a LEP (Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal). J&aacute; em seu primeiro artigo, tra&ccedil;a como objetivo do cumprimento da pena a reintegra&ccedil;&atilde;o social do condenado &agrave; qual &eacute; indissoci&aacute;vel da efetividade da a&ccedil;&atilde;o penal. Portanto, qualquer modalidade de cumprimento de pena em que n&atilde;o haja const&acirc;ncia dos dois objetivos legais, castigo e a reintegra&ccedil;&atilde;o social, com observ&acirc;ncia apenas do primeiro, mostra-se ilegal, em contradi&ccedil;&atilde;o &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Queremos um sistema carcer&aacute;rio em condi&ccedil;&otilde;es humanas, n&atilde;o um sistema falido, desumano, no qual sofremos in&uacute;meras humilha&ccedil;&otilde;es e espancamentos. N&atilde;o estamos pedindo nada mais do que est&aacute; dentro da lei. Se nossos governantes, ju&iacute;zes, desembargadores, senadores, deputados e ministros n&atilde;o trabalharem em cima da lei, que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a em cima da injusti&ccedil;a que &eacute; o sistema carcer&aacute;rio, sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, sem assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem escola. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Pedimos aos representantes da lei que se fa&ccedil;a um mutir&atilde;o judicial, pois existem muitos presos com situa&ccedil;&atilde;o processual favor&aacute;vel dentro do princ&iacute;pio da dignidade humana. O regime Disciplinar Diferenciado &eacute; inconstitucional. O Estado Democr&aacute;tico de Direito tem a obriga&ccedil;&atilde;o e o dever de dar o m&iacute;nimo de condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Queremos que a lei seja cumprida na sua totalidade. N&atilde;o queremos nenhuma vantagem. Apenas n&atilde;o queremos e n&atilde;o podemos sermos &#91;sic&#93; massacrados e oprimidos. Queremos que as provid&ecirc;ncias sejam tomadas pois n&atilde;o vamos aceitar e n&atilde;o ficaremos de bra&ccedil;os cruzados pelo que est&aacute; acontecendo no sistema carcer&aacute;rio. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Deixamos bem claro que nossa luta &eacute; contra os governantes e os policiais. E n&atilde;o mexam com nossas fam&iacute;lias que n&atilde;o mexeremos as de voc&ecirc;s. A luta &eacute; entre n&oacute;s e voc&ecirc;s. (Folha Online, 2006)<a href="#pie1" name="spie1"><sup>1</sup></a></font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Como se pode observar, a hist&oacute;ria desse comunicado reporta a um seq&uuml;estro. A condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia de tal enunciado na m&iacute;dia se deve a dois fatores. Primeiramente, a exist&ecirc;ncia de um funcion&aacute;rio da emissora (Rede Globo) sob o poder do PCC, em que somente seria liberto se o conte&uacute;do do pronunciamento gravado em DVD fosse transmitido naquele momento. Nesse caso, entendemos que o poder microf&iacute;sico da institui&ccedil;&atilde;o do PCC assegurou-se soberano sobre a emissora, numa manifesta&ccedil;&atilde;o violenta de carnavaliza&ccedil;&atilde;o no percurso do s&eacute;culo XXI. O segundo fator refere-se &agrave; composi&ccedil;&atilde;o do comunicado: sua estrutura em quase nada foi abalada a n&atilde;o ser as formas lexicais espec&iacute;ficas que se materializam no documento. Diante disso, observa-se o uso de l&eacute;xicos que s&atilde;o, em geral, de exclusividade da &aacute;rea jur&iacute;dica. Assim, a fala do sujeito transgressor apropria-se de um dispositivo espec&iacute;fico para fazer uso da <I>contrapalavra</I> e declarar-se contr&aacute;rio aos regimes penais vigentes. A palavra, conforme o pr&oacute;prio Bakhtin (2004, p. 110) exp&otilde;e-nos em seus estudos da linguagem, &eacute; uma moeda de duas faces - <I>procede de algu&eacute;m e se dirige para algu&eacute;m, produto da intera&ccedil;&atilde;o do locutor e do interlocutor -</I>. Portanto, a exist&ecirc;ncia do comunicado &eacute; tribut&aacute;ria, de fato, do conjunto de c&oacute;dices jur&iacute;dicos que regulamentam a pr&aacute;tica penal em nossa contemporaneidade e, sobretudo, dos interlocutores que utilizam esses manuais para regimentar a &quot;vida marginal&quot;. Ouvirse-&aacute; dizer sobre leis que, de um lado, garantem a adequa&ccedil;&atilde;o do sistema ao retorno do indiv&iacute;duo &agrave; sociedade de forma harmoniosa, bem como, por outro lado, leis que entram em controversa e n&atilde;o oferecem nenhum tipo de garantia de transforma&ccedil;&atilde;o do ser marginal, a n&atilde;o ser o simples fato de que &eacute; necess&aacute;rio puni-lo.</font></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana"> Dito isso, &eacute; importante que se ressalte que, o intuito deste trabalho - baseando-se, por seu lado, no pronunciamento do PCC - n&atilde;o consiste em aplaudir a atitude de sujeitos transgressores ligados ao grupo, embora falemos de um lugar te&oacute;rico tamb&eacute;m em que jamais se cr&ecirc; na neutralidade. Na verdade, essa atitude do PCC demonstra com propriedade que n&atilde;o se vive numa sociedade de <I>controle</I>, porque sen&atilde;o como se explicariam a possibilidade de seus ataques na cidade de S&atilde;o Paulo e, al&eacute;m disso, o forte poder de coer&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o frente &agrave; institui&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica, impondo-lhe a demonstra&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo <I>on air</I>. A sociedade disciplinar caracteriza-se n&atilde;o pelo controle total, mas pelo discurso em prol da transforma&ccedil;&atilde;o do corpo em um objeto d&oacute;cil, recuper&aacute;vel, como uma <I>ortopedia social</I> dos sujeitos; e eles est&atilde;o dispostos a entrar ou resistir a esse jogo. A resist&ecirc;ncia e alto grau de organiza&ccedil;&atilde;o do PCC significam que os grupos minorit&aacute;rios e marginais est&atilde;o agindo reflexivamente na modernidade tardia, excedendo seus limites, agindo por meio de uma <I>pol&iacute;tica-vida</I> e n&atilde;o mais exclusivamente por interm&eacute;dio de uma pol&iacute;tica emancipat&oacute;ria (Giddens, 2002, pp. 205-206). </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O gesto de situar os governantes brasileiros do outro lado do poder, retirandolhes a legitimidade do direito &agrave; fala que lhes &eacute; comum, faz atribuir a esse comunicado efeitos de carnavaliza&ccedil;&atilde;o, uma vez que a invers&atilde;o dos valores hegem&ocirc;nicos de uma sociedade e de uma cultura caracteriza a festa popular do carnaval (Bakhtin, 1987). Nossa tarefa aqui consiste agora em observar como esse discurso proferido pelo PCC garante seu funcionamento, como mant&eacute;m com outros discursos rela&ccedil;&otilde;es e se dispersa ao mesmo tempo em que escava sua unidade. Uma das maneiras de se estudar esse deslocamento &eacute; por meio da <I>met&aacute;fora </I>que lida com a transposi&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de significa&ccedil;&atilde;o (Orlandi, 2001), em que uma palavra, uma express&atilde;o, uma proposi&ccedil;&atilde;o podem evocar outra palavra, express&atilde;o ou proposi&ccedil;&atilde;o (P&ecirc;cheux, 2006). </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante