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<publisher-name><![CDATA[Departamento de Ciencia Política y Centro de Estudios Internacionales. Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de los Andes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[DESAFÍOS DA RELAÇÃO ENTRE MOVIMENTOS SOCIAIS E INSTITUIÇÕES POLÍTICAS: O CASO DO MOVIMENTO DE MORADIA DA CIDADE DE SÃO PAULO - PRIMEIRAS REFLEXÕES**]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[THE CHALLENGES OF THE RELATIONSHIP BETWEEN SOCIAL MOVEMENTS AND POLITICAL INSTITUTIONS: THE CASE OF THE SÃO PAULO HOUSING MOVEMENT, FIRST REFLECTIONS]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents a preliminary analysis on the relation between social movements and political institutions, a subject which has not been sufficiently explored by literature. The analysis is based on a case study on the relationship between the housing movement in Sao Paulo and the Marta Suplicy government (2001-2004), and from the Workers&#39; Party (PT). The discussion is divided in two parts: in the first one, we develop the argument that the relationship between social movements and the political system is permeated by an intrinsic tension between the principles of autonomy and political efficacy. In the second part, we explore this discussion relating it to the specific dilemmas that bound participation in the city of Sao Paulo, using the housing movement as an empirical reference.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="verdana" size="2">      <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>DESAF&Iacute;OS DA RELA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE MOVIMENTOS SOCIAIS E INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES  POL&Iacute;TICAS: O CASO DO MOVIMENTO DE MORADIA DA CIDADE DE S&Atilde;O PAULO - PRIMEIRAS  REFLEX&Otilde;ES</b></font><sup><a name= "s**" href="#**">**</a></sup></p>      <p><b>Luciana Tatagiba</b><sup><a name= "s*" href="#*">*</a></sup>    <br>   Universidade Estadual de Campinas</p>        <p><sup><a name="*" href="#s*" >*</a></sup> Luciana Tatagiba es profesora titular del Departamento de Ciencia  Pol&iacute;tica de la Universidad Estatal de Campinas, Campinas, Brasil. <a href="mailto:lucianatatagiba@uol.com.br">lucianatatagiba@uol.com.br</a>.  </p>      <hr>        <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Este artigo traz reflex&otilde;es preliminares acerca da rela&ccedil;&atilde;o entre movimentos    sociais e institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, um tema pouco explorado pela bibliografia. A    an&aacute;lise est&aacute; baseada num estudo de caso sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o movimento de    moradia da cidade de S&atilde;o Paulo e o governo de Marta Suplicy, do Partido dos    Trabalhadores (2001-2004). A argumenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; dividida em duas partes. Na    primeira, busco desenvolver o argumento de que a rela&ccedil;&atilde;o entre movimentos    sociais e sistema pol&iacute;tico &eacute; permeada por uma tens&atilde;o intr&iacute;nseca entre os    princ&iacute;pios da autonomia e a da efic&aacute;cia pol&iacute;tica. Na segunda parte, exploro essa    discuss&atilde;o remetendo aos dilemas espec&iacute;ficos da participa&ccedil;&atilde;o na cidade de S&atilde;o    Paulo, tendo como refer&ecirc;ncia emp&iacute;rica o caso do movimento de moradia.</p>        <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>    <br>     movimentos de moradia &bull; participa&ccedil;&atilde;o &bull; autonomia/efic&aacute;cia &bull; governos de esquerda    &bull; S&atilde;o Paulo</p>  <hr>        <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>THE CHALLENGES OF THE RELATIONSHIP BETWEEN SOCIAL MOVEMENTS  AND POLITICAL INSTITUTIONS: THE CASE OF THE S&Atilde;O PAULO HOUSING MOVEMENT, FIRST  REFLECTIONS</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This article presents a preliminary analysis on the relation between social    movements and political institutions, a subject which has not been sufficiently    explored by literature. The analysis is based on a case study on the    relationship between the housing movement in Sao Paulo and the Marta Suplicy    government (2001-2004), and from the Workers&#39; Party (PT). The discussion is    divided in two parts: in the first one, we develop the argument that the    relationship between social movements and the political system is permeated by    an intrinsic tension between the principles of autonomy and political efficacy.    In the second part, we explore this discussion relating it to the specific    dilemmas that bound participation in the city of Sao Paulo, using the housing    movement as an empirical reference.</p>          <p><b>KEYWORDS</b>    <br>   housing movement &bull; participation &bull; autonomy/efficacy &bull; left governments &bull; Sao    Paulo</p>         <p>Recibido el 5 de febrero de 2010 y aceptado el 28 de abril de 2010</p>  <hr>        <p><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>        <p>   Assistimos a uma nova inflex&atilde;o no debate latino-americano sobre os movimentos    sociais motivada pelos desdobramentos recentes da luta pol&iacute;tica no continente.    Refiro-me a dois processos inter-relacionados. O primeiro, o aumento da    participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em suas diferentes modalidades, seja no modelo mais    institucional ou a partir de diferentes tipos de a&ccedil;&atilde;o direta. O segundo, a    ascens&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas de esquerda ou centro-esquerda em v&aacute;rios governos    da regi&atilde;o. Combinados esses processos - que em parte resultam da a&ccedil;&atilde;o dos    pr&oacute;prios movimentos - alteram o cen&aacute;rio pol&iacute;tico no qual se d&aacute; a intera&ccedil;&atilde;o entre    movimentos sociais e atores pol&iacute;tico-institucionais com interessantes    implica&ccedil;&otilde;es sobre a agenda de pesquisa nessa &aacute;rea.</p>        <p>No caso brasileiro, a amplia&ccedil;&atilde;o das oportunidades para a participa&ccedil;&atilde;o  institucional e a ascens&atilde;o de governos de esquerda s&atilde;o fatores profundamente  inter-relacionados e que, em conjunto, remetem a um projeto pol&iacute;tico - que  denominamos democr&aacute;tico-participativo ou democr&aacute;tico-popular - que teve seu  conte&uacute;do ditado nas lutas dos movimentos sociais e que hoje explicita, em suas  fissuras e contradi&ccedil;&otilde;es, os avan&ccedil;os e recuos do processo de constru&ccedil;&atilde;o da  democracia no nosso pa&iacute;s<sup><a name= "s1" href="#1">1</a></sup>.</p>       <p>Entre n&oacute;s, a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o emergiu como demanda da sociedade civil,  no decorrer da luta pela redemocratiza&ccedil;&atilde;o do regime. A partir do final da d&eacute;cada  de 1970, o agravamento dos problemas sociais e a crise do setor p&uacute;blico abriram  espa&ccedil;o para o questionamento do padr&atilde;o centralizador, autorit&aacute;rio e excludente  que marcara a rela&ccedil;&atilde;o entre as ag&ecirc;ncias estatais e os benefici&aacute;rios das  pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, assim como para o reconhecimento da incapacidade do Estado  de responder &agrave;s demandas sociais. O tema da participa&ccedil;&atilde;o incorporava as  expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia a ser constru&iacute;da: uma democracia para  todos, a partir da ativa&ccedil;&atilde;o da mobiliza&ccedil;&atilde;o e do poder das classes populares.</p>      <p>Nesse contexto se insere a aposta feita por v&aacute;rios movimentos sociais  brasileiros, em estreita conex&atilde;o com determinados atores da arena  pol&iacute;tico-institucional, na luta &quot;por dentro do Estado&quot; como estrat&eacute;gia de  transforma&ccedil;&atilde;o social. O pr&oacute;prio surgimento do Partido dos Trabalhadores se  insere no &acirc;mbito dessa aposta. Uma aposta que gerou lutas longas, e no geral  &aacute;rduas, que resultaram na cria&ccedil;&atilde;o e reconhecimento de novos direitos de  cidadania que mudaram o ambiente pol&iacute;tico no qual os governos deveriam passar a  operar desde ent&atilde;o<sup><a name= "s2" href="#2">2</a></sup>.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essas conquistas legais testemunham os avan&ccedil;os de uma agenda de esquerda e  confirmam que, apesar de todas as resist&ecirc;ncias e contramarchas, o projeto  participativo se imp&ocirc;s como princ&iacute;pio na sociedade brasileira. Hoje o que se  busca &eacute; saber at&eacute; que ponto foi poss&iacute;vel avan&ccedil;ar a partir dessa estrat&eacute;gia. Esse  &eacute; um balan&ccedil;o que criticamente se faz dentro e fora da academia, a partir de um  olhar talvez menos celebrat&oacute;rio do que aquele que orientava as an&aacute;lises nos anos  1990. Embora ainda haja muito a compreender e avan&ccedil;ar em termos de pesquisa, o  diagn&oacute;stico mais geral aponta para o fato de que os resultados das experi&ecirc;ncias  concretas est&atilde;o muito aqu&eacute;m das expectativas lan&ccedil;adas sobre elas. Mas, n&atilde;o &eacute; o  caso de retomarmos aqui esse debate, sobre o qual temos um ac&uacute;mulo consider&aacute;vel  no debate brasileiro<sup><a name= "s3" href="#3">3</a></sup>.