dizer que falamos do lugar do analista do discurso que &eacute; &quot;obrigado a justificar explicitamente o dispositivo que ele constr&oacute;i, apoiando-se sobre saberes e normas de argumenta&ccedil;&atilde;o partilhadas pelas comunidades de pesquisadores aos quais ele pertenece&quot; (Maingueneau, 2006, p. 18). </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Com essa disposi&ccedil;&atilde;o, uma incurs&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o aos estudos bakhtinianos pode se mostrar &uacute;til. O discurso enquanto pr&aacute;tica social engajada no seio de uma sociedade jamais &eacute; visto pela sua aparente monofonia. O discurso, como um gesto responsivo (Bakhtin, 2004), &eacute; dial&oacute;gico por sua pr&oacute;pria natureza e condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia. De onde vem o discurso? Quem o primeiro disse? S&atilde;o perguntas que ao analista pouco importa responder, sen&atilde;o, simplesmente, o modo como esse discurso se articula, investe-se de estrat&eacute;gias, investe-se em met&aacute;foras que n&atilde;o s&atilde;o sintom&aacute;ticas, mas ponto de colis&atilde;o entre continuidade e descontinuidade (Marchezan, 1999). </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>1. Sobre a institui&ccedil;&atilde;o do PCC </b></font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Na sequ&ecirc;ncia, &eacute; preciso dizer que o PCC surge como uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa em 1993, em resposta ao massacre no extinto Complexo Prisional do Carandiru, situado na zona norte da cidade de S&atilde;o Paulo. A partir da mobiliza&ccedil;&atilde;o de um jogo de futebol na Casa de Cust&oacute;dia de Taubat&eacute;, oito integrantes associam-se para formar o novo grupo, sob o exemplo do j&aacute; ent&atilde;o conhecido Comando Vermelho, experiente organiza&ccedil;&atilde;o carioca. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de sua organiza&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a com uma poderosa e intrincada rebeli&atilde;o em 18 de fevereiro de 2001, justamente num domingo em que as penitenci&aacute;rias estavam repletas de familiares dos internos. E, ironicamente, esse acontecimento &eacute; marcado pela utiliza&ccedil;&atilde;o de certa &quot;arma&quot;: &quot;a arma que mais preocupa a pol&iacute;cia n&atilde;o &eacute; letal e se chama celular&quot; (Souza, 2007, p. 42). A raz&atilde;o disso estava no fato de que alguns integrantes do grupo foram removidos do Carandiru para penitenci&aacute;rias do interior de S&atilde;o Paulo, pela implanta&ccedil;&atilde;o de um regime de descentraliza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de deten&ccedil;&atilde;o, o que causava grande descontentamento entre os internos. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Em 2002, o Complexo do Carandiru &eacute; implodido pelo governo do Estado de S&atilde;o Paulo a fim de continuar com o processo descentralizador das penitenci&aacute;rias paulistas, como uma forma tamb&eacute;m de dispersar o poder da organiza&ccedil;&atilde;o e a ades&atilde;o de novos internos ao grupo. Tendo em vista que o processo instaurado para verificar a culpa sobre o massacre n&atilde;o havia determinado de quem era a responsabilidade, a a&ccedil;&atilde;o do Estado em demolir o pr&eacute;dio pode ser interpretada como uma censura &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria, uma maneira de apagar da mem&oacute;ria coletiva da cidade o efeito devastador do massacre e a inexist&ecirc;ncia &quot;tempor&aacute;ria<I>&quot;</I> dos Direitos Humanos. Para refletir: o que explica a morte de 111 homens em simultaneidade numa penitenci&aacute;ria? </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">J&aacute; em maio de 2006 assiste-se a um epis&oacute;dio no qual se pode verificar claramente que a morte de policiais sob a responsabilidade do PCC gera efeitos repressivos na m&iacute;dia eletr&ocirc;nica brasileira<a href="#pie2" name="spie2"><sup>2</sup></a>. Isso porque o PCC organizou-se de maneira a agir fora das penitenci&aacute;rias, revidando os ataques do passado sofridos e jamais solucionados, apesar de se tratar tamb&eacute;m de uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a dispers&atilde;o dos l&iacute;deres da organiza&ccedil;&atilde;o para penitenci&aacute;rias isoladas no interior de S&atilde;o Paulo. Depois de apurados os fatos, os respons&aacute;veis pela a&ccedil;&atilde;o, como o l&iacute;der da organiza&ccedil;&atilde;o, Marcola, s&atilde;o enviados ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), regime de encarceramento previsto em lei, cuja implanta&ccedil;&atilde;o &eacute; de 2003. Nesse caso especial de internamento, o transgressor tem direito a somente duas horas de banho de sol, e durante as 22 horas restantes ele &eacute; vigiado e trancado, mantido incomunic&aacute;vel com outros presos e com o mundo. Esse tipo de pena somente &eacute; outorgado pelo juiz por interven&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio p&uacute;blico que entende o sujeito como uma amea&ccedil;a &agrave; sociedade e ao Estado<a href="#pie3" name="spie3"><sup>3</sup></a><Sub>. </Sub></font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>2.</b> <span class="Estilo1"><I>A met&aacute;fora tamb&eacute;m merece que lutemos por ela...</I>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> o alvorecer do discurso </span></font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"></B>O conceito de met&aacute;fora com o qual trabalhamos aqui de nada compactua com aquelas concep&ccedil;&otilde;es simplificadoras tradicionais, cuja vis&atilde;o lhe atribui car&aacute;ter de figura de linguagem. Para n&oacute;s, a met&aacute;fora ultrapassa o limite de figura e insere-se no plano discursivo por meio da rela&ccedil;&atilde;o que permite estabelecer entre discursos, num tr&acirc;nsito entre continuidade e descontinuidade. &quot;A met&aacute;fora &#91;...&#93; anima-se, imbu&iacute;da no tempo reparador, mas tamb&eacute;m corrosivo, retoca a descontinuidade, que ent&atilde;o a isola, por&eacute;m relativiza tamb&eacute;m a continuidade fixada pela intersec&ccedil;&atilde;o, que a desenha&quot; (Marchezan, 1999, p. 308). </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A met&aacute;fora &eacute; inerente &agrave; ruptura operada pela arbitrariedade do signo na explica&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua, desmascarando a harmonia entre mundo e linguagem. Ela configura-se na intersec&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nios recortados, sobrepostos e de campos sem&acirc;nticos diferentes. Ela resulta ainda da coexist&ecirc;ncia de vozes (polifonia) que, de um lado, garantem a continuidade do dizer e, de outro, permitem a inser&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a, do desafio, o que manifesta sua descontinuidade. &Eacute; como se atuassem, </font></P >     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">pois, no jogo metaf&oacute;rico duas for&ccedil;as: uma for&ccedil;a dispersiva, polif&ocirc;nica, que irradia diferentes vozes, que se estranham e marcam a presen&ccedil;a do discurso de outrem, e uma for&ccedil;a aglutinadora, um esfor&ccedil;o monof&ocirc;nico, que