</p>      <p> O foco agora &eacute; outro e pode ser traduzido nas seguintes quest&otilde;es: em um cen&aacute;rio  caracterizado por uma oferta significativa de participa&ccedil;&atilde;o, quais os riscos e as  vantagens de participar e de n&atilde;o participar? Quais os dilemas espec&iacute;ficos que a  amplia&ccedil;&atilde;o dos canais de participa&ccedil;&atilde;o, associados &agrave; emerg&ecirc;ncia de governos de  esquerda, imp&otilde;e &agrave; a&ccedil;&atilde;o dos movimentos? At&eacute; que ponto os conceitos de autonomia e  independ&ecirc;ncia, ou coopta&ccedil;&atilde;o e instrumentaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ainda adequados para  compreender a natureza e os significados dessas intera&ccedil;&otilde;es?</p>      <p> Ao tomar essas quest&otilde;es como norte, o texto busca explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre  contexto e estrat&eacute;gia, entre din&acirc;micas conjunturais e as modalidades  participativas e seus resultados. Como pano de fundo da an&aacute;lise est&aacute; a reflex&atilde;o  sobre como o contexto condiciona os caminhos da intera&ccedil;&atilde;o entre movimentos  sociais e atores pol&iacute;ticos resultando em oportunidades e constrangimentos  espec&iacute;ficos<sup><a name= "s4" href="#4">4</a></sup>. O que se pretende &eacute; explicitar as ambiguidades  e contradi&ccedil;&otilde;es de atuar num contexto que ao mesmo tempo em que amplia as chances  dos movimentos de interagir e desafiar o sistema pol&iacute;tico imp&otilde;e escolhas novas e  dilem&aacute;ticas.</p>      <p> A argumenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; dividida em duas partes. Na primeira, apresento as linhas  te&oacute;ricas gerais que orientam a an&aacute;lise. Busco desenvolver o argumento de que a  rela&ccedil;&atilde;o entre movimentos sociais e sistema pol&iacute;tico &eacute; permeada por uma tens&atilde;o  intr&iacute;nseca entre os princ&iacute;pios da autonomia e da efic&aacute;cia pol&iacute;tica. Na segunda  parte, exploro essa discuss&atilde;o remetendo aos dilemas espec&iacute;ficos da participa&ccedil;&atilde;o  na cidade de S&atilde;o Paulo, tendo como refer&ecirc;ncia emp&iacute;rica o caso do movimento de  moradia.</p>      <p><b>AUTONOMIA E EFIC&Aacute;CIA POL&Iacute;TICA: O DESAFIO DA A&Ccedil;&Atilde;O E DA AN&Aacute;LISE</b></p>      <p>A literatura sobre movimentos sociais na Am&eacute;rica Latina, sob forte influ&ecirc;ncia da  teoria dos novos movimentos sociais, n&atilde;o dedicou muita aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s din&acirc;micas dos  movimentos face ao Estado, aos governos e aos partidos (Gohn 2000). Afinal, a  forma de conceber os movimentos e sua &quot;novidade&quot; estava em muitos casos  associada &agrave; nega&ccedil;&atilde;o desses v&iacute;nculos. Por isso n&atilde;o espanta que esse tenha sido,  ao longo do tempo, um tema negligenciado ou quando muito tratado sob os  contornos de um conceito de autonomia apreendido pelo signo da n&atilde;o-rela&ccedil;&atilde;o. Mas,  j&aacute; em meados dos anos 1980, algumas an&aacute;lises apontavam para outras dire&ccedil;&otilde;es,  chamando a aten&ccedil;&atilde;o para as consequ&ecirc;ncias negativas desses pressupostos sobre a  conforma&ccedil;&atilde;o da agenda de pesquisa na &aacute;rea<sup><a name= "s5" href="#5">5</a></sup>. </p>      <p>Se o discurso da    autonomia, como n&atilde;o-rela&ccedil;&atilde;o, remetia ao contexto concreto de luta contra o    estado autorit&aacute;rio; um novo enquadramento para a an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es Estado-Sociedade    abria caminho para uma agenda de pesquisa voltada para os desafios da a&ccedil;&atilde;o    coletiva em contextos democr&aacute;ticos. Por essa via, o que estava em jogo era n&atilde;o    apenas compreender o papel dos movimentos nos processos de transi&ccedil;&atilde;o, mas os    impactos da pol&iacute;tica democr&aacute;tica sobre as din&acirc;micas e as estrat&eacute;gias dos    movimentos. Mas, por diversos motivos, essa provocativa agenda de pesquisa n&atilde;o    encontrou terreno f&eacute;rtil. Especificamente no caso brasileiro, o que se viu nos    anos seguintes, como explica Doimo foi o &quot;imobilismo te&oacute;rico&quot; resultante da    polariza&ccedil;&atilde;o do debate entre autonomia versus institucionaliza&ccedil;&atilde;o seguida, na    d&eacute;cada seguinte, da crise do pr&oacute;prio conceito do movimento social (Doimo 1995;    Gohn 2000; Silva 2005)<sup><a name= "s6" href="#6">6</a></sup>.</p>      <p>Mais recentemente, tanto os obst&aacute;culos quanto os avan&ccedil;os da luta pol&iacute;tica  concreta impuseram novas dire&ccedil;&otilde;es ao debate, apontando para um conceito mais  relacional de autonomia que caminha ao lado de uma concep&ccedil;&atilde;o menos determinista  das fronteiras entre sociedade civil e sociedade pol&iacute;tica (Dagnino 2002; Dagnino,  Olvera e Panfichi 2006). Novos olhares sobre a rela&ccedil;&atilde;o dos movimentos com  Estado, governos e partidos questionam an&aacute;lises consagradas que se pautam na  exist&ecirc;ncia de uma oposi&ccedil;&atilde;o natural, radical e imut&aacute;vel entre os campos, tomados  em si mesmo como homog&ecirc;neos. Nos novos estudos, o mais interessante &eacute; perceber  como a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o entre sociedade civil e sociedade pol&iacute;tica se constitui  como quest&atilde;o emp&iacute;rica e te&oacute;rica a ser enfrentada.</p>      <p> Nessa linha, parto aqui, da compreens&atilde;o de que a natureza e a intensidade das  rela&ccedil;&otilde;es entre movimentos sociais e atores pol&iacute;ticos s&atilde;o diversas assim como o  tipo e o alcance de suas implica&ccedil;&otilde;es. Sustento tamb&eacute;m que apesar dessa  diversidade dos v&iacute;nculos, essas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o marcadas por uma tens&atilde;o intr&iacute;nseca  entre os princ&iacute;pios da autonomia e da efic&aacute;cia pol&iacute;tica, com repercuss&otilde;es sobre  as estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o dos movimentos em conjunturas pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas. A  depender da conjuntura, essa tens&atilde;o pode se apresentar de forma mais ou menos  intensa.</p>      <p>A autonomia &eacute; aqui compreendida, de forma muito preliminar, como a capacidade de  determinado ator de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es com outros atores (aliados, apoiadores  e antagonistas) a partir de uma liberdade ou independ&ecirc;ncia moral que lhe permita  codefinir as formas, as regras e os objetivos da intera&ccedil;&atilde;o, a partir dos seus  interesses e valores. Por essa chave, a autonomia n&atilde;o pressup&otilde;e aus&ecirc;ncia de  rela&ccedil;&atilde;o, mas a disposi&ccedil;&atilde;o e a capacidade de participar com o outro sem perder  certa &quot;dist&acirc;ncia cr&iacute;tica&quot; que permite colocar a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o como objeto de  reflex&atilde;o. Para isso &eacute; preciso ter poder e, no caso dos movimentos, esse poder  adv&eacute;m da for&ccedil;a dos v&iacute;nculos mantidos com a sociedade civil. A inser&ccedil;&atilde;o dos  movimentos nas redes da vida cotidiana - que, segundo Melucci (2001; 2002),  constitui a origem do seu poder - &eacute; que permite aos movimentos realizar essa  dif&iacute;cil tarefa reflexiva, no decorrer da qual sua pr&oacute;pria identidade vai sendo  redefinida. Por essa linha de interpreta&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o da autonomia dos  movimentos remeteria a um esfor&ccedil;o de investiga&ccedil;&atilde;o muito mais focado sobre a  an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o dos movimentos com suas bases sociais, do que propriamente a  sua rela&ccedil;&atilde;o com o sistema pol&iacute;tico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A refer&ecirc;ncia &agrave; efic&aacute;cia pol&iacute;tica remete aos esfor&ccedil;os empreendidos pelos  movimentos no sentido de afetar o jogo pol&iacute;tico e a produ&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es, numa  dire&ccedil;&atilde;o que seja favor&aacute;vel &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos seus interesses<sup><a name= "s7" href="#7">7</a></sup>.  A partir da intera&ccedil;&atilde;o mais ou menos intensa e continuada com atores do campo  pol&iacute;tico-institucional os movimentos buscam o acesso ao poder pol&iacute;tico, de forma  a produzir consequ&ecirc;ncias no plano legislativo, nos processos de produ&ccedil;&atilde;o das  pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, no controle sobre os aparatos administrativos etc. Ao  trabalhar dessa forma o tema da efic&aacute;cia pol&iacute;tica - associando-o ao debate sobre  a autonomia - n&atilde;o busco discutir o sucesso das estrat&eacute;gias empregadas pelos  movimentos (ou seja, o quanto eles conseguem ou n&atilde;o atingir seus objetivos  pol&iacute;ticos), mas considerar as consequ&ecirc;ncias ambivalentes do envolvimento com o  meio ambiente pol&iacute;tico sobre os movimentos e suas escolhas estrat&eacute;gicas. N&atilde;o se  trata, portanto, de avaliar resultados, mas de compreender processos.</p>      <p>Como disse, embora os princ&iacute;pios da autonomia e da efic&aacute;cia n&atilde;o sejam  contradit&oacute;rios trazem aos movimentos exig&ecirc;ncias distintas, requerem  investimentos e apostas espec&iacute;ficas, que no geral encontram dificuldade de serem  compatibilizados na pr&aacute;tica. No caso dos movimentos populares, essa tens&atilde;o est&aacute;  ainda mais presente. A disputa pelo acesso ao Estado e aos recursos p&uacute;blicos,  fundamental para a conquista e universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos b&aacute;sicos de cidadania,  muitas vezes acaba resultando numa sobredetermina&ccedil;&atilde;o dos aspectos instrumentais  e estrat&eacute;gicos da a&ccedil;&atilde;o, relegando ao segundo plano a comunica&ccedil;&atilde;o dos movimentos  com suas bases. Quando isso acontece, a identidade do movimento passa a se  definir muito mais pela sua rela&ccedil;&atilde;o com o Estado ou com os partidos, do que a  partir da sua localiza&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria (Munck 1997, 17), com resultados perversos  no que se refere &agrave; quest&atilde;o da autonomia. A instrumentaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre  sociedade civil e sociedade pol&iacute;tica, nesse caso, parece esvaziar os potenciais  de mudan&ccedil;a advindos das rela&ccedil;&otilde;es entre os campos; embora possa resultar em  avan&ccedil;os concretos em termos de conquistas materiais. Nesse resultado, os  movimentos passam a atuar muito mais como demandantes de bens e servi&ccedil;os (e a  serem assim reconhecidos), do que como atores que oferecem &agrave; sociedade novas  formas de nomea&ccedil;&atilde;o da realidade, a partir do exerc&iacute;cio de sua fun&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica (Melucci  2001). &Eacute; o potencial dos movimentos para acionar os conflitos, a partir e no  interior das diferentes modalidades participativas, que se encontra em xeque. Se  essa tens&atilde;o e esses riscos s&atilde;o constitutivos das rela&ccedil;&otilde;es entre movimentos  sociais e sistema pol&iacute;tico, determinados cen&aacute;rios os exacerbam ao facultar aos  movimentos populares maiores possibilidade de acesso ao Estado e de influ&ecirc;ncia  sobre as pol&iacute;ticas.</p>      <p><b>O MOVIMENTO DE MORADIA DA CIDADE DE S&Atilde;O PAULO</b></p>      <p>O movimento de moradia (doravante M&Uuml;M) &eacute; hoje o principal movimento popular da  cidade de S&atilde;o Paulo<sup><a name= "s8" href="#8">8</a></sup>. O movimento tem um grande poder de convoca&ccedil;&atilde;o e de  mobiliza&ccedil;&atilde;o, no geral articulando repert&oacute;rios de a&ccedil;&atilde;o variados - que v&atilde;o das  ocupa&ccedil;&otilde;es de pr&eacute;dios p&uacute;blicos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os institucionais. S&atilde;o  movimentos com atua&ccedil;&atilde;o multiescalar e &eacute; comum em v&aacute;rios deles a atua&ccedil;&atilde;o  descentralizada nos territ&oacute;rios. S&atilde;o atores importantes que colocam na agenda  p&uacute;blica o tema do direito a morar, articulado ao importante debate sobre o  direito &agrave; cidade.</p>      <p>Embora forte e com consider&aacute;vel visibilidade na cidade, &eacute; um movimento muito  fragmentado internamente. H&aacute; uma intensa competi&ccedil;&atilde;o entre o conjunto das  organiza&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;e esse campo e s&atilde;o frequentes as diverg&ecirc;ncias e rachas,  que geram novas organiza&ccedil;&otilde;es, muitas vezes com um perfil similar. O movimento &eacute;  uma rede ampla, heterog&ecirc;nea e complexa, cujas organiza&ccedil;&otilde;es se contam &agrave;s  centenas. Por certo, no momento em escrevo esse texto, novas diverg&ecirc;ncias  provocam realinhamentos no interior do campo e em breve resultar&atilde;o em novas  organiza&ccedil;&otilde;es de movimento, tornando ingrata a tarefa de definir as fronteiras do  campo movimentalista na &aacute;rea da moradia.</p>      <p>Um dos aspectos mais comumente mobilizados, pelos atores e pela bibliografia de  refer&ecirc;ncia, para explicar essas disputas remete &agrave; diverg&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s  formas de atua&ccedil;&atilde;o. Especificamente, a utiliza&ccedil;&atilde;o (ou n&atilde;o) da estrat&eacute;gia de  ocupar pr&eacute;dios e terrenos vazios como forma de luta e as vantagens e limites do  di&aacute;logo com o Estado. Uma parte do movimento defende o trabalho no campo  legislativo e na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, via participa&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os  institucionais como o Conselho de Habita&ccedil;&atilde;o e o Or&ccedil;amento Participativo,  combinado com a press&atilde;o direta (por exemplo, as ocupa&ccedil;&otilde;es breves) para  fortalecer essas lutas e garantir as conquistas. Nesse grupo, estariam as  organiza&ccedil;&otilde;es filiadas &agrave; Uni&atilde;o do Movimento de Moradia. Outras organiza&ccedil;&otilde;es do  campo, que se dizem mais combativas, criticam essa estrat&eacute;gia de aproxima&ccedil;&atilde;o com  o Estado, as &quot;conversas de gabinete&quot; e defendem a centralidade da ocupa&ccedil;&atilde;o para  morar como forma de luta. Nesse grupo, encontramos as organiza&ccedil;&otilde;es filiadas ao  F&oacute;rum de Luta por Moradia, que se dizem mais aut&oacute;nomas e defensoras da a&ccedil;&atilde;o  direta. Um importante espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o dos movimentos visando &agrave; influ&ecirc;ncia nas  pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; o Conselho Municipal de Habita&ccedil;&atilde;o<sup><a name= "s9" href="#9">9</a></sup>, que conta com o  engajamento de uma parte dessas organiza&ccedil;&otilde;es de movimento.</p>      <p>Embora as diverg&ecirc;ncias em torno das formas de encaminhar a luta (resultado das    diferentes tradi&ccedil;&otilde;es a que as organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o vinculadas) possam explicar    algumas clivagens no interior da rede, gostaria aqui de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para    outra fonte de tens&atilde;o, no geral n&atilde;o explicitada. Qual seja: a disputa pelo    acesso aos programas e recursos governamentais, mais precisamente, aos programas    de moradia e pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias para popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. Essa tens&atilde;o    est&aacute; relacionada, por sua vez, ao papel que os movimentos de moradia passaram a    ocupar (ou tentam ocupar) na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica habitacional. Por    essa via podemos ler desde outra chave a quest&atilde;o da fragmenta&ccedil;&atilde;o dos movimentos    e a dificuldade em coordenar as a&ccedil;&otilde;es no interior desse campo.</p>      <p>A pr&oacute;pria forma como est&aacute; constru&iacute;da a pol&iacute;tica habitacional, pulverizada numa    dezena de espa&ccedil;os de poder, em diversos n&iacute;veis federal, estadual e municipal (Cymbalista    e Santoro 2007) leva os movimentos a terem que atuar em diferentes espa&ccedil;os e a    partir de diferentes estrat&eacute;gias acirrando as diverg&ecirc;ncias e a competi&ccedil;&atilde;o entre    eles. A aus&ecirc;ncia de recursos suficientes para atender a demanda alimenta um    circuito no qual a oferta de participa&ccedil;&atilde;o ao inv&eacute;s de refor&ccedil;ar os par&acirc;metros e    crit&eacute;rios p&uacute;blicos, parece permitir ao governo acomodar precariamente a demanda    e, ao mesmo tempo, manter sua base eleitoral cativa nos territ&oacute;rios onde os    movimentos t&ecirc;m ascend&ecirc;ncia e poder.</p>          <p>Apesar do discurso anti-institucional, com a abertura democr&aacute;tica os movimentos    de moradia foram cada vez mais assumindo um papel de media&ccedil;&atilde;o entre os governos    e as comunidades, assumindo o papel de organizar e influenciar a sele&ccedil;&atilde;o da    demanda por moradia, principalmente no caso dos governos populares. Num contexto    de escassez, as organiza&ccedil;&otilde;es passam a disputar entre si, e com o governo, o    direito de indicar as fam&iacute;lias a serem beneficiadas pelos novos programas    habitacionais. Muitas vezes, uma ocupa&ccedil;&atilde;o bem sucedida - ou seja, da qual    resulte a desapropria&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel - significa garantir para a organiza&ccedil;&atilde;o ou    organiza&ccedil;&otilde;es de movimento que se envolveram diretamente na luta a prerrogativa    de indicar parte das fam&iacute;lias a serem beneficiadas. Conseguir junto ao governo    que um percentual dos &quot;benef&iacute;cios&quot; (na forma de unidades habitacionais,    pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias, como Bolsa aluguel, ou outros projetos) venha para sua    organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para qualquer lideran&ccedil;a, uma vez que nisso consistir&aacute;    seu poder de convoca&ccedil;&atilde;o junto &agrave;s bases. Por outro lado, a capacidade de    negocia&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o junto &agrave;s in&uacute;meras ag&ecirc;ncias estatais respons&aacute;veis pela    pol&iacute;tica depende do n&uacute;mero de militantes que a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; capaz de recrutar.    