promove uma composi&ccedil;&atilde;o, uma s&iacute;ntese conciliadora de vozes, reelaborando elementos discretos e reconhecendo entre eles uma continuidade. A met&aacute;fora pressup&otilde;e, ent&atilde;o, a instala&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a, a percep&ccedil;&atilde;o do distanciamento e tamb&eacute;m, sua redu&ccedil;&atilde;o, a aproxima&ccedil;&atilde;o do distante, por meio de um fazer unificador, que, no entanto, n&atilde;o anula as vozes discordantes, antes opera com elas, alimenta-se delas para transcend&ecirc;-las. (Marchezan, 1999, p. 309) </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Partindo para o campo da psican&aacute;lise e o terreno &quot;movedi&ccedil;o&quot; da tradi&ccedil;&atilde;o francesa de an&aacute;lise de discurso, os estudos lacanianos (1985), segundo Orlandi (2001), falam-nos da met&aacute;fora como a tomada de uma palavra por outra, isto &eacute;, efeito de <I>transfer&ecirc;ncia</I>. P&ecirc;cheux (1975) mobiliza esse efeito, descrito por Lacan, para o campo dos estudos discursivos, apontando que </font></P >     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">o sentido &eacute; sempre uma palavra, uma express&atilde;o ou proposi&ccedil;&atilde;o por uma outra palavra, uma outra express&atilde;o ou proposi&ccedil;&atilde;o, e &eacute; por esse relacionamento, essa <I>superposi&ccedil;&atilde;o</I>, essa <I>transfer&ecirc;ncia</I> que elementos significantes passam a se confrontar de modo que se revestem de um sentido. Ainda segundo este autor, o sentido existe exclusivamente nas <I>rela&ccedil;&otilde;es de met&aacute;fora</I> &#91;&ecirc;nfase&nbsp;adicionada&#93; (realizadas em efeitos de <I>substitui&ccedil;&atilde;o, par&aacute;frases, forma&ccedil;&atilde;o de sin&ocirc;nimos</I>) &#91;...&#93;. &#91;&ecirc;nfase&nbsp;adicionada&#93; (Orlandi, 2001, p. 44)<a href="#pie4" name="spie4"><sup>4</sup></a>. </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Em <I>A l&iacute;ngua inating&iacute;vel</I>, Gadet e P&ecirc;cheux (2004) reconstituem o percurso do discurso na hist&oacute;ria da ling&uuml;&iacute;stica. O primeiro cap&iacute;tulo do livro &eacute; aberto pela proposi&ccedil;&atilde;o &quot;<I>A met&aacute;fora tamb&eacute;m merece que se lute por ela</I>&quot;, uma discuss&atilde;o que se pauta na implanta&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o nos sistemas de pensamento e nas pr&aacute;ticas sociais, que, por sua vez, exclu&iacute;ram o sujeito e a hist&oacute;ria (a poesia e os poetas?) principalmente nos estudos (epistemologia) da linguagem. Os autores recorrem a argumentos de que uma l&iacute;ngua perfeita e racional jamais existe. O real da l&iacute;ngua &eacute; o equ&iacute;voco e a met&aacute;fora. Portanto, v&atilde;o tratar da l&iacute;ngua enquanto incompleta e destitu&iacute;da de sentido pr&oacute;prio, ou seja, como &quot;al&iacute;ngua&quot;. O avesso do sistema, a l&iacute;ngua. A met&aacute;fora, portanto, &eacute; deslocamento, agrega&ccedil;&atilde;o e desagrega&ccedil;&atilde;o de sentidos por meio de transfer&ecirc;ncias. &Eacute; sempre a possibilidade de interferir no &quot;real&quot; do sentido. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>3. Met&aacute;fora: carnavaliza&ccedil;&atilde;o, dialogismo e polifonia </b></font></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana">A import&acirc;ncia de Bakhtin para os estudos de linguagem se deve, de fato, pela formula&ccedil;&atilde;o destes tr&ecirc;s fundamentos te&oacute;ricos - polifonia, carnavaliza&ccedil;&atilde;o e dialogismo -, primordiais e &quot;atuais&quot; para a An&aacute;lise de Discurso que se faz hoje. Entrela&ccedil;ados, mas confeccionados em contextos espec&iacute;ficos de an&aacute;lise de obras liter&aacute;rias, esses conceitos hoje se apresentam contempor&acirc;neos ainda e jamais sofrem interfer&ecirc;ncia de outros conceitos que os sucede(ra)m. O estudo do discurso necessita dessa articula&ccedil;&atilde;o entre polifonia, carnavaliza&ccedil;&atilde;o e dialogismo, uma vez que o car&aacute;ter cultural e social das pr&aacute;ticas discursivas possibilitam a inser&ccedil;&atilde;o do homem no plano social e, ao mesmo tempo, mostram esse ser como sujeito de atua&ccedil;&atilde;o social, porta voz de seu tempo e seu espa&ccedil;o. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Bakhtin no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, &eacute;poca ainda em que imperava fortemente o estruturalismo, j&aacute; forjava instrumentais te&oacute;ricos inovadores, posto que a escola russa baseava-se no s&oacute;cio-interacionismo e construtivismo<a href="#pie5" name="spie5"><sup>5</sup></a>. Desse modo, a dimens&atilde;o da linguagem jamais podia ser admitida sem se considerar seu contexto de produ&ccedil;&atilde;o, os sujeitos participantes do processo, as concep&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas que revestem a materializa&ccedil;&atilde;o das palavras. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Analisando as produ&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias de Rebelais e Dostoieviski, Bakhtin constr&oacute;i o conceito de carnavaliza&ccedil;&atilde;o, tendo por ess&ecirc;ncia n&atilde;o a festa popular do carnaval, mas o modo como os discursos e os sujeitos marginalizados e fora do poder assumem, mesmo por instantes, o papel de sujeitos de poder. Conforme Guerra et &aacute;l. (2007, p. 26), &quot;o universo carnavalesco bakhtiniano caracteriza a instaura&ccedil;&atilde;o da liberdade ou ruptura em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es promulgadas pelas leis que determinam uma sociedade 'organizada'&quot;. A carnavaliza&ccedil;&atilde;o assemelha-se a festa popular do carnaval, mas se difere por apresentar-se como uma reversibilidade discursiva. </font></P >     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Os ritos e espet&aacute;culos carnavalescos oferecem uma vis&atilde;o de mundo, do homem e das rela&ccedil;&otilde;es humanas totalmente diferentes, deliberadamente n&atilde;o oficial, exterior, &agrave; Igreja e ao Estado, pareciam ter constitu&iacute;do, ao lado do mundo oficial, um segundo mundo e uma segunda vida... Essa segunda vida da cultura popular constr&oacute;i-se como par&oacute;dia da vida ordin&aacute;ria, como um mundo ao rev&eacute;s. (Bakhtin, 1987, p. 5) </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O dialogismo bakhtiniano tamb&eacute;m possui muitos pontos de contato com a carnavaliza&ccedil;&atilde;o. Embora n&atilde;o se trate de uma reversibilidade, de uma pol&ecirc;mica mais evidente, o dialogismo &eacute; o que caracteriza a condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia dos discursos. Um discurso deve a sua exist&ecirc;ncia a uma s&eacute;rie de discursos diferentes com os quais mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es de diversas naturezas. Al&eacute;m disso, o di&aacute;logo pode ter sua amplitude entendida, podendo envolver o dom&iacute;nio do sujeito - na articula&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e seu meio social - bem como o dom&iacute;nio do discurso - j&aacute; que se forma a partir de um di&aacute;logo com outros discursos e com as sociedades nas quais esses discursos s&atilde;o formulados. O dialogismo &eacute; vital para a compreens&atilde;o dos estudos de Bakhtin e das quest&otilde;es referentes &agrave; linguagem como constitutiva da experi&ecirc;ncia humana e seu papel ativo no pensamento e no conhecimento. A import&acirc;ncia desse conceito reside no fato de ratificar o conceito de comunica&ccedil;&atilde;o como intera&ccedil;&atilde;o verbal e n&atilde;o verbal e n&atilde;o apenas como transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. A contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; complexidade desse conceito tamb&eacute;m se verifica por implicar outros: intera&ccedil;&atilde;o verbal, intertextualidade e polifonia. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Nessa esteira, o conceito de polifonia, por sua t&ocirc;nica, envolve a defini&ccedil;&atilde;o de dialogismo. A polifonia &eacute; a presen&ccedil;a de vozes no discurso, que se dispersam, pois se apresentam como consci&ecirc;ncias pr&oacute;prias e inacabadas; ao contr&aacute;rio da monofonia que, inevitavelmente, toca no dialogismo por tentar manter e garantir a unidade do discurso, j&aacute; que a unidade &eacute; imposs&iacute;vel. A vida do homem somente se sustenta por meio do di&aacute;logo entre &quot;eu&quot; e &quot;outro&quot; que disputam a tomada da palavra. Portanto, a tend&ecirc;ncia da homogeneidade projeta o equ&iacute;voco da &quot;aus&ecirc;ncia&quot; e da &quot;falta&quot;, o que torna inevit&aacute;vel a presen&ccedil;a do di&aacute;logo mesmo em um mon&oacute;logo. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A polifonia pode ser definida a partir da intera&ccedil;&atilde;o de diferentes vozes e consci&ecirc;ncias dentro de um mesmo espa&ccedil;o do romance; essas vozes e consci&ecirc;ncias s&atilde;o sujeitos de seus pr&oacute;prios discursos. No romance polif&ocirc;nico, o autor n&atilde;o explica as personagens e suas consci&ecirc;ncias, uma vez que elas mesmas se definem no di&aacute;logo como consci&ecirc;ncias infinitas e inacabadas. Na polifonia, o dialogismo deixa-se entrever por meio de muitas vozes pol&ecirc;micas; j&aacute; na monofonia, h&aacute; apenas o dialogismo, que &eacute; constitutivo da linguagem, porque o di&aacute;logo &eacute; mascarado e somente uma voz se faz ouvir; as demais s&atilde;o abafadas. </font></P ><font size="2" face="verdana"><b>4. A met&aacute;fora como instrumento de luta </b></font>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O procedimento de an&aacute;lise deste trabalho consiste em verificar o funcionamento da met&aacute;fora no discurso do transgressor, seus efeitos conferidos em sua rela&ccedil;&atilde;o com a hist&oacute;ria e a mem&oacute;ria, uma verdadeira pr&aacute;tica carnavalesca de invers&atilde;o de valores e poderes, mesmo que momentaneamente no processo de escrita de um comunicado enviado &agrave; Rede Globo de televis&atilde;o. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Partimos da premissa de que a met&aacute;fora, conforme orienta&ccedil;&atilde;o de Marchezan (1999), promove o tr&acirc;nsito entre continuidade e descontinuidade, agrega&ccedil;&atilde;o e desagrega&ccedil;&atilde;o. Evidentemente, ela se caracteriza por esse deslize e deslocamento, uma vez que se marca pela presen&ccedil;a de diferentes vozes em di&aacute;logo em sua forma particular de materializa&ccedil;&atilde;o. A tend&ecirc;ncia homogeneizante &eacute; uma das condi&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o dos discursos. </font></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana">Na madrugada de 13 de agosto de 2006, conforme se veiculava na ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias da Folha On-Line, o PCC exigia que o v&iacute;deo com a grava&ccedil;&atilde;o do comuni-cado fosse <I>ao ar, </I>caso contr&aacute;rio um funcion&aacute;rio da emissora n&atilde;o seria liberto, j&aacute; que estava sob o poder dos integrantes do grupo armado. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O comunicado &eacute; iniciado por uma condi&ccedil;&atilde;o de verdade e de autoridade, que legitima o ato de um integrante do PCC representar a voz do grupo que se far&aacute; ouvida por seus interlocutores: a sociedade e os governantes. O integrante diz: &quot;Como integrante do Primeiro Comando da Capital venho pelo &uacute;nico meio encontrado por n&oacute;s para transmitir um comunicado para a sociedade e os governantes&quot;. A partir dessa materialidade, pode-se dizer que uma ora&ccedil;&atilde;o introduzida por &quot;como&quot;, ora&ccedil;&atilde;o subordinada adverbial causal, desfia as condi&ccedil;&otilde;es do di&aacute;logo e seu efeito carnavalizador. A conjun&ccedil;&atilde;o causal aliada ao <I>status</I> hier&aacute;rquico, ao qual pertence o integrante porta-voz do comunicado, coloca sociedade e governantes como objetos que precisam ouvir o que o <I>lugar-da-margem</I> deve falar, uma outra vers&atilde;o da verdade. Instala-se, portanto, o carnaval (fora de &eacute;poca) no discurso do transgressor! </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Conforme Bakhtin (1987, p. 8), o carnaval era o triunfo de uma esp&eacute;cie de liberdade tempor&aacute;ria da verdade dominante e do regime vigente, da aboli&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria de todas as rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas; privil&eacute;gios, regras, tabus. A maneira como o PCC se apropria da pr&aacute;tica social da transmiss&atilde;o de comunicados na m&iacute;dia traduz-se como um gesto, particularmente, carnavalesco. Sem adere&ccedil;os, enfeites, a palavra do grupo se legitima no momento de sua enuncia&ccedil;&atilde;o. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Esse efeito carnavalesco da palavra censurada que entra no fil&atilde;o do poder, ainda, &eacute; vis&iacute;vel em outras formas, como o processo de formula&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica, porque, baseando-se em termos jur&iacute;dicos, o sujeito transgressor reage &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o e &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), uma modalidade de pena que vigora atualmente na Penitenci&aacute;ria de Presidente Bernardes (SP). </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O enunciado posterior a esse de legitima&ccedil;&atilde;o do sujeito transgressor - sobre o lugar de onde fala e para quem fala - refere-se &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do RDD no interior da fase de execu&ccedil;&atilde;o penal: </font></P >     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">(a) 	<I>A introdu&ccedil;&atilde;o do Regime Disciplinar Diferenciado</I> (RDD) pela lei 10.792/2003, no interior da fase de execu&ccedil;&atilde;o penal, inverte a l&oacute;gica da execu&ccedil;&atilde;o penal. E coerente com a perspectiva de elimina&ccedil;&atilde;o e inabilita&ccedil;&atilde;o dos <I>setores sociais redundantes</I>, leia-se a <I>&quot;clientela do sistema penal&quot;, a nova puni&ccedil;&atilde;o disciplinar</I> inaugura novos m&eacute;todos de cust&oacute;dia e controle da massa carcer&aacute;ria, conferindo &agrave; <I>pena</I> um n&iacute;tido car&aacute;ter de <I>castigo cruel</I>. &#91;&ecirc;nfase&nbsp;adicionada&#93; </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O enunciado proferido pelo integrante do PCC constr&oacute;i-se de modo a definiro RDD dentro do aspecto legal, embora apresente tamb&eacute;m alguns deslocamentos. Mantendo a continuidade do dizer, agregando-se a lei, o sujeito do PCC recupera os aspectos formais da lei, definindo o RDD como a lei que se corporificou no ano de 2003 pelo processo 10.792. No entanto, o RDD &quot;inverte a l&oacute;gica da execu&ccedil;&atilde;o penal&quot;, e essa invers&atilde;o da qual nos fala o locutor do comunicado n&atilde;o est&aacute; de acordo com a continuidade e a agrega&ccedil;&atilde;o de sentidos tal qual se apresenta na lei. Dessa forma, verifica-se a presen&ccedil;a de outras vozes no discurso do transgressor: a voz da Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e, sobretudo, a voz dos Direitos Humanos<a href="#pie6" name="spie6"><sup>6</sup></a>. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Dentre os aspectos metaf&oacute;ricos, vale citar que o enunciado expositivo &quot;A introdu&ccedil;&atilde;o do Regime Disciplinar Diferenciado&quot; &eacute; parafraseado e apresentado como &quot;a nova puni&ccedil;&atilde;o disciplinar&quot;. Esse efeito de deslocamento de sentidos entra em funcionamento por meio do recurso metaf&oacute;rico. O sujeito para poder falar do RDD, portanto, entra na continuidade do dizer e, mostrando-se contr&aacute;rio a ele, deslocase e se apresenta na descontinuidade do dizer. A par&aacute;frase no dom&iacute;nio lexical tem seus efeitos decorrentes da posi&ccedil;&atilde;o dos interlocutores no momento da enuncia&ccedil;&atilde;o. Assim, &quot;Regime Disciplinar Diferenciado&quot; trata-se de um modo de penalizar o sujeito para as autoridades legais e executoras. Em rebate a isso, o sujeito transgressor, encapuzado, dentro de um cen&aacute;rio com inscri&ccedil;&otilde;es do PCC na parede, refere-se ao tr&acirc;mite legal como &quot;puni&ccedil;&atilde;o&quot; e &quot;castigo cruel&quot;. O transgressor alega, portanto, que o RDD n&atilde;o disciplina ningu&eacute;m; ele &eacute; uma tentativa de controle que os setores de seguran&ccedil;a n&atilde;o possuem e, al&eacute;m disso, contribui para a ociosidade mesmo do marginalizado, como se ver&aacute; no enunciado (c.). </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Outrossim, entre a continuidade e a descontinuidade, um dos efeitos de sentido evocados &eacute; do que h&aacute; uma oposi&ccedil;&atilde;o entre as concep&ccedil;&otilde;es de pena para os legisladores e os transgressores, o que, de fato, caracteriza a atitude do PCC em compor esse comunicado, informando aos sujeitos da pol&iacute;tica a contradi&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria lei. Historicamente, as leis s&atilde;o criadas por determinado grupo e servem para coagir um outro determinado grupo, muito maior e menos instru&iacute;do, nas palavras de Foucault (2005, p. 230). A preocupa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica com a seguran&ccedil;a n&atilde;o se trata de uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o retorno do sujeito transgressor &agrave; sociedade. A lei serve somente para punir, jamais corrige; esse &eacute; um efeito ideol&oacute;gico da institui&ccedil;&atilde;o penal. Isso &eacute; o que se entende, quando &quot;pena&quot; tem seu sentido deslocado para &quot;castigo cruel&quot; por meio tamb&eacute;m do efeito metaf&oacute;rico. &quot;Pena&quot; e &quot;castigo cruel&quot;, neste caso, para o locutor do comunicado equivalem-se; dessa forma, o RDD enquanto um recurso penal, n&atilde;o cumpre com sua fun&ccedil;&atilde;o social e jur&iacute;dica.</font></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana">A concep&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de um sujeito transgressor que pertence a uma fac&ccedil;&atilde;o como a do PCC &eacute;, no m&iacute;nimo, coerente quando processa esse tipo de discurso sobre o novo recurso disciplinar. Tendo em vista que o RDD limita as a&ccedil;&otilde;es do grupo, haja vista o rigor da vigil&acirc;ncia, do isolamento e da seguran&ccedil;a. Sob a cust&oacute;dia de um regime como esse, o l&iacute;der da organiza&ccedil;&atilde;o jamais poderia comandar outro ataque, tampouco poderia manter contato com seus membros por interm&eacute;dio do celular.</font></p>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A met&aacute;fora, portanto, &quot;n&atilde;o se traduz em unifica&ccedil;&atilde;o, nem em fragmenta&ccedil;&atilde;o, mas no movimento, no ir e vir entre fragmenta&ccedil;&atilde;o e unifica&ccedil;&atilde;o. Descreve, pois, uma tens&atilde;o entre agrega&ccedil;&atilde;o e desagrega&ccedil;&atilde;o&quot; (Marchezan, 1999, p. 309). Como no caso desse enunciado, ela tanto serve para determinar a unidade da qual se fala &quot;o RDD&quot;, mas tamb&eacute;m para apontar sua fragmenta&ccedil;&atilde;o, visto que ele n&atilde;o &eacute; ressocializador e por isso vai de encontro com o que se diz em outros tomos jur&iacute;dicos. Para o sujeito transgressor, o RDD &eacute; puni&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o &eacute; pena, mas um castigo, e n&atilde;o um castigo qualquer, ele &eacute; cruel. Nesse ponto, o discurso do transgressor pauta-se na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, transferindo seu pr&oacute;prio <I>status </I>subjetivo, isto &eacute;, deslocando-se do lugar da transgress&atilde;o para o do direito. O sujeito de direito constr&oacute;i-se por interm&eacute;dio da recorr&ecirc;ncia e da polifonia de vozes materializadas no comunicado do PCC. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Outro efeito de deslocamento de sentidos corporifica o comunicado, quando o locutor se refere aos internos como &quot;setores sociais redundantes&quot; e depois explica por meio de aposto aspeado &quot;clientela do sistema penal&quot;. Essa forma de referir-se aos sujeitos encarcerados demonstra o quanto a met&aacute;fora tem de valorativo no discurso do transgressor. As express&otilde;es &quot;setores redundantes&quot; e &quot;clientela&quot; tem seu efeito ideol&oacute;gico tamb&eacute;m. A inten&ccedil;&atilde;o do sujeito, nessa enuncia&ccedil;&atilde;o &eacute; dizer que os internos s&atilde;o produtos homog&ecirc;neos, sempre voltados, para o crime, em decorr&ecirc;ncia da pena a qual lhes atribuem. Decerto, como &quot;clientela&quot; do sistema penal brasileiro, os sujeitos transgressores s&atilde;o obrigados a aceitar limita&ccedil;&otilde;es e a precariedade dessa institui&ccedil;&atilde;o. Ou seja, vivem aquilo que lhes oferecem, neste caso, o RDD. Dentre os efeitos proporcionados pela met&aacute;fora, neste caso, o sentido &eacute; de continuidade, pois &quot;redundantes&quot; e &quot;clientela&quot; margeiam os sentidos da impossibilidade de combater a lei, portanto, reproduzem-na com a pr&oacute;pria vida, vivendo sob esse regime de pena. O enunciado seguinte estabelece conex&atilde;o com o enunciado anterior j&aacute; analisado. </font></P >     <blockquote>       <p align="justify"><font size="2" face="verdana">(b) 	O <I>Regime Disciplinar Diferenciado</I> agride o primado da ressocializa&ccedil;&atilde;o do sentenciado vigente na constitui&ccedil;&atilde;o mundial desde o iluminismo e pedra angular do sistema penitenci&aacute;rio, a LEP (Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal) &#91;...