N&atilde;o &eacute; uma equa&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil. Em qualquer caso, a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; o que ir&aacute; garantir a    efic&aacute;cia da a&ccedil;&atilde;o. Muitas vezes o que chamamos de &quot;militante&quot; &eacute; na verdade um    &quot;cliente&quot;, para o qual a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; o pre&ccedil;o que se paga pelo acesso a um bem.    No geral, a inclus&atilde;o da fam&iacute;lia na lista dos benefici&aacute;rios segue os crit&eacute;rios    dos movimentos, que costumam premiar aqueles que t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o mais ativa nas  assembleias, nos atos e ocupa&ccedil;&otilde;es promovidos pelo movimento:</p>  <ul>    <p>N&oacute;s pedimos que participe, porque a sua participa&ccedil;&atilde;o vai te dar o passaporte...    Porque se voc&ecirc; n&atilde;o participa, eu n&atilde;o posso tirar de quem t&aacute; participando pra dar    para quem n&atilde;o t&aacute; participando. N&oacute;s estamos passando por esse problema com o    despejo &#91;da ocupa&ccedil;&atilde;o Pl&iacute;nio Ramos&#93; porque foi feita uma assembleia... e foi    decidido que quem sa&iacute;sse do pr&eacute;dio antes do despejo, n&atilde;o seria contemplado com    alguns benef&iacute;cios que sa&iacute;sse para as fam&iacute;lias que ficassem at&eacute; o dia do despejo.    Muitas fam&iacute;lias ca&iacute;ram fora. E a&iacute; n&atilde;o d&aacute; porque &eacute; injusti&ccedil;a com quem participou    e sofreu na hora da press&atilde;o policial (entrevista com militante do Movimento de  Moradia da Regi&atilde;o Central, em Bloch 2008, 105).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As pessoas participam das reuni&otilde;es, participam das lutas que n&oacute;s promovemos e    est&atilde;o habilitadas para serem contempladas dentro de qualquer conquista que a    gente tem (entrevista com militante do Movimento de Sem Teto do Centro, em Bloch  2008, 116).</p>    </ul>      <p>Uma vez que o acesso aos programas habitacionais passa pela participa&ccedil;&atilde;o no    movimento, n&atilde;o s&oacute; o Estado, mas tamb&eacute;m as lideran&ccedil;as constru&iacute;am sua clientela    dentre os menos favorecidos. Nesse processo, h&aacute; uma interessante reconfigura&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o entre lideran&ccedil;as e bases do movimento, paralela &agrave; redefini&ccedil;&atilde;o da    rela&ccedil;&atilde;o entre o movimento e as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Em ambos, como duas faces    da mesma moeda, a defesa da autonomia parece ceder espa&ccedil;o a certo pragmatismo    envergonhado, onde o que conta &eacute; a efic&aacute;cia da a&ccedil;&atilde;o. Essa tamb&eacute;m &eacute; uma pista que    buscaremos aprofundar em pesquisas futuras. Vejamos agora como o movimento de    moradia buscou sobreviver, conquistar e garantir direitos nos jogos labir&iacute;nticos  da pol&iacute;tica municipal.</p>      <p><b>AT&Uuml;ANDO EM CEN&Aacute;RIOS COMPLEXOS</b></p>      <p>Come&ccedil;o esse item reconhecendo minha d&iacute;vida com um texto curto, mas muito preciso    de Ra&uacute;l Zibechi, intitulado &quot;Movimientos sociales: nuevos escenarios y desafios    in&eacute;ditos&quot;, publicado em 2006, na revista Osal/Clacso. Nesse texto, Zibechi chama    a aten&ccedil;&atilde;o para os impactos da ascens&atilde;o dos novos governos de esquerda (em seus    diferentes matizes) na Am&eacute;rica Latina sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e    suas rela&ccedil;&otilde;es com sistema pol&iacute;tico. O autor destaca as dificuldades dos    movimentos para se situarem nesse novo cen&aacute;rio, e a tend&ecirc;ncia &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o do    campo movimentalista refletindo as diferentes estrat&eacute;gias assumidas pelos    movimentos diante de governos que, embora possam situarse no plano das    esquerdas, mostram diferentes n&iacute;veis de continuidade com o modelo hegem&oacute;nico (Zibechi  2006).</p>      <p>No caso brasileiro, a reconfigura&ccedil;&atilde;o do PT &eacute; um dado da conjuntura que confere    especificidade a essa an&aacute;lise. No decorrer dos anos 1990, as vit&oacute;rias eleitorais    do nosso maior partido de esquerda, o Partido dos Trabalhadores, foram    acompanhadas de uma mudan&ccedil;a no perfil do Partido. Nessa reorienta&ccedil;&atilde;o    program&aacute;tica, a rela&ccedil;&atilde;o com os movimentos e a pr&oacute;pria ideia de participa&ccedil;&atilde;o,    embora continuasse sendo valorizada, foi assumindo um sentido cada vez mais    instrumental. Como duas faces de uma mesma moeda, o &quot;pragmatismo envergonhado&quot;    dos movimentos - ao qual me referi anteriormente - parece encontrar abrigo no    pragmatismo das lideran&ccedil;as e governos petistas. Nesse cen&aacute;rio, como vou buscar    demonstrar, os riscos &agrave; autonomia dos movimentos em rela&ccedil;&atilde;o aos governos    petistas n&atilde;o parece estar na proximidade entre os movimentos e os atores  pol&iacute;ticos, mas na dist&acirc;ncia entre eles.</p>      <p>A intensa comunica&ccedil;&atilde;o, articula&ccedil;&atilde;o e interdepend&ecirc;ncia entre os movimentos    populares, o Partido e os governos petistas - que resultaram em importantes    conquistas da cidadania na hist&oacute;ria brasileira recente - s&atilde;o estrat&eacute;gias ainda    hoje muito presentes e valorizadas. Contudo, essa constante intera&ccedil;&atilde;o parece    cada vez mais se dar sob um vazio de expectativas e apostas comuns em rela&ccedil;&atilde;o ao    futuro. A aposta principal parece ser aquela que se renova a cada ciclo    eleitoral. Como buscarei sustentar aqui &eacute; essa dist&acirc;ncia entre sociedade civil e    sociedade pol&iacute;tica - em cen&aacute;rios espec&iacute;ficos que favorecem a intensa articula&ccedil;&atilde;o    e interdepend&ecirc;ncia entre esses dois campos - somada a um tipo espec&iacute;fico de    rela&ccedil;&atilde;o entre os movimentos e suas bases sociais, que colocam em risco a    autonomia dos movimentos e n&atilde;o a proximidade que eles mant&ecirc;m com o meio    pol&iacute;tico-institucional. As pesquisas realizadas em S&atilde;o Paulo ajudam a    desenvolver o argumento.</p>      <p align=center><a name=t1></a><img src="img/revistas/rci/n71/n71a04t1.jpg"></p>        <p>A constru&ccedil;&atilde;o da arquitetura participativa na cidade de S&atilde;o Paulo mostra que a    emerg&ecirc;ncia de governos de esquerda resultou em amplia&ccedil;&atilde;o dos canais de di&aacute;logo    com a sociedade. Como vemos na tabela, a hist&oacute;ria da participa&ccedil;&atilde;o e do controle    social na cidade de S&atilde;o Paulo segue uma trajet&oacute;ria irregular e descont&iacute;nua, na    qual a vontade pol&iacute;tica dos governos emerge como vari&aacute;vel explicativa central.    Na tabela, nota-se que a cria&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os participativos na cidade    concentrase no per&iacute;odo referente &agrave;s duas gest&otilde;es do Partido dos Trabalhadores    (1989-1992 e 2001-2004). Em 1989, a elei&ccedil;&atilde;o de Luiza Erundina colocou em curso o    movimento de amplia&ccedil;&atilde;o e complexifica&ccedil;&atilde;o da arena de formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas,    com a cria&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios canais institucionais de participa&ccedil;&atilde;o, dentre os quais    se destacam os conselhos gestores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a primeira experi&ecirc;ncia    de Or&ccedil;amento Participativo na cidade. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2000, com Marta Suplicy, o    PT reassume o comando da capital. Nos oito anos de gest&otilde;es conservadoras (com    Paulo Maluf e Celso Pita) v&aacute;rios desses espa&ccedil;os foram fechados e a interlocu&ccedil;&atilde;o    com os movimentos passou a se dar apenas a partir de forte press&atilde;o nas ruas. A    volta do PT colocou novamente em movimento a &quot;sanfona participativa&quot; (Avritzer    2004), ampliando os espa&ccedil;os e os canais institucionalizados para a media&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica entre governo e movimentos sociais da cidade, com destaque para o    retorno do Or&ccedil;amento Participativo e a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o em    novas &aacute;reas como habita&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a p&uacute;blica, popula&ccedil;&atilde;o de rua etc. Do total de    espa&ccedil;os participativos hoje em funcionamento na Prefeitura, 31% foram criados    entre 2001 e 2004.</p>          <p>Os diferentes projetos pol&iacute;ticos dos governos resultaram concretamente em maior    ou menor possibilidade de acesso ao Estado, impactando as estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o    dos movimentos. Um olhar panor&acirc;mico sobre a trajet&oacute;ria do movimento de moradia    evidencia essas idas e vindas.</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No governo da petista Luiza Erundina (1989-1992) o movimento de moradia passou a    atuar num cen&aacute;rio altamente favor&aacute;vel, o que n&atilde;o significa que a rela&ccedil;&atilde;o entre    governo e movimento fosse isenta de conflitos. A &aacute;rea de habita&ccedil;&atilde;o era uma    prioridade do governo, assim como o di&aacute;logo com os movimentos populares como    forma de operacionaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Nesse contexto, as formas de intera&ccedil;&atilde;o    com o Estado se alteraram:</p>      <ul>    <p>Os movimentos em outros governos eram meramente reivindicativos. Iam para a    porta da Prefeitura para desestabilizar o Estado... Sempre enxerg&aacute;vamos o Estado    como inimigo a servi&ccedil;o da burguesia. No governo de Luiza Erundina, passamos a    enxergar o Estado de uma forma diferenciada, n&atilde;o mais como inimigo, mas como o    parceiro do movimento (Cavalcanti 2006, 72).</p>    </ul>          <p>J&aacute; nos governos Maluf e Pitta (1993-2000), a resist&ecirc;ncia do Estado em negociar    com os movimentos levou a intensifica&ccedil;&atilde;o das ocupa&ccedil;&otilde;es, agora n&atilde;o s&oacute; na    periferia, mas principalmente na regi&atilde;o central da cidade, sob a bandeira do    direito &agrave; moradia no centro. S&oacute; a UMM (Uni&atilde;o dos Movimentos de Moradia), entre    1995 e 1999, afirma ter organizado mais de trinta ocupa&ccedil;&otilde;es em pr&eacute;dios p&uacute;blicos    no centro de S&atilde;o Paulo. Com a volta do PT, na gest&atilde;o de Marta Suplicy    (2001-2004), novos espa&ccedil;os para a discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o sobre a pol&iacute;tica de    habita&ccedil;&atilde;o foram criados, e novos programas e projetos habitacionais para    popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda foram implementados. Com isso, abriram-se novas    oportunidades de atua&ccedil;&atilde;o para as organiza&ccedil;&otilde;es do movimento de moradia,    principalmente aquelas ligadas de forma mais ou menos direta ao Partido dos    Trabalhadores, resultando numa diminui&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es de protesto, como    as ocupa&ccedil;&otilde;es, que diminu&iacute;ram consideravelmente. Os movimentos mais bem    posicionados no interior da rede conseguiram relativa influ&ecirc;ncia sobre as    inst&acirc;ncias governamentais, dirigindo parte significativa dos seus recursos para    a interven&ccedil;&atilde;o nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas,</p>      <ul>    <p>Foi em novembro de 1999 que n&oacute;s tentamos a &uacute;ltima ocupa&ccedil;&atilde;o mesmo. E dali pra c&aacute;    eu falei &quot;chega&quot;. Eu j&aacute; tava a ponto de ser presa... Depois come&ccedil;ou a surgir os    programas do PAT, da&iacute; come&ccedil;ou a surgir o programa PAR, da&iacute; elegemos a Marta,    come&ccedil;amos a discutir loca&ccedil;&atilde;o social, bolsa-aluguel, a&iacute; veio o Conselho de    Habita&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o da&iacute; come&ccedil;ou a dar um rumo diferente, mas at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o tinha    nada disso (entrevista com lideran&ccedil;a do F&oacute;rum de Corti&ccedil;os, em Bloch 2008, 113).</p>    </ul>          <p>Em 2004, o PSDB, ao lado do DEM, assume o governo municipal e, no ano seguinte,    o estadual colocando para as organiza&ccedil;&otilde;es populares ligadas ao campo petista,    ainda maioria no interior da rede, dificuldades para atua&ccedil;&atilde;o no campo    institucional. Um exemplo claro &eacute; a atua&ccedil;&atilde;o dos movimentos no Conselho Municipal    de Habita&ccedil;&atilde;o. Enquanto no governo de Marta Suplicy, 16 cadeiras do Conselho    foram ocupadas por organiza&ccedil;&otilde;es populares ligadas ao movimento de moradia, na    gest&atilde;o seguinte do Conselho, j&aacute; no governo Serra, nenhuma organiza&ccedil;&atilde;o ligada ao    movimento popular conseguiu se reeleger. O di&aacute;logo com os movimentos se daria    via encontros bilaterais entre as articuladoras (UMM e FLM) e o Secret&aacute;rio de    Habita&ccedil;&atilde;o, que nessa gest&atilde;o era um representante do mercado imobili&aacute;rio. Nesse    contexto, a press&atilde;o e a mobiliza&ccedil;&atilde;o sobre os governos municipal e estadual    voltam a ocupar centralidade nas estrat&eacute;gias das organiza&ccedil;&otilde;es, mesmo no caso    daquelas que tinham reorientado sua pr&aacute;tica numa dire&ccedil;&atilde;o &quot;mais propositiva&quot;, ao    lado de uma intensifica&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es no plano federal, tendo em vista o contexto    mais favor&aacute;vel p&oacute;s-elei&ccedil;&atilde;o de Lula.</p>      <ul>    <p>... por falta de di&aacute;logo com a prefeitura de S&atilde;o Paulo. Ent&atilde;o, n&atilde;o vai ter    alternativa n&oacute;s vamos ter que retomar novamente o processo de ocupa&ccedil;&atilde;o aqui no    Centro (entrevista com lideran&ccedil;a da ULC, em Bloch 2008, 119).</p>          <p>N&oacute;s fomos para Bras&iacute;lia esse ano que o Lula entrou. No primeiro ano e no    segundo, fomos porque tinha um projeto de lei de iniciativa popular que era o    Fundo Nacional de Moradia Popular. . N&oacute;s tivemos 15 audi&ecirc;ncias, uma delas foi    com o presidente Lula... (entrevista com lideran&ccedil;a da ULC, em Bloch 2008, 99).</p>    </ul>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ou seja, o que o caso do movimento de moradia evidencia &eacute; que em resposta &agrave;s    mudan&ccedil;as no ambiente pol&iacute;tico, em particular a maior ou menor abertura do Estado    &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es do movimento alteraram suas formas de a&ccedil;&atilde;o,    revendo as estrat&eacute;gias de intera&ccedil;&atilde;o com o Estado. Como resultado, os movimentos    produziram novos cen&aacute;rios mais ou menos favor&aacute;veis &agrave; conquista dos seus    interesses, que lhes desafiaram, mais uma vez, a rever suas formas de a&ccedil;&atilde;o. As    estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o foram se construindo e modificando no pr&oacute;prio jogo    relacional, a partir de uma avalia&ccedil;&atilde;o mais ou menos objetiva do poder relativo    de cada ator, em cada conjuntura espec&iacute;fica. O que vimos na pesquisa &eacute; que, na    pr&aacute;tica, o uso de uma ou outra modalidade participativa - assim como a    combina&ccedil;&atilde;o entre elas - aparece fortemente condicionado pelo contexto no qual as    organiza&ccedil;&otilde;es do movimento atuam. A exist&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que    incorpora a participa&ccedil;&atilde;o popular no seu processo de planejamento e implementa&ccedil;&atilde;o    tende a empurrar as organiza&ccedil;&otilde;es - at&eacute; mesmo as mais &quot;radicais&quot; - a diferentes    formas de negocia&ccedil;&atilde;o com o Estado; enquanto, pelo contr&aacute;rio, uma pol&iacute;tica    p&uacute;blica menos perme&aacute;vel &agrave; influ&ecirc;ncia dos atores societais tende a empurrar as    organiza&ccedil;&otilde;es - at&eacute; mesmo as mais &quot;propositivas&quot; - a diferentes formas de a&ccedil;&atilde;o    direta. Claro que a forma como cada organiza&ccedil;&atilde;o do movimento responde a esses    diferentes contextos, assim como os resultados que obt&ecirc;m varia, dentre outras    coisas, em fun&ccedil;&atilde;o dos seus recursos organizacionais, de sua posi&ccedil;&atilde;o relativa no    interior da rede (e em particular os seus v&iacute;nculos relacionais), e de seus    projetos pol&iacute;ticos.</p>          <p>Em governos de esquerda os movimentos tendem a valorizar a maior oferta de    participa&ccedil;&atilde;o estatal e a disputar nessas inst&acirc;ncias seus projetos e interesses.    Mas, tendem tamb&eacute;m a orientar sua a&ccedil;&atilde;o por uma disposi&ccedil;&atilde;o menos conflitiva e uma    postura de maior concilia&ccedil;&atilde;o, evitando a press&atilde;o sobre os governos e diminuindo    o uso do protesto como forma de negocia&ccedil;&atilde;o. Seja para garantir seus interesses    particulares ou para garantir a governabilidade a partir de uma agenda de    esquerda, os movimentos tendem a diminuir a dist&acirc;ncia cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao    Estado e ao partido submetendo, consequentemente, suas agendas de mais longo    prazo ao ritmo e &agrave;s exig&ecirc;ncias pr&oacute;prias &agrave;s disputas eleitorais. Esse processo    tende a aumentar a fragmenta&ccedil;&atilde;o no interior do campo movi-mentalista (como    Zibechi tamb&eacute;m apontou) e pode resultar, em longo prazo, no enfraquecimento dos    movimentos contraditoriamente &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias de suas bandeiras em    programas e pol&iacute;ticas de governo. Os dilemas da participa&ccedil;&atilde;o no governo da    petista Marta Suplicy (2001 a 2004) s&atilde;o exemplares nesse sentido.</p>          <p>Realizamos uma pesquisa junto a importantes lideran&ccedil;as de movimentos sociais da    cidade pedindo que avaliassem as caracter&iacute;sticas e os resultados da participa&ccedil;&atilde;o    no governo de Marta Suplicy, j&aacute; no apagar das luzes do seu governo<sup><a name= "s10" href="#10">10</a></sup>. As entrevistas destacaram a positividade desse momento novo,   </p>      <ul>    <p>O espa&ccedil;o do di&aacute;logo &eacute; muito maior do que os governos anteriores, os dois    anteriores &#91;...