&#93; qualquer modalidade de cumprimento de pena em que n&atilde;o haja const&acirc;ncia dos <I>dois objetivos legais, castigo e a reintegra&ccedil;&atilde;o social, com observ&acirc;ncia apenas do primeiro</I>, mostra-se ilegal, em contradi&ccedil;&atilde;o &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. &#91;...&#93; O <I>Regime Disciplinar Diferenciado &eacute; inconstitucional</I> &#91;...&#93;. &#91;&ecirc;nfase&nbsp;adicionada&#93; </font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Nesse excerto, o locutor ainda se refere ao RDD, o que de certo modo garante a continuidade, a agrega&ccedil;&atilde;o discursiva e o mon&oacute;logo do sujeito transgressor. Por outro lado, irrompe dentro dessa formula&ccedil;&atilde;o - quase sem tens&atilde;o - a Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal (a LEP), um recurso jur&iacute;dico de 1984 que organiza os procedimentos legais de execu&ccedil;&atilde;o de penas. Ela, a LEP, contraria os princ&iacute;pios mais modernos do RDD, pois ela se define como um recurso jur&iacute;dico cujo interesse primeiramente se pauta na recupera&ccedil;&atilde;o do &quot;marginal&quot;. Isso significa que, a LEP funciona como uma voz que provoca a descontinuidade do dizer, que segrega o discurso do RDD. As met&aacute;foras que materializam, pois, esse tipo de &quot;corte&quot; encontram-se em plano de defini&ccedil;&atilde;o &quot;O Regime Disciplinar Diferenciado &eacute; inconstitucional&quot;, o que n&atilde;o lhe soverte o cr&eacute;dito de sinon&iacute;mia, e de par&aacute;frase &quot;dois objetivos, castigo e reintegra&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo, com observ&acirc;ncia apenas do primeiro...&quot;. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">No primeiro caso, o efeito metaf&oacute;rico &eacute; o da sinon&iacute;mia entre &quot;O Regime Disciplinar Diferenciado&quot; e &quot;inconstitui&ccedil;&atilde;o&quot;. Tal efeito marca no discurso o desacoplamento dos sentidos legais atribu&iacute;dos ao RDD e a agrega&ccedil;&atilde;o de novos sentidos: contradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, puni&ccedil;&atilde;o severa que n&atilde;o tem a finalidade de reconduzir o sujeito &agrave; sociedade, conforme apregoa a Constitui&ccedil;&atilde;o. Essas m&uacute;ltiplas vozes est&atilde;o na base do efeito metaf&oacute;rico que &eacute; exterior ao fato ling&uuml;&iacute;stico em si. Ao passo que os dois objetivos expostos &quot;castigo&quot; e &quot;reintegra&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo&quot;, em que se h&aacute; &quot;apenas observ&acirc;ncia do primeiro&quot;, configuram o retorno da continuidade e da puni&ccedil;&atilde;o assinalada pela execu&ccedil;&atilde;o do RDD. &quot;A met&aacute;fora encena, assim, a dualidade que define o sentido; a rela&ccedil;&atilde;o entre sua identidade e sua alteridade&quot; (Marchezan, 1999, p. 309). </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A recorr&ecirc;ncia l&eacute;xica para definir, retomar, parafrasear o RDD &eacute; constante: &quot;castigo&quot;, &quot;inconstitucional&quot;, &quot;ilegal&quot;, &quot;agride&quot;. Esse l&eacute;xico traz em sua materializa&ccedil;&atilde;o efeitos negativos do recurso penal. O intuito do sujeito, com esse tipo de l&eacute;xico, &eacute; descontruir a imagem pura e reconstituidora da lei. </font></P >    <p align="justify"><font size="2" face="verdana">O excerto seguinte n&atilde;o se refere mais ao Regime Disciplinar Diferenciado, mas mant&eacute;m com ele rela&ccedil;&otilde;es de sentido, pois se o RDD faz parte do sistema carcer&aacute;rio atual, ele sofre os efeitos de sentido atribu&iacute;dos pelo discurso do sujeito transgressor/ jur&iacute;dico. </font></P >     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana">(c) 	Queremos <I>um sistema carcer&aacute;rio</I> em condi&ccedil;&otilde;es humanas, n&atilde;o um <I>sistema falido, desumano</I>, no qual sofremos in&uacute;meras humilha&ccedil;&otilde;es e espancamentos. &#91;...&#93; Se nossos governantes, ju&iacute;zes, desembargadores, senadores, deputados e ministros n&atilde;o trabalharem em cima da lei, <I>que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a em cima da injusti&ccedil;a que &eacute; o sistema carcer&aacute;rio, sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, sem assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem nada. </I></font></P > </blockquote>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A met&aacute;fora como elemento parafr&aacute;stico e de substitui&ccedil;&atilde;o contextual pode tanto se referir &agrave; continuidade quanto &agrave; descontinuidade. No jogo entre o novo e o velho, o descont&iacute;nuo e o cont&iacute;nuo, o sujeito coloca-se na tens&atilde;o entre &quot;um sistema carcer&aacute;rio em condi&ccedil;&otilde;es humanas&quot; e &quot;um sistema falido, desumano&quot;. Nesse enunciado, ouve-se a voz do sujeito transgressor que fala da institui&ccedil;&atilde;o penal, e que, por extens&atilde;o, exige melhores condi&ccedil;&otilde;es no sistema carcer&aacute;rio. O efeito dial&oacute;gico desse enunciado faz que os representantes e executores da lei escutem a realidade do sistema carcer&aacute;rio por meio do discurso transgressor. O efeito metaf&oacute;rico entre o que se espera &quot;um sistema carcer&aacute;rio em condi&ccedil;&otilde;es melhores&quot; e a realidade &quot;um sistema falido, desumano&quot; &eacute; o de que a met&aacute;fora materializa a subvers&atilde;o e a insurrei&ccedil;&atilde;o do sujeito &agrave; continuidade dessa situa&ccedil;&atilde;o. Vale dizer que as condi&ccedil;&otilde;es humanas que nos relata o locutor do comunicado est&atilde;o, de fato, impressas nos documentos oficiais, mas nunca exerceram efetivamente sua fun&ccedil;&atilde;o &quot;real&quot;. O l&eacute;xico denuncia a posi&ccedil;&atilde;o do sujeito e o efeito ideol&oacute;gico da met&aacute;fora em sua voz: a de fazer vis&iacute;vel o sistema carcer&aacute;rio, como uma forma de den&uacute;ncia, em <I>contrapalvra </I>a outros discursos circulantes que endossavam a pris&atilde;o e maior rigor da lei para os sujeitos transgressores. Essa esp&eacute;cie de di&aacute;logo &eacute; inevit&aacute;vel e mant&eacute;m-se sobre a mesma raiz de todos os problemas no que se referem &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre equipes de seguran&ccedil;a e grupos organizados: a viol&ecirc;ncia. O locutor do PCC &quot;esquece-se&quot; quando faz esse pronunciamento que o grupo tamb&eacute;m se utiliza de viol&ecirc;ncia para atrair a aten&ccedil;&atilde;o das autoridades brasileiras. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"> Noutro plano, verifica-se no enunciado &quot;&#91;...