&#93; nem se compara, porque antes voc&ecirc; nem chegava. Agora voc&ecirc; chega    e fala, &agrave;s vezes eles n&atilde;o te ouvem. Mas voc&ecirc; fala, d&aacute; sua opini&atilde;o, critica &#91;.&#93;    quer dizer que o espa&ccedil;o &eacute; aberto para o di&aacute;logo (entrevista com militante de    Movimento de Combate &agrave; Fome, em Ta-tagiba e Teixeira 2005, 67-68).</p>    </ul>          <p>E tamb&eacute;m apontaram para o problema: a cis&atilde;o entre discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o, entre    debate e execu&ccedil;&atilde;o. A ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o em torno da realiza&ccedil;&atilde;o da Primeira    Confer&ecirc;ncia Municipal de Habita&ccedil;&atilde;o, encabe&ccedil;ada pelo governo de Marta Suplicy &eacute;    um bom exemplo. Quem explica &eacute; Cavalcanti:</p>      <ul>    <p>A PMSP elaborou um arrojado calend&aacute;rio de atividades preparat&oacute;rias que a    antecederiam, naquilo que se tornou o mais importante debate p&uacute;blico j&aacute;    realizado sobre o tema na cidade. As Pr&eacute;-Confer&ecirc;ncias &#91;.&#93; foram realizadas em    todas as regi&otilde;es de S&atilde;o Paulo... Contaram com a presen&ccedil;a de mais de 20.000    pessoas &#91;...&#93; foram eleitos mais de 2.300 delegados, em grande parte    representantes do movimento de moradia. Ap&oacute;s a conclus&atilde;o das longas etapas de    discuss&atilde;o, e as subsequentes vota&ccedil;&otilde;es onde eram elencadas as prioridades chegou-se    ao documento final, contendo as delibera&ccedil;&otilde;es de um processo onde mais de 25.000    cidad&atilde;os tomaram parte. A Prefeitura &#91;.&#93; fez o inesperado: pouco ou quase nada    do que foi deliberado pela confer&ecirc;ncia foi executado (Cavalcanti 2006, 99-100).</p>    </ul>          <p>Uma das experi&ecirc;ncias mais lembradas pelos entrevistados foi o or&ccedil;amento    participativo. Nas an&aacute;lises o tom cr&iacute;tico prevaleceu, em relatos que    reconstru&iacute;ram o percurso que foi do entusiasmo ao desencanto com o op. O    sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o pela falta de resultados concretos, a tend&ecirc;ncia &agrave;    instrumentaliza&ccedil;&atilde;o e manipula&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o popular, a fragilidade da    representa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e o uso pol&iacute;tico partid&aacute;rio dos espa&ccedil;os    participativos permearam as avalia&ccedil;&otilde;es sobre o op nas diversas regi&otilde;es    pesquisadas.</p>      <ul>    <p>A popula&ccedil;&atilde;o no come&ccedil;o veio, acreditando e encheu algumas plen&aacute;rias com mais de    tr&ecirc;s mil pessoas, porque acreditavam. . S&oacute; a inscri&ccedil;&atilde;o foi at&eacute; as 5 horas da    tarde &#91;.&#93; de tanta gente que participou. porque acreditavam... E foi    decepcionante. ... &Eacute; um canal que foi esvaziando, perdeu a credibilidade    (entrevista com militante da &aacute;rea de crian&ccedil;a e adolescente, em Tatagiba e    Teixeira 2005, 57).</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>          <p>Pesou para essa avalia&ccedil;&atilde;o dos movimentos, a pr&aacute;tica da gest&atilde;o no governo Marta    Suplicy, que ao mesmo tempo em que institu&iacute;a pol&iacute;ticas participativas,    demonstrando seu compromisso com a bandeira de democratiza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o p&uacute;blica;    mantinha uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica de negocia&ccedil;&atilde;o com a C&acirc;mara de Vereadores que    passava pelo loteamento de cargos nas subprefeituras, tema muito presente nas    entrevistas (Tatagiba e Teixeira 2005, 78). Essa forma de gest&atilde;o da    governabilidade teve impactos diretos sobre o exerc&iacute;cio da participa&ccedil;&atilde;o,    principalmente no &acirc;mbito dos territ&oacute;rios. Nas palavras dos entrevistados, &eacute; como    se &quot;os leil&otilde;es de subprefeituras pelo executivo municipal&quot; tivessem contribu&iacute;do    para uma rela&ccedil;&atilde;o mais clientelista dos movimentos com os parlamentares, &quot;se eles    det&ecirc;m o poder nas subprefeituras&quot;, os movimentos n&atilde;o podem prescindir do contato    com eles (entrevista com militante da &aacute;rea da cultura, em Tatagiba e Teixeira    2005, 94). Outro lado da mesma quest&atilde;o &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o dos entrevistados sobre as    realiza&ccedil;&otilde;es sociais do governo. O governo de Marta Suplicy teve, segundo os    entrevistados, resultados muito positivos na &aacute;rea social; mas s&atilde;o resultados que    parecem descolados dos canais de participa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, n&atilde;o podem ser associados    a conquistas provenientes da influ&ecirc;ncia ou da press&atilde;o dos movimentos.</p>          <p>Em refer&ecirc;ncia a esse quadro mais amplo, os movimentos realizaram uma    interessante autoavalia&ccedil;&atilde;o. Nessa autoavalia&ccedil;&atilde;o, destacam o peso de atuar num    contexto onde o interlocutor do movimento &eacute; um governo que deve ser pressionado    e, ao mesmo tempo, fortalecido. Em governos de esquerda, os movimentos    associados a esse campo &eacute;tico-pol&iacute;tico agem sob o fio da navalha, tentando    responder a exig&ecirc;ncias contradit&oacute;rias. Uma express&atilde;o das ambiguidades e    ambival&ecirc;ncias que esse cen&aacute;rio inaugura aparece na inquietante formula&ccedil;&atilde;o de uma    lideran&ccedil;a da UMM ao referir-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o Movimento, o PT e    o governo na gest&atilde;o de Marta Suplicy: &quot;n&oacute;s acabamos pecando talvez por n&atilde;o    exigir mais da Marta, pressionando mais. E, por outro lado, pecando tamb&eacute;m    porque n&atilde;o conseguimos reeleger ela&quot; (Cavalcanti 2006, 125). Na esteira desse    argumento encontramos um conjunto de manifesta&ccedil;&otilde;es, como as que se seguem:</p>      <ul>    <p>Quando a gente ia com o subprefeito, ou at&eacute; no diret&oacute;rio &#91;do PT&#93;, a gente ouvia    que era importante respeitar a governabilidade. E n&oacute;s, como movimento, e lutando    pelo Partido, fomos coniventes. Eu acho que n&oacute;s n&atilde;o tomamos atitude nenhuma em    respeito ao Partido. E hoje d&oacute;i quando a gente v&ecirc; que n&atilde;o fomos respeitados em    nenhum momento (fala de uma lideran&ccedil;a em S&atilde;o Paulo, na oficina promovida pelo    Observat&oacute;rio dos Direitos do Cidad&atilde;o, em Tatagiba e Teixeira 2005, 101-102).</p>          <p>Na gest&atilde;o Marta n&oacute;s pecamos &#91;.&#93; deveria ter feito mais no come&ccedil;o, bater muito    mais, ir pra cima, e n&oacute;s n&atilde;o fomos por causa dessa confus&atilde;o de que &eacute; &quot;o nosso    governo&quot; (entrevista com representante da Uni&atilde;o para a Luta de Corti&ccedil;os, em    Bloch 2008, 129).</p>          <p>H&aacute; governo popular, diminui o grau de press&atilde;o; h&aacute; governo conservador e direita,    aumenta o grau de press&atilde;o. &Eacute; fato tamb&eacute;m que &eacute; poss&iacute;vel voc&ecirc; enxergar o maior    avan&ccedil;o das pol&iacute;ticas sociais nos governos ditos populares. O grau de amarrar    acordo com as associa&ccedil;&otilde;es no governo popular eles s&atilde;o mais constru&iacute;dos do que em    um governo conservador &#91;...&#93; de repente isso tamb&eacute;m gera outro tipo de    pactua&ccedil;&atilde;o evitando uma press&atilde;o maior (entrevista com representante da Uni&atilde;o dos    Movimentos de Moradia, em Cavalcanti 2006, 122).</p>    </ul>          <p>Se os compromissos com o governo popular limitaram o uso do protesto como    estrat&eacute;gia de luta, o intenso tr&acirc;nsito dos militantes para dentro das estruturas    estatais renovava o compromisso agora celebrado n&atilde;o apenas com o governo, no    sentido geral, mas com determinadas secretarias onde nomes fortes do movimento    passaram a ocupar postos de comando. Esse tr&acirc;nsito fortaleceu indiretamente as    agendas dos movimentos, ao mesmo tempo em que dificultou o processo de    mobiliza&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o das bases, tendo em vista o deslocamento de    importantes lideran&ccedil;as para a sociedade pol&iacute;tica. O tr&acirc;nsito de militantes se    dava n&atilde;o apenas na dire&ccedil;&atilde;o do governo, mas tamb&eacute;m para os diret&oacute;rios zonais do    PT, assim como para os gabinetes dos parlamentares ligados ao partido. Segundo    sugere Cavalcanti, esse &eacute; um dado novo que marca a passagem de um padr&atilde;o de    lideran&ccedil;a volunt&aacute;ria para uma lideran&ccedil;a profissionalizada. Tomando como    referente emp&iacute;rico o caso da UMM, ele avalia: &quot;Se no decorrer da d&eacute;cada de 1980    e come&ccedil;o dos 1990, a maioria das lideran&ccedil;as entrevistadas militava de forma    volunt&aacute;ria na UMM, durante os anos da gest&atilde;o Marta, estas mesmas pessoas atuavam    nos movimentos de forma profissionalizada, ou seja, ganhavam dinheiro para atuar    politicamente&quot; (Cavancanti 2006, 103-104). Essa mudan&ccedil;a no padr&atilde;o da lideran&ccedil;a &eacute;    um tema que merece ser aprofundado em estudos futuros. Por enquanto, o que    pretendo sugerir &eacute; que a presen&ccedil;a de governos de esquerda ao mesmo tempo em que    amplia as chances de sucesso dos movimentos, parece ter como efeito colateral    uma maior gravita&ccedil;&atilde;o dos movimentos em torno das arenas e estruturas estatais,    tendo como din&acirc;mica propulsora as energias advindas das disputas eleitorais.    Todo esse contexto obviamente impacta as formas de atua&ccedil;&atilde;o no interior dos    espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o, revelando as dimens&otilde;es complexas a partir das quais se  combinam democracia participativa e representativa<sup><a name= "s11" href="#11">11</a></sup>.</p>      <p>   <b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b>    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Em um contexto de tantas e diversas car&ecirc;ncias, os movimentos populares no    Brasil, como nos demais pa&iacute;ses latino-americanos, vivem o que Maristela Svampa    define como o dilema de acomodar a urg&ecirc;ncia das demandas com projetos de corte  emancipat&oacute;rio<sup><a name= "s12" href="#12">12</a></sup>. Um dilema que n&atilde;o &eacute; resolvido pela maior abertura de espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o, pela intensifica&ccedil;&atilde;o dos canais de di&aacute;logo  com o Estado, mas que se torna, como vimos, ainda mais complexo a partir deles.</p>      <p>Neste artigo, o que pretendi foi explicitar as ambiguidades e contradi&ccedil;&otilde;es de  atuar num contexto que ao mesmo tempo em que amplia as chances dos movimentos de  interagir e desafiar o sistema pol&iacute;tico imp&otilde;e escolhas novas e dilem&aacute;ticas.  Pressionar e defender o governo, a partir e para al&eacute;m dos espa&ccedil;os institucionais  de participa&ccedil;&atilde;o; fazer avan&ccedil;ar a agenda de esquerda impondo a realiza&ccedil;&atilde;o dos  seus potenciais emancipat&oacute;rios e garantir a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia material da  organiza&ccedil;&atilde;o agora &quot;facilitada&quot; pela intensidade dos tr&acirc;nsitos entre movimentos e  arenas estatais; empurrar o sistema para al&eacute;m dos seus limites e evitar o  esgar&ccedil;amento da prec&aacute;ria coes&atilde;o que viabiliza vit&oacute;rias nos sucessivos pleitos  eleitorais; aprofundar a democracia exigindo a realiza&ccedil;&atilde;o da sua dimens&atilde;o  redistributiva e garantir a governabilidade democr&aacute;tica desde a esquerda etc.</p>      <p>Essas s&atilde;o algumas das exig&ecirc;ncias paradoxais que os movimentos enfrentam quando  do outro lado est&aacute; um governo que deve ser defendido, dos ataques da direita, e  disputado no interior do pr&oacute;prio campo com tend&ecirc;ncias que buscam limitar o jogo  pol&iacute;tico aos ritmos e exig&ecirc;ncias da l&oacute;gica partid&aacute;ria representativa. Nesse  quadrante de exig&ecirc;ncias conflitantes, os movimentos enfrentam o desafio de  coordenar suas a&ccedil;&otilde;es. A consequ&ecirc;ncia de reconhecermos essa complexidade e  acolhermos as dimens&otilde;es contradit&oacute;rias do presente &eacute; evitar, a todo custo,  an&aacute;lises dicot&ocirc;micas e simplificadoras. Nas rela&ccedil;&otilde;es entre movimentos sociais e  institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (assim como na an&aacute;lise dessas rela&ccedil;&otilde;es) o desafio, como  resta claro, seria como manter viva a tens&atilde;o entre autonomia e efic&aacute;cia pol&iacute;tica  partindo do reconhecimento das fronteiras entre os campos e, ao mesmo tempo, do  intenso e potencialmente produtivo tr&acirc;nsito dos atores entre elas. Reconhecer a  especificidade dos campos e suas l&oacute;gicas espec&iacute;ficas, sem refor&ccedil;ar as dicotomias  e polaridades interpretativas que t&ecirc;m limitado o avan&ccedil;o do debate te&oacute;rico,  parece nessa agenda de pesquisa uma das exig&ecirc;ncias centrais.</p>  <hr>      <p><b>Comentarios</b></p>      <p><sup><a name="**" href="#s**" >**</a></sup> Uma versao ampliada deste artigo integra o livro Interrogating the Civil Society  Agenda: Social Movements, Civil Society, and Democratic Innovation. Editado por  Sonia E. Alvarez, Gianpaolo Baiocchi, Agust&iacute;n La&oacute;-Montes, Jeffrey W. Rubin e  Millie Thayer (no prelo). Agradego aos coment&aacute;rios de Sonia Alvarez, Gianpaolo  Baiocchi e Evelina Dagnino pelos coment&aacute;rios a vers&oacute;es preliminares deste texto.  Aos pareceristas da Revista Colombia Internacional, sou grata pela leitura  atenta que contribuir&aacute; para o avango da agenda de pesquisa &aacute; qual esse artigo se  vincula. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimiento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPQ)  e ao Institut de Recherche pour le D&eacute;vel-oppement/Franga (IRD) agradego o apoio  financeiro para o desenvolvimento da pesquisa. Alerto aos leitores que por tratar-se  de pesquisa ainda em andamento, as an&aacute;lises aqui apresentadas mant&eacute;m uma  natureza essencialmente explorat&oacute;ria. </p>      <p><sup><a name="1" href="#s1" >1</a></sup> O tema da participac&aacute;o em governos de esquerda &eacute; o objeto  da pesquisa Os paradoxos da participagao: o governo Lula e suas relacoes com a  sociedade civil. Dessa pesquisa parti-cipam, al&eacute;m da presente autora, Evelina  Dagnino (Unicamp), Ana Cl&aacute;udia Chaves Teixeira (Instituto P&oacute;lis), Gianpaolo  Baiocchio (Brown University), Lizandra Serafim (Unicamp). A discuss&aacute;o da  participac&aacute;o no Governo Lula integra um esforco de pesquisa internacional e  comparado intitulado Interrogating the Civil Society Agenda: Social Movements,  Civic Participation, and Democratic Innovation. O projeto &eacute; coordenado pelo  Center for Latin American, Caribbean, and Latino Studies (CLACLS), University of  Massachusetts, Amherst (UMass), sob coordenac&aacute;o geral de S&oacute;nia Alvarez. </p>      <p><sup><a name="2" href="#s2" >2</a></sup> Refirome aqui tanto aos diversos mecanismos de  participac&aacute;o direta e semidireta institu&iacute;dos pela Constituic&aacute;o de 1988, como  complemento &aacute; democracia representativa, como as diversas outras conquistas que  foram sendo regulamentadas nos anos seguintes: o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), a  Lei Org&aacute;nica da Assist&eacute;ncia Social (Loas), o Estatuto da Crianca e do  Adolescente (ECA), o Sistema &Uacute;nico de Assist&eacute;ncia Social (Suas), o Estatuto da  Cidade, o Sistema Nacional de Habitac&aacute;o de Interesse Social (SNHIS) etc.</p>      <p><sup><a name="3" href="#s3" >3</a></sup> H&aacute; mais de 10 anos, esse balanco vem sendo um dos temas privilegiados no  &aacute;mbito do Grupo de Estudos sobre a Construc&aacute;o Democr&aacute;tica. Para uma produc&aacute;o  coletiva, ver GECD    <br> 1999. </p>      <p><sup><a name="4" href="#s4" >4</a></sup> Uma inspirac&aacute;o te&oacute;rica importante aqui &eacute; a Teoria do Processo Pol&iacute;tico, tal  como formulada principalmente por Sidney Tarrow (1997). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="5" href="#s5" >5</a></sup> No caso brasileiro, remeto a Cardoso 1983, Cardoso e  Correa 1987, Boschi 1983, Kowarick 1987 e Jacobi 1989. </p>      <p><sup><a name="6" href="#s6" >6</a></sup> Para uma avaliac&aacute;o cr&iacute;tica desse &quot;deslocamento tem&aacute;tico&quot; e a subsequente  valorizac&aacute;o do conceito de sociedade civil, ver Lavalle, Castello e Bichir 2007. </p>      <p><sup><a name="7" href="#s7" >7</a></sup> Quando falo em efic&aacute;cia pol&iacute;tica dos movimentos estou, por v&iacute;cio de origem,  limitando meu olhar a um tipo de consequ&eacute;ncia da ac&aacute;o dos movimentos. Contudo,  tenho consci&eacute;ncia de que os movimentos n&aacute;o orientam sua ac&aacute;o unicamente pela a  interac&aacute;o com o sistema pol&iacute;tico, tampouco que a capacidade dos movimentos de  atuar como agente de mudanca se restrinja a essa interac&aacute;o. </p>      <p><sup><a name="8" href="#s8" >8</a></sup> A relac&aacute;o entre o MOM e as instituicoes pol&iacute;ticas na  cidade de S&aacute;o Paulo &eacute; objeto de pesquisa do Grupo de pesquisa em movimentos  sociais e ac&aacute;o coletiva, da Unicamp, no &aacute;mbito de uma pesquisa internacional e  comparada envolvendo Franca, Brasil e M&eacute;xico, intitulada Processos e atores  latino-americanos da participagao - Palapa, financiada pelo IRD, Franca. </p>      <p><sup><a name="9" href="#s9" >9</a></sup> O Conselho de Habitac&aacute;o surgiu da press&aacute;o dos movimentos de moradia e de  reforma urbana. Ainda em 1990, no processo de discuss&aacute;o da Lei Org&aacute;nica  Municipal de S&aacute;o Paulo, esses apresentaram emenda popular sobre reforma urbana e  gest&aacute;o democr&aacute;tica da cidade, prevendo a criac&aacute;o do Conselho de Habitac&aacute;o, com  um total de 12.277 assinaturas. </p>      <p><sup><a name="10" href="#s10" >10</a></sup> Refiro-me aqui a um estudo emp&iacute;rico realizado em parceria com o Instituto  P&oacute;lis (Instituto de Estudos, Formac&aacute;o e Assessoria em Pol&iacute;ticas Sociais), entre 2004 e  2005. O estudo tinha como objetivo compreender se e de que maneira o processo de  descentralizac&aacute;o administrativa, iniciado