&#93; que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a em cima da injusti&ccedil;a que &eacute; o sistema carcer&aacute;rio, sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, sem assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem nada&quot;, que o sistema carcer&aacute;rio &eacute; definido como &quot;injusti&ccedil;a&quot;, e esse atributo metaf&oacute;rico est&aacute; acrescido a uma s&eacute;rie de aus&ecirc;ncias no campo da sa&uacute;de, do direito, do trabalho, da educa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, &quot;sem nada&quot;, que parece funcionar como um elemento conclusivo, atua a&iacute; como elemento parafr&aacute;stico, retomando todas as aus&ecirc;ncias mencionadas. Assim, o sujeito transgressor prop&otilde;e, &agrave; primeira vista, uma mudan&ccedil;a no sistema, uma descontinuidade, que, embora esteja prevista na lei, n&atilde;o funciona na pr&aacute;tica cotidiana: que s&atilde;o as boas condi&ccedil;&otilde;es das instala&ccedil;&otilde;es penais; por outro lado, quando exige &quot;justi&ccedil;a&quot; no sistema carcer&aacute;rio, est&aacute; tomando o direito que possui quanto &agrave;s assist&ecirc;ncias m&eacute;dica, jur&iacute;dica, trabalhista, escolar, que por sua vez s&atilde;o &quot;nada&quot;, pois inexistem na concep&ccedil;&atilde;o desses sujeitos, ou seja, &eacute; algo que permanece inalterado, e mais uma vez a voz do transgressor &eacute; interceptada pela continuidade das pr&aacute;ticas penais. </font></P ><font size="2" face="verdana"><b>5. Breves considera&ccedil;&otilde;es, jamais finais </b></font>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">A met&aacute;fora no discurso do transgressor possui suas condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de apari&ccedil;&atilde;o: ou ela est&aacute; a trabalho de (re)introduzir o discurso no interst&iacute;cio de uma continuidade ou ela gera o pr&oacute;prio deslocamento desse discurso, rumo a um di&aacute;logo com outros discursos por meio de dialogismo, entre monologismo e polifonia. O discurso do PCC, como se pode verificar, est&aacute; arquitetado de modo a conjurar os poderes do discurso em favor do RDD, um recurso penal aplicado a indiv&iacute;duos de extrema periculosidade. Desse modo, o discurso transgressor, &agrave; medida que se articulava a partir desse recurso, trazia as vozes da Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal (a LEP), da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, numa tentativa de desestabilizar e deslocar seu discurso rumo &agrave;s a&ccedil;&otilde;es cidad&atilde;s promulgadas pela lei. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana">Por fim, vale observar que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel analisar discursos se n&atilde;o houvesse agrupamentos de enunciados inscritos em fronteiras, mas por outro lado, tamb&eacute;m n&atilde;o haveria an&aacute;lise do discurso se o sentido se fechasse nessas fronteiras (Maingueneau, 2006, p. 23). Isso nos incita e refletir sobre a discursividade que surge consistente e inconsistente ao mesmo tempo: &quot;sistema&quot; e &quot;dispers&atilde;o&quot;, registro foucaultiano, em que o trabalho do analista do discurso n&atilde;o pode se fechar em um espa&ccedil;o homog&ecirc;neo e compacto, visto que &eacute; deslocamento. </font></P > <hr size="1"> </P ><font size="2" face="verdana"><a href="#spie1" name="pie1"><sup>1</sup></a> Por raz&otilde;es metodol&oacute;gicas e te&oacute;ricas, a an&aacute;lise efetuar-se-&aacute; sobre a transcri&ccedil;&atilde;o feita pela pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias da Folha On Line. Ela se encontra dispon&iacute;vel no link <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u124974.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u124974.shtml</a>. O comunicado tamb&eacute;m pode ser lido na &iacute;ntegra em O sindicato do crime: PCC e outros grupos (2007, pp. 101-102), de Percival de Souza. O v&iacute;deo da transmiss&atilde;o do comunicado pode ser assistido no site do Youtube: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kZrXXVWfcRs" target="_blank">http:// www.youtube.com/watch?v=kZrXXVWfcRs</a>.</font>     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#spie2" name="pie2"><sup>2</sup></a> Leiam-se os t&iacute;tulos das mat&eacute;rias veiculadas na m&iacute;dia durante o m&ecirc;s de maio: &quot;At&eacute; quando?&quot;, &Eacute;poca 18/05; &quot;Terror em S&atilde;o Paulo&quot;, Veja 24/05; &quot;Terror... P&acirc;nico... Caos... Vergonha...&quot;, Isto&eacute; 24/05. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#spie3" name="pie3"><sup>3</sup></a> Especificamente, o Regime Disciplinar Diferenciado &eacute; aplicado mediante ordem judicial, na ocorr&ecirc;ncia em que se apresenta &quot;alto risco para a ordem e a seguran&ccedil;a do estabelecimento penal ou da sociedade, ou ainda sobre os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participa&ccedil;&atilde;o, a qualquer t&iacute;tulo, em organiza&ccedil;&otilde;es criminosas, quadrilha ou bando&quot; (Junqueira e Fuller, 2005, p. 42). </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#spie4" name="pie4"><sup>4</sup></a> Pode-se, ainda, atentar para o fato de que o sentido de par&aacute;frase aqui descrito por Orlandi n&atilde;o corresponde &agrave; defini&ccedil;&atilde;o da Ling&uuml;&iacute;stica. Pensando do ponto de vista da forma&ccedil;&atilde;o discursiva, ela v&ecirc; o efeito metaf&oacute;rico como ponto de deriva por meio da qual se chega ao gesto de interpreta&ccedil;&atilde;o, uma vez que o fen&ocirc;meno sem&acirc;ntico interv&eacute;m no real do sentido (cf. Orlandi, 2003). </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#spie5" name="pie5"><sup>5</sup></a> Bakhtin transfigurou o marxismo conforme a necessidade de seu momento hist&oacute;rico. Ele trata, portanto, dentro de um contexto de revolu&ccedil;&atilde;o, de um materialismo s&oacute;cio-hist&oacute;rico dial&eacute;tico, ou seja, que estabelece trocas e &eacute; dial&oacute;gico, por excel&ecirc;ncia, entre as estruturas sociais. </font></P >     <p align="justify"><font size="2" face="verdana"><a href="#spie6" name="pie6"><sup>6</sup></a> A Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal em seu primeiro artigo garante a integra&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo na sociedade, conforme menciona: &quot;Art. 1.&ordm; - A execu&ccedil;&atilde;o penal tem por objetivo efetivar as disposi&ccedil;&otilde;es de senten&ccedil;a ou decis&atilde;o criminal e proporcionar condi&ccedil;&otilde;es para a harm&ocirc;nica integra&ccedil;&atilde;o social do condenado e do internado&quot; (Brasil, 1984). Na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, diz-se: &quot;Artigo V: Ningu&eacute;m ser&aacute; submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante&quot; (Brasil, 1998, p. 53). Como uma par&aacute;frase da Declara&ccedil;&atilde;o, a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal outorga que &quot;Art. 5.&ordm; inciso III - Ningu&eacute;m ser&aacute; submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante&quot; (Brasil, 1988). </font></P > <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font size="2" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font> </p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Amorin, C. (2007). <B><I>CV-PPC</I></B>:<I> a irmandade do crime</I> (8. ed.). Rio de Janeiro: Record. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0120-338X201000020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bakhtin, M. (2004). <I>Marxismo e filosofia da linguagem</I>. Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira (trads.). S&atilde;o Paulo: Hucitec. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0120-338X201000020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bakthin, M. (1987). <I>Cultura popular na idade m&eacute;dia e no renascimento: </I>o contexto de Fran&ccedil;oise Rebelais. Yara Frateschi Vieira (trad.). S&atilde;o Paulo: Hucitec. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0120-338X201000020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bauman, Z. (2007). <I>Tempos l&iacute;quidos. </I>Carlos A. Medeiros (trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0120-338X201000020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Bourdieu, P. (1997). <I>Sobre a televis&atilde;o</I> - seguido de <I>A influ&ecirc;ncia do jornalismo </I>e <I>Os jogos ol&iacute;mpicos -</I>. Maria L. Machado (trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0120-338X201000020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Dispon&iacute;vel em <a href="http://observatoriodainfancia.com.br/IMG/pdf/doc-47.pdf" target="_blank">http://observatoriodainfancia.com.br/IMG/pdf/doc-47.pdf</a>. Acesso 29/09/07. (1988). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0120-338X201000020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Debord, G. (1997). <I>A sociedade do espet&aacute;culo</I>. (Seguida de <I>Coment&aacute;rios sobre a sociedade do espet&aacute;culo</I>). Rio de Janeiro: Contraponto. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0120-338X201000020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify"><I>Documenta&ccedil;&atilde;o civil; Pol&iacute;tica antidiscriminat&oacute;ria; Crimes de tortura; Programa Nacional de Direitos Humanos</I>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a; Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. (1998). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0120-338X201000020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Folha On Line. (2006). <I>Veja na &iacute;ntegra o comunicado atribu&iacute;do ao </I><B><I>PPC</I></B>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u124974.shtm" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u124974.shtm</a>. Acesso 26/09/07. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0120-338X201000020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Foucault, M. (2005). <I>Vigiar e punir</I>. Raquel Ramalhete (trad.). Petr&oacute;polis: Vozes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0120-338X201000020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Gadet, F., &amp; P&ecirc;cheux, M. (2004). <I>A l&iacute;ngua inating&iacute;vel</I>. Beth&acirc;nia Mariani e Maria E. C. Mello (trads.). Campinas: Pontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0120-338X201000020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Giddens, A. (2002). <I>Modernidade e Identidade</I>. Pl&iacute;nio Dentzien (trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0120-338X201000020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Guerra, V. M. L., &amp; Souza, J. B. de. (2006). Identidade e representa&ccedil;&atilde;o cultural do preso em &quot;Esta&ccedil;&atilde;o Carandiru&quot;. En Nolasco, E. C. &amp; Guerra, V. M. L. (orgs.), <I>Discurso, alteridades e g&ecirc;nero</I>. S&atilde;o Carlos: Pedro &amp; Jo&atilde;o Editores. pp. 13-34. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0120-338X201000020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Guerra, V. M. L., Souza, J. B., Figueiredo, C. V. da S., Dourado, &Eacute;. R., Borges, G. P., Cruz, L. A. Da., &amp; Mina, S. R. N. (2007). O arsenal te&oacute;rico de Bakhtin: entre o estudo da linguagem e o ser social. <I>Revista Guavira Letras</I>, <I>5</I>, jun., 25-44. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ceul.ufms.br" target="_blank">http://www.ceul.ufms.br/guavira/guavira5/.htm</a>. Acesso 30/09/10. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0120-338X201000020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Junqueira, G. O. D., &amp; Fuller, Paulo H. A. (2005). <I>Legisla&ccedil;&atilde;o penal especial.</I> S&atilde;o Paulo: Premier M&aacute;xima. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0120-338X201000020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Lacan, J. (1985). <I>O semin&aacute;rio, livro 20</I>: mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0120-338X201000020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Lei n.&ordm; 7210, de 11 de julho de 1984. Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.soleis.com.br/L7210.htm" target="_blank">http://www.soleis.com.br/L7210.htm</a>. Acesso 29/09/07. (1984). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0120-338X201000020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Macaulay, F. <I>Political and institutional challenges of reforming the Brazilian prison system</I>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.brazil.ox.ac.uk/workingpapers/Macaulay31.pdf" target="_blank">http://www.brazil.ox.ac.uk/workingpapers/Macaulay31.pdf</a>. Acessado 28/09/07. 27 p. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0120-338X201000020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Maingueneau, D. (2006). <I>Cenas da Enuncia&ccedil;&atilde;o</I>. S. Possenti e M. C. Perez de Souza-e-Silva (trads.). Curitiba: Criar Edi&ccedil;&otilde;es. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0120-338X201000020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Marchezan, R. F. C. (1999). O jogo metaf&oacute;rico. En <I>Estudos Ling&uuml;&iacute;sticos </I><B><I>USC/UNESP</I></B><I>.</I> Bauru, pp. 308-313. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0120-338X201000020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Orlandi, E. P. (2001). <I>An&aacute;lise de discurso</I>: <I>princ&iacute;pios e procedimentos</I>. Campinas: Pontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0120-338X201000020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Orlandi, E. P. (2003). <I>A an&aacute;lise de discurso em suas diferentes tradi&ccedil;&otilde;es intelectuais: o </I><I>Brasil</I>. <B><I>SEAD</I></B>. Porto Alegre, UFRGS. Dispon&iacute;vel em <a href="http://spider.ufrgs.br/discurso/evento/conf_04/eniorlandi.pdf" target="_blank">http://spider.ufrgs.br/discurso/evento/conf_04/eniorlandi.pdf</a>. Acesso 01/10/07. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0120-338X201000020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">P&ecirc;cheux, M. (1975). <I>Sem&acirc;ntica e discurso</I>: <I>uma cr&iacute;tica &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o do &oacute;bvio</I>. Eni P. Orlandi (trad.) Campinas: Editora da Campinas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0120-338X201000020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">P&ecirc;cheux, M. (2006). <I>O discurso</I> - estrutura ou acontecimento. Eni P. Orlandi (trad.). Campinas: Pontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0120-338X201000020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="justify">Souza, P. de. (2007). <I>O sindicato do crime</I>: <B><I>PPC</I></B><I> e outros grupos</I>. 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