com a implantac&aacute;o das subprefeituras  no governo de Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, impactou a forma como  a participac&aacute;o cidad&aacute; ocorria na cidade de S&aacute;o Paulo. Dentre outras coisas, a  pesquisa evidenciou que o investimento dos movimentos nos espacos de  participac&aacute;o - e, tamb&eacute;m, a leitura que faziam dos resultados e limites dessas  experi&eacute;ncias - aparecia fortemente condicionado pelo tipo de relac&aacute;o  estabelecida com os atores pol&iacute;tico-institucionais nos territ&oacute;rios. O relat&oacute;rio  final da pesquisa est&aacute; em Tatagiba e Teixeira 2005. O texto est&aacute; dispon&iacute;vel para  download em <a target="_blank" href="http://www.polis.org.br">http://www.polis.org.br</a>. Desdobramentos desse estudo podem ser  encontrados tamb&eacute;m em Tatagiba e Teixeira 2007. </p>      <p><sup><a name="11" href="#s11" >11</a></sup> Em Tatagiba e Teixeira 2007 buscamos examinar mais de perto o que chamamos  de &quot;com-binac&aacute;o subordinada&quot; entre democracia participativa e representativa. </p>      <p><sup><a name="12" href="#s12" >12</a></sup> Embora a refer&eacute;ncia da autora seja ao movimento piqueteiro, creio ser  poss&iacute;vel ampliar o argumento para o conjunto dos movimentos populares. </p>  <hr>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p> <b>Avritzer, Leonardo</b>. 2004. A participa&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo. S&atilde;o Paulo: UNESP.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0121-5612201000010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Bloch, Janaina Aliano</b>. 2008. O direito &agrave; moradia: um estudo dos movimentos de  luta pela moradia no centro de S&atilde;o Paulo. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade  de S&atilde;o Paulo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0121-5612201000010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Boschi, Renato</b>. 1983. Movimentos sociais e institucionaliza&ccedil;&atilde;o de uma ordem. Rio  de Janeiro: IUPERJ.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0121-5612201000010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Cardoso, Ruth</b>. 1983. Movimentos sociais: balan&ccedil;o cr&iacute;tico. Em Sociedade e  pol&iacute;tica no Brasil p&oacute;s-64, orgs. Bernardo Sorj, Maria Herminia Tavares de  Almeida. S&atilde;o Paulo: Brasiliense. 0.0..&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0121-5612201000010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Cardoso, Ruth e Leite Correa</b>. 1987. Movimentos sociais na Am&eacute;rica Latina.  Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais 3 (1).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0121-5612201000010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Cavalcanti, Gustavo</b>. 2006. Uma concess&atilde;o ao passado: trajet&oacute;rias da Uni&atilde;o dos  Movimentos de Moradia de S&atilde;o Paulo. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidad de S&atilde;o  Paulo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0121-5612201000010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Cymbalista, Renato e Paulo Freire Santoro</b>. 2007. Habita&ccedil;&atilde;o - avalia&ccedil;&atilde;o da  pol&iacute;tica municipal 2005-2006. Em Habita&ccedil;&atilde;o e controle social da pol&iacute;tica  P&uacute;blica, Renato Cymbalista. S&atilde;o Paulo: Observat&oacute;rio dos Direitos do Cidad&atilde;o,  P&oacute;lis, PUC-SP.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0121-5612201000010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Dagnino, Evelina</b>. 2002. Sociedade civil, espa&ccedil;os p&uacute;blicos e a constru&ccedil;&atilde;o  democr&aacute;tica no Brasil. Em Sociedade Civil e Espa&ccedil;os P&uacute;blicos no Brasil, org.  Evelina Dagnino. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0121-5612201000010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Dagnino, Evelina, Alberto Olvera e Aldo Pancichi, orgs</b>. 2006. A disputa pela  constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica na Am&eacute;rica Latina. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0121-5612201000010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Doimo, Ana Maria</b>. 1995. A vez e a voz do popular: movimentos sociais e  participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no Brasil p&oacute;s-70. Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0121-5612201000010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Grupo de Estudos sobre a Constru&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica (GECD)</b>. 1999. Os movimentos  sociais e a constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica: sociedade civil, esfera p&uacute;blica e gest&atilde;o  participativa. Id&eacute;ias 5(2)76(1): 7-122.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0121-5612201000010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Gohn, Maria da Gl&oacute;ria</b>. 2000. Teoria dos movimentos sociais. S&atilde;o Paulo: Loyola.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0121-5612201000010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Jacobi, Pedro</b>. 1989. Movimentos Sociais e Estado: efeitos pol&iacute;tico-institucionais  da a&ccedil;&atilde;o coletiva. Em Demandas populares, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e sa&uacute;de, vol. 2, org.  Nilson do Rosario Costa, 13-35. Petr&oacute;polis: Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0121-5612201000010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Kowarick, L&uacute;cio</b>. 1987. Movimentos urbanos no Brasil contempor&acirc;neo: uma an&aacute;lise  da literatura. Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais I (3): 38-50.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0121-5612201000010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Lavalle, Adri&aacute;n Gurza, Peter Houtzager e Renata Mirandola Bichir</b>. 2007. Redes e  capacidade de a&ccedil;&atilde;o na sociedade civil. O caso de S&atilde;o Paulo - Brasil. Revista  Hispana para el An&aacute;lisis de las Redes Sociales 12 (6). <a target=_blank href="http://revista-redes.rediris.es/html-vol12/Vol12_6.htm">http://revista-redes.rediris.es/html-vol12/Vol12_6.htm</a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0121-5612201000010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Melucci, Alberto</b>. 2001. A inven&ccedil;&atilde;o do presente. Movimentos sociais nas  sociedades complexas. Petr&oacute;polis: Vozes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0121-5612201000010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>____. 2002. Acci&oacute;n colectiva, vida  cotidiana y democracia. M&eacute;xico: El Colegio de M&eacute;xico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0121-5612201000010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Munck, Geraldo</b>. 1997. Forma&ccedil;&atilde;o de atores, coordena&ccedil;&atilde;o social e estrat&eacute;gia  pol&iacute;tica: problemas conceituais do estudo dos movimentos sociais. Dados 40 (1).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0121-5612201000010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Silva, Marcelo Kunrath</b>. 2005. Trazendo os atores sociais de volta. Pontos para  uma agenda de pesquisa sobre A&ccedil;&atilde;o coletiva, movimentos sociais e socieda de  civil. Vers&atilde;o preliminar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0121-5612201000010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Tarrow, Sidney</b>. 1997. El poder en movimiento. Madri: Alianza Editorial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0121-5612201000010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Tatagiba, Luciana</b>. 2008. Participa&ccedil;&atilde;o e reforma do Estado: sobre a arquitetura  da participa&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo, Brasil. Em New voices in the study of democracy in  Latin America, orgs. Guillermo O&#39;Donnell, Joseph Tulchin, Augusto Varas e Adam  Stubits. Washington: Woodrow Wilson Center Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0121-5612201000010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Tatagiba, Luciana e Teixeira Ana Claudia Chaves</b>. 2005. Movimentos sociais e  sistema pol&iacute;tico: os desafios da participa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: P&oacute;lis.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0121-5612201000010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>____. 2007. Democracia representativa y participativa: &iquest;complementariedado  combinaci&oacute;n subordinada? reflexiones acerca de las instituciones participativas  y la gesti&oacute;n p&uacute;blica en la ciudad de Sao Paulo (2000-2004). Em Contralor&iacute;a y  participaci&oacute;n social en la gesti&oacute;n p&uacute;blica, CLAD. Caracas: CLAD.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0121-5612201000010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><b>Zibechi, Ra&uacute;l</b>. 2006. Movimientos sociales: nuevos escenarios y desaf&iacute;os  in&eacute;ditos. QSAL VII (21): 221-230.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0121